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Verde

ANO VI - EDIÇÃO No 332 FORTALEZA - CEARÁ - BRASIL Terça-feira, 8 de abril de 2014

FOTO: BETH DREHER

TRANSPOSIÇÃO

Clima e Recursos Hídricos

Ministro da Integração afirma que o Projeto São Francisco é um grande instrumento para adaptação às mudanças climáticas. Págs. 6 e 7

WED

Vem aí mais um Dia Mundial do Meio Ambiente Ano Internacional dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento será o eixo temático do Dia Mundial do Meio Ambiente 2014. Pág. 3

SEGURANÇA HÍDRICA

Mais 3000 cisternas para comunidades no Semiárido

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VERDE

Coluna Verde TARCÍLIA REGO

AGENDA VERDE 13 DE ABRIL ANIVERSÁRIO DA CIDADE DE FORTALEZA

tarcilia_rego@terra.com.br

CLIMA E POBREZA

Dois assuntos que agora, mais do que nunca, após publicação do novo relatório do IPCC dia 30/3, devem ser combatidos conjuntamente, já que os maiores efeitos da crise climática deverão ser sentido [mais fortemente] no mundo em desenvolvimento. Um aumento nas temperaturas de 2,5ºC com relação à era pré-industrial – 0,5ºC a mais que a meta fixada pela ONU – reduzirá os ganhos mundiais anuais entre 0,2% e 2,0%, o que corresponde a centenas de bilhões de dólares. As alterações climáticas provocam fenômenos extremos, como secas prolongadas e inundações, afetando comunidades mais vulneráveis à desertificação, é o caso do nosso Semiárido. Fica aí o alerta para os que governam e legislam, é preciso [urgentemente] pensar ou pôr em práticas as que já estão aí, políticas e ações efetivas e eficazes de combate e adaptação ao fenômeno global. PARA PIORAR... Estudo sobre desertificação: A Linha da Frente Invisível, publicado pela Convenção das Nações unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), em março, mostra ligação entre a desertificação, às mudanças climáticas e as crescentes ameaças à segurança nacional e internacional. O relatório estima em mais de 1 bilhão o número de pessoas que atualmente não têm acesso à água, prevendo que “a procura vai aumentar 30% até 2030”. A desertificação – degradação da terra em zonas áridas – já afeta 3,6 bilhões de hectares, somando 25% da massa terrestre, o que ameaça a subsistência de mais de um bilhão de pessoas em cerca de 100 países. E nós, estamos nesta lista. CUSTOS Estudo sobre os custos da desertificação na América Latina, conduzido pelo representante da UNCCD na América Latina, o sociólogo Heitor Matallo, mesmo considerando que a metodologia existente para a avaliação econômica deve ser aperfeiçoada, a fim de oferecer dados mais precisos, “as estimativas das perdas em solos e recursos hídricos representam uma enorme perda econômica que afeta milhões de pessoas e contribui para a pobreza e a vulnerabilidade social”. No Brasil, onde mais de um milhão de quilômetros quadrados é afetado pela desertificação nos estados do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, o custo das perdas de solo e de recursos hídricos chegam a US$ 5 bilhões por ano, o equivalente a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB), e afetam negativamente a vida de

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mais de 15 milhões de pessoas. Caso a previsão climática do IPCC sejam concretizada, o País poderá perder até um terço de sua economia. LIXÕES Confederação Nacional de Municípios (CNM) pede ao Senado que o prazo para elaborar planos municipais de gestão de resíduos sólidos, seja prorrogado por mais um ano, e que as prefeituras tenham mais três anos, a partir da finalização do plano municipal, para erradicar os lixões. Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) de 2010 o prazo termina em agosto próximo. Durante debate ocorrido dia 2/4, na Subcomissão Temporária de Resíduos Sólidos, dia 2/4, representantes da CNM justificaram o pedido embasadas nas faltas de sempre: recursos, apoio federal e capacidade dos municípios para acessar os mecanismos de solicitação de apoio técnico, ou melhor, mão de obra qualificada. ESTADIC 2013 Dados da Pesquisa de Informações Básicas Estaduais 2013 (Estadic) do IBGE aponta que o Ceará não teve nenhum projeto voltado para a questão ambiental financiado pelo Fundo Estadual de Meio Ambiente, nos últimos 12 meses. Reflexão: “Partido, sindicato, estatal, estado, governo… É tudo a mesma coisa. É o novo patrimonialismo”. Jornalista Reinaldo Azevedo referindo-se a atual situação política do país.

• Fortaleza completa 288 anos. Fundada em 13 de abril de 1726, a bela Capital é conhecida por possuir litoral exuberante, com 34 km de praias que atraem turistas do mundo inteiro, um dos motivos que fazem da cidade, um exemplo de qualidade de vida, principalmente para os turistas que a visitam e ficam deslumbrados com as praias de areias brancas. Mas, Fortaleza não é só isso, é muito mais, com arquitetura moderna e ampla infraestrutura, desponta como uma das principais metrópoles do Norte e Nordeste do país, e inserida no destino de grandes eventos econômicos e culturais. É conhecida, também, como a capital brasileira mais próxima da Europa. A história da cidade começou antes de 1604, quando às margens do Rio Ceará, o Fortim de São Tiago foi erguido. Inicialmente, o povoado do entorno foi chamado de Nova Lisboa e ficou sob o domínio dos holandeses que construíram o Forte Schooneborck, até 1644. Retomada pelos portugueses foi rebatizada de Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção, e em 1726, o povoado foi elevado à condição de cidade e com o passar do tempo foi ganhando a denominação de Fortaleza, somente. Hoje, o antigo forte abriga a 10ª Região Militar, no Centro da cidade. Segundo Censo de 2010, Fortaleza ocupa uma área de 313,140 km² com população de quase 2 milhões e meio de habitantes e densidade demográfica de 7.819 habitantes por km². O lema da cidade é a palavra em latim “Fortitudine”, que em português significa: “força, valor, coragem”.

