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Edição numero 38, de 08 de Setembro de 2015 Produzido e Distribuído por October Doom Entertainment

Conheça! Hateure, de Sludge/Doom Post Rock e Haast’s Eagled, de Stoner Doom #MURRO:

Resenha do álbum de estreia do Lively Water, Dirtman Rises

Funeral Wedding:

Resenha do novo álbum do Ahab, The Boats of the Glen Carrig

Entrevista com:

Shows de norte a sul do País. October Doom Magazine | 1


OCTOBER DOOM SOUND’S 2015 UMA PRÉVIA DO OCTOBER DOOM FESTIVAL

IN ABSENTHIA • LES MÉMOIRES FALL • PRAGA • INTO SPECTRUM • AS DRAMATIC HOMAGE • DOWNLOAD GRÁTIS • Já Disponível

/OctoberDoomEntertainment /Octoberdoom.bandcamp.com

2 | October Doom Magazine


SUMARIO:

Capa: Entrevista da Semana: Daniel Silvera, Baixista e Vocalista do Cassandra, fala sobre as dificuldades e o crescimento da cena em Curitiba.

Pág. 4 e 6

Funeral Wedding: Resenha do álbum The Boats of the Glen Carrig, do Ahab Pág. 7

#MURRO: Resenha do álbum de estreia do Lively Water, Dirtman Rises Pág. 8 e 9

Para Conhecer:

O Som Pesado e torto do Hateure, de Sludge/Doom/Post Rock e A Beleza do Haast’s Eagled, de Stoner Doom Pág. 10

Novo álbum do Helllight pronto para audição e compra Agenda da Semana:

Pág. 11

Cinco grandes eventos movimentam o Brasil de norte a sul Pág. 12

Acompanhe as páginas do October Doom.

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October Doom Magazine | 3


ENTREVISTA:

Por Morgan Austere

nasceu em 2013 na cidade de Curitiba-Paraná. Da mitologia grega, a banda carrega sua maldição no nome; previsões terríveis podem ecoar do baixo pesado à hipnótica bateria que da margem a toda essa letargia Cassandra lançou recentemente o álbum (Antumbra) inspirado nas conjunções dos eclipses solar e lunar, seis músicas compostas em nossa língua nativa... Primeira Previsão (O Sermão da Floresta), Segunda Previsão (Vida Nasceu), Terceira Previsão (VhAE- Tremores do Medo na Morte), Quinta Previsão (Primália Sentença), Sexta Previsão (Entes serão Lembrados) e a Sétima Previsão (Formação dos Valos.) Do line-up: Daniel Silveira (Baixo e Voz) e Karina D’Alessandre (bateria). Na entrevista da semana previsões terríveis irão acontecer... Morgan Austere: Primeiramente é uma grande

Daniel Silveira. Foto João Menezes

satisfação estar executando esta entrevista. Gostaria de saber quais as principais influências do Cassandra?

Daniel Silveira: A satisfação é toda nossa, Morgan.

Participar desse excelente trabalho que vocês fazem, justifica o nosso e estamos muito felizes em tê-los por perto. Bem, sobre influências: Quando nos juntamos trocamos muitas referências e gostos musicais, mas numa totalidade podemos citar Wolves in the Throne Room, Ahab, Melvins, SubRosa, Ministry, Earth, TAD, Skin Yard, Killdozer, Ramones, Sonic Youth, Stone Roses, Talbot, Dorsal Atlântica, Armagedom e outras referências que vamos acumulando ao longo do tempo. Somos bem abertos à música e alguma harmonia shoegaze pode ser triturada com a agressividade Fuzz pra ter uma identidade como sonoridade própria. Viemos de realidades diferentes e temos que mesclar muitos sons pra sermos um só. A idéia da banda é juntar tudo sem fechar portas. Não vemos problema na música pop nem na mais extrema. Deve existir um meio termo nisso tudo que faz da nossa música, música. MA: Qual é a origem da banda e do nome? O que as letras refletem? Como foi a escolha do Sludge como estilo? Quais são as principais dificuldades encontradas pela banda?

