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8.fev.2012

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Quando o teatro vai à plateia

7 Uma defensora de Criúva

8 A rede social dos fanáticos por livros

Garotos de programa: não existe vida mole

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Maquiagem e cabelo digno de passista

As 5 melhores marchinhas de carnaval, por Beto Scopel

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A raiz caxiense do samba e choro

GASTRONOMIA E COZINHA

Não pule o Carnaval: vá ao desfile de rua, blocos ou festas no Litoral Fotos: 5, 12 e 19: Paulo Pasa/O Caxiense |

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Receitas lights para aproveitar o Carnaval com saúde

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8.fev.2012 8.FEV.2013

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Rua Os 18 do Forte, 422\1, bairro Lourdes, Caxias do Sul (RS) | 95020-471 | Fone: (54) 3027-5538

Programa de índio | Não ao jornalismo lição de moral | Garoto de programa ou jornalista Indiadas sempre rendem boas pautas. O CAXIENSE não pode ver uma que quer estar lá: um Carnaval decadente, um baile de debutantes, uma reunião da Tupperware, uma aula de sedução, uma fábrica de pistolim... Quando não aparecem espontaneamente, criamos a oportunidade. E assim surgiu a matéria sobre garotos de programa. De 8 sondados, 4 toparam a entrevista sem receber cachê. A reportagem começou ainda nas recusas, quando tive de explicar que não pagamos por entrevistas. Dois deles preferiram não falar, nem por telefone, nem por e-mail, cai-a-ligação-nunca-maisatende. Um deles topou inclusive posar para fotos que nem pedimos, e desistiu 15 minutos depois: “meu cunhado disse para eu não falar nada, se me ligarem de novo vou fazer um B.O.” (?!). Outro, o raro “garoto de agência”, mais raro ainda “só para elas”, disse que retornaria a ligação: protelou todos os dias até o fim dessa reportagem. Como fonte, falhou na hora h. Os que toparam foram tranquilizados por uma reportagem que obviamente não identificará os personagens (os nomes na reportagem são fictícios, como também o são os nomes que os garotos de programa dão aos clientes) e motivados pela oportunidade de conversar sobre um assunto sufocado pelo sigilo. Assim, puderam falar do próprio trabalho sem estar sob a ótica inquisidora do moralismo. Não queriam incentivar a prostituição, com a qual nenhum se sente plenamente realizado. Mas também não estavam a fim de dar uma entrevista para a vovó. Cumpri o trato. Sem os óculos na ponta do nariz, o coque e o xale de crochê do jornalismo lição de moral, fui ouvir o que eles tinham para contar. Na primeira entrevista, marcada para as 10:00 no apartamento de um deles, numa segunda-feira, a velha quis encarnar em mim. Sabe aquele preconceito que todos os livres de preconceito têm? Aquele que não deixa a gente perceber que “indiada” é um termo pejorativo? Pois é. Foi contra esse que eu lutei. Liguei para o rapaz para avisar que estava na frente do prédio e os números no interfone estavam apagados. Ele disse ok, desligou e eu aguardei. Uns 10 minutos depois, um jovem abriu a porta. E eu cumprimentei essa pessoa errada.

