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jornal literário Número 3 - ano I - fevereiro de 2014


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olaria das letras

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Editorial

D

a TV pifada faz-se canteiro. Da tela quebrada um copo-de-leite se espicha procurando a tomada. O caule se contorce e uma pétala é eletrocutada. O fogo queima o estame, sobe até as raízes. A televisão acende num canal não sintonizado, um locutor oculto apresenta: «OLARIA DAS LETRAS, NÚMERO 3 Mudar de canal antes do último ponto final é desaconselhável, principalmente se o controle remoto for carnívoro, ou as pilhas explosivas». Agradeço a todos os participantes por cederem seus textos e especialmente ao ilustrador pelo excelente trabalho. Boa leitura. Henrique Vale

©arturaliev-Fotolia.com

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edição: Henrique de Almeida Barbosa do Vale (Henrique Vale)textos: Henrique Vale, Cláudio da Cruz Francisco, Elias Antunes, Gabriel Amorim, Aldo Moraes, Camila Gomes, Valdir Rodrigues, Tiago Butarelli, Jonathan Messias de Freitas, José Huguenin, André Foltran, Reginaldo Costa de Albuquerque, Marli Schiefelbein Arruda ilustrações: Orion (Márcio Oliveira)


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O nevoeiro é um cérebro Sou seu sonho ro, a

po

v E

viro vento Dou coice nas nuvens Chacoalho as árvores Em busca de mangas Desço uma chaminé Viro um tijolo, Tampo um buraco Num sótão Viro escuridão Henrique Vale

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olaria das letras Memória de um amor perdido

Uma rosa de aço Desabrochou no freezer Limpo o gelo Penduro no varal Esqueço

No sofá Ela me estrangula Meus olhos caem como lágrimas Ela faz um ninho Em minhas costelas Bebe de minhas veias Cutuca minha alma Com o focinho gelado Henrique Vale

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MORADA DOS VERSOS Ao dobrar a esquina alguns poemas Num átomo

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Nos corpos que se atracam de qualquer jeito Nos sentimentos que sofrem, brindam e vencem

de terra partida Numa pétala

Na vida

que salta sem despedida

há sempre um poema

Na sombra solitária

Nas coisas grandes e pequenas

que faz plantão Nas costas da montanha

Em melodias, gestos e cenas Nas alegrias, reflexões e atitudes

outros poemas No ar

Poemas

de incerteza e imaginação

estão na essência da existência

Onde o sol se entrega a solidão Nos pedaços de vidas desconhecidas Páginas em branco esperam poemas Enquanto letras e sílabas se unem nos pensamentos Aguardam as escritas de um poeta e seus tentos Se entendem com as palavras e definem seu destino Dentro de um amor diversos poemas No plantio saliente de um beijo

Num olhar para o mundo com afeição No valor creditado a cada ruído do coração. Cláudio da Cruz Francisco


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CIGARRAS

Elias Antunes

io Não se rompe o silênc apenas com palavras as, é preciso dizer as cois dizer as pedras, os tijolos e os muros; é preciso dizer o lago, s mãos o labirinto, o abrigo da e o rosto na despedida, é preciso dizer mem, os escombros de um ho o azul é preciso dizer o pássar iadas, e suas árvores incend rras é preciso dizer as ciga as; domesticadas nos poem tais é preciso dizer os quin no crepúsculo; a é preciso dizer a chuv dentro do peito, ros e os pequenos mamífe da casa: vivendo nos recônditos e é preciso dizer a casa a memória.

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Quem sou eu

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Sou eu qu Quem cobreem velo teu sono tuas pernas a Quem te acalm trem E sempre a e a, quem na calmaers e afasta, spreita vai te ver Não adianta p Sou teu risco edir solidão, deixo n As vezes, o m, o desafio, o cisco deão, au caminho teus olhos ac omodados, Sou tua sina, Sou aquele q tua sombra, teus cam Quem te jogaue te salva do escuro inhos a trilhar , no muro evit ando buraco s Não precisar c Estou aqui n horar, rezar, implora Sou teu espeão me vê, pedes, tentor por proteção A refletir meulho, teu viver, teus pé aparecer, s calejados, s pés ao nas cer Quem sab n ão somos o m Digamos qeue esm Pai, Filho, Es eu seja você, e junotoser, s pírito Santo, talvez... somos três Talvez me Tua chagaumpenar seja te seguir, e amar e não me sentir Tragar meus Te aclamarei passos, embaraços, quando acerta r Sou a negaçã Sou quem na o do erro a repetir, s horas triste s te faz sorrir O que chama Sou nós, comm de alma, o que late ja, o que não eço, meio e fi para m E quando esti Juro, evitarei, ver chegando a mim Rirei da louc perderei tua razão tua visão, ura que é vis mão ualizar a si m esmo sem es pelho na Deixemos de Aproveitemo lado todos os questio namentos, Que é sermo s o momento s u m só corpo, um Que é viver ju a só ntos, numa etérea solidaãlma, na profundeza o Gabriel Amor im

?