Pessoalmente não creio na boa vontade humana de forma genérica, então, achei que ela poderia nos representar já que sempre escrevi letras apontando fatalidades das ações humanas na tentativa de se socializar, vencer, se perder, falhar e não reconhecer seus erros, suas mentiras e imposições religiosas e morais. (Risos). O Sludge já vem de uma frequência sonora que Daniel Silveira: Sou de São Paulo, capital, a Karina de Ourinhos, SP. Ela está há 3 anos e meio em Curitiba acreditamos ser delicada e bruta. Tocar lentamente e eu há 2 anos e meio. Nos encontramos num espaço em tom grave nos dá uma oportunidade de usar notas com tranquilidade e isso reflete a lisérgia cultural chamado DamaDame que criei em 2013 da vida em que vivemos, na estrutura social que numa festa onde a outra banda dela (Em Cápsula) vivemos. tocou e a chamei pra formar uma banda, já que eu Até o momento não encontramos dificuldades estava sem banda há 1 ano até então. em fazer o que fazemos. Já venho compondo em O nome surgiu quando nos retiramos num sítio de português há pelo menos 15 anos e nossa língua é um amigo onde havia um bosque de Pinos muito supostamente difícil pra compor rock, mas é só uma bonito e por acaso abrimos um livro sobre mitologia e encontramos um termo sobre Cassandra, uma moça quebra de paradigmas de fonética, no qual somos que foi amaldiçoada por Apolo e fazia previsões sobre ricos. Sílabas são como notas e é preciso modificá-las às vezes pra ficar legal. Nossa proposta é simples e tragédias na Antiga Grécia. Achamos que casou bem reta como os Ramones. com aquele clima todo que buscávamos. 4 | October Doom Magazine


2004, você participou do Coletivo Sinfonia de Cães de São Paulo. Como foi essa transição de estilo e de estado? Como isso afetou em nível pessoal e como afetou a banda?

Daniel Silveira: A Sinfonia de Cães é um Instituto

de Cultura hoje com bases bem sólidas e proposta traçada. Começou como um coletivo de bandas a fim de colocar as próprias bandas no circuito paulista e depois a coisa foi crescendo, coagulando com outros coletivos de arte e cultura e hoje é responsável por muitas ações na periferia da Zona Norte paulistana e também no exterior. Temos uma amizade até mesmo bem antes do Coletivo. Isso foi pelos anos 90. Foi uma grande escola estar perto dessa galera com vontade desde o início. Participei de algumas atividades nos primeiros anos e me marcou profundamente, mesmo porque muitas das bandas nas quais já passei foram desse rolê e isso sempre me trouxe inspiração e vontade. A transição interestadual foi tranquila pois já viemos pra montar o DamaDame e já contava em conhecer os mais dispostos a fazer algo pelo autoral independente também em Curitiba e é o que está acontecendo agora: formamos um coletivo chamado Babalon com as bandas Pantanum, Tropical Doom e Marte, pois falamos a mesma língua e parece que somos amigos desde antigamente. Foi só uma questão de querer o bem da cena, respeitando os artistas e coletivos. Ter um espaço e a banda contribuiu fortemente pra essa união acontecer entre espaços que querem fazer acontecer e quem executa arte. É de forma geral, não só com a música. Vir à Curitiba me trouxe gás; me fez enxergar que dá pra começar algo que não existe ou que está fraco por falta das pessoas acreditarem muitas vezes. Falo isso em nível pessoal, mas como banda

