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LANÇAMENTOS + RESENHAS + SHOWS + MATÉRIAS + ENTREVISTAS

MAGAZINE

ANO II Nº58

ta s i v e tr n E

ENTREVISTA SAM HYNNINEN

ENTREVISTA

Exclu siva

RESENHA

EP - TRAUMA

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EDITORIAL

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Nº MAI/2016

By October Doom Entertainemnt

A October Doom Magazine é resultado da parceria e cooperação de alguns grupos e iniciativas independentes, que trabalham em função de um Underground Brasileiro mais forte e completo, além de vários individuos anônimos que contribuem compartilhando e disseminando este trabalho. EDITOR CHEFE: Morgan Gonçalves COLABORADORES NESTA EDIÇÃO: Fabrício Campos | Cielinszka Wielewski | Bruno Braga | Fernando Martinez | Gustav Zombetero | Merlin Oliveira | Raphael Arizo | Leandro Vianna | Billy Goate | Rafael Sade EDITOR DE ARTE:

Márcio Alvarenga noisejazz@gmail.com issuu.com/octoberdoomzine/ Facebook.com/OctoberDoomOfficial octoberdoom.bandcamp.com/ COLABORADORES:

Facebook.com/FuneralWedding

O

que é que nos move? A October Doom Magazine vem crescendo e ocupando cada vez mais espaço no cenário Underground Brasileiro e Internacional. Claro que tudo isso é um processo gradual, que demanda tempo e muito trabalho, mas as edições mais recentes da ODM têm alcançado média de 10 mil acessos por edição, e como chegamos até aqui? Oque celebramos aqui são algumas conquistas que temos realizado recentemente, incluindo uma entrevista exclusiva com o Candlemass, que vocês irão acompanhar nesta edição. Ainda temos muitos objetivos para perseguir, muitos shows que pretendemos cobrir, bandas internacionais que pretendemos entrevistar e matérias especiais que queremos publicar para os nossos leitores, mas afinal, o que nos movimenta? Nascemos e crescemos com o objetivo de elevar o Doom Metal e as vertentes do gênero à um nível de reconhecimento maior, não no mainstream, mas, dentro do próprio underground, de onde o Doom, o Stoner, Sludge, Post Rock, Shoegaze e outros gêneros nunca, para que não percam sua essência, deverão sair. Hoje somos 16 pessoas envolvidas com a produção da ODM, que, sem nenhuma relação financeira, trabalham escrevendo, divulgando, revisando e editando está publicação que tem se mostrado um grande canal de divulgação do movimento underground. Assim, ao mesmo tempo que é tão complicado dizer por que fazemos isso, a resposta se torna a mais óbvia possível. Paixão. E não há como pensar que foi apenas um momento de inspiração que nos trouxe aqui, pois esta caminhada já dura mais de um ano, e todos os nossos esforços estão na direção de fortalecer nossa revista e torna-la cada vez mais, um símbolo de orgulho para as bandas e pessoas que fazem parte do Movimento Doom Metal Brasileiro. Convidamos a todos para fazer parte desta iniciativa, sobretudo, lendo e compartilhando esta e outras publicações, pois assim, iremos cada vez mais longe, e conosco, todos vocês. Boa leitura

CONTATO:

contato@octoberdoom.com

MORGAN GONÇALVES Facebook.com/morgan.goncalves.1 EDITOR CHEFE


SUMÁRIO ...DO FUNDO... ABISMO ENTREVISTA

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CONTEMPTY

RESENHA

SP DOOM DAYS III RESENHA EVENTO

MORITO ERGO SUM EXPERIMENTE

SON OF A WITCH RESENHA

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IMAGO MORTIS

ENTREVISTA

14 THE MORNINGSIDE RESENHA DO NOVO ALBUM DA BANDA RUSSA

CANDLEMASS

EXCLUSIVO

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ENTREVISTA EXCLUSIVA COM GUITARRISTA DA BANDA

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EMPIRE OF SOULS

BLACK METALERS PAULISTAS EM ENTREVISTA

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SAM HYNNINEN EX INTEGRANTE DO CULTUADO REVEREND BIZARRE FALA SOBRE CARREIRA

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EXCLUSIVO

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UMA NOITE INESQUECÍVEL O SHOW DE 30 ANOS DO CANDLEMASS EM SP, E AS ENTREVISTAS DA BANDA SUECA E DO HELLLIGHT

POR | Morgan Gonçalves FOTOS | Fernando Pires

www.flpires.com.br

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o último dia 21 de abril, São Paulo recebeu o que deve ter sido um dos melhores shows do ano. Os Suecos do Candlemass tocaram suas mais clássicas músicas no encerramento da turnê de comemora-

ção de 30 anos de carreira. Como se não bastasse, os paulistanos do HellLight foram convidados pra fazer a abertura, o que elevou ainda mais o nível de importância da noite, e nós, claro, não ficamos de fora... Fomos à São Paulo, entrevistamos as duas bandas e trouxemos tudo pra vocês. Saca só! Pra começar, vamos destacar a simpatia dos caras, que quando chegaram, antes mesmo de entrarem na casa, tiraram fotos e trocaram algumas ideias com os

fãs que esperavam na portaria. A galera adorou. Às 19:20 o silencio imperou no Clash Club, quando duas belas mulheres subiam ao palco com candelabros e traziam consigo, a atmosfera pesada que o HellLight tradicionalmente já carrega. Foram músicas dos primeiros álbuns e do disco mais recente, Journey Through Endless Storms, lançado em 2015.

OD | A

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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EXCLUSIVO MORGAN GONÇALVES: Parabéns ao HellLight pelo showzaço que presenciamos aqui. Como está a cabeça de vocês depois dessa apresentação marcante? Fábio de Paula: Com a sensação de missão cumprida... foi um evento surreal para nós, uma vez que somos muito influenciados pelo Candlemass, e o fato de terem nos escolhido como banda de abertura é realmente gratificante.

Fazem 10 anos desde a última passagem do Candlemass pelo Brasil e 30 anos de lançamento do álbum Epicus Doomicus Metallicus. Oque o Candlemass representa para o HellLight? FP: O estilo que o Candlemass trouxe ao mundo do metal foi fundamental na criação do HellLight; foi através deles e do Black Sabbath que conhecemos a metal lento, arrastado, obscuro e com muitas emoções envolvidas...isso imediatamente nos atingiu e moldou a forma de pensar em metal.

Aproveitando que a banda recebeu essa responsa de abrir pros Suecos, além do Candlemass, com que outra banda o HellLight gostaria de dividir o palco? FP: Existem duas bandas que

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epois da apresentação, ainda extasiados pelo show, encontramos a banda e rolou aquele papo:

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temos muita vontade de dividir o palco, uma delas é o King Diamond, que, apesar de não ser Doom, temos muito em comum... e outra, com certeza seria o Danzig... que estávamos programados para fazer a abertura do show dele em 2013, porém nas últimas semanas anteriores ao show, a produtora cancelou o show...teria sido um grande momento para nós; sou muito fã do trabalho do Danzig.

A gente sabe que Shows de grandes bandas Doom no Brasil são raros, e é mais raro ainda quando uma banda Doom Brasileira tem a oportunidade de abrir para nossos “ídolos” gringos. Como vocês veem este espaço para as bandas Brasileiras nos grandes shows e festivais nacionais? FP: Particularmente, eu achei que foi um grande toque de bom gosto por conta da produção do show, pois o Doom brasileiro está crescendo e merecia esse tipo de homenagem... foi muito interessante ouvir de muitas pessoas que compraram os ingressos depois que foi anunciado a abertura por uma banda brasileira...isso é o que realmente importa, o público do metal underground do Brasil se sente representado em ocasiões como essa, e nós tínhamos a responsabilidade de mostrar a todos que o Brasil é um grande país, e possui grandes bandas.

E agora, passado o Show com o Candlemass, quais os próximos passos do HellLight? FP: Temos muitos passos programados; já estamos começando a compor o próximo álbum (que deverá sair no começo do ano que vem) temos alguns shows agendados, temos uma turnê agendada para abril do ano que vem na Rússia e ainda iremos lançar uma coletânea em comemoração aos 20 anos da banda...

Mais uma vez obrigado, parabéns pelo show, e continuem contando conosco sempre apoiando o HellLight. FP: Muito obrigado pela oportunidade, gostamos de estar sempre em contato com os fãs. Aguardem novidades e, Stay Doom! OD | A


VOCALISTA E GUITARRISTA do HellLight, na abertura do Show do Candlemass

FICHA ORIGEM

São Paulo, Brasil

GÊNERO

Metal Funeral Doom

CURRENT MEMBERS Fabio De Paula

Alexandre Vida Rafael Sade Renan Bianchi

O público do metal underground do Brasil se sente representado em ocasiões como essa.” Fábio de Paula, GUITARRA - HELLLIGHT

LINK https://www.facebook.com/helllightdoom

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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EXCLUSIVO

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a sequência, conseguimos encontrar um tempinho enquanto os equipamentos são preparados para os Suecos, e convidamos o guitarrista Mats "Mappe" Björkman para umas palavrinhas para os leitores da October Doom Magazine. O Fábio, que nos ajudou com o idioma:

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FÁBIO DE PAULA: A banda foi fundada em 1984, ou 1982, se considerarmos o período em que se chamava Nemesis. Naquela época, o Doom Metal não tinha tantas bandas representantes, salvo alguns nomes como Witchfinder General, Pentagram, Saint Vitus e Trouble. Talvez, naquela época, Candlemass e estas bandas nem imaginassem, mas como vocês optaram pelo gênero Doom Metal? Mats "Mappe" Björkman: Na época do Nemesis, foi o Leif e o Matz Ekström, que vieram com o nome Candlemass. Nemesis era o Leif e os ‘Matses’ (Matz Ekström na bateria e Mats “Ma-

ppe” Bjorkman na guitarra). Os riffs tinham essa coisa agressiva, tocada de um jeito sujo e único. Muitas influências de Truble, Manilla Road e várias bandas do underground – e o Black Sabbath, é claro. Durante as gravações de Epicus Doomicus Metallicus foi bem difícil achar gente pra tocar conosco, ninguém queria tocar aquilo, fazer essa coisa. Então não escolhemos, o nome Doom metal veio depois, em reviews norte-americanos. Eles falaram que o Candlemass era Doom Metal, e a gente ficava tipo “ah, é?” Não escolhemos tocar Doom metal, na época éramos uma banda underground fazendo o nosso som, sem se importar muito com esses rótulos.


FICHA ORIGEM Suécia

GÊNERO

Doom Metal

CANDLEMASS na foto de encerramento da Turnê de 30 anos da banda

CURRENT MEMBERS

Mats “Mappe” Björkman Jan Lindh Lars “Lasse” Johansson Jörgen Sandström

Ainda sobre esse revival, o Brasil tem ganhado grandes representantes do gênero Doom, desde bandas mais maduras como Mythological Cold Towers e HellLight até bandas novas como Fallen Idol, Witching Altar, Pesta, entre tantas que eu não poderia citar. Oque vocês diriam para essas bandas novas e antigas que lutam pela música pesada? Mats: Eu diria: vão em frente

fazendo o que você acha certo, sem se importar com o que as outras pessoas dizem. E especialmente, não façam alguma coisa esperando popularidade. Eu nunca fiz isso, nós nunca fizemos. Nunca imaginei que OD | A

Não escolhemos tocar Doom metal, na época éramos uma banda underground fazendo o nosso som, sem se importar muito com esses rótulos.”

