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O JORNA L Maceió, domingo, 2 de janeiro de 2011 | Ano XVII | Nº 90 | www.ojornalweb.com

ALAGOAS

R$ 2,00

O que Alagoas espera do Governo Dilma Nide Lins

Para 2011 são esperados investimentos de R$ 2,3 bi As projeções de especialistas são de que, só este ano, a presidente Dilma Rousseff deve enviar R$ 2,3 bilhões a Alagoas só com obras do PAC.

Dois

Para professor, reflexos dos investimentos virão em 5 anos Para o professor Luiz Antônio Cabral, de Economia da Ufal, os reflexos dos investimentos do recurso do PAC em Alagoa só serão sentidos em 2015.

Página A2

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Obras do PAC tornam sonho do maceioense em realidade

Economista diz que gestão de Dilma será decisiva

As unidades habitacionais construídas, através do PAC, no Vale do Reginaldo, estão transformando sonhos de maceioenses em pura realidade.

Alagoas entrará na rota de crescimento nos próximos quatro anos. A previsão é do economista Cícero Péricles, baseado no combate à pobreza extrema.

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Estado ainda sonha em ser subsede da Copa 2014

Sala Vip passeia por 2010

2010 foi um ano positivo para a memória cultural alagoana. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) executou projetos nas cidades de Marechal Deodoro, Penedo, Piranhas e Maceió. Para 2011 serão destinados recursos de R$ 180 milhões a serem aplicados até 2014 em três cidades alagoanas que firmaram, em conjunto com o governo do Estado, o Acordo de Proteção do Patrimônio Cultural com o Iphan. Páginas B1, B2, B3, B7 e B8

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TV

Em Alagoas, ano bom para a cultura

No esporte, Alagoas espera que o governo Dilma apoie o projeto de receber uma seleção da Copa 2014. Para isso, o trunfo é a reforma do Rei Pelé.

Minissérie da Record trará a atriz Mel Lisboa

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O JORNAL

Política A2

Domingo, 2 de janeiro de 2011 | www.ojornalweb.com | e-mail: politica@ojornal-al.com.br

Pauta Geral pautageral@ojornal-al.com.br

ESPERANÇA E, finalmente, nesta segunda-feira começa mai uma nova era. Depois das festas de final de ano, das posses de governadores e da presidente Dilma, voltamos ao trabalho, embora muitos estejam em férias, com esperanças renovadas. Vamos vivenciar um novo momento na história política do Brasil. As perspectivas são positivas. Mas, para Alagoas, quais são as perspectivas? Difícil dizer, embora pós-festejos tendamos a observar e querer muito os aspectos positivos. É como se desejássemos que tudo seja diferente, pra melhor, sempre. Torcemos para que Alagoas tenha competência para enfrentar a criminalidade crescente, que o estaleiro se instale e gere empregos e novas empresas. Queremos que a escola pública seja de qualidade e que as crianças e adolescentes, principalmente, tenham perspectivas de crescer na vida. Que haja uma política de recuperação dos dependentes químicos e o combate incansável aos traficantes. Desejamos que os servidores públicos ganhem melhor, que os hospitais nos atendam com maior qualidade, que o transporte público melhore, que a praia não seja poluída nem o meio ambiente agredido e destruído. Por fim, queremos que você e todos nós sejamos felizes e que DEUS esteja sempre presente. Será que é querer demais?

Vou participar da cerimônia de posse, normalmente, e logo em seguida pedirei essa licença, para esse tratamento de saúde, para que eu possa começar com todo o pique”.

Deputado estadual eleito, Dudu Holanda, ao justificar afastamento para favorecer o retorno de Cícero Ferro para a Assembleia Legislativa.

DO RAMO

O secretário Estadual de Comunicação, jornalista Nelson Ferreira, deixa o cargo com o dever cumprido. Em quase dois anos deu tranquilidade e cara ao governo na comunicação e conseguiu, em pouco tempo, criar um bom relacionamento com os empresários e jornalistas que buscavam informação. Agora volta a cuidar, com a maestria que lhe é peculiar, da comunicação empresarial do Grupo Coruripe, onde trabalhava anteriormente.

COTADO

ESPERANÇA

O promotor de Justiça Alfredo Gaspar de Mendonça, coordenador do Gecoc, aparece como nome forte para secretário de Defesa Social. Falta só saber se o Ministério da Justiça tem acordo com a indicação ou se vai preferir escalar um delegado federal para o cargo que está ocupado interinamente pelo antigo subsecretário Washington Luiz.

Os servidores da Câmara de Maceió não escondem o desejo pela posse da nova Mesa Diretora. Galba Novaes (PRB), Silvio Camelo (PV) e Oscar de Melo (PP) são bem mais afinados do que o grupo que os antecedeu. Dudu Hollanda (PMN), Silvânia Barbosa (PTdoB) e Paulo Corintho (PDT), praticamente defenestrado do cargo de secretário, deixaram os cargos em crise e brigados entre si.

SEMPRE Vira e mexe, a engenheira Rosa Tenório está com um cargo público. Forte nos tempos da prefeita Kátia Born, chegando até a administrar a Slum, ela ficou um tempo no ostracismo prestando consultorias e com cargos de menor visibilidade. Agora foi escalada pelo tucanato para assumir o comando da Controladoria-Geral do Estado.

DESENROLADA Foi a secretária municipal de Turismo, Cláudia Pessoa, quem conseguiu resolver o impasse que possibilitou o uso de um trio elétrico nas festas do final de ano. Ele foi utilizado no Benedito Bentes para evitar que o Ministério Público proibisse o desfile na orla de Maceió.

ACADÊMICO O professor Eduardo Setton foi indicado para secretário de Ciência e Tecnologia pela reitora da Ufal, Ana Dayse Doréa. Com isso, um dos possíveis adversários no grupo que hoje administra a universidade praticamente fica fora da corrida pela sucessão. Continuam disputando espaço o vice-reitor Eurico Lobo, e os professores João Carlos Barbirato e Josealdo Tonholo.

FÉ Adversários brincam dizendo que foi Deus quem disse ao prefeito Cícero Almeida que gravasse um comunicado de final de ano para a população de Maceió. A ironia se deve à quantidade de imagens religiosas que aparecem ao lado do prefeito.

DIRETAS Tem vereador que garante que Heloísa Helena (PSOL) sabia, sim, da votação do aumento dos salários para R$ 15 mil. Ela diz para todo mundo que não foi avisada. Quando renunciou ao cargo de prefeito de Penedo, Alexandre Toledo (PSDB) fez um investimento. Se perdesse a eleição, seria secretário. Foi o que aconteceu. É cada vez mais forte a informação de que o deputado estadual Paulão (PT) assume um cargo federal a partir de fevereiro. Ele tem um canal direto com Brasília.

Petista não esconde preocupação em preparar o Brasil para se desenvolver como potência econômica que possa competir com maiores nações

Dilma deverá investir R$ 2,3 bilhões em Alagoas só este ano Obras estruturantes do PAC em 2011 são prioridade da nova presidente Gilson Monteiro Repórter

As análises políticas do estilo Dilma Roussef de governar oscilam entre os que acreditam numa mera continuação da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva; e aqueles que prevêem que a presidente eleita deve imprimir sua própria marca. Um estilo que o país começa a conhecer a partir desta semana, quando a presidente eleita começa efetivamente a governar. Uma das expectativas é quanto à execução do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, um dos carros-chefe do governo Lula. Se Roussef obedecer à risca a planilha de investimos previstos para execução a partir deste ano, Alagoas contará ainda com R$ 2,3 bilhões. Desse total, R$ 784 milhões serão injetados em obras exclusivamente do

Estado; e mais R$ 1.561,8 bilhão em empreendimentos de caráter regional, como a Ferrovia Nova Transnordestina. Pelo relatório do Comitê Gestor do PAC, em 2011 a área social e urbana ficará com a menor fatia de investimentos (R$ 92 milhões) para os empreendimentos exclusivamente do Estado. A maior parte dos investimentos irá para a área de infraestrutura energética (R$ 355 milhões), em projetos de geração de energia termelétrica e exploração de petróleo e gás natural. Outra fatia generosa, pouco abaixo da área de energia, vai para a área de logística (R$ 336 milhões), com investimentos em construção e modernização de rodovias. De 2007, quando o Programa foi iniciado, até 2010, foram R$ 10,7 bilhões investidos no

Estado. INFRAESTRUTURA LOGÍSTICA - Na área de logística, a maior parte das ações está em estágio de obras. Entre elas a construção de cais para Contêineres no Porto de Maceió, que já consumiu R$ 41,6 milhões. Outro projeto com obras em andamento é a duplicação/modernização da BR-101/AL, que já recebeu, até 2010 R$ 205 milhões em investimentos. ENERGIA - No setor de infraestrutura energética, a maior parte dos projetos está em fase de licitação. Entre eles a Usina Termelétrica a Óleo em Rio Largo, na Grande Maceió, que deve receber recursos na ordem de R$ 100 milhões a partir deste ano. Obras de exploração e produção na área de petróleo e gás natural, que

já receberam R$ 231 milhões entre 2007 a 2010, este ano devem contar com mais R$ 148 milhões do PAC. SOCIAL - Os R$ 92 milhões previstos para serem investidos nas áreas social e urbana deverão ser destinados a obras como o Canal do Sertão (R$ 88 milhões) maior obra hídrica do PAC na região nordeste; R$ 2,6 milhões para o Sistema de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário de Coqueiro Seco, incluído no Proágua Nacional. A maior parte dos programas “Luz Para Todos” e “Água Para Todos” já foi concluída. Foram R$ 395 milhões para o “Luz” até 2010; e R$ R$ 570 milhões do no abastecimento de água. A partir de 2011 serão mais R$ 88 milhões em investimentos no “Água Para Todos”.

Reflexos na economia podem vir em cinco anos Yvette Moura

De acordo como o professor de economia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luiz Antônio Cabral, a economia alagoana só deverá perceber os reflexos dos investimentos em infraestrutura em andamento com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) por volta de 2015. “Os reflexos dessas obras em infraestrutura logística e energética, na economia do Estado virão a médio e a longo prazos. Entre quatro a cinco anos para que possamos sentir os efeitos desses projetos na economia de forma mais clara”, teoriza o economista. “Os investimentos em malha rodoviária, por exemplo, além dessa questão do escoamento de produção, também terá influência no turismo, com melhores condições de acesso ao Estado. Isso certamente irá fortalecer o setor de turismo”, destaca. Para Cabral, a dependência quase absoluta de Alagoas dos recursos federais é fator decisivo na demora de determinados projetos influenciarem diretamente na economia do Estado. “Esses reflexos virão para a economia a médio e a longo prazo pela dificuldade de Alagoas em fazer esse tipo de investimentos. Esses projetos

Luiz Antônio Cabral está otimista com o novo governo e acredita que investimentos devem crescer com o PAC

são muito importantes por Alagoas ser um Estado que, sozinho, não tem recursos para fazer esses investimentos. Hoje, Alagoas é um estado totalmente dependente de recursos federais”, avalia o professor. “O Estado não tem uma receita interna capaz de líder esses investimentos sozinho. E por

isso o PAC é, para Alagoas, de fundamental importância para o desenvolvimento que falta ao Estado”, conclui o economista. R$ 2,5 BILHÕES - A tese do professor Luiz Antônio Cabral é facilmente comprovada pelas contas do governo federal divulgadas pelo Portal Trans-

parência. Somente em 2010, o governo federal transferiu para Alagoas quase R$ 5 bilhões (R$ 4.971.714.174,28). Desses, R$ R$ 2.593.898.449,00 foram repassados diretamente ao governo do Estado; e R$ 2.377.815.725,28 destinados aos municípios. (G.M.)

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Política

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Contexto Roberto Vilanova - bobvilanova@hotmail.com

A ISCA Depois de muito pensar, finalmente fez-se a luz, e o governador Téo Vilela (PSDB) encontrou a solução para acomodar o PPS – que perdeu a Secretaria do Trabalho. Para um Estado cuja profusão de água é tanta, que influiu até no nome, a nova secretaria que abrigará o PPS pode-se dizer que vai preencher uma lacuna. A Secretaria de Pesca e Aquicultura é uma boa ideia para quem quer trabalhar efetivamente, pois serviço a ser feito é o que não vai faltar. São mais de 50 lagoas, incluindo as fluviais, que são maioria, e um litoral extenso com 250 quilômetros. Isto, sem falar dos rios – que são mais de uma dezena. O problema é que caberá ao PPS provar agora que não faz discurso pirotécnico; que não é igual àqueles que falam por falar. Até porque, já existe em nível federal um ministério correlato. Pelo que exigiu do governo, o PPS tucano deve cuidar da pescaria – mas sem jamais procurar saber o que o peixe faz para imitá-lo. E o que o peixe faz? Nada. O PPS, nessa função de desbravador e de gestor da primeira Secretaria de Pesca, deve fazer de tudo para não decepcionar. De novo.

CERTO

IGUAL

O deputado Fernando Toledo (PSDB) fez as contas e está convencido de que dá para vencer a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa. Mas ainda espera o posicionamento do governador Téo Vilela.

Por lei, a Assembleia Legislativa de Alagoas só pode eleger 27 deputados. Mas, na prática, são 28 com a licença do deputado Dudu Holanda e a posse do suplente Cícero Ferro, que goza dos mesmos direitos do titular.

Para economista, avanço social será conquista A análise fria dos números do Comitê Gestor do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) previstos para a era Dilma Roussef revelam um investimento inferior na área estrutura sociais. Dos R$ 2,3 bilhões, menos de 10% (R$ 92 milhões) irão para obras como melhorias sanitárias domiciliares, abastecimento d’água em escolas e saneamento em áreas rurais e indígenas. Mas o professor de economia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) avalia que os investimentos em obras estruturantes estão na raiz da criação do PAC, formatado para criar a infraestrutura necessária para o desenvolvimento do país. “Qualquer modelo de de-

senvolvimento econômico hoje tem suas bases no tripé transporte-energia-comunicação Basicamente, o ponto vital do PAC é formar essa infraestrutura capaz de dar o suporte ao desenvolvimento econômico do país. A ideia inicial é justamente alavancar o desenvolvimento por meio dessa infraestrutura que está sendo construída, daí o próprio nome ‘Programa de Aceleração do Crescimento’. É dessa infraestrutura básica que o país precisa para alavancar o processo de desenvolvimento econômico”, teoriza o professo. “As melhorias na infraestrutura social será reflexo de todo esse investimento que está sendo feito agora, que irá ala-

vancar a economia, gerando emprego e renda, e consequentemente levando junto à qualidade de vida da população”, frisa Luiz Antônio Cabral. Outro ponto que o professor da Ufal observa na hora de por os investimentos do PAC na ponta do lápis, é o alto custo de projetos nas áreas de infraestrutura energética e logística. “O investimento é áreas como energia e logística é muito caro. Hoje temos equipamentos de última geração tem um custo muito alto. Na área de logística, o Brasil conta com uma malha de rodovias grande para o transporte de cargas. As ações de estrutura social custam bem menos”, afirma o economista.

MALHA FERROVIÁRIA - Luiz Antonio Cabral observa que o ideal seria a ampliação da malha ferroviária, modelo comum em países desenvolvidos. “Temos uma malha de rodovias muito grande, e como já temos isso, não podemos voltar atrás agora. Mas seria importante a ampliação dos investimentos em ferrovias. O investimento inicial é caro, mas a manutenção é muito mais barata. Sem falar que as nossas rodovias estão em estado bastante precário”, explica o economista. “Por isso é importante esse investimento do PAC na recuperação de algumas e ampliação de outras rodovias, como é o caso da BR 101”, destaca. (G.M.)

NAVALHA NA CARNE O prefeito Luciano Barbosa (PMDB) determinou o corte de 20% nas despesas da Prefeitura de Arapiraca para 2011.

2012

OLHO

O secretário estadual de Educação, Rogério Teófilo, fica na Secretaria até março de 2012. Ele confirmou que será candidato a prefeito de Arapiraca com o apoio do senador Benedito de Lira (PP) e da deputada federal Célia Rocha (PTB).

O ex-deputado federal João Caldas está cobiçando a Secretaria Extraordinária de Alagoas, em Brasília, que é ocupada hoje pelo conselheiro aposentado do Tribunal de Contas e ex-secretário estadual do Planejamento, José de Melo.

AGUARDE CARTA O governador Téo Vilela (PSDB) ainda não decidiu se atende ao pedido de João Caldas para ser secretário em Brasília.

MAIS 1

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Não é verdade que o vereador em Maceió ganha R$ 15 mil. Na verdade, é bem mais que isso, porque o subsídio de R$ 15 mil é uma espécie de “saláriomínimo”, ou seja, o mínimo que cada vereador deve retirar por mês.

Mas a verdade é que, além do subsídio de R$ 15 mil, o vereador tem direito a dois carros locados, mais 1 mil e 300 litros de combustível e R$ 1 mil por mês em dinheiro para alimentação, e tudo bancado pela Câmara Municipal.

RESTOS A PAGAR Os dois carros locados, os 1,3 mil litros de combustível e R$ 1 mil custam por mês R$ 25 mil. Daí cada vereador em Maceió receber, na verdade, R$ 40 mil por mês.

ELAS

SAI

A vereadora Teresa Nelma e a ex-prefeita Kátia Born, ambas do PSB, vão se reencontrar em 2012. Kátia é candidata a vereadora e Tereza é candidata à reeleição – e as duas não se entendem, ó, faz tempo.

Sai o vereador Dudu Holanda (PMN) e entra Beto da Farmácia no seu lugar, na Câmara Municipal. Mas, “muito doente”, Dudu não vai assumir a vaga de deputado estadual – que será ocupada pelo suplente Cícero Ferro.

NÃO CHORE MAIS Os vereadores Ricardo Barbosa e Heloísa Helena fizeram as pazes em nome do PSOL e prometeram nunca mais ficar de mal.

EXPRESSAS Convênio com o Denit permite a Prefeitura de Maceió usar o asfalto velho arrancado das rodovias federais de Alagoas. O asfalto velho arrancado da Avenida Fernandes Lima, por exemplo, foi reciclado e serviu para a Prefeitura pavimentar ruas no Benedito Bentes. A Codevasf lançou no rio São Francisco, em Igreja Nova, 22 mil alevinos de Tambaqui e Curimatá. Depende agora da Câmara Federal, e depois da assinatura presidencial, a proposta para se pagar adicional de periculosidade aos vigilantes. O deputado federal Joaquim Beltrão (PMDB) é o entrevistado do “Conversa de Botequim” desta terça-feira, 4, apresentado pelo jornalista Plínio Lins, na Choperia Rapa Nui, na Ponta Verde.

A agricultura familiar cresceu disparadamente nos mandatos de Lula; a meta de Dilma é dobrar o investimento, principalmente em Alagoas

Estado precisa se preparar para empreendimentos O anúncio da exploração de petróleo na camada pré-sal deu largada a uma avalanche de cursos na área de engenharia de petróleo. A formação de profissionais da área, quase que às pressas, é o retrato da carência de mão-de-obra especializada que o Estado enfrenta em diversas áreas. Segundo o professor de Economia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luiz Antônio Cabral, é nesse ponto que o governo do Estado deve “fazer a sua parte” no desenvolvimento do Estado alavancado por grandes investimentos do governo federal. “O governo federal está fazendo esses investimentos de porte no Estado, por meio do PAC, mas o poder público do

Estado tem que fazer a sua parte, investindo na educação para a formação de mão-deobra qualificada. O Estado precisa ter um processo de investimento na educação alinhado com esses investimentos do governo federal e com o próprio crescimento da economia brasileira e mundial”, orienta o professo. “O investimento em formação tecnológica é vital para o Estado se preparar para esses investimentos que estão chegando. São grandes empreendimentos que requerem mãode-obra qualificada em áreas específicas, e essa é uma carência muito grande aqui no Estado. O governo federal faz os investimentos, mas os governos estaduais precisam dar

esse suporte, investindo em educação para preparar essa mão-de-obra”, destaca. Luiz Antônio Cabral ressalta o que acontece atualmente no setor hoteleiro, onde há uma forte carência de mão-deobra qualificada. “Um bom exemplo dessa carência de mão-de-obra é o que tem acontecido com a chegada desses hotéis em Maceió e Maragogi. Parte da mão-deobra precisou vir de outros estados. Muita qualificação a gente não tem aqui no Estado. está na hora de se investir seriamente em treinamento de mão de obra, não podemos continuar sem esse suporte importantíssimo para alavancar a economia do Estado”, afirma o economista.

AGRICULTURA FAMILIAR - Outro ponto importante que o economista Luiz Antônio Cabral destaca na lista de ações que devem partir do governo alagoano seria o investimento em agricultura familiar. “A agricultura familiar gera milhões de postos de trabalho no campo. Esse investimento é também muito relevante para a economia do Estado. O agronegócio ainda não tem muita força no Estado. Nem adianta se fazer projetos megalomaníacos sem ter condições de implementar. A agricultura familiar é um ramo importante em todo o país, e merece atenção”, teoriza o professor. (G.M.)

Governadores tucanos destacam apoio de Lula Seguindo o estilo adotado nesses oito anos do governo Lula, o fato de Alagoas ser um dos oito estados que integram o reduto tucano no país, não deve prejudicar os investimentos no Estado. Mesmo assim, por precaução, em sua primeira entrevista coletiva como governador reeleito, Teotonio Vilela Filho (PSDB) dedicou várias falas a seu engajamento com o governo de Roussef. Com uma série de promessas a cumprir, boa parte delas na área de infra-estrutura, em sua primeira coletiva como governador reeleito, Vilela ressaltou a dependência financeira do Estado ao governo federal, além de conclamar o apoio da bancada alagoana no Congresso Nacional, pedindo o suporte de “toda a bancada”, mesmo não tendo maioria aliada entre os eleitos que assumem em fevereiro. “Nós precisamos de recursos federais, internacionais; atrair mais empresas e isso tudo exige a união de todos, de estarmos juntos para melhorar o PIB, a qualidade de vida de todos os alagoanos. Tenho com a presidente Dilma uma relação muito boa, amiga”, disse Vilela em entrevista coletiva em 3 de

Reunidos em Maceió, os governadores eleitos pelo PSDB anunciaram que não pretendem fazer oposição

novembro. A insistência de Téo Vilela em atrelar sua gestão ao apoio do governo federal petista leva em consideração o fato de, nacionalmente, o PSDB prometer uma oposição aguerrida contra a presidente da República eleita Dilma Roussef. Os oitos governadores eleitos pelo partido, aliás,

devem ser uma das últimas trincheiras da oposição tucana a presidente Dilma. A aproximação com o governo petista vem tem sido uma constante nos discursos de Vilela desde a campanha eleitoral. Em muitas sabatinas e discursos, o então candidato à reeleição sempre fez questão de destacar os investimentos

do atual governo Luiz Inácio Lula da Silva no Estado, sugerindo a continuação dessa “parceria”, agora no mandato de Dilma Roussef. Vilela chegou a visitar as obras do Canal do Sertão ao lado do presidente Lula, e da própria Dilma, que na época ocupava o ministério de Minas e Energia. (G.M.)

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Sem nunca ter sido candidata, Dilma venceu Serra em eleição acirrada

Antes de ser candidata, superou um câncer linfático e ganhou aliados

Com perfil técnico, a petista garantiu a indicação de Lula para disputa

Dilma Rousseff: de militante a presidente Aos 63 anos, a mineira que fez vida política no Rio Grande do Sul, começa uma nova história no poder do Brasil Pela primeira vez nos 121 anos de história republicana, o Brasil é governado por uma mulher: a mineira Dilma Vana Rousseff, 63 anos, eleita no dia 31 de outubro de 2010 pelo Partido dos Trabalhadores. O fato de uma mulher assumir o posto mais alto do país “ainda é surpreendente”, disse Dilma, em entrevista concedida no dia 5 de dezembro ao Washington Post. Escolhida candidata pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma fez parte do governo petista desde o primeiro momento, em 2003. Foi ministra das Minas e Energia e ministrachefe da Casa Civil, cargo que assumiu no lugar de José Dirceu, demitido, em 2005, em meio às denúncias do esquema do mensalão. Como ministra das Minas e Energia, Dilma defendeu nova política industrial, fazendo com que as compras de plataformas pela Petrobras tivessem conteúdo minimamente nacional, para que fossem gerados mais empregos no país. Na Casa Civil, foi a coordenadora das ações do governo, particularmente dos programas Luz para Todos, Minha Casa, Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Foi ainda presidente do Conselho de Administração da Petrobras e coordenadora da comissão interministerial encarre-

gada de definir as regras para a exploração do pré-salEntenda o assunto. Eleita no segundo turno com 55.752.529 dos votos (56,05%), contra 43.711.388 (43,95%) recebidos pelo tucano José Serra, Dilma é a 42ª pessoa a ocupar a Presidência da República (veja os 41 presidentes do Brasil), tendo como vice-presidente o deputado paulista Michel Temer, do PMDB. Anova presidente foi escolhida num universo de 135.804.433 eleitores. Nas eleições, foram registrados 99. 463.917 votos válidos, 29.197. 152 abstenções, 4.689.428 votos nulos e 2.452.597 votos brancos. Pouco conhecida pelo eleitorado e disputando contra um veterano em eleições, Dilma começou a campanha com pouco mais de 15% das intenções de voto, enquanto José Serra, do PSDB, ostentava índices superiores a 30%. Com o decorrer da campanha e o empenho cada vez maior do presidente Lula, Dilma conseguiu ampliar o percentual das intenções de votos e passou à frente de Serra, dando a impressão de que venceria já no primeiro turno. Mas as denúncias envolvendo sua substituta na Casa Civil, Erenice Guerra, somadas ao crescimento da candidatura da senadora Marina Silva (PV), provocaram o segundo turno das eleições.