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“Quer falar com ele? Vá até o 3º, tu deve encontrar a porta aberta”, sugeriu, como faria ao possível cliente do vizinho. Eu, que não consegui saber qual era o botão do 201 no interfone de um prédio de apenas 3 andares, dois apartamentos cada, também subi ao 3º à procura do setor 200. Gênio. A única porta aberta dava acesso a uma “casa de família”, onde eu entrei bem confiante. “Eles devem estar atendendo, disse a uma mulher, explicando-me que 201 pertence ao 2º andar.” Desci e aguardei, sob o olhar curioso de outra vizinha, que também me informava como se eu fosse cliente. “Eu marquei uma entrevista”, eu dava explicações que pareciam muito necessárias naquela hora. “Entrevista? Eles são garotos de programa!?”, disse ela em tom de alerta, para me proteger daquela vida ou, depois de verificar com atenção o meu perfil, descartar a chance de um emprego ali. “Uma entrevista jornalística, sou jornalista, estou fazendo uma reportagem”, repeti a mesma informação 3 vezes de formas diferentes para ela não ter dúvida. Ela suspirou e deu um sorriso do qual eu queria explicações, mas não pedi. Pensei em tirar o bloco da mochila e colocar o crachá para provar minha versão. Mas desencanei. “Sou eu que pago minhas contas”, disse a mim mesmo como diria a ela um garoto de programa. A entrevista ocorreu no final da tarde, por telefone. A primeira vez é mais difícil. A partir daí, livrei-me da vovó, derrubei o muro entre o mundo e o submundo, e ouvi descrições sexuais sem eufemismos. “Quer que eu olhe se tem alguém no corredor antes que tu saia?”, brincou o único que deu entrevista pessoalmente. Nem precisa. Não tenho vergonha do meu trabalho. O temido drama, eu sabia que ele viria, compareceu à reportagem. Mas foi estimulado pelos entrevistados, não por mim. Não fiz drama lá, faço aqui. Música de tristeza: se não fosse garoto de programa, o rapaz do apartamento 201 seria jornalista. Os apressadinhos que pulam as preliminares do Diga! e vão direto ao ponto G da revista (página 12) perderam. Você que leu até aqui, por favor, sigilo absoluto. Boa leitura! Use este espaço e as redes sociais para contar se foi bom para você. Marcelo Aramis, editor-chefe

ocaxiense@ocaxiense.com.br

www.ocaxiense.com.br

Diretor Executivo - Publisher

Felipe Boff Paula Sperb Diretor Administrativo

Luiz Antônio Boff

Editor-chefe | revista

Marcelo Aramis Editora-chefe | site

Carol De Barba Andrei Andrade Daniela Bittencourt Gesiele Lordes Leonardo Portella Paulo Pasa Designer

Luciana Lain

COMERCIAL Executiva de contas

Pita Loss

ASSINATURAS Atendimento

Eloisa Hoffmann Assinatura trimestral: R$ 30 Assinatura semestral: R$ 60 Assinatura anual: R$ 120

capa Arte de Luciana Lain sobre foto de Fernando Seiji Imay, SXC.HU/O Caxiense

TIRAGEM 5.000 exemplares


BASTIDORES

Mamãe eu quero uma panela de pressão | A cuidadora de Criúva |Eles não são Patati e Patata | Viciados em livros populares

As cores do Carnaval dicas

● Cabelo preso é estratégico contra o calor. Mas não poupe grampos: ele tem que estar firme para aguentar a noitada de samba.

● Não adianta arrasar no make

up se a sobrancelha não estiver em dia, bem delineada e alinhada. “Ela é tudo para completar um olho bonito”, diz.

● Passe um corretivo por toda

a pálpebra antes de aplicar a sombra. Ele ajuda na aderência e durabilidade se você suar.

● Antes de reforçar o tom da

sobrancelha com sombra ou lápis, passe um lápis 6B, esses de desenho, para preencher a pele que aparece entre as falhas dos pelos. Ele garante durabilidade maior.

maquiagem

Fotos: Paulo Pasa/O Caxiense

por Carol De Barba Maria Lúcia Mattevi, a Lú, do salão Realce, deixa mais belas as representantes da escola Protegidos da Princesa na corte do Carnaval de Caxias. Além da assessoria do carnavalesco Jovi, responsável pela preparação das meninas, o talento de Lú na estética e na elaboração de acessórios ajudou a garantir para a agremiação os títulos de 3 princesas e das últimas 4 rainhas. É essa expert quem ensina, a seguir, alguns truques, um modelo de maquiagem e dois penteados para curtir a folia como manda o figurino. A modelo, claro, é a rainha do Carnaval de Caxias 2013, Cristiane Nascimento.

