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Número 1 - ano I -Março de 2014

henrique vale laisa felíssimo marco llobus

leonel ferreira jair barbosa thiago aquino

lederson nascimento vinicíus fernandes cardoso


Farol Fantástico

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Revista infantojuvenil

Editorial

O

farol no alto do penhasco ilumina um barco a toda velocidade. Segue nas ondas seu vulto esquivo. O convés vazio, o mastro partido ao meio e olhos vermelhos espiando de uma escotilha. O facho dá uma volta para a baleia enfrentando um velho num barril. Vira para o alto, um balão sobe para a lua. Torna para o campo, a raposa corre atrás de um pirata de jornal: - Não entre na floresta, tem lobo mau! Pia a coruja... Este é o número inalgural da Revista Infantojuvenil Farol Fantástico, agradeço todos os participantes escritores e ilustradores. Boa leitura.

Henrique Vale

Índice Dia de Chuva........................................03 Valentina..............................................04 Livro recomendado...............................05 Desafio literário ................................... 07 O menino do verso e da pipa ...............08 O menino de pés sem calços ...............12 Concurso na Floresta Amazônica.........15 Um dia a gente fugia.............................18 A menininha e seu dentinho de leite.....21 É um terreno baldio ..............................29 O baú fantástico....................................30 . Era uma vez um passarinho.................32 . O menino que perguntava....................35

© vpublic- Fotolia.com

Letal......................................................37

edição: Henrique de Almeida Barbosa do Vale (Henrique Vale) textos: Henrique Vale,Simone Taietti, Rita de Cássia M. Alcaraz, Waldir Capucci,Kyuller Maestrelo, Olga Soares de Carvalho, Valderez Álvares de Freitas Valle,Jackson Franco,Terezinha Guimarães,Antônio Pereira Júnior ,Edweine Loureiro da Silva ilustrações: Orion (Márcio Oliveira), João Victor de Pauli,Kaio Teixeira


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Dia de Chuva O tempo fechava e longe corria a lebre Pata-Veloz com o guarda-chuva de Cornélia Lã-de-Esponja, uma ovelha cinza e mal humorada como o céu fechado. “Vou escalar o monte e pegar o orelhudo de surpresa do outro lado” pensou. No meio da subida a chuva desceu. Sua lã foi encharcando, encharcando, até pesar uma tonelada. Fez o esforço final para chegar ao topo. Os cascos patinaram e Cornélia rolou ladeira abaixo como uma avalanche. A lebre de guarda-chuva aberto brigava contra o vento, nem notou quem descia em sua direção. Cornélia atropelou uma pata e rolou até tampar um buraco que encheu d'água. “Minha coleção de figurinhas!” gritou Pata-Veloz mancando em direção a sua toca. O guarda-chuva o vento levou. Não fazia mal, precisava de um banho de água fria. Henrique Vale


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alentina Gaivota espiava a planície dentro da boca do vento. Seu rosto estava tão bravo que afugentou o branco das nuvens.

O Urso Pele de Sapo tinha roubado seu ovo e corria em direção a montanha onde terminava a praia de repente. Da altura viu sua silhueta obesa se espremer em uma abertura estreita na rocha. Mergulhou no mar. Eriçou as penas e se deixou trazer a praia pelas ondas. Os pés decididos marcharam. Entrou na casa da caverna sem tocar a campainha. Passou pela sala. A televisão ligada à toa. Andou no corredor. Os quartos desarrumados. “Que urso porco”, pensou. Parou na porta da cozinha e espiou. O ovo na mesa. O fogão aceso com uma panela com água esquentando. O Urso procurava orégano no armário, cantarolando feliz da vida que ia jantar algo diferente de limo. Valentina andou até metade da cozinha. Escondeu debaixo de sua sombra. Abriu as asas e se chacoalhou espirrando água salgada em sua pele fina. Ele se virou coçando e soluçando. Ia desidratando e diminuindo até que ficou do tamanho de um cachorrinho com peladeira. Valentina deu duas bicadas no cocuruto e o espantou para o quarto de entulho. Pegou o ovo e voltou para casa. Henrique Vale


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Livro Recomendado A Cidade do Casamento

Para adquirir um exemplar mande um e-mail para renattabarbosa@hotmail.com ou pelo cel: (32) 9955 4569 – O preço é R$20,00


