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Lançamentos • Resenhas • Shows • Matérias • Entrevistas e Muito Mais.

Edição numero 53, de 22 de dezembro de 2015 Produzido e Distribuído por October Doom Entertainment

ENTREVISTA:

Roman Gungrind, da banda Russa de Funeral Doom

ADEUS 2015:

Uma lista com os 40 melhores lançamentos do ano

MURRO: Os 10 Melhores discos na visão dos Mineiros do Movimento Underground Rock’n Roll FUNERAL WEDDING:

Eternal Silence, do On Thorns I Lay é o disco da semana

ENTREVISTA II

O som eruditamente torto do Erudite Stoner


/Persephone-Dark-Clothes

2 | October Doom Magazine


Sumario:

Entrevista da Semana:

Roman Gungrind, do Unmercenaries, fala sobre o trio de Funeral Doom e a situação das banda sdo gênero na Russia

Pág. 6

Funeral Wedding:

Resenha do álbum Eternal Silence, do On Thorns I Lay

Pág. 9

#MURRO:

Os 10 Melhores Lançamentos na visão dos caras mais loucos de Minas Gerais

Pág. 10

Entrevista da Semana: Matheus Novaes conta como surgiu a ideia do Erudite Stoner

Pág. 12

Experimente

Selvans, de Folk/Black Metal e Then They Flew, de Instrumental Post Rock

Esta é uma Edição Muito Especial pra nós, e esperamos que seja pra vocês também. Primeiramente, está é a edição de comemoraçao de 1 ano da October Doom Magazine, e reflete todo o trabalho que tivemos até aqui. Foram 53 edições que ao todo reuniram mais de 50 entrevistas, mais de 100 lançamentos e mais de 200 bandas citadas. É, sem duvida, um grande motivo para comemorações, mas não é só isso. Esta edição também marca o fim de um ciclo, o de Edições Semanais, e o inicio de um novo, o de Edições mensais. Será um periodo de experiências até a adequação do novo formato, que vem para dar mais visibilidade e profissionalismo ao nosso trabalho e aos trabalhos de todos que fazem parte da ODZ. Esperamos que essas mudanças ajudem a fortalecer ainda mais o Underground Brasileiro e sobre tudo, nosso amado Doom Metal. Pra finalizar, esta é a edição de fechamento de 2015, e portanto, preparamos uma lista com os 40 melhores lançamentos nacionais e internacionais dos últimos 12 meses. foi uma tarefa muito árdua, porém, o resultado é reflexo das impressões que tivemos durante o ano de cada um dos discos. Pra finalizar, agradecemos à todos que caminharam conosco até aqui, desejamos à todos um Feliz Ano Novo, muito sucesso para todas as pessoas, bandas e projetos que lutam todos os dias contra as dificuldades da cultura brasileira e que a Música que serve de trilha sonora das nossas vidas, soe cada vez mais alto. Sintam a Música, Sintam o Doom. Abraços à todos

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Morgan Gonçalves

Editor Chefe do October Doom.

Expediente: October Doom Magazine

By October Doom Entertainemnt A October Doom Magazine é resultado da parceria e cooperação de alguns grupos e iniciativas independentes, que trabalham em função de um Underground Brasileiro mais forte e completo, além de vários individuos anônimos que contribuem compartilhando e disseminando este trabalho. Aqui, os nomes de alguns dos principais colaboradores desta iniciativa:

Editor Chefe: Morgan Gonçalves Redator: Morgan Austere Correspondente: Fernando Martinez Revisão: Solymar Noronha Rodrigo Bueno Leonardo Reis Guilherme Rocha Fábio Mazzeu, Luiz Z Ramos, Luiz Bueno, Thiago Rocha, Vitor Verô, Rodrigo Nueva, Vinicius Fiumari, Edgard Guedes, Bruno, Gerasso, Rodrigo Reinke, Henrique Parizzi, Merlin Oliveira.