Epicus Doomicus Metallicus (1986)

Mats Björkman, GUITARRA - CANDLEMASS

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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FOTO: DIVULGAÇÃO

EXCLUSIVO

CANDLEMASS: Foto de divulgação da turnê de 30 anos da Banda

o Candlemass seria popular. Nunca. Começamos aquilo pela diversão e por que realmente gostamos das músicas.

Em 2006, quando a banda passou pelo brasil pela última vez, Mats Levén não estava no grupo. Oque ele tem achado do nosso público, do nosso país? Mats: Ele amou. Os shows foram

caóticos, é incrível! Ele, e todos nós, estamos realmente muito felizes por estarmos aqui. Obrigado.

Death Thy Lover é o próximo registro do Candlemass, agendado para junho deste ano. É o EP de comemoração dos 30 anos da banda. Oque podemos esperar do novo álbum? Mats: O novo álbum é, na verda-

de, a primeira vez desde of Creation (1989) em que usamos teclados. Tem pequenas partes de teclas em Epicus, claro, mas no geral, sem teclados e guitarras base foram acrescentadas nas quatro faixas. Escolhemos estas quatro músicas para representarem a carreira do Candlemass como um todo. Então vai ter uma música bem parecida com Bewitched, bem pesada e única, e com faixas que farão os

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Estou orgulhoso e honrado em estar aqui novamente.” Mats Björkman, GUITARRA - CANDLEMASS

fãs lembrarem de grandes faixas da carreira do Candlemass. É algo que os fãs gostarão de ouvir.

Este é o momento para a banda falar com os fãs do Candlemass que estão lendo esta entrevista, que acompanharam os shows e a turnê. O espaço e de vocês. Mats: Estou orgulhoso e honrado

em estar aqui novamente. Dez anos atrás eu não acreditaria que iriam nos querer aqui de novo.... Então, muito obrigado! Sem os fãs, não estaríamos aqui. É o que costumo dizer quando alguém chega e fala ‘ei, obrigado por estar aqui’: agradecemos por ter vindo nos ver.


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aí, saí da frente que o Candlemass está, ao som da tradicional Marche Funebre, subindo no palco, e o público vibra com a sensação de estar num show épico. A primeira música do set-list é Mirror Mirror, do álbum Ancient Dreams e na sequência, Bewitched deixa o ar ainda mais pesado e o clima mais quente. Ainda antes de cumprimentar o público, a banda executa Prophet. Enfim, Mats Levén se diz muito feliz por como foram os shows pela América Latina e ainda mais feliz por estar terminando a tour em SP. Em um momento de descontração com os fãs, Mats oferece um brinde, erguendo a lata de Skol, e brinca: “Skol. Cerveja para Crianças”. O Show continua num misto de clássicos, faixas recentes, performances hipnotizantes e um culto ao Crânio, símbolo da banda, tornam o Clash club um lugar de outra dimensão, onde o tempo corre e para ao mesmo tempo. A banda se despede ao som de Samarithan, do álbum Nightfall, e deixa sem chão, centenas de Doomers. Valeu a pena! OD | A

LINKS https://www.facebook.com/candlemass http://www.candlemass.se/

Agradecimentos: Fábio de Paula | André Simões Maria Correa | Elyson Gums

FOTOS DA APRESENTAÇÃO do Clandlemass em SP. 21/04 facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA ALEX VOORHEES IMAGO MORTIS

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SEM DEVER NADA À NINGUÉM IMAGO MORTIS SUPERA O TEMPO E CONTINUA SENDO UMA DAS GRANDES REFERENCIAS DO DOOM METAL POR | Cielinszka Wielewski

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lá público leitor, tudo bem? Vivemos uma época que mescla o novo e velho. “Old but gold”, diriam os nostálgicos. É interessante acompanhar no meio underground o que de bom vem sendo produzido por aqui, apoiar as bandas, comprar materiais e comparecer aos shows. Muitas bandas novas e apoiadores

estão na ativa, mostrando cada vez mais a força do metal brasileiro. O diálogo com as novas gerações e opiniões quem vem se formando é muito importante. Promover a integração com aquilo que temos de legado no Doom Metal e estilos adjacentes também. Da tradição adquirimos uma bagagem e aprendemos muito para seguir em frente. Nesta edição temos uma entrevista com Alex Voorhees, vocalista da memorável Imago Mortis. Orgulho nacional, é uma aprendizagem e tanto, boa leitura!” OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA FICHA

ALEX VOORHEES IMAGO MORTIS

ORIGEM

Rio de Janeiro, Brasil

Cielinszka: Olá Alex Voorhees, é uma grande honra para nós sua participação aqui na entrevista. Tudo bem? Quais os planos para esse ano? AV: Olá, é uma honra para

mim também ser lembrado por tão prezado veículo de comunicação. Todos que prestam serviço à cena alternativa merecem aplausos com louvor. Meus planos para este ano são: lançar o novo CD do Imago Mortis, intitulado LSD e o meu álbum solo intitulado "Brazilian Metalhead". Também pretendo continuar produzindo artistas em meu home-studio (faço gravações, mixagens e masterização) além de continuar fazendo arranjos e compondo músicas para diversos artistas, nacionais e internacionais.

Conte ao público leitor como começou sua interação na música, e um pouco de sua trajetória. AV: Comecei bem jovem, em

festas onde eu era o DJ. Gostava daquele maravilhoso pop dos anos 80, assim como o B-Rock e Gothic Music (o cenário post punk, com The Cure, Siouxsie and the Banshees, The Smiths, etc.). Tive uma fase mais "revoltado", mais punk-hardcore. Mas também me interessei pelo gênero Heavy Metal e foi a partir deste interesse, cantarolando junto com os discos,

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que percebi que podia cantar em bandas. Isso tudo foi durante os anos 80. Nos anos 90 fiz parte de bandas mais profissionais e lancei CD's, fiz turnês, fui parar na TV, etc.... Foi uma fase muito importante. Até hoje estou aqui, posso dizer que nunca parei. Sempre em bandas ligadas ao estilo Heavy Metal. A maior delas, com certeza, Imago Mortis.

Quais suas influênciais atuais? O que mais tem ouvido? E quas as influências que marcaram de vez sua visão dentro do metal em específico? AV: Influências atuais... De

tudo um pouco. O funk e o sertanejo são influências daquilo que, com certeza, não posso fazer. O meu rancor pela cena pop atual e a música dirigida às massas tem me guiado a caminhos cada vez mais extremos, isso está contido no meu novo trabalho solo. Continuo ouvindo bastante Metal (antigo e Moderno), música Clássica, Rock Progressivo, New Age, Pop 80's, Gótico. Gêneros eletrônicos como Trip Hop, Ambient, Synth Pop, Drum 'n' Bass e Industrial também me interessam. Também tenho apreço por uma boa MPB e Folk Music. Ou seja, se a música for boa, não vou ter preconceito para ouvir. Costumo ser certeiro em meu critério de julgamento para determinar o que é bom ou ruim (risos).

GÊNERO

Doom Metal

DISCOGRAFIA

Images from the Shady Gallery (1998)

Vida - The Play of Change (2002)

Transcendental (2006)

Lsd Theme (2013)


ENCARTE DO ÁLBUM VIDA - The Play of Change (2002), foto de Nete Buback.

Comparando épocas tão distintas como as de antes e depois da internet, dentro da sua experiência com o metal em geral, quais os aspectos negativos e positivos que você mencionaria? AV: Antes da internet você era

obrigado a adquirir o material de forma física e tangível. Ou seja, dava mais trabalho e custava dinheiro você ter em casa o som que você queria ouvir. Isso despertava um pouco de paixão, um orgulho maior, principalmente quando você comprava um disco maravilhoso, mas que os amigos não conheciam - ou queriam bastante e isso era motivo para reuniões e trocas de fitas/gravações. Lembro que eu chegava a pegar ônibus e me deslocar por horas para encontrar um amigo que tinha os primeiros vinis do Judas Priest (raríssimos no Brasil) e alguns importados e eu chegava lá cheio de fitas para gravá-los (risos). Hoje em dia? Vá no youtube, digite, procure ou fique parado, observando seu feed de notícias no

facebook que vai pipocar material dos mais variados, além das diversas comunidades de todos os gêneros, bombando música. Tudo custa o que? Nada. Cliques e tempo. A música continua a mesma. Mas o som do vinil - ou até mesmo do CD original - é infinitamente superior ao comprimido MP3. Mas nos acostumamos e há uma geração que nem sequer conhece som do vinil ou CD; então não adianta, MP3 e streaming é a realidade e temos que aceitar, que dói menos. As consequências para a indústria: está muito mais difícil ganhar dinheiro com as gravações, há maior dificuldade em produzir super astros (estritamente falando de rock) e o streaming paga muito pouco - ou seja, superproduções estão cada dia mais raras. As consequências para um fã de música: nunca foi tão abundante e fácil ouvir música. Não sei dizer se a música se desvalorizou, mas a galera acostumou a ter com facilidade, tudo o que ela quer ouvir. As consequências para um artista independente: nunca foi

Não sei dizer se a música se desvalorizou, mas a galera acostumou a ter com facilidade, tudo o que ela quer ouvir.” Alex Voorhees, IMAGO MORTIS

tão fácil e tão difícil divulgar a sua música, ao mesmo tempo. É fácil produzir sua própria música e mais barato, mas ainda há um gargalo tecnológico gigante entre o que é feito aqui e o que é feito lá foram em termos de estrutura. Lá fora os caras tem mais apoio e tempo para gravar, além de know how técnico. OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA ALEX VOORHEES IMAGO MORTIS

Aqui ainda há uma mentalidade provinciana de que tudo o que vem de lá é melhor e, em fato, a culpa é nossa mesmo. Temos que ser mais exigentes e buscar uma excelência técnica no mesmo nível do que é feito fora, e isto já está começando a acontecer. O problema é que.... Pode ser que ninguém ouça a sua música. Você vai ter que correr - e muito - atrás de meios de divulgar e despertar o interesse na pessoa em clicar no seu som. As consequências para um veículo de comunicação independente: Você saberá responder isso melhor do que eu, mas vejo cada vez menos gente comprando material tangível, preferindo sites como Whiplash ou até mesmo opiniões de amigos que publicam coisas relacionadas à música em suas timelines.

A música em geral (e/ou os músicos) evoluíram na sua opinião? Por quê? AV: Não exatamente. Houve-

ram apenas mudanças. Há dois fatores: É mais fácil gravar, você pode editar muito uma bateria, uma guitarra e um vocal. Antigamente não havia como camuflar esses erros com truques de estúdio... O Dust From Misery gravou o CD praticamente ao vivo e sem metrônomo, no braço. Isso provava a nossa excelência técnica, musical, mesmo com pequenos errinhos. Hoje em dia você tem gravações perfeitas e

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OS PRIMOROSOS INFORMATIVOS de distribuição gratuita do Imago Mortis. Pelos idos de 2002.

precisas, cirúrgicas, mas acho que soa tudo muito polido e artificial demais, muito pasteurizado, meio sem alma. Prefiro um trabalho suado e gravado no braço, no velho estilo Dacapo de tocar a música, no errou, volta, do que as produções de hoje. Mas gravar no FITÃO está cada vez mais caro e inviável, pois você não vai recuperar o seu investimento em 99% dos casos. Eu busco um meio termo, então, desses dois mundos (Best of Both Worlds), nos meus trabalhos. A criatividade continua mais ou menos a mesma, os gênios antigos deixaram pouca coisa em branco para nós. Porém, a partir do trabalho deles vamos destrinchando alguns novos caminhos na música.

