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Lançamentos • Resenhas • Shows • Matérias • Entrevistas e Muito Mais.

Edição numero 31, de 21 de Julho de 2015 Produzido e Distribuído por October Doom Entertainment

Em Entrevista, T. Witchlover conta mais sobre a trajetória do

Witching Altar

Agenda:

Colunal Funeral Wedding:

Rodrigo Bueno resenhou o álbum An Unending Pathway, do Atriarch

Eventos em BH e Mossoró, RN movimentam a Cena Stoner Doom

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OCTOBER DOOM SOUND’S 2015 UMA PRÉVIA DO OCTOBER DOOM FESTIVAL

IN ABSENTHIA • LES MÉMOIRES FALL • PRAGA • INTO SPECTRUM • AS DRAMATIC HOMAGE • DOWNLOAD GRÁTIS • 28/JUL/2015

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Sumario:

Capa:

Entrevistado da Semana: T. Witchlover fala sobre o Passado, Presente e Futuro do Witching Altar. Pág. 4 à 7

A Nova Cara do Doom Metal Brasileiro.

Um Ensaio sobre a trajetória do Gênero no Brasil, através dos anos Pág. 8

Funeral Wedding: Resenha do álbum An Unending

Pathway, do Atriarch

Pág. 9

Agenda da Semana:

Children Of Sabbath, em BH, e Stoned Fest, em Mossoró, agitam o fim de semana Pág. 10

Mande sua Sugestão, Critica e Elogio. No October Doom Magazine, você tem vez e voz. Você também pode enviar seu material. Contate-nos. octoberdoom@bol.com.br October Doom Magazine | 3


Entrevista da Semana: Por Morgan Gonçalves

Com influências do Rock setentista, Witching Altar é a maior representante do Doom Metal Tradicional no Nordeste Brasileiro. A dupla está em atividade desde 2011, quando T. Witchlover (Beast Conjurator, Seven Candles, ex-Stormblood) e Peter Vitus (Seven Candles, exPreatcher, ex-Electric Mooker) se reuniram e decidiram formar um projeto paralelo com base no Doom Metal Tradicional, a lá Black Sabbath, Pentagram, Saint Vitus, Witchfinder General, Pagan Altar e Cathedral, entre outros. Portanto, esta semana fomos à Brasília, onde atualmente mora T. Witchlover, e falamos um pouco do passado, do presente e dos planos para o futuro do Witching Altar. Morgan Gonçalves: Seja bem-vindo ao October Doom Magazine! Fiquei muito feliz em conhecer o

som do Witching Altar. A Primeira coisa que abordo aqui, é o fato de você e Peter Vitus terem o mesmo sangue e de, além de tocarem no Witching Altar, também tocam juntos no Seven Candles. Como funciona essa parceria dentro e fora dos palcos e estúdios? T. Witchlover: Saudações, Morgan e equipe da October Doom Magazine. Eu quem fico feliz pelo interesse em conhecer um pouco mais sobre a nossa proposta musical e por ter nos cedido este espaço. Como você bem apontou, Pedro e eu somos primos consanguíneos, então a gente acabou crescendo junto. Durante a adolescência esses laços foram se estreitando e acabaram por envolver também minha formação musical; aprendi muita coisa sobre música com Pedro nessa época, já que ele é cinco anos mais velho que eu e já tocava guitarra muito antes de eu engatinhar nos primeiros riffs. Por volta de 2009 Pedro me convidou para iniciarmos um projeto de Doom tradicional, calcado nas bandas mais clássicas e outras mais recentes as quais andávamos ouvindo bastante. O problema é que durante esse período eu estava extremamente ocupado com minha outra banda, o Beast Conjurator, e quase não tinha tempo livre. Sendo assim, adiamos as atividades por dois anos, até que em 2011 tivemos a oportunidade de iniciarmos tudo, de fato. Com o Witching Altar acabamos por descobrir uma afinidade técnica e um entrosamento artístico muito grande, e isso é certamente fruto da nossa amizade e intenso convívio fora da banda. O Seven Candles, por sua vez, acabou sendo também (Witching Altar - T. Witchlover e Peter Vitus) resultado dessa afinidade. Esse é um projeto inicialmente imaginado por mim e por outro companheiro de banda, Hugo (Beast Conjurator; Carrasco), e para o qual terminamos por convocar Pedro. O projeto, uma mistura de Heavy Metal tradicional com Black Metal, que também conta com Erick MadDög na bateria, está inativo no momento, devido à distância entre os membros, mas existem planos para uma gravação em um futuro não muito distante. M.G: A banda começou em Recife, no Pernambuco, onde recentemente várias bandas tem apresentado excelente trabalho, no que se refere ao Doom Metal, em suas várias vertentes. Como o Witching Altar vê o Nordeste brasileiro, na produção de conteúdo underground hoje? T. Witchlover: O Nordeste sempre foi um grande e obscuro celeiro para bandas de Metal, muitas delas consagradas, sobretudo nos gêneros mais extremos. De alguns poucos anos para cá tem sido perceptível o aumento no interesse do público brasileiro por uma sonoridade mais tradicional, o que inclui bandas com muita influência de Rock n’ Roll, Acid Rock, Hard Rock e Doom Metal. Falando especificamente sobre estes segmentos, eu acredito que no Nordeste hoje exista um fortíssimo 4 | October Doom Magazine