Filha do engenheiro búlgaro Pedro Rousseff (falecido em 1962) e da professora fluminense Dilma Jane Silva, a presidente nasceu em Belo Horizonte, no dia 14 de dezembro de 1947, numa família de classe média alta. Os pais de Dilma tiveram outros dois filhos: Igor e Zana Lúcia, falecida em 1976. Ainda em seu país natal, o pai da presidente - parente do famoso escritor búlgaro Ran Bosilek - teve um filho com a dona de casa Evdokia Yankova, chamado Luben, que morreu em 2007. Ao separar-se da esposa búlgara, Pedro Rousseff mudou-se para o Brasil no final da década de 30, fixando-se em São Paulo. Numa viagem a Uberaba (MG), conheceu a mãe da presidente, criada no interior de Minas Gerais, onde seus pais eram pecuaristas. Ao se casarem, os pais de Dilma fixaram residência em Belo Horizonte. Dilma estudou em escolas tradicionais da capital mineira. Ao ingressar por concurso no Colégio Estadual Central (atual Escola Estadual Governador Milton Campos), para cursar o final do ensino médio, conviveu com o movimento estudantil e iniciou sua militância política, aos 16 anos de idade, às vésperas do Golpe Militar de 1964. A presidente costuma dizer que foi nessa escola que aprendeu a ser “subversiva”.

Engajada, foi detida e torturada Ainda em 1964, ingressou numa organização denominada Política Operária (Polop), fundada em 1961, proveniente do então Partido Socialista Brasileiro, onde militou ao lado de José Anibal, seu colega de turma no curso de economia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - reeleito para deputado federal pelo PSDB de São Paulo. Ao aderir ao grupo que defendia a luta armada para combater o regime militar, Dilma filiou-se à organização denominada Comando de Libertação Nacional (Colina). Posteriormente, ingressou na organização VarPalmares, onde militou ao lado de Carlos Minc, um dos fundadores do Partido Verde (PV) e ex-ministro do Meio Ambiente do governo Lula. Com o endurecimento da ditadura, Dilma foi presa em 1970, permanecendo três anos na cadeia, onde foi submetida a torturas. Atualmente divorciada, foi casada com o advogado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo, com quem teve sua

única filha, Paula, nascida em 17 de março de 1976. O primeiro neto de Dilma nasceu em setembro de 2010, em Porto Alegre. Antes de Araújo, Dilma foi casada durante dois anos (1967-1968) com o jornalista Claudio Galeno, que também pertenceu à Polop. Fora da prisão, Dilma retomou os estudos em 1973, formando-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Com a anistia e a volta do pluripartidarismo, filiou-se ao PDT, de Leonel Brizola, fazendo parte da gestão do governador gaucho Alceu Collares como secretária de Minas e Energia, cargo que manteve no governo seguinte, comandado por Olivio Dutra, do PT. Em abril de 2009, revelou que estava se tratando de um câncer linfático. O tratamento, feito num hospital em São Paulo, incluindo sessões de quimioterapia e radioterapia, foi concluído em setembro daquele ano. DESAFIO - Dilma posi-

ciona-se contra as privatizações e o neoliberalismo, mas declarou ser favorável à concessão de subsídios à iniciativa privada para a construção de novas usinas hidrelétricas e rodovias, caso isso torne essas obras mais baratas. Numa entrevista postada em seu site, concedida no dia 5 de dezembro ao jornal norte-americano Washington Post, a presidente disse que vai dar continuidade às obras de infraestrutura iniciadas no governo Lula, particularmente às rodovias, malha ferroviária, portos e aeroportos do país. Destacou que, com a descoberta do pré-sal, foi aprovado novo marco regulatório para a exploração do petróleo em águas profundas, incluindo a criação de um fundo social, que destinará parte dos recursos do pré-sal para investimentos em educação, saúde, ciência e tecnologia. Salientou, no entanto, que seu maior desafio no cargo será “acabar com a pobreza extrema no Brasil”, situação na qual vivem 14 milhões de pessoas.

Congresso será favorável ao governo Dilma Rousseff assume a Presidência da República tendo a seu favor um Congresso predominantemente governista. As últimas eleições coroaram a força dos partidos da base tanto na Câmara quanto no Senado. Na Câmara, o PMDB e o PT, os dois maiores partidos de apoio ao governo, passam a ter, respectivamente, 79 e 88 representantes. No Senado, o PMDB somará na nova legislatura 20 parlamentares. O PT, 14. De que maneira essa predominância numérica da base sobre a oposição pode interferir nas relações entre o Executivo e o Legislativo e, por consequência, na pauta legislativa do governo Dilma? Para o consultor legislativo Gilberto Guerzoni Filho, ainda que a maioria governista tenha se tornado muito mais folgada no Senado, é na Câmara que a influência maior do governo tende a ser sentida. Ele explicou que, do ponto de vista da fidelidade partidária, a relação do senador com o governo passa por uma série de variáveis. “Os senadores são mais autônomos, já que são líderes regionais mais fortes. Muitas vezes, dentro de um mesmo partido, você tem senadores que tendem para um lado ou para o outro. Tivemos exemplos disso no governo Lula e tudo indica que teremos essa possibilidade no governo Dilma”, disse o consultor. Para Guerzoni, se repetirá, porém, o quadro de extremo controle do governo sobre a pauta legislativa, seja por meio

de medidas provisórias, seja pelo LEGISLATIVO INDEPENimpedimento da apreciação de DENTE - Reeleitos para ocupar matérias que não são do seu in- lados opostos da arena política teresse. Ele citou como exemplo no mandato 2011-2019, os senado poder da maioria o controle dores Delcídio Amaral (PT-MS) que se pode ter sobre as e Alvaro Dias (PSDB-PR) têm Comissões Parlamentares de em comum a crença de que, a Inquérito (CPIs). despeito do tamanho das ban“Isso a gente viu claramente cadas, cabe ao Legislativo exertanto com Lula quanto com cer e regatar seu papel diante da Fernando Henrique, cujos go- influência do Executivo. vernos tinham maiorias relatiPara ambos, a maneira vamente confortáveis. As CPIs mais efetiva de sinalizar o denesses dois governos nunca consejo de autonomia é baseguiram ir tão longe talhar pela redução das quanto foram as do gomedidas provisórias. verno Collor, que tinha Mais incisivo a esse resmuito mais dificuldades peito, o senador Alvaro no Congresso”, disse. PT e PMDB Dias diz que a grande No entanto, não se esmaioria das MPs enviapera da nova presidente contam com das pelo governo ao uma grande mobilização maiores Congresso é inconstituem relação ao Legislativo. bancadas cional. Guerzoni afirma que o “Se nós devolvêssepróximo governo será mos todas as medidas “mais de continuidade do provisórias inconstituque está sendo feito”. Ele cionais, estaríamos denão acredita que as “granvolvendo cerca de 80% delas. des reformas” (política, tributá- Com isso, a Presidência da ria, previdenciária) sejam vota- República passaria a adotar das, “porque não há um consen- outro comportamento em reso na sociedade em torno dos lação ao Legislativo. A se mantemas ou porque é complicado ter essa prática, vamos contipoliticamente”. nuar homologando todas as “Se o governo Dilma ficar seis ações do Poder Executivo”, meses, um ano, sem mandar ne- disse. nhum projeto para o Congresso, Já Delcídio Amaral diz que, não vai haver nenhum problema. a depender do próprio ConNão há nada que se precise alte- gresso, o governo Dilma pode rar, a não ser fazer pequenos ajus- ser o governo da legitimação do tes. Claro, o Congresso permane- Legislativo. ce como caixa de repercussão de “Nós precisamos reduzir as tudo o que o governo faz, e é fun- medidas provisórias, trabalhar damental que a oposição tenha como legisladores e discutir proforças para repercutir os eventuais jetos importantes para o país”, repontos negativos”, observou. conheceu.

Expectativa é de que governo de Dilma dê sequência ao que foi realizado por Lula nos dois mandatos

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Domingo, 2 de janeiro de 2011 | www.ojornalweb.com | e-mail: nacional@ojornal-al.com.br

NOVA LEGISLATURA

Empresários serão 45% no Congresso Minas Gerais é o Estado com mais representantes do segmento, seguido por São Paulo e Rio de Janeiro Congresso em Foco Os 513 deputados e os 54 senadores que tomarão posse em 2 de fevereiro vão se dividir em sete grandes bancadas informais, suprapartidárias e com grande influência no Congresso. A maior delas reúne 45% das duas Casas, podendo ser decisiva na reforma tributária e nas discussões de mudanças nas leis trabalhistas. Ao invés de mandar representantes, os empresários resolveram se fazer presentes nos debates que interessam à classe. Levantamento parcial feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIap) mostra que houve um crescimento significativo entre a legislatura que sai em janeiro e a que entre em fevereiro no número de empresários. Atualmente, a bancada empresarial soma 219 integrantes. Com a eleição de outubro, esse número subiu para 273. São 246 deputados e 27 senadores cuja principal fonte de renda advém dos rendimentos de seus negócios. De acordo com o estudo, a bancada empresarial eleita em 2010 representa mais de 45% do Congresso Nacional e, separadamente, representa 47,95% da Câmara e 1/3 ou 33,33% do Senado. É formada por donos de grandes, médias ou pequenas empresas, acionistas ou quotistas de conglomerados econômicos, comerciantes ou produtores rurais, além de parlamentares que se autointitulam empresários. Eles estão presentes em todos os partidos e têm como agenda prioritária a redução da carga tributária, especialmente os tributos que incidem no setor produtivo, a eliminação dos encargos sobre a folha de salários e a flexibilização dos direitos trabalhistas. “Houve um grande crescimento da bancada empresarial. É um número muito significativo. Acho que o que motivou isso foi o crescimento das centrais sindicais, que ganharam todas nas dis-

putas com a equipe econômica, e a possibilidade da reforma tributária”, afirmou o diretor de documentação do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, o Toninho. Para o diretor do Diap, o número de parlamentares identificados com a bancada empresarial representa os mais variados segmentos. Por conta disso, é um grupo heterogêneo. Dessa maneira, os interesses, exceto nas questões trabalhistas e tributárias, podem eventualmente ser conflitantes, especialmente quando se trata de incentivos a determinados setores ou regiões. “A postura do empresariado é mais reativa na questão trabalhista e mais propositiva na questão tributária”, opinou Toninho. De acordo com o levantamento do Diap, o partido que possui mais representantes na bancada empresarial é o PMDB, com 43. Ele é seguido pelo DEM, que possui 37 parlamentares no grupo, PP (32) e PSDB (24). Entre os empresários de destaque, para o departamento, estão os dois únicos que foram eleitos pelos seus próprios votos ou que atingiram o quociente eleitoral. Anthony Garotinho (PR-RJ), que teve mais de 600 mil votos, e Paulo Maluf (PP-SP), com 497 mil. Minas Gerais é o estado brasileiro com maior número de empresários eleitos. São 30, contra 28 de São Paulo, um dos estados mais industrializados do país. O Rio de Janeiro ocupa a terceira posição com 21 defensores da agenda patronal. A grande quantidade de empresários eleitos por Minas Gerais também colabora para que o Sudeste ocupe a liderança no ranking de empresários entre as cinco regiões brasileiras. São 84 empresários na região Sudeste, contra 71 na região Nordeste, 37 na região Sul, 28 região na Norte e 26 na região CentroOeste. Por gênero, a bancada empresarial é majoritariamente masculina. São 231 representantes do sexo masculino contra apenas 15 do sexo feminino.

CÂMARA

Piso de policiais deve ser prioridade este ano

Quartiero lutará por interesses do empresariado e ruralistas na Câmara

PMDB lidera a nova bancada de ruralistas Apesar da bancada empresarial ser a mais numerosa, em alguns casos ela se confunde com outros grupos de parlamentares. Um desses casos é do deputado Paulo César Quartiero (DEM-RR). O parlamentar reforçará duas bancadas na Câmara Federal. Além da empresarial, ele também atuará na ruralista. Produtor de arroz em Roraima, é uma das novidades da Câmara para a legislatura 2011-2014. Outro exemplo é do ex-governador do Mato Grosso Blairo Maggi (PR). Eleito para o Senado, ele é um dos maiores produtores de soja do país. Quartiero e Maggi são exemplos do crescimento de outra bancada, a ruralista. Dos 160 parlamentares que defendem o agro-

A votação da proposta que estabelece um piso nacional para os policiais militares, civis e bombeiros militares (PECs 446/09 e 300/08) é uma das prioridades da Câmara da próxima legislatura. A avaliação é do presidente da Câmara, Marco Maia, que também é candidato à Presidência da Casa. A medida chegou a ser aprovada em primeiro turno na Câmara em março de 2010, mas ainda é necessária a aprovação em segundo turno, por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição (PEC). O que dificulta essa segunda etapa de votação é que o custo do piso unificado chega a R$ 43 bilhões. Desse valor, R$ 20 bilhões teriam que ser arcados pelos governos estaduais, que garantem não ter como assumir esse compromisso. Segundo o autor da PEC 300, deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), havia um acordo para votação do texto em segundo turno antes do fim do ano, mas esse acordo foi descumprido. “Nós insistiremos agora na votação em 2011 e no compromisso do então presidente Marco Maia de que será formada uma comissão para

discutir com os governadores a forma de implementação e implantação do piso”, disse. O parlamentar ressaltou que o salário inicial de um policial militar no Rio de Janeiro é R$ 900, o que representa R$ 30 por dia. “É uma heresia, pelo trabalho que ele faz”, complementou. ESTADOS - Tanto os governadores aliados à presidente Dilma Rousseff quanto os de oposição são contrários à proposta. Segundo o governador reeleito da Bahia Jaques Wagner, a PEC é uma intromissão no orçamento dos estados e fere o princípio federativo, uma cláusula pétrea da Constituição. “Além de impor uma despesa, acaba sendo uma violência à liberdade de cada ente da Federação de fazer sua gestão de pessoal”, garante. O texto principal foi votado em março, mas faltam quatro destaques que modificam bastante a proposta aprovada, inclusive as questões fundamentais: dois retiram do texto o valor do piso, estabelecido na proposta em R$ 3,5 mil para ocupantes de cargos básicos e em R$ 7 mil para os cargos de direção; e outros dois derrubam o fundo e a participação da União nos pagamentos.

negócio, 92 são deputados reeleitos e 50 são deputados novos. Para fechar a conta, há ainda 18 senadores, sendo dez atuais com mandato até 2015, seis novos e dois reeleitos que cumprirão mandato até 2019. Na legislatura que se encerra agora, são 120. Novamente o PMDB tem o maior número de parlamentares dentro do grupo. São 36 peemedebistas, seguidos por 25 do PP, e 24 do DEM. O PSDB está com 22 ruralistas. O PR 15, o PTB 10, e o PDT nove ruralistas. Outra bancada que cresceu foi a sindicalista. Serão 72 parlamentares na próxima legislatura, contra 62 da atual. A frente evangélica, que havia experimentado uma queda em 2006, voltou a crescer. Tomarão posse, em 2

fevereiro de 2011, 73 parlamentares, sendo 70 deputados e três senadores evangélicos. “Com este número, a bancada evangélica, que tinha sufragado apenas 36 integrantes no pleito de 2006, recupera a capacidade de articulação e negociação dos temas de seu interesse no Congresso”, diz o relatório do Diap. Abancada da saúde, que é dividida em três áreas, não tem levantamento de integrantes. Porém, segundo o Diap, o grupo perdeu em qualidade e quantidade. São citadas as ausências a partir do próximo ano dos deputados Rafael Guerra (PSDB/MG), um dos coordenadores da Frente Parlamentar da Saúde, que desistiu de concorrer; nem Coubert Martins (PMDB/BA), derrotado na tentati-

Senado vai exonerar mais de mil servidores Congresso em Foco

Agência Câmara

Maior produtor de soja do País, Blairo Maggi assumirá no Senado

O Senado terá de exonerar, até o final de janeiro, pelo menos 1.062 funcionários que ocupam atualmente cargos de confiança nos gabinetes de 37 senadores que não se reelegeram em outubro. As exonerações também atingirão outros 196 servidores que trabalham em secretarias da Mesa Diretora comandadas por parlamentares não reeleitos. O salário desses 1.258 funcionários comissionados, que não fazem parte do quadro fixo da Casa, varia de R$ 1,5 mil a R$ 11,3 mil. As demissões, porém, não implicarão necessariamente corte de gastos: a maioria deles será substituída por pessoas indicadas pelos novos senadores. Alguns devem continuar no Congresso por meio de indicações políticas. Quase metade dos servidores a serem exonerados não registra o ponto em Brasília, mas nos chamados escritórios de apoio nos respectivos estados dos senadores, onde há menos controle sobre a lista de frequência dos servidores. Alista tem 542 nomes nessa condição. Dezenove parlamentares não reeleitos têm hoje mais funcionários comissionados em suas bases eleitorais do que em Brasília. O mesmo ocorre com 20 senadores que segui-

rão no Senado. A prática de transferir pessoal para os estados ganha força nos anos eleitorais, como 2010. A falta de fiscalização sobre o trabalho desses servidores abre caminho para a utilização de funcionários pagos com dinheiro público como cabos eleitorais. De todos os 81 senadores, ninguém tem mais subordinados em cargos de confiança do que o atual primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI). São 68 ao todo. Quarto colocado na disputa ao Senado deste ano, Heráclito caminha para o fim do mandato tendo à sua disposição 32 comissionados em seu gabinete parlamentar e outros 36 na Primeira Secretaria. Dos funcionários lotados no gabinete, 25 não estão lotados em Brasília, mas no Piauí. Antecessor de Heráclito na Primeira Secretaria, o senador Efraim Morais (DEM-PB) é o segundo em número de cargos de confiança no Senado. Assim como o colega de partido, ele não voltará ao Senado a partir de fevereiro. Terceiro colocado na disputa ao Senado, Efraim tem 66 comissionados sob seu comando. Desses, 52 estão lotados na Paraíba. O gabinete do paraibano é suspeito de contratar funcionários fantasmas. O envolvimen-

to do parlamentar ainda é alvo de investigação. Depois de Efraim, quem mais emprega gente em cargos de confiança é o senador Mão Santa (PSC-PI). O piauiense tem 21 comissionados sob sua subordinação na Terceira Secretaria e outros 41 em seu gabinete. Desses, 33 estão lotados no Piauí. Nas eleições deste ano, o ex-governador não conseguiu renovar o mandato no Senado. Foi o terceiro colocado. Atual segundo suplente da Mesa Diretora, Adelmir Santana (DEM-DF) emprega 56 servidores em cargos de confiança. Seis aparecem nos registros da Segunda Suplência e 50 na relação de servidores do gabinete. Desses, 40 estão lotados em seu escritório político, na própria capital federal. PARTILHA - Todo mês o Senado gasta entre R$ 80 mil e R$ 100 mil com a remuneração de funcionários de confiança dos senadores. Em tese, cada senador tem direito a 11 cargos comissionados e outros nove efetivos. Os parlamentares, porém, fizeram ajustes nas regras para permitir a subdivisão dos 11 cargos de confiança. Com isso, na prática, cada senador pode empregar até 79 comissionados em seu gabinete desde que o valor gasto não ultrapasse o teto estipulado.

va de reeleição; Jofran Frejat (PTB/DF), derrotado na disputa como vice-governador do Distrito Federal na chapa encabeçada pelo ex-senador e ex-governador Joaquim Roriz; Alceni Guerra (DEM/PR) e Antônio Palocci (PT/SP), que não concorreram. Assim como no caso da saúde, o Diap não elaborou um levantamento da bancada da educação. Mas afirma que ela manteve sua importância “política e estratégica” no Parlamento. Já para a frente dos parlamentares dos meios de comunicação existe a estimativa de aproximadamente 100 parlamentares defendendo os interesses dos grupos de mídia. A bancada feminina, de acordo com o Diap, “praticamente” manteve sua representação.

Fantasmas estão sob investigação A contratação de funcionários ainda rende dor de cabeça ao senador Efraim Morais. A Procuradoria Geral da República apura indício de envolvimento dele na contratação de fantasmas em seu gabinete. As investigações iniciais foram feitas por uma sindicância no Senado e encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), que acionou a PGR para analisar o caso. O procurador-geral da República ainda não se manifestou sobre o assunto. Mesmo fora do Senado, o ex-primeiro-secretário continuará a ter subordinados no serviço público: é o secretário de Infraestrutura do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB). Duas irmãs afirmaram que são funcionárias fantasmas do senador. Sem emprego fixo, Kelriany e Kelly Nascimento da Silva declararam receber o que acreditavam ser uma bolsa de estudos de R$ 100 da Universidade de Brasília (UnB). As duas disseram à Polícia Legislativa que entregaram a uma amiga documentos e autorização para a abertura de uma conta de banco, mas que o dinheiro era entregue em casa. Kelriany disse ter descoberto que era funcionária do Senado ao tentar abrir uma conta, logo depois de ter conseguido um emprego. O salário era de R$ 3.800.

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Opinião A6

Fé no próximo ano "Nem usem meios escusos para alcançar os seus objetivos" Alder Flores Alder Flores, advogado, químico, esp. em Direito, Engenharia e Gestão Ambiental, auditor Ambiental

Agradeço ao O Jornal por ter mais uma vez permitido que fossem publicados semanalmente durante todo este ano meus artigos; como me referi anteriormente, os faço com a intenção de mera contribuição adquirida ao longo de trinta anos trabalhando no trato das questões ambientais. Com o término de mais um ano, a maioria das pessoas refletem de certa forma sobre o que aconteceu durante o transcorrer do ano que se finda. Como dizia o poeta, o tempo é o senhor da razão e às vezes sepulta esperanças e emoções, mas antes de tudo tenhamos fé. Particularmente reflito várias situações ocorridas durante todo o ano, onde muitas me causaram profunda estranheza, outras não. Dentre aquelas que me surpreenderam posso afirmar que não vieram de nenhum estranho, mas antes de tudo, de pessoas que eu conheço há bastante tempo, mas me parece que para essas pessoas o poder (passageiro) subiulhes a cabeça. Pobres de espírito, talvez não tenham o conhecimento de que apenas detém passageiramente esta situação. A falsa ideia do poder ilude algumas pessoas, fazendo com que estas esqueçam certas verdades e façam por desmerecer as velhas amizades, conseguidas e mantidas com o passar dos anos. Penso que devemos ser humildes e procurar manter as velhas amizades ou conseguir novas. No entanto, a minha geração talvez não tenha o devido tempo de cultivar por mais vinte ou trinta anos estas novas amizades. Em muitas situações vivenciadas, penso nos ensinamentos de meu pai: filho a vida é preto no branco, no entanto cada um pincela a aquarela da sua vida como quiser e dizia ainda, não confie totalmente nas pessoas se quiser economizar sérias e dolorosas decepções. Todas não são más, entretanto pouquíssimas merecem confiança. Não poderia deixar de citar meus filhos, deixando claro para eles uma mensagem de fé, de esperança para o novo ano que se inicia, mas com grande preocupação e medo do amanhã que, além de incerto, tende a ser excessivamente perigoso e que os valores morais estão em decadência, caminhando assim a humanidade a passos apressados para um clima de desamor e indiferença ante ao próximo. Adianto-lhes que as pessoas boas, os sensíveis, os educados e os honestos, tenderão a sofrer mais. Entretanto, não se afastem desses valores, nem usem meios escusos para alcançar os seus objetivos. Procurem a cada dia amar mais a Deus, ele merece sim receber esse nobre sentimento.