Como o Imago Mortis surgiu? Muitos de nossos jovens leitores devem ter essa curiosidade. AV: O Imago Mortis surgiu

da mente dos maiores gênios musicais do metal deste país, os irmãos Fábio e Fabrício Barretto, os "baianos", agora no Mensageiros do Vento. Estudantes de Filosofia, talentosíssimos como músicos, ousados artisticamente e obcecados pelo tema MORTE, desde a fita demo mostram temas muito bem estudados. Além do grande capricho com todo o material referente à banda, inclusive com informativos impressos em jornal para debater os temas contidos nas letras. OD | A

Os elementos do começo continuam presentes, assim como a filosofia. Sendo assim, o estilo que mais nos define é realmente Heavy-DoomFilosofia.” Alex Voorhees, IMAGO MORTIS


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ENTREVISTA ALEX VOORHEES IMAGO MORTIS

SHOW EM 1999, com participação do Carlos Lopes (Dorsal) Tijuca-RJ.

tal nacional. Após este lançamento, os criadores deixaram a banda sob minha responsabilidade e eu procuro manter o legado.

Foi em 2011. Retorno do Imago. Vida tocado na íntegra. Um grande concerto, as pessoas foram às lágrimas." Alex Voorhees, IMAGO MORTIS

Eu trabalhei durante anos com eles e participei da turnê do primeiro CD, Images from the Shady Gallery, gravei o álbum Vida - The Play of Change, considerado um clássico, uma obra de arte do me-

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2016, outros tempos. Conte ao público leitor alguma curiosidade envolvendo o Imago Mortis, algo que marcou muito a vida de vocês como músicos. Pode ser um show, ou qualquer lembrança que acha memorável à trajetória da banda. AV: São tantas, não posso mencionar nenhuma em específico, isso com certeza renderia um livro e acredito que está sendo escrito neste momento, por Fábio Shiva. Há diversos casos engraçados. Há algumas tragédias pessoais também, "roubadas", grandes shows, de tudo um pouco. São 20 anos de banda, é muita coisa.

Cerca de 20 anos depois, a banda Imago Mortis continua emblemática e de grande

influência para os ouvintes de doom metal. Que motivos você apontaria para essa marcante conquista? AV: A identidade. O Imago

Mortis é uma banda única, não seguimos ninguém, nenhuma tendência, criamos o nosso universo e há toda uma mitologia envolvendo a banda, desde o símbolo até mesmo o número 13, presente em quase tudo o que fazemos. Temos poucos - mas leais fãs - dos quais nutrimos uma grande amizade e respeito.

O Imago Mortis sempre foi muito autêntico. Em termos de som (ou até mesmo de estilo), como você o definiria? Por quê? AV: Imago Mortis é, antes de

tudo uma banda de Heavy Metal. Há muitos elementos do Doom Metal também, principalmente nos dois primeiros álbuns. Devido a temática da banda ser a morte (que


FORMAÇÃO que lançou o álbum Vida

IMAGO na tour do Transcendental, show no Roça and Roll de 2007.

pode ser encarada como Mudança), nosso trabalho muda com o tempo e a banda morre e renasce o tempo todo (transcendência). Os elementos do começo continuam presentes, assim como a filosofia. Sendo assim, o estilo que mais nos define é realmente Heavy-Doom-Filosofia.

Literatura e Filosofia são pontos fortes na influência da banda, certo? Comente as principais. AV: Sempre foram. Eu confes-

so não ser o mais assíduo leitor de todos, sempre foram os irmãos os principais responsáveis pelos conceitos e letras da banda. Porém eu estudo bastante sobre o que eu vou escrever e pego os livros específicos sobre o que eu quero escrever. Para o LSD eu li cerca de 5 livros (o que eu mais gostei chama-se Anathomy of Love, de Helen Fisher), além de filmes e reportagens sobre o assunto que eu estava abordando nas letras. De filosofia

clássica, a principal influência deste novo trabalho é Arthur Schopenhauer e seus insights sobre o mito do amor romântico.

Podemos esperar alguma novidade com relação ao Imago Mortis? Explique. AV: Sim, sim. Porém esperar

novidade poderá tirar a graça, se o nosso trabalho vier no padrão do que já fizemos anteriormente.... De certa forma, isso também poderá ser o inesperado. No Imago Mortis você sempre deve esperar o inesperado (risos). Aguardem o LSD, devo lançar um novo single em breve. As engrenagens deste trabalho estão montadas, faltando apenas detalhes. Será um trabalho cru e bastante pesado, espero que todos os fãs de Metal ouçam sem preconceito!

LINK https://www.facebook.com/imagomortisband

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ENTREVISTA DIEGO MORIENDI ...DO FUNDO... ABISMO

MORBIDOOM MANAUARA POR | Gustavo Zombetero

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as abissais florestas amazônicas surgem os ...Do Fundo... Abismo, para “cantar a vida, a morte e a tragédia humana”. Com uma demo e um Split no currículo, D. Moriendi esclarece o atual momento da banda e o que podemos esperar para o futuro da banda.

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FICHA ORIGEM

Manaus, Brasil

GÊNERO

Doom Metal

CURRENT MEMBERS Diego Moriendi Vocal

Alberto Alencar Baixo

Anderson Luciferu Guitarra

Tarcis Crepúsculo Drums

Felipe Bastos Live Session

GUSTAVO ZOMBETEIRO: Saudações Diego Moriendi, apresente a ...Do Fundo... Abismo aos eleitores da ODM. Diego Moriendi: Saudações a todos. A ...Do Fundo... Abismo foi formada em meados de 2007 na cidade de Manaus. Desde sempre a idéia foi tocar o que nos habituamos a chamar de Morbidoom Death Metal, no qual pudéssemos expressar nossas visões acerca das representações da morte, partindo do individual para o coletivo e, do real para o imaginário. E no presente momento contamos com a seguinte formação: Diego Moriendi (V), Alberto Alencar (B), Anderson Luciferu (G), Tarcis Crepúsculo (D) e Felipe Bastos (Live Session).

O primeiro material da banda (“Da Escuridão”) foi lançado em 2011 em formato K7 e limitado em 66 cópias. Um formato que apenas um

público restrito aprecia, a pequena tiragem... O que os levou a lançar o material desta forma? Existe a possibilidade do mesmo um dia ser lançado em formato digital, ou em outra mídia? DM: Na verdade, inicialmente lançamos apenas umas poucas cópias de Da Escuridão em cd-r. A ideia em lançá-lo em formato K-7 partiu da Bosque Produções. E nunca pensamos em relançar o material em questão.

Após 3 anos do lançamento da demo, os DFA saíram num Split com os Labore Lunae, material composto por 2 faixas de cada banda, comente a respeito. A parte artística do encarte parece seguir algo conceitual, procede? DM: Primeiramente tivemos a ideia de lançar Mórbidos Dizeres em formato EP. Logo depois, convidamos a Labore OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA DIEGO MORIENDE ...DO FUNDO... ABISMO

LINKS https://www.youtube.com/watch?v=C9fC2YCRq3U https://dfabismo.bandcamp.com/

Lunae que aceitou de prontidão a concepção do split. Para a concretização do projeto contamos com o apoio da Amazon Black Forest Distro e Ars Abismii. Foram lançadas cem cópias, as quais se esgotaram em um mês. A capa foi criada pelo Emerson Maia e apresenta uma lua refletindo um crânio que representam as duas bandas.

Não existe nenhum registro na net para poder ouvir a demo “Da Escuridão”, existe algum motivo em especial para essa ‘exclusão’ do material ao público? DM: Na época do lançamento

a inexperiência aliada a decorrentes acontecimentos contribuíram para a pouca divulgação, embora as faixas estivessem disponíveis no myspace. Optamos em cessar definitivamente a disseminação

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após a decisão de reformular as músicas Ecos... Lamúrias e Obnubilação, que estarão presentes em nosso vindouro full-length.

A sonoridade da banda apesar de ser reta, foge à regra do Doom/Death - pelo menos ao meu ver. Em certos momentos percebi alguns contrastes de Doom Metal tradicional, as vezes algo de Black Metal. Pelo que a banda é influenciada musicalmente? Na construção musical tudo acontece de forma espontânea e natural? DM: Você está correto. Musicalmente somos influenciados do Tradicional ao Sludge Doom Metal, do Black ao Death Metal. Nossas musicas são representações do que sentimos, portanto posso assegurar que tudo ocorre da forma mais natural possível.

Nossas musicas são representações do que sentimos, portanto posso assegurar que tudo ocorre da forma mais natural possível.” Diego Moriende, ...DO FUNDO... ABISMO


A parte lírica parece receber muita influência de escritores envolvidos com temas obscuros, carrega uma poética de aura sinistra e humana, nada que não seja típico ao estilo, a não ser a escolha do idioma português, comente a respeito dessa parte importante do contexto da banda e o porquê de escolher o idioma pátrio. DM: De priori vale ressaltar a

dificuldade no tocante a dicção da língua portuguesa na maneira em que nos propomos a fazer. Entretanto, a beleza poética presente no idioma se faz extremamente necessária para o que buscamos transpassar.

Em relação a apresentações, como segue a agenda da banda? Existe alguma possibilidade d’algum dia outras regiões forem alvo dos ritos mórbidos da banda? DM: Nossas aparições são es-

porádicas. Em virtude de Manaus não contar com um público tão abrangente para o Doom Metal, nos últimos tempos nos restringimos a nos apresentar no Amazon Dark Forest, evento que produzimos em parceira com a Taverna de Berkeley. No que diz respeito a apresentações fora, já recebemos algumas propostas que infelizmente não se concretizaram devido questões logísticas. No momento estamos com alguns convites, caso vierem a maturar estaremos divulgando em nossa page.

Algum material novo já está sendo trabalhado? O que podemos esperar deste que está por vir? DM: Estamos trabalhando em nosso debut Caminhos que para Abismos Levam. Músicas arrastadas carregadas de obscenos sentimentos de agonia, expondo a degradação latente no ser. Cantamos a vida, cantamos a morte, cantamos a tragédia da humanidade.