cenário em expansão, principalmente no estado do Rio Grande do Norte, no qual iniciativas como o Coletivo Música Experimental, e eventos do quilate do Under the Sun, Sensorium e Catamaran Fest contribuem ativamente para a propagação e manutenção deste contexto cultural em nível integrado; mesclando produção musical com audiovisual e artes plásticas. M.G: A banda lançou a single “Tower of the Black Wizard” e a demo “Vol. 1 – Goat” e em 2014 vieram a single “Ironsides” e a Coletânea Doomed Union Compilation, produzida pela Stoner Union Doomed. Como foi participar desta coletânea, que traz sempre ótimas bandas tradicionais e emergentes da cena Doom? T. Witchlover: Lançamos “Tower of the Black Wizard” como um single digital na época em que começamos a promover o projeto. Na sequência veio a demo “Vol.1 – Goat”, lançada em CD-R Pro pelo finado selo nacional Cianeto Discos e em Pro Tape pelo selo irlandês Sarlacc Records. O single “Ironsides” veio para dar uma promovida na banda, já que estávamos há um bom tempo sem divulgar nada novo. Já a participação na coletânea “Doomed Brazilians” surgiu a partir de um convite de Gustav, o cara por trás da Stoned Union Doomed, que resolveu desenvolver esta empreitada. Acredito que a coletânea em si não surtiu muito efeito, pois não alcançou o público de uma forma mais direta. Houve falhas na maneira de se promover e até mesmo de estruturar o material, pelo que pude avaliar. No entanto, acredito que os dois volumes da compilação tiveram uma importância ainda maior para o atual cenário Doom brasileiro: fizeram com que as próprias bandas tomassem ciência da existência de tantas outras com sonoridades similares, ou até mesmo divergentes, porém que se inserem num mesmo nicho musical. Pudemos ver bandas de Doom/Death, Stoner/Doom, Stoner Rock e Doom Metal reunidas num único material, todas tendo uma paixão em comum pelo peso e pela (Doomed Brazilians Compilation 2014) lentidão. Esse é um ponto bastante positivo ao meu ver. M.G: A Banda está – ou estava – com data para se apresentar no Slaughter Metal Fest, que deve acontecer em setembro, em Natal, RN. Como anda a agenda do Witching Altar? T. Witchlover: É interessante você abordar este assunto, pois temos algumas notícias não muito boas com relação a estas datas ao vivo e falarei sobre isso pela primeira vez agora. O fato é que sempre foi um desejo de Pedro que fizéssemos shows, no entanto por muito tempo eu me opus à ideia por inúmeros motivos, sendo o principal deles a completa falta de músicos interessados aos quais pudéssemos convidar para nos apoiar ao vivo. Passados os anos, e eu já morando em Brasília, eis que em 2014 surgiram alguns camaradas em Recife que toparam atuar como banda de apoio. Decidimos então aproveitar uma das minhas idas sazonais à nossa cidade natal para ensaiarmos juntos e ver no que dava. O resultado acabou por ser satisfatório e resolvemos tentar o esquema dos shows. Fechamos algumas datas e definimos um cronograma de ensaios para os caras no Recife (os quais utilizaram overdubs de voz os acompanhando em estúdio) enquanto eu prometi pegar mais leve na fumaça e na cerveja e tentar não destruir muito a minha voz por aqui. Quando as datas dos shows se aproximassem, procuraríamos chegar um dia antes para dar aquela ensaiada juntos antes de subir ao palco e seria isso. O plano até que parecia decente, no entanto, alguns meses depois percebemos que seria praticamente impossível seguir o cronograma à risca e a coisa começou a desandar. Vários convites para shows foram chegando na minha caixa de e-mails o que me fez concluir que a expectativa do público em relação à banda é grande. Como sempre pensei que é melhor não tocar ao vivo do que tocar e fazer feio. Conversei cuidadosamente com Pedro e decidimos que o melhor seria cancelar as datas e negar os pedidos que surgissem. Em suma a situação é essa: resolvemos não tocar ao vivo por ora. A banda continua ativa como um duo e em breve estará compondo material novo, gravando e lançando. Se no futuro acharmos oportuno e praticável o fato de tocar ao vivo, certamente o faremos, mas o momento, infelizmente, não será agora. M.G: Recentemente a banda anunciou o Split com os Alagoanos do Necro (antigo Necronomicon). Como surgiu a parceria entre as bandas e o que o WA preparou para esse lançamento? T. Witchlover: Conhecemos o Necro por volta de 2011 através da internet mesmo. Na época a banda ainda se chamava Necronomicon e fazia um som meio Black Sabbath, meio Led Zeppelin, com boas doses October Doom Magazine | 5


