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Edição de - Setembro de 2011—Nº 03 www.cpodisseia.com/odisseiaemrevista

Divisão cúbica do espaço(Escher, 1955)

Desbravador dos Sete Mares

A Internet e a revolução na comunicação

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Uma nova perspectiva


Equipe

Sumário

Editorial - 03

Direção Geral Marcelo Lambert marcelo_lambert@yahoo.com.br

A arte na matemática - 06

Redação Raquel Lambert quellambert@yahoo.com.br

Turismo - 09

Editorial Professor Thiago Abramson thiagoabram@hotmail.com Criação e Diagramador

Literatura - 15

Leandro Zermiani leandro@leandrozermiani.com Web Design

Conexão Odisseia - 20

Leandro Zermiani www.leandrozermiani.com Colaboradores nesta edição

Engenharia de Alimentos - 21

Audrey Maceá Flavio Augusto Camilo Jonatan Tostes

Propaganda e vida cotidiana - 22

Marici Harumi Bando Otávio Pires Samuel Candido de Oliveira Thiago Abramson

Filosofia - 24

Vanilson Fickert Marketing e Circulação Leandro Zermiani

Psicologia - 26

Alexandre Abramson Central de atendimento odisseiaemrevista@cpodisseia.com 2


Amigos do Odisseia,

A

matemática tem uma ligação estreita com a Arte, quando falamos de diferentes formas de expressão humana, quase sempre nos lembramos da magnitude do teatro, da plasticidade da pintura e escultura, do encantamento da música, do êxtase causado pela fotografia e pela imagem cinematográfica. A Matemática faz parte de todas estas formas de expressão humana e também em outras que o homem ainda criará. Acompanhe nesta edição, o fascínio da Arte na Matemática, descrita pelo Mestre Flávio Camilo

Um grande abraço a todos e até a próxima revista!

Professor Flavio Augusto Camilo Mestre em Ensino de Ciências e Matemática

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CENTRO DE PESQUISAS ODISSEIA Nossa missão é a democratização do conhecimento e a luta constante pela emancipação humanas, através da contínua busca de respostas e construções de questionamentos que levará a humanidade a um equilíbrio mental, físico e espiritual. Visite nosso site:

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Conheça nossos projetos

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Antáres 4


Civilização Maia História e Pensamento

Adquira o livro do Professor Marcelo Lambert pelo site: www.marcelolambert.com

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Matéria da capa

Á

Mãos Desenhando-se (Escher, 1948)

A Matemática tem uma ligação estreita com a Arte, quando falamos de diferentes formas de expressão humana, quase sempre nos lembramos da magnitude do teatro, da plasticidade da pintura e escultura, do encantamento da música, do êxtase causado pela fotografia e pela imagem cinematográfica. A Matemática faz parte de todas estas formas de expressão humana e também em outras que o homem ainda criará. A noção de infinito dado por Maurits Cornelis Escher, em sua famosa gravura, onde uma mão desenha a própria mão criando, ou, sua geometria que nos leva a refletir sobre o real e o irreal, antecipando a Matrix do cinema. A escadaria de Escher, nos faz entrar em um mundo onde o verossímil e o inverossímil se confundem. A Matemática está na métrica das poesias, no dividir de compassos de uma música, no tempo de exposição de uma foto, na dinâmica dos números de cenas que fazem com que nossos olhos detectem o movimento das cenas no cinema, nas novas tecnologias do 3D, ou seja, o tridimensional geométrico. Lewis Carrol, em seu livro Alice no País das Maravilhas, apresenta a lógica matemática como enredo para as passagens de Alice em sua obra, que erroneamente é classificada como uma obra de literatura infantil, mas analisando com cuidado os detalhes e diálogos de Alice com as personagens é a mais pura tautologia lógica em sua passagem: 6


pentes, é tudo o que posso dizer. Conselhos de uma Lagarta

Do ponto de vista formal, a Pomba tinha razão:

(Extraído do Livro “Alice no País das As serpentes (s) têm pescoço comMaravilhas- Lewis Carrol, primeira publiprido; Alice (a) também tinha o pescoço cação em 1865) comprido, portanto era uma serpente (s). Após conversar com a Lagarta Azul, No entanto, Alice (a) é uma menina (m), Alice come um pedaço de cogumelo que mas as meninas (m) comem ovos, tal faz com que o seu pescoço cresça de- como as serpentes (s), portanto por sumasiado. Uma Pomba que ia a passar bordinação, Alice não é uma serpente no céu assusta-se e grita: (s>m>a). -Uma serpente.

