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EDITORIAL

A

saúde pública é propulsora de uma demanda interessante quando se observam as pontas – médico e paciente. O poder público continua canalizando a condução de uma política austera na profilaxia e controle de doenças e mantém-se atento à necessidade sempre urgente da prevenção, que continua sendo o melhor remédio. Odisseia da Medicina destaca, nesta edição, a liberação de mais de R$ 225 milhões pelo Ministério da Saúde para o incremento da atuação das chamadas “unidades básicas de saúde”, uma iniciativa louvável por aqueles que dependem do sistema público. Ações planejadas, projetadas e executadas, essa é a meta da Secretaria de Estado da Saúde em Goiás, seguindo os ditames do Ministério, como afirma Irani Ribeiro de Moura, que responde pela pasta no âmbito estadual. De olho na saúde coletiva e vislumbrando a meta de controle e prevenção como saída para problemas cruciais de saúde, a própria Organização das Nações Unidas (ONU) comemora a redução, em 50%, da mortalidade de bebês a partir do

T

he world health is observed in a very interesting point of view, where both, doctor and patient, are considered. The public power usually leads an austere way when it refers to prophylaxis and at the control of the sickness. Actually, it gives a special attention to the fact that the prevention is an emergency and the best solution. This issue, “Odisseia da Medicina” highlights the great initiative of the Brazilian Health Minister which created “unidades basicas de saude” (Health basic Unities) and ended R$ 225 thousand for them, with a purpose of having a better health public system. According to Irani Ribeiro de Moura, responsible for the public health in Goiás, we need very effective attitudes, visioning and prioritizing the prevention and the control of sickness. She agrees that it is the best way to help the world health, as pronounced by the United Nations Organization (UNO), which celebrates 50% of babies’ mortality reduction, for keeping an effective plan and assistance. While we celebrate the life, we should consider, as reminded to us by Pe Leo Pessini that there

planejamento e assistência. Enquanto, de um lado, se comemora a vida, de outro, por meio do ato de “Dizer adeus com dignidade e elegância”, Pe. Léo Pessini traz a lume a polêmica sobre o ocaso da vida, na compreensão e cuidado do paciente terminal diante do desafio ético que há por trás da dignidade no adeus à vida, para além da dimensão físico-biológica e para além do contexto médico-hospitalar, ampliando o horizonte e integrando a dimensão sócio-relacional. Ao longo dos anos, a ciência tem avançado, e pesquisas têm levado a descobertas e constatações favoráveis no combate a uma série de males. Na área da hepatologia, tratamento conduzido tem garantido a cura de 66% dos pacientes vitimados pela hepatite C. E ainda: novidade recente aponta para o surgimento do pâncreas artificial. As inovações não param por aí. Sabe-se que, mundo afora, há um número considerável de pessoas que, por um motivo ou outro, sofreram mutilações. Um brasileiro vê agora a possibilidade da realização do sonho de ter mãos, já que fora escolhido para testar, na Itália, a tecnologia pioneira

de uma mão biônica. Dor de cabeça ou enxaqueca – sempre apontadas por uma gama importante da população que pena com esse mal. Mas qual a diferença entre uma e outra? Quais as causas e tratamentos disponíveis para a cura? A Revista Odisseia da Medicina traz matéria especial com o destrinchar desse assunto, numa abordagem, com propriedade, pelo médico neurologista Marcos Antonio Carneiro, ávido pesquisador e cientista da área.

is a polemic comprehension about the terminal patient’s care. The meaning is more than the dignity to pass away. Actually, it is more than the dimension physic and biological; it should consider and be related to the social dimension. Through the years, the science has advanced, and researches have discovered some effective treatment to combat many diseases, like hepatic C, for example: it is possible to guarantee the healing for 66% of patients today. Moreover, a new research gives the possibility to create an artificial pancreas! But these are not all research’s news! For the people who for any reason had an organ mutilated, today, there is hope! We could cite as an example, a Brazilian who has been chosen recently to have a bionic hand, in Italy, where this type of technology is pioneer. Finally, there is a special article in this issue of “Odisseia da Medicina” about headaches, a disease suffered for a considerable part of the world population. It clarifies some doubts, like the difference between headache and migraine. Is there any effective treatment for these diseases? The

Doctor Marcos Antonio Carneiro, the author of the article is a great researcher and scientist. He gives us some very important definitions and directions about this very poplar, but still polemic, subject.

Boa Leitura!

Enjoy the reading! 3 OM


ÍNDICE

OM ODISSEIA DA MEDICINA

FEEDBACK

MINISTÉRIO DA SAÚDE • MS libera verba para construção de UBS

ANO I NUMERO 3 FEVEREIRO-2010 ADVERTISING, MARKETING E MERCHANDISING ANA PAULA ALMEIDA 00 55 (62) 9111-0966 / 9921-1028 KELLYTA ARACELI 00 55 (62) 8410-8405

UROLOGIA

ENDOCRINOLOGIA

• Anticoncepção masculina

• O pâncreas artificial

SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE

HEMATOONCOLOGIA

ELBER FERNANDES

• Atendimento

• Tratamento pode curar a leucemia

KLÉBER OLIVEIRA VELOSO

especializado mais próximo do usuário

CAPA ENSAIO FOTOGRÁFICO - DAVID CARET@S MODELO - NÁDIA PEREIRA

DESIGNER DIRETOR EDITORIAL INFOGRAFIA SUELI RAUL

NEUROLOGIA

ORTOPEDIA

JORNALISTA RESPONSÁVEL

• Enxaqueca ou dor de cabeça tem cura?

• Brasileiro testa mão biônica pioneira na Itália

SUELI RAUL - DRT-GO/011263JP

SAÚDE COGNITIVA

NUTRIÇÃO

odisseiadamedicina@gmail.com

• Cortar calorias pode otimizar a memória

• Carne bovina

PRODUÇÃO FOTOGRÁFICA EDMAR WELLINGTON - MTB 1842

REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA REVISÃO PELO NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO NATÉRCIA MARIA MARTINS DA FONSECA

TRADUÇÃO PSICONEUROIMUNOLOGIA

GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA

• A terapia do riso • Terapia del sorriso

• Planejamento e assistência em nome da vida

HEPATOLOGIA

ÉTICA

• Cura da hepatite C alcança 66% das pessoas em tratamento

• Dizer adeus à vida com dignidade e elegância!

SUELI LOPES DE OLIVEIRA - INGLÊS DIVINA MARQUES - ITALIANO

Esta revista é uma publicação da agência de publicidade e propaganda Odisseia Comunicação. Odisseia da medicina é comprometida com a ética, com o desenvolvimento sustentável, com o respeito ao consumidor e com a responsabilidade social. Os pontos de vista aqui expressos refletem a experiência e as opiniões dos autores. Nenhuma parte desta revista poderá ser reproduzida ou transmitida por quaisquer meios empregados sem a autorização prévia, por escrito, da agência e dos autores dos artigos.


FEEDBACK

Recebi a Revista Odisseia da Medicina! Vou ler com carinho. Parabéns pelo trabalho. Regina Ster de Moraes. Acadêmica do curso de Administração. Goiânia-GO, 21 de janeiro de 2010. ______________________

Recebi a segunda edição da Revista Odisseia da Medicina e estou encantada. Adorei todas as reportagens, principalmente a que se refere à psicopatia. Tenho certeza de que, em pouco tempo, será um sucesso no Brasil, como deve ser em outros países. Luciana Helena Silva. Médica. São João Batista do Glória-MG, 23 de janeiro de 2010. ______________________

Recebi a revista. Excelente!!! Parabéns pelo trabalho. Luciana Silva Reis. Advogada. Goiânia-GO, 23 de janeiro de 2010. ______________________

Minhas Letras UMA ODISSEIA SEM LIMITES DE ESPAÇO A tecnologia não permite fixação de fronteiras. Sequer, limites. O alcance tecnológico ultrapassa barreiras e, ultrassonicamente, invade searas antes ocupadas por unânimes pessoas, locais, coisas. Uma das provas vivas – vivíssimas, até – de que se pode inovar em qualquer ambiente físico está na materialização da Revista denominada Odisseia da Medicina. E o relato não é somente em função da existência física da Revista, como também é conveniente a observação do caráter espacial – espacial mesmo, pois quanto ao espaço – em que têm residências os seus colaboradores. A Revista Odisseia da Medicina se propõe a atender à medicina como um todo. E, se não chega a ser um veículo de comunicação de todo o setor de saúde, entremeia no setor da Odontologia, da Psicologia e da Psicanálise. Além, é óbvio, da Medicina como ciência, em destaque. A Revista Odisseia da Medicina é sediada em Goiânia e é uma iniciativa de Kléber Oliveira Veloso. Apresentado como Diretor-Editorial, Kléber é também autor de um bem tratado texto acerca do “Transtorno da Personalidade Psicopática”. O seu conhecimento do tema tem por base o seu permanente estudo. Kléber é um eterno estudante:

incansável, invencível, invicto, imbatível. Após graduar-se em Direito pela Universidade Católica de Goiás (Estado no qual, à época, era militar de elevada patente), deixou a carreira militar para dedicar-se exclusivamente ao magistério superior. Mais do que paixão, uma devoção. Estudou pósgraduação e, imediatamente, fez Mestrado em Direito Penal pela Universidade de Barcelona. Ato contínuo, fez Doutorado pela mesma universidade espanhola. E não se limitou: fez Pós-doutorado pela Universidade Federal de Santa Catarina. É autor de diversos livros (dentre eles, um que trata do processo extraditório, um raro texto do Direito Internacional em terra brasileira) e artigos científicos. Agora, Kléber Oliveira Veloso abre o leque de atuação e apresenta o volume dois da Revista Odisseia da Medicina. Além do seu texto, a Revista traz um artigo escrito com exclusividade pelo Ministro da Saúde, José Gomes Temporão (geograficamente situado em Brasília), uma abordagem das disfunções sexuais de autoria de Margareth de Melo dos Reis (Psicóloga paulista); uma análise sobre a qualidade do ensino em saúde, de autoria de Ivan Carlos Ferreira Antonello (do Rio Grande do Sul); uma defesa da ortotanásia (ou autanásia, ou ainda, o direito de a própria pessoa coordenar a sua morte, em casos especiais) feita pelo médico mineiro Evaldo D’Assumpção. Há ainda artigos científicos de Sidney Glina (médico paulista) e Ildo Meyer (médico gaúcho). E, também, textos de três goianos: Tiago Baldez (Fisioterapeuta), Divina Marques (Jornalista e Filósofa) e Joel de Sant’Anna Braga Filho (Odontólogo e Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia de Goiás). E as reportagens têm também fontes diversificadas, buscando por base científica em vários estudiosos que se ramificam em diversos Estados brasileiros. E mesmo busca por temas estudados inicial e ultimamente em outros países. Como dito, a tecnologia e a comunicação ajudam, na atualidade, aos empreendimentos que buscam ultrapassar limites. A geografia não empece a edição de um informativo científico em qualquer pedaço do mundo. Sendo a Revista Odisseia da Medicina escrita por pessoas de tão vários Estados brasileiros, também é lida em várias partes. E não é para ser diferente. A qualidade gráfica ajuda a garantir a redação dos autores. Os textos contemplam a ortografia escorreita e a impressão não requer qualquer reparo: ao contrário, a qualidade policrômica (impressão em cores) é impressionantemente perfeita, alinhada, elevada. Eventual contato pode ser feito com odisseiadamedicina@gmail.com ou por meio da página www.odisseiacomunicacao.com.br.

De fato, a Revista Odisseia da Medicina merece a leitura. Mesmo por parte de quem não é da área da saúde, pois há reportagens que, embora sejam técnicas, são também destinadas ao público leigo, como as últimas informações científicas sobre o linfoma (modalidade de câncer), a expectativa de vida e o número crescente de idosos, a tecnologia que permite diagnosticar doenças em tempo pequeno. Mais: a redução das dores causadas pelo câncer, a saúde bucal, a epilepsia. E, também, um ótimo texto acerca da cafeína (presente no café, chocolate, refrigerantes e medicamentos). Waldir de Pinho Veloso (waldirdepinhoveloso@gmail.com). Jurisfilósofo. Montes Claros-MG, em 24 de janeiro de 2010. ______________________

Recebi e agradeço a revista Odisseia da Medicina em seu número 02, na qual foi publicado o meu artigo, “A síndrome do nó górdio”. Não conhecia esta revista que realmente se mostra de excelente qualidade, tanto na apresentação gráfica quanto em seu conteúdo. Espero que meu artigo possa ajudar muitas pessoas a refletir sobre questão complexa e importante. Cordialmente, Evaldo A. D’Assumpção. Médico. Praia de Castelhanos, Anchieta-ES, 27 de janeiro de 2010. ______________________

Parabéns para toda essa equipe da Revista Odisseia da Medicina, pois as matérias nela introduzidas são de grande importância e de um valor informativo enriquecedor. Assuntos curiosos e do cotidiano das pessoas, mas colocados de maneira que qualquer pessoa que tirar um tempo para lê-la, terá fácil assimilação do seu conteúdo. Parabéns novamente pelo ótimo trabalho realizado na revista. Daniel Carvalho Júnior. Acadêmico do curso de Direito. Goiânia-GO, 01 de fevereiro de 2010. ______________________

Essa é a revista que está começando a circular entre a comunidade brasileira em Londres. Excelentes artigos! Altíssima qualidade! Parabéns! Sueli Lopes de Oliveira. Professora universitária. London-UK, 27 de janeiro de 2010. ______________________

A cada edição vejo o cuidado. Sempre com matérias e artigos que prendem a atenção. Parabéns! Odisseia da Medicina é benvinda a Atlanta. Rinaldo Soares da Silva. Empresário. Creek Lane, Atlanta-USA, 27 de janeiro de 2010.

