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LANÇAMENTOS + RESENHAS + SHOWS + MATÉRIAS + ENTREVISTAS

MAGAZINE

ANO II Nº61

ENTREVISTA

RESENHA DO ALBUM ‘II: FOR MANKIND’

RESENHAS DOOM

ENTREVISTA 1


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EDITORIAL O Doce Sabor do Doom

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Nº AGO/2016

By October Doom Entertainemnt

A October Doom Magazine é resultado da parceria e cooperação de alguns grupos e iniciativas independentes, que trabalham em função de um Underground Brasileiro mais forte e completo, além de vários individuos anônimos que contribuem compartilhando e disseminando este trabalho. EDITOR CHEFE: Morgan Gonçalves COLABORADORES NESTA EDIÇÃO: Fabrício Campos | Cielinszka Wielewski | Matheus Jacques | Jenny Sousa | Gustav Zombetero | Merlin Oliveira | Raphael Arizo | Leandro Vianna | Billy Goate | Rafael Sade | Erick Cruxen | Amilton Jr | Aaron Pickford EDITOR DE ARTE:

Márcio Alvarenga | noisejazz@gmail.com issuu.com/octoberdoomzine/ Facebook.com/OctoberDoomOfficial octoberdoom.bandcamp.com/ COLABORADORES:

Q

ue a October Doom Magazine é um espaço dedicado às diversas vertentes do Doom Metal, todo mundo sabe, mas um Underground forte não se faz sozinho, e por isso nossa revista abre espaço para banda se acontecimentos de outros gêneros, mas, como definir o tamanho desse “ensopado de gêneros” sem perder a identidade da ODM? São vocês que fazem a October Doom Magazine, afinal, os conteúdos que saem mensalmente nas nossas páginas são produzidos para encantar os olhos – e ouvidos – dos nossos leitores. Por isso, a participação de vocês é tão importante, sugerindo pautas, comentando nossas edições e principalmente, criticando quando as coisas não saírem como esperados. Sabemos que é impossível agradar a todos, e sequer temos essa pretensão, mas crescer e fazer o Movimentos Pesado e Lento brasileiro ser reconhecido e respeitado ainda mais lá fora é nossa principal missão. Nesta edição, preparamos entrevistas e resenhas com bandas emergentes e consagradas, e ficamos muito satisfeitos com o resultado. Mergulhe nas páginas que vem a seguir, e compartilhe suas experiências conosco e com as pessoas a seu redor.

Mergulhe nas páginas que vem a seguir, e compartilhe suas experiências conosco.”

Facebook.com/FuneralWedding

Obrigado e Boa Leitura. MORGAN GONÇALVES CONTATO:

contato@octoberdoom.com

Facebook.com/morgan.goncalves.1 EDITOR CHEFE


SUMÁRIO 64

RESENHA DO ALBUM

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Review

ENTREVISTA

+ RESENHA DO ALBUM

ENTREVISTA

+ RESENHA DO ALBUM

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ENTREVISTA

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ENTREVISTA

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MUSIC FEST FESTIVAL TRAZ GRANDES NOMES DA MÚSICA ‘ARRASTADA’

ENTREVISTA RESENHA DO ALBUM DO MÊS

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RESENHAS FESTAS

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RESENHAS

RESENHA:

A ASCENSÃO DE UM GRANDE NOME

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EXCLUSIVO

Etéreo, melancólico e indagador S O MELANCÓLICO E O SOTURNO CONVERGEM EM GRANDE TRABALHO DA SUBROSA POR | Gustav Zombetero

ubRosa foi fundado em 2005 em Salt Lake City/Utah, nesses onze anos de estrada, a banda acaba de lançar o seu 4º disco “For This We Fought the Battle of Ages”. Tivemos a honra de entrevistar a Rebecca Vernom (G/V), ela irá iniciar quem não conhece o maravilhoso som da sua banda, bom desfrute. OD | A

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SUBROSA: A banda se apresentou no festival Psycho Las Vegas, em agosto desse ano.

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EXCLUSIVO Gustavo Zombetero: Saudações! Quando a banda foi formada e como ela se encontra neste momento? Sarah: Saudações! SubRosa

foi formada em 2005 pela Rebecca e por mim. Nos últimos 11 anos evoluímos para a melhor formação que poderíamos imaginar. Rebecca, Kim, Andy, Levi e eu. Hoje somos uma família.

No primeiro material da banda, a demo “The Worm Has Turned”, a sonoridade era mais crua, notei alguma influência de Post-Punk, já em “Strega” ficou mais nítido o direcionamento da banda. Me parece também que a partir de “Strega” o som sofreu umas influências de Stoner Rock e o violino teve mais ênfase com a entrada da Kim Pack, estou um pouco certo?

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Sarah: Concordo, definitivamente. Quando Kim entrou para a banda, tínhamos a tarefa de produzir duas camadas de violinos e fazê-las interagir com o restante do instrumental. As partes de violino receberam mais ênfase e a música se abriu com uma mágica inesperada. Rebecca: Sinto que nosso som começou a se solidificar mais com Strega… É onde você consegue ouvir de verdade a direção para onde estamos indo. Às vezes você não pode observar a evolução ou direção de uma banda até ter dois pontos (dois álbuns) que possam se alinhar, com uma seta no fim. O primeiro disco era mais cru, mais puxado para o blues/folk também. Strega mostrou vislumbres das influências de doom metal que começariam a aparecer de verdade em No Help. Então, No Help foi o indicador mais óbvio para os dois álbuns seguintes, More Constant e nosso novo álbum. OD | A

O primeiro disco era mais cru, mais puxado para o blues/folk também.” Rebecca, GUITAR/VOCALS - SUBROSA


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EXCLUSIVO

FICHA ORIGEM

A inclusão de um elemento como o violino nas músicas, algo um tanto incomum nesse tipo de sonoridade, se deve ao gosto por musicalidades diferentes onde ele se faz presente, ou foi simplesmente uma forma de se diferenciar e que veio naturalmente? Sarah: Haha, a resposta para

isso é muito simples. Rebecca e eu queríamos formar uma banda pesada; ela estava aprendendo guitarra e eu violino, então só avançamos pra ver no que ia dar. Encontrar Kim e adicionar outro violino foi um golpe de muita sorte. Nunca planejamos, só evoluiu desse jeito, o que foi muito bom. Rebecca: Na verdade, eu estava bastante insegura sobre ter outro violino na banda quando SubRosa foi formada, haha. Eu queria que fosse a banda mais pesada, barulhenta e brutal de Salt Lake City – queria que as pessoas agarrarassem os filhos pela cintura e saíssem gritando dos clubes – e não sabia como o violino se encaixaria nessa proposta. Mas é claro, agora todos sabemos que os violinos são as duas joias na coroa da SubRosa. Eles trazem uma ressonância e profundidade emocional às músicas que não estariam lá de outro jeito. Mas foi completamente acidental.

Ao meu ver, “More Constant Than The Gods” foi o ápice de criatividade da banda, uma atmosfera densa, sombria e melancólica, estruturas musicais em perfeita

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(...) Queria que as pessoas agarrarassem os filhos pela cintura e saíssem gritando dos clubes. (...)” Rebecca, GUITAR/VOCALS - SUBROSA

harmonia, me sinto leve ao ouvir este disco, tem uma mensagem filosófica, humana... Comente sobre o processo de criação do disco. Sarah: Obrigado pelas palavras. Somos muito orgulhosos de More Constant Than the Gods. Foi um longo período de composição e envolveu muito trabalho. Houve dificuldades emocionais nas nossas vidas pessoais que colidiram com o processo de composição, incluindo o falecimento da mãe da Rebecca. Tivemos sorte de conseguir transformar estes problemas em uma expressão musical catártica. É a nossa terapia. Rebecca: Obrigado. Como a Sarah disse, trabalhamos muito, muito, todos os dias, em More Constant than the Gods, e foi difícil encontrar harmonia. Cantei mais sobre coisas pessoais neste álbum do que já tinha feito em qualquer outro trabalho. Como Sarah falou, “The Usher” foi influenciada em partes pela morte

Salt Lake City, USA

GÊNERO

Sludge / Stoner Doom / Ancient Magickal Doom

CURRENT MEMBERS

Rebecca Vernon Guitarra e Vocal Sarah Pendleton Violino e Vocal Kim Pack Violino e Vocal Levi Hanna Baixo Andy Patterson Bateria

No Help For The Mighty Ones (2011)

Strega (2008)


da minha mãe. “The Usher” é sobre como às vezes a morte vem como uma doce libertação para aqueles que estão sofrendo. Essa é provavelmente a mensagem humana a que você se referia.

O novo álbum será uma continuação natural do que foi “More Constant Than The Gods” ou haverá a adição de algum elemento diferenciado e mudança de visão musical no processo de composição? Sarah: Nós mal podemos

conter a excitação sobre dividir esse álbum com quem quiser ouvir. O processo de composição foi diferente de More Constant. For This We Fought the Battle of Ages, é baseado na novela distópica We, de Yevgeny Zamyatin, de 1921. É a primeira vez que compusemos um álbum inteiro baseado em um livro. Nos interessamos bastante pelos conceitos e problemas trazidos pela obra e isso nos deu muito combustível intelectual e emocional para escrever as músicas. Rebecca: “The Usher” é minha faixa preferida de More Constant than the Gods, e queremos ir ainda mais nessa direção com For This We Fought the Battle of Ages – explorando músicas com múlti-

plos movimentos, diferentes cenas ou momentos, quase como uma trilha sonora ou os movimentos de uma ópera ou sinfonia. Estamos tentando alcançar diferentes ângulos e maneiras de escrever os riffs e ousando mais com o que queremos tentar musicalmente.

Qual é a opinião de vocês no que diz respeito a esse "embate" entre gravadoras, direitos autorais e liberdade de expressão? (Referente à questão de materiais de bandas sendo divulgados na internet, canais de youtube fazendo esse lance de uploads e apresentar bandas, essas coisas) Sarah: Não podemos negar ou abominar a existência da pirataria na internet. Às vezes é doloroso pensar no quanto trabalhamos duro e no quanto sofremos para nos mantermos financeiramente. Mas, em primeiro lugar, não fazemos música por dinheiro. E compensação vem de formas diferentes. Porém, é importante que cada artista saiba o quanto vale e o quanto merece ser pago, como em qualquer outra profissão. Rebecca: É definivamente uma faca de dois gumes. O lado maravilhoso da internet e da pira-

MORE CONSTANT THAN THE GODS CAPA 2013

taria é que espalha sua música. As pessoas que vão ouvir seu disco talvez não fossem o fazer de outra forma, e então talvez elas apareçam em algum dos seus shows. Vinte anos atrás, bandas matariam pelas ferramentas que temos nas palmas das nossas mãos.

Dentre os festivais que participaram, vários ao longo dos anos, em qual tiveram a melhor experiência até agora, tanto de organização quanto de feedback do público? Sarah: Somos sortudos por

tocarmos em festivais que geralmente têm uma boa organização e resposta do público. Pessoalmente, meus dois favoritos são o Hellfest | A na França e o Roadburn naOD Holanfacebook.com/OctoberDoomOfficial

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RESENHAS

EXCLUSIVO

da. Recentemente tocamos do Sled Island Festival em Calgary, Canadá, e os voluntários e a organização foram sensacionais. Vamos tocar no Psycho Las Vegas em agosto e estamos muito ansiosos. Rebecca: Sarah está certa, tivemos poucas experiências negativas com festivais. Quase todos foram muito bons. Tem algo de especial sobre o Hellfest e o Roadburn. Eu também tenho carinho pelo nosso primeiro show depois de uma longa pausa, no Nathan Carson’s Fall into Darkness e 2012. E também o Psycho California, em 2015.

Existe a possibilidade de algum dia nós aqui do Brasil apreciarmos a arte de vocês em nossos palcos? Sarah: Adoraríamos tocar no

Brasil!

Rebecca: Minha cunhada é brasileira! Meu sobrinho e minhas duas sobrinhas falam português. Adoraria visitar o país e seria incrível se SubRosa pudesse tocar aí. A October Doom Magazine agradece a atenção e ficaremos aguardando o novo material da banda, pode encerrar esta da forma que quiser. Sarah: Obrigado a todos os fãs

da SubRosa no Brasil, e ao October Doom Magazine! Adoraríamos vir ao Brasil para alguns shows. Rebecca: Muito obrigada pela entrevista! Obrigado! (esse ‘obrigado’ ela escreveu em português mesmo).

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Comemorando 10 anos de existência com música do mais alto escalão

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A BANDA SUBROSA ATINGE SEU ÁPICE COM GRANDE MOMENTO NA CARREIRA E EXCELENTE ÁLBUM NOVO POR | Gustav Zombetero

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ubRosa é daquelas bandas que desenvolveram uma sonoridade própria, e com o tempo, passaram a desenvolver melhor esta sonoridade. “For This We Fought the Battle of Ages” é o 4º disco da banda, nele, fica nítido um certo experimentalismo, mais atmosférico, melancólico, tudo aliado de forma equilibrada com o peso da banda. O disco é composto por 6 faixas que ultrapassam uma hora de

atordoamento sonoro. A faixa de abertura - “Despair is a Siren”, carregada de sentimento, aquela suavidade em meio a marretação típica do quinteto, o duo de violinos (Sarah e Kim) nos enchendo de melancolia, visões abstratas de um mundo que segue em lento suicídio, fruto da carga lírica, que nos encolhe insignificantes como somos e mesmo assim seguimos buscando sentidos, seguimos divagando, enlouquecendo afã de


tornar a nossa existência menos insuportável. Em “Wound of the Warden” a banda parece explorar mais o seu lado Post-Rock, assim como na 1ª faixa, nesta, notamos a presença daquele vocal rasgado, em certo desespero, não tenho informações de quem seja o responsável por isso... acredito ser a voz do baixista Levi Hanna. Esta faixa parece abordar um tema que nos deparamos muito por aqui, ‘a salvação dos que se dizem puros’, daqueles que tem um deus e por este motivo, acreditam estar acima de tudo e de todos, é um fato que os SubRosa abordam temas que envolvam a religiosidade, de forma avessa, com um cunho mais filosófico. Em seguida - “Black Majesty” um pouco mais rude e desacelerada, se alonga em 15 minutos de marteladas e torpores, uma atmosfera sinistra, Rebecca canta com mais raiva. Mais indagações sobre a existência, sobre a dualidade e sobre a escolha de perambular pelos caminhos do desconhecido, aquela escuridão que serve de conforto, porém, a longo prazo nos suga impetuosamente a fraca energia que emanamos. O título desta faixa é de uma ironia louvável! “Il Cappio” é uma espécie de intermezzo, tocada e cantada por Sarah, um verso que consegue nos alertar sobre os perigos do amor, hahaha. A melancolia e o peso retornam em “Killing Rapture”, acredito que esta seja a faixa do play, a faixa que preenche por completo! A atuação de Andy (bateria) e Levi (baixo) se destacam no meio desta cacofonia angelical e obscura ao mesmo tempo, de uma sutileza, de um rancor, é indubitavelmente o ápice.

