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O ECO • LENÇÓIS PAULISTA E REGIÃO, SÁBADO, 20 DE JULHO DE 2013 • FRASE

Entrevista

Se você colocar no Google “rerrefino” em qualquer língua, vai parecer a Lwart e vai aparecer Lençóis Paulista.

Thiago Trecenti, diretor da Lwart Lubrificantes sobre o Projeto H

MELHORES DO ANO - HOMEM DO ANO

‘Este é o prêmio máximo de reconhecimento em Lençóis Paulista’, diz Thiago Trecenti FOTO: MÁRCIO MOREIRA/O ECO

Homem do Ano, diretor da Lwart divide o prêmio com a equipe do Projeto H Vitor Godinho

C

om apenas 38 anos, ele tem sob seu comando mais 1,1 mil profissionais de uma empresa que em 2012 se tornou referência no Brasil e no Exterior ao lançar um produto inovador. Jovem na idade, mas com experiência nacional e internacional em grandes empresas e formação compatível com o cargo que ocupa, Thiago Trecenti, diretor da Lwart Lubrificantes, mostra que ousadia e determinação são marcas da empresa construída por seus familiares. Engenheiro de Produção, ele voltou para o Grupo em 2007 para comandar uma área de Novos Projetos, onde nasceram os estudos que resultaram na implantação do Projeto H e na produção óleo do Grupo 2, lançado oficialmente no ano passado. Um investimento de R$ 234 milhões. E foi por isso que ele foi escolhido pela direção do Jornal O ECO para receber o prêmio Homem do Ano na festa Melhores do Ano, que acontece em 17 de agosto, no Clube Esportivo Marimbondo. Ao ser comunicado da premiação, o empresário se disse surpreso porque estava apenas trabalhando. Segundo a direção do jornal, o objetivo da premiação é justamente homenagear as pessoas que trabalham para fazer a diferença nas mais diversas áreas de atuação. A declaração de Thiago Trecenti mostra ainda mais que a escolha do prêmio Homem do Ano foi mais do que acertada. Em entrevista exclusiva ao jornal O ECO na manhã de quinta-feira, Thiago se disse lisonjeado com a escolha e que queria dividir o prêmio com todas as pessoas que estiveram ao seu lado e o apoiaram nesse momento. Filho da terra, ele afirmou que não tem a menor vontade de voltar a morar em cidade grande e frisou que suas raízes estão fixadas em Lençóis Paulista. Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista.

O ECO - O senhor tem uma formação profissional que permitiria trabalhar e morar em qualquer outro lugar do mundo. Por que escolheu Lençóis Paulista para viver e trabalhar? Thiago Trecenti - Sou engenheiro de produção e, logo que sai da faculdade, fui trabalhar em uma outra empresa, a Santista Têxtil, que é do grupo Camargo Corrêa. Fiquei na Santista por aproximadamente quatro anos e meio. Lá, iniciei a minha carreira profissional. Naquele momento, não tinha expectativa nenhuma de vir trabalhar no Grupo Lwart. Nós temos regras de governança familiar no grupo desde 1995, época em que entrei na faculdade. Nós temos regras que falam que para um membro da família vir trabalhar na empresa, tem que ter formação e passar por algumas etapas, como curso superior, MBA e experiên-