____________________________ Por favor, mantenha contato! odisseiadamedicina@gmail.com 5 OM


OM UROLOGIA

Anticoncepção

masculina

SIDNEY GLINA

A

ideia da anticoncepção está relacionada à gestação, que é um fenômeno biológico que ocorre na mulher. Assim, sempre se pensou na anticoncepção como prerrogativa da mulher. Afinal, dizem muitos homens, “se ela não quiser ficar grávida, que se cuide”. Dessa forma, a maioria dos métodos anticoncepcionais foi desenvolvida e é utilizada por elas. Mesmo se o homem quiser se responsabilizar pela anticoncepção, os métodos existentes não são muito adequados. O coito interrompido é muito desagradável e atrapalha o ato sexual, o uso do preservativo é acompanhado de um alto índice de falha e a vasectomia, além de ser um procedimento cirúrgico, mesmo quando revertida se acompanha de uma perda da fertilidade ao longo dos anos. Entretanto, o surgimento dos testes de paternidade vem fazendo com que a gravidez deixe de ser um problema só da mulher, pois, cada vez mais, os homens têm de arcar com as gestaçõessurpresa e, muitas vezes, indesejadas. Talvez esse seja o motivo por que em alguns países a contracepção tenha recentemente surgido como uma preocupação masculina. Em um levantamento realizado, 80% dos homens ingleses entrevistados colocaram uma hipotética pílula masculina como uma de suas 3 principais escolhas para a anticoncepção (Brooks, 1998). Outro estudo encontrou que mais de 60% dos homens pesquisados na Alemanha, Brasil, Espanha e México gostariam de usar um novo método de anticoncepção masculina (Heinemann, 2005). Em um estudo clínico conduzido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre contracepção hormonal masculina, 85% dos voluntários queria continuar a medicação em vez de retornar aos métodos anticoncepcionais tradicionais. Isso, apesar de o produto ainda ser experimental e aplicado em injeções semanais (Ringheim, 1995). A grande pergunta é: as mulheres vão confiar nos seus parceiros e em seus métodos anticoncepcionais? Hoje, muitos casais já praticaram a anticoncepção com preservativos ou com vasectomia. Além disso, algumas pesquisas reforçam esse fato. Em um estudo com 450 mulheres escocesas, 94% afirmou que um anticoncepcional masculino seria OM 6

Sidney Glina. Doutor em Urologia pela USP. Especialista em Urologia pela USP e pela Sociedade Brasileira de Urologia. Especialista em Sexualidade Humana pela Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana. Aperfeiçoado em Infertilidade Masculina e Urologia pela Cleveland Clinic Foundation. Graduado em Medicina pela USP. Livre Docente da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC. Membro do Comitê Científico Permanente da International Society of Sexual Medicine – ISSM. Diretor e Membro do corpo clínico do Instituto H. Ellis. Membro Ex-Officio do Comitê Executivo da Sociedade Latino-Americana de Medicina Sexual. Membro do corpo editorial da International Braz J. Urol., do Jornal Brasileiro de Reprodução Assistida e da Sexual Dysfunction in Medicine. Urologista do Instituto H. Ellis. Urologista do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês. Coordenador Disc. Reprod. Humana do Hospital Israelita Albert Einstein. Médico do corpo clínico do Hospital Oswaldo Cruz. Presidente da Academia Internacional de Medicina Sexual. Fonte: www.arquivoshellis.com.br.

uma boa ideia (Martin, 1997). Outra pesquisa que incluiu mulheres de Cape Town, Shanghai e Hong Kong, mostrou que somente 2% não confiaria em seus parceiros a tarefa de prevenir gestações (Glasier, 2000). A busca pela “pílula masculina” existe e, embora pouco divulgadas, várias estratégias já foram pesquisadas e algumas até abandonadas. O caso mais célebre é o do gossipol. O gossipol é uma substância encontrada na semente do algodão, e, desde 1929, já se conhece seus efeitos sobre a fertilidade. Estudos posteriores mostraram que o seu uso leva à azoospermia. No final dos anos 90, o Grupo de Pesquisa para o controle da Fertilidade Masculina, da OMS,

concluiu que o gossipol não deveria ser utilizado como droga para a anticoncepção por induzir hipocalemia em até 10% dos voluntários e por manter a azoospermia por mais de três anos após a supressão da droga em 22% dos voluntários e porque sua dose tóxica era apenas 10 vezes maior do que a dose terapêutica (Waites, 1998). Várias linhas de pesquisa buscam encontrar uma maneira adequada de promover a anticoncepção masculina, com mínimos efeitos colaterais, reversível e acessível a um grande número de homens. Como na mulher a via hormonal é a que está mais próxima de se tornar realidade, a “pílula do homem” será aplicada não por via oral, mas por meio de um implante ou por injeção. O objetivo é


OM UROLOGIA tornar o homem azoospérmico ou com um número de espermatozóides no sêmen muito próximo a zero. Três grandes linhas têm sido pesquisadas: a utilização de um andrógeno sintético, que inibiria a produção da testosterona endógena pela supressão do GnRH e do LH e, consequentemente, da espermatogênese; a segunda propõe a associação de um progestágeno, que bloqueia a produção das gonodotrofinas e, em consequência, da produção de testosterona pelos testículos e da espermatogênese, e um andrógeno para evitar os sintomas de hipogonadismo; a última propõe a associação de um antogononista do GNRH que deprime a secreção androgênica e espermatogênese a um andrógeno (Mclachlan, 2000). Um dos grandes entraves ao desenvolvimento do anticoncepcional hormonal masculino é que a resposta a ele não é igual em todas as raças. Homens asiáticos têm uma prevalência de azoospermia mais alta que homens caucasianos. A razão para esse fenômeno não tem ainda uma explicação (Brady, 2002). Outra área de interesse é a interação espermatozóide-óvulos, sem alterar o eixo hormonal masculino, evitando alterações na esfera sexual. As drogas bloqueadoras de canais de cálcio, como a nifedipina, utilizadas no tratamento de hipertensão, induzem a uma modificação da membrana do espermatozóide, aumentando a quantidade de colesterol e levando à perda da monose lectina, impedindo a fertilização do óvulo (Benoff, 1999, 2001). Ainda não foi feito nenhum ensaio clínico dessas drogas com o objetivo de contracepção, mas existem homens e animais expostos a essas modificações. Um dos grandes empecilhos desse método é a dificuldade de controle laboratorial de quando o homem estiver infértil. Várias outras substâncias são candidatas a ser a “pílula masculina”: a adjudina, que bloqueia a interação das células de Sertoli e os espermatozóides, impedindo a maturação destes, a fenoxibenzamina e a tioridazina que bloqueiam a ejaculação, produzindo um orgasmo seco, são algumas das que disputam esse lugar (Population Council, 2005). Da mesma forma, a terapia genética com a utilização da tecnologia de “nocautear” alguns genes importantes para a reprodução deve deixar de ser ficção no futuro (Naz et al., 2009). Seguramente, dentro de alguns anos veremos algumas dessas drogas ou similares chegarem às farmácias e os homens assumindo ou compartilhando com suas parceiras a responsabilidade pela anticoncepção.

>> “A busca pela pílula masculina existe e, embora pouco divulgadas, várias estratégias já foram pesquisadas e algumas até abandonadas. O caso mais célebre é o do gossipol”.

“A grande pergunta é: as mulheres vão confiar nos seus parceiros e em seus métodos anticoncepcionais? Hoje, muitos casais já praticaram a anticoncepção com preservativos ou com vasectomia. Além disso, algumas pesquisas reforçam esse fato. O gossipol é uma substância encontrada na semente do algodão, e, desde 1929, já se conhece seus efeitos sobre a fertilidade. Estudos posteriores mostraram que o seu uso leva à azoospermia. Várias linhas de pesquisa buscam encontrar uma maneira adequada de promover a anticoncepção masculina, com mínimos efeitos colaterais, reversível e acessível a um grande número de homens. Como na mulher a via hormonal é a que está mais próxima de se tornar realidade, a “pílula do homem” será aplicada não por via oral, mas por meio de um implante ou por injeção.”.

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OM SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE

Atendimento especializado mais próximo do usuário RODRIGO CABRAL

IRANI RIBEIRO DE MOURA

A

tendimento especializado à saúde, caracterizado pela humanização, cada vez mais próximo do usuário. Este nobre propósito, definido como um dos princípios básicos do Sistema Único de Saúde (SUS), tem sido a principal meta e objetivo estratégico da Secretaria da Saúde do Estado de Goiás (SES-GO). Ao longo de 2009, a SES-GO conferiu um importante avanço na descentralização das ações de saúde ao planejar, projetar, equipar e implementar unidades de saúde e serviços, antes concentrados nos grandes centros, para os municípios distantes, carentes de uma assistência à saúde de média e alta complexidade. A importância do desenvolvimento das ações de saúde na esfera do Governo Estadual evidencia-se pelos recursos direcionados à SES-GO. Em 2008, foram repassados à Secretaria da Saúde 12,46% da receita estadual, totalizando R$ 1.434.863.000,00 (um bilhão, quatrocentos e trinta e quatro milhões, oitocentos e sessenta e três mil reais). Em 2009, até novembro, já foram investidos 10,47% da receita estadual, ou seja, R$ 1.108.863.629,93 (um bilhão, cento e oito milhões, oitocentos e sessenta e três mil, seiscentos e vinte nove reais e noventa e três centavos). Mais que oportunizar a oferta de serviços, a SES-GO tem organizado a rede de assistência à saúde, fazendo-a funcionar de forma regionalizada, pautada na cooperação e na solidariedade entre os municípios. Entre os vários exemplos desta estratégia, está a conclusão da obra e a aquisição de equipamentos para o Hospital Geral de Santa Helena de Goiás, na Região Sudoeste do Estado. Este hospital será modelo de unidade a ser implantada em Goiás. Além disso, será referência para aquela Região. Os profissionais da SES-GO, em parceria com os gestores municipais da Região Sudoeste, coordenaram a estruturação da rede de assistência à saúde na Região Sudoeste e definiram a missão de cada uma das unidades e o fluxo de atendimento. A mesma ação globalizada começou a ser efetivada na Região Norte. Em setembro, foi lançada OM 8

Irani Ribeiro de Moura. Secretária da Saúde do Estado de Goiás. Mestre em Saúde Pública na área de Gestão de Sistemas de Saúde pela Fundação Osvaldo Cruz. Especialista em Administração Hospitalar e Administração de Sistemas de Saúde pela USP. Especialista em Pediatria pelo Hospital Geral do INAMPS-GO. Graduada em Medicina pela UFGO.

a pedra fundamental do Hospital Geral de Uruaçu. Esta unidade, em processo de licitação, resolverá o grave problema de vazio assistencial enfrentado pela população da Região Norte. A SES-GO também está concluindo as obras dos Hospitais de Valparaíso e de Santo Antônio do Descoberto, no Entorno do Distrito Federal, regiões pobres e violentas. Estas duas unidades começaram

a ser edificadas pelas prefeituras dos municípios e receberam o apoio do Estado para serem concluídas. Previsto para ser entregue totalmente equipado em agosto de 2010, o Hospital de Valparaíso será uma unidade mista, apta a prestar atendimento eletivo e de urgências. Já o Hospital de Santo Antônio do Descoberto, unidade de extrema importância, foi contemplado com recursos da ordem de R$ 1,2


SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE milhão, repassado pelo Governo de Goiás, e de R$ 1,8 milhão, remetido pela União. A descentralização do atendimento também está sendo efetivada na Região do Rio Vermelho, com a conclusão da obra e aquisição de equipamentos para o Hospital de São Miguel do Araguaia. Esta unidade, localizada em ponto estratégico, também vai atender aos moradores de alguns municípios da Região Norte. A SES-GO tem, ainda, realizado e planejado reformas e adequações, adquirido aparelhagem moderna e ampliado a quantidade de leitos de UTI para as unidades da capital. Esta ação visa dotar tais hospitais de melhores condições para o atendimento à população e, particularmente, para o enfrentamento de graves questões, como a pandemia da Influenza A. Estão sendo beneficiados com a reforma o Hospital de Doenças Tropicais Anuar Auad, referência no atendimento a portadores de doenças infecto-contagiosas; o Hospital Materno Infantil, voltado à assistência da mulher e da criança, também referência para a Gripe A; o Hospital Geral de Goiânia Dr. Alberto Rassi, direcionado ao atendimento eletivo e realização de procedimentos de média e alta complexidade e, ainda, o Hospital de Urgências de Goiânia. Conhecido pela população goiana como Hugo, o Hospital de Urgências de Goiânia será contemplado com uma nova ala, que possibilitará o atendimento de um número maior de pessoas. É importante destacar que a SES-GO, determinada em garantir a assistência para os casos de emergência de forma ágil, nas mais diferentes cidades, construiu o Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital, e o Hospital de Urgências de Anápolis. Além disso, tem projeto para a construção de um Hospital de Urgências na Região Noroeste de Goiânia, uma das mais carentes. Goiás terá, ainda, 19 Unidades de Pronto Atendimento para a realização de procedimentos de emergência de menor complexidade. Destas, 17 foram aprovadas neste ano para serem instaladas na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno e para os municípios de Aparecida de Goiânia, Anápolis, Ceres, Goiânia, Iporá, Porangatu e Rio Verde. Outras duas Unidades de Pronto Atendimento serão implantadas, até o próximo ano, nos municípios de Caldas Novas e Itumbiara, também localizados em regiões importantes do Estado.