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Sou Renatta de Oliveira Barbosa, mineira de Cataguases. Jornalista artista, pós graduada em TV, Cinema e Mídias Digitais.Professora de artes, desenhista, palhaça e atualmente me aventuro na produção de desenhos animados. Sou uma figura extremamente grata e feliz! Moro no Rancho Mico Estrela com minha família e meus bichinhos, lugar de paz e inspiração. A Cidade do Casamento foi um roteiro que criei certa vez para uma festa junina, na escola em que lecionava. Meus alunos apresentaram tão bem que este enredo ficou na minha mente. Quando abriu o edital da Lei Municipal Ascânio Lopes de Incentivo à Cultura aqui de minha amada Cataguases, enviei o projeto, uns esboços e fui contemplada. Nas ilustrações eu fiz uma homenagem ao distrito Cataguarino, povoado de gente muito boa. Fui até lá, fotografei a cidade, a praça, a igreja e ali encaixei minha história e personagens. O livro fala da peregrinação do forasteiro Zé Tomé que parou na pacata cidade de Sacramento com seus livros e viola para falar de amor com poesia e música. As mulheres da cidade que jamais ouviram coisa semelhante, se apaixonam por tudo que ele dizia. Acontece que Zé Tomé deu um azar danado, afinal Sacramento é terra de homem macho e turrão. Cegos de raiva e ciúme, todos os homens se revoltam contra ele e resolvem matá-lo. Mas Zé Tomé, poeta que é, dá uma lição em todos e muda para sempre a história e o nome da pacata Sacramento.É uma trama rimada em ritmo do cordel, bilíngue. Para dar uma sintonia "very good" na história!


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Desafio literário

O primeiro Desafio Literário da Revista Farol Fantástico contou com mais de 180 inscrições, das quais10 textos foram selecionados .


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Aquela criança que vem descendo a ladeira, Sorrateira, sapeca, risonha. Vem ganhando espaço sob o chão de terra. Corre a criança, gritando incendeia: - Uma pipa, minha pipa, a única pipa!

A pipa voara e no fio se prendera. A pipa se prendera porque avoava. E a criança correndo, descendo a ladeira e gritando: - Pipa cá, pipa acolá Volta pro João para ele brincar. Pipa para, mandei parar Se não eu vou, Eu vou... Te pegar!

E um verso surgiu dos lábios do menino João, que não mais sorria, estava rubro de raiva.

Naquela hora João freou, parou e rodeou com seus olhos a si mesmo. O verso que ele criara Sentido conquistara. Decidiu então para casa voltar Para aquele verso registrar.

E agora...


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Aquela criança que vem subindo a ladeira, Sorrateira, sapeca, risonha. Vem ganhando espaço sob o chão de terra. Corre a criança, gritando incendeia: - Um verso, meu verso, o único verso! Em casa chegara, O coração quase parara, Faltava-lhe ar, Mas nada impediria o menino João de seu verso registrar Não mais um verso, um poema, pensou João. As palavras vinham-lhe na cabeça, Desordenadas e agitadas. Até que, uma a uma, foram lhe escapando Por seus poucos e finos fios de cabelo. Elas viravam piruetas, estrelinhas e cambalhotas. E começaram a se espalhar pela casa. João, sem acreditar, começou a procurar. Onde podiam estar as palavras de seu poema? Dentro da pia? Em cima do balcão? Ao lado da geladeira Ou dentro do fogão? Atrás dos quadros? Debaixo do sofá? Nos quartos? Aqui ou acolá? João procurou, procurou E não as encontrou Cada canto da casa vasculhado E nada recuperado. Aborrecido, mas não desanimado João então pensou: “Mas as palavras são minhas E de mim não podem fugir”, completou. “Vou seguir meu coração com esperança, Ou será minha alma de criança que me guiará?”


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No meio da sala, João se posicionou Esperando seus instintos um caminho buscar. Logo encontrou. E correu em direção às cortinas sem hesitar. As desamarrou e as afastou da parede E para a sua surpresa Lá estavam as palavras Dormindo como princesas João não acreditou naquela cena. As palavras dormindo, Enquanto deveriam estar formando um poema. Decidiu então deixa-las descansar Decidiu também ir se deitar Depois teria muito trabalho a fazer Havia um belo poema a escrever Ao abrir os olhos, João um susto levou. As palavras estavam todas ao seu redor, Observando aquele ser que as encontrou Em fila elas se puseram. Um papel e uma caneta João foi buscar. Junto das palavras ideias bem formadas. E o espetáculo iria começar: “O menino que desceu a ladeira Correndo atrás da pipa Com a poesia se deparou E para casa com ela voltou. Ficaram amigos para sempre, Aqueles que nem se conheciam O ser humano e as palavras Que lindo par faziam.” Ao ver seu primeiro poema pronto, João até tonto ficou. Mas, a felicidade era tanto Que logo sóbrio se tornou. Escutou uma batida na janela, E para o lado olhou. Rapidamente pegou a caneta na mão e Como que completando seu poema, escreveu ainda: “E para o menino João a pipa voltou”.