DE 14 A 16 DE ABRIL 5o SEMINÁRIO DO PATRIMÔNIO CULTURAL DE FORTALEZA • Com o objetivo de reunir experiências inovadoras em educação patrimonial no âmbito nacional e internacional, aproximando as pessoas dos bens culturais e de políticas públicas para a preservação do Patrimônio Histórico e Cultural do município, o 5° Seminário do Patrimônio Cultural de Fortaleza acontece de 14 a 16 de abril, na sede do Crea-CE (Rua Castro e Silva, 81 - Centro). Interessados em participar da programação podem se inscrever online, até o dia 11 de abril, preenchendo formulário disponível em http://migre.me/ikvv2

DIA 16 DE ABRIL FIT CITIES SÃO PAULO • Conferência Fit Cities São, uma realização da USP Cidades e o Cidade Ativa, vai discutir como construir cidades mais saudáveis, relacionando a saúde e o desenho urbano, além das atitudes para mudar a relação das pessoas com o espaço público. A representante do Departamento de Saúde e Higiene Mental de Nova Iorque, Karen Lee e a urbanista Skye Duncan, do Departamento de Planejamento de Nova Iorque, participarão e trarão a experiência anterior do Movimento “Active Design”. As discussões acontecerão em torno das perspectivas das cidades brasileiras. As inscrições gratuitas e devem ser realizadas no site http://www.cidades.usp.br até dia 15 de abril.

GESTORA E EDUCADORA AMBIENTAL

O “Verde” é uma iniciativa para fomentar o desenvolvimento sustentável do Instituto Venelouis Xavier Pereira com o apoio do jornal O Estado. EDITORA: Tarcília Rego. CONTEÚDO: Equipe “Verde”. DIAGRAMAÇÃO E DESIGN: Wevertghom B. Bastos. MARKETING: Pedro Paulo Rego. JORNALISTA: Sheryda Lopes. TELEFONE: 3033.7500 / 8844.6873


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WED 2014

Dia vai destacar pequenos estados insulares POR TARCILIA REGO tarciliarego@oestadoce.com.br

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em aí, mais um Dia Mundial do Meio Ambiente (WED 2014). Promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e celebrado em 5 de junho, a data incentiva ações positivas para o meio ambiente em todo o mundo, envolvendo milhões de pessoas. A Organização das Nações Unidas (ONU) considera o dia, o principal veículo para incentivar a consciência mundial e ação para o meio ambiente. O WED motiva milhões de pessoas a se engajarem e promoverem ações sobre determinado tema. Este ano, em apoio à designação pela ONU de 2014 como o Ano Internacional dos Pequenos Estados Insulares (SIDS, sigla em inglês) o eixo temático estará centrado nestes estados em um contexto mais amplo das “Mudanças Climáticas e Desenvolvimento”, como tema. Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, “o Ano Internacional é uma oportunidade para apreciar a resiliência extraordinária e rica herança cultural do povo de pequenos Estados insulares em desenvolvimento”. Pela primeira vez, a Assembleia Geral da ONU designa um ano internacional para um grupo de países. ANO DOS INSULARES O Ano Internacional de Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento teve início dia 24 de fevereiro, nas Nações Unidas. Vai celebrar as contribuições que este grupo de nações tem dado ao mundo como um todo. Pequenos Estados insulares em desenvolvimento são o lar de culturas vibrantes e distintas, diversidade e herança. Os habitantes dessas pequenas nações em desenvolvimento também estão na vanguarda dos esforços para abordar as questões globais prementes através de criatividade, inovação e uso do co-

nhecimento tradicional. UM PROBLEMA DO MUNDO INTEIRO Segundo publicado no portal da Unep, espalhados pelo mundo, do Pacífico ao Mar da China, do Caribe ao Oceano Índico, os insulares em desenvolvimento, enfrentam uma série de questões ambientais únicas. “Em particular, estão na linha de frente de um dos maiores desafios ambientais do nosso tempo – as mudanças do clima – que deixa comunidades costeiras vulneráveis a tempestades e desastres naturais”. São as populações mais expostas. “Além disso, com o aumento do nível dos mares, alguns países, como Kiribati, Maldivas, Ilhas Marshall e Tuvalu podem se tornar inabitáveis. Uma grande parcela da

população de outros estados insulares terá que ser remanejada para não ser afetada”. Os desafios enfrentados pelos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento são também um problema do mundo inteiro. O lançamento na sede da ONU em Nova York coincidiu com uma reunião preparatória para a Terceira Conferência Internacional sobre SIDS, que será realizada em Apia, Samoa, em setembro vindouro. “A mudança climática representa uma grave ameaça para a sobrevivência e viabilidade de um número de nações de baixa altitude”, disse o Ban Ki-moon, em seu discurso durante o evento. A Conferência acontecerá no mesmo mês em que a Assembleia Geral vai dedicar às deliberações

de alto nível sobre a agenda de desenvolvimento sustentável para além de 2015, o prazo para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Sob o tema “desenvolvimento sustentável dos pequenos Estados insulares através de parcerias genuínas e duradouras”, a conferência em Samoa procurará assegurar o crescimento econômico e o desenvolvimento social, protegendo o meio ambiente de modo a contribuir para o aumento da resiliência destes países. Outros eventos paralelos estão programados e envolvem questões como juventude, dívida pública e proteção ambiental. O WED deste ano realiza-se num momento em que a grande maioria das ilhas combate ou busca adaptações à devastação das mudanças climáticas, e algumas, como as Maldivas estão literalmente afundando. Saiba mais em www.unep.org. SLOGAN O Pnuma promoveu eleição online para a escolha de slogan do Dia Mundial do Meio Ambiente 2014 e este ano, qualquer pessoa pôde votar através do site do Pnuma. A votação encerrou no dia 5 de março e o slogan vencedor – que será usado na chamada para a comunidade global participar – ainda não foi anunciado. Banco Mundial/Tom Perry

A costa de areia preta, Malekula Island, segunda maior ilha da nação insular Vanuatu


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FAUNA

Semace apreende 285 aves silvestres em Cascavel DIVULGAÇÃO

POR SHERYDA LOPES oev@oestadoce.com.br

Resido próximo a um hospital privado, e o comportamento da própria empresa, bem como de determinados profissionais de saúde causa-me espécie. Há um certo desleixo de todos, desde o recolhimento dos resíduos sólidos produzidos no estabelecimento, até a higiene pessoal dos profissionais. Durante todo o dia se vê pessoas de jaleco branco atravessando a rua para ir às lanchonetes da circunvizinhança e até postada diante de carrinhos que vendem os conhecidos “cai-duros” nas imediações do hospital. O que eu nunca vi por ali foi qualquer fiscalização dos órgãos da Secretaria de Saúde do Estado ou da Vigilância Sanitária. Diante disto, como fica a saúde dos pacientes atendidos por gente que está irremediavelmente cheia de bactérias?

