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October Doom WebZine. Edição 19, de 28 de abril de 2015

Entrevista da Semana: Imago Mortis Por Morgan Gonçalves

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etentora de uma trajetória de grandes trabalhos e participação em grandes projetos, Imago Mortis possui ao todo três álbuns lançados, conduzindo o ouvinte por um caminho de indagações à respeitos das questões existências mais profundas do homem. Recentemente lançaram o single, Black Widow, que estará no próximo álbum, intitulado “LSD”. Assim, trocamos uma ideia com Alex Voorhees, vocalista da banda e falamos sobre a história e os próximos passos do Imago Mortis. Morgan Gonçalves: Alex, é um grande prazer trocar essa ideia com o cara que, além do trabalho no Imago Mortis, também produziu outros trabalhos de grandes bandas do cenário brasileiro. O álbum “Vida – The Play of Change”, de 2002 é um disco conceitual e exprime sensações de pessoas com doenças terminais. Como foi a produção desse disco, em termos de pesquisas e experiências?

(Imago Mortis - Vida – The Play of Change - 2002)

Alex Voorhees: Saudações aos leitores e a você, muito obrigado pela oportunidade! Este trabalho começou a ser desenvolvido após a leitura e o conhecimento de uma pesquisa da psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross com o título de “Sobre a morte e o processo de morrer”. A pesquisa descreve cinco fases bem definidas que um paciente terminal atravessa antes de morrer: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Apenas a noção destas 05 fases já serviu de epifania e estopim para o motor criativo do que seria o Vida, que é uma obra bem mais complexa e que envolve também mitologia grega, tragédias clássicas, filosofia e, é claro, nossas próprias experiências. Como mergulhamos a fundo na questão, acabamos nos envolvendo com pacientes terminais em hospitais do câncer no Rio de Janeiro e inclusive neste período tivemos algumas perdas familiares de maneira inesperada e tudo acabou alimentando essa experiência. O resultado é algo mais profundo e sincero do que se possa imaginar o simples ouvinte. Apesar da música deste CD ser bastante agradável de ouvir, o tema é bastante forte, pois muita gente tem medo de encarar seus próprios medos. A nossa missão é colocar você de frente para o abismo. M.G: Transcendental, de 2006, é um disco que possui uma atmosfera maravilhosa, com coros, solos belíssimos e um resquício de música

Produzido e Distribuído por October Doom Entertainment

clássica que deixa tudo em perfeita harmonia. Foi também o último disco do IM antes do hiato que durou 6 anos. De onde vieram as influencias para o disco? Alex Voorhees: Olha, é até interessante falar isso, mas as influências vieram do próprio Imago Mortis (risos). Houve uma mudança radical na formação da banda, onde os principais compositores e também os fundadores decidiram sair para tomar rumos musicais diferentes. Foi uma decisão pacífica, mas havia muita expectativa dos fãs, e é claro, dos membros que decidiram ficar para uma turnê do álbum Vida. Eu, como sou cara de pau, aceitei o desafio, junto com o baterista André Delacroix, de remodelar o Imago para fazer a princípio, apenas a turnê. Após testes e algumas mudanças, chegamos a uma formação ideal, muito equilibrada e musicalmente muito forte. Conseguimos novamente um clima de família, nos reuníamos sempre e isso acabou gerando músicas novas, é claro. Todo mundo contribuiu com as suas próprias influências e o Imago acabou deixando o som mais pesado, moderno e com uma proposta nitidamente DIFERENTE do Vida e do Images. O resultado é um dos álbuns mais interessantes do metal nacional, porém um dos mais subestimados. Houve pouca divulgação deste trabalho. Hoje em dia é que as pessoas estão descobrindo ele! M.G: Recentemente a banda anunciou o interesse em registrar uma das performances ao vivo, num DVD, que comemorará os 20 anos do Imago Mortis. Como anda esse projeto e o que há em mente para torná-lo realidade? Alex Voorhees: Este projeto é uma ideia antiga da banda, desde a formação original que se conversa sobre essa possibilidade, porém acredito que agora seja o momento certo de chamar os antigos integrantes, inclusive os vocalistas anteriores e compilar o melhor que o Imago já fez até agora – em cima de um palco – e registrar isto para a posteridade. Como não temos muitos registros profissionais em vídeo, acredito que a trilogia Images, Vida e Transcendental merecem um selo e este lançamento é essencial para isto. No momento estamos levantando os custos e estudando todas as possibilidades de arrecadar fundos para esta obra e necessitamos que seja um trabalho perfeito, mas tudo leva a crer que este evento será no Rio de Janeiro, no mês de Outubro e os fãs poderão adquirir o ingresso e o DVD com antecedência e com este dinheiro, nós pagaríamos pelo menos parte dos custos e iríamos conseguir realizar este tão sonhado projeto! M.G: Seis anos é o tempo que separa Transcendental e LSD (sigla para Love, Sex and Death), que deve ser lançado na segunda metade desse ano. Já foram divulgadas duas amostras desse trabalho. O que podemos esperar da sonoridade do quarto trabalho do Imago Mortis? Alex Voorhees: Estes seis anos representam o encerramento de um ciclo. Images, Vida e Transcendental formam uma trilogia. Pode ver que um trabalho encaixa no outro, mesmo que esta nunca tenha sido a intenção. Hoje em dia todo a responsabilidade da banda está concentrado em minhas mãos. Foi necessário crescer muito como músico, compositor e, apesar de não me sentir 100% pronto, é preciso um começo. Nunca nos sentimos preparados, realmente, para algo, mas temos que fazer de qualquer maneira. Prefiro