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2º Lugar

O MENINO DE PÉS SEM CALÇOS Rita de Cassia M. Alcaraz

Ilustração João Victor de Pauli


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Era uma vez um menino que corria com o vento, quando perguntavam qual era a família que ele pertencia, ele dizia que era filho do raio com a chuva. Um certo dia, o menino correu, pois queria encontrar um lar e assim visitou diferentes lugares, corria como se seus pés sem calços fossem ganhar asas. Ele passou pelo bosque da solidão, mas a tristeza das árvores deixou só seu coração, e por isso resolveu correr e correr mais. Passou pelas águas claras e salgadas das lágrimas, mas ao olhar o belo lago teve uma imensa vontade de chorar, assim ele decidiu correr mais. De tanto correr, o menino chegou numa estrada de terra molhada, ele gostou de pisar na água marrom que com terra se misturava, e correu, observou as marcas de seus pés e decidiu descansar, sentou-se na beira da estrada, olhou para o céu, ele era claro, mas tinha muitas nuvens, brincou na lama e se pintou de liberdade. O menino parou no meio da estrada, do lado direito ele viu um pequeno bosque de cobertores encantados, do lado esquerdo ele observou sete meninas brincando em um doce lar, envolvidas com a manta da saudade. A manta da saudade era encontrada um pouco atrás do caminho escolhido pelo menino. A saudade não tinha hora de chegar e nem avisava quanto tempo ia ficar, deixava o coração apertadinho e nos olhos fazia poças e poças que alimentavam o lago das águas salgadas deixado no caminho. As meninas se abraçavam naquela manta, mas a manta não era coberta, era fina e só saudade elas sentiam. O menino desejou o cobertor, e assim ele atravessou com seus pés sem calços a grama fria que o levava até a árvore de cobertores. O frio lembrou que ele precisava de meias, mas ele manteve seu coração livre e não deixou o frio subir pelos seus pequenos e ágeis pés, e quando chegou na árvore pensou, em como alcançar o cobertor. Esticou o dedo, a mão, o braço, e nada adiantou, deu um pulo e um cobertor pegou, enrolou-se no cobertor que o abraçou esquentando seus pés, e fazendo cocegas na ponta de seu nariz, e olhou as meninas que curiosas o espiavam do outro lado da estrada. Pulou mais uma vez, duas vezes, várias vezes e nesses pulos sete cobertores pegou, todos os cobertores muito colorido e felpudos o abraçaram. A árvore ficou encantada com tal gesto e seguiu o menino. Ele atravessou a grama com os cobertores abraçados a ele e protegendo seus pequenos pés. Quando ele chegou na beira da estrada, o cobertor subiu até o tornozelo e ele pisou na lama que fazia parte da pequena estrada. Andou sem perceber que a árvore o seguia, desejava fazer morada aonde às crianças pudessem ser abraçadas pelas cobertores.Foi com aquele menino que ela descobriu que seus frutos podiam servir para algo, antes eles apenas pesavam em seus galhos, pareciam não ter utilidade, mas agora em meio as crianças queria ficar.


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Ele chegou no lar das meninas, que curiosas o observavam e bateu palmas antes de abrir o portão do lar, chamando: 'Ô de casa', a mulher que saiu da casa para recebê-lo era linda, grande, ela tinha textura de folha quando chega o outono, o homem ao seu lado era pequeno e forte com braços compridos para que as crianças da casa pudessem sentar naqueles braços amigos. Foi ele quem rapidamente abriu o portão e segurou a mão do menino, pedindo para ele entrar. A árvore rapidamente entrou e criou raízes ao lado da casa. O menino tímido pediu se podia dar para as meninas os cobertores, e elas os aceitaram e rapidamente pediram para o casal guardar no baú da memória a manta usada até então. Quando elas receberam os cobertores, eles as abraçaram e coloriram o jardim. Nesse encontro, as meninas já não choraram, não esqueceram de suas mantas guardadas, mas o cobertor as acolhia, era felpudo, fofinho e provocava sorrisos que se acumulavam em gargalhadas. O menino resolveu naquele lar morar e como tinha corrido muito, agora havia asas nos seus pés, conseguia voar nas brincadeiras, e o lar já não era só de sete era de oito. Com o tempo, muitos outros meninos e meninas que corriam chegaram. E no período de um ano, aquele lar era de muitos meninos e de meninas, alguns voavam, outros cantavam e todos brincavam de faz de conta. A senhora de textura de folha e o homem de braços fortes e compridos os embalavam na melodia de um cobertor tecido pelo amor, pois todo cobertor quentinho acaba por nos fazer um carinho e inspira sorrisos melodiosos nas vozes de uma, dez, ou mil crianças a brincar, a cantar e gargalhar.


