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Edição numero 44, de 20 de Outubro de 2015 Produzido e Distribuído por October Doom Entertainment

ENTREVISTA DA SEMANA:

O Maior nome do Post Rock Brasileiro. LABIRINTO

RESENHAS:

Revenant, do Orphans of Dusk e Endless Elysian Fields, do Soijl LANÇAMENTOS:

Draconian e Kauan lançam seus novos trabalhos

RESENHAS:

Entrevista com os idealizadores do festival Rock Generator


2 | October Doom Magazine


SUMÁRIO: 4 à 6 CAPA:

Edição 44. De 20 de Outubro à 27 de Outubro de 2015

Entrevista da Semana:

Erick Cruxen, guitarrista da banda Labirinto, fala sobre os lançamentos passados, futuros e da participação da banda em grandes festivais do mundo todo.

07 Foto: Carol Ribeiro

Funeral Wedding:

08 RESENHA: Endless Elysian Fields, álbum de estreia dos Suecos do Soijl.

Resenha do álbum Revenant, do Orphans of Dusk

9 à 11 Lançamentos:

12 à 14

Draconian e Kauan lançam Sovran e Sorn Nai respectivamente

#MURRO: Entrevista com Silas e Castor, criadores do Festival Rock Generator e integrantes da banda Arqueologia Siderúrgica. Acompanhe as páginas do October Doom. Facebook.com/OctoberDoomEntertainment

Issuu.com/octoberdoomzine

OctoberDoom.bandcamp.com

octoberdoom@bol.com.br October Doom Magazine | 3


ENTREVISTA:

Por: Morgan Austere

Fundada em 2003 na cidade de São Paulo, a banda faz um Instrumental, experimental, post rock/metal, mostrando a qualidade da música nacional. Essa letargia é composta pelas guitarras e sintetizadores que fazem o indivíduo perder em seu próprio labirinto interior... A banda lançou em 2007 um EP homônimo, em 2010 o álbum Anatema, em 2012 Kadjwynh, em 2013, o Split Labirinto & Thisquietarmy é por último Masao, lançado em 2014. Nesse labirinto você pode se perder... Morgan Austere: É uma grande alacridade está executando esta entrevista. Quais a principais influências do Labirinto? Erick Cruxen: Diversas coisas... Música eletrônica e clássica. Metal, rock progressivo, trilhas de filmes, música experimental e minimalista. Industrial, post-rock…. M.A: Labirinto faz alusão a várias culturas na Grécia procede a famosa lenda do labirinto do Minotauro.... Para os indígenas norte-americanos o labirinto representava o caminho que conduz ao alto de sua montanha sagrada... Na África do Sul, o labirinto desenhado em volta de suas cabanas representava proteção. Para os escandinavos, as almas dos antepassados habitam os labirintos de pedras e isso os impede de escapar e interferir na existência dos vivos. Como foi a escolha do nome? Como foi a escolha pelo post-rock? Quais foram as principais dificuldades encontradas pela banda? Erick Cruxen: Grandes alusões e referências históricas, muito bacana rs. O nome Labirinto surgiu após um amigo assistir a um dos nossos primeiros ensaios, e falar que o som remetia a um labirinto; cheio de arestas, e partes que, muitas vezes, deixava o ouvinte perdido. Nunca buscamos fazer somente Post Rock, ou qualquer “estilo” específico. Sempre procuramos exteriorizar e extravasar nossas sensações através da música, usando as diversas referências que possuímos. Quando começamos ainda existia um estranhamento por fazermos música instrumental. Hoje, por causa da internet e por outras bandas terem surgido, esse tipo de som ganhou maior receptividade, abrindo mais espaços para esses grupos. Contudo, o Brasil ainda é muito carente de espaços, produtores e divulgação para esse tipo de música. 4 | October Doom Magazine

M.A: Antes de formar o labirinto vocês participaram de outros projetos ou bandas? Qual sua opinião sobre a atual cena do post-rock, shoegaze, stoner e doom metal no Brasil? Bandas como: E a terra nunca me pareceu tão distante, Muñoz Duo, Shyy, Abske Fides, The Last Days e Cassandra são um exemplo desse panorama. Erick Cruxen: Todos nós tocávamos em bandas de hardcore, metal e/ou rock alternativo. Já estamos nessa “brincadeira” desde moleques, e olha que somos velhos rsrs. Realmente, tem muita coisa bacana surgindo, principalmente as bandas que fazem um som mais pesado e/ou experimental.


M.A: Falando do Festival A Música Muda, que aconteceu em julho do ano passado, vou fazer a mesma pergunta que fiz para a banda Huey. “A música muda”. Nota-se a ambiguidade pelo fato da música mudar e da música ser muda, (sem vocais). Você acha que o labirinto se encaixa nessa colocação? Como foi que surgiu a oportunidade de tocar no festival?

