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LANÇAMENTOS + RESENHAS + SHOWS + MATÉRIAS + ENTREVISTAS

MAGAZINE

ANO II Nº57

ENTREVISTA ZÂNDHIO ARANDU ARAKUAA

RESENHA EP II

ENTREVISTA + RESENHA

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/PersephoneDarkClothes


EDITORIAL

57

Nº ABR/2016

By October Doom Entertainemnt

A October Doom Magazine é resultado da parceria e cooperação de alguns grupos e iniciativas independentes, que trabalham em função de um Underground Brasileiro mais forte e completo, além de vários individuos anônimos que contribuem compartilhando e disseminando este trabalho. EDITOR CHEFE: Morgan Gonçalves COLABORADORES NESTA EDIÇÃO: Fabrício Campos | Cielinszka Wielewski | Bruno Braga | Fernando Martinez | Gustav Zombetero | Merlin Oliveira | Raphael Arizo | Leandro Vianna | Billy Goate | Rafael Sade EDITOR DE ARTE:

Márcio Alvarenga noisejazz@gmail.com issuu.com/octoberdoomzine/ Facebook.com/OctoberDoomOfficial octoberdoom.bandcamp.com/ COLABORADORES:

Facebook.com/FuneralWedding

N

ossa Família está crescendo. O October Doom Magazine começou como uma ideia que parecia sem pá nem cabeça, afinal, não imaginávamos que teríamos público e muito menos bandas para alimentar a publicação durante muito tempo. Éramos somente eu e o Fabrico escrevendo e por muito tempo permaneceu assim, pelo menos até o início da nossa grande parceria com o blog Funeral Wedding e posteriormente, com o Movimento Underground Rock in Roll (MURRO), e isso nos ajudou a aumentar o conteúdo da revista sem perder a qualidade. Hoje, depois da nossa reformulação, somos uma equipe de 14 pessoas entre redação, diagramação e revisão, e a maioria desses colaboradores terão sua estreia nesta edição. Rafael Sade, do HellLight/Last Time/Last News; Leandro Vianna, do blog A Música Continua a Mesma; Billy Goate, do Blog norte americano Doomed & Stoned; Raphael Arizo, da Black Legion Productions; Maicon Leite, do blog “Tá no Sangue!” e Humberto Hell são nossos colaboradores mais recentes, e vocês poderão conferir suas colaborações já nesta edição. Além deles, temos nossos colaboradores mais “veteranos”, que têm nos ajudado a construir edição por edição até aqui. Com essa equipe esperamos trazer para nossos leitores, o máximo de informação e conteúdo de qualidade abrangido todos os gêneros compatíveis com a October Doom Magazine, e esperamos que vocês, que nos acompanhem, tornem-se ainda mais próximos desta iniciativa que surpreende a todos pela qualidade e continuidade. Venham, mergulhem nesta edição que preparamos especialmente pra vocês. Esperamos que gostem.

Mergulhem nesta edição que preparamos especialmente pra vocês.”

Boa leitura MORGAN GONÇALVES CONTATO:

contato@octoberdoom.com

Facebook.com/morgan.goncalves.1 EDITOR CHEFE


SUMÁRIO

ESSENCIAIS

CORROSION OF CONFORMITY

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23 36 ESPECIAL:

MUITO ALÉM DE GUERRAS E PROFETAS

MATÉRIA:

O MOVIMENTO UNDERGROUND NO NOROESTE NORTE AMERICANO

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50

12 ENTREVISTA

GUILHERME CORVO

ENTREVISTA SON OF A WITCH COM GILA MONSTER, GUITARRA

RESENHA CLÁSSICO

DEATH POEMS, DO THE FIFTH ALLIANCE

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ENTREVISTA JOCKE WALLGREN FREDRIK NORRMAN OCTOBER TIDE

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A inspiração está em todo lugar, basta observar e aplicar no tempo certo, com a banca certa.” Jocke Wallgren, BATERIA - OCTOBER TIDE

POR Moragan Gonçalves

O TRADUÇÃO Elyson Gums

UM NOVO EPISÓDIO PARA O OCTOBER TIDE COM WINGED WALTZ, OCTOBER TIDE ASCENDE À UM NOVO PATAMAR

ctober Tide nasceu em 1994, a partir da tape que Jonas Renkse e Fred Norrman gravaram para registrar algumas canções que seguiam uma linha diferente da sua banda principal, Katatonia, que havia acabado, porém, o rompimento do Katatonia acabou por ser apenas um hiato. O resultado dessa tape, gravado em 1994 só veio a público em 1997, sob o título de “Rain Without End”. De lá pra cá, mais de vinte anos se passaram, e hoje, o October Tide se prepara para lançar seu sexto álbum de estúdio, Winged Waltz, e é com o baterista Jocke Wallgren, que converso agora sobre a trajetória e os planos para o futuro do October Tide. OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA JOCKE WALLGREN FREDRIK NORRMAN OCTOBER TIDE

MORGAN G: O KATATONIA FOR FORMADO EM 1991, E EU CREIO QUE PODERÍAMOS COLOCA-LA LADO A LADO DE ANATHEMA, MY DYING BRIDE, MOURNING BELOVETH E PARADISE LOST NO HALL DE MAIORES NOMES DO DOOM METAL MUNDIAL. O OCTOBER TIDE NASCEU EM MEIO A TODO ESSE MOVIMENTO ASCENDENTE DO GÊNERO. COMO VOCÊ ACHA QUE ESSE “BERÇO” CONTRIBUIU PARA O OCTOBER TIDE? FREDRIK NORRMAN: Não estou certo

de ter ajudado tanto assim. Mais por causa da gente mesmo. Éramos muito reclusos naquele tempo, não demos entrevistas nessa época nem nada do tipo.

ANTES DO OCTOBER TIDE, VOCÊ JÁ TOCOU NO AMON AMARTH, EM PERFORMANCES AO VIVO, NO VITUPERATION DE DEATH/TRASH METAL, ASTROPHOBOS, DE BLACK METAL E MAIS RECENTEMENTE, NO MORITO ERGO SUM, DE DOOM METAL TAMBÉM DA SUÉCIA, ALÉM DE VÁRIAS OUTRAS. COMO VOCÊ SENTE QUE ESSA “FORMAÇÃO

FICHA 8

ORIGEM Avesta , Sweden

MUSICAL” INFLUENCIOU SUA ENTRADA NO OCTOBER TIDE, E QUE INFLUENCIAS ESSAS EXPERIÊNCIAS TRAZEM PRA BANDA? JOCKE WALLGREN: Não me afetou

muito. Sempre toquei músicas alternativas, então o death, black e doom estiveram sempre perto, especialmente se era melódico. A inspiração está em todo lugar, basta observar e aplicar no tempo certo, com a banca certa.

APESAR DE TEREM COMPOSTO A TAPE EM 1994, O PRIMEIRO REGISTRO OFICIAL DA BANDA VEIO SOMENTE EM 1997, NA FORMA DO PRIMEIRO ÁLBUM, RAIN WITHOUT END. O DISCO É INCRÍVEL, MAS LEVOU TRÊS ANOS PARA VIA À PÚBLICO. POR QUE O LANÇAMENTO VEIO SOMENTE EM 1997, SE ATÉ 1996 O KATATONIA AINDA ESTAVA SEPARADO? FREDRIK NORRMAN: Gravamos “Rain Without End” em 1995 e foi lançado em 1997 e pra ser sincero eu não lembro o porquê do atraso. Eu acho que tinha a ver com a nossa gravadora, Vic Records.

GÊNERO

Doom, Death Metal

DISCOGRAFIA

GREY DAWN FOI LANÇADO EM 1999, E MARCOU O FIM DA PRIMEIRA FAZE DO OCTOBER TIDE, JÁ QUE A PARTIR DAÍ, FORAM 11 ANOS SEM NOVOS LANÇAMENTOS. OQUE FEZ COM QUE A BANDA FICASSE TANTO TEMPO SEM LANÇAR NOVOS TRABALHOS? FREDRIK NORRMAN: Nós só esco-

lhemos focar no Katatonia. O OCTOBER TIDE era mais death metal até então, mas tinha similaridades com o Katatonia. Então encerramos o capítulo October Tide.

O OCTOBER TIDE FICOU 11 ANOS OCULTO, ENTRE 1999 E 2010, QUANDO A BANDA LANÇOU “A THIN SHELL”. VOCÊS ACHAM QUE TODO ESSE TEMPO SERVIU PARA AMADURECER A BANDA E TRABALHAR INDA MAIS AS CANÇÕES OU A BANDA FICOU REALMENTE DE LADO DURANTE ESSE TEMPO? JOCKE WALLGREN: Acho que sim. “A Thin Shell” é mais maduro e melhor pensado, mas eu não sou a melhor pessoa para responder a esta pergunta. OD | A

1997

Rain without end


Pra ser honesto, este álbum é o meu favorito do OCTOBER TIDE, não só porque eu toquei aqui, mas também porque a música e arranjos são extraordinários.”

CURRENT MEMBERS Alexander Högbom Vocals

Fredrik Norrman Guitars

Jocke Wallgren Drums

Emil Alstermark Guitars

Jocke Wallgren, BATERIA - OCTOBER TIDE

Mattias Norrman Bass

2016

Winged Waltz

1999

Grey down

2010

A thin shell

2013

Tunnel of no light

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA JOCKE WALLGREN FREDRIK NORRMAN OCTOBER TIDE

DURANTE QUASE TODA A HISTÓRIA DA BANDA, O KATATONIA PERMANECEU PRESENTE COM UMA “BANDA IRMÔ DO OCTOBER TIDE, E EM ALGUNS MOMENTOS, ESTEVE RELACIONADA DIRETAMENTE COM A BANDA, COMO EM 2012, QUANDO O OCTOBER TIDE PASSOU POR MUDANÇAS NO LINE-UP E MATTIAS NORRMAN (EX-KATATONIA) PASSOU A FAZER PARTE DO GRUPO. COMO FUNCIONA ATUALMENTE ESSA RELAÇÃO ENTRE OCTOBER TIDE E KATATONIA?

JOCKE WALLGREN: Eu acho que marcou um pouco os novos sons. Igualmente emocional, ainda com melodias agressivas, mas com sonoridades que marcaram o OCTOBER TIDE.

FREDRIK NORRMAN: É bom, por mais

JOCKE WALLGREN: Esse álbum é fruto

que não nos falemos tanto. Basicamente só conversamos no telefone ou quando nos encontramos nos shows.

EM 2013, O QUARTO DISCO DA BANDA FOI LANÇADO, TUNNEL OF NO LIGHT, QUE RECEBEU EXCELENTES CRÍTICAS DAS MÍDIAS E DO PÚBLICO, FOI CONSIDERADO O MAIS PESADO ÁLBUM DA BANDA ATÉ AQUI. COMO TUNNEL OF NO LIGHT MARCOU A HISTÓRIA DA BANDA NESSES TRÊS ANOS?

O OCTOBER TIDE ESTÁ LANÇANDO SEU NOVO ÁLBUM WINGED WALTZ, QUE VEM COM 8 FAIXAS QUE SOMAM 50 MINUTOS. OQUE PODEMOS ESPERAR DESTE ÁLBUM, EM COMPARAÇÃO COM SEU ANTECESSOR, TUNNEL OF NO LIGHT? de muito trabalho duro. Fred colocou seu coração nisso, e é evidente. A atmosfera é incrível, os vocais do Alex no topo de seu pOctober Tideencial destrutivo. Pra ser honesto, este álbum é o meu favorito do OCTOBER TIDE, não só porque eu toquei aqui, mas também porque a música e arranjos são extraordinários.

O OCTOBER TIDE CERTAMENTE TEM UMA TURNÊ PREPARADA PARA DIVULGAR O NOVO TRABALHO, MAS

PODEMOS ESPERAR SHOWS FORA DA EUROPA, QUEM SABE, PELA AMÉRICA DO SUL? JOCKE WALLGREN: Vamos ver. Espe-

ramos que sim, porque queremos mesmo espalhar o Doom ainda mais. Qualquer interessado deve falar com a DreamTide Music Management & Agency.

RESERVAMOS ESTE ESPAÇO PARA A BANDA MANDAR AQUELA MENSAGEM PARA OS FÃS BRASILEIROS E LATINO-AMERICANOS DO OCTOBER TIDE. FIQUEM À VONTADE. OCTOBER TIDE: Nós agradecemos o espaço e espetemos que o público brasileiro goste do novo trabalho. Winged Waltz é um novo capítulo na história do October Tide, e escrevemos este com muita emoção e dedicação. MORGAN GONÇALVES: Aqui, encer-

ramos nossa entrevista, mas antes de nos despedirmos, quero dizer que somos todos grandes fãs do trabalho do October Tide, e que seria ótimo, vê-los por aqui em breve. Muito Obrigado pela participação e parabéns pelo Winged Waltz. Stay Doom! OD | A

LINKS https://www.facebook.com/octobertideband http://octobertide.net/

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ENTREVISTA GUILHERME CORVO

VOCALISTA/GUITARRISTA - DARK SLUMBER

DARK, MAS NEM POR ISSO, MENOS PESADO 12


FICHA ORIGEM

Barra Mansa, Rio de Janeiro

RAPHAEL ARÍZIO: COMO TEM SIDO A REPERCUSSÃO PARA O DISCO “DEAD INSIDE”? ESTÁ DENTRO DAS EXPECTATIVAS DA BANDA? O QUE ESPERAVAM ALCANÇAR COM O LANÇAMENTO DESSE DISCO?