A

Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), por meio da Diretoria de Fiscalização (Difis), apreendeu 285 aves silvestre nativas, em uma residência no município de Cascavel, Região Metropolitana de Fortaleza, no dia 27 de março. A ação foi ocasionada após a autarquia receber denúncia do funcionamento irregular de um cativeiro no local. Segundo Roberto Cavalcante, fiscal da Semace, essa foi a maior apreensão realizada desde que a autarquia e o Ibama assinaram acordo de gestão compartilhada de recursos faunísticos em setembro do ano passado. Ao constatar a veracidade da denúncia e a situação de flagrante do cativeiro irregular, a equipe do Setor de Defesa da Fauna da Difis solicitou apoio da Polícia Militar para adentrar ao local onde estavam os animais. O dono da residência não estava em casa e os animais foram encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, em Fortaleza. Entre as espécies faunísticas encontradas, estavam aves como o bigodeiro, papa-capim, golinha, canário-pirrita, azulão, abre-fecha, casaca-de-couro, galo-de-campina, periquito-de-sertão e papacu, sendo essas duas últimas ameaçadas de extinção. Segundo Roberto Cavalcante, as condições dos animais apreendidos levam a crer que a captura não havia

Os animais foram encontrados em condições razoáveis, ocasionando poucas perdas acontecido há muito tempo. “Foram apenas cinco pássaros que chegaram mortos ao Cetas, o que é um número pequeno nesses casos”, afirma. Quanto mais tempo os animais passam em poder de traficantes, mais chances há de óbitos ou de mutilações, devido às condições precárias em que são transportados. Quando o flagrante é feito no momento da caça, é possível realizar a soltura imediatamente na natureza. As equipes da Semace estão passando por capacitações técnicas junto ao Ibama, de forma que, até 2015, todas as competências ligadas à fauna devem passar ao Estado, com possibilidade de prorrogação do prazo. Entre tais competências, estão a gestão de criadouros comerciais de fauna nativa e a licença para criadores amadores de passeriformes silvestres nativos, que são aves de pequeno e médio porte, geralmente canoras.

DISQUE NATUREZA

• Para denunciar crimes ambientais o cidadão deve ligar para o Disque Natureza, que funciona nos números 0800-275-2233 ou (85) 3101-5512. O serviço está disponível para a socie-

O MAU EXEMPLO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE

dade de segunda a sexta-feira, das 8 às 15 horas. É importante que o denunciante informe o fato com o maior número de detalhes, para auxiliar ao máximo o trabalho da fiscalização.

Projeto rejeitado Certamente, por conhecer o problema acima referido, é que a deputada Fernanda Pessoa apresentou um projeto de lei à Assembleia Legislativa do Ceará determinando a proibição do uso de jalecos e aventais pelos profissionais de saúde fora do ambiente de trabalho. Tal determinação vale também para estudantes e estagiários da área médico-hospitalar, cabendo à Secretaria de Saúde do Estado a implementação de campanhas para a conscientização dos profissionais do risco de contaminação biológica. Coisa, aliás, que mais do que ninguém eles deveriam saber. Sabe o que ocorreu com o projeto da deputada Fernanda Pessoa? Foi transformado em Projeto de Indicação, o que significa dizer que não vai pra frente, porque depende da boa vontade do governador. E pela experiência legislativa, dos trezentos, quatrocentos projetos de indicação que a AL envia ao governador anualmente, retornam pouquíssimos em forma de proposta do Poder Executivo. Isto quando interessam diretamente o governo. Ambiente infectado É mais do que evidente que os profissionais que agem sem o devido cuidado higiênico estão contribuindo para infectar o ambiente. O projeto de autoria de Fernanda Pessoa daria uma inestimável contribuição legislativa para a educação sanitária e para a saúde da população. Evitando, inclusive, mortes por infecção hospitalar e os consequentes constran-

gimentos da empresa de saúde e do próprio Estado. Segundo, Fernanda Pessoa no Ceará, como na maioria dos estados brasileiros, os índices de infecção hospitalar são preocupantes e, sem dúvida, com a proibição do uso de jalecos e aventais pelos profissionais de saúde fora do ambiente de trabalho, haveria uma diminuição nos respectivos casos. Resina plástica Propositura que discute a criação de incentivos tributários à pesquisa e produção de resinas plásticas elaboradas a partir de fontes renováveis está em discussão na Câmara dos Deputados. A Comissão de Meio Ambiente deu sinal verde para o Projeto de Lei 3894/2012, que isenta de PIS/Pasep e de Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) as aquisições de produtos e máquinas necessários ao desenvolvimento de resinas plásticas feitas de material renovável. A proposta ainda precisa passar por duas comissões antes de seguir para o Senado. Contaminação ambiental Estimativas indicam que, anualmente, cerca de 14 bilhões de toneladas de resíduos plásticos são descartadas em aterros sanitários e mais de 100 mil toneladas vão parar em rios e mares. Como o tempo de decomposição do plástico convencional, pode levar mais de cem anos. Diversos problemas ambientais são gerados pela disposição final inadequada do produto. JORNALISTA E ESCRITOR


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SEGURANÇA HÍDRICA

Mais de 3000 cisternas para atender comunidades

Tecnologia social simples e de baixo custo para a captação e armazenamento de água da chuva, vai beneficiar comunidades na região do Semiárido do Ceará DIVULGAÇÃO

