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Michael não respira mais Sob a direção de Andrew Eastel, vi ontem o documentário “Michael Jackson: a vida de um ícone”. Com duas horas e 50 minutos, conta da infância pobre à morte trágica na sua imensa mansão em Los Angeles. Camus disse que é fácil falar dos mortos porque não temos mais obrigações com eles. Quem assim seja. Mas, a partir do documentário e do que pude acompanhar da carreira deste artista ímpar (cantor, compositor, dançarino, produtor, empresário, arranjador vocal e filantrópo), vale o tributo. No documentário, um mundo de gente fala sobre sua genialidade. De sua mãe e irmãos a monstros da lendária gravadora Motown. Num dos trechos mais interessantes, Katherine, a mãe, conta que, na infância pobre em Gary, Indiana, tinha uma lavadora de roupa que fazia muito barulho. “Com um ano, ele parava em frente e dançava no ritmo daquele som ensurdecedor.” Os irmãos mais velhos montaram um grupo. Michael ia sempre aos ensaios. E era expulso. Até que um dia chegou cantando. Virou vocalista com cinco anos de idade. A banda, o Jackson Five, foi contratada pela Motown. Um sucesso absoluto. Entre seus talentos, citei a filantropia. Coisa que pouca gente sabe. Por meio da sua fundação Dangerous World Tour, mantinha 39 centros pelo mundo pra ajudar todo tipo de renegados. Foi duas vezes acusado de abuso sexual de crianças, em 1993 e 2005. Na primeira, um acordo livrou o astro. Na segunda, enfrentou a Justiça e foi absolvido. O resto é história. Michael foi o artista que mais faturou em todos os tempos: US$ 7 bilhões. É dono dos cinco discos mais vendidos no planeta: “Off the Wall” (1979), “Thriller” (1982), “Bad” (1987), “Dangerous” (1991) e “HIStory” (1995). Seus prêmios incluem vários recordes certificados pelo Guinness. “O maior artista de todos os tempos” e um para “Thriller”, o álbum que bateu todos os números (750 milhões de cópias). Ainda, 15 Grammys e 41 canções no topo das paradas como cantor solo. Centenas de prêmios que fizeram dele o artista mais premiado da história da música. Seu então empresário, Dieter Wiesne, diz o seguinte no documentário: “ele foi um adulto na infância e, quando cresceu, uma criança.” Michael morreu com 50 anos, de overdose do anestésico propofol em 25 de junho de 2009. O documentário começa com um dos seus empregados na mansão ligando para a emergência: ”Preciso de uma ambulância urgente ... ele não respira mais.” Deixo pra vocês “Billie Jean”, na voz de Caetano e a dança quase Chaplin de Michael Jackson http://bit.ly/QsPezE Flávio Arantes, jornalista

Michael não respira mais  

Sob a direção de Andrew Eastel, vi ontem o documentário “Michael Jackson: a vida de um ícone”.

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