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olaria das letras POEMA DE INVENÇÃO Tudo o que invento, vive! O que invento é r! fazejamento de encanta O que crio, er! não tem o dom de fenec O que canto, é música de invenção! ue Mas, perceba, tudo o q invento, o. n(m) atura-se na criaçã or Agora, descansa o am porque o dia tarda! À NOITI NHA es ra o M o Ald Gosto d o Que so vento pr Da jane a a cortina la Da lua q . u O quart e clareia o Junto c om a ve la. Gosto d a Do pija minha cama, m Do son a de cor amar ela, o Pois, m que chega e Sonhar faz com ela ... Valdir R odrigue s

CRIANÇA Criança que ora Criança que canta Criança que ama Criança que a noit e adormece Sou uma criança Canto, oro e obed eço Também sei amar Sou uma criança Mais dei o meu coração Para Jesus morar E outras crianças encantar... Camila Gomes


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Desafio Literário

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omo desafio do mês de dezembro foi proposto que escrevessem sobre o Natal. Publicamos o primeiro lugar no conto e os classificados na poesia.


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Poesia 1ºlugar Tiago Butarelli O Natal amarelo Entre presépios Bem iluminados; Entre árvores Com bolas e estrelas Douradas; Entre ceias Ricamente preparadas; Entre presentes Docemente trocados; Entre Papais Noéis De uniformes avermelhados; Entre luzes multicoloridas Piscando por todos os lados; Entre este cenário Capitalista e belo, Um poeta caminha e renasce, Um menino-Jesus singelo, Sem conseguir disfarçar, Na espantada face, O sorriso amarelo.

2º lugar dos reis magos, Jonathan Messias de Freitas da bela virgem e do O álbum de fotografias de carpinteiro; Noel Seus sorrisos estridentes, Estampando-lhes as faces. Agora que descobri seu Quero vê-los! endereço, “Bom Velhinho”, de traje Da manjedoura, quero ver o vermelho, coxo; Dos seus dotes publicitários, Do menino-Jesus, Limpo, quero vê-lo. O primeiro o choro.

E que, neste natal, Acendam as lâmpadas de seu coração! Iluminando, com simplicidade, esta contemporânea geração. Aos cinco anos, uma caixa de lápis de cor; Aos quinze, um projeto de amor; Aos trinta, um novo clamor:

Que o amor divino Seja desvelado com graça. Que a esperança e a paz nos sejam revigoradas. Que a fé seja hoje Nossos incensos e mirra. Que os conflitos cessem em Israel E as Nações sejam mais unidas.

Que revele ao mundo suas sépias fotográficas de outrora... Que ninguém na Mãe-África saturadas, quase esquecidas, Chore por pão, por comida. salvaguardadas por lapsos de memória. Que a humanidade, Noel, Em seu álbum, torne-se De presente, peço-lhe Bem vista. Encarecidamente... Quero ver os flashes Da Estrela do Oriente.

3º lugar Natal Cidade Por: José Huguenin Era Natal, Na tal cidade, Onde me perdi Ao encontrá-la. Havia a magia Na tal cidade. Esperança nos corações, Sapatos nas janelas, Cores no quintal. Era Natal, Na tal cidade, Onde me encontrei Perdendo-me em seu olhar. Havia algo diferente Na tal cidade. Nascia um novo amor, Renovava-se o mistério, Todos se enterneciam, Todos se tornavam melhores, O bem era natural. Era Natal, Na tal cidade, Onde a conheci E esqueci de mim.

O contentamento:

4ºlugar André Foltran Presente de Natal (ou Soneto à minha incrível Gabriela) À Gabriela de Souza Scareli Guirlandas se insinuam em dezembro. Árvores se enfei(t)am pro Natal... Beirando a loucura ainda lembro rostos... O teu, Gabi, em especial! Iemanjá na certa concebeu esse sorriso teu muito inspirada... Linda morena, o meu presente (o meu!) atraca ainda hoje em tua enseada! Atrás da vossa carne, do esqueleto há uma luz antiga, uma vela — é ela que alumia este terceto. E o que era surpresa se desvela: um presente de pobre, um soneto... Soneto à minha incrível Gabriela!

5ºlugar Reginaldo Costa de Albuquerque Soneto natalino

Quando Se deixou ir ao vil calvário entre os braços horríveis de um madeiro, cheio de amor, de paz, mas solitário, Jesus morrendo salva o mundo inteiro. Com sublimado verbo O humilde obreiro, liberto de Si mesmo, em cruel fadário, pregando o ideal de amor bem verdadeiro, resgata os homens de um viver nefário. Natal!... A imagem de Jesus pendida... No Seu olhar piedoso a indagação: – “Todos vós, que fazeis por esta vida?” Quanta gente carente de luz temos e se não cremos no outro como irmão, como aceitar um Deus que nunca vemos?