Depois de preparar a pele, Lú começa a pintura pelos olhos. Primeiro, preenche a pálpebra móvel com sombra rosa. Depois, usa uma sombra preta rente aos cílios e na curva da pálpebra móvel, como se formasse um V. “Alonga e aprofunda o olhar”, explica. Rente à sobrancelha, uma sombra clarinha, para iluminar. Os limites entre as cores são sempre levemente esfumaçados, para não ficarem marcados demais. Ela finaliza com lápis embaixo do olho, um traço marcante de delineador, rímel azul (desejo da estação) e muito glitter. “Como é Carnaval, a gente pode abusar de cores fortes e colocar bastante brilho”, reforça. Na boca, antes de passar o gloss, delineie com lápis no tom que mais combina com a sua (também ajuda a não escorrer). 8.fev.2012

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Fotos: Paulo Pasa/O Caxiense

cabelos

A base do cabelo muda pouco para os 3 penteados. Como o cabelo de Cristiane é de curto para médio (chega quase aos ombros) e bastante volumoso, não precisa de muita preparação.

● Para a primeira opção de enfeite, Lú começa pela

lateral, na frente, pegando mechas de baixo para cima e prendendo com grampos grandes, bem firme. Ela repete o procedimento até chegar quase atrás da cabeça. O toque final é com duas flores grandes douradas, presas com grampos sobre a parte levantada.

● Na segunda opção, ela

utiliza o mesmo processo para prender, só fixa os grampos mais acima e repete a técnica ao longo de todo o cabelo, como se fizesse um rabo de cavalo bem solto porém no topo da cabeça. A finalização é um pouco mais requintada: pluma, fincada no meio do penteado e presa por grampo, e um arranjo com pedrarias.

● Na terceira e mais glamourosa opção, Lú

solta parte da franja. Ela acrescenta alguns apliques para demonstrar o efeito do penteado em cabelos mais compridos. Se o seu cabelo for extremamente longo e muito pesado para prender apenas com grampos, sugerimos que você faça um coque meio bagunçado, prendendo aos poucos, com umas mechas mais torcidas e outras mais soltas. Os enfeites são duas plumas em tons contrastantes e piranhas de flores, superfáceis de prender.

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Cia. Garagem |

Ramon Munhoz, Divulgação/O Caxiense

Se o público não vai ao teatro, o teatro vai ao público por Leonardo Portella Apenas uma pessoa esperava pelo começo da peça Cadê o Circo – Cia. Garagem, no último sábado (1), às 10:00, na Praça Dante. Com um roteiro ensaiado e permitindo improvisações, os palhaços Zoinho e Montanha não demoraram a formar uma plateia bem maior para assistir ao desenrolar da peça supervisioada por Davi de Souza. Após interagirem com quem ia passando pelo coração de Caxias, alguns tímidos paravam para ouvir as aventuras de dois palhaços que perderam o emprego após o circo em que trabalhavam ir embora. “Tu começa a apresentar e daí o público vai chegando aos poucos. Essa é a lógica do teatro de rua em um local público”, conta o ator Janio Nunes, que interpreta o palhaço Zoinho. Entre risos, o público aumentou. O figurino e a comédia com um quê de drama atraiu até quem trabalhava – vendedores ambulantes e profissionais da limpeza da Dante fizeram uma pausa para absorver a cultura do teatro. Engana-se quem pensa que palhaços

encantam somente crianças. Naquela manhã, os adultos eram maioria. Cheia de sacolas, Márcia Janaína de Souza, de 37 anos, aproveitou a peça para descansar em um dos bancos da Praça, próximo ao local da peça. Após ter ido comprar os materiais escolares dos dois filhos, de 7 e 9 anos, ela era uma das mais sorridentes do público. “Não sabia que palhaços também faziam encenações bem no Centro. Pra mim, isso era sempre em teatros, em locais fechados”, conta ela, que só foi embora após a peça encerrar. Entre uma brincadeira ali e outra acolá, quem passava pela Praça poderia até não entender do que se tratava, e quando percebia, já estava invadindo o espaço dos dois palhaços, em plena mágica de engolir uma espada. Ninguém ligou para tamanha falta de atenção, afinal o espaço ganhou outra utilidade: palco “Pra nós, que gostamos de atuar, é gratificante esse convívio na rua, com quem vai passando, com quem fica assistindo”, diz Nunes. Com pouco mais de 40 minutos, Zoinho e Montanha conseguiram reunir