Acompanhe todas as edições da October Doom Magazine. Contatenos Issuu.com/octoberdoomzine octoberdoom@bol.com.br Colabore com essa iniciativa compartilhando e acompanhando a unica revista totalmente Underground do Brasil e seus colaboradores. Obrigado à todos. October Doom Magazine. #FeelTheDoom

October Doom Magazine | 3


Os Melhores de 2015 da

October Doom Magazine Preparamos uma, ou melhor, duas super listas com os melhores lançamentos de

2015. A Primeira é com os lançamentos Nacionais, que merecem nosso destaque por estarem consco dia a dia, compartilhando da dificil realiade que é o Underground Brasileiro, e a outra, com os lançamentos internacionais, dos grandes ícones e algumas novidades, que servem de inspiração para muitos fãs e músicos do Brasil e do Mundo todo. Esperamos que vocês gostem e que 2016 traga muitos lançamentos pra que a trilha sonora das nossas vidas, toque cada vez mais alto. Feel The Doom! #1 - HellLight

Journey Through Endless Storm

#7 - Saturndust Saturndust

#2 - Jupiterian Aphotic

#8 - Mytological Cold Towers Monvmenta Antiqva

#3 - Black Witch Awake

#9 - Lively Water Dirtman Rises

#4 - Witching Altar Ride With The Evil

#10 - Cassandra Autumbra

#5 - Pantanum Volume 1

#11 - Pesta Here She Comes

#6 - Eternal Sorrow The House

#12 - Agony Voices Mankinds Glory

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#13 - Bullet Course She’s Looking for Flowers Under City Light

#17 - Songs Of Oblivion Nihilism

#14 - Contempty Trauma

#18 - Agnata Fides Agnata fides

#15 - Monster Coyote Neckbraker

#19 - Tropical Doom Tropical Doom

#16 - Augustine Azul EP 2015

#20 - Piah Mater Memories of Inexistence

Melhores do Mundo

#1 - Ahab The Boats of The Glen Carrig

#7 - Paradise Lost The Plague Within

#14 - Soijl Endless Elysian Fields

#8 - My Dying Bride Feel The Misery

#15 - Nordic Giants A SĂŠance Of Dark Delusions

#9 - Tombstones Vargariis

#16 - Australasia Notturno

#3 - Kauan Sorni Nai

#10 - Mammoth Storm Fornjot

#17 - Sunn O)) Kannon

#4 - Shape Of Despair Moonotony Fields

#11 - Elder Lore

#18 - Weeping Silence Opus IV Oblivion

#5 - Bell Witch Four Phantoms

#12 - Shallow Rivers The Leaden Ghost

#19 - A Dream Of Poe An Infinity Emerged

#6 - Katatonia Sanctitude

#13 - Kadavar Berlin

#20 - God Is A Astronaut Helios | Erebus

#2 - Draconian Sovran

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ENTREVISTA:

U

Por Fernando Martinez

nmercenaries é uma jovem banda de Moscou, na Federação Russa, e formada em 2014 por Roman Gungrind (guitarras, violão, baixo), E.S. (vocal) e Jürgen Fröhling (bateria). A proposta da banda gira em torno do Funeral Doom/Death Metal, e com isso, a banda tem lançado um álbum, Fallen in Disbelief, de 2014. A banda segue em paralelo a vários outros projetos dos integrantes, como Neocosmic, Decay of Reality, Forbidden Shape, Who Dies in Siberian Slush e My Shameful and Absent/ Minded. Roman Gungrind, Guitarrista e baixista da Unmercenaries é nosso 6 | Octoberentrevista Doom Magazine desta semana, então, vamos a isso!


