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jornal literário Número 10 - ano I - setembro de 2014


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Editorial

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hegamos ao décimo número do Jornal Olaria das Letras com uma grande variedade de poetas e escritores publicados e com um público razoável de leitores a quem agradecemos. A periodicidade a partir de setembro será de dois meses, no intuito de fazer edições mais bem elaboradas e acabadas. Agradeço a todos pela colaboração. Boa leitura. Henrique Vale

© melosine1302 - Fotolia.com

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edição: Henrique de Almeida Barbosa do Vale (Henrique Vale) textos: Henrique Vale, Elias Antunes, Maria João Pessoa, Pedro Gustavo Moreira, Wallace Nunes, Geraldo Trombin, Priscila Queiroz,Rômulo Reis, Sabrina Nunes Dalbelo, Bianca Ferraz Bitencourt, Izabela Ramos, Adriano Macedo, Ângela Fonseca, Maria da Glória Jesus de Oliveira, José Ronaldo Siqueira Mendes, Nívea Sabino,Edweine Loureiro, João Batista dos Santos, Delmar Bertuol, André Cristal, Carlos Cardoso Luís. ilustrações: Orion (Márcio Oliveira)


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CAVILAÇÕES Elias Antunes Ruminando os capins da memória. Manada era seu nome, pois muitos havia. Um cão latindo contra o não. Esse corpo preso em Jaulas/apartamentos, Contaminado pela Ferrugem dos anos. O tempo cai como Chuva de fogo Sobre esse corpo Decrépito Que amou e sofreu.

© hadkhanong - Fotolia.com

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Muitos Outonos Contam Primaveras na minha vida. Maria João Pessoa

O Verão tem voz de passarinhos cantando na minha alma Maria João Pessoa

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Se são as flores que fazem um poema então os meus versos são uma ponte entre mim e todas as rosas. Maria João Pessoa


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© goghy73 - Fotolia.com

Pai Pedro Gustavo Moreira A procissão fúnebre continuou seu percurso até o local do sepultamento. Paramos em frente a cova, que foi feita às pressas, pois descobriu-se que o túmulo da família estava danificado. Ali se construiria outro. Exclusivo. Ao contrário de qualquer preferência de minha mãe. Com o corpo no caixão em cima do carrinho demos o último adeus. Abriu-se o tampo do caixão pela última vez. Fitei-a. parecia tão calma, seu rosto estava pálido, porém calmo. Representava que estava dormindo, tirando um cochilo após o almoço numa tarde fresca. Sua face contradizia o ambiente. Que se fazia soturno. Ela não acordaria mais. Nunca. Suspenderam o caixão e o baixaram até o buraco no chão. Desceram-no. Em nossa presença começaram a enterrá-la. Alguns presentes pegaram um pouco de terra úmida nas mãos e jogaram em cima do caixão: ritual de enterro. Para quê? Se é uma forma de demonstrar afeto, porque ajudar a enterrar a pessoa que ama? O lógico seria a não enterrar. Esses pensamentos invadiam-me. Depois de um período enterrando-a, os coveiros já estavam quase concluindo seu trabalho. Quando me mexi. Saí de minha inércia e me movi finalmente, depois da longa paralisia. Dei um salto e pulei em cima da terra. Gritei. Enfim o choro saiu de meus olhos. Berrei. Joguei-me naquela terra, que já virava lama, por causa da insistência da garoa. Rolei na lama como um filhote de porca desolado. Tentei inutilmente desenterrá-la. Meu coração palpitava. E os coveiros nada fizeram. Meu pai interveio. Pegou-me no colo. Sujou-se junto comigo. Pela primeira vez fizemos algo juntos: chorar a ausência de nossa amada. Nossos rostos colados faziam que nossas lágrimas se misturassem, compartilhando a mesma dor. Levou-me para o carro. Depositou o meu corpo novamente inerte no banco de trás. Ele montou no carro e arrancou. Olhava constantemente para o retrovisor. Estava preocupado comigo. Via em seu rosto refletido uma expressão grave. Adormeci. Acordei e eu estava nos braços de meu pai que me levava para o banheiro. Tirou minha roupa e começo a me dar banho. Nunca tinha feito isso. Mas o fez como se fosse minha mãe. Talvez ele soubesse, que a partir desse momento teria de ser meu pai e minha mãe. Senti pena desse pobre homem. Suas responsabilidades haviam dobrado. Ele também se sentia só. Perdera a mulher que amava. Eu não sabia, mas naquele momento ele também se sentiu uma criança órfã. Deve ser assim com os outros pais viúvos. Sentem-se crianças que perderam a mãe, a irmã, a amiga, a companheira. De repente ele largou o sabonete e sentou-se comigo debaixo do chuveiro ligado. Começou a chorar feito uma cria. Encostou sua cabeça na minha e pranteou. A água que escorria do chuveiro facilitava o nosso vazamento. Vi-o tão frágil e pequenino: menor que eu. Eu não esperava uma reação dessas de uma pessoa adulta, muito menos do meu próprio pai. Naquele momento eu soube que havia nascido outra mãe para mim.