O duo de violinos desempenhou um papel absurdo nesta faixa, Rebecca parece ter lapidado sua voz para não contrastar tanto com a leveza dos violinos, em meio a tudo isso, indagações sobre o amor na era contemporânea discorrem por entre as notas. É chegada a hora de encerrar, para tal feita, é escolhida a “Troubled Cells”, nos banha uma vez mais com melancolia, nos inquieta sobre a complexidade do amor, neste momento, você está dançando no meio d’algum lugar, como se tivesse acariciando alguma coisa não palpável, em sonho, em pesadelo, não sei, só sei que como sempre, a musicalidade dos SubRosa é profunda, bela, confrontadora, eles vão além da música, eles traduzem a Vida. O disco foi lançado pelo selo canadense Profound Lore Rec. no dia 28 de agosto. OD | A

SUBROSA FOR THIS WE FOUGHT THE BATTLE OF AGES

2016

SALT LAKE CITY, USA WEB

WWW.SUBROSA.CC

1 - Despair Is A Siren 15’25’’ A 2 - Wound Of The Warden 13’28’’ A 3 - Black Majesty 15’22’’ A 4 - Il Cappio 1’37’’ A 5 - Killing Rapture 10’31’’ A 6 - Troubled Cells 7’37’

LINKS https://www.facebook.com/SubrosaSLC https://subrosausa.bandcamp.com/

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RESENHAS

DIVULGUE SUA BANDA Envie seu material com todas as informações para nosso email contato@octoberdoom.com

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POR | Matheus Jacques

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espontando no ano de 2012 como uma grata revelação dentro do nicho do heavy rock, os alemães da Zodiac estreavam com seu primeiro álbum de estúdio “A Bit of Devil”, sucedendo uma demo de 2011 e apresentando elementos mesclados entre o blues e o hard rock setentista, alem de um toque meio southern rock. Com um aspecto “poeirento” e carregando reminiscências de um rico contexto musical de cuja fonte várias bandas atuais beberam, alguns com menos e outros com mais sede, “A Bit of Devil” foi um dos grandes momentos do ano. Alguns dos membros da banda carregaram uma bagagem curiosa para a Zodiac: Janosch Rathmer, baterista e co-fundador, esteve nas bandas Misery Speaks (Melodic Death Metal) e Long Distance Calling (Post-Rock); Stephan Gall, que foi chamado para ser guitarrista na banda após o início da construção da mesma, esteve na Misery Speaks com Rathmer. A eles, se juntaram o vocalista/ guitarrista Nick Van Delft, com quem Rathmer iniciou a Zodiac, e o baixista e tecladista Robert Kahr. Assim deu-se a gênese da Zodiac. O novo álbum da banda alemã Zodiac vem a ser, em certos aspectos, um resgate de nuances dos “velhos tempos” (considerando que a banda é prolifica e lançou praticamente um álbum por ano até agora, variando alguns detalhes em sua sonoridade) e também o ponto da adição de certo aspecto “soturno” e mais denso. A timbragem, a construção das faixas, o desenvolvimento das mesmas, tudo

ZODIAC GRAIN OF SOUL CENTURY MEDIA RECORDS

2016

ALEMANHA WEB

ZODIAC-ROCK.COM

1 - Rebirth by Fire A 2 - Animal A 3 - Follow You A 4 - Down A 5 - Faithless A 6 - Crow A 7 - Ain’t coming back A 8 - Get out A 9 - Like the Sun A 10 - Sinner A 11 - Grain of Soul

parece remeter ao primeiro trampo dos caras, mas sem dispensar certa condição de “flexibilidade” que foi vista principalmente no segundo álbum, “A Hiding Place”. O vocal de Nick, ponto fortíssimo no primeiro álbum e dotado de um aspecto roufenho marcante, talvez possa ter sido notado como um pouco mais contido no segundo album, ainda que jamais tenha perdido todo aquele encantamento que deixava o cara meio com jeitão de “menestrel”. Em “Grain of Soul”, ainda que não retome completamente a potência e o desembaraço do trabalho de estréia, o cara entrega competentes e OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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RESENHAS

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agradáveis linhas vocais somadas ao seu sempre excelente trabalho de guitarra, tornando o cara um nome bacana entre o atual cenário do hard/heavy blues. “Rebirth by Fire”, faixa de abertura do trabalho, comprova isso com um ótimo solo seu inserido ali pelo meio da canção, um petardo iniciado com um bom groove de hard/blues rock e uma cadência muito agradável. “Animal” segue o trabalho com uma verve mais ligada ao stoner rock já em seu início, remetendo aos melhores momentos de “Bit of Devil” mas sem dispensar o groove bem característico da banda presente tambem em seus outros trabalhos. E é la pelos 2 minutos e tanto que ela engata seu clímax, com mais uma boa performance solo de Nick acompanhada do sempre eficiente trabalho de base de Stephen. “Follow you” destoa um pouco do andamento até então, não chegando a enfadar ou estar totalmente comprometida, mas com um desenvolvimento aquem do esperado e não tendo tanto destaque quanto possível. Uma canção até boa, no geral, mas com um refrão um tanto piegas. “Down” coloca novamente as coisas de volta no trilho com um início revestido de uma atmosfera um pouco mais sombria e interessante. É uma canção introspectiva, trazendo à tona uma personificação mais densa do vocalista Nick Van Delft e podendo, surpreendentemente, remeter até mesmo a um climão meio Alice in Chains em determinado ponto (ou eu estou complemente louco...) “Faithless” novamente traz para o jogo a roupagem “retrô” bluesy e o groove

de qualidade da banda, coisa que só consigo descrever como “malemolência”. É necessário admitir, o fato urge: de trampo “swingado” nas seis cordas, tanto Nick quanto Stephen entendem muito bem. A faixa começa bem, a faixa termina bem, tem um bom refrão e um solo agradável. É o que realmente espero da Zodiac. “Crow” é uma canção que mira num ponto e, definitivamente, o alcança por uma linha reta. Sem uma notável distorção de direcionamento, ápice ou reviravolta, soando quase como uma espécie de “desabafo”, um lamento bluesy. Uma faixa bem climatizada e que a mim particularmente agradou bastante logo de cara, coisa reforçada com o “teste das incontáveis audições”, mas que deve variar muito de pessoa para pessoa. As faixas “Ain´t Coming Back” e “Get Out” seguem na linha das boas canções cadenciadas e bem balanceadas da banda... Bons riffs, boa estruturação, a primeira um pouco mais “pra cima” e a segunda, novamente remetendo ao caráter mais introspectivo presente em certos momentos dos trabalhos na banda (a exemplo da própria faixa “Down”). Não importa se são grandes primores e exemplos de diferenciação dentro da discografia da banda, suas faixas sempre carregam apelo e qualidade dos dois guitarristas da banda. E a cozinha definitivamente também nunca faz feio, é importante ressaltar. “Like the Sun” leva o álbum para sua reta final com energia desde o começo, mais uma daquelas faixas (sabe aquelas? Aquelas mesmo? Pois é!) que te impele a


botar o volume no máximo e pisar o mais fundo possível no acelerador, sem destino e sem remorso. E felizmente essa vontade não some quando a faixa termina e se inicia a penúltima, “Sinner”, mais um daqueles libelos “chega de inércia, é hora de tocar o dane-se e acelerar”, uma ode ao rock´n roll tanto em forma quanto em conteúdo. Petardo de verdade, um dos momentos altos do álbum (principalmente se associada à faixa “Like the Sun”), com um grande solo também. “Grain of Soul”, faixa-título do álbum, é uma das melhores canções presentes, dosando de forma “cirúrgica” e dando ênfase a cada elemento em seu desenrolar: peso, melodia, trampo de guitarras, refrão... tudo aqui teve a atenção merecida. Outro dos mais altos momentos do álbum, sem dúvidas, encerrando de forma correta a bolacha. No geral, “Grain of Soul” é uma grande adição à discografia dos alemães do Zodiac. Se não o melhor album deles, ao menos mantem afastada a sombra chamada “demérito”. Os caras têm dois bons guitarristas, uma eficiente cozinha e um vocalista diferenciado, alem de manjarem de verdade do que fazem e demonstrarem fazer isso com paixão. Na minha humilde opinião, ainda vai demorar uma eternidade pra lançarem algo que não preste... “Grain of Soul” é a prova disso. OD | A

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RESENHAS

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VAINAJA VERENVALAJA

2016

FINLÂNDIA WEB

HTTP://VAINAJA.COM/

1 - Risti 06’52’’ A 2 - Sielu 06’10’’ A 3 - Usva 10’57’’ A 4 - Valaja 07’44’’ A 5 - Kultti 05’35’’ A 6 - Kehto 07’17’’

POR | Leandro Vianna

A

ntes de começarmos essa resenha, faz-se necessária a explicação da ideia conceitual que existe por detrás do finlandês Vainaja, já que a mesma é de suma importância para a compreensão não só do álbum, como também de todo clima que o permeia. Todo o conceito estilístico da banda se baseia em uma história de ocultistas do século XIX, que atuaram em uma pequena cidade rural

da Finlândia, o Culto de Vainaja, e que induziram o caos entre os paroquianos da região. Pouco conhecimento se tem a respeito do mesmo, já que não restaram muitos resquícios da seita, mas sabe-se que o foco se dava em três figuras. O pregador local (The Preacherman), Wilhelm; O cantor da Igreja (The Cantor), Kristian; e O coveiro louco (The Gravedigger), Aukusti. Os cultos eram realizados na mansão do cantor, que se encontrava adjacente a Igreja e nos mesmos, além de blasfêmias, ocorriam OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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RESENHAS

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assassinatos rituais e subjugação de moradores que eram enterrados vivos. Tal culto encontrou seu fim quando seus membros foram condenados a serem queimados vivos no altar da Igreja local. Aparentemente, nas ruínas da mansão do cantor foram encontrados alguns materiais que levantam uma luz sobre o culto, dentre eles, um tomo de 6 capítulos intitulado Verenvalaja, que especula-se, faz parte de um livro maior de 17 capítulos, estando assim 11 deles ainda perdidos. O trabalho de estreia do Vainaja, Kadotetut (14), foi feito com base

em sermões tradicionais do pregador Wilhelm Waenaa, que foram reunidos de forma aleatória com tal intuito. Já em seu novo trabalho, o trio se baseia no livro, que aparentemente descreve de ressurreição de Wilhelm. Kadotetut foi um dos trabalhos mais brutais e perturbadores de 2014, com sua atmosfera pesada e lúgubre. Uma aula de Death/Doom. Verenvalaja é a continuação natural do debut e aqui podemos perceber que nesse meio tempo o Vainaja tornou sua música mais dinâmica e variada, mas sem alterar de forma signi-


ficativa o que foi apresentado. A adição de algumas melodias ajudou nesse resultado, assim como os vocais limpos que surgem em determinados momentos. Por sinal, esses ajudaram a maximizar o clima claustrofóbico das canções. Ainda assim, tais melodias não suavizaram em nada a sonoridade do trio finlandês e não soa exagerado dizer que esse trabalho é ainda mais pesado que a estreia. Na abertura, com “Risti”, já notamos o maior dinamismo citado. Os vocais limpos, quando surgem, dão um tom mais lúgubre à música e os riffs, pesados e

arrastados, passam aquela sensação de medo que permeia toda a audição do álbum. Os elementos mais melódicos dão as caras em “Sielu”, faixa seguinte. Uma das canções mais esmagadoras aqui presentes, possui riffs bem fortes e uma atmosfera bem densa e assustadora. Essa atmosfera se mantêm “Usva”, melhor faixa de Verenvalaja. Com seus quase 11 minutos, possui partes ambientais que maximizam seu clima aterrorizante. Seus riffs sinistros e os guturais que parecem vir das profundezas do inferno, transmitindo uma forte sensação de caos e dor. Já “Valaja” é outra que se destaca pelo ótimo trabalho da guitarra e por vozes assustadoras que surgem em seu final, enquanto “Kultti” soa como uma versão mais maligna do Black Sabbath e os sintetizadores dão a ela algo de psicodelismo típico dos anos 70. O encerramento com “Kehto” é o momento mais experimental de Verenvalaja. Pendendo mais para o Funeral Doom, tem inserida em si alguns elementos eletrônicos bem sutis. A produção aqui é superior à que escutamos no debut, tendo sido realizada pela própria banda, também responsável pela mixagem, exceto no caso da bateria, que foi feita por Jarno Hänninen. A masterização ficou nas mãos do mestre Dan Swanö e o resultado final de tudo isso é excelente. Longe da sonoridade plastificada dos dias atuais, mas com o baixo totalmente audível e a guitarra e bateria soando bem pesadas. O som soa vivo! Além disso, também tivemos as participações es-

peciais de Lasse Pyykkö, do Hooded Menace, nos solos de “Sievu” e “Usva” e de Jarkko Nikkilä, do Valonkantajat, responsáveis pelos vocais limpos em “Risti”, “Sievu”, “Usva” e “ Kehto”. Por todo o conceito que os cerca e por toda a categoria e criatividade mostrada em suas composições, não soa exagero afirmar que o trio formado por The Preacherman (vocal, baixo e pregação), The Cantor (guitarra e cantando) e The Gravedigger (bateria e cavando sepulturas) é uma das bandas mais interessantes do cenário do metal atual. Esbanjando peso e com um ar ritualístico que dá a sua música um ar maligno e perturbador, Verenvalaja é um álbum essencial para os amantes de Death/Doom e um dos grandes destaques deste ano de 2016. OD | A

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POR | Matheus Jacques

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e houvesse uma “tour” através das raízes do Doom Metal e do Heavy Metal tendo como guia alguma banda do gênero na atualidade, provavelmente seria Stonewitch a primeira que me viria à mente nos últimos dias. Tanto pelo frescor da audição na mente (e nos ouvidos) quanto pela qualidade do guia!! O (agora) quarteto formado em 2014 por Aymeric (guitarra) e Romain (baixo e guitarra), ambos ex-ACARUS SARCOPT, iniciou o projeto compondo a

demo “The Godless”, composta pelos dois caras , e quase imediatamente Serge (vocal, ex-ACARUS SARCOPT tambem) e Fog (bateria) se juntaram a eles para a gravação da demo. “The Godless” foi gravada na Le Caveau em Agosto de 2014 e lançada em cassete em edição limitada pela Terror From Hell, selo italiano. Logo após, Cedric (bateria) e Joss (baixo) se juntaram aos caras como membros em tempo integral, permitindo que eles partissem para a estrada em 2015. O resto, bem... descamba em “The Cross of Doom”


O que se tem em mãos com o primeiro trabalho de estúdio dos caras, tambem lançado pela Terror From Hell (ITA) , é, como descrito acima, de certa forma um passeio pelas vias tortuosas, densas e por vezes épicas do Doom Metal, aquele “enraizado”, que foi sendo “estudado”, moldado e definido por bandas como Pentagram, Witchfinder General, Trouble, mesmo Candlemass. E tambem do NWOBHM. “Eerie Valley of the Crimson Planet”, a faixa de abertura, por exemplo, é uma bela demonstração de heavy metal tingido de doom, rústico e áspero, repercutindo as influências e elementos oferecidos pelo metal tradicional e construindo uma dedicatória ao gênero, de certa forma. “Beyond the Sharp Vine” tem um breve interlúdio com uma atmosfera que pode em algum ponto ser atribuida mais diretamente ao Blues, partindo então por um corredor de som torto, denso, cadenciando a canção e trazendo a faixa mais pra perto do contexto arrastadão do Doom metal. Alternando entre a apresentação dos elementos mais lentos e arrastados do heavy/doom, e os mais enérgicos e dinâmicos, a riqueza de detalhes e nuances se desenrola ao longo do trampo despontando influências aqui e ali para várias bandas icônicas dos gêneros, cons-

STONEWITCH THE CROSS OF DOOM

2016

FRANÇA WEB

HTTP://STONEWITCH.FR/

1 - Eerie Valley of the Crimson Planet A 2 - Beyond the Sharp Vine A 3 - Unearthed (Foes and Woes) A 4 - Holy Smoke A 5 - Sign of the Wolf (Pentagram cover) A 6 - The Cross of Doom

truindo um painel que recomenta à construção do que se tem hoje em dia em se tratando de Doom Metal. O pequeno épico “Holy Smoke” passeia bem por todas essas caraterísticas, certamente constando como um dos pontos máximos do album e já valendo o play inteiro. Toda a atmosfera construida ao longo das seis faixas ajuda a compor esse resgate das raizes do gênero e a pregar uma “ode” ao mesmo, jogando de forma irretocável com as cartas que tem em mãos ao desenrolar um paredão de referências setentistas e oitentistas. “The Cross of Doom”, outro dos grandes momentos do disco, ajuda a encerrar o trabalho reiterando veementemente a proposta dos caras e cravando o prego derradeira no lance de uma ótima, absurda forma.