POR TARCILIA REGO* tarciliarego@oestadoce.com.br

O

prefeito de Mombaça, Ecildo Filho, e o secretário do Desenvolvimento Agrário do Governo do Estado do Ceará, Nelson Martins, assinaram ordem de serviço para a implantação de 2.928 cisternas de placas e 382 cisternas de produção ou enxurrada no município. A solenidade aberta ao público e toda a população mombacense aconteceu sábado, dia 5 de abril, às 8 horas, no polo de atendimento do Programa de Apoio às Reformas Sociais do Ceará – Proares, bairro Tejubana. A cisterna é uma tecnologia social simples para a captação e armazenamento de água da chuva. Com baixo custo, é adaptável a qualquer região, especialmente no Ceará, onde a cisterna representa uma solução de acesso à agua para as comunidades de baixa renda no Semiárido. Além da melhoria da qualidade da água consumida, que impacta de forma positiva sobre a redução de doenças por veiculação hídrica em adultos e crianças, a tecnologia também, contribui para a melhoria das condições sociais e econômicas das comunidades beneficiadas com o projeto. Os recursos destinados ao projeto das cisternas totalizam mais de R$ 12 milhões e chegaram até o município por meio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), do Governo do Estado e da própria administração municipal de Mombaça. “Será investido um total de R$ 8.105.699,52 para a construção das cisternas de placas e aproximadamente R$ 3.800.000,00, para as de enxurradas.” Informa a assessoria de imprensa do município. “O início da obra – prevista pra terminar em dezembro de 2014 - é imediato”, completa.

CISTERNA DE PLACA

De formato cilíndrico, coberta e semienterrada, o reservatório tem capacidade para armazenar até 16 mil litros de água captada das chuvas, através de calhas instaladas nos telhados das casas. A quantidade é suficiente para uma família de cinco pessoas beber e cozinhar, por um período de 6 a 8 meses – época da estiagem na região.

Prefeito Ecildo Filho assina a ordem de serviço para a implantação de cisternas PRODUZINDO COM VOCÊ Na ocasião, a Prefeitura de Mombaça através da Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural, lançou o projeto Produzindo com Você, o “Proce”, que atuará durante todo o ano na zona rural com quatro ações: construção de barragens subterrâneas, construção de silos, mapeamento dos poços profundos e reabastecimento de cisternas de produção. O objetivo do programa é incentivar a produção junto ao agricultor familiar, até dezembro deste ano serão construídas 110 barragens subterrâneas, 10 em cada Distrito de Mombaça. Os recursos investidos serão do Município e para construção, haverá parceria entre Prefeitura e produtor. A administração municipal entrará com a retroescavadeira e as lonas, e o produtor com a mão de obra para limpeza da valeta. A barragem subterrânea tem a função de armazenar água no subsolo, a fim de manter a umidade do solo. Além disso, o projeto também prevê a perfuração de um poço amazonas no meio da barragem subterrânea e a água deverá ser utilizada para irrigação. Já os silos deverão estar prontos até julho deste ano. Também serão construídos

110, divididos nos 11 Distritos de Mombaça. Nesta ação, a Prefeitura entrará com retroescavadeira e ensiladeira e o produtor com a mão-de-obra. Os silos têm a função de armazenar forragem no período em que ela se encontra com todo teor de proteínas, fazendo assim o melhor aproveitamento do suporte forrageiro. Esta ação visa evitar que o produtor, por falta de pasto, venda o seu rebanho no período em que o preço de mercado está baixo. A Prefeitura de Mombaça também vai mapear os poços profundos existentes no Município, a fim de orientar o agricultor para melhor uso da água e incentivá-lo a produzir alimentos que poderão ser vendidos para merenda escolar, através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). A quarta ação do Proce é o reabastecimento de cisternas de produção pelo carro pipa, com água para consumo animal e agrícola. A ação vai funcionar da seguinte forma: a cisterna secou, o agricultor solicita o reabastecimento na Secretaria de Agricultura do Município. *Com informações da assessoria de imprensa de Mombaça.

CISTERNA DE ENXURRADA

O modelo tem capacidade para acumular 52 mil litros e é construída dentro da terra, ficando somente a cobertura de forma cônica acima da superfície. O terreno é utilizado como área de captação. Quando chove, a água escorre pela terra e antes de cair para a cisterna passa por duas ou três pequenas caixas, uma seguida da outra, que são os decantadores. Os canos instalados auxiliam o percurso da água que escoa para dentro do reservatório. Com a função de filtrar a areia e outros detritos que possam seguir junto com a água, os decantadores retêm esses resíduos para impedir o acúmulo no fundo da cisterna. A água estocada serve para a criação de pequenos animais, cultivos de hortaliças e plantas medicinais e frutíferas. Fontes: www.asabrasil.org.br; www.mds.gov.br


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PROJETO SÃO FRANCISCO

Uma adaptação às mudanças climáticas, afirma ministro

Francisco Teixeira apresentou o andamento das obras durante almoço realizado em sua homenagem, na sede da Federação das Indústrias do Ceará POR SHERYDA LOPES oev@oestadoce.com.br

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inistro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, esteve, ontem, na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), para almoço oferecido pelo presidente da casa, Roberto Macedo. O motivo do encontro foi agradecer pela visita que o ministro proporcionou a um grupo de empresários da indústria cearense no dia 28 de março junto às obras de Transposição do Rio São Francisco. A expectativa do governo é de que o projeto atenda às demandas hídricas da população e também do setor produtivo, além de apoiar os estados nordestinos a mitigar os impactos das alterações do clima, conforme o 5o Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgado dia 30 de março. “As mudanças climáticas vêm sendo discutidas há mais de uma década, e temos acompanhado os debates. A forma de se adaptar ao fenômeno é promover uma ampliação planejada e racional da infraestrutura hídrica existente, e é exatamente isso que o Projeto São Francisco representa”, afirmou o ministro Teixeira. As ações integradas com a Agência Nacional das Águas (ANA), também foram ressaltadas por ele como importantes para uma gestão hídrica no País. O presidente da Fiec, Roberto Macedo, destacou a visita, e descreveu as obras como “quase faraônicas”. “Ficamos impressionados com a estrutura, se tivessem sido feitas há um século, hoje estaríamos em outra situação”, disse. Sobre a responsabilidade das

indústrias relacionadas aos dados do IPCC, Macedo disse que o setor não tem um projeto específico para lidar com a questão, mas que as empresas já começam a realizar ações de reuso da água e tem se preocupado com questões ambientais, diminuindo a emissão de resíduos e gases poluentes. “Requer mudança de comportamento e muito estudo, e isso leva tempo”, afirmou. CÂMARA TEMÁTICA CLIMA E RECURSOS HÍDRICOS O setor produtivo, governo, universidades e outras instituições terão um espaço para discutir questões ligadas ao clima e recursos hídricos. O presidente da União dos Agricultores do Vale do Jaguaribe (Univale),João Teixeira, informou sobre a Câmara Temática Clima e Recursos Hídricos, ligada à Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) e ainda em elaboração. “O governador já deu sinal verde e essa câmara deve ser lançada nos próximos 60 dias”, afirmou. O empresário Teixeira, que é irmão do ministro da Integração, durante sua apresentação, ressaltou que além de ter água, é necessário “que haja modos de transportá-la, e que os setores privados precisam repensar com urgência suas atitudes em relação ao meio ambiente e aos resultados do relatório do IPCC”. A importância desse debate também foi ressaltada pelo secretário executivo de Recursos Hídricos do Estado, Ramon Rodrigues. “Como a prioridade legal da água é para o consumo humano e animal, o que é correto, os setores privados têm que se organizar para que a produção tenha o recurso garantido”, afirmou.