“Mais que oportunizar a oferta de serviços, a SES-GO tem organizado a rede de assistência à saúde, fazendo-a funcionar de forma regionalizada, pautada na cooperação e na solidariedade entre os municípios. Entre os vários exemplos desta estratégia, está a conclusão da obra e a aquisição de equipamentos para o Hospital Geral de Santa Helena de Goiás, na Região Sudoeste do Estado. A SES-GO também está concluindo as obras dos Hospitais de Valparaíso e de Santo Antônio do Descoberto, no Entorno do Distrito Federal, regiões pobres e violentas. Estas duas unidades começaram a ser edificadas pelas prefeituras dos municípios e receberam o apoio do Estado para serem concluídas.”.

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NEUROLOGIA

Enxaqueca ou dor de cabeça tem cura? HUGO TINOCO

MARCOS ANTONIO CARNEIRO

D

ificilmente uma pessoa passará pela vida sem, pelo menos, ter tido experiência com algum tipo de dor de cabeça. Cerca de cinquenta por cento ou mais dos pacientes que frequentam o consultório de neurologia apresentam algum tipo de dor de cabeça. Dor é a queixa que mais frequentemente leva o paciente ao consultório médico, e dor de cabeça, muitas vezes, representa para o leigo uma coisa séria - e com toda a razão. Quando se desconhece algo, esse algo torna-se um motivo de preocupação. De um modo geral, as dores de cabeça (cefaleias) se dividem em dois grandes grupos: 1 - de cefaleias primárias, representado pelas enxaquecas, cefaleias tensionais, cefaleia menstrual, cefaleia cervicogênica, cefaleia em salvas e outras menos frequentes; 2 - de cefaleias secundárias, decorrentes de alterações que geram dores de cabeça e detectadas em exames complementares, quais sejam, de etiologias neoplásicas, inflamatórias, por ruptura de aneurismas e por outras modalidades de OM 10

acidentes vasculares encefálicos, traumáticas, as de origem odontológica, as de origem oftalmológica e otorrinolaringológica, as de origem metabólica e outras. Muitas cefaleias secundárias podem aumentar a pressão intracraniana, o que torna ainda mais intensa a dor, que, com frequência, vem acompanhada de vômitos, distúrbios visuais, distúrbios de comportamento, convulsões, rebaixamento do nível de consciência e coma. Felizmente, esse grupo de cefaleias secundárias, ou seja, cefaleias nas quais se encontra alterações nos exames complementares, em especial nos de imagens, representa uma porcentagem de 4% apenas, ficando o restante 96% para representar as cefaleias primárias, cujos exames complementares são todos normais, daí a denominação de primárias. Então, o paciente questiona o médico sobre a causa da dor. E muitas vezes os familiares ignoram a existência da dor, dizendo até que o paciente não tem nada, já tendo feito até exames e tudo está normal. Desse grupo de cefaleias primárias, a enxaqueca – migrânea -, à qual será dada atenção, é a campeã, sendo muito mais frequente

na mulher. Por ser a migrânea um evento abstrato, assim podendo se dizer, é então desacreditado por alguns – mas muito pelo contrário, trata-se de uma dor que varia de intensidade de leve a moderada ou muito forte, massacrante - o paciente não suporta trabalhar, não suporta passear, não suporta namorar, comer, beber. Muitas vezes, a pessoa está pronta para sair para a festa, e surge uma crise. O paciente é nocauteado, ficando impossibilitado de agir. Daí vem o envolvimento de todos, corre para o hospital, aplica injeção, não vai à festa – enfim, a vida do paciente está limitada. A enxaqueca é uma dor geralmente latejante, e o paciente pode referir um tipo de pressão ou peso na cabeça. Tende a se instalar na metade do crânio (hemicrania), com intensidade de fraca a moderada ou forte. Mesmo sendo fraca, torna-se muito incomodativa. Pacientes referem durações efêmeras, de minutos a poucas horas, havendo pacientes em que a dor persiste por três a quatro dias. A frequência também é variável: uma vez ao ano, uma vez ao mês ou quatro a cinco vezes ao mês – daí ser comum. A dor vem acompanhada de náuseas, vômitos, distúrbios visuais, incluindo fotofobia, intolerância a barulho (tonofobia), intolerância a cheiros – até mesmo da comida que o paciente esteja cozinhando. O paciente tende a ficar quieto, sente-se tonto. Dentre as estruturas intracranianas, pode-se afirmar que o cérebro é indolor. Isso pode-se comprovar com punções através do tecido nervoso dos ventrículos, em que se faz apenas anestesia local do couro cabeludo e do periósteo – o paciente não refere dor durante a introdução da agulha. Ou em punções esterotáxicas para estimulações ou ablações de áreas-alvo, como no tratamento da Doença de Parkinson – em que o paciente tem que se manter desperto. A dura-máter, na sua lâmina externa, é bastante irrigada e inervada, então dói – especialmente quando há hipertensão intracraniana, ou quando esta se torna irrigada por sangue ou nos processos inflamatórios e infecciosos. O paciente não consegue flexionar o pescoço e há forte resistência quando o médico tenta fazê-lo – rigidez de nuca. Existem os vasos sanguíneos do encéfalo e os vasos extracranianos, que são inervados, sendo que os últimos são ramos da artéria carótida externa.


OM NEUROLOGIA Com o início de uma crise de enxaqueca, há liberação de noradrenalina que se liga às artérias extracranianas, o que provoca a forma latejante de dor. Entretanto, como tudo se inicia, ainda não há nada comprovado. Existem muitas teorias para tentar explicar a fisiopatologia da migrânea, porém, sem definições. Tudo aponta estarem as alterações relacionadas às muitas substâncias químicas existentes no tecido nervoso, os neurotransmissores, já descobertos, outros ainda sendo descobertos. O funcionamento do sistema nervoso se dá pela integração entre os bilhões de neurônios existentes aí e os mediadores químicos ou neurotransmissores. Se ainda se desconhece muitos deles, como se poderia conhecer o pleno funcionamento do cérebro e demais partes do sistema nervoso? Como se pode conhecer a fisiopatologia da enxaqueca? Consta que este tipo de dor de cabeça – migrânea - é tão antigo quanto a existência do homem. Diz-se que São Lucas e Einstein tiveram este tipo de cefaleia. Alguns aspectos da personalidade parecem constantes nos seus portadores, bem como a tendência ao aparecimento numa mesma família, embora não haja um padrão genético de transmissão. Assim, observa-se com frequência nos enxaquecosos uma rigidez de costumes – não admitem erros, apresentam tendência à perfeição - parece que essa dureza faz com que se desequilibrem os neurotransmissores no sistema nervoso, surgindo as dores. Também alguns alimentos parecem induzir a uma crise, geralmente alimentos com gordura, leite e derivados, ovo. É variável de pessoa para pessoa: para um é abacate, para outro melancia. Observa-se uma maior frequência de casos no sexo feminino, em parte devido a fatores hormonais, e em grande parte muito provavelmente pelo fato de o sistema límbico feminino ser mais ativo do que o do sexo masculino. Isso pode ser comprovado por meio de tomografia por emissão de pósitrons (PET) e de tomografia computadorizada com espectroscopia (SPECT). Dessa forma, o sexo feminino se tornaria mais vulnerável a este tipo de desordem, por apresentar, com muita frequência, o humor instável. Como agir o portador de dor de cabeça? 1- Procurar o médico para o diagnóstico correto, mesmo sendo muito mais frequentes as cefaleias primárias (96%); 2 – Evitar tomar analgésicos em excesso, o que pode induzir à cefaleia; 3 – Seguir a orientação do médico habilitado para o tratamento, porque os recursos terapêuticos e propedêuticos disponíveis são muito diferentes dos de décadas passadas. E, dessa forma, também a pessoa evita a cefaleia crônica, que é mais difícil de se tratar. A enxaqueca tem tratamento, ao contrário do que muito se diz.

Existe um grande arsenal terapêutico para o tratamento da enxaqueca, desde medicamentos naturais (chás calmantes) até fármacos de última geração. Cada paciente tem um perfil, a cada paciente é endereçada uma modalidade de tratamento. Observar a rigidez de costumes, tentar pegar mais leve consigo mesmo e com terceiros – tentando soltar-se, acredita-se ser o princípio de tudo. Com frequência, vê-se pacientes portadores de enxaqueca que, por exemplo, fazem uma festa em sua casa, em um dia de sábado. E quando termina a festa às 23h, ainda querem arrumar a casa e ficam até às 2h da manhã. Diz-se que, quando estes pacientes deixarem as vasilhas para o domingo cedo, é sinal de que estão melhorando! Eles se preocupam porque está chovendo, porque está ficando de noite, porque faz calor, porque está frio e mais – são coisas que estão ocorrendo, e as preocupações não vão mudar o seu curso. Colocar como objetivo da vida a tranquilidade, e não a vida mesma, que é atividade. Tudo o que se fizer tem de levar à serenidade – ter convivência com pessoas calmas, ver boas notícias e não cenas com acidentes, desastres. Fazer leituras agradáveis, trabalhar no que gosta, no que dá prazer. É consenso entre os estudiosos que dormir bem, ter uma boa qualidade de sono evita muitas doenças. Por exemplo, nas pessoas que dormem sete horas por dia, regularmente, a incidência de infarto do miocárdio é menor. É durante o sono profundo que a imunidade se eleva, é aí que se tem repouso absoluto, em que as células descansam. É um estado perfeito – a pessoa em sono profundo fica com um aspecto plástico, o que é diferente do estado natural, com tônus muscular, quando desperta. E, com certeza, dormir bem tem influência positiva na resolução da enxaqueca. O problema é que quando se quer dormir – aí a pessoa não dorme. A coisa tem que acontecer. Obviamente, existem problemas que interferem no sono, como obesidade, ronco, que devem ser abordados por especialistas da área. Uma boa dieta, equilibrada – de boa qualidade -, com quantidade apenas o suficiente (relativo para cada um) é muito positivo. Evitar os alimentos que possam precipitar uma crise. Associado a isso, fazer uma atividade física diária de 1h, qualquer modalidade, de acordo com a preferência. Levantar-se cedo, deitar-se cedo. Dormir um pouquinho após o almoço. E procurar ser sempre alegre e feliz! *Dedico este artigo ao meu estimado professor e preceptor em Neurologia, do Instituto de Neurologia de Goiânia, o Dr. Sebastião Eurico de Melo Souza.

“A enxaqueca é uma dor geralmente latejante, e o paciente pode referir um tipo de pressão ou peso na cabeça. Tende a se instalar na metade do crânio (hemicrania), com intensidade de fraca a moderada ou forte. Mesmo sendo fraca, torna-se muito incomodativa. Pacientes referem durações efêmeras, de minutos a poucas horas, havendo pacientes em que a dor persiste por três a quatro dias. A frequência também é variável: uma vez ao ano, uma vez ao mês ou quatro a cinco vezes ao mês – daí ser comum.”.

Marcos Antonio Carneiro. Especialista em Neurocirurgia pela Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. Especialista em Neurologia pelo Instituto de Neurologia de Goiânia. Graduado em Medicina pela UFGO. Atua no Instituto de Angiologia de Goiânia. Autor de várias obras, dentre elas, Atlas e Texto de Neuroanatomia, Ed. ManoleSP; Traumatismo Cranioencefálico, capítulo para o Vade-mécum de Clínica Médica Prof. Dr. Celmo C. Porto. Professor da UFGO-DMORF-ICB, na disciplina de Anatomia Humana e Neuroanatomia. Praticante de Yoga há 30 anos. 11 OM


OM SAÚDE COGNITIVA

Cortar calorias pode otimizar memória, segundo estudo Especialistas alertam para os riscos de seguir dieta sem a devida orientação

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ma pesquisa realizada na Alemanha indica que cortar em 30% a ingestão de calorias pode melhorar a memória. Na pesquisa, voluntários, que tinham em média 60 anos de idade, foram divididos em três grupos. O primeiro seguiu uma dieta normal; o segundo teve um regime semelhante, mas com mais ácidos graxos insaturados (encontrados no azeite de oliva e nos peixes, por exemplo); e o terceiro adotou a dieta com 30% menos calorias. Depois de três meses, os dois primeiros grupos refizeram testes de memória e seus resultados foram os mesmos. Já os 50 voluntários do terceiro grupo conseguiram mais pontos após a dieta. Eles também apresentaram outros sinais de melhora física, com uma queda nos níveis de insulina. Segundo os cientistas, essas mudanças poderiam explicar o melhor desempenho da memória, ao manter as células cerebrais mais saudáveis.

“As descobertas podem ajudar a desenvolver novas estratégias de prevenção e tratamento para manter a saúde cognitiva até a velhice”, disseram os autores da pesquisa em um artigo publicado na revista do Proceedings of the National Academy of Sciences. A pesquisa aumenta ainda mais o interesse nos possíveis benefícios de dietas de restrição de calorias. Pesquisas recentes com animais tinham sugerido que as dietas podem ajudar a ampliar a longevidade e a retardar o início de doenças relacionadas ao envelhecimento. Mas ainda não se sabe ao certo se esse seria o caso em humanos e se o corte nas calorias deveria ser ou não“radical”. O mecanismo que pode trazer esses benefícios ainda está sendo investigado. Há teorias de que a redução calórica diminuiria a produção dos chamados radicais-livres, que provocam o envelhecimento celular. Especialistas em nutrição, no entanto, alertam

para os riscos de se adotar uma dieta alimentar sem acompanhamento médico.“Todos - especialmente aqueles que já estão com peso normal ou abaixo do normal - precisam ser extremamente cuidadosos ao tentar fazer uma dieta”, disse à BBC uma portavoz da British Dietetic Association.“Existem outros estudos que mostram que a redução de calorias ou de refeições pode interferir na memória e nas funções cerebrais”.