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Waldir Capucci

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Todo fim de tarde os habitantes da mata ouviam aquele barulho infernal vindo da lagoa, bem longe da civilização, no coração da floresta amazônica. Eram centenas de sapos coaxando em um tom desafinado, e tão barulhento, que mesmo distante nenhum animal ficava imune aquela sinfonia. Alguns estavam tão acostumados que nem ligavam, mas outros ficavam importunados e queriam por um fim naquela balbúrdia sonora. Os passarinhos, julgando-se os melhores cantores das matas, alegavam que o som mavioso de suas gargantas era abafado pelo barulho ensurdecedor dos sapos. E resolveram impedir o som vindo da lagoa, com a ajuda e conivência de outros habitantes da mata. Pediram uma reunião do CBF - Conselho dos Bichos da Floresta, para tratar do assunto. Por acordo entre as partes interessadas, nomearam uma velha coruja para dirigir o evento e buscar uma solução para o impasse. Foi uma grande bagunça. A maioria dos animais ficou a favor dos sapos. Alegavam que os pássaros podiam voar por toda a floresta e mudar de lugar quando quisessem, ao contrário de outros animais, como os sapos, que tinham dificuldades de se locomover para grandes distâncias. Era um direito deles, cantar ali o quanto quisessem, pois só tinham aquele espaço para ficar. A anta chegou a sugerir que os incomodados é que deveriam se mudar. Foi saudada com aplauso dos répteis, insetos, batráquios e alguns mamíferos. E, foi também vaiada, através da manifestação estridente de algumas aves como os papagaios, as araras e os tucanos. A coruja soltou um piado enérgico e pediu silêncio. Propôs que aguardassem três dias para que ela apresentasse uma proposta, com a condição de que esta teria de ser acatada por todos que habitavam aquele lugar. Por unanimidade foi dada a aprovação. Todos reconheciam a sapiência da velha ave e respeitariam a sua decisão. Nos dois primeiros dias, a coruja voou por toda a floresta, conversou com muitos animais e observou muito. No terceiro e último dia, justamente o domingo, todos se reuniram debaixo de uma grande castanheira para ouvir a decisão, logo depois do jogo de futebol entre os times do cachorro-vinagre e do jacaré-açu, vencido por este último. A coruja determinou que fosse feito um grande show de calouros e de corais animais para escolher os melhores cantores da floresta. A partir do resultado do concurso seria tomada a decisão sobre o que foi pleiteado pelos pássaros. Na verdade, a coruja era mesmo muito sabida e queria ganhar tempo. Ela não poderia impedir os sapos de cantar, afinal, eles não sabiam emitir outro som. Por outro lado, se desse razão aos passarinhos, estes ficariam muito vaidosos, e com o tempo, iriam querer calar o canto de outros animais, impondo só o deles naquelas matas.


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Passaram-se algumas semanas para os ensaios, e, finalmente chegou o grande dia. Para apresentador foi escolhido o Gorducho, um macacobarrigudo muito popular e amigo de todos os bichos. Para o corpo de jurados foram convidados o tamanduá, a sucuri, a onça-pintada, o esquilo e o jabuti-tinga. O domingo estava muito ensolarado, e a floresta estava em festa para a grande decisão. Quando começou o julgamento, alguns bichos como o jacaré, a tartaruga e o bicho-preguiça nem conseguiram cantar. Outros ainda tentaram, mas foram desclassificados imediatamente, como a irara, a jiboia, a jaguatirica, o gato maracajá, o veado e a paca. A briga para os cantores ficou realmente entre os pássaros, como era esperado. Foram mais de duzentos concorrentes, e isso levou quase o dia inteiro. O grande vencedor foi o uirapuru, numa disputa muito apertada, já que muitos tinham o canto tão bonito quanto o dele. Já a disputa dos corais teve de ser adiada para o domingo seguinte e foi grande a expectativa durante toda a semana. Sabendo da impossibilidade de vencer os pássaros, os outros animais foram desistindo, exceto o coral de sapos, que manteve a inscrição. Nesta competição, cada tipo de pássaro tinha que fazer parte do coral de sua espécie, e foi um desastre. Apesar de individualmente todos cantarem bem, quando juntos era uma desafinação completa, ninguém acompanhava o tom e o tempo do outro. Assim foi com os corais do trinca-ferro, capitão do mato, curió, azulão, pintassilgo e pássaro preto. Os outros corais de pássaros, percebendo que não daria certo, acharam melhor desistir para preservar a imagem de bons cantores. Gorducho chamou então o grupo de sapos, último grupo concorrente. Para surpresa geral, saiu tudo perfeito e bonito. Como só tinham um tom de voz, eles ensaiaram tão bem, que no momento da apresentação souberam alternar graves e agudos, altos e baixos, voz de machos e fêmeas. Foram aplaudidos por longos minutos e ganharam o concurso, com todos os méritos. Até os passarinhos reconheceram a vitória e cumprimentaram os vencedores. A coruja, no alto de sua sabedoria, parabenizou todos os participantes e sugeriu que a partir daquela data, os animais estudassem música e formassem corais mistos em cada canto das matas. Assim, todos estavam livres para cantar naquela floresta. Assim foi feito e está funcionando muito bem. Quem passa por lá fica muito tempo observando e admirando o som maravilhoso que vem da floresta. Já foi visto peixe-boi cantando com surucucu, perereca com tatu-galinha, papagaio com sagui, ariranha com tartaruga, e muitos afirmam ter ouvido nas beiras dos rios, corais aquáticos com voz de peixes como o curimatã, curimbatá, jaú, peixe-boi, surubim, dourado, pacu e muitos outros. E todos juram ser verdade. Não é conversa de pescador. ============================================================== · 1º Lugar – Concurso 2013 da Academia Jacarehyense de Letras – Troféu Jacaré