GÊNERO

Dark Metal

CURRENT MEMBERS Guilherme Corvo

Sandro Leite

Essa pausa nos fez sentir o quanto a música é necessária em nossas vidas.” Guilherme Corvo, VOCALISTA/GUITARRISTA DARK SLUMBER

Heyder Fonseca Jorge Zamluti

A POR Raphael Arízio

banda Dark Slumber vem sendo uma grande revelação no cenário Underground nacional. Seu disco “Dead Inside” vem obtendo grande destaque nos meios especializados como um dos melhores discos de 2015. Vamos ver com o vocalista e guitarrista Guilherme “Corvo” o que a banda tem feito nesse ano e quais os planos para o futuro. Entrevista por Raphael Arízio

GUILHERME CORVO: A repercussão do disco tem sido ótima. Resenhas bem positivas e boas notas em revistas como a Roadie Crew e Rock Meeting. Não poderíamos deixar de mencionar a consagrada revista inglesa Terrorizer, onde também saímos na capa de uma coletânea, juntos com Torture Squad. Nosso único objetivo era divulgar nosso trabalho e toda essa receptividade nos estimulou muito.

A BANDA FICOU MAIS OU MENOS UM ANO COM AS ATIVIDADES INTERROMPIDAS DEVIDO A PROBLEMAS PESSOAIS DE ALGUNS INTEGRANTES. ESSA PAUSA BENEFICIOU A BANDA EM ALGUM PONTO? GC: Infelizmente eu tive que me

ausentar, não por problemas necessariamente, mas para dar continuidade a meu curso de engenharia na Europa. Essa pausa nos fez sentir o quanto a música é necessária em nossas vidas e, ao voltarmos, acelerou nosso processo de criação de composições. OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA GUILHERME CORVO VOCALISTA/GUITARRISTA - DARK SLUMBER

RECENTEMENTE A BANDA TOCOU NA PRIMEIRA EDIÇÃO DO “TORMENTO METAL” EM VOLTA REDONDA-RJ. COMO FOI ESSE SHOW? O QUE A BANDA ACHA DA INICIATIVA DA OVELHA NEGRA PRODUÇÕES DE TENTAR REANIMAR A CENA UNDERGROUND DA REGIÃO? GC: O show foi muito bom e o públi-

co muito presente, tanto na participação no show quanto na aquisição de camisas e cds. Achamos a iniciativa nobre e damos total suporte para que o evento se consolide se tornando o primeiro fest ativo de metal extremo do sul fluminense. Isso é importante não só para as bandas, mas para o público que na falta de opção acaba sendo obrigado a se sujeitar a eventos de estilos que nem gostam tanto.

A CAPA DO DISCO, CRIADA POR MARCEL BRIANI, PASSA UMA IDEIA DO QUE É O SOM BANDA. UM SOM OBSCURO, ATMOSFÉRICO, MAS BEM PESADO. O QUE A BANDA QUIS PASSAR COM A CAPA E COMO ELA FOI ELABORADA GC: Eu tive um sonho certa vez,

nesse sonho havia uma floresta onde pessoas costumam ir para cometer suicídio, e a natureza simplesmente absorvia essa energia, tornando-se lúgubre e melancólica. Essas arvores absorviam a essên-

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Nosso intuito é que a música não se limite ao campo sonoro, mas transpasse esses limites, entrando de forma imersiva no mundo das ideias.” Guilherme Corvo, VOCALISTA/GUITARRISTA DARK SLUMBER

cia orgânica e espiritual dos vivos e as manifestava através de formas de rostos em suas cascas. Dessa ideia partiu a concepção da forca e dos espíritos, o nome Dead inside (morto por dentro), ilustra isso. Fizemos um esboço e transmitimos para o Marcel, que habilmente e de forma flexível foi trabalhando a ideia.

O SOM DO DARK SLUMBER NÃO SE PRENDE SOMENTE EM UM ESTILO TENDO INFLUÊNCIAS QUE VÃO DE BLACK, DEATH E DOOM METAL POR EXEMPLO. COMO É A FORMA

DE COMPOR DA BANDA E COMO É DOSAR ESSES ESTILOS PARA CRIAR A IDENTIDADE SONORA DA BANDA GC: Nossa forma de compor é bem

orgânica, não existem predefinições de qual formato as músicas devem tomar. O resultado final é uma variação de como estamos nos sentindo, e cada musico adiciona – a partir de sua própria subjetividade – elementos que configuram essas variações estilísticas. Sempre apreciei o caos manifesto, e a não singularidade de escopo definido beneficia esse caos. Os resultados são músicas que vão de extremos de raiva ígnea a introspecção e melancolia (as vezes na mesma melodia).

O DARK SLUMBER É UMA BANDA QUE DEMONSTRA DAR UMA GRANDE IMPORTÂNCIA PARA AS SUAS LETRAS. O QUE A BANDA ESPERA PASSAR EM SUAS LETRAS? A BANDA ACHA QUE SE DEVA TER UMA FORTE IDEOLOGIA DENTRO DO METAL EXTREMO? GC: De fato, nosso intuito é que a

música não se limite ao campo sonoro, mas transpasse esses limites, entrando de forma imersiva no mundo das ideias. Toda a temática do som está relacionada a viagens mentais, que todos temos. Não pregamos ideologias, achamos que


DARK SLUMBER Lançou o álbum DEAD INSIDE em 2015

DEAD INSIDE

2015

incutir nossos valores na música se transfigure em uma prisão ideológica, queremos justamente o oposto.

quem observa. Se tratando de som extremo é necessário refino perceptivo para capturar dentro de um mundo grotesco a beleza.

O DISCO “DEAD INSIDE” TEVE UMA ÓTIMA REPERCUSSÃO DENTRO DO CENÁRIO UNDERGROUND, INCLUSIVE CHEGOU A FIGURAR EM LISTAS DE MELHORES DO ANO, COMO POR EXEMPLO NA REVISTA ROADIE CREW. COMO A BANDA RECEBEU ESSAS NOTÍCIAS?

O QUE A BANDA ESPERA DO ANO DE 2016? JÁ TEM PLANOS OU MÚSICAS PRONTAS PARA UM NOVO DISCO?

GC: Esse tipo de notícia, os reviews

que temos recebidos e todo o suporte da cena nos alegra bastante e nos motiva a continuar. A arte só existe quando há alguém para reconhece-la, seja na forma que for e a beleza de tudo está nos olhos de

GC: Em 2016 pretendemos lançar

um vídeo clipe oficial para divulgar o cd, estamos trabalhando nas ideias, sou fã de filmes de horror e bem crítico, então podem esperar algo bem louco haha. Já estamos com 4 músicas novas fechadas e vários arranjos e ideias para o próximo Cd, que esperamos que esteja pronto no segundo semestre de 2017. Esse disco será um refinamento do que já temos produzido e que tem agradado ao público.

ESPAÇO PARA CONSIDERAÇÕES FINAIS E AGRADECIMENTOS GC: Gostaria de agradecer o Alex e o Raphael Arizio da Black Legion Productions, ao espaço cedido pela Doom magazine e aos irmãos do metal negro e fãs que representam a cena underground no Brasil, vocês são o motivo de nossa existência, e sem vocês não estaríamos produzindo esse material, muito obrigado!!! Stay Dark!!! OD | A

LINKS https://www.facebook.com/DarkSlumber https://soundcloud.com/darkslumber http://www.darkslumber.com/

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA GILA MONSTER GUITAR - SON OF A WITCH

STONER/DOOM DO BRASIL PARA O MUNDO 16


FICHA POR Leandro Teixeira

ORIGEM

Natal, Rio Grande do Norte

GÊNERO

Stoner Heavy Groovy Doom

S

urgido em 2008, o Son of a Witch vem desde então apresentando um som de qualidade inquestionável. Com um EP lançado em 2012, finalmente chegam a seu debut e conversamos com o guitarrista Gila Monster para saber mais sobre a história, o atual momento e os planos futuros do grupo.

LEANDRO TEIXEIRA: PARA OS QUE NÃO CONHECEM O SON OF A WITCH, FALE-NOS SOBRE A TRAJETÓRIA DA BANDA. GILA MONSTER: Primeiramente,

CURRENT MEMBERS Murmur J Vocal

Psychedelic Monk Guitarra

Gila Monster Guitarra

Old Goat Baixo

Asteroid Mammoth Bateria

EP 2012

Son of a witch

queremos agradecer o contato e a oportunidade de estarmos aqui. Muito obrigado. Bem, há aproximadamente uns 8 anos a banda começa seus ensaios, motivada pela sonoridade que hoje chamam de stoner-doom de bandas clássicas como Pentagram, Saint Vitus, Black Sabbath e algumas mais recentes (embora já tenham mais de 20 anos de vida) como Down, Sleep, Kyuss, Fu Manchu e Electric Wizard. Após algumas mudanças de formação e alguns shows, em 2012 sai o nosso Ep com 3 músicas, o que nos rendeu o contato para gravar no Rio de Janeiro, através do Felipe Toscano da Produtora Abraxas, o full “Thrones in the sky” de 2016, cuja formação é a mesma do Ep de estréia. E com essa formação, a banda fez inúmeros shows (Kadavar, Monster Coyote, Jupiterian, Munõz...) e participou de vários festivais pelo Brasil (Exhale the Sou-

nd, Abraxas Fest, Festival Dosol, Grito Rock…). Recentemente a banda assinou com o selo alemão Kozmik Artifctz e segue com a divulgação do full.

DESDE SEU SURGIMENTO EM 2008, O SON OF A WITCH SEMPRE CONTOU COM MEMBROS DE OUTRAS BANDAS DO CENÁRIO POTIGUAR EM SUA FORMAÇÃO. ISSO OS AFETOU DE ALGUMA FORMA OU A BANDA POSSUI PARA VOCÊS O MESMO NÍVEL DE PRIORIDADE DAS DEMAIS? GM: Nunca chegou a nos afetar. A atenção e o nível de prioridade são dados conforme a banda demande, e no momento a Son of a Witch é a banda que requer mais tempo e trabalho de nossa parte. Isso se dá naturalmente e sem problemas.

TODOS NA BANDA SE UTILIZAM DE PSEUDÔNIMOS. COMO ISSO SE ENCAIXA DENTRO DA PROPOSTA MUSICAL DA BANDA? GM: Olha, esses pseudônimos apareceram quando nos juntávamos para tomar umas gelas e escutar som. Nada pretencioso, claro. risos. Mas, de repente encaixa sim nos temas abordados nas letras e na estética do estilo. Acho que, inconscientemente, nessas sessões de cerva e som doom-stoner-heavy-groovy, estávamos sendo influenciados pelos elementos que compõem os estilos citados. (Risos). OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA GILA MONSTER GUITAR - SON OF A WITCH

EM 2012, SE DEU O LANÇAMENTO DO EP DE ESTREIA (SON OF A WITCH). COMO O MESMO REPERCUTIU E QUE FRUTOS FORAM COLHIDOS DO MESMO? GM: Como falei na primeira pergunta, nos rendeu a parceria com a Abraxas produtora (Felipe e Rodrigo Toscano), a qual nos levou para o Rio de Janeiro onde gravamos o nosso full no Estudio Superfuzz do Gabriel Zander. Além, claro, de vários convites para tocarmos em shows e festivais por aí.

ENTRE SON OF A WITCH E THRONES IN THE SKY, SE PASSARAM QUASE 4 ANOS. EM QUAIS ASPECTOS A BANDA AMADURECEU NESSE PERÍODO? GM: A evolução deu-se em vários

aspectos, naturalmente. Desde alcançar timbres melhores nos nossos instrumentos a amadurecimento nas composições, passando também por conflitos internos na banda e a superação destes. Tudo nos fazendo mais fortes, sem dúvidas, no decorrer desses anos. Nos

sentimos melhores (sabendo que temos muito a evoluir sempre) e mais preparados para os desafios e oportunidades da estrada.

TAIS MUDANÇAS E O QUE AS MESMAS PODEM AGREGAR DE NOVO A SONORIDADE DA BANDA?

APÓS A GRAVAÇÃO DE THRONES IN THE SKY, O SON OF A WITCH PASSOU POR ALGUMAS MUDANÇAS DE FORMAÇÃO. O QUE MOTIVOU

GM: O que motivou tais mudanças é que todos têm contas a pagar, o que fez com que os antigos integrantes não dispusessem mais do tempo que a banda exige.

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https://www.facebook.com/FuneralWedding

http://www.funeralwedding.com/


O que agrega é que os membros que entraram são parceiros nas nossas outras bandas. Músicos já calejados e bastante experientes, além de facilitar a comunicação pois já temos o convívio nas outras bandas. Quanto à sonoridade, vamos aguardar o resultado dessa nova soma. Só sei que nos ensaios, a banda tem mostrado uma energia que há tempos não sentíamos. Estamos mais vivos que nunca.

Artifactz, que irá distribuir nosso full nos formatos vinil e cd. Espero que agora nosso disco circule ainda mais, já que os mesmos distribuem na Europa e Estados Unidos.

COMO O NOVO ÁLBUM TEM REPERCUTIDO ENTRE O PÚBLICO E A MÍDIA ESPECIALIZADA?

OBSERVANDO O FACEBOOK E O BANDCAMP DA BANDA, NOTEI QUE O NOVO TRABALHO VEM RECEBENDO UMA ÓTIMA RESPOSTA DE FÃS E DA MÍDIA NO EXTERIOR. PASSA PELA CABEÇA DE VOCÊS FOCAR MAIS A ATENÇÃO DA BANDA LÁ FORA, AINDA MAIS AGORA TENDO ACERTADO UM CONTRATO DE DISTRIBUIÇÃO COM UMA GRAVADORA ALEMÃ?