Fonte: BBC Brasil. 13 OM


OM PSICONEUROIMUNOLOGIA I PSICONEUROIMMUNOLOGIA

A terapia do riso Terapia del sorriso “Um sorriso é a luz através da janela do teu olhar que diz às pessoas que você está em casa” “Un sorriso è la luce attraverso la finestra del tuo viso che dice alla gente che sei a casa” (B. Johnson) MARCELO MARQUES TEIXEIRA

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ada um de nós sabe o quanto é difícil tirar as máscaras sociais que inibem, freiam, engessam. Ao contrário, muitas vezes, um simples ensaio de riso está em condições de romper esta máscara. O riso tem em si qualquer coisa de louco, sonhador, irracional. Ao mesmo tempo em que os seres humanos procuram construir qualquer coisa ordenada, disciplinada, geométrica, o riso permite exprimir-se energicamente, de forma louca, furiosa, animalesca, instintiva, absurda, envolvente: energia pura. Rir faz bem e ajuda também a restabelecer-se. O senso comum diz isso, mas as pesquisas dos cientistas confirmam, enquanto estudam os mecanismos fisiológicos que entram em ação. O objetivo é usar o riso não para curar, mas como um complemento. Paralelamente, os estudos têm demonstrado que as pessoas que vivem experiências divertidas, como assistir a comédias ou filmes cômicos, tem aumentado a capacidade de enfrentar a dor. Há cerca de 10 anos, a psiconeuroimunologia – isto é, o estudo da influência exercida pelo estado psicológico e pelo sistema nervoso sobre o sistema imunológico – estuda como as emoções podem influir sobre reações químicas que sucedem no organismo, especialmente no sistema imunológico.

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gnuno di noi sa quanto sia difficile togliersi le“maschere sociali”che inibiscono, frenano, incasellano. Molte volte invece una solo moto di riso è stato in grado di rompere queste maschere. La risata ha in sé qualcosa di folle, di irrazionale. Mentre gli esseri umani cercano di costruire qualcosa di ordinato, di disciplinato, spigoloso, la risata permette di esprimerci energicamente in modo pazzo, furioso, animalesco, istintivo, assurdo, coinvolgente: pura energia. Ridere fa bene e aiuta anche a guarire. Lo dice il senso comune, ma le ricerche degli scienziati lo confermano, e si studiano i meccanismi fisiologici che entrano in azione. Lo scopo è quello di usare il riso non come una cura, ma come un complemento al processo naturale di guarigione. Parecchi studi hanno dimostrato che nei soggetti che vivono esperienze divertenti, quali assistere a commedie o film comici, aumenta la capacità di affrontare il dolore. Da circa dieci anni la psiconeuroimmunologia cioè lo studio dell’influenza esercitata dallo stato psicologico e dal sistema nervoso sul sistema immunitario ricerca e studia come le emozioni possono influire sulle reazioni chimiche che avvengono nell’organismo, specialmente nel sistema immunitario.

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OM PSICONEUROIMUNOLOGIA I PSICONEUROIMMUNOLOGIA O PALHAÇO

IL CLOWN

Após romper as fronteiras do circo, trabalhando no teatro e nas estradas, o Dopo essere uscito dal circo, dopo aver lavorato in teatro e in strada, il palhaço chegou aos quartos de hospitais – um espaço onde as crianças, e não clown è entrato nelle stanze degli ospedali, è andato in luoghi dove i bambini, e apenas elas, sofrem. Alguns palhaços frequentaram escolas para desenvolver non solo, soffrono. Alcuni clown sono entrati nelle scuole per trattare argomenti argumentos relevantes e atualizados sobre o uso do riso em fenômenos psíqui- sensibili e attuali come la prevenzione sulle sostanze stupefacenti, l’educazione cos, educação sexual ou integração de crianças extra-comunitárias, oriundas de sessuale o l’integrazione di bambini extracomunitari. Tutto questo attraverso l’arte países estrangeiros. Tudo isto por meio da arte do palhaço, da arte de provocar del clown o clownerie. Ma le potenzialità terapeutiche del clown non si esplicano risadas. Mas a potencialidade terapêutica do palhaço não se explica apenas por solo attraverso questa strada più diretta ed immediata. este meio mais direto e imediato. Il clown è il re della risata. E’un personaggio O palhaço é o rei da risada. É um personanoto a tutti, che tutti conosciamo, ma che allo stesso “O palhaço exprime o aspecto gem popular, que todos nós conhecemos mas tempo è coperto da un’aura di mistero e curiosità. irracional do homem, o instinto, que, ao mesmo tempo, é coberto de uma aura E’un personaggio pieno di potenzialità, non solo a parte rebelde que existe dende mistério e curiosidade. É um personagem artistiche ma anche terapeutiche e educative: egli pleno de potencialidade, não só artística como stimola il pensiero creativo e divergente, favorisce tro de cada um de nós. É uma também terapêutica e educativa: ele estimula o l’ascolto interiore. Il clown si mette in gioco per caricatura do homem, o espelho pensamento criativo e divergente, permite dar coloro che stanno a guardare e con loro valorizza que reflete a própria imagem ouvidos à interioridade. O palhaço se empenha, la diversità come originalità e tratto d’identità persoem versão grotesca e bizarra. O entra no jogo, se arrisca por aqueles que estão nale. Così facendo insegna il coraggio, la gioia e la grande cineasta Fellini explica assistindo à sua apresentação e com eles valoriza libertà di essere se stessi. Il clown esprime l’aspetto a diversidade como originalidade e distinção. irrazionale dell’uomo, l’istinto, la parte ribelle che bem o conceito na seguinte Assim fazendo, ensina a coragem, a alegria e è dentro ognuno di noi. E’una caricatura dell’uofrase: “Para extinguir a sombra a liberdade de ser aquilo que se é. O palhaço mo, è lo specchio in cui l’uomo rivede la propria vem o sol a pino sobre a terra. exprime o aspecto irracional do homem, o immagine in versione grottesca deforme e buffa. Então, a sombra desaparece”. instinto, a parte rebelde que existe dentro de Il grande regista Fellini esplica bene il concetto in Il clown esprime l’aspetto ircada um de nós. É uma caricatura do homem, questa frase“Per far morire l’ombra occorre il sole o espelho que reflete a própria imagem em a picco sulla terra, allora l’ombra scompare. Ecco: razionale dell’uomo, l’istinto, versão grotesca e bizarra. O grande cineasta l’uomo completamente illuminato ha fatto sparire la parte ribelle che è dentro Fellini explica bem o conceito na seguinte frase: i suoi aspetti caricaturiali, buffoneschi e deformi. ognuno di noi. E’ una caricatura “Para extinguir a sombra vem o sol a pino sobre Di fronte ad una creatura tanto realizzata, il clown dell’uomo, è lo specchio in cui a terra. Então, a sombra desaparece. Ora, um non avrebbe più ragione di essere”. l’uomo rivede la propria immagine homem completamente iluminado acabou com Il clown è un comunicatore, l’arte del clown è seus aspectos caricaturais, bizarros e deformados. basata sul dare, sempre e comunque. In cambio in versione grottesca deforme Diante de uma criatura tão realizada, o palhaço riceve un sorriso, premio inestimabile. Questo sore buffa. Il grande regista Fellini não teria mais razão de ser”. riso distende il pensiero e ciò che lo ha provocato esplica bene il concetto in questa O palhaço é um comunicador. A arte do pafacilita il processo di decisone, comprensione e frase “Per far morire l’ombra lhaço é baseada na doação, sempre e de qualquer valutazione dei problemi. Il clown, per essere tale, occorre il sole a picco sulla forma. Em troca, ele recebe um sorriso – prêmio deve continuamente mettere in discussione se inestimável. Este sorriso libera o pensamento e stesso, per non deludere il pubblico ha il dovere terra, allora l’ombra scompare”.”. isto facilita o processo de decisão, compreensão di essere autentico. Egli può fare disordine la dove e valoração dos problemas. O palhaço, por ser regna l’ordine, fallisce dove ci si aspetta che abbia assim, coloca-se a si mesmo em discussão. Para não desiludir o público, ele successo, può esaltare lo“strano”e ridicolizzare il“normale”, contesta i modelli tem o dever de ser autêntico. Ele pode promover desordem onde reina a ordem, che noi tutti seguiamo senza contestare e così facendo indica le assurdità della fracassar onde se espera o sucesso. Pode exaltar o“estranho”e ridicularizar o vita. Attraverso azioni bizzarre, assurde, ridicole, incongrue ed imprevedibili egli “normal”. Ele vai contra os modelos que todos nós seguimos sem contestar e, ci trasmette sottili verità. assim fazendo, mostra o paradoxo, a absurdidade da vida. Por intermédio de ações bizarras, absurdas, ridículas, inadequadas e imprevisíveis, ele transmite verdades sutis. IL CLOWN DOCTOR O PALHAÇO-DOUTOR Eles entram nas seções pediátricas dos hospitais. As crianças riem, as enfermeiras e os médicos sorriem, os pais se sentem revigorados na esperança de restabelecimento de seus filhos. Os palhaços querem entender o sofrimento de cada criança e encontrar gestos e palavras que tragam um bálsamo ao sofrimento. Com essa intervenção, os palhaços doutores fazem retornar às crianças hospitalizadas um mundo feito de cor, música, magia e humorismo. A

Entrano negli ospedali nei reparti pediatrici, i bambini ridono e le infermiere e i medici sorridono, i genitori si sentono sostenuti nel cammino di guarigione dei loro figli. I clown vogliono capire la sofferenza di ogni bambino e trovare gesti e parole che portino sollievo alla sofferenza. I clown doctors con il loro intervento fanno ritrovare al bambino ospedalizzato un mondo fatto di colori, musica, magia e umorismo. Il loro arrivo è annunciato dalla musica dei loro strumenti che creano nei bambini curiosità e stupore. I clown doctors hanno sempre precedentemente un incontro informativo 15 OM


PSICONEUROIMUNOLOGIA I PSICONEUROIMMUNOLOGIA chegada deles é anunciada pela música de seus instrumentos que despertam nas crianças curiosidade e deslumbramento. O palhaço doutor se encontra antes com os enfermeiros responsáveis pelo atendimento para se informar a respeito do número de crianças que serão visitadas, bem como do estado de saúde física e psicológica delas. Também é solicitada a autorização dos pais e das próprias crianças. Os palhaços respeitam o segredo profissional e as normas de higiene hospitalar. Ao se juntarem às crianças, criam e encenam com elas um pequeno espetáculo teatral, fazendo o possível para envolver os pequenos pacientes, dentro do limite das suas possibilidades. Eles dizem que“é importante que as crianças não vivam apenas o papel de espectadores, mas que possam participar da magia e do espetáculo de animação, criado propositalmente para elas”. Assim, entre bolhas de sabão, música, sinos imaginários, jogos de magia, fantoches falantes, objetos de sons variados, inicia-se uma cumplicidade entre os palhaços e as crianças que se deixam transportar a um mundo de fantasia, evadindo-se da realidade hospitalar. Ao fim da visita, as crianças recebem balões. E, como dizem os doutores palhaços,“No dia da visita reina o bom humor em todo o hospital”. NASCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DA TERAPIA DO RISO Palhaço-terapia, humor-terapia ou terapia do sorriso é um procedimento que nasce na América na metade dos anos 80. Os primeiros doutores palhaços são Michael Christensen e Paul Binder. O primeiro era verdadeiramente um palhaço, procedente de um circo em Nova Iorque. Em 1986, os dois fundaram a Unidade de Terapia do riso, que faz da risada uma espécie de medicina. No início dos anos 90, esse tipo de terapia desembarca também na Europa, sendo acolhido inicialmente nos hospitais franceses e suíços, onde foi naturalizado com o nome de Le Rire Medicin, resultando daí um livro. O grande momento, porém, chega no final dos anos 90, quando a figura de um notório médico de West Virginia é consagrada no célebre filme Patch Adams. Em 1971, esse médico havia fundado, com a colaboração de sua equipe e de alguns amigos seus, o Instituto Gesundheit. O seu modo de interpretar o juramento de Hipócrates colocou parcialmente em crise a profissão médica como era executada até aquele momento. Por muitos aspectos, seu método foi considerado genial – os resultados têm mostrado um incremento inacreditável no restabelecimento de determinados pacientes. Até os mais céticos médicos americanos, aqueles que não tinham muita confiança no empreendimento do jovem Adams, tiveram que rever suas opiniões, admitindo que – como pregava Adams – a alegria é uma fonte inesgotável de boa saúde! Impressionante é a ressonância que os ensinamentos do Doutor Adams obtiveram no mundo. No curso de poucos anos, muitos hospitais foram dotados de médicos com essas características especiais: os médicos palhaços, armados de narizes de plástico vermelho, estetoscópios gigantes de borracha.