Neste pequeno episódio podemos Desenrola-se então o seguinte diá- ver como o professor de lógica Lewis Carroll contaminou, com questões lógilogo: cas, a literatura infantil que escreveu. - Eu...Eu sou uma menina! Disse APodemos dar outros exemplos do lice, não muito segura, ao lembrar-se do número de mudanças que sofrera, só uso da literatura, na aplicação da Matemática no enredo ficcional. Walt Disney, naquele dia. também produziu um desenho infantil na - Uma bela história, na verdade! década de 50, intitulado “ Donald no Respondeu a Pomba com profundo desMundo da Matemática”, onde o enredo prezo. passa pelos filósofos matemáticos, a ál- Tenho visto muitas meninas na migebra, a aritmética e a geometria, connha vida, mas nunca vi nenhuma assim! ceitos bastante complexos para uma criNão, não! Tu és uma serpente, e não vaança, mas, que ao ser assistido por esle a pena negá-lo. Creio que me vais ditas crianças, oferece uma mescla de dizer a seguir que nunca provaste um ovo! versão e apropriação de conhecimento. - Claro que já comi muitos ovos! Respondeu Alice, que dizia sempre a verdade. - Mas as meninas comem ovos, tal como as serpentes, percebes? Continuou Alice. - Não acredito! Respondeu a Pomba. - Mas se assim é, nesse caso elas são uma espécie de ser7


O Brasil também nos ofereceu exemplos da Matemática na literatura “infantil”. Monteiro Lobato, com suas histórias que povoaram a mente de muitas gerações, produziu em um de seus livros, intitulado, “Aritmética da Emilia”, uma viagem pelo mundo dos números, uma linguagem muito próxima da criança, mostrando uma forma de ver a Matemática de forma prazerosa e inesquecível.

ções que apenas a Matemática consegue conceber. Vivemos em um espiral onde a Matemática está posta de forma a explicar ou deixar no inconsciente humano nas palavras do Prof. Julio Cesar ou Malba Tahan: “É preciso, ainda, não esquecer que a Matemática, além do objetivo de resolver problemas, calcular áreas e medir volumes, tem finalidades muito mais elevadas. Por ter alto valor no desenvolvimento da inteligência e do raciocínio, é a Matemática um dos caminhos mais seguros por onde podemos levar o homem a sentir o poder do pensamento, a mágica do espírito. A Matemática é, enfim, uma das verdades eternas e, como tal, produz a elevação do espírito – a mesma elevação que sentimos ao contemplar os grandes espetáculos da Natureza, através dos quais sentimos a presença de Deus, Eterno e Onipotente!” (Malba Tahan, 1961).

O Brasil produziu um grande pensador da matemática, que foi um dos precursores do pensar a Matemática como articulador de outras áreas do conhecimento, pelo seu nome de batismo é pouco conhecido fora do âmbito da Educação Matemática, Prof. Julio Cesar de Mello e Souza, ou mais conhecido pelo seu pseudônimo Malba Tahan, que dentre suas obras a mais conhecida é “O homem que Calculava”. Nessa obra ficcional, o autor traça desafios matemáticos, onde o leitor,” a criança de todas as idades”, é levado por um enredo a caminhar pelas histórias das mil e uma noites, descrevendo e solucionando situa-

- A matemática é mesmo prodigiosa!

Professor Flavio Augusto Camilo Mestre em Ensino de Ciências e Matemática fcamilo@ig.com.br

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Turismo Olá Caroneiros Trabalho com turismo há mais de 20 anos (nossa nem eu imaginava que faz tanto tempo) e sempre me surpreendo com novas descobertas. Recentemente graças a um projeto conheci uma nova faceta de uma bem conhecida região turística – a Baixada Santista. Os municípios que compõem essa região recebem a cada temporada ou feriado prolongado milhares de turistas (paulistanos principalmente) que as redes de televisão não cansam de mostrar a longa fila de espera no pedágio. A quase totalidade vai em busca de sol e praia e esta motivação é totalmente válida. Mas a região possui muitas outras opções como trilhas, aventura e, para apreciadores de referências históricas como eu, vários locais que remetem ao nosso passado. Colonizadores portugueses e missionários religiosos a partir de suas praias fundaram vilas, engenhos, fortes, igrejas, conventos e destruíram várias tribos indígenas também. Foi em 22 de janeiro de 1532, que Martim Afonso de Sousa funda na ilha de São Vicente a primeira vila do Brasil dentro do processo de assegurar as terras à Portugal. Ergueu se a Câmara, o Pelourinho, a Cadeia e a Igreja, símbolos dessa colonização e bases da administração portuguesa. O Padre Manoel da Nóbrega, um jesuíta, liderou os primeiros grupos de missionários em terras brasileiras vindos com a missão de catequizar a população indígena. Sem entrar no mérito se a ação foi correta ou não, Manoel da Nóbrega, Leonardo Nunes e o hoje beato José de Anchieta tiveram um papel fundamental na história paulista e brasileira e nesta região encontramos vários locais onde esta presença é perceptível. Em São Vicente, a Biquinha de Anchieta era o local onde o beato catequizava e desde 1553 abastecia de água a vila. Neste local encontramos uma estátua em tamanho natural dele.