M.A: Aconteceu em maio, o Dunk!festival 2015, que é considerado o maior festival de postrock do mundo teve a participação das bandas Mono e Caspian entre outras atrações. O Labirinto foi a única banda a representar o Brasil no festival. Como surgiu a oportunidade de tocar no festival? Como os belgas receberam a música torta e obtusa do Labirinto?

Erick Cruxen: Fomos convidados pela organização do Festival, e aceitamos imediatamente. O evento foi espetacular. O Labirinto se encaixa completamente já que é uma banda instrumental, e por acreditarmos que a música além de nos mudar, e poder fazer isso com as pessoas, se transforma a cada vez que a tocamos, compomos e arranjamos. Sempre nos proporciona sentimentos diferenciados.

Erick Cruxen: Creio que não consigamos expressar o grau de satisfação e prazer por termos participado do Dunk Festival. Foi uma realização como músicos e integrantes do Labirinto. Nossa receptividade foi tão boa que já tocamos em duas edições (2013 e 2015). Se não estou enganado, o Labirinto foi a única banda da América latina a se apresentar no Festival, onde tivemos a oportunidade de dividir o palco com grupos que realmente admiramos, e de conhecer muitos outros. Fizemos inúmeras amizades, e pudemos apresentar a nossa música para diversas pessoas que passaram a admirála também.

M.A: Em setembro de 2014 a banda abriu o Overload Music tocando com as bandas Alcest, God Is An Astronaut, Swallow The Sun e Fates Warning. Como surgiu o convite de tocar no Overload? Erick Cruxen: Também fomos convidados pela organização do festival, e significou muito para nós. Tocamos com uma das bandas que nos motivou a engendrar o Labirinto (God is an Astronaut). Além disso, foi uma de nossas apresentações que mais repercutiu, nos mostrando para um público diferente, e que passou a nos acompanhar, desde então. Evento singular no país, que ganha novas e belíssimas edições.

Labirinto é formado por Erick Cruxen, Felipe Freitas e Luis Naressi nas guitarras e sintetizadores; Muriel Curi na bateria; Ricardo Pereira no contrabaixo.

M.A: Anatema (foto abaixo), lançado em 2010 é o primeiro Full-Length da banda e traz uma sonoridade totalmente nova, uma mistura de sentimentos que podem ser incorporados por cada pessoa assim emanando seu próprio labirinto.... Sobre o processo de gravação, como foi realizado?

Erick Cruxen: Demoramos quase 2 anos para finalizar o disco. Na verdade, o gravamos no início do Dissenso Studio, servimos de cobaia para o espaço. Depois mixamos no Electrical Audio com o Greg Norman (sócio do Steve Albini) que já havia trabalhado com o Russian Circles e Neurosis. A October Doom Magazine | 5


masterização ficou por conta do Bob Weston (Shellac/ Chicago Mastering Service). Foi uma realização pessoal e profissional para nós, refletindo nossos sentimentos e anseios na época. M.A: O split Labirinto & Thisquietarmy (foto abaixo) foi lançado em 2013. Como surgiu essa parceria com o Thisquietarmy? A capa traz todas as fases lunares, como foi a escolha da capa? As bandas ainda podem tocar juntas novamente?

Em algumas apresentações tocamos literalmente juntos, fazendo sessões de experimentações e improvisações antes de tocar o set convencional de cada banda. Algumas dessas sessions, possivelmente, serão lançadas em algum material físico, em breve. A capa foi produzida pelo Eric Quach e simbolizava a diferença de hemisférios que existia entre as bandas Labirinto (Sul) e TQA (Norte). M.A: E sobre o tão esperado e misterioso álbum que está em eclosão na Dissenso, o que podemos esperar desse novo álbum? Quais serão as principais características desse novo trabalho? Erick Cruxen: Esse será o segundo disco full do Labirinto, e estamos nos dedicando integralmente a ele. Para realizar essa empreitada chamamos o Billy Anderson que já gravou bandas como Neurosis, Melvins, Amenra, Swans, Eyehategod, Agalloch e muitas outras que apreciamos. Já estamos em fase de mixagem, e devemos lançá-lo no ano que vem. Algumas dessas músicas já tocamos nos shows mais recentes, e os comentários que ouvimos sobre elas é que estão mais densas e muito mais pesadas. M.A: Novamente agradeço por estar realizando esta entrevista, tem algum recado para deixar para os fãs da banda?

