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CADERNO ESPECIAL

Fortaleza, Cearรก, quarta-feira, 30 de setembro de 2020


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Venelouis Xavier Pereira

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Wanda Palhano

José Martins Rodrigues

84 anos de credibilidade construída

o longo do século XX, o estado do Ceará contou com muitos jornais que, infelizmente, se perderam no tempo por muitos motivos. Isso prejudicou, de certa maneira, a área da mídia impressa na região. Uns dos que sobreviveram foi o jornal O Estado, fundado em 1936, que vem demonstrado ao longo de sua História o respeito ao leitor, informando o que acontece no mundo, no Brasil e em nosso estado. Sempre valorizando a imparcialidade e a verdade sobre os fatos.

Passando por inúmeras fases, pode-se destacar a primeira, com o advogado José Martins Rodrigues; a década de 1960, com Venelouis Xavier Pereira; em 1996 com Wanda Palhano e, em 2017 os herdeiros Solange Palhano, Ricardo Palhano, Steveson Palhano, Soraya Palhano e Rebeca Xavier. O jornal sempre prezou pela veracidade das informações e a liberdade da imprensa, a ponto de ser uns dos únicos jornais em plena ditadura militar a lutar contra

a censura imposta para todas os veículos impressas pelo governo. Essa postura só foi possível graças a Venelouis, que não aceitava ordens por telefone, obrigando os censores a irem para dentro da redação, gerando um conflito entre as duas partes. A posição de Venelouis em relação a isso podia ser explicada por uma frase dita pelo o mesmo. “Você jamais será livre sem uma imprensa livre”. Exemplos que demonstram essa questão são os diversos jornalistas que foram perse-

guidos pela ditadura militar, que muitas vezes não tinham espaço em outros veículos, foram aceitos para ter uma oportunidade de emprego no jornal, onde pode ser citado o nome do militante e jornalista Francisco Auto Filho, que estava listado no index da repressão. Além disso, vários textos refutados em outros veículos foram publicados pelo o jornal. A História do jornal, com quase um século de existência, se mistura com a da cidade de Fortaleza.

Personalidades que estiveram à frente de O Estado no passado tornaram-se governadores, presidentes de estatais brasileiras, grandes educadores, juristas e políticos. Pessoas que se destacaram em nossa sociedade. A contestação sempre teve vigor em O Estado, seja em tempos de glória, desafios e adversidades, a ponto de os jornalistas se tornarem destemidos atrás das máquinas de datilografar “Intimorata era o apelido que dávamos à nossa

máquina de escrever. “Na frente dela, não tínhamos medo de nada”, disse o jornalista Frota Neto. Os 84 anos de existência comprovam o quanto o jornal O Estado faz parte da trajetória da imprensa cearense, onde com seus títulos e notícias, leva a verdade das informações. Enfrentou crises, se modernizou e se mantém fiel aos seus princípios fazendo um Jornalismo sério, independente e defensor dos direitos essenciais da sociedade brasileira.


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Uma escola de jornalismo

Jornalistas que começaram suas carreiras no jornal O Estado relatam suas experiências.

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uitos Jovens que hoje são destaques na imprensa cearense e nacional iniciaram suas carreiras no jornal O Estado. Com a experiência vivida, tendo a liberdade de pautar suas matérias, explorar suas criações e passar por várias editorias construíram um alicerce para tornarem-se grandes profissionais. Fizeram parte também de nossos quadros no passado, colaboradores que foram personalidades influentes como quatro governadores do Ceará, Plácido Castelo, Raul Barbosa, Parsival Barroso e Cid Gomes. No livro de Luís-Sérgio Santos “Intimorata”, inúmeros jornalistas dão depoimentos relatando as suas experiências e vivências no jornal, entre eles está José Augusto Lopes, que expressa a felicidade de ter trabalhado no veículo “O Estado foi uma época muito feliz da minha carreira. Foi, para mim, um prazer trabalhar com Venelouis, pela liberdade de expressão integral que ele dava aos profissionais que trabalharam junto a ele”. Outra pessoa na obra que ressalta o aprendizado dentro do jornal é a jornalista e colunista Sonia Pinheiro que começou a sua carreira na publicação. “Digo sempre que aprendi tudo da profissão com essa figura adorável, que é Venelouis e seu jornal”. O veículo possibilita uma liberdade que nenhum outro jornal oferece, foi e continua sendo uma grande escola para muitos profissionais recém saídos da faculdade. Para o jornalista Rodolfo Oliveira, O Estado cumpre uma função