de psicodelia, o que nos conquistou automaticamente! Outro fator que me encheu os olhos foi a temática lírica da banda, com fortes influências de H.P. Lovecraft. Quem me conhece sabe o quão fissurado eu sou em relação à vida e obra do autor, inclusive o Beast Conjurator (minha outra banda, de Death Metal) existe como uma homenagem a este que, em minha opinião, foi o maior expoente do horror literário moderno. Mais ou menos na época em que iniciamos os trabalhos com o Witching Altar começamos a fazer contato com Pedrinho Salvador (baixo e vocal). Achávamos muito foda o fato de ter uma banda com uma proposta sonora contigua tão próxima da gente e desde então imaginamos que seria interessante algum dia rolar um split. A oportunidade apareceu três anos depois, após conversações entre Pedrinho e Travis (o dono da HydroPhonic Records, selo americano responsável pelos lançamentos da Necro). Na época, o Witching Altar estava gravando um EP com 04 faixas inéditas, intitulado “The Monolith”. Como ainda não havíamos descolado nenhum lançamento para este material, quando a oportunidade do split surgiu decidimos utilizar essas músicas. Uma delas, “Die Alone”, acabou saindo no digital single “Ironsides”, ou seja, existem mais três sons inéditos que irão figurar neste split. (Split Necro e Witching Altar - Capa)

M.G: E falando em lançamentos, em breve a banda lançara seu primeiro Full-Length, que já tem título: “Ride With The Devil”. Além dos riffs pesados e atmosfera setentista, o que podemos esperar desse novo trabalho? T. Witchlover: Na realidade, o full-length “Ride With the Devil” é o nosso primeiro registro fonográfico e já está gravado desde 2012! O problema é que demoramos muito até conseguir selos interessados em lançálo. Agora, três anos após sua gravação, o álbum está pronto para ser lançado em CD, LP e Tape, e o melhor: tudo através de selos nacionais! Isso é muito importante para nós, uma vez que confirma claramente que o interesse por esse tipo de sonoridade tem aumentado no Brasil. Com relação ao conteúdo do disco, 03 das 07 músicas já foram lançadas através dos anos em outros materiais: “Tower of the Black Wizard”, “The Price We Pay” e “Son of the Devil”. O restante dos sons são um passeio através dos narcóticos e arrastados pântanos do Doom Metal tradicional: “Her Embrace”, uma tocante peça instrumental composta por Pedro durante alguma bad trip relacionamental; “Unbreakable Witchcraft”, um conto sobre amarração vingativa cunhado na boa e velha pegada do Doom oitentista; “Everything Dies”, uma viagem introspectiva acerca da vida, da morte e da dor do existir composta nos moldes etéreos de “Planet Caravan” do Sabbath; e por fim “Dopesmoke”, nossa “Sweet Leaf”, um hino enérgico de adoração e reverência à planta sagrada e sua influência no nosso modo de vida. O álbum contará ainda com dois covers gravados em homenagem a duas entidades que carregaremos para sempre em nossas carnes (literalmente): Saint Vitus e (Witching Altar - Ride With the Devil - Capa) Reverend Bizarre. No geral, e em minha humilde opinião, claro, “Ride With the Devil” é um bom disco de Doom tradicional e traz algo completamente diferente do que tem sido produzido no mundo metálico nacional nos últimos tempos. Infelizmente, para os meus ouvidos, o resultado final deixou muito a desejar em termos de qualidade técnica, afinal estávamos iniciando no mundo da produção musical nessa época e este foi o nosso primeiro experimento. De qualquer forma, a máxima que afirma que quem grava nunca está 100% satisfeito é completamente verdadeira! Deixemos que o público julgue. Os próximos materiais sairão com uma qualidade muito superior, certamente. 6 | October Doom Magazine