só tenho a agradecer a receptividade do público em compreender os esforços em fazer post-metal em português. E isso está em crescimento brutal no Brasil. M.A: Curitiba já tem traços bem marcantes na cena do Stoner (Pantanum), Psychobilly (Sick Sick Sinners) e Doom Metal (Eternal Sorrow). Qual sua opinião sobre atual cena de Curitiba de eventos e bandas? Que bandas e eventos se correlacionam? O Cassandra superou suas expectativas em nível nacional? Daniel Silveira: Curitiba é multifacetada culturalmente. Creio que isso seja uma característica das capitais brasileiras. Umas bandas são mais regionalistas, outras mais globais, mas aqui tem de tudo, pra todo os gostos, e se tratando de rock distorcido a sociedade brasileira torce o nariz mesmo e isso é um problema cultural do país. Me parece que algumas idéias de busca pela felicidade ou ocultação da melancolia cegam as pessoas comuns. Ainda existe aquele julgamento sobre rebeldia juvenil no rock, que músico é vadio e vagabundo, ou seja lá o que for, mas continuamos fazendo porque sempre haverá alguém liberto querendo mais. Basta juntar as peças soltas. Temos uma cena Billy, Psycho, Metal e Punk forte por aqui e nós da Cassandra não temos restrições quanto cena ou estilo porque somos abertos e gostamos de muitas coisas: tocamos com bandas billy, punk, metal, indie por termos de tudo um pouco. Nosso público cresce a cada show e estamos gratos pela resposta do trabalho que estamos fazendo. Cassandra. Foto Papoula Aniello

M.A: Antes de formar o Cassandra, nos meados de

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M.A: Lançado em 2015, o primeiro trabalho do

Cassandra foi intitulado Antumbra, que é o eclipse anular em que um anel brilhante é visto em todo o corpo de eclipses. Qual foi o processo de gravação do EP? Como foi a escolha da capa e do nome do álbum?

interfira diretamente no trabalho do outro. Queremos iniciar 2016 com um EP novo se possível. O problema no underground é financeiro. A grana não circula muito e criam-se barreiras gravar e prensar um disco. Karina D’Alessandre. Foto João Menezes

Daniel Silveira:

Antumbra - Cassandra - 2015

A concepção da banda é algo que está acompanhado da solitude e da fuga da sociedade. Cremos no poder da natureza sem a intervenção humana e do retiro como purificação da alma.

O álbum representa essa ligação entra a natureza terrestre e onde queremos estar futuramente (o etéreo e o Cosmos como retiro). Os eclipses são atraentes pois para vê-los é preciso paciência e observação. O tempo “divino” hoje é muito lento em relação ao “tempo humano”; os corpos celestes são pesados e majestosos. A escuridão, esse tempo e os Corpos também nos representam. Gravamos no Caffeine Sound Studio em SP, um lugar que posso considerar como segunda casa, pois quando morava lá era onde eu ia. É um lugar de choque entre artistas independentes autorais e muito trabalho sério. É como uma Nebulosa, como um berçário de corpos celestes. Preferimos gravar lá porque Luis Tissot e Renato Gimenez são grandes amigos e guerrilheiros da cena underground e sabem o que fazem. É uma questão de gratidão ter um registro lá. Tinha certeza que o trabalho seria bem gravado e estaria bem representado. Foi bem fácil trabalhar com eles: gravamos tudo ao vivo separadamente e em poucas horas estava tudo certo. Creio que todo o trabalho levou em torno 25 horas no total! Até o momento tínhamos 8 meses de existência ao vivo e 32 shows nas costas. Então foi tranquilo.

M.A: Finalizando esse bate papo, o Cassandra tem algum recado para deixar para os fãs da banda?

Daniel Silveira: Obrigado pelo espaço e dedicação

em criar um veículo de comunicação nessas proporções, Morgan! Por essas e outras continuamos criando e lutando pelo autoral! Esses agradecimentos também valem às pessoas que pesquisam som, colam nos eventos e consomem as bandas independentes, saem nas ruas com as M.A: A banda tem pretensões de voltar aos estúdios camisetas que fazemos ou mostrando os discos e ou esse processo ainda pode demorar? compartilhando as produções com os amigos. Estamos muito felizes com esse debut. Daniel Silveira: Sim, claro! Fechamos um ciclo de um ano com o Antumbra. Cada faixa foi gravada e M.A: Daniel, muito obrigado pela oportunidade, é executada na ordem de criação e creio que dá pra parabéns pelos trabalhos, pela iniciativa do Babalon e perceber isso quando se ouve o álbum. Estamos a por tudo mais! Sucesso! cada ensaio mais afinados e densos. Faz parte do Para conhecer o som e acompanhar as novidades do processo criativo já que trabalhamos cada música em Cassandra, siga a banda na página do facebook e no jams e daí vamos lapidando o que gostamos. canal do bandcamp Quando se trabalha em duo as coisas fluem mais Facebook.com/CassandraPreviu facilmente: um cuida dos tempos e o outro das Cassandrapreviu.bandcamp.com harmonias. O ajuste de tempo é coletivo, sem que um 6 | October Doom Magazine


