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4ª edição / 2012

revista dos cursos de design da Univali industrial gráfico jogos moda

Prata da Casa Na Mira do Jogo Mercado e Comportamento Processo Criativo - Antônio Bizarro


olhares múltiplos

Editorial Liberdade e Felicidade. São duas palavras com significados a que as pessoas, nas mais diversas sociedades e em todos os tempos perseguem. Na entrada do século XXI a impressão que se tem é que isso se tornou mais intenso. A quarta edição da Revista Digital Olhares Múltiplos produzida pelos cursos de Design da Univali tem como tema principal esses dois grandes temas, que foram traduzidos nos projetos desenvolvidos pelos acadêmicos ao longo do primeiro semestre de 2012. Inspirado nesse tema, os acadêmicos Fernando dos Santos e Alesandro Lopes do curso de Design Gráfico foram convidados a produzir a capa da revista, que procura sempre apresentar uma técnica ou formato diferenciado a cada edição. A técnica conhecida como quilling exigiu 12 horas de produção. O processo você pode conferir no vídeo produzido e o resultado está… na capa! Além da capa, os acadêmicos do curso estão presentes em muitas outras matérias da revista. Na seção TGIs podemos conhecer os melhores TGIs dos cursos de Design de Moda, Gráfico, Industrial e Jogos apresentados no segundo semestre de 2011. Em Mostraí, os talentos do pessoal também estão expostos. Mostraí é uma seção presente desde a primeira edição e que abre espaço para publicação de trabalhos autorais e experimentais dos alunos. E se… convidou professores, alunos e colaboradores da Univali para contar o que seriam se não tivessem optado pelas suas profissões e atividades atuais. E aproveitamos para contar seus sonhos de uma forma bem divertida. Confere! A seção da Prata da Casa entrevistou ilustres ex-alunos dos cursos de Design que contaram suas experiências no mercado e em Olhares, Antonio Slusarz conta como acontece o processo criativo das suas coleções para a marca Antonio Bizarro estabelecida em São Paulo e que desfilou nas últimas duas edições do Rio Moda Hype. Balaio é a nova seção da revista. Aqui escolhemos produtos que estão chegando no mercado ou que ainda são protótipos mas que têm tudo a ver com a filosofia do tema da edição. E Imagem+ ação traz nesta edição um editorial produzido na disciplina de Produção de Moda com o título In Tenda onde as crianças são o destaque. Só vendo para entender! Ah, e não deixando de lado os acadêmicos e os cursos que são a razão da viver da revista, na seção Vida no campus falamos um pouco sobre o curso de Design de Jogos e Entretenimento Digital, o reconhecimento do curso e o envolvimento dos alunos com uma série de atividades destacando ainda o mercado nessa área que está crescendo bastante no Brasil. Não deixe de conferir tudo, esperamos que goste! Graziela Morelli Olhares Múltiplos Revista Digital dos Cursos de Design da Univali

Fotografia Charles Kobayashi Euclydes Da Cunha Neto

Diretora Geral Bianka Cappucci Frisoni

Redação Tabata Kadur

Editora e Revisora Graziela Morelli

Colaboradores Alesandro Lopes Fernando dos Santos Isabela Bugmann Luís Eduardo Moser Maria Ligia Carvalho Marcela Niels Odonelso Betiatto

Diretora de arte e diagramação Mary Meurer Projeto Gráfico Mary Meurer Mábila Thuany Schmidt

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Nome da Seção

Contato Campus Balneário Camboriú Bloco 04 - 1º andar 5ª Avenida s/n Bairro dos Municipios CEP 88337-300 Balneário Camboriú - SC Telefone: (47) 3261-1235 www.designunivali.com


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TGIs

Olhares

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Mercado Multiplo

Balaio

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Prata da Casa

Imagem + Ação

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Vida no Campus

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Através da técnica quilling, que nada mais é do que papel recortado, dobrado e colado, os alunos Alesandro Lopes e Fernando dos Santos ilustraram a capa da revista Olhares Múltiplos. Com o tema da edição “Liberdade & Felicidade”, todo o trabalho foi registrado e pode ser acessado no link abaixo.

making of

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Capa


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TGIs O Trabalho de Graduação Interdisciplinar TGI dos cursos de Design da UNIVALI é uma atividade prática de projeto, desenvolvida pelos acadêmicos no último período do curso como requisito parcial para a conclusão da sua graduação. O TGI consiste no desenvolvimento de um projeto individual completo, onde o aluno deve integrar os conhecimentos adquiridos durante todo o curso nas diversas disciplinas e atividades de pesquisa, extensão e estágio. Os projetos são apresentados publicamente e defendidos oralmente perante uma Banca Examinadora, que procede a avaliação do mesmo, sempre objetivando a adequação às áreas do Design Gráfico, Industrial ou de Moda. A seguir são apresentados os TGIs que se destacaram no segundo semestre de 2011. São projetos desenvolvidos para diversos segmentos e representam a inovação, tecnologia, criatividade e preocupação social presentes nos cursos de Design.

TGIs

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TGI Gráfico Redesign

Blog Cosmeticagem Aluna: Tatiane Francisco Professora: Mary Meürer Este projeto apresenta uma proposta de redesign do blog Cosmeticagem, para proporcionar uma melhor navegabilidade, organização das informações, e estabelecer uma conexão do usuário com os temas principais

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TGIs

abordados no blog: moda e beleza. O objetivo é que o usuário obtenha uma experiência agradável na navegação, levando o blog a aumentar o número de visitas e atrair novos usuários.


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Ilustração IIustração

Camisetas casuais inspirada no Sport Clube Corinthians Paulista Aluno: Felipe Hort Professora: Mary Meürer O projeto teve como objetivo desenvolver ilustrações para uma coleção de camisetas casuais para o público jovem masculino, inspiradas nos principais elementos do clube de futebol brasileiro Sport Club Corinthians Paulista, comercializados posteriormente em sua rede oficial de lojas Poderoso Timão.

Branding

Redesign da identidade visual da marca Arte Sacro e desenvolvimento do brandbook Aluno: Leandro Maciel do Nascimento Professor: Marco Aurélio Soares dos Santos A proposta deste projeto foi o de redesign da identidade visual da marca Arte Sacro, empresa especializada em paramentos litúrgicos. Gerando conceitos que traduzam as características da empresa e tomando cuidado para que as características principais da marca fossem preservadas, o projeto procurou traduzir visualmente a identidade corporativa da marca.

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TGI Moda Bolsa

Coleção Black Stone

Aluna: Diane Dummel Professora: Daniela de Aquino O objetivo do projeto foi desenvolver uma coleção de bolsas masculinas para o público urbano, trend setter e muito conectado à tecnologia, intitulado “linker people”. Visando suprir a necessidade observada no mercado de acessórios masculinos, a ins-

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piração foi a macrotendência apresentada pelo bureau de tendências WGSN intitulada Neutralidade Radical, englobando primordialmente a androginia, funcionalidade e o minimalismo.


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Roupas

Coleção “Neutralità” Aluno: Talice Broch Radeke Professora: Bianka Cappucci Frisoni

A coleção Neutralità desenvolvida para a marca Talice Radeke teve como inspiração três artistas contemporâneos - Carl Andre, Jasper Johns e Richard Long. Com foco em analogias com os artistas que trabalham

com modelagens da década de 60, a coleção traz um viés minimalista, com linhas simples e harmoniosas, surpreendendo pela inusitada combinação de tecidos finos como a seda devoré junto ao “patchwork”.