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con le infermiere responsabili del servizio, per conoscere il numero dei bambini da visitare e il loro stato di salute fisica e psicologica, oltre all’autorizzazione dei genitori e dei bambini stessi. I clown sono legati al segreto professionale e al rispetto delle norme igieniche ospedaliere.Una volta giunti dal bambino creano su misura un piccolo sketch, facendo il possibile per coinvolgerlo (nei limiti della sue possibilità) poiché dicono: ”è importante che il bambino non viva solo il ruolo di spettatore, ma che possa partecipare alle magie e agli spettacoli d’animazione, creati appositamente per lui”. Cosi’fra bolle di sapone, musica, campanelli immaginari giochi di magia, pupazzi parlanti, oggetti dai mille rumori inizia una complicità fra i clown e i bambini che si lasciano trasportare in un mondo di fantasia evadendo dalla realtà ospedaliera. Alla fine della visita i bambini ricevono palloncini. E come dicono i clown doctors“il giorno della visita in tutto l’ospedale regna il buon umore”. NASCITA E SVILUPPI DELLA CLOWN TERAPIA Clown-terapia, humor terapia o terapia del sorriso è un tipo di cura che nasce in America nella metà degli anni ’80. I primi dottori clown sono Michael Christensen e Paul Binder. Il primo era un vero e proprio pagliaccio presso un circo a New York. Nel 1986 i due fondano The Clown Care Unit: l’Unità di Clown Terapia, che fa della risata una specie di medicina. Nei primi anni ’90 questo tipo di cura sbarca anche in Europa, gli ospedali francesi e svizzeri sono i primi ad accoglierla. Nella naturalizzazione essa prende il nome di Le Rire Medicin, da cui è stato prodotto anche un libro. La grande fortuna, però, arriva alla fine degli anni ’90, quando dalla figura di un noto medico della West Virginia viene preso spunto per un celebre film Patch Adams. Nel 1971 questo dottore alquanto originale fonda, con la collaborazione della sua compagna e di alcuni suoi amici, l’Istituto Gesundheit. Il suo modo di interpretare il giuramento di Ippocrate mette parzialmente in crisi la professione medica come si è svolta fino a quel momento. Per molti aspetti il suo è stato un vero e proprio colpo di genio, i risultati denotano un incremento delle guarigioni che ha dell’incredibile. Anche i più ottusi medici americani, quelli che non avevano molta fiducia nell’impresa del giovane Adams, si sono dovuti ricredere, ammettendo che, come motteggia Patch, la gioia è una fonte inesauribile di buona salute! Impressionante è la fortuna che l’insegnamento del Dottor Adams ha riscontrato nel mondo. Nel corso di pochi anni molti ospedali si sono dotati di dottori alquanto speciali: i medici-clown, armati di naso rosso di plastica, stetoscopi giganti di gomma: questi colorati personaggi si aggirano tra i letti di centinaia e centinaia di ospedali di moltissime nazioni del mondo. Lo stesso Adams è stato negli ultimi anni in Israele, Afghanistan tra le giovani vittime della guerra. In Italia la maggiore associazione che si occupa dell’addestramento e della gestione di questi medici-clown volontari è la VIP (viviamo in positivo). Ancora in Italia ci sono poi: la Fondazione Aldo Garavaglia, Dottor Sorriso, ONLUS - che opera nei diversi ospedali della Lombardia e l’Associazione“Ride per Vivere”di Roma. Lo scopo principale è quello di valorizzare il fanciullo al di sopra della malattia, perché è un paziente che và trattato in modo particolare. Soprattutto nei casi di patologie progressive come i tumori e l’AIDS che richiedono un trattamento molto aggressivo. Per riprendere Patch Adams, lui dice che i medici devono curare le persone e non le malattie. Nella metà degli anni ’80, inoltre, l’Università della California conferì la laurea ad Honoris Causa al giornalista scientifico Norman Cousins colpito da una tremenda malattia articolare, la Spondilite Anchilosante: i medici gli predissero pochi mesi di vita e allora lui abbandonò l’ospedale e si trasferì in un grande albergo. Interruppe la terapia consigliata dai medici e sostituì le medicine con massicce dosi di vitamina C e film comici. Quindici anni dopo la diagnosi che lo dava per spacciato , Norman Cousins pubblicò“Anatomia di una malattia”un libro dove racconta la sua storia, che è diventata l’emblema, anche nella medicina


PSICONEUROIMUNOLOGIA I PSICONEUROIMMUNOLOGIA Esses personagens coloridos atuaram entre os leitos de centenas e centenas de hospitais de muitas nações do mundo. O próprio Adams esteve nos últimos anos em Israel, Afeganistão, em meio aos jovens vítimas da guerra. Na Itália, a maior associação que se ocupa do treinamento e da condução desses médicos palhaços voluntários é a VIP (Vivamos de forma otimista). Existem ainda: a Fundação Aldo Garavaglia, Dottor Sorriso, ONLUS – que atua nos diversos hospitais da Lombardia - e a Associação“Ria para viver”, em Roma. A finalidade principal é valorizar os pequeninos por trás da enfermidade – um paciente a ser tratado de modo particular, sobretudo nos casos de patologia progressiva como os tumores ou a AIDS. Para Patch Adams, os médicos devem curar as pessoas e não a enfermidade. Na metade dos anos 80, seguindo esta linha, a Universidade da Califórnia conferiu o título Honoris Causa ao jornalista científico Norman Cousins, vítima de uma tremenda enfermidade: a Espondilite Anquilosante (inflamação na coluna vertebral). Os médicos lhe deram poucos meses de vida e então ele abandonou o hospital, mudando-se para um grande albergue. Interrompeu a terapia recomendada pelos médicos e substituiu os remédios por altas doses de vitamina C e filmes cômicos. Quinze anos depois do diagnóstico que o dava por desenganado, Norman Cousins publicou“Anatomia de uma enfermidade”– um livro em que conta sua história, considerada como um emblema também na medicina tradicional. Um entre tantos resultados bem sucedidos obtidos por meio do riso. Estava de fato instituída a Gelotologia (do grego ghelos = riso, logos = ciência: a ciência do riso), uma nova área de pesquisa, uma disciplina dedicada ao estudo sistemático do riso, do bom humor e do pensamento positivo como função terapêutica, como remédio psicofísico. Esta recém-nascida disciplina se revela como uma ponte entre a biologia e a psicologia; a antropologia e a medicina. O pressuposto teórico da Gelotologia, como sustenta SusumoTonegawa, prêmio Nobel na Medicina, é que“Quem é enfastiado, triste, deprimido, está mais próximo a contrair enfermidades”. Esta ciência funda suas bases nos estudos da psiconeuro-endócrino-imunologia que afirma a influência direta dos estados mentais e das emoções sobre o sistema imunológico e vice-versa, em uma circularidade de interações que fazem declinar a hipótese organicista, isto é: a predominância dos fatores orgânicos no desenvolvimento de uma enfermidade. Rir entorpece o cérebro racional, liberando todas as energias que habitualmente se consome pensando. Energia de que o corpo desfruta, durante o riso, para regenerar-se. Nesse átimo, privado de auto-controle emocional, temos uma percepção mais aberta de sermos parte do mundo: e é por isto que muitos mestres da terapia do riso consideram o ato de rir como“um ato sagrado de empatia com o universo”.

tradizionale, di uno dei tanti risultati positivi ottenuti attraverso il ridere. Si sancì di fatto la nascita della“Gelotologia“ (dal greco ghelos = riso, logos = scienza; scienza della risata ) una nuova area di ricerca, una disciplina dedicata allo studio sistematico del ridere, del buonumore e del pensiero positivo in funzione terapeutica, come rimedio psicofisico. Questa neonata disciplina risulta essere un ponte tra la biologia, la psicologia, l’antropologia e la medicina. Presupposto teorico della Gelotologia, come sostiene Susumo Tonegawa, premio Nobel per la medicina, è che“Chi è musone, triste, depresso, non riesce a tenere lontano le malattie”. Questa scienza getta le sue basi sugli studi di psico neuro endocrino immunologia, che hanno sostanziato la diretta influenza degli stati mentali e dell’emozione, sul sistema immunitario e viceversa, in una circolarità di interazioni che fanno tramontare di fatto, sia le ipotesi organistiche e cioè la predominanza dei fattori organici nello scatenamento di una malattia. Ridere spegne il cervello razionale, liberando tutte le energie che abitualmente si consumano pensando. Energie che, mentre si ride, il corpo sfrutta per rigenerarsi. Negli attimi privi di autocontrollo razionale, abbiamo una percezione più aperta del nostro essere parte del mondo: ed è per questo che molti maestri della clown-terapia considerano il ridere“un atto sacro di empatia con il creato”. RIDERE FA BENE Si sta cercando di determinare se l’umorismo e il riso aumentino le endorfine (sostanze chimiche presenti nel cervello) che fungono da naturali“antidoti”al dolore. Ridere distende i muscoli, rallenta il battito cardiaco, abbassa la pressione, stimola la secrezione d’endorfine. Ridere è un’occasione catartica accessibile a tutti, purifica, drena e disintossica. Cosi le preziose endorfine contrastano le emozioni negative che abbassano le difese, rendendo l’organismo più vulnerabile alle malattie. Ma ridere dicono i clown therapist è un‘arte da imparare:“perché siamo soggetti a pregiudizi culturali che c’impediscono di scoppiare in una sonora risata, ad esempio crediamo che ci voglia una buona ragione per ridere mentre questo comportamento si esplica al di fuori della logica della razionalità e pensiamo che il movente della risata sia la contentezza, mentre si deve ridere per sentirsi meglio: per essere contenti”.“Il riso ha una funzione sociale“ ha scritto Bergson, erompe ed è un sano modo di difendersi contro ogni eccessiva rigidità. Il riso, che dal punto di vista della fisiologia nervosa è semplicemente una liberazione d’energia, dal punto di vista psicologico può essere considerato come una forma di linguaggio. Un linguaggio che inizialmente è individuale, ma può diventare, per contagio un linguaggio sociale.

RIR FAZ BEM O que se tenta determinar é se o humorismo e o riso aumentam as endorfinas (substância química presente no cérebro) que agem como antídotos naturais à dor. Rir distende os músculos, desacelera as batidas cardíacas, abaixa a pressão, estimula a secreção de endorfinas. Rir é um momento catártico acessível a todos, purifica, drena e desintoxica. Assim, as preciosas endorfinas neutralizam as emoções negativas que abaixam a defesa, tornando o organismo mais vulnerável às enfermidades. Mas, como dizem os palhaços terapeutas, é uma arte a aprender:“Porque somos submetidos a preconceitos culturais que nos impedem de explodir em uma sonora risada acreditando que é preciso uma boa razão para rir, enquanto esse comportamento tem explicações fora da lógica da racionalidade. E pensamos que o que move a risada seja o contentamento, ao passo que se deve rir para sentir-se melhor: para estar contente”.“O riso tem uma função social”- escreveu Bérgson - irrompe e é um modo sadio de defender-se contra a rigidez excessiva. O riso, que do ponto de vista da fisiologia nervosa é uma liberação de energia, do ponto de vista psicológico pode ser considerado uma forma de linguagem – uma linguagem que inicialmente é individual, mas que pode vir a ser, por contágio, uma linguagem social.

Marcelo Marques Teixeira. Acadêmico de Medicina na Università Statale di Milano, Itália. Interno all’ Istituto Clinico Humanitas. Vencedor do prêmio European Academic Test of Medical Schools. 17 OM


OM HEPATOLOGIA

Cura da hepatite C alcança 66% das pessoas em tratamento Publicações internacionais e estudos apresentados em congresso brasileiro trazem nova esperança a pacientes portadores do vírus da hepatite C. No País, doença ainda é subdiagnosticada.

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o longo dos últimos anos, muitos avanços mostraram que a cura para a hepatite C, doença que atinge mais de 3 milhões de brasileiros, é possível. A revista médica Gastroenterology traz os resultados de um estudo que reforça justamente este avanço na luta contra a doença e renova as esperanças dos pacientes com o vírus HCV. Realizado em Milão, na Itália, com cerca de 450 pacientes, o estudo MIST (Milan Safety Tolerability Study) avaliou taxas de cura de pacientes com diferentes tipos de hepatite C e comparou a eficácia dos tratamentos disponíveis atualmente – os interferons peguilados – Pegasys (peginterferon alfa-2a) e Pegintron (alfapeginterferona 2b). Os resultados mostram que a chance de cura pode chegar a 66% nos pacientes analisados. Além disso, comprovou-se que pessoas com cirrose também apresentaram taxas de cura próximas a 50%. Ao comparar os dois interferons peguilados disponíveis para o tratamento, o MIST concluiu que o tratamento com o interferon peguilado alfa 2a é superior ao alfapeginterferona 2b. Os dois medicamentos são injetáveis e representam uma evolução do interferon convencional, com uma dose semanal, e mais eficácia no tratamento da hepatite. ESTUDOS BRASILEIROS No Brasil, os medicamentos para tratamento da hepatite C estão disponíveis e as taxas de cura também são significativas. Hepatologistas, gastroenterologistas e outros especialistas de todo o País participaram do Congresso Brasileiro de Hepatologia, em Gramado (RS). O evento apresentou estudos sobre terapias e perspectivas de cura para a hepatite crônica C. Em Minas Gerais, um estudo do Ambulatório de Hepatites Virais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) encontrou taxas satisfatórias de

cura clínica da hepatite C. Em São Paulo, o especialista Hoel Sette também identificou respostas satisfatórias. Um de seus estudos alcançou resultados de mais de 60% de taxa de cura com Pegasys (peginterferon alfa-2a). O Congresso trouxe também resultados de estudos com novos medicamentos que podem elevar a chance de cura da doença para mais de 75%. “Os resultados são uma boa notícia para os pacientes com o vírus. No entanto, o tratamento esbarra em um fator ainda mais importante – a subnotificação de novos casos“, explica o especialista Dr. Hoel Sette, autor de um dos estudos sobre o tratamento da hepatite C. Sem o diagnóstico, as chances de resposta podem diminuir com a progressão da doença. SOBRE A HEPATITE C A hepatite C atinge cerca de 180 milhões de pessoas em todo o mundo e pode ser fatal se não for diagnosticada e tratada precocemente. Como age de maneira silenciosa, sem apresentar sintomas, cerca de 90% dos infectados não sabe que está doente. A enfermidade pode evoluir para quadros graves, como cirrose ou câncer, sem que o paciente perceba o risco que ela representa para sua saúde, e isso a torna a principal causa de transplante de fígado no país. De acordo com estimativas do Ministério da Saúde, cerca de 3 milhões de brasileiros podem estar infectados pelo vírus da hepatite C, ou seja, 1,5% da população. As estatísticas também mostram que a doença infecta hoje cinco vezes mais brasileiros que a Aids. Fonte: Giuliana Gregori. Máquina Comunicação Corporativa Integrada. 19 OM