GM: A repercussão tem sido a me-

GM: Bem, vamos continuar na mes-

lhor possível, ao meu ver. Quando liberamos o disco no bandcamp, deezer, itunes, spotify e outros, a resposta foi imediata e nos assustou tamanha a procura das pessoas. Ficamos eufóricos na semana de lançamento digital. Todos os dias chegavam, e ainda chegam, reviews sempre muito positivos de sites gringos e alguns nacionais sobre o Thrones in the sky. Muitas pessoas pedem todos os dias cópias físicas do nosso disco. Por sorte, assinamos com o selo alemão Kozmik

A DOOMED BLOG FOR DOOMED PEOPLE

ma pegada por aqui. Com foco na música sempre. Marcando ensaios todas as semanas, compondo novos sons, lapidando as músicas em estúdio, mas sem deixar a parte de divulgação da banda, que é feita por nós mesmos na raça (risos). Acredito que com essa parceria as coisas aconteçam mais ainda na Europa e Estados Unidos. O selo vai nos dar esse suporte por lá, abrindo algumas portas para a banda, como possíveis turnês etc, assim espero. OD | A

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A repercussão tem sido a melhor possível. Quando liberamos o disco a resposta foi imediata e nos assustou tamanha a procura das pessoas. Ficamos eufóricos na semana de lançamento digital.” Gila Monster, GUITARRA - SON OF A WITCH

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ENTREVISTA GILA MONSTER GUITAR - SON OF A WITCH

SON OF A WITCH no Abraxas fest 2015

ALIÁS, SOBRE ESSA PARCERIA COM A KOZMIK ARTIFACTZ, QUE PERMITIRÁ O LANÇAMENTO DE THRONES IN THE SKY TANTO EM VINIL QUANTO EM CD, COMO SE DEU O CONTATO E POSTERIOR ACORDO? GM: O Contato foi feito pela gra-

vadora através do facebook, exatamente no boom da semana do lançamento digital do disco. Recebemos mensagens e e-mails de muita gente, principalmente da Europa, e entre eles estava o Niels Barthold (Thank you very much.

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We owe you lots of beers) que nos indicou à Kozmik Artifactz. Tratei com o Hannes Kroeger, responsável pela gravadora na transação. De um dia para o outro já estávamos assinados com eles. Agora é aguardar o lançamento.

ALÉM DA CLARA INFLUÊNCIA DO BLACK SABBATH, QUE OUTRAS BANDAS TIVERAM IMPORTÂNCIA NA CONSTRUÇÃO DA SONORIDADE DO SON OF A WITCH? GM: Os nomes que citei na primeira pergunta, sem dúvida

alguma nos inspiraram e influenciaram de alguma forma a fazer nosso som. Mas sempre procuramos não nos limitarmos às nossas influências. Isso é de suma importância e é um exercício constante para qualquer banda autoral. Além de que, todos os componentes da Son of a Witch tem bandas dos mais variados estilos, indo do post-rock ao drone, passando pelo black metal e deathgrind, o que nos confere uma boa bagagem musical e certa experiência na hora de compor, se policiando sempre para criar algo que tenha nossa


PARA A CARREIRA DO SON OF A WITCH?

Sempre procuramos não nos limitarmos às nossas influências. Isso é de suma importância e é um exercício constante para qualquer banda autoral. Gila Monster, GUITARRA - SON OF A WITCH

identidade, mesclando nossas influências afim de chegar em algo que não soe como simples cópia sem inspiração das grandes bandas estilo.

NOS ÚLTIMOS ANOS VOCÊS TIVERAM A OPORTUNIDADE DE TOCAR EM DIVERSOS FESTIVAIS, COMO O DOSOL (RN), EXHALE THE SOUND (MG) E ABRAXAS (RJ/SP), AO LADO DE DIVERSOS NOMES, NÃO SÓ DO CENÁRIO NACIONAL COMO DO INTERNACIONAL. O QUE ESSAS PARTICIPAÇÕES TROUXERAM DE POSITIVO

GM: Nos deu mais visibilidade e experiência, principalmente. Nos permitiu conhecer muita gente boa envolvida na cena stoner-doom-heavy no Brasil todo. Nos deu muitas horas de palco, o que não preciso dizer que é importantíssimo para qualquer banda, além de nos mostrar mais como as coisas funcionam nesse meio em vários lugares, como o aspecto da organização de um festival. Quando estamos dentro de algo temos uma melhor compreensão de como as coisas são feitas.

COMO VOCÊS ENXERGAM O ATUAL CENÁRIO STONER/ DOOM NACIONAL? QUE BANDAS MAIS LHES DESPERTAM A ATENÇÃO?

de formação. De olho nos festivais também. Existe a possibilidade de finalmente fazermos um clip. Enfim, muita coisa para fazer acontecer em uma banda. Cabe a nós, sairmos da inércia sempre.

GOSTARIA DE AGRADECER A ENTREVISTA E O ESPAÇO AGORA É DE VOCÊS PARA AS CONSIDERAÇÕES FINAIS. GM: Em nome da Son of a Witch, eu, Gila Monster agradeço novamente a abertura desse espaço para divulgação do nome da banda. Continuem com o ótimo trabalho e até uma próxima oportunidade. Estaremos sempre à disposição. OD | A

GM: Seguindo a tendência mundial

das gravadoras e festivais, assim como o público, o estilo está crescendo até rápido por aqui. Bem, algumas das bandas que vou citar não se encaixam exatamente 100% nesse rótulo, até porque noto que ele é muito abrangente, e provavelmente vou esquecer de muita gente boa.rsrsr. Tem a Jupiterian, Witching Altar, Absent, Pesta, Saturndust, Necro, dentre outras...

QUAIS OS PLANOS PARA ESSE ANO DE 2016? GM: Queremos primeiramente ver acontecer o lançamento do full em vinil e cd. Está na fila da gravadora. Seguimos fazendo músicas (já são duas novas) e quem sabe no final do segundo semestre lançamos outro single. Estamos na expectativa de voltar aos palcos em abril, já que passamos aproximadamente 5 meses fora por causa da mudança

THRONES IN THE SKYL CAPA

2016

LINKS https://www.facebook.com/sonofawitch666/ https://sonofawitch666.bandcamp.com/

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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MATÉRIA MORGAN GONÇALVES ESPECIAL

MUITO ALÉM DE GUERRAS E PROFETAS UM MERGULHO NO UNIVERSO UNDERGROUND DO ORIENTE MÉDIO

T

odos os dias, ao ligar as TVs ou acessar os canais de notícias da internet, somos bombardeados, se me permitem o trocadilho, por dezenas de acontecimentos que apontam o Oriente Médio como um grande caos de grupos extremistas, milícias armadas, forças armadas governamentais residentes e estrangeiras em constante conflito entre si e ao mesmo tempo, contra aquilo que ficou conhecida como a maior ameaça terrorista do mundo, o Estado Islâmico do Iraque e da Síria, ou ISIS. Todo esse volume de informação é preocupante, triste e até assustador, mas o mais triste de tudo isso é ver o

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mundo de experiências que esses países podem oferecer, e a guerra acaba sendo o único ponto de interesse da mídia internacional. A Síria é sem dúvidas o maior alvo e seu povo, as maiores vítimas de todo esse ódio e intolerância, mas esse país cheio de história, templos milenares e comidas exóticas, também possui uma resistente cultura de Metal Underground, e, para contrapor todas essas manchetes de terroristas, atentados, tiros e mortes, resolvi trazer pra vocês, uma lista de bandas dos nossos gêneros preferidos da Síria, Iraque, Afeganistão e outros países do Oriente Médio. Sim, há vida Underground no Oriente Médio! OD | A


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MATÉRIA MORGAN GONÇALVES ESPECIAL

EULEN

E

DESPOND WOMB

A

primeira banda que trago aqui é Despond Womb, que é na verdade uma one man band de Damasco, capital Síria, onde Dani Dark, canta e toca todos os instrumentos do projeto que flerta entre Doom, Death e Black Metal. Despond Womb foi formado em 2008 e possui o registro Dark Agonies, lançado em 2010.

GÊNERO ORIGEM

Doom/Death Metal Damasco - Síria

LINKS www.facebook.com/DespondWomb/?fref=ts https://www.youtube.com/watch?v =jRTR4WU0saY&list=PLOA0ZWW1MbqybDaQJvalBZI3hL5aR6Om

ulen, também de Damasco, é o quarteto formado por Fadi Massamiri, Seth, Eva e Sam. O grupo foi formado em 2009 e explora sonoridades entre Doom, Black e principalmente Post Metal. Em 2011 o disco Mother Tree foi lançado contendo oito faixas e o álbum recebeu notas 8/10 de alguns críticos regionais. Em 2015 a banda passou por um dos momentos mais difíceis de sua carreira, quando quase todos os registros do novo álbum, que se chamaria “Names to the Sun” se perderam por problemas técnicos, entre eles, a falta de luz, resultado de ações militares em solo Sírio. A banda continua trabalhando na recomposição do disco, mas devido às condições financeiras e até mesmo a fragilidade da vida em meio à guerra, não há previsão para o lançamento do novo material.

GÊNERO

Doom/Black/Post Metal

ORIGEM

Damasco - Síria

LINKS https://www.facebook.com/EulenOfficial/?fref=ts https://www.youtube.com/watch?v=soG RWOFfqkM&index=5&list=PLG-UrgR6XteT8H747XLULIfSLb7RXPij

LAXSID

O

One Man Band Laxsid também é Sírio, e também compartilha as experiências vividas durante esses 5 anos de Guerra da Síria, porém, ele é também uma das pessoas que deixaram seu país em busca de condições melhores e vida, e após deixar a Síria, em direção à Arábia Saudita e posteriormente, ao Rio de Janeiro, aqui mesmo, no Brasil. Na discografia, além de dois EPs e duas singles, Laxsid possui o álbum Oriental Demolition, lançado em 2013.

GÊNERO ORIGEM

Black Metal Síria - Brasil

LINKS https://www.facebook.com/laxsid http://laxsid.bandcamp.com/

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INNZMOUTH

PYRAWEED

J

I

á o Innzmouth é uma banda de Dark Lovecraftian Music, que poderia perfeitamente ser rotulada como Funeral Doom/Death Metal. A dupla é também de Damasco e foi formada em 2010 e em 2012 lançou seu único álbum até aqui, Lovecraft's Dreams, que possui cinco faixas com temas relacionados com as histórias de ficção e terror do escritor norte-americano H.P. Lovecraft. Além do full álbum, a banda lançou em 2013 o EP Crowned with Abnormality, contendo duas músicas, mas desde então, não lançou mais nenhum registro.

GÊNERO

Dark Lovecraftian Music

ORIGEM

Damasco - Síria

LINKS https://www.facebook.com/innzmouth/ https://lecrepusculedusoir.bandcamp.com/ album/lovecrafts-dreams

ndo para o Sludge/Stoner Metal, e também para o Azerbaijão, encontramos o Pyraweed. O projeto One Man Band de Nijat Hesenzade, que em apresentações ao vivo conta com a participação de Baboy, Ramin Sadikhov. Em março desse ano a banda lançou seu segundo álbum, Stuck in the Universal Swamp e o resultado do trabalho é bastante interessante aos fãs do gênero.

GÊNERO

GRIEVING AGE

D

e Jeddah, na Arábia Saudita temos o Grieving Age, de Doom/Death Metal à moda antiga, com influências em clássicos como My Dying Bride, Anathema, Mourning Beloveth e Candlemass. Seu álbum mais recente é Merely The Fleshless We And The Awed Obsequy, lançado em 2013, através da Solitude Prod. Infelizmente também não encontramos informações mais recentes, mas a discografia da banda sem dúvidas merece atenção.

GÊNERO

Doom/Death Metal

ORIGEM

Jeddah - Arábia Saudita

ORIGEM

Sludge/Stoner Metal Baku Azerbaijão

LINKS https://www.facebook.com/pyraweedband http://pyraweed.bandcamp.com

LINKS https://www.facebook.com/GrievingAge-120530036797 http://grievingage.bandcamp.com

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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MATÉRIA MORGAN GONÇALVES ESPECIAL

MINIMORUM

E

ssa banda já é uma velha conhecida nossa. Em 2015 nós entrevistamos Adil Hacili, que é o responsável por todos os instrumentos e vocal do Minimorum. O álbum mais recente da banda de Sumgait, no Azerbaijão é Autumn Tears, lançado em 2015, porém em outubro do mesmo ano uma nova single foi lançada, o que pode significar que um novo álbum pode estar a caminho.

GÊNERO ORIGEM

Funeral Doom Metal Azerbaijão - Sumgait

LINKS https://www.facebook.com/minimorumband http://minimorum.bandcamp.com/

CRESCENT MOON

C

rescent Moon foi uma das bandas mais incríveis que encontrei enquanto fazia essa pesquisa, e isso, tendo lançado apenas o EP The Wall of Light, em 2012. A banda foi entrevistada no documentário Syrian Metal Is War, que contaria como as bandas e pessoas que compõem o Underground Sírio sobrevivem sob o estado de guerra que já dura cinco anos, porém, o Produtor do documentário também precisou deixar a Síria como refugiado e hoje mora na Holanda. O documentário ainda não tem data para ser lançado.

GÊNERO ORIGEM

Doom / Death / Black Metal Síria - Alepo

LINKS

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BURIED BY THE LAST TRAGEDY

T

ambém localizada na Capital Síria, Buried by the Last Tragedy foi formada em 2011, com o objetivo de compor sob as influências de bandas como Doom Vs, Novembers Doom, Mourning Beloveth e My Dying Bride, e o resultado disso foi a Demo The Burning Ship, lançada no mesmo ano. Em 2015 a banda divulgou uma nova música, porém, desde então, não se teve mais notícias sobre a continuidade do projeto.

GÊNERO ORIGEM

Doom / Death Metal Síria - Damasco

LINKS

https://www.facebook.com/Crescent.Moon.sy https://www.facebook.com/SyrianMetalIsWar

https://www.facebook.com/Buried-By-TheLast-Tragedy-Official-317013075002270/

http://crescentmoon-sy.bandcamp.com/

https://www.reverbnation.com/ buriedbythelbnasttragedy


DISTRICT UNKNOWN

C

onsiderada a primeira banda de Metal do Afeganistão, District Unknown foi formada em 2008, em Kabul, capitão Afegã. No início da banda, os músicos tocavam com mascaras, já que o Afeganistão é um dos países com ideologia mais conservadora do Oriente Médio. A banda tem somente um álbum lançado, Anatomy of a 24 Hour Lifetime, de 2014, mas esta trabalhando em um novo álbum que pode ser lançado no início de 2017.

