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Ecetistas em Luta Boletim

Edição Brasília - ano IX- nº 97 - quarta-feira, 27 de novembro de 2013

- Distribuição gratuita -

Órgão da corrente nacional Ecetistas em Luta

Na Internet: olhovivoecetista.blogspot.com.br • fones: (61) 3225-9155 ou 9556-4183 (Juliano) ou 8448-4709 (Perci) Receba o boletim Ecetistas em Luta por e-mail, escreva para: correios@pco.org.br

A PRIVATIZAÇÃO DOS CORREIOS NÃO É EXCLUSIVIDADE DO BRASIL

A corrente Ecetistas em Luta vem acompanhando e participa há muitos anos, desde o início, da luta no movimento sindical dos Correios. A luta contra a privatização é uma das principais bandeiras dos trabalhadores, algo comum nas empresas estatais. No Brasil, a direção ECT está atacando o Plano de Saúde dos trabalhadores. Em Portugal, está em andamento da privatização dos correios, os CTT. Ambos são casos em que os capitalistas internacionais estão de olho em parasitar ao máximo os trabalhadores.

A privatização dos correios é um fenômeno internacional. Basta um breve olhar sobre os países para descobrirmos que em vários países, as empresas de correios estão sofrendo uma pressão dos capitalistas. Em Portugal, a privatização é exigência da Troika (como ficou conhecida a comissão composta pelo FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia). A enorme crise financeira que atingiu praticamente toda a Europa fez com que as privatizações servissem como uma das moedas de troca para a injeção de dinheiro para “salvar” os bancos. No pacote, logicamente também estavam a destruição da previdência pública, as

demissões, o arrocho salarial etc. O governo Português está concretizando a venda de 70% dos CTT e anunciou que até o ano que vem vai privatizar 100% da empresa, seguindo os compromissos estabelecidos. Outro País que passa por uma enorme crise em seu serviço de correio são os Estados Unidos. O governo norte-americano já demitiu dezenas de milhares de funcionários do US Postal Service usando como argumento os enormes prejuízos dado pela empresa estatal. Na Inglaterra, o governo quer colocar em prática o que está chamando de “reestruturação” do correio, que na linguagem neoliberal significa privatização. Os mesmos problemas enfrentam os correios na França. As empresas de correios nos vários países foram as últimas estatais que restaram da enorme onda de privatizações nos anos 80 e 90. Esse é um dos motivos pelo qual há uma tendência geral de privatização das empresa de correio. Os banqueiros e capitalistas atacam esfomeados tudo o que ainda resta das economias dos países. No Brasil, as tentativas de privatização da ECT vêm de longa data. A mobilização da categoria, uma das que mais fez greve nas últimas décadas, impediu a privatização da empresa, inclusive durante os dois governos FHC, quando os tucanos entregaram boa parte da economia nacional. Mas a ECT não se livrou de “pequenas privatizações”, como é o caso das franquias e das terceirizações que a cada dia aumentam na empresa. O ataque ao Plano de Saúde da categoria é parte dessa

tentativa de fazer uma privatização por baixo dos panos. O Convênio Médico é uma das mais importantes conquistas dos trabalhadores e custa muito dinheiro para a empresa. Os banqueiros, aliados com a cúpula da empresa (PT-PMDB-PCdoB) aprovaram às escondidas dos trabalhadores uma caixa de assistência chamada Postal Saúde. A ideia da empresa é que o convênio médico passasse a ser gerado pela Postal Saúde, aumentando cobranças de mensalidades e cortando dependentes. Em uma palavra, caso a ECT seja bem sucedida nesse empreendimento, seria a privatização do Plano de Saúde da empresa. Um enorme prejuízo para os trabalhadores. A privatização dos serviços públicos que ainda restam é a política do imperialismo em todos os países. As empresas de correios são um dos principais alvos dos banqueiros internacionais.

Participe da Plenária Nacional da Corrente Ecetistas em Luta Domingo, 1° de dezembro, em São Paulo, vamos discutir o balanço da campanha salarial e o fortalecimento da oposição nacional para derrotar de vez os traidores da nossa categoria

Na Rua Apotribu, n° 111, próximo ao Metrô Saúde.