Joias

Coleção “Le Chér” Aluna: Juliana Alves Mendes Professora: Taiza Kalinowski Anselmo

O projeto teve como objetivo criar uma nova marca de joias femininas intitulada Le Chér, inspirada em orquídeas. Tendo como ponto de partida as megatendências do verão 2013, e cores como o lilás, roxo, rosê, cristal, e ouro amarelo, o principal foco do produto é a qualidade e durabilidade.

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TGI Industrial Equipamento Albatroz Aluna: Telma Mafra da Silva Professora: Daniela de Aquino O objetivo do projeto foi desenvolver um equipamento para transporte de vítimas de águas revoltas, da água até a aeronave. Apresenta a solução, através do design, na área do resgate aquático.

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TGIs

Um mercado em constante desenvolvimento devido às condições decorrentes das interferências climáticas e o simples fato da necessidade de serviços emergenciais impostas pela humanidade.


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Máquina

Little Sun 840

Aluno: Aline Leschnitzer Professor: Flávio Anthero Nunes Vianna dos Santos

O projeto consistiu em desenvolver uma máquina de venda automática de protetor solar, nomeado de Little Sun 840. A máquina foi pensada a fim de conscientizar as pessoas da utilização do protetor solar, assim como incentivar seu uso por ser co-

mercializado em uma quantidade fracionada (30ml), o que causa uma diminuição do preço do produto. A máquina poderá estar em áreas internas, sejam estas públicas ou particulares.

Cadeira

Piccolo 610 Aluna: Tatiani Stadler Professora: Daniela de Aquino.

O objetivo do projeto é o desenvolvimento de uma cadeira odontopediátrica intitulada Piccolo, que busca amenizar o medo infantil nas primeiras consultas odontológicas. O produto desenvolvido com estética agradável

aliado a funcionalidade, pretende diminuir o medo das crianças frente às consultas. Para isto, apresenta formas orgânicas, design minimalista e ludicidade, distinguindo-se dos padrões apresentados pelo mercado nacional e buscando enquadrar-se no universo infantil.

TGIs

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Bolsa Gisele Brasil – Bruna Starling R$ 669,00 Confeccionada em couro bovino com textura lezard verde e bandage amarelo, esta bolsa pertence à coleção Brasiliana que é uma edição comemorativa aos cinco anos da marca Bruna Starling. A identidade brasileira é uma das fontes de inspiração constante da marca, que traduz a brasilidade tanto na escolha dos materiais quanto na execução das peças e nos acabamentos com um alto grau de artesania. www.brunastarling.com.br

Óculos escuros Ronaldo Fraga para Chilli Beans R$ 248,00 O Estilista mineiro Ronaldo Fraga tem seu trabalho extremamente ligado à cultura Brasileira. Suas roupas trazem toques artesanais e têm uma força que vem chamando a atenção, o que o torna um dos estilistas mais respeitados. Para esse modelo de óculos escuros, Ronaldo inseriu o trecho de um poema escrito em uma carta de amor que seu pai enviou à sua mãe, quando eram namorados, em 1955. Para concretizar o projeto, a Chilli Beans desenvolveu uma tecnologia na lente em que o texto pode ser lido por fora da lente, sem, no entanto, interferir na visão de quem está com os óculos. chillibeans.com.br

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Havaianas Missoni Loves Havaianas 2012 Preço sob consulta Repetindo a mesma parceria de 2011, a Havaianas e a tradicional Missoni estão juntas em mais uma coleção. Para a coleção Missoni Loves Havaianas 2012 as estampas e o lifestyle luxuoso característicos da marca italiana são novamente traduzidos com a vibração e irreverência das sandálias legítimas. A novidade desta vez vai além da moda e se estende ao envolvimento das marcas com o meio ambiente: as havaianas são produzidas com borracha Eco nas solas, um material reaproveitado das aparas da produção das clássicas Havaianas Brasil – que possuem filetes coloridos. br.havaianas.com

Estante Vaco - Preço sob consulta. Desenvolvida pelo designer industrial Dennys Tormen em parceria com o designer Glauco Bernardes, a estante Vaco é montada exclusivamente pelo encaixe das peças cortadas a lase. Em 2010 o projeto foi vendido para PepsiCo, que hoje detêm os direitos de uso dentro do ramo alimentício e de bebidas. A estante Vaco circulou em diversos sites e blogs na internet, e em 2011 foi publicada na AT Magazine de Israel e foi escolhida como uma das 10 melhores estantes para livros pela holandesa DePers. www.dennystormen.com


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Caixote de feira geométrico A partir da linha de sticks para celulares, a I-Stick lançou uma coleção de caixas inspiradas nos tradicionais caixotes de feiras que são usados como mobiliários alternativos. A coleção de caixas é feita em MDF com encaixe e anéis de borracha e possui estampas diferenciadas. O site de venda online sugere uma série de alternativas de uso para a caixa: porta manta para sala de TV; prateleira de temperos e especiarias para a cozinha; cachepot para plantas e orquídeas; prateleira para livros no quarto; organizador do lavabo; guarda brinquedo; organizador de closet, entre outras utilidades. www.istickonline.com

M-Cups - Matryoshkas para cozinha Desenhada por Carl Mitsch para a Fred&Friends, as matryoshkas chamadas M-Cups foram criadas para alguns afazeres da cozinha. Cada uma das partes das matryoshkas (três bonequinhas no total) serve para uma medida (¼, 1/3, ½, 2/3, ¾ e 1 xícara). São feitas de plástico seguro e resistente, fáceis de guardar e trazem um ar divertido aos clássicos copos medidores. A mesma ideia foi repetida nas colheres. São seis ninhos de medida com os diversos tamanhos de colheres. Ideias simples que nos deixam mais felizes na cozinha! www.worldwidefred.com

Bicicleta Caloi Konstanz - R$ 1.399,00 A Konstanz é o novo modelo da Caloi, uma bicicleta diferenciada que tem no seu estilo um toque retrô com design charmoso. O modelo, desenvolvido em alumínio, possuiu quadro rebaixado, que facilita a subida na bike, e acompanha uma cesta removível de vime, acessório que é pura sofisticação e ajuda a transportar diversos objetos, como flores, bolsas e até mesmo animaizinhos de estimação, como cães e gatos – prática muito comum na Europa. www.caloi.com

Camiseta Huck Gentileza - R$69,00 Esta camiseta UseHuck relembra a obra de uma das figuras mais marcantes da história popular brasileira. Gentileza andava pelas ruas do Rio distribuindo mensagens de paz, amor e bondade e transformou simples pilastras em painéis inspiradores. Parte da renda das vendas das camisetas é revertida para o IBDD, que apoia e promove a defesa dos direitos e cidadania plena das pessoas com deficiência. www.usehuck.com.br

Balaio

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Ilustranáticos Alunos dos curso de Design lotam o auditório da Univali para prestigiar a primeira edição do evento que reuniu ilustradores da região para um bate papo. No dia 13 de setembro, a Univali abriu as portas para sediar o evento Ilustranáticos. Inicialmente idealizado pelo Estúdio Clickmoda, da professora de Ilustração Ciça Pires, o projeto teve como objetivo reunir ilustradores de áreas diferentes para debater sobre a prática da ilustração no mercado, principalmente em relação à região de Santa Catarina. O evento, aberto ao público, garantiu que os alunos e a comunidade em geral tivessem acesso a experiências de outros profissionais da área que já estão inseridos no mercado de trabalho. Segundo a organizadora do Ilustranáticos, “os palestrantes e parceiros do evento trouxeram

seus portfólios e discutiram sobre a ilustração tanto no aspecto autoral como no comercial. Percebeu-se que, além de sermos um pólo industrial, valorizamos o profissional de Santa Catarina com enorme potencial no que diz respeito aos processos criativos. Os estúdios daqui estão crescendo e se profissionalizando e uma prova disso é a quantidade e qualidade dos clientes de outros estados procurando estes profissionais”. O projeto conseguiu alcançar muitas pessoas com o auditório lotado, faltando lugares para sentar. A aluna do curso de Design de Moda, Ermelinda N. C. Dall’Antonia, prestigiou o evento e gostou da oportunidade, “o Ilustranáticos contou com designers de faixa etária e experiências muito diferenciadas. Mostraram que existem muitas