Rodolfo Oliveira

Lívia Barreira de abrir as portas para muitos profissionais em inicio de carreira. “Acho que o jornal O Estado vem cumprido ao longo de tantas décadas de existência, essa função jornalística de ser a primeira experiência de muitos, e acho que isso é bem interessante, uma marca significativa”. Para o jornalista e escritor Frota Neto, o jornal O Estado tem uma representação de grande importância na história da mídia impressa do Estado, onde de acordo com o próprio, o veículo tem que estar inscrito na história da imprensa e da política cearense. “Vou levar para o resto de minha vida, a rica experiência que tive no jornal O Estado. Iniciei na profissão de repórter fotográfico em 2005 e permaneci até 2019 na sua equipe. Foram anos de aprendizado, que alimentaram e fomentaram não só meu lado profissional, como também minha forma de viver e ver o mundo. O carinho e o afeto que guardo no coração se refletem no desejo que esse tradicional veículo continue a manter a sua perenidade por muitos anos, mesmo diante de todas as mudanças que a tecnologia tem imposto aos meios de comunicação. O Estado chegando aos 84 anos, nos mostra, que cada vez mais, temos que ser fortes, verdadeiros e independentes, agora mais do que nunca”, afirmou Iratuã Freitas. De acordo com a jornalista Lívia Barreira, que hoje mora em Shefdield, Inglaterra e que começou em 2016 no jornal O Estado como estagiária, na editoria de economia,

o veículo possibilitou novas amizades. “Eu era uma jovem cheia de sonhos e que queria crescer na profissão. Foi ali que fiz ótimos colegas de trabalho, que viraram amigos de vida, como Iratuã Freitas. Outra pessoa muito especial para mim foi o Sérgio de Sousa, que virou meu editor depois da Kelly e um amigo, fiquei no jornal um ano e meio. Sou muita grata pela oportunidade até hoje”. O jornalista Málaga relata como através do seu estagio no jornal, ele expandiu os seus horizontes e pode enxergar diversas coisas sobre o mundo, além de servir como uma grande faculdade, muita mais que o próprio curso de jornalismo, que de acordo com o próprio, é muita mais a teoria. “O Estado pra mim foi a faculdade, eu costumo dizer para os tantos estagiários que passaram na minha mão, que o curso que fizemos é a teoria, é na pratica mesmo, durante o trabalho ou estagio, que você de fato aprende o que é jornalismo”. Málaga também agradece as oportunidades que o veículo o forneceu, e que talvez um dia volte para fechar o ciclo “Eu só tenho a agradecer a O Estado por todas as oportunidades que me deu, e espero um dia retornar para fechar esse ciclo que ficou ainda em aberto”. A minha história de 45 anos de jornalismo, em redação, (45 anos?!!! Não acredite se alguém te disser que o tempo passa. O tempo não passa, tempo voa! Eu vivi, começa e termina no jornal O Estado. Cheguei à redação na Santos Dumont, não lembro o número,