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Ahab – The Boats of the Glen Carrig

Resenha Por Rodrigo Bueno Lançamento: 2015 Blumenal, SC. Brasil Fundador do site Funeral Wedding Selo: Napalm Records Este quarteto alemão dispensa apresentações e neste novo álbum vem para consolidar aquilo que já fizeram com maestria no seu álbum anterior. O seu som marejado numa levada bem náutica, faz com que o ouvinte navegue por suas melodias tristes em um mar aberto rumo ao desconhecido. Musicalmente falando, no seu álbum anterior, o rótulo “Funeral Doom” já não cabia com a excelência da palavra em sua definição e hoje neste “The Boats of the Glen Carrig” vem nos comprovar a maturidade e personalidade que o Ahab nos apresenta. O álbum abre com “The Isle” e nele todos os elementos estão contidos, vocalizações melancólicas, riffs cortantes, bateria cadencia, baixo preciso e também uma boa dose de vocal gutural característicos de Daniel Droste. A seguinte “The Thing that Made Search” tem um início muito Opeth, com guitarras limpas e viajantes, vocalizações mezzo cantadas para na sequência sermos jogados ao mar à deriva, devido a sua sonoridade intrincada que esta faixa nos presenteia. “Red Foam (The Great Storm)” foi a faixa escolhida para o seu video promocional, muito bom e doentio por sinal, mostrando todo o abuso mental e físico que os torturados recebem de seus opressores. talvez a escolha dessa música fosse a mais óbvia, por ser a música mais curta de todo o álbum, tendo pouco mais de 6 minutos. “The Weedman” é uma faixa longa, pesarosa e não menos bela do que as outras apresentadas. Em meio a todo o enjôo de sua navegação, digo, execução da música, ouvimos um ótimo solo de guitarra. Nada de fritação de guitarra, mas belas melodias como se fossem um melancólico canto de uma sereia abandonada. E para encerrar o álbum temos “To Mourn Job”, é outra faixa longa e depreciativa ao ouvinte. É incrível como esses vocais limpos de Daniel Droste entram e ecoam no fundo da mente, deixando um ar de desolação e até mesmo a desesperança em quem a escuta. Nas primeiras edições do álbum, foi lançadas com uma faixa bônus, “The Light in the Weed (Mary Madison)”, mas não foi essa a edição que recebi do selo, infelizmente. Tracklist: 1. The Isle 2. The Thing That Made Search 3. Like Red Foam (The Great Storm) 4. The Weedmen 5. To Mourn Job 6. The Light In The Weed (Mary Madison) (bonus track)

Facebook.com/AhabDoom http://www.ahab-doom.de

Foto: Divulgação/Arquivo October Doom Magazine | 7


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Resenha: Lively Water - Dirtman Rises Por Rodrigo Reinke - Governator Insane