GÊNERO ORIGEM

Psychedelic Metal, Psychedelic Rock, Ambient Kabul Afeganistão

LINKS https://www.facebook.com/districtunknown https://soundcloud.com/districtunknown-kabul

Assim deixamos nossa contribuição para as bandas e pessoas tão resistentes que movimentam o Underground da Síria, Iraque, Arábia Saudita, Afeganistão, Azerbaijão e tantos outros países do Oriente Médio, lutando contra o preconceito, fanatismo religioso, violência e principalmente os dogmas atribuídos pelos canais de mídia do resto do mundo. Parabéns a todos que resistem Doom On! OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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COLUNA

https://www.facebook.com/FuneralWedding http://www.funeralwedding.com/

POESIA E MELANCOLIA VIVA

D POR Rodrigo Bueno

ia 30 de Outubro foi a data escolhida por este quinteto holandês para liberar ao mundo seu mais recente trabalho, intitulado Death Poems. Confesso que desconhecia por completo a banda e que me foi uma grata surpresa a primeira audição deste material. As guitarras viajantes, os vocais agonizantes, o baixo

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e bateria precisos, mostram que a cena holandesa do Doom/Sludge também tem seus representantes de peso. Este disco contém apenas 4 sons em aproximadamente 36 minutos e após ouvi-lo todo, certamente o moribundo sentirá um vazio em seu interior e é quase que certo a sua nova audição em seguida. “Your Abyss” abre este petardo e as guitarras viajantes em sua introdução numa levada Post-Me-

tal, para tão logo se fazer ouvir os primeiros sussurros dos vocais de Silvia e que depois parece encarnar o demônio ao urrar daquela forma. A música flui de forma intensa apresentando algumas mudanças de andamento bem interessantes. Dando sequência temos “Fall of Tara” vem em seguida hipnotizando o ouvinte com seus riffs lentos e andamento moroso, numa levada mais cadenciada do que a faixa de abertura, mas mesmo assim mantendo a intensidade da canção,


FICHA ORIGEM

Breda, Netherlands

GÊNERO Doom / Sludge

CURRENT MEMBERS

sendo uma das minhas favoritas do disco. “Death Poems” vem em seguida e geralmente as faixas que dão nome ao material são aquelas que merecem mais atenção. Esta faixa é cativante, envolvente e sofre de bipolaridade (no bom sentido). Pois os vocais são sofridos e ao mesmo tempo em que você está envolvido com a música, aqueles gritos esganiçados vem lhe transmitir uma dose de agonia e uma inquietude que muitas vezes dá vontade de sair correndo sem destino. “Dissenssion” vem para encerrar este disco de forma ímpar. A música começa numa levada Post-Metal e logo vai ganhando corpo e flertando com o Sludge característico deles. Fica aqui a recomendação deste disco, para ouvirem sem moderação principalmente para fãs de Cult of Luna, Grown Below, Neurosis e afins. OD | A

Silvia

Vocals

Niels

Guitar

Matthijs Guitar

Ashwin Drums

Ruud

Bass guitar

TRACKLIST 1. Your Abyss 11’05’’

2. Fall Of Taira

THE FIFTH ALLIANCE DEATH POEMS ANO 2015

05’43’’

PROJETO GRÁFICO DESIGN

3. Death Poems 08’52’’

4. Dissension 09’53’’

LINKS

noisejazz@gmail.com

https://www.facebook.com/thefifthalliance/ https://thefifthalliance.bandcamp.com/

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA ZÂNDHIO ARANDU ARAKUAA

NÃO HÁ LIMITES PARA O METAL POR Fabrício Campos

A

randu Arakuaa nasceu em 2008 no Brasília, Distrito Federal, seu gênero aliando heavy metal, música indígena e a música regional brasileira. Mas as origens das suas músicas remetem ao tempo do tupi-antigo. A banda carrega o estigma de trazer o peso do metal em seus acordes e o desafio de cantar em tupi a língua nativa das tribos: tupinambás, tupiniquins, caetés, tamoios, potiguaras, temiminós, tabajaras. Algumas músicas da banda são cantadas em akuwen, língua utilizada pelos índios Xerentes. Sobre a discografia da banda: OD | A

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FICHA ORIGEM Distrito Federal

GÊNERO

Folk Metal

CURRENT MEMBERS

As pessoas que se identificam gostam pra valer e sentem orgulho do nosso trabalho, as que não se identificam geralmente respeitam.” Zândhio - ARANDU ARAKUAA

NáJila Cristina Vocais / Maracá

Zândhio Aquino

Guitarra / Viola Caipira / Vocais / Instrumentos Indígenas / Teclado

Saulo Lucena

Contrabaixo / Vocais de Apoio / Maracá

Adriano Ferreira

Bateria / Percussão

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ENTREVISTA ZÂNDHIO ARANDU ARAKUAA

FABRÍCIO CAMPOS: É UM GRANDE PRAZER ESTAR REALIZANDO ESTA ENTREVISTA E POSSO DIZER QUE O ARANDU ARAKUAA E A PRIMEIRA BANDA DE FOLK METAL A CONCEDER ENTREVISTA PARA A NOSSA REVISTA. QUAL É A HISTÓRIA ARANDU ARAKUAA QUE EM TRADUÇÃO LIVRE SIGNIFICA "SABER DOS CICLOS DOS CÉUS" OU "SABEDORIA DO COSMOS". E QUAIS FORAM AS INFLUENCIAS DENTRO DO FOLCLORE INDÍGENA E NA MÚSICA QUE INFLUENCIARAM A BANDA? ZÂNDHIO: O prazer é nosso, agra-

decemos imensamente pelo convite. Em primeiro lugar não nos rotulamos de Folk Metal ou temos qualquer influência de bandas assim rotuladas, mas também não nos importamos quando dizem que somos Folk Metal, tá tudo lindo rs. A intenção da banda sempre foi exaltar e divulgar a cultura dos povos originários. Na parte musical tem toda essa diversidade de diferentes subgêneros de Rock/

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Metal, Música Tradicional Brasileira e Música Indígena Brasileira.

FABRÍCIO CAMPOS: QUANDO FALAMOS EM FOLK LOGO IMAGINAMOS E NÓS FAMILIARIZAMOS COM A CULTURA CELTA E NÓRDICA BANDAS QUE FALAM DE DUENDES COMO O TUATAH DE DANANN E BANDAS QUE FALAM DE ODIN COMO O HAGBARD. PORQUE A BANDA OPTOU POR RESGATAR A MITOLOGIA DO TUPI ANTIGO? E QUAL FOI À RECEPTIVIDADE DOS FÃS? E QUAIS SÃO FORAM É QUAIS SÃO AS MAIORES DIFICULDADES ENCONTRADA PELA BANDA? ZÂNDHIO: Importante mencionar que eu e Rodrigo Berne (guitarrista do Tuatah De Danann), temos uma relação de camaradagem e respeito mútuo, ele inclusive tem nossos discos e gentilmente recomendou o Arandu Arakuaa a seus fãs. Também tocamos com a Hagbard em um festival em São Paulo – SP. São ótimas bandas como tantas outras que falam sobre nativos de outras terras.

A motivação em escrever sobre cultura indígena é uma questão bem pessoal considerando de onde vim e também o compromisso que sempre tive com os povos indígenas. Não falamos apenas sobre mitologia tupi e sim sobre temas diversos relacionados à cultura indígena brasileira. Nossas letras são escritas nos idiomas Tupi, Xerente e Xavante e tem também uma em Português. Se o rock é liberdade porque não fazer uso disso? As pessoas que se identificam gostam pra valer e sentem orgulho do nosso trabalho, as que não se identificam geralmente respeitam. Claro, existem alguns que tentam desmerecer nosso trabalho e/ ou agem de forma desrespeitosa e preconceituosa. Mas quem se importa com eles? Se dependesse desses bundas moles nem existia rock, nem existia arte e o homem nem tinha tido a ideia de procurar cavernas pra se abrigar. Sobre as dificuldades creio que sejam as mesmas de qualquer artista independente, em especial o conservadorismo de grande parte dos produtores de eventos e a falta de estrutura pra esse tipo de música. OD | A


ENTREVISTA ZÂNDHIO ARANDU ARAKUAA

Os planos é sempre irmos melhorando musicalmente a cada dia e tentando abrir portas com a divulgação do Wdê Nnãkrda.” Zândhio - ARANDU ARAKUAA

A BANDA LANÇOU EM 2013 O SEU PRIMEIRO FULL-LENGTH INTITULADO “KÓ YBY ORÉ” (QUE SIGNIFICA ESTA TERRA É NOSSA). O ÁLBUM CONTEM 13 FAIXAS. AS LETRAS “E-ÎORI E-ÎORI ÎASY” (VEM VEM LUA), “ÎA-ÎU NDE O-MO-ETÉ” (VIEMOS LOUVA-TE) E “ORO-Î-MO-ENDY T-ATÁ” (VEM ACENDEMOS O FOGO) RETRATAM O AMOR IMPRESCINDÍVEL PELA A NATUREZA E DO PANTEÃO DOS DEUSES INDÍGENAS COMO TUPÃ E TUMÉ ARANDÚ. COMO FOI O PROCESSO DE GRAVAÇÃO? E QUAL FOI RECEPÇÃO DO ÁLBUM PELO O PUBLICO? ZÂNDHIO: Em 2012 havíamos grava-

do o EP de estreia, mas Kó Yby Oré foi realmente a primeira oportunidade de materializarmos o que tínhamos em mente. Na verdade, ele foi muito além de nossa expectativa

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tanto na parte musical quanto da divulgação e aceitação por parte do público e crítica. É um disco com material composto em diferentes épocas, mas mostra bem como a banda soava naquele momento, o produtor Caio Duarte soube tirar o melhor de cada um de nós. Creio que Kó Yby Oré seja o típico primeiro álbum, onde são mostrados os elementos básicos da proposta da banda para serem aperfeiçoado nos trabalhos futuros.

EM 2015 A BANDA LANÇOU SEU SEGUNDO INTITULADO FULL-LENGHT WDÊ NNÃKRDA LETRAS COMO POVO VERMELHO FALA SOBRE A DEGRADAÇÃO DA FAUNA E DA FLORA PELO O HOMEM. RETRATANDO O CENÁRIO QUASE GENOCIDA QUE OCORREU COM AS POPULAÇÕES INDÍGENAS NO BRASIL E SOBRE A LUTA QUE OS INDÍGENAS LUTAM PARA

MANTER SUAS TRADIÇÕES VIVAS. QUAL FOI A RECEPTIVIDADE DO WDÊ NNÃKRDA ABRIU MUITAS PORTAS PARA O ARANDU ARAKUAA? E QUAL SUA OPINIÃO SOBRE O QUE OCORREU COM OS GUARANI-KAIOWÁ NO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL? A BANDA LANÇOU RECENTEMENTE O CLIPE ĨPREDU (QUE SIGNIFICA ANCIÃO) LANÇADO NO DIA INTERNACIONAL DA ÁGUA E GRAVADO NO MEMORIAL DOS POVOS INDÍGENAS. COMO SURGIU A IDEIA DE GRAVAR O CLIPE NO MEMORIA DOS POVOS INDÍGENAS E LANÇA-LO NO DIA INTERNACIONAL DA AGUA FOI INTENCIONAL? ZÂNDHIO: A meu ver em Wdê

Nnãkrda conseguimos consolidar e explorar bem todos os elementos da nossa proposta musical e ao


que parece quem teve oportunidade de ouvi-lo também pensa o mesmo, pois o feedback não poderia ser melhor. Nesse disco também ampliamos mais nosso público fora do Metal, tendo inclusive indígenas e acadêmicos passando acompanhar nosso trabalho mais de perto. O caso dos Guarani-Kaiowá chega a ser extremo, vai muito além do desrespeito com os povos originários, já é caso de afronta aos direitos humanos. Nós do Arandu Arakuaa repudiamos esse genocídio e qualquer outra forma de desrespeito aos direitos dos povos indígenas. Sim a intenção de usar algumas imagens feitas durante Vigília Guarani – Kaiowá, da qual participei, foi justamente pra tentar despertar o interesse das pessoas sobre a questão. Sobre o Dia Internacional da Água foi uma bela e agradável coincidência

E SOBRE O FUTURO DA BANDA? EXISTE PREVISÃO PARA O LANÇAMENTO DO PRÓXIMO ÁLBUM? ZÂNDHIO: Os planos é sempre

irmos melhorando musicalmente a cada dia e tentando abrir portas com a divulgação do Wdê Nnãkrda. Ainda não temos previsão de quando iremos gravar o próximo disco, esperamos que aconteça em 2017.