Erick Cruxen: Já havíamos tocados juntos em Montreal e Saint-Hyacinthe no Canadá durante a nossa segunda turnê pela América do Norte, em 2012. Em 2013 o Thisquietarmy veio para o Brasil e fizemos alguns shows juntos. Agora em 2015, realizamos grande parte da última tour pela Europa com ele.

Erick Cruxen: Nós que agradecemos o espaço! Gostaríamos de agradecer a todos que nos acompanham por essa estrada labiríntica. Estamos parados com os shows no momento, para podermos finalizar o disco novo. Mas muito em breve, teremos novidades e bastante barulho para o pessoal ouvir. Muito obrigado...

Discografia:

(PSEUDO-SEGURANÇA COMPENSATÓRIA)

(CINZA (EP))

(LABIRINTO (EP))

(ETÉREO (EP))

(ANATEMA (EP))

Labirinto.mus.br/ Facebook.com/labirintoband Labirinto.bandcamp.com/ Twitter.com/Labirintomusic (KADJWYNH (EP))

(LABIRINTO & THISQUIETARMY)

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(MASAO)


Por: Leonardo Reis

Resenha da Semana

Banda: Orphans of Dusk Álbum: Revenant Lançamento: Agosto/2014 Selo: Solitude-Prod/Hypnotic Dirge Com certeza este é um dos melhores trabalhos do ano de 2015! O trio australiano composto por Dam Nahum (Bateria), James Quested (Guitarra; Contrabaixo) e Cris G. (Vocal) soube incorporar a melancolia através de sua sonoridade de forma excelente. Sendo “Revenant” o primeiro trabalho da banda, ou seja, estamos falando de um ótimo EP. O grupo miscigena em seu trabalho, elementos do Gothic Metal ao Doom/ Death Metal, inclusive um toque de depressive. Com quatro faixas, o suficiente para percebermos a qualidade do trio, nos mostra já de cara uma melancolia imensurável. Estou falando de “August Price”, a primeira faixa do EP. A maneira como ela começa é inigualável. Um som totalmente sombrio, que com a base do teclado, sentimos um frio aterrorizante. A faixa nos remete um pouco à Moonspell, Woods of Ypres e entre tantas outras bandas, que quando citadas, evidentemente fica claro a influência do grupo em relação às últimas. A mudança repentina da música é que dá o tom perfeito; de um instante ao outro a canção sai do ritmo gótico e entra ao mundo depressivo, de um jeito a não deixar a canção um tanto cansativa. “Starless”, sendo a segunda faixa do EP, tem um início semelhante ao da primeira canção. Um toque sombrio de um violão até que entra em cena e interfere-se perfeitamente o som belo e mágico do teclado, trazendo consigo sua sonoridade; sua sinfonia sintetizada, a deixar maravilhado o som. Desta vez o som Doom soa mais evidente, ficando, não muito, em segundo plano a característica gótica da canção. A progressividade é também, bastante relevante nas canções do grupo australiano. Assim como citado na primeira faixa, sendo uma característica relevante ao grupo, sua canção sai de um mundo e entra em outro num instante. A parte mais bela da canção (aos 4:00 min.) nos trás uma bela sinfonia enquadrada pefeitamente ao vocal de Cris; este, por si só, solta um vocal limpo e melancólico, dando continuidade à toda instrumentalidade da banda. Novamente, o vocal beira o limpo e o gutural, um toque relevante nas músicas, evidenciando desta maneira, a capacidade do artista implementar mais técnica à banda. “Nibelhein”, pode-se dizer que é a canção mais veloz dentra as quatro. A que remete muito mais, também, à Moonspell. Desde o vocal, que não é limpo, não é gutural e muito menos forçado. Trata-se de uma técnica usada por Fernando Ribeiro que nem eu sei dizer, ao certo, qual seria. A canção oscila entre o progressivo limpo até o Death Metal. “Beneath the Cover of Night” é a canção que termina o ciclo deste EP. Já de maneira surpreendente, nos remetendo à brutalidade e melancolia ao mesmo tempo. Vocal limpo, com uma tremenda distorção por parte das guitarras e lentidão por parte da bateria. Justo! Para terminar este ótimo trabalho por parte do trio australiano, não poderia faltar a sinfonia. Marca evidente até agora no trabalho do grupo. Esta por sua vez, é a canção mais longa do EP, contendo oito minutos de duração. É sem sombras de dúvida, a canção onde as sinfonias são mais bem executadas e encaixadas à cadência dos demais instrumentos. A melancolia vem à tona, destruição total, de forma tristonha e cruel! Este é o ar de boas-vindas do trio de Orphans of Dusk! Um trabalho dedicado e belo, sem deixar cair o ritmo. Tudo muito bem trabalhado. Porrada sonora total!