Fellipe Málaga

Iratuã Freitas jovem, ainda no segundo ano da Faculdade de Comunicação, muito bem encaminhado ao saudoso Doutor Venelouis Xavier, pela querida e amiga professora Adisia Sá. Vené não era de muita conversa. Mandou eu trazer a Carteira de Trabalho no dia seguinte. Assim, lá estava eu devidamente registrado como repórter de O Estado, em 2 de setembro de 1974. Fiquei até o final do Curso de Comunicação, em 1976, quando parti para novas paragens. Em 2010, retornei ao início. Desta feita a convite do meu amigo/irmão Ricardo Palhano, para ser Editor Geral do O Estado, agora na Barão de Aracati, 1320. Foram mais dez anos de muito trabalho e aprendizado, em uma redação de jovens jornalistas, sob a liderança maternal da também muito saudosa Doutora Vanda Palhano, e comando de Ricardo e Solange Palhano. Dias melhores, de muitas conquistas e alguns revezes da profissão. Faz parte. Em 2019, já sentindo o peso da longa caminhada por inesquecíveis redações, a aposentadoria me elegeu. Atendi um pouco triste, mas certo do dever cumprido com a minha casa e escola profissional onde permaneci mais tempo, uns doze anos ao todo, e os muitos amigos que lá deixei. Não posso nominar ninguém, pois recuso-me ao risco de deixar um só deles de fora. Foram tantos e todos muito importantes na minha vida. A todos, na festa dos 84 anos de fundação do nosso Estado, minha sincera e eterna gratidão. Carlos Alberto Alencar.


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Conhecimento, informação e compromisso fazem parte dessa jornada que, hoje, completa mais de oito décadas. Parabéns ao jornal O Estado!

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Livro de Luís-Sérgio Santos relata toda saga de O Estado em seus mais de 80 anos de História

Lançado em 2017, Intimorata revela as nuances da história do jornal, passando pelas grandes figuras e personalidades

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m comemoração aos 80 anos do jornal O Estado, Luís-Sérgio Santos lançou o seu livro, Intimorata: A saga do jornal O Estado de José Martins Rodrigues a Venelouis Xavier Pereira, sobre a trajetória do veículo desde da sua fundação até os dias atuais, relatando alguns momentos da história da imprensa cearense no século 20. A obra que contou com um amplo trabalho de pesquisa com duração de cinco anos, teve como umas das fontes o acervo do jornal O Estado que de acordo com o próprio autor foi o motor de toda narrativa do livro. Além disso, para posicionar todo o contexto histórico onde a publicação está

A coletânea para o impresso foi extremamente demorada e lenta, pela razão de alguns obstáculos. Luís-Sérgio Santos Jornalista e professor

FOTO ARQUIVO PESSOAL

Luís-Sérgio diz que se deve entender o contexto histórico do passado pela razão das mudanças dos tempos inserida e como a mídia impressa surgiu em nosso estado, se fez uma referência bibliográfica, a partir principalmente de acervos do instituto do Ceará e alguns historiadores notáveis como Geraldo Nóbrega e Raimundo Girão. De acordo com LuísSérgio Santos, a coletânea para o impresso foi extremamente demorada e lenta, pela razão de alguns obstáculos. Uma delas foram as fontes primarias, que tiveram que ser procuradas e checadas se ainda estavam vivas para dá o seu depoi-

mento. O autor também ressalta o cuidado que se teve ao conversar com essas pessoas e de como foi entrevistado muitos indivíduos que passaram e começaram as suas carreiras no jornal, chegando a citar que a grande porta de entrada na publicação para novatos foi o setor de revisão, onde muitas personalidades, como o ex-governador Cid Gomes, passaram pela a área. Além de tudo isso, LuísSérgio enfatizou como a primeira fase do jornal foi alinhada a partir de sua fundação ao governo do governador Menezes Pimentel, pela razão do O Estado nessa época ser liderado pelo o advogando e professor José Martins Rodrigues, que era secretário de estado, fazendo assim o veículo na sua primeira década de existência também uma porta voz da igreja, em consequência de José Martins e do governador pertencerem ao partido político LEC (liga eleitoral católica) que tinha uma grande força no estado do Ceará. A partir da destituição e nomeação como interventor de Menezes Pimentel durante o estado novo, o jornal é ampliando, entrando numa nova fase.