Fernando Martinez: Olá, Roman! No final de 2014 haviam muito comentários sobre a Unmercenaries. Como sabemos, você é o mentor deste projeto. Qual é o foco da sua atenção neste momento? Como trabalho criativo leva à Unmercenaries? Roman Gungrind: Olá! Obrigado pelas palavras gentis sobre a Unmercenaries! Todos os participantes do projeto fizeram suas partes do trabalho muito bem e trabalhar neste álbum foi fácil e confortável graças a Jurgen Fröhling e Slava E.S. Também agradecimentos a todos que estiveram envolvidos na criação de “Fallen In Disbelief”. Quanto às minhas atividades na música, eu tenho muitas ideias e não me limito às principais bandas. Honestamente, nem sempre tenho o tempo suficiente para as oportunidades e sou obrigado a recusar de algo ou adiar para outro momento. No presente momento, estou trabalhando em meu novo ideia. Eu não quero falar sobre os detalhes deste projeto, porque é um processo e eu vou mudar as coisas mais de uma centena de vezes. Só posso dizer que musicalmente não vai ser um Funeral Doom nem Death Metal, mas uma mistura de muitos estilos diversos. Quase como Forbidden Shape, mas provavelmente com elementos da avant-garde e burlesco. É um longo trabalho, mas não tenho pressa. F.M: Quais são seus planos sobre lançamentos do Unmercenaries? Roman

Gungrind:

Um

novo álbum virá certamente! Já temos o material está pronto, e faltam pequenos detalhes, como encontrar o tempo, para alugar um estúdio e ir fundo no processo de gravação. Eu estimo sobre o fim do verão de 2016, mas vamos ver como vai ser.

(Capa do disco Fallen In Disbelief)

F.M: Que lançamentos com a sua participação podem ser esperados em 2016? Roman Gungrind: Se tivermos tempo o suficiente, um novo Unmercenaries verá a luz. E o mais provável um novo EP do Decay Of Reality (todos nós somos fãs antigos de Death Metal). F.M: Como o conceito lírico de Unmercenaries se relaciona com a sua opinião pessoal?

Roman Gungrind: As pessoas que escreveram estas letras foram honestas e sinceras. Quando a música e as letras misturam-se em uma coisa só, complementam uma a outra, e então, tudo está em harmonia. No que diz respeito a minha perspectiva pessoal. Eu acho que este tema é bastante extenso, e duas palavras não seriam suficientes para falar sobre isso, mas em suma, é provável que eu seja um terrível cínico e um niilista. F.M: Quanto tempo você gasta com a criação do material musical? Que papéis são dados para os outros participantes do um projeto? Roman Gungrind: Eu faço música apenas quando o humor permite. Nunca pego a guitarra ou os teclados pensando “Agora eu vou escrever uma música!” Às vezes estou fazendo nada por semanas, e às vezes eu posso sentar por dias e noites em que eu escrevo muitas coisas. Tudo depende da ocasião. Mas quando eu mostro um novo material para os meus colegas, eu sempre pronto a me comprometer e ouvir suas sugestões.

Unmercenaries: Foto The Metal Archives

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F.M: Qual é a fonte de sua inspiração? Talvez seja a música ou cinema, literatura ou artes plásticas? Ao longo dos últimos seis meses, o que deixou as impressões mais vivas? Roman Gungrind: Você sabe, absolutamente tudo é uma fonte de inspiração. A própria vida, também como os tipos de arte todos o que você disse. Sobre as impressões positivas, eu re-ler pela centésima vez

“Demônios” e “O Idiota”, de Fyodor Dostoevsky. Estes livros são magníficos, em todos os momentos.

eu estou fazendo exatamente o que eu gosto pessoalmente. E não é o meu negócio para julgar o meu trabalho.

F.M: Como você avalia a sua própria contribuição pessoal para a cultura do metal global?

F.M: Eu olho para a foto do Unmercenaries, e vejo três homens barbudos e mal encarados, um dos quais você é. Eu também pretendo deixar crescer a barba, e preciso de conselhos práticos para o futuro. Isso é quando você vai para a cama, você coloca sua barba debaixo de um cobertor ou algo assim?