Dan Nahum (Bat), James Quested (Gui, Bai e Sin) e Chris G (Voz). Foto: Metal Archives.

Coluna Funeral Wedding no October Doom Magazine

Mais em: Tracklist: 1. August Price 2. Starless

Facebook.com/orphansofdusk 3. Nibelheim 4. Beneath the Cover of Night

Orphansofdusk.bandcamp.com/ October Doom Magazine | 7


Resenha:

Soijl:

Por: Alyson Matheus

Sem dúvidas a Suécia tem uma das cenas mais forte quando se trata de Doom, Death ou Black Metal. Bandas como Entombed, Dissection, Dismember, Candlemass, Katatonia, Bathory, Marduk e Dark Funeral colocaram o país no mapa do Metal Mundial. Mas como em toda cena, sempre existe as bandas mainstream, e também as mais desconhecidas, que é onde o Soijl entra. Lançado no dia 21 de setembro de 2015 pela Solitude Productions, o Endless Elysian Fields (foto ao lado) é o álbum de estreia do Soijl. A banda que tem como sonoridade Death Melodic/Doom Metal. Segundo os membros da banda são 7 faixas cheias de total desespero e medo, como as letras do álbum contam principalmente sobre as pessoas com tendências suicidas e sobre o que passa em suas cabeças. O álbum foi produzido por Mattias Svensson (Ex-Saturnus), responsável também pela gravação dos instrumentos, e também com Henrik Kindvall pela composição das letras e também dos vocais. O álbum se inicia com a faixa-título ‘’Endless Elysian Fields” e não podia começar de uma forma melhor, instrumental arrastado e um gutural cavernoso, que me surpreendeu logo de cara, lembrando bastante os primórdios do October Tide. Em seguida vem “Dying Kinship” e “Swan Song” faixas bem lentas e também as mais doentias do álbum, dá pra se notar um vocal mais depressivo em certas partes. E logo mais vem a faixa mais pesada do álbum “The Formation of a Black Nightsky’’, e também ‘’Dritfer, Trickter’’ uma faixa bem arrastada com melodias incríveis. ‘’The Cosmic Cold” acho que através desta faixa veio a inspiração para a capa do álbum, olhar para a capa enquanto ouve essa música é uma viagem magnífica. E por último e também a faixa mais longa deste debut. “The Shattering”, é uma faixa bem complexa, conta com vocais limpos bem sombrios é um riff que não desgruda da mente. ‘’Endless Elysian Fields’’ sem dúvidas é um dos melhores lançamentos do gênero neste ano, uma banda nova fazendo um trabalho deste nível é algo pra se exaltar. 8 | October Doom Magazine

(Endless Elysian Fields - 2015 - Capa)

Uma estreia em grande estilo!

Soijl - Endless Elysian Fields

Tracklist: 1-Endless Elysian Fields 2-Dying Kinship 3-Swan Song 4-The Formation of a Black Nightsky 5-Drifter, Trickster 6-The Cosmic Cold 7-The Shattering Mais em: Facebook.com/soijl Soijl.bandcamp.com


Lançamento:

Por: Morgan Gonçalves

Eles até tentam dividir sua sonoridade entre Doom Metal, anteriormente, e Post Rock, atualmente, mas eu, particularmente acho isso impossível.

K

auan e formada por Anton Belov (guitarra, vocal, teclado e sintetizadores); Alex Vynogradoff (Baixo e backing vocal); Anton Skrynnik (bateria); Alina Roberts (teclado, backing vocal), Anatoly Gavrilov (viola), já tem cinco álbuns lançados e no dia 20 de outubro, lança seu sexto trabalho de estúdio, Sorni nai. Apesar de ser residente de Kiev, na Ucrânia, a maioria das letras, o nome da banda e dos álbuns são em Finlandês. O novo disco, Sorni Nai (Foto ao lado), que em finlandês significa Dedos Ferrados, tem como plano de fundo, o Incidente do Passo Dyatlov, quando nove esquiadores morreram durante uma expedição pela montanha Kholat Syakhl (montanha dos mortos), que fica na cordilheira dos montes Urais, na Rússia. Os corpos dos esquiadores foram encontrados com ferimentos internos causados por grande pressão, traumas cranianos, línguas cortadas e radiação. As autoridades Soviéticas da época determinaram como a causa das mortes, uma “força desconhecida”. Sorni Nai é composto por somente uma música, de 52 minutos, que leva o nome do álbum, e será lançado pelo selo Blood Music, da Finlândia.

Discografia.