O primeiro trampo de estúdio da banda Stonewitch é uma evolução natural e bem-sucedida da demo de 2015 dos caras, um grande momento do heavy metal e do doom metal em 2016. A inspiração das antigas surge como que misticamente de forma rústica e sólida em “The Cross of Doom” com uma veracidade notável, divergindo de muita mesmice que existe ainda hoje dentro dos gêneros em seus incontáveis “revivals” vazios, ocos, fúteis. Diferentemente disso, “The Cross...” é um alento honesto, digno e criativo, com sua roupagem contemporânea de som antigo! OD | A

LINKS https://www.facebook.com/stonewitch.official https://stonewitch69shelter.bandcamp.com/releases

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RESENHAS

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POR | Raphael Arizio

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m dos maiores clássicos do Black Metal mundial está comemorando vinte anos de seu lançamento. “Nemesis Divina é o terceiro disco do Satyricon e foi lançado originalmente em 1996. Trata-se de um disco que marcou época para a banda e para toda cena Black Metal norueguesa. Foi uma época em que se confirmou que

os noruegueses eram uma banda em franca ascensão. Esse disco combina beleza com o caótico som do Black Metal Norueguês. Músicas como “The Dawn of a New Age” e seus vocais femininos, “Immortaly Passion” e suas melodias marcantes e o mega clássico “Mother North”mostram que esse disco é um dos maiores clássicos do estilo. Tudo no disco funciona perfeitamente bem


SATYRICON para criar uma linda e hipnótica atmosfera com lindas e ricas melodias brilhantes e vivas. Os trabalhos de guitarras são alguns dos melhores já apresentados pela banda como os riffs da música “Forhekset” e da faixa título do álbum. Não pode deixar de se destacar o final do disco com a bela música instrumental “Transcendental Requiem of Slaves”, uma mistura de guitarras pesadas com passagens limpas que

passam a atmosfera brilhante do disco de maneira ímpar. Com certeza é um disco que entrou para a história do Black Metal mundial e marcou o grandioso Satyricon para sempre. Uma obra prima que deve ser conhecida por todos os Bangers que apreciam um som extremo de qualidade.

LINK https://www.facebook.com/SatyriconOfficial

NEMESIS DIVINA MOONFOG PRODUCTION

1996

OSLO, NORUEGA WEB

HTTP://WWW.SATYRICON.NO/

1 - The Dawn of a New Age 07’27’’ A 2 Forhekset 04’32’’ A 3 - Mother North 06’25’’ A 4 - Du som hater Gud 04’22’’ A 5 - Immortality Passion 08’23’’ A 6 - Nemesis Divina 06’55’’ A 7 - Transcendental Requiem of Slaves 04’44’’

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RESENHAS

6 26

POR | Raphael Arizio

A

banda Sad Theory lança se novo disco intitulado “Vérmina Audioclastia Póstuma”. Depois de ficar afastada por uns anos lançamento de forma independente seu novo trabalho e fica a pergunta de como não tem mais reconhecimento. Se mostraram desde o co-

meço uma banda bem à frente de seu tempo com seu Death Metal com diversas influencias de outros ritmos da música pesada. Não se pode deixar de destacar a parte lírica do disco pois trata-se de um trabalho conceitual que descreve a jornada de um indivíduo desde sua saúde perfeita até a lenta instalação da enfermidade e a chegada da morte. Talvez isso tenha


SAD THEORY VÉRMINA AUDIOCLASTIA 2015 PÓSTUMA INDEPENDENTE

CURITIBA, PARANÁ WEB

LACUNACOIL.IT

1 - Karnofsky 100 - 71 (Arrogância Epistemológica) 04:01 A 2 - Algofobia 04:36 A 3 - Morte! Cínico! Expiação! 03:41 A 4 - Karnofsky 70 - 41 (Ícaro) 03:57 A 5 - Acalanto (Soothing Memories) 05:16 instrumental A 7 - Tédio 03:26 A 8 - Psicose 02:48 A 9 Vilipêndio Afetivo 04:43 A 10 - Karnofsky 40 - 0 (Êxito Letal) 04:47 A 11 - Vérmina Audioclastia Póstuma 05:16 instrumental

claras influências no novo baixista da banda Daniel, pois o mesmo é médico e possa ter influenciado a banda nesse sentido. O disco se mostra bem homogêneo e passa uma emoção latente entre suas faixas, característica já presente em seu disco anterior “Descrítica Patológica”lançado em 2012. A banda nesse disco mostra uma influência de Heavy Metal

latente, mas sem perder o peso característico da banda. Destaca-se também um trabalho de baixo matador, com linhas bem versáteis e trazendo grande peso ao disco. A falta de um baterista não trouxe maiores problemas para a banda. Foi usada uma bateria eletrônica no disco e isso deixou o disco nem um pouco chato ou repetitivo. As guitarras se destacaram com riffs

e melodias matadoras em todas as faixas, sem deixar o som chato ou enjoativo, com diversas passagens matadoras e muito bem elaboradas. O disco também se destaca pela ótima qualidade sonora e produção muito bem-feita no Funds House Studio. Fica complicado destacar um ou outra faixa pois trata-se de um disco que deve ser escutado por inteiro. Com certeza um dos melhores discos nacionais do último ano. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/sadtheory https://www.youtube.com/watch?v=hjiBNWIO8bM

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RESENHAS

7 28


POR | Amilton Jr

B

loody Hammers é uma banda gothic/doom metal americana, que iniciou suas atividades em 2012. Fundada por Anders Manga, multi-instrumentista que também é responsável pela maioria das composições, a banda conta ainda com a também multitarefas Devallia, que ora assume o baixo, ora assume os teclados e sintetizadores. Em apresentações ao vivo, a dupla convoca outros músicos para compor o palco. A banda acaba de lançar “Lovely Sort of Death”, que segue uma linha muito mais gótica e oitentista que o seu antecessor, “Under Satan’s Sun” (2014), que tem uma sonoridade mais stoner/ doom setentista. Ainda em comparação com o trabalho anterior, em “Lovely Sort of Death” o ritmo caiu na maioria das faixas, que no geral são mais calmas e soturnas. O sintetizador está bastante presente, atuando como protagonista de faixas como “The Reaper Comes”, “Lights Come Alive” e “Shadow Out of Time”.

O vocal também nos remete ao estilo gótico. Logo nos primeiros segundos da faixa de abertura, “Bloodletting On The Kiss”, podemos notar algumas similaridades com as vozes de caras como Robert Smith e até mesmo Marilyn Manson, o que particularmente não é minha praia. Porém, em alguns momentos, como no fim da faixa mencionada, o vocal é mais gritado e a coisa muda um pouco de figura. As letras igualmente mudaram de tom: o ocultismo deu lugar à morte, à solidão e o sofrimento pessoal. Apenas em algumas canções como “Ether”, “Infinite Gaze To The Sun” e “Astral Traveler” a banda impôs mais peso, onde os riffs de guitarra são mais presentes e até mesmo a bateria é mais martelada. Em resumo, pra quem gosta de doom/psychedelic, os discos anteriores da banda tem bem mais a oferecer que “Lovely Sort of Death”. Mas já se você curte se aventurar no gótico e industrial, pode acabar gostando bastante do novo álbum. OD | A

BLOODY HAMMERS 2016

LOVELY SORT OF DEATH CAROLINA DO NORTE, EUA WEB

WWW.BLOODYHAMMERS.COM

1 – Bloodletting On The Kiss A 2 – Lights Come Alive A 3 – The Reaper Comes A 4 – Messalina A 5 – Infinit Gaze to The Sun A 6 – Stoke The Fire A 7 – Ether A 8 – Shadow Out of Time A 9 – Astral Traveler A 10 – Catastrophe

LINKS https://www.facebook.com/BloodyHammers

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RESENHAS

POR | Morgan Gonçalves

8 30

N

o mês de julho foi lançado oficialmente o novo trabalho da banda Paulistana Abske Fides. Deferentemente dos discos anteriores, que sempre foram carregados de Cinza, trazendo em vários momentos paisagens urbanas nos elementos visuais, O Sol Fulmina a Terra transporta o ouvinte para o Semiárido Brasileiro, e o abandona naquela realizada dura e inóspita que é o Sertão Nordestino. Durante o processo de Composição do álbum, os integrantes se debruçaram sobre a realidade das pessoas que vivem no “deserto brasileiro”, já castigadas pela es-

cassez de agua, alimentos e pelo Sol forte. A faixa que abre o disco, Planície Vermelha, já apresenta ao ouvinte um ambiente diferente daquele urbano. Os diálogos extraídos do filme Terra em Transe, de Glauber Rocha servem de prelúdio para os vocais guturais de K. que trazem à alma, uma ira quase incontrolável e levam qualquer resquício de esperança. A faixa ainda possui um coro antes de uma sequência de guitarras distorcidas e da marcação forte da bateria e do baixo cadenciado. Árido Homem é uma espécie de diário, um perfeito relado da vida dura e vazia do homem que habita a região mais esquecida. Tanto no início, como em alguns


ABSKE FIDES O SOL FULMINA A TERRA

2016

SÃO PAULO, BRASIL WEB

ABSKEFIDES.BANDCAMP.COM

1 - Na Planície Vermelha A 2 - Árido Homem A 3 - Imóveis Ares A 4 - Interregno (instrumental) A 5 - Terra Vazia

outros momentos da faixa, elementos de Funeral Doom são evidentes. As guitarras arrastadas e a percussão em ritmo quase parando são os pontos fortes da música. Imóveis Ares possui as guitarras superpesadas, cadenciadas e densas, além de ter guitarra solo num trabalho simples, mas muito bem executado acompanhando vocais que se revezam entre rasgados de N. e os guturais de K. num nível excepcional. A faixa ainda traz uma marcha meio que apocalíptica maravilhosa, e dá pra sentir o calor em volta aumentar, mas antes que ela termine, uma camada mais leve coloca lentamente as coisas no lugar. Interregno é quase uma peça pregada pelo trio. Uma mosca

varejeira entra pelo ouvido e zuni dentro da sua cabeça. Uma sensação horrível faz você pensar que está se decompondo, como a carne do gado que morre de cede. A faixa instrumental é bem curtinha, e não tem muitos elementos pra impressionar, mas o conjunto dá à obra, uma atmosfera bastante interessante E encerrando o segundo álbum do Abske Fides, a faixa Terra Vazia, que foi divulgada no início do ano. Não é à toa que esta foi a faixa escolhida para anunciar o disco. Tão pesada quanto as suas antecessoras, Terra Vazia tem uma introdução de riffs e acompanhamento bem convidativo. A progressão lenta e cadenciada se alterna entre guitarras pesadas e

vocais guturais enérgicos e os andamentos mais acelerados, sobretudo em seus últimos minutos. A faixa se encerra com o monólogo do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol. O disco possui a todo 40 minutos que passão tão rápido que torna difícil ouvir apenas uma vez. Em O Sol fulmina a Terra o Abske Fides se consolida ainda mais como um dos maiores nomes do Doom Metal Nacional. O disco pode ser adquirido no site da The Metal Vox (http://www.themetalvox.com.br/). OD | A

LINKS https://www.facebook.com/abskefidesofficial/ http://abskefides.bandcamp.com/

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COLUNA

FICHA

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ORIGEM

Tokyo/ Kanagawa, Japão

GÊNERO

Funeral Doom Metal

CURRENT MEMBERS

Makoto Fujishima Guitarra/Vocal Tomohiro Kanja Guitarra

Ryo Amamiya Baixo Yuichiro Azegami Bateria


https://www.facebook.com/FuneralWedding

http://www.funeralwedding.com/

NIPO FUNERAL DOOM METAL

A

POR | Rodrigo Bueno

pós uma significante mudança em sua line-up, com a debandada de um de seus membros fundadores, a Funeral Moth eis que estabiliza a sua line-up e lança um poderoso novo material. São apenas duas faixas do mais extremo Funeral Doom já escrito por estes japoneses. No seu debut álbum já encontrávamos algo desesperador, mas nada que se compare a este play e sua faixa de abertura que dá nome ao disco, “Transience”. A música transcorre de forma lenta e contínua, com grandes passagens atmosféricas e belos fraseados de guitarra, que trazem um clima soturno para ela. As letras seguem sendo cantada em

duas línguas, em inglês e o próprio idioma deles, ou seja, o japonês. A segunda e última música é “Lost”, com menos tempo que a primeira, esta beira perto dos 18 minutos e o clima desesperador continua aqui. Andamento mais arrastado e em algumas passagens dela, me trouxe a mente a banda norte-americana “Loss”. Os vocais sussurrados, os acordes longos e semi distorcidos. Próximo a metade da música, temos um dos melhores momentos dela, onde encontramos alguns arpejos e uma atmosfera ímpar, para em seguida mergulhar num abismo sem fundo em mais uma parte funeral. Ótima audição para autorreflexão e acompanhado de uma boa taça de vinho

TRANSIENCE 2016 MORIBUND RECORDS Tracklist: 1 - Transience 2 - Lost

E com estas belas palavras que encerram a faixa de abertura, finalizo esta resenha: “os sonhos perdidos, as ilusões sem voz, as almas transitórias, o fim é o nada”. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/funeralmoth http://weirdtruth.jp/funeralmoth/ http://weirdtruth.jp/releases/wt047.html

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ENTREVISTA

GUSTAVO MOREIRA VOCAL - CANILIVE

ESQUIZOFRENIA CARIOCA ENTRE IDAS E VINDAS, O DEATH METAL RESISTE!