Domingo, 2 de janeiro de 2011 | www.ojornalweb.com | e-mail: opiniao@ojornal-al.com.br

Oito anos depois Lula deixou o governo. Deixou saudades e muitos sonhos realizados. Foi esse sentimento que fez com que o petista deixasse o governo com a maior popularidade do da história mundial. Ao encerrar oito anos de governo, ele cravou 87% de aprovação ficando à frente da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, que tinha 84% de aprovação quando deixou o governo, e do ex-mandatário uruguaio Tabaré Vázquez, que teve 80% ao final do mandato. O desempenho de Lula pode ser facilmente comparado com os de líderes mundiais históricos, entre os quais o primeiro presidente negro da África do Sul, Nelson Mandela (82% de aprovação), o expresidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt (66%), e o general francês Charles De Gaulle (55%). Para se ter a dimensão do estrago provocado pela aprovação, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), antecessor de Lula, tinha 26% de aprovação após dois mandatos.

A avaliação da popularidade de Lula é resultado da 110ª edição da pesquisa CNT/Sensus, para a qual foram entrevistadas duas mil pessoas, em 136 municípios de 24 estados. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. Segundo o levantamento, a aprovação do desempenho pessoal do presidente está em 87%, contra 80,7% da pesquisa anterior. Cerca de 10,7% dos entrevistados desaprovam o presidente e 2,4% não responderam. Ainda que a aprovação pessoal e do governo Lula sejam recordes, a saúde é apontada, para 37% dos entrevistados, como a única variável que piorou nos últimos seis meses. Em sentido contrário, a geração de emprego é apontada, para 63,7% dos entrevistados, como índice que melhorou. É por isso que Lula termina o mandato, entra para história agradando aos mais pobres e aos mais ricos, deixando sua marca e uma grande lacuna oito anos depois de o sonho começar.

Ponto de vista

San

Quando o Natal não for um dia "Não haverá muros, não haverá divisões" João Baptista Herkenhoff

Os desafios para 2011 "O Congresso manterá esta dinâmica de modernizar e aperfeiçoar legislações" Renan Calheiros Senador e líder da bancada do PMDB

O ano que se inicia agora traz grandes e novos desafios para os brasileiros, especialmente para os Poderes Legislativo e Executivo, ambos iniciando uma nova fase. O principal desafio é manter o Brasil no ritmo do crescimento econômico atual, aumento de salários, distribuindo riquezas e ampliando a influência internacional brasileira. Em regimes presidencialistas, a política econômica é orientada pelo Executivo e cabe ao Congresso Nacional colaborar na elaboração ou aperfeiçoamento dos projetos enviados pela presidente da República. No campo institucional é dever do Congresso propor medidas para corrigir eventuais distorções e modernizar legislações já envelhecidas, como foi o caso recente do Código de Processo Civil. Em sua última sessão de votações em 2010, o Senado concluiu a aprovação do novo Código de Processo Civil. Ele foi elaborado por uma comissão de juristas e senadores presidida pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luiz Fux. Com cerca de mil artigos, o texto, que já está na Câmara dos Deputados, vai reduzir em até 70% o tempo de tramitação de um processo judicial. Entre as novidades está a redução no número de recursos - geralmente procrastinatórios -, o fortalecimento do instrumento de conciliação e a uniformidade das decisões tomadas em primeira instância. As mudanças tornarão a Justiça brasileira mais rápida e acessível. Com cerca de 300 artigos a menos do que o Código em vigor, o projeto, além de enxugar a legislação, a torna mais racional e objetiva. O novo Código orienta os juízes de primeiro grau e os tribunais locais a seguirem as teses definidas pelos tribunais superiores, antes de tomar decisões ou aceitar recursos. Os tribunais superiores, por sua vez, ficam obrigados a tornar públicas as mudanças de jurisprudência. A mesma modernização já ocorrera, uma semana antes, com o novo Código do Processo Penal, que também será apreciado pelos deputados. No que depender do PMDB, o Congresso manterá esta dinâmica de modernizar e aperfeiçoar legislações. Vamos trabalhar muito também para fazer as duas reformas mais importantes para que o Brasil avance e consiga seu lugar entre as nações mais modernas do planeta. Refiro-me às reformas política e tributária, sem as quais poderemos ficar patinando no gargalo entre os países emergentes e as nações desenvolvidas.

Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo, professor pesquisador da Faculdade Estácio de Sá de Vila Velha e escritor / jbherkenhoff@uol.com.br / www.jbherkenhoff.com.br

Via-se que era um homem rico. Pelos trajes, pela postura, pela maneira como olhava tudo ao redor. A impressão que transmitia era justamente essa: tudo posso, sou senhor e sou dono. Eu olhava de longe, como simples observador. Era difícil enxergar com profundidade, naquele ambiente de compras apressadas, de barulho ensurdecedor. Prefiro a quietude, mas não posso fugir do burburinho em algumas situações especiais. A criança, rompendo as normas de segurança, penetrou naquele lugar, sem portar no rosto e nos trajes a senha exigida: "sou um consumidor em potencial". O homem rico baixou os olhos e viu a criança pobre. Havia tristeza no olhar do menino. Tirou da carteira uma nota de 50 reais e disse ao garoto: "Tome, compre um presente de Natal". O pirralho apanhou a nota, um sorriso de satisfação estampou-se em seu semblante. Saiu correndo com a nota bonita por entre os dedos pequeninos. Observei o rosto daquele homem que olhava para tudo como senhor e dono. Pude captar seu pensamento: "Que coisa maravilhosa! Sinto-me feliz. Esse sorriso de criança deu-me mais satisfação, mais contentamento do que as festas a que vou, do que os empregados que me servem,

do que os automóveis de que me sirvo, do que os amigos que me bajulam". Dialoguei em silêncio com o homem rico: "Sim, meu caro. Os homens fogem da felicidade. O mundo é triste porque o Natal é apenas um dia. Quando toda noite for semelhante à noite em que Jesus nasceu, quando toda manhã for manhã de Natal, nossa vida mudará. Ah, se fôssemos uma corrente contínua de amor, se não fôssemos egoístas, avaros, competidores, fera junto ao irmão, construiríamos um mundo novo. Se praticássemos a Caridade, como o Apóstolo Paulo a descreveu numa epístola imortal, que bom seria viver neste mundo, então transformado em morada fraterna. A Caridade é a ajuda que ninguém testemunha, é a palavra de carinho, o conselho amigo, o sorriso e o aceno, a disponibilidade completa, a humildade contínua. A Caridade é a luta pela transformação das estruturas sociais, é o combate permanente para construir a Justiça e a Paz. A Caridade é a pugna incessante contra todas as formas de opressão, marginalização e discriminação, pugna que muitas vezes cobra, como preço, a própria vida dos lutadores, mártires da edificação de uma outra sociedade. Quando o Natal não for apenas um dia, até o Dia de Natal será diferente. Ninguém estará fora da celebração, não haverá muros, não haverá divisões".

O JORNAL Diretor-Executivo Sálvio de Taine Maciel salviomaciel@ojornal-al.com.br

Marcial Lima Professor

Observadores atentos, preocupados com a eficácia dos órgãos públicos, sabem que equívocos conceituais custam caros e motivam ações inadequadas. Percebem, também, que iniciativas alardeadas como de muito sucesso são, em essência, desprovidas de efetividade. De igual modo, o servidor público consciente não se contenta em sintetizar sua gestão em realizações pontuais, que lhe exigem, somente, o esforço de mediador de produções cujos ganhos atendem, em maior monta, interesses privados. Por isso, busca essencializar seus objetivos e metas, privilegiando uma visão de médio ou longo prazo, o que lhe exigem conhecimentos específicos e compromisso com o bem comum. E como, amiudadas vezes, a arquitetura dos bastidores tem uma lógica própria, o gestor qualificado, consciente de seu papel, esforça-se para ir além das aparências e do marketing pessoal, promovendo avanços de qualidade. Nota-se, também, que, nos locais onde o segmento artístico e a comunidade encontram-se conscientes de seus direitos e deveres, as boas iniciativas surgem, fazendo contraponto ao imediatismo e promovendo o enriquecimento das ações de governo. Cito, como exemplo, Pernambuco que, através de uma parceria de sua Escola de Governo e de Políticas Públicas com a Fundação Joaquim Nabuco, sob os auspícios do Ministério da Cultura, promoveu o Curso Regional de Especialização em Políticas Culturais. Essa iniciativa propiciou o rompimento de vários gestores com o empirismo puro e simples, com o ensaio/erro, com o contorcionismo diante da imprensa, quando convidados a exporem seus programas e metas. Enquanto isso, Teixeira Coelho, coordenador do Observatório de Políticas Culturais da USP, nos presenteou com o Dicionário Crítico de Política Cultural, onde podemos diferenciar a Ação Cultural das outras iniciativas que tornam o que deveria ser investimento em mera despesa, pois numa análise custobenefício pouco deixam de positivo para a cidade, além de uma ou duas horas, onde multidões consomem seus ídolos de barro, saracoteiam, embebedam-se, trocam amassos, produzem lixo e voltam para casa exatamente como chegaram: meros consumidores de espetáculos pasteurizados, de gosto duvidoso, desprovidos de qualquer possibilidade de abrir caminhos para a cidadania. No entanto, como a indústria da seca faculta a dependência, transformando o caminhão-pipa em moeda de troca, a ausência de políticas culturais voltadas para o desenvolvimento, favorece o manejo de seres humanos em benefício de interesses estreitos e particulares. Cartas à Redação: opiniao@ojornal-al.com.br

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Domingo, 2 de janeiro de 2011 | www.ojornalweb.com | e-mail: internacional@ojornal-al.com.br

AGENTE LARANJA

EUA vão descontaminar base no Vietnã Entre dois e quatro milhões de pessoas foram afetadas pelo veneno lançado no país pelo exército americano HANÓI - Vietnã e Estados Unidos pretendem começar a limpeza das áreas contaminadas pelo agente laranja em uma antiga base de guerra americana na metade do ano que vem, informou nesta quinta-feira a embaixada dos EUA. Um memorando assinado entre os dois países “confirma o desejo mútuo de ambos os governos de cooperar na esperança de que a descontaminação comece em julho de 2011 e seja concluída em outubro de 2013”, segundo o comunicado. O acordo abrange o aeroporto de Danang, no centro do

Vietnã. Durante a Guerra do Vietnã, aviões voando a partir de bases incluindo Danang pulverizaram Agente Laranja e outros herbicidas para retirar as folhas das árvores, numa tentativa de privar as forças comunistas de abrigo e alimento. Os herbicidas continham dioxina, um potencial causador do câncer. Na preparação para a limpeza, os EUA assinaram um contrato no final do ano passado para a construção de um aterro sanitário seguro para proteger o solo dos sedimentos contaminados. O embaixador americano,

Michael Michalak, afirmou na quinta-feira que Washington colocou à disposição US$ 17 milhões neste ano para a descontaminação em Danang, que vai custar, no total, US$ 34 milhões. “Os dois governos agora preparam juntos a estrutura, a obtenção e a implementação do projeto”, disse ele. Especialistas identificaram outras duas antigas bases aéreas americanas como áreas contaminadas por dioxina. A ONU (Organização das Nações Unidas) anunciou neste ano um projeto de US$ 5 milhões para reduzir a contami-

nação na região do aeroporto Bien Hoa, perto da cidade de Ho Chi Minh. Um médico vietnamita testemunhou perante o Congresso americano neste ano que mais de três milhões de vietnamitas sofreram os efeitos dos herbicidas do tempo da guerra. Segundo as associações de vítimas, o herbicida, suscetível de provocar cânceres, cegueira, doenças de pele e malformações físicas, atingiu direta ou indiretamente entre dois e quatro milhões de pessoas. O Vietnã e os EUA normalizaram suas relações há 15 anos.

Herbicida provoca malformações em três gerações AGuerra do Vietnã (ou Vietname, ou Vietnam, ou ainda, segundo os vietnamitas, Guerra Americana) foi um conflito armado ocorrido no Sudeste Asiático entre 1959 e 30 de abril de 1975. A guerra colocou em confronto, de um lado, a República do Vietnã (Vietnã do Sul) e os Estados Unidos, com participação efetiva, porém secundária, da Coreia do Sul, da Austrália e da Nova Zelândia; e, de outro, a República Democrática do Vietnã (Vietnã do Norte) e a Frente Nacional para a Libertação do Vietname (FNL). AChina, a Coreia do Norte e, principalmente, a União Soviética, prestaram apoio logístico ao Vietnã do Norte, mas não se envolveram efetivamente no conflito. Em 1965, os Estados Unidos enviaram tropas para sustentar o governo do Vietnã do Sul, que se mostrava incapaz de debelar o movimento insurgente de nacionalistas e comunistas, que se haviam juntado na Frente Nacional para a Libertação do Vietname (FNL). Entretanto, apesar de seu imenso poder militar e econômico, os norte-americanos falharam em seus objetivos, sendo obrigados a se retirarem do país em 1973 e dois anos depois o Vietnã foi reunificado sob governo socialista, tornando-se oficialmente, em 1976, a República Socialista do Vietnã. Na guerra, aproximadamente três a quatro milhões de vietnamitas dos dois lados morreram, além de outros dois milhões de cambojanos e laocianos, arrastados para a guerra com a propagação do conflito, e de cerca de 50 mil soldados dos Estados Unidos. Durante o conflito, as tropas do exército da Vietnã do Norte travaram uma guerra conven-

e o sul do Vietnã dividido, terminando em abril de 1975, com a invasão e ocupação comunista de Saigon, então a capital do Vietnã do Sul, e a rendição total do exército sul-vietnamita. Para os Estados Unidos, a Guerra do Vietnã resultou na maior confrontação armada em que o país já se viu envolvido, e a derrota provocou a Síndrome do Vietnã em seus cidadãos e sua sociedade, causando profundos reflexos na sua cultura, na indústria cinematográfica e grande mudança na sua política exterior, até a eleição de Ronald Reagan, em 1980.

Vietnamita vítima do agente laranja, arma química usada pelos EUA

cional contra as tropas norteamericanas e sul-vietnamitas, e as milícias da FNL menos equipadas e treinados, lutaram uma guerra de guerrilha na região, usando as selvas do Vietnã, espalhando armadilhas mortais aos soldados inimigos, enquanto os Estados Unidos se armaram de grande poder de fogo, em artilharia e aviação de combate, para destruir as bases inimigas e impedir suas ofensivas. À exceção das linhas de combate ao redor dos perímetros fortificados de bases e campos militares, não houve nesta guerra a formação clássica de

linhas de frente e as operações aconteceram em zonas delimitadas; missões de busca e destruição por parte das forças norte-americanas, com o uso de bombardeios maciços com armas químicas desfolhantes e sabotagens da guerrilha na retaguarda das zonas urbanas. Travada com uma grande cobertura diária dos meios de comunicação, a guerra levou a uma forte oposição e divisão da sociedade norte-americana, que gerou os Acordos de Paz de Paris em 1973, causando a retirada das tropas do país do conflito. Ela prosseguiu com a luta entre o norte

AGENTE LARANJA - Ao longo de dez anos, entre 1961 e 1971, o exército dos EUAdespejou cerca de 80 milhões de litros de herbicidas sobre as selvas e plantações do Vietnã. Entre eles, o mais utilizado devido à sua terrível eficácia foi o conhecido como “agente laranja”. Ao todo, 24 mil quilômetros quadrados foram borrifados com o veneno, o que deixou uma cicatriz que ainda pode ser vista nos corpos de muitos vietnamitas, três gerações depois. Milhares de crianças nasceram com problemas de pais que não foram expostos ao herbicida durante a guerra, mas que podem ter consumido alimentos contaminados. As vítimas costumam pertencer às famílias mais pobres. Essa substância química extremamente tóxica foi culpada pela alta incidência de doenças de pele, malformações genéticas, câncer, incapacidades mentais e outros problemas que afetam a população de algumas regiões do Vietnã e ex-militares dos EUA, Austrália, Nova Zelândia, Coréia do Sul e suas famílias.

Helicóptero espalhando agente laranja em floresta vietnamita em 1969

OBAMA

Ano começa com desafios climáticos WASHINGTON - O governo do presidente americano, Barack Obama, começa o ano de 2011 pressionando por novas regulamentações e com diplomacia para combater as mudanças climáticas, mas enfrentará desafios importantes de parte de seus adversários. O ano de 2010 chegou ao fim com poucos avanços para um novo acordo global, após a Cúpula do Clima das Nações Unidas em Cancún (México), que contou com a participação dos maiores emissores do planeta, Estados Unidos e China. Mas, as esperanças dos ambientalistas americanos se esvaíram internamente, depois que uma proposta para criar o primeiro plano nacional de captura e comércio de carbono (cap-and-trade) para restrigir as emissões de gases estufa na maior economia do planeta morreu no plenário do Senado. Entretanto, o governo Obama tenta tomar posições por si próprio. Apartir de hoje, as autoridades americanas vão considerar os gases de efeito estufa para aprovar níveis de emissões para as novas instalações industriais de grande porte. Aagência ambiental americana (Environmental Protection Agency, EPA) anunciou em 23 de dezembro que fará um avanço a partir de 2012, ao estabelecer padrões de gases de efeito estufa para usinas elétricas e refinarias de petróleo, ins-

talações que, juntas, respondem por quase 40% das emissões apontadas como responsáveis pelo aquecimento global. Mas Obama pode esperar mais hostilidade contra sua agenda climática, em janeiro, quando o Partido Republicano, seu adversário, assumir a maioria da Câmara de Representantes. O deputado republicano Fred Upton (Michigan), que presidirá o novo Comitê de Energia Doméstica e Comércio, disse que os EUA deveriam “trabalhar para trazer mais energia ao sistema e não desligar usinas” para proteger os empregos. “Não permitiremos que o governo regule aquilo que tem sido incapaz de legislar”, disse Upton. Aadministração Obama insiste em que se trata apenas de estabelecer padrões, como favorecer a tecnologia verde, e não impor valores quantitativos de captura às emissões, como previsto na maior parte das propostas de captura e comércio. A temperatura do planeta tem subido persistentemente e muitos cientistas apontam a ocorrência crescente de desastres ambientais, como as inundações devastadoras no Paquistão e as nevascas intensas, como evidências das mudanças no clima provocadas pelo aquecimento global.

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Obras do PAC realizando os sonhos As unidades habitacionais erguidas no Vale do Reginaldo mudaram a vida de muitas famílias alagoanas Yvette Moura

Valdete Calheiros Repórter

O técnico de enfermagem alagoano Edmilson Rodrigues é um dos brasileiros que irá sentir saudades das ações desenvolvidas durante o governo do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. A saudade é amenizada apenas pela esperança que Edmilson deposita na administração de Dilma Rousseff, sucessora escolhida pelo próprio Lula e eleita pela população brasileira. Casado e pais de dois filhos, um menino e uma menina, Edmilson morava na Grota do Pau D´Arco e mora agora em uma das unidades habitacionais erguidas no Vale do Reginaldo. A obra que mudou a vida da família é uma realidade graças a recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Assim como nos outros estados brasileiros, em Alagoas, a obra é conduzida pelos governos estadual e municipal. A primeira mulher presidente da República que o Brasil elegeu, Dilma Rousseff, tomou posse ontem e ocupa agora, a cadeira que foi de Lula durante oito anos. Daqui em diante, cada um dos seus passos será acompanhado pelo técnico de enfermagem de Alagoas que, assim como milhões de brasileiros, deposita nela a continuidade dos programas federais que caíram no gosto dos menos abastados. E parece que Edmilson

Rodrigues tem motivos para acreditar no governo de Dilma Roussef. Na última terça-feira de 2010, a Caixa Econômica Federal aprovou as adequações técnicas realizadas no Projeto de Urbanização do Vale do Reginaldo. A empresa executora do projeto irá retomar o trabalho ainda na primeira quinzena deste ano, conforme anunciou a Secretaria do Estado da Infraestrutura (Seinfra). No Vale do Reginaldo estão sendo construídos 1.512 apartamentos e equipamentos públicos De acordo com a Seinfra, a obra foi interrompida em novembro do ano passado, para aguardar a aprovação da Caixa sobre os ajustes técnicos realizados no projeto inicial. Durante o período, representantes da Secretaria da Infraestrutura se reuniram com líderes comunitários do Vale do Reginaldo para explicar sobre o andamento dos trabalhos. Nosso personagem da reportagem, Edmilson Rodrigues, é um desses líderes comunitários. Ele é síndico do Bloco 1. Onde mora são 180 apartamentos distribuídos em 15 prédios. Pelas contas do técnico de enfermagem, cada apartamento tem uma média de seis pessoas. Cada um dos apartamentos tem na porta uma plaquinha com o nome Governo de Alagoas / Secretaria de Estado da Infraestrutura. Os apartamentos têm sala, cozinha, dois quartos e um banheiro.

Edmilson Rodrigues realizou o sonho e acredita que o governo da presidente Dilma será de prosperidade

Vale do Reginaldo ainda em andamento

Readequações para garantir a obra Obras ainda estão em andamento: três esferas do governo trabalhando

O assessor técnico da Seinfra, Leonardo Bitencourt, explicou que, à medida que a obra foi executada, o projeto precisou de readequações técnicas, compatíveis com as condições encontradas em algumas áreas. “As alterações exigiram estudos aprofundados e prospecções técnicas que as fundamentassem, garantindo a aprovação plena dos órgãos fiscalizadores. Nem sempre essa aprovação é rápida, nos reunimos com a comunidade do Vale do Reginaldo para explicar a situação e agora já podemos reiniciar os trabalhos”, explicou Bitencourt. O Projeto Integrado de Urbanização do Vale do Reginaldo é viabilizado conjuntamente pelos governos fe-

deral, estadual e municipal. Compete ao Estado à construção de 1.512 apartamentos e de equipamentos públicos, como uma creche-escola e um posto de saúde, além da execução de um projeto técnicosocial com moradores da comunidade. A primeira etapa da obra habitacional executada pelo Estado foi concluída em junho deste ano, quando 180 apartamentos foram entregues à comunidade. As etapas seguintes estão em estágio avançado de obras. Também está previsto no projeto, sob responsabilidade da prefeitura de Maceió, a implantação de infraestrutura, incluindo um eixo viário que vai desafogar o tráfego na região circunvizinha. (V.C.)

Comunidade foi capacitada para cuidar dos equipamentos do Vale

“Sou feliz graças ao governo federal” Nem tudo são flores – Edmilson Rodrigues terá centenas de outros vizinhos que estão à espera da continuidade das obras. Afinal, das 1.512 unidades habitacionais apenas 180 foram erguidas. No canteiro de obras, não há operários ou material de construção. Aliás, na opinião do técnico de enfermagem, nem mesmo os 180 apartamentos entregues há seis meses foram finalizados completamente. “Fui um dos primeiros moradores a chegar aqui. Vim antes mesmo de o governo ajudar na nossa mudança. Estava ansioso. Queria ver se era realmente verdade. Só acreditei quando peguei a chave do meu apartamento. Estou muito feliz. Minha vida e a da minha família realmente mudou. Tudo graças ao governo federal. Porque quando a responsabilidade ficou para o Estado e para

a prefeitura, os problemas começaram a aparecer”. Segundo ele, os prédios foram entregues sem extintores de incêndio, sem corrimão nas escadas, sem drenagem para água das chuvas, sem estacionamentos, os brinquedos não foram devidamente encimentados e já estão soltos do chão, os moradores não têm onde estender as roupas, algumas portas foram entregues sem fechaduras e algumas janelas com os vidros rachados. “Junto aos outros moradores, já enviei dezenas de ofícios cobrando reparos. Tanto à Secretaria de Infraestrutura da prefeitura quanto ao governo. Não obtivemos resposta alguma. Não sei como o prazo que o governo federal deu em março deste ano para a conclusão das obras será honrado, sem nem a primeira etapa recebeu o devido acabamento”, questionou. (V.C.)

