Page 1

FEVEREIRO DE 2016

MARINGÁ, PR www.odiario.com

ZONA 7 FOTO: EDU CORRÊA

AS MUITAS FACES DA ZONA 7 BAIRRO QUE CONCENTRA ESPORTE, LAZER, COMÉRCIO, ESCOLAS E UNIVERSIDADE NASCEU DE MUITAS VILAS E ADQUIRIU PERSONALIDADE PRÓPRIA AO LONGO DOS ANOS


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

CULTURA

ZONA 7

I

39

Paróquia de portas abertas O espaço de fé que convive em paz com o debate científico se baseia no bom senso das lideranças

y

JULIANA FONTANELLA jufontanella@odiario.com

O trabalho de evangelização e condução dos cristãos de Monsenhor Bruno Elizeu Versari da Paróquia Santa Maria Goretti não é fácil.Além das atribuições da paróquia tradicional, a comunidade teve que aprender a conquistar os jovens paroquianos. “É um desafio permanente porque a todo momento surgem coisas novas, situações que exigem mais do que conhecimento em teologia ou psicologia, exige presença amiga,

”A todo momento surgem coisas novas, situações que exigem mais do que conhecimento em Teologia ou Psicologia”. BRUNO ELISEU VERSARI Monsenhor da Paróquia Sta Maria Goretti

de pastor, de confessor, de orientador espiritual”, afirma. A maioria dos estudantes não é da cidade e, aos finais de semana, volta para casa. É um público que procura na Igreja uma palavra de fé, de esperança e de encorajamento. Nesse espaço de vivência da fé o jovem se encontra com outros, reza, estuda e se confraterniza. Muitos chegam à Santa Maria Goretti sem os sacramentos ou apenas com uma base rudimentar da fé. Ali têm oportunidade de se aprofundar e vivenciar a fé na solidariedade pelo voluntariado e arrecadação de donativos, na visita aos doentes, atividades litúrgicas, momentos de oração, canto litúrgico ou serviço musical. Outro grande desafio é orientar o jovem a conciliar ciência e fé. Para ele a fé pode e deve ter o apoio da Antropologia, Arqueologia, Linguística e História, até porque não é possível aprofundar os conhecimentos bíblicos sem levar em conta estas Ciências. “Vivemos num tempo em que quem não conseguir dar razão a sua fé terá dificuldade de vivê-la. Tenho esperança de avançar ainda mais na acolhida e apoio aos universitários, principalmente os que vêm de fora, de outras cidades”, enfatiza.

Em ação Há diversos grupos e pastorais trabalhando na Santa Maria Goretti, em vários deles os jovens são maioria. Há missa na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e na Pontifícia Universidade Católica (PUC), grupos de oração e movimentos como Universidades Renovadas da Renovação Carismática Católica, Vicentinos, entre outros. A Pastoral da Saúde prepara e leva lanche ao Hospital do Câncer e alguns membros do grupo acompanham pessoas com doenças mentais. A paróquia também ajuda a Casa de Emaús para portadores do vírus HIV com doações em dinheiro, participa das campanhas promovidas pela Arquidiocese (Haiti e vítimas de Mariana-MG), entre outras. A advogada Aldrey Marcelino se casou ali e está feliz em ter a paróquia como parte da história da família. Primeiro com o casamento, depois com o batizado dos filhos, a primeira comunhão da mais velha e a entrada do caçula na catequese. “Fomos muito bem recebidos, desde o curso de noivos e nos sentimos parte da comunidade. Essa vivência ajuda na formação das crianças e na união da família”, afirma.

A paróquia fica na Rua Visconde de Nassau, 534 — FOTO: EDU CORRÊA Mobilização Habituado a ouvir sugestões e queixas dos fiéis, Monsenhor Bruno afirma que é tempo da comunidade aumentar sua participação política. Ele acredita que se houvessem mais fóruns e debates com os jovens novas lideranças poderiam emergir na comunidade. “Acho que deve melhorar também no envolvimento político. Nossa região já foi mais participativa. Não é possível mais ouvir pessoas dizendo que ‘não quero nem saber’ porque sofremos as consequências”, enfatiza. .


38

I

CULTURA

ZONA 7

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS

POR GILDA TELLES

HORÓSCOPO ÁRIES

LIBRA

21 Mar-20Abr /// Cuidado com o excesso de sinceridade e franqueza ao direcionar ideias e opiniões com as pessoas a sua volta, mantenhase mais tranquilo ao se comunicar com todos, cultive sua sensibilidade com sabedoria e evite desperdício de energias. Energia dos astros está favorável, e lhe ajuda no desejo de conhecimento para que possa reestruturar alguns projetos.

23Set-22Out /// Você se importará mais com seu lado interior do que o exterior, portanto, valorize seus verdadeiros dons, aperfeiçoe seus talentos ainda escondidos, entre em contato com você mesmo, de forma mais apurada e apure novas descobertas sobre sua essência, valerá muito a pena.

TOURO

ESCORPIÃO

21Abr-20Mai /// Autoestima e autoconfiança não faltarão para você, já que os astros apontam aspetos positivos em relação aos seus projetos e planos pessoais, portanto, mantenha as boas energias em ação, dessa forma, nada sairá errado e sim com poder de realizações. Você manterá o desejo de ser o mais prático possível na solução de problemas.

23Out-21Nov /// Será uma época bastante agitado, dinâmico, os resultados de seus projetos pessoais se mostrarão de forma mais acelerada e seu poder de comunicação e expressão estará em alta, então, aproveite a oportunidade, mas nada de pressa, stress, deixe as coisas acontecerem de forma natural e com leveza.

GÊMEOS

SAGITÁRIO

social estarão mais aguçados do que nunca, complementando assim suas habilidades comunicativas e, com isso, as pessoas ao seu redor se interessarão mais em suas ideias, aproveite o momento, brilhe, aposte em novos conhecimentos, aproveite as oportunidades do universo, troque informações.

22Nov-21Dez /// Muitos questionamentos ainda poderão surgir em sua essência em relação as suas atitudes e valores atuais, sentirá desejo de mudanças e agirá à busca do bemestar pessoal, nem tudo está cem por cento de acordo com seus planos, é o momento de ajustar algumas questões, então, sinta-se livre e otimista para isso.

CÂNCER

CAPRICÓRNIO

21Mai-20Jun /// Seu poder intelectual e

UTILIDADE PÚBLICA LINHAS DE ÔNIBUS Linha 010 Av. Duque de Caxias, Av. Lauro Werneck, R. Professor Itamar Soares, R. Mário Urbinati, Av. Alziro Zarur 41 vezes ao dia Linha UEM Av. Duque de Caxias, Av. Lauro Werneck, ruas internas do câmpus da UEM 27 vezes ao dia Interbairros Zona Norte Sentido Hospital Universitário 15 vezes ao dia FEIRAS LIVRES Segunda-feira 17h às 22h ao lado do Estádio Willie Davids Terça-feira 7h às 11h Rua José

Clemente Quarta-feira 17h às 22h ao lado do Estádio Willie Davids Quinta-feira 17h às 21h Rua Evaristo da Veiga, próximo ao Teatro Barracão Sábado 6h às 10h ao lado do Estádio Willie Davids Sábado 7h às 11h30 Rua Mandaguari, esquina com Rua Paranaguá ATIs Av. Lauro Eduardo Werneck– Vila Olímpica Câmpus da UEM, lado leste Câmpus da UEM, lado norte Av. Bento Munhoz da Rocha, ao

lado do Teatro Barracão

865 Fone: 3227-3314

POSTO DE SAÚDE IUBS Zona 7, R. Bernardino de Campos, entre a Av. Bento Munhoz da Rocha Netto e Rua Marechal Deodoro (em fase de implantação)

Colégio Dr. Gastão Vidigal R. Líbero Badaró, 252 Fone: 3223-1117

ESCOLAS PÚBLICAS Escola Ipiranga R. Campos Sales, 953 Fone: 3224-7955 Colégio Santa Maria Goretti R. Quintino Bocaiúva, 979 Fone: 3224-6863 Escola Ayrton Plaisant Praça Monsenhor Bernardo Fone: 3901-2263 Colégio Vital Brasil R. Mal. Deodoro,

Centro de Aplicação Pedagógica CAP/UEM Câmpus da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Fone 3011-4245 RESTAURANTE POPULAR Av. Lauro Eduardo Werneck (ao lado do Ginásio de Esportes Chico Neto) Fone: 3224-7955 Horário: 11 às 14h Preço: R$ 2

TELEFONES ÚTEIS Corpo de Bombeiros 193

Plantão da Polícia Militar 190 SAMU 192 Conselho Tutelar 3901-1966 Delegacia da Mulher 3224-6192 Guarda Municipal 3901-2222 Junta Militar 3901-1117 Polícia Civil 32256899 Polícia Florestal 3901-1936 Tiro de Guerra 3901-1817 Polícia Militar 3261-5100 Copel 0800-5100116 Sanepar 115 Procon 32938150 Ouvidoria Municipal 156 Aeroporto 33663838 Alcoólicos Anônimos 3226-5945 Agência do Trabalhador 32625797

pensamentos e sentimentos com a finalidade de conquistar suas ambições e desejos mais profundos, aqueles que há tempo você anda refletindo, mas ainda não os colocou em ação, portanto, lembrar-se de seus sonhos é uma das metas pessoais deste mês, nada de sentirse preso com suas emoções.

22Dez-20Jan /// Época bastante agitada, você estará mais ambicioso em relação às conquistas da carreira, mas ao mesmo tempo, concentrado em alguns desejos antigos os quais agora se manifestam; apesar das turbulências emocionais, seu estado de espírito o ajudará a manter o controle, então, fique atento ao pensa e sente, suas intuições o salvará.

LEÃO

AQUÁRIO

23Jul-22Ago /// Ótimo para você determinar novos desafios para sua vida, pois os astros continuam de portas abertas para que renove seus projetos de vida, aproveite as oportunidades do universo, pois neste período as energias estarão mais fortes que no passado, saiba conduzir seus próximos passos.

21Jan-19Fev /// As pessoas estão aos poucos se adaptando a você e isso é muito bom, as conspirações do universo continuam ao seu favor, dará o devido valor aos seus próprios pensamentos e sentimentos, caminhará rumo ao progresso interior e exterior, aproveite a oportunidade e invista sim em sua essência.

VIRGEM

PEIXES

23Ago-22Set /// Ótimo mês para você

20Fev-20Mar /// É o momento de você

se adaptar às pessoas ao seu redor, não se isole, cultive o sentimento de amizade, troque ideias, experiências de vida, nada de críticas, pois isso o fará evoluir espiritualmente com significado muito forte, aguarde bons resultados, sua sensibilidade estará aguçada durante todo o período.

botar um ponto final em alguns projetos de vida e iniciar outros, tenha essa coragem, pois o universo lhe reserva novas oportunidades de sucesso, confie na sabedoria da natureza liberte-se dos velhos valores e encare novos desafios em sua existência com mais fé e determinação.