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4ºLugar

Um dia a gente fugia Kyuller Maestrelo Jasmine e eu fizemos um pacto. Quando crescêssemos fugíamos. A gente se gostava. Acho que era daquele mesmo jeito que o mocinho gosta da mocinha. Gostava tanto que até salvava ela do vilão. A gente assistia junto tudo o que era filme. Pipoca. Manteiga na pipoca. Refrigerantes e pausa pro xixi. Era assim. Era bom. Dava até pra ouvir na sala a conversa dos adultos. Mas era tão sem graça. Melhor era por atenção no filme. O mocinho nunca morria, a gente sabia disso. Mas era até estranho como tudo parecia meio novo, sempre. A gente parecia ficar, lá, toda vez, esperando algo diferente. Com sentimento de não saber o que vêm no fim, quando no fundo já sabia. Acho mesmo que o que valia era como acontecia... Não muito o quê. Por que tudo sempre acontecia igual. Tudo. Jasmine e eu achávamos que a vida também acontecia tudo igual. Como nesses filmes que a gente adivinha o final. Até a conversa dos adultos era sempre igual. Mudava pouco. Menos ainda que do que mudavam nossos filmes. O mocinho podia usar uma espada, ou não; ter capa, ou não; podia saltar da ponte, correr, e até mesmo voar. Era sempre uma surpresa diferente. Mas lá da cozinha vinha sempre história repetida, só o que mudava era o personagem. Ou o ator da novela, ou a vizinha, ou o marido da outra vizinha, ou até mesmo a tia Eugênia, nem parente nosso escapava. Era feio quando mamãe falava da mãe da Jasmine. A gente ouvia tudo. Eu ficava vermelho de vergonha como fosse eu falando fofoca. “Liga não Paulinho, adulto é assim mesmo. É só de mentirinha. Depois eles se encontram e ninguém fala mais nada.” Jasmine sorria. Era um pouco mais velha que eu, mas isso não era nada, eu sabia já que idade não importava no amor. Perguntei pra mamãe certa vez – “Mãe, pessoa pra casar com outra tem que ter a mesma idade?” “Não Paulinho, imagina, seu pai é sete anos mais velho que eu...” “Ah...” Eu tinha entendido. Sete anos. Era mais anos do que eu precisava. Aquele dia eu fiquei feliz. Tão feliz que decidi, pediria pra casar com a Jasmine. Imaginava já. No meio no beijo do mocinho e da mocinha. Jasmine, casa comigo? Ela dizendo sim. Dai a gente beijava no final igual o filme. E depois vivia feliz com as letrinhas subindo e tudo. Ai eu era feliz como ninguém mais era.


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Quando a Jasmine chegou, senti que a noite era diferente. Era dia de jantar todo mundo com os pais dela. Sem filme hoje. Não teria mocinho. Nem mocinha. Nem beijo. Nem pedido de casamento. Nem as letrinhas subiam mais. Jasmine ficava sempre me perguntando o que era... Era eu irritado sem ter porquê. Emburrava quando eu planejava algo bacana e depois nada acontecia. Era como se o mundo risse de mim, fazer planos na minha idade, nisso que dá. Quero mesmo é ser adulto e poder planejar as coisas sem o mundo atrapalhar. Como nos filmes. O vilão tentava atrapalhar, mas o mundo sempre ajudava o mocinho. Mas vi que Jasmine usava uma tiara azul. Os olhos de Jasmine eram azuis. Era tudo pra combinar. Eu percebi então que tinha que fazer o pedido de todo jeito. Nenhuma menina mais têm olhos assim. Eu é que não conhecia nenhuma. Jasmine era única. A tiara me fez olhar bem os olhos. Senti medo. Medo, por que agora se ela não aceitasse casar comigo eu ficava triste pra sempre. Só a Jasmine tinha os olhos azuis da Jasmine, ninguém mais. Foi o momento que eu decidi de verdade que estava amando. “Que foi Paulinho?” Eu não respondia, só olhava nos olhos azuis. Era hora de fazer o pedido, mas a conversa dos adultos atrapalhava. Era fofoca do vizinho da frente que fugiu com a vizinha do lado. Igual quando o tio Alberto fugiu com a aluna do cursinho. Ou quando a tia Anita fugiu com seu Antônio, e depois largou o seu Antônio e fugiu com o tio Alberto. Diziam sempre que ela ia fugir de novo. Mas tio Alberto foi mais esperto. Fugiu antes. De repente tive a ideia, ali, encarando os olhos azuis de Jasmine. “Foge comigo quando eu crescer?” Ela sorriu. Queria que eu repetisse, não tinha ouvido direito. “Jasmine, quando eu crescer e for adulto promete que foge comigo?” Ela deu risada. Eu não sabia se aquilo era sim ou não. Nem se era resposta. Ela só gargalhava. Quando vi que os outros tinham ouvido, e que gargalhavam junto, eu emburrei. Sem saber por que, comecei a chorar e corri desembestado pro quarto. Ficaria lá pra sempre. Jasmine não gostava mais de mim. Talvez nunca tivesse gostado. Eles vinham. Batiam na porta. Mamãe, papai, tia Eugênia. Perceberam que eu estava triste e não riam mais. Eu não abriria, deixaria eles acharem que morri de tanto chorar. E a culpa seria deles. Toda deles. Eu nem achava mais lágrimas, por mais que eu tentasse, soluçava, quando ouvi a voz de Jasmine atrás da porta.