Depois de aprovadas adequações, obras serão retomadas até o dia 15

Edmilson Rodrigues é um dos moradores que integram o Conselho de Acompanhamento à Obra (CAO). A proposta era que o Conselho se reunisse mensalmente, mas, de acordo com ele, como há seis meses as obras pararam, o CAO ainda não pode exercer o seu papel. “As obras pararam há seis meses. Justamente, quando nós recebemos esses apartamentos. Depois disso, nada mais foi feito. Cada apartamento deveria ter 44 m2, como constava na planta. Na verdade, tem apenas 35 m2”, reclamou. A Seinfra, por meio da assessoria de comunicação, afirmou que “a comunidade está ciente de que a obra não foi concluída em sua totalidade e continua em andamento. A entrega das chaves foi antecipada para o mês de junho, por causa das enchentes como forma de prevenir possíveis invasões”. Ainda conforme a Seinfra, os trabalhos no Vale do Reginaldo foram interrompidos no último mês de novembro para que a Caixa Econômica Federal aprovasse ajustes técnicos necessários no projeto inicial. “A aprovação se deu na última terça-feira e a Secretaria já autorizou a retomada das obras pela empresa executora, que volta a trabalhar no início de janeiro, após as festas de fim de ano. Com a volta dos trabalhos, o projeto será continuado”. A Seinfra disse já ter identificado a falta de extintores de incêndio nos prédios e determinou à construtora a instalação imediata dos equipamentos. Em relação ao gramado, a Secretaria diz já ter plantado, parcialmente, na primeira área, mas ressaltou que a obra ainda está em andamento. Quanto ao fato de a área ficar alagada quando chove, a Seinfra alegou que os serviços de drenagem no local ainda estão em execução. Sobre as fendas, a Seinfra diz ter recebido a reclamação de alguns moradores e já ter cobrado da empresa executora a identificação de possíveis problemas e os reparos necessários na estrutura dos prédios. Sobre as queixa de moradores de não ter estacionamento ou mesmo como estender as roupas, a Seinfra afirmou que “cada apartamento possui área de 41 m2, com sala, banheiro, dois quartos, cozinha e uma

área de serviço integrada, como em qualquer apartamento construído nestes padrões. É importante destacar também que todas as famílias moravam anteriormente em unidades habitacionais horizontais, ou seja, em casas, e estão se adaptando à vida em apartamentos. Por isso, a secretaria também desenvolveu um projeto social voltado para esta adaptação, composto inclusive por palestras e oficinas sobre o convívio social em prédios. Já os estacionamentos serão disponibilizados ao longo da execução do projeto”. Em relação ao estado de conservação dos brinquedos, a Secretaria disse que “a manutenção dos equipamentos entregues pelo Estado, tais como os brinquedos voltados para as crianças, é de responsabilidade da própria comunidade, que foi capacitada e orientada para preservá-los. “Desde o início das obras, a Seinfra, por meio da superintendência de Desenvolvimento Urbano, desenvolve um projeto de desenvolvimento social, apoiado em três eixos básicos: mobilização e organização comunitária, educação sanitária e ambiental e geração de emprego e renda”. Para finalizar, a Seinfra, afirmou que o projeto está sendo executado com o apoio e a participação de toda a comunidade, por meio de reuniões constantes com líderes comunitários. “Grande parte dos trabalhadores, inclusive, são moradores da própria comunidade. Além disso, dentro do projeto de desenvolvimento social existe o “Plantão Social”, instalado na comunidade e aberto ao público diariamente, onde qualquer morador pode sanar qualquer dúvida sobre o projeto. O JORNAL entrou em contato com o secretário de Infraestrutura de Maceió, Mozart Amaral, que está de férias e, por isso, afirmou não poder responder às questões e nem indicar quem o fizesse. A reportagem entrou em contato com o secretário-adjunto, mas o celular estava na caixa postal. A assessoria de comunicação da secretaria afirmou que o município estava dependendo apenas da liberação da Caixa Econômica, o que aconteceu na última terça-feira. (V.C.)

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Verão: hora de proteger a meninada Na região mais quente e mais iluminada do ano, as crianças precisam usar óculos escuros além do protetor solar Da Redação A estação mais quente e mais iluminada do ano está no auge. As praias e os hotéis foram tomados por banhistas há meses. Turistas e alagoanos em férias, principalmente quem tem crianças, não perdem a oportunidade para sair às ruas e aproveitar o que a cidade tem de melhor: as praias. A meninada deixa as salas de aula para brincar nas ruas, parques, praças, praias e piscinas. No entanto, por trás de toda essa alegria surge um novo perigo: no

verão, os raios ultravioletas passam a ser incididos com maior intensidade, o que pode causar males que vão além de um problema na pele e alcança a visão. Segundo a oftalmologista Sarelena Vanderlei Alves, somente nos momentos de lazer é comum os pais aplicarem protetores solar nos filhos. Porém, o cuidado precisa ser estendido aos olhos e em todos os momentos em que a criança esteja exposta ao sol. “Hoje é muito difundido o cuidado com a pele, mas esquecem dos

olhos. Os adultos lembram-se do uso dos óculos em seus olhos, mas esquecem das crianças que brincam livremente sem qualquer cuidado na visão. A consequência disso está nas enfermidades que podem aparecer a curto e longo prazo. No mesmo dia, os olhos da criança podem ficar irritados, lacrimejando e até inchados. Enquanto em dias posteriores o descuido acumulado pode antecipar o surgimento de doenças, como a catarata e a degeneração macular”, apontou.

Descuido pode resultar em cegueira A oftalmologista pede aos pais que evitem o sol entre 9h e 16h, principalmente em Alagoas. “Elas não podem passar mais de cinco horas no sol, principalmente nesse período. Os olhos da criança são muito susceptíveis aos raios ultravioletas. A pupila delas é naturalmente mais dilatada, a pigmentação é menor, e ainda o

cristalino, que funciona como filtro, é muito imaturo. Por isso a agressão à visão delas é muito mais forte que no olho do adulto”, argumentou. Uma doença consequência da exposição excessiva a esses raios é a catarata. Ela pode surgir antes da Terceira Idade, causa perda da transparência do cristalino e provoca o em-

baçamento da visão. Outra é a degeneração macular, a qual acontece quando o portador perde a capacidade de foco dos olhos, passa a ter, então, somente a visão periférica, e ainda começa a enxergar uma mancha negra no ponto de foco da visão. Em casos mais avançados, a evolução dessas doenças pode alcançar a cegueira total. Marco Antônio

Na hora da brincadeira, crianças tendem a “testar limites”: todo cuidado é pouco

Na dúvida, é melhor usar um boné Larissa Fontes/ Estagiária

De acordo com o Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), cerca de 25% da população com mais de 75 anos já apresenta algum tipo de degeneração. O hospital ainda indica que muitas crianças gostam de lançar desafios aparentemente inocentes, mas que prejudicam intensamente a visão. A exemplo disso, o HOB indica quando as crianças, juntas, tentam olhar mais tempo para o sol, e quase sempre elas fazem isso longe dos responsáveis. “As crianças gostam de ficar muito tempo na areia, no campo e na água. Nesses casos aconselhamos o uso de óculos escuros para evitar a vermelhidão nos olhos ou a conjuntivite causada por vírus e bactérias. Mas as lentes precisam ter origem segura, caso contrário o prejuízo é maior. Pois a criança tem uma pupila maior e o escurecer da lente a faz aumentar mais, o que deixa a visão vulnerável. Então nesse caso, em lente duvidosa, é melhor não usa-la e ampara-la em uma barraca ou com um boné”, aconselhou

Saralena Alves orienta: “Eles não podem ficar mais de 5 horas no sol”

Sarelena Alves. “Também estendo um cuidado redobrado às crianças albinas e às que têm aulas de natação semanalmente. No esporte é importante que o óculos de mergulho impeçam a

entrada da água e que a lente seja da mesma procedência dos óculos escuro. Enquanto as albinas, precisam assegurar a intensa proteção que executam na pele também nos olhos”, orientou.

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Na idade das bonecas Muitas adolescentes ainda brincavam quando foram obrigadas a parar para enfrentar a gravidez e a maternidade Yvette Moura

Carolina Sanches Editora-adjunta de Cidades

As mulheres alagoanas continuam dando à luz muito cedo, seguindo tendência contrária ao restante do Brasil, que já registra crescimento no número de mães que os primeiros têm filhos entre os 30 e os 34 anos. O Estado detém o quinto maior percentual de partos de mães adolescentes do País. Foi o que apontou a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com os números do estudo Estatísticas do Registro Civil do ano passado, 22,14% dos nascimentos ocorridos em Alagoas foram de mães com idade entre 15 e 19 anos. O percentual de partos de adolescentes alagoanas foi menor apenas que no Pará (24,26%), Maranhão (23,94%), Acre (23,8%) e Tocantins (22,28%). A média nacional foi de 18% de partos envolven-

do mães adolescentes. Em números consolidados, isso significa que dos 47,8 mil nascimentos ocorridos em Alagoas, as mães de 10,8 mil crianças eram adolescentes. Isso sem mencionar que 1,3% das mães alagoanas que tiveram filhos no ano passado tinham idade inferior a 15 anos. Segundo o IBGE, o grande índice de mães adolescentes em Alagoas se contrapõe a uma tendência nacional. Em outras unidades da federação, as mães estão tendo filhos cada vez mais tarde. O estudo do órgão indica que o estreitamento da pirâmide etária nos grupos mais jovens, a redução das taxas de fecundidade em todos os segmentos etários e a postergação da maternidade são elementos que explicam a redução absoluta e relativa dos nascimentos, principalmente, entre a população feminina de 15 a 19 anos e 20 a 24 anos.

Wandete engravidou aos 16 anos; hoje, aos 17, tem que cuidar da filha

Grande número de partos em jovens No grupo de mães com idade entre 20 a 24 anos, Alagoas registrou 15,1 mil partos. Isso significa que 31,61% dos partos registrados no estado no ano passado foram dessa faixa etária. Essa é a faixa com o maior percentual de partos no Estado. Os dados do IBGE também mostram que 93 mulheres tiveram filhos com idades entre 45 e 49 anos e que somente seis deram à luz com mais de 50 anos de idade. Apesar de os números da Secretaria Estadual de Saúde apontarem que a idade das mulheres que fazem prénatal tem aumentado desde 2007, a gravidez na adolescência ainda é considerada um problema pelas autoridades. Mesmo com a redução, os números indicam que o problema persiste. A gerente do Núcleo de Saúde do Adolescente, Martha Verônica Accioly Gomes, explicou que a secretaria vem buscando capacitar os profissionais do Programa de Saúde da Família (PSF) em virtude do percentual de adolescentes que engravidam. Ela explicou que, desde 2007, está sendo reforçado o trabalho de orientação, tanto nas unidades de saúde, como em escolas públicas. “Outra estratégia é qualificar o pré-natal e fazer com que o caso de uma adolescente seja tratado com um cuidado especial. Para isso, contamos com a parceria da Associação Alagoana da Adolescente (Aala) e outras entidades que trabalham com essa faixa etária”, relatou. (C.S.)

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Susto recompensado pela emoção Por descuido, por falta de informação ou até por problemas de acesso a métodos contraceptivos. São vários os fatores que levam ao tão significativo aumento do número de mães adolescentes. Lidar com o susto e as responsabilidades antes da hora não é fácil, mas existem jovens que conseguiram superar todos os obstáculos e, após o nascimento do bebê, relatam que o susto foi compensado pela emoção de ter um filho. Aos 16 anos, Wandette de Araújo Leite Neta engravidou e, com medo da reação de familiares, tentou esconder a notí-

A enfermeira Josefa confirma que é comum o atendimento a adolescentes grávidas

cia pelo maior tempo possível. “Não esperava engravidar tão nova e, quando isso aconteceu, eu e o meu namorado estávamos com medo de contar aos nossos pais, mas com o tempo foi difícil de esconder”. A barriga cresceu e chegou o momento em que a adolescente se viu obrigada a contar à mãe, já aos 5 meses de gestação. “Minha mãe já estava desconfiando e chegou um momento que não dava para esconder. Graças a Deus recebi todo o apoio em casa, tanto da minha mãe, como das minhas irmãs que são mais velhas”, contou. (C.S.)

Orientações para prevenir outra gravidez Durante o pré-natal, as gestantes são orientadas a evitar uma nova gravidez indesejada. Este foi o caso de Givanilda Otávio da Silva. Ela engravidou com 16 anos e disse que não foi fácil enfrentar uma gestação inesperada. “Quando soube que estava grávida fiquei muito preocupada porque não esperava que, tão nova, já seria mãe”, relatou. Hoje, com 28 anos, a dona de casa espera o segundo filho e disse que, após o nascimento de sua filha, hoje com 11 anos, pode compreender melhor como se prevenir e evitar uma nova gravidez inesperada. “No começo tive medo de ser mãe tão cedo, mas tudo compensou quando comecei a ter os primeiros contatos com minha filha. Só que para o segundo filho tive mais cautela e esperei o melhor momento para minha família”, disse. A dona de casa contou que teve muita orientação da equipe que era responsável pelo seu pré-natal, através de aconselhamentos e reuniões de grupos. “Hoje me sinto mais preparada e sei que vou poder

lidar melhor, até porque já estou mais experiente para criar um filho”, finalizou. Segundo Josefa Maria da Conceição, enfermeira do Posto de Saúde da Família, Doutor Jose Maria de Melo no CAIC, do Benedito Bentes II, a gravidez na adolescência gera impacto físico, emocional, familiar e social. “Geralmente a adolescente esconde a gravidez até que a barriga apareça e denuncie a situação. Porém, esse é um grave problema, porque a gravidez merece atenção e acompanhamento durante todo o período da gestação”, explicou. A enfermeira contou que não é difícil chegar na unidade casos de adolescentes grávidas. Ela disse que atende atualmente quatro adolescentes, sendo duas de 14 anos e duas de 15. Ainda existe outra paciente que está com suspeita de gravidez. “Muitas vezes achamos que as jovens estão desinformadas e engravidam sem querer, mas aqui na unidade, encontro muitas que já moram com uma pessoa e que falam que estavam com vontade de ter filho”, contou. (C.S.)

Escola: trabalho de conscientização intensivo Para promover a conscientização sobre os riscos para a saúde e para a vida futura de uma gestação fora de hora, as salas de aula são locais privilegiados. Por isso, as escolas e as secretarias de Educação, em parceria com as pastas da saúde ou Organizações Não Governamentais (ONGs), desenvolvem programas de prevenção da

gravidez e da evasão escolar. Em Alagoas, ações de educação em saúde vêm sendo desenvolvidas junto ao alunado das escolas públicas. Os projetos são variados, mas as ações sempre começam envolvendo toda a comunidade escolar. Martha Verônica informou que o trabalho de conscientização sobre sexualidade está

sendo desenvolvido de forma intensa nas unidades da rede estadual através do Núcleo de Orientação Sexual. “Temas voltados a sexualidade, o aparelho reprodutor e os métodos anticoncepcionais são debatidos na escola e isso é muito importante”, explicou. A gerente destacou que,

além da prevenção, o objetivo da ação é evitar a evasão escolar. “Temos que combater o preconceito porque muitas adolescentes deixam de estudar pelo descaso dos colegas de turma. O primeiro passo para evitar que grávidas e mães abandonem os estudos é impedir a discriminação” completou. (C.S.)

Professoras de escolas públicas desenvolvem projetos contra a discriminação nas escolas

Para responsabilizar o adolescente Outro projeto adotado em Alagoas para a prevenção da gravidez indesejada foi o Caderneta de Saúde do Adolescente, do Ministério da Saúde. Atualmente, 93 municípios trabalham com a caderneta. Jovens de 10 a 19 anos irão receber, de acordo com o sexo, o material que traz orientações de saúde sobre os estágios de desenvolvimento, maturação sexual e relacionamento. A caderneta tem o objetivo de despertar a atenção para que os adolescentes se sintam mais responsáveis pela saúde e pro-

curem ajuda médica, estimulando o sexo seguro para evitar doenças e gravidez indesejada. “O jovem deve buscar com mais frequência os serviços oferecidos pelas unidades públicas de saúde. E a caderneta é um incentivo e uma orientação para isso”, observou Martha Verônica. Para o ministério, a cartilha serve como um orientador para o jovem no momento em que aparece a dúvida. O material trata, inclusive, das transformações do corpo nessa fase e pode ser acompanhado pelo médico. São 50 páginas em que vão ser

Mais de 90 municípios trabalham com a caderneta...

feitas as anotações de atendimento e a prestação de informações sobre saúde sexual e reprodutiva, alimentação, puberdade, o perigo das drogas e os cuidados necessários nessa faixa etária da população. Os municípios inicialmente escolhidos para o recebimento das cadernetas apresentaram projetos voltados para essa parcela da população, além de integrarem programas do ministério, como o Saúde nas Escolas e o Saúde e Prevenção nas Escolas. (C.S.)

... para os adolescentes se sentirem mais responsáveis

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Domingo, 2 de janeiro de 2011 | www.ojornalweb.com | e-mail: cidade@ojornal-al.com.br

Empréstimo: o golpe e a humilhação Crime de estelionato pega aposentados de surpresa; bastam poucos dados e documentos falsos para a armadilha Láyra Santa Rosa Repórter

A tranquilidade da aposentadoria de Silvane Costa Gomes, de 77 anos, adquirida depois de longos anos de trabalho árduo, foi quebrada recentemente por uma ação criminosa que faz vítimas diariamente em Maceió. Era dia de pagamento da aposentadoria e, como sempre ele fazia, foi até o Centro da cidade, quitar algumas contas e aproveitou para sacar o benefício. A surpresa veio no final da transação, quando parte do seu dinheiro tinha sido descontado irregularmente para o pagamento de um empréstimo feito em seu nome. O problema é que ele nunca fez esse tipo de negociação. Atento, o aposentado logo desconfiou que tinha sido vítima de um golpe. “Fui até o INSS e descobri o empréstimo de R$ 4.700, com prestações em sessenta meses. A única coisa que eu tinha certeza naquele momento era de que não tinha sido eu quem tinha feito aquela negociação”, afirmou Silvane Costa. “Jamais imaginei que pudes-

se ser vítima desse golpe. Com essa suspeita, fui até a Delegacia e fiz o Boletim de Ocorrência. Depois começou a minha peregrinação para conseguir provar que não fui eu quem fez isso”. Nos dias que sucederam a descoberta do golpe, Silvane Costa esteve algumas vezes na agência bancária do banco BMG, que repassou o dinheiro do empréstimo em busca de informações. “Eu queria ver o contrato que eu tinha assinado e, para minha surpresa, o documento não era meu, a assinatura não era minha e pior que tudo: foi feita por uma mulher. Como pode uma mulher se passar por um homem e ainda, autorizarem essa negociação?”, indagou. “O pior nisso tudo é que a funcionária do banco continuava insistindo que eu tinha feito, que tinha sido alguém da minha família, suspeitando da minha palavra e da minha integridade. Sempre fui uma pessoa trabalhadora e nunca fiz um empréstimo. Só depois de 30 dias, e de ter passado por muita dificuldade, que foi que consegui o contrato”.

Fotos: Larissa Fontes/Estagiária

Empresas de empréstimo estão espalhadas por toda a cidade oferecendo facilidades

Temendo que o nome fosse encaminhado para o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e que os descontos continuassem na sua aposentadoria, Silvane Costa procurou um advogado. Enquanto o inquérito não fica pronto, ele está

ingressando com um processo na Justiça contra o banco que fez o financiamento, o INSS, e o banco que repassou o dinheiro para o estelionatário. “A gente passa a vida toda tentando manter o nome limpo e acaba se tornando ví-

tima. Agora vou processar o BMG que fez esse financiamento com documentos falsos, o INSS que autorizou sem consultar as informações em seu sistema e o banco Itaú, que liberou o dinheiro do saque”, disse. “Para mim, as

informações sobre meu nome, número de identidade partiram do INSS, alguém repassou esses dados. Esse é golpe sujo, onde passei por uma grande humilhação para conseguir provar minha inocência”, lamentou.

Policial descobre que mãe foi vítima do crime Outra vítima do golpe foi a aposentada Margarida Acioli Tenório, também de 77 anos. Ela é mãe da policial Civil, Cristiane Acioli Tenório que, por coincidência trabalha na Delegacia do 1º Distrito Policial, que é responsável por vários inquéritos que apuram esse tipo de estelionato. Foi a própria policial quem descobriu que a mãe tinha sido mais uma atingida pelo bando. “Todo mês sou eu quem vou ao banco sacar o dinheiro da pensão da minha mãe. Quando puxei o extrato percebi que o valor habitual não estava na conta e desconfiei que era um empréstimo.Como vejo muitos casos desse tipo, logo fiquei preocupada que minha mãe poderia ter sido mais uma vítima”, contou Cristiane Acioli. “Fui ao banco Itaú onde ela tem conta, em seguida para o INSS e descobri que tinha sido feito um empréstimo no banco BMG, no nome dela. Fiz o boletim de ocorrência e comecei a investigar o caso. Jamais imaginei que minha mãe pudesse ser vítima desse golpe”.

Na tentativa de descobrir a origem do golpe, a policial foi até a sede principal do BMG, em busca da documentação. “Eles me deram o prazo de quinze dias para me mostrar o contrato, depois trinta dias e até hoje não tive acesso a essa documentação. Eles disseram que o contrato foi extraviado. Tive o maior problema para conseguir as informações, mesmo sento policial e tendo ordem judicial para saber o que aconteceu”, lembrou Cristiane Acioli. Foi depois de muitos levantamentos, que as investigações levaram a policial a descobrir que o golpe tinha sido feito através de procuração em cartório. O grupo criminoso falsificou identidade, que tinha de verdadeiro apenas o nome e o CPF de Margarida Acioli. O resto das informações estavam todas erradas, inclusive a fotografia do documento era pertencente a outra mulher. “Um fato que me chocou nesse caso foi que eles registraram em cartório uma procuração dando plenos poderes a uma determinada pessoa, com assinatura da suposta Mar-

garida Acioli, com cópia de documentos e até de comprovante de residência num endereço na cidade de Atalaia”, contou a filha da vítima. “Esse procurador tinha autorização para fazer o empréstimo, solicitar cartão de crédito, talão de cheque e tudo que pudesse beneficiá-los. Até agora só descobri o golpe do empréstimo, no valor de R$ 4.700 com parcelas de R$ 149,18”. Segundo Cristiane Acioli quando o cartório soube da falsificação do documento suspendeu a procuração. Outro fato é que, com a descoberta do golpe, a Justiça determinou que as prestações do empréstimo parassem de ser descontadas da conta da pensionista. “Vamos entrar na Justiça contra o banco BMG e já estamos com as investigações bem adiantadas para localizar esses golpistas. O que mais assusta é que sabemos que se trata de uma rede criminosa”, afirmou. “Minha mãe nunca perdeu um documento sequer e o questionamento que fica é de como eles conseguiram os dados dela. Basta ter o CPF e o nome, que eles estão falsificando.

Tenho certeza de que tem facilitação de alguma parte, não sei se por parte de funcionários do INSS, do cartão de crédito ou do banco”, questionou. Indignada, a filha da vítima comentou ainda que se houvesse uma mudança no processo de empréstimo, deixando mais rígido a negociação, talvez outros casos como esse não voltassem a acontecer. “Tem casos que não é necessário nem a presença do contratante para finalizar o acordo. Sem falar que, se houvesse pelo menos interesse em conferir as informações, como o fato de documentos apresentarem informações que minha mãe é solteira, quando é viúva, data de nascimento, nome do pai, que o INSS tem acesso”, colocou. “Bastava uma conferida mais rigorosa, que talvez esses empréstimos não fossem feitos. São falsificações falhas, mas como o sistema também é, acabam acontecendo. O pior é que fazem todo tipo de vítima, principalmente aquelas mais simples e com renda pequena. É absurdo que esse golpe continue acontecendo”. (L.S.R.)