Estátua de Anchieta e Biquinha em São Vicente – Banco de Imagens Estado São Paulo – crédito Rubens Chiri

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Outros locais interessantes com a mesma referência são: a Casa Martim Afonso onde está a primeira parede erguida em alvenaria do Brasil, a reprodução da Vila de São Vicente que permite conhecer o cotidiano colonial do século XVI (lojas, tavernas e atores reproduzem uma vila deste período) e a Igreja Matriz de 1757 em sua terceira versão sendo que a primeira foi destruída por um maremoto, em 1542 e a segunda por piratas. Restaurada em 2006 focou no que seria a estrutura original da Igreja sendo descobertas lápides próximas ao altar e a escadaria original da entrada. O povoamento de Conceição de Itanhaém foi fundada em 22 de abril de 1532, das mais antiga do Brasil, sendo elevado à categoria de Vila, no ano de 1561. Nesta povoação Manoel da Nóbrega, Leonardo Nunes e José de Anchieta destacaram-se na catequização e apaziguamento dos indígenas que viviam em litígio com os povoadores portugueses (que queriam escravizá-los). Vale conhecer a Igreja Matriz de Sant´Anna , Antiga Casa de Câmara e Cadeia - hoje Museu Conceição de Itanhaém , Convento Nossa Senhora da Conceição - localizado no alto do Morro do Itaguaçu e com as mesmas características arquitetônicas da época do Brasil Colonial. Matriz de Sant´Anna – Itanhaém – crédito Vanilson Fickert Passarela de acesso a Cama de Anchieta em Itanhaém – crédito Vanilson Fickert Outro ponto de interesse é a chamada Cama de Anchieta. Encravada entre os costões da Praia da Gruta e da Praia dos Sonhos, segundo a lenda era o local onde o beato Anchieta buscava repouso e inspiração. O acesso é através de uma passarela de 220 metros sobre as pedras, mas o local sofreu com atos de vandalismo (pixações). Uma triste realidade de um povo que não respeita sua história.

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Cama de Anchieta - Itanhaém – crédito Vanilson Fickert

Em Peruíbe encontramos as ruínas do Abarebebê – resquícios a Igreja e o colégio de São João Batista, no séc XVI, construída pelo padre Leonardo Nunes, o primeiro catequizador da região, conhecido pelos índios como Abarebebê - padre voador, por aparentar ir de um local a outro apesar da distância.

Ruínas do Abarebebê – Peruíbe – Crédito Vanilson Fickert

Em Bertioga o Forte de São João, de 1547 (antigamente conhecido como Forte de São Tiago), protegia a entrada do canal e consequentemente as Vilas de São Vicente e Santos. Além de Anchieta o forte teve a presença do aventureiro alemão Hans Staden que foi capturado por uma tribo dos Tupinambás e conta em seu livro toda a angústia em ser devorado pelos indígenas. Vale a pena a leitura para conhecer a realidade no início da colonização.

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Forte de São João – Bertioga - Banco de Imagens Estado São Paulo – crédito Miguel Schincariol Do outro lado do canal, no Guarujá, encontrava-se o Forte de São Luís (ou São Felipe) também para garantir a segurança das vilas. Hoje restam apenas as bases deste forte. Mas o que mais me impressionou neste mesmo local foram as ruínas da Ermida de Santo Antonio do Guaibê, acessível por uma trilha (trilha da prainha branca) logo ao lado da travessia da balsa Guarujá-Bertioga. Estas ruínas estão cobertas pela vegetação com vista ao canal, mas possui uma beleza e uma energia única. A trilha é simples, mas não bem sinalizada – pegue sempre a pista da esquerda, mas vale a pena a caminhada Ermida do Guaibê – Guarujá – Crédito Vanilson Fickert

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No Guarujá a Fortaleza da Barra Grande também merece uma visita, apesar que a melhor vista da Fortaleza você tem da orla de Santos. Os fortes eram vitais na sobrevivência destas povoações para evitar ataques de outras nações e corsários. Fortaleza da Barra Grande – Guarujá – Crédito Vanilson Fickert A cidade de Santos tem como marco de fundação o ano de 1546, mas seu povoamento é anterior devido a necessidade de ocupar o território após concluída a instalação da Vila de São Vicente. Do período colonial destacam-se a Casa do Trem Bélico, construído entre 1640 e 1646, no local onde foi erguido o primeiro pelourinho da cidade. É uma das poucas edificações militares antigas existentes no País. Outro destaque é o Santuário de Nossa Senhora do Monte Serrat - santa padroeira da cidade a quem se atribui vários milagres como salvar a Vila de Santos de um ataque de piratas holandeses em 1615. Situa-se num local de grande beleza cênica. E um importante conjunto barroco - Conjunto do Carmo, com duas igrejas com várias obras sacras de importância. Santos oferece outros grande monumentos históricos principalmente ligados ao período do café mas isso já é uma outra história. Boa viagem.