NOVAMENTE QUERIA AGRADECER PELA PARTICIPAÇÃO DA BANDA DESEJO SUCESSO E GOSTARIA DE DEIXAR ALGUM RECADO PARA OS FÃS DO ARANDU ARAKUAA? ZÂNDHIO: Só temos a agradecer ao October Doom Magazine e todos que nos apoiam. Sigam nossos canais oficias e fiquem atentos às novidades. OD | A

CONTRACAPA

ARANDU ARAKUAA WDÊ NNÃKRDA

2015

LINKS https://www.facebook.com/aranduarakuaa https://soundcloud.com/aranduarakuaa youtube.com/aranduarakuaa

CONTATO aranduarakuaa@gmail.com Tel: +55 (61) 8237-8742 facebook.com/OctoberDoomOfficial

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MATÉRIA BILLY GOATE CORRESPONDENTE - USA

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NORTHWEST

HEAVY! POR Billy Goate, do Doomed & Stoned

V

enha. Deixe-me levá-lo em uma viagem para o meu mundo. Eu vivo em área verde e exuberante, à duas horas de carro do frio e cinzento oceano. Duas horas de montanhas cobertas de neve e cercada por pinheiros altos e árvores de cedro. Três horas a partir do deserto estéril. Chamamos este estranho e belo lugar de Noroeste Pacífico. Ao longo das décadas, ele tem inspirado muitos músicos a pegarem uma guitarra e tocar. Não é só o esplendor da natureza que recebe compositores, mas também os longos dias de nebulosidade e chuva que bloqueiam a luz do sol durante os meses de outono e inverno. É essa justaposição do belo e do feio que traz um tom sombrio e melancólico à música daqui, especialmente ao nosso metal. Na década de 90, o Noroeste Pacífico se tornou o ponto focal da música popular, com todos ouvindo os sons crus de Nirvana, Alice in Chains, Soundgarden, Tad, e toda a enorme quantidade de outras pessoas ligadas

com o que a imprensa musical denominava grunge. Eu me mudei com minha família para Portland, Oregon, apenas quatro horas ao sul de Seattle, onde o grunge começou, em 1993. Apenas alguns anos depois, Kurt Cobain explodiu seu cérebro (ou outra pessoa o fez - dificilmente importa agora), Chris Cornel se separou do Soundgarden, e Layne Staley morreu de overdose. O grunge estava morto e o mundo rapidamente se esqueceu do talento musical do Noroeste Pacífico. Ninguém sabia que Portland estava para dar à luz a um dos próximos grandes momentos da música pesada, depois de Seattle. OD | A

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MATÉRIA BILLY GOATE

Embora eu amasse o grunge, eu cresci cansado de ouvir “Smells Like Teen Spirit”, “ Would” e “Fell on Black days” na emissora de rádio de rock local. Certamente havia mais coisas acontecendo no cenário musical, pensei. Minha curiosidade levou-me a pubs, festivais de estacionamento e lojas, em busca de peso no underground. O que eu encontrei inspirou a criação do Doomed & Stoned e uma compilação de 70 faixas, documentando minhas descobertas. Um desenvolvimento notável no som Pacifico Noroeste, depois dos dias grunge de Seattle, foi a mistura artística do rock retrô e de gêneros tradicionais do metal. Você encontra doom metal lado a lado com dark blues, occult rock, e black metal, complementados por vozes limpas ou de vocais enlamaçados ou gritados. Eu apelidei esse novo som “metal transcendental.” Nos últimos 10 ou 15 anos, várias bandas, em particular, têm vindo a encarnar o espírito profundo e duradouro da música do Noroeste Pacífico e eu gostaria de lhes apresentar uma meia dúzia que deixaram uma impressão poderosa em mim.

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YOB

DISENCHANTER

Yob foi minha porta de entrada para esse mundo novo e aterrorizante do Underground. O seu som era tão monstruoso que eu perdi minha audição por uma semana inteira depois de ouvi-los tocar no Wow Wall. em uma noite de sexta-feira úmida em setembro, na cidade natal da banda de Eugene, Oregon. Claro, não ajuda eu ter esquecido tampões de ouvido e ter ficado parado em frente aos enormes amplificadores Emperor, os preferidos do vocalista Mike Scheidt. O riff master explodiu "Burning The Altar", acompanhado pelos companheiros de longa data Aaron Rieseberg, no baixo e Travis Foster, na bateria. Mesmo que aquela nova música soasse estranha, eu estava absolutamente viciado. Eu esperava o fim de semana seguinte para procurar por mais.

Quando eu comecei a documentar a cena do Noroeste Pacífico, eu por acaso conheci uma banda chamada Disenchanter e filmei sua apresentação em um evento chamado The Portland Metal Winter Olympics (Os Jogos Olímpicos de Metal de Inverno em Portland). Sabine Stangenberg, Joey DiMartini e Jay Erbe não são apenas artistas incrivelmente talentosos, eles são seres humanos maravilhosos. Graças a Joey, eu fui capaz de descobrir o "quem é quem" da cena rapidamente. Eles estão entre as bandas mais firmes, trabalhadoras intransigentes da região. Sabine é uma verdadeira beleza, mas você nunca vai vê-la usando sexualidade para chegar às revistas de música. Em vez disso, ela e o resto da banda rotineiramente tocam com jeans azuis, camisetas e tênis. Sem frescura, com muita emoção. O poder reside nas suas composições, que tratam do mundo do oculto (Dungeons & Dragons, em particular). Sabine canta com a alma de e os riffs realmente dão vida a essas peças de fantasia em seu mais recente álbum, “Strange Creations".


WITCH MOUNTAIN

MAMMOTH SALMON

Outra banda incrível e original do Noroeste Pafício (que tocou lado a lado com Yob por muitos anos) é Witch Mountain. Fundada pelo guitarrista Rob Wrong e pelo baterista Nathan Carson, a banda realmente decolou quando o carismático bluseiro Uta Plotkin se juntou à tripulação. Depois de sua partida em 2014, Witch Mountain prometeu seguir em frente. Eles fizeram um teste com Kayla Dixon de 21 anos, que não só tinha jeito para tocar as canções de Uta, mas demonstrou potencial para escrever material novo. Estamos atualmente esperando para ouvir o próximo registro de Witch Mountain e ver como vão soar, completados pelo baixista Justin Brown.

Tem música pesada e música PESADA. Mammoth Salmon é elevadamente feroz, especialmente em seus shows ao vivo. Estou orgulhoso de ter documentar uma meia dúzia ou mais de suas performances ao longo dos anos. As canções são simples, mas bem trabalhadas. A banda é formada por Paul Dudziak (guitarra / vocal), Matt Howl (baixo) e Chad Walter (bateria).

Você encontra doom metal lado a lado com dark blues, occult rock, e black metal, complementados por vozes limpas ou de vocais enlamaçados ou gritados.” Billy Goate, DOOMED & STONED

LINKS www.facebook.com/DoomedStoned http://doomedandstoned.com/

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MATÉRIA BILLY GOATE

USNEA

LORD DYING

Um estilo de metal que tem crescido bastante no Noroeste é Funeral Doom. Nenhuma banda do gênero é melhor do que Usnea, de Portland. A equipe de quatro membros é formada por Justin Cory - (guitarra / vocal), Joel Williams (baixo / vocal), Johnny Lovingood (guitarra), e Zeke Rogers (bateria). Eles têm composto algumas das mais engenhosas canções longas, cada um tocando em um nervo exposto visceral de emoção - furor contra o problema do sofrimento e da eventual morte do homem.

Às vezes você apenas tem raiva! Na longa e orgulhosa tradição de headbanging, vem Lord Dying. Tem sido um prazer filmar Erik Olson (guitarra / vocal), Chris Evans (guitarra), e Nick Kasten (bateria) várias vezes agora. Há certas coisas que se destacam quando você vê uma apresentação do Lord Dying, particularmente, como o vocalista canta letras como: You grasp for precious air All wounds become so clear You scream and fall apart And lose all your support

Você agarrar para o ar precioso Todas as feridas se tornam tão claras Você grita e desmorona E perde todo o seu apoio

Isto, meus amigos, é o Noroeste pesado! Estou ansioso para apresentá-los mais profundamente à cena, em próximos artigos. Fiquem ligados! OD | A

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Last News Toda semana um novo vídeo Acesse o canal e confira Apresentação Rafael Sade Produção Last Time Produções

/LastTimeProduções

/LastTimeProduções

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PERFIL RAFAEL SADE PRODUTOR

OLÁ PÚBLICO LEITOR! SOU O RAFAEL SADE, ATUALMENTE TECLADISTA DA BANDA DE FUNERAL DOOM METAL HELLLIGHT, PRODUTOR MUSICAL DA LAST TIME PRODUÇÕES E APRESENTADOR DO WEB PROGRAMA LAST NEWS 42


O

Last News é destinado aos apreciadores de Doom Metal e suas variantes principalmente no Brasil, produzido semanalmente e acessível pelo YouTube. Essa é a minha estreia na October Doom Magazine, e nada mais justo do que fazer um resumo da minha trajetória nesse estilo musical, para justificar minha presença e interesse a vocês. Eu fui mais um jovem que passou por várias transformações musicais diferentes. Mas, nenhum outro estilo musical me deixou tão fascinado, nem deixou cicatrizes em meu coração até hoje, quanto o Doom Metal. Meu primeiro contato foi entre os 13/14 anos (1997 para ser mais exato), após ouvir daquelas coletâneas que se vendiam em Bancas de jornal. Foi então que conheci na mesma edição: Imago Mortis e Eternal Sorrow. E em outra tiragem conheci: Silent Cry. Isso era algo muito novo para mim, confesso que me impressionou, já que nunca tinha sido fã de algo, por assim dizer, extremo. Para ser sincero, o álbum Remembrance do Silent Cry abriu novas perspectivas em meu gosto musical, e assistir ao show do Imago Mortis em 1999 só me comprovou que eu estava no caminho certo. Bandas "gringas", como o álbum The Angel and the Dark River do My Dying Bride e Memorandum do Lacrimas Profundere me deram novas perspectivas musicais, numa mistura de beleza e estranheza, afinal as melodias eram muito bonitas; mas a depressão nas músicas era muito forte.

RAFAEL SADE durante a gravação do programa Last News

Isso tudo foi também foi o impulso e incentivo inicial para que eu começasse a me interessar em tocar teclado. Então formei minha primeira banda aos 19 anos: Soulsad era death/doom, e eu fazia os teclados e vocais. Durou 5 anos entre covers de nossas principais influências e umas três músicas inéditas, que em breve pretendo tirar do Limbo. Nessa mesma época aconteceu a minha estreia no HellLight, aos 20 anos. Gravei o primeiro disco Memory of the Old Spirits. Fiquei durante três anos na banda, saí em 2007 por diferenças pessoais. Nesse período ainda teve um curto espaço para o Katatonia Tribute, antes de me ausentar por cinco anos da música, devido a problemas familiares. Meu retorno à música ocorreu em março de 2013, quando meu irmão incentivou que eu realizasse um evento no meu bairro. Montei a Last Time Produções e chamei o HellLight e a extinta Lúgubres, que fizeram a ideia ter valido muito à pena. A reaproximação com o

HellLight foi inevitável, foi por pouco que não consegui gravar os teclados de No God Above, No Devil Below, mas o trabalho já havia sido feito. E assim continua até hoje: alguns ótimos (ou regulares) eventos promovendo o Doom nacional em São Paulo, e a gravação do meu segundo álbum e quinto do HellLight: Journey Through Endless Storms. Após tudo isso aproveitei o que foi me ensinado na faculdade de Rádio/TV e criei o programa Last News, para divulgar as bandas e os eventos que a Last Time Produções proporciona. Deixo aqui meus agradecimentos ao Morgan Gonçalves pelo convite e espero que nas próximas edições eu entretenha vocês com os momentos que já vivi e continuo experimentando, e que isto possa somar ao crescimento da Revista. Stay Doom! OD | A

LINK https://www.youtube.com/user/lasttimeprod

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ESSENCIAIS

PEPPER KEENAN: vocal/guitarra | Woodroe Weatherman: guitarra | Mike Dean: baixo, vocal | Reed Mullin: bateria/vocal

O ÁLBUM QUE ME COLOCOU NO MEIO DISSO TUDO POR Merlin Oliveira

H

á poucos anos atrás, quase não se falava de stoner e doom no país e acredito que quem começou a escutar as bandas desses estilos por volta de 2011 e 2012, ou antes, teve o privilégio de um bom acidente. Comigo não foi muito diferente disso. Por volta do final de 2011 eu ainda tocava numas bandas nada a ver, daquelas que fazem covers e tocam em festas dos amigos, mas já queria montar a minha própria banda, tocar o meu próprio som. Eu ainda não fazia ideia do que eu

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queria tocar, de qual seria o encaminhamento que definiria pra minha vida nos próximos anos, eu só sabia que queria alguma coisa mais pesada. Por algum acaso que já não me lembro, acabei me reaproximando de um brother que não via há anos e foi justamente ele quem acabou me dando essa resposta. Eu me lembro perfeitamente da conversa em que decidimos montar uma banda de stoner, assim como me lembro que eu não fazia ideia do que era isso. Ele me citou exemplos: Queens of the Stone Age, Kyuss, Red Fang, Fu Manchu, Electric Wizard, Mas-

CORROSION OF CONFORMITY DELIVERANCE ANO 1994


TRACKLIST 1 - Heaven’s Not Overflowing 2 - Albatross 3 - Clean My Wounds 4 - Without Wings 5 - Broken Man 6 - Señor Limpio 7 - Mano de Mono 8 - Seven Days 9 - #2121313 10 - My Grain 11 - Deliverance 12 - Shake Like You 13 - Shelter 14 - Pearls Before Swine

todon, Corrosion of Conformity. Dentre todas elas o nome Corrosion of Conformity foi o que mais me chamou a atenção, foi a que eu realmente quis escutar. E como escutei. Poucos dias depois eu já tinha devorado toda a discografia do Corrosion, já sabia grande parte das letras de cor e já tava sonhando em ter uma banda com músicas com aquele peso. Pra quem não conhece bem a discografia dos caras, o Corrosion começou com uma veia muito mais Crossover e Hardcore e aos poucos foi diminuindo a velocidade e aumentando

o peso. O quarto álbum dos caras é o Deliverance, o melhor na minha opinião e de certa forma um dos álbums que salvou a minha vida. Esse trampo é cheio de influências diversas, com muito de Stoner, muito de Hard Rock e um pouco de psicodelia e Doom. Falar do álbum sem falar de cada uma das suas músicas seria um pecado, então é claro que isso vai rolar aqui, mas antes vamos a uma ficha técnica do Corrosion of Conformity e seu maravilhoso disco. Em 1994, o Corrosion of Conformity era composto por Pepper Keenan nas guitarras e vocais,