21Jun-22Jul /// Saiba lidar melhor com seus


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ZONA 7

I

37


36

I

PERFIL

ZONA 7

Após a aposentadoria, Jeremias Puliquezi se dedicou a retratar paisagens da Vila 7 que ele conheceu bem e não existem mais

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

— FOTO: JOÃO CLÁUDIO FRAGOSO

Poesia e lembranças em cores Momentos da vida do menino que viu o bairro crescer são retratados em telas por Jeremias Puliquezi

y

LUIZ DE CARVALHO carvalho@odiario.com

Algumas das imagens que registram momentos da história da Zona 7 não saíram das, na época, raríssimas máquinas fotográficas, mas sim das lembranças e dos pendores artísticos do hoje aposentado Jeremias Puliquezi, que passou para telas as recordações que marcaram sua infância. São casas, mulheres, crianças brincando na rua, ambientes que foram vistos por Jeremias e hoje estão em suas mais preciosas recordações. Essas imagens um dia vão ilustrar um livro que ele está escrevendo sobre a Vila 7, a região da Zona 7 próxima ao câmpus da Universidade Estadual de Maringá (UEM). “São cenas que vi pessoalmente, são situações que vivi”, como diz. Elas mostram uma Vila 7 de uma época em que o trânsito infernal de hoje ainda não tinha tirado o direito de as crianças jogar bola nas ruas, andar de bicicleta, patinetes, carrinhos de rolemã, brincar de salva ou jogar bets, de uma época em que as centenas de prédios ainda não tinham tomado o lugar das casas de madeira. Algumas telas marcantes de Jeremias Puliquezi mostram casas em que ele morou, como a que ficava na esquina das ruas Paranaguá e Tietê, ou a que morou quando era ainda mais criança, na

bifurcação da Tietê com a Mandaguari, esta mostrada por dentro, aparecendo a mãe e os quadros que cobriam as paredes da sala. Uma das cenas da bifurcação da Tietê com a Mandaguari, que se fosse hoje seria registrada em vídeos por dezenas de celulares, mostra um caminhão sendo arrastado pelas enxurradas que desciam pela Rua Mandaguari. O veículo só parou depois que caiu em uma erosão imensa. Outra mostra a explosão de um transformador, quando a rede elétrica ainda era novidade, e as pessoas que ficaramapavoradas, algumas gritando que era “o fim do mundo”. Quem viveu a Maringá dos anos 60 e 70 se lembra da Esplanada, onde hoje é o Novo Centro. Era uma imensa área ao lado da linha férrea onde eram depositadas toras de madeiras retiradas das matas da região e ali eram retiradas as cascas. “Homens mulheres e crianças, com carroças, carrinhos de mão ou mesmo nas costas, buscavam as cascas para fazer fogo, já que pouca gente tinha fogão a gás na época”. Esta movimentação também foi pintada em óleo sobre tela e é provavelmente o mais fiel registro daquele momento da história. “São cenas que vi. Eu estava lá”, diz Puliquezi.

ruas, a vida como ela era. “Existem algumas fotos por aí, mas são fotos aéreas, panorâmicas, que não mostram como era a vida cá em baixo”. Às vésperas de completar 62 anos, todos vividos na Zona 7, Jeremias Puliquezi não se considera um pintor, mas sim alguém que pinta por lazer, quando dá tempo. Depois de 22 anos como Técnico

de Segurança da Copel, o aposentado poderia escolher qualquer tema para suas experiências com pincel, tinta e tela, mas a saudade o leva a pintar cenas da Vila 7. “A saudade começa aos 45, mais ou menos. Até ali o cara está jovem demais e achando que a vida é muito comprida, mas todo mundo vai passar por isso. E chega os 58, 60 anos e a saudade bate de verdade”.

Arquivo da saudade Segundo o artista, ao pintar, sua preocupação é retratar o cotidiano das

A casa da Rua Paranaguá, retratada após ser demolida.


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ZONA 7

I

35


34

I

ZONA 7

PERFIL

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

Com a Bíblia na ponta da língua Mesmo sem estudo, Francisco se tornou pastor e baseia todas suas conversas em versículos bíblicos

y

LUIZ DE CARVALHO carvalho@odiario.com

Qualquer que seja o assunto da conversa, “Chico Crente” não fala cinco frases sem citar um versículo bíblico. Versículo tal, do capítulo tal do livro de … E quando fala de qualquer fato que já ficou no passado, cita as datas com exatidão. O primeiro emprego começou no dia tal de tal mês do ano tal, a saída da pequena Ibiajara, às margens do Rio São Francisco, na Bahia, a chegada a Maringá, o primeiro trabalho, o dia em que sofreu um acidente, o dia em que

”Era uma casa aqui, outra acolá, dava para contar nos dedos as casas da vila quando cheguei com a família.” FRANCISCO MANOEL DOS SANTOS Pioneiro e pastor evangélico

se converteu ao Evangelho, o dia em que começou a construção da igreja, todas as datas estão na ponta da língua. Estas habilidades estão ao alcance de qualquer um, mas o que é diferente em Chico Crente é que nem um dia da vida ele frequentou uma escola. Além disto, seu registro de nascimento diz que ele já passou de um século de vida. Estaria com 101 anos. Mesmo sem estudo e com idade avançada, ele se tornou pastor da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério de Madureira, que ele ajudou a criar, e está renovando sua carteira de motorista. Possivelmente seja o motorista mais idoso de Maringá. O homem que deixou de ser chamado de Chico Crente e passou a ser o pastor Francisco é Francisco Manoel dos Santos, que foi uma das primeiras pessoas a morar na Zona 7, mais especificamente na Vila 7, na Rua Mandaguari, no começo da década de 1950. “Era uma casa aqui, outra acolá, dava para contar nos dedos”, conta. Ele viu a vila ser ocupada, mas eram só moradias, todas de madeira. Os primeiros comércios chegaram bem depois e foram instalados na Avenida Colombo, que era uma rodovia. “Hoje são quatro ou cinco quarteirões de distância, mas na época parecia mais

Francisco diz que Deus o preparou para o trabalho de pastor— FOTO: JOÃO CLÁUDIO FRAGOSO longe, principalmente nos dias de chuva, quando caminhar a pé ou de bicicleta era uma tarefa difícil”. Francisco viu a transformação do descampado no bairro de Maringá com mais prédios, foi ali que fez amigos e criou seus seis filhos. Como boa parte dos homens que moravam na Vila 7 na época, Francisco também vivia de atividades ligadas à cafeicultura. Foi ensacador de café, profissão conhecida como ‘saqueiro’,

que proporcionava bons ganhos nos períodos de safra. Carregou as sacas de 60 quilos até o dia em que caiu, com um saco na cabeça, entre o elevado de um armazém e um vagão de carga do trem, e teve que se aposentar por invalidez. Homem que se diz sem orgulho, Francisco tem satisfação de falar da igreja. A Assembleia, na Rua Paranaguá, é o mais antigo templo religioso da Zona 7, que ele ajudou a fundar. “Fui preparado por Deus para ser pastor”.


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ZONA 7

I

33


32

I

ESPORTE

ZONA 7

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

Vila Olímpica semeia novos talentos locais do esporte O próprio ambiente serve como um incentivo para quem está começando a praticar

y

JULIANA FONTANELLA jufontanella@odiario.com

Um garoto e o acaso foram o suficiente para transformar uma vida. Hoje atleta com índices de campeão, Nathan Soares de Souza, 16, afirma que foi a Vila Olímpica que o levou a encarar o esporte com seriedade. A ideia inicial, ele conta, era de ingressar em uma das aulas de natação abertas à comunidade. Foi só cair na água com os amigos que o treinador viu que o garoto tinha potencial. Dali para entrar no treino só foi preciso convencer Nathan. “Eu fui lá porque meus amigos também iriam, mas nem sonhava em entrar para a equipe, era só para ter aulas mesmo. Eu cheguei na secretaria, fiz matrícula e de lá, para a piscina. Fiquei surpreso na hora, mas percebi que ia ser bom para mim e resolvi tentar. Deu tudo certo”, comemora. Orgulhoso, o adolescente treina há quatro anos e faz parte da equipe regular de competições. Nadando ele já fez bonito em diversos campeonatos e não esconde o orgulho das medalhas que já conquistou. Desde que incorporou a ideia de se tornar atleta, parte dele e da família mudou. O garoto ficou mais

”O 1º campeonato foi em 2013, mas sei que se não tivesse ido para a Vila Olímpica, eu não teria chegado até aqui.” NATHAN SOARES DE SOUZA Atleta

disciplinado, especialmente em relação aos horários de sono e se comprometeu com o esporte. Tanto empenho trouxe muito orgulho para a família e razões para comemorar. “Eu participei do primeiro campeonato ainda em 2013 e sei que se não tivesse ido para a Vila Olímpica, não teria chegado até aqui. Em 2014 eu fiz uma competição que me surpreendeu porque não sabia que já estava pegando o ritmo. Era o campeonato estadual e fiz um excelente tempo, isso me incentivou mais ainda”, conta ele. Nathan e os colegas de equipe estão treinando forte para o campeonato Sul Brasileiro de Natação, o objetivo é chegar o mais alto possível no pódio e quem sabe, trazer mais uma medalha para Maringá. Integrado com os colegas de raia e feliz com a decisão de treinar como atleta, Nathan tem recebido muitos elogios pelo seu

MUNDO DOS ESPORTES

q

p Locais A Vila Olímpica ou Complexo Esportivo Jaime Canet Júnior ocupa uma área de 122 mil m2. totalmente na Avenida Colombo. Nessa área estão co Estádio Regional Willie Davids com capacidade para 20 mil pessoas; o Ginásio de Esportes Chico Neto para 6 mil pessoas; o Ginásio Valdir Pinheiro para 2 mil pessoas; um alojamento para 90 atletas; o Parque Aquático; as quadras de areia; o velódromo e a pista de atletismo do Willie Davids. No estádio também existem áreas específicas para competições de dardo e disco, arremesso, de peso, salto triplo, à distância, salto com vara e em altura. (Informações PMM)

Nathan credita ao espaço de treino parte de sua evolução rápida na piscina. — FOTO: ARQUIVO PESSOAL desenvolvimento. “A Vila não faz parte só da minha história, aqui tudo gira em torno de esporte, você se sente motivado quando

olha uma estrutura como essa. Além do mais, a gente convive com outros atletas de outras modalidades. Acho que faz toda a diferença”, conclui.