Vanilson Fickert vfickert@yahoo.com.br 13


Expedição Odisseia no Mundo Maia

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Expedição Odisseia no Mundo Inca

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Literatura

Desbravador dos Sete Mares Falar de literatura é falar de história, uma boa história! Portanto, resolvi fazer uma viagem através dos tempos marcada por muita aventura e descobertas. Grandes expedições foram realizadas, novas terras conquistadas, papéis, penas; um homem provido de inspiração e calcado em seu fervor patriótico decide registrar o amor pela terra natal. Pouco se sabe de sua vida. Filho de uma família de pouca nobreza e refém de seus amores não correspondidos, se auto -exila em terras africanas onde prestou serviços militares no qual lhe custaria a perda do olho esquerdo em virtude das batalhas disputadas. Falo de Pero Vaz de Camões, o “gênio” da literatura portuguesa. Embora mestre das poesias de forma perfeita (quanto à forma, métrica, rima e ritmo), sua obra só ganharia notoriedade após sua morte. Dividida em duas fases (lírica e épica) sua personalidade se define. A lírica camoniana retrata o sentimentalismo, a música, doce música embalada pelos versos, cujo eu lírico se deleita à ausência da mulher amada, à incerteza do amor, ao platonismo. Enquanto a épica (ou epopeia) narra a luta de um povo que busca reconhecimento, notoriedade, através de sua bravura incomensurável. É disso que se trata a grande obra histórica de Camões: “Os Lusíadas”. Reza a lenda de que nosso autor participava de uma expedição marítima na companhia de sua amada Dinamene, a condessa chinesa que arrebatou o coração do poeta. Vítimas de um grave acidente, a embarcação vai a pico, e na ânsia de salvar seus manuscritos, Camões esquece-se de sua amada, que viera a falecer. Conquanto, essa sua angústia torna seus poemas ainda mais belos (se é que é possível): 15


Camões possuía grande influência na corte, por isso, conseguiu que D. Sebastião (rei de Portugal, nessa época) publicasse sua epopeia como uma homenagem ao povo lusitano.

Alma minha gentil, que te partiste tão cedo desta vida, descontente, repousa lá no céu eternamente e viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no acento etéreo, onde subiste, memória desta vida se consente, não te esqueças daquele amor ardente que já nos olhos meus tão puro viste E se vires que pode merecer-te alguma cousa a dor que me ficou da mágoa, sem remédio, de perder-te,

roga a Deus, que teus anos encurtou,

“Os lusíadas” são formados por dez cantos compostos de estrofe real, disposto no esquema rítmico ABABABCC. Cada canto é iniciado com uma proposição (declara o tema e apresenta o herói, representante português), em seguida há uma invocação (inspiração poética) e, por fim, a dedicatória (obra se dedica ao rei D. Sebastião); a narração, então prossegue com a viagem de Vasco da Gama e da história de Portugal. Ao lado dos fatos históricos, o poema apresenta episódios inspirados na mitologia Greco-romana. Assim, Baco e Netuno combatem os portugueses, Vênus e Marte os protegem e defendem. Esses personagens dão um “tempero” na narrativa, tornando-a mais instigante e envolvente.

que tão cedo de cá me leve a ver-te, quão cedo dos meus olhos te levou.

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Vale ressaltar algumas passagens dessa celebre obra, como a de “Inês de Castro” que eterniza um amor proibido (fato real que conta o romance interrompido devido a desigualdade social, Inês de Castro foi morta para interromper o ciclo amoroso), o do “Velho do Restelo” onde a vaidade e a cobiça são apontadas como o verdadeiro motivo da viagem às índias, e o do “Gigante Adamastor”, figura mitológica criada por Camões para simbolizar o Cabo da Boa Esperança e seus decorrentes perigos. É notória a presença da mitologia nessa obra, utilizada estrategicamente para cantar as glórias lusitanas: “Cessem do sábio grego e do troiano / as navegações grandes que fizeram / [...] que eu canto o peito ilustre lusitano [...]”, ou seja, Portugal clama por sua identidade e por seu reconhecimento no mundo da descoberta, por isso pede para que seu povo “pare” de exaltar outros povos, outras culturas, e espalhem o vigor de sua nação. O relato de um povo, o retrato da história, descritos em forma de versos. Camões é grande em sua proposta e torna-se ainda maior na realização de sua intransponível obra que atravessa os tempos e arrebata os corações dos apaixonados.

É querer estar preso por vontade;

Amor é fogo que arde sem se ver;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ferida que dói e não se sente;

É ter com quem nos mata lealdade.

É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer;

Mas como causar pode seu favor

É um não querer mais que bem

Nos corações humanos amizade,

querer;

Se tão contrário a si é o mesmo

É solitário andar por entre a gente;

Amor?

É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder

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Qualquer semelhança não é mera coincidência, Renato Russo (cantor e compositor, fundador da banda Legião Urbana) parafraseou Camões numa de suas múcicas, “Monte Castelo”. Em caráter de curiosidade, abaixo um breve relato sobre a vida Camões, escrito por ele mesmo:

Carta autobiográfica de Luís de Camões pesquisada e restaurada por Mara Candeias

Cidade Olisiponense, 9 de Junho de 1580

Encontro-me no leito da morte, enfraquecido pela doença e pela miséria. Não verei de novo a luz do dia seguinte, porque sei que irei morrer em breve. Por isso, determinei que havia de escrever uma pequena, mas importante, carta. Aqui, a minha vida será resumida. Nasci em Lisboa, em 1524. A minha mãe chamava-se Ana de Sá e Macedo, e o meu pai, Simão Vaz de Camões. Fiz estudos literários e filosóficos em Coimbra. Aí, a minha paixão pela poesia nasceu e por ela se conhecem os meus amores, a minha vida boémia e arruaceira, as minhas alegrias e frustrações, a minha pobreza, razão pela qual estou morrendo, e também as minhas inquietações transcendentais. Voltei para Lisboa em busca de emprego, mas enamorei-me pela infanta D. Maria. Este enamoramento foi a causa pela qual me impuseram o exílio em Ceuta. Combati contra os mouros, mas, infeliz-

