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odia hoje

Fácil e rápido. O mais relevante das principais publicações do Brasil e do mundo para mim, jornalista há mais de 27 anos.

10 livros para o fim de ano A INTELIGÊNCIA E O CADAFALSO e outros ensaios ALBERT CAMUS. Depois de Nietzsche, para mim, o maior filósofo que o pobre mundo nos deu a oportunidade de ler. “O Estrangeiro”, outro livro dele, mudou para sempre minha maneira de ver a vida. Tinha só 17 anos e vivia no macabro interior, lugar onde todo mundo mais que espreita. Coloca o dedo na sua vida. Seus livros me libertaram do catre.

PERCURSO DA AUSÊNCIA GILBERTO NABLE. Livro de poesia de meu amigo, que Donizete Galvão destila: é daqueles homens que sentem a dor do tempo a atravessar o corpo como uma flecha. Esta ferida sempre aberta deve estar mesmo na raiz de sua vocação para a medicina (ele é médico) na busca da cura para a dor alheia. Essa dor da impermanência é também a morte para sua poesia intensamente lírica, pessoal.

POESIA REUNIDA ADÉLIA PRADO. Esta mulher de Minas. O livro é joia entre bijuterias. Dois poemas do livro, curtos: “Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia. Atravessou minha vida, virou só sentimento”. O outro: “Minha mãe cozinhava exatamente: arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas. Mas cantava”.

O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS JOSÉ SARAMAGO. O grande escritor português narra a história de um dos alter egos de Fernando Pessoa. Reis, auto-exilado no Brasil, volta pra Portugal em 1936, ano crucial para a política portuguesa e europeia: a ditadura salarzista, o nascimento da guerra civil espanhola, a ascensão de Hilter e Mussolini. Tudo com a nobreza e a crueldade do texto de Saramago.

LIFE COM JAMES FOX. Narra a vida, ou melhor, a aventura de Keith Richards, o grande homem e guitarrista do Rolling Stones. Até para os que experimentaram todo tipo de droga, chama atenção pelo seu extremo exagero. Destaque também para sua relação com gente como John Lennon e, lógico, Mick Jagger. Uma relação de amor e ódio. Mas, quem leu ou vai ler, verá que a compreensão (ou o amor) prevalece.

A GOMA ALAN ROBRE GRILLET. Cineasta e escritor, precursor do “novo romance” francês. Sua narrativa atrai não pelo que a vida faz pela gente. Mas por aquilo que está. E só. Há emoção em seus livros apenas pela descrição. Detalhes. E como isso me alegra! “Les Gomes” conta a história de um investigador encarregado de esclarecer uma morte. E tudo é detalhe. Tudo é teia de aranha.

BIG JATO XICO SÁ. Vale do Cariri, início da década de 1970. Um caminhão, apelidado carinhosamente de Big Jato, é destinado a esvaziar as fossas das casas sem encanamento do Crato. No parachoque, a frase “dirigido por mim, guiado por deus”. O garoto ao lado do motorista pensa: “Não sou um nem o outro”. O jornalista faz uma viagem entre a mentira sincera e a verdade invisível sobre sua vida.

MARKETING 3.0 PHILIP KOLTLER. O mais influente pensador da área de marketing de todos os tempos mostra porque o futuro do marketing está em criar produtos, serviços e empresas que inspirem, incluam e reflitam os valores de seus consumidores-alvo. Ele também explica o futuro do marketing e porque a maioria de seus profissionais está presa ao passado.

A PRIVATARIA TUCANA AMAURY RIBEIRO JUNIOR. Livro antigo, que a mídia desprezou. Uma pena. Se tudo o que ele diz é verdade, meu desprezo não é por Serra, FHC, PSDB etc. É pelo Brasil. Ele conta também como o próprio PT sabotou a campanha de Dilma. Tenho um primo que mora em Washington. Economista, trabalha no BID. Ele me diz: amo, mas não entendo o Brasil. Eu, que vivo aqui, também não.

JK, O ARTISTA DO IMPOSSÍVEL CLAUDIO BOLUNGA. Não vivi a sua presidência. Ouço elogios e críticas. Para mim, foi uma espécie de Nixon, um moderado que não teve um Watergate. Um homem que acreditava no Brasil sem a noção dos seus defeitos. O livro é quase todo só elogios. Onde ele estiver, se estiver, deve fazer suas críticas a Bolunga. Mas é uma bela história de um Brasil que a gente ainda sonha.


10 livros para o fim de ano