Referência de esporte e interação 111 O secretário de Esportes e Lazer, Francisco Favoto, afirma que histórias como a de Nathan e do time de natação se repetem em diversas modalidades. A Vila é um ponto de referência para toda a comunidade que, pouco a pouco, tomou conta do espaço. Os moradores da Zona 7 e de outras regiões da cidade aproveitam a área para praticar uma diversidade de atividades, algumas livres como caminhada e corrida, outras bem organizadas como as turmas de tai chi, yoga e funcional, ciclistas, as turmas de skate e os patinadores. “A Vila fica no centro e tem essa energia de espaço livre e aberto a todos. As pessoas sentem isso e vêm para cá, utilizam também as quadras de vôlei de praia para jogar e também para aulas de dança, as quintasfeiras, ficam curiosas para conhecer o velódromo onde treina a seleção brasileira de ciclismo, elas querem estar aqui. Esse movimento incentiva a prática esportiva e integra aqueles que frequentam essa estrutura”, afirma. Outro atrativo é o próprio estádio, base do futebol e do atletismo local, que ganhou reformas importantes

recentemente. Favoto destaca a nova iluminação, as novas cadeiras para árbitros e reservas, além dos novos armários para o vestiário e da sala de imprensa para 78 profissionais. Em breve será a vez dos banheiros passarem por uma modernização, mas as novidades não param por aí. “Nós temos projetos para realizar o aquecimento das piscinas e reformas dos alojamentos para atletas visitantes. Já conseguimos recursos federais e a contrapartida do município para cobrir o velódromo que é o espaço de treinamento da seleção brasileira de ciclismo e considerado um dos melhores do país. A Associação Maringaense de Ciclismo é bastante participativa e os atletas só precisam se preocupar com os treinos, até a locação e manutenção da casa deles fica por nossa conta”, comemora. As medalhas são esperadas e não apenas no ciclismo. O secretário que acompanha o treino dos novos talentos garante que jovens como Nathan, da natação, e os praticantes de vólei de areia tem tudo para fazer bonito nas Olimpíadas de 2020.


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ZONA 7

I

31


30

I

ZONA 7

ESPORTE

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

Um campo em cada data vazia Numa época sem computador e jogos eletrônicos, o futebol era a principal diversão dos meninos

y

LUIZ DE CARVALHO carvalho@odiario.com

É na Zona 7 que há quase 60 anos está o mais importante templo do futebol de Maringá, o Estádio Willie Davids, onde já desfilaram craques como Pelé, Coutinho, Garrincha, Edgar Belisário, Garoto, Roderlei e tantos outros, onde o maringaense se encheu de orgulho com incontáveis vitórias do Grêmio Esportivo Maringá e, depois, do Grêmio de Esportes, como aquela que aconteceu sobre o time da União Soviética das lendas Yashin, considerado o maior goleiro de todos os tempos, do matador Valeri Perkujan e o endiabrado ponteiro Metreveli. Mas, o WD não pertence à história da vila e sim da cidade. A história do futebol da Zona 7 é contada pelos inúmeros campinhos que surgiam de um dia para outro nos terrenos baldios e passavam dias inteiros lotados por meninos de Kichute, Bamba, Conga ou descalços disputando ‘cinco vira e dez termina’, os ‘de camisa contra os sem camisa’, ‘bobinho’ e até ‘disputa de pênalti’, quando não havia atletas em número suficiente para se formar times de pelo menos ‘três contra três”. Os campinhos eram apenas brincadeira, mas cada vila tinha um campo maior, onde aconteciam partidas aos domingos de times que tinham jogo

“Quem achava que sabia

jogar vinha de longe tentar vaga no Time do Jaia, que fez história na vila.” ANTONIO RAMALHO XAVIER Advogado e ex-goleiro

Uma das muitas formações do Botafogo, clube que representou a Vila 7 no Campeonato Amador de camisas, meiões e até chuteiras. Um que ficou na história foi o Campo do Jaia, que ficava na esquina das avenidas Colombo e Lauro Eduardo Werneck, onde hoje está a estrutura do Sesc/Senac. E quem reinava no Campo do Jaia era o ‘time do Jaia’, que recebia times de outros bairros, como Operária, Mandacaru, Morangueira e geralmente ganhava. Se não ganhasse na bola, ganharia no apito, pois o juiz invariavelmente era Josué Gabriel da Cruz, o ‘seo’ Zu, um carroceiro brabo que morava em frente ao campo e foi quem ajudou a arrancar os tocos para a molecada jogar bola. Não por acaso, ele era o pai do Jaia, treinador do time

e dono da bola, das redes e do jogo de camisas. O advogado Antonio Ramalho Xavier ainda era o Toninho e tinha mais ou menos 1,5 metro de altura quando ganhou a vaga de goleiro no famoso time da camisa bordô. “Todo mundo que se achava bom de bola vinha de longe tentar vaga no time do Jaia e muitos saíram dali para os times amadores ou para os bons times de futebol de salão”, conta. Outro que participou do time foi o servidor público Francisco de Assis Dantas, o Chico Dantas, que tinha vaga garantida por ser vizinho do Jaia e do ‘seo’ Zu. “Não era um campo de verdade, era um terrão,

QUEM JOGOU, NÃO ESQUECE ”Aquilo não era só diversão, era nossa forma de fazer e manter amigos, era onde trocávamos informações sobre o mundo e onde nos preparávamos para o futuro”, diz o professor Antonio de Oliveira, que na Zona 7 é conhecido como Liu, a respeito dos muitos campos de futebol improvisados em terrenos vazios da vila. Para Liu, o futebol era uma atividade saudável e “quem estava interessado em bola não tinha tempo para pensar ou fazer besteiras. Cresceu e virou gente boa”. Liu e seus irmãos jogaram no Time do Jaia e em vários outros times da vila e até hoje é capaz de citar um por um dos companheiros de quase 50 anos atrás.

— FOTO: ARQUIVO PESSOAL DE CHICO DANTAS

ainda com alguns tocos”, lembra. O radialista Moisés Bispo dos Santos, que hoje mora no Mato Grosso, jogou no time, junto com o irmão Jeremias, que era considerado craque. “Lá vi alguns dos melhores jogadores, que cresceram e fizeram história como Ademirzinho, Vado, Sapite, meu irmão Jeremias, Guim, Fidel, Edmundo...”. Dentro do terreno do Estádio Willie Davids tinha o ‘campo do Zé Preto’, onde treinava o juvenil do Grêmio e recebia jogadores de toda a cidade. Onde hoje é o Ginásio de Esportes Chico Neto foi por muito tempo o Campo do Botafogo, onde aconteciam jogos pelo Campeonato Amador.

q Outro que valoriza muito o futebol da molecada é o aposentado Osvaldo Araújo, que era conhecido como Vardeco. Ele jogou muito no Campo do Jaia, em um campo que existiu no final da Rua Paranaguá e, quando maior, integrou times que representavam empresas em campeonatos Dente de Leite, Juvenil e até o Amador. “A gente ia para escola, tinha futebol no pátio, saía, tinha um campinho por perto, chegava em casa, tinha campo perto. Se a gente não fosse a nenhum campo, fazia traves com tijolos e jogava na rua mesmo ou no quintal. Era por isto que o Brasil era uma mina de craques”, diz.


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ESPORTE

O WD e as lembranças y

ANTONIO ROBERTO DE PAULA Especial para ODiário no seu Bairro

Aquele trecho entre as avenidas São Paulo e Pedro Taques, tendo como ligação a rua Floriano Peixoto, foi meu espaço no final dos anos 60 e na década seguinte. Garoto, estudante do Colégio Santo Inácio, que partia a pé até a Pedro Taques e depois seguia pela Mauá. E rapazola, que ia ao Gastão Vidigal, o colégio da Libero Badaró. Gastão Vidigal: aquela turma de amigos que trago comigo até hoje, o pastel da cantina do seu Nelson, os rachas disputadíssimos na quadra de cimento, as primeiras paixões, portanto, abrasadoras e inacessíveis. Morei na Floriano Peixoto com a Vó Maria, o Vô Jacinto, os tios Belírio e as tias Terezinha e Rose. O vô partiu bem novo, em 1971. A vó conseguiu atravessar o milênio e viveu até os 90 anos. O tio nos deixou no ano passado. Tantas histórias dentro de outras histórias. Alguns detalhes, inexplicavelmente, não vão embora, nunca são esquecidos. Balanço feliz. As inevitáveis pitadas de amargura precisam compor o cenário. Mas, coadjuvantes, apenas. A memória vai se abrindo para aqueles alegres dias. Banca de revista, bem próximo da praça da Igreja Divino

Espírito Santo, gibis, álbuns de figurinhas de futebol. Jogo de pebolim no bar da avenida São Paulo, perto da Colombo, proibido para menores. A gente jogava com um olho na bolinha e outro na porta, com medo do flagra da polícia ou do comissário de menores. O dono do bar fazia vista grossa para aqueles moleques vestidos de azul e branco que achavam que a vida era tudo azul. Na maioria dos dias continuo achando. Vem a fase adulta. O Tiro de Guerra. Vó Maria me acordava antes das 5 da manhã e o café já estava na mesa. Saía correndo para não perder a carona do Hiroshi, amigo de TG e Gastão, que tinha um fusca e me pegava em frente ao Supermercado Agostinho. O grupo de jovens da Espírito Santo, o Ajudes (Associação dos Jovens Unidos da Divino Espírito Santo). Dezenas – quase uma centena - de camisetas vermelhas, rezando, cantando, as mãos para o alto, acompanhando as missas do Padre Bernardo. E vem a lembrança mais forte, aquela que o tempo sequer obscurece. A imponente lembrança, grande, do tamanho de um estádio. Os grandes jogos no Willie Davids. Um garoto e a magia do futebol estão intrinsecamente ligados. Está nas entranhas do moleque. Ainda mais quando o templo fica quase na porta da sua casa. A mínima compreensão

do mundo, o desconhecimento de tantas vertentes e variáveis, faz da bola a rainha, faz exaltar a idolatria pelo craque, pereniza o instante e pinta para sempre na memória jogos e gols. O futebol circunda e cobre de paixão a alma do menino. O Grêmio Esportivo, depois o MEC, este não deu nem tempo de criar vínculo, o Grêmio de Esportes. O título de 1977, a casa cheia, um coro de 30 mil vozes entoando Grêêêêêmioooooooo. Um canto assustador para o adversário e que nos enchia de brio. Que venha o Coritiba, o Atlético, o Colorado, o Londrina, o União Bandeirante. Poucas bandeiras, muitos rojões. Viramos guerreiros. Assim a nossa torcida era chamada. O gol, a explosão, a festa. Didi, Nivaldo, Ferreirinha, Freitas, Itamar... Parecia que toda Maringá se concentrava na Prudente de Morais em dia de jogo. Povo atravessando a linha férrea, vindo da Colombo, da São Paulo, da Paraná. Fuscas, kombis, jipes, opalas, ônibus. De todos os bairros, das cidades da região. Fim de jogo. Bares lotados, buzinas, povo a pé se espalhando, voltando para casa, radinhos colados no ouvido. Pucca, Ferrari, Durval Leal, ABG, Samy, Renato Taylor Negrinho, Tatá Cabral... Hoje, o estádio não está mais só. É parte da Vila Olímpica. A Herval e a Duque

ZONA 7

I

29

Antonio Roberto de Paula é jornalista, escritor e documentarista. Redigiu essa crônica especialmente para o especial O Diário no Seu Bairro edição Zona 7© de Caxias foram esticadas até a Colombo, a São Paulo é mão única. Éramos 100 mil e passamos a ser 400 mil. Edifícios escondem o céu, comércios fecharam e outras fachadas surgiram. De Vila passou para Zona...Perdi o rumo da Espírito Santo, mas não o do Espírito Santo. Outros moram na casa da Vó Maria. Os ídolos ficaram velhos, não vieram outros. A massa guerreira foi se dispersando. Com as reformas, o Willie Davids encolheu, ficou mais charmoso e, paradoxalmente, maior, mais espaçoso. Só de vez em quando recebe grande público. Como aconteceu naquela final de 2014, quando o nosso maior rival teve a petulância de buscar o título dentro da nossa casa. E seguem as tentativas de retorno. Com a nostalgia vem, felizmente, também a confiança. Quando vou ao Willie Davids com meu filho, e vejo esta rapaziada correndo atrás da bola, sinto que, mesmo sem saber, os jogadores estão correndo por mim, atrás do resgate do futebol maringaense. Correm pelo meu filho, por aqueles meus amigos, por uma torcida que tomava conta de todos os lugares do estádio, pelos narradores que nos emocionavam e que já partiram, correm para fazer novas histórias, correm pelos garotos de agora, correm pelos garotos sonhadores de sempre.