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Cumprido o meu serviço militar, regressei a Lisboa, mas logo fui preso e encarcerado na cadeia do Tronco, em 1552, devido a uma rixa com um funcionário da Corte. Fui libertado em 1553, inteiramente perdoado pelo agredido e pelo Rei. Mas a vida lisboeta não me contentava, por isso, decidi partir para a Índia, à procura de aventura. Aí, comecei a escrever o meu célebre livro, Os Lusíadas. Contudo, mais uma vez, na Índia não fui feliz, Goa decepcionou-me, como se pode ler no soneto “Cá nesta Babilónia donde mana”. Tomei parte em várias expedições militares e, numa delas, no Cabo Guardafui, escrevi uma das mais belas canções, "Junto desse seco, fero e estéril monte". Mais tarde, fui exercer o cargo de provedor – mor de defuntos e ausentes- em Macau. Voltei a Goa, mas o meu barco naufragou na viagem para a foz do Rio Mecom. Salvei-me com muita sorte, nadando com um braço e erguendo, com o outro, o manuscrito da imortal epopeia. Mas esta viagem marcar-me-ia para sempre, porque nesta vi morrer a minha amada Dinamene. A esta fatídica morte dediquei os sonetos do ciclo Dinamene. Sofri caluniosas acusações em Goa, dolorosas perseguições e duros trabalhos, vindo Diogo do Couto a encontrar-me assim em Moçambique, em 1568. Porém, continuei a escrever Os Lusíadas. Em 1569, regressei a Lisboa. Três anos mais tarde, em 1572, publiquei a primeira edição de Os Lusíadas, que li a sua Majestade, o Rei D. Sebastião. Estes meus últimos anos foram amargurados pela doença e pela miséria, e assim foi a minha vida, cheia de aventura e desgraça, mas o certo é que foi um grande poeta, fiz o que sempre quis e não me arrependo de nada. Luís Vaz de Camões

Audrey Macéa Professora de Gramática e Literatura e-mail: audreymacea@uol.com.br 19


Com apresentação do Professor Marcelo Lambert, sempre com muitas novidades com uma programação diversificada! Aos domingos, às 17h. Acompanhem a programação em nosso site www.cpodisseia.com no Canal Odisseia.

Confira as entrevistas visitando o Arquivo do Programa Conexão Odisseia

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e consequente restrição com relação ao abastecimento para a industria além de comprometimento da qualidade e novamente, oscilações de preços.

E n g e n h a r i a d e Al i me n t o s

Olá amigos,

Neste cenário, as empresas de ingredientes trabalharam em soluções de substituições totais ou parciais destas commodities, a fim de eliminar ou reduzir a dependência da indústria em relação ao abastecimento e ás flutuações de preços e qualidade destes produtos. Substitutos de açúcar, edulcorantes naturais, aromas naturais e substitutos de gorduras são exemplos de substitutos totais ou parciais de commodities.

No mês passado falamos sobre as principais tendências do mercado de alimentos e a busca constante da indústria para traduzir estas tendências em desenvolvimento de produtos inovadores, que atendam às necessidades do consumidor. A indústria combina pesquisa e desenvolvimento com a utilização de processos produtivos eficientes e novas tecnologias de produção, de forma a garantir alto padrão de qualidade e custo Estes ingredientes, se formulados acessível a seus clientes. adequadamente, mantém a mesma perAs empresas de ingredientes, forne- formance de sabor e de textura do procedoras dos diversos segmentos das in- duto final, de forma que as alterações dústrias de alimentos e bebidas, refletem não são percebidas pelo consumidor. estas tendências e buscam alternativas Muitas vezes também contribuem para a que auxiliem no constante movimento tendência da saudabilidade, uma vez que promovem redução de calorias e no de evolução da industria alimentícia. caso dos substitutos de gorduras, reduUma das alternativas de ingredien- ção do percentual de gorduras trans e tes que podemos destacar é a utilização gorduras saturadas. de produtos substitutos de commodities. Fiquem atentos às novidades nas Podemos definir o termo commodities como produtos em estado bruto ou com gôndolas dos supermercados e não deipequeno grau de industrialização, que xem de conferir a descrição destes insão produzidos em larga escala e nego- gredientes no rótulo da embalagem. ciados em bolsa de mercados futuros ou no mercado físico. As commodities soUm grande abraço a todos e até a próxifrem oscilações de preços constantes, ma edição! pois estão suscetíveis a movimentações especulativas de fundos de investimentos nas bolsas de mercadorias. No mercado de alimentos, a soja, a palma, o açúcar, o cacau são exemplos de commodities agrícolas, que são utilizados como agentes de sabor e/ou textura na formulação de produtos. Por serem de natureza agrícola, são suscetíveis à alterações climáticas durante o período de plantio, produção e colheita, o que pode resultar em quebra de safra 21

Marici Harumi Bando Engenheira de Alimentos maricih@hotmail.com


Propaganda e vida cotidiana

A Internet e a Revolução na comunicação A mudança que a internet causou na interação entre os consumidores e empresas não é mais novidade há muito tempo. Mas como será que essa dinâmica funciona hoje?

ter nossa atenção no papel que a publicidade tem e como as empresas se relacionam com seus consumidores através da internet.