FOTOS: BETH DREHER

O ministro apontou benefícios sócioeconômicos das obras e afirmou que estarão prontas até o ano de 2015


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ÁGUA PARA O DESENVOLVIMENTO A visita às obras do Rio São Francisco teve o objetivo de mostrar que a água no Nordeste não será mais um problema, o que possibilita a atração de investimentos para a região. “Os empresários do Ceará representam grande parte do PIB do Estado, gerando renda e empregos, e eles querem garantias de que o recurso estará disponível”, disse o ministro. Sanadas as necessidades hídricas de consumo humano, a intenção do governo é que a água que sobre nos reservatórios possa ser utilizada na produção agrícola e industrial. O titular da Integração Nacional ressaltou que, além da visita do empresariado cearense, existe a possibilidade de novas excursões com representantes do setor produtivo dos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Teixeira mostrou-se otimista quanto à Transposição do Rio São Francisco, e a respeito das recentes paralisações nas obras, o ministro espera que não tornem a acontecer. Ele atribuiu as manifestações dos trabalhadores à “inflexibilidade das leis brasileiras”, mas que todas as providências relativas a contratações e licitações já foram tomadas. O interesse da presidente Dilma em ver as obras concluídas foi apontado como um motor para o projeto cujas obras foram iniciadas em 2007. As primeiras etapas serão entregues em 2015.

AMBIENTALISTAEMREDE.COM

Durante o almoço, Roberto Macêdo elogiou as obras do São Francisco, visitadas por ele em março

Rio São Francisco Conhecido como o “Rio da Integração Nacional”, o São Francisco, descoberto em 1502, tem esse título por ser o caminho de ligação do Sudeste e do Centro-Oeste com o Nordeste. Desde as nascentes, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, até a foz, na divisa de Sergipe e Alagoas, ele percorre 2.700km e recebe água de 168 afluentes, dos quais 99 são perenes, 90 estão na sua margem direita e 78 na esquerda. Ao longo desse percurso, que banha cinco Estados, o rio divide-se em quatro trechos: o Alto São Francisco, que vai de suas cabeceiras até Pirapora, em Minas Gerais; o Médio, de Pirapora, onde co-

meça o trecho navegável, até Remanso, na Bahia; o Submédio, de Remanso até Paulo Afonso, também na Bahia; e o Baixo, de Paulo Afonso até a foz. Os índices pluviais da Bacia do São Francisco variam entre sua nascente e sua foz. A pluviometria média vai de 1.900 milímetros na área da Serra da Canastra a 350 milímetros no semiárido nordestino. Por sua vez, os índices relativos à evaporação mudam inversamente e crescem de acordo com a distância das nascentes: vão de 500 milímetros anuais, na cabeceira, a 2.200 milímetros anuais em Petrolina (PE). Embora o maior volume de água seja

ofertado pelos cerrados do Brasil Central e pelo Estado de Minas Gerais, é a represa de Sobradinho que garante a regularidade de vazão do São Francisco, mesmo durante a estação seca, de maio a outubro. Essa barragem, que é citada como o pulmão do rio, foi planejada para garantir o fluxo de água regular e contínuo à geração de energia elétrica da cascata de usinas operadas pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) - Paulo Afonso, Itaparica, Moxotó, Xingó e Sobradinho. E é assim que ela opera.

Fonte: Ministério da Integração Nacional


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CRIME AMBIENTAL

Lagoa da Laura: Mais um espelho d’água é aterrado em Fortaleza

Vereadores, fiscais da Seuma e representantes da sociedade civil organizada, visitam áreas às margens do Rio Cocó e constatam impactos que a fiscalização ainda é insuficiente FOTOS: DIVULGAÇÃO

veículo, cobrando que a Seuma apure o caso e puna os responsáveis. Para o parlamentar, vistorias como a realizada na semana passada precisam acontecer com mais intensidade e frequência e classificou como “débil” a estrutura atual da Prefeitura para a apuração de denúncias. “Não há fiscais suficientes, a cidade fica desprotegida”, disse. Outro ponto autuado, na quinta-feira, foi na Rua Francisco Vilela, nas proximidades da Arena Castelão. A equipe constatou atividades comerciais e industriais ocorrendo de forma

irregular às margens do rio Cocó. Foram emitidos dois autos de embargo por ausência de licença ambiental e por estar localizada em área de preservação ambiental não edificável. Todos os autos realizados serão encaminhados à Assessoria Jurídica da Seuma, a fim de serem tomadas as devidas providências judiciais. A assessoria de imprensa da Seuma informou que no ano passado, foram recebidas 13 mil e 168 denúncias relacionadas a crimes ambientais. A Secretaria não informou quantos fiscais há atualmente na Capital.

Fiscais da Seuma, vereador Joaquim Rocha e membros do SOS Cocó vistoriam as agressões no entorno do Cocó, no bairro da Boa Vista. Observam-se construções às margens do rio e empresas de lavagens de combustíveis, etc.