(Lumikuuro - 2007)

(Tietäjän laulu - 2008)

(Aava tuulen maa - 2009)

(Kuu.. - 2011)

(Pirut - 2013)

Mais informações em:

Facebook.com/kauanmusic e

Kauan.bandcamp.com/

October Doom Magazine | 9


Lançamento:

O Fim da Espera e a Merecida Recompensa! Por: Morgan Gonçalves e Rodrigo Bueno

(Foto: Napalm Records)

(Foto: Metal Archives)

Uma das bandas de Gothic/Doom mais respeitadas e icônicas do mundo, Draconian possui uma carreira impecável, com quase 20 anos de estrada. O primeiro registro da banda foi a demo Shades of a Lost Moon, de 1996, seguida por In Glorious Victory, de 1997; The Closed Eyes of Paradise, de 2000; Dark Oceans We Cry e Frozen Features, ambas de 2002. Em 2003, quando a banda já se estabelecia como importante personagem do cenário internacional, o primeiro full length, Where Lovers Mourn, foi lançado. A partir daí, foram muitos anos de crescimento e prosperidade para o Draconian, que lançou Arcane Rain Fell, em 2005; The Burning Halo, em 2006; Turning Season Within, em 2008 e A Rose for the Apocalypse, em 2011. Foi também em 2011 que Lisa Johansson (foto à esquerda) deixou a banda para se dedicar à família, e gerou interrogações para todos que acompanhavam a banda: Como será, se houver, o Draconian daqui pra frente? Pois é, a banda continuou e deu início a difícil tarefa de encontrar uma vocalista à altura de Lisa, e em setembro de 2012, a banda anunciou a Sul Africana Heike Langhans (:LOR3L3I:, ISON, ex-Inferium, ex-The Great Sleep) como nova voz feminina do Draconian. Angústia findada? Não. Foram mais 3 anos até que o Draconian anunciasse Sovran, quinto álbum da banda, lançado em 30 de outubro de 2015. Sovran é a expressão do Draconian em sua melhor forma, eu diria, mas prefiro deixar que as palavras de Rodrigo Bueno descrevam para vocês, essa Obra de Arte: 10 | October Doom Magazine


Desde que foi anunciada a saída de Lisa e até o anúncio oficial da entrada de Heike nos vocais, muita expectativa cercou esta banda sueca de como soaria a nova vocalista. Pudemos conferir uma pequena prévia no tributo ao Lake of Tears, mas foi muito pouco para poder tirar uma conclusão sobre esta nova integrante. Alguns vídeos pipocaram no youtube, mas todos com uma qualidade questionável e Draconian - Sovran. 2015 - Napalm Records. não poderíamos julgar sem poder conferir “in loco” e com um áudio decente. Uma coisa há de ficar bem claro, de que comparações serão feitas eternamente, vide o caso mais recente do Nightwish, onde até hoje os fãs esperam por um clone da Tarja, e substituir uma vocalista tão icônica quanto a Lisa, não seria uma das tarefas mais fáceis. Mas acertadamente, a escolha de Heike caiu como uma luva na sonoridade do Draconian. Musicalmente nada foi alterado, toda a sonoridade do Draconian continua intacta. Riffs esmagadores, andamento lento, músicas repletas de sentimento, vocais cavernosos e a doce voz feminina dando o contraponto nas belas melodias. Até as linhas de violino que acompanham a banda há bastante tempo estão presentes. Até o momento não consigo escolher a melhor música do disco, pois é um trabalho bem coeso, desde o riff de entrada em “Heavy Lies the Crown” até a derradeira “The Marriage of Attaris”. Mas é impossível não destacar músicas como: “Pale Tortured Blue”e “Stellar Tombs” com seus riffs introdutórios old school e convidativo ao “headbanging”, ou a triste “Dusk Mariner”. “Rivers Between Us” é uma música absurdamente linda, temos aqui um convidado encarregado dos vocais limpos e que desempenha muito bem o seu papel nesta excelente faixa. O dueto de Heike e Daniel soam como dois pombinhos apaixonados, separados por um imenso rio de solidão. E os vocais guturais de Anders, faz a voz da saudade que cresce e sufoca o moribundo apaixonado. Para encerrar “The Marriage of Attaris”, vem para celebrar a união estável desta banda que é um dos pilares do Gothic/Doom mundial. Vida longa ao Draconian. Tracklist 1. Heavy Lies the Crown 2. The Wretched Tide 3. Pale Tortured Blue 4. Stellar Tombs

Discografia:

(Where Lovers Mourn. 2003).

(Arcane Rain Fell. 2005).

(Turning Season Within. 2008).