28

I

ZONA 7

ECONOMIA

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

Estabelecimentos criados há mais de 60 anos convivem com comércios instalados há pouco tempo e juntos oferecem uma variedade de produtos e serviços.

— FOTO: EDU CORRÊA

Rodovia setorizou o comércio Algumas empresas da Zona 7 têm seus nomes conhecidos desde a abertura da Avenida Colombo

y

LUIZ DE CARVALHO carvalho@odiario.com

A empresa mais antiga da Zona 7 ainda em atividade é a do produtor de caldo de cana Jorge Bernardino, com sede na esquina das ruas Tietê e Visconde de Nassau, aberta há quase 60 anos, mas às margens da Avenida Colombo podem ser encontradas várias empresas que já eram conhecidas em Maringá meio século atrás. Um nome que fez história é o do Posto Trabuco, aberto há 60 anos pelo pioneiro Antonio Trabuco na

esquina da Avenida Colombo com Rua Paranaguá. Ao longo da história, o estabelecimento chegou a ser fechado, reaberto e hoje o nome Trabuco existe do outro lado da avenida, porém pertence a outra empresa, embora vários descendentes de Antonio Trabuco continuem no ramo dos combustíveis. Outro nome que também está na Zona 7 há 60 anos ou mais é Progride, que já foi uma fábrica de carrocerias – hoje instalada em outro endereço -, mas continua em um depósito de materiais para construção do mesmo grupo. O trecho da Avenida Colombo que faz parte da Zona 7 é setorizado,

Jorge Bernardino serve caldo de cana há quase 60 anos na Zona 7. concentrando estabelecimentos do mesmo ramo em uma mesma área, como o de peças para tratores entre a Avenida Paraná e a Rua Belo Horizonte, o de materiais para acabamento de construção, entre as avenidas São Paulo e Pedro Taques, mesmo trecho que concentra várias concessionárias de veículos. Um nome que se tornou ponto de referência na Zona 7 é a Peixaria Piraju, uma empresa que vem passando de pai para filho desde o começo da década de 1970 e hoje é uma das empresas do ramo mais antigas de Maringá. “Pelo fato de a Colombo ter sido tanto

— FOTO: RICARDO LOPES

rodovia federal quanto uma das mais movimentadas avenidas da cidade, a Zona 7 atraiu empresas que atuam na assistência a veículos”, diz o empresário Ney Maciel, que dirige a Radiadores Maciel, uma das empresas no ramo dos radiadores mais antigas do noroeste do Paraná. “Quem se instala na Colombo tanto está na rodovia quando próximo ao centro, além disto, quem precisa de assistência a radiador, peça para trator, material de acabamento, já sabe onde procurar, porque aqui, no espaço de poucos metros, estão várias empresas do ramo”, completa.


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ZONA 7

I

27


26

I

ECONOMIA

ZONA 7

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

Endereço escolhido por paixão O bairro oferece imóveis de todos os tipos e por isso, quem chega adolescente escreve a história aqui

y

JULIANA FONTANELLA jufontanella@odiario.com

A infância de Vinícius Inácio Oberleitner teve a Zona 7 como cenário. As ruas e praças viram o garoto crescer e foram o pano de fundo para suas brincadeiras, os tombos e as primeiras amizades. A história dos Oberleitner no bairro começou antes - foi para ficar em família que os pais dele e da irmã resolveram morar ali quando se casaram. Entre a universidade, o estádio de futebol e o colégio de gerações de parentes, ele escreveu uma parte de suas memórias. “Acho que a Zona 7 sempre vai fazer parte de mim, da minha vida porque é impossível separar quem nos tornamos do local onde a gente nasce e cresce. Em todas as minhas lembranças de infância há um momento especial no bairro, tenho hábitos e costumes que talvez não tivesse caso tivesse crescido em outro lugar”, diz o universitário. Eles se mudaram há algum tempo e ele estranhou a mudança de ritmo. O novo bairro é mais tranquilo, residencial, então ele ainda sente falta dos lugares que estava habituado a frequentar, da turma da rua, da igreja, da feira do produtor que frequentava com os pais, mas sempre que pode “dá uma passadinha”.

Endereço atrativo Esse amor todo pelo bairro fica mais

”Eu ia aos jogos com meu pai e eram dias especiais, todo mundo andando para o estádio, as camisetas, as bandeiras tremulando”. VINÍCIUS OBERLEITNER Universitário

fácil de entender em um bate-papo com o imobiliarista Milton de Oliveira, o Lelo, da Lelo Imóveis. Considerado pelos colegas de profissão como um dos maiores especialistas em Zona 7, ele foi um dos pioneiros em negócios imobiliários naquela região e começou a trabalhar ali há 26 anos. Para ele Vinícius descreve bem o bairro, afinal aquele pedaço da cidade não cresceu no mesmo ritmo dos outros. “Nós tínhamos um bairro no centro, mas ao mesmo tempo, separado pela linha do trem. Então o comércio foi se concentrando ali, os prédios foram surgindo e ele cresceu num ritmo mais rápido. As famílias eram atraídas pela estrutura e a praticidade de estar perto de tudo, ter escolas, faculdade, tudo ali. Do outro lado, os pais também gostavam de saber que os filhos que vinham estudar em Maringá e alugavam apartamentos ali teriam todo o necessário perto de casa”, afirma.

A família tem uma relação de afeto com o bairro onde Vinícius nasceu.— FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Sinal de bons negócios Os investidores também perceberam logo que a Zona 7 era um bom lugar para apostar porque haveria interesse em locação e venda de imóveis comerciais e residenciais praticamente o ano todo. Nos meses de dezembro,janeiro e feveiro acontece o pico de entrada e saída de locação universitária, salvo em anos de greve, onde o calendário se desloca mais para o meio do ano. Ainda assim, o interesse

1 ou 2 quartos, além das quitinetes, correspondem ao perfil da maioria dos imóveis disponíveis para locação na Zona 7. Entretanto, há todo o tipo de opção. Os meses de maior volume de negócios para novos locatários são dezembro, janeiro e fevereiro.

é constante porque as pessoas montam repúblicas, resolvem morar sozinhas, casam-se ou têm filhos e o tempo todo estão em busca de um imóvel que se adeque àquela nova necessidade. Em outras palavras, ali se comercializa desde quitinete de 25m2 até o ‘apartamentão’ de três quartos e duas vagas de garagem com suíte e vista privilegiada. Aluga-se a casinha de fundos para as irmãs que vieram estudar de longe e o sobrado na frente para o casal com os filhos pequenos e o pastor alemão.

Para melhor Lelo enfatiza que recentemente houve um incremento do interesse das famílias uma vez que um forte trabalho de lideranças comunitárias acabou de vez com a bagunça da moçada. “As pessoas estavam incomodadas, então foi preciso tomar uma providência. A Associação Comercial e Empresarial, a Força Verde, a Polícia Civil e a Associação de Moradores da Zona 7 investiram em uma campanha

educativa para controlar o barulho e os resultados estão sendo excelentes. Os síndicos e as próprias imobiliárias também ajudam, assim o barulho entrou num nível aceitável. Todo mundo estuda, descansa e se diverte, isso tem sido excelente para o bairro e também para os jovens que conseguem render mais nos seus estudos”, comemora. Conhecido como “paizão” dos estudantes Lelo já alugou apartamentos para a segunda geração e tem clientes que começaram como estudantes, alugaram o primeiro imóvel de recémcasados e hoje negociaram com ele o primeiro imóvel. “É bem o estilo da Zona 7, a vida aqui acontece! O jovem vem estudar, amadurece e se casa, compra ou aluga um imóvel, chegam os filhos. O que o cliente quer é ficar sempre por perto, construir a história da família dele aqui”, afirma. Vinícius não descarta voltar um dia, talvez criar seus filhos na Zona 7 e começar outra trajetória que seo Lelo vai gostar muito de ver de perto.


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ZONA 7

I

25


24

I

ZONA 7

ECONOMIA

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

Cachorrão e espetinhos se destacam Lanches variados são opções muito procuradas

y

FERNANDA BERTOLA fernanda@odiario.com

Não é só feira que não falta na Zona 7 (veja mais na página 22). Os moradores da região são bem abastecidos de carrinhos de cachorro-quente. Não é preciso andar muito para matar a fome. No cruzamento entre a Rua Mandaguari e a Rua Paranaguá fica o carrinho de cachorro-quente Esquina do Lanche, há 20 anos. Como não poderia ser diferente, os principais clientes são alunos. Não dá para calcular a quantidade de estudantes que já fez uma parada por ali, e quantos outros ainda vão parar. Esse público muitas vezes não tem tempo para cozinhar e acaba optando pelas diversas opções

gastronômicas rápidas e práticas que existem na Zona 7. E o lanche prensado está entre as mais escolhidas. Tem salsicha (o ingrediente mais simbólico), hambúrguer, bacon, milho, queijo, presunto, frango, salada de alface e tomate, carne, ovo, batata palha. A lista de itens que compõem os “Xs” e “cachorrões” é extensa e criativa. Os preços vão dos mais acessíveis aos mais caros. Não é difícil encontrar um carrinho com sugestões simples e mais em conta: a partir de R$ 10 é possível saborear esse ícone da culinária popular, e tão fácil de achar em Maringá que reza a lenda tem o melhor lanche da região - a cidade já nomeia até negócio do ramo em uma das maiores capitais do mundo, São Paulo. Na Esquina do Lanche, o cardápio