Roman Gungrind: Na minha opinião, eu não sou nenhuma figura significativa, ainda mais na cultura de metal global. Desculpem a banalidade, mas

Roman Gungrind: Uma barba é elemento importante para o maldito cara durão! Você está no caminho certo, mano! Eu e minha barba vivemos pacificamente e tranquilamente. Nós entendemos um ao outro e nos damos total apoio. Eu não ponho minha barba em um cobertor, ah não! Eu tiro minha barba à noite e armazená-lo em um frasco de vidro. Como algumas pessoas manter suas próteses em um copo de água, durante a noite, por exemplo. F.M: Obrigado por suas respostas, Roman! Você quer desejar qualquer coisa para os leitores da October Doom Magazine? Roman Gungrind: Eu Desejo de paz e tranquilidade a todos! Sejam humanos e continuem sorrindo! Sempre! E, claro, ouçam Metal Pesado!!! Obrigado! F.M. Vocês encontram mais sobre a Unmercenaries an página da banda no Facebook e no bandacamp da MFL Records. Roman Gungrind: Foto Arquivo Banda

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Facebook.com/Unmercenaries Mfl-records.bandcamp.com


Por: Rodrigo Bueno

Resenha da Semana

Tracklist:

Banda: On Thorns I Lay Álbum: Eternal Silence Lançamento: Oct/2015 Selo: Sleaszy Rider Records

1. Believe 2. Breathing 3. Eternal Silence 4. Cursed 5. Life Without You 6. People We Hurt

Lembro da primeira vez em que ouvi o som desses gregos, foi por volta de 1995/96 quando o seu debut havia sido recém lançado. Lembro também de ter achado estranho, mas ter me agradado os ouvidos e passei por um tempo ouvindo apenas bandas gregas (lê-se Rotting Christ, Nightfall e Elysian Fields) e esta para mim seria uma nova promessa. Naqueles tempos a internet não era o que ela é hoje e algumas revistas especializadas não traziam tantas informações sobre a cena mais underground. Através do programa mIRC, onde havia alguns canais de compartilhamento de arquivo, acabei por encontrar mais alguns discos deles e a minha recepção à eles não foi muito agradável. Assim quando recebi esse promo acabei por escutar com um pé atrás, pois a minha lembrança não era muito agradável. E por um lado isto foi bom, pois pude ir conferindo faixa a faixa e me envolvendo com o disco de uma forma que acredito que posso dar uma nova chance a eles. Após uma pequena introdução chamada “Believe”, que prepara o terreno para “Breathing”, onde podemos encontrar boas passagens atmosféricas, assim como interessantes intervenções de violino. “Eternal Silence” já tem uma pegada mais moderna, talvez influência de um passado recente, os vocais femininos me fizeram lembrar de Evanescence. Apesar desta música dar nome ao disco, ela não é a melhor faixa. “Cursed” é um belo interlúdio com violão sendo acompanhado por uma melodia de violino e piano, abrindo caminho para “Life Without

7. Escape From Loneliness 8. One Day To Live 9. Touching The Unknown 10. Eternal Silence (bonus video)

You”. Esta música me trouxe a mente o Lacuna Coil, sem os lances eletrônicos que estão usando ultimamente. Esta faixa soa pesada, moderna porém com uma melodia que gruda na cabeça e logo você se flagra cantarolando. Dando sequência ao disco, “People we Hurt” é uma das melhores faixas do play, apesar de seu início meio Evanescence, a melodia vocal que a cantora Maxi Nil (responsável pela gravação) impõe. A atmosfera criada nesta música, as melodias de violino são de arrepiar. “Escape from Loneliness” é um novo interlúdio, com uma ambientação de teclado e umas vozes eletrônicas se fazem ouvir. “One Day to Live” vem na sequência e mantém um bom astral para o disco que se finda. Com uma levada mais na linha do Lacuna Coil, apesar de não ser nada de novo, as melodias agradam e muito. E para morrer em paz temos um último interlúdio chamado “Touching the Unknown”. Um bom disco de retorno desses gregos e espero poder conferir outros discos deles num futuro próximo.