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Desafio Literário

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desafio-tema do mês de junho foi «árvore». Publicamos as poesias e os minicontos selecionados.


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POESIA 1ºLugar -Flor(e)Ser Wallace Nunes.

2ºLugar- Arborescência Geraldo Trombin

A cada seis meses tudo muda. Fui semente! Brotei. Ganhei tronco E membros. Ramifiquei.

Esperei mais de seis, primeiro foi a semente, depois a raiz. Com o tempo veio o tronco, os galhos e a copa.

Em minha arborescência Adquiri consistência. Da minha árvore genealógica, Cultivei a essência.

Floresceu, cheirosa. Linda e formosa. Mas em seis meses chegou o outono. As folhas secaram e cairam.

Plantado em solo fértil, Vislumbro arvoredos E passaredos. Gero bons frutos, Colho seus desfrutes.

No inverno já não sobrava nada apenas galhos secos. Hoje nossa árvore foi cortada a cada noite fria eu corto um pedacinho. Ainda tenho o calor do nosso amor na lareira.

3ºLugar- Tempo Priscila Queiroz Folhas secas, O chão de outono As árvores tecem ...

Hoje sou homem-árvore Provido de um norte: Raiz forte fincada no passado; Caule espesso elevado ao presente; Galhos e mais galhos estendidos ao céu, Como braços e abraços em copa, Protegendo a vida, O futuro em dossel.


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4ºLugar-A árvore da literatura Rômulo Reis A árvore da literatura Plantada na humanidade O autor imprimiu assinatura Regada por toda eternidade

5ºLugar -Triste Bosque Sabrina Nunes Dalbelo

Ao longe a neblina Luminosidade baixa

Na primavera gerou flores Frutificou versos formidáveis As folhas de variadas cores Seguras em raízes confiáveis

Brumas em lento movimento

O outono secou os galhos Melancolia típica da estação Mas não pararam os trabalhos Das frutas secas sobre o chão

Vale abandonado

Árvores adormecidas Folhas caídas Galhos cansados Hoje nada faria O que via talvez Nem mesmo existia

Uma semente ali germinou Insistiu com a sua teimosia Em solo fértil brotou Um lindo “Pé de Poesia”.

O vento poderia apagar A chuva poderia levar A imagem triste Daquele bosque morto Onde havia um dia Um coração que palpitava Com certa alegria

6ºLugar Bianca Ferraz Bitencourt

No horário de almoço, deitava sempre debaixo daquela sombra fresca e miúda. As frondosas vizinhas não sabiam mas a não-árvore, quase arbusto suspirava feito poeta. E a menina deitada com o caderno na mão escrevia a sua própria história.

7ºLugar- Esperança Izabela Ramos Das torres do rádio ao calor do chão Carrego doze palavras de dor em meu coração Uma delas é revolta, outra é guerra e as outras se vão Se perderam ou esqueci pois uma árvore vejo em minha direção Seu nome, Esperança, para todos aqueles que serão Donos do próprio destino que só fazem o uso da razão


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olaria das letras 8ºLugar O Outro e os Pássaros

9ºLugar - Árvore cigana Adriano Macedo

Elias Antunes Partida,

você é textura e memória. O outro é o irmão amparado na cruz; o outro é a bagagem de amor e de sonho contra a canção do abismo; o outro é o tempo líquido na mão direita, o sol na pele da verdade; o outro é o espelho,