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“Paulinho? Abre, quero falar com você.” Eu não responderia. “Abre! Como posso casar com alguém que não quer falar comigo?” Eu gostava tanto da voz dela. Eu poderia ouvir aquela voz todo dia, todo dia, todo dia, que eu nunca que me cansaria. Eu voltava a ter esperança. Talvez agora era a hora de ela responder. Abri a porta e vi os grandes olhos azuis me olhando, com um sorriso. Ela me pegou no colo. “Escuta Paulinho. Você é novo demais agora, mas quando você crescer e for um ator de cinema como você diz, prometo que fujo com você. A gente pode ir pros Estados Unidos! O que acha?” Eu estava sonolento de tanto chorar. Não sabia mais se estava agora feliz ou ainda triste. Só queria dormir e sonhar com Jasmine. Então deixei minha cabeça cair nos ombros macios dela. “Você promete?” Eu sussurrei. “Prometo.” E foi a última coisa que ouvi antes de cair no sono.


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Olga Soares de Carvalho ilustração de Kaio Teixeira


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É um terreno baldio... Valderez Álvares de Freitas Valle Tem coisas de arrepiar, vem cá, que eu vou te contar. É um terreno baldio, mas não está vazio... Bem-te-vi, bem-te-vê... É melhor do que TV.

Tem coisas de admirar. Vem cá, que eu vou te mostrar, Do alto da minha janela, eu vejo, eu sinto, eu assisto coisas de admirar naquele terreno baldio. São cenas e contracenas, dramas e tragédias, além de muita comédia. É um terreno baldio, mas não está vazio... O mato cresceu ao redor, subiu pela mangueira, desceu pela goiabeira, se enrolou no pé de carambola. E aquele cheiro de infância, do tempo de minha avó? Odores dos velhos quintais que já não exalam mais. Vejo pássaros se fartando, arrotando melodia, em trinados de alegria. Ai quem me dera ser pardal, descer da janela, voar por todo este quintal. É um terreno baldio, mas não está vazio... Lá moram cães vadios, todos de focinho frio, latindo em busca de um dono, perturbando nosso sono. E aquilo lá, o que será? Coelho de rabo comprido? Cachorro fantasiado? Ou macaco mascarado? Sei não! Mas, vejo, bem no cantinho, uma gata e seus gatinhos. Um mama, outro mia. Pulam, sobem, descem, na mais alegre folia. Quem me dera brincar com eles, sair dessa prisão perpétua, trocar minhas cadeiras de rodas por uma bicicleta e fazer de minha luneta um escorregador mágico pra cair lá no quintal. É um terreno baldio, mas não está vazio... Bem-te-vi, bem-te-vê... É melhor do que TV.

Do alto da minha janela, eu vejo, eu sinto, eu envolvo em coisas de arrepiar. Em noites de lua cheia, aparece uma noiva feia, toda vestida de teia, capenga que nem aranha, com um ar de fazer dó! Cadê noivo, cadê padre? Só se vê a noiva, coitada, muito mal acompanhada. Atrás da noiva, coitada, vem um séquito macabro: Caveiras enluaradas, batendo dentes e ossos na marcha nupcial, somem pelo quintal... Em noites de chuva e frio, me sobe um arrepio! Parece que eles vêm dormir debaixo da minha cama. No sonho, viram fantasmas - fantasminhas amigos – Que gostam de brincar comigo. Contam histórias do além, me ensinam a dizer amém, cruz credo e esconjuro também. Naquele terreno baldio, mas que não está vazio, tem menino, de verdade, gente assim como a gente, que até pode ser parente. Eu vi chegando um menino depois outro e mais outros: Gente bicho, bicho gente com ar de triste e doente, sem sorriso e sem dente. Eu vi até um neném, engatinhando e chorando. Ah! Como quero bem ao tadinho do neném, sem mãe e sem ninguém. Acho que vou lá buscar e dar à mamãe para criar. Ele será um irmão, irmão do meu coração! Naquele terreno baldio, meus segredos, meus brinquedos, vejo coisas de encantar. Bem-te-vi, bem-te-vê, É melhor do que TV. E fazem a gente sonhar e fazem a gente crescer, enloucrescer... Vem cá, que eu vou te mostrar...