5. No Lonelier Star 6. Dusk Mariner 7. Dishearten 8. Rivers Between Us 9. The Marriage of Attaris

Para mais informações sobre os Suecos do Draconian, Sovran e outras novidades do Draconian, acesse:

Facebook.com/draconianofficial Draconian.se/

(A Rose for the Apocalypse. 2011).

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Por: Vitor Verô

Coluna #Murro no October Doom Magazine

Nessa edição convidei o Silas e o Castor, responsáveis pelo Rock Generator (evento independente de Ouro Preto que já conta sua oitava edição) e integrantes da Arqueologia Siderúrgica para bater um papo sobre a banda, sobre o coletivo e sobre como é o trampo de organizar festivais independentes no interior do estado.

Vitor Verô: Além de serem organizadores do Rock Generator, vocês são integrantes da Arqueologia Siderúrgica, que atualmente está fazendo uma pausa em suas atividades. Contenos um pouco de como surgiu a banda e qual a proposta da mesma?

durante a semana, sobra 48h pra dividir entre banda, família, namoradas, vida social, alcoolismo, ressaca, lazer, estudos, etc. Acaba que banda por ser a tarefa mais divertida vira prioridade, e o resto vai ficando de lado, hehe. Vocês devem ter achado estranho que a banda sumiu do nada sem se pronunciar, mas é porque não sabemos ao certo o futuro da banda, não há nada definido. Se houver oportunidade e energia pra gente voltar seria massa, mas se não, de boa, fizemos nossa história e foi massa pra caralho! Vitor Verô: O Rock Generator surgiu em 2011 e desde então já teve 8 edições. De onde surgiu a iniciativa e como foi o corre das primeiras edições?

Arqueologia Siderúrgica: Silas Santos (vocal/theremin/efeitos) Diego Xingu (Vocais) André Nervoso (guitarra) Castor Azevedo (baixo) e Renato Strutz (bateria).

Silas: O Arqueologia Siderúrgica surgiu espontaneamente em meados de 2010. Três amigos (André Nervoso – guitarra; Renato Strutz – teclado e Erivelton “Queixada” – bateria) começaram a se reunir nos fins-de-semana para se embriagar e ficar tocando e acabaram fazendo ótimas composições. Um dia me mostraram essas gravações e eu pirei como os caras conseguiram fazer umas coisas bem na linha do Kyuss, sendo que eles nem conheciam a banda. Daí eu apresentei o som pra eles, que no momento também precisavam de um vocalista e acabei entrando. Mergulhamos no stoner e na música psicodélica e a coisa foi fluindo, a gente já andava junto e se encontrava pra encher a cara todo fim de semana mesmo, então ensaiar não era esforço algum, era pura diversão. A gente pagava R$5 pra ficar três horas ensaiando no estúdio do nosso brother Wolney aqui em Ouro Preto, que algumas vezes era revertido pra gente em tira-gosto e cachaça pelo próprio...bons tempos, hehe. Atualmente estamos parados por uma série de motivos, ter banda no interior acaba ficando caro, a gente não consegue ter um retorno financeiro suficiente que sustente gravações e compra de equipamentos, nossa motivação pra fazer tudo foi sempre unicamente a paixão de fazer música. Mas infelizmente isso uma hora acaba pesando. Juntase a isso o fato de que todos trabalham e estudam 12 | October Doom Magazine

Silas: No final da década passada praticamente inexistia espaço para bandas de rock independente de Ouro Preto e Mariana por aqui. A gente mesmo tinha que produzir nossos festivais, na cara e na coragem, com nossos equipamentos, grana do próprio bolso, tudo improvisado, do jeito que dava e onde dava. Quando conseguíamos lugar pra tocar, tínhamos que arcar com tudo, e eram raros os lugares que queriam ver rock and roll autoral rolando. Os poucos espaços que tinham na cidade eram voltados ao cover, a gente queria incentivar a galera a produzir, estava chato ficar vendo tanta gente criativa e músicos fodas que preferiam enterrar suas genialidades nos Paranoid’s, Born to be Wild’s e Psycho Killer’s da vida, a gente queria criar e incentivar a molecada também. Daí surgiu a ideia da aquisição do gerador, pra que a gente ocupasse os espaços públicos e não dependesse mais apenas dos estabelecimentos. Em 2011 a gente chamava os festivais de Live for Nobody, pois não havia ainda uma ideia desenvolvida de fazer um festival. A gente só queria ir pra um mato qualquer, ligar as coisas e fazer nossa festa sem incomodar os vizinhos. Em março de 2012 ocupamos um terreno baldio em Mariana onde fizemos o primeiro Rock Generator; na ocasião tocaram as bandas fundadoras do projeto: Arqueologia Siderúrgica, Fuckin Noise e Selvagens. Do segundo já foi em Ouro Preto no Morro da Forca, mais pra frente explico o porquê. Cada um colocava a disposição o que tinha, fazíamos uma divulgação aos


amigos nas redes sociais e no dia marcado lá íamos nós carregar as coisas escada acima. Aos poucos a galera foi “comprando nosso boi” e começou a comparecer, em número cada vez maior, e bandas foram se interessando a tocar, sempre mantendo aquela ideia de um festival construído por todos e para todos. Vitor Verô: Quando o evento se firmou? Ele é 100% independente ou conta com algum tido de ajuda da iniciativa pública ou privada?