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C

anilive foi formado na Cidade Maravilhora, no ano de 2006, e depois de muitas idas e vindas, a banda lançou esse ano seu primeiro registro, o EP “Psychosomatic Schizophrenia”, que vem recebendo boas críticas entre as mídias voltadas ao Death Metal. Bati um papo com Gustavo Moreira, vocalista da banda, e ele me contou um pouco mais sobre a trajetória da banda. Confira!

Morgan Gonçalves: Sejam bem-vindos, Canilive. Primeiro deixem-me agradecer a participação na nossa revista. A banda foi formada em 2006, mas com uma formação um pouco diferente da atual. Como foi que a banda nasceu, e como encontrou, por assim dizer, sua formação ideal? Gustav Moreira: A banda

nasceu dos tempos de colégio, comigo (Gustavo), Alberto e Caio. Sempre fomos “movidos” a música e após ter vivido a experiência de ter ido a alguns shows durante a vida, decidimos por fim que queríamos estar em cima do palco. Formamos então a banda com mais um grande amigo, Thiago Gouveia/Guitarrista que saiu da banda em 2013 por motivos pessoais. Em 2008 conhecemos o Raphael que estava em outra banda no momento. O chamamos para fazer um teste e conosco e tudo ocorreu naturalmente a partir dali. O Alcindo é quem veio por último, sempre dividimos os palcos pelos diversos shows que fazíamos. Por

Norteados num objetivo em comum, produzir um Death Metal com sonoridade melódica e atual.” Gustavo Moreira, VOCAL - CANILIVE

indicação do próprio Thiago, concordamos com a mudança que foi bem tranquila. Hoje temos nosso time completo com raízes em diferentes estilos, o que nos proporciona um conteúdo bem único que traremos em breve para nossos próximos materiais.

Eu confesso que conheci a banda muito recentemente, mas me surpreendi com o peso e agressividade sonora de você. Como foi que vocês optaram por criar o Canilive sobre esses pelares do Death Metal? Gustav: Essa singularidade

que você citou em nosso som se dá através das diversas e diferentes influências de cada integrante, norteados num objetivo em comum, produzir um Death Metal com sonoridade melódica e atual. Cada um tem uma influência e escola diferente na sua formação e quando a gente senta pra compor sai algo nosso e único. OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA GUSTAVO MOREIRA

FICHA

VOCAL - CANILIVE

ORIGEM

Em 2010, a banda entrou em um hiato que durou 3 anos. Oque causou essa parada tão longa nas atividades da banda? Gustav: Essa talvez seja a

pergunta mais difícil de ser respondida, ao longo do caminho que percorremos passamos por muitos contratempos e problemas internos e externos a banda, isso ocorria principalmente em momentos cruciais. Isso desestimulou um pouco e resolvemos então desta forma fazer um hiato sem previsão de volta. Sempre tivemos amigos e fãs que apoiam nosso trabalho e pediam para ver novamente a Canilive nos palcos, lugar ao qual nunca devíamos ter saído. Sendo assim nos reunimos e nos encorajamos para dar andamento nos nosso sonho.

Voltando às atividades em 2013, o Canilive começou a compor as músicas que vieram a compor o EP Psychosomatic Schizophrenia”. De onde vocês tiraram as influencias sonoras e temas para as letras do debut? Gustav: Originalmente a

Canilive sempre compôs suas músicas, por mais que houvesse também os tributos às bandas que juntaram os primeiros integrantes, ainda assim sempre se preocupou em fazer seus registros caseiros das músicas que compunham como forma apenas de registro e não de divulgação. Com o amadurecimento da Banda, já em 2008,

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Rio de Janeiro

A Canilive voltou de vez e estamos preparando diversos conteúdos pra vocês!” Gustavo Moreira, VOCAL - CANILIVE

gravamos um Single, já perdida, que seria nossa primeira experiência com um estúdio profissional, porém ainda seria um longo caminho para compor novas músicas e lançar nosso primeiro EP. Dedicamos de 2009 a 2010 a isso, começando inclusive as gravações que originou um Web Single lançado em 2010, Witnessing Your Fall, música também presente na segunda faixa do EP “Psychosomatic Schizoprenia”. Após nosso hiato, nos movimentamos para lançar um trabalho que devíamos há muito tempo e tivemos a ideia de contar nesse EP toda a trajetória musical da banda através de nossas músicas já compostas desde a fundação da banda (Modification 2006/2007), até o trabalho que mais apontava a direção que pretendemos seguir (The Celebration

GÊNERO

Death Metal

CURRENT MEMBERS

Gustav S Moreira Vocal Alcindo Neto Guitarra Raphael Dizus Guitarra Caio Planinschek Baixo e Guitarra Armada Beto Bateria

Psychosomatic Schizophrenia EP (2016)


CANILIVE: Alcindo Neto, Raphael Dizus, Gustav S Moreira, Beto Armada e Caio Planinschek.

of Ignorance 2013/2014). Porém novamente enfrentamos diversos fatores que fizeram com que o EP, prometido para 2015, fosse lançado somente em 2016. No entanto, acreditamos que isso nos deu tempo o suficiente para amadurecer, tanto musicalmente como individualmente, e agora podemos manter uma constância e qualidade dos trabalhos que estão por vir.

Ainda falando sobre o “Psychosomatic Schizophrenia”, como tem sido a repercussão do EP? Gustav: A melhor possível,

estamos tendo bons frutos do EP e já estamos trabalhando para lançar mais material relacionado a ele. Para quem ainda não deu um confere, o EP encontra-se disponível em tanto para streaming como para venda nas principais plataformas, como o Spotify, Deezer, SoundClond, Itunes, AmazonMp3, entre outras.

Lançado o primeiro registro, quais as expectativas para os próximos passos do Canilive? Gustav: Já estamos inclusive

trabalhando em novos materiais. No momento estamos em processo de composição para entrarmos em pré-produção de nosso próximo trabalho. Ainda não definimos todos os detalhes então não temos todas as informações para passar pra vocês. Porém uma coisa é certa, vamos mostrar que valeu a pena à espera.

Apesar de muitos pensarem que a October Doom Magazine é uma revista voltada somente para o Doom Metal, nossas matérias abordam sempre um pouco do público Death/ Black Metal e suas vertentes. Oque vocês têm pra dizer pra esse público que acompanha o Canilive e a nossa revista?

Gustav: Gostaríamos de

agradecer imensamente a October Doom e seus leitores e também a Island Press pelo espaço e oportunidade, e dizer aos que acompanham nosso trabalho, e quem está nos conhecendo agora, que dessa vez a Canilive voltou de vez e estamos preparando diversos conteúdos pra vocês! Fiquei ligados em nossa página do Facebook (/CaniliveOfficialPage), Canal do YouTube(/ CaniliveChannel) e as demais redes sociais para que recebam notícias e nossos trabalhos em primeira mão. E você público, vá aos shows, apoie aquilo que você gosta, para que cada vez mais tenhamos essa cultura da cena em nosso dia a dia! OD | A

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ENTREVISTA RAFAEL

GUITARRA - COCAINE COBRAS

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A COBRA VENENOSA FORTALEZA

DE

COCAINE COBRAS CAPRICHA COM A DOSE CERTA ENTRE CHAPAÇÃO E ROCK´N ROLL!

POR | Amilton Jr.

C

ocaine Cobras é uma banda que já existe há muitos anos, e, apesar de não ser do mesmo estado que eu - Rio grande do Norte -, é do Fortaleza, no nosso querido Ceará, e é mais uma daquelas bandas nordestinas que surpreende fora do eixo Sul x Sudeste. Além de tirarem um som pesado, com riffs que fazem

até o cidadão mais sério bater cabeça e que eu particularmente curto muito. De uns tempos pra cá, vimos que por aqui há muita coisa boa e que ainda falta ser explorada na nossa região, e então, trago essa banda maravilhosa pra vocês, como minha contribuição. Fico feliz de poder divulgar o trabalho desses “maxos” (como se diz na terra deles), porque realmente acredito que é uma banda com potencial e que ainda falta chegar aos ouvidos de muita gente. OD | A

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ENTREVISTA RAFAEL

GUITARRA - COCAINE COBRAS

Amilton Jr: Primeiro, pra quem não os conhece, uma breve apresentação da banda: “Cocaine Cobras por Cocaine Cobras”. E, ah: qual é a desse nome?! Rafael: A banda surgiu em se-

tembro de 2010 na cidade de Fortaleza. Em 2011 lançamos nosso primeiro EP intitulado XXX Adult Superstore. Em 2013 lançamos o EP III (para sacar: www.soundcloud.com/cocainecobras). O trio é composto por Antônio Laudenir (vocal e baixo), Rafael (Guitarra) e Davy Nacimento (Bateria). A ideia do nome veio do Antônio por volta de 2008. A ideia inicial era montar uma banda pós punk, darkwave, lágrima preta, sei lá. Inúmeros colegas músicos da cidade foram cogitados para o projeto, mas nunca saiu do papel. Só mais tarde foi que a coisa enveredou por outros caminhos quando eu e Antônio decidimos botar a ideia pra frente marcando o primeiro ensaio. Era um nome bom demais pra ser esquecido, convenhamos. Para algumas pessoas o grau de flatulência aumenta significativamente quando o mesmo é proferido. Outras pessoas acham um nome horrível, uma afronta aos cidadãos de bem e a Deus. Pois fodam-se esses últimos! A real é que o nome Cocaine Cobras faz referência aos anos de 1980 onde tudo de brega, cafona e escroto foi estabelecido na face da Terra. Cocaína era, naquele momento, a droga de uma nova elite. Novos ricos. Jovens bem-sucedidos

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Pra Cocaine nunca rolou esse lance de show grande, de abrir pra medalhão.” Rafael, GUITAR - COCAINE COBRAS

financeiramente cujo propósito de vida era fazer dinheiro para grandes corporações e gastar com porcarias: os Yuppies. Já a parte do Cobras faz uma referência a filmes, carros e vários outros clichés da época. Ora! Quem não lembra dos Cobra-K de Karatê Kid? Do Stallone Cobra? Dá pra ter uma noção, né?

O estilo do som de vocês não é muito popular no Brasil, mas aos poucos o interesse do público vem aumentando. Como vocês fazem para divulgar o trabalho de vocês e como fazem para conseguir shows? Rafael: Contato com público/

produtores/bandas é quase que cem por cento via internet. Geralmente pela página da banda, outras vezes através de nossos perfis sociais nas Redes. Divulgação idem. É muito bom estar vivendo uma época onde não precisamos esperar um mês

pra nossa demo em fita K7 chegar em outro Estado via correios. Hoje tudo está mais acessível.

Ultimamente, Fortaleza passou a receber vários shows de grandes bandas internacionais. As bandas autorais têm tido espaço nesses eventos? Como anda a cena na cidade? Rafael: Tem vezes que cha-

mam bandas locais, tem vezes que não. Geralmente tocam as bandas amigas da turma que produz. Pra Cocaine nunca rolou esse lance de show grande, de abrir pra medalhão. Ao menos por enquanto, né? Vai que rola? Sobre a cena, costumo afirmar que não existe uma cena em Fortaleza, mas, sim, várias. Não é uma megalópole, mas tem tantas bandas, tantos nichos diferentes que fica difícil pensar em algo simplificado a uma cena. Tem muita gente boa se organizando, produzindo, fazendo a coisa acontecer desde a extrema periferia até o mais requintado e pedante pub. Isso é bem legal de acompanhar! Estamos vivenciando uma época muito produtiva, até. Tem bandas surgindo a todo momento e impressionando bastante. O público parece ter se renovado. Até bandas antigas estão retomando os trabalhos e lançando coisa nova. O que não temos mais é uma casa de shows específica que represente todos os movimentos que fluem pela cidade. Isso é até interessante já que é da necessidade que surgem as oportunidades. A coisa toda não está acomodada. OD | A


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ENTREVISTA RAFAEL

GUITARRA - COCAINE COBRAS

As gravações do Cocaine são feitas por aí mesmo? E o custeio, é feito toda pela banda ou vocês têm algum apoio? Rafael: As gravações dos EPs

foram feitas aqui em Fortaleza no Estúdio 746. Quem captou pra gente foi o Jorge. No caso do disco que sai esse ano estamos captando lá no 746 e em casa. Outra vantagem dos dias de hoje. A grana que fomenta a Cocaine sai em parte dos nossos bolsos e em geral do caixa oriundo dos cachês e merchans. A ideia é que a banda “se torne autossustentável”, não que dê lucro. Costumamos investir toda a grana que entra através da banda nas necessidades da banda. Ainda assim vemos a coisa como nosso futebol dos domingos, não como uma empresa que vá nos dar lucros.

Como funciona o processo de composição da banda? E quais são as inspirações para as letras? Rafael: No início as com-

posições eram feitas em casa. Gravávamos os riffs e a melodia em formato digital e enviávamos para nossos e-mails. Nos ensaios passávamos tudo e montávamos as canções. Hoje gravamos os ensaios com o celular. Quando sai um riff bom entre uma música e outra damos atenção especial. Quando o riff merece mesmo vira canção. Acho esse processo mais dinâmico, menos forçado. O barato flui melhor.

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Que tipo de som vocês escutam “fora da banda”? E quais bandas vocês citariam como influências diretas para o Cocaine Cobras? Rafael: Bicho, a escola que é

unânime entre os três membros é o punk. Foi o que formou a gente musicalmente durante a adolescência, saca? No geral escutamos muita coisa. Punk, metal e todo esse monte de rótulos que arrumaram pra descrever e definir a boa música. Como influência direta da banda eu cito Motorhead, Thin Lizzy, Cathedral, Corrosion of Conformity e o Sad Wings of Destiny do Judas. Que disco foda, porra.

No momento vocês estão em turnê em São Paulo, junto com o Projeto Trator (SP) e a Mondo Bizarro (PE). Como está sendo a experiência? E os shows? Rafael: Passou a tour e só

ficaram lembranças boas, barão. A experiência foi excepcional. Os shows foram fodas! Muita energia, saca? SP é um celeiro de bandas fodas. Muita coisa que nos influenciou ao longo desses anos vem de lá. O Projeto Trator é uma dessas bandas de SP que merece atenção especial! Foi muito gratificante estar ao lado de tantas bandas fodas como o próprio Trator, Mondo Bizarro, Magzilla, Gasoline Special, Burt Reynolds, Broken & Burnt e Münster. Fazer novos brothers, conhecer outros lugares e deixar a sementinha da tua banda em outros solos não tem preço,

III CAPA

EP 2013

bicho. É isso que faz a gente continuar nessa de fazer música.