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O baú fantástico Jackson Franco Os pais de Paulinho e Pedrinho, gêmeos aos doze anos, mudaram-se de um apartamento para uma antiga e grande casa de campo. O casarão tinha sido construído pelo avô dos meninos, que já era falecido. Para os meninos, foi uma festa: um jardim e um quintal enormes com fruteiras. - Pai faça um balanço na árvore – disseram os dois ao mesmo tempo. - Mãe nós podemos olhar o sótão do vovô? - Claro – responderam os pais. Os meninos foram ao sótão que tinha várias coisas antigas, inclusive um baú fechado. - Paulinho vamos abrir este baú. Pegue aquele martelo ali no canto! - Gosta sempre de dar ordens, não é? «Eles sempre brigavam muito, porque Pedrinho não aceitava as ordens do irmão». Depois de várias marteladas e um dedo sangrando, Paulinho abriu a caixa. Eles viram e pegaram velhas fotos de família, um canivete enferrujado e lá no fundo da caixa, um pequeno vaso fechado e todo colorido. Depois de várias tentativas de Paulinho para abrir o vaso, Pedrinho desistiu: - Vou almoçar! Você fique aí... Acabado o almoço Pedrinho desceu e não encontrou o irmão, mas o vaso continuava lá, fechado. Pedrinho contou aos pais o que os dois tinham feito com o baú. Os pais, aflitos, procuraram o menino em todos os cantos e nada.


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Paulinho a tudo assistia de cima, como se fosse um fantasma: aonde os pais e o irmão iam, ele pairava no ar, sem ser visto e ser ouvido. O menino gritava, acenava, mas era um ser invisível. Na manhã seguinte, Pedrinho pegou o vaso. Mexeu de um lado, remexeu de outro e nada acontecia. Uma hora depois, cansado, ele deitou-se no chão e colocou o vaso no peito, falando em voz alta e angustiada: - Eu quero meu irmão de volta! Aí, o vaso abriu-se e num instante Pedrinho estava com o irmão, flutuando os dois no teto do sótão. - Pedrinho você veio!- os dois abraçaram-se e voltaram ao piso de madeira, materializados. «O vaso desmaterializava as pessoas que o abriam, mas quando as pessoas que se amam de verdade encontram-se e resolvem suas diferenças, tudo volta ao normal!»


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Era uma vez... Um passarinho Terezinha Guimarรฃes

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Era uma vez... Era uma vez, não! Essa história Não tem Princesa nem anão Não tem madrasta, Não tem Castelo nem dragão Essa história... É de um passarinho que gostava de canção. E que vivia em um jardim Florido e perfumado De um casarão. O passarinho vivia a cantar Despertava bem cedinho E logo ia se banhar No laguinho que ficava Lá perto do pomar Após se refrescar Voava para a goiabeira E uma deliciosa goiaba Começava a bicar. De papinho cheio Voava lá para o meio Meio de onde? Só pode ser do jardim Lá crescia

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Um lindo Pé de jasmim, Que o passarinho pensava: “Deus fez pra mim” Começava então A cantoria... Enchia o pulmão, Não só de ar Mas também de muita alegria Em seu peito Habitava um desejo De ver o mundo Mais bonito e perfeito Sabia que era difícil, Mas com sua ajuda Não seria assim tão impossível. Cantava o dia inteiro Como ele era matreiro! Além de cantar O dia inteiro Voava de flor em flor Pensava “Amo o jasmim” Mas tinha tanto amor! Que voava a repartir Esse imenso amor Com cada flor De todo o jardim.