Dieguito, fiquei bonito assim sério, não acha? HAHAHA, valeu cara, é uma honra te entrevistar aqui na ODM, faça as suas considerações finais e apresente aos eleitores o seu zine impresso que está para ser lançado, quem estará presente na obra e afins... e o que mais você quiser concluir. DM: Agradeço a todos, Gustav e equipe da ODM. Torqueatur surgiu em 2007, projeto em parceria com Alberto Alencar, o qual entregava como proposta uma leitura alternativa dentro da cena metal extremo, buscando esmiuçar os conceitos das bandas participantes acerca da essência humana. Tivemos um hiato nas atividades, mas recentemente voltamos e em breve estaremos lançando a quarta edição, contando com a contribuição de Anderson Luciferu. Presentes na obra: Abske Fides, Jupterian, Mythological Cold Towers, Labore Lunae, HellLight e Pantáculo Místico. OD | A

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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RESENHAS

ANÁLISE DO ALBUM POR | Gustavo Zombetero

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DIVULGUE SUA BANDA Envie seu material com todas as informações para nosso email contato@octoberdoom.com

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ste split é composto por 4 faixas, 2 de cada banda. Os DFA abrem os trabalhos com a faixa “Devaneios que Despertam Recônditos Desejos”, tanto a sonoridade quanto as letras da banda são de cunho mórbido. Os caras são adeptos de faixas longas, talvez, a ideia seja te arrastar para o ‘abismo’ enquanto você aprecia tal cacofonia infernal. Pode-se dizer que os caras mantenham um pé na Música Lenta típica dos anos 90 e o outro em algo mais tradicional dos anos 80, ou seria só uma impressão minha mesmo... A próxima faixa “Lascivo Trono” é ainda mais extensa e mais lenta. Os caras cultuam o obscuro sem piedade, é impossível não se sentir atormentado ouvindo esse material. A bateria é muito presente no play, a equalização da guitarra praticamente conseguiu equilibrar os timbres, talvez, isso também tenha sido proposital. Os vocais não poderia seguir outra linguagem a não ser o típico gutural do Death/Doom 90’s. Do outro lado da bolachinha digital temos os Labore Lunae, que demonstra um som mais lapidado em relação ao material anterior a este. “Real e Abstrato” apresenta a banda neste disco, um som místico, bem trabalhado, a presença dilacerante da bateria aqui também se faz presente. A

...DO FUNDO... ABISMO/ LABORE LUNAE MÓRBIDOS DIZERES SPLIT 2013

BLACK FOREST REC E ARS ABISMII 1 - Devaneios que Despertam Recônditos Desejos 2 - Lascivo Trono 3 - Real e Abstrato 4 - O Mar e a Lua

banda segue a vibe dos anos 90, porém, com uma pegada própria, em meio aos guturais fora incluído passagens de vocal limpo, um diferencial bem encaixado. “O Mar e a Lua” transborda felling, de uma melancolia e obscuridade estonteante, de início parece ser um blues, mas logo tudo desaba e te faz ser arrastado até o fim da faixa. Com sonoridades diferentes, contextos diferentes, as duas bandas tem em comum o apelo poético, cada uma com a sua abordagem. O ponto negativo nisso tudo é o fato deste material ter sido lançado de forma limitada. OD | A


PROJETO GRテ:ICO DESIGN noisejazz@gmail.com


RESENHAS

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OD | A


FICHA ORIGEM

Minas Gerais, Brasil

GÊNERO

Death/Doom

ANÁLISE DO ALBUM POR | Gustavo Zombetero

DISCOGRAFIA

Wreath (2016)

TRAUMA

MÓRBIDOS DIZERES ANO 2015

INDEPENDENTE 1 - Woe is Me 6’47’’

2 - My Voiceless Heaven 6’23’’ 3 - In Myself Rotting 10’11’’ 4 - Knell of Demise 8’02’’

B

anda oriunda de Rio Pomba/MG, iniciou suas atividades em 2012 afã de executar um Death/Doom na linha melancólica típica dos anos 90. Em 2013 a banda estreia com o Ep “Gaping Deception In Guiltless Eyes” contendo 3 faixas, há época a banda era um quinteto. Algum tempo depois o vocalista se retira da banda e o tecladista assume o posto, assim, a banda passou a ser um quarteto. Em 2015 é lançado o 2º Ep “Trauma”, munido de 4 faixas densas, mostrando um certo amadurecimento da banda sem deixar aquela carga depressiva e bucólica de lado, com levadas mais agressivas. Os berros desesperadores de Anderson aliado ao seu teclado gritante, a guitarra obscura e cortante de Tony, o baixo de Cleyton com a marretação de Joe, traduzem o que sai deste caldeirão num tormento total. O som, por vezes, lembra My Dying Bride, não consigo lembrar de outra banda similar, a musicalidade dos Contempty tem uma identidade própria e posso afirmar que eles não estão nem um pouco afim de fazer com que você tenha um dia feliz. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/Contempty/?fref=ts https://contempty.bandcamp.com/

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA CLEBER JUCA EMPIRE OF SOULS

EMPIRE OF SOULS. UM RETORNO CONSOLIDADO BLACK METAL SÓ É BLACK METAL COM UMA IDEOLOGIA FORTE DE QUEM CRÊ NA MENSAGEM QUE ESTÁ PASSANDO

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FICHA POR | Raphael Arizio

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mpire of Souls é uma grande banda de Black Metal paulista, ficou alguns anos paradas mas retornou as atividades com o lançamento do single “Si Vis Pacem, Para Belum” ano passado. Com grande destaque a banda vêm se apresentando em todo Brasil divulgando seu triunfal retorno. Vamos ver o que o futuro reserva para a banda e sobre seu aguardado novo disco.

RAPHAEL ARIZIO: Como tem sido a repercussão dos shows da banda desde seu retorno? E como tem sido a recepção do público as músicas novas ao vivo? Cleber Juca: Realmente muito positivo! Tendo em vista que inicialmente havíamos retornado para apenas um show e desde então temos uma média superior a uma celebração por mês. Quanto

ás novas músicas, a recepção tem sido a melhor possível, nos shows sinto uma predileção do público para o nosso primeiro som em português “O Opositor”, que além de alguns já terem decorado a letra, dizem que “esta já nasceu clássica”.

Foi anunciado que a banda está em fase final de composição do novo disco, como está o andamento desse novo play e o que a banda pode adiantar sobre ele? CJ: Podemos dizer que em

matéria de composições, nosso álbum já esta 95% pronto, sendo que os 5% que restam deixaremos para os momentos de inspiração comuns as nossas gravações. Este álbum será composto de oito sons, incluindo as regravações dos dois sons que fizeram parte do single “SI VIS PACEM, PARA BELUM”. Dentre estas músicas teremos pela primeira vez dois sons em português, O Opositor que eu já havia citado e Metempsicose. OD | A

ORIGEM

Santos, São Paulo

GÊNERO

Black metal

Revenge Circle (2003)

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA CLEBER JUCA EMPIRE OF SOULS

Como tem sido a repercussão do single “Si Vis Pacem, Para Belum e para o clipe de “To Become Maker”? Está dentro das expectativas da banda? CJ: Posso dizer que o SI VIS

PACEM, PARA BELUM, assim como o clipe para “To Become Maker” cumpriram bem o seu papel, que era o coroar a nossa volta, mostrando que estamos mais maduros, firmes e prontos para alçar voos maiores.

A banda participou da coletânea “Dark Live Sessions” da Rádio Dark Radio, como se deu essa oportunidade e como foi para a banda participar desse lançamento: CJ: Participar do programa

“Dark Live Sessions” por si só já foi algo muito especial. Para quem não conhece o programa da Dark Radio, ele é gravado no KW Estúdio em um formato muito leve e interessante que engloba um mix de entrevista, cervejas, bate papo entre amigos e ensaio. E quando chega o final do ano o pessoal da rádio escolhe dois sons de cada banda que se apresentou no programa e lança na coletânea. Realmente todo o time do DLS é composto de pessoas sérias e com décadas de vivencia no underground, então o fato de termos a oportunidade de participar do projeto feito por pessoas tão respeitadas nos enche de orgulho, e mostra que estamos no caminho certo, ro-

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deados de pessoas que admiramos e respeitamos.

O Empire anunciou o lançamento de um novo vídeo para a faixa” Lycanthropic Duallity”, tem alguma data de lançamento? E o que a banda pode dizer de como será esse vídeo CJ: Provavelmente antes da

segunda quinzena de março o vídeo estará pronto, estamos apenas ajustando algumas imagens para que nossa mensagem seja entendida da melhor forma possível. A letra de uma maneira geral faz uma analogia às pessoas que são perseguidas apenas pelo fato de serem diferentes, pensarem diferente ou terem uma visão do mundo diferente do usual. Neste caso é um homem que toma a forma de um lobo, assim como poderia ser uma mulher acusada injustamente de bruxaria, ou se atualizarmos a cronologia para os dias atuais, alguém que segue a vida de uma maneira diferente. Sim as minorias! Minorias como nós, que questionamos e não nos contentamos com o lixo cultural ou religioso que nos é empurrado goela abaixo, jamais daremos a outra face e seguindo nossa linha de raciocínio o licantropo acuado tem se de sangue. E neste contra-ataque seguimos o clipe, que teve uma pequena parte gravada na praia de Santos, mostrando o orgulho que temos de nossas origens

Não sei dizer se a música se desvalorizou, mas a galera acostumou a ter com facilidade, tudo o que ela quer ouvir.” Alex Voorhees, IMAGO MORTIS

e o restante em estúdio da cidade. Tudo feito de uma maneira simples e direta.

Empire of Souls é uma banda que sempre se preocupou com as suas letras e sua ideologia, para a banda qual a importância de se ter uma ideologia forte dentro do Black Metal: CJ: Acreditamos que acima de

qualquer coisa Black Metal só é Black Metal com uma ideologia forte de quem crê na mensagem que esta passando. E nossas letras nada mais são que reflexos de como levamos nossas vidas. Caso contrário, você é apenas um personagem fictício de sua própria existência. OD | A


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ENTREVISTA

CLEBER JUCA EMPIRE OF SOULS

EMPIRE OF SOULS foi formada em 2014, na cidade de Santos

A banda ficou alguns anos parada, o que esse tempo parado trouxe de bom para a banda, quais as principais mudanças que a banda notou no Underground em sua volta CJ: O tempo nos trouxe acima

de tudo a maturidade daquele que lutou, apanhou, perdeu e ganhou. Mas acima de tudo de quem aprendeu com a dor de uma derrota, perante a um leve sentimento de fracasso, como qualquer artista que tenha deixado sua obra inacabada. Mas isto é passado e hoje estamos revigorados, estabilizados e mais fortes do que nunca. Prosseguindo com nossa arte negra e extrema. Quanto ao underground, posso fazer algumas considerações. A aparelhagem melhorou muito! Os eventos que tocamos tem sido muito bem organizados, uns dão

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um público melhor que outros, mas sempre foi assim. No geral não temos do que reclamar. Temos tocamos ao lado de grandes irmãos, revendo vários outros e brindando a novas alianças.

O Brasil sempre foi um grande celeiro no metal extremo mundial, mas é sabido de todos que se manter uma banda por aqui é muito difícil, quais as principais dificuldades para a banda aqui em nosso país: CJ: As dificuldades são equi-

valentes a que a maioria dos brasileiros vive todos os dias, sofremos com o desemprego de algum dos membros, pouca grana por parte dos produtores, assim como os altos custos de transportes decorrentes dos valores inflacionados dos combustíveis e pedágios (caros e

Não sei dizer se a música se desvalorizou, mas a galera acostumou a ter com facilidade, tudo o que ela quer ouvir.” Alex Voorhees, IMAGO MORTIS

numerosos) e isso acaba dificultando de nos apresentarmos em outras regiões. Seria bom se tudo fosse um pouco menos difícil. Mas como


dizem, é na dificuldade que o verdadeiro guerreiro mostra o seu valor. E estas dificuldades nos fazem dar ainda mais valor para as nossas conquistas, por menores que sejam.

Um fato que marcou um dos shows da banda foi o fato de a banda em uma das suas apresentações chamar para o palco um fã cadeirante para o palco. Como que isso aconteceu? E o que a banda pode falar desse episódio? CJ: O cadeirante é um amigo

nosso chamado Marquinhos, ele é um banger de Mongaguá que está presente a praticamente todos os eventos na baixada. No episódio citado, ele estava como de costume “bangueando” no meio da galera, quando praticamente o puxamos para cima do palco, e ele por ali permaneceu batendo cabeça com o Cléber uma música

inteira. Uma cena realmente muito marcante para todos nós.