M.G: Sobre a arte da capa, divulgada esta semana, pode-se notar que o tema é uma reprodução da Obra

“Hell”, de Johannes Sadeler. Qual a relação da banda com a Obra e por que da escolha pela arte? T. Witchlover: Eu sou fascinado pelo trabalho artístico dos “engravers” europeus, sobretudo em relação as produções feitas durante os séculos XVI e XVII. Também admiro muito os trabalhos de Gustave Doré, que apesar de mais recentes (século XIX) trazem expressa em suas linhas profundas a mesma aura sombria e fria. Estas gravuras me inspiram e tocam de maneira muito íntima, desde moleque. Como a temática da banda lida muito com os conceitos de magia ocidental; alquimia; bruxaria, Satanismo e imaginário cristão medievais, decidi utilizar algumas destas obras para moldar a caracterização visual do álbum. Desta forma, o encarte de “Ride With the Devil” foi completamente baseado e concebido a partir da série de gravuras que Doré fez para ilustrar a Divina Comédia de Dante, em 1861. Utilizei também obras de Cornelis Galle e Herinrich Aldegrever, ambos talentosíssimos “engravers” do século XVI. Eu sempre cuido da parte visual da banda, sendo assim, todo o layout foi cuidadosamente desenvolvido por mim, inclusive a capa, e o corpo do logo/título foi desenhado por um camarada meu chamado Felipe Oliveira. Curtimos bastante o resultado final. Quem adquirir o CD ou a versão digital do álbum vai poder sacar o encarte inteiro. M.G: Findando nosso papo, aqui você pode deixar suas mensagens, agradecimentos, cobranças, alôs e tudo mais... vai que é sua! T. Witchlover: Agradeço novamente a oportunidade e o interesse pela nossa arte e aproveito para parabenizar a iniciativa. Este tipo de publicação contribui e muito para a difusão do Doom Metal, em suas mais variadas vertentes, através do nosso país; um estilo que sempre foi e continua a ser bastante negligenciado frente a outros gêneros e tendências mais consumidas pelos headbangers brasileiros. “Ride With the Devil” sairá em CD profissional através dos selos Soul Erazer Records, TheMetalVox, Nuktemeron e Odicelaf. A versão em LP ficará por conta da Death Noise Productions e a boa e velha Tape será fruto da Catamaran Discos. Nosso split com o Necro já se encontra na Hydro-Phonic Records (EUA) e deverá ir para a fábrica em breve. Gostaria de mandar meus mais sinceros cumprimentos e agradecimentos aos camaradas por trás destes selos. É uma honra trabalhar com vocês e somos muito gratos por terem acreditado em nossa arte! Também aproveito o espaço para divulgar meu mais novo trampo iniciado aqui na cidade cemitério de Brasília. “Absent” é um projeto formado por mim, no baixo e nos vocais, Luan Lima (Subterror; Kurgän) nas guitarras e Caio Couto (Extinction Remains; Kurgän) na bateria. Musicalmente, fazemos um Doom Metal muito mais pesado, arrastado e psicodélico que o Witching Altar. Ainda não gravamos nada oficial, mas faremos isso em breve. Em setembro estaremos dando um breve giro pelo Nordeste; datas em breve! DOOM ON! M.G: E aqui somos nós que agradecemos sua participação, deixo aqui nosso reconhecimento pelo belíssimo trabalho feito pelo Witching Altar e estou ansioso pelo novo trabalho... Parabéns à ambos. Que os ventos Sabbathicos os levem! #BrotherOfDoom Para os fãs e interessados em conhecer o trabalho do Witching Altar, acessem os links do Facebook e Bandcamp da banda:

Facebook.com/thewitchingaltar Thewitchingaltar.bandcamp.com/

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A Nova Cara do Doom Metal Brasileiro. Por Morgan Gonçalves Nos últimos anos vemos grandes bandas e projetos surgindo com proposta tradicionais e inovadoras para a cena Doom Metal, no Brasil. Os primeiros nomes reconhecidos a nível nacional, quando falamos do Doom Metal Brasileiro foram bandas como The Cross, Asaradel, Eternal Sorrow, Imago Mortis, HellLight e Mythological Cold Towers. Algumas encerraram suas atividades, devido às adversidades de um País com uma cultura tão diferente dessa, e mesmo assim, deixaram um legado que atravessa gerações. Outras, permanecem em atividade até hoje, renovando seus repertórios e se tornando grandes expoentes dentro da cena Brasileira. Influenciados por esses nomes, vêm surgindo com elementos dos tradicionais representantes internacionais como Anathema, Paradise Lost e My Dying Bride, porém, também adicionando novas partículas trazidas de outros gêneros e criando novas sonoridades. (Mythological Cold Towers - Loja The Void - Dublin. Irlanda. 2012) Assim começa a “Nova Onda de Doom Metal Brasileiro”, com bandas como Lachrimatory, De Profvndis Clamati, Agony Voices, Do Fundo Abismo, Contempty, Fallen Idol, Saturndust, Into Spectrum, In Absenthia, entre outras. As principais características destas bandas são a adição de outros elementos na sonoridade, como Heavy Metal, Black Metal, Post Rock, Shoegaze etc. 2015 tem se mostrado um ano profícuo para essas bandas, já que a maioria das bandas citadas lançou material novo nos últimos sete meses, e mais algumas tem novos lançamentos programados para sair até dezembro. Um dos primeiros lançamentos do ano foram os álbuns homônimos do Fallen Idol e Saturndust, em seguida, o “Monvmenta Antiqva”, do Mythological Cold Towers, seguidos dos Catarinenses do Agony Voice, com “Mankind’s Glory”, e dos Mineiros do Contempty, com “Trauma”. Os próximos lançamentos esperados para este ano são “The House”, do Curitibanos do Eternal Sorrow e dos Paulistas do HellLight, que estão prestes a lançar “Journey through endless storms”, sem falar nos álbuns “Adrift” do De Profvindis Clamati e “The Last Rain”, do Into Spectrum, que podem ser lançados ainda este ano. Com tantos álbuns, EP’s, e eventos acontecendo toda semana, a Cena Doom Metal Brasileira mostra para o mundo que não deixa nada a desejar em relação a outros países. De fato, ainda podemos e devemos amadurecer muito, e o Brasil ainda tem muito o que aprender, quando se trata de valorizar bandas autorais, mas sem dúvidas, as produções das bandas (Álbuns: Monvment Antiqva; Mankind’s Glory; Trauma; Falen Idol; Saturndust; citadas têm apresentado qualidade e inovação Ride With the Devil; Adrift*; Journey Through Endless Storms* e The Last Rain*, respectivamente) digna de países mais tradicionais. Talvez, um grande desafio seja superar as dimensões geográficas do Brasil, mas até esses elementos têm sido contornados com iniciativas como a União Doom Metal, a Stoned Union Doomed e o October Doom Entertaiment, com ferramentas que disseminam o Doom Metal dentro e fora do País. Assim, cabe aos fãs da Musica Obscura, valorizar o trabalho dos produtores e músicos brasileiros, adquirindo produtos, frequentando eventos e apoiando a cena Brasileira, que já provou – há muito tempo – que não deve nada a ninguém. Apoie a Cena Doom Metal Brasileira, ela é feita para você. *Álbuns aguardando lançamento

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no October Doom Magazine Resenha Por