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Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), realizou quatro vistorias em pontos diferentes de Fortaleza, na última quinta feira (3/04). A fiscalização foi acompanhada pelo presidente da comissão de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente da Câmara Municipal de Fortaleza, Joaquim Rocha (Psol), e os vereadores João Alfredo (Psol) e Deodato Ramalho (PT), além de representantes do movimento SOS Cocó. Entre as infrações constatadas, a mais grave, segundo o vereador João Alfredo, é o aterramento da Lagoa do Gravito, conhecida como Lagoa da Laura, por trás da Casa José de Alencar, na Messejana. Na ocasião, a Seuma emitiu quatro autos de constatação por irregularidades no uso de caminhões basculantes sem o manifesto de transporte e cadastro técnico junto à Prefeitura Municipal

de Fortaleza. No momento da vistoria a equipe flagrou dois caminhões cheios de terra se aproximando do local. Ao perceber a fiscalização, os dois veículos retornaram sem confirmar onde despejariam o material. Na manhã seguinte, a equipe de fiscalização retornou ao endereço, acompanhada pelo Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), e foi emitido auto de constatação para o proprietário do terreno por promover aterro não licenciado. Também foram expedidos mais dois autos de constatação ao proprietário do caminhão, por ausência de manifesto de transporte e ausência de cadastro técnico de caminhões junto à Prefeitura. “Havia uma paisagem linda, hoje mal se vê água e resquícios de vegetação. É um crime enorme contra a população e o meio ambiente ter um recurso hídrico aterrado dessa maneira”, afirmou o vereador João Alfredo em entrevista a este

Comissão do Meio Ambiente da Câmara, fiscais da Seuma e representantes do SOS Cocó, observam um aterro criminoso na Lagoa da Laura, no Bairro José de Alencar

DICIONÁRIO ESTADO VERDE

INFRAÇÃO AMBIENTAL

• De acordo com Artigo 2 o Decreto no. 6.514 de 22/07/2008, “considera-se infração ambiental, toda ação ou omissão que viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente, conforme o disposto na Seção III do mesmo decreto”. As infrações são punidas com sanções de advertência; multa simples; multa diária. Cabe a Seuma estabelecer multa, embargo de obra e em alguns

casos a demolição de obra; suspensão parcial ou total das atividades. A aplicação das sanções administrativas deverá observar os seguintes critérios: I - gravidade dos fatos, tendo em vista os motivos da infração e suas consequências para a saúde pública e para o meio ambiente; II - antecedentes do infrator, quanto ao cumprimento da legislação de interesse ambiental; e III - situação econômica do infrator.


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MEIO AMBIENTE EMPRESARIAL AMAZONIA MG FOODS

Natura inaugura novo complexo industrial

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empresa Natura, considerada maior fabricante brasileira de cosméticos e produtos de higiene e beleza, inaugurou em março, um complexo industrial em Be-nevides, município de 50 mil habitantes localizado a 35 km de Belém (PA). Chamado de “Ecoparque”, o empreendimento vai concentrar a produção de sabonetes e de óleos fixos da Natura, além de gerar cerca de 250 empregos diretos e indiretos, até dezembro de 2014. Planejado para ser um empreendimento ecologicamente correto, o “Ecoparque” apresenta forma inovadora de atuação. O projeto é inspirado no con-

ceito de simbiose industrial ao conectar empresas de diferentes segmentos de mercado, desde que tenham interesses comuns e necessidades complementares. “A ideia é criar uma operação verdadeiramente compartilhada, uma rede de cooperação, em que as indústrias ins-taladas em um mesmo espaço possam trocar recursos e articular alternativas conjuntas para fomentar a geração de negócios sustentáveis na região. Além de alavancar a demanda por insumos da socio-

biodiversidade e o empreendedorismo local”, explica Alessandro Carlucci, diretor-presidente da Natura. O conceito de sustentabilidade e respeito ao meio-ambiente também está presente nas instalações e estruturas do empreendimento. A Natura utilizou a tecnologia de jardins filtrantes, um tratamento inovador de efluentes a partir de raízes de plantas. Em um processo de fitorrestauração, livre de produtos químicos, bactérias alojadas nas raízes de plantas aquáticas realizam a decomposição dos poluentes. Reutilização de água da chuva, aproveitamento da ventilação e iluminação natural das instalações, incentivo ao uso de bicicletas e a disponibilização de carros elétricos para facilitar a mobilidade dos colaboradores e visitantes são outras tecnologias e ações empreendidas dentro do Ecoparque.

HENKEL

Empresa reduz em 37% consumo de água

Há dois anos, a Henkel apresentou uma estratégia de sustentabilidade com ênfase na meta de longo prazo de alcançar mais com menos, triplicando sua eficiência de recursos em 2030 - o que a empresa chama de “Fator 3”. Para atingir este objetivo, a empresa apostou na criação de soluções sustentáveis. A tendência positiva no cartão de pontuação de sustentabilidade para 2013 mostra os esforços contínuos da Henkel para melhorar a eficiência e segurança. Durante os últimos 11 anos, por exemplo, a empresa reduziu o consumo de água e de energia em 51% e 44%, respectivamente, e obteve redução

do desperdício de 47% por tonelada de produção. Durante o mesmo período, o número de acidentes caiu em 90%. O resultado é que na América Latina, comparando-se 2013 a 2010, as unidades produtivas da área de Adhesive Technologies apresentaram redução de 37% no consumo de água (m3/ton) e 15% no uso de energia elétrica (kWh/ton). No Brasil, vale destacar, ainda, a grande redução na emissão de resíduos sólidos (kg/ton) de 79% em suas unidades produtivas. “Para a Henkel sustentabilidade é a forma como a companhia conduz os seus negócios, é um de nossos cinco valores estratégicos e é um importante

fator competitivo. A sustentabilidade contribui para o progresso social, reduz as emissões e consequentemente os custos, leva à inovação e fortalece nossa posição nos mercados do futuro”, afirma o executivo da área de sustentabilidade da empresa que há 59 anos e atua no Brasil nas áreas de adesivos, selantes e tratamento de superfícies.

Auditoria atesta boas práticas na compra de gado A Marfrig Global Foods, uma das maiores empresas globais de alimentos, publica relatório 2013, auditado por consultoria independente. A organização publicou dia 2 de abril, relatório que atesta boas práticas de sustentabilidade na compra de gado utilizado em suas unidades produtivas no bioma Amazônia. De acordo com o documento, em 2013, não foi identificada nenhuma operação de compra de gado que contrariasse os pontos do compromisso público assumido pelas grandes companhias de carnes do Brasil com a organização não governamental Greenpeace em 2009, conhecido como “Critérios Mínimos Para Operações Com Gado e Produtos Bovinos em Escala Industrial no Bioma Amazônia”. O acordo estabelece critérios para as compras de gado de propriedades no bioma Amazônia, prevendo a exclusão da lista de fornecedores habilitados fazendas que desmataram a floresta após outubro de 2009, de acordo com as listas oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes) e no Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), além daquelas que constam da lista de trabalho análogo ao escravo do Ministério do Trabalho ou como localizadas em terras indígenas ou unidades de conservação, e ou que ainda se encontrem na lista de áreas embargadas segundo o Ibama.