Já que estamos falando de turnês: vocês têm planos paras as próximas? Uma tour internacional está nos planos? Rafael: Por hora nenhum pla-

no de tour. A meta agora é terminar as gravações do primeiro disco e lançar esse bagulho. Já devemos isso faz tempo. Creio que depois desse processo pensaremos em algo do tipo.

Se pudessem escolher um lugar do Brasil pra tocar, onde seria? E do mundo? Por quê?


FICHA ORIGEM

Fortaleza, Brasil

GÊNERO

Stoner/Space/ Doom

CURRENT MEMBERS

Antonio Lauder Baixo/Vocal Rafael Guitarra Davy Bateria

XXX – Adult Superstore (2011)

Rafael: Essa pergunta é bem particular, mas vamos lá! Tocaria no Acre porque o Acre é do caralho! Talvez até encontrasse algum parente por lá. Se tivermos público no Acre deixo aqui um abraço a todxs! Esperamos tocar por aí um dia! De país fico entre Holanda e Uruguai. O porquê eu deixo pra vocês divagarem. Fica aqui um espaço pra vocês falarem o que quiserem: seja para mandar um alô pra mãe, um #foratemer ou só um “tchau”, o espaço é de vocês. Rafael: Gostaríamos de agra-

decer ao Paulo Ueno e ao Thiago Padilha que viabilizaram esse giro fodástico por SP e mandar também um abraço pra moçada que esteve presente, tanto nos rolés quanto nas caminhadas. Nem Estado e

nem patrão! Que caia logo essa civilização inteira pra acabar com essa putaria toda. No mais é isso. Valeu! OD | A

LINKS https://www.facebook.com/CCobras https://thecocainecobras.bandcamp.com/

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ENTREVISTA ARCHITYRANTS BANDA

A CONTINUIDADE DE UMA LONGA HISTÓRIA 44


POR | Rafael Sade

A

banda curitibana Archityrants retorna após 5 anos sem lançamentos, com novo line-up e revigorada. Isso tudo está amostra no novo EP “Sleep of the Damned” e com promessa de um novo full leaght para muito breve. Isso tudo e mais eles nos contam aqui para a October Doom Magazine:

Rafael Sade: No início a banda tinha outro nome que durou quase 10 anos - A Tribute to the Plague - e chegaram a gravar um álbum. Conte-nos sobre esse período. Luxyahak: O que eu posso

dizer é que comecei a tocar com eles sob esse nome em 2007. A partir daí, tocamos diversas vezes e compusemos o “Black Water Revelation”. Trabalhamos durante dois anos com esse nome até entrarmos em estúdio. Foi aí que fizemos a mudança. Anubis: A Tribute foi uma das precursoras do Heavy/Doom Metal curitibano. É uma banda que teve a sua história e deve ser respeitada por isso. Para nós, esse foi um período importante onde construímos a identidade do que viria a se tornar o Archityrants.

Qual o motivo da mudança para Archityrants? O line up continuou o mesmo?

Luxyahak: A mudança foi necessária, pois já não nos identificávamos com o trabalho feito em

2003. O único remanescente desse período também foi partidário desse pensamento. Anubis: De 2007 até 2011, eu e o Luxyahak fizemos parte da Tribute. No princípio, nós fizemos shows com o repertório da própria Tribute. Com o passar do tempo, as novas composições foram surgindo e a cara do som foi mudando. A mudança de nome era algo que estávamos pensando há algum tempo. Em 2011, poucos antes do lançamento do CD “Blackwater Revelation”, nós consumamos essa mudança e o CD já saiu como Archityrants. A formação, na época, continuou a mesma. As mudanças ocorreram depois disso. Para nós, a mudança de nome era óbvia e inevitável, pois a concepção sonora da banda já era outra. As influências, a forma de tocar e de criar as músicas eram totalmente diferentes.

A sonoridade de vocês traz muita coisa de Solitude Aeturnus e Candlemass. Vocês têm outras influências fora esses exemplos? Luxyahak: Além dessas duas

bandas, eu curto muito Black Sabbath, Mercyfull Fate, Nevermore, Memento Mori. Também ouço algumas bandas de Metal em que o vocal é lírico, além dos clássicos Judas Priest, Saxon, Accept, etc. Ouço alguma coisa de erudito, como algumas Óperas diversas (mais como pesquisa), gosto de trilhas sonoras de filmes e acho que isso é influência para nossas músicas. Ouço bandas locais como Murder Rape, Amen Corner, Eternal Sorrow, Disarmonic Fields.

No Metal, minha principal referência como guitarrista é o Tony Iommi.” Anubis, GUITAR - ARCHITYRANTS

Ultimamente, tenho acompanhado bandas do nosso estilo, como Doomocracy, Sorrows Path, Sorrowful Winds e Solitary Sabred. Anubis: No Metal, minha principal referência como guitarrista é o Tony Iommi. Além do Black Sabbath, gosto de inúmeras bandas que contribuíram para a minha formação como guitarrista, entre elas o Judas Priest, Dio, Slayer. Do Candlemass e do Solitude Aeturnus, que são a base do nosso som, admiro muito a construção dos riffs que é feita de forma simples, cadenciada e obscura. É o que sempre procurei fazer nas composições do Archityrants. Tenho muitas outras referências dentro e fora do Metal, entre elas o ex-guitarrista do David Bowie, Gerry Leonard, e o guitarrista do The Police, Andy Summers. Esses caras usam a criatividade em primeiro lugar. Acho isso muito mais importante do que a técnica exagerada. OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA ARCHITYRANTS BANDA

Tersis: Sempre fui fã do He-

avy Metal tradicional de bandas como Iron Maiden, Judas Priest, Exciter, Picture, Manilla Road, Medieval Steel e muitas outras. Mas gosto muito quando a estética musical é mais sombria, como no Mercyful Fate e no Black Sabbath. O Metal Extremo sempre fez parte da minha vida, desde adolescente. Gosto muito de outros gêneros de Doom com bastante peso e que, por momentos, flertam com elementos Death Metal como Katatonia (old), October Tide, Swallow the Sun, Ophis e tantas outras...

Em 2011 foi lançado o primeiro Full-length. “Black Water Revelation”. A experiência dos anos anteriores ajudou na composição desse álbum? Luxyahak: Sim, tanto a ex-

periência de começarmos a tocar juntos em 2007, que foi chave para nos entrosarmos e definirmos a linha que comporíamos, quanto nossas experiências individuais antes do Archityrants. Anubis: Na música, assim como na vida, tudo que você passa serve como aprendizado. A composição sempre foi um ponto chave no Archityrants. Nossas músicas sempre saíram de forma natural, pois existe uma química entre os integrantes.

Qual a importância do “Black Water Revelation” pra vocês? Fizeram bons shows? Luxyahak: Para mim o

“BWR” é de suma importância,

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pois é o meu Full-length, tenho muitos outros trabalhos gravados, mas nada oficialmente lançado, apenas demos. Em termos de banda esse álbum acabou lançando o nome Archityrants para outros lugares do mundo, e nos colocou no cenário. Tivemos bons shows antes e depois do álbum, porém todos foram em nossa cidade. Gostamos muito de tocar ao vivo e estamos ansiosos para estarmos de volta aos shows. Anubis: O “Black Water Revelation” sacramentou o estilo do Archityrants. Na época, fizemos vários shows em Curitiba e também um em Joinville. Pessoalmente, adoro estar no palco porque é onde você mostra todo o trabalho e esforço que teve para criar as suas músicas. Nosso som foi sedi-

mentado a partir desse álbum. Tersis: Entrei recentemente na banda e, apesar de não ter participado do “Black Water Revelation”, posso dizer que sempre admirei esse álbum. Acompanhava os shows do ATTTP desde o final dos anos 1990 e fiquei honrado ao receber o convite para tocar no Archityrants.

Luxyahak, em 2014 você gravou os vocais em uma demo da banda alemã Spirit Descent. Nos conte essa experiência e o porquê de a banda não ter continuado. Luxyahak: O Andreas Libera

e eu já tínhamos contato porque admirávamos reciprocamente nossos respectivos trabalhos com bandas. Assim, tivemos a ideia de


FICHA

fazermos algo juntos nesse sentido. Foi quando ele me enviou nove músicas. No início, pensei que seria apenas um projeto novo, inclusive a minha preferência era que ele tivesse um nome desvinculado e começássemos do início. Porém, assim que enviei as músicas, ele já deu a notícia na página do Spirit Descent me apresentando com o novo vocalista. Enfim, fizemos alguns planos para apresentações ao vivo, mas parece que o problema com integrantes atinge o primeiro mundo também. Acabou que não aconteceu, mesmo tendo uma data no Malta Doom Metal. Foi quando ele resolveu encerrar as atividades do SD, com a demo “The Last Charper” que contém três das nove músicas, nas quais tive muito orgulho em gravar as vozes e escrever as letras. Dessas nove músicas, duas foram descartadas, três lançadas na demo e as outras quatro estão ocultas (devem ser lançadas aos poucos com outro nome). A demo pode ser conferida no link: https://spiritdescent.bandcamp. com/album/the-last-chapter-demos-2014-2015

Após 5 anos o Archityrants volta a gravar material inédito, o EP “Sleep of the Damned”. Nos conte o porquê da demora e como foi o processo de gravação. Luxyahak: As saídas dos in-

tegrantes (cada um ao seu tempo e motivo) que estavam no lineup do “BWR”, foi que atrasou o trabalho

Na música, assim como na vida, tudo que você passa serve como aprendizado.” Anubis, GUITAR - ARCHITYRANTS

do EP e do CD, que está pronto. Era para isso ter acontecido já em 2013, pois já estávamos com o Thiago Valença no baixo e o Gustavo Thorn na bateria, porém sem guitarra solo. Felizmente o Tersis Zonato (guitarra solo) vestiu a camisa da banda e pudemos finalizar com êxito o EP e o CD “The Code of the Illumination Theory”, que será lançado em dezembro nos canais virtuais, bem como fisicamente. O Tersis não veio somente para fazer solos. Ele deu mais força para a banda, visto que se tornou um integrante ativo com as suas ideias. Então, agora para o “The Code of the Illumination Theory”, o lineup é: Luxyahak (vocal), Marcos Anubis (guitarra e guitarra sintetizada), Tersis Zonato (guitarra solo), Thiago Valença (baixo) e Kustaf Thorn (bateria). Já o próximo álbum, certamente será concebido muito em breve pois já começamos com as primeiras inspirações. Trabalhamos para que estes dois álbuns sejam apenas o início de uma caminhada trilhada por vários trabalhos. OD | A

ORIGEM

Curitiba, Paraná

GÊNERO

Heavy/Doom Metal

CURRENT MEMBERS

Luxyahak Vocal Marcos Anubis Guitarra e guitarra sintetizada Tersis Zonato Guitarra solo Thiago Valença Baixo Kustaf Thorn Bateria

Sleep of the Damned (2016)

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA ARCHITYRANTS BANDA

Anubis: As mudanças em

nossa formação foram o grande obstáculo para a finalização do EP. Quando não existe comprometimento total com o que está sendo criado, as coisas acabam atrasando. Mas passamos por essas turbulências e nos tornamos mais fortes. Além do EP, nós já temos o novo CD finalizado. Ele se chama “The Code of the Illumination Theory” e foi gravado no estúdio Old Black Records, em Curitiba, com a produção do músico e produtor Renato Ximú. Estamos buscando um selo para lançá-lo. Caso não consigamos, faremos o lançamento de forma independente até o fim de 2016. Tersis: Infelizmente, eu não cheguei a pegar o início das gravações do álbum. As minhas pistas de guitarra foram gravadas em meu home estúdio (Lutemkrat Studio) e misturado com a mixagem no estúdio Old Black Records. Como eu venho de bandas de gêneros mais extremos como o Death Metal, compor para o Archityrants foi um desafio e certamente aprendi muito. Para os próximos lançamentos estou certo de que teremos facilidade em compor novas músicas, visto que já percebemos

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um entrosamento muito bom entre os membros, seja no âmbito musical e também conceitual.

Obrigado pela entrevista. Deixe aqui um recado aos fãs e admiradores do Archityrants. Anubis: Valorizem as bandas

autorais desse país. No Brasil, todos os que se mantêm fazendo música autoral travam uma batalha diária para compor, gravar e fazer shows. Todos esses guerreiros devem ser valorizados. Obrigado pelo espaço. Stay Doom! Tersis: Muito obrigado pelo convite e pelo espaço. Para ouvir as músicas, acompanhar nosso dia-a-dia no estúdio e atividades da banda, acessem nossos canais nas mídias sociais. O primeiro álbum e o novo EP também estão disponíveis em diversos canais de streaming como Spotify, Bandcamp, Deezer, Google Play Music e muitos outros. Luxyahak: Primeiro, obrigado pelo espaço aberto para podermos contar um pouco de nossa história e projetos. Queria parabenizar pelo trabalho da ODM pois sabemos como é difícil fazer jornalismo especializado em Metal aqui no

BLACK WATER REVELATION CAPA EP 2011

Brasil e dizer que o Archityrants está aberto para contatos, e quem sabe poder mostrar nosso trabalho ao vivo para vocês! Quem quiser pode entrar em contato conosco por meio dos pelos links Um Grande Abraço! Stay Doom! OD | A

LINKS https://www.facebook.com/Archityrants https://archityrants.bandcamp.com/music


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ENTREVISTA MAURICE EGGENSCHWILER GUITARRA

RESENHA DO ALBUM

BLUES FUNERAL: POEIRA E HARD ROCK 50


FICHA POR | Matheus Jacques

ORIGEM

Houston, Texas - USA

GÊNERO

Stoner Rock

CURRENT MEMBERS

Jan Kimmel (El Janni) Guitarra, Vocal Maurice Eggenschwiler Guitarra, Vocal Cory Cousins Bateria Gabriel Katz Baixo

D

ireto do “empoeirado” Texas, de onde também vêm vários outros sujeitos envolvidos com boas bandas do cenário stoner rock atual, Maurice Eggenschwiler trocou uma ideia comigo agora por essas semanas. O cara é vocalista e guitarrista da banda americana Blues Funeral, que busca no hard rock e no rock progressivo dos anos 60 e 70, além do metal, inspiração para desenvolver seu som (excelente, por sinal!!). Confiram aí.

Matheus Jacques: E ai, Maurice, legal falar contigo! Maurice Eggenschwiler: O prazer é meu. Legal falar com você também!