A banda dividiu recentemente o palco com o lendário Mystifier e ainda participou de um cover para o clássico “Nightmare” do Sarcófago, como foi essa experiência para a banda? Sarcófago é uma das influências para o Empire of Souls? CJ: Verdade! Foi o segundo

show que fizemos ao lado destes mestres do Black Metal. Tocar ao lado de banda que fez parte de sua identidade musical não é só uma grande honra como também uma enorme responsabilidade, sabe aquele lance do aluno buscar aprovação do mestre? Ou do filho que quer orgulhar o pai? Pois bem, tocar ao lado de uma banda como Mystifier é algo parecido. Como se já não fosse emoção o

suficiente, imagine a sensação de dever cumprido por ter dado conta da responsabilidade, e estar ali ao lado do palco bebendo e curtindo grandes clássicos desses monstros, e sem você esperar ser chamado para subir ao palco e cantar um som de outra banda que sempre influenciou a todos nós. Difícil demais descrever a sensação.

Espaço para considerações finais e agradecimentos CJ: Agradecemos a oportunida-

de e abaixo seguem alguns links para que quiser agendar shows, saber mais sobre o Empire of Souls ou mesmo levar uma ideia. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/EmpireOfSouls/?ref=hl https://www.youtube.com/c/EmpireofSoulsBMH empireofsoulsbmh@gmail.com

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RESENHA EVENTO

SP DOOM DAYS III

A VOLTA DOS DYING EMBRACE E O TORPOR SONORO DOS SIRACVSA POR | Gustavo Zombetero

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exta-feira dia 6, foi mais um dia para atravessar duas cidades do ABC paulista rumo à capital, mais precisamente, o bairro Pinheiros, na rua Teodoro Sampaio. Em meio ao comércio da região existe uma entrada que dá acesso ao estúdio Espaço Som, um ambiente muito bem falado por músicos que eu conheço, não é por menos... A casa é um misto de estúdio de ensaio com um lugar para apresentações, a área do salão não pode acomodar mais de uma centena de pessoas, porém, a qualidade sonora do local faz o tom da graça, contando com um técnico de som prestativo e atento, uma alquimia de luzes que

podem agravar o seu grau alcoólico ou canábico. O espaço conta com um bar e um extenso quintal ao fundo carinhosamente apelidado de “a área dos fumantes”.

O EVENTO

Bom, agora que você já foi iniciado na estrutura esquelética da coisa, vamos aos fatos. Pois bem, esta resenha refere-se a 3ª edição do SP Doom Days organizado pela Last Time Produções, produtora capitaneada por Rafael Sade (também tecladista dos HellLight), Sade já desenvolveu uma experiência sólida no rolê, tanto na música quanto em produção midiática, ele também se aventura no youtube com um canal voltado a divulgação da Música Pesada triste/bruta/chapada OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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RESENHA EVENTO

SP DOOM DAYS III e afins, me refiro ao Last News, que já conta com mais de uma dezena de vídeos postados. Pelo que me consta o SP Doom Days será mensal, sempre nesse formato de “mini fest” ou “pocket show”, trazendo 2 bandas numa noite. O SPDD já contou com a presença dos veteranos Mythological Cold Towers, além dos Jupiterian, I Am The Sun e Saturndust, nesta resenha tratarei do que os Siracvsa executaram e de como foi a volta dos Dying Embrace após 10 anos de hiato. Com um certo atraso, o trio Siracvsa inicia a sua epopeia com a “Sanctuary of the Scarlet Night”... Os caras estão com problemas de logística no momento, o que fez com que eles ficassem 3 meses sem ensaiar, mesmo assim, conseguiram segurar a bronca. Siracvsa executa uma sonoridade que passeia pelo Stoner/Doom, com uma certa espiritualidade e transcendência em alguns momentos, como o desta que abriu o show. A marretação absurda de Sérgio é um ponto alto, aliando ao peso visceral do baixo de Allan, os dois se correspondem muito bem, por fim, as distorções “fora de regra” de Renan, seu vocal rude e áspero, reverberado e carregado de delay. Em seguida, é a vez de “Judah”, a única faixa do set que é possível ouvir no bandcamp

Eu poderia dizer que existe alguma semelhança entre o som dos Siracvsa com o som dos Electric Wizard, Yob, é mais ou menos por aí, com o agravante de ter a sua própria cara, é claro! da banda, as outras 3 farão parte do Debut que será lançado ainda neste ano, segundo a banda. “Judah” se inicia num trabalho de baixo, em seguida tudo desmorona com a soma de Renan e Sérgio, a faixa segue nesse ambiente místico, com uma letra curta e um instrumental longo (uma marca registrada da banda). Eu poderia dizer que existe alguma semelhança entre o som dos Siracvsa com o som dos Electric Wizard, Yob, é mais ou menos por aí, com o agravante de ter a sua própria cara, é claro! A marretação não cessa em “Cantico Della Dea”, neste momento, provavelmente os tímpanos dos presentes estavam gritando por alguma misericórdia enquanto o trio descarregava seus fantasmas em forma de música. Allan demonstra muita manha com o seu baixo ao debulhá-lo impetuosamente, algo que me fez retornar

n’algum lugar do meu passado, dopado em frente a TV assistido o vídeo The Wall dos Floyd. Para encerrar, eles escolheram a “The Black Mythology” - a faixa mais longa da banda (até o momento), toda trabalhada numa vibe mais transcendental, a faixa intercala entre ‘ritos’ e rudeza até o momento que uma atmosfera oriental assume o controle, com o trampo de guitarra aliado ao minucioso acompanhamento da cozinha, nestas alturas, o fim se aproxima, todo esse colorido é enegrecido com uma pegada mais rápida, Renan berra entre vocais rasgados e histéricos, eis o “findamento” da apresentação.

LINKS https://www.facebook.com/syracuseofficial/?fref=ts http://siracvsa.bandcamp.com/

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https://www.facebook.com/FuneralWedding

http://www.funeralwedding.com/


Uma pausa para tomar um ar... O Dying Embrace assumem o palco com o Debut “Chronic Delusion” na íntegra mais uma faixa inédita. Com a banda reformulada, contando apenas com Edgar - guitarra e Rômulo - teclado, membros presentes na gravação do Debut em 2006, Thiago - voz, Rafael - guitarra, Giorgio - baixo e Tobias - bateria fechando o novo time. A ode à melancolia se inicia com “Nighttime Rain Drop” (DE é outra banda que abusa de faixas longas) e seus 9 minutos de cadência cinzenta, faz jus à uma banda da capital paulista. Seguindo a ordem do Debut, é a vez de “Can’t Be”, particularmente é a minha preferida do disco, uma passeada pelo Doom/Death melancólico pós 90, com nuances de Post-Rock, um trabalho de teclado impecável, soturna, suave, gélida... adjetivos que são encontrados em toda obra dos caras. Thiago executou um belo trabalho assumindo o lugar de Paulo (quem gravou a voz do Debut), posso lhe garantir que isso não é nada fácil, Rafael, Giorgio e Tobias estão equiparados aos postos dos antigos membros também. Os caras voltaram com maestria, eu não tive a honra de vê-los antes do hiato de 10 anos, há época, eu estava perdido lá no inte-

A DOOMED BLOG FOR DOOMED PEOPLE

DYING EMBRECE no SP Doom Days III, 6 de maio, em São Paulo.

rior de SP. “Pain, Hope And Sands Of Time” surge com sua atmosfera entoada pelas teclas, os vocais quase desesperados de Thiago, ao invés do típico gutural, ele aposta mais nos vocais rasgados, esta faixa tem um momento mais agitado, tal momento esse que a galera se empolgou e acompanhou o som agitando também. Chega a hora da banda apresentar a faixa inédita “From Distant Skies”, aqui os caras estão mais próximos de Agalloch, Fen, talvez Alcest, enfim, é nítido a presença de influência do Black Metal, ou seria Post-Black Metal? Independente dos rótulos para explicitar melhor o que virá na “nova fase” dos Dying Embrace, de antemão, só posso garantir que será algo de qualidade e com assinatura própria. A penúltima é “Tragic Silence”, combinando com a antecessora por possuir guitarras mais sujas e uma pegada mais obscura, rude, um andamento mais acelerado. O duo de guitarra muito

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bem executado e mais uma vez o teclado “enevoando” o ambiente com sua frieza. Neste momento era certo que o fim estava próximo, pois bem, “Without” traz toda a melancolia a tona (mais uma vez), aquele riff tristonho típico dos anos 90, aquele riff cavalgado, também típico, com o agravante do peso ser mais trabalhado nesta faixa, Edgar faz a sua guitarra berrar de desespero, uma alquimia caótica, um transe cataclísmico muito bem apropriado para o fim. Assim se encerrou mais um SPDD, um pouco além das 22h, galera satisfeita, um frio agradável na terra da garoa, aquela ânsia de ver as bandas novamente, aguardemos. Esta foi a minha primeira resenha de show, isso é mais difícil do que comentar um disco, espero que tenham gostado. Até a próxima. OD | A

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ENTREVISTA SAMI HYNNINEN OPIUM WARLORDS

ENTRE OUTRAS TANTAS MIL FACES DESIGNER GRAFICO, MÚSICO DE UMA DAS MAIORES BANDAS DE DOOM METAL E VEGETARIANO, SAMI ALBERT HYNNINEN FALOU EM EXCLUSIVIDADE COM A OCTOBER DOOM MAGAZINE SOBRE SUAS EXPERIÊNCIAS DENTRO E FORA DO REVEREND BIZARRE

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POR | Thiago Satyr

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audações leitoras e leitores da October Doom Magazine, quem vos fala é Thiago Satyr, baixo/voz nas bandas Witching Altar (PE) e Absent (DF). Para marcar esta primeira colaboração, apresento-lhes um bate papo extremamente interessante com ninguém menos do que Sami Hynninen, mais conhecido por “Albert Witchfinder”, baixo/voz e principal força motriz por trás do finado Reverend Bizarre. Considerando o fato do Reverend estar oficialmente morto desde o ano de 2007, a conversa buscou explorar outros projetos com os quais o músico anda envolvido, alguns detalhes acerca de sua vida pessoal e suas opiniões sobre política, Ocultismo e black metal brasileiro! O resultado dessa experiência vocês poderão conferir a seguir. OD | A

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ENTREVISTA SAMI HYNNINEN OPIUM WARLORDS

THIAGO SATYR: Antes de tudo gostaria de lhe agradecer por ter nos cedido algum tempo para responder esta entrevista. Considerando que este é o seu primeiro contato com uma publicação brasileira, além de ser também minha primeira tentativa de entrevistar alguém, tentarei fazer com que as perguntas não soem tão genéricas. Gostaria de começar com uma pequena apresentação: quem é Sami Albert Hynninen? Sami Hynninen: Eu sou um

letrista, produtor, escritor e músico finlandês. Estive envolvido com inúmeras bandas e projetos durante vários anos, no entanto sou conhecido quase que exclusivamente por ter sido o fundador e principal compositor do Reverend Bizarre, banda que esteve ativa entre os anos de 1994 e 2007. Atualmente eu estou envolvido com o Opium Warlords, o Tähtiportti, o Spiritus Mortis e o Lord Vicar. Também estarei finalizando mais um registro com minha antiga banda The Puritan. No passado, além do Reverend Bizarre, eu estive em bandas como SOPO, Punisment, KLV, Wehrmacht, The Candles Burning Blue, Vaarna, Orne, Armanenschaft, Werwolf Lodge, Vironsusi, Forests of Old, March 15 e Azrael Rising. Nestes grupos eu toquei noisecore; noise; ambient; música eletrônica, minilista e experimental; folk “apocalíptico”; rock progres-

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O que me colocou neste caminho foi o primeiro disco do W.A.S.P. Esse álbum realmente me mostrou um mundo diferente.” Sami Hynninen

sivo; gothic rock; hardcore-punk; black metal; death metal; doom metal e heavy metal old school. Também trabalhei fazendo algumas pinturas/desenhos para capas e merchandising de algumas bandas, em sua maioria bandas nas quais toquei, no entanto já realizei trabalhos para outras bandas como Jex Thoth, Furze, Lord Vicar, Hexvessel, Amorphis, Lordamor, Fall of the Idols, Epäkristus e Terrorama. Também já trabalhei desenhando alguns logos.