cia internacional. Formei-me em 2000 e fui trabalhar na Santista, onde fiquei até julho de 2004, quando fui convidado para vir para o grupo. Na época, a Sara (Sara Margaret Hughes, ex-diretora e hoje membro do conselho de administração do Grupo Lwart), ainda era diretora coorporativa e, ela me chamou para vir trabalhar para o grupo. Eles estavam iniciando um trabalho de certificações, de ISO e tinha um conhecimento, pela outra empresa em que trabalhava. Aceitei o convite por alguns motivos. Primeiro, porque gosto de Lençóis e já estava fora da cidade desde 1994. Dez anos depois, tive a oportunidade de voltar a Lençóis. Tenho minhas bases aqui, não só a família, mas também os amigos e gosto muito da cidade, gosto de viver aqui. Era um objetivo um dia voltar, não sabia se trabalhando na empresa ou se voltaria como empreendedor ou outra coisa para a cidade, mas tinha a intenção de voltar. O ECO – Voltar para Lençóis estava nos planos? Thiago - Era uma meta, não sei se ia ser mais cedo ou depois, mas um dia queria voltar para Lençóis. Vim para o grupo, fiquei por dois anos, de 2004 a 2006, e o que faltava no currículo ainda era uma vivência internacional. Em 2006, fui para o Canadá, trabalhar em uma empresa de celulose, onde fiquei por aproximadamente um ano. Em 2007, voltei para o grupo, nós estávamos querendo investir em novos negócios e novas oportunidades. Então, o Carlos Renato Trecenti era o diretor da Lwarcel na época e vim para criar uma nova área, que chamamos de Novos Projetos. Comecei neste período a analisar oportunidades, tanto oportunidades relacionadas a negócios existentes, como novas oportunidades de investimentos. O resultado disso foi que nós vimos que ainda tínhamos investimentos a fazer em negócios existentes. Era muito cedo para ir para novos negócios. No final de 2007 e início de 2008, houve um processo sucessório dentro da empresa e fui escolhido para assumir a Lwart Lubrificantes. Assumi a gerência industrial da Lwart Lubrificantes no começo de 2008 e, no começo de 2009, assumi a diretoria. Nesse período, começamos a fazer prospecções de oportunidades. Foi quando percebemos que existiam oportunidades em outros lugares, fábricas mais modernas do que a nossa e nós fomos para a Europa, Estados Unidos e outros países para conhecer novas tecnologias de rerrefino. Foi quando começou a surgir o Projeto H, quando nós começamos a desenhar o projeto. O Eco - Como foi processo de viabilização para que o projeto pudesse ser implantado aqui? Thiago - O processo foi interessante. Nós sabíamos que existia e, fomos para lá para conhecer e visitar as fábricas. Vimos o produto, a tecnologia e começamos a procurar essa tecnologia. No final de 2009, estávamos com o projeto já

capacidade nominal. Não temos matéria-prima suficiente, não temos o óleo usado suficiente para rodar essa planta com 100% de sua capacidade. Por isso, devemos investir na coleta nos próximos anos. Nos próximos três ou quatro anos, o maior investimento será na coleta do óleo usado, que é onde precisamos crescer. E, claro, no desenvolvimento das pessoas. A tecnologia nova requer muito treinamento e investimento em adaptações.

HOMEM DO ANO - “Estou aqui representando esse prêmio e considero ele para a empresa, pelo investimento”

esboçado e levando para a aprovação do investimento. Em 2010, foi quando efetivamente começou. Levamos aproximadamente dois anos prospectando isso. O ECO - Quais os seus projetos para o futuro? Pretende continuar aqui e como o senhor vê essa sua evolução de carreira? Thiago - Tem muitos desafios ainda na Lwart Lubrificantes. Nós temos muita coisa para fazer, mas a gente não sabe o dia de amanhã, o futuro a Deus pertence. Procuro fazer o melhor trabalho possível e, se continuar fazendo o trabalho, continuaremos tendo resultados. Em relação à minha pessoa, o Thiago, gosto muito da cidade e quero continuar vivendo aqui. Não tenho intenção de voltar aos grandes centros, não tenho vontade de morar em São Paulo. Nós vemos hoje uma migração maior da Capital para o Interior e muita gente querendo voltar. Tenho família aqui, meus filhos vão crescer aqui, minha esposa trabalha na cidade, ela é dentista e tem um consultório. A nossa vida está aqui hoje, estamos enraizados em Lençóis. O ECO - Como o senhor recebe o prêmio? Para um filho de Lençóis, ser premiado por um jornal que há 75 anos retrata a cidade, inclusive a história da sua família, qual é o seu sentimento? Thiago - Fico muito lisonjeado, esse é o prêmio máximo de reconhecimento para Lençóis Paulista. Ele reconhece os melhores profissionais e estar sendo reconhecido me deixa muito lisonjeado. Volto a repetir o que falei no início, sou um representante, estou aqui representando esse prêmio e considero ele para a empresa, pelo investimento que foi feito, pela confiança dos sócios em falar: vai se fazer o investimento, vamos fazer um negócio diferente, uma tecnologia nova, investir em um negócio pouco conhecido no mundo. Existem apenas cinco empresas