Nem mesmo Marshall McLuhan que criou o conceito “Aldeia Global” poderia imaginar que a internet se tornasse algo tão importante na vida cotidiana. Sim hoje a internet é uma realidade e não há mais volta. Ela já transformou a forma das pessoas se relacionarem. Tudo é digital. Isso é bom? Deixo para você caro leitor a procura da resposta. Acredito que o uso da internet no Brasil precisa amadurecer muito ainda. Muitos especialistas defendem que a revolução da internet ainda não aconteceu no Brasil, afinal de contas apenas 43,2 milhões de brasileiros têm acesso à internet em casa ou no trabalho, isso é pouco se pensamos que hoje somos um País com mais de 190 milhões de pessoas. Há quem defenda também que a verdadeira “revolução” da internet acontecerá principalmente através do acesso via celular. Entender o que a internet pode representar em termos de acesso ao conhecimento ainda vai demorar muito tempo para acontecer no Brasil. Muito ainda precisa ser estudado. Neste artigo vamos procurar man-

A interação entre anunciantes e consumidores através da internet ainda é processo relativamente novo. Muito ainda precisa ser compreendido nestas interações. Os anunciantes precisam compreender o hábito do seu público na internet. Vou propor um exercício. Na próxima vez que acessar um grande portal de internet ou ler seus recados na rede social em que é cadastrado (a) conte quantos anúncios aparecem na janela. Agora conte quantos você se interessa, ou mais em quantos você se sentiu algum tipo de influência que poderia se transformar em compra. O hábito de comprar pela internet cresce cada vez mais no Brasil, uma pesquisa da E-bit em parceria com a E-commerce School, somente no 1º semestre de 2011 o chamado varejo eletrônico faturou R$8,4 bilhões. São realmente números muito expressivos. E as empresas compreendem a necessidade da “inserção digital” e estão de olho nesta fatia. Há muito tempo ações digitais são parte fundamental do plano de comunicação da maioria dos anunciantes.

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Como as empresas estão interaA definição não pode ser muito gindo com os consumidores através da precisa, mas saiba, cada vez mais os ainternet? núncios direcionados a você usuários de São muitas formas utilizadas hoje internet serão mais pontuais, ou seja, em dia. Algumas nem parecem propa- cada vez mais atenderão as suas necesgandas. Isso mesmo, o perfil da sua sidades. Os anunciantes estão atentos marca preferida em uma rede social, soa aos seus hábitos de navegação e elaboquase como que algo seu. Mas não é. radas as estratégias de “propagação” leAtravés do perfil, uma empresa pode di- vando em conta os horários de maior avulgar seus produtos e serviços ou sim- cesso, sites acessados com mais freplesmente difundir uma mensagem, di- qüência, interações em rede sociais, o vulgar um “hot site”. Uma troca de um Facebook, devido ao grande sucesso simples vídeo pode gerar muito retorno. por aqui, deverá nos próximos meses aEstamos falando de estratégias muito brir uma filial em São Paulo, isso mostra bem planejadas, muito bem organizadas como a publicidade na internet deve e muito bem difundidas. A era do marke- crescer muito nos próximos anos. Cabe ting digital. Não é à toa que as chama- a você usuário de internet e consumidor das agências digitais faturaram 1,5 bi- determinar aquilo que vai consumir, porlhão em 2011. A divulgação principal ain- que a oferta de produtos e serviços atrada á através dos sites institucionais, mas vés da internet será cada vez maior. as ações em redes sociais são cada vez mais comuns. A internet não mais utilizada somente como mídia de suporte, em muitos casos (e o número á cada vez maior) é a principal ou é a mídia exclusiva de uma campanha promocional, por exemplo. Empresas gerenciaram crises através de estratégias exclusivas em redes sociais. Redes de varejo nacionais têm parte dos seus negócios voltados para a internet. Os sites de compra coletiva são utilizados cada dia mais. O hábito de uso do “internauta” define as estratégias das empresas e mais, as estratégias dos anunciantes determinam nossa navegação. Como disse anteriormente é um caminho sem volta. Como o usuário de Internet deve se relacionar com isso? 23

Com o advento da internet, a comunicação entre empresa com seu público mudou definitivamente. Cabe aos anunciantes entender como seu público e comporta. Aos consumidores cabe cada vez mais a consciência na compra de produtos e no uso da internet. Nos próximos anos a história no mundo digital ainda vai ser escrita. Isso não é fascinante?