Rodrigo Bueno

Blumenal, SC. Brasil Fundador do site Funeral Wedding

Atriarch – An Unending Pathway Lançamento: Out/2014 Selo: Relapse Records

An Unending Pathway é o trabalho mais recente desta banda estadunidense, lançado no final do ano passado e apresenta uma evolução natural desde seu último álbum. Deixando um pouco de lado a gritaria comum do Sludge e apostando em algumas vocalizações, ora cantada, ora narradas e isto pode ser considerado um passo além em sua sonoridade. As músicas continuam sinistras e com andamentos arrastados, notamos mudanças de andamento aqui e ali, mas o álbum todo soa uníssono sem ser cansativo. Para mim, que estava acostumado com a sonoridade antiga do Atriarch e ao ouvir pela primeira vez o álbum, cheguei a pensar que seria o fim da banda. Mas após escutar mais algumas vezes, digerir a proposta apresentado, posso afirmar que este é um dos melhores já lançados em sua curta carreira, (visto que é o terceiro full-lenght deles). A paulada abre com “Entropy”, sendo seguida por “Collapse” e chegando em “Revenant”, esta última a melhor das três. Seguindo adiante temos a esporrenta “Bereavement”, que começa numa pancadaria quase lembrando um raw black metal, palhetadas rápidas como um trem desenfreado batendo de frente contra uma parede. Na passagem seguinte temos umas das partes mais melancólicas do álbum, se arrastando quase até o seu final, onde temos uma nova mudança de andamento. Com “Rot” damos início ao fim do álbum e se acabasse aqui, seria uma ótima faixa de encerramento, visto o quão sinistra ela é, os vocais de Lenny Smith soam perfeito, agressivos e melancólicos, como se um ser depressivo estivesse no topo de um prédio, delirando sobre sua possível queda. “Allfather” começa de forma calma e com algumas vociferações o que poderíamos fantasiar que o moribundo se jogou do prédio e chegou ao umbral. A faixa ganha força e um pouco de velocidade e todas as vozes que ouvimos são como se os espíritos habitantes das zonas abissais, estivessem vindo julgar o ser depressivo pela sua atitude de tirar sua própria vida. E para encerrar este petardo temos “Veil”. Música não menos sinistra do que as quais figuraram no álbum, mantendo em alta o nível de stress e desespero ao ouvi-la. Tracklist: 1. Entropy 2. Collapse 3. Revenant 4. Bereavement 5. Rot 6. Allfather 7. Veil

Facebook.com/AtriarchOfficial Atriarch.bandcamp.com/

Foto/Arquivo Banda

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Agenda: 24/07 - Children Of The Sabbath

No próximo dia 24, Belo Horizonte será palco do Children Of The Sabbath. O evento acontecerá no Stonehenge e contará com três bandas cuja principal essência é a sonoridade do velho Ícone do Metal Mundial, o Black Sabbath. As bandas convidadas para a noite são VOL. 4; Governator Insane e Pesta. O Stonehenge fica na rua Tupis, 1448, Barro Preto, Belo Horizonte, MG. As entradas custam R$18,00 (masculino) e R$16,00 (feminino). Os shows começam às 22:00hrs. Mais informações nos telefones :3271-3476 / 9247-2020 ou no evento do facebook, no link: Facebook.com/ events/378461175681948/

Stoned Festival – Edição Mossoró - 25/07

Em mais um episódio, o Stoned Fest reunirá toda a galera que respira o som pesado do Stoner Doom Metal, desta vez em Mossoró. Serão cinco bandas, começando pelos locais do Black Witch, e do Be A Desert, seguidos pelo Red Boots e pelos Recifenses do Mojica, e fechando com Son of a Witch, de Natal, RN. A coisa toda acontece no dia 25 de julho, no Estúdio Mamba Negra, em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Os ingressos custam R$10,00 e mais informações estão disponíveis no link do evento: Facebook.com/events/965675020151084/

Bandas e Produtores.

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Sua Banda Preferida no ODZ!

No October Doom Magazine você tem seu espaço. Mande sua sugestão de Banda para nossa página, e nas proximas edições, pode ter uma matéria sobre ela, só para você. Facebook.com/OctoberDoomEntertainment October Doom Magazine | 11

October Doom Magazine Edição #31 21 07 2015  

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