Poucas informações para o golpe ser aplicado O golpe antigo, mas continua fazendo vítimas em Maceió, em especial aposentados e pensionistas. Mas, não pense que você pode estar livre da quadrilha criminosa, que frauda empréstimos consignados. Basta cair nas mãos dos estelionatários a informação do nome completo, CPF e a fonte de renda, que o esquema é armado e qualquer um pode ser o próximo alvo. De surpresa, os criminosos descontam da conta bancária das vítimas, empréstimos irregulares, que beneficiam terceiros. Com a fragilidade no esquema da negociação e liberação do empréstimo, principalmente pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), esse tipo de crime tem se tornado comum. É sempre no final do ano, que o número de denúncias aumenta. Segundo informações da Delegacia do 1º Distrito Policial, que investiga crimes na região do Centro da capital alagoana, pelo menos quatro boletins de ocorrência com esse tipo de delito é registrado pelas vítimas a cada semana. “A quantidade de inquéritos que temos desse tipo de crime é

Uma procuração dá plenos poderes aos criminosos: tudo em cartório

muito grande, se fosse investigar só esses casos iria parar a delegacia. É um golpe antigo e que pode fazer qualquer pessoa como vítima, basta ter alguns dados e o esquema está montado”, falou o delegado

Alcides Andrade, titular do 1º DP. O funcionamento do esquema não tem um “modo operante” padrão, mas na maioria dos casos, acontece de forma simples. Segundo expli-

cou a polícia, em posse de documentações falsificadas que vão desde identidade, CPF e comprovante de residência, que contém apenas algumas informações das vítimas, os estelionatários procuram as financiadoras. Essas empresas, que fazem qualquer negócio para realizar o empréstimo, realizam a operação, passando os dados do suposto cliente para o INSS ou Governo do Estado, que decidirá se o dinheiro pode ser liberado. No esquema feito através das financiadoras, em nenhum momento é necessária a presença do contratante. Basta uma pessoa de posse de procuração ou levando a documentação para ser assinada em casa, que o financiamento é feito. Nesses casos, é o banco, que entrará em contato telefônico com o cliente para confirmar. Processo esse que acaba deixando brechas para o golpe. A reportagem de O JORNAL tentou entrar em contato com representantes do banco BMG em Alagoas e com outras financiadoras, para confirmar essa informação, mas ninguém quis falar sobre esses casos de golpes. (L.S.R.)

A policial Cristiane notou a diferença na aposentadoria da mãe

Dinheiro sacado da conta de terceiros Outra questão é ainda em relação ao caso da liberação, por parte do INSS, onde o dinheiro do empréstimo pode ser sacado em conta de terceiros, basta durante a assinatura do contrato ser repassado a informação de onde o saque deve acontecer. Caso que não acontece durante a negociação com funcionários do Estado. O protocolo é maior, e o dinheiro só será liberado na conta corrente do titular do empréstimo. “O interessante é que as assinaturas desses contratos são simples. Qualquer um pode fazer, usando o nome do outro. Basta ter uma documentação com dados da vítima, que eles conseguem fazer os empréstimos. Para mim, esse tipo de negociação é falha e deixa espaço para que o golpe aconteça. Hoje se faz empréstimos no meio da rua”, contou o delegado Alcides Andrade. “Uma pessoa comum que quer fazer um empréstimo encontra mil dificuldades. Já esses criminosos não. Eles funcionam como uma

rede criminosa. Por isso acredito que existe uma facilitação, tanto no caso das informações, como dentro das financiadoras. Permitindo que situações que estão na cara que são falsas aconteçam”. O delegado disse ainda, que qualquer pessoa está sujeito a esse tipo de golpe, mas vale ficar atenoa para suspender o empréstimo antes que o prejuízo seja maior. “Já tive policiais que trabalham comigo que foram lesados nesse golpe do empréstimo. Qualquer um pode ser vítima. O fato é que quando for descoberto, o primeiro procedimento é fazer o Boletim de Ocorrência, depois procurar a instituição bancária para saber informações e com posse da documentação pedir a suspensão da cobrança indevida do empréstimo”, completou. As pessoas que forem presas envolvidas nesse tipo de golpe vão responder pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica, falsificação de documentos e até por crime contra a ordem pública. (L.S.R.)

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Universidades A16

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2011 chegou, e as dívidas também Segundo a Serasa, o número de inadimplentes deve aumentar devido ao aquecimento nas vendas de fim de ano Fotos: Fabyane Almeida/ Estagiária

Thallysson Alves Estagiário*

Passou o Natal, o Réveillon, e o que ficou? Uma dívida que toma conta de boa parte do orçamento da família. Essa é a realidade de muitos consumidores no início do primeiro trimestre de 2011, que já foi prevista pelo Indicador Serasa Experian de Perspectiva da Inadimplência do Consumidor em setembro, quando houve um crescimento de 0,6% em seu patamar naquele mês, o que já sinalizava o problema. Segundo o Indicador, que anteveem seis meses as oscilações cíclicas da inadimplência, os pagamentos relativos às compras de Natal, às despesas com as viagens de férias, os compromissos fiscais (IPVA e IPTU) e à aquisição de material escolar costumam concentrarse ao fim desse primeiro trimestre, de acordo com análise dos economistas da Serasa Experian. Por isso, quase sempre provocam repiques na inadimplência dos consumidores durante essa época, especialmente naqueles que não se programaram adequadamente. Foi o que aconteceu com “Maria da Glória” (nome fictício a pedido da entrevistada), de 42 anos. “Todo o dinheiro que eu consigo no meu emprego invisto na alimentação e outros gastos necessários em minha família. O problema é que nesse fim de ano apareceu de tudo, e eu precisei gastar além do que posso pagar. Pedi empréstimo para quitar algumas dívidas, mas outras chegaram. O que resultou em uma imensa bola de neve, que eu já não sei mais como resolver”,

Com os cartões liberados e dinheiro no bolso, alagoanos foram às lojas comprar presentes

lamentou. Apesar de sua situação financeira estar ainda sob o controle, o funcionário público José Cícero Ferreira, de 56, explicou que ter um compromisso com os cartões de crédito para os próximos meses perdura em uma dor de cabeça estendida. “Até que as compras não sejam quitadas, nós ficamos preocupados em cumprir as parcelas. O problema é que, durante esse tempo que pagamos, à vida continua. Outras necessida-

des aparecem e nunca nos libertamos dos cartões”, argumentou. “Em dezembro comprei celular, equipamento de som, DVD, liquidificador, roupas para família; e ainda paguei água, energia, feira e outras contas como de costume. Gastei cerca de R$ 1.100 só esse mês [o passado]. Estou muito apertado até maio, mas vai dar para pagar tudo, se Deus quiser”, declarou José Cícero. “E tudo o que comprei foi para minha mulher, filho, neto e eu. A gente

não consegue passar Natal sem comprar um presentinho”, confessou. Animada com a chegada de seus netos, Aurelina Maria da Conceição, 63, contou que foi ao comércio comprar muitos artigos para sua casa. “Comprei berço, cercado e tudo mais. Parcelei as compras em quatro vezes. Mas o importante é que presentearei quem merece ser presenteado, sem deixar os débitos fugirem do meu controle. E é por isso que estou

Mais uma vez, roupa foi o artigo mais vendido De acordo com a Aliança Comercial de Maceió, a quantidade de consumidores nas lojas aumentou em 20%, quando comparado ao mesmo período de 2009. Entre os produtos mais procurados estão as roupas, eletrodomésticos, celulares e perfumes. Artigos com valor inferior a R$ 50 tiveram maior saída nos estabelecimentos, e o cartão de crédi-

to esteve em alta nas lojas de médio porte. “Tivemos um bom faturamento com as compras do Natal. Os primeiros levantamentos dão conta de uma alta de 30% nos lucros, quando comparado ao mesmo período do ano passado. O que mais vendemos foram bermudas, camisetas, pólos e jeans. E para as compras de Ano Novo lançamos uma cam-

panha com excelentes descontos, logo após o Natal”, contou a gerente da loja Maxhu’s do Maceió Shopping Leila Maria de Farias. “Nossos clientes ainda receberam por e-mail as promoções, o que fez agora até as sandálias saírem mais”, detalhou. Uma dos artigos que surpreendeu os comerciantes quanto ao número de interessados foi a lingerie. “As

mais exóticas e sexys estão entre as mais pedidas. E quanto às cores, destaque para as amarelas, brancas e vermelhas”, enfatizou o proprietário da Loja La Vickie Petrônio Almeida. “As amarelas nunca saem durante o ano, mas quando se aproxima o reveillon, à vontade em ter dinheiro no próximo ano às fazem desaparecer da loja”, brincou. (T.A.)

Afinal, qual o motivo para tanto alvoroço? Um dos motivos para o aquecimento no comércio, antes mesmo da troca de presentes no Natal e a vontade de vestir roupas novas no reveillon, está no 13º salário pago a todos os funcionários brasileiros. Para a economista Luciana Caetano da Silva, essa quantia adicional representa um incremento nas vendas nos mais diversos setores e reflete no aumento do consumo de cada produto. “As indústrias, o comércio, os serviços e até a agropecuária ganham muito com todo esse aquecimento econômico. Quando compramos mais alimentos, roupas, sapatos, pacotes turísticos, materiais de construção, carros, eletroeletrônicos etc., geramos um impacto muito positivo encima dos investimentos e da geração de empregos, que em boa parte são temporários. É um ganho coletivo para o consumidor, empresários e governo. E em nenhuma outra época do ano o consumo alcança tanta força no país”, comentou Luciana Caetano. Ainda de acordo com a

Celular foi um dos eletroeletrônicos mais vendidos no período natalino

economista, o país conseguiu a estabilidade na década de 1990, e, logo na primeira década do novo milênio, reduziu a desigualdade social com a melhoria de alguns indicadores socioeconômicos. “Também fortaleceu as bases de sustentação de sua economia, o que se refletiu no modo como enfrentou as adversidades internas e as crises internacionais”, disse. Para essa nova década, Luciana Caetano espera que a economia brasileira, sob o comando de uma presidente com perfil técnico e menos político, imponha rigor aos gastos públicos, de modo a melhorar a qualidade da execução orçamentária nas três esferas do governo. “Difícil será conseguir apoio dos parlamentares nessa nova empretada”, disparou. “De qualquer modo, o país deve seguir seu planejamento de médio prazo ao executar suas obras de infraestrutura, e ao apostar nos setores estratégicos com o objetivo de alcançar a sustentabilidade no processo de construção do desenvolvimento”, expôs Luciana Caetano. (T.A.)

tranquila, pois acredito que poderei pagar tudo”, argumentou. As informações ainda não são oficiais, mas para o presidente da Câmara dos Dirigentes Logistas (CDL) de Alagoas, Wilson Barreto, o aquecimento no comércio superou as expectativas dos lojistas. “Esperávamos um aumento de 15% nas vendas, mas pelo que tudo indica a alta foi de 30%, principalmente nos setores de vestuário e eletrodomésticos”, re-

velou. Para janeiro, Wilson Barreto indica que os comerciantes esperam uma redução de consumidores nas lojas. “E para que essa diminuição não prejudique os empresários, liquidações serão divulgadas em diversas lojas. Assim, os produtos que não forem vendidos em 2010 poderão sair das prateleiras, o que vai balancear a economia durante o mês”, explicou. *Sob a supervisão da Editoria de Cidades

O remédio contra a inadimplência Caracterizada pelo atraso de três meses, ou mais, no pagamento da dívida, Luciana Caetano aponta que a inadimplência é causada pelas seguintes situações: redução de renda do devedor, mantida as mesmas despesas; e elevação de despesas do devedor acima de sua restrição orçamentária. “Essas duas situações podem ocorrer a partir do surgimento de despesas imprevistas, da perda de emprego ou da falta de planejamento no orçamento familiar, seguida do consumo compulsivo”, informou a economista. “Mas o problema pode ser superado quando o devedor consegue identificar a origem do problema e toma as devidas providências, que vão desde o corte de despesas, até a criação de um planejamento frente à renda vivida. No entanto em nada valerá se não existir disciplina”, aconselhou. “Minha mãe dizia que a gente só aprende quando quebramos a cara. Foi o que aconteceu comigo. Um dia inventei de pedir um empréstimo, atrasei a prestação, então juros e correções alimentaram minha dívida, o que me rendeu muita dor de cabeça até conseguir quita-la. Depois disso eu aprendi. Agora não uso mais cheque e cartão de crédito. Até do gerente do banco eu duvido”, declarou o funcionário público Manoel Porfírio da Silva, de 68 anos. “Todas as minhas compras são à vista. Quando é preciso comprar algo muito caro, crio um planejamento, junto o dinheiro e depois compro. Mas é muito raro isso acontecer. Sempre gasto com o necessário. O que sobrar eu deixo na conta bancária, o que me transmite certa segurança”, contou Manoel Porfírio. Casado e pai de seis filhos vivos, o funcionário público re-

velou que, através de sua organização financeira, consegue também ajudar toda a família a partir de seu salário. “Eu não ganho muito, mas é tudo uma questão de adaptação. Hoje o que menos compro é roupa, por exemplo. E isso para muitos chega a ser sinônimo de terror”, brincou. “Também não pago plano de saúde. Prefiro juntar dinheiro e quando necessário usa-lo nas consultas e realizações de exame. Os planos de saúde exigem muito dinheiro, principalmente a senhores da minha idade, e ainda não cobre tudo o que precisamos. Por isso prefiro depositar uma determinada quantia em minha conta para ser resgatada quando minha saúde precisar”, explanou Manoel Porfírio, que se diz tranqüilo quanto a sua situação financeira. “Ter dívidas não é problema. O problema é estar inadimplente, pois além de elevar o risco de bancos e financeiras, eleva as taxas de juros de mercado, bem como o ônus do financiamento com o pagamento de taxas e multas por atraso. Tudo isso desorganiza nosso orçamento familiar ou pessoal”, esclareceu Luciana Caetano. A economista também explica que ao longo do ano o índice de inadimplência oscilou muito. “Quanto mais existe apelo, se faz ao consumo; e quanto mais crédito é ofertado e demandado, mais cresce a inadimplência. O governo tem tomado providências para evitar que ela continue crescendo, um exemplo disso é quando se eleva o limite mínimo para o pagamento das dívidas com cartão de crédito e alteramse as condições de financiamento. Mas é preciso que a população se conscientize para que a inadimplência seja efetivamente reduzida”, disse. (T.A.)

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Arapiraca

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Foto: Eduardo Almeida

Lixão, o retrato de um abandono Catadores reclamam da falta de projetos para coleta seletiva e cobram apoio do poder público em Arapiraca Eduardo Almeida Repórter

Quando o caminhão carregado com lixo desponta no alto de Mangabeiras, na zona rural de Arapiraca, os catadores da comunidade começam a se agitar. São 130 homens, mulheres e crianças que retiram o sustento de suas famílias do lixão a céu aberto que existe no local. Amontoados e sem usar nenhum tipo de proteção, eles ignoram o mau cheiro e os riscos de transmissão de doenças, dividindo espaço com animais abandonados. O catador José Antônio da Silva, 58 anos, conta com naturalidade que nunca usou luvas ou

qualquer outro equipamento de proteção para selecionar o material reciclável que encontra em meio ao lixo. Ele trabalha no local há 20 anos e revela que faltam projetos que estimulem a coleta seletiva e facilitem a separação dos resíduos no local. Para o catador, o poder público municipal é o responsável pela precariedade nas condições de trabalho. “A comunidade nunca recebeu nenhum apoio por parte da prefeitura de Arapiraca. Não há projeto para coleta seletiva e nunca houve distribuição de luvas ou botas. Nós usamos o que encontramos no lixo: calçados rasgados e roupas usadas. As crianças também não rece-

bem acompanhamento. Elas trabalham e brincam aqui, no meio do lixo. Não me lembro de nenhuma fiscalização ao longo desses últimos 20 anos”, observou José Antônio. O catador Erivaldo Manoel da Silva, 24 anos, afirma que trabalha no lixão de Arapiraca há apenas oito meses, mas o curto espaço de tempo foi suficiente para que ele se cortasse em uma das sacolas de lixo e tivesse o ferimento infeccionado. Mesmo machucado, ele continuou o dia de trabalho e só procurou atendimento médico no final da tarde, o que contribuiu, segundo ele, com a infecção e o obrigou a passar uma semana sem trabalhar.

“Quando eu arrastava o lixo, uma sacola com vidros caiu do caminhão em cima do meu joelho. Eu percebi o ferimento, mas decidi continuar o trabalho, porque é daqui que tiro o meu sustento. No final da tarde, fui ao médico e ele me disse que disse para ficar em casa. No outro dia, o ferimento amanheceu infeccionado e tive que voltar ao posto de saúde. O médico explicou que o corte estava infeccionado e me deu alguns remédios”, contou Erivaldo. Para a catadora Lenir Alexandre da Silva, 44 anos, a coleta seletiva do lixo aumentaria a lucratividade das pessoas que trabalham na comunidade. De acordo

com ela, alguns catadores travam disputas por espaço e pela maior quantidade de resíduos, o que teria provocado a saída de vigilantes do local. Eles eram responsáveis por garantir que os resíduos fossem despejados no local determinado pela Secretaria de Limpeza Urbana e controlavam a coleta. “Como todos sobrevivem da venda dos mesmos produtos, leva vantagem que cata mais em menos tempo. Isso acaba gerando brigas entre catadores. Hoje, elas não existem mais. Mas, já fizeram com que muitos deixassem de vir catar aqui e até afugentaram os vigilantes. Eles não conseguiam controlar as brigas e ainda

eram ameaçados de morte por algumas pessoas. Agora, é cada um por si e Deus por todos nós. É a lei do mundo”, ressalta a catadora. Conforme Lenir, os resíduos mais cobiçados são o alumínio e o ferro, seguidos pelo plástico e pelo papelão. “As pessoas procuram o que tem maior valor no mercado. Se o alumínio vale mais, então é ele que nós vamos procurar. Como o papelão é um dos mais baratos, poucas pessoas querem. O plástico, que está no meio, nem é tão caro, nem é tão barato, tem mais aceitação. Mas a procura depende do valor que a gente recebe”, revela Lenir.

Atravessadores compram a produção A falta de políticas públicas que estimulem a reciclagem no lixão de Arapiraca obriga os catadores do município a entregar o material encontrado no lixo a atravessadores. Eles compram os resíduos por um valor abaixo do que é oferecido pelo mercado e revendem para indústrias de reciclagem fora do Estado por quantidade. Com isso, os catadores têm que trabalhar mais para conseguir atingir as metas e lucrar, em média, R$ 20 por dia. “Se nós tivéssemos uma associação organizada, que pudesse reunir o material catado e vender diretamente para as indústrias, nós ganharíamos bem mais do que recebemos hoje. Mas, não temos condições para manter a associação, porque é preciso dinheiro para comprar ou alugar caminhões para o transporte abastecer os carros e comprar máquinas para prensar o material reciclável”, informou o catador. Ele conta que os moradores

da comunidade até tentaram criar uma associação, mas diz que ela não conseguiu se manter. “Os custos são muito altos. O pessoal pensou que era fácil e tentou, mas não deu certo. No final, acabou cada um por si.”, lamentou. Para tentar aumentar os lucros, moradores da comunidade Mangabeiras terceirizaram funcionários. Rosineide Henrique, 40 anos, e Vilma Ferreira, 23 anos, contam que trabalham para uma moradora da comunidade – cujo nome não foi revelado – selecionando o material que é catado por outros funcionários. Depois da seleção feita por elas, os produtos são vendidos para uma atravessadora identificada apenas pelo pré-nome de Judite. Com medo de perder a única fonte de renda, os moradores da comunidade se negaram a falar sobre a atravessadora. De acordo com eles, Judite é a única pessoa que compra os produtos e revende para fora do Estado. Funcionários dela

vão ao lixão de Arapiraca sempre aos fins de tarde, quando toda a produção do dia está finalizada e embalada. “Nossa função é apenas de fazer a seleção por tipo de produto e dividir em sacolões diferentes. Pelo que é passado para a gente, o quilo do alumínio é vendido a R$ 1,88, o quilo do plástico é vendido a R$ 0,50. Quem entrega o sacolão inteiro de plástico, consegue R$ 20. Mas o pessoal demora o dia inteiro para encher um sacolão. Aqui, nós ganhamos por dia de trabalho sem o contato com o lixo”, disse Rosineide Henrique, sem revelar o valor pago. O lixão de Arapiraca recebe, em média, 200 toneladas de lixo por dia. Deste montante, cerca de 8% é retirado de material reciclável. O local conta, atualmente, com 130 catadores. A maior parte das famílias mora na própria comunidade e sobrevivem sem água encanada e rede de esgoto. (E.A.) Continua nas páginas A18 e A19

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Arapiraca

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Fotos: Eduardo Almeida

Adolescentes improvisaram quadra de vôlei no lixão de Arapiraca

Crianças vivem em meio ao lixo Miséria aumenta vulnerabilidade O adolescente Manoel da Silva, de 14 anos, conta que é no horário da manhã, quando deveria estar na sala de aula, que ele mais consegue catar material reciclável. Ele afirma que só estudou até a quarta série do Ensino Fundamental e que abandonou os estudos para ajudar na renda de casa. Manoel aproveita o horário de maior movimento de caminhões de lixo, entre 6 e 12 horas, para garantir uma renda extra para os pais. “Se você vê faltando comida na sua casa, você tem duas opções. A primeira delas é roubar e a segunda é trabalhar. Eu escolhi trabalhar e, como não sei fazer nada, vim catar lixo com meus pais aqui. Sempre acompanhei, desde pequeno, a coleta. Mas, há uns três anos, eu deixei a escola e passei a ficar o dia inteiro aqui. Se antes apenas duas pessoas trabalhavam lá em casa, agora posso ajudar”, frisa o adolescente.

É no intervalo entre um caminhão e outro que a molecada aproveita para se distrair. Bastaram restos de tecidos e uma bola de futebol para que uma quadra de vôlei improvisada fosse criada no local. “É uma nova modalidade, vôlei no barro”, brinca um catador que prefere não se identificar. “Ninguém consegue viver só de trabalho, também precisamos de momentos de distração. Afinal, ninguém é de ferro”, acrescenta. O adolescente João Pedro Santos, de 12 anos, afirma que acompanha os pais desde pequeno e diz que se habituou à fedentina e a presença de animais no lixão de Arapiraca. Ele garante que freqüenta a escola e conta que está no 2º ano do Ensino Fundamental, porque, devido ao grande número de faltas, repetiu o ano escolar. “A gente vai para a escola quando dá. Se é preciso ajudar

em casa, a gente prefere estar aqui, com nossos pais. Eu sei que não é o melhor local para se passar a manhã ou para se trabalhar, mas é o jeito. Nós não sabemos fazer outra coisa, vivemos disso. Se houvesse algum programa que oferecesse ajuda aos meus pais, como o bolsa família, eu não precisaria vir até aqui todos os dias, como faço hoje”, acrescenta João Pedro. De acordo com a catadora Lenir Alexandre da Silva, 44 anos, é comum a presença de crianças no lixão de Arapiraca. Ela atribui a grande quantidade à falta de creche pública no local e à situação de pobreza em que vivem dezenas de moradores da comunidade. “Quem vai sair de casa e deixar o filho pequeno. Ou então, quem vai deixar um filho que pode ajudar a colocar comida em casa. A partir de 12 anos, ninguém é mais criança”. (E.A.)

Para a assistente social Vanessa Leão, a situação de pobreza a qual são submetidas as crianças e os adolescentes do lixão de Arapiraca aumenta a vulnerabilidade social do grupo. Ela afirma que políticas públicas a curto e longo prazo poderiam ser desenvolvidas pela Secretaria de Assistência Social do Município com a finalidade de minimizar os riscos e evitar que os jovens se envolvam com drogas ou outros atos ilícitos. “É nítido que as drogas não são exclusividade de ambientes onde prevalece a população de baixa renda. Mas, a situação de miséria contribui significativamente para que as crianças e os adolescentes da comunidade possam enveredar pela criminalidade. Torna-se uma alternativa encontrada por eles para superar a pobreza. Portanto, é preciso que o poder público ofereça oportunidades para a comunidade”, expõe Leão.

Uma das alternativas propostas pela assistente social é a criação de creche e escolas em tempo integral, que possam oferecer não apenas o ensino regular como atividades sócio-culturais, que favoreçam o desenvolvimento das crianças da comunidade. Ela acredita que a ampliação da política que o município desenvolve seria eficaz no combate à vulnerabilidade social, pois supriria uma demanda da localidade. “O poder público, em particular, tem que criar alternativas para suprir os bolsões de miséria que ainda existem. Aampliação de creches e escolas em tempo integral é apenas uma alternativa. Os gestores podem ampliar, por exemplo, a abrangência do programa Bolsa Família, que é desenvolvido pelo Governo Federal, e seria outra ferramenta eficaz no combate à pobreza. Projetos existem, falta boa vontade”, pondera.

Leão destaca ainda a importância de trabalhos educativos junto aos pais das crianças e adolescentes que vivem nas imediações do lixão da cidade. Criar ou fortalecer uma associação ou cooperativa é um dos aspectos que a assistente cita como fundamental para que todos sejam conscientizados sobre a importância da escola e os riscos que os jovens correm ao freqüentar o local – riscos não apenas sociais, mas de saúde. “Os pais pensam, exclusivamente, pelo lado financeiro. Eles acreditam que o filho pode ajudar a manter a casa. É importante que seja desenvolvido um trabalho social junto a eles, para que possam ver a importância da educação e estimulem seus filhos a alcançarem objetivos maiores. O trabalho de assistentes sociais poderia também apresentá-los os seus direitos, que muitos desconhecem”, conclui a assistente social. (E.A.)