Esquina do Lanche 20 anos na Zona 7; estudantes são principais clientes conta com 21 opções, mais bebidas para diversos gostos. Segundo a proprietária do negócio, Adriana Aparecida de Marchi, 39, que começou o negócio junto ao falecido marido e hoje trabalha junto com Fernando Inácio Oliveira, 29, a freguesia vem diminuindo por causa da crise. “Antes vendíamos oito formas de pão, agora são quatro por dia. Significa que agora saem 16 pães por dia. Isso de dois anos para cá”, diz. Adriana conta que já viu de tudo do lado de dentro do carrinho. “Nós nunca fomos assaltados, graças a Deus”, comemora. “Mas presenciamos muitos. Já saímos para ajudar um pessoal que foi assaltado aqui na esquina. Os bandidos levam de tudo”, conta Oliveira. “Saia na rua depois das oito da noite aqui para ver... É perigoso”, alerta uma estudante que, acompanhada de duas amigas, fazia o pagamento dos lanches que tinham acabado de comer, por volta das 18 h. Adriana e Oliveira dão expediente todos os dias, com exceção dos sábados. A chapa começa a esquentar sempre às 17h e esfria de vez só às 23h, quando é hora de ir para casa. “Tem que gostar do que se faz, porque senão é tenso. Cada dia aprendemos uma coisa diferente e vamos nos adaptando. É o sustento da família”. Famoso, o Lanchão do Tonin fica em uma das esquinas de entrada da UEM, na Avenida Colombo. Já faz 24 anos. Ali param estudantes e viajantes, principalmente os que são de cidades vizinhas a Maringá. O proprietário do

18 É a quantidade de carrinhos de cachorro-quente em operação na Zona 7, segundo dados da Fiscalização Integrada da Prefeitura de Maringá

— FOTO: EDU CORRÊA

carrinho, Antônio Priuli, 54, de apelido que nomeia o negócio, conta que o movimento maior é na madrugada. O carrinho de Tonin quase não fecha. Todo dia começa a lida por volta das 18 horas, e a jornada segue até as 3h do outro dia. Fim de semana, o expediente encerra só às 8h. “No fim de semana, depois das 3 da manhã é que o movimento aperta”, revela ele. Por causa da avenida, sempre muito movimentada, e porque o Lanchão do Tonin sempre está aberto, normalmente saem 80 lanches por dia; nos finais de semana, 120. O simples é a opção que mais sai, mas são oito possibilidades no cardápio. O negócio tem dado tão certo que ultimamente Tonin cuida do carrinho a distância. “Tem duas pessoas trabalhando no carrinho, um deles é meu filho. Eu nem vou mais”, comemora. A quantidade de movimento da avenida é benefício para Tonin, mas também gera muitos acidentes, cena que ele conta ter visto tantas vezes que perdeu a conta. “Depois que mudou o sentido da avenida Herval melhorou muito”, diz.

Espetinho Na Zona 7 também tem o espetinho do Center Carnes Karina - o nome vem de outro bairro da cidade. São três unidades, cada uma de um irmão - a proprietária da que fica localizada na Zona 7 é Kelly Cristina Maia, 39. Na Rua Paranaguá, o espetinho lota a calçada. É tanta gente que saem milhares deles toda semana. Há 14 opções no cardápio, mas ainda há porções. “A casa de carne abri há 11 anos, mas o espetinho começamos há cinco. Deu tão certo que vamos ampliar. A padaria (que funcionava ao lado) saiu, e vamos reformar o espaço. Vou até partir para a área de bar, mas vou manter o açougue”. Ela acrescenta que a Zona 7 é ambiente ideal para isto. “Vem gente de todo canto, até de fora de Maringá. A Zona 7 é minha vida, trabalho e moro aqui”.


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ZONA 7

I

23


22

I

ECONOMIA

ZONA 7

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

Tem feira quase todo dia Na Zona 7 são realizadas seis feiras semanalmente; produtores fizeram a vida na Feira do Produtor

y

FERNANDA BERTOLA fernanda@odiario.com

Se tem algo que não falta na Zona 7 é feira. São seis distribuídas durante a semana. Mas uma das mais famosas, senão a mais, é a Feira do Produtor. Há 34 anos, a feirante, chamada de “batian” (como se fala avó, em japonês) pelos mais íntimos, Toshiko Takano, 75, bate ponto na Feira do Produtor, que é realizada no estacionamento do Estádio Willie Davids. Ela e o marido, Takeshi Takano, são produtores de hortaliças e, desde que se lembram, têm nessa atividade o ganha-pão da família. Eles estavam entre os 48 produtores que participaram das primeiras feiras, quando tudo começou. Eles, que são do interior de São Paulo, vieram para o Paraná ainda jovens, mas já casados e com os dois filhos. “Antes, em São Paulo, meus pais plantavam algodão e nós trabalhávamos com eles. Viemos para Maringá para trabalhar com folhagens”, diz. A rotina de trabalho envolve a lida com o cultivo, o traslado para a feira, de Kombi, e o exercício do comércio. Na feira realizada às quartas, atrás da banca de alfaces e outras hortaliças - há oito anos produzidas de forma orgânica - dona Toshiko se lembra de como foi no início. “Não tinha esse teto em cima da barraca, era só uma banca de tábua onde ficavam expostos os produtos”, diz. Eram menos feirantes, e menos gente circulando. A nora de dona Toshiko, Lídia, que também trabalha com a família na feira, conta que a produção de orgânico dá mais trabalho, mas vende fácil. A banca esvazia rápido todo dia de feira. O senhor Tsuyoshi Tsukada, 71, é outro exemplo de quem viu a feira crescer e atrair gente não só da Zona 7, mas da cidade inteira. Ele, que participa nas edições realizadas às segundas e quartas, conta que trabalha na Feira do Produtor há mais de 20 anos, mas no começo, vendia uva. “Com o processo de mecanização na soja e a deriva de veneno, a produção de uva foi enfraquecendo e partimos para a produção de queijo”. A produção de leite era própria, mas a procura cresceu tanto que a família precisou passar a comprar leite para dar conta de atender toda a clientela. Por causa disto, ele não é considerado produtor, mas colaborador da feira, assim como é o caso da barraca de pastel. “A uva deu mais dinheiro, mas

80% É a quantidade de produtores que têm na feira a única fonte de renda

a venda de queijo também nos garante renda”, diz.

A feira Hoje, a Associação da Feira do Produtor de Maringá tem mais de 140 associados, sendo que 126 participam regularmente das feiras realizadas às segundas, quartas e sábados. Milhares de pessoas circulam pelo local - segundo o coordenador, Jorge Ogassawara, que participa do evento desde o primeiro dia em que foi realizado, no ano de 1982, não é possível estimar exatamente o número de pessoas que passam pelo evento. “Não tem como calcular, mas são milhares”. Ele explica que essa foi a primeira opção que o produtor teve para vender mais amplamente os produtos de hortifrúti. “Antes, a linha férrea dividia a cidade, e achavam que não ia dar certo porque o Willie Davids na época era fora do centro, ao sul da linha férrea. Mas com apoio de diversas entidades e prefeitura, deu tudo certo”. Como a senhora Toshiko se lembra, os produtos eram expostos em tábuas antigamente. Ogasswara lembra que não havia padrão. “A feira era comprida, no sentido da Avenida Prudente de Moraes, não em ‘L’ como é hoje. Uns levavam caixas, outros tábuas, depois a Vigilância Sanitária passou a exigir cobertura”, conta. Ogassawara ressalta que hoje a maioria dos produtores que participam da feira têm ali a principal fonte de renda. “A qualidade do produto está melhor. Eles olham na banca do lado e querem melhorar o próprio produto”, diz. Ele acrescenta que, com o passar do anos, chama a atenção o associativismo em torno da feira, para ajudar a promover um evento de qualidade, e a participação dos filhos dos feirantes. “Hoje a média de idade dos feirantes é alta, passa dos 50, mas já vemos os filhos participando tanto na produção quanto na venda, mas principalmente na venda”.

Consumo Uma das consumidoras que é cliente da feira é a coordenadora da clínica veterinária da Unicesumar, Rosemeire Bergamini Marinho. Na opinião dela, a localização, os dias em que é realizada a feira e o horário são atrativos que permitem ir às compras depois do trabalho, e há mais vagas para estacionar. Mas não são mais importantes que os produtos. “Encontramos verduras frescas, tem até plaquinha dizendo ‘colhido ontem’, enche os olhos. Tem me atraído, tenho até deixado de fazer feira no mercado”, diz. Ela acrescenta que a diversidade também faz diferença. “Tem a rúcula plantada na terra e a de estufa. Eu prefiro a de estufa, e na Feira do Produtor eu encontro. Tem orgânico. Acho de tudo”. Outro motivo que leva Rosemeire

Feira do Produtor é uma das mais famosas; está entre as seis da Zona 7 — FOTO: EDUCORRÊA

Toshiko Takano,75, feirante há 34 anos, e viu a Feira do Produtor nascer — FOTO: EDU CORRÊA à Feira do Produtor é a vontade de colaborar com o progresso dos produtores e colaboradores da feira. “É uma forma de privilegiar os que estão ao

FEIRAS NA ZONA 7 Segunda-feira Feira do Produtor, na Avenida Prudente de Moraes, no estacionamento do estádio Willie Davids, das 17h às 21h Terça-feira Feira Livra, na Rua José Clemente, das 7h às 11h Quarta-feira Feira do Produtor, no estacionamento do estádio Willie Davids, das 17h às 22h

nosso redor. Tem produtores pequenos, que cultivam sozinhos, vendem. Temos que dar privilégio aos produtores da nossa região”.

q Quinta-feira Feira Pôr do Sol, na Rua Evaristo da Veiga, esquina com Floriano Peixoto, das 17h às 21h Sábado Feira do Produtor, no estacionamento do Estádio Willie Davids, das 7h às 10h Feira Livre, na Rua Mandaguari, das 7h às 11h30


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

# Janela de Fatos

A cidade e os roceiros Na cidade que nasceu da floresta e traz o caipirismo pé vermelho até no nome, o aglomerado de edifícios tornou-se seu cartão postal, oferecendo ao visitante a garantia de que esta é uma cidade em que o progresso é realidade e que o s caminhos do futuro já estão traçados. Em meio a este visual futurista, as raízes do povo que aqui vive estão presentes e ganham destaque todos os dias em algum lugar da cidade, especialmente na Zona 7, onde o homem do campo tem espaço reservado para oferecer o produto de sua labuta diária e assim possibilitar ao povo da cidade a oportunidade de ter em sua mesa produtos frescos e puros, vindos diretamente dos sítios e chácaras que circundam o emaranhado de edifícios. A Feira do Produtor, com suas cores, aromas e sabores, com o pastel frito na hora, o suco da laranja que acaba de ser espremida, o zum-zum-zum das amigas que se encontram, o violão do cego que entoa a mesma canção da semana passada, o sanfoneiro de um braço só que canta Luiz Gonzaga, tilápia no copo, linguiça no palito, é mais uma instituição da Zona 7, como o Chico Neto, o Sesc, as pistas de caminhada , a UEM e o Willie Davids. /// Luiz de Carvalho —FOTO: EDU CORREA