Outro ponto realçado é como nas décadas de 30, 40 e 50, os jornais impressos serviam como grandes tribunas, defendendo os

seus interesses, além de ser panfletários e polêmicos, onde diversos grupos os usavam para defender seus objetivos. Um exem-

plo disso, pode ser visto nos embates entre os partidos PSD (Partido Social Democrático) dissolvido em 1965 e a UDN (União Democrática Nacional), onde o primeiro usou O Estado contra o segundo que era apoiado por outras publicações impressas. A segunda parte da obra aborda a era mais longa do jornal e que de certa forma é a atual, onde O Estado foi adquirindo por Venelouis Xavier Pereira, que assumiu durante a ditadura, uma época difícil para imprensa de modo geral no país. Venelouis fez o jornal ser uns dos poucos que não aceitavam a censura que foi imposta pelo governo, chegando inclusive muitas vezes a aceitar jornalistas que eram perseguidos pela repressão da ditadura. Também era comum o jornal aceitar textos refutados por outras mídias impressas dessa época. O livro nos conta que hoje, o veículo vive uma fase pluralista, apartidário e focado na informação, onde se tem uma maior profissionalização sem viés político, cultivando a doutrina da objetividade. Mas Luís-Sérgio alerta que se deve entender o contexto histórico do passado pela razão das mudanças dos tempos.


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Em seus 84 anos, acontecimentos históricos foram temas de matérias

Desde da sua fundação em 1936, o jornal O Estado vem fazendo coberturas de acontecimentos variados, indo do espectro político ao esportivo. Muitas dessas reportagens acabaram virando momentos históricos no contexto mundial e nacional. É possível ver através das folhas do Jornal, a história do mundo e do povo cearense ao longo do século vinte.

A primeira grande cobertura de âmbito internacional que pode ser citado é a rendição do Japão, dando encerramento a segunda guerra mundial. O jornal O Estado detalhou dia após dia os acontecimentos que anteciparam a rendição no mês de agosto de 1945. Desde de encontros políticos, avisos do presidente americano Harry S. Truman ao governo japonês e as destruições causadas pela recente bomba atômica. Na data de 7 de agosto, um dia após o primeiro ataque da nova arma a cidade de Hiroshima, O jornal O Estado relatava em uma das suas páginas, as ameaças feitas pelo os americanos caso o Japão não se rendesse. Com o título “Bombas Atômicas” e lide “O Japão será arrasado pela mais destruidora arma do mundo “, o texto também narrava o gasto e poderio da nova criação que iria destruir alguns dias depois a cidade de Nagasaki. “WASHINGTON, 6 – O Japão será virtualmente arrasado pelas poderosas bombas atômicas norte-americanas se não se render. Esta notícia foi revelada diante das declarações do presidente Truman sobre o poderio destruidor desta arma, duas mil vezes mais destruidora do que a “arrasa quarteirão” de 10 toneladas. Mais de dois milhões de dólares foram empregados nas pesquisas científicas com está arma, garantindo o êxito do invento científico “.

Outro grande evento da qual o jornal divulgou foi a eleição de Juscelino Kubitschek e a inauguração de Brasília em 1960. O Estado descreveu como o acontecimento da nova capital foi recebida por diversos jornalistas ao redor do globo, com uma atenção especial ao Daily Telegraph de Londres. “Imprensa mundial exalta a epopeia de Brasília! “dizia o título datado de 19 de abril de 1960 na primeira página , onde abaixo o lide apontava a recepção da publicação Britânica “Nenhum país poderá realizar jamais obra semelhante em tão curto prazo, diz Daily Telegraph de Londres “. Bem acima da matéria, no começo da primeira capa era possível ver o nome de

Themistocles de Castro e Silva e Carlos D”alge, respectivamente Diretor e Redator-Chefe do jornal na época. No âmbito estadual, no mesmo mês, o jornal fazia a cobertura da entrega do cheque de quatro milhões enviada pelo governador do Rio, Roberto Silveira, ao governador do Ceará Parsival Barroso, em ajuda aos flagelados do rompimento da barragem do açude Orós no vale do Jaguaribe. Seguindo o pensamento do jornalista Venelouis Xavier Pereira, presidente de O Estado a linha do jornal sempre defendia as liberdades individuais e era totalmente contra ao período da ditadura.