um bom número de comportados espectadores. Nada de gente cochichando, ou atrapalhando com o celular tocando. Após o fim da peça, duas meninas quiseram um foto com os dois palhaços como recordação. “Olha ali o Patati e o Patata, filho”, disse um pai que levava o filho de 3 anos aos palhaços. Porém, Zoinho e Montanha não lembram muito a dupla televisiva. “Nosso figurino é simples, não abusa de muitas cores que é pra atrair crianças e adultos também. Só lembramos o Patati e Patata no nariz vermelho”, brinca Janio. Segundo Paulo Macedo, que interpreta o palhaço Montanha, o teatro de rua permite encontrar novos públicos e atingir pessoas que não destinam um tempo para ir assistir uma peça de teatro. “Na rua, às vezes, tu vai pegar um público que nem conhece o teatro”, explica. A peça acabou sendo a única apresentação do final de semana. Estavam previstas outras duas encenações no Parque dos Macaquinhos, que não ocorreram em razão da chuva. Sorte dos que não fugiram com o circo e ficaram para assistir ao espetáculo. 8.fev.2012

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TOP5

Marchinhas de Carnaval Por mais que se orgulhe da origem na Itália, Caxias do Sul é filha da pátria Brasil. Como boa cidade brasileira, celebrará o carnaval – que já não tem mais o glamour dos clubes – na rua. Além dos desfiles dos grupos de acesso e principal nesta sexta (8) e sábado (9), os foliões se encontrarão na para seguir o trio elétrico. O Bloco da Velha é no domingo (10), com concentração a partir das 13:30 na esquina da 18 do Forte com a Marquês do Herval. O trompetista e produtor musical Beto Scopel (Projeto Comma e Orquestra de Sopros) também está na banda de 12 músicos que vai animar o bloco e seleciona 5 marchinhas clássicas de carnaval.

Cabeleira do Zezé Maomé, transviado ou bossa nova. Deixa o Zezé na dele, nada de cortar o cabelo. Afinal, são mais de 40 anos de sucesso animando bailes com sua cabeleira. Mulata Bossa Nova “Essas são as mais conhecidas”, diz Beto Scopel sobre suas eleitas. Tanto que a número dois do ranking é do mesmo autor de Cabeleira do Zezé: João Roberto Kelly. Mamãe eu quero Quando os foliões do Bloco da Velha estiverem achando que a festa vai acabar, eis que o clássico das marchinhas vai agitar o set list (veja em www.ocaxiense. com.br a lista de músicas que serão tocadas).

Acervo pessoal/O Caxiense

Uma guia da natureza interior

O turista que passar pelo distrito de Criúva será muito bem orientado pela caxiense Guadalupe Traslatti Pante, de 29 anos. Desde a adolescência, Guadalupe trabalha como orientadora de visitantes que procuram aventura no distrito caxiense, conhecido pelas trilhas ecológicas, rapel e cachoeirismo. “Recebemos nas últimas férias visitantes de São Paulo e Rio de Janeiro e

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Sassaricando “Quem não tem seu sassarico, sassarica mesmo só, porque sem sassaricar, essa vida é um nó”, diz a letra. Mas o que é exatamente um sassarico? Palpites? Panela de Pressão Apenas sinta a malícia e esqueça que a canção foi gravada por Rodolfo e ET (aqueles do SBT, quem nunca): “comprei uma panela de pressão, só pra ver se eu cozinho mais depressa, sou solteiro, não tenho compromisso, se eu lavo, se eu cozinho, ninguém tem nada com isso”.

normalmente eles visitam sempre Gramado e Canela. Quando conhecem Criúva, se encantam por ser um lugar com natureza e onde se pode colocar o pé no mato”, destaca Guadalupe. Formada em Turismo, Guadalupe teve que estudar em Caxias, por não possuir uma escola de Ensino Médio na localidade. Na faculdade, se dividia entre as disciplinas oferecidas em Caxias, Bento Gonçalves e Canela, e passava os finais de semana com a família em Criúva. “Gosto muito de viver aqui, de ter toda essa natureza junto comigo”, diz. Os pais de Guadalupe – Átila Pante e Cláudia Traslatti – iniciaram o trabalho fundando a Criúva Operadora, que busca valorizar a cultura e as paisagens do local, auxiliando os visitantes nos passeios. Antes de entrar na faculdade, aos 17 anos, Guadalupe tornou-se sócia dos pais e criou a Casa Verde, que organiza as trilhas, cavalgadas e caminhadas pelo local. Segundo ela, os caxienses são os principais visitantes do local. “A grande Caxias é o nosso principal público”, disse, referindo-se aos caxienses que moram no perímetro urbano. Além da aventura e do contato com a natureza, Guadalupe destaca a culinária do local, outro ponto que atrai visitantes. “Somos simples, e a sempre temos algo para oferecer. Quem visita, com certeza vai provar um verdadeiro feijão tropeiro”, conta.