INFRA ESTRUTURA

ZONA 7

I

21


20

I

INFRA ESTRUTURA

ZONA 7

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

Alimentos ao alcance de todos O Restaurante Popular tornou Maringá uma referência no campo das políticas de segurança alimentar

y

LUIZ DE CARVALHO carvalho@odiario.com

Em seus cinco anos de funcionamento, o Restaurante Popular colocou Maringá em destaque no campo das políticas de segurança alimentar, ampliando o acesso a uma alimentação adequada e saudável a trabalhadores de baixa renda e pessoas em situação de vulnerabilidade e de risco social. “Possibilitar o acesso a alimentos de qualidade por custo ao alcance de qualquer pessoa é uma forma de inclusão social”, diz a gestora do restaurante, nutricionista Érika Maeda,

ATENDIMENTO

q

Av. Lauro Werneck, 500 (Ao lado do Ginásio de Esportes Chico Neto) Valor real da refeição: R$ 5,87 (sendo R$ 3,87 subsidiados pela prefeitura) Valor cobrado: R$ 2 Horário: das 11 às 14 horas

responsável pela elaboração do cardápio e comando da equipe desde o primeiro dia de funcionamento. O restaurante é resultado de uma parceria entre o governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, a prefeitura de Maringá, através da Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Sasc), e Ação Social do Paraná, entidade sem fins lucrativos que atua nas áreas de segurança alimentar nutricional e assistência social, vencedora da licitação realizada para o gerenciamento. O restaurante tem disponibilidade para atender mil pessoas por dia, entre trabalhadores formais e informais de baixa renda, desempregados, estudantes, aposentados, moradores de rua e famílias em situação de risco de insegurança alimentar nutricional. Nos últimos dois anos, foram atendidos também estudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM) devido à desativação do Restaurante Universitário para reforma. Os números são impressionantes. Já foram servidas 1,4 milhão de refeições, algo como se todas as pessoas que vivem no eixo Maringá/Londrina tivessem almoçado lá pelo menos uma vez nos últimos cinco anos.

Mais de 1,4 milhões de refeições já foram servidas no RP.

— FOTO: JOÃO CLÁUDIO FRAGOSO


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ZONA 7

I

19


18

I

ZONA 7

INFRA ESTRUTURA

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

Novo posto de Saúde abre ainda em 2016 UBS terá capacidade para atender 20 mil pessoas

y

JULIANA FONTANELLA jufontanella@odiario.com

Uma novidade para os moradores da Zona 7 é a inauguração da nova unidade de atendimento de Saúde na região. De acordo com a Secretaria de Saúde do Município cerca de 40 servidores vão trabalhar ali nos próximos meses em equipes completas de atendimento à saúde da comunidade. Duas equipes com médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, auxiliares operacionais e administrativos vão prestar atendimento de saúde, serviço odontológico, de vacinação, inalação, curativos e atendimento de farmácia. “Uma unidade básica de saúde (UBS) é a porta de entrada da população no

sistema público de saúde. Precisamos dar toda a estrutura e o acolhimento necessário, por isso a UBS da Zona 7 atenderá plenamente a população daquele bairro e trará mais conforto aos usuários do SUS”, afirma a secretária de Saúde Carmen Inocente. A unidade ainda não tem o nome confirmado pela Secretaria, então por enquanto fica com o apelido de “unidade Zona 7”. Quando o “postinho” for entregue terá uma estrutura de mais de 600 metros quadrados que representou um investimento em torno de 2 milhões de reais para atender uma população de quase 20 mil pessoas. Duas equipes vão atender a comunidade, uma entre a Avenida Paraná até Avenida Pedro Taques. A outra responde por quem mora da Avenida Colombo até Avenida Tiradentes.

A unidade, ainda sem nome definido, espera a inauguração. — FOTO: JC FRAGOSO

EQUIPES DE SAÚDE DA FAMÍLIA DA UNIDADE Z7

q

p Rota Equipe 1

p Rota Equipe 2

(Sentido Bairro) Rua Demétrio Ribeiro Rua Francisco Glicério Rua Marechal Floriano Peixoto Rua Libero Badaró Rua Marechal Deodoro - nº 1096 ao 1396 Av. Prudente de Moraes Av. São Paulo (entre Av. Tiradentes e av. Colombo) Rua Saldanha Marinho (entre av. João Paulino e av. Colombo) Rua Visconde de Nassau (entre av. João Paulino e av. Colombo) Rua José Clemente (entre av. Paraná e Duque de Caxias) Rua Rui Barbosa (entre av. Paraná e av Duque de Caxias) Rua Campos Sales (entre av. Paraná e Duque de Caxias) Rua Padre Raimundo Le Goff Av. Bento Munhoz Rocha Neto Rua Aristides Lobo até av. Colombo Rua Bernardino de Campos até a av. Colombo Rua Afonso Pena até av. Colombo Avenida Pedro Taques até avenida Colombo Rua Américo Brasiliense (Bento Munhoz até av. Colombo) Rua Evaristo da Veiga até av. Colombo Rua Katsuzo Fujiwara

(Sentido Centro) Avenida Tiradentes (entre av. Paraná e Av. São Paulo) Rua Arthur Thomas Av. XV de Novembro (entre av. Paraná e Av. São Paulo) Rua Néo Alves Martins (entre av. Paraná e Av. Laguna) Rua Santos Dumont (entre av. Paraná e Av. Laguna) Av. Brasil (entre av. Paraná e Av. Pedro Taques) Rua Joubert de Carvalho Av. Tamandaré Av. Horácio Raccanello (entre av. Paraná e Av. Pedro Taques) Av. João Paulino Vieira Filho (entre av. Paraná e Pedro Taques) Av. Paraná (entre Av. Tiradentes e Av. Colombo) Av. Getúlio Vargas Av. Duque de Caxias Av. Herval (entre Av. Tiradentes e Av. Colombo) Rua Piratininga Av. São Paulo (entre Av. Tiradentes e Av. Colombo)


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ZONA 7

I

17


16

I

ZONA 7

ENQUETE

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE MORAR NA ZONA 7?

r

“Gosto de morar na Zona 7 porque estudo na UEM então fica pertinho para ir estudar. Só não gosto muito do barulho de carros. Aqui é bastante movimentado”

“É o que tem de melhor em Maringá. Como eu vim do interior de São Paulo há seis meses, de Presidente Epitácio, aqui tudo é novidade. O bairro é grande, diferente, melhor”

“Por ser um bairro universitário eu gosto bastante de morar aqui. Está todo mundo no mesmo clima, todas as pessoas na mesma ideia”

JAQUELINE BAUERI, 18 Estudante de Bioquímica

AIRTON DA SILVA, 18 Sushiman

MIGUEL LUIS GUERONI, 23 Estudante de Engenharia Mecânica

“Fica perto da faculdade e de tudo que eu preciso. Tem farmácia, tem supermercado, loja de conveniência, mas acho feio para morar”

“Moro aqui faz 38, 39 anos. Na época do vestibular agora não tem festa como antes, tem bastante fiscalização. É tranquilo. Só falta manutenção para tirar os galhos da ruas”

“Aqui é perto de tudo e tudo que você procura tem. É bem tranquilo para morar. Nunca vi nada de anormal”

FERNANDO ALVES, 23 Estudante de Filosofia

PEDRO CARRILHO SARTORI, 77 Aposentado e ex-corretor de café

JOSÉ CARLOS DA SILVA, 60 Representante comercial


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ZONA 7

I

15


14

I

ZONA 7

INFRA ESTRUTURA

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

Gastão tem 62 anos de história Colégio passou a funcionar na sede atual em 1958; cores do uniforme derivaram da fanfarra

y

FERNANDA BERTOLA fernanda@odiario.com

Encontrar um morador de Maringá que já tenha estudado no Colégio Estadual Doutor Gastão Vidigal é fácil. E mesmo quem não estudou conhece alguém que já tenha passado pelo menos um período da vida escolar na instituição. O colégio ainda tem arquivados os históricos escolares de figuras bem conhecidas ou ilustres, como o prefeito de Maringá Carlos Roberto Pupin, o reitor da Unicesumar Wilson de Matos Silva, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato, o físico nuclear Helio Takai, que se dedica à pesquisa sobre partículas elementares nos Estados Unidos e, entre

3mil É o número aproximado de alunos de todas as séries do Gastão - além de centenas de professores.

outros, até o presidente do O Diário, Franklin Silva. O diretor da instituição, Sérgio Martinhago, que também foi aluno Gastão, destaca ser gratificante participar e continuar fazendo parte da história do colégio e da formação de milhares de cidadãos. O Gastão, como é chamado, fica numa discreta rua da Zona 7, a Líbero Badaró, 252, mas faz esquina com as movimentadas avenidas Herval e Colombo. O prédio que ainda hoje abriga aulas e projetos começou a ser construído em 1958, mas antes disto funcionava, desde a fundação em 1953, no local onde hoje fica o Instituto de Educação, no centro da cidade. A instituição nasceu batizada de Ginásio Estadual de Maringá em 2 de dezembro daquele ano, para dar formação aos filhos dos pioneiros - no início da década de 1950, Maringá tinha cerca de 40 mil habitantes - e só depois de uma campanha junto à comunidade, acompanhando a mudança de prédio, ganhou o nome de um dos acionistas da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, que fez a doação do terreno para a construção. Entre outros feitos, o Gastão realizava diversas atividades esportivas

Símbolo foi escolhido depois de concurso realizado entre os alunos. direcionadas - hoje há uma sala com centenas de troféus. O atleta Vicente Pimental Dias, por exemplo, começou ganhando provas de atletismo pelo colégio e seguiu neste caminho até se tornar professor de Educação Física. Ele atuou como técnico e é colaborador da Associação de Atletismo de Maringá. As feiras de ciências do Gastão também eram famosas. Em 1972, a feira, a primeira nacional, contou com trabalhos vindos de 16 estados do Brasil, e recebeu 600 alunos de outros estados.

— FOTO: EDU CORRÊA

Uniforme e símbolo Padrão das escolas estaduais até a década de 1970, o uniforme levava as cores branca e azul. Para diferenciar, a fanfarra adotou a amarela e a preta, que migrou para o uniforme no começo de 1985. Segunda a professora de História e responsável pelo Centro Histórico do Gastão, Maria Teresa Cassavia Jorge, a fanfarra do colégio fazia sucesso. Como ambas as cores constam na bandeira de Maringá, estava justificada a escolha. A águia, símbolo do colégio, veio antes, nos anos 70.

Professora do Gastão Ana Maria estudou no colégio, fez estágio da faculdade e deu aula para os filhos na instituição — FOTO: EDU CORRÊA

Gastão pôs gerações na mesma sala 111 A professora de Biologia Ana Maria da Silva Tavares, 47, que foi aluna do Gastão dos 14 aos 16 anos, tem mais do que as lembranças das aulas e convivência com os colegas para contar quando o assunto é o colégio. Ela estudava no colégio Santa Cruz quando visitou o Gastão com o pai, que trabalhava na Copel. “Estava acontecendo uma feira de ciências e eu fiquei apaixonada. Movimentava toda a Zona 7. Quis estudar no Gastão”, conta. Foi no Gastão que ela sagrou-se campeã de Ginástica Rítmica Desportiva e onde aprendeu a gostar da área das Ciências, o que direcionou a escolha pelo curso superior. “Quando precisei fazer estágio, foi no Gastão que encontrei espaço. Estagiei no colégio com as professoras Edna e Dulcineia, que eram meus ícones quando eu era aluna”.