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possibilidades de aplicação na área, com profissionais desenvolvendo o seu trabalho dentro da sua própria casa, como também, com seus estúdios muito bem montados e outros ainda, que mudaram de segmento. Alguns com trabalhos muito elaborados e outros com traços muito simples, mas, com resultados surpreendentes”. A profa. Ciça conta que ficou muito feliz ao ver tantos alunos interessados no tema: “acredito também que para o aluno é muito importante ver a disciplina além da sala de aula, complementando seu aprendizado com novas experiências em atividades extraclasse. O Ilustranáticos foi uma oportunidade para conhecer novos trabalhos, incentivar e estimular o estudante a novos desafios no mercado”.

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antonio bizarro Retratos dos portos de desmantelamento de navios em Chittagong fotografados por Sebastião Salgado em 1989, misturados a toques de androginia, elementos indianos e alfaiataria ocidental foram o ponto de partida para o desenvolvimento do processo criativo da coleção de verão 2013 da marca Antonio Bizarro, dirigida por Roberto Slusarz, formado em Design de Moda na Univali. Texto por Tabata Katur e Graziela Morelle Diagramação Isabela Bugmann e Marcela Niels

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Designer de Moda formado pela Univali em 2004, Roberto Antônio Slusarz Filho, mais conhecido como Beto, foi destaque pela segunda vez no Prêmio Rio Moda Hype 2012, através de sua marca Antonio Bizarro. No universo acadêmico já se destacava pela abordagem inusitada de seus projetos e por sua determinação. De lá pra cá sua trajetória tem repercutido e sua marca se desenvolvido desenfreadamente. Antônio conta como se inseriu no mundo fashion e como funciona seu processo de criação e desenvolvimento de coleções. Look da coleção Outono/Inverno 2012

O estilista da marca Antonio Bizarro, Roberto Antônio Slusarz Filho

O início... Quando surge Antonio Bizarro. “Alguns meses depois de iniciar Jornalismo, me desencantei com o curso. Um dia, fui a Blumenau e conheci o processo de desenvolvimento de produtos de moda dentro de uma fábrica. Foi uma nova porta se abrindo. Me envolvi com design e não quero mais parar.” “A vontade de lançar minha marca surgiu após uma demissão (risos). Eu tinha acabado de me mudar para São Paulo para pós-graduar e participava da equipe criativa de uma marca do Bom Retiro. Depois de algumas semanas de trabalho fui dispensado do cargo. Causou-me certa insatisfação pensar em trabalhar para outra marca fazendo cópias ou uma reprodução em massa, então optamos (eu e minha sócia) em abrir a marca Antonio Bizarro. Foi um passo bem louco, na verdade, e ainda estamos na fase de investimentos.”

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Processo criativo da marca Antônio Bizarro.

O processo de criação... “Normalmente, meu ponto de partida é imagético ou construtivo. Podemos começar tanto a partir de fotos específicas ou a partir de estudos de modelagem, recorte e encaixe. Dificilmente usamos “tendências” em primeiro plano. Definimos silhuetas, caimentos, comprimentos, e depois buscamos material que se encaixe com o processo. Penso que tudo deve convergir para contar uma história ou apresentar um processo. Temos

uma base forte em alfaiataria clássica. O que fazemos é pegar o tradicional e torcer um pouco, deslocar, misturar a costura primorosa com o rasgo e o tecido cortado a fio, que vai se destruindo aos poucos. Isso é base dos meus estudos. Sempre fui apaixonado pelo design japonês e belga, as duas escolas que introduziram a desconstrução na moda contemporânea. “

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A produção... “Escolhemos os croquis de acordo com a harmonia das peças, os elementos têm que se repetir de forma coesa. Não existe coleção de peças que não conversa entre si.” “Depois de feita a modelagem, seguimos com o risco da peça sobre um tecido de teste, normalmente uma tela de algodão cru. Esse piloto rudimentar serve para verificar a ideia geral da peça. Nessa fase já fazemos alguns ajustes. Feitas as correções, cortamos novamente no tecido final da peça e testamos em um modelo de prova contratado. Se tudo estiver certo, a peça é aprovada e segue para terceirização, que vai reproduzir a peça em uma quantidade variável de 12 a 30 peças.” Desfile da coleção Verão 2013 no Rio Moda Hype

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“A terceirização se responsabiliza em fazer o risco, corte, pacotes, confecção, limpeza, controle de qualidade, etiquetação e embalagem, depois devolve tudo ao atelier, onde fazemos a nossa inspeção para conferir se tudo bate com a peça piloto desenvolvida por nós.” “Uma peça piloto complexa, como casaco, trenchcoat, blazer, as peças de alfaiataria com forro e detalhes, leva de dois a quatro dias para ser confeccionada. Peças mais simples como calças e camisas levam um dia e meio ou dois. Já os modelos para passarela são mais exagerados, levam elementos que depois vão ser diminuídos na etapa comercial da coleção.”


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Bastidores do Rio Moda Hype

A equipe... “A equipe Antonio Bizarro é formada atualmente por seis pessoas. Um modelista/moulagista e uma piloteira/costureira que, junto comigo, cuidam do desenvolvimento das peças de desfile e atendimentos de clientes que vêm ao atelier buscar uma peça exclusiva. Existe uma segunda designer que auxilia no desdobramento comercial da marca. Temos ainda um responsável pela parte de contatos comerciais e uma sócia investidora que cuida do financeiro.”

Público Alvo... “Eu aprecio pessoas de personalidades marcantes. Costumo dizer que visto “homens e mulheres urubus”, com muito preto, um pouco arredios e tensos. Acho que representa bem o meu processo criativo. Não gosto de tecidos delicados, gosto de lãs, couro, feltro, sarja; as pessoas que investem em mim e na marca creio que reflitam esse gosto. Eu tento cada vez mais aproximar o meu conceito de produto a um conceito de público inovador, o “genderless”. Não

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interessa seu sexo, se você acredita que uma peça fica boa no seu corpo, é o ideal! É frustrante entrar em uma loja e se deparar com uma peça que você não pode vestir por limitação do seu gênero. “ Rio Moda Hype... “O Prêmio Rio Moda Hype tem um caráter impessoal, o que acho muito válido na hora de selecionar os participantes. Se você não manda um projeto, não se esforça em compor um bom material, provavelmente não vai passar, pois existem muitos profissionais envolvidos na seleção. Decidi mandar para o projeto de inverno 2012, e foi grata a surpresa da aprovação. Para a temporada de verão 2013 enviamos outro projeto e fomos novamente selecionados.” Desfilando... “O desfile para o Rio Moda Hype tem 10 looks, é pequeno, com uma média de 25-30 peças em passarela, sem somar acessórios e calçados. São várias equipes envolvidas para a produção. O casting é eleito a partir de um modelo-ícone. Normalmente, acompanho os perfis de modelos que estão em destaque em publicações como a Hero, Arena Homme Plus, Surface, WAD Mag, e me aproximo do que gosto mais. O casting feminino é um reflexo do masculino. A música nem sempre tem a ver com o desenvolvimento, mas ela tem que ter uma agressividade coerente com o design e com o ritmo do desfile. Para cabelo e make buscamos referências e conversamos com um make-up artist para definir como será, ficamos abertos a sugestões o tempo inteiro, pois múltiplas visões colaboram pra criar uma imagem mais forte. Ninguém cria sozinho, somos sempre coletivo.”

