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Ecetistas em Luta Boletim

Edição São Paulo - ano IX- nº 730 - terça-feira, 10 de dezembro de 2013

- Distribuição gratuita -

Órgão da corrente nacional Ecetistas em Luta

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INTRANSIGÊNCIA

ECT QUER QUE JUSTIÇA MULTE FENTECT POR FAZER GREVE Ao mesmo tempo em que VIGEP da ECT faz reuniões paralelas com sindicalistas traidores do PT, PCdoB e PSTU dizendo que quer negociar questões do pós-greve, ECT insiste em ação judicial para multar Fentect e sindicatos pela greve de 2013

Na terça-feira, 3 de novembro, às 10 horas, realizou-se na 21° Vara do foro trabalhista de Brasília, uma audiência de instrução e julgamento, com base em uma ação trabalhista movida pela ECT (empresa de correios brasileira), exigindo o pagamento de multa pelas entidades dos trabalhadores da categoria, com a falsa argumentação de que essas fecharam as portas do edifício, impedindo qualquer um de entrar no local. A ação é direcionada contra a Fentect (a federação nacional da categoria) e o Sintect-DF (sindicato local, filiado à Fentect) pela manifestação os trabalhadores ecetistas em frente ao edifício sede de Brasília, durante a greve de 2013. Além de o argumento principal ser uma mentira descarada, uma vez que existem oito entradas no edifício, a ação esconde o verdadeiro objetivo da direção dos Correios, que é o medo de que os trabalhadores se acostumem a fazer manifestações massivas em frente ao edifício sede da empresa em Brasília, que

nas últimas greves se tornou uma ação indispensável do movimento. Como o fato que originou a ação judicial já não existe, que é a greve, a juíza que presidia a audiência sugeriu ao advogado da ECT a renúncia da demanda. Até porque o próprio TST (Tribunal Superior do Trabalho) considerou a greve legal, sem nenhum incidente. No entanto, diferente das mentiras contadas pela empresa no seu boletim interno “Primeira hora” e pelo atual Vigep (Vice–presidente de Gestão de Pessoas, Nelson de Freitas), no qual dizem querem resolver as pendências da categoria na ilegal “Mesa Nacional de Negociação Permanente” (MNPP), o advogado da ECT afirmou que a vontade da Direção da empresa é punir as organizações sindicais dos trabalhadores. Diante da intransigência dos Correios, a juíza declarou que irá julgar se os trabalhadores vão ter que pagar a multa de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) por fazer greve. Esta postura ditatorial da direção da ECT na au-

diência é mais uma prova das más intenções destes verdadeiros capitães-do-mato que dirigem a empresa. Se mesmo diante do fato de que a ação judicial que perdeu totalmente o seu objeto, o sentido da causa, a direção da ECT não desiste de atacar a categoria, imagine se a empresa concederia de boa vontade, sem pressão nenhuma, algum tipo de ganho para os trabalhadores. Por isso, os trabalhadores não devem acreditar que a direção da ECT quer negociar algum benefício para categoria na ilegal MNNP, ainda mais quando as negociações visam dividir a categoria com a retirada da representação da Fentect na mesa de negociação e inserir os traidores dos sindicatos ligados à “Federação Paraguaia”, como Sintect-SP e Sintect-RJ, na tramoia.

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PARALISAÇÃO NACIONAL

GREVE GERAL PARA DEFENDER O CORREIOS SAÚDE Paralisações já estão ocorrendo em diversas cidades. É hora de organizar a greve nacional em dezembro contra os ataques da ECT

A direção dos Correios continua em sua investida para destruir o Plano de Saúde dos trabalhadores dos Correios. Há pelo menos 10 anos a categoria luta pela manutenção desse benefício. Ele é particularmente importante para a categoria diante dos baixos salários dos ecetistas. Para se ter uma ideia, a média salarial de um trabalhador do Correio é R$ 1.080,00 após o reajuste desse ano. Se as mudanças que a empresa pretende implementar no plano de saúde se concretizar, uma boa parte desse já baixo salário deverá ser comprometido com a saúde do ecetista e sua família. A empresa diz que tem gasto muito dinheiro com o serviço médico e por isso quer implementar o Postal Saúde. Mas, por outro lado, a empresa se recusa a realizar mudanças simples que poderiam representar um ganho na saúde da categoria, portanto, economia nos gastos da empresa: a entrega pela manhã.