Woody Weatherman nas guitarras, Mike Dean no baixo e Reed Mullin na bateria. Todas as músicas foram criadas por Pepper Keenan, exceto Mano de Mono e Deliverance, ambas de Woody Weatherman. Deliverance foi também o primeiro disco com Pepper Keenan como vocalista, assumindo o lugar deixado por Karl Agell, que montou o Leadfoot depois de deixar a banda. O disco foi lançado em 1994 pela Columbia Records e teve boas críticas da mídia especializada na época. Hoje é considerado um dos clássicos dos anos 90. OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ESSENCIAIS DELIVERANCE

1994

Logo na abertura do álbum vem HEAVEN’S NOT OVERFLOWING, música mais rápida e agressiva, que ainda soa muito com o Corrosion of Conformity de antes do Deliverance, mas que ainda está dentro da proposta do trampo como um todo. Em sequência estão dois dos pontos altos do disco, ALBATROSS, um stoner arrastado e cheio de contratempos deliciosos e CLEAN MY WOUNDS, música que tem um dos melhores solos de todo o álbum, além de um riff que vai grudar na sua cabeça pra sempre. Dessas duas, devo destacar a importância de Albatross, que foi a música que me deu certeza de que era isso que eu queria tocar, era isso que eu queria fazer, foi também um dos primeiros covers que tocamos na Governator Insane. Depois desse auge da porrada inicial no disco, a quarta música é WITHOUT WINGS, uma baladinha instrumental, que lembra muito as ideias do Black Sabbath no Master of Reality. BROKEN MAN vem logo depois, com um riff maligno e arrastado, que dá uma sensação de Doom Metal. A sexta música é SEÑOR LIMPIO, uma das minhas preferidas no disco, muito por causa da voz do Pepper Keenan que vai do vazio e inexpressivo até

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um grito carregado de overdrive no refrão. MANO DE MONO faz a introdução para SEVEN DAYS, agora sim a minha preferida em todo o disco, um stoner mega marcante, com o melhor riff de todo o trabalho, na minha humilde opinião, além de uma letra incrível, essa música é daquelas que as primeiras notas já causam um arrepio. Em sequência vem um pequeno experimentalismo com a música #2121313 e logo depois MY GRAIN, uma música um pouco mais rápida, mas que não tem nada demais. A décima primeira música do disco é a que intitula o álbum, DELIVERANCE, é uma porrada, talvez seja a música mais diferente de todo o trabalho, com uma melodia vocal que emprega um certo groove combinada com uma passagem de bateria e baixo apenas. SHAKE LIKE YOU é um stoner carregado de experimentalismos e efeitos vocais, que eu pessoalmente nunca vi muita graça, mas tem belos riffs, que já valem a audição por si só. SHELTER e PEARLS BEFORE SWINE fecham o disco. A primeira é uma balada bem bonita no violão com várias intervenções de guitarra e uma letra maravilhosa, vale destacar que essa é a única balada do disco que

não serve de introdução para outra música. A segunda começa com um ar psicodélico em um riff no baixo e logo se desenvolve pra uma música que lembra muito o Grunge e qualquer coisa que foi feita em Seattle nos anos 90, fechando o disco com um maravilhoso solo de guitarra e uma melodia que chega a soar triste. Bem no finalzinho rola alguém assobiando Smoke on the Water e o disco se encerra. É difícil dizer exatamente a importância que um disco tem pra história ou até para o seu estilo, as vezes é difícil dizer até sobre qual é a importância de um disco para a própria banda. Eu posso dizer que sem o Deliverance, pouco provavelmente teria entrado tão de cabeça no stoner e doom e talvez nunca tivesse escutado as outras bandas que escutei e me apaixonei, sendo assim, esse foi um dos álbums que mudou a minha vida e com certeza o que me fez estar aqui escrevendo hoje. OD | A

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1

RESENHAS

DIRTY GRAVE FOI DORMADO EM ORLANDIA, SP, EM 2013

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II ANO 2014

1 - Evil Heart 04’52’’ 2 - Madman’s Revenge 06’32’’ 3 - Live Today (DEMO bonus track) 05’15’’

VOL II: A EVOLUÇÃO DE UMA BANDA QUE JA NASCEU GRANDE POR Gustav Zombetero

D

irty Grave foi fundado em no interior paulista em 2013 por Mark (b/v) e Victor (g). No fim de 2013 o duo lançou sua 1ª Demo com 4 faixas, as linhas de bateria foram gravadas de forma eletrônica, mesmo assim, o que importa é que foi possível ter uma ideia de qual era a intenção dos caras. A sonoridade beira uma trinca Sabbath, Pentagram e Saint Vitus, a partir daí é possível afirmar que os caras nunca estiveram pra brincadeira. Ainda em 2013 Arthur se une a eles ocupando o lugar de baterista, o time está formado e solidificado. Vol. II é uma amostra da rápida evolução dos caras e do entrosamento agora como um trio, tudo feito na raça, por puro amor e de-

dicação ao Doom Metal. “Evil Heart” abre o Ep, a trinca continua saliente carregada com toque deles ao som, um peso típico e clássico sem inventar nada, a mais pura expressão do tradicional “We’re not here to innovate, we’re here to celebrate the Doom” - a mensagem foi dada! Com uma levada mais sabbathica aliada duma marretação absurda, “Madman’s Revenge” se destaca entre as 3 faixas que compõe o Ep. Cadenciada, obscura, o vocal saliente de Mark, uma ode à demência humana e a danação por completo, os distúrbios e o surto duma sociedade doente e caótica, Doom Metal trata da realidade cotidiana e do fado da existência, isso é regra e ponto final! “Live Today” é uma faixa bônus, parece uma ho-


menagem ao início dos Saint Vitus, uma pegada retorna e burrona, típica dos californianos. A voz dobrada de Mark chama a atenção, os riffs cortantes de Victor, também. É nítido o uso de bateria eletrônica, porém, com uma sonoridade dessas, você toca o foda-se. É uma faixa muito bem estruturada assim como tudo que nesses 2 anos os caras já fizeram. Assim como acontece com os Pesta, os DG

têm uma aceitação melhor fora do Brasil, isso não é novidade alguma. Doom Metal tradicional aqui é lenda, ou nem existe pros estagnados que renegam a história. Ainda bem que isso não os impede de continuar batalhando e nos brindando com música de qualidade! OD | A

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2

RESENHAS

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EPICUS DOOMICUS METALLICUS ANO 1986

BLACK DRAGON RECORDS

1 - Solitude 05’37’’ 2 - Demons Gate 09’12’’ 3 - Crystal Ball 05’21’’ 4 - Black Stone Wielder 07’36’’ 5 - Under the Oak 06’55’’ 6 - A Sorcerer’s Pledge 08’20’’

UM CLÁSSICO DE 30 ANOS POR Gustav Zombetero

P

rimeiramente é preciso retornar ao ano de 1982, neste ano foi criado o embrião do que viria a ser os Candlemass. Leif Edling monta a sua primeira banda e a batiza de Nemesis, ele fora o responsável pelo baixo, voz e letras, acompanhado de: Anders Wallin - guitarra, Christian Weberyd - guitarra, Anders Waltersson - bateria. Esta formação foi responsável pela gravação da primeira demo da banda: “Tales of Creation”, em 1984, um material lançado de forma independente que deve ser tão raro de encontrar quanto um unicórnio. No mesmo ano, os Nemesis lançaram um EP intitulado “The Day of Retribution” contendo 5 faixas, nessas alturas já era possível compreender a proposta dos caras, uma música

pesada, carregada de riffs soturnos e solos melodiosos, a voz um tanto sofrida de Leif, naquela época talvez fosse bem difícil absorver a proposta da banda, hoje, esse material reluz como ouro atravessando o tempo! Dificuldade era uma palavra constante na vida daqueles caras, pois ainda em 1984, Nemesis deixa de existir, complicações com outras bandas de mesmo nome e sabe-se lá mais o que, fizeram com que o Leif fundasse uma nova banda, sim meus caros, foi assim que nasceu o Candlemass. Ainda em 1984, os agora Candlemass lançaram duas demos. “Witchcraft” com quatro faixas - Crystal Ball, A Sorcerer’s Pledge, Forever Lost e Witchcraft é a primeira. A gravina foi feita como um duo, Leif na voz/baixo e Johnny Reinholm na guitarra/ bateria. Alguma boa alma disponi-


bilizou esse material raríssimo no youtube, o que me fez constatar a péssima qualidade do material em vista do que foi feito com os Nemesis, porém, todo mundo sabe das dificuldades que as bandas enfrentam nos seus caminhos. “Second 1984 Demo” contendo as faixas: Warchild, Crystal Ball, A Sorcerer’s Pledge, Into the Unfathomable, Demon’s Gate e Black Stone Wielder é a segunda. Este material contou com um segundo guitarrista; Christian Weberyd que já havia tocado nos Nemesis. A qualidade é superior a primeira demo e me arrisco a dizer que todo o escopo musical que marcaria a sonoridade dos Candlemass começou nesta demo, riffs cortantes, um peso aterrador, nessas alturas, o caminho era só de ida... Em 1985 é a vez da terceira demo dos caras, intitulada “Tales of Creation”, que fixação, não?! A formação é a mesma que a da demo anterior, o material é composto por 6 faixas, uma faixa chamada Guardian Angel é a única que não está presente no disco lançado em 1989, a partir deste momento a banda começa a enviar o seu material para gravadoras do mundo todo, sem obter alguma resposta positiva, Leif começa a trabalhar em músicas novas, para isso, ele recruta Mats “Mappe” Björkman para assumir a guitarra base e Mats Ekström (que chegou a tocar no fim dos Nemesis) na bateria. Uma luz acaba aparecendo no fim do túnel, ela vinha da França, duma gravadora chamada Black Dragon Records, Leif assina o contrato e dá-se início as gravações dum marco da Música Pesada mundial. Não posso afirmar que Leif estava insatisfeito com o seu vocal, ou se tinha problemas em cantar e tocar ao mesmo tempo, o fato é

que, quando ele ouviu uma demo da banda que Johan Längquist cantava, se interessou pela voz dele e o convidou para fazer alguns ensaios, Johan era voltado à música pop e ao Hard Rock melódico há época. Outro guitarrista também foi convidado para participar do álbum - Klas Bergwall como guitarrista solo. Reza a lenda que o cachê para a produção do Debut era de 2000 dólares, isso fez com que a banda se virasse nos trinta, tendo que travar uma batalha com o frio brutal da Suécia, num estúdio feito em um porão sem calefação, sem banheiro, com uma acústica precária... passo a crer que se não fosse assim, não seria este disco o que é hoje! “Epicus Doomicus Metalicus” é lançado no dia 10 de Junho de 1986, sem causar nenhum dano, sem chamar a atenção de ninguém, fez com que no mesmo ano a Black Dragon Rec. rompesse o contrato que tinham, os membros convidados já haviam dito que só iriam gravar o disco e dar o fora da banda, o nível de confiança foi mais pisado depois dessa. O play conta com 6 faixas e entre elas, apenas uma era inédita (em se tratando das demos), ela se chama “Solitude”, a faixa que abre o disco e é indiscutivelmente um Hino do Doom Metal mundial, a letra teria sido escrito às pressas por Leif, a música já havia sido composta. “Epicus Doomi-

cus Metallicus” é considerado um divisor de águas do Doom Metal, as bandas que vieram antes, como Pentagram, Trouble e Saint Vitus, cultivavam uma veia mais Sabbathica, com um pé nos anos 70, algo mais rústico e visceral, já os Candlemass aliaram a isso uma dose a mais de lentidão, uma aura quase medieval, uma obscuridade que é só deles, talvez por isso receberam o rótulo de pioneiros do Epic Doom Metal. Em 1990 a Black Dragon Rec. relança o “Epicus Doomicus Metallicus” no formato CD, após isso, foram vários relançamentos, inclusive por gravadoras renomadas como Metal Hammer, Candlelight Rec., Peaceville Rec.. A Peaceville Rec. irá relançar este disco em 2016, no formato vinil 12”. Epicus Doomicus Metallicus é simplesmente uma obra essencial aos apreciadores da Música Pesada, uma obra que atravessou o tempo, que criou vida própria, que venceu a desesperança e alcançou o seu lugar, é uma aula para quem se aventura a tocar esse tipo de música, é um conforto, um anestésico para quem ama esse tipo de música! OD | A

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ENTREVISTA RODRIGO DUARTE / BRUNO CASSONI SONGS OF OBLIVION

[...] O beijo, amigo, é a véspera do escarro, 52


POR Cielinszka Wielwski

CIELINSZKA WIELEWSKI: OLÁ, TUDO BEM? VOCÊS PODEM CONTAR EM DETALHES AO NOSSO PÚBLICO LEITOR, COMO SURGIU A "SONGS OF OBLIVION"? RODRIGO/BRUNO: Em 2004, nós Rodrigo Duarte, Bruno Cassoni e o Thiago Medeiros, estudávamos na mesma escola e na mesma turma, e por gostarmos de rock fizemos amizade. Bruno, Rodrigo e Thiago tocavam violão e Thiago cantava, então veio a ideia de fazer uma banda cover seguindo mais a linha grunge. Na época Rodrigo já estava fazendo algumas composições e então surgiu a banda Ferália. Após algum tempo em atividade, Thiago veio a falecer devido a um trágico acidente. Fabiana Oliveira, na época era backingvocal e Fernando Turi já era o baterista. Fabiana então assumiu o vocal por um tempo, mas devido a morte de Thiago a banda ficou deprimida demais e decidiu encerrar suas atividades. Mantendo o contato mesmo com o passar dos anos, foi só em 2013 que por acaso Rodrigo e Fernando se encontraram no terminal de integração de Araraquara (São Paulo), e depois de "colocar a conversa em

dia", Rodrigo e Fernando viram que ambos estavam escutando a mesma vertente, o Post black metal, e então surgiu a ideia de voltar a tocar seguindo essa nova linha. Depois de se encontrarem algumas vezes e conversarem mais a respeito, decidiram chamar Bruno para a nova formação, e Bruno após conhecer este novo estilo e aprová-lo, decidiu inserir nas composições o post rock e shoegaze que Fernando e Rodrigo também gostavam. Bruno Cassoni também estava compondo em casa algumas músicas por conta própria, e com Rodrigo, juntaram todas as composições e ideias. E surgiu a Songs of Oblivion depois de alguns meses. No início e 2014 começamos a ensaiar e testamos alguns baxistas, e por fim chamamos a Brenda Almeida, que é prima do Rodrigo e acompanhava nossas músicas e composições desde pequena. Brenda tem só 18 anos mas tem muita habilidade, então fechamos a formação da Songs of Oblivion. A banda surgiu da vontade dos integrantes de tocar aquilo que nós queriamos ouvir, por isso apostamos em um estilo que não é tao familiar para o público brasileiro, mas é o que estávamos com vontade de fazer e sempre apostamos no que acreditávamos em relação a música. OD | A

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ENTREVISTA RODRIGO DUARTE / BRUNO CASSONI SONGS OF OBLIVION

QUAIS AS PRINCIPAIS INFLUÊNCIAS EM TERMOS DE SOM NA VIDA DOS INTEGRANTES?