Quais razões lhe motivaram a seguir a vida de músico? Você possui alguma outra ocupação ou está envolvido exclusivamente com produção artística? SH: Para te falar de uma ma-

neira simples, o que me colocou neste caminho, o qual trilho há 32 anos, foi o primeiro disco do W.A.S.P. Esse álbum realmente me mostrou um mundo diferente e me fez querer tocar em uma banda. Antes disso eu ouvia coisas como Kim Wilde e Human Lea-

gue, também ouvia algo de heavy metal, mas o W.A.S.P. mudou meu modo de pensar. Eles tinham uma força brutal, um visual e letras extremas. Eu tinha apenas 8 anos e estava encantado com aquilo. O Segundo álbum acabou sendo meio frustrante para mim, no entanto o primeiro continua sendo um dos meus álbuns favoritos. Eu não possuo quaisquer outras ocupações. Eu costumava escrever algumas resenhas e artigos musicais, mas acabei parando há alguns anos atrás, assim como recentemente parei também de desenhar e pintar. No futuro, eu desejo conseguir me dedicar apenas a gravar minhas próprias composições, mas primeiro eu preciso concluir alguns outros assuntos.

No Brasil, a maior parte do público te conhece pela sua excelente carreira com o Reverend Bizarre. No entanto, considerando que a banda está oficialmente morta desde 2007, eu gostaria de focar nossa conversa nos seus outros projetos musicais... você poderia nos contar um pouco sobre os projetos com os quais tem estado envolvido ultimamente? SH: Opium Warlords é o meu

projeto principal. O quarto álbum está em processo de produção já há algum tempo. No Opium Warlords eu posso fazer quase tudo o que quero, já que a banda não está presa a nenhum gênero específico. OD | A


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ENTREVISTA SAMI HYNNINEN OPIUM WARLORDS

Tähtiportti é um projeto de música eletrônica, mas com uma pegada mais áspera do que outras bandas de techno e eletro. Eu escrevo as letras, arranjo e executo os vocais. Nosso Segundo álbum será lançado logo em breve. Fazer parte desta banda tem sido algo muito crucial na minha vida. Eles praticamente me arrancaram do estado de isolação no qual eu vivi por vários anos e me ensinaram a confiar nos outros quando o assunto é produção musical. Spiritus Mortis é uma banda de doom metal que já havia sido fundada desde os anos 80. Eu me juntei a eles na época da produção do terceiro álbum, agora nós acabamos de finalizar o quarto, que deverá ser lançado em breve. Eu farei apenas mais algumas sessões com eles e em seguida me desligarei da banda. Recentemente eu fiz o mesmo com o Azrael Rising, uma banda de black metal para a qual eu escrevia as letras e gravava os vocais. Também estou tocando baixo no Lord Vicar já há alguns meses, mas creio que você já saiba disso.

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A respeito da sua participação no Spiritus Mortis, considerando que a banda está na ativa desde 1987, suponho que você já era um admirador antes de se envolver com eles de fato. Como tem sido trabalhar com os caras e o que podemos esperar do próximo álbum? SH: Na verdade, eu conheci eles por conta do Reverend Bizarre, creio que na época eles entraram em contato comigo. Eu sabia que a banda existia, mas não tinha escutado nenhuma música deles, a não ser “Rise from Hell”. Nós acabamos nos tornando amigos e tocando alguns shows juntos. Minotauri foi o terceiro membro a completar esse cenário original do doom metal finlandês. O trabalho com eles tem sido o mesmo desde o início: eu pego as bases e escrevo/arranjo os vocais em cima delas, do jeito que eu quiser. Daí eu gravo as vozes e os caras da banda só escutam depois que eu termino todo o serviço. A música que eles produzem é

estupenda e muito inspiradora, e pelo fato de confiarem em mim nós não precisamos trabalhar em colaboração. Inclusive eu não vejo os líderes da banda, os irmãos Maijala, desde 2010. Eu gravei os vocais desse último disco numa cidade distante da qual eles moram, apenas eu e o engenheiro de som comigo no estúdio. Esse quarto álbum é basicamente uma continuação do terceiro, no entanto existem algumas diferenças perceptíveis, especialmente nos meus vocais. Eu torço para que os fãs mais antigos possam curtir. Eu me esforço para honrar o legado da banda da maneira mais decente possível, mas não posso comprometer o meu próprio direcionamento musical por conta disso. Eu não sigo ninguém.

Uma pergunta pessoal. Você poderia fazer um breve resumo acerca da existência de dois antigos projetos seus que sem dúvida estão entre os meus favoritos: KLV e The Candles Burning Blue.


FICHA SAMI ALBERT HYNNINEN 40

ORIGEM Finland

ARTWORK

Capa feita para coletânea ‘Metal on Metal II’

No futuro, eu desejo conseguir me dedicar apenas a gravar minhas próprias composições, mas primeiro eu preciso concluir alguns outros assuntos.” A Svart Records recentemente lançou o EP do KLV “Valkeus” em vinil 12’’, existe alguma possibilidade de rolar uma versão em LP de "Pearls Given To The Swine" do Candles? SH: Pessoalmente, eu gosta-

ria muito de ver “Pearls Given to the Swine” ser lançado em LP. Esse é um dos melhores álbuns no qual eu tive o prazer de trabalhar. The Candles era uma ótima banda, nós compartilhávamos exatamente a mesma visão musical, no entanto, também éramos pessoas muito intensas, e isso acabou causando alguns problemas. The Candles Burning Blue lançou uma tape, dois CDR, um Split 7” e um full-length. Nós também fizemos alguns shows muito fodas, e uma vez até mesmo compomos e tocamos uma trilha sonora ao vivo para o “Nosferatu” de Murnau. Depois desse show, a banda encerrou suas atividades. O KLV marcou o início da segunda fase das minhas ativi-

dades musicais, isso em 1992. A banda começou como um projeto de noisecore; nós tínhamos algumas músicas que duravam entre 1 e 5 segundos. Esta era, conceitualmente falando, uma banda muito importante para mim, pois refletia meu profundo interesse por extremismo e experimentalismo. Depois de 1994, o KLV começou a tomar um rumo diferente, as músicas se tornaram um pouco mais convencionais, embora eu possa afirmar que a banda continuou bastante vanguardista até seu fim. As músicas se tornaram muito longas e lentas, algumas delas inclusive vieram a se tornar músicas do Reverend Bizarre, The Puritan e Opium Warlords. Durante sua existência, entre 1992-1998, o KLV lançou várias tapes, um Split 7” e fez dois shows. Após o fim da banda foi lançada uma compilação em CD e EP 12”. Este EP deveria ter sido lançado no final da década de 1990, mas na época eu não tive dinheiro para isso. OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA SAMI HYNNINEN OPIUM WARLORDS

Mudando um pouco o foco da conversa... pelo que sei você é uma pessoa muito reclusa. Te imagino vivendo numa cabana no meio de alguma floresta da Finlândia, ou algo do tipo. Você poderia nos falar um pouco sobre a sua vida pessoal? Algo sobre o seu dia a dia e como isso afeta a sua produção artística. SH: Eu moro numa casa per-

feitamente normal, embora aqui perto tenha uma pequena floresta e eu tenha uma vista ótima do lago. Mas é verdade que eu mantenho a porta fechada e o telefone desligado. Eu vivo uma vida bastante ascética, com pouquíssimo dinheiro. Eu não tenho nenhum hobby. Todos os dias eu perco um tempão fazendo o trabalho que meu manager faria, caso eu tivesse um. Eu preciso manter tudo funcionando por conta própria, e controlo de perto tudo relacionado aos projetos em que estou envolvido. Atualmente, também preciso lidar com os prazos da minha dissertação de mestrado. Eu frequentei a universidade em 1999, mas aí acabei dando uma longa pausa e agora meu último prazo está acabando e eu preciso terminar logo com isso. Eu também preciso cuidar da minha saúde mental diariamente, isso também consome muito do meu tempo e energia. Todas essas atividades paralelas afetam minha produção artística. Caso eu não tivesse que me preocupar com tudo isso, eu termi-

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naria minhas gravações em muito menos tempo. Esse é um dos motivos pelo qual eu tenho pulado fora de várias bandas. Também tenho aprendido a dizer não e a evitar me envolver com novos projetos. Futuramente, gostaria de produzir o mínimo possível, mas, claro, eu acabo sempre me dedicando por inteiro a todos os projetos nos quais me envolvo. Toda a minha obra é baseada na vida que levo, e nas coisas que eu vejo e sinto.

Qual sua opinião acerca de toda essa polêmica envolvendo os problemas imigratórios que ocorrem na Europa atualmente, sobretudo em países escandinavos, como é o caso da Suécia? SH: Alguns desses “problemas imigratórios” nem existem. Há alguns indivíduos e grupos de pessoas que QUEREM enxergar esses problemas. Eles espalham rumores, lendas urbanas e mentiras intencionais, porque eles já são contra a imigração e querem espalhar suas ideias o máximo possível. Muitas dessas pessoas são extremamente ignorantes no que se refere a culturas e religiões diferentes, mas ironicamente são eles que gostam de expressar suas “opiniões” – sem base alguma, diga-se de passagem – mais alto que todo mundo. Aqui na Finlândia a economia afundou em certos aspectos, sempre que isso ocorre esses grupos crescem. É muito fácil

II: CRUSH THE INSECTS CAPA

2005

usar os estrangeiros como bodes expiatórios para quase tudo. Não é só a Suécia que precisa se adaptar a essa situação, quando há multidões de refugiados vindos da Síria e países próximos aqui para o Norte. Na Finlândia vários centros de refugiados foram inaugurados em pouquíssimo tempo, e alguns idiotas tem jogado bombas caseiras nesses lugares. Com certeza não existem respostas simples para esse tipo de situação nem para o grande aumento na quantidade de refugiados, e a Europa precisa encontrar soluções rapidamente. Mas se eu tivesse respostas para essas perguntas difíceis, eu acabaria sendo algo além de um simples músico de rock. OD | A


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ENTREVISTA SAMI HYNNINEN

anos: o NSBM tem crescido cada vez mais. Certamente algumas dessas bandas realmente acreditam nesse tipo de ideologia, mas existem também aquelas que simplesmente tentam expressar algo mais radical do que o Satanismo, algo mais chocante. Para mim, ambos os motivos são igualmente patéticos.

OPIUM WARLORDS

Por falar em black metal… Eu me lembro que há algum tempo atrás, durante uma conversa nossa, você me disse que considera as primeiras bandas de black metal brasileiras (ex.: Vulcano, Sarcófago, Mystifier) como sendo os verdadeiros pioneiros do “svart metall”. De que forma você acha que essas bandas influenciaram o antigo cenário escandinavo; e como elas influenciaram a sua própria carreira dentro do black metal, composta por bandas como Armanenschaft, Azrael Rising e Vironsusi? SH: Eu respeito profundamente

OPIUM WARLORDS TASTE MY SWORD OF UNDERSTANDING

2014

De que forma você acredita que estes problemas estejam relacionados à ascensão de políticas de extrema direita na Europa? Aproveitando o ensejo, qual sua opinião acerca da existência de ideias e ações de extrema direita no cenário heavy metal, especialmente no black metal?