Universalmente, uma resenha de um álbum de uma banda de rock/metal de Belo Horizonte deve ser iniciada fazendo alusão ao apelido “capital do metal brasileiro” que a cidade possui/ possuía e/ou ao Sepultura. Decidi fazer diferente. Já que começamos com referências, a banda formada por Henrique Parizzi (vocal/guitarra), Fábio Mazzeu (guitarra/ backing vocal), Átila Cedro (baixo) e Gustavo Angelis (bateria) parece seguir o caminho de um dos últimos grandes nomes a sair de Belo Horizonte para o cenário nacional: a banda Diesel, com o seu som fortemente influenciado pelo pós-grunge. O Diesel, após lançar seu primeiro álbum, ganharia fama, culminado em uma apresentação no Rock in Rio de 2001. Então, quer dizer que o Lively Water é pós-grunge? Não necessariamente; o ponto que quero chegar é que, desde o primeiro álbum do Diesel, nenhum outro álbum por uma banda de rock da cidade conseguiu ter esse mesmo espírito, esse mesmo impacto. Isso até o lançamento de Dirtman Rises. Antes de iniciarmos a jornada sônica, vale destacar a arte de capa criada por Daniel Bretas que apresenta o ‘Homem-Sujeira’ do título, que mais parece um Jesus Cristo coberto de lama. Ilustração fantástica e que também ficou muito boa nos produtos da banda, em especial a camiseta. O CD já começa com uma trinca de músicas-porrada para despertar qualquer ouvinte. “Dirtman” abre o álbum falando sobre o personagem-título e apresenta de cara a maior influência do grupo: o Soundgarden. Isso fica evidente pela alteração de dinâmica no meio da música, tornando-se mais percussiva (lembrando “Spoonman”) e os vocais a la Chris Cornell de Henrique Parizzi. Segue com a pesada “Echoes in a Coma”, com destaque para o baixo de Átila Cedro e a final de faixa em um solo prolongado de guitarra de Fábio Mazzeu. Por fim, “Leap Of Faith” aborda o tema espinhoso de religião e, ainda assim, consegue ser a mais acessível das três primeiras músicas, com grande potencial para se tornar um single. Destaque para os vocais de Parizzi que consegue explorar a sua extensão vocal e investir em gritos prolongados e agudos; a utilização de vários efeitos/pedais distintos que ajudam a ambientar melhor a música assim como o trabalho de bateria de Gustavo Angelis, que altera com perfeição a dinâmica de cada parte. “Man of the Sky” surge logo após com um riff que entraria facilmente em um álbum do Down. É a música mais stoner do álbum, tanto em sua letra quanto no instrumental. “Take You Down” havia sido lançada como single algum tempo antes do lançamento do CD e traz um momento mais comercial, sem perder o peso. 8 | October Doom Magazine


(Lively Water - foto: Augusto Lara)

O disco segue com “Reign of Fools”, um de seus pontos fortes. A canção começa destacando o baixo pulsante Cedro. É a música mais metal do disco e flerta com o new metal em uma introdução. Os vocais também se destacam, novamente com gritos prolongados. A parte final da música lembra outra banda de Seattle: o My Sister’s Machine. Destaque para o solo mais virtuoso de Fábio Mazzeu, possivelmente o melhor do álbum. “Turnaround” é uma música mais genérica, seguindo o espírito das outras mais pesadas do disco. A música fica um pouco mais interessante próximo à marca de 2 minutos. “Walking” quebra a norma reinante em Dirtman Rises e mostra um outro lado do grupo. É o único momento realmente calmo do disco e tem um quê de Pearl Jam. A música é toda muito bem arranjada e trabalhada e os destaques são vários: o dueto de Parizzi, a variação de bateria de Angelis a partir de 3:20 e um baixo bem trabalhado, que parece solar durante o final da música. É uma vertente interessante a ser mais explorada em um futuro segundo álbum. “Choke” é o ponto fraco do CD. É uma música puxada para o punk e ainda assim não empolga. O álbum fecha com a faixa “Desert”, que começa com um riff que lembra “Take You Down” antes de se tornar algo completamente distinto, aumentando de ritmo e pegada. A música é marcada por suas alterações de “humor”: do peso inicial para uma parte viajante e novamente para o peso. É uma forma bem justa de terminar o álbum. O Lively Water conseguiu apresentar com Dirtman Rises um som muito bem trabalhado e maduro, apesar de ser o primeiro álbum. A produção, realizada pelo próprio Fabio Mazzeu, soube destacar os instrumentos nos momentos certos. As influências da banda são bem visíveis durante as 10 faixas: o peso do stoner e grunge e as letras existenciais que Parizzi entoa com sua voz reminiscente dos anos 90. Aliás, Parizzi é uma voz incomum no underground belo-horizontino, explorando bem o drive sem ser gutural e não tendo medo dos gritos superagudos. De igual forma, Mazzeu demonstra virtuosidade e inspiração na guitarra, Cedro faz um trabalho muito competente com o baixo e Angelis demonstra amplo domínio de suas habilidades, sabendo o que as músicas precisam e fugindo do básico. O álbum mostra uma banda fazendo de tudo para criar ambientes diferentes em cada faixa, com uso de efeitos/pedais variados e alterações de dinâmica. E, apesar dessa motivação, eles ainda conseguiram criar um disco que soa coeso do início ao fim. Com certeza, Dirtman Rises é um dos melhores álbuns independentes de 2015. Mais informações sobre o Lively Water estão disponíveis nos links: Facebook.com/LivelyWater Livelywater.com/ October Doom Magazine | 9