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Patrocínios e investimentos... “Temos uma investidora fixa para o atelier, e buscamos apoio junto a empresas do ramo da moda. Para o verão 2013, temos patrocínio de tecidos da Renaux View, com tecidos de algodão lindos e viscoses listradas. Existem também colaboradores para desenvolvimento de bolsas, sapatos, joalheria, maquiagem, fotos e tudo depende da troca. A coordenação do Prêmio Rio Moda Hype também investe nos estilistas do evento. Recebemos uma ajuda de custo para cobrir despesas da coleção.” A marca... designer. “Estamos comercializando a quarta coleção Antonio Bizarro, atual inverno 2012, e desfilamos a quinta, verão 2013 no dia 24 de maio no Fashion Rio. Somente as últimas duas tiveram apresentação de passarela. As peças podem ser encontradas conosco no atelier, na Vila Madalena, em São Paulo, ou na relação de multimarcas que apresentamos no site, mas por enquanto a distribuição é limitada. Temos um projeto de venda através do Facebook e outras redes sociais, mas ainda estamos estudando. Além de ser responsável pela marca, sou docente do curso de moda da Fefisa (Faculdades Integradas de Santo André), no ABC paulista. Dou aulas voltadas para criatividade tridimensional, com estudos a partir do manequim. Gosto de me envolver em projetos. Se os colaboradores estiverem dispostos, eu auxilio no crescimento de uma ideia.”

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Yuri Bolognini Design Gráfico - 4º período


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Alesandro Lopes e Luis Eduardo Moser Oficina Acadêmica Nome da Seção

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O que te inspira e motiva criar? Texto por Bianka Capucci Frisoni

Escolher o tema de inspiração para desenvolver um objeto, produto, coleção ou serviço é sempre uma tarefa árdua e um verdadeiro dilema. O segredo está no próprio consumidor. É necessário estar antenado para seus movimentos sócio-econômico-culturais para perceber o que lhe causará mais emoção e o levará efetivamente a compra.

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É um processo simples que perpassa as etapas de qualquer projeto, mas é o que nos inspira a criar. Desta forma é uma ação que merece muito cuidado e atenção para trazer inovação, atualidade e diferencial para qualquer projeto.


A exemplo disso, os cursos de Design da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI todo o semestre definem um tema de base para ser explorado nas disciplinas. Na escolha do tema de 2012/1 o vetor sócio-econômico que nos chamou mais atenção foi a corrida dos consumidores pela BUSCA DA FELICIDADE. Esse é um movimento intenso e tem atingido a todas as classes sociais. Cada grupo com um ponto de vista diferente, mas todos com um mesmo objetivo: a FELICIDADE. Uns acham que essa sensação de ser feliz está em conseguir ascensão através de instrução, aquisição de conhecimento; outros já querem incorporar valores que até então eram eventuais no seu dia a dia, como ter uma lancha ou andar em um carro importado; e existe uma outra parcela que chegou ao ponto de constatar que o luxo está ligado a saúde e bem-estar e isso requer reservar um tempo para si mesmo. No entanto, tudo isso está atrelado a LIBERDADE, pois para ser feliz as pessoas querem ser livres para ser e ter. Além de tudo isso, que pulsa pelo mundo, descobrimos também uma vocação como inspiração no próprio país. Pelas pesquisas da ONU, o Brasil está entre os 10 países que se mantém mais feliz e é a bola da vez nesse momento em que o mundo busca por alegria e felicidade. Desta forma, o tema escolhido para o semestre foi:

Liberdade & Felicidade De acordo com o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, a palavra felicidade significa Concurso de circunstâncias que causam ventura; Estado da pessoa feliz; Sorte; Ventura e Bom êxito. Na verdade, a felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude são transformados em emoções ou sentimentos que vão desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou paz interior. Existem diferentes abordagens ao estudo da felicidade - pela filosofia, pelas religiões ou pela psicologia. O homem sempre procurou a felicidade. Filósofos e religiosos sempre se dedicaram a definir sua natureza e que tipo de comportamento ou estilo de vida levaria à felicidade plena. Para as emoções associadas à felicidade, os filósofos preferem utilizar a palavra prazer. É difícil definir, rigorosamente, a felicidade e sua medida. A Liberdade, por sua vez é compreendida tanto de forma negativa quanto positivamente. Pode ser entendida na primeira perspectiva como ausência de submissão, servidão e de determinação; isto é, qualifica a independência do ser humano. Na segunda, liberdade é a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional; elemento qualificador e constituidor da condição dos comportamentos humanos voluntários. A discussão sobre o pensamento da Felicidade se dá desde o século VII a.C. e, durante toda a história vários filósofos, místicos e religiosos propuseram diversas formas de alcançar a felicidade. Alguns filósofos levantaram percepções para o sentimento da felicidade que traduzem um pouco do assunto inicial que abrimos este artigo - a felicidade é o que move os seres humanos.


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temática da Pesquisa

Na exploração do tema, a base para a orientação das várias formas de se ver a felicidade foi complementada por outros materiais de apoio como: o Fórum de Inspirações para o Verão de 2013 da Assintecal, o Portal Usefashion e as apostas da Première Vision. Os 3 conceitos propostos como fontes de inspiração estão mwuito próximos ao tema porque falam da alegria e tem por base o Fórum de Inspirações de forma simplificada, que são:

Conceito 1 Aqui a alegria é escancarada, é riso solto, é gargalhada...

Rever as imagens já consolidadas. Exploração das cores, as maxiestampas, os detalhes de metal com muito brilho. Alteração de proporções e ênfase na decoração. O produto deve refletir o way of life (estilo de vida) do brasileiro. Utilização de ícones da cultura brasileira: natureza, praia, mulher brasileira, samba, bossa nova, baiana, solidariedade, etc.

Ex.: Capa de CD sobre Bossa Nova

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Conceito 2 Aqui impera a alegria inesperada e surpreendente... Ex. Obras do Artista plástico/gráfico – Glauco Rodrigues

Olhar ao redor na busca de novos recortes através da paisagem. Importância nas linhas que projetam as formas e criam as imagens arquitetônicas. A industrialização é o ponto de partida – função versus ideia. O design do produto subverte a função do objeto. Um plus de informação no objeto. Humor com inteligência; tirinhas de jornal; ilustrações; junção de funções; etc.

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Conceito 3 A alegria é sutil, delicada e poética, e vem sem pressa... Descomplicado, história de simplicidade, enaltece a utilidade e seu significado. Mistura de fazer manual com tecnologia de ponta evidenciando a qualidade dos materiais. Valorização do artesanal; a origem do entorno; o fazer local. Pode ser exemplificado pela literatura, gravura e xilogravura de cordel; a arte do cotidiano; tradições populares e os autores e artistas locais.

Ex. Xilogravura de Cordel

A orientação de um tema maior abre o leque para linhas, conjuntos e coleções. Porém é o ponto mais importante no auxílio de uma orientação para a unidade visual entre eles. Um mesmo tema pode dar origem a várias propostas e como foi dito antes, o importante é a LIBERDADE para criar e a coragem em apostar. Combinados com os diversos olhares sobre a FELICIDADE.