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SH: É claro que em situações como esta, grupos de extrema direita ganham maior atenção e, consequentemente, vários novos seguidores, tudo baseado em ignorância, medo e ódio. Pessoalmente, eu não tolero esse tipo de estupidez. Triste mesmo é perceber que, aparentemente, não aprendemos nada com a Segunda Guerra Mundial. Em relação a influências de extrema direita na cultura do Metal, eu acho que sempre houve pessoas com ideais racistas nesse meio, porém é muito fácil perceber que uma moda tem se instalado no cenário black metal nos últimos dez

essas primeiras bandas brasileiras e admiro muito seu trabalho. No entanto, eu as conheci um pouco tarde demais para que pudessem influenciar diretamente minha produção. De todo modo, eu sei, por exemplo, que o Beherit tem muita influência do Sarcófago, sendo assim o Sarcófago acaba tendo reflexos no meu trabalho, já que eu sou influenciado pelo Beherit. Eu estive no último show do Mystifier aqui na Finlândia, mas não consigo lembrar muito bem dessa noite.

Qualquer pessoa que acompanhe a sua obra, seja com o Reverend Bizarre, Opium Warlords ou The Puritan, fa-


cilmente perceberá inúmeras referências místicas expostas de maneira muito experiente e madura. Quais são suas influências pessoais na área de Ocultismo/Magick e de que forma elas se relacionam com sua vida privada e artística? SH: No ano passado eu tomei

a decisão de me afastar do misticismo. Fiz isso por conta da minha saúde mental, pois a Magia é algo muito real e muito perigoso também. Eu cheguei a um nível de conhecimento tão alto acerca dessas tradições que meu cérebro finalmente começou a fritar. Eu já andava meio fraco por que estava exausto há muito tempo, tendo de lidar com todo tipo de problemas e confusões emocionais, e quando isso tudo se somou às minhas aventuras místicas, meus pensamentos ficaram tão complicados que minha capacidade intelectual ficou sobrecarregada. Eu tive de fechar algumas portas. Eu ainda sei que todo esse conhecimento – ou gnose – é real, mas eu tento não pensar mais sobre isso. Em vez disso, eu procuro me focar em coisas muito simples e concretas. Por conta da dissertação, eu ainda preciso lidar com processos mentais complexos, mas quando eu a finalizar, irei certamente dar uma relaxada. Minhas influências eram bastante comuns, talvez porque sejam as que funcionam melhor: Crowley, Jack Parsons, John Dee, Abra Melin (apesar de que ele era mais um contador de histórias do que um mago) e Austin Osman Spare. O conceito de “as if” influenciou muito meu trabalho mágico, e eu acho que esse é o único fator que permanece presente na minha vida até hoje. O Ocultismo tem sido minha

força motriz e visão de mundo desde que eu era criança, então acabei montando uma bela biblioteca sobre o tema. Naturalmente eu ainda tenho esses livros, mas agora é hora de procurar outras respostas. Ao menos por enquanto, preciso dizer que esse revival recente do Ocultismo na cultura popular acabou se tornando maçante, então talvez seja uma boa hora para me dedicar a outros assuntos. O Oculto é algo que deveria ser escondido, e não exposto. De qualquer forma, eu continuo sendo um grande fã do Doutor Estranho!!!

para dar uma resposta. Esse convite realmente apareceu de surpresa, e como eu tenho vivido de forma reclusa, com minha saúde não andando muito boa, pensei inicialmente que não seria possível para mim. Foi uma decisão muito difícil que acabou me deixando muito ansioso, mas, no final das contas, decidi aceitar o desafio, porque sabia que se eu desse conta, isso teria um grande efeito na minha vida e na minha saúde. Fazia nove anos que eu não tocava baixo ao vivo, e vinha evitando qualquer tipo de exposição, logo, essa não seria uma tarefa simples, mentalmente falando, mas eu consegui. Tive pouquíssimo tempo para aprender uma hora do repertório da banda, do qual eu não conhecia quase nada. Mas eu peguei as músicas muito rapidamente, o único problema foi decorar tudo. Fico feliz por ter tido força de vontade para aceitar o convite e embarcar nessa aventura, que ainda está acontecendo, e acabei aprendendo algumas outras músicas também. Fora as dificuldades corriqueiras na estrada, dormindo muito pouco e tendo de operar diferentes amplificadores e pedais todas as noites, eu tenho achado muito bom ser “apenas” o baixista e nada mais. Isso combina perfeitamente com meu esforço em me focar na simplicidade. Na estrada eu esqueço de tudo, sou apenas o baixista do Lord Vicar. Tudo o que eu fiz antes e tudo que farei no futuro não importa. Na verdade, Kimi e eu nunca fomos muito próximos, mas agora nossa relação está bem melhor do que na época do Reverend Bizarre. OD | A

O Ocultismo tem sido minha força motriz (...)

Recentemente você assumiu o baixo no Lord Vicar para executar alguns shows na Europa. Como surgiu esse convite? Como anda sua relação com Kimi Kärki (a.k.a. Peter Vicar) nos dias de hoje? O que você pode nos contar sobre sua participação nos dois ótimos álbuns do Orne? SH: Meu papel nessas bandas foi, e continua sendo, o de “músico contratado”, com o objetivo de servir o propósito das bandas da melhor maneira possível. No Orne, inicialmente eu seguia estritamente as ideias de Kimi, mas no segundo álbum eu fiz alguns rearranjos nos vocais. No Lord Vicar eu toco as linhas de baixo do meu jeito, mas mesmo assim meu papel é ajudar a banda a fazer aquilo que eles deveriam fazer. O Lord Vicar tinha alguns shows marcados para os próximos meses, mas acabaram ficando sem baixista, por isso Kimi me perguntou se eu poderia acompanha-los na estrada, e eu teria poucos dias

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ENTREVISTA SAMI HYNNINEN OPIUM WARLORDS

Inclusive, eu já tenho mais boas lembranças dessas viagens com o Lord Vicar do que das que fizemos com o Reverend Bizarre.

Eu sei que você deve estar extremamente cansado de responder perguntas com relação ao Reverend Bizarre, porém, considerando que ainda restam alguns relançamentos em vinil a saírem pela Svart Records, você poderia nos adiantar algo a respeito? Quais seriam os álbuns e qual a previsão de lançamento? SH: “Death is Glory…Now” e “Slice of Doom”. Quando? Somente quando eu tiver tempo de trabalhar neles. Todos esses relançamentos em vinil exigem muito tempo e trabalho da minha parte, já que eu preparo as capas, a masterização e controlo todo o processo. Infelizmente eu tenho pouquíssimo tempo disponível. Fico feliz que as pessoas ainda se interessem pelo Reverend Bizarre e que mantenham sua música viva, mas pessoalmente eu não vejo a hora de encerrar meu trabalho com essa banda. Isso já deveria ter sido encerrado em 2007, no entanto, cá estou eu, ainda cuidando de merchandising e todos esses relançamentos. Quando o último vinil da Svart for lançado eu finalmente estarei livre e nunca mais voltarei a lidar com nada relacionado ao Reverend Bizarre.

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E por falar nos mortos, POR ONDE ANDA VOID?! SH: Eu realmente não faço

ideia. Há algum tempo, na cidade onde ele mora, eu acidentalmente acabei encontrando-o parado num semáforo, mas depois disso eu nunca mais ouvi falar dele. Nenhum dos ex-membros do Reverend Bizarre costuma manter contato. Pessoalmente, eu basicamente não mantenho contato com ninguém.

Um fato interessante acerca do Reverend Bizarre é que em algumas letras vocês utilizam diversas referências bíblicas, assim como fizeram bandas clássicas como Trouble, Saint Vitus, Black Sabbath, Candlemass, Pentagram, etc. Inclusive já cheguei a ver alguns idiotas acusando o Reverend de ser uma banda cristã ou alguma merda do tipo. Pessoalmente eu vejo uma diferença ENORME entre o uso de temas bíblicos na música (em sua maior parte sob uma perspectiva “esotérica” ou histórica) e o ridículo posicionamento/ discurso doutrinário das miseráveis e incoerentes bandas de “metal cristão”, aqui no Brasil mais conhecidas por bandas de “white metal” (termo extremamente controverso, mas isso já seria assunto para uma outra conversa). Qual é a sua opinião acerca do uso de temas “cristãos” no doom metal?

SH: No Reverend Bizarre, eu utilizei esses temas como tributo a algumas das bandas que nos influenciaram: Trouble, Saint Vitus, Iron Man, Count Raven e Internal Void. Além disso, durante a década de 1990 eu achava muito mais radical falar de Deus do que de Satã, já que Satanás estava em toda parte, graças a algumas bandas de black metal vendidas, que na época eram as favoritas entre os adolescentes. Havia mais poder em Jesus, Deus e na “mensagem positiva” do que no “mal”. Mas, no nosso caso, isso durou somente no primeiro álbum, depois disso, nossas letras e artes visuais passaram a refletir mais minhas crenças e pensamentos reais. Mesmo assim, até hoje eu consigo sentir uma atmosfera espiritual especial em algumas dessas bandas de Doom “cristãs”. O que você anda ouvindo ultimamente? Alguma recomendação? SH: Por algum motivo, eu te-

nho escutado muito meus discos favoritos da década de 1990. “Deicide” e “Legion” do Deicide, “Harmony Corruption” do Napalm Death, “Extreme Conditions...” do Brutal Truth, “Strap It On” do Helmet, “Mental Vortex” do Coroner, e “Seamonsters” do Wedding Present. Eu também tenho curtido bastante duas bandas que eu não gostava na década de 1990, Crowbar e Guns N’ Roses. Além dessas eu tenho ouvido mui-


to “Nattens Madrigal” do Ulver, “Tilt”, “The Drift” e “Bish Bosch” do Scott Walker, “Sol Invictus” do Faith No More, os dois primeiros álbuns do Iceage e também o Genesis antigo. Eu ando TÃO cansado ultimamente que não tenho conseguido ouvir músicas de energia mais baixa, como The Fall. Eu acabo dormindo.