Αnna – Vocal, Stefanos K. - Baixo / Vocal Gutural, Chris D. – Guitarra, Antony - Teclado Fotis – Bateria

Mais em

Facebook.com/On-Thorns-I-Lay Sleaszyrider.com/ October Doom Magazine | 9


Por: Merlin Oliveira

Os Melhores de 2015 Esse ano foi certamente abençoado no que tange a produção musical brasileira. Sendo assim, deixo aqui, a pedido do Morgan, a minha lista de 10 álbuns do ano. #1 Witch Aware

Black

Começando a lista com o que pra mim foi o trabalho mais legal do ano. Black Witch também é uma revelação de 2015 e que já chegou chutando a porta com o lançamento do EP “Aware”, o trampo mais MALIGNO do ano. O som é todo pesado, apresentando reflexos de um doom beeem old school, com um destaque mais do que especial pros vocais macabros da Lorena Rocha, que são arrepiantes. Meu preferido do ano.

#2 - Motor City Madness Dead City Riot

Melhor trabalho de rock and roll do ano. O Motor City Madness é incrível e mostrou isso com seu segundo álbum, Dead City Riot, rock and roll sensacional e que eu espero que seja cada vez mais apreciado ao decorrer do tempo. Dentro da mistura desse álbum, dá pra fragar desde punk e hard rock até toques de stoner rock, riffs do caralho, solos do caralho, letras do caralho. Porra, esse ficou do caralho, viu! 10 | October Doom Magazine

03 - BIKE

1943

O rock psicodélico foi agraciado com esse álbum viajadasso do BIKE. É perceptível a influência de diversos momentos da musica psicodélica nesse trabalho e também de uma porrada de coisas que esses caras devem ter tomado durante todo o processo de composição e gravação do disco. Se você curte psicodelia, mesmo que sem peso, apenas a viagem e o ambiente pra alucinar, esse é o seu som pra hoje!

#4 - Augustine Azul Augustine Azul

Outra ótima surpresa do ano é a banda paraibana Augustine Azul que lançou esse ano um EP com o excelente rock instrumental do trio. É um trabalho que apresenta muito da técnica da banda, com uma sincronia incrível entre os três integrantes. Quando você acha que não pode melhorar, a bateria muda a dinâmica e o baixo preenche ainda mais o som com arranjos incríveis. Quarto melhor do ano. Se for pra falar só de instrumental com certeza é o melhor.


#5 - Lively Water Dirtman Rises

O Lively Water aos poucos vem se tornando um dos grandes expoentes da atual cena musical mineira. Com Dirtman Rises a banda cresceu muito e tocou em grandes eventos em MG e agora se prepara pra sair do estado, tudo isso graças a esse excelente trabalho de muito peso, muita energia e muito riff que gruda na sua cabeça e nunca mais sai. Em estúdio é ótimo, ao vivo só melhora, se eles tocarem na sua cidade em breve, é melhor colar!

#6 - I Am The Sun

Drink, Repeat

Destroy,

O violento Drink, Destroy, Repeat marca o início dos trabalhos da I Am The Sun, banda que vem aos poucos conquistando os fãs de stoner, com um tom mais bem-humorado e soco na cara o tempo inteiro. Com muita influência de outros estilos como hard rock e punk, o som por vezes é desleixado, dando um ar de rock garagem, e por vezes é complexo, com vários tempos quebrados. Vale o play!

#7 - Jupiterian Aphotic

O Jupiterian é uma das grandes bandas brasileiras de Doom, uma das grandes referências para quem trabalha com esse segmento. Lançado em agosto desse ano, Aphotic é um disco inacreditavelmente bem construído, com um som arrastado e pesado demais. Os vocais são monstruosos, as melodias são intensas, os riffs são vicerais, deixando o trampo todo com um tom de Black Metal que só colabora com a

atmosfera macabra do rolé.

#8 - Saturndust Saturndust

Lento, denso, pesado e ainda assim uma viagem psicodélica pra outro planeta, essa talvez seja a melhor descrição para o primeiro full-length do Saturndust. Do encontro do Stoner e Doom com o Space Rock surgem as 6 faixas que tem momentos de puro peso, com muito fuzz, indo até arranjos mais psicodélicos, com muito delay. Aí a parada fica séria quando tudo acontece ao mesmo tempo...