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Vanessa Bornemann Design Industrial - 6Âş perĂ­odo http://pinterest.com/vaneborn/trabalhos/


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Nem ciganos, nem índios, nem nômades. Crianças como um bom exemplo.

In tenda O significado dos “des”!

Desconcretizado, descolado, desacelerado, desconectado e desmistificar pré-conceitos. Comportamentos desiguais, inspire-se!

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Produção Executiva: Paolla Peretti e Rose Palhares. Beleza: Gabriela S. Raiser. Produção de Moda: Ingrid Carvalho, Paolla Peretti e Rose Palhares. Fotógrafos: Carine Ceccato, Juliana Soares e Silvio Luis Gardini. Assistentes de Fotografia: Ana Luiza Neves e Cecília Jasper. Tratamento de Imagem: Alesandro Lopes e Paolla Peretti. Modelos: Ana Valentina B. Schaefer, Vitória, Iago K. Hioshida e Luis Miguel T. da Silva. Agradecimentos: Prof. Carlos Rocha, Prof.a Graziela Morelli, aos responsáveis pelos modelos, Casa dos Móveis e Oriente-se.

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Luís Eduardo Moser Design Gráfico - 8º período


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Criação coletiva, vida acadêmica e interdisciplinaridade aplicada na prática são alguns dos elementos que estão construindo o curso de Design de Jogos, um dos cursos de Design da Univali. Com a primeira turma formada e conceito de excelência no reconhecimento, os alunos do curso começam a mostrar a que vieram.

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criação coletiva Qualquer projeto que envolva design, criação, produto ou serviço requer uma série de etapas e processos a serem planejados e realizados. É cada vez mais comum encontrar casos de empresas que abrem espaço dentro de seus escritórios de criação para abraçar ideias do grande público. A valorização do trabalho coletivo, em que usufruir do potencial individual de cada um dá espaço a criação coletiva é a nova ordem dos processos. Na criação de um jogo, por exemplo, várias plataformas e habilidades são necessárias para que o produto final chegue às mãos do consumidor. Os alunos do curso de Design de Jogos sabem bem como funciona “trabalhar em equipe” e captam o sentido da coletividade. “Sempre há colaboração mútua entre os alunos. No jogo, diferente de um produto de moda ou gráfico, existe uma equipe para criá-lo.

É um produto grande e existem três pilares básicos para montar um jogo: a programação, o design e a arte. É difícil encontrar alguém que preencha todos esses requisitos. É sempre importante fazer contatos”, conta o aluno do 4º período de Design de Jogos, Fábio Fonseca.

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surgimento do curso Segundo a professora e coordenadora dos cursos de design, Bianka C. Frisoni, o curso de Design de Jogos foi criado através de uma demanda no mercado da região de Santa Catarina. “Detectou-se que existia uma propensão já no design gráfico, com o avanço da web, de certa interatividade na área de comunicação no diálogo com as empresas, com o mercado e com o consumidor. Isso gerou uma abertura na área do entretenimento, também saindo da parte motora e física para dentro do universo da computação - o universo dos jogos digitais. Em todo esse contexto que envolve a sociedade com o lazer, criou-se um grupo interessado por essa área. Através dessa demanda viu-se também um foco de crescimento em termos econômicos, e passamos a vislumbrar a possibilidade de negócio”, conta Bianka. A área de Jogos apareceu na graduação em duas possiblidades, a área de Ciências da Computação criou os Jogos Digitais, um curso tecnológico mais focado na área de programação. Já o curso de Design de Jogos e Entretenimento Digital, buscou a área de criação e design, associada à programação. A base do curso de Design de Jogos é voltada para preparar o aluno a ser inovador, não necessariamente na programação do jogo, mas principalmente na concepção de um novo roteiro, na criação de personagens e temas que tenham relação com o que as pessoas estão curtindo jogar e interagir.


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o mercado de jogos Existem várias modalidade na área de jogos além do jogo de console, onde a maioria das pessoas vislumbra e gostaria de trabalhar. “Vemos pessoas se envolvendo com a área de publicidade, com a criação de advergames (jogos publicitários), pesquisa na parte criativa e jogos educativos. A exemplo disso, estamos trabalhando na universidade com uma parceria com a Video Soft, onde conseguimos, através dos estágios junto a essa empresa, desenvolver um jogo de promoção de produtos de uma empresa alimentícia.

Isso permite que o aluno não fique alienado só criando os jogos, ele também precisa estar preparado para interagir com uma empresa e saber produzir algo pra ela”, afirma a coordenadora Bianka.

curso reconhecido O curso de Design de Jogos e Entretenimento Digital da Univali, pioneiro no estado de Santa Catarina, formou sua primeira turma no primeiro semestre de 2012 e já recebeu a comissão de reconhecimento da Secretaria Estadua de Educação.

O curso foi avaliado com o conceito Excelente e obteve nota 4,71 numa escala que vai até 5.

Vários alunos estão desenvolvendo pesquisas para que, através do jogo, consiga-se intervir socialmente, por meio de jogos educacionais, por exemplo.

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Quem é o designer de jogos O perfil dos alunos do curso de Design de Jogos não foi definido de imediato. Segundo a Profª. Bianka, quando o curso estava sendo implantado, buscava-se um perfil que fosse próximo a um dos cursos que a universidade já tinha - design gráfico, ou industrial, ou ainda design de moda. Percebeu-se, porém, que esse sujeito é diferente de todos os três, e têm suas particularidades: mistura arte, criatividade, inovação e também toda a parte da programação do jogo que envolve outras questões lógicas e a própria aplicação da programação, engenharia de software, sonorização, entre outras coisas. Além disso, os professores descobriram que os acadêmicos de design de jogos se relacionam muito bem em trabalhos interdisciplinares, pois cada um sabe no que é forte.

A grande maioria tem o perfil de um aluno educado, que tem iniciativa, descolado, que está por dentro das informações. É um sujeito que se interessa por assuntos novos, por conhecimento. “Às vezes, a gente cria um estereótipo que não corresponde ao que eles são na verdade. Eles são designers de jogos! Eles não são designers gráficos, eles não são hackers... Nós achávamos que eles iam saber tudo de computador, mas não. Eles sabem tudo o que interessa para o jogo”, complementa a professora Mary Meurer.

Principais Eventos e Feiras que alunos do curso de jogos já participaram:

• Global Game Jam 2012 • Ludum Dare 2012 • Brasil Game Show • Game World

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Revitalização do Centro Acadêmico Depois de desativado o Centro Acadêmico dos cursos de Design em 2011, alguns alunos do curso de Jogos sentiram a necessidade de intervir e reiniciar o processo de revitalização. O acadêmico Fábio Fonseca conta como o esse processo inicou: “Nosso curso (jogos) queria realizar e participar de alguns eventos paralelos a Univali, como viagens e afins. Entramos em contato com a coordenação do curso de Design para nos informarmos como seria o processo para revitalizar esse centro. Quando iniciamos esse processo, não tínhamos como retirar esse centro que já estava estabelecido, porém inativo. Propuseram-nos a fazer uma partição dentro desse centro, voltado ao curso de design. Como partição, organizamos e realizamos uma viagem pro Rio de Janeiro ao Game Show, e também um evento de desenvolvimento de jogos dentro da Univali, o DUG”. “Quando o pessoal de jogos me procurou, vi a grande vontade e iniciativa deles de começar alguma coisa e incentivamos a formalização do centro acadêmico. A partir daí, as pessoas dos outros cursos que quiserem, venham se agregar”, conta Bianka. No momento, a universidade cede espaço para um centro só para Design de Jogos e espera que os outros cursos

se empolguem com a ideia. Se outras pessoas se interessarem, haverá apoio para que abram o centro próprio do seu curso.