Ok, Sami. Gostaria mais uma vez de lhe agradecer pelo tempo cedido. Continue desenvolvendo seu trabalho admirável e nos preenchendo com um pouco de música inteligente de verdade. Cedo esse último espaço para que você possa falar o que quiser. Obrigado! SH: Fico muito feliz de finalmente conseguir falar com o pessoal do Brasil. Quero cumprimentar todos vocês que conhecem meu trabalho, e todos que o conhecerão em breve. Também quero cumprimentar e agradecer especialmente o Wagner [N.T. Wagner Antichrist do Sarcófago] pelos belos presentes que recebi dele por meio do Kerttu da banda punk Kovaa Rasvaa!!! E muito obrigado a VOCÊ! OD | A

Fico feliz que as pessoas ainda se interessem pelo Reverend Bizarre e que mantenham sua música viva, mas pessoalmente eu não vejo a hora de encerrar meu trabalho com essa banda.” THRONES IN THE SKYL CAPA

2016

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EXPERIMENTE

MORITO ERGO SUM

DOOM METAL SUECO, COM UM TOQUE BRAZUCA POR | Morgan Gonçalves

A

Suécia é tradicionalmente conhecida como uma grande exportadora de bandas Doom, começando por Clássicos de mais de trinta anos, como o Candlemass, passando por elementos funda-

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mentais para a história do gênero, como Katatonia, Draconian, entre outros. O fato é que novos nomes surgem quase que diariamente naquele país distante e frio, e, esperamos abordar cada uma dessas bandas por aqui. Morito Ergo Sum é certamente uma destas bandas que lhe roubam a atenção com sua sonorida-

de. O quinteto formado por Paolo, Sebastian, Harry, Xavier e Walter em participações, foi formado em 2009, na cidade de Estocolmo, capital Sueca, com proposta de sonoridade a lá Gothic/Doom Metal. A Demo “I Die, Therefore I Am” e o EP “Moonchild” foram os primeiros registros da banda, mas em março deste ano seu primeiro álbum, “A Mournful Foreboding” foi lançado e alcançou excelentes críticas Suecas e de outras partes do mundo, figurando inclusive entre Stoned Jesus e The Foreshadowing, no PodCast do blog Funeral Wedding. O álbum possui oito faixas que levam o ouvinte a transitar pelos velhos tempos de My Dying Bride e Tiamat, porém, cuidando-se sempre para não perder a originalidade. Além das belíssimas canções que compõem o disco, a banda tem


FICHA

GOTHIC

ORIGEM Suécia

GÊNERO

Gothic Doom

CURRENT MEMBERS Paolo Cito Guitarr

Sebastian Rosengren

DOOM

DIE

Violino & Vocal

Harry Virtanen Baixo

Xavier Aguilar Guitarr

Walter Basile

(Participações) Bateria

também algumas curiosidades, como o ex baterista, que toca nas bandas Amon Amarth e October Tide, o significado do nome da banda, que seria a frase “Morro, logo, existo” em Latin, e principalmente, o guitarrista brasileiríssimo, Paolo Cito, que é um dos fundadores da banda. As temáticas da banda orbitam entre sentimento de perda, relacionamentos frustrados e depressão, conduzindo sempre com riffs pesados, vocais limpos e solos bem trabalhados. Morito Ergo Sum é uma banda que vive no limite. Não é nem jovem, nem muito tradicional, mas se apresenta com personalidade e qualidade, mostrando que pode surpreender e convidando a todos os admiradores do gênero para mergulharem em suas canções. OD | A

MORITO ERGO SUM A MOURNFUL FOREBODING 2016

COLD #TAGS

LINKS

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COLUNA

https://www.facebook.com/FuneralWedding

O BOM E VELHO DOOM METAL

RUSSO FICHA

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ORIGEM Moscou, Rússia

GÊNERO

Doom Metal / Post-rock

http://www.funeralwedding.com/

P

raticamente dois anos se passaram desde seu último lançamento, que inclusive foi resenhado aqui e para mim este álbum, “Yellow” era muito aguardado, pois tenho um apreço especial pelo som desses russos e esta seria a pazada de terra final caso seguissem o caminho escolhido no álbum anterior. E para a minha sorte este novo álbum manteve a sonoridade viajante, soturna e, por vezes, angustiante. Desde a nota de abertura em “To the Last Point” até o último acorde em “… Then he Walked” este álbum nos causa sensações diversas.


FOTO de divulgação da banda

Segundo o press-release do álbum, este material é um retorno ao estilo do segundo disco lançado por eles, o que na verdade não posso concordar totalmente. Aqui as guitarras estão mais viajadas, com uma pegada mais voltada ao Post-Metal e até mesmo algumas

passagens mais progressivas. Muitas vezes achei até uma certa semelhança ao indefectível Agalloch da fase “Ashes Against The Grain” tanto de guitarra quanto nos vocais de Igor Nikitin. Sonoramente comparando a discografia deles, a banda apresenta um grau absurdo de evolução neste álbum. A temática deste disco é baseada no conto “Slaughterhouse-Five” do escritor norteamericano Kurt Vonnegut e destacar alguma faixa fica quase impossível, pois para mim este álbum já é forte

THE MORNINGSIDE

candidato aos melhores do ano, mas escute “Out of Nest”, “Depot Only” ou a melodiosa “Missing Day” para comprovar. Em todo o caso, não vale apenas uma e sim muitas audições deste disco. Seja bem-vindo de volta The Morningside. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/groups/49112656578/ https://themorningside.bandcamp.com/

2016

YELLOW

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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RESENHAS

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DIVULGUE SUA BANDA Envie seu material com todas as informações para nosso email contato@octoberdoom.com

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THRONES IN THE SKY POR | Leandro Vianna

S

urgido em Natal/RN no ano de 2008, o Son of a Witch (que trocadilho foda!) já havia chamado a atenção pelo seu EP autointitulado, lançado no ano de 2012. O quinteto apresenta em seu debut um Stoner/Doom fortemente calcado no Black Sabbath, mas podemos observar também influências de nomes como Pentagram, Down, Kyuss e estilos como Psychedelic e Space Rock. Desse caldeirão de influências, surge uma música densa e intensa, além de claro muito pesada, carregada de riffs “sabáticos” simplesmente esmagadores (cortesia de Space

Ghost e Gila Monster), sempre acompanhados dos ótimos e variados vocais de King Lizzard (bem superiores ao EP de 2012), do baixão distorcido de Bong Monkey e da bateria pesada de Asteroid Mammoth. A abertura com a faixa título já deixa bem claro o que iremos encontrar aqui. Riffs na escola Iommi que grudam na cabeça, refrão forte, mudanças de ritmo, belo trabalho do baixo e vocais bem variados por parte de King. É um dos pontos altos do trabalho. Em seguida temos “Alpha Omega Astra”, faixa bem densa e com um peso simplesmente esmagador. Novamente as mudanças de ritmo se destacam, assim OD | A


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RESENHAS como seu belíssimo riff, embora observemos uma dose muito legal de psicodelia, o que acaba enriquecendo ainda mais o resultado final. “Far Away From Dreaming (Giant Spheres And Humanoids)”, terceira música aqui presente, se trata da regravação da faixa de abertura do EP de 2012. Aqui ela sofreu algumas pequenas mudanças e ganhou cerca de 1 minuto a mais, deixando ótimo o que já era muito bom. O maior destaque fica para a parte rítmica, já que o trabalho do baixo é simplesmente incrível e a bateria, lenta e pesada, dá muita solidez à canção. A faixa seguinte, “New Monster”, apresenta ótimos solos e um refrão daqueles que gruda por dias a fio na sua cabeça. Chamam bastante a atenção também o climão psicodélico, os vocais mais rasgados de King e mais um riff simplesmente fenomenal e memorável. Encerrando o trabalho, temos “Jupiter Cosmonaut”, o maior destaque de todo álbum e que retrata, em seus mais de 15 minutos, tudo que escutamos nas faixas anteriores. Pesada, com toques de psicodelismo, muito variada, que conta com um riff sabático até o talo (Iommi abriria um sorriso de orgulho aqui),

FICHA ORIGEM

Natal, Rio Grande do Norte

GÊNERO SON OF A WITCH THRONES IN THE SKY FULL 2016

1 - Thrones In The Sky 10’23’’ 2 - Alpha Omega Astra 11’58’’ 3 - Far Away From Dreaming (Giant Spheres and Humanoids) 08’49’’ 4 - New Monster 10’08’’ 5 - Jupiter Cosmonaut 15’38’’

Stoner Heavy Groovy Doom

CURRENT MEMBERS Murmur J

LINKS https://www.facebook.com/sonofawitch666/ https://sonofawitch666.bandcamp.com/

Vocal

Psychedelic Monk Guitarra

Gila Monster Guitarra

Old Goat

guitarra com wah wah, baixo distorcido, bateria lenta e um clima simplesmente esmagador. Simplesmente perfeita! Sem dúvida, Thrones In The Sky é desses álbuns que te fazem bater cabeça involuntariamente, uma autêntica e imperdível viagem sonora da qual vale muito a pena usufruir. OD | A

Baixo

Asteroid Mammoth Bateria

EP 2012

Son of a witch

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AGENDA AGENDA OCTOBER DOOM UMA SELEÇÃO DOS MELHORES EVENTOS, FESTIVAIS E SHOWS QUE ACONTECEM DURANTE OS PRÓXIMOS DIAS.

SHOW

COLOMBO ROCK COMBO

21/05

PARK AQUÁTICO E CHURRASCARIA NJS – CURITIBA/PR

17H PARA OS QUE PENSAM QUE METAL É COISA DE GENTE QUE TEM MEDO DO SOL, O COLOMBO ROCK COMBO TRAZ UMA MISTURA DE CHURRASCO, PARQUE AQUÁTICO E AS BANDAS MARTE, CHUBASA, CASSANDRA E MUSTAPHORIUS.

ACESSE https://www.facebook.com/ events/991102610926409/

SHOW DISSENSO LOUNGE APRESENTA

21/05

DISSENSO LOUNGE – SÃO PAULO/SP

19H

DIVULGUE SEU EVENTO Envie para nossa redação, as informações e links.

DISSENSO LOUNGE CONVIDA AS BANDAS MAGNETITA ÁGUA PESADA E OS MATOGROSSENSES DO FUZZLY PARA MAIS UM EVENTO COM BANDAS DO STONER/DOOM METAL NA CAPITAL PAULISTA.

contato@octoberdoom.com.br

Não nos responsabilizamos por mudanças ocorridas na programação

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ACESSE https://www.facebook.com/ events/1258704397490994


FESTIVAIS

SHOWS

DOOMSDAY OF CTHULHU #2

MALEFIC COLD WEATHER UNDERGROUND FEST 8

29/05

ESCORPIÕES MOTO CLUBE – SÃO PAULO/SP

11/06 20H

ACESSE

https://www.facebook.com/ events/473932516128401/

NÚCLEO PORTA PRETA SÃO PAULO/SP

13H

OFERENDAS SERÃO RENDIDAS À CTHULHU NESTE EVENTO QUE REUNIRÁ AS BANDAS JUPITERIAN E FUZZLY, ALÉM DE EXPOSIÇÕES E TATUADORES.

ACESSE https://www.facebook.com/ events/1541122562862339/

SHOWS

UM DOS MAIS TRADICIONAIS FESTIVAIS UNDERGROUNDS DE INVERNO CHAGA A SUA OITAVA EDIÇÃO COM AS BANDAS NECRONOISE, CREPTUM, MYTHOLOGICAL COLD TOWERS, MORCROF E LUCIFERIANO

SP DOOM DAYS 4

04/06

ESPAÇO SOM – SÃO PAULO/SP

19H A QUARTA EDIÇÃO DO FESTIVAL REALIZADO PELA LAST TIME PRODUÇÕES TRAZ AS BANDAS DENIAL OF LIGHT E SONGS OF OBLIVION

MEGALODOOM FUZZTIVAL

18/06 15H

CONTAINER BAR – BRUSQUE/SC ACESSE https://www.facebook.com/ events/216333798724722

ACESSE https://www.facebook.com/ events/1200600806625021/

O MEGALODOOM FUZZTIVAL TRAZ AS BANDAS TROPICAL DOOM, SPACE GUERRILLA E RUÍNAS DE SADE, LANÇANDO SEU DEBUT ÁLBUM. facebook.com/OctoberDoomOfficial

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FOTO

SAMI HYNNINEN OPIUM WARLORDS

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RUA VINTE E QUATRO DE DEZEMBRO. N477 AP 303. CENTRO - MARÍLIA, SP - BRASIL - CEP: 17500-060

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October Doom Magazine Num 58  

Revista Mensal com foco nas Artes Plasticas, Música e Entretenimento Underground. Download: https://goo.gl/VF9V4d

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