então lançar o trabalho mesmo que o público ache-o medíocre do que nunca lançar. Posso me arrepender do que faço, mas nunca do que não faço. As músicas estão prontas, são músicas diferentes de tudo o que o Imago já fez, porém, estou deixando claro que é uma mudança de paradigma tanto é que nosso novo estilo pode ser chamado agora de “Emotional Metal”. Vai causar polêmica e furor. Não podemos esperar o esperado do Imago Mortis, só posso adiantar isso mas o doom, o peso e o pesar, estarão lá funcionando de maneira colaborativa com outros elementos pois o trabalho, por ser conceitual, necessita uma carga teatral e sabemos muito bem como fazer isto e mesclar estes elementos. M.G: Alex, esse espaço é seu, para você agradecer, mandar mensagens e cobrar dívidas e o que mais vier na cabeça. Desde já, agradeço pela entrevista, estamos ansiosos pelo entorpecente LSD. Vai que é sua! Alex Voorhees: Galera, muito obrigado por ler esta entrevista, eu já falei pra caralho aqui e, honestamente, espero que vocês tenham tido paciência de ler. Tentei ser o mais elucidativo possível, mas eu acabo sempre falando muito, hehehehe. No mais, continuem nos acompanhando e deixem um like para nós em nossa página oficial: Facebook.com/ imagomortisband Be Doomster or Be Doomed! o)+

Semana de Grandes Lançamentos Por Morgan Gonçalves

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o próximo dia 30, quinta feira, o Contempty lança o esperado Trauma, seu segundo Ep. O disco terá quatro faixas mais melódicas e cadenciadas que “Gaping Deception In Guiltless Eyes”, contendo letras que abordam a tristeza humana em diversos aspectos. Todas as músicas estão interligadas e o conjunto da obra transmite uma mensagem profunda que vale a pena descobrir. Mais em: Facebook.com/ Contempty Bullet Course também lança material esta semana. No próximo dia 1, sexta-feira, seu terceiro registro, primeiro full length vem a público. Intitulado “She’s Looking for Flowers Under City Light”. A banda curitibana, fundada e 2010 cunha um Pós/Doom Metal e seu novo trabalho trará sete faixas com elementos atmosféricos que retratam o vazio da existência humana.

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(Bullet Course - She’s Looking for Flowers Under City Light - 2015)

Curtam e acompanhem a página dessa banda que sempre tem sensações incríveis para transmitir através da música Facebook.com/BulletCourse e bulletcourse.bandcamp.com/music

October Doom Magazine edição #19 28 04 2015