Otávio Pires


F i l o s o f ia

LEIBINIZ E SUA BUSCA PELA COMPREENSÃO DE DEUS Nesta edição trataremos de um assunto muito discutido dentro da Filosofia, o momento em que a discussão racional se depara com Deus, como compreendê-lo, se é que é possível. Leibiniz, filósofo que nasceu no final do século XVI e início do século XVII, criou alguns conceitos para provar, de forma racional, que existe a possibilidade de cada homem mortal, compreender Deus, o infinito ou o todo. Para isso, o fundamento de seu pensamento é a idéia do conceito de monada, e o que isso seria para Leibiniz? A monada é uma substância simples, visto que não possui partes. É uma unidade simples, logo não -composta e indivisível; 1.2. Cada monada é ” um espelho vivo e perpétuo do universo”, e este é regulado em uma ordem perfeita; é o espelho porque cada monada é uma multiplicidade, com inúmeros compartimentos e a realizar em referência as outras monadas relações que exprimem todo o universo. 2.1 O que distingue os homens dos animais é o fato daqueles terem o conhecimento das verdades necessárias e eternas, ou seja, terem alma racional. Duas são as espécies de verdade: as de razão e as de fato. Aquelas ” são necessárias, e o seu oposto, impossível; as de fato são contingentes, e o seu oposto, possível.” Por exemplo: ” Se o homem é azul, então o homem é azul ou amarelo.” É uma verdade necessária, eterna e de razão, pois é uma tautologia, logo é uma necessidade lógica que se refere ao verdadeiro.

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As verdades de razão são verdades lógicas e não-empíricas, por isso podese até dizer que são a priori. A necessidade pode ser compreendida como aquilo que é impossível que seja de outra forma. Ao contrário, “está chovendo” é uma verdade contingente e de fato, pois não é sempre o caso que tal expressão assume o valor de verdade “o verdadeiro”, mas sim só quando chove, ou seja, se e somente se estiver chovendo. É uma verdade que precisa de conteúdo, assim é uma verdade material, ou seja, empírica. Contingente, no dito de Russell, significa que é logicamente possível que não existisse. É possível que seja de outra forma. Depois do ganho teórico que Hume nos deu fica fácil compreender o porquê da conexão não-necessária entre os fatos. Dentro de um pensamento matemático, se cada homem é uma parte do todo, uma monada, parte indivisível, individual, mas compõe o Todo. Se pensarmos em uma questão prática para o conceito de monada teríamos algo como: Imaginemos um homem que se deita em um gramado em um local de pouca luz, e ao olhar para cima vê muitas estrelas no céu. Cada uma das estrelas seriam partes, ou seja, monadas, distintas umas das outras, mas que compõem o céu e o infinito, que podemos entender como sendo o Todo. As estrelas não são o Todo mas fazem parte dele, este todo seria a união de todas as partes. Ao homem, como parte, é possível à Leibiniz compreender Deus, à partir das partes e da compreensão de si co-

mo parte da natureza enquanto manifestação de Deus. Leibiniz creu que conseguiu compreender a natureza íntima das coisas, tomou as coisas por sua raiz e as viu verdadeiramente como são. Deus, de acordo com Leibniz, criou o melhor dos muitos mundos possíveis. “Ora, como há uma infinidade de idéias de Deus e apenas um único pode existir, tem de haver razão suficiente da escolha de deus, que o determine a preferir um e não o outro.” Russell diz que um mundo é possível quando não contradiz as leis da lógica. Segue-se que se Deus é bom, então criou o melhor dos mundos possíveis, ou seja, aquele que tem um maior excesso de bem sobre o mal. O complexo conceitual lebniziano é a clássica metafísica que busca dar uma fundamentação última ao conhecimento; Leibniz, como Descartes e Espinosa, se depara com o conceito de Deus nessa tentativa de atingir uma base segura e não-contraditória para o conhecer. Sem o conceito de Deus a máquina de conceitos de Leibniz não funcionaria, seria apenas como um carro sem combustível. O conceito de Deus é muito importante para a constituição da moral que é gerada pelo sistema metafísico. Em uma extensa quantidade de mundos logicamente possíveis, Deus escolheu justamente o nosso mundo por ser este o melhor de todos ( Se Deus é bom, então escolhe o melhor). Assim, cada um deve se contentar e afirmar sua alegria independente da situação em que se encontra, pois este é “o melhor dos mundos possíveis”.

Professor Thiago Abramson thiagoabram@hotmail.com

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rar a radiação eletromagnética – o prin-

P s i c o lo g ia

cípio da teoria quântica.

Uma nova perspectiva

Com a formulação da teoria quânti-

Até o presente momento, de nossa reflexão, constamos os as-

ca ficou evidente que a matéria e a luz, em nível subatômico, são entidades abstratas que se apresentam como onda e/ ou partícula, esta dualidade está ligada diretamente ao observador.