Castor: O evento se firmou após algumas festas que foram realizadas no ano de 2014, após o furto do gerador antigo, aquele foi o momento de virada no Rock Generator. Estávamos sem gerador, sem grana, sem perspectiva de levar a proposta adiante, já tinham sido realizadas 5 edições. Mas foi mesmo na Festa do Dique, realizada na minha casa, quando conseguimos vislumbrar a possibilidade de intercâmbio com outras bandas de rock Brasil afora. A festa foi um sucesso, tivemos do surf rock ao stoner mais pesado. Tocaram Los Pollos Caipiras, ISSO, 2Dedo e Delírio Fantasma. Todas, bandas muito diferentes entre si, mas que no final somaram-se a grande satisfação do público, e é assim, acreditamos na diversidade de estilos dentro do Rock e no benefício que esse intercâmbio traz. Depois desses eventos, conseguimos arrecadar uma grana pra comprar um novo gerador. Ele é um festival que foi gerado de forma totalmente independente, em 2015 conseguimos apoio da Prefeitura de Ouro Preto, muito importante - diga-se de passagem - no que toca ao translado das bandas e alguns detalhes estruturais pra dar mais qualidade e segurança ao público do festival. Contamos também com o apoio

de comerciantes da cidade que por envolvimento com a música ou apenas por acreditar na nossa proposta sempre nos ajudam de alguma maneira. Vitor Verô: O festival tem ocupado o Morro da Forca, em Ouro Preto, hoje em dia. Como começaram a ocupar o espaço e de onde surgiu a decisão de fazer de lá a residência do Rock Generator? Silas: O Morro da Forca é um puta espaço localizado no centro da cidade de Ouro Preto. É um morro que eventualmente é utilizado como heliporto, mas que na maior parte do ano não é utilizado pra nada. Você sobe as escadas e dá de cara com um mirante 360º da região central da cidade, um cenário impressionante, visto que Ouro Preto tem um dos maiores conjuntos arquitetônicos barrocos do Brasil e uma geologia muito doida. Um desperdício não utilizar aquele espaço! Resolvemos dar vida ao lugar. Além disso, o que foi definitivo pra gente adotar lá de vez foi a localização privilegiada e o fato de que o som não incomoda nenhuma residência. A única dificuldade são os 108 degraus que temos que subir carregando equipamentos, mas já nos acostumamos com isso. Sonhamos com o dia em que o espaço será definitivamente usado para fins culturais por todos e devidamente estruturado, com banheiros, iluminação adequada, corrimãos, grades e segurança. Nossa ocupação lá tem sido positiva, estamos chamando a atenção das pessoas e do poder público, no sentido de vislumbrar de que isso é possível. Vitor Verô: Não é segredo que o festival é aberto ao público. De onde saem os fundos para manter o gerador ligado e o som tocando? Castor: Cara, isso é uma coisa difícil, mesmo com o apoio que recebemos da prefeitura e de alguns comerciantes, ainda assim, o evento é majoritariamente o nosso suor, todos os equipamentos de som são dos próprios membros do coletivo, além das tendas que montamos e a maior parte da iluminação. Sempre foi feito na raça, levando tudo dentro dos nossos carros e subindo os 108 degraus do Morro com os equipamentos nas costas, não é fácil. Hoje contamos com o nosso público, que tem crescido bastante, mas a galera ainda tem certa dificuldade de entender a proposta do evento, um tanto incomum por aqui. A proposta é a de sempre ser gratuito, autofinanciado, autogerido, de forma que as contribuições do público durante os eventos são de suma importância para a manutenção do Generator. Assim optamos por pedir que as pessoas October Doom Magazine | 13