#9 - Monster C o y o t e Neckbreaker

Neckbreaker é a continuidade de um trabalho que vem sendo muito bem executado pela Monster Coyote. Muito agressivo, muito pesado, com momentos que lembram o metal mais extremo, momentos mais lentos para os fãs de stoner. Os riffs permanecem, cada vez mais elaborados, assim como os vocais de Kalyl Lamarck. É, sem sombra de dúvidas, o álbum mais pesado da lista.

#10 - Pesta

Here She Comes

E fechando a lista com meus conterrâneos amigos do Pesta. Esse EP é talvez o mais antigo dessa lista, tendo sido lançado em janeiro. Here She Comes consagra o início brilhante da Pesta e coloca a banda em um patamar de revelação do ano, na minha humilde opinião. São 4 faixas que de puro doom old school, muito peso, riffs excelentes e uma atmosfera incrivelmente densa. October Doom Magazine | 11


ENTREVISTA:

Por Morgan Austere

Erudite Stoner Erudite Stoner é um projeto one man band nascido em 2015 na cidade de Santos, São Paulo, que carrega o peso que a música instrumental acarreta e a força motriz que o instrumento desempenha, expressando a música sem vocais. Unindo a música erudita com influência nos estilos: post-rock, shoegaze, guitarra clássica, stoner, sludge, doom metal e black metal. Uma carga magnética é letárgica emana dos violões.... Convido a todos para ouvirem e acompanharem a entrevista com o Erudite Stoner... Morgan Austere: Antes de começar a entrevista-lo; é um prazer estar executando esta entrevista. Quais a principais influências do Erudite Stoner? Matheus Novaes: Tenho várias influências fora da música como em livros e filmes, a segunda faixa mesmo alienist é inspirada no livro “Alienista” do Machado de Assis, me ligo bastante em trilhas de filmes como nas parcerias do Gustavo Santaolalla com o diretor Alejandro González Iñárritu. Na música, tenho como base a música erudita principalmente no repertório para violão, tenho como bastante inspiração os irmãos violonistas Sergio e Eduardo Abreu.Sempre fui muito curioso musicalmente, não consigo ficar muito preso num estilo musical, no rock gosto de vários estilos como rock psicodélico, krautrock, post-punk, doom, stoner rock, shoegaze, slowcore e post-rock. M.A: Como foi a escolha do nome? Como foi a escolha pela música instrumental com em si que contém várias pegadas de sludge, shoegaze, post-rock e black metal? Quais foram as principais dificuldades encontradas por você? E o que reflete a harmonia e a melodia do Erudite Stoner? 12 | October Doom Magazine

Erudite Stoner - S/T Capa - 2015

Matheus Novaes: A ideia do nome “Erudite Stoner”, ocorreu quando estava compondo a música “waiting for the storm”, que é bem erudita, mas no meio da música tem um riff bem carregado, nisso pensei, essa música é um stoner rock erudito, então criei esse trocadilho com as duas palavras que no significado são bem opostas uma da outra, uma mostrando um lado mais comportado e elaborado e no outro uma coisa mais largada e pesada, achei que isso resumia bem meu estilo de tocar. Eu escuto

bastante música instrumental e acho que ela em si já traz muitos significados, mas não de forma explícita e eu queria isso nesse projeto que cada um tivesse sua própria visão dele. Acho que a maior dificuldade foi pessoal, porque muitas das melodias que estão presente no álbum, são bem pessoais mesmo que eu tenha traduzido elas para outro contexto, é difícil tornar isso público. A sonoridade e melodia reflete disso que acabei de citar, muito do que eu estava sentindo no momento de compor e também das diversas influências.