OUTRAS BANDAS? COMENTE SOBRE A TRAJETÓRIA DOS MEMBROS.

harmoniosos, ora dissonantes e desesperadores, como o contexto em que nossas aflições afloram.

R/B: Nós somos uma banda que prezamos bastante a liberdade individual de cada integrante. Cada um tem suas preferências e compartilhamos interesses em comum, estamos sempre conhecendo e absorvendo influências novas, e sempre que os membros da banda se encontram, dividem entre si novas descobertas, estilos e vertentes. E assim a Songs of Oblivion tem um pouco da personalidade de cada um. Em comum podemos citar o black metal, death metal, grind core, post rock, post black metal, shoegaze, rock progressivo, música clássica, música instrumental e follk.

R/B: Conforme comentamos ante-

O EP DE VOCÊS, INTITULADO "NIHILISM", FICOU ENTRE OS MELHORES DE 2015, ELEITO PELA OCTOBER DOOM MAGAZINE. QUAL A SENSAÇÃO? COMENTE SOBRE A PRODUÇÃO DO MESMO.

QUAIS AS EXPERIÊNCIAS VIVIDAS POR VOCÊS NA MÚSICA? JÁ PASSARAM POR

riormente, Bruno Cassoni, Rodrigo Duarte e Fernando Turi formavam a antiga banda Feralia; o Fernando Turi já tocou em bandas de black metal e em outras bandas de metal. Ou seja, entre os membros, Fernando Turi é o que tem maior experiência de carreira, e foi o único integrante que continuou a tocar mesmo sem nossa antiga banda. Após o término da Feralia, nós Rodrigo e Bruno, continuamos a tocar e compor em casa e agora enfim retornamos; e essa é a primeira banda de Brenda Almeida. Inseridos em um cotidiano caótico buscamos nas aflições da alma humana, em seu individualismo, a riqueza poética expressada em acordes e ritmos ora ressonantes e

R/B: Foi uma grata surpresa, o EP foi lançado bem no fim do ano de 2015 e não esperávamos que seria tão bem aceito, por se tratar de uma mistura de vertentes não "populares". Para nós da banda, foi uma grande honra ter entrado em uma lista de bandas tão sensacionais, além de algumas das bandas da lista fazerem parte de nossas próprias influências. A produção foi independente; pagamos do próprio bolso a captação,

Se a alguém causa inda pena a tua chaga, 54


FICHA ORIGEM

Araraquara, São Paulo

GÊNERO

Shoegaze Black Metal

mixagem & masterização, e as copias físicas, que foram feitas à mão por nós (Bruno e Rodrigo), desde artes gráficas até a gravação das mídias. Para gravação do EP, fizemos praticamente em um fim de semana no Matuck Estúdio (em São Carlos/SP), sobrando apenas a captação de voz e solos para o decorrer da semana posterior. Isso foi no meio de setembro de 2015, sendo finalizado em dezembro de 2015. A nossa experiência no estúdio foi bem legal; Rodrigo, Bruno e Brenda nunca tinham gravado nada profissionalmente antes, apenas Fernando sabia como seria. Deu um certo trabalho por sermos inexperientes, mas demos o melhor de nós e o resultado final foi bem gratificante, o Luciano Matuck foi bem profissional e gravamos com equipamentos de alta qualidade, realmente ficamos realizados! OD | A

Somos uma banda que prezamos bastante a liberdade individual de cada integrante. Cada um tem suas preferências e compartilhamos interesses em comum.”

CURRENT MEMBERS Rodrigo Duarte

Vocals and guitar

Brenda Almeida Bass

Bruno Cassoni Guitar

Fernando Turi Drums

SONGS OF OBLIVION

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ENTREVISTA RODRIGO DUARTE / BRUNO CASSONI SONGS OF OBLIVION

COMO TEM SIDO A RECEPTIVIDADE DAS PESSOAS DIANTE DO LANÇAMENTO DO EP? E EM TERMOS DE PÚBLICO, COMO TEM SIDO A REPERCUSSÃO? R/B: Estamos muito felizes com o

resultado e aceitação do público com as músicas que estão no disco, tanto o público metal, como os que de fora tem nos dado um feedback bastante positivo. Sabemos que existem alguns detalhes que podem ser melhorados e aceitamos bem as críticas, que em sua maioria foram construtivas e estamos usando isso para trabalhar alguns pontos nas composições do novo disco, que ainda não tem previsão de lançamento. Ao vivo, é curioso, pois num primeiro momento a nossa música causa certa estranheza, mas depois que vem o primeiro gutural a coisa torna-se mais natural e então vemos o pessoal bater cabeça mesmo nas passagens mais suaves das músicas, isso é extremamente gratificante para nós, e temos um profundo respeito por quem está ouvindo e comparecendo aos shows. No momento estamos compondo

as músicas do novo disco, buscando parcerias e tentado alguns contatos para agendarmos shows, principalmente, porque queremos levar nossa música ao maior número de pessoas possíveis e achamos que o palco é a melhor forma.

"NIHILISM" É UM TÍTULO ESCOLHIDO POR QUAL MOTIVO? PODEMOS RELACIONAR AS MÚSICAS COM A QUESTÃO DE CONFLITOS INTERNOS/ EXTERNOS DAS PESSOAS, EM MEIO AO COTIDIANO CAÓTICO? R/B: O nome Nihilism num primeiro

ponto deu-se pelo fato de tocarmos um estilo que necessita de uma capacidade técnica e aparato bastante complexo, porém somos uma banda com quatro integrantes e tentamos fazer com todas as limitações que uma banda brasileira iniciante está sujeita, o máximo e o melhor possível, priorizando a criatividade e o sentimento para tentar superar as dificuldades com relação a instrumentos e equipamentos que gostaríamos de ter em mãos, para criamos atmosferas sonoras mais intensas.

O segundo ponto é a questão filosófica de identificação com o termo, pois as letras e a atmosfera do disco e da banda vão de encontro com esta filosofia. Somos convictos da descrença total em fé às religiões ou deuses, -valores morais impostos que tornam a vida das pessoas mais complicadas- e uma certa dose de desesperança crônica na alma humana. Na verdade, valorizamos muito a essência do ser individual e livre. Sim, esse disco ainda é bastante pessoal, o que há ali realmente reflete o que sentimos: conflitos, aflições, esperança, o que o ambiente e nossas mente experimentavam, tudo isso envolto num turbilhão de pensamentos que todo mundo tem.

QUAIS AS BANDAS DO "CIRCUITO SHOEGAZE" QUE VOCÊS MAIS GOSTAM E ADMIRAM? POR QUÊ? R/B: No shoegaze nossa principal

influência é Slowdive, mas gostamos de muitas outras coisas como Dead Can Dance, My Bloody Valentine,The Jesus & Mary Chain, entre

Escarra nessa boca que te beija! 56


várias outras. Gostamos muito dessas bandas, porque são os precursores, o início de tudo e mesmo hoje ainda o som é muito atual, os caras influenciaram o post punk e muitas outras coisas fenomenais. Na cena brasileira, gostamos bastante do Bullet Course de Curitiba/ PR., e a galera do Wry que está a um bom tempo por aí e são de Sorocaba/SP. Gostamos muito dessas bandas e nos desculpem aquelas que não lembrei aqui, porque são os caras que fazem isso aqui na nossa terra e fazem muito bem feito, sabemos o quanto é difícil seguir essas vertentes no pais. Além disso, gostamos e ouvimos demais Post Rock, o famigerado Depressive Suicidal Black Metal, o congelante Black Metal e o Doom, que sempre vai bem. OD | A

Ao vivo, é curioso, pois num primeiro momento a nossa música SONGS OF causa certa OBLIVION estranheza, mas depois que vem o primeiro gutural a coisa torna-se mais natural.” LINKS CONTRACAPA

Nihilism

2015

https://www.facebook.com/songsofoblivion/?fref=ts

SONGS OF OBLIVION

https://www.youtube.com/watch?v=PqtUQ8TXvOQ

TRECHO DE AUGUSTO DOS ANJOS - Versos íntimos - citado na música "Ressonance"- EP Nihilism 2015

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AGENDA AGENDA OCTOBER DOOM UMA SELEÇÃO DOS MELHORES EVENTOS, FESTIVAIS E SHOWS QUE ACONTECEM DURANTE OS PRÓXIMOS DIAS.

SHOW

CASSANDRA COMEMORA 2 ANOS

20/04

92 GRAUS - CURITIBA

21H A GIG COMEÇA COM O DVISEX, DE ELECTRO-INDUSTRIAL E COM DJS TOCANDO UM POUCO DE TUDO QUE INFLUENCIA O CASSANDRA. ENQUANTO ISSO, ROLA A EXPOSIÇÃO DE FOTOGRÁFICA “MITOLOGIA” DE ALBERTO KRAWCZYK E CLARO, FINALIZANDO A NOITE, CASSANDRA.

SHOW CANDLEMASS + HELLLIGHT

21/04

CLASH CLUB – SÃO PAULO ACESSE https://www.facebook.com/ events/1580873148898321/

DIVULGUE SEU EVENTO Envie para nossa redação, as informações e links. contato@octoberdoom.com.br

Não nos responsabilizamos por mudanças ocorridas na programação

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18H

UMA DAS MAIORES BANDAS DE METAL DO MUNDO DESEMBARCA PARA SUA TURNÊ DE COMEMORAÇÃO DO 30º ANIVERSÁRIO DO ÁLBUM EPICUS DOOMICUS METALLICUS, E EM SUPORTE, O HELLLIGHT, TOCANDO MÚSICAS DA CARREIRA E DO RECENTE ÁLBUM JOURNEY THROUGH ENDLESS STORMS.

ACESSE https://www.facebook.com/ events/439109869627005/


SHOW

SHOW

BLACK SEA + HUEY

ESTÚDIO FITACREPE CONVIDA

23/04 19H

22/04

DISSENSO LOUNGE -SP ACESSE

74CLUB - SANTO ANDRÉ - BRAZIL

20H

A BANDA CURITIBANA BLACK SEA VOLTA AOS PALCOS ENQUANTO SE PREPARA PARA LANÇAR SEU TERCEIRO ÁLBUM MERCURIAL. JÁ O HUEY SE APRESENTA COM MAIS DO SEU STONER INSTRUMENTAL PESADO COM MAIS DE 6 ANOS DE CARREIRA.

ACESSE https://www.facebook.com/ events/967143193321862/

https://www.facebook.com/ events/1666915186907237/

FESTIVAL

BLACK EMBERS FEST III

22-23/04

MORFEUS CLUB & TRACKERSTOWER

22/04 16H - 23/04 19H EM UM SUPER EVENTO, O BLACK EMBERS FEST REÚNE 16 BANDAS QUE SE REVEZAM EM DOIS DIAS DE APRESENTAÇÕES E FEIRAS DE PUBLICAÇÕES INDEPENDENTES

ACESSE https://www.facebook.com/ events/1011635175560208/

A BELO-HORIZONTINA CONSTANTINA RETORNA AOS PALCOS PAULISTANO DEPOIS DE UM LONGO PERÍODO, DESTA VEZ ACOMPANHADA DO PROJETO BODE HOLOFONICO, COMPOSTO POR GUILHERME GRANADO E LEANDRO ARCHELA, QUE IMPROVISAM ENTRE INSTRUMENTOS, EFEITOS E SINTETIZADORES

SHOW BULLET BANE + MUÑOZ + PANTANUM

24/04 17H

JOHN BULL - CURITIBA ACESSE

https://www.facebook.com/ events/487133074808874/

VUVE, PROJETO PRODUÇÃO, APRESENTA NA CASA JOHN BULL AS BANDAS BULLET BANE (SP), MUÑOZ (MG) E PANTANUM (PR), COM INGRESSOS ANTECIPADOS ENTRE R$15 E R$30 E NA PORTARIA, A R$40,00. octoberdoom.com.br

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AGENDA TURNÊ

TURNÊ

TRUCKFIGHTERS

STONED JESUS

A BANDA SUECA DE STONER ROCK TRUCKFIGHTERS, QUE JÁ ESTEVE NO BRASIL, EM 2012, VOLTA AO PAÍS, EM MAIO, PARA UMA SÉRIE DE SHOWS QUE PASSARÃO PELAS CAPITAIS DE SÃO PAULO, MINAS GERAIS, CURITIBA, FLORIANÓPOLIS, BRASÍLIA, RIO DE JANEIRO E PORTO ALEGRE. DEPOIS SEGUEM PARA APRESENTAÇÕES NO URUGUAI E NA ARGENTINA. A ABERTURA DO SHOW EM SÃO PAULO SERÁ FEITA PELA MACACO BONG E, NAS DEMAIS PRAÇAS, PELA BANDA MONTE RESINA.