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MINISTÉRIO DA SAÚDE

Ministério libera R$ 225,4 milhões

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para a construção de 880 unidades básicas de saúde

meta é que, em 2010, as novas estruturas estejam funcionando e possam receber as equipes do Saúde da Família. A atuação desses profissionais tem reduzido a mortalidade infantil no Brasil O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, liberou R$ 225,4 milhões para construção de 880 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em 779 municípios. As UBSs (veja lista por Estado) são os principais locais de atuação das equipes do Saúde da Família, que trabalham em ações de prevenção e reabilitação de doenças e manutenção da saúde

nas comunidades. Todos os 26 estados do país e o Distrito Federal foram beneficiados. A expectativa é que, em breve, outros 200 municípios sejam beneficiados com a medida. “Essas unidades básicas de saúde são um grande avanço para a qualificação da atenção básica e terão impacto direto na saúde dos brasileiros. Com elas, será possível reforçar e melhorar o atendimento da população por meio do Estratégia Saúde da Família. Além disso, vão contribuir diretamente para o trabalho de redução da mortalidade infantil e controle de doenças crônicas, RUBEM SILVA - MS

que vem sendo feito a partir da intervenção das equipes do Saúde da Família. Isto é de extrema importância para que mais mães e crianças vivam com saúde”, afirma Temporão.    O dinheiro deverá ser utilizado para a construção das unidades que contarão com consultórios médicos e odontológicos, banheiros e salas de espera. O custo das unidades é de R$ 200 mil – para locais onde será acolhida uma equipe do Saúde da Família – ou R$ 400 mil – no caso dos espaços com capacidade para receber três equipes. Os recursos para equipamentos dos postos são de responsabilidade dos municípios. Os investimentos são orientados pelo Plano Nacional de Implantação de Unidades Básicas de Saúde, que prevê a utilização de um valor total de R$ 330 milhões para a construção de UBSs. O secretário de Atenção à Saúde, Alberto Beltrame, explica que a ação vai fortalecer o Estratégia Saúde da Família. “É a primeira vez que o Ministério financia a construção de Unidades Básicas de Saúde nessa modalidade, por transferência fundo a fundo – o que facilita a execução e agiliza a implantação das unidades. Vamos aumentar a qualidade dos centros de saúde e ampliar o alcance do Saúde da Família. Além disso, com a padronização, fortalecemos a identidade das unidades e qualificamos a atenção primária à saúde”, afirma Beltrame. CRITÉRIO Para divisão do recurso, o Ministério levou em conta, no caso dos municípios com até 50 mil habitantes, os indicadores do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), renda per capita, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), além dos resultados da Política Nacional de Atenção Básica à Saúde. No caso dos municípios com população superior a 50 mil habitantes, a cobertura do Saúde

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MINISTÉRIO DA SAÚDE

UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE POR ESTADO

da Família foi o principal critério de seleção. O empenho para redução da mortalidade infantil foi observado nos dois perfis. “Tentamos atender todos os municípios que solicitaram o suporte no site do Fundo Nacional. As demandas foram acolhidas de acordo com o teto estabelecido para cada perfil de município. Dessa forma, a maior parte das solicitações teve resposta positiva”, explica a diretora do Departamento de Atenção Básica (DAB) do Ministério da Saúde, Claunara Schilling Mendonça. Com intuito de incentivar novas adesões ao Saúde da Família, mas também prestigiar as localidades que já fazem parte do programa, o Ministério dividiu o aporte da seguinte maneira: municípios com até 50 mil habitantes, que têm 70% da população com acesso ao Saúde da Família, ganharão uma nova Unidade Básica de Saúde para melhorar o trabalho das equipes já existentes. Municípios com essa faixa populacional, mas com cobertura menor do que 70%, precisam se comprometer com a inclusão de uma nova equipe para ter direito ao benefício. No caso dos municípios com mais de 50 mil habitantes, a referência foi de 50% da população com acesso ao programa.   REPASSE

empresas que realizarão a construção, receberão 65% do montante. Com a finalização da construção, serão depositados os 25% finais. Nos últimos dez anos, o repasse era feito por meio de convênio e a execução podia demorar até cinco anos para ser concluída.   SAÚDE DA FAMÍLIA O Saúde da Família é a principal estratégia do Ministério da Saúde para oferecer assistência básica à população. Equipes multidisciplinares – formadas por um médico, um enfermeiro e entre 5 a 12 agentes comunitários – atendem as famílias em ações de prevenção, recuperação, reabilitação de doenças, além de promoção e manutenção da saúde dessas comunidades. Os casos mais graves são encaminhados a unidades de saúde com melhor infra-estrutura. Fonte: Ministério da Saúde.

Acre – 2 Alagoas – 18 Amazonas – 17 Amapá – 1 Bahia – 83 Ceará – 70 Distrito Federal – 4 Espírito Santo – 7 Goiás – 50 Maranhão – 29 Minas Gerais – 116 Mato Grosso do Sul – 14 Mato Grosso – 16 Pará – 14 Paraíba – 40 Pernambuco – 55 Piauí – 25 Paraná – 65 Rio de Janeiro – 36 Rio Grande do Norte – 16 Rondônia – 8 Roraima – 3 Rio Grande do Sul – 36 Santa Catarina – 45 Sergipe – 7 São Paulo – 87 Tocantins – 16   Total: 880

Para garantir mais agilidade na construção das Unidades Básicas de Saúde, o Ministério adotou uma nova estratégia de repasse dos recursos. A transferência dos valores será feita em três etapas: com a publicação das portarias que habilitam o recebimento do dinheiro, a pasta encaminha 10% do valor estipulado. Depois que apresentarem comprovantes de contratação das 23 OM


ENDOCRINOLOGIA

O pâncreas artificial O

grande problema que os diabéticos dependentes de insulina têm é a dificuldade de administrar a dose adequada do hormônio no momento certo, assim como fazem as células beta de um pâncreas sadio. Com a demora da aposta no uso de células-tronco como solução para o problema, a melhor opção a curto prazo é juntar, por meio de um pequeno computador, as tecnologias já disponíveis: um medidor contínuo de glicose e uma bomba de infusão de insulina. Esse sistema integrado poderá ser, em breve, o primeiro pâncreas artificial. Apaziguada a euforia inicial depositada no poder das células-tronco para curar o diabetes, as esperanças e esforços dos doentes e pesquisadores se dirigem para a realização de um objetivo paralelo que se imagina mais exequível a curto prazo: a construção de um pâncreas artificial. As peças para confeccioná-lo já existem. Por um lado, as bombas de insulina, utilizadas por centenas de diabéticos; por outro, os sistemas de monitoramento contínuo de glicose, dos quais existem vários modelos no mercado, e que permitem medir os níveis de açúcar no sangue de forma constante. Agora, a meta é conectar a eles um pequeno computador que traduza as leituras do medidor de glicose em ordens para a bomba de insulina, determinando a quantidade de hormônio que o organismo necessita em cada momento. Existem vários modelos de pâncreas artificial em fase experimental, projetados para simular a secreção fisiológica da célula beta pancreática. Os dados publicados, ainda que restritos às pesquisas com um pequeno número de pacientes e durante períodos curtos de tempo, fornecem provas de que o controle da glicose pode ser alcançado por meio de sistemas que chegam a imitar o comportamento dessas células do pâncreas. A coordenadora do grupo de trabalho sobre novas tecnologias da Sociedade Espanhola de Diabetes, Maria Soledad Ruiz de Adana, está convencida das possibilidades do pâncreas artificial. “Esses sistemas integrados de monitoramento contínuo de glicose e infusão subcutânea de insulina representam um avanço no tratamento atual das pessoas com diabetes, e, à medida que seu desenvolvimento tecnológico melhora, podem chegar a ser o tratamento padrão para algumas pessoas com diabetes tipo 1”, explica Ruiz de Adana, do serviço de Endocrinologia e Nutrição do Hospital Universitário Carlos Haya, de Málaga. OM 24

PACIENTES COM MAIS AUTONOMIA Se assim for, os diabéticos poderão se beneficiar com um relativo relaxamento em seu compromisso de manejar a doença, transferindo para um computador a extenuante tarefa de tomar decisões constantes sobre a quantidade de insulina que devem injetar-se. Um pâncreas artificial devolveria ao paciente parte da autonomia roubada e deveria aperfeiçoar o controle da concentração de glicose e, portanto, evitar as complicações associadas. A Fundação para a Pesquisa de Diabetes Juvenil (JDRF) dos Estados Unidos está convencida da urgência de disponibilizar essa tecnologia, e, por isso, em 2006, lançou o Projeto Pâncreas Artificial, que se propõe a acelerar seu desenvolvimento. “Há muitos diabéticos que não fazem o controle suficiente. O padrão atual de cuidados para pessoas com diabetes e seus resultados não são aceitáveis. Precisamos proporcionar ao diabético ajuda para

tomar decisões seguras e efetivas. Acreditamos que essa ajuda virá de um pâncreas artificial”, explicou Larry Soler, vice-presidente da JDRF, durante o workshop intitulado “Por um Pâncreas Artificial”, que reuniu pesquisadores e representantes da Agência de Medicamentos Norte-Americana (FDA) e dos Institutos Nacionais de Saúde. A fundação financia com US$ 10 milhões um consórcio de sete centros de investigação que testam diferentes protótipos. Um deles, dirigido por Roman Hovorka, na Universidade de Cambridge (Reino Unido), começa a obter resultados satisfatórios. Nos últimos anos, provou a capacidade de seu pâncreas artificial para controlar as concentrações noturnas de glicose em 12 crianças com diabetes tipo 1. O sistema concebido por Hovorka e seu grupo de pesquisadores conseguiu manter a concentração de açúcar no sangue das crianças em níveis considerados normais durante 61% do tempo, contra os 23% dos que seguiram o tratamento habitual.


OM ENDOCRINOLOGIA CONTROLE NOTURNO “Com o sistema fechado de controle (que lê o nível de glicose e administra a quantidade de insulina adequada), somos capazes de evitar os extremos, tanto de glicemias muito elevadas quanto muito baixas”, explica Hovorka. Tudo isso à noite, momento em que o paciente não pode fazer muita coisa para regular sua concentração de glicose e, além disso, o processamento dos algoritmos é mais fácil, uma vez que não entram em jogos variáveis como a ingestão de alimentos ou a prática de exercício físico. “Queremos chegar a um modelo que possa ser comercializado, e o mais simples nesse sentido é o sistema fechado durante as horas de sono”, assinala. A determinação dos cientistas chega a esse grau de pragmatismo. As inovações que estão se desenvolvendo, por limitadas que sejam, não podem esperar até a confecção de um dispositivo definitivo. O perfeito não deve ser inimigo do bom. Por isso, se existe um sistema que pode manter a concentração de glicose estável de forma automática, ainda que somente durante a noite, ele deve chegar o mais cedo possível aos pacientes.

Os sistemas integrados de sensor de glicose e bombas de insulina poderiam ser úteis principalmente para crianças mais novas com diabetes tipo 1, dadas as suas limitações para gerenciar ou monitorar o próprio tratamento. Mas, antes, os algoritmos matemáticos precisam ser melhorados, para que o pequeno computador seja capaz de interpretar as tendências na concentração de glicose e responder com rapidez e precisão às necessidades insulínicas. Além disso, será necessário avançar no desenvolvimento de sensores de glicose mais sensíveis e com maior duração (os atuais devem ser trocados entre 3 e 8 dias). Ainda assim, os especialistas duvidam que, a curto prazo, os primeiros sistemas permitam ao paciente se esquecer por completo de sua doença.

Fonte: Hugo Cerda, El Pais.