As primeiras propostas para o CA de Jogos são organizar festas para arrecadar fundos para viagens, melhorias no laboratório de jogos - que tem que estar sempre em atualização - e continuar com o DUG, que foi uma iniciativa legal da Univali. “Eu acho empolgante ver o curso progredindo, e vejo bastante potencial nele. Para fazer com que o curso de Design de Jogos seja reconhecido a nível nacional, temos que sempre estar atentos. Estamos tomando a iniciativa pra que isso aconteça”, afirma Fabio. Os principais responsáveis pelo projeto de revitalizar o CA são Fabio da Fonseca, Rafael Andrade e Alexandre Pandolfo.

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Tecnólogo em Design Gráfico e de Produto Bacharelado em Design, Design de Moda, Animação e de Jogos.


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Status: formado. O que fazer depois de estar com o canudo na mão? A galera formada nos cursos de Design da Univali conta os caminhos que está trilhando por aí.

Chegar ao final do curso de graduação é uma situação muito almejada, tanto quanto começar uma carreira profissional. Depois de um período conturbado de TGIs, banca e algumas noites em claro, uma nova situação: a da entrada no mercado de trabalho, agora de forma independente para fazer a diferença. A revista Olhares Múltiplos apresenta nessa edição egressos dos cursos de Design que estão trilhando seus caminhos a partir da formatura em Design Gráfico, Design de Moda e Design Industrial.

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Dennys Dennys Tormen é designer industrial multidisciplinar com foco em design de mobiliário e ilustração. Formou-se em Design Industrial na Univali em 2009. Freelancer com vários projetos premiados, atualmente mora em Balneário Camboriú. Conheça mais sobre a carreira e os projetos do designer. Olhares Múltiplos: Como a graduação ajudou a construir seu próprio negócio? Dennys Tormen: A graduação teve um papel fundamental. Acredito que o ponto chave neste processo é o desenvolvimento da habilidade de se pensar design. Conhecer os processos e ferramentas, e acima de tudo, desenvolver a capacidade de visualizar os problemas de uma forma holística são aspectos fundamentais, e é nisso que se diferenciam as boas soluções e o bom design.

OM: Após concluir a graduação, realizou algum curso ou pósgraduação? DT: Infelizmente ainda não consegui encaixar um curso de pós ou mestrado, mas pretendo continuar estudando. E, apesar do pouco tempo como formado, acho de suma importância continuar sempre estudando e se atualizando. OM: Antes montar sua marca/ negócio, quais foram suas experiências profissionais? DT: Tive uma experiência bem variada ainda como acadêmico, e isso me ajudou a perceber quais realmente eram as áreas que eu gostava e quais eu já não gostava. Entre as experiências que tive, posso destacar o ano no qual estagiei como monitor na UNIVALI, alguns estágios como projetista de móveis, a experiência com ilustração com meu colega Glauco Bernardes, e uma breve passagem pelo GGE Design, onde aprendi muito trabalhando com design gráfico.

OM: Quando surgiu a ideia lançar sua marca/negócio? DT: A ideia surgiu há bastante tempo. Inicialmente, pretendia trabalhar com algo como design de eletrodomésticos ou dentro da indústria – em uma visão mais ortodoxa do design. Mas o envolvimento com a arte me fez perceber qual caminho eu gostaria de seguir; que é esta linha de design mais autoral e conceitual. OM: Como foi o processo para viabilizar os recursos, estrutura e conquistar os primeiros clientes?

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DT: Este processo está apenas começando, e hoje como autônomo meu maior volume de trabalho envolve o design gráfico. Mas penso que, para atrair clientes, primeiramente você precisa de um bom portfolio, e dominar o que você está fazendo. Já para fidelizar os clientes é mais complicado. É preciso


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mostrar como esta estrutura mais informal de trabalho – sem muitos intermediários – pode ser muito eficiente. Hoje, o designer autônomo é capaz de fornecer um trabalho de ótima qualidade, com profissionalismo e uma rapidez maior que os grandes estúdios, e desta forma as empresas percebem que optar por contratar um freelancer, muitas vezes, é a melhor solução para elas. OM: Destaca algum projeto? Quais foram “os melhores momentos”? DT: AAh, foram vários, mas posso destacar o prêmio Arquitetando Docol, que foi algo que eu não esperava, pois estava competindo com profissionais do design e arquitetura de todo país. Também a parceria com a designer Renata Moura, que me proporcionou uma grande oportunidade, além de poder ver meus primeiros projetos serem produzidos e comercializados, o que foi muito legal. Algumas publicações também me marcaram, com destaque para revista ABC Design em 2008, a escolha da estante Vaco pela revista holandesa DePers em um top 10; e os livros recém publicados: Bookshelf, da editora Thames & Hudson com a estante Vaco e o livro “DIY”, da editora chinesa ArtPower, com a luminária Amiga.

Outras dificuldades também que são comuns à maioria dos profissionais ao ingressarem no mercado, como a pouca idade e falta de experiência. Mas o importante é não desanimar nos primeiros obstáculos e, acima de tudo, gostar do que faz e estar sempre produzindo.

com o colega Glauco ainda na universidade, acabou atraindo atenção de muita gente, como a da PepsiCo que, em 2010, comprou os direitos do projeto para o setor alimentício. Por conta desta repercussão, recebo e-mails do mundo todo de pessoas elogiando, ou interessadas no produto.

OM: Fale a respeito do seu serviço e do mercado em que ele está inserido?

OM: Atualmente está trabalhando em algum projeto especial?

DT: Atualmente, consigo oferecer uma variada gama de serviços, que vão desde a concepção de marcas, materiais impressos variados, diagramação de revistas e ilustração, até o desenvolvimento de produtos propriamente ditos. Dentro deste escopo, foquei a área de moda, atendendo a empresas do setor.

DT: Recentemente fui convidado pelo designer Marcus Ferreira para fazer parte de um time de designers em um projeto muito legal que vem por aí. Espero em breve ter novidades a respeito.

OM: Um de seus produtos já foi premiado e destacado internacionalmente. Conte como foi esse processo e como isso afetou sua carreira. DT: Isto foi uma coisa muito bacana. A estante Vaco que desenvolvi

OM: Quais foram as principais dificuldades encontradas? E os próximos desafios? DT: As principais dificuldades são relativas ao ainda pouco conhecimento das empresas em relação ao papel do design.

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Pedrita e Thiago Pedrita Junckes e Thiago Jenné, conhecido como Cabelo, formam hoje o 8588 Creative Studio e moram em São Paulo. Formados em Design Gráfico pela Univali, os dois seguiram carreira na área de imagem de moda. Pedrita especializou-se em fotografia e Thiago na produção de filmes para moda. Aqui, eles contam um pouco da trajetória.