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Certo dia o passarinho Estava em uma árvore No galho mais alto A cantar uma bela canção De repente... Veio um vento forte Como um furacão O passarinho assustado Parou sua canção. Tudo começou a voar As flores a despetalar As árvores a balançar E suas folhas a dançar Com o vento E tudo começou a mudar. O passarinho queria ajudar Mas ele só sabia cantar Então pensou: “Preciso colaborar” Para este vento recuar. Mesmo com o galho A balançar, O passarinho se pôs a cantar. Um canto diferente Um canto que encanta A alma da gente O vento foi se acalmando... Acalmando... Acalmando... O canto do passarinho

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Fez o vento Recuar. E de um vento forte Como um furacão Transformou-se Numa brisa Que mansidão! E o passarinho Ficou feliz Sabendo que tudo Voltaria ao normal E o jardim novamente Seria sensacional. Ele continuou A cantar... cantar... E a todos encantar. E viveu feliz para sempre. Feliz para sempre? Que é isso? Essa história Não tinha princesa nem anão, Não tinha madrasta, Não tinha castelo nem dragão. Só tinha um passarinho Que gostava de canção E com um enorme coração Então... Viveu feliz até seu canto Cessar...


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35 9ºLugar

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O MENINO QUE PERGUNTAVA Antônio Pereira Júnior

Era um menino, Bem pequenino, Muito sapeca, Como uma peteca.

Seu nome: Juninho, Um lindo garotinho, E como duvidava, Pois sempre perguntava.

Na rua ou na escola, Todo tempo, toda hora, Por ser muito inteligente, Perguntava a toda gente.

Perguntando se aprende, Pergunte a toda gente: Quem sustenta o mundo? Quem calou o surdo?

Qual a cor da energia? A mulher do sapo é jia? Quem raspou a Leoa? E o Leão vive a toa? Por que o Pato pia? Formiga gosta de pia? Sempre se abre, a porta, Ela é viva ou é morta? De onde vem o vento? Isso é um tormento. Quem pintou o mar?

Quem pode me explicar?

Quem apaga o sol? Quem criou o farol, Quando a noite vem? A saudade perna tem?

Deus tem barba, Como alguém pinta? E a molhada chuva, Só vem lá de cima?

O avião é passarinho? Ele tem pena? Onde é seu ninho? Ele tem antena?

O que é o beijo? Por que beijar? É melhor que queijo? Dá pra guardar? Por que não se enche o mar, Pra onde corre o rio? Acordado, posso sonhar? E como se faz o frio?


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Por que Por que branca? Por que Existem sul?

tem gente negra? tem gente o céu é azul? montanhas no

Quem corta o cabelo, De quem corta cabelo? E o que faz o Pinguim, Quando acaba o gelo?

A Zebra foi presa? O que ela fez? Ou ela tá de pijama, Saindo da cama?

Por que a cobra é comprida? Quanto da vida é vivida? Por que o elefante é gordo? O marido da porca é o porco? Por que a vaca dá leite, E vem sem chocolate? O que é sinusite? Por que o cachorro late? Perguntar é legal, Pra poder aprender, Acaba a dúvida e o mal, E nos ensina a crescer.

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Pergunte pra o professor, Pergunte pro padre, pro pastor, Pergunte pra mamãe, pro papai, Assim toda dúvida se esvai.

Pergunte Pergunte Pergunte Pergunte

pra aprender, para saber, pra entender, e saiba viver.

Perguntar é bom demais, É como um barco no cais, Mesmo parado no canto, Tem um mar por encanto. Pergunte garoto, Menino ou menina, Saber dá mais gosto, E sentido na vida. Juninho cresceu, Foi filósofo, professor, Fundou um museu, Sempre ensinou com amor.


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LETAL Edweine Loureiro da Silva

Revirava o quarto, repetindo a si mesmo: Não é possível que a perdi. Logo hoje! Numa das gavetas, chegou até a encontrar o estilingue ― companheiro inseparável nas férias de verão. Mas, uma vez que era outra a arma de que necessitava na ocasião, deixou-o de lado. E prosseguiu com a frenética busca, remexendo roupas, livros e lençóis. Quando, porém, começou a jogar no chão as camisas que, no dia anterior, haviam sido lavadas e engomadas, ouviu a voz: ― O que você está fazendo, Gustavo? Apanhado de surpresa, mentiu: ― Nada, mãe… Eu só estava buscando um livro. ― Livro? Deixa de conversa, garoto! Sei muito bem que você está atrás é daquele maldito estilingue! Vá! Saia já daqui é que é, antes que eu… Não escutou o restante da ameaça. Sabia perfeitamente que, quando a mãe se irritava, melhor era obedecer o mais rápido possível. E retirou-se, inconformado. ― Que droga! ― resmungava, já desistindo da busca e preparando-se para sair ao encontro de Zeca, o parceiro de pelejas. ― Ter que sair assim, desarma… Não chegou a concluir o raciocínio, pois, naquele momento, seus olhos detectaram sobre a estante o que estava procurando. Aí está você, belezura! ― celebrou. Afinal de contas, aquela era uma data muito especial: o dia em que se vingaria de Carlão, o rival do outro bairro e responsável pela humilhação que Gustavo sofrera no último conflito. E, pondo a bolinha de gude no bolso da bermuda, saiu de casa, confiante que dessa vez venceria o campeonato.


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Revista Farol Fantástico número 01