Cresce o risco de doenças

Ao invés de estarem na escola, crianças trabalham no lixão

O médico infectologista Cláudio Lemos explica que o contato direto com os resíduos despejados no lixão de Arapiraca podem contribuir de forma decisiva para a proliferação de doenças infecto-contagiosas. Ele afirma que os catadores podem se contaminar tanto com os alimentos, com a urina de ratos ou ainda em contato com animais mortos. De acordo com ele, as doenças podem provocar inclusive a morte. “Os catadores estão expostos a doenças como leptospirose, diarréia e vômito. Também podem ter doenças gastointestinais. O contato com o lixo não é benéfico e o ideal é que fosse evitado. Um aterro sanitário poderia evitar a superexposição dos moradores e previnir doenças. Os lixões também provocam a contaminação do lençol freático e isso pode representar um risco ainda maior para a população”, completou o médico. (E.A.)

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Arapiraca

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Lixão de Arapiraca é considerado irregular Fotos: Eduardo Almeida

Conforme o diretor técnico do Instituto do Meio Ambiente (IMA) em Alagoas, Gustavo Carvalho, o lixão de Arapiraca é irregular, assim como os demais do Estado. Ele explica que essa forma de despejo de resíduos sólidos é agressiva à natureza por contaminar o lençol freático e favorecer a proliferação de doenças infecto-contagiosas. A forma adequada de manejo de resíduos sólidos é por meio de aterros sanitários. “Os lixões são considerados inadequados, pois, além de contaminar o lençol freático com o chorume, favorece a proliferação de insetos e de doenças infectocontagiosas. Neles, não há o menor controle dos resíduos e o lixo doméstico é misturado com o lixo hospitalar e com o lixo industrial. Nos aterros sanitários, tudo é separado de acordo com o tipo de material e recebe o tratamento adequado”, informou o diretor técnico. Carvalho afirmou que, nos aterros sanitários, o solo é impermeabilizado para evitar que o chorume entre em contato com o lençol freático e que os resíduos não ficam expostos a céu aberto, como acontece nos lixões. “Os aterros favorecem a coleta seletiva, que é apontada como modelo no País. É importante

Catadores se encarregam de retirar as sacolas dos caminhões que chegam ao lixão de Arapiraca

que o poder público se conscientize e desenvolva projetos para a construção de um aterro sanitário”, acrescentou. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade das cidades brasileiras ainda destinam o lixo para lixões. Em Alagoas, cerca de 95% dos municípios despejam resíduos em lixões, segundo o mesmo levantamento. O Estado é seguido pelo Piauí e Maranhão. Os dados mostram

que o Brasil evoluiu nos últimos 20 anos. Em 1989, 88% dos locais armazenavam resíduos sólidos a céu aberto; em 2000, ano em que o IBGE realizou a pesquisa anterior, eram 72,3%. O diretor técnico do IMAafirma que a legislação ambiental prevê a punição de quem deposita resíduos em lixões e diz que a prefeitura de Arapiraca já foi punida pelo instituto. “O órgão faz fiscalizações, mas é impossível evitar que os dejetos continuem sendo despejados. É

uma prática comum em Alagoas e no Brasil. A solução para o problema é simples: a construção de aterros, que poderiam ser barateados com consórcios de municípios”, expôs Carvalho. Dados do site www.lixo. com.br, que se propõe a discutir o manejo de resíduos sólidos no País, revelam que no Brasil são produzidos, em média, mais de 125 mil toneladas de lixo por dia. Segundo o site, no País existem apenas 135 cidades que realizam coleta seletiva. (E.A.)

Prefeitura nega descaso com catadores A assessoria de comunicação da prefeitura de Arapiraca negou que o município trate com descaso o lixão da cidade e apresentou projetos que serão implantados na comunidade nos próximos anos. Conforme a assessoria, o prefeito Luciano Barbosa (PMDB) conseguiu recursos na ordem de R$ 85 milhões, que vão garantir o esgotamento sanitário da cidade e a revitalização da comunidade Mangabeiras, onde fica o lixão. “O prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa (PMDB), participou de debates em Brasília, a respeito do andamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2. No encontro promovido pelo governo federal e que também contou com a presença da secretária municipal de Planejamento, Helena Virgínia Moreira, e do gerente de Convênios, Paulo Sérgio Barbosa, foram esclarecidos os critérios de seleção da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento e as formas de acesso aos recursos”, afirmava nota divulgada no

site oficial. “Na ocasião, o prefeito Luciano Barbosa garantiu a liberação de R$ 85 milhões dos R$ 88 milhões assegurados por meio de emendas para a segunda etapa das obras do esgotamento sanitário de Arapiraca. O projeto de urbanização da comunidade de Mangabeiras, entre outras solicitações em obras de infraestrutura urbana para o município, também será iniciado. Os investimentos do PAC 2 poderão ser executados já a partir de janeiro de 2011”, informou. A prefeitura de Arapiraca também informou que a comunidade conta com uma creche desde o ano de 2008. “Por intermédio da Secretaria de Educação, foi entregue em 2008 aos moradores da comunidade de Mangabeiras, a Creche Dona Sebastiana Guimarães Bezerra”.A creche foi construída e doada pelo Rotary Club de Arapiraca e atendenrá à comunidade, numa parceria com as secretarias de Educação e Assistência Social. São atendidas cerca de 80 crianças com idade entre seis meses a cinco anos e 11 meses de idade.(E.A.)

Animais abandonados circulam livremente pelo espaço Catadores se amontoam em busca de materiais recicláveis

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Arapiraca

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Grand

Monde Por Aroldo Marques

E-mail: harold_marques@hotmail.com

Aplausos à família Pessoa: Claudvan e Jarbiana, Erika e Jadielson, Jarbas, Sr. José Martins e D. Eva, Valdeli e Genildo, Fátima e Benedito, em confraternização natalina

NATAL IN FAMILY! Entre milhares de famílias que se reuniram para a ceia de Natal e confraternização com seus entes queridos, uma forte e bonita tradição cá entre nós brasileiros, ocidentais e arapiraquenses; aqui não se fez diferente. Com uma belíssima decoração, uma mesa farta, musica de qualidade e amigos secretos em trocas de presentes, os aplausos são à família Pessoa ( leia-se Organizações Ouro Verde / Unicompra) viveu momento de felicidades e muita alegria nesse Natal de 2010 , quando se reuniram em harmonia, paz e muito amor... Assim se registra a boa sociedade que ressalta o valor Cristão em família. Parabéns!

Jadielson e Erika Pessoa, aniversariantes e namorados dos mês de dezembro. Parabéns!

a cidade viveu um natal e réveillon simples. Apesar da grande movimentação econômica, por aqui tivemos duas arvores de natal (Largo Dom Fernando Gomes e Ceci Cunha) que se repetem há mais de uma década, o Lago da Perucaba sem nenhuma novidade nem sofisticação. Muitas residências e lojas colocaram luzes de natal e ajudou a dar o volume na iluminação natalina, o que deixou a cidade um pouco mais alegre. Houve uma programação natalina com várias atividades culturais com destaque para o coral Sons & Dons, que encantou o advento Cristão!

através do telefone 82 9102 7202.

2011 AVANÇA!

PÃO DE AÇÚCAR 2 A empresária Cinthia França, proprietária da Academia Aquarius ( e mezzo-soprano do Coral Sons & Dons) firma parcerias com empresas afins para comemorar este ano de 2011, os quinze anos de Academia Aquarius e trazer bastantes novidades à nossa sociedade, a exemplo do Ballet Joyce Vidal para adultos e crianças a partir de quatro anos de idade, já anuncia matriculas abertas a partir de 1º de Fevereiro. É tempo de boa forma!

NATAL NA ILHA DO CRISTO DO GOITI

PÃO DE AÇÚCAR 1

O tradicional Concerto de Natal deste ano em Palmeira dos Índios, realizado pela Secretaria de Educação do município, neste natal, trouxe a temática "Natal na Ilha". Durante três dias passou pelo local mais de 30 mil pessoas. As festividades natalinas aconteceram nos dias 23, 24 e 25, a partir das 19hs, com participações de bailarinos, orquestras, corais, Desfile Jovem e Arrastão de Bloco Carnavalesco. A Secretária Municipal de Educação Márcia Bezerra, falou ao público antes do inicio do concerto, explicando o sentido do Natal e elogiou a festa e, ao final do discurso pediu as bênçãos de Deus para o povo de

O público infantil lotou a Praça da Matriz e um longo trecho da Avenida Bráulio Cavalcante para participar de mais uma edição do Natal dos Sonhos, evento realizado pelo Governo Pão de Açucar - Reconstruindo Nossa Terra. Mais de 1.600 presentes foram distribuídos pelo prefeito Jasson Silva Gonçalves. Além da entrega de presentes para as crianças carentes do município foram sorteados um fogão e um aparelho de TV entre as mães que participaram da festa. As crianças ainda tiveram acesso gratuito a um parque de diversão armado na principal artéria da cidade e a pas-

PARABÉNS! Dentro das comemorações natalinas, privilegiada pelo grande advento de Natal e por seu nascimento no mesmo dia, 24 de dezembro. A empresária Erika Pessoa comemorou com seu esposo, o empresário Jadielson Pessoa, seus filhos Feliph, Matheus, Gilda e Giulia Pessoa e especialmente com a grande família, onde esteve muito feliz. Daqui votos de sucesso, saúde, prosperidade e muita paz!

NATAL E RÉVEILLON NA CIDADE Com pouco investimento,

Rose Carrel de bem com a vida começa o Ano de 2011 destacando suas semi joias em foto de André Fon

Palmeira dos Índios.

ANOS 80, A FESTA! É Ano Novo, e com ele o administrador de empresas e marqueteiro Sérgio Lúcio traz a festa retro Anos 80, que vai reunir cerca de mais de mil amigos em plena recordação dos velhos e bons tempos do Clube dos Fumicultores, as boites domingueiras com clima de ponto de encontro da geração dourada... Dourada pelo Sol das Praias do litoral Sul, tipo Coruripe, Miaí, Peba, Lagoa do Pau, Barra, Francês... E pelo Sol das diversas piscinas do agreste alagoano. Desta forma essa geração se produzia para curtir a noite dos domingos no Fumicultores. Eram bárbaras!!!

NOVIDADES ANOS 80 Renata, Gabriela, e Olivia Mariana Marques anuncia a 13ª Feijoada By Harold para Fevereiro

sear no Trenzinho da Alegria que percorreu as principais ruas da cidade.

Está tudo pronto para a

Festa dos Anos 80, que será realizada no próximo dia 15 de janeiro no Clube dos Fumicultores de Arapiraca. O evento, que é um dos mais concorridos do interior alagoano, terá nesta edição a participação do cantor arapiraquense João Felipe, que trás em seu repertório o melhor do Pop Rock e músicas inéditas de sua autoria.

Também participaram da organização da festa e distribuição dos presentes as senhoras Zélia Silva Gonçalves, Hebe Rossana Pascoal Gonçalves, Cira Dantas e Maria da Conceição Lisboa. A locução do evento ficou a cargo da radialista Rose Marx. "Sinto-me feliz em poder realizar o sonho da criançada. Esta festa é uma terapia para a nossa alma", declarou o prefeito Jasson.

ECOS DA NOVA CIDADE A cidade está com boa parte de suas ruas centrais em processo de mudança de orientação. O tráfego vai mudar. A intenção é melhorar a circulação de carros e motos, mas também ordenar horários e vias para caminhões no centro. Há um comentário na cidade sobre a reforma da Praça Marques. O prefeito disse que não existe ainda nenhum projeto fechado, e que sua equipe de urbanismo está estudando o caso. Especula-se que a região da Matriz (no Largo Don Fernando Gomes) até o início da Anibal Lima, passando por toda Praça Marques, se torne um imenso calçadão.

ATRAÇÕES Organizada pelo empresário Sérgio Lúcio, a Festa dos anos 80 também será animada com a participação especial da renomada banda sergipana Anonimato. A excelente banda alagoana Metamorfose e o DJ Zarão estarão presentes na festa. As mesas e individuais poderão ser reservadas na portaria do Clube dos Fumicultores ou

A família Barbosa Fernandes; Paulo Arthur, Paulo e Ana Paula Fernandes Barbosa, Paulyne e Paulyana felizes nesta vrada de 2010/2011

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O JORNAL

Economia

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ENTREVISTA/CÍCERO PÉRICLES

Governo Dilma pode ser decisivo para AL Elisana Tenório Repórter

e depender das projeções do economista alagoano Cícero Péricles de Oliveira Carvalho, 56 anos, Alagoas entrará em uma rota de crescimento nos próximos 4 anos, quando o Brasil será administrado pela primeira mulher eleita presidente da República, a mineira Dilma Rousseff. A confiança vem do fato dela ter anunciado que um dos pilares de sua administração será o combate à pobreza extrema. “Nada mais importante para Alagoas que essa informação”, enfatiza o economista, que é graduado pela Ufal; mestre em Sociologia Política pela Universidade de Santa Catarina e doutor em Economia e Sociologia Agrária pela Universidade de Córdobas, na Espanha. E ele tem razão. Afinal, só nos resta assumir que, de fato, somos muito pobres. Nossa

S

renda é menor 20% que a média nordestina e representa apenas 40% da renda nacional. No entanto, além da ampliação da rede social, o professor Cícero Péricles também ressalta a importância do governo federal combater problemas seculares, que, infelizmente, ainda estão tão presentes em nosso Estado, como é o caso, por exemplo, do alto índice de analfabetismo e das baixas coberturas em setores essenciais: saúde e educação. Semana passada o também escritor Cícero Péricles - que recentemente teve a 4ª edição de seu livro “Economia popular – uma via de modernização para Alagoas” lançado pela Edufal – falou ao O JORNAL sobre os 8 anos de Luiz Inácio Lula da Silva à frente do Executivo nacional. Fã do presidente Lula, ele cita como principais méritos de sua gestão, o Bolsa Família, que atende a 414 mil famílias alagoanas, e a recuperação do salário mínimo, que cresceu aproximadamente 65% em termos de poder real de compra. Fotos: Larissa Fontes/Estagiária

- Qual a perspectiva para o não deve ser visto como a “regoverno de Dilma Rousseff? denção” e não pode ser transforExistem segmentos específicos mado numa situação limite de que possam ser mais benefi- “salvação” de Alagoas. O caso ilustrativo é a própria Braskem, ciados? - A presidente eleita já anun- uma grande empresa que hoje ciou que o objetivo primeiro de representa um investimento de seu governo será o combate à mais de US$ 1,5 bilhão, bem pobreza extrema. Nada mais maior que o do estaleiro, e nem por isso “salvou” alimportante para Alaguma coisa no sengoas que essa infortido econômico. mação. Somos poNão era esse seu bres e nossa renda é papel nem seu objemenor 20% que a tivo. Somente três média nordestina e, décadas depois de ainda assim, mal sua implantação é distribuída e muito que estão se instaconcentrada; e todos lando novas fábrios indicadores socas que aproveitam ciais são negativos as matérias-primas em relação ao País. produzidas na Alagoas precisa Braskem. Essas romper com os íngrandes empresas, dices de subdesensozinhas, não volvimento social e Combate à podem responder econômico, colocan- pobreza por todas as defido mais da metade ciências que travam de sua população extrema a economia de num plano digno de beneficia Alagoas, como falta existência, ampliande infraestrutura, do a rede de prote- Alagoas de renda, mercado, ção social. Mas, temos dificuldades estruturais, limites financeiros do setor púcomo a situação financeira do blico e qualificação de mão-deEstado, que continua sem poder obra. bancar o processo de desenvol- O que fazer enquanto os vimento. Portanto, a perspectiva é de que, no governo Dilma, grandes investimentos não cheAlagoas possa ser beneficiada gam? - Enquanto isso não ocorre, pela execução desse objetivo federal, que é a superação da po- a economia de Alagoas pode breza, melhorando o desempe- apostar na sua base econômica nho, no Estado, de seus proje- real. São 67 mil empresas industriais, comerciais e de serviços, tos e programas sociais. regularizadas na Junta Comer- De que forma ela pode cial, das quais 30 mil foram legalizadas nos últimos cinco ajudar nosso Estado? - O governo federal pode anos. A economia pode se deajudar, e muito, no enfrenta- senvolver mais rapidamente mento dos nossos problemas apoiando, com crédito, assistênseculares. Por exemplo: erradi- cia técnica e comercialização, a cando o analfabetismo, uma si- agricultura familiar, que forma tuação inexplicável no século um conjunto de 110 mil estabeXXI. E, junto com essa iniciati- lecimentos agrícolas. Pode trava, colocar todas as crianças em balhar a incorporação ao mercado formal de uma idade escolar na rede parte maior dos 260 de ensino básico. mil trabalhadores Pode ajudar numa autônomos. Necesárea sensível, a sitamos da Agência saúde pública, na de Fomento e do qual os números Banco Cidadão alagoanos estão atuando em cada sempre abaixo da município. Investir média nacional, unina economia real é versalizando o um dos caminhos Programa de Saúde para o desenvolvida Família. Maceió mento regional. tem apenas 27% de Veja o exemplo de cobertura de um Arapiraca, um dos programa vital para modelos de crescia melhoria da quali- Na Saúde, há mento rápido em dade de vida, que é a necessidade todo o Nordeste, o PSF. Universalizar explicado pela come, ao mesmo tempo, urgente de binação da pequemelhorar a qualidaampliação na propriedade de da educação da agrícola com prosaúde pública em do PSF dução diversificaAlagoas seria uma grande ajuda ao nosso desen- da, mais a indústria de pequenas e médias empresas voltada volvimento. para bens populares e uma rede - E os grandes projetos, comercial especializada no atendimento do público C, D e E. O como ficam? - Os grandes empreendi- equívoco é imaginar que somenmentos serão sempre bem-vin- te depois da chegada de grandos. Projetos como a nova plan- des empresas Alagoas poderá ta da Braskem, em Marechal se desenvolver. Deodoro, a instalação da mine- Existem ações econômicas radora Vale Verde no Agreste e do estaleiro Eisa em Coruripe que, se realizadas, ajudariam irão, com certeza, contribuir consideravelmente Alagoas a para gerar mais riquezas e uma curto prazo? - Apesar dos indicadores soeconomia mais forte. Mas, não devemos exagerar nas expecta- ciais e da falta de investimentos tivas quanto ao impacto econô- produtivos, Alagoas vem obmico – emprego, renda, impos- tendo taxas positivas de crescitos – desta implantação. O de- mento nestes últimos anos. bate em torno de um único pro- Como explicar? Pelos recursos jeto, de um grande empreendi- federais. Em 2010, o volume de mento, no caso o estaleiro Eisa, transferências alcançou R$ 8 bi-

lhões. Os recursos do Bolsa Família, que chegam a 414 mil famílias, e do INSS, que atendem a outras 426 mil famílias, estimulam o comércio e a indústria produtora de bens populares, como alimentos, roupas, móveis, etc. Mas isso é pouco. É necessário mais produção de riquezas e, para isso, Alagoas precisa aumentar o acesso aos recursos do Agroamigo e do Pronaf, que são programas para a agricultura familiar; que o microcrédito produtivo para micro e pequenos empreendimentos urbanos seja massivo; que o programa “Luz para Todos”, “Minha Casa, Minha Vida” e “Territórios da Cidadania” tenham metas mais ambiciosas. Outra orientação interessante seria utilizar, com mais intensidade, o sistema financeiro federal – BNB, BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica – fortalecendo os polos produtivos e ampliando sua presença nos projetos de desenvolvimento. A atuação conjunta desses programas e dessas instituições tem forte impacto econômico, gerando emprego e renda, que são as grandes carências alagoanas. - Esses recursos aumentariam nossa dependência do governo federal? - Os recursos federais que chegam as mãos de quase todas as famílias alagoanas têm um impacto inicial, que é o consumo imediato. Afinal, são bilhões de reais nas mãos de muita gente pobre. Se, por um lado, cresce o consumo de celulares, motos e bicicletas, por outro aumenta o consumo de alimentos, produtos para o lar, remédios e roupas. Basta olhar as feiras do interior do Estado e o comércio de bairros para sentir a diferença; eles estão muito mais dinâmicos que há seis anos. É verdade que parte desse dinheiro volta para os centros industriais, mas também abre oportunidade para a indústria local, o que já sendo feito por alguns segmentos produtores de bens populares, que atendem o chamado público C, D e E. Outro aspecto não menos importante é a estabilização populacional,

que ficou claro no Censo do IBGE. A melhoria de vida no campo e nas pequenas localidades está, por um lado, diminuindo o tamanho das famílias, e, por outro, interrompendo o tradicional fluxo migratório do campo para as cidades e do interior para a capital.

aos demais estados nordestinos. Alagoas é o Estado com o menor número de unidades fabris e que, ao mesmo tempo, menos recebeu investimentos industriais. A dificuldade de atrair grandes empreendimentos, a “síndrome do picolé Caicó”, é tão real que virou assunto na campanha eleitoral para governador. Os dados do Programa de Desenvolvimento Integrado, o Prodesin, revelam que, entre 1995 e 2010, apenas 137 empresas obtiveram incentivos deste programa. Muitas delas já estavam instaladas em Alagoas e, mesmo juntas, não formam um distrito industrial de peso.

- Agora, mudando um pouco o foco de nossa conversa, daria para avaliar quais os setores alagoanos foram mais beneficiados no governo Lula? - Sem dúvida, os segmentos mais pobres da população alagoana foram os mais beneficiados. O símbolo deste período pode ser o Bolsa Família, que atende a 414 mil fa- Mas, se a ecomílias alagoanas. nomia alagoana Mas a recuperação vem crescendo, do salário mínimo, que setores estão se que cresceu em movimentando? torno de 65% em - O setor de termos de poder maior movimento é real de compra, teve o comércio. Há 80 mais impacto sobre meses, quase sete a sociedade. Os 900 anos, o varejo alamil trabalhadores goano bate recordes do setor privado de vendas; o setor formal ou informal, de serviços está no o funcionalismo púmesmo ritmo. É blico e os beneficiáisso que explica a rios da Previdência O símbolo de Social, têm no salá- Lula foi o Bolsa abertura de novos shoppings, a amrio mínimo sua repliação da rede fiferência de renda. Família, que a chegada Graças ao cresciatende 414 mil nanceira, das redes nacionais mento econômico, entre 2003 e 2009, famílias em AL de supermercados e das franquias de mais 120 mil alagoanos passaram a ter carteira as- grandes lojas nacionais. O tusinada. E, mais importante, nes- rismo está vivendo um bom tes cinco últimos anos, combi- momento graças à ampliação nando crescimento com os pro- dos públicos B e C do Sudeste gramas sociais, 300 mil alagoa- e do próprio Nordeste, que susnos saíram da miséria e 300 mil tenta o fluxo turístico de Alada pobreza. É pouco, levando goas. Depois de uma década em conta que 1,5 milhão ainda sem investimentos significatiestão inscritos no programa vos, alguns hotéis e pousadas Bolsa Família. Mas, pela primei- estão sendo construídos. Ainda ra vez, a população cresceu di- assim estamos distantes do minuindo o número de pobres nosso potencial. Basta ver o concorrente Rio Grande do Norte, e indigentes. que possui uma rede hoteleira - Quais os menos benefi- três vezes maior e o dobro do movimento de Alagoas. Já a ciados? - O grande negócio indus- construção civil está sabendo trial. Nestes últimos anos, foram aproveitar o “boom imobiliápoucas as empresas de médio e rio”, determinado, em parte, grande porte que se instalaram pelas construções financiadas em Alagoas. Vivemos uma si- pela Caixa. Um fenômeno tuação desvantajosa em relação pouco comentado, mas muito

presente em todos os bairros de Maceió e nos municípios do interior, é o da autoconstrução tocada pelas próprias famílias. - E as atividades no campo, na agricultura alagoana? - A agricultura produtora de alimentos e a pecuária de leite vivem uma situação de estabilidade com crescimento, decorrente do maior volume de crédito, demanda de mercado e pelo período favorável de 12 anos sem estiagem prolongada. É bom lembrar que, na parte agrícola, estão 450 mil trabalhadores alagoanos. O setor sucroalcooleiro, apesar de há muito não apresentar novos investimentos em Alagoas, está sendo beneficiado pelos preços internacionais do açúcar e pela demanda crescente de álcool no mercado interno. Continua sendo um setor competitivo e, este ano, deverá exportar o equivalente a R$ 1,5 bilhão, um valor 22% maior que no ano passado. - Que balanço pode ser feito sobre a administração Lula para nosso Estado? Ele ficou devendo algo? - No sentido econômico, em termos de investimentos para a criação de infraestrutura, temos muitas obras terminadas, como o Aeroporto, o Centro de Convenções e a adutora de Palmeira dos Índios; assistimos o início do primeiro trecho do Canal do Sertão e temos várias obras em andamento no PAC. Mas o balanço do governo Lula aponta para pontos negativos sim. Apesar dos aumentos nos recursos para educação, principalmente o Fundeb, e das verbas para a saúde, como os programas do SUS, a evolução nestas áreas, em oito anos, não representa um ponto positivo, pelo contrário, há estagnação. O balanço recente do INEP sobre as escolas alagoanas do ensino básico, assim como os atuais indicadores da saúde pública no Estado, refletem esse atraso secular, que somente poderá ser ultrapassado, colocando Alagoas na média nacional, com uma forte intervenção federal.