Defensor das Diretas Já, o jornal O Estado fez variadas matérias sobre o tema. Como a manifestação que reuniu milhares de pessoas na Praça José de Alencar com a presença de Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Paes de Andrade, artistas globais e outras personalidades nacionais e locais. Jornalistas que faziam parte de sua equipe estiveram presentes em grandes acontecimentos que ocorreram em Brasília e no mundo. Foi o primeiro jornal local a ter correspondente em Brasília acompanhado o dia á dia do Congresso Nacional. Enviou jornalista para a coroação da rainha Elizabethe, quando a entrevistou. Cobriu a morte de Lady Dayna, as posses de Obama, dos papas como de João Paulo II e de Francisco. Matérias sobre economia, política e esporte foram destaques em suas edições. Preocupação com O Meio Ambiente e Sustentabilidade , Direitos dos Cidadãos f temas dos cadernos Estado Verde e Direito e Justiça.

Atualmente o Jornal Estado está a todo instante atualizando suas noticias em suas redes sociais e em seu portal.


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Credibilidade dos veículos de Comunicação cresce com as fake news nas redes sociais Falsas noticias têm se espalhado com a globalização da informação

FOTO HERO IMAGES/GETTY IMAGES

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avanço da tecnologia facilitou a busca por informações que, anteriormente, não seria possível. Em tempo real, podemos saber o que acontece do outro lado mundo. A informação muda uma sociedade. Com a globalização, veio também a propagação de informações falsas, que são chamadas de fake news. Elas são repassadas por meio de mensagens nas redes sociais como Facebook e WhatsApp. Muitas vezes, são divulgadas intencionalmente para distorcer algum fato ou em benefício de algum indivíduo. Não é de hoje que a tal prática é realizada. Casos de notícias falsas já aconteciam no passado, mas não

Todas as empresas em conjunto com os profissionais de imprensa devem se unir contra esse instituto das fake news. Ronaldo Salgado Jornalista e professor

Elas se propagam, na maioria das vezes, por mensagens nas redes sociais, como WhatsApp e Facebook tinham tanta repercussão. Isso mudou com a chegada da internet, que facilitou a criação e divulgação de informações sem nenhuma veracidade. O pior é que, agora, todos internautas “se acham” jornalistas e compartilham o que recebem, sem checar se é realmente fato. A liberdade de opinião e de pensamento não dá o direito a nenhum cidadão a divulgar notícias falsas que possam prejudicar a moral de determinados pessoas. Esse tipo de comportamento pode se caracterizar um crime.

Com a contaminação de conteúdos falsos nas redes sociais, os canais de Comunicação têm um papel muito importante nesta era de informação globalizada. Jornalistas são obrigados a terem cuidado redobrado, checando cada vez mais as informações, consultando inúmeras fontes. Para não cair nessa armadilha das redes socais, não se deve compartilhar conteúdos antes de verificar se são verdadeiros nas ferramentas dos veículos de Comunicação existente

no País. Se uma notícia é verdadeira, vários canais de Comunicação a publicarão. Antes de compartilhar, faça uma breve pesquisa e analise essa questão. Nesse momento, leia as várias versões de um mesmo assunto para ter a sua opinião sobre. Na opinião do jornalista e professor Ronaldo Salgado, todos os veículos e profissionais de imprensa teriam de se unir para combater as fake news. “Eu acho que todas as empresas, em conjunto com os profissionais de impren-

sa, devem se unir contra esse instituto”. Em tempo de pandemia, dezenas de lives debateram quais os impactos das fake news na política, no Jornalismo e na sociedade. Esse tema foi bastante discutido diante da infinidade de notícias falsas compartilhadas durante este período de isolamento social. É preocupação geral de todos por causa da aproximação do período eleitoral, que nos faz relembrar o que aconteceu nas eleições de 2018. O debate sobre falsas

notícias não acontece só em âmbito nacional, mas também mundial, tendo grande repercussão nas questões internas de vários países. Podemos citar as eleições americanas, de 2016, quando houve denúncia de contratação de empresas para divulgação de matérias inverídicas contra candidatos concorrentes à presidência dos Estados Unidos. Até hoje, existe uma investigação de que robôs disseminaram nas redes sociais notícias contra candidatos concorrentes do presidente Trump. Afirma-se que isso influenciou muito para sua vitória. Na época, os grandes veículos. como o New York Times e a Fox News, se recusaram a divulgar variadas informaçoes da campanha eleitoral que estava sendo viralizada na internet por falta de confirmação dos fatos. Esta decisão é que confirma a credibilidade da imprensa.