inibi- Seguindo esta perspectiva as certezas do mecanicismo passam a ser tendência dores da ex- de existir ou tendência de ocorrer. pressão criativa do homem, que surgiAs descobertas e afirmações dos pectos

ram na ciência, que foram encampados cientistas modernos mudam completapela religião e passou para o dia-a-dia, mente as premissas científicas, não eque foi mostrado na poesia de Fernando xiste mais a ciência desprovida de valoPessoa, veremos agora algumas possi- res, a descrição objetiva da natureza. O bilidades de saída desta situação. que é observado pelo cientista está nitiO homem nunca deixou de se ex- damente conectado ao seu modelo menpressar criativamente, jamais deixou de tal, o distanciamento e a neutralidade ciinovar, ele nunca parou de “dar a luz” a entífica na hora da pesquisa não exiscoisas novas, mesmo que isto fosse pa- tem. Desta forma, os cientistas são responsáveis por suas pesquisas, intelectu-

ra manter a situação vigente. Vem ocorrendo uma nova transformação no pensamento científico, esta mudança começou de maneira mais

al e moralmente, isto traz a nós pesquisadores responsabilidades inimagináveis. Caso não levemos esta nova reali-

contundente por volta de 1900, no cam-

dade em consideração, quando em nos-

po da física. Em dois artigos publicados em 1905, Albert Einstein introduziu duas tendências revolucionarias: a teoria da relatividade e a nova forma de conside-

so labor científico , estaremos fatalmente reproduzindo algo que a muito vem sendo realizado: o assassinato da expressão criativa do ser humano.

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Nós que trabalhamos com o compor- possível produzir ciência pesando em tamento humano temos visto quão em- poucas pessoas, pensando somente em pobrecido estão nossos jovens e crian- meu país, na comunidade científica a ças, pobreza esta que de alguma forma qual pertenço, há um contexto muito somos responsáveis, porém, está em maior do que imaginávamos até agora. nossas mãos demonstrar que existe ou- Este contexto tem sua dimensão históritra possibilidade além da que estão vi- ca, social, econômica, espiritual e emovendo. Podemos passar de meros repro- cional. dutores a grandes e-

Este

xecutores, para que

também uma dimen-

nossas crianças e jo-

são pessoal, que diz

vens tenham a possi-

respeito fundamental-

bilidade de escolher

mente a razão da exis-

entre

tência do ser “... o mis-

reproduzir

ou

criar.

traz

tério da existência hu-

Durante a reflexão percebemos

contexto

que

mana não consiste a-

o

penas em viver: é pre-

homem nunca deixou

ciso saber para que se

de se expressar criativamente.

vive...” ( Dostoievski, 1968,198).

O homem mesmo com um campo res-

Desta forma entendemos que há a

trito, sendo obrigado a inovar e avançar possibilidade de à medida que o homem e avançar tendo sempre que levar em avançar no conhecimento científico, ele consideração os limites impostos pela pode avançar no conhecimento de si comunidade científica, pela religião, ou mesmo, e à medida que caminhar no copor interesses econômicos, conseguiu ir nhecimento de si pode avançar no coavante frente a todas as dificuldades im- nhecimento científico. postas.

Criar e inovar são coisas natas do ser

Os novos paradigmas científicos nos humano, quanto maior for nosso arcaestimulam a repensar nossa postura, bouço de idéias e experiências, quanto não só como cientistas, mas como cida- maior for nossa cosmo-visão, mais livres dãos do mundo. Não nos parece mais seremos, portanto mais criativos. 27


Termino esta reflexão com uma poesia:

Criar e Renovar Viver é para todos os homens. Criar é para aqueles que são corajosos. Renovar é para aqueles que são corajosos e ousados. Nós vivemos porque não morremos, Criamos porque necessitamos, Renovamos porque nos angustiamos. Renovar nossas esperanças e nossas ilusões. Renovar nossas percepções, e nossas paixões. Renovar não é simples. Implica em constante movimento, Movimento este, que nos torna, E tudo a nossa volta, algo a ser desvelado. O desvelamento afasta de nossa existência o tédio e a monotonia. Assim sendo caminharemos para a felicidade E para a inteireza que existe entre nós e o universo, E o universo e nós.

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Bibliografia CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação, São Paulo, Cortez editor, 1990. DOSTOIEVSKI, Fiodor. Os irmãos Karamazov, Rio de Janeiro, Editora Vecchi, 3ª ed.1968. MAY, Rollo. Psicologia e dilema humano, MORRIN, Edgar. Ciência com consciência, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 4ª ed.2000. NACHMANOVITCH, Stephen. Ser criativo, O poder da improvisação na vida e na arte, São Paulo, Summus Editora, 3ª ed. 1993. OSTROWER, Fayga. Criatividade e processo de criação, Petrópolis, Editora Vozes, 15ª ed.2001. TILLICH , Paul. A coragem de ser, Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 4ª ed. 1991. TUFANO, Douglas. Orga. De Camões a Pessoa antologia escolar da poesia portuguesa. São Paulo, Editora Moderna, 1994. Samuel Candido de Oliveira Psicólogo e Teólogo samuelpsicologia@yahoo.com.br

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No Canal Odisseia


Tirinhas Odisséia!!! Ao olhar nosso quadro político, social e econômico é comum termos vontade de criticá-lo, afinal não vivemos no “melhor dos mundos possíveis”, mas temos que trabalhar para chegar lá. Vamos Transformar! Sociedade

Economia

Política

Roteiro: Jonatan Tostes

Desing: Jarbas Carneiro 30


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Odisseia em Revista - 3  

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