Ana Maria se formou e em 1992 foi aprovada em concurso.No ano seguinte já estava dando aulas no Gastão, e em 1994 foi lotada para o colégio, de onde nunca mais saiu. “As pessoas que trabalhavam na escola chegaram a me abordar achando que eu ainda era estudante. Cadê o uniforme?”, se diverte lembrando. Pela qualidade do ensino que ela constatou como professora, matriculou os filhos para estudar no local. E deu aula para ambos. “O Lucas (hoje aluno de Engenharia Civil) veio no 9º ano e o Matheus (foi recentemente para um colégio particular por causa de uma greve) desde o 1º aninho. Eles tinham ciúmes dos colegas e os colegas deles. E eles acabavam sendo mais cobrados por mim”, conta. Além de professora, Ana Maria é fã da escola. ©


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ZONA 7

I

13


12

I

INFRA ESTRUTURA

ZONA 7

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

UEM É CENTRO DE SERVIÇOS Este ano, até colônia de férias gratuita para crianças foi oferecida por meio do Mudi. São tantos os serviços encontrados na UEM, permanentes ou não, como alguns que são realizados por meio de projetos de extensão, ou de forma independente, que não é possível listar todos, segundo a assessoria de imprensa da instituição. Até quando não há projeto, a população tem o que desfrutar: basta ver nos fins de tarde ou início da manhã a quantidade de pessoas que utiliza as ruas da UEM para fazer caminhadas.

CAP Dentro do campus da universidade também existe o Colégio de Aplicação Pedagógica da Universidade Estadual de Maringá (CAP). Hoje o colégio tem 1225 alunos que se dividem nos turnos da manhã e da tarde. Há atendimento desde os anos iniciais, sendo o único estadual a oferecer esse serviço, que é nos outros casos de responsabilidade do município. E os alunos podem seguir até o Ensino Médio. Há ainda aulas de monitoria que servem para reforçar conteúdos já aplicados em sala de aula. Todo ano, no período de matrículas formam-se filas de pais esperançosos por conseguir uma vaga. Na secretaria da escola, a reportagem foi informada de que conquistar uma vaga no colégio é mesmo muito difícil. E a explicação está no fato de o colégio estar ligado a uma instituição de ensino superior de renome feito a UEM. E também

por apresentar bom desempenho em avaliações como a Prova Brasil, que avalia instituições de todo o País. O colégio foi criado em 1974 para ser laboratório de investigação, testagem e experimentação de técnicas pedagógicas e, entre outros, servir para estágios, de preferência para os alunos dos cursos de licenciatura da UEM.

SAIBA MAIS

q

Atividades esportivas: informações sobre esportes e aulas podem ser obtidas em: http://sites.uem.br/ cdr/comunidade-externa Neddij: fica no bloco 3. Funciona das 13h30 às 17h, de segunda a sexta. São atendidos municípios da Comarca de Maringá. Outras informações pelos telefones: (44) 3011-3689 e 3011-3690 Biblioteca UEM:(44) 3011-448 CAP: fica no campus da UEM. O telefone da secretaria é (44) 3011-4245

Mudi: fica de frente para a Avenida Colombo. O local fica aberto de terça-feira a sextafeira, das 8h às 11h30 e das 14h às 17h. Para visitação em grupos, é preciso ligar no (44) 3011-4930. *O Mudi também abrirá às quartas à noite para visitação a partir de abril.

CAP oferece ensino desde os anos iniciais ao Médio; hoje tem 1.225 alunos. — FOTO: EDU CORRÊA


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ZONA 7

I

11


10

I

INFRA ESTRUTURA

ZONA 7

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

População encontra por meio da Universidade Estadual de Maringá desde atendimento médico e psicológico a assessoria jurídica e acesso ao acervo da biblioteca.

— FOTO: JC FRAGOSO

UEM é centro de serviços Por meio da Coordenadoria de Desporto, comunidade tem acesso a academia, aulas de luta e outros

y

FERNANDA BERTOLA fernanda@odiario.com

A população da Zona 7 tem no “quintal” de casa um verdadeiro centro de serviços gratuitos, ou bem mais baratos que o comum. Isso graças à Universidade Estadual de Maringá (UEM), fundada em 1969, e construída em um terreno, nas redondezas da Rua Mandaguari, onde foi desapropriado um cafezal. O ensino em si, que atende a mais de 20 alunos por ano, já é um benefício, mas não só estudantes têm na UEM uma fonte de serviços. Os moradores do bairro - e de toda a cidade - contam hoje com diversos serviços oferecidos na própria UEM, pertinho, ou em outras localidades onde a universidade funciona em outros prédios. Um exemplo é o Hospital Universitário (HUM), que fica no Parque das Laranjeiras. O HUM atende pelo Sistema Único de Saúde e permite o hospital conta com 123 leitos em atividade para internamentos em enfermaria, UTIs pediátrica, adulta e neonatal e pronto-atendimento, servindo para o ensino, pesquisa e extensão dos cursos de graduação e de pós-graduação. E recentemente, em janeiro, o governador do Estado, Beto Richa, anunciou 100 novos leitos para o

hospital, o que deve diminuir o déficit de leitos na região Noroeste. Sendo o primeiro hospital estadual do Paraná a receber credenciamento do Ministério da Saúde e da Educação como Hospital-Ensino, o HUM é hoje referência em diversos setores: atendimento a gestantes de alto risco, cirurgia para a redução do estômago, transplante de córnea, entre outros. O ensino em si, que atende a mais de 20 alunos por ano, já é um benefício, mas não só estudantes têm na UEM uma fonte de serviços. Quando o assunto é saúde, por exemplo, a UEM oferece diversas possibilidades além do hospital. Tem clínica odontológica e de psicologia, onde é possível encontrar atendimento gratuito.

Exercícios Por meio da Coordenadoria de Desporto e Recreação (CDR), na própria UEM são oferecidos para a comunidade os seguintes serviços: academia de musculação e ginástica, aikidô, capoeira Angola e Regional, esporte adaptado (paradesporto) para crianças e adultos, ginástica infantil, karatê-dô tradicional, natação, entre outras opções. Dentre as opções, há as gratuitas, como a ginástica infantil, e as que são pagas, como o aikidô: a taxa é de R$ 60. Já a taxa para as aulas de hidroginástica depende da frequência.

Aulas duas vezes por semana custam R$ 93 mensais para a comunidade, e três vezes por semana são R$ 104. A taxa de matrícula é de R$ 40.

Criança e adolescente A universidade, por meio do Departamento de Direito oferece, gratuitamente o serviço de assessoria jurídica em diversos casos. Um dos projetos é o Núcleo de Estudos e Defesa de Direitos da Infância e Juventude, o Neddij. Um convênio entre o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e as instituições estaduais de Ensino Superior deu origem ao Neddij em 2006. Segundo a coordenadora do Neddij Maringá, Amália Regina Donegá, o trabalho da equipe é atender e defender os direitos da criança e do adolescente em situação de risco, que tiveram direitos violados ou ameaçados, ou que cometeram atos infracionais. Por meio do projeto são desenvolvidas pesquisas na área e oferecida assessoria jurídica gratuita a essas crianças e adolescentes. O Neddij conta com dois advogados, um recémchegado, o que permitirá ampliar o número de atendimentos, que passa dos milhares, ao ano, psicólogo e com a colaboração de estagiários dos cursos de Direito e Psicologia.

Biblioteca Quem precisa estudar, consultar alguma obra ou ler em um espaço tranquilo, tem na Biblioteca Central da UEM o local ideal. A comunidade, incluindo alunos de outras instituições de ensino, pode recorrer à biblioteca para buscar obras de que precisam. Alunos de outras instituições podem fazer pedidos de cópias autorizadas de obras que existem em outras bibliotecas do Brasil. Entre outros serviços, estudantes que precisam também podem buscar na biblioteca orientações sobre normas a serem seguidas para executar trabalho científico.

Lazer Na universidade também tem opções de lazer, e se destaca nesse papel o Museu Dinâmico Interdisciplinar. Considerado o maior museu de ciências do Paraná, o Mudi tem sistemas de exposições temporárias e permanentes, que podem ser visitadas gratuitamente. Pode-se ver desde laboratórios de plantas a detalhes sobre o corpo humano. Além disto, no espaço, que foi recentemente reestruturado, são realizados cursos, oficinas, palestras, entre outros eventos. Continua na página 12


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ZONA 7

I

9


8

I

HISTÓRIA

ZONA 7

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

E FEZ-SE A LUZ Em seu livro “Clareira Flamejante” e,m que conta a história da chegada da energia elétrica no norte do Paraná, o jornalista Rogério Recco cita que a usina funcionava até as 22 h e, com duas piscadelas, avisava os moradores que estava na hora de acender os lampiões ou lamparinas – se bem que na Maringá antiga, sem TV e sem muitas fontes de diversão, a esta hora a maioria das famílias já estava dormindo. “As lâmpadas, de tão fracas, ganharam o apelido de tomates”, conta. A geração era pequena para uma cidade que crescia muito rápido, mas a energia chegou à região comercial, principalmente à Av. Brasil, e ainda sobrou para muitas residências. Hospitais, hotéis, máquinas de café e outros estabelecimentos não confiaram tanto na usina e ainda mantiveram

SAIBA MAIS

como reserva os grupos geradores que eram ouvidos em toda a cidade desde os primeiros dias. O professor José Ival de Souza, que hoje mora em Cuiabá, tinha sete anos quando foi morar na Rua Quintino Cunha, ao lado da usina. “Ela foi marcante na minha vida”, conta, citando que várias vezes passou entre os motores para levar comida e café para o pai, que era um dos responsáveis por manter o equipamento funcionando. Segundo Ival, apesar do tamanho, os motores não chegavam a fazer barulho suficiente para incomodar a vizinhança. “O córrego Mandacaru era represado e a água era puxada para tanques para refrescar os motores. Podíamos nadar nos tanques e jogar bola no gramado ao lado das casas dos funcionários da usina”.

q

p Apenas três motores funcionavam ao mesmo tempo e um permanecia de reserva;

p Os funcionários trabalhavam 12 horas seguidas e descansavam 36;

p A usina era administrada pelo D.A.E.E Departamento de Água e Energia Elétrica do Estado do Paraná;

p O governador Bento Munhoz da Rocha Neto participou da inauguração e considerou a usina de Maringá o marco zero da distribuição de energia no Paraná.

p Cinco residências existiam no terreno da usina, todas ocupadas por famílias de funcionários, mas alguns empregados não moravam no local;

p A usina foi o primeiro ativo da Copel, fundada um ano depois. Bento Munhoz e diretores da Melhoramentos visitam obras, em 1952.