Olhares Múltiplos: Como a graduação ajudou a construírem seu próprio negócio? 8588 Studio: Durante o curso nós percebemos que os projetos se desenvolvem mais (exceto os projetos artísticos) quando são feitos em grupo. Nós aprendemos no curso um pouco de tudo e isso nos ajudou a saber em qual área realmente queríamos atuar. OM: Vocês buscaram alguma especialização ou curso complementar após a graduação? 8588: É aquela velha história, conhecimento nunca é demais. Logo depois da graduação fomos morar em Londres, e lá a Pedrita estudou na Central Saint Martins. Fez o curso Graphics Summer School que envolvia aulas teóricas com debates e aulas práticas. Mesmo sendo um curso curto (foram duas semanas todos os dias durante a manhã e a tarde) ela conheceu pessoas de várias partes do mundo, com perspectivas bem diferentes sobre o mesmo assunto. Dos trabalhos que desenvolvemos nesse curso, o que mais gostamos foi um anúncio fictício para o Skype. A concepção, o texto, locução, desenho e recorte dos papéis que usamos para o stopmotion, até a edição e apresentação foi todo feito em 24h, e conseguimos um resultado muito legal. (Para assistir ao vídeo: https://vimeo.com/13897266) OM: Antes montar a empresa, quais foram as experiências profissionais dos sócios?

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8588: Thiago trabalhou na Colcci como ilustrador por três anos, formou-se em junho de 2009 e em seguida foi morar em Londres.

Eu, Pedrita, já passei por algumas empresas antes. Meu primeiro emprego aos 16 anos foi na Copy News em Itajaí como artefinalista. Foi lá que decidi fazer a faculdade de Design Gráfico. Passei pelo setor de marketing e pela editora da Univali, até que decidi trabalhar como freelancer e isso já estava na metade do curso. Desenvolvi alguns trabalhos e fui chamada pelo George Varela para trabalhar no estúdio dele, o GGeDesign. Lá, tive liberdade de cuidar de um projeto do início ao fim, clientes do Brasil todo com muita ou pouca verba mas com alta exigência. O fato da faculdade ser de tarde e eu ter que cumprir as 40h semanais no trabalho, deixou tudo muito corrido e divertido. Com diálogo com o chefe e os professores deu tudo certo. Me formei aos 20 anos em dezembro 2008. OM: Quando surgiu a idéia de montar o estúdio? 8588: Quando decidimos morar em Londres, optamos também manter nossos clientes aqui no Brasil. Durante um ano trabalhamos online, com


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reuniões pelo Skype, arquivos pelo ftp, etc... Para viabilizar isso, abrimos a empresa legalmente em agosto de 2009 para poder emitir nota fiscal. Mas foi em Londres que decidimos como seria o método de trabalho, conceito e atitude do nosso estúdio focado para o mercado fashion. Quando voltamos para o Brasil já tínhamos o conceito do nosso estúdio pronto e veio a etapa gostosa de criar nome e marca. 8588 Creative Studio hoje trabalha com fotos e filmes exclusivamente para o mercado de moda. OM: Como foi o processo para viabilizar os recursos, estrutura e conquistar os primeiros clientes? 8588: Em Londres, trabalhamos em alguns projetos de moda e música e vimos que funciona fazer a parte de pré e pós produção online. Quando voltamos, mostramos esses trabalhos para as empresas que já tinhamos contato e o feedback foi super positivo. Fechamos alguns filmes, um deles em Los Angeles onde a Pedrita fotografou um editorial para a Colcci, e até então não paramos mais. OM: Destacam algum projeto? O que consideram “os melhores momentos”? 8588: Gostamos muito do filme para a estilista argentina Florencia Kozuch, que foi gravado em Londres em uma pista de skate com a modelo ucraniana Ellis Wachtel. O projeto foi bem

conceitual e a roupa foi feita exclusivamente para o projeto, ficou incrível (Para assistir ao vídeo: http://vimeo.com/ creativestudio/darkbirdfull). Outro que amamos foi o Fashion Film feito para a marca britânica Basso&Brooke com a modelo inglesa Laura Paine. O filme tem duas partes, e teve uma ótima repercussão fora e no Brasil foi para vários blogs e site, como o da Lilian Pacce e Glória Kalil (Parte 01 bb e Parte 02 http://vimeo.com/ creativestudio/partii). Das fotos nós curtimos um editorial que fizemos com Ana Araújo nos arredores do Hackney Central Park em Londres, que a Pedrita usou fotografia digital e analógica com filme colorido 35mm. Outro editorial que foi fotografado para a Colcci em

um roseiral em Buenos Aires na Argentina gostamos muito também (Editorial Hackney’n Roll: www.8588studio.com/filter/ photos/Editorial-Hackney-n-Roll e Editorial Roseiral para Colcci: z). OM: Quais foram as principais dificuldades encontradas? E os próximos desafios? 8588: Poderíamos dizer que a dificuldade é a excessiva quantidade de concorrentes, mas nós até gostamos disso, por que faz a gente sempre buscar novas inspirações, se atualizar, expressar no nosso trabalho ainda mais a nossa cara, nossa atitude, trabalhar em nossos projetos pessoais para ter mais liberdade, buscar novos clientes... A idéia é transformar a dificuldade em desafios. Outro desafio é a compra de equipamentos. Tudo o que usamos é importado o que deixa o equipamento muito caro aqui no Brasil. O desafio é juntar a grana e comprar no cash fora do país. OM: Fale a respeito do seu serviço e do mercado em que ele está inserido. 8588: Trabalhamos com expressão em foto e vídeo. O mercado da moda é muito exigente e sempre quer novidades. O mercado é ora exagerado ora minimalista e você tem que dançar no ritmo da música sem perder a identidade e procurando sempre expressar a nossa mensagem. Isso deixa tudo mais estimulante, vivo e criativo. Fascinante.

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Bruna Starling Bruna Starling é formada em Design de Moda pela Univali desde 2006 e, a partir do seu TCC criou a marca Bruna Starling de bolsas e acessórios na qual se dedica integralmente desde então. Bruna conta o desafio e a as satisfações de criar uma marca própria. Olhares Múltiplos: Como a graduação serviu para você desenvolver seu negócio? Bruna Starling: O projeto da marca começou no último ano da faculdade. Foi o meu projeto de conclusão de curso. A orientação dos professores foi

muito importante na fase de concepção, principalmente na parte conceitual do projeto. OM: Após a graduação, procurou algum curso complementar a sua formação? BS: A comercialização das bolsas começou logo após o término da minha graduação. Como comecei a tocar o meu negócio em período integral, tive tempo de fazer apenas alguns cursos rápidos na área da moda e gestão. OM: Antes de lançar sua marca, quais foram suas experiências profissionais? BS: Antes de lançar a minha marca, tive apenas uma experiência profissional. Foi durante o estágio em um atelier de jóias. OM: Quando surgiu a idéia de abrir sua própria empresa? BS: Foi logo após o término da graduação. Procurei desenvolver um projeto que pudesse colocar em prática, e bolsa sempre foi uma paixão minha. OM: Como foi o processo para viabilizar os recursos, estrutura, conquistar os primeiros clientes? BS: Para viabilizar o projeto busquei focar nos materiais e técnicas que poderíamos desenvolver no momento. Éramos eu e mais uma costureira. Quando apresentei o que eu gostaria de executar ela comentou: “nunca trabalhei com isso, mas podemos tentar!”. Eu cuidava da modelagem, talhação e

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acabamentos das peças e ela costurava. A marca fez cinco anos este ano. Penso que o mais importante é termos a iniciativa, desenvolver nossos pontos fortes e procurar sempre maneiras de viabilizar os projetos. Os primeiros clientes foram pessoas que faziam parte do meu circulo de convívio. A partir destas pessoas este círculo foi ampliando e cheguei a ter indicações em outras cidades. Fiz contatos que renderam desde novos pontos de venda até a participação em feiras do setor. OM: Quais foram as principais dificuldades encontradas? E os próximos desafios?