M.A: Antes de formar o Erudite Stoner você participou de outros projetos ou bandas? Qual sua opinião sobre a atual cena do post-rock, shoegaze, música instrumental e doom metal no Brasil? Matheus Novaes: Erudite Stoner é o meu primeiro projeto. A cena no Brasil vive um grande momento, como a banda Labirinto que eu gosto bastante, o selo sinewave sempre lançando ótimos projetos, no estilo shoegaze gosto da banda Loomer e no violão erudito nesse ano o duo Assad completou 50 anos de carreira. M.A: O álbum de estreia foi lançado em 08 de dezembro. Como foi o processo de gravação do álbum? Por ser recente o lançamento como ele está sendo recebido pelo o público? Por se tratar

de um projeto solo existe a possibilidade de shows? Sobre a arte do álbum como foi o processo criativo? Matheus Novaes: O processo de gravação foi realizado em estúdio, por ser algo tão recente e desconhecido, a recepção está sendo muito boa, recebendo boas críticas, mas só o tempo vai responder e no momento não tenho interesse em fazer shows. A Arte da capa foi realizada pelo designer gráfico Nando Freitas, o processo criativo foi baseado no contexto de um mundo pós-apocalíptico, mas que também tivesse um apelo sentimental nisso tudo. M.A: E sobre o futuro do Erudite Stoner o que podemos esperar dos futuros álbuns? Esse processo pode demorar ou não?

Matheus Novaes: Já estou trabalhando em novas composições, mas possivelmente não tenha mesma sonoridade do que as presentes no Erudite Stoner, como disse meu processo de composição depende muito da minha inspiração atual. M.A: Novamente agradeço por estar realizando esta entrevista, tem algum recado para deixar para os fãs da banda? Matheus Novaes: Meu recado para os fãs, é que eu espero que minha música os inspire de alguma forma e lhes trago algo bom como foi para mim na hora de compor e que o futuro do Erudite Stoner depende da recepção deles para que haja continuidade. Para saber mais sobre o Erutdite Stoner, Acesse as páginas da banda em:

Facebook.com/Erudite-Stoner Eruditestoner.bandcamp.com

Matheus Novaes. Foto: Arquivo

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#EXPERIMENTE: Selvans Associando Folk, e Simphonyc Black Metal, Selvans é um duo Italiano formado por Selvans Haruspex e Sethlans Fulguriator. A dupla surgiu em 2014, mas foi em 2015, com o lançamento do mini cd Clangores Plenilunio, que a banda passou a ser observada com mais atenção.

Desde então, a banda vem participando de vários festivais e concertos, exaltando tanto as lendas dos tempos da Itália feudal, quanto os elementos de Black Metal noventistas e os instrumentais impecáveis, típicos do Folk Metal. Em setembro a banda lançou Lupercalia, e com ele, seis faixas que agradam os ouvidos de qualquer um que goste da agressividade do Black e da técnica implícita do Folk Metal Selvans é uma proposta rara e de qualidade, que surpreende pela ousadia e originalidade. Facebook.com/templeofselvans Templeofselvans.com/ Selvans.bandcamp.com/

Then They Flew

O Then They Flew é uma banda instrumental Lusitana, formada em 2013 em Lisboa. O grupo se encaixa bem sob o rótulo de Post Rock, sendo comparado a bandas como Explosions In The Sky. O primeiro registro oficial da banda, Stable As The Earth Stops Spinning, foi lançado em outubro de 2015, e pode ser ouvido e baixado gratuitamente e no bandcamp da banda. Segundo Bernardo Sampaio, Tiago Silva, Gonçalo Paiva, Marcos Janela e Hugo Gouveia, integrantes da banda, o debut reúne cinco temas que melhor descrevem o processo criativo nos primeiros anos da banda, expressando as perspectivas pessoais e composições individuais de cada membro através do imaginário coletivo do grupo. Para ouvir, baixar e conhecer mais do Then They Flew, acesse as páginas da banda na rede: Facebook.com/thentheyflew Thentheyflew.bandcamp.com/ 14 | October Doom Magazine


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October Doom Magazine Edição 53 31 12 2015  

Publicação Semanal com Entrevistas, Resenhas, Shows e Lançamentos sobre tudo oque acontece no Cenário Underground no Brasil e o mundo! Downl...