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Conto

1ºlugar MARLI SCHIEFELBEIN ARRUDA Um Pinheiro Diferente

A

nos atrás, ao entrar na sala da Educação Infantil para dar aula, encontrei as crianças alvoroçadas em torno de caixas de leite recicladas e decoradas. Quando me viram, chamaram logo para ver a plantação de pinheirinhos de Natal. Eu vi uma terra úmida, dentro das caixas e em algumas aparecia uma parte de um pinhão. Todas colocadas na borda da janela. - Nós plantamos ¨ profe¨, demos água e agora vamos deixar germinar e cuidar até o final do ano. Aí a ¨profe¨ Beti vai deixar a gente levar pra casa. – explicou a esperta Larissa. - É! Pra fazer um pinheirinho de Natal! – gritou João. - E colocar bolinhas! – Batendo palmas falou Aninha. - E fazer um presépio de Jesus ao redor! – disse Pedro. - Mas tem que cuidar direitinho. - É, pra nascer bem! - Eu “botei” três “pofe” . Pra uma “naxe” – explicou o pequeno Wesley. - Eu também! – completou Ruan. E todos queriam falar e contar como fizeram. Depois de acalmá-los e ouvi-los, parabenizei-os pela ideia. Também repeti as orientações da professora titular, afinal dezembro estava longe e todos queriam levar seu pinheiro para casa. Depois fomos para a quadra. Alguns, antes de sair, conversaram com a semente para que ela nascesse logo. Um alvoroço igual ou maior aconteceu quando as sementes começaram a partir e a germinar. Cada semana era uma novidade. E cuidavam muito bem da plantinha obedecendo às orientações da dedicada professora. Elas me puxavam pela mão a cada novidade. E como cada uma delas, os pinheirinhos cresciam. Uns mais fortes e verdes, outros mais frágeis, mas todos crescendo. Esperando amor e cuidado como as crianças. No final de maio, fui ao mercado e entre as gôndolas de frutas, encontrei uma, repleta de pinhões. Aqui no Sul, é costume comermos pinhão, principalmente nas Festas Juninas. Levei para casa e separei duas sementes colocando-as num pote com terra, como as crianças haviam feito. Deixei lá num corredor, entre outras plantas. Aguava de vez em quando. Quando vi, dias depois, uma das sementes estava rachada e o pinheiro timidamente apontando entre a terra, me senti como as crianças! Corri para contar ao meu marido, que não se entusiasmou tanto assim. Mas com o passar dos dias eu o via regá-lo quando eu esquecia. Então percebi que ele também estava gostando da ideia. Meus filhos também, mas mais superficialmente. Isso me deixava triste, pois eles não pareciam curtir tanto quanto eu. Minha criança interior não entendia isso. Na escola, os pinheiros cresciam lentamente. As crianças encontravam outras novidades, porém não descuidavam das plantas. No último dia de aula, em dezembro, lembro da alegria delas ao saírem, após o sinal, com o seu pinheirinho para casa. Corriam mostrando a mim e a quem se aproximava, contando o que fariam com ele dentro de suas casas naquele Natal ou onde o plantariam depois. Nenhuma ficou sem presente. E que especial, um pinheirinho! Uma vida. Cumprimentei a professora mais uma vez pela ideia. Também coloquei o meu na sala adornando-o com pequenas fitas. Era o que seus pequenos galhos suportavam. Depois das orações e canções na igreja comemoramos o Natal com a ceia e a troca dos presentes tradições cultivadas ao lado da pequena planta. No outro ano, ele cresceu num tamanho bom para levarmos para dento de casa e pendurar as bolinhas e enfeites. Fiquei orgulhosa e emocionada. E minha família também gostou. Minha menina enfeitou, meu menino e marido encarregaram-se das luzinhas. Intimamente me perguntei se o pinheiro das crianças também estava assim naquele Natal. Quem cuidou e plantou, com certeza ainda teria o seu. Nosso pinheiro tornou-se mais um membro da família. E quando quis levá-lo embora anos depois, pois estava grande, descobri que todos o amavam, mesmo não me contando. Ninguém deixou! - Por que será que a gente não fala do que ama, fala mais do que não gosta? Neste ano tivemos uma agradável surpresa: Deus nasceu em nosso pinheiro. Não, eu não enlouqueci! Estou lúcida e sóbria. Eu creio que Deus está em toda natureza. E um lindo casal de bem-te-vis resolveu fazer um ninho no nosso pinheiro. O ninho é grande. Feito de pequenos ganhos e folhas secas. Todos os dias eu vejo a movimentação do casal a entrar e sair do ninho, no alto do pinheiro e ouço seu cantar. Já nasceram seus filhotes. Aos pés do pinheiro, plantei também um chuchu, num canteiro que tenho. Canteiro pequeno, mas sempre verde. Coisa que aprendi com meus pais.¨ Quem planta tem¨. O chuchu brotou e cresceu. Meu esposo colocou as ramadas para subirem no pinheiro. Elas se espalham ziguezagueando sobre os galhos como as fitas de Natal. Hoje avistei um frutinho . Olhando melhor, vi mais alguns chuchus pendurados. Pareciam bolas de Natal verdes alongadas. Novamente é dezembro e esse ano, nosso pinheiro terá enfeites diferentes. Vivos. Comemoraremos literalmente o Nascimento do Criador! Feliz e Abençoado Natal!


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Olaria n 3 fevereiro de 2014