Skoobers reunidos para falar de suas preferências literárias Daniela Bittencourt/O Caxiense

Estante cheia de amigos por Daniela Bittencourt Todos falavam ao mesmo tempo, interrompendo frases alheias. Além da conversa das 8 pessoas em volta de duas mesas redondas no café de um shopping, se cada diálogo dos personagens dos livros empilhados pudese ser escutado, seria difícil separar a ficção dos argumentos, indicações de obras, debate sobre gêneros e expectativas sobre lançamentos literários. Na tarde de sábado (2), todos se entendiam bem. Todos já eram amigos no Skoob (books, livros em inglês, ao contrário), rede social para aficionados por livros. “Somos como mães. Se as mães se reúnem, só falam de filhos. Leitor é assim, quando se encontra só consegue falar de livro”, definiu a assistente comercial Elisandra Eccher de Andrade, de 25 anos. Aquele era o primeiro encontro de 2013 do grupo que se batizou de Skoobers Caxias do Sul. “Eu estava procurando uma estante virtual de livros, onde pudesse cadastrar aqueles que já tinha lido e que ainda iria ler. Foi assim que encontrei o Skoob”, lembra Elisandra, que possui um blog de resenhas literárias desde 2008. Em www.skoob.com. br, o usuário cria um perfil e pode adicionar, em sua estante, os títulos lidos, o que pretende ler futuramente, aqueles que possui e as leituras que abandonou, além de poder avaliar cada obra e publicar resenhas, entre outras ferramentas. Também pode adicionar outros usuários como amigos e criar grupos, como fez a jornalista Janine Stecanella, fundadora

do grupo voltado para os membros de Caxias do Sul, em 2010. Os primeiros encontros foram agendados por lá, até a crianção do grupo no Facebook, que acabou se tornando um canal mais eficaz de comunicação. Hoje, o grupo Caxias do Sul é composto por 68 leitores no Skoob e 46 no Facebook e as reuniões ocorrem a cada dois meses. Com a naturalidade de quem domina o assunto, o grupo conciliava na mesma conversa Jane Austen, J.R.R. Tolkien, Paula Pimenta, E. L. James, Nicholas Sparks e dezenas de nomes de escritores populares. Alguns eram aspirantes a escritores (tarefa bem mais difícil que a leitura) e outros críticos literários. O encanto do grupo, segundo a desenvolvedora de sistemas que ambiciona a carreira de escritora, Raquel Machado, de 27 anos, é justamente este. Ela chegou acompanhada do namorado, Marcelo Brinker, de 30 anos, metalúrgico e “crítico do que a Raquel escreve”, conforme brincou. “No grupo, a gente consegue trocar opiniões, autores, livros. É incrível. As brincadeiras também são uma maneira de gerar conhecimento”, argumentou, apontando as duas caixas de madeira em cima da mesa. Cada uma continha uma etiqueta em cima, onde se lia Retro 2012 e Adivinhações. Passadas de mão em mão, as caixas guardavam charadas ou perguntas, uma forma de conduzir a conversa no encontro descontraído. Como se precisasse. Com mais de um ano de reuniões, o grupo já demonstrava intimidade. Mesmo o recém-chegado advogado Alexandro Cardoso, de 32 anos, que participava do