Boletim Ecetistas em Luta - edição Brasília

TRABALHO NOTURNO E AOS SÁBADOS

SE A ECT QUER REDUZIR A JORNADA, A LEI EXIGE A MANUTENÇÃO SALARIAL Direção dos Correios não discutiu nenhuma mudança durante a campanha salarial e agora quer impor redução nos salários

Se a ECT quer reduzir a jornada, a lei exige a manutenção salarial Direção dos Correios não discutiu nenhuma mudança durante a campanha salarial e agora quer impor redução nos salários A categoria dos correios vem lutando pelo fim do trabalho no final de semana. Agora a direção da empresa decidiu fazer isso da maneira mais brutal para os trabalhadores. A direção da ECT esperou acabar a campanha salarial para começar a colocar em prática o fim do trabalho aos sábados e o fim do turno noturno em setores operacionais. Isso está em andamento em São Paulo, no Paraná... mas para não dizer que é uma decisão da empresa que está se expandindo para todo o país, os chefes convidam os trabalhadores e orientam que assinem documento abrindo mão do trabalho aos sábados. Por trás de tudo isso está uma política geral de terceirização em massa e corte de gastos. A empresa quer que a categoria trabalhe de

graça. Convoca para grevistas para compensar no final de semana enquanto dispensa os trabalhadores regulares. Tanto uma quanto outra prática é ilegal. Primeiro porque no Acórdão do Tribunal Superior do Trabalho não diz que a compensação é banco de horas. Ao contrário, diz que ela vai ser compensada em acordo com o trabalhador e nos dias de semana. Sem convocação em feriados ou finais de semana. Se a empresa decidiu acabar com o trabalho aos sábados e o noturno ótimo, arque com isso. Em São Paulo existem denúncias de setores operacionais como Jaguaré, Saúde, Santo Amaro, Mooca, onde a empresa com o objetivo de reduzir os custos está fechando o chamado Turno 3 e transferindo todo o pessoal para o Turno 1 da manhã ou Turno 2 da tarde. Essa transferência arbitrária, por decisão da empresa, não pode refletir nos rendimentos dos trabalhadores. Muitos dos que trabalham aos

sábados ou no noturno fazem isso justamente para ter um complemento salarial, especialmente tendo em vista os baixos salários pagos pela ECT. De acordo com a Constituição Federal, “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo”. A empresa não discutiu nenhuma dessas mudanças no acordo coletivo, não vai ser agora que vai impor isso à revelia da lei e trazendo prejuízos para os trabalhadores. Só para se ter uma ideia do prejuízo, para quem trabalha a noite o impacto imediato é de pelo menos 30% pela perda do adicional noturno. No caso de quem trabalha no sábado as perdas são semelhantes. Os trabalhadores já estão se mobilizando nos setores de trabalho e caso a ECT continue com esses ataques a greve de dezembro terá mais uma motivação para acontecer, não à redução de salário!

ECT e sindicalistas do PT e PSTU querem legalizar os traidores da Findect A direção da ECT está tentando organizar um golpe contra o Plano de Saúde da categoria através de um reunião paralela com os sindicatos. O teor do golpe é o mesmo que vem tentando colocar em prática nas duas últimas campanhas salariais: dividir o movimento nacional da categoria. Para isso, contam com a ajuda dos sindicatos do PCdoB/ CTB, amplamente repudiados pelos trabalhadores, para aprovar todo o tipo de ataque. Mas a empresa tem um problema: não só os sindicatos divisionistas não tem nenhum apoio da categoria, como o próprio TST foi obrigado a reconhecer que a Fentect é a única que pode negociar e a única representação nacional da categoria. A empresa jogou todas as suas fichas nos divisionistas

e por enquanto, tudo o que se vê é que cada vez mais o PCdoB/CTB está se afundando em uma crise irreversível. Agora, a direçao da ECT está usando os pelegos que ainda estão dentro da Fentect para tentar recolocar os traidores do PCdoB/CTB nas negociações. Todos os que assinaram a ata da reunião entre os presidentes dos sindicatos e a empresa no último dia 12 estão ajudando a empresa a ressuscitar os traidores. Os pelegos do PT e do PSTU/Conlutas querem reviver a velha aliança com o PCdoB para aprovar todo o tipo de ataque patronal contra os trabalhadores. A oposição nacional agora é maioria na Fentect, apoiada pelos trabalhadores. Por isso, a empresa tem verdadeiro horror de negociar com o comando

amplo da Fentect, pois sabe que será muito difícil conseguir levar adiante sua política. Os velhos pelegos e traidores (PT-PCdoB-PSTU), que antes dominavam a federação contra a luta da categoria, também tem verdadeiro horror dos trabalhadores e da oposição, pois sabe que não existe mais lugar para traições na Fentect. As reuniões com a ECT e os sindicatos é a tentativa desesperada da empresa e dos pelegos de reviverem os anos em que faziam e desfaziam contra a vontade e os interesses da categoria. Por isso, todos os trabalhadores e os sindicalistas realmente combativos devem repudir a tentativa da empresa de quebrar a unidade nacional da categoria para atacar o convênio médico dos trabalhadores.


Boletim Ecetistas em Luta DF 97 - 27/11/13