Primeiro, sobre o nome da banda: ele vem do álbum de 1969 da banda Groundhogs, “blues obituary”, uma grande peça de hard rock psicodélico. Você diria que essa escolha é apenas uma referência bacana, algo que soa bem, ou a Groundhogs realmente inspirou e serviu de influência para o seu som? Maurice: A escolha do nome

representa uma série de coisas. Em termos de sua conexão com o álbum do Groundhogs, ‘Blues Obituary’, é na maior parte apenas um detalhe. Eu não diria que o Groundhogs especificamente tenha tido uma influência significativa ou direta no som da banda,

mas existem elementos de sua música que estão absolutamente alinhados com o que estamos tentando fazer. Se você ouvir uma música como ‘BDD’ naquele disco, você vai ouvir algum Baixo retumbante muito bom, e mais adiante você vai ouvir alguns bons licks de Blues em uma guitarra ligeiramente distorcida com algum reverb flexivel nela, o que deixa o som um pouco mais pesado e distorcido. Ele fica um pouco mais pesado e distorcido mais adiante na música. E você ouvirá um bom “balanço” vindo da Bateria mantendo tudo bem situado. Então, nesse sentido, eles têm uma série de dinâmicas em seu som, e isso é parte do que tentamos incluir na nossa música também. Blues Funeral como um nome retrata a fundação subjacente de que o Blues tem tido sobre tanta música, especificamente do Metal, e como tudo isso se atrela a nosso som

A música da Blues Funeral soa como um caldeirão de boas referências sessentistas e setentistas, como Deep Purple, Black Sabbath, além de vários outros elementos de hard rock e rock progressivo, e também do metal. A banda anterior onde tocaram você, Jan (guitarra) e cory (bateria), sanctus bellum, tinha uma linha mais heavy/doom metal. Como foi o processo de composição dessa linha mais retrô da blues funeral, com você e Jan nos vocais? OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA MAURICE EGGENSCHWILER GUITARRA

RESENHA DO ALBUM

Maurice: Sanctus definitivamente tinha um som que era mais enraizado no Doom Metal. Nós retivemos alguns aspectos dessa sonoridade na Blues Funeral com nossa dobra de guitarras (resultando em vários solos). Essas coisas realmente se tornaram uma parte da dinâmica de composição que Jan e eu desenvolvemos através dos anos tocando juntos.Contudo, na Blues Funeral nós tivemos a liberdade de explorar mais dinâmicas melódias no processo de composição que estavam fora de contexto na Sanctus Bellum. Por exemplo, na faixa “Paragon of Virtue” que lançamos em nosso Bandcamp há pouco tempo, existe um trecho que se desenvolve por uma corda menor, por uma corda maior #7, e então para uma menor #7. Esses tipos de variação de cordas, que são uma coisa meio “jazzy”, adicionaram muito ao som da Blues Funeral. Eu acho que nunca escrevemos uma faixa na Sanctus Bellum usando uma corda maior #7, haha. Adicionalmente, ainda que houvessem alguns momentos na Sanctus onde usávamos Órgão, ele nunca foi uma parte integrada do processo de composição. Estamos tentando trazer alguma pegada de Jon Lord, Ken Hensley e Vincent Crane para o projeto. Com respeito aos vocais, Jan e eu temos cantado juntos por anos fora da Sanctus Bellum. Nós temos um apreço pelo estilo e pelo alcance um do outro, e penso que tenderemos a um complementar o outro dessa forma.

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A banda Sanctus Bellum permanece ativa e a blues funeral seria um projeto paralelo apenas, ou já se encontra como o principal trabalho de vocês? Maurice: Sanctus permane-

ce ativa e realizando um número menor de apresentações. Por exemplo, setembro passado nós tocamos com nossos bons amigos da Apostle of Solitude quando eles vieram à cidade. Foi ótimo tirar a poeira das velhas músicas e fazer um som. Nós obviamente seguimos bem próximos de Ben e Justin, nossos parceiros na Sanctus Bellum. Mas nesse momento, Justin tem outra banda de Stoner Rock, MR.PLOW (onde Cory toca bateria), que se tornou o foco deles. Se você já não o tiver feito, confira a banda! Justin está focado em compor músicas para o projeto, e Jan, Cory e eu estamos vendo a Blues Funeral como nosso projeto principal nesse ponto. Tem muito que queremos realizar!

Como estão indo as coisas com a Blues Funeral? O progresso é o esperado? E vocês estão se sentindo bem com esse novo projeto? Maurice: Fantástico. O pro-

cesso de composição foi bem natural e fluiu muito bem nesse projeto. O álbum sairá no dia 30 de julho, tem seis canções que todos irão querer ouvir direto, mas também já temos outras duas totalmente compostas e algumas outras em es-

O processo de composição foi bem natural e fluiu muito bem nesse projeto.” Maurice Eggenschwiler, GUITARRA - BLUES FUNERAL

tágios de desenvolvimento. Então, temos muito mais a mostrar!

“Paragon of virtue” foi a primeira faixa liberada do vindouro álbum, “the search”, e vem com um toque forte de hard rock progressivo/ proto-metal, grande ambientação... Um som com uma grande atmosfera. Podemos esperar muito mais dessa vibe 70’s no album? Maurice: Sim. A faixa-título

em particular, acho que levará as pessoas à uma viagem incrível, haha. A música tem, provavelmente, o mais abundante uso de Órgão. O que me assusta é que Jan é quase tão bom tocando Órgão quanto guitarra. Você ouvirá quase um minuto e meio dele tocando Órgão na faixa título. Mas sim, no geral a composição desse álbum incluiu uma variedade de elementos progressivos. Você ouvirá alguns sons mais pesados também haha. OD | A


ENTREVISTA MAURICE EGGENSCHWILER GUITARRA

RESENHA DO ALBUM

“The Search” ganhará uma versão física em vinyl / cd? Maurice: Sim. Lançaremos

em CD em um digipack muito bacana com a arte por conta de David Paul Seymour (artista americano que ilustra para várias bandas ligadas ao cenário do stoner rock). O lançamento físico está marcado para 30 de julho em um show no qual tocaremos com nossos bons amigos das bandas Vehement Burn e Ganesha, aqui em Houston. Temos recebidos uma porrada de perguntas sobre o lançamento em vinil.... Então, provavelmente teremos que lançar em vinil também, em algum momento...

O Texas tem apresentado um número notável de grandes bandas dentro do cenário stoner rock, como Wo Fat, Mothership, The Sword, The Well, Crypt Trip.... Vocês são amigos de todo esse pessoal, dividiram os palcos com alguns deles? E como foi o crescimento musical em houston? Maurice: É interessante. A

cena musical do Texas sempre foi abundante em grandes bandas, mas acho que recentemente muitas delas estão ganhando o reconhecimento que merecem. Na Sanctus, tocamos com Wo Fat e Mothership por muitos anos. Kelley é um grande cara e um monstro na guitarra. Estou sempre “incomodando” o cara com o quão legal é sua “cara de Rock” nos palcos, haha. Nós certamente gostariamos de fa-

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zer algo com a The Well em algum momento. Tentamos trazê-los para Houston ano passado, mas Lisa e os demais estavam bastante ocupados se preparando para entrar em estúdio para gravar seu novo album, o que acontecerá muito em breve. A própria Houston tem uma grande cena de Metal. Temos bandas como Oceans of Slumber, Venomous Maximus e Helstar, que estão realmente carregando a tocha de Houston em níveis nacional e internacional. Temos bandas como The Dirty Seeds, Doomstress, Funeral Shroud, PuraPharm, Funeral Horse, Krvshr... e outras que tocam regularmente e ajudaram a moldar e desenvolver uma verdadeira comunidade de músicos e fãs. Recentemente, estive falando com alguns amigos nossos sobre o verdadeiro fato de que todos conhecemos todos na linha de frente em muitos desses shows de Metal em Houston. Somos todos amigos e damos nosso melhor para colaborarmos uns com os outros e com seus projetos.

Cara, me conte um pouco sobre tua formação como guitarrista, trabalhos em outras bandas e tuas referências como músico. Maurice: Desde que estava

velho o bastante para saber como era uma guitarra, estive fascinado por isso. Minha avó me comprou minha primeira guitarra. Era uma guitarra acústica que não tenho

mais, infelizmente. Quando eu a peguei, apenas sabia como tocar alguns acordes. Apenas quando completei 12 anos tive minha primeira guitarra elétrica, uma Stratocaster preta. Desde então, vem sendo uma obsessão haha. Acho que tocar na sanctus por 5 anos realmente me ajudou a desenvolver minha composição. “Dumb Luck Divinity” é uma música de nosso segundo álbum da qual estou realmente orgulhoso. É longa e com muitas variações entre passagens mais pesadas e outras mais viajantes.Sobre as influências... longa lista. Sou fascinado por caras como Jimi Hendrix, Ritchie Blackmore, Uli Jon Roth, Frank Marino, Gary Moore e Robin Trower. Eles têm muito sentimento em sua forma de tocar e tremendas habilidades tambem. Vinnie Moore e Marty Friedman são dois caras que tiveram muito impacto na minha forma de tocar. Eu amo o trampo de guitarra de Michael Amott e sua criação de riffs. Seu estilo de solo é bastante melódico e e ele usa bastante vibrato. Mi-


nha principal grande influência na guitarra foi Mikael Akerfeldt, do Opeth. Quando ouvi “My Arms, Your Hearse” pela primeira vez, literalmente mudou minha vida.

Sobre as próximas turnês e festivais, quais datas bacanas vocês já têm marcadas? Alguma chance de uma tour sul-americana no futuro? Vocês já cogitaram algo do tipo? (e se acontecer, uma sugestão: algumas datas no brasil, isso seria incrível haha) Maurice: Como mencionei

antes, temos um show de lançamento para o CD onde, será realizado dia 30 de julho em Houston. Estamos planejando algumas coisas realmente especiais para o show. Estaremos tocando versões estendidas de alguns sons e trazendo outras surpresas misturadas. Depois disso, teremos um show em setembro com a Destroyer of Light e a Witchcryer (duas outras bandas do Texas). Temos algo alinhado para janeiro do ano que vem, mas ainda não podemos falar

sobre, mas tem muita coisa vindo. Falamos sobre querer fazer algo na Europa em algum ponto. Não sei exatamente quando. Não discutimos sobre a América do Sul, mas tenho meus vínculos com a Venezuela, meu amor pelo vinho argentino e pela carne brasileira.... Não seria difícil me persuadir, hahaha

Cara, apenas pra fechar: o que podemos esperar do “the search”? Será uma audição indispensável em 2016 pra quem curte o bom e velho hard rock? Maurice: Bem, o álbum abre

com um a guitarra limpa com algum phaser e delay resultando em uma passagem bem madura, e o álbum é finalizado com uma pegada massiva, com baterias trovejantes e guitarra pesada, haha. Eu acho que esse álbum tem algo para todo mundo, sendo fã do “old school” ou não. Se as pessoas curtem riffs sólidos, guitarras harmoniosas, solos, vocais harmoniosos, Órgão, linhas de Baixo fluidas, e algum trabalho balanceado de ba-

Minha avó me comprou minha primeira guitarra. Era uma guitarra acústica que não tenho mais.” Maurice Eggenschwiler, GUITARRA - BLUES FUNERAL

teria... vão viciar nesse álbum. Cheers! Obrigado por ouvir nosso material e por divulgar! OD | A NOTA: Maurice estudou em uma escola internacional na Venezuela, onde morou por alguns anos, e aprendeu algumas belas palavras em Português com brasileiros que também estudavam lá. “Poha” e “Fodeo” estão entre elas!

LINKS https://www.facebook.com/bluesfuneralofficial/ https://bluesfuneral.bandcamp.com/releases

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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RESENHAS

"A BUSCA" POR UM DOS MELHORES ALBUNS CONTEMPORÂNEOS PODE TER ACABADO! BLUES FUNERAL ACERTA EM CHEIO NA FUSÃO ENTRE HARD ROCK E HEAVY METAL, ENTRE O NOVO E O CONTEMPORANEO POR | Matheus Jacques

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P

ouca coisa soa mais verdadeira e pura do que uma homenagem honesta às pessoas que serviram de inspiração para o seu trabalho. O préstimo de reconhecimento aqueles que motivaram e serviram de base para o seu trabalho é algo admirável e digno de nota. Entretanto, em muitos casos é tênue o limiar que separa a homenagem honesta e orgânica do mero plágio, da cópia mercenária e preguiçosa a que muitos se prestam. Felizmente a banda Blues Funeral pertence ao primeiro grupo e poucos soarão mais verdadeiros e puros que eles nesse ano. O quarteto texano composto por

BLUES FUNERAL THE SEARCH

2016

TEXAS, USA 1 - Autumn Dream 06’20’’ A 2 - Harbinger 05’19’’ A 3 - Planet Void 06’56’’ A 4 - Paragon of Virtue 06’50’’ A 5 - The Search 09’45’’ A 6 - Palmdale 06’01’’

três membros egressos da banda de heavy/doom metal SANCTUS BELLUM (Maurice Eggenschwiller, Jan Kimmel e Cory Cousins) e mais Gabe Katz faz nesse seu álbum de estréia, “The Search”, uma incursão prazerosa e valorosa pelos caminhos do Hard Rock e do Heavy Metal, explorando diversas nuances e características inerentes ao rock dos anos 60 e 70, passando pelo rock progressivo, pelo rock psicodélico, pelo proto-metal... O trabalho é diversificado e referências honrosas a diversas bandas podem ser encontradas aqui e ali: Thin Lizzy, Iron Maiden, Black Sabbath, Scorpions, Deep Purple, King Crimson e outras podem ser notadas compondo o painel musical construído meticulosamente e de forma


orgânica pela banda Blues Funeral. Entretanto, é fundamental ressaltar que acima de tudo, o Heavy Metal é a alma e essência permeando e construindo a atmosfera da sonoridade dos caras. Certamente, bandas como Thin Lizzy e Iron Maiden, acima de todas as outras, se sentiriam orgulhosas do que os texanos construíram aqui. Há algo verdadeiramente “épico” e clássico em Blues Funeral, elemento que pode ser notado em “The Search”, principalmente na parte vocal e também em diversos momentos nas construções instrumentais. Esse elemento pode ser notado de forma contundente nas duas primeiras faixas, “Autumn Dreams” e “Harbinger”. Enquanto “Autumn Dreams” é uma canção climática e com ótima atmosfera introdutória dividida igualmente entre o hard rock blueseiro e o heavy metal “clássico”, tradicional, a excelente “Harbinger” traz as guitarras gritando e anunciando uma peça mais densa, trovejante, que por vezes parece puxar consigo algo da linha Sanctus Bellum e tem um andamento mais profundo, sem abrir mão, entretanto do aspecto “épico” citado anteriormente. Em ambas as faixas, impossível deixar de mencionar os ótimos e enérgicos solos de guitarra. “Planet Void” é uma verdadeira homenagem à NWOBHM e uma canção que até mesmo Iron Maiden adoraria ter composto, diria eu. Refrão grudento, ótima linha vocal, daquelas perfeitas para serem entoadas como hino em um show. Se não conhecesse a Blues Funeral e não soubesse que essa canção pertence a eles, certamente diria se tratar de algum clássico de uma

banda de heavy metal clássica. Apresenta uma demonstração clara e precisa da habilidade de cada um dos integrantes com suas funções, total dominio sobre suas capacidades, tanto de composição quanto de execução. “Paragon of Virtue” foi a primeira faixa que ouvi desse album, a primeira liberada, e imediamente ficou no coração. Provavelmente é a faixa que mais destoa do álbum como um todo, tendo uma cadência mais puxada para o hard rock progressivo e com uma presença “sabbathica” conspirado a seu favor em sua atmosfera, a qual tambem é carregada de pinceladas de rock progresivo e uma certa dose de psicodelia. Conta com uma presença marcante do teclado contribuindo para compor a teia musical da canção, ajudando a construir a que talvez seja a melhor canção do álbum. Destaque também para o ótimo solo final. A faixa-título “The Search” é outra das canções mais marcantes do álbum. Com uma veia hard rock setentista pulsantes e toques vibrantes de rock progressivo, a canção traz em sua essência uma verdadeira volta ao passado a medida em que vai sendo desvelada. A presença marcante do teclado novamente é vista e tem sua apoteose com um solo de um minuto e meio passando dos seis minutos da canção! Sim, um incrível solo de teclado de El Janni com um minuto e meio, é teclado pra ninguém botar defeito e só engrandece a canção Para encerrar de forma primorosa o álbum, “Palmdale” retoma novamente a veia Heavy Metal e carrega também uma

dose de Doom rock em sua alma. Talvez seja a canção mais carregada e densa do álbum, uma verdadeira martelada e direcionada ao headbangin, sem sombra de dúvidas! É a cereja do bolo de the “The Search” “The Search” certamente não te levará de volta ao passado, não literalmente. Mas garantidamente proporcionará uma viagem afetiva musical através de décadas passadas, relembrando bons momentos do desenvolvimento do hard rock e do heavy metal, reverenciando vários icones dos gêneros e fazendo com que você tenha cerca de 41 minutos de puro deleite sonoro. De forma natural, orgânica e fluida, Blues Funeral tem um começo brilhante e nos apresenta um dos grandes álbuns de estreia de nossa época. OD | A