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Em razão de pandemia profissionais da comunicação trabalham em regime de Home Office Pandemia do novo coronavírus faz jornalistas mudarem toda sua rotina de trabalho

Com a propagação do covid-19 ao redor do mundo, diferentes profissões foram afetadas a ponto de suas rotinas serem totalmente mudadas. Uma delas foi o jornalismo, que enfrentou diversas dificuldades, a tal ponto de alguns veículos impressos funcionarem com poucos indivíduos ou até mesmo todos trabalhando a partir de casa. Os impactos dessa questão de certa forma foram diminuídos graças aos aparatos tecnológicos que ajudaram muitos na profissão e de certa forma introduziram em vários espaços o jornalismo Home Office. Apesar disso, essa maneira de trabalhar a distância não surgiu em decorrente da atual pandemia, ela já vinha sendo praticada e discutida a alguns anos. Esse método era bastante usado por freelancers que tiravam proveito das novas tecnologias para trabalhar a distância, principalmente em áreas como social media, produtor de conteúdo para web e profissional de Marketing e Propaganda. Mas de acordo com o jornalista e professor Ronaldo Salgado que se considera um crítico sobre a questão, o trabalho em campo e do repórter

FOTO VAGAS.COM.BR

Uma das principais medidas adotadas foi solicitar aos profissionais que eles trabalhassem à distância é essencial para profissão ter mais consolidação nas informações “O trabalho do repórter em campo, no contato direto com as fontes de informações, é fundamental para não só consolidar o jornalismo como uma das mais

importantes instituições a serviço da sociedade, mas de sobretudo para dá mais veracidade as informações”. A percepção sobre o jornalismo Home Office mudou um pouco após o início da pandemia,

grandes empresas de comunicação começaram a abraçar o método para dá segurança aos seus funcionários. Diante disso, inúmeros jornalistas tiveram que encarar enormes dificuldades, onde uma delas é a própria checa-

gem de informações que ficou muito mais difícil avaliar a veracidade de certos fatos sem o trabalho de campo. Outra questão também discutida é o controle de rotina, a divisão dos afazeres de casa com o

trabalho. Mas nem tudo é obstáculo, algumas vantagens que esse novo cotidiano traz, é a redução de gastos para as empresas de comunicação como energia, água, telefone, vale alimentação, onde o custo teve uma redução notável. Outra grande vantagem é não haver deslocamento do profissional para a empresa, isto requer perca de tempo, estress. Trabalhar em casa para muitos está sendo uma experiência muito agradável, porque dar oportunidade de um convívio maior com a família. Diante disso, discussões começaram sobre o futuro do jornalismo após a pandemia, principalmente em relação se o método adotado nesse momento deverá continuar. Para o professor e jornalista Ronaldo Salgado que reconhece a grande importância da tecnologia na expansão da profissão; ao término da pandemia e normalização da situação, o jornalismo deve voltar a campo e tentar aliar a tecnologia com a pesquisa no local. “É preciso ainda reconhecer a importância da presença física do repórter no local que estão ocorrendo os fatos que precisam de cobertura”.


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Imagens que marcaram as nossas edições Pela lente de fotógrafo, se registra fatos que nos emocionam. A sensibilidade faz com que cenas do cotidiano se tornem esplêndidas. Ele capta em fração de segundos um momento, conseguindo eternizar e torná-lo único. O fotojornalismo consegue transmitir por si só o fato que não foi escrito mas foi criado com a sensibilidade da alma.

Iratuã Freitas

Beth Dreher

Lucas Moura

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30/09/2020 Edição 84 ANOS  

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