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OM HEMATO-ONCOLOGIA

Chilenos descobrem tratamento que pode curar a leucemia

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ma pesquisa realizada por cientistas chilenos descobriu uma nova forma de tratamento para a leucemia que lança projeções otimistas para uma cura eficaz, já que os tratamentos contra a doença ainda são insuficientes. O hematooncologista chileno Bruno Nervi e uma equipe de pesquisadores descobriram que as células precursoras da enfermidade - que se escondem na medula óssea dos indivíduos - devem ser extraídas da região e atacadas quando chegarem à corrente sanguínea. Segundo Nervi, “o câncer se origina porque algumas células normais da medula óssea ficam ‘loucas’. Utilizando ratos como cobaias, descobrimos que, quando a leucemia está em seu nicho, o lugar onde vive na medula óssea, ganha proteção dada pelo ambiente onde se encontra. Se somos capazes de desprender a leucemia da medula OM 26

óssea, já podemos deixá-la mais vulnerável à quimioterapia”. O cientista justifica ainda que a pesquisa comprovou, por meio de uma droga, que as células da doença, transitoriamente, por algumas horas, se desprendem da medula óssea. “Quando elas se soltam e entram na circulação, ao injetar a quimioterapia - medicamentos que entram pelo sangue -, as células precursoras da leucemia morrem. Nos próximos anos, estaremos aprendendo mais com estes mecanismos para entender se podemos usá-los em humanos, chegando à cura de mais pacientes”, afirmou. O avanço foi observado pela companhia Genzyme, empresa líder em biotecnologia no mundo, que se interessou pela investigação do doutor Nervi e seus colaboradores da HYPERLINK “http:// www.puc.cl/” Pontifícia Universidade Católica de

Santiago. Recentemente, foi firmado um convênio, e a empresa investirá US$ 160 mil em dois anos para que os cientistas continuem a pesquisa. Anteriormente, Nervi havia iniciado os estudos em laboratórios da Universidade de Washington, em Saint Louis, USA, onde permaneceu três anos com outro grupo e retornou ao Chile em 2006. Nervi e sua equipe tentam, agora, encontrar um tratamento que seja mais efetivo e cause menos danos. “Estamos buscando novas formas, além da quimioterapia, para injetar as substâncias de outras maneiras, como a oral”, projetou, estimando que o estudo alcance ainda um modelo possível de se aplicar em outros tipos de tumor, como os intestinais, hepáticos e de mama. Fonte: Jornal do Brasil.


ORTOPEDIA

Brasileiro testa mão biônica pioneira na Itália A mão artificial foi criada por pesquisadores italianos

U

m ítalo-brasileiro foi o primeiro paciente a testar uma mão biônica capaz de realizar movimentos seguindo ordens do cérebro. O paciente, de 26 anos, teve metade do antebraço esquerdo amputado após um acidente automobilístico. Ele foi selecionado entre três candidatos para testar a mão biomecânica e realizou a cirurgia com a equipe médica da Universidade Campus Biomédico, de Roma. Com a mão biomecânica ele foi capaz de fechar os punhos, fazer o movimento de uma pinça e mexer um dos dedos com a nova mão durante os 30 dias em que esteve conectado ao membro biônico. “Este foi o tempo determinado pelas autoridades sanitárias européias. Eu poderia ter ficado mais quatro, cinco meses, um ano, ninguém sabe por quanto tempo ele poderia ter ficado no meu organismo sem que houvesse uma rejeição do meu corpo”, disse ele à BBC Brasil. O paciente, filho de pai italiano e mãe brasileira, perdeu o antebraço em agosto de 2006 e foi operado em novembro do ano passado. A mão artificial foi criada por pesquisadores da Scuola Superiore Sant’Anna, de Pisa, na Itália. O interessado se submeteu a vários testes antes de receber a mão biomecânica. “Foi o meu pai quem procurou se informar sobre as pesquisas em curso e viu de perto o projeto. Ele me disse que achava que era uma coisa boa para mim antes de pensar em colocar uma mão prostética. Este é um projeto muito importante. Eu ainda tenho um braço inteiro, mas penso em quem perdeu ambos os braços ou as pernas”, disse. “Quando vejo que consigo realizar trabalho fico muito contente. A dor física eu sinto e suporto, mas a dor mental é pior. Eles alfinetavam o meu coto de braço para que eu aprendesse a reagir ao estímulo. Pela primeira vez no mundo, foi possível mexer os dedos de uma mão conectada ao corpo, sem o uso da musculatura, sem ainda ter sido implantada, com a força do pensamento. Foi um gol para mim”, disse. A mão testada pesa dois quilos, os dedos são

em alumínio, os mecanismos internos são de aço, a palma e cobertura são de fibra de carbono. “A etapa seguinte seria a de implantar. Sei que o peso da mão foi reduzido já para seiscentos gramas”, disse ele à BBC Brasil. Os movimentos são criados a partir de impulsos do sistema nervoso do paciente. Um grupo multidisciplinar, composto por bioengenheiros, ortopedistas, neurologistas e neurocirurgiões, conseguiu reconstruir uma “ponte” entre a mão artificial e o cérebro do paciente. Ele passou 30 dias com a mão artificial. Quatro eletrodos foram inseridos nos nervos do pulso e do antebraço de Petruzzello e são os responsáveis pelo trânsito gravado de informações entre o homem e a sua mão e vice-versa. Os filamentos são biocompatíveis, com espessura de 10 milionésimos de milímetro (10 nanômetros) e comprimento de 180 nanômetros. Cada um deles possui oito canais para a passagem de impulsos entre o cérebro e o membro. “Conseguimos fazer o primeiro passo, de testar um novo eletrodo microscópico, com a dimensão

de um fio de cabelo, e inseri-lo nas terminações nervosas do braço natural”, explica o cirurgião Paolo Maria Rossini. Durante dois meses, o paciente foi estimulado seis horas diárias pelo eletrodo a decifrar os estímulos enviados pela mão robótica. Desta forma, ele poderia reaprender a movimentar o futuro membro. O professor Paolo Maria Rossini reconhece a dificuldade extrema desse primeiro passo. “O cérebro, quando perde um membro, reorganiza-se de forma aberrante e provoca sensações equivocadas, chamamos isso de síndrome do membro-fantasma. O paciente sente dores associadas à parte do corpo que não existe mais. Ao longo do treino, este fenômeno diminuiu muito, foi cancelado, mas, infelizmente, três meses depois de retirarmos os eletrodos, as dores voltaram”, explica ele. Guilherme Aquino. De Milão para a BBC Brasil. 27 OM


OM NUTRIÇÃO

5 razões para você comer carne bovina ALIMENTO PODEROSO

NATURALMENTE SAUDÁVEL E GOSTOSA

A CARNE BOVINA é um alimento recheado de nutrientes, incluindo zinco, ferro e proteínas de alto valor biológico. É reconhecida como alimento funcional pela Associação Dietética Americana e pela Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais (SBAF). A CARNE BOVINA, por ser um alimento funcional, promove benefícios à saúde, além de ser nutrição básica.

A CARNE BOVINA pode ser preparada de diversas maneiras e faz parte de inúmeras receitas. Com seu sabor marcante e suculência, ela faz parte do dia-a-dia dos brasileiros. A CARNE BOVINA é consagrada como um alimento completo e é naturalmente saudável, uma vez que a carne do gado produzido a pasto possui menor valor calórico, cerca de 1/3 a menos por porção.

Fonte de CLA e do bom Colesterol

É muito fácil consumir CARNE BOVINA diariamente. As crianças e os adultos adoram e é a maneira mais fácil de ter uma alimentação balanceada e saudável, riquíssima em nutrientes que farão bem à sua saúde e a da sua família!

A CARNE BOVINA é fonte de Ácido Linoléico Conjugado (CLA – Conjugated Linoleic Acid), um tipo de ácido graxo (gordura) saudável que facilita a perda de peso e reduz o risco de doenças cardíacas, assim como certos tipos de câncer. Na realidade, 2/3 das gorduras da CARNE BOVINA são do tipo que não eleva os níveis totais de colesterol sanguíneo.

GADO CRIADO A PASTO A CARNE BOVINA proveniente de criação de bois alimentados com pastagens é mais rica em betacaroteno (pró-vitamina A) e alfa-tocoferol (vitamina E). A vitamina A reforça o sistema imunológico, mantendo a pele e as membranas mucosas sadias, dando suporte à produção e a função dos leucócitos responsáveis por combater microorganismos causadores de doenças. A vitamina E é um poderoso antioxidante (radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento celular e de órgãos), que otimiza o sistema imunológico e ajuda a reduzir o risco de câncer e de doenças cardíacas.

RICA EM ÔMEGA 3 E ÔMEGA 6 A CARNE BOVINA é rica em ômega 3 e ômega 6. Estes tipos de ácidos graxos (gordura) auxiliam na diminuição dos níveis de triglicerídeos e colesterol total. A CARNE BOVINA é considerada também um alimento cardioprotetor. É importante para a saúde cerebral e pode ajudar no combate à depressão e na doença de Alzheimer. O mais importante é que o gado criado a pasto tem melhor proporção de ácidos graxos ômega 6 em relação ao ômega 3. A carne de animais criados a pasto tem de 2 a 4 vezes mais ácidos graxos ômega-3. São chamadas “boas gorduras” porque exercem papel vital em cada célula e no organismo. As pessoas com amplas quantidades de ômega-3 na sua dieta são menos propensas a terem pressão alta ou batimentos cardíacos irregulares, reduzindo em 50% as chances de sofrerem ataques cardíacos. Ômega-3 é essencial para o cérebro também, prevenindo depressão, esquizofrenia, desordem de atenção (hiperatividade) e doença de Alzheimer. OM 28

Se você ainda tem alguma dúvida em relação à CARNE BOVINA, entre em contato conosco: www.sic.org.br e sirva-se à vontade das informações sobre este alimento tão importante para a saúde.


OM NUTRIÇÃO COMO COMPRAR CARNE

EXPOSIÇÂO

Existem várias maneiras de se fazer um excelente prato com carne bovina, mas o sucesso de qualquer uma delas começa no mesmo ponto: a compra do produto. A qualidade e a segurança do alimento são imprescindíveis para que se tenha apenas surpresas saborosas. Quer garantir a popularidade de suas receitas com carne bovina? Então preste atenção nessas dicas

Procure cortes sempre bem embalados, em bandejas ou a vácuo. Quando em bandejas, evite as que tiverem excesso de suco. Nas embalagens a vácuo, o suco sempre estará presente e deve ter a mesma colocação da carne. Se tudo correu bem na escola da carne, que tal manter os cuidados até o momento de preparar um prato de carne bovina ou churrasco? O transporte e o manuseio corretos ajudam a destacar no paladar a qualidade que você escolheu no supermercado. Veja só como é simples:

SEGURANÇA Todo alimento de origem animal deve ser avaliado por algum serviço de inspeção federal, estadual ou municipal e a informação sobre esta inspeção é apresentada nas embalagens e/ou lojas. A ausência de tal indicação coloca em dúvida a garantia do produto.

APARÊNCIA Carne bovina fresca tem cor vermelho-cereja brilhante. Só será diferente quando embalada a vácuo ( a embalagem fica completamente aderida à carne). Neste caso, é normal a cor mais escura, próxima ao marrom. Isto acontece pela ausência de oxigênio. A carne voltará a sua cor original poucos minutos após a abertura da embalagem, assim que entrar em contato com o oxigênio novamente.

HIGIENE Seja qual for o estabelecimento de compra da carne como açougue, supermercado, boutique de carnes, tem de estar sempre limpo e bem organizado. A higiene dos funcionários que manipulam a carne também é fundamental. É bom lembrar que quem mexe com alimento não é “caixa” e dispensa o contato com dinheiro, em qualquer hipótese.

AMBIENTE

SIC Serviço de

Informação da Carne

www.sic.org.br

abid.com.br

Você poderá conferir a temperatura de conservação dos produtos no termômetro dos balcões refrigerados e deve estar regulado de modo a manter os alimentos no máximo a 7ºC. Produtos em excesso prejudicam a circulação de ar frio nos balcões refrigerados, comprometendo a conservação dos alimentos na temperatura correta. Cada produto tem seu lugar, portanto, cortes de diferentes espécies, como bovinos, suínos e de aves, não podem estar misturados.

• Produtos resfriados e congelados devem ser os últimos a entrar no carrinho. • Leve os alimentos logo para casa, reduzindo o máximo que puder o tempo desses produtos fora da sua temperatura de conservação. • Prepare carne resfriada no mesmo dia. • Para estocar, procure produtos já congelados, pois as indústrias fazem isso muito bem e você economiza energia. • Descongele o alimento na véspera do preparo: tire do congelador ou do freezer e deixe na geladeira. • Na hora do preparo, não misture carnes diferentes (bovina, suína e de aves). • Após cortar um tipo de carne, lave a “tábua de alimentos” e as facas para cortar outro. • Se cortou carne, escalde a tábua antes de utilizá-la para produtos frescos, como tomate, cebola etc. • Substitua a tábua de madeira por outro material, como plástico ou pedra. • A carne deve ser cortada no sentido contrário às fibras. Os dentes terão menos trabalho na hora de mastiga-la e ela ficará mais macia.