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Imobiliário

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REAJUSTE DE ALUGUEL A inflação medida pelo IGP-M, indicador muito usado para reajustar preços de aluguel, encerrou este ano com alta de 11,32%, a maior taxa anual desde 2004 (12,41%). O resultado de 2010, anunciado esta semana, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), é bem diferente do apurado no ano passado, quando o indicador mostrou deflação anual pela primeira vez em sua história, iniciada em 1989 - com queda de 1,72% em 2009. O desempenho anual ficou levemente abaixo das projeções dos analistas consultados pelo AE-Projeções (entre 11,33% e 11,49%) Na evolução mensal, o IGP-M perdeu força e saiu de uma elevação de 1,45% em novembro para uma alta de 0,69% em dezembro. A taxa mensal ficou abaixo das estimativas dos analistas, que aguardavam um aumento entre 0,70% e 0,85%, com mediana das projeções em 0,77%. A FGV anunciou ainda os resultados dos três indicadores que compõem o IGP-M de dezembro. O IPA-M subiu 0,63% este mês, ante elevação de 1,84% em novembro. Por sua vez, o IPC-M apresentou elevação de 0,92% em dezembro, ante aumento de 0,81% em novembro. Já o INCC-M registrou alta de 0,59% em dezembro, ante avanço de 0,36% em novembro. O período de coleta de preços para cálculo do IGP-M de dezembro foi do dia 21 de novembro a 20 de dezembro.

CUSTO SUBINDO Em 2010, o brasileiro gastou 7,58% a mais para construir, segundo informações do INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção) da Fundação Getulio Vargas.

MÃO-DE-OBRA PESA MAIS No ano, o custo do grupo Materiais, Equipamentos e Serviços acumulou alta de 5,45%, sendo que o subgrupo Materiais e Equipamentos registrou acréscimo de 5,11%, enquanto Serviços teve aumentos de 6,76%. Já o grupo Mão de Obra terminou o ano com acréscimo de 9,91%.

ATINGINDO A META O programa Minha Casa, Minha Vida atingiu, até o início de dezembro deste ano, 82% da meta prevista em março de 2009, quando ele foi lançado, de construção 1 milhão de unidades. No total, foram 816.268 imóveis.

ZERO A TRÊS SALÁRIOS Das unidades contratadas até 1º de dezembro programa Minha Casa, Minha Vida, 47% estavam na faixa de renda de zero a três salários mínimos. No total, foram 383.852 unidades, o que corresponde a 96% da meta.

TRÊS A SEIS SALÁRIOS No caso das famílias com renda entre três e seis mínimos, as unidades contratatadas dentro do programa Minha Casa, Minha Vida responderam por 40,3% do total. Foram 329.280 contrtos, 82% do que era a meta do governo.

NINGUÉM É DE FERRO As construtoras e imobiliárias deram um tempo na rotina diária. A maioria está funcionando em sistema de plantão ou entraram em franco recesso, para alegria de seus colaboradores.

2011 JÁ CHEGOU Boa parte dos construtores está fora da cidade, recuperando o fôlego para o ano de 2011, que promete muito. Afinal ninguém é de ferro. Este colunista sauda a todos os empresários e profissionais da cadeia da construção civil. Um 2011 repleto de realizações.

EM FOCO

O empresário José Nogueira assumirá agora em 2011 mais um mandato à frente do Sinduscon-AL. Ele receberá de Marcos Holanda uma entidade renovada, tanto fisicamente, graças à modernização de sua sede, no Farol, como gerencialmente, devido ao perfil empresarial conferido por Holanda à entidade. A realização de eventos como congresso da Cbic e o reforço na área de comunicação pôs a entidade em relêvo perante à mídia e à sociedade alagoana.

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Condomínio: o que fazer com quem infringe as regras Especialista explica como punir quem não paga a taxa condominial Marcelo Manhães de Almeida (*) Em um condomínio, cabe a cada um de seus condôminos a obrigação de arcar com a sua parte do rateio das despesas condominiais. Assim estabelecem os artigos 1334 e 1336 do Código Civil, a seguir parcialmente transcritos: "Art. 1334. Além das cláusulas referidas no art. 1332 e das que os interessados houverem por bem estipular, a convenção determinará: I - a quota proporcional e o modo de pagamento das contribuições dos condôminos para atender às despesas ordinárias e extraordinárias do condomínio;" "Art. 1336. São deveres do condômino: I - contribuir para as despesas do condomínio, na proporção de suas frações ideais, salvo disposição em contrário na convenção;" Usualmente, as convenções de condomínio adotam a fração ideal de terreno que cabe a cada uma das unidades autônomas (apartamentos, casas, conjuntos comerciais, etc) integrantes deste condomínio, como forma de definir o valor pago por cada condômino na divisão das despesas. Como o condomínio necessita de recursos para fazer frente às despesas com as quais se deparará no decorrer do mês, a cobrança do rateio é feita antecipadamente, ou seja, paga-se no início do mês, o valor que será gasto no decorrer desse mesmo período. Alguns condomínios adotam a divisão da cobrança desse rateio para que os valores não sejam tão elevados no início do mês, enviando assim, aos condôminos, dois boletos de cobrança, sendo um com vencimento no início do mês (entre os dias 1º e 5) e outro, no meio do mês (entre os dias 15 e 19). O condômino que não honra a sua contribuição arca com o pagamento da multa de 2% sobre o valor vencido e não pago, além dos juros previstos na convenção de condomínio, tudo, corrigido monetariamente conforme o índice ajustado em convenção de condomínio ou deliberado por assembleia

geral de condomínio (o índice geralmente usado é o IGPM/FGV). No caso da convenção de condomínio não estabelecer os juros de mora que serão cobrados do condômino, o parágrafo 1º do artigo 1336 do Código Civil estabelece que os juros moratórios serão de 1% ao mês. Vale lembrar que antes da vigência do atual Código Civil (lei 10.406/02), era a lei 4591/64 que tratava dos condomínios edilícios, e nela estava previsto que a multa moratória poderia ser de até 20% do valor da contribuição vencida e não paga. Com a vigência do Código Civil de 2002, essa multa não mais pode ser aplicada, sendo certo que a jurisprudência (ou seja, o entendimento predominante verificado nas decisões judiciais) que trata da aplicação da multa de 20% (vinte por cento) ou da multa de 2% (dois por cento), aponta para a seguinte orientação: com relação às despesas condominiais vencidas e não pagas até janeiro de 2003 (quando então, passou a vigorar o Código Civil de 2002), aplica-se a multa prevista na convenção de condomínio (na maioria das convenções, previa-se a aplicação da multa de 20%); com relação às despesas condominiais vencidas e não pagas após janeiro de 2003, aplica-se a multa prevista no parágrafo 1º do artigo 1336, qual seja, 2%. Se notificado a pagar o valor vencido, o condômino mantiver-se indiferente, o condomínio, por meio de seu síndico, tomará as devidas providências de cobrança que, poderão começar com o envio do boleto de cobrança para o cartório de protesto e, se ainda assim, não houver quitação da dívida, instaurar a devida ação judicial contra o devedor. Vale lembrar que é dever do síndico "cobrar dos condôminos as suas contribuições, bem como impor e cobrar as multas devidas" (artigo 1348, inciso VII). Portanto, a inércia do síndico quanto à cobrança desses valores poderá, inclusive, ser motivo de destituição do cargo, conforme autoriza o parágrafo 2º do artigo 1.349 do Código Civil.

Contratar um bom escritório de advocacia pode agilizar cobrança

Ainda não é possível expulsar vizinho chato Viver em condomínio edilício (de edifício) exige, primordialmente, respeito ao bem comum, bom senso, tolerância e estrita obediência às regras estabelecidas na convenção de condomínio e no regimento interno, além, obviamente, daquelas constantes nas legislações que regram o comportamento social. O Código Civil de 2002 (lei 10.406/02) introduziu três novos dispositivos no nosso ordenamento legal que devem ser analisados e bem avaliados para que os condomínios passem a adotá-los no sentido de tentar sobrepor o interesse comum ao interesse particular de determinado morador. Refiro-me ao parágrafo 2º do artigo 1.336, ao enunciado do artigo 1.337 e ao respectivo parágrafo único. Vejamos cada um deles. O artigo 1336 estabelece em seus incisos II, III e IV que são deveres do condômino: "II - não realizar obras que comprometam a segurança da

edificação; III - não alterar a forma e a cor da fachada das partes e esquadrias externas; IV - dar às suas partes a mesma destinação que tem a edificação, e não as utilizar de maneira prejudicial ao sossego, salubridade e segurança dos possuidores, ou aos bons costumes." O condômino que não cumprir com esses deveres estará sujeito ao pagamento da multa prevista na convenção de condomínio que, por sua vez, não poderá ser superior ao equivalente a cinco vezes o valor de suas contribuições mensais, independentemente das perdas e danos que se apurarem em decorrência do ato infrator. Não havendo dispositivo expresso na convenção do edifício, a assembleia geral, com o quorum de dois terços dos condôminos restantes, decidirá sobre o valor da multa. Já o enunciado do artigo 1337 autoriza, por deliberação de três quartos dos condôminos

restantes, a aplicação ao condômino que repetidamente não cumpre os seus deveres perante o condomínio, de multa de até cinco vezes o valor atribuído à contribuição para as despesas condominiais, conforme a gravidade das faltas e a sua reiteração, independentemente das perdas e danos que venham a ser apuradas. É o caso daqueles que provocam barulhos que ultrapassam o limite legal para o horário, ou ainda, que não respeitam regras de segurança, como obstruir com objetos, rotas de fuga para casos de incêndio. Por fim, o parágrafo único do mencionado artigo 1337 trouxe uma novidade interessante, a figura do "condômino antissocial".Diz o texto legal que, aquele que por repetido comportamento antissocial gerar incompatibilidade de convivência com os demais condôminos ou possuidores, poderá ser constrangido a pagar multa de até dez vezes o valor atribuído à contribuição

para despesas condominiais. Poderíamos vislumbrar essa hipótese quando um morador, ao frequentar a área comum em estado de embriaguez, acaba por insultar outras pessoas, ou provoca situações vexatórias que não combinam com o bom convívio em um condomínio. Tornando-se essa postura algo rotineira, o condomínio poderá aplicar a este condômino antissocial, a mencionada penalidade financeira. Considerando que no Brasil não há, ao menos por enquanto, a previsão legal para impedir que determinado morador mantenha-se no imóvel ainda que possa ser qualificado como um "condômino antissocial", resta ao condomínio utilizar-se dessas penalidades de caráter financeiro para tentar impedir, ou ao menos, desestimular, esse tipo de postura de alguns que efetivamente não possuem o perfil para viver em um edifício. (*) é advogado, presidente da Comissão de Direito Imobiliário e Urbanístico da OAB-SP

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A primeira missão do ano A partir de quarta-feira, Corinthians Alagoano vai defender o Estado na Copa São Paulo Sub-18 Victor Mélo Editor de Esportes

de fase. A Copinha termina no dia 25 de janeiro.

O Corinthians Alagoano conquistou no ano passado o título estadual sub-18 e garantiu vaga na concorrida Copa São Paulo. A principal competição das divisões de base do País começa na próxima terça-feira e tem neste ano 92 clubes inscritos. O Tricolor está no Grupo D, sediado na cidade de Porto Feliz, e estreia na próxima quarta-feira, às 13h (de Alagoas), contra o Desportivo Brasil. Ainda na primeira fase, o Timão joga contra Goiás, dia 9, às 15h, e Santo André, dia 12, às 13h. De acordo com o regulamento, os primeiros colocados de cada chave e os nove melhores segundos colocados passam

MUDOU - Os dirigentes do Corinthians decidiram, às vésperas do início da competição, trocar o técnico Jean Carlo por Coca, que se destacou no futebol alagoano comandando os profissionais do Murici. O objetivo do Timão na Copinha é fazer uma boa campanha para valorizar e negociar seus principais atletas. Coca está muito otimista e fala até em conquista. “O nosso time é muito bom. Temos nesse grupo jogadores que assimilam rapidamente o que a gente pede e, por isso, que eu falo da minha intenção de conquistar a competição, mesmo sabendo que iremos encontrar mui-

tas dificuldades. Estamos preparados para os desafios”, disse o técnico Coca. “Gostaria de dizer que sou amigo do professor Jean, aliás, ele foi meu jogador, mas no futebol tem dessas coisas: recebi uma ligação do Eduardo Neto e estou aqui. Juntos vamos tentar fazer um excelente trabalho nesta competição para representar bem o nosso futebol”, emendou o treinador. A delegação do Corinthians viajou para São Paulo na manhã de ontem. CAMPEÕES - O Corinthians/SP é o maior vencedor da história da Copinha, com sete títulos conquistados. No ano passado, o São Paulo ficou com a taça ao bater o Santos na grande decisão.

Delegação do Corinthians Alagoano viajou ontem

CSA

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CRB

Começa a contagem regressiva para o clássico Os técnicos de CRB e CSA correm contra o tempo para montar suas equipes antes do clássico do dia 16. O duelo marca a primeira rodada do Campeonato Alagoano e, nas próximas duas semanas, vai mexer com a velha rivalidade do Estado. O Azulão começou a prétemporada mais cedo que o adversário e vai fazer o ensaio geral para a partida no próximo domingo, contra o Santa Cruz, no Recife. Nos próximos dias, o técnico Lino vai definir os titulares e o esquema de jogo para o inicio do Estadual. Até agora, o Azulão contratou os zagueiros Fabrício Tocha e Fábio Lima, o lateral Rafael, os meias Anderson Silva e meia Edson Sá e o atacante Tico Mineiro. A base do Azulão deve ter Anderson Paraíba no gol, com a defesa sendo formada por Celso, Fabrício Tocha, Fábio Lima e Rafael. No meio-campo, pelo menos por enquanto, Anderson e Lau devem ser mantidos. Adriano Silva pode ser titular e Diego Torres tem boas chances de ser aproveitado. Contratado recentemente, Edson Sá também disputa a posição. Na frente, a dupla que tem mais chances de atuar é

CSA e CRB se reencontram no próximo dia 16, no Estádio Rei Pelé

Alisson e Tico Mineiro. GALO - Por causa de sua transição política, o CRB começou o trabalho de pré-temporada no dia 20 de dezembro, bem depois do rival, que iniciou o trabalho em novembro. O técnico Edson Ferreira, atual campeão estadual com o Murici, comandou o time regatiano na Série C e tem carta-branca da nova diretoria para montar a equipe. Diferentemente de Lino, Edson ainda não tem uma base, já que a falta de tempo fez o Galo queimar etapas e juntar exames médicos a testes físicos.

Os últimos dois jogadores apresentados no clube foram o meia Alan, ex-Fluminense, e o lateral-direito Fábio Pará, ex-Juventu-SC. Edson já espera contar com os novos reforços no primeiro amistoso do ano, que pode ser confirmado para o próximo sábado. O CRB já contratou onze atletas para o Estadual: o goleiro Adriano, o zagueiro Júnior, o lateral Fábio Pará, o volante Rodrigo Santos, os meias Edson, Daniel, Alan e Marquinhos Alagoano, além dos atacantes Luiz André, Serginho Baiano e Fernando Sá. (V.M.)

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BatePronto Victor Mélo - jornalistavictor@gmail.com

AS PERSPECTIVAS PARA 2011

Reformado, Rei Pelé um dos trunfos do Estado

O ano começa no futebol alagoano apresentando um cenário parecido com o da temporada passada. O ASA manteve a organização e tem boas perspectivas para 2011. O clube não se expõe no mercado e segue a cartilha de contratar atletas de acordo com o seu capital. Aos poucos, o Alvinegro se reforça para o Estadual e tem como único objetivo ficar com a taça. Sem sobressaltos, a diretoria e o técnico Vica pretendem impor a força do time sem fazer força ou alarde. Obviamente, a vitrine do clube é mais valorizada que as dos primos mais pobres. Com um orçamento recheado pelas excelentes cotas da Série B, o ASA pode planejar a temporada com cuidado e autonomia. O CSA é, sem dúvida, a boa nova do Estadual. Maior detentor de títulos em Alagoas, o Azulão retorna à elite projetando a disputa pela taça. A força de sua nova equipe ainda não pode ser mensurada, mas, pelos nomes apresentados, existe a expectativa de que o caminho não seja tortuoso. A menos que graves problemas internos apareçam durante o campeonato, o time não deve repetir o vexame de 2009, quando foi rebaixado pela segunda vez na década. Aquela equipe não era ruim, até porque eliminou o poderoso Santos, em plena Vila Belmiro, na Copa do Brasil. Quem derrubou o Azulão foi o caos administrativo. Dos grandes clubes do Estado, a situação mais preocupante é a do CRB. A eleição de Marcos Barbosa abriu feridas na Pajuçara. O grupo que queria Cícero Santana na presidência se movimenta nos bastidores e promete empreender ações conjuntas para combater a atual administração. Há ainda um grande embate interno no clube e, nesse momento, ele agrava a crise regatiana. Para montar um time competitivo para o Estadual, a nova direção recorreu ao empresário Alex Fabiano, que já trabalha há alguns anos na Pajuçara. Até hoje, sua participação não foi muito proveitosa para o Galo, que entrou em decadência desde a queda para a Série C. Os novos administradores do CRB precisam, primeiro, obter recursos para bancar sua folha, principalmente do futebol. O planejamento precisa ser seguido com disciplina chinesa. Um dos graves erros da gestão Serafim foi a falta de organização em relação à formação das equipes. Gastava-se mais do que se arrecadava, e, no fim das temporadas, a cor do caixa fazia jus à camisa do clube. A Série C deve apresentar nova fórmula neste ano, mas as quatro vagas na Segundona ainda mantêm as esperanças do otimista torcedor regatiano. Mas, para atingir seus objetivos ousados, o CRB tem a obrigação de mudar seus rumos.

MAIS DO MESMO Se a vida dos clubes que se orgulham de contar com as maiores torcidas do Estado está complicada, imagine a dos outros times que compõem a elite do futebol alagoano. Para sobreviver, o Corinthians-AL precisa fazer boas negociações, e isso tem atrapalhado o clube no Estadual. O Tricolor traz, sem dúvida, novidades ao conservador mercado alagoano, mas, para se destacar entre os profissionais, precisa dosar a promoção de atletas da base. Sem jogadores diferenciados na equipe, dificilmente os meninos vão amadurecer durante o campeonato.

MURICI O Murici poderia ter avançado no cenário nordestino após o título estadual, mas as ambições do atual campeão alagoano ainda são modestas. O Alviverde desfez a equipe após o Alagoano de 2010, não quis participar da Série D e, agora, sob o comando do técnico Gilmar Batista, tenta se reorganizar. Pelos nomes apresentados, deve também brigar na parte de cima da tabela.

CORURIPE O Coruripe cresceu rápido demais em Alagoas. Conquistou dois títulos, se arriscou nas disputas nacionais, mas estagnou nas últimas temporadas. O clube tem uma boa estrutura e confia no trabalho do técnico Celso Teixeira para atrapalhar a vida dos favoritos. O longo período de inatividade no ano passado tirou o foco do clube e o interesse de sua torcida. Em 2011, o Hulk vai precisar recuperar seu espaço.

COADJUVANTES Os outros quatro clubes que vão participar do Estadual 2011 são coadjuvantes. CSE, Sport Santo Antônio, Ipanema e Santa Rita montam elencos de acordo com a limitação de seus caixas e dependem muito do trabalho dos treinadores para surpreenderem. A princípio, a meta de todos eles é escapar da queda e depois voltar a hibernar durante o restante da temporada.

BOA NOVA A liberação das principais praças esportivas deve ser comemorada pelos clubes. Dessa forma, os prejuízos causados pelo Estadual nos últimos anos devem ser bem menores. Os mais otimistas falam em equilíbrio entre os gastos e a entrada de recursos, mas isso vai depender muito da qualidade, principalmente dos times formados por CSA, CRB e ASA.

CURTO-CIRCUITO Por enquanto, apenas ASA e CRB podem fazer um planejamento para os dois semestres. O Alvinegro tem pela frente a rentável Série B, e o Galo continua sendo o representante do Estado na Terceirona. O Campeonato Alagoano começa no dia 15 de janeiro, com a partida entre ASA e Murici. No dia seguinte, a atração vai ser o clássico entre CSA e CRB. Completam a rodada, no dia 16, os jogos Corinthians-AL x Sport, Santa Rita x CSE e Ipanema x Coruripe. A novidade do Estadual vai ser a disputa das partidas do campeonato sub-20 antes dos jogos entre os profissionais. O torcedor vai ter a oportunidade de conferir como está sendo feito o trabalho de base de seu clube.

Por um pedaço da Copa Alagoas vai pleitear junto ao Governo Dilma participação no Mundial de 2014 Luciano Milano Repórter

Ano Novo, vida nova. No âmbito da política, 2011 se inicia e já entra para a história como o ano da posse da primeira mulher a governar o Brasil, a presidente eleita em 2010 Dilma Rousseff (PT). Entre os inúmeros desafios que ela terá pela frente, está o esporte. Isso porque, daqui a três anos, o Brasil sediará a Copa do Mundo de 2014. Já em 2016, será a vez dos Jogos Olímpicos disputados em Terras Tupiniquins. Estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Recife e Natal, já trabalham em reformas de estádios, construção de novas praças esporti-

vas e melhoria em toda es- la o cargo de presidente-exectrutura na parte hoteleira, utivo do CSA. aeroviária entre outras. Na conversa, O Todos os entes fedeJORNAL procurou rativos citados saber quais são as devem servir como expectativas dele e sede para as partidas do Governo Estado Mundial. Com didual, que inicia seu Alagoas ficuldades e sem essegundo mandato aposta nas tádios em condição agora em 2011, o ideal para receber que esperam do gonovas partidas em 2014, verno de Dilma instalações Alagoas sequer se Rousseff (PT). do candidatou para tenDe acordo com tar sediar os jogos. A Jorge, o Estado não Rei Pelé falta de estrutura da tem outra opção a capital Maceió com não ser ter espehotéis, por exemplo, rança no governo também pesam nede Dilma, mas afirma gativamente contra que, em geral, o discurso é o Estado. Nesse cesempre o mesmo. “Temos nário, O JORNAL ouviu o se- que esperar o melhor, não é cretário adjunto de Educação e verdade? Principalmente Esportes, Jorge VI, que acumu- Alagoas, que tem muitas di-

ficuldades nessa área, mas que tem procurado superálas da melhor maneira possível. O problema é que se diz sempre que o esporte é prioridade, que é uma via de inserção social e outras coisas. Mas na hora de se formatar o orçamento, é uma área que é relegada a segundo plano. “Para se ter ideia, nos Estados Unidos da América, o Ministério do Esporte é cobiçado por políticos e técnicos. Aqui é um pouco diferente”, disse VI. Em Alagoas, por exemplo, com a extinção da pasta pelo governador Teotônio Vilela, o esporte ficou sem orçamento próprio, o que dificultou ainda mais a vida, por exemplo, dos que fazem esporte amador.