LINK https://www.facebook.com/SubrosaSLC

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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RESENHAS

10


é uma composição similar e desesperadora, mas há noções de esperança durante seus dez minutos – que não ajudam em nada, claro. Ouvir todo o álbum durante uma viagem de ônibus, por exemplo (foi o que eu fiz nesta semana!), realmente traz à luz a enormidade do desespero de nossa existência. Acredite, não é um disco feliz, e nem feito por alguma banda fazendo esse som porque está na moda e é mais fácil de tocar do que outros sub-gêneros do metal: Pathway é incrivelmente depressivo, doom de verdade. “22 Years” não mostra nenhum respeito, enquanto “My Will Has Gone” levanta o ritmo, mas não o espírito. É um álbum de classe, cheio de doom e melancolia. A banda é incrível ao vivo e ostenta um dos mais duradouros talentos de doom da Região Noroeste dos Estados Unidos, vindo de alicerces como o Unsilence. A performance da banda é excelente e o front man Nathan Harrison realmente captura o sentiment de impotência tão prevalecente nas letras e temas aqui presents. Aflitivo, de fato. OD | A

FICHA ORIGEM

Review

UK

GÊNERO

Doom Metal

CURRENT MEMBERS

James Moffatt Bass Phil Purnell Drums Jonathon Gibbs Guitars Kieron Tuohey Guitars Nathan Harrison Vocals

POR | Richard Maw thesludgelord.blogspot.com TRADUÇÃO | Elyson Gums

D

egressivo e com afinação baixa, The Human Condition é uma oferenda sombria do Noroeste dos Estados Unidos. Não é fácil de ouvir, então se prepare para uma certa visão desolada de mundo. A faixa de abertura “The Tempest” é tão tempestuosa quanto o nome sugere. É um registro caloroso, marcado pelo baixo com vocais limpos ao estilo tradicional, só que mais grave do que Dio, Halford etc. Riffs matadors aparecem aos montes em uma pesada seção intermediária da música. “The Things I should Have Said” é reflexive e introspective, combinando arranjos à lá Paradise Lost com convincentes ganchos vocais. O disco é o mais melancólico possível, com faixas como “The Gifts I Gave” te lembrando o porquê de tudo ser uma perda de tempo, não haver esperança e também não haver futuro. A faixa-título é uma besta de riffs pesados e letras pessimistas. “Chrysalis”

LINKS https://www.facebook.com/TheHumanConditionDoom/ https://thehumanconditiondoom.bandcamp.com/

Modern Maze (2010)

THE HUMAN CONDITION PATHWAYS TOPILLO RECORDS

UK

2015

1 - The Tempest 07’55’’ A 2 - The Things I Should Have Said 06’12’’ A 3 - The Gifts I Gave 08’06’’ A 4 - Pathways 06’57’’ A 5 Chrysalis 10’00’’ A 6 - 22 Years 08’33’’ A 7 - My Will Has Gone 08’45’’

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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RESENHAS FESTAS

POR | Gustav Zombetero

N

uma sexta-feira de julho aconteceu um dos rolês mais fodelantes de 2016, o Crocodilo High Fest, o pico da feita foi o nosso querido e já tradicional Centro Cultural Zapata. O fest contou com os pernambucanos Mondo Bizarro, lançando o seu Debut “Too loud is not enough”, com os cearenses Cocaine Cobras, lançando uma compilação intitulada “Six years” com 2 EPs e um live, com os capixabas Broken & Burnt, lançando o Debut “It comes to life”, com os anfitriões Projeto Trator e Magzilla. Além disso tudo, esse rolê fazia parte da turnê dos Projeto Trator, comemorando 10 anos da banda, a tour “Fora Temer” passou pelo sul do país também, além do interior paulista, em algumas datas, acompanhados pelos Mondo Bizarro e Cocaine Cobras. Vamos ao fest... Não lembro muito bem o horário, acredito que já era meia noite de sábado quando os Cocaine Cobras subiram ao palco para

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JUL 2016

CROCODILO HIGH FEST CENTRO CULTURAL ZAPATA SÃO PAULO - SP Mondo Bizarro A Cocaine Cobras A Broken & Burnt A Projeto Trator A Magzilla

mostrar a que vieram, um Rock áspero, cheio de ginga, peso, delírio, chapação sonora sem dó nem piedade, o trio composto por Lauder (4 cordas + voz), Rafael (6 cordas + voz) e Davy (marretadas) se entrega por completo, trucidam

seus instrumentos afã de tirar toda a selvageria possível, chegaram chegando. O caos chapante continuou com a vez dos Mondo Bizarro se apresentarem, outro trio, Júnior (6 cordas + voz), Chicão (4 cordas) e Rapha (marretação), os caras flertam uma agressividade com uma certa sutileza do que chamam de Desert Rock, submersos num entrosamento fudido, sobrando espaço para pequenas aloprações, ou jams, nada de forçar a barra, só tirar uma onda, acredito que tocaram o Debut na integra, não decoro sons de bandas com facilidade, mil perdões. Após o arregaço hellcifense é a hora do duo mais seboso do rolê tecer o seu Rock torto, os Projeto Trator tão numa pegada caso se você tem estômago fraco, irá sentir um mal estar, o som dos mano tem como objetivo incomodar, criar uma parede formando um quadrado que te engole, tocaram uma porrada de coisa nova, velha, tão com material novo lançado também, Split, por aí vai... A madruga vai se aprofundando, fumaça, bafos etílicos, risadas, trocas de ideias


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intensas, uma bela celebração... Chega a vez dos capixabas Broken & Burnt, um som bem trabalhado, 2 guitarras, loco o flerte do vocalista e guitarrista, um vocal mais limpo e outro mais agressivo, assim como o som dos doido, entre o Grunge, algo de Stoner, um Groovado, sem nenhuma pretensão de seguir uma linha reta, fizeram uma puta apresentação! Tamo nos 45 do 2º tempo quando é a vez dos Magzilla, a banda é nova, tem apenas um som pra ser sacado no bandcamp deles, outra banda com 2 guitarras... aqui a pegada é aquele Stoner/ Doom arrastado, lisérgico, macio, lembra muito os Windhand, algo dos Yob, veio a calhar o encerramento com eles, depois de tanto ferir os ouvidos com as pancadarias das outras bandas, era hora de relaxar, se arrastar até o fim e agradecer ao inferno por nos proporcionar um dia tão belo para contar para os nossos netos que não pretendemos ter. Que a galera do Crocodilo Discos realizem mais fests assim, continuem na batalha, no FAÇA VOCÊ MESMO, de qualquer forma, tamo correndo junto, SEMPRE! Valeu é até a próxima! OD | A

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AS BASDAS QUE FIZERAM O FEST: Broken & Burnt (1), Projeto Trator (2), Mondo Bizarro (3), Magzilla (4) e Cocaine Cobras (5).

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facebook.com/OctoberDoomOfficial

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FESTIVAL

POR | Morgan Gonçalves

SET 2016

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o domingo, 04 de setembro a Overload realiza pela terceira vez, seu principal evento anual, o Overload Music Fest. COMO COMEÇOU O primeiro Overload Music Festival aconteceu em 2014, quando as bandas Alcest, God Is an Astronaut, Fates Warning e Swallow the Sun se revezaram em dois dias de apresentação no Rio de Janeiro e em um terceiro dia em São Paulo, desta vez acompanhados do Labirinto. Em 2015 o Festival trouxe bandas ainda mais esperadas para o Brasil. Na segunda edição do OMF as bandas Anathema, Paradise Lost, Novembers Doom, The Reign of Kindo, Riverside, Mono, Andy McKee e Antimatter. Os shows aconteceram entre os dias 5 e 6 de setembro. Além das apresentações no OMF, Paradise Lost e Anathema ainda se apresentaram em Porto Alegre dia 07 de setembro e no Rio de Janeiro no dia 08 de setembro.

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OVERLOAD MUSIC FEST CARIOCA CLUB SÃO PAULO - SP Katatonia A Alcest A Labirinto A Vincent Cavanagh


RAIO X Total de atrações convidas:

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Países representados: EUA, Inglaterra, Finlândia, Irlanda, Japão, França, Polônia e Brasil Total de duração: Aprox. 18 horas de shows

2016

No próximo dia 04 de setembro acontece a terceira edição do Overload Music Festival, com as bandas Katatonia, Alcest, Labirinto e com o guitarrista e vocalista do Anathema, Vincent Cavanagh, e todas as bandas prepararam apresentações especiais para o público brasileiro:

VINCENT CAVANAGH – O

frontman do Anathema traz o set-list acústico com músicas de toda a carreira da banda inglesa.

LABIRINTO – A representante do Brasil no cast do OMF traz músicas dos seus 13 anos de estrada. A banda ainda aproveitará para lançar oficialmente seu segundo full álbum, Gehenna. https://www.facebook.com/labirintoband

KATATONIA – Em apresentação

única no Brasil, a banda sueca traz clássicos dos seus mais de 25 anos de carreira, além de músicas do álbum The Fall of Hearts, lançado em maio desse ano. https://www.facebook.com/katatonia

ALCEST – Em apresentação única pela América do Sul, a dupla francesa tocará o álbum Écailles de lune na integra. https://www.facebook.com/alcest.official

INFORMAÇÕES:

DATA: 4 de setembro (domingo) LOCAL: Carioca Club END: Rua Cardeal Arcoverde, 2899

CARTAZ 2015

– próximo ao Metrô Faria Lima ABERTURA DA CASA: 15h INÍCIO DOS SHOWS: 16h30

INGRESSOS: http://clubedoingresso.com/omf

MAIS INFORMAÇÕES: http://www.overload.com.br/omf facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ESPECIAL

ouza POR | Jenny S

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S

atisfação em escrever para vocês, esse é o meu primeiro texto, e espero que curtam a mensagem. Na cena underground tem a mulherada que manda muito bem no que faz, mas muitas das suas bandas não têm tanta representatividade e reconhecimento. De quem será que é a culpa? Por fazer parte do underground e ter visto muita coisa por aí, posso dizer que existem muitas e muitas coisas que atrapalham o desenvolvimento de uma banda, mas uma em POTENCIAL é a própria galera que frequenta a cena. Sabe porquê? Muitas vezes acontece de algumas pessoas caírem fora na hora que “x” banda vai tocar porque tem integrante MULHER. Tem gente que sabota a banda na internet porque tem integrante MULHER. E tem gente que nem se importa em respeitar o trabalho dessas mesmas bandas pois é machista. Então, está na hora de virar esse jogo, pois, como disse a honorável Mayara Puertas, vocal do Torture Squad: “No metal não tem mulher ou homem. A palavra nida. TODOS SÃO HEADBANGERS”. E pra bom entendedor, o recado está mais do que fácil de ser compreendido: é respeitar, apenas. Sei que tem muita gente que respeita as bandas, independentemente de qualquer coisa, e isso é muito bom! As pessoas estão ali pela música, pelo o que ela representa, e existem muitas bandas de ALTA QUALIDADE no nosso cenário underground. Nesta e nas próximas edições, eu vou mostrar apenas um apanhando de ótimas bandas com mulheres na sua formação, junto com uma pequena dissertação sobre as mesmas. Acompanhem e conheçam nossas sugestões. Os links também estão aí para vocês conferirem: OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ESPECIAL AGONY VOICES

I A SORROWFUL DREAM

V

ocais no melhor estilo "A Bela e a Fera" com a atmosfera lúgubre e intensa da banda. O teclado também auxilia na composição sonora, dando um charme a mais ao peso das músicas. Mais uma ótima representante do nosso Metal Nacional! Se você gosta de The Sins of Thy Beloved e Tales of Dark, não deixe de conferir! A banda recentemente realizou uma turnê com a banda Nomen Eius nas cidades de Rio do Sul (SC), Curitiba (PR) e Porto Belo (SC).

LOCAL: Porto Alegre/RS GÊNERO: Dark Metal ANO DE FORMAÇÃO: 1996 LINE- UP:

Éder A. de Macedo - Vocal Josie Demeneghi - Vocal Aurélio Martins - Guitarra Lucas Vargas - Guitarra/violão Mari Vieira - Teclado Geovane "Tuko" Lacerda - Baixo

LINKS https://www.facebook.com/ asorrowfuldream/ http://www.asorrowfuldream.com/

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nstrumental rápido, coeso, vocais raivosos, e sinceridade em cada nota, essa é a Agony Voices, do nosso tão querido Sul Brazuca! Ouvindo o trabalho você com certeza se lembrará de bandas clássicas de Death/Doom e ao mesmo tempo, vai sentir orgulho da qualidade e autenticidade dessa banda! Sim amigos, essa é mais uma daquelas que você fala “Poxa, deveria ter ouvido antes!” Pelo facebook da banda é possível acompanhar a agenda da banda entre outras coisas, e no Youtube tem vários vídeos para você se deliciar com o trabalho da Agony!