Com o SIC você não fica sem informação e seus pratos com carne bovina, muito mais saborosos. Tel.: (11)3531-7850 | www.sic.org.br 29 OM


OM GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA

ONU: planejamento e assistência reduziriam mortes de bebês em 50%

P

ara a Organização das Nações Unidas (ONU), dobrar investimento evitaria a morte de 500 mil mães e 3,5 milhões de recém-nascidos. Se o mundo dobrasse a quantia que gasta hoje com planejamento familiar e assistência durante a gravidez em países em desenvolvimento, 70% das mortes de mães e 50% das mortes de bebês recém-nascidos poderiam ser evitadas, segundo um relatório da ONU. Investimentos direcionados também poderiam reduzir em dois terços o número de gravidezes indesejadas e de abortos realizados de forma perigosa, contribuindo também para uma redução na pobreza – diz o documento. Produzido pelo Guttmacher Institute e pelo Fundo da População das Nações Unidas (UNFPA), o relatório diz que meio milhão de mães e 3,5 milhões de recém-nascidos morrem todos os anos em países em desenvolvimento. Segundo os especialistas, essas mortes poderiam ser facilmente evitadas. “Investir em um punhado de serviços básicos de saúde, como planejamento familiar e assistência de rotina durante a gravidez e no parto, poderia salvar milhões de mulheres e bebês”, disse a presidente do Guttmacher Institute, Sharon Camp. “Não é ciência espacial. São serviços básicos que podem ser oferecidos a baixos custos e localmente, suplementados por assistência de emergência quando necessário”, ponderou. MAIOR EFICIÊNCIA Cerca de US$ 12 bilhões são gastos anualmente no mundo em planejamento familiar e assistência à mãe e bebê – a maior parte desse dinheiro vem de países desenvolvidos e das próprias famílias. O relatório sugere que o investimento total necessário para evitar milhões de mortes em países pobres seria pouco mais do que o dobro desse valor, cerca de US$ 24,6 bilhões. Intitulado Adding It Up: The Costs and Benefits of Investing in Family Planning and Maternal and Newborn Health, (Fazendo a soma: Os Custos e Benefícios de se Investir em Planejamento Familiar e Saúde da Mãe e do Bebê, em tradução livre), o OM 30

MÁRIO RUI MARTINS

>> Investir na mulher beneficia não apenas o indivíduo e a família, mas a sociedade como um todo – diz UNFPA. BENEFÍCIOS relatório também ressalta que o investimento em planejamento familiar aumenta a eficiência de cada dólar gasto com a prevenção. Investir simultaneamente em planejamento familiar e em serviços pode produzir os mesmos benefícios, gastando-se US$ 1,5 bilhão a menos do que quando o investimento é feito apenas em assistência à mãe e ao recém-nascido. O efeito potencializador da combinação, segundo o documento, é dramático: as mortes de 400 mil mães e de 1,6 milhão bebês seriam evitadas; o número de gravidezes indesejadas cairia mais de dois terços, abortos perigosos e complicações resultantes diminuiriam em 75%. Tudo isso, segundo os especialistas, levaria a uma redução da pobreza e maior desenvolvimento econômico de países pobres.

Fonte: BBC Brasil.

As mortes de quase 400 mil mulheres e de 1,6 milhão de bebês seriam evitadas. O número de gravidezes indesejadas cairia em dois terços. Abortos perigosos e complicações resultantes cairiam em 75%. O efeito combinado levaria à redução da pobreza e ao aumento do desenvolvimento econômico em países pobres. “O investimento é modesto em relação aos vastos benefícios”, lamenta Thoraya Ahmed Obaid, diretora executiva da UNFPA. Dinheiro gasto com planejamento familiar produz um aumento no uso de preservativos e tem, portanto, o efeito adicional de prevenir o alastramento do vírus HIV e de outras doenças transmitidas sexualmente, dizem os especialistas. “O relatório mostra a melhor forma de se direcionar os recursos para alcançar os maiores ganhos. Investir nas mulheres tem benefícios enormes, não apenas para indivíduos e famílias, mas para a sociedade como um todo”, disse Sharon Camp.


(62) 3098-7140

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OM ÉTICA

Dizer adeus à vida com dignidade e elegância! Há um momento para tudo e um tempo para todo o propósito debaixo do céu. Tempo de nascer e tempo de morrer... Ecl. 3, 1-2

LÉO PESSINI

B

uscamos incansavelmente a felicidade de viver plenamente com dignidade e não apenas sobreviver. Fazemos de tudo para combater a doença, a dor, o sofrimento e vencer a própria morte. Estamos cada vez mais aparelhados com fantásticas inovações tecnológicas para esta empreitada, e prevê-se transformações ainda mais profundas para o início do próximo milênio. Num momento de “ilusão utópica” chegamos até a acreditar que a realidade do morrer não faz parte de nosso existir, pensamos e agimos como se fôssemos imortais e dificilmente aí poderíamos encontrar ou dar algum sentido. Neste artigo, ousamos apontar um horizonte de sentido, realçando alguns aspectos éticos importantes ligados ao ocaso da vida, na compreensão e cuidado do paciente terminal, isto é, do doente fora de possibilidades de cura em quatro pontos: o modelo de cuidar do sofrimento, o modelo de cuidar e curar, a importância dos cuidados paliativos e a dignidade de morrer ligada ao viver com dignidade. A diferença entre dor e sofrimento tem um grande significado quando temos que lidar com a dor em pacientes terminais. O enfrentamento da dor exige medicamentos analgésicos enquanto que o sofrimento solicita significado e sentido. A dor sem explicação geralmente se transforma em sofrimento. O sofrimento é uma experiência humana profundamente complexa em que intervêm a identidade e subjetividade da pessoa, bem como valores sócio-culturais e religiosos. Um dos principais perigos em negligenciar esta distinção é a tendência dos tratamentos se concentrarem somente nos sintomas e dores físicas, como se somente estes fossem a única fonte de angústias e sofrimentos para o paciente. É a tendência de reduzir o sofrimento a um simples fenômeno físico que pode ser dominado por meios técnicos. Além disso, nos permite continuar agressivamente com OM 34

tratamentos fúteis, na crença de que, enquanto o tratamento protege os pacientes da dor física, ele protege de todos os outros aspectos também. A continuação de tais cuidados pode simplesmente impor mais sofrimento ao paciente terminal. O sofrimento tem que ser cuidado em quatro dimensões fundamentais: a) dimensão física. No nível físico, a dor funciona como um claro alarme de que algo não está bem no funcionamento normal do corpo; b) dimensão psíquica. Surge frequentemente no enfrentar a inevitabilidade da morte. Perde-se as esperanças e sonhos, com a necessidade de redefinir o mundo que se está para deixar; c) dimensão social. É a dor do isolamento, que surge do ser obrigado a redefinir relacionamentos e necessidade de comunicação; d) dor espiritual. Surge da perda do sentido, objetivo de vida e esperança. Todos necessitam de um horizonte de sentido – uma razão para viver

e uma razão para morrer. Em pesquisas recentes, nos EUA, descobriu-se que o aconselhamento sobre questões espirituais está situado entre as três necessidades mais solicitadas pelos doentes terminais e familiares. O cultivo desta perspectiva holística é fundamental no proporcionar dignidade de cuidados! OS PARADIGMAS DE CURAR E CUIDAR As ações de saúde, hoje, são sempre mais marcadas pelo paradigma da cura, caracterizado por cuidados críticos, intensivos de medicina de alta tecnologia. É bom lembrar que a presença massiva da tecnologia é um fato necessário e legítimo na medicina moderna. O paradigma de curar facilmente torna-se prisioneiro da tecnologia. Se algo pode ser feito, logo deve ser feito e se esquece que nem tudo o que é possível realizar


OM ÉTICA multidisciplinar, enfocando as necessidades físicas, emocionais, espirituais e sociais dos pacientes e familiares com um todo. A equipe de saúde consiste de médicos, enfermeiras, assistentes sociais, voluntários e conselheiros pastorais que trabalham juntos. O seguimento e aconselhamento da família enlutada é também levado muito a sério no entendimento de que a morte não é problema para quem parte, mas para quem fica! Cuidar dignamente do doente terminal significa respeitar a sua integridade de pessoa, garantindo que suas necessidades básicas sejam honradas, entre outras: 1) seja mantido livre de dor tanto quanto possível e que o sofrimento seja cuidado; 2) receba continuidade de cuidados e não seja abandonado; 3) tenha controle tanto quanto for possível no que se refere a informações e decisões a respeito de seu tratamento; 4) seja ouvido e acolhido como pessoa, em seus medos, pensamentos, sentimentos, valores de fé e esperanças; 5) tenha a possibilidade de escolher se despedir da vida onde ele achar melhor. DIGNIDADE DE VIVER E MORRER!

cientificamente é eticamente admissível. Também pode idolatrar a vida física e alimentar a tendência de prolongar a vida em condições simplesmente inaceitáveis. Este vitalismo ganha forma na convicção de que a inabilidade para curar ou evitar a morte é uma falha da medicina. A falácia desta lógica é que a responsabilidade de curar termina quando os tratamentos estão esgotados e, não tendo mais cura, diz-se que “não se tem mais nada para fazer”. Um outro eixo de leitura, compreensão e cuidado começa a ganhar força. É “o paradigma do cuidado”. O crescente interesse público em torno da eutanásia e suicídio assistido chama nossa atenção para os limites de “curar” da medicina moderna. Cuidados de saúde sob o “paradigma do cuidar” aceitam o declínio, o envelhecimento e a morte como parte da condição humana, uma vez que todos nós “sofremos” de uma condição que não tem cura, isto é, somos mortais. A medicina não pode afastar a morte indefinidamente. A morte, finalmente, acaba chegando e vencendo. A pergunta fundamental não é se vamos morrer, mas quando e como teremos que enfrentar essa realidade. Quando a terapia médica não consegue mais atingir os objetivos de preservar a saúde ou aliviar o sofrimento, tratar para curar torna-se uma futilidade ou um peso e, mais do que prolongar vida, prolonga-se agonia.

Surge, então, o imperativo ético de parar o que é inútil e fútil, intensificando os esforços no sentido de proporcionar mais que quantidade, qualidade de vida frente ao morrer. A ação de cuidar é multidisciplinar, procurando-se promover o bem-estar físico, cuidando de sua dor e sofrimento; seu bem-estar mental, ajudando-as a enfrentar suas angústias, medos e inseguranças; seu bem-estar social, garantindo suas necessidades sócio-econômicas e relacionais de ternura e seu bem-estar espiritual pela vivência solidária e apoio nos valores de fé e esperança. Programas institucionais já começam a operacionalizar esta visão, como exemplo, programas de cuidados paliativos em muitas instituições brasileiras. CUIDADOS PALIATIVOS A medicina paliativa afirma a vida e encara o estar morrendo como um processo normal e dá a chance para a pessoa viver a própria morte. Enfatiza o controle da dor e dos sintomas objetivando melhorar a qualidade de vida, antes que tentar curar uma doença incurável ou estender quantidade questionável de vida. O objetivo dos cuidados paliativos é permitir aos pacientes e suas famílias viver cada dia plena e confortavelmente tanto quanto possível e assistir ao lidar com o stress causado pela doença, morte e luto. A abordagem é

O desafio ético é considerar a questão da dignidade no adeus à vida para além da dimensão físico-biológica e para além do contexto médicohospitalar, ampliando o horizonte e integrando a dimensão sócio-relacional. A mídia alardeia casos individuais que nos envolvem sentimentalmente e anunciam o direito de todo ser humano a ter uma morte feliz, sem sofrimento. Perguntamo-nos qual o significado de tudo isso diante da morte violenta de milhares por acidentes e violência em nossa sociedade. Existe muito o que fazer no sentido de levar a sociedade a compreender que o morrer com dignidade é uma decorrência do viver dignamente e não meramente sobrevivência. Se não se tem condição de vida digna, no fim do processo garantiríamos uma morte digna? Antes de existir um direito à morte humana, há que ressaltar o direito de que a vida já existente possa ter condições de ser conservada, preservada e desabroche plenamente. Chamaríamos a isto direito à saúde. É chocante e até irônico constatar situações em que a mesma sociedade que negou o pão para o ser humano viver lhe oferece a mais alta tecnologia para “bem morrer!”. Não somos doentes e nem vítimas da morte. É saudável sermos peregrinos. Não podemos passivamente aceitar a morte que é consequência do descaso pela vida, causada pela violência, acidentes e pobreza. Frente a este contexto, é necessário cultivar uma santa indignação ética. Podemos ser curados de uma doença classificada como sendo mortal, mas não de nossa mortalidade. 35 OM


ÉTICA

Quando esquecemos isso, acabamos caindo na tecnolatria e na absolutização da vida biológica, pura e simplesmente. Insensatamente, procuramos a cura da morte e não sabemos mais o que fazer com os pacientes que estão se aproximando do adeus à vida. É a obstinação terapêutica (distanásia) adiando o inevitável, que acrescenta somente mais sofrimento e vida quantitativa, mais que qualidade de vida. Nasce uma sabedoria a partir da reflexão, aceitação e assimilação do cuidado da vida humana no adeus final. Entre dois limites opostos, de um lado a convicção profunda de não abreviar intencionalmente a vida (eutanásia); de outro, a visão para não prolongar o sofrimento e adiar a morte (distanásia). Entre o não abreviar e o não prolongar está o amarás... É um desafio difícil aprender a amar o paciente terminal sem exigir retorno, com a gratuidade com que se ama um bebê, num contexto social em que tudo é medido pelo mérito! O sofrimento humano somente é intolerável se ninguém cuida. (Cicely Saunders) Como fomos cuidados para nascer, precisamos também ser cuidados para morrer. Cuidar, fundamentalmente, é sermos companheiros SOLIDÁRIOS com os que hoje passam pelo “vale das sombras da morte”. Amanhã seremos nós!

OM 36

“Não somos doentes e nem vítimas da morte. É saudável sermos peregrinos. Não podemos passivamente aceitar a morte que é consequência do descaso pela vida, causada pela violência, acidentes e pobreza. Frente a este contexto, é necessário cultivar uma santa indignação ética. Podemos ser curados de uma doença classificada como sendo mortal, mas não de nossa mortalidade. Quando esquecemos isso, acabamos caindo na tecnolatria e na absolutização da vida biológica, pura e simplesmente.”.

Léo Pessini. Doutor e mestre em Teologia Moral pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, de São Paulo. Especialista em Clinical Pastoral Education and Bioethics pelo St. Luke’s Medical Center, Milwaukee, USA. Graduado em Teologia pela Pontifícia Universidade Salesiana de Roma. Graduado em Filosofia pela Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção, de São Paulo. Padre. Vice-reitor do Centro Universitário São Camilo. Capelão do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Membro da Diretoria da Associação Internacional de Bioética. Superintendente da União Social Camiliana.


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REVISTA ODISSEIA DA MEDICINA ED. 03