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GARIS

Classe pode ter redução de jornada de trabalho

O projeto de lei já passou pela Câmara dos Deputados e segue para votação no Senado. Proposta que estabelece jornada de trabalho de seis horas diárias e 36 horas semanais

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DIVULGAÇÃO

correm atrás desses caminhões por volta de 25, 30, 35 quilômetros por dia. Isso está constatado. Isso consta dos mapas das empresas que fazem a coleta de lixo na cidade de São Paulo. Esses trabalhadores têm distensão muscular, problemas sérios de saúde por conta dessa atividade, que é uma atividade penosa”. O parecer do relator deputado Eduardo Sciarra (PSD/PR), da Comissão de Constituição e Justiça, foi favorável ao projeto e ao substitutivo da Comissão de Trabalho. O substitutivo alterou a denominação do projeto original “coletor de lixo” para “gari”. A intenção é garantir uma jornada de trabalho de seis horas diárias, também, a varredores, capinadores e roçadores; que são responsáveis pela limpeza e manutenção das vias e espaços públicos das cidades.

Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta feira (02/04), proposta que estabelece jornada de trabalho de seis horas diárias e 36 horas semanais para garis e motoristas de veículos coletores de lixo, que atualmente possuem jornada de até oito horas diárias. A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e segue diretamente para o Senado, caso não haja recurso para a votação pelo Plenário da Câmara. Para o autor do projeto, deputado Roberto Santiago (PSD/SP), a jornada especial é necessária em razão das condições adversas de trabalho dos garis. “Eles, por exemplo, na cidade de São Paulo, um dos maiores centros do País, e em outras cidades não se dá de maneira diferente,

FORTALEZA Por meio de sua assessoria de imprensa, a Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb) informou que a jornada de trabalho dos 600 garis, responsáveis pela varrição das ruas de Fortaleza, já são 6 horas diárias. Além desses, são contratados 1100 profissionais terceirizados. Já a assessoria da Ecofor informou que a jornada semanal dos 650 trabalhadores da companhia é de 44 horas semanais, e que ainda não há como saber quais as mudanças que a empresa realizará, caso a redução da carga horária seja vigorada. MAIS A Ecofor recolhe mensalmente, 1630 toneladas de lixo domiciliar ao dia, somando aproximadamente 50 mil toneladas/mês. No ano passado, o total foi de 588 mil toneladas. Já os varredores da Emlurb recolheram 17 mil e 817 toneladas de lixo das ruas de Fortaleza em 2013. (Com informações da Agência Brasil)

INFORMAÇÃO AMBIENTAL

Origem do termo “gari”

O termo “gari” é uma referência a ao francês Pedro Aleixo Gary, primeira pessoa a assinar um contrato de limpeza pública com o Ministério Imperial, organizando assim, a partir do dia 11 de outubro de 1876, a remoção de lixo das casas e praias do Rio de Janeiro. Em 1892, a empresa foi extinta e inaugurada a Superintendência de Limpeza Pública e Particular da cidade, mas os cariocas, acostumados com a limpeza feita pela “turma do Gary”, adotou a expressão que aos poucos se generalizou e até hoje os profissionais são chamados de “garis”.

CIDADANIA AMBIENTAL Colaborando com o trabalho do gari Com ações simples, você pode colaborar com o trabalho dos garis: - Não jogue lixo ou entulho nas vias públicas, córregos, lotes vagos, bueiros e encostas. Além de poluir a cidade, resíduo jogado nas ruas, entope bocas de lobo e potencializa problemas como enchentes; - No trânsito, respeite os cones de sinalização. Eles estão ali para proteger os varredores, que estão trabalhando para deixar a cidade mais bonita para todos nós; - A velocidade do caminhão de coleta é em torno de 5 a 7 km/h. Ao ficar atrás de um deles no trânsito, seja colaborativo, não reaja com impaciência e leve em consideração a importância do trabalho realizado pelos garis; - Respeite os dias e horários de exposição do lixo para coleta, evite deixar seu lixo na rua por mais tempo que o necessário; - Mesmo que tenha Programa de Coleta Seletiva no seu bairro ou rua, acondicione o seu lixo em sacos separados: um para o seco e outro para o lixo úmido; - Acondicione com segurança, seu lixo, em sacolas resistentes, bem fechadas e de tamanho adequado, para evitar que as mesmas se abram e espalhem os resíduos nas vias públicas. Lixo embalado indevidamente, além de exalar mau cheiro, atrai animais vetores de doenças; - Acondicione o vidro e outros materiais perfuro-cortantes (estiletes, pregos, lâminas) com material resistente (papelão ou várias folhas de jornal) antes de colocá-los na sacola, bem como deve pressionar as tampas das latas de alumínio ou ferro, para dentro. Esses materiais desprotegidos podem ferir o gari mesmo que ele esteja usando Equipamento de Proteção Individual (EPI).


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CURIOSIDADES

Tartaruga tem patas amputadas, mas volta a nadar com barbatanas artificiais ELIZABETH

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pós ser resgatada no Mar Mediterrâneo pela equipe israelense “Sea Turtle Rescue Center”, uma tartaruga marinha teve as patas dianteiras amputadas, voltou a nadar após receber barbatanas artificiais criadas por um estudante de design industrial de Israel. A equipe que encontrou o “bichinho” e passou a chama-lo de Hofesh (Liberdade, em hebraico), levou o mesmo a um centro de reabilitação animal em Michmoret, uma comunidade costeira ao norte de Netanya, daquele país. Foi naquele centro que o estudante de design industrial Shlomi Gez, um amante de animais - que já tinha lido sobre Hofesh na internet adaptou uma

barbatana para peixes feita de polipropileno, plástico durável mais flexível e resistente à água. A nadadeira permite que o peixe mantenha o equilíbrio e a versão final é inspirada em uma aeronave de combate aéreo, o F22 Raptor. Ele usou “duas pequenas nadadeiras colocadas no mesmo ângulo que os dois winglets traseiros da aeronave”. A tartaruga Hofesh faz parte de uma espécie ameaçada de extinção, por isso os pesquisadores não hesitaram em encontrar uma companhia para ela, uma tartaruga que ficou cega em razão de um acidente com um barco. O casal vive agora em um tanque compartilhado no centro de Michmoret.