evento pela segunda vez, já estava totalmente integrado ao grupo. Escritor frustrado, como se definiu, ele mal escondeu o orgulho ao levantar um exemplar de capa dura e mais de 900 páginas do livro Os pilares da Terra. “É o que eu eu estou lendo, além de A Hospedeira”, explicou, citando o novo livro da escritora Stephenie Meyer (da Saga Crepúsculo), que tinha discussão programada para aquele encontro. Além de compartilhar a paixão pela literatura, os skoobers caxienses criaram um vínculo de amizade, conta Elisandra, que começou sua trajetória de mais de 200 livros lidos com Pétalas ao Vento, um livro velho de folhas rasgadas que era da sua mãe. “A gente convive fora daqui. Em 2011, pagamos uma van e fomos até a Feira do Livro de Porto Alegre. Participamos de eventos fora sempre que podemos”, lembra. Para o escritor e desenhista Fabian Balbinot, de 40 anos, o grupo também é um incentivo. Com seu primeiro livro lançado em 2010 e um conto recentemente publicado em uma antologia, ele conta que o apoio dos colegas de leitura foi fundamental. “Eu não sei como teria sido o lançamento do meu livro sem isso. Acho que teria vendido menos livros, seria menos conhecido”, especula, lembrando, além da divulgação no Skoob, das críticas de Raquel e Elisandra em seus blogs. Raquel, que também escreve críticas literárias, contos e trabalha no seu primeiro livro, acredita que esta união é fundamental para que o grupo siga adiante. Como leitores ou como escritores. 8.fev.2012

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CAM

A Faculdade da Serra Gaúcha (FSG) abre até 22 de fevereiro as inscrições para a especialização em Microbiologia Clínica. As aulas devem iniciar no dia 25 de fevereiro, sempre nas sextas-feiras, das 18:30 às 22:30, e aos sábados, das 8:00 às 12:00, e das 13:30 às 17:30. Sob coordenação da Dra. Patricia Kelly Wilmsen Dalla Santa Spada, o curso abordará temas como a Biossegurança, Biologia Celular e Molecular, além da Parasitologia,

Virologia, entre outros. Além deste, a FSG também está com inscrições abertas para o curso de especialização em Arteterapia. O curso abordará Fundamentos e História da Arteterapia, Sensibilidade e Percepção, Arteterapia no Contexto Educacional e na Educação Inclusiva, entre outros. As aulas ocorrerão nas sextas-feiras, das 18:30 às 22:30, e aos sábados, das 8:00 às 13:00, com previsão de início das aulas no dia 15 de abril. Marco Zeminhani, Divulgação/O Caxiense

PUS

A ciência das células e a terapia da arte

Tecnologia de casa nova Desde a última segunda (4), a Faculdade de Tecnologia da Serra Gaúcha (FTSG) está de casa nova. Além de salas de aula e laboratórios, a nova sede – localizada na rua Os 18 do Forte, no bairro São Pelegri-

no – conta também com Biblioteca, Secretaria Acadêmica, ateliês e salas de desenho. O prédio é adequado para portadores de necessidades especiais. Em 2013, a FTSG passa a oferecer 8 cursos de graduação.

Aulas de engenharia pela internet

A Ftec lança a pós-graduação online em Engenharia de Petróleo e Gás pela Ftec Politécnica Virtual. O corpo docente é formado por professores do Instituto Militar de Engenharia (IME) e profissionais da Petrobras.

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+ MBA

Faculdade da Serra Gaúcha

Gestão Estratégica de Pessoas, Competências e Coaching. Inscrições até 22 de fevereiro. Início em 25 de fevereiro. Controladoria, Finanças e Auditoria. Inscrições até 8 de março. Início em 13 de março. Gestão da Inovação nas Empresas (com Ênfase em Fomento e Processo de Inovação). Inscrições até 11 de março. Início em 15 de março. Gestão Empresarial. Inscrições até 4 de março. Início em 22 de março. Executivo Internacional. Inscrições até 15 de março (processo seletivo) Gestão da Qualidade, Competitividade e Certificações. Inscrições até 30 de março. Início em 3 de abril. Controladoria, Finanças e Auditoria. Inscrições até 8 de março. Início em 13 de março.

+ Mestrado profissional

Faculdade da Serra Gaúcha

Administração. Inscrições até 15 de março (processo seletivo)

+ VESTIBULAR

Anglo-Americano/IDEAU

Vestibular agendado. Provas em 15 e 22 de fevereiro, sempre às 19:00. As matrículas iniciam toda segunda-feira posterior à realização da prova. R$ 30.