LOCAL: Blumenau/SC GÊNERO: Death/Doom Metal ANO DE FORMAÇÃO: 2005 FORMAÇÃO:

Jr. Klock – Baixo Luiz - Bateria (também: Pain of Soul) Silvia – Guitarra Barasko - Guitarra (também: exGreat Vast Forest (live), ex-Nox Aderat, ex-Astövidatüs) Jonathan - Vocal

LINKS https://www.facebook.com/Agony-Voicesoficial-295366223825663/ https://agonyvoices.bandcamp.com/


CASSANDRA

U ALDREN LIEBE

O

som executado pela banda tem guturais no melhor estilo Morten Veland, contrastando com vocais angelicais muito bem executados, garantindo assim a atmosfera sombria e pesada que é altamente valorizada com o instrumental. Banda brasileira de muita qualidade, vale a pena conferir! Para quem gosta de referências, aqueles que gostam de Tristania, The Sins of Thy Beloved e Elis, a Aldren Liebe é uma ótima pedida! Atualmente a banda encontra-se parada (e os fãs pedindo o retorno de suas atividades).

LOCAL: Florianópolis GÊNERO: Gothic Metal ANO DE FORMAÇÃO: 2004 FORMAÇÃO:

André Felizardo - Teclas Pedro Dias - Bateria Mayara Silvestre - Vocais Arthur Picoli - Vocais André Jonas - Guitarra Daniel Becker - Baixo

LINKS https://www.facebook.com/ AldrenLiebe/?fref=ts

m som que te proporciona uma viagem intensa dentro da música. Pesado e surpreendente se for analisar que Cassandra é composta por batera, baixo e vocal. Os duos estão crescendo na cena, mas vamos falar do Cassandra que tem despontado por aí! Curitiba tem sempre muitas bandas boas, e a cena “Sludge” tem muitos nomes para serem conhecidos pela galera e essa é uma ótima indicação. Para quem quiser ouvir o álbum Antumbra, veja no link do bandcamp! Vale muito a pena ouvir esse trabalho.

EMBALMED

A

FORMAÇÃO:

banda executava um Death/ Doom visceral, com vocais cavernosos e pesados, com um instrumental muito bem executado, na pegada do Paradise Lost, Katatonia e Amorphis antigos. No melhor estilo “Old School”, você consegue sentir zinho dos anos 80/começo dos anos 90, onde o Death Metal estava explodindo na cena. Quem quiser conferir, faça isso assim que puder!

LINKS

LOCAL: Passo Fundo/RS

LOCAL: Curitiba/PR GÊNERO: Sludge Metal ANO DE FORMAÇÃO: 2014 Karina D’Akessandre - Bateria Daniel Silveira - Baixo

https://www.facebook.com/ cassandrapreviu/?fref=ts https://cassandrapreviu.bandcamp.com/ album/antumbra-2015

GÊNERO: Death/Doom Metal ANO FORMAÇÃO: 1994 - 1999 ÚLTIMA FORMAÇÃO: Vagner – Baixo Beatriz – Guitarra Raimir – Guitarra Alemïo – Vocal Rodrigo - Bateria/Vocal

LINK https://www.youtube.com/ watch?v=2TB2mwinnuI

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ESPECIAL LUXURIA DE LILLITH

M LES MÉMOIRES FALL

D

o interior de São Paulo para o mundo! É isso o que a Les Mémoires Fall está conseguindo, com seu trabalho de qualidade! Formada em 2011 pelo baixista/vocalista Emerson, a banda tem 3 trabalhos já lançados e um Ep com prévia de lançamento para esse segundo semestre. Cadência, gutural masculino, vocais femininos (lírico e gutural), peso no instrumental e uma harmonia muito bonita de se apreciar em cada compasso das músicas é o conjunto que faz a banda ser um dos ótimos nomes do Doom Paulista.

LOCAL: São José dos Campos/SP GÊNERO: Doom/Death Metal ANO DE FORMAÇÃO: 2011 FORMAÇÃO:

Emerson Mordien (Baixo/Vocal) Alicya Haze (vocal) Alessandro Grou (Guitarra)

LINKS https://www.facebook.com/ LesMemoiresFallOfficial/ www.soundcloud.com/lesmemoiresfall

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ais um representante do Black Metal brazuca e com uma qualidade enorme. Diferente do Miasthenia, aqui o tema das letras fala sobre ocultismo e vampirismo, mas o que liga as duas bandas é que além de terem mulheres em suas formações, cantam em português. Isso é um ponto muito bacana pois consegue atingir com maior facilidade o público, e é algo que muitas bandas, de diversos estilos, estão fazendo. Uma recomendação de som para quem não conhece, é a “Volúpia Infernal”. O clipe é um show à parte.

LOCAL: Goiânia/GO GÊNERO: Black Metal ANO DE FORMAÇÃO: 1998 FORMAÇÃO:

Drakkar – Vocal/Bateria Larakna – Guitarra/Backing Vocal Arkana – Baixo

LINKS https://www.facebook.com/ luxuriadelillith/ http://www.luxuriadelillith.com/


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ENTREVISTA + RESENHA DO ALBUM

HAAST’S EAGLE

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FICHA ORIGEM

País de Gales, Reino unido

CORRESPONDENTE - USA Doomed & Stoned

GÊNERO

Stoner Doom, Experimental

CURRENT MEMBERS

Greg Perkins Baixo Joseph Sheehy Bateria Adam Wrench Guitarra, vocais Lee Peterson Instrumentos diversos

Haast’s Eagle (2013)

UMA MISTURA PESADA E CERTA MESCLAR ELEMENTOS MUSICAIS É O FORTE DO SOM QUE VEM DO REINO UNIDO

POR | Billy Goate

H

TRADUÇÃO | Elyson Gums

aast’s Eagled, do País de Gales, é um potente trio de Doom Metal que estreou em 2013, através de seu disco homônimo. Recentemente a banda lançou primeiro full length “II: For Mankind”, e vocês conferem agora, um bate papo com a banda e a resenha do novo disco. OD | A

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ENTREVISTA + RESENHA DO ALBUM

HAAST’S EAGLE

Para os que estão conhecendo agora e descobriram vocês por meio desse incrível novo álbum: qual é a história do Haast’s Eagled?

O conceito do Haast’s começou muitos anos atrás, mas foi em 2013 que a banda tomou forma como um projeto musical em um estúdio em Newport, Gales do Sul. O primeiro álbum foi gravado nesse mesmo ano, no mesmo estúdio, pelo técnico Phil Smith. Depois disso, houve uma mudança de baixista e as atividades seguiram.

O sax em “Zoltar” foi um toque legal, eu não esperava. Isso faz parte da experiência musical de vocês, ou é mais como só gostar de ouvir jazz e música clássica no caminho de casa pro trabalho?

Enquanto banda, há uma série de interesses musicais/influências/ outros grupos que gostamos de “homenagear” (leia: copiar descaradamente). Wrench escreveu as partes de piano e a base mais crua para o saxofone. Ele tocou o piano e um amigo da banda, chamado Joshua Jones, veio e gravou o incrível solo de saxofone que você ouve no álbum.

E sobre a arte do álbum? Primeiro, quem é o responsável, e segundo, esse coitado morreu de maneira brutal. Isso tem ligação

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com a mitologia do álbum ou a arte foi feita por si só?

Luke Oram é o cara, um artista extraordinário; confiram o trabalho dele no Facebook e Atomck, onde ele toca guitarra. Ele fez um puta trabalho. A garra é pra ser de uma Águia-de-Haast (Haast’s Eagle), e de como nós não gostaríamos que ela tivesse sido extinta, mas ao invés disso crescido e figurativamente atravessado a humanidade pelo crânio.

É claro, em músicas como White Dwarf, que vocês estavam indo pelo grande e épico o tempo todo. Os vocais foram importantes para trazer esses momentos climáticos, mas nos instrumentais tem muitas camadas e emoção. Como essas peças se juntaram? Vocês podem descontruir pra nós ou isso seria revelar os segredos?

A música White Dwarf é (de certo modo) parte da banda a mais tempo que alguns membros. Em termos de unir tudo, os instrumentos foram gravados conforme uma espécie de plano esotérico para a música, e a mente de Phil Smith novamente fez funcionar. Na verdade, o fim da música, quando se torna escassa e progressivamente vazia, foi totalmente ideia do Phil, e foi uma ideia do caralho.

Claro que não podemos sair sem saber dos equipa-

Só porque o Greg Anderson e o Stephen O’Malley soam como trovão, não significa que você tem que gastar as economias do ano num Model T. Haast’s Eagle

mentos que vocês usam. Falem sobre instrumentos, pedais e amplificadores! O que funciona pros shows de vocês?

Só porque o Greg Anderson e o Stephen O’Malley soam como trovão, não significa que você tem que gastar as economias do ano num Model T. Nós gostamos do que gostamos. Agradecimentos eternos a Phil Smitth do Onelouder Studios em Newport por nos ajudar a funcionar como banda, e por Luke Oram pela incrível representação visual. Créditos também à Holy Roar Records pelo apoio financeiro. Ouçam Fetus Christ.


RESENHAS

POR | Billy Goate

O

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uvimos novidades do HAAST’S EAGLED pela última vez em 2013, quando os galeses lançaram seu álbum de estreia homônimo. Escrevendo sobre ele, comentei: “Opa, tem alguma coisa aí. Encontrei como resultado de uma recomendação de um álbum do Spider Kitten no Bandcamp (acabei de baixar o novo álbum, ‘Toker’, que divulgamos alguns dias atrás no D&S). Joseph, Lee e Adam, de Gales-do-Sul, fazem um doom bem feito, lendo e pesado, nada menos do que esmagador. Me apaixonei por esse Ep auto-entitulado, especialmente pela faixa “Tracking the Footsteps of Goliath”. E então ouvi “Cruithne Tide” e fiquei fascinado pela habilidade da banda em criar uma paisagem sonora extraordinariamente efetiva, com diferentes nuances e dá apelo duradouro à música. Bom, deem uma ouvida e entenderão o que eu digo”. Se pensei que o primeiro material foi ótimo, digamos apenas que a banda superou completamente as expectativas com esse segundo lançamento. ‘II: For Mankind’ (2016) é o novo álbum da Holy Roar Records e uma jornada pelo universo transcedental da música pesada. “Ondulando entre contemplação monástica, vocais crescentes, riffs titânicos, solos esotéricos e até mesmo requintado doomloungejazz”, a

HAAST’S EAGLE II: FOR MANKIND HOLY ROAR RECORDS

2016

WALES, UK 1 - Pyaaz Bhonghi 12’03’’ video A 2 - The Uncle 07’38’’ A 3 - Zoltar 19’47’’ A 4 - White Dwarf 12’44’’

banda explica que “é menos ‘uma jornada’ e mais uma missão sonora perfeitamente executada”. Obviamente não é fácil ouvir pela primeira vez, mas nenhum dos melhores álbuns é. Contudo, o que temos em mãos é um álbum que deve se tornar um clássico-cult da cena do doom/stoner underground”. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/HaastsEagled/?fref=ts https://haastseagled.bandcamp.com/

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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AGENDA AGENDA OCTOBER DOOM

UMA SELEÇÃO DOS MELHORES EVENTOS, FESTIVAIS E SHOWS QUE ACONTECEM DURANTE OS PRÓXIMOS DIAS.

FESTIVAL

FUSÃO INDUSTRIAL

02/09

92 GRAUS THE UNDERGROUND PUB - CURITIBA/PR

21H

O EVENTO VOLTADO PARA A MÚSICA INDUSTRIAL CONTA COM AS BANDAS KNOP, MECANOTREMATA E CASSANDRA, ALÉM DE ATRAÇÕES DE DANÇA E DJ’S

ACESSE https://www.facebook.com/ events/177102339372482/

FESTIVAL STONER HENGE FEST

03/09

92 GRAUS UNDERGROUND PUB

22H

DIVULGUE SEU EVENTO Envie para nossa redação, as informações e links.

NO SEGUNDO ROLE ORGANIZADO PELA BARBATANA PRODUÇÕES, O STONER HENGE FEST APRESENTA AS BANDAS MARTE, MACUMAZILLA E BAD BEBOP.

contato@octoberdoom.com.br

Não nos responsabilizamos por mudanças ocorridas na programação

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ACESSE https://www.facebook.com/ events/596071020595703/


FESTIVAL

OVERLOAD MUSIC FESTIVAL 2016

04/09

16H30

CARIOCA CLUB SÃO PAULO/SP

NA TERCEIRA EDIÇÃO DO OMF, OS SUECOS DO KATATONIA SE APRESENTAM CANTANDO MÚSICAS DO TRABALHO MAIS RECENTE E DOS MAIS DE 25 ANOS DE CARREIRA DA BANDA. OS FRANCESES DO ALCEST FAZEM APRESENTAÇÃO ÚNICA COM O SETLIST DO ÁLBUM ÉCAILLES DE LUNE. VINCENT CAVANAGH TRAZ SEU SHOW ACÚSTICO COM MÚSICAS PRÓPRIAS E DA BANDA INGLESA ANATHEMA, E REPRESENTANDO O BRASIL, O LABIRINTO LANÇA SEU NOVO TRABALHO, GEHENNA.

ACESSE https://www.facebook.com/ events/851491944963135/

FESTIVAL INFRASOUND FUZZTIVAL

06/09 19H

TELIESYN ROCK BAR FLORIANÓPOLIS/SC

O DUO MUÑOZ LANÇA SEU NOVO TRABALHO, “SMOKESTACK”, E DIVIDE O PALCO OM AS BANDAS RED MESS, PANTANUM, CATTARSE, RUÍNAS DE SADE E KATSS

ACESSE https://www.facebook.com/ events/1642073106105460/


AGENDA EVENTO

AUGUSTINE AZUL LANÇA LOMBRAMORFOSE GENERAL STORE JOÃO PESSOA/PB

16H20

07/09

O AUGUSTINE AZUL LANÇA SEU PRIMEIRO ÁLBUM, “LOMBRAMORFOSE” E COMPARTILHA ESSE MOMENTO COM AS BANDAS BURRO MORTO E HAJEM KUNK.

FESTIVAL WACKAH VIÇOSA XV

17 e 18/09

FLOR E CULTURA - VIÇOSA/MG

18H

ACESSE

https://www.facebook.com/ events/537148606461518/

UM DOS FESTIVAIS MAIS TRADICIONAIS DE MINAS GERAIS CHEGA A SUA DÉCIMA QUINTA EDIÇÃO, E EM 2016, ALGUMAS DAS BANDAS CONFIRMADAS SÃO DEMOLITION, TRAPPER, DRÁCON, CONTEMPTY, DARKTOWER, BADLANDS E FÁTIMA BERNARDES (PUNK ROCK).

ACESSE https://www.facebook.com/ events/859763270805056/

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PROJETO GRÁFICO DESIGN noisejazz@gmail.com


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October Doom Magazine Num. 61  

Revista Mensal com foco nas Artes Plasticas, Música e Entretenimento Underground. Download: http://goo.gl/c382JS

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