INDICAÇÃO DE LEITURA

Intercaju Gourmet é lançado e traz receitas exclusivas com caju

Livro será distribuído gratuitamente em todo o País. A ideia é movimentar a cajucultura cearense, beneficiando diretamente os produtores e promovendo a inclusão social A publicação Intercaju Gourmet é lançada e traz pratos exclusivos com caju. Ontem (07/04) com o apoio do Governo do Estado, através da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), o livro composto de receitas exclusivas que utilizam o caju como principal ingrediente e que colocam o fruto no circuito da alta gastronomia regional foi lançado. O trabalho é resultado do 1º “Encontro Gastronômico Intercaju”, evento promovido pelo projeto Intercaju em outubro de 2013 e que reuniu os principais chefs do Estado na preparação de receitas com o fruto. Os renomados profissionais da cozinha demonstraram, através dos pratos, toda a versatilidade do caju, que pode ser utilizado em sua totalidade - pedúnculo (polpa) e

castanha. As receitas estão no livro e comprovam isto, em pratos simples e refinados, doces e salgados. As pessoas que participaram do lançamento tiveram a oportunidade de degustar pratos que constam na publicação. Foram convidadas autoridades e pessoas ligadas à cadeia do caju. “Objetivamos com o livro a consolidação de uma identidade cultural gastronômica, ao inserir um fruto regional não como coadjuvante, mas como insumo principal dentro das receitas. O incentivo ao consumo e a valorização da produção do caju é uma meta que esperamos alcançar com a publicação”, afirma o secretário da Secitece, René Barreira. O livro será distribuído gratuitamente em todo o País, nas principais redes de supermercados, faculdades e

cursos de Gastronomia e em eventos nacionais e internacionais que envolvam a cadeia produtiva do caju. “A ideia é movimentar a cajucultura cearense, beneficiando diretamente os produtores, no sentido de promover a inclusão social e produtiva das organizações coletivas”, explica Francisco Carvalho, coordenador de Ciência e Tecnologia da Secitece. PROJETO INTERCAJU O objetivo do Intercaju é promover a cajucultura no Ceará. Projeto do Governo do Estado/Secitece, Finep, CNPq e Sebrae, em parceria com o Nutec, Centec e Embrapa. A iniciativa quer injetar R$ 2 milhões na cajucultura do Estado, presente nos municípios de Amontada, Tururu, Trairi, Itarema, Itapipoca e Barreira, aten-

de aos produtores de caju dos territórios dos Vales do Curu e Aracatiaçu e Maciço de Baturité, promovendo a inclusão social e produtiva das organizações coletivas.


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REPÚDIO

Corte de cajueiros decenários no Fórum Clóvis Beviláqua DIVULGAÇÃO

POR INTEGRANTES DO MOVIMENTO PRÓ-ÁRVORE

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m tempos de aquecimento global, de maior conscientização quanto à urgência das questões ambientais historicamente relegadas, em tempos de maior difusão da importância da conservação da natureza, o que influirá diretamente na sobrevivência da espécie humana, nos causam arrepios as práticas quanto à arborização de nossa Capital, elemento fundamental à qualidade de vida nas cidades. No final de 2013, por volta do dia 23 de dezembro, portanto bem próximo ao Natal, que significa nascimento, mais um absurdo contra o meio ambiente se deu – a derrubada de cerca de 12 Cajueiros (Anacardium occidentale) de grande porte, com mais de cinquenta anos de idade, no estacionamento da OAB-CE, situado no Fórum Clóvis Beviláqua, justamente o espaço privilegiado de uso exclusivo dos advogados, com belas e ternas sombras proporcionadas por aquelas grandes árvores, hoje mortas. O motivo? Ampliar as vagas para veículos dos advogados que se dirigem ao Fórum (conforme informe publicitário da OAB-CE publicado em 15.01.14, em jornal da cidade). Ora vejam, se o objetivo era aumentar o número de vagas, porque então não adquirir um terreno nas proximidades e destiná-lo a tal fim? Isso evitaria o doloroso sacrifício daquelas lindas árvores. O motivo alegado àqueles que se indignaram com o triste episódio seria o ataque de cupins mas, se haviam cupins, que tivessem sido tratadas aquelas árvores, antes e hoje, a solução seria sua eliminação sumária? Demonstra que não

se dava a devida atenção aos entes vivos daquele terreno – os cajueiros. Importa lembrar que o plantio/doação de mudas NÃO RECUPERA o dano, visto que os benefícios ambientais fornecidos por árvores adultas, grandes, se dão pela grande biomassa (que armazena carbono) e a superfície foliar, cujo efeito direto – a sombra, é capaz de reduzir a temperatura local em até cinco graus. Em substituição, pasmem, puseram Nins (Azadirachta indica), uma

espécie exótica invasora, que comprovadamente afeta drasticamente a biodiversidade nativa autóctone, além de possuir um crescimento exagerado, que no futuro ensejará novos cortes, perdendo-se com isso um largo tempo sem os benévolos daquela arborização. Um contrassenso. Mudas de árvores se bem plantadas, acompanhadas, serão árvores adultas daqui a pelo menos doze anos, e não há nenhuma garantia de que um certo nú-

mero de mudas se tornem árvores adultas, pois demandaria cuidados e acompanhamento, inusuais em nosso contexto. O melhor espaço para estacionamento de veículos no Fórum fora reservado à OAB, onde havia a farta sombra dos belos cajueiros. Hoje, mortos - inexistem - não passam de lembranças de tempos melhores. Fica aqui registrada a profunda indignação do Movimento Pró-Árvore a esta lastimosa ação perpetrada pela OAB-CE em nossa cidade.


Caderno O Estado Verde 8 de Abril 2014