DATAS 10/05 – SÃO PAULO/SP (INFERNO CLUB) 11/05 – BELO HORIZONTE/BH (A AUTÊNTICA) 12/05 – FLORIANÓPOLIS/SC – (CÉLULA) 13/05 – CURITIBA/PR – (JOHN BULL PUB) 14/05 – BRASÍLIA/DF (AMSTERDAM STREET) 17/05 – RIO DE JANEIRO/RJ (TEATRO ODISSEIA) 18/05 – PORTO ALEGRE/RS (OBRA CLUB)

REALIZAÇÃO ROCK CITY ACESSE https://www.facebook.com/ rockcitygravadora

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PELA PRIMEIRA VEZ NAS AMÉRICAS, UMA DAS PRINCIPAIS BANDAS DA NOVA SAFRA DO ROCK PESADO E ARRASTADO, STONED JESUS! DEPOIS DE TOCAR NO CHILE E ARGENTINA A BANDA UCRANIANA DESEMBARCA NO BRASIL PARA APRESENTAR MÚSICAS DA CARREIRA, INCLUINDO DO ÚLTIMO ÁLBUM THE HARVEST, LANÇADO EM 2015.

DATAS

13/05 – RIO DE JANEIRO/RJ (TEATRO ODISSEIA) 14/05 – SÃO PAULO/SP (INFERNO CLUBE) 15/05 – FLORIANÓPOLIS (CÉLULA SHOWCASE) REALIZAÇÃO ABRAXAS ACESSE https://www.facebook.com/abraxasevents


INTERVIEWS | REVIEWS

Sharing the music and the stories of the heavy underground, reported by the underground, for the underground. /DoomedStoned

/DoomedandStoned 61


ENTREVISTA DIMI GARCEZ GUITARRA/VOCAL/ORGAN - BLACK MANTRA

A BANDA QUE SURPREENDEU A CENA POR Gustav Zombetero

B

lack Mantra é um trio oriundo de Vitória da Conquista - BA, a banda executa um Stoner/Doom psicodélico, com nuances de música gótica e do que era feito nos anos 70. A banda acabou de lançar o seu primeiro registro, o EP intitulado “From The Graves Of Madness”. Acompanhem o que o Dimi Garcez tem a dizer sobre a banda.

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FICHA ORIGEM

Vitória da Conquista, Bahia

GÊNERO Stoner / Doom

CURRENT MEMBERS Dimi Garcez

Guitarra / Vocal / Organ

Felipe Lima

Baixo / Guitarra

Jeferson Sousa Bateria

GUSTAV ZOMBETERO: SALVE DIMI. INICIE ESTÁ APRESENTANDO OS BLACK MANTRA AOS LEITORES DA ODM. DIMI GARCEZ: Olá leitores da Oc-

tober Doom Magazine! Sou Dimi Garcez, vocalista, guitarrista e um dos fundadores e compositores principais da Black Mantra. Agradeço pela oportunidade de estar aqui.

A BANDA ACABOU DE LANÇAR O SEU 1º MATERIAL, O EP “FROM THE GRAVES OF MADNESS”, COMENTE SOBRE O PROCESSO DE CRIAÇÃO DO MESMO. DG: O processo de criação foi meio

curioso. Lá pra 2013 eu estava deprimido e com vários problemas para resolver. Eu sabia que eu precisava de um escape, senão eu descontaria minha frustração em vícios. Foi aí que eu peguei minha guitarra para expressar tudo isso que eu estava sentindo por meio de melodias. Por conta disso eu percebi que na maioria das vezes o instrumental que um músico compõe está intimamente

ligado às emoções e ao estado de espírito do mesmo. Ao todo foram cinco músicas compostas. Em uma manhã eu estava conversando com meus amigos Felipe Lima Ribeiro e Filipe Brito e mostrei um dos meus riffs para eles, então Filipe tirou um caderno de sua mochila e escreveu uma letra rapidamente. Gravamos três músicas e resolvemos postar no YouTube com o nome Frozen Vittus. Obviamente o nome não era dos melhores e não tinha sentido algum, então pouco tempo depois sugeri para que mudássemos o nome para algo que refletisse a mensagem que queríamos passar. Ele sugeriu Black Mantra, que caiu como uma luva. Em pouco tempo já estávamos gravando as músicas que eu tinha feito para usar com as letras de Filipe, então eu percebi que as melodias não estavam encaixando com o som dos nossos equipamentos de home-studio. Reformulei a parte instrumental e deixei um pouco mais lento e com riffs mais sólidos e fluídos que não necessitavam de equipamentos caros e todas aquelas frescuras. A timbragem ficou excelente aos nossos ouvidos e resolvemos manter essa linha. No começo de 2015 Jeferson deu sua força na banda e já tínhamos tudo gravado, exceto os vocais. A ideia era gravar com gutural, mas Filipe foi chamado para servir o exército. Com o tempo apertado ele não tinha como continuar nessa área da banda. Algum tempo depois eu comecei a ensaiar usando meu vocal e decidi gravar com a voz limpa mesmo. A aceitação foi boa. Uma curiosidade sobre o ep é que a introdução veio de um sonho que eu tive. No sonho eu podia escutar o som da sitar perfeitamente, aí eu acordei e fui compor o resto. OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA DIMI GARCEZ GUITARRA/VOCAL/ORGAN - BLACK MANTRA

COMO VOCÊ JÁ CANSOU DE OUVIR DE MIM É IMPOSSÍVEL NÃO COMPARAR A MÚSICA DOS BLACK MANTRA COM A VELHA ESCOLA OBSCURA ITALIANA, ALÉM DISSO, É NOTÁVEL CERTOS NUANCES DE MÚSICA GÓTICA. AONDE VOCÊS FORAM BUSCAR ESSAS INSPIRAÇÕES MUSICAIS? DG: Minhas influências principais

são: Electric Wizard, High Priest Of Saturn e Acid King. Além deles eu acabei pegando muita influência na solidez dos riffs de uma banda chamada Saturnalia Temple, porque Filipe ouvia muito nos rolês. Nos vocais eu tenho bastante influência de Peter Steele, falecido vocalista do Type O Negative. É o único timbre que consigo cantar bem.

AS LETRAS PARECEM NÃO SEGUIR UMA LINHA RETA, INDO DE SADISMO SEXUAL A FILME DE TERROR, COMO É FEITA E QUEM FICA COM A PARTE LÍRICA DA BANDA? DG: Eu sou o principal letrista da

Black Mantra atualmente. Gosto de escrever sobre assuntos variados, por isso não seguimos uma linha. Uma das coisas que mais gosto de fazer é usar metáforas, muitas metáforas. Normalmente eu me dou tempo para imaginar e compor instrumentais e letras, pois acho que cada um tem um fluxo de criatividade que deve ser respeitado e não forçado. Nestes períodos bons só me resta

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Graças à internet você consegue fazer música profissional com um pouco de esforço sem problemas.” Dimi Garcez, GUITARRA/VOCAL/ORGAN BLACK MANTRA

contar com ânimo e clareza para reduzir o pensamento em poucas palavras. Essa questão de reduzir as palavras é o principal motivo pelo qual escrevo em inglês.

COMO ESTÁ SENDO A DIVULGAÇÃO DO EP? O PÚBLICO ESTÁ REAGINDO DA FORMA ESPERADA POR VOCÊS? DG: Nós estamos divulgando o EP

pelo Youtube, Bandcamp e Facebook, até porque só lançamos digitalmente. Eu fiquei surpreso porque nosso som chamou a atenção de muitas pessoas e tem até fãs que pagaram pelo nosso som. Isso é algo que eu não esperava de forma alguma. Acho que minha reação se deu ao

fato de que a experiência de compor e gravar foi divertida e prazerosa, então é como uma criança ganhar dinheiro por brincar, eu acho.

VI COMENTÁRIOS SEUS DIZENDO QUE O MATERIAL FOI GRAVADO NUM HOME ESTÚDIO, VOCÊ ACHA QUE ISSO PODE COMPROMETER D’ALGUMA FORMA O RESULTADO FINAL DA OBRA? ACREDITA QUE TALVEZ SEJA MELHOR ASSIM, PARA NÃO CORRER O RISCO DE CAIR NAS MÃOS DUM PRODUTOR SEM NENHUM CONHECIMENTO DESSE TIPO DE SOM TÃO RARO POR AQUI? DG: Em minha opinião o fato de

gravar num home-studio pode comprometer a obra de pessoas que não tem o conhecimento apropriado nessa área para fazer uma gravação boa. Antes eu queria gravar em um estúdio, mas aqui eles são tão caros que desisti da ideia e resolvi aprender como gravar em casa. Minhas primeiras gravações ficaram um lixo total, mas graças à internet você aprende a editar, comprimir, equalizar, etc. Você consegue fazer música profissional com um pouco de esforço sem problemas. Quanto à questão de não existir muitos produtores especializados em stoner/doom por aqui é um fato e um dos motivos pelo qual não paguei pela produção do EP. Preferi editar até que soasse bem aos meus ouvidos.


TAMBÉM VI QUE NÃO TARDARÁ E A BANDA LANÇARÁ O SEU DEBUT, PODEMOS ESPERAR UMA SEQUÊNCIA DO “FROM THE GRAVES OF MADNESS”? DIGO EM SEMELHANÇA SONORA. DG: Sim, podem esperar algo bem se-

Minhas influências principais são: Electric Wizard, High Priest Of Saturn e Acid King, e acabei pegando muita influência na solidez dos riffs de uma banda chamada Saturnalia Temple.” Dimi Garcez, GUITARRA/VOCAL/ORGAN BLACK MANTRA

LINKS https://www.facebook.com/BlackMantraDoom http://black-mantra.bandcamp.com/

melhante na sonoridade, pelo menos no primeiro álbum que está por vir.

PREVISÕES PARA APRESENTAÇÕES AO VIVO? DG: Por enquanto não temos alguma

previsão de shows por aqui. Acho que pra isso seria melhor termos mais músicas lançadas para o público ter uma noção melhor do nosso som.

É ISSO MANO, OBRIGADO PELA PRESENÇA E POR FAZER ESSE SOM FODA, USE ESSE ESPAÇO PARA DIZER O QUE TIVER AFIM. DG: Obrigado pela oportunidade. Fico

feliz por ver que a cena Doom está se fortalecendo e ganhando firmeza aqui no Brasil. Parabéns para a galera da October Doom Magazine! Vocês são fodas. Por último eu queria dizer que se você tem uma banda e não tem dinheiro pra gravar num estúdio, não desanime. Busque a perfeição usando o que você tem a seu favor, no estilo “faça você mesmo”. Sei que tem muitas pessoas aí com ideias geniais que estão paradas por conta desse empecilho. É só isso mesmo galera. Valeu! OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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RESENHA

UMA VIAGEM PELOS ANOS 90

C

onfesso que quando ouvi pela primeira vez este EP fiquei totalmente anestesiado, pois até então eu nunca havia ouvido nada parecido feito em terras tupiniquins. Logo de início fui transportado para as sonoridades das bandas da escola italiana, como Paul Chain e Abysmal Grief, apenas ouvindo a intro “Devil's Whorehouse”, com um sitar feito em sintetizador, ou seria uma harpa? Não faço ideia! Um órgão de fundo, um acompanhamento sútil da guitarra e da cozinha. O EP começa assim, pegando o ouvinte de surpresa, num clima psicodélico e obscuro, aquele mistério no ar até que a 2ª faixa entra em cena “Your Red In My White”, o vocal de Dimi em contraste com o órgão acabam por me fazer lembrar dos Type O Negative, nesse ponto, eu fico embasbacado com a genialidade desse trio de Vitória da Conquista - BA, é um absurdo a sonoridade deste EP, que já vem colhendo seus frutos, alcançando

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reconhecimento no underground mundial, a musicalidade dos caras é bem a cara dos gringo, clássica e reta, correndo com a maré do atual revival. Neste material você não irá encontrar riffs cortantes, a parte mais trabalhada fica por conta da presença constante do sintetizador emulando vários instrumentos, a cozinha é totalmente reta afim de suportar os desvarios cometidos por Dimi, Felipe - baixo e Jefferson - bateria, seguraram a bronca com maestria, tudo bem encaixado, tudo no andamento. A 3ª faixa é a “Stillborn”, mais lenta que a antecessora e mais melancólica também, atordoante do começo ao fim, em seguida vem a “The Left-Handed”, um pouco mais acelerada, quando a ouço, imagino uma galera dançando no clipe Black No. 1 dos TON, sei lá porquê, mas no EP inteiro viajo numa vibe gótica dos anos 90, além disso, de certa forma ela tem um andamento mais próximo do Doom Metal tradicional. Quase no fim da faixa os caras usam dum artifício que já virou marca registrada no estilo, um trecho de algum filme de terror dos anos 60/70. Encerrando a obra, a faixa título, com uma outra atmosfera, parece ter sido gravada na garagem da casa de algum deles, ainda bem que essa garagem tinha uma acústica boa, porque ficou foda essa faixa, mais anos 70 eu diria. Enfim, Black Mantra tem uma sonoridade distinta, bem-feita e honesta, só nos resta esperar mais materiais come este ou ainda melhor, eu acredito que os caras não vão decepcionar. OD | A

BLACK MANTRA THE GRAVES OF MADNESS ANO 2016 EP - INDEPENDENTE

1 - Devil’s Whorehouse 2 - Your Red In My White 3.Stillborn 3 - The Left-Handed 4 - From The Graves Of Madness (Live, 2011)


Black Mantra - From The Graves Of Madness - EP digital - 2016 - Independente

Black Mantra - From The Graves Of Madness - EP digital - 2016 - Independente

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October Doom Magazine Ed. 57  

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