— MARINGÁ HISTÓRICA


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ZONA 7

I

7


6

I

HISTÓRIA

ZONA 7

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

E fez-se a luz Primeira usina foi o embrião da criação da Copel

y

LUIZ DE CARVALHO carvalho@odiario.com

Na época em que eram vendidos os terrenos da Vila 7 – a parte da Zona 7 ao norte da Avenida Colombo – e as primeiras casas eram construídas em madeira, foi construída no bairro a primeira usina de geração de energia elétrica de Maringá, que tirou a nascente cidade da fase do lampião e da lamparina e foi o embrião da criação da Companhia Paranaense de Energia (Copel) no ano seguinte. Mais de 60 anos depois, o barracão e as piscinas de resfriamento ainda existem e estão razoavelmente conservados ao lado do Colégio Estadual Santa Maria Goretti, que está dentro do terreno pertencente à Copel. A concessionária de energia do Paraná tem a pretensão de aproveitar a estrutura para a criação de um museu que conte a história da energia elétrica no Paraná.

Promessa de campanha A geração de energia elétrica foi promessa de campanha do primeiro prefeito de Maringá, Inocente Villanova Júnior, e a instalação da usina

foi uma vitória pessoal dele, da Câmara de Vereadores e do Rotary Club. A Companhia Melhoramentos também teve participação, cedendo um terreno na parte mais baixa da Rua Quintino Cunha, na margem do Ribeirão Mandacaru. Em 1952, pouco depois da posse do primeiro prefeito, foram conseguidos quatro motores a óleo diesel, usados, com 2.080 cavalos de potência, capazes de produzir aproximadamente 1.500 kVA. Os geradores da Marca Man, fabricados na Alemanha, tinham sido utilizados para produzir energia durante a 2ª Guerra Mundial e, após a guerra, foram vendidos para o Brasil. A instalação foi feita por engenheiros elétricos vindos da Alemanha, que seguiram um projeto criado pela UTIL Companha Brasileira de Planejamento.

Tomates elétricos A inauguração oficial, no dia 10 de maio de 1953, data em que o município completava seis anos e pela primeira vez tinha festa de aniversário, contou com a presença do governador Bento Munhoz da Rocha Neto e de altos diretores da Melhoramentos. Continua na página 8

Barracão de mais de 60 anos pode ser transformado em museu.

— FOTO MARINGÁ HISTÓRICA


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ZONA 7

I

5


4

I

HISTÓRIA

ZONA 7

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

UM BAIRRO, SUAS VILAS E HISTÓRIAS Foram vendidas as 73 quadras do plano inicial, a Companhia de Terras, que depois passou a ser chamada de Melhoramentos, criou algumas quadras ao norte da rodovia. Foi ali que a denominação Vila 7 pegou de vez e persiste até hoje.

Gigantismo Também dentro da Zona 7 nasceu o Jardim Universitário, ao lado do câmpus da UEM, com cerca de 170 edifícios, que somam mais de 4 mil apartamentos, quase que somente ocupados por estudantes universitários vindos de outras cidades. Nos poucos quarteirões estão cerca de 150 estabelecimentos comerciais, praticamente todos voltados ao atendimento do estudantado da UEM. Outra demonstração de gigantismo na Zona 7 é dada pelo Condomínio Maurício Schulmann, conhecido como “Blocos” ou “Blocos das Letras”, entre a Rua Mário Clapier Urbinatti e o alambrado que cerca o câmpus da UEM. É o maior conjunto habitacional vertical de Maringá, com 15 edifícios onde estão 480 apartamentos. Ali vivem cerca de 2,3 mil pessoas, o que equivale a toda a população do município de Uniflor.

Bairro sem escola Criada para moradias de operários, a Zona 7 passou vários anos sem sinais da presença do poder público. Não tinha postos de saúde e as crianças não tinham onde estudar. Somente em 1956 foi construída a

Escola Fernão Dias – hoje Ayrton Plaisant -, mas sua localização, na Avenida Pedro Taques, estava longe de atender às necessidades de crianças das partes mais ocupadas do bairro. Em 1959, portanto oito anos após o início da ocupação da Zona 7, foi construída a Escola Ipiranga, no Jardim Ipiranga, e em 1960 o Colégio Vital Brasil, que só atendia estudantes com mais de 18 anos. Testemunha ocular da ocupação da Zona 7, Antonio Manfrinato, de 93 anos, chegou bem antes de o bairro existir de fato. Já fazia uns três anos que ele tomava conta de um cafezal onde hoje é o câmpus-sede da UEM, e viu quando foi derrubada a mata para o loteamento. “Seo” Tonico acabou tendo influência direta na criação do Colégio Santa Maria Goretti e da Igreja Santa Maria Goretti. No final da década de 1950, quando a vila já tinha quase 10 anos, ele pediu ao bispo dom Jaime Luiz Coelho que cedesse o

3,07 milhões de metros quadrados tem a área total da Zona 7, superada somente pela do Jardim Alvorada, que na soma das partes I e II chega a 3,3 milhões. A Zona 7 começa na Avenida 19 de Dezembro e termina um quarteirão antes da Avenida Tuiuti.

barracão da paróquia Nossa Senhora de Lourdes, na Rua Jangada, para que fosse usado como escola para as crianças do novo bairro. O bispo concordou e assim nasceu a Escola Isolada Santa Maria Goretti, que tinha apenas uma sala, não tinha luz elétrica e o banheiro, na verdade uma privadinha, ficava do outro lado da rua, em um terreno baldio. O barracão de madeira em que funcionava a escola era alugado e, além da única sala de aula, moravam várias famílias e os estudantes dividiam o pátio com as crianças que moravam no local. A escola funcionou no barracão até 1963, passou 1964 em uma sala cedida pela Escola Ipiranga, em outra vila, e somente em 1965 ganhou suas próprias instalações, na esquina das ruas Paranaguá e Mandaguari.

Escola X igreja Com a decisão de dom Jaime, a Vila 7 ganhou uma sala de aula, que tinha turmas pela manhã e à tarde – a noite não porque não tinha energia -, mas ficou sem igreja católica. Manfrinato conta que a igreja Santa Maria Goretti deveria ter sido construída no terreno baldio em frente à escola, na esquina das ruas Jangada e Marquês de Abrantes. “Eu levei um enceradinho e, junto com outros homens, fincamos quatro forquilhas e armamos uma pequena cobertura para a celebração da primeira missa e lançamento da pedra fundamental da igreja”, conta. A missa foi celebrada pelo padre Raimundo Le Goff, um francês

intelectual que fumava charuto e cachimbo, tocava piano e era entendido de Latim e filosofia. Ele era parente próximo do intelectual francês Jacques Le Goff, o pesquisador que revolucionou a historiografia moderna e reabilitou a imagem da Idade Média europeia. Mas, a igreja não passou do cruzeiro e do alicerce. O terreno era muito pequeno e a Cúria negociou com a prefeitura e conseguiu um terreno maior, na esquina da Avenida Colombo com Rua Visconde de Nassau.

Fervo Quem mora atualmente no início das ruas Quintino Bocaiúva e Marquês de Abrantes, entre a Avenida Guaíra e Rua Benjamin Constant, nas proximidades do quartel do Corpo de Bombeiros, talvez não imagine o papel que aqueles dois quarteirões exerceram no passado. Em 1947, quando foi criado o chamado Maringá Novo e quatro anos antes do início da ocupação do restante da Zona 7, ali foram construídas boates, salões de festa, inferninhos, fervinhos, bares e outros ambientes que tiravam o sono das senhoras maringaenses quando seus maridos demoravam a chegar. A área de prostituição começou a decair com a criação de uma zona de baixo meretrício fora da cidade, onde hoje é a Vila Marumby. Na década de 70, já chamada de Zona Velha, o meretrício desapareceu de vez, os terrenos se valorizaram e hoje a área é ocupada por vários prédios de apartamentos, a poucos metros do Centro da cidade .

Com a verticalização, que continua avançando, a Zon a 7 recebe milhares de novos moradores sem expulsar moradores antigosque já estavam na vila

— FOTO: EDU CORRÊA


O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

ZONA 7

I

3


2

I

HISTÓRIA

ZONA 7

Pela proximidade, a Zona 7 é uma extensão do Centro, porém, com comércio forte em plena área residencial

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ FEVEREIRO de 2016

— FOTO: EDU CORREA

Um bairro, suas vilas e histórias Esquecido no início, o bairro mudou com a chegada da UEM e tornou-se o mais verticalizado da cidade

y

LUIZ DE CARVALHO carvalho@odiario.com

A Zona 7 não chegou a ser inteiramente desenhada no mapa que definiu o que deveria ser Maringá, aquele elaborado pelo urbanista Jorge de Macedo Vieira e entregue à Companhia de Terras Norte do Paraná em 1945. Ela era a única parte do mapa ao norte da linha imaginária do que deveria ser a estrada de ferro e se resumia a apenas 73 quadras entre a futura ferrovia e a também linha imaginária da rodovia federal BR-373, hoje Avenida Colombo. Desde seus primeiros dias, a Zona 7 impôs sua importância para o resto da cidade. Primeiro porque era lá a usina que gerava energia para Maringá, depois lá foi instalada a Delegacia de Polícia, a cadeia e o Corpo de Bombeiros. E e a Melhoramentos destinou o terreno

para um estádio, que hoje conta também com os ginásios de esportes Chico Neto e Waldir Pinheiro, além da Vila Olímpica. Foi também na Vila 7 que nasceu a Universidade Estadual de Maringá (UEM), que pelo simples fato de estar ali mudou completamente a estrutura e a

30 mil é o número aproximado de moradores da Zona 7, porém, diferente de outros bairros, a população aumenta durante o ano letivo na UEM, outras escolas de ensino superior e cursinhos pré-vestibulares e reduz durante os períodos de férias escolares.

vida da região. Em gigantismo, a Zona 7 só fica atrás do Jardim Alvorada. Ela soma 162 quadras, contra as 234 das duas partes do Alvorada, porém em seu interior está o terreno do Estádio/Vila Olímpica, que equivale a 10 quadras, e o câmpus da UEM, equivalente a 80 quadras. Enquanto o Alvorada ainda é quase que inteiramente horizontalizado, a Zona 7 é bairro mais verticalizado da cidade.

Bairro de muitas vilas Somente em 1951, quando o então distrito de Maringá foi elevado à categoria de município, começaram a ser vendidos os terrenos ao norte da futura linha férrea e foram construídas as primeiras casas. Como os terrenos foram comercializados em diferentes momentos, os loteamentos ganharam nomes diferentes e passaram a ser chamados Jardim Ipiranga, Zona Velha,

Jardim Castor, Jardim Acema e outros, cujos nomes caíram no esquecimento com o tempo. A parte mais próxima ao Centro ficou conhecida como Vila 7, que continuou abaixo da Avenida Colombo. Continua na página 4

3 agências bancárias estão localizadas na Zona 7. O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal têm agências na Avenida Pedro Taques e o Itaú está na Avenida Colombo, próximo à esquina com a Rua Paranaguá. Há também caixas eletrônicos nos supermercados.

O Diário no seu bairro - Zona 7  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you