Faculdade América Latina

Prova em 20 de fevereiro, às 19:00. Inscrições até 19 de fevereiro. Sete opções de cursos. R$ 25. WWW.UCS.BR. 3218-2800 | WWW.FSG.BR. 2101-6000 | W W W. A M E R I C A L AT I N A . EDU.BR. 3022-8600 | WWW. EUSOUMAISANGLO.COM. BR. 3536-4404 | WWW.FTEC. EDU.BR. 0800-6060-606 |


Logo e slogan redes sociais. Foi bombardeado nos mais de 40 comentários na página de O CAXIENSE no Facebook:

“O logo, com todo o respeito, é varzeano. Ele mostra uma visão limitada e obsoleta da cidade.” Tiago Cecconello Sebben “Ele tem símbolos demais e acaba comunicando um ideário da década de 80. Em 2013, continuamos falando a linguagem da fé, trabalho, da uva e da imigração italiana.” O novo logo da prefeitura de CaKarine Endres xias do Sul (acima) foi apresentado

Claudio Ribeiro, Divulgação/O Caxiense

sem alarde – discretamente, passou a “Entre logo e slogan, não conseacompanhar os e-mails da assessoria gui decidir o pior.” de imprensa –, mas causou barulho. Ana Rosa Vieira Ainda mais porque não é só um logo. É também um slogan: “Caxias do Sul, “Só tô achando que não precisa da Fé e do Trabalho”. de todo esse barraco por causa de Feito internamente, pelo departamento de marketing da prefeitura, o um logo.” Ícaro de Campos trabalho despertou reações fortes nas

Do céu ao inferno

A caxiense Lupatech S.A. voltou a ser destaque no noticiário nacional. Mas esta não é uma boa notícia. Depois de lembrar que a companhia (hoje controlada por BNDES e Petros) chegou a valer R$ 3 bilhões na Bovespa 5 anos atrás, o site da revista Exame informa a dramática situação atual: a empresa não registra lucro desde setembro de 2010, viu sua dívida aumentar em 40% e “o dinheiro para pagar fornecedores e funcionários está acabando”. Vale, agora, R$ 300 milhões. Conforme a Exame, os controladores buscam R$ 800 milhões com investidores para tentar salvar a empresa até março.

O problema da “Fé” Até mesmo o vereador Rafael Bueno, cujo partido, o PCdoB, integra a base do governo Alceu, protestou contra o logo. “O Estado é laico”, lembrou Bueno.

49,3% dos leitores consideram Péssimo o novo logo da prefeitura em enquete aberta no Facebook de O CAXIENSE. Ótimo vem em segundo, com 33,3%. Depois, Ruim, 9%; Bom e Regular, com 4,1% cada. (De 144 votos contabilizados até a manhã da última quinta-feira).

Liderança na Câmara O governo já tem líder na Câmara de Vereadores. É Gustavo Toigo (à esquerda), anunciado no início da semana pelo prefeito Alceu Barbosa Velho. Vereador reeleito, Toigo contribuiu com a pacificação interna do PDT, que viabilizou a conquista da prefeitura. E deve presidir o Legislativo ou em 2014, ou em 2016.

De volta à infância

Já que os clubes desistiram, o shopping assume a missão. O Estação San Pelegrino está resgatando o Carnaval Infantil, com direito a guloseimas e confetes, sábado (9) e domingo (10), das 15:00 às 18:00. A festa, no terraço do shopping, é para crianças de 2 a 12 anos, com ingresso a R$ 10. Pais e responsáveis não pagam para curtir a nostalgia com os pequenos.