A atitude da ECT de impor mudanças no Correios Saúde sem atender a reivindicações simples como a entrega pela manhã, mostra que o que a empresa quer é mesmo diminuir seus custos, onerando os trabalhadores, e, principalmente, atendendo à pressão dos seguros de saúde privada (Unimed, Golden Cross, Amil e outros) que há anos tentam lucrar com a saúde dos mais de 120 mil trabalhadores dos Correios. Contra tudo isso é fundamental mobilizar os trabalhadores na base. Para impedir que a luta contra esse ataque se concretize a empresa está por um lado tramando uma traição com os tradicionais pelegos da categoria, através da chamada Mesa de Negociação Permanente. E por outro lado está retaliando grevistas, com cortes nos salários, mudanças no trabalho, de setor etc. Em muitas cidades pelo interior do País a empresa já está desafiando os trabalhadores e descredenciando hospitais, clí-

nicas etc. dizendo que o serviço só voltará a funcionar com o Postal Saúde implementado. A empresa faz chantagem até com o cartão magnético, uma reivindicação histórica dos trabalhadores. Por outro lado, os pelegos dizem que não adianta mais fazer nada, pois o Postal Saúde é uma realidade e não adianta fazer mais nada. A única verdade é que o Plano de Saúde se manteve até hoje, apesar de todos os problemas, pela luta dos trabalhadores. Lembrando que ainda está em andamento o processo na justiça movido pela Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios) que está sendo adiado por pressão da ECT. Mobilizar a categoria para uma grande e forte greve é a única maneira de dizer não ao Postal Saúde. Dezembro é o momento ideal diante da quantidade de serviço. Defender melhorias e não a privatização do serviço médico com uma greve nacional da categoria em dezembro.

NO BRASIL, O NEGRO NÃO TEM DIREITOS

Muito se teorizou sobre a miscigenação no Brasil e a suposta convivência pacífica entre negros e brancos. Escritores e sociólogos compararam nosso país aos Estados Unidos ou à Africa do Sul, onde o racismo era flagrante e hediondo, inclusive com leis de segregação racial. Isso fez com que muitos se iludissem com o verdadeiro caráter do racismo e da situação do negro. Há as estatísticas: são os que ganham menos, os que morrem mais e compõem a esmagadoria maioria da população carcerária do país. Mas a situação fica mais evidente quando se trata da ação da polícia. Há pouco veio a público um documento interno da polícia militar de Campinas, no qual se orientava expressamente a abordagem de negros e pardos. Diversos casos se tornaram conhecidos em que negros foram

presos ao serem “flagrados” dirigindo um carro que era muito caro para ser dele, um negro. Ou casos como do homem que foi assassinado pelo segurança de uma loja simplesmente porque calçava chinelos e esperando sua mulher do lado de fora. Mas dificilmente sucedem cenas tão esclarecedoras como a que se deu no Shopping Vitória, Espírito Santo, no dia 30 de novembro. Nesse dia, vários jovens negros estavam num baile funk, quando esse foi violentamente dissolvido pela polícia militar. Os jovens, assustados, procuraram se refugiar no referido local. Tal fato causou um alvoroço entre o lojistas e consumidores, que se sentiram “ameaçados”, imaginando que era um arrastão ou algo do tipo. Imediatamente, a polícia agiu, caçando todos os jovens que se enquadravam no padrão, ou seja, negros. Depois, conduziu-os em

fila indiana e fez com que sentassem no chão com as mãos na cabeça; expondo-os ao público e dando um tratamento humilhante contra pessoas que não haviam feito absolutamente nada. O fato de serem negros já os transformou automaticamente em suspeitos. Os policiais chegaram de armas em punho, jogando alguns deles no chão e batendo em outros, segundo testemunhas. A maioria deles era menor de idade. O que fizeram no shopping é o que fazem nas favelas e periferias, mas geralmente longe dos olhos do público. Os caso de Amarildo, dos jovens Douglas e Jean, todos assassinados pela polícia, mostram como funciona a “democracia racial” brasileira: os negros simplesmente não têm direitos. Podem ser humilhados, presos, torturados e assassinados. Diante dessa verdadeira ditadura imposta aos negros, os brancos fecham os olhos.

Boletim Ecetistas em Luta SP n° 730 - 10/12/13  

Boletim da oposição ao Sintect-SP desta terça-feira

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