PARA CONHECER:

Por Morgan Gonçalves

Fundada em 2007, na região de Pateros, nas Filipinas, sudeste asiático, Hateure é formada por: Earl Palma (vocal), Ronnel Vivo (guitarras) Richard Macaraig (baixo) Ronaldo Vivo Jr. (Bateria).

Executando uma sonoridade pesada entre Technical Death Metal (2007 – 2014) e Doom, Sludge e Post Metal (2014 – hoje), a banda lançou em 2010, seu primeiro registro, “Makabagong Anyo ng Galit”, que continha 10 faixas, e em 2013, a banda lançou seu segundo registo, “A Lustrous Danseur”. Até que, em julho de 2015, a banda lançou seu EP Body & Soil, que é o primeiro registro baseado nos gêneros Sludge Doom da banda. Atualmente, a banda trabalha em seu novo álbum, a ser lançado ao fim de 2015/início de 2016. Facebook.com/hateure Hateure.bandcamp.com/releases (Capa do EP Body & Soil)

Radical do País de Gales, no Reino Unido, Haast’s Eagled é uma banda que surpreende pelo peso e intensidade. Há somente um registro, o homônimo, lançado em novembro de 2013, que soma 35 minutos em 4 faixas perfeitas para qualquer fã de Stoner/Sludge Doom Metal. Haast’s Eagled é provedor de uma viagem entre sonhos e abismos, guitarras setentistas e rifs agressivos e atmosféricos, enquanto os vocais de Adam Wrench tornam tudo ainda mais fantástico. Agora, enquanto realiza shows em diversos lugares da Europa, a banda prepara seu novo álbum e um vídeo clipe, ambos deverão ser lançados em novembro deste ano, quando, provavelmente, voltaremos a falar deles. Por hora, se você ainda não conhece, este é o momento para conhecer o som do Haast’s Eagled e se preparar para o que a banda tem guardado para os fãs. Facebook.com/HaastsEagled Haastseagled.bandcamp.com/ 10 | October Doom Magazine

(Capa do álbum Haast’s Eagled)


O início de uma nova Jornada Por Morgan Gonçalves

No último dia 07, o Helllight lançou seu quinto álbum, Journey Through Endless Storms, lançado pelo selo Russo Solitude Productions. O disco conta com a participação de Cláudia O. Ghisi, do Scarlet Leaves, e da músicista Cielinszka Wielewski, que já participou de outras obras do Doom Metal Brasileiro, em trabalhos do Bullet Course. O álbum possui oito músicas, somando 80 minutos de puro Funeral Doom, mostrando que Fábio, Rafael e Alexandre exploraram todas as possibilidades do disco, que já está disponível para compra em formato mp3 em alta qualidade, no bandcamp da banda. Em breve o disco físico, no formato digipack estará disponível pela Mutilation Records Tracklist 1.Journey Through Endless Storm 2.Dive In The Dark 3.Distant Light That Fades 4.Time 5.Cemetherapy 6.Beyond Stars 7.Shapeless Forms Of Emptiness 8.End Of Pain Mais informações, nos canais do HellLight na internet. Facebook.com/helllightdoom Helllight.bandcamp.com/

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AGENDA:

Para mais uma semana de trabalho pesado e desgastante, mais um final de semana com eventos pelo Brasil.