Estado pretende se candidatar a subsede Hoje, o único estádio apontado como teoricamente apto para receber treinos de uma das seleções que vão disputar a Copa do Mundo em 2014 é o Rei Pelé – o Trapichão. Liberado este ano após quase dois de reforma, a praça esportiva ganhou melhoria na estrutura física (instalações hidráulicas foram trocadas, cadeiras distribuídas ao longo das arquibancadas e um telão digital de 15 polegadas foi colocado). As mudanças no Trapichão e a construção de novos hotéis prometidos para

exploração turística do Estado são as principais apostas do governo para tentar concorrer a ser Centro de Treinamento para 2014. “Há poucos dias, recebemos um comunicado do Ministério do Esporte informando que não mais existem as sub-sedes, que agora são denominadas Centros de Treinamento. Os centros são compostos por um estádio apto para treinos e, quem sabe, algum jogo, e um local também com campos de grama sintética, academia e tudo mais que é exigido pela

Fifa”, destacou o secretário adjunto de educação e esportes. Jorge VI disse que um projeto para um Centro de Treinamento já está em andamento em Alagoas, que tem prazo até 2013 para inscrever o projeto. “Maceió e Alagoas devem receber novos hotéis para a exploração turística de nossas belezas naturais. Aproveitando o canteiro de obras nessa área, vou propor ao governador que interceda no sentido de tentar aproveitar a construção desses hotéis para que possamos transformá-los também em Centro de

Treinamentos”, explicou VI, que, mesmo com todas as dificuldades de se sair do papel tudo que ele projeta para o futuro, mantém o otimismo quanto à execução de tudo que será preciso para a inscrição de Maceió para Centro de Treinamento na Copa de 2014. “Desafios fazem parte da vida. O que não podemos é deixar de lutar para que Maceió e Alagoas participem ativamente do Mundial ido Brasil. Vamos batalhar ”, garantiu o secretário adjunto. (L.M.)

A ordem é buscar recursos federais e PPPs Sem dinheiro para colocar em prática o projeto de ser Centro de Treinamentos, Alagoas vai depender da boa vontade do Ministério do Esporte, e quem sem sabe da Confederação Brasileira de Futebol para tentar se adequar às exigências da própria CBF e Fifa, quanto à realização da Copa. Uma saída para viabilizar os re-

cursos, segundo Jorge VI, são as Parcerias Público Privadas (PPP). “Em Estados como Minas Gerais, onde estive há duas semanas, por exemplo, não há Centros de Treinamentos que não estejam ligados aos clubes, como o Cruzeiro. Por isso, acredito que as dificuldades vão ser as mesmas para

todos. Claro que Alagoas é pequena e sem recursos disponíveis, mas com o Rei Pelé reformado e novo, tudo com recurso próprio, há menos coisas para fazermos. Se nós vamos ter que correr atrás, os outros também irão. Iremos bater à porta do Ministério do Esporte e tentarmos, também, parcerias com empresas privadas,

que é uma saída interessante”, disse Jorge VI, que afirma ainda não ter ideia de quanto seria preciso para investir nas obras de infraestrutura. “Não dá para saber ainda porque estamos em fase embrionária. Estamos começando a colocar tudo no papel, é um processo que requer muito cuidado”. (L.M.)

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Detalhe do arco do cruzeiro (já restaurado pelo Iphan) do Convento Franciscano e Igreja Conventual Nossa Senhora dos Anjos, na cidade de Penedo

A nova era do patrimônio Nide Lins

Para este ano novo, o orçamento do Iphan cresceu em 328% e passará a ser de R$ 23 milhões para execução de projetos nas cidades de Marechal Deodoro, Penedo, Piranhas e Maceió

Repórter

N

o Convento Franciscano e Igreja Conventual Nossa Senhora dos Anjos, as imagens de anjos barrocos esculpidas em arenito retirado do rio São Francisco, com mais de 300 anos, estavam sendo cobertas pelo lodo do tempo, do abandono, do descaso... Mas o convento - um belo exemplar da arquitetura barroca que teve sua primeira pedra lançada em 1682, uma obra erguida durante vários anos - não será refém do tempo. Tudo por causa de gente como o alagoano Cristiano Gregório, que dedica horas ao trabalho de lapidar as pedras de arenito. “Veja estas fotos, os anjos estão cobertos por camada de lodo. E agora olhe a fachada do convento, os anjos limpos”, diz ele orgulhoso de preservar a história de sua cidade, Penedo. O trabalho de Cristiano Gregório não é em vão, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está fomentando um novo conceito de preservação, ou seja, não basta restaurar e deixar pra lá, mas dar uso correto aos bens restaurados do patrimônio histórico, garantindo a conservação do bem. Quando o Convento e a Igreja Nossa Senhora dos Anjos abrirem suas portas para missas, casamentos e batizados também serão mais um atrativo turístico da cidade. E muito mais, o Iphan, responsável pelo projeto de restauração

do convento, estuda, juntamente com os religiosos da Ordem Franciscana, a possibilidade de alguns aposentos serem transformados em meio de hospedagem econômica. Criar alternativa de sustentabilidade aos bens históricos restaurados é uma das ações do Iphan no Estado, órgão que encerrou o ano de 2010 com saldo positivo para a memória alagoana. Dos cinco Estados (Pará, Ceará, Pernambuco, Alagoas e Bahia) que receberam recursos orçamentários acima de R$ 7 milhões para a preservação do Patrimônio Cultural, Alagoas foi quem mais executou os projetos, alcançando índice de 99%. Para este ano novo, o orçamento cresceu em 328% e passará a ser de R$ 23 milhões para execução de projetos nas cidades de Marechal Deodoro, Penedo, Piranhas e Maceió. A previsão é de tempo bom para a memória alagoana, com o Plano de Ação das Cidades Históricas (o PAC das Cidades Históricas), que prevê recursos de R$ 180 milhões a serem aplicados até 2014 em três cidades alagoanas que firmaram, em conjunto com o governo do Estado, o Acordo de Proteção do Patrimônio Cultural com o Iphan. Agora, o passado renasce pelas mãos de profissionais que lapidam um novo capítulo da memória cultural de Alagoas. Leia mais nas páginas B2, B3, B7 e B8

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Fotos: Nide Lins

Albergue do Patrimônio, uma nova escola Os recursos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) destinados para Alagoas no ano passado prometem render frutos por muitos anos, como é o caso do “Albergue do Patrimônio”, na cidade de Penedo. O antigo sobrado de três pavimentos de 1884, que já foi sede da Maçonaria e berço de famílias penedenses, foi restaurado, e a partir deste ano vai abrigar estudantes de escolas públicas, para desde cedo conhecerem e aprenderem e preservar o patrimônio histó-

rico de Penedo. O novo meio de hospedagem conta com 40 leitos distribuídos em 20 beliches instalados no primeiro andar do sobrado. Além das camas, o albergue está equipado com copa/cozinha, elevador para portadores de necessidades especiais e um terraço nos fundos com vista para o Rio São Francisco e o bairro Santo Antônio (Barro Vermelho). No quintal, um anfiteatro foi construído para apresentações culturais. Segundo o Superinten-

dente do Iphan em Alagoas, o arquiteto Mário Aloísio, a proposta do “Albergue do Patrimônio” é proporcionar aos estudantes de escolas públicas do Estado o acesso à cultura e aos bens culturais. “Queremos promover uma parceria entre as prefeituras e a Secretaria de Educação do Estado para trazer os estudantes para conhecerem o centro histórico de Penedo e a importância da restauração e preservação dos bens históricos”, disse Mário Aloísio. A administração do al-

bergue está sob a responsabilidade da Casa da Amizade, que está articulando parcerias também com a unidade Ufal Penedo – que oferta os cursos de Turismo e de Engenharia de Pesca na cidade – para ações direcionadas ao setor de hotelaria, por exemplo. No andar térreo do sobrado há duas salas para a realização dos trabalhos da Associação de Inclusão Social Bordadeiras de Penedo e uma loja com réplicas, em gesso, de fachadas de prédios históricos da cidade. (N.L.)

Arquivo Iphan

Antigo sobrado de três pavimentos de 1884, que foi sede da Maçonaria e berço de famílias penedenses, agora é Albergue do Patrimônio

A histórica cidade de Penedo começará a receber jovens estudantes que vão aprender na prática a importância da preservação

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Fotos: Nide Lins

Novas sedes, um centro de referência Quando Alagoas era agregado da Superintendência Regional de Sergipe, as verbas pingavam. Em 2004, a criação da Superintendência do Iphan em Alagoas, sediada em Maceió, representou uma nova era para a memória cultural do Estado. O superintendente do Iphan-AL, Mário Aloísio, reconhece que a gestão do presidente Luiz Fernando de Almeida deu nova cara ao Instituto, além, claro, do aumento da receita para projetos de restauração e preservação do patrimônio. “Acreditamos que a política de restauração, preservação e sustentabilidade vai continuar no governo Dilma Rousseff. Antes, o órgão era conhecido como repressor, que fiscalizava e punia. Hoje, existe um novo conceito do Iphan em promover a educação patrimonial, de mostrar que o prédio restaurado traz benefícios não apenas para o proprietário, mas para a cidade. A história preservada é um roteiro do turismo cultural e assim movimenta a economia local”, disse Mário. Para fortalecer as políticas de preservação, o Iphan em Alagoas conta com três sedes de apoio nas cidades de Maceió,

Marechal Deodoro e Piranhas. Na capital alagoana, um antigo armazém de açúcar abriga, desde o ano passado, a Casa do Patrimônio e a Sede do Iphan -AL. Antes, era um armazém sem vida nem movimento, agora, o público pode interagir com a exposição “A Invenção da Terra”. A montagem abrange 800 peças do vasto acervo particular de arte popular da colecionadora e artista Tânia de Maya Pedrosa, reconhecido como uma das mais importantes coleções do Brasil. Com os recursos de R$ 7,5 milhões descentralizados foram inaugurados, ainda, o Arquivo Público de Alagoas, também em um armazém da extinta RFFSA do complexo ferroviário no Jaraguá, a Casa do Patrimônio de Piranhas (que abriga exposição de miniaturas de embarcações e onde vai funcionar uma escola de miniaturas), o Núcleo de Pesquisas da Ufal e um Ponto de Cultura em Marechal Deodoro. “A Casa do Patrimônio não é apenas um escritório do Iphan, mas atende ao novo conceito de criar espaços vivos com palestras, exposições, filmes...”, diz Mário Aloísio. (N.L.)

Mário Aloíso: “A Casa do Patrimônio não é apenas um escritório, mas um espaço vivo”

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Aventura Selvagem (Reprise) Pesca Alternativa Vrum Ganhe Mais Dinheiro Com Jequiti Igreja Mundial Domingo Legal Eliana

Canal 3 13h30 14h00 15h00 16h00 17h00 17h30 18h00 19h00 20h00 21h30

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TV Piá Stadium A'Uwê Ver TV De Lá Pra Cá Cara e Coroa Papo de Mãe Conexão Roberto D'Ávila EsportVisão Copa Alagoana de Beach Soccer (Local) 23h45 - A Grande Música 00h50 - DOC TV IV 01h50 - Curta Brasil

Canal 5 18h00 - Roda a Roda Jequiti 18h45 - Programa Silvio Santos 23h00 - De Frente Com Gabi 00h00 - Série - Arquivo Morto // Cold Case 01h00 - Série - Desaparecidos // Without a Trace 02h00 - Série - Estética // Nip/Tuck 03h00 - Encerramento

Canal 7

TV GAZETA 04h50 05h50 06h00 06h30 07h05 08h00 08h30 11h45 11h20

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Santa Missa Sagrado Gazeta Rural Pequenas Empresas Globo Rural Auto Esporte Esporte Espetacular O Relógio da Aventura Esquenta!

13h35 - Temperatura Máxima - As Crônicas De Nárnia - O Leão, A Feiticeira E O Guarda-Roupa 15h35 - Domingão do Faustão 19h30 - Fantástico 21h50 – Chico e Amigos 22h30 - Domingo Maior - Golpe Baixo 00.25 - Sessão de Gala - Meu Melhor Amigo

Canal 11

TV PAJUÇARA 01h15 04h25 04h55 05h45 06h15 07h00 08h00 09h00

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IURD Bíblia eEm Foco Desenhos Bíblicos IURD - Nosso Tempo Desenhos Bíblicos Record Kids Ponto de Luz Informativo Cesmac

09h30 10h00 11h00 14h45 18h45 21h45

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Conexão Alagoas da Sorte Tudo é Possível Programa do Gugu Domingo Espetacular Tela Máxima Mergulho Radical IURD

TV BANDEIRANTES Canal 38 06h00 09h30 10h00 11h00 11h45 14h45 15h15 18h30 21h30 23h00 00h00 00h30 01h15 03h30

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Info Brasil Caminhoneiro Info Auto+ Band Kids Que Dureza Sessão Especial Sansão e Dalila Domingo no Cinema Moisés 8 Anos em 80 Minutos Canal Livre Mundo Fashion Show Business Cine Band Adorável Pecadora Vida Vitoriosa


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Roteiro

Domingo, 2 de janeiro de 2011 | www.ojornalweb.com | e-mail: cultura@ojornal-al.com.br

Artes plásticas Música Teatro Dança Cinema Literatura Artesanato

cultura@ojornal-al.com.br

Hoje  Música ao vivo com a banda Sambakana, às 13h, no Sesc Guaxuma (R. Cel Mário Saraiva, Manoel Cazuza, s/n, Guaxuma). Ingressos: R$ 6 a R$ 15 / gratuito para comerciários. Mais informações: 0800 284 2440.

Em Cartaz

Em Breve

 “Um Certo Olhar Cavalcante” continua exposta na Pinacoteca Universitária abriga até 21 de janeiro. A retrospectiva da artista Eva Cavalcante oferece ao público objetos, recortes, fotografias e desenhos. Visitação: de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 20h. Mais informações: (82) 3221-7230.  As inscrições para o Brincando no Sesc, a maior colônia de férias da cidade com jogos aquáticos, oficinas, brincadeiras e passeios temáticos. A brincadeira acontece de 17 a 21 de janeiro no Sesc Guaxuma. Inscrições: R$ 75 (dependente de comerciário); R$ 90 (dependente de conveniado); R$ 160 (dependente de usuário), até 14 de janeiro 2011 no Sesc Poço (Rua Pedro Paulino, 40, Poço) e Sesc Centro (Rua Barão de Alagoas, 229, Centro). Vagas limitadas. Mais informações: 0800 284 2440.  A exposição “De chapéus e coroas é o Guerreiro das Alagoas” fica exposta no Museu Théo Brandão-Ufal (Av. da Paz, 1490 - Centro de Maceió) até o dia 29 de janeiro de 2011, no horário de funcionamento do Museu (de terça a sexta, das 9h às 17h, e aos sábados, das 14h às 17h). Entrada franca.  A exposição Sobreluzes, da artista visual Myrna Maracajá, está acontecendo na Galeria Sesc Arapiraca (R. Manoel Cazuza, s/n, Santa Edwiges, Arapiraca, AL). A mostra com fotografias, desenhos e gravuras digitais permanece até 31 de janeiro 2011. Mais informações: 0800 284 2440 / (82)3326-3133.  A Pinacoteca Universitária abriu inscrições para os artistas interessados em expor suas obras no ano de 2011. O Edital de Exposições está disponível no site da Pinacoteca (www.ufal.br/pinacoteca) e os interessados podem se inscrever até o próximo dia 31 de janeiro. Mais informações: pinaufal@gmail.com / (82) 3221-7230.

 A tradicional Feira de Troca de Livros do Sesc (foto) chega a sua 21ª edição e afirma-se como a principal alternativa para famílias de baixa renda adquirirem livros didáticos para seus filhos. Por essa razão, a ação contribui para a democratização do acesso à cultura e à informação, dando a todos a possibilidade de adquirirem um material didático de qualidade. Em Maceió, a feira acontece de 10 a 15 de janeiro, das 9h às 17h, no Sesc Poço. Em Arapiraca, será realizada de 10 a 13 de janeiro, também das 09h às 17h, no Sesc Arapiraca.  Após dois anos sem fazer shows, a banda Nós, Os Diletantes – antiga Diletantes – volta a se reunir na terra natal e abre a temporada 2011 do projeto Quartas Musicais do Sesc. O grupo se apresenta no dia 12 de janeiro, às 20h, no Teatro Jofre Soares (Maceió), com um show bem diferente dos anteriores. No repertório, que passeia suavemente da bossa ao rock, mais da metade das canções são inéditas.

 Depois do enorme sucesso de “Notícias Populares”, “Hermanoteu na Terra de Godag” e “Futebol”, o grupo Os Melhores do Mundo trazem para Maceió “Sexo – a comédia”. As apresentações acontecem dias 29 e 30 de janeiro de 2011, no Teatro Gustavo Leite (Centro Cultural e de Exposições de Maceió). Ingressos: vão estar disponíveis para vendas em breve no stand Sue Chamusca (Maceió Shopping).

 Os inesquecíveis anos 80 serão lembrados ao som das bandas Anonimato, Metamorfose e Dj Zarão, no dia 15 janeiro, graças à festa O Reencontro de uma Geração – 2011, no Clube dos Fumicultores de Arapiraca. Mais informações: (82) 9102-7202.


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Nide Lins

Tempo bom para a memória cultural Tempo bom para a memória cultural de Alagoas é a previsão do Iphan, que já começou o ano de 2011 com crescimento de 328% em seus recursos, que passaram de R$ 7,5 milhões para R$ 23 milhões, em projetos a serem executados nas cidades de Marechal Deodoro, Penedo, Piranhas e Maceió. Mas para este ano também tem os recursos do Plano de Ação das Cidades Históricas (o PAC das Cidades Históricas), que prevê aplicação de recursos no montante de R$ 180 milhões até 2014. Os R$ 23 milhões são para os projetos de enterramento de toda a fiação aérea na área tombada das cidades de Penedo, Piranhas e Marechal Deodoro, além de drenagem e saneamento de Piranhas (Piranhas de baixo). Já em Maceió, o chefe da Divisão Técnica Pablo Maia, disse que o projeto de restauração do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL) e do pré-

dio da Antiga Perseverança é uma das prioridades da Superintendência do Iphan -AL. Outros projetos para este ano são: a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no povoado de Entremontes (Piranhas), que recebeu a visita de Dom Pedro II; a conclusão da restauração do Convento e Igreja Nossa Senhora dos Anjos, em Penedo; um estacionamento subterrâneo no Largo da Igreja de São Gonçalo Garcia, em Penedo e Marina de Penedo. Ainda este ano, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a cidade de Marechal Deodoro conta com três projetos para serem executados, os pólos: do músico, do pescador e do artesão. O do pescador visa preservar a técnica da pesca artesanal e a festa de São Pedro. O projeto também propõe resgatar o mercado do peixe, para comercialização dos pescados sem atraves-

sadores, administrado pela colônia de pescadores. Segundo o Chefe Administrativo do Iphan, Marcos Rêgo, o Programa Cidade-Pólo do BNDES não prevê financiamento para construção, mas libera recursos para restauração com fins de sustentabilidade do bem restaurado, tanto que a construção do novo mercado está sendo arcada pelo Iphan, e o antigo mercado será restaurado para abrigar o pólo do artesão que será destinado a um espaço de produção e venda. No pólo do músico será criado um conservatório que possibilitará aos músicos das filarmônicas de Marechal Deodoro receberem a certificação. O Chefe da Divisão Administrativa Marcos Rêgo informou também que para 2011 existe um estudo para o resgate do barco Comendador Peixoto, que teve seu apogeu na época das embarcações a vapor e está naufragado no Rio São Francisco da cidade de

Penedo. “Primeiro, vamos apresentar um projeto para resgatar o navio do fundo do rio, para depois, em terra, podermos estimar os custos para sua restauração”, conta Marcos Rêgo. O município de Penedo, pela sua localização, com edifícios disponíveis para serem adaptados como pousadas e estrutura viária e aérea, está no foco de um estudo de viabilidade econômica para ser transformado em uma Cidade Centro de Convenções, sendo incluído no roteiro do turismo de eventos, o segmento que mais cresce no setor. Uma das ações para essa transformação é a restauração do antigo Cinema do Hotel São Francisco – o qual, nos tempos áureos, foi palco dos inesquecíveis Festivais de Cinema - que poderá abrigar eventos médios agregando mais valor ao Hotel, fomentando e movimentando a economia local da cidade. (N.L.)

Arquivo Iphan

A Igreja Nossa Senhora da Conceição, no povoado de Entremontes, na cidade de Piranhas, recebeu a visita de Dom Pedro II

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Fotos: Nide Lins

Restauração de convento descobre novos talentos Você sabe pintar as unhas? Esta pergunta foi feita pelo restaurador Vitor Cornejo à alagoana Maria Girleide dos Santos, garçonete num bar da orla do Rio São Francisco. Como ela disse sim, o restaurador fez o convite para ela fazer um teste de pintura. Aprovada, Girleide, com o passar do tempo, tornou-se especialista de douramento em folha de ouro e reintegração da policromia nos elementos decorativos o Convento Franciscano e Igreja Conventual Nossa Senhora dos Anjos, na cidade de Penedo, construído há mais de 300 anos. "Nasci em Penedo, sempre passei pelo convento e não dava a mínima. Mas o trabalho de restauro despertou minha consciência para preservar nossas igrejas e nossa história. Hoje sou uma defensora do patrimônio histórico de Penedo", conta a simpática Maria Girleide, 22 anos. Outro talento descoberto em Penedo é Wallisson José Santos, 21 anos. "Passei pelo convento e vi uma placa sobre a restauração, entrei, perguntei se tinha vaga, fiz o teste e fiquei. A gente pega a peça de madeira corroída pelo cupim e, ao final do trabalho, vê o altar todo restaurado;

é muito legal. Hoje vejo Penedo com outro olhar, o de preservação", diz Wallisson. Descobrir novos talentos é uma das facetas do restaurador do Convento , Vitor Cornejo, que há 17 anos trabalha em monumentos históricos no Brasil. Hoje ele defende a criação de uma oficina para formar auxiliares de restauradores para atender à demanda de restaurações em prédios históricos de Alagoas. "Restaurar é uma arte. Todos que trabalham no convento têm uma particularidade. É preciso ter paixão, zelo e entendimento do trabalho, que é minucioso. Quando começamos uma restauração é preciso ver que por trás de uma pintura se escondem verdadeiras obras de arte. Um exemplo é o Oratório da Forca, que por baixo de várias camadas de repintura escondia um painel estilo barroco que foi recuperado", conta Vitor. O valor de restauração do Convento está orçado em R$ 1,5 milhão e compreende a recuperação das áreas de cantarias, estrutura do forro, telhados e os elementos integrados (altares, tribunas, canelos). Segundo Vitor, o trabalho de res-

tauração requer o uso de várias técnicas. A madeira danificada pelos cupins, por exemplo, é substituída por um suporte de blocos de cedro para permitir a mobilidade da madeira para resistir às mudanças da temperatura, permitindo maior tempo de vida. HISTÓRIA - Segundo a arquiteta, restauradora e estudiosa da arquitetura dos Conventos Franciscanos em Alagoas, Ana Cláudia Magalhães, o convento de Penedo se destaca arquitetonicamente em meio ao casario de proporções mais delicadas, pela volumetria imponente, pelos valores artísticos integrados à construção, representados pelos retábulos, púlpitos, imagens, a maioria confeccionada em madeira coberta com ouro. Ainda segundo Ana Cláudia, a construção do convento em Penedo aconteceu em várias etapas, se estendendo por séculos. Em 1660 alguns frades foram enviados a Penedo para começar a construção do convento e de uma escola. Aconstrução foi iniciada por uma igrejinha e um recolhimento que servia de habitação para os frades. Neste

templo de características singelas, havia um sacrário, no qual foi depositado o Santíssimo e realizaram-se as cerimônias e rituais próprios da época, destacando os da Semana Santa, de especial predileção para os frades franciscanos. Em 1661, os frades deixaram a habitação comum, na qual haviam se instalado provisoriamente e se mudaram para o recolhimento, então apto a acomodá-los. Neste local, os religiosos moraram durante vinte anos, até 1682, quando se lançou a pedra fundamental do que viria a ser o convento definitivo. O Convento Franciscano de Penedo tinha uma posição de destaque dentre os demais, foi pioneiro na libertação de escravos, cerca de 53 anos antes da abolição da escravatura, ocorrida só em 1888. Com um passado glorioso, o Convento Franciscano e Igreja Conventual Nossa Senhora dos Anjos, do século 18, é um belo exemplar da arquitetura barroca e deverá abrir suas portas em julho deste ano, marcando uma nova era para o patrimônio histórico do Estado, na qual a consciência começa a ser restaurada. (N.L.)

Arquivo Iphan

Girleide e Wallisson, dois novos talentos da cidade de Penedo, sonham com uma escola de restauração

Cristo antes de ser restaurado no Convento de Penedo

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