contribuam pro evento, até porque os membros do coletivo sempre colocaram da própria grana pra cobrir custos de equipamentos que eventualmente queimam e demais custos como gasolina dos carros e do gerador e alimentação do proletariado do rock. Hoje em dia estamos estudando novas táticas pra captar grana, mas com as coisas do jeito que tão a galera tá com ainda mais dificuldade de tirar o escorpião do bolso. Vitor Verô: Além do Rock Generator, o coletivo organiza outros eventos? Castor: O coletivo já organizou algumas festas fechadas, além das famigeradas Festas no Dique que foram realizadas na minha casa e tiveram um papel fundamental na reconstrução do rock generator, fizemos no começo de 2015 em parceria com o Ten Bells Pub em Mariana um show com o Selvagens Punk Rock (Ouro Preto) e Lively Water (BH-MURRO), que foi um evento bem bacana, numa noite autoral que aos poucos vai se multiplicando na Região dos Inconfidentes. Ainda estamos em processo de planejamento das próximas edições do Rock Generator, mas estamos estudando criar um circuito de bandas autorais, pra 2015 novidades virão. A tendência é que com parcerias e muita ralação a música autoral ganhe ainda mais espaço nos estabelecimentos da região. Vitor Verô: A presença de bandas mineiras faz parte da proposta ou é apenas mais viável? Castor: As duas coisas, além de ser muito mais viável por causa das distâncias é uma regra que nos impusemos, a de sempre dar uma moral pras bandas do nosso estado, mesclando o interior e a capital. Pra nós isso é importantíssimo, pois o evento tem sua razão de existência também na falta de atenção que os espaços de shows e eventos dedicam ao rock autoral e que faz com que as bandas pereçam antes de ter florescido, nossas bandas mesmo, antes de tocar no generator nós não tocávamos em lugar nenhum, depois do generator mais portas se abrem. Afinal é um evento em praça pública e se os produtores não se dignam a estarem presentes num evento como esse, então é porque só querem grana e tão pouco se fudendo pra música em si. O evento é pensado como espaço para bandas novas, não queremos ver ninguém tocando Ac/Dc, queremos que mostrem de coração como pensam e como falam música, não é através de cover que se faz isso. Iron Maiden só soa sincero na boca do Diano, do Bruce... assim como 14 | October Doom Magazine

Arqueologia Siderúrgica só vai soar sincero se o Silas disser suas próprias palavras, se o meu baixo tocar a linha que eu pensei e transpirei pra criar. Queremos no futuro fazer eventos com maior participação de bandas de fora, mas sentimos que nunca poderemos deixar de incentivar o que está começando. Fazemos isso por amor. Vitor Verô: Já há previsão para a nona edição do festival? Castor: O rock generator sempre acontece entre abril e setembro que são os poucos meses onde o clima de Ouro Preto não subverte tudo que se pensa e te joga no buraco. Aqui temos as quatro estações do ano no mesmo dia. (risos). O mais provável é que o nono aconteça em abril do ano que vem.

Vitor Verô: Alguma novidade prevista?

Castor: Estamos ponderando algumas possibilidades pro ano que vem, alterações no formato do evento e também, eventos fechados que podem dar folego nessa interminável busca ao rock’n roll. Vitor Verô: Alguma palavra para jovens que estão no corre de começar bandas ou festivais independentes? Castor: Sejam sinceros, façam aquilo que lhes toca a alma e que vem de vocês mesmos e se não arrepiar, largue mão. Cover não vale, escutem os discos, sejam fãs, acompanhem seus artistas favoritos, mas se expressem por si mesmos. Vão ver que vale a pena e é muito mais divertido. Festival é trabalho duro, diário. Requer concentração, paciência, muita calma e dedicação. Silas: Assino embaixo. Não se contentem em ficar replicando o que já foi feito, façam uma nova história. Hendrix, Sabbath, Beatles, Floyd não existiriam se eles estivessem conformados com o que já existia. Traduzir sentimentos em canções é uma catarse. Não deixem que a energia criativa vá pelo ralo. Escrevam, produzam, junte a galera e movimente sua cidade. Um grande incêndio começa com uma pequena fagulha. É trabalhoso, cansativo, não vai dar o retorno financeiro esperado, mas, acreditem, a satisfação de fazer acontecer não tem preço! Mais em

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A October Doom Magazine é resultado da parceria e cooperação de alguns grupos e iniciativas independentes, que trabalham em função de um Underground Brasileiro mais forte e completo, além de vários individuos anônimos que contribuem compartilhando e disseminando este trabalho. Aqui, os nomes de alguns dos principais colaboradores desta iniciativa:

Editor Chefe: Morgan Gonçalves Edição: Morgan Austere Edição: Alyson Matheus Revisão: Solymar Noronha

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Fábio Mazzeu • Luiz Z Ramos • Luiz Bueno • Thiago Rocha • Vitor Verô • Rodrigo Nueva • Vinicius Fiumari • Edgard Guedes • Bruno Gerasso • Rodrigo Reinke • Henrique Parizzi • Merlin Oliveira •

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October Doom Magazine Edição 44 20 10 2015  

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