Estacionamento de folga

Com comércio parcialmente fechado e cidade esvaziada, o estacionamento pago nas ruas centrais também vai tirar (ou dar) uma folga. Mas só na terçafeira (12) e na manhã da Quarta-feira de Cinzas. 8.fev.2012

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Fotos: Paulo Pasa/O Caxiense

ELES ELAS E CASAIS “Eles me usam muito mais do que eu uso eles”

por Marcelo Aramis 12


César broxou na sua primeira vez. Não sabia como fazer. Entre abraços e beijos afoitos demais para um estreante, tentava viajar mentalmente às noites de prazer que teve. As lembranças de garotas quentes, que lhe fariam alcançar o clímax se ele estivesse sozinho com suas memórias, mal conseguiam manter uma irrelevante ereção. Não era só o nervosismo dos inexperientes que expunha César ao ridículo. Ele bem que se esforçou para vencer a tensão e garantir o prazer alheio, mais importante do que o seu. Só que quando abria os olhos, as mulheres sensuais desapareciam e o que ele via era de desconcentrar qualquer um: dois homens a quem ele devia a melhor performance na cama, por sua própria escolha. “Não foi legal. Para ser sincero, passou longe de ser satisfatório. E ele reclamou. Reclamou mas pagou. Foi gentil”, conta César, de 23 anos, sobre o seu único prazer na sua primeira noite de sexo ruim, a primeira com homens, a primeira por dinheiro. Longe de ser a última. O outro homem da história é também garoto de programa e acompanhou César na sua estreia. Dividiu um cliente com o colega da faculdade de Medicina e novo colega de profissão – o homem pagou dobrado, mesmo não tendo recebido o serviço completo – e apresentou a César um jeito rápido de pagar as contas em situações de emergência. “Um dia eu estava conversando com os colegas e disse que estava precisando de dinheiro. Um deles me chamou e me contou o que fazia. Achou que eu tinha perfil”, conta César. O colega disse que atenderia um cliente em outra cidade e que ele poderia aproveitar a ocasião para experimentar. “Eu não gostei, mas levar menos de uma hora para pagar algumas coisas me estimulou a fazer de novo.” Os R$ 150 que ganhou no primeiro encontro foram raridade. Garotos de programa só ganham mais do que isso quando atendem em outras cidades. Dependendo da distância, o valor do programa mais o lucro sobre o deslocamento pode chegar a R$ 500. Quando recebe um chamado, César geralmente explica que só atende na casa dos clientes e em hotéis e motéis, descreve o seu corpo

(“moreno claro, sarado, olhos verdes”) e seu comportamento (“ativo, discreto”), dá detalhes sobre o anúncio – quantifica o termo “dotado” – e, com a mira no seu primeiro faturamento, negocia o preço, porque também há pechincha nesse ramo. “Tento sempre os R$ 150. Mas não pagam. Pagam R$ 70, R$ 80”, explica o jovem de pouco tino para os negócios. César, que também faz bico de garçom, tem dificuldade para encontrar emprego. E os horários da faculdade impossibilitam qualquer vaga com carteira assinada. Há pouco mais de dois meses como garoto de programa, ele fez cerca de 20 atendimentos: pela média, deve ter ganho R$ 1.600. É pouco para um jovem estudante que mora longe da família, paga aluguel, viaja para congressos, compra livros. Mas ele diz ser o suficiente para livrá-lo dos apertos financeiros. “Vem a fatura do cartão e eu não tenho dinheiro. Faço dois ou 3 programas e pago a prestação.” As faturas mostram basicamente gastos com alimentação e educação. “Adoraria comprar roupas, mas só tenho dinheiro para comprar livros”, diz César, que tem o estudo, e não a balada, como hobby. César nasceu e passou a infância no Espírito Santo. Veio para Caxias há 4 anos porque conseguiu uma bolsa de estudos para cursar Medicina. Quando visita a família, uma vez por ano, conta apenas que sobrevive com muito esforço. Suas aflições da profissão, divide com os poucos colegas da faculdade que são seus amigos. Ele diz que sofre preconceito, mas não pelo trabalho que faz nas horas vagas, porque isso os colegas não sabem. “Eles vão de carro para a faculdade, viajam para fora do país, vestem roupas de grife e são caxienses. Eu sou

diferente deles”, diz o jovem. Menos mal que há solidariedade entre os migrantes. “Quem vem de fora se ajuda muito. Dizem que Caxias tem um povo fechado. Não me chamam para tomar cerveja, ir à casa deles no fim de semana, jantar com a família. Mas eu sei que essas coisas acontecem, eu é que não sou