Siracusa e Sangue de Pedra - Santa Maria. RS. 11/Set O final de semana começa em Santa Maria, onde na Sexta feira, 11, os bambinos do Siracusa dão o pontapé inicial da sua turnê, realizada pelos sulistas da Esporro Records. A primeira apresentação será em Santa Maria, na companhia da banda local Sangue de Pedra. O local escolhido para o evento é o tradicional Boteco do Rosário, que fica na rua do Rosário, 400, em Santa Maria, RS. Os ingressos saem por R$10,00, com abertura da casa às 22:00 horas. Mais informações em https://www.facebook.com/events/1465447333774018/

Festival Catamaran - Natal. RN. 12/Set Do Rio Grande do Sul para o Rio Grande do Norte, o Festival Catamaran, que acontece no dia 12, reúne várias bandas tanto do Nordeste, quanto de outras regiões do Brasil, entre elas, Fukai, koogu, Monster Coyote, Absent (DF), Augustine Azul (PB), Tesla Orquestra, Son of a Witch entre outras ainda por anunciar. Os ingressos estão disponíveis com valor entre R$15 e R$25,00, dependendo do lote. O Festival Catamaran acontecerá no Galpão 29, que fica na rua Chile, no bairro da Ribeira, na capital Potiguar. Mais informações: https://www.facebook.com/events/826623244100011/

Crossover And General Metal IX - Uberlândia. MG. 12/Set Também no dia 12, em Uberlândia, Minas Gerais, é o Crossover And General Metal IX que movimenta a cena. Serão quatro bandas, todas de Black Metal, que se reúnem para trocar experiências e, claro, tocar suas expressões do Metal Negro. Agnata Fides, de Patos de Minas (MG), Arbach, de Anapolis (GO), Arelok e Nox Spiritus, ambas de Uberlândia (MG). Os ingressos ficam pela bagatela de R$10,00. O local da celebração é o Companheiros Moto Clube, na rua do Ipê Amarelo, N. 310. Jardim Curupira, Uberlândia, MG. Informações: https://www.facebook.com/events/1154934411202625/

Cassandra, Forests of Mars, Dvicex e Pantanum - Ctba MG. 13/Set Já no dia 13, em Curitiba, o Coletivo Babalon realiza mais um evento, desta vez com as bandas Cassandra, Dvicex, Forests of Mars e Pantanum. A Casa da Vó, onde fica o Stúdio Ecoa, será o palco para o evento, que tem os ingressos por apenas R$5,00. Para quem quiser, as bandas disponibilizarão seus materiais para venda. O Stúdio Ecoa fica na Rua Paulo Graeser Sobrinho, 68, Curitiba. Mais informações estão disponíveis em https://www.facebook.com/ events/951467604919067/

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Expediente: O October Doom Magazine é feito de Amizade, Cooperativismo, Força de Vontade e Amor pelo Doom, Sludge, Stoner e Gêneros afins. Aqui, algumas das pessoas e iniciativas que tornam o ODZ possível:

Editor Chefe: Morgan Gonçalves Edição: Morgan Austere Revisão: Solymar Noronha

Rodrigo Bueno Luan Monteiro Leonardo Reis Guilherme Rocha.

Fábio Mazzeu • Luiz Z Ramos • Luiz Bueno

• Thiago Rocha • Vitor Verô • Rodrigo Nueva • Vinicius Fiumari • Edgard Guedes • Bruno Gerasso • Rodrigo Reinke • Henrique Parizzi • Merlin Oliveira •

E muitas outras pessoas que apoiam essa iniciativa direta e indiretamente. Obrigado à todos. October Doom Magazine. #FeelTheDoom

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October Doom Magazine. Edição #38 08 09 2015  

Publicação Semanal com Entrevistas, Resenhas, Shows e Lançamentos sobre tudo oque acontece no Cenário Underground no Brasil e o mundo! Downl...