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BS: As principais dificuldades encontradas foram administrativas e técnicas, já que cuidamos desde a confecção do produto até a venda e distribuição. Estamos organizando o nosso novo espaço, onde funcionarão a produção e o showroom e pretendemos continuar participando de feiras com destaque no calendário de moda nacional. OM: Com sua marca própria, como descreve a busca por inspiração para suas coleções? BS: As inspirações estão sempre relacionadas ao universo das artes. Buscamos criar acessórios atemporais de forma orgânica e evolutiva. Nossa equipe de colaboradores é muito envolvida em todo o processo. Desenvolvemos nossas próprias técnicas de costura e acabamentos em nosso atelier. Buscamos transmitir o que projetamos para o consumidor, desenvolver uma identidade diferenciada e um design mais brasileiro e altamente desejável.

por um momento de estruturação da empresa e agora estamos nos expondo a grandes mercados em feiras com um potencial maior de atração de compradores internos e externos. Esta coleção mostra o resultado de um processo de maturação de cinco anos e conseguimos chegar a um mix de produtos equilibrado. Identificamos o DNA da marca, que passa pela valorização da cultura nacional e dos processos artesanais. Buscamos desenvolver acessórios com muitas interferências manuais e referências locais. Acho o momento em que colocamos esta idéia muito interessante. O Brasil está sendo inundado por produtos chineses. Devemos começar a nos questionar sobre os meios de produção utilizados e a qualidade. A indústria da moda

é uma das que mais emprega no Brasil, então o custo-benefício para quem compra um produto nacional é muito grande, pois além de incentivar a indústria também ganhamos em qualidade. O público que atendemos tem um bom poder aquisitivo, intelectual e valoriza produtos diferenciados, por isso conseguimos nos preservar neste mercado.

OM: Destaca alguma coleção em especial? Fale a respeito do seu produto e do mercado em que ele está inserido. BS: Destaco a décima coleção que acabamos de apresentar no Minas Trend Preview. Passamos

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Emmanuel Wetter Nery Design Gráfico - 8º período


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E se... Você fosse outra pessoa? Quem você gostaria de ser?

Nos nossos sonhos quase sempre imaginamos escolher uma outra profissão, ser uma outra pessoa ou vivenciar experiências relacionadas a ideias imaginadas na infância: ser astronauta, palhaço ou se tornar alguém famoso. Muitas vezes esses sonhos não se transformam em realidade e ficamos apenas com esses desejos na mente, por mais loucos que possam parecer. Essa edição do E se… procurou descobrir quais são esses sonhos que ficaram na mente de algumas pessoas para reproduzir proporcionando a vivência de alguns momentos nesse papel. Quem foram os convidados? Luís Eduardo Moser, o Dudu, aluno do curso de Design Gráfico; Cindy Costa Madeira, aluna do curso de Design Gráfico; Marco Aurélio Soares dos Santos, professor dos cursos de Design e a dupla Audete Alves Garcia e Rosana Pinto de Lima, colaboradoras em serviços gerais dos blocos 8 e 9 do Campus de Balneário Camboriú da Univali. Para saber quem foi o personagem encarnado por cada um, confira nas páginas a seguir:

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Cindy Costa Madeira

Aluna do 6º período de design gráfico.

E se...você fosse uma Pinup? “Eu gosto muito de trabalhar com ilustração. E um dos meus ilustradores preferidos é o Norman Rockwell, que trabalha bastante com pinups. Eu me identifico com o vintage e gostaria de incorporar essa mulher vaidosa. Gosto da maneira como era representada a mulher, mais atraente e poderosa”.

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Marco Aurélio Soares dos Santos Publicitário, pós-graduado em identidade corporativa

e design gráfico e professor.

E se... você fosse um jogador de tênis? “Ah, eu queria ter sido tenista profissional. O tênis surgiu bem cedo na minha vida, em torno de sete ou oito anos de idade. Eu frequentava o clube com meu pai e ficava observando-o jogar. Toda minha infância e juventude, até os 18 anos, sempre joguei tênis. Sou apaixonado pelo esporte por ele ser difícil, e eu gosto de coisas difíceis. A gente sente quando ‘dá pra coisa’, é uma pena que isso não aconteceu na minha vida, que ninguém me enxergou, ou que não tive a oportunidade de jogar profissionalmente. Mas nunca abandonei o tênis, jogo todos os sábados quando dá e até hoje pratico as atitudes e valores morais que o tênis traz”.

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Luís Eduardo Moser (Dudu) Aluno do 8º período de design gráfico.

E se... você fosse um palhaço? “Eu sempre quis ser do circo. Acho que ele representa uma nostalgia perpétua. A ideia era fugir com o circo e andar por aí de trem...Queria ser uma criança do picadeiro, trabalhar com os elefantes, até ir virando qualquer coisa lá dentro. Minha referencia era o filme “Dumbo”. Isso tudo era minha fantasia de criança, e o palhaço é uma coisa icônica do circo. Se eu fosse um palhaço seria mais do tipo brincalhão, de festa. Queria ser palhaço de criança, um palhaço feliz”.

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Audete Alves Garcia

Rosana Pinto de Lima

Colaboradora em serviços gerais.

Colaboradora em serviços gerais.

E se... você fosse uma cantora do rádio? “Sempre sonhei em ser. Eu cantei dos 11 aos 13 anos de idade no Paraná. Isso há 50 anos...Meu sonho era continuar a carreira, mas infelizmente na época não deu por transtornos da vida. Sempre que nós íamos pra roça, eu cantava do alto das pedras e achava que o mundo inteiro me ouvia. Eu vivo e respiro por causa da música. É do coração mesmo, acho que é um dom. Eu sei que minha voz já não é mais a mesma coisa, mas eu não quero saber, eu canto para mim. Não penso em problemas. Pra mim, tendo saúde e uma música pra cantar, está ótimo, não preciso nem comer (risos). A minha vida é uma música e a música é minha vida.”

“Se eu fosse uma cantora seria a da banda Calypso, a Joelma. Gosto de ouvir musica quando estou trabalhando porque passa o dia, a gente não vê os problemas. Na música esqueço os problemas”.

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Texto: Tabata Kadur Foto: Charles Kobayashi e Euclides da Cunha Neto Ilustração: Luís Eduardo Moser Produção: Graziela Morelli Mary Meurer Tabata Kadur Nívea C. Pernanchini Mariana Rorato Damaris Ramos Taís Perkoski Make: Fernanda Rocha Tratamento de imagem: Charles Kobayashi Agradecimento: Sabrina Lermen Alessandro Lopes Fernando dos Santos

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Odonelso Bettiato Junior Design Gráfico - 6º período be.net/btiatto


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Charge

Vida de Designer

! ! H HH

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projetos

ALÉM da

IMAGINAÇÃO Acesse:

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ele fof é tão inho !

LIGA ONDE?

alesandro


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Conselho Diretor Mário Cesar dos Santos,Prof. Dr. Reitor Amândia Maria de Borba, Profa. Dra. Vice-Reitora Cássia Ferri, Profa. Dra. Pró-Reitora de Ensino Valdir Cechinel Filho, Prof. Dr. Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação Extensão e Cultura Mércio Jacobsen, Prof. MSc. Secretário Executivo da Fundação Universidade do Vale do Itajaí Vilson Sandrini Filho, Prof. MSc. Procurador Geral da Fundação Universidade do Vale do Itajaí Carlos Alberto Tomelin, Prof. Dr. Diretor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas Comunicação, Turismo e Lazer Bianka Cappucci Frisoni, Profa. MSc. Coordenadora dos Cursos de Design de Moda Industrial, Gráfico, Jogos e Entretenimento Digital

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Contra-capa O Dudu estรก fazendo


4ª Edição da Revista Digital Olhares