Escorreu pelos galhos das minhas mãos Seguiu destino cigano daqueles que só respiram sem raiz. Permaneci sob o humor do tempo Galhadas abertas, árvore em oração. Implorei um único milagre Supliquei a tua volta Amaldiçoei o teu futuro O tempo me fez sombra sem frutos.

os cães caçando, o coração do pássaro azul voando pela janela; o outro é a ponte sobre o desfiladeiro; a lâmpada acesa na casa escura; o campo de trigo sob a chuva; a árvore cheia de pássaros e frutos; uma rua sem nome, quando os caminhos foram

10ºLugar-Árvore (Aldravias) Ângela Fonseca I semente casulo chão acolhida terra útero

desfeitos; o outro é você mesmo, seu sonho e sua história, sua vocação para a eternidade.

II solo gesta mistério devir de árvore

III broto frágil preâmbulo vergel vida renovada

IV zelo viço esperança verde quero-te verde

V ascensão vereda do sol luz calor

VI tronco vigor galhos folhas flores frutos

VII sombra alimento oxigênio futuro planeta grato

VIII fauna a lanço novas sementes re-ciclo


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Miniconto 1ºLugar- Jantar - Maria da Glória Jesus de Oliveira

O leão estacou e olhou para cima da árvore. O homem agarrara-se num galho e tremia. O felino olhou para o céu. Era quase noite. Homem não dorme em galho - pensou . Era somente esperar.

2ºLugar - Oco José Ronaldo Siqueira Mendes No deserto da vida, minha copa despetalou-se em um tremendo mal-me-quer, minha seiva, viçosa por acreditar, enegreceu em alguma substância urticante, e minhas raízes, antes tão profundas, ficaram expostas, se agarrando ao desespero. Assim, fui abandonado na estrada do tempo, até servir de cadafalso, para que um amor bandido se enforcasse.

3ºLugar - Ângela Fonseca Escalou a jabuticabeira - destreza de esquilo! -, olho pregado no único fruto túmido; os demais, mirrados, escassez de chuva. Espichou o braço, os dedos e... zás! Fruição. Sumo escorrendo pelos cantos da boca...

4ºLugar - Dor de Mãe Nívea Sabino Dia de sol. O passarinho se lança da árvore. O gato felinamente preparado acompanha a trajetória. O filhote vira petisco. O desespero da mãe é acompanhado pelo bando de pardais gritantes. Todos se vão, solitária, pia alto. Será a sua dor do tamanho da minha?

5ºLugar- A Árvore e a Estrada Elias Antunes Enquanto todos desejavam passar para o outro lado da estrada, procurando afastar a grande árvore que tombara com a tempestade da véspera, o poeta procurava um outro caminho.


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6ºLugar - Para a Eternidade Edweine Loureiro Ansiosa para gravar uma mensagem de amor ao companheiro, indagou à melhor amiga em qual árvore deveria fazê-lo. ― Sem dúvida, a macieira! ― respondeu-lhe logo a serpente.

7ºLugar - A árvore que dava dinheiro João Batista dos Santos De repente a árvore apareceu no quintal da mansão do bilionário avarento. Afoito, ele foi colher as notas de cem dólares da planta, mas uma ventania espalhou todo o dinheiro em cima da favela mais próxima. Era véspera de Natal, e, os favelados, neste dia, começaram a acreditar mesmo em Papai Noel.

8ºLugar Ciclo Delmar Bertuol O menino deixou uma semente cair. Veio a chuva. Ela brotou. O vizinho regou. Uma boa altura ela alcançou. O menino cresceu. Um carro comprou. Embaixo da árvore ele estacionou.

9ºLugar - Árvore André Cristal A árvore é igual a esperança, nasce, cresce mas não morre, sempre deixa uma semente para ser plantada não deixando de existir.

10ºLugar - Árvore da Poesia Carlos Cardoso Luís Semeio palavras, adubo-as com rimas, rego-as com lágrimas de alegria. Sinto-as crescer em cada verso. Os troncos fortalecem, as folhas crescem, as flores dão-lhe colorido e perfume, os frutos amadurecem, fortes e sadios para alimentarem este ciclo natural que é a árvore da Poesia.


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