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Claudio Ferlauto

O inventor de uma profissão em tipografia

OlharGráfico

Entrevista com Henrique Nardi

Construção da imagem por meio de um cartaz O Curso de Design Gráfico com ênfase em (à esquerda) é um dos exercícios projetuais tipografia, na Universidade Anhembi Morumbi, na pós em design gráfico da FAAP que agora coordenado por José Neto de Faria oferece um Curso de Extensão em Sinalização, desenvolve um trabalho diversificado e focado ambos coordenados por Carlos Perrone. nas demandas contemporâneas do mercado. Informações | 11 3662-7449 | pos.secretaria@faap.br

Revista Gráfica #91–92. Miran: uma diabólica mostra de arte/colagem de Diego Max e um artigo de muitas páginas com o Ferlauto.

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Informações | www.anhembi.br

Publicações culturais cujo tema é design e cultura na cidade de São Paulo: – Zeitgeist , design e filosofia – Sepa, cultura de imigrantes. Karen Alves, Débora Soares, Rhaíza Fontes e outros.

Cartazes

Pós graduação em Design Gráfico, FAAP, 2013

OlharGráfico

Pergunta para lá do início: quando você se decidiu pela tipografia?

Me decidi pela tipografia ainda na minha graduação em design (1998–2001). Durante o curso, conheci o fanzine Design de Bolso da dupla Elesbão & Haroldinho – rico em experimentações gráficas – e a revista Tupigrafia; pude realizar trabalhos sobre legibilidade, entrevistando profissionais; e pesquisar a história do Gráfico Amador no projeto final. O fato dos meus pais possuírem uma gráfica certamente contribuiu para essa decisão. E qual era sua relação com a gráfica familiar?

Era uma gráfica offset de pequeno porte, onde cresci decalcando cartelas de Letraset, desenhando na mesa de luz, fazendo experimentos com a gravadora de chapas, com xerox e heliografia. Nos tempos de colégio, projetava e imprimia em offset o informativo do grêmio estudantil. Ainda não sabia o que era design gráfico, mas já o praticava. Pergunta pertinente: quando voce sentiu que podia ser um profissional e ganhar a vida com a tipografia ou com design tipográfico?

Foi durante os primeiros anos do Tipocracia. Em 2004 o site do projeto possuía um cadastro para pessoas interessadas em participar dos cursos. A procura superou minhas expectativas. O cadastro apontava para as cidades em que havia maior chance de formar turma. Com o tempo percebi que havia uma demanda crescente por conhecimento especializado sobre tipografia entre os estudantes e profissionais de design e comunicação visual.

– Thaís Makino

Pergunta entre uma e outra: que atividades –design, ilustração, editorial– você curtiu e produziu nesse período entre o início e hoje?

– Miriam Zlochevsky Tunchel

– Luciana Benatti Carvalho

Projeto Garage, um escritório de design: – material promocional. Thaís Valoto, Andreia Felippe, Keila Cordeiro e outros.

Basicamente sou meu próprio designer, criando as peças de comunicação que meus projetos demandam: cartazes e flyers para o Tipocracia; identidade visual de eventos, como os primeiros DiaTipos e a exposição Caixa de Letras, que aconteceu em Brasília, em 2011; cartazes e flyers para os Encontros ADG na gestão passada (2011–2013); calendários mensais da AgendaT (por vezes com convidados fazendo o lettering dos meses). ¶ Algumas das imagens dos eventos foram feitas pelos designers dos cursos que agenciei ou pela faculdade que me chamou para palestrar. Fora isso, desenvolvo peças de design pontuais para amigos ou quando me convidam, como o planejamento tipográfico do impresso para tipografia Bree Serif da Type Together. Dou preferência pelos trabalhos onde posso ter a tipografia como protagonista. Quando alguém nos pergunta sobre como estes o mercado de trabalho, contamos a história da tua atividade, ou como você criou um espaço, um lugar, um emprego com a atividade da Tipocracia. Este era um modelo conhecido? Ou você foi moldando-o em função das carências e qualidades de nossa produção?

Não. O modelo foi sendo moldado ao longo dos anos. Quando comecei o Tipocracia com o Marcio Shimabukuro em 2003, estava no DNA do nome Tipocracia – Estado ipográfico, a ideia de "conquistar territórios" pela tipografia, porém sem muita ideia

de como faze-lo. As primeiras edições foram a convite da 2AB no Rio, do N Design BH e outras duas em São Paulo. Mas já havia o compromisso assumido com algumas editoras (Rosari, Tupigrafia, 2AB, Martins Fontes) que haviam cedido exemplares de suas publicações tipográficas – para doação às faculdades que sediassem o projeto – em troca de divulgação. Ao final de 2003, quando o Marcio decidiu sair, pensei, "temos o compromisso assumido com as editoras, o projeto não pode parar". Então fui buscando maneiras de viabilizar cursos independente de convites dos eventos. Foi quando comecei o tal formulário online. ¶ A relação do Tipocracia com a realidade brasileira se deu na distribuição geográfica dos cursos de design – uma preocupação em levar o conhecimento tipográfico onde ele se fizesse mais necessário, não apenas onde ele era mais requisitado. Ora havia demanda reprimida, ora eu estimulava a demanda. ¶ A relação com a qualidade da produção nacional se dava através das atividades paralelas que comecei a organizar a partir de 2008, quando o Tipocracia já tinha 5 anos. Passei a agenciar novos cursos de amigos (Golden Grids, de Victor Guerra, FontLab, de Eduilson Coan, Letramão, de Matheus Barbosa) no que chamei de "Tipocracia Mais", e a organizar os encontros do DiaTipo de 2008 a 2012. Tinha a preocupação de trazer profissionais de fora cujos cursos pudessem ampliar o repertório dos type designers brasileiros naquele momento. Como quando o Dino dos Santos veio oferecer curso sobre Multiple Masters no DiaTipo Brasília; o Ale Paul, o Ken Barber e o Luca Barcellona com cursos de lettering e caligrafia em São Paulo.

Outro dia chegou com a revista Eye um encarte de uma foundry que deixou todos curiosos: como funciona esta estrutura onde um é responsável pelo projeto tipográfico e outros pela tipografia?

Eles quiseram dizer que a família tipográfica Bree e Bree Serif é deles. Talvez devessem ter usado type design ou typefaces. Eu projetei o uso da tipografia em todo o encarte, com supervisão do José e da Vik. Perto do fechamento, eu passei o arquivo aberto pra eles inserirem os samples em idiomas não-latinos. E o meu nome nos créditos, que só vi na versão impressa. Nos anos 1990 havia claramente uma grande distância entre a produção tipográfica brasileira e aquela feita na Europa e nos EUA. Você acha que essa distância diminui de lá para cá? E se positivo, a quais fatores você atribui estas mudanças?

Sim, a distância hoje é bem menor. O principal fator é o acesso à tecnologia digital e à informação pela internet. Além disso, o crescente número de brasileiros com experiência tipográfica no exterior – em cursos, conferências e estúdios internacionais – que ao retornar disseminam este conhecimento por aqui. ¶ O que falta, ao meu ver, é o avanço da estrutura comercial. Estúdios de design, agências de propaganda, editoras e empresas brasileiras aos poucos vão solicitando mais serviços e produtos tipográficos locais, um estímulo para o desenvolvimento das type foundries nacionais.

Olhar Gráfico Revista Abigraf #271  

Uma entrevista com Henrique Nardi do Tipocracia, que inventou a sua profissão; e projetos editoriais dos cursos de design gráfico da FAAP (p...