fazendo isso no mundo todo, isso coloca o Brasil em uma posição de destaque no setor de refino. O Eco - Foi um projeto ousado? Thiago - Sim, apesar de estamos no setor há muito tempo, esse é um negócio diferente, um projeto bastante ousado. O Eco - Quanto foi investido e qual o impacto que esse projeto tem para Lençóis Paulista? Thiago - O impacto é muito positivo, foi um investimento de R$ 235 milhões, temos um saldo positivo hoje de geração de empregos desde quando o projeto iniciou. Não só aqui, porque nós vemos o projeto na indústria, mas também houve um investimento forte na área de coleta, o que gerou emprego até em outras cidades e estados espalhados pelo país. Por mais que seja um setor pouco conhecido, pouco divulgado, coloca a cidade, o município em destaque. Se você colocar no Google rerrefino em qualquer língua, vai parecer a Lwart e vai aparecer Lençóis Paulista. Neste setor, o destaque hoje é a Lwart e Lençóis acaba por consequência aparecendo também. O impacto foi muito positivo, a gente traz muitas pessoas de fora para conhecer a empresa e eles elogiam a cidade. A pessoa vem para empresa e ela fica no hotel, se instala para ficar um dia e fica admirada com Lençóis. Lençóis é uma cidade muito organizada, muito limpa, isso começa a levar o nome de Lençóis para outros lugares. As pessoas ficam admiradas que têm outras industrias aqui. Claro que empresas conhecidas, mas as pessoas, às vezes, não ligam a cidade com a indústria. Então, não é só o Grupo Lwart. É o Grupo Lwart, a Zilor, a Frigol, Lutepel e todas as outras. As pessoas passam e pensam: poxa, nunca pensei que essas empresas estavam todas aqui. Então, isso é um diferencial. O ECO - Como estão as projeções de investimentos futuros da Lwart Lubrificantes? Thiago - Nós vemos a oportunidade de crescimento, claro

que a gente precisa primeiro consolidar o investimento que já foi feito. Hoje, o investimento é muito mais em coleta. Então, as pessoas acabam não vendo isso. Investimos em veículos de coleta, em pessoal, treinamento, desenvolvimento das pessoas... É que nós estamos investindo mais hoje para conseguir consolidar esse investimento. O ECO - Essa fábrica tem capacidade de expansão? Ela pode receber novos investimentos? Thiago - Com certeza. Tem coisas que nós podemos fazer nela, ajustes que podemos fazer para aumentar a capacidade. Ainda trabalhamos abaixo da

O ECO – Para finalizar, tem mais alguma coisa que gostaria de dizer? Thiago - Agradeço mais uma vez e sempre falo isso: não teria recebido esse prêmio se não tivesse todo mundo por trás, ou melhor, ao meu lado e à frente de mim. Muito bem amparado pelas pessoas, por profissionais capacitados, que hoje trabalham conosco. Se você perguntar qual o meu maior desejo, vou dizer que quero sempre fazer desta empresa, o melhor lugar para se trabalhar. Que as pessoas sintam prazer em trabalhar na empresa, que sintam orgulho de trabalhar não só na Lwart Lubrificantes, mas em todo o Grupo Lwart. Que todo mundo consiga fazer parte dessa história, que todo ano tenhamos um grupo muito grande de homens e mulheres do ano, todo ano é um desafio para gente. Esse é o orgulho que nós temos e o que nos deixa muito satisfeitos em trabalhar na empresa, dando continuidade em tudo aquilo que foi criado no passado. Um sonho que começou em uma família, com quatro irmãos, que hoje se tornou algo muito importante, não só para o município de Lençóis Paulista, mas também para o Brasil.

Jornal o eco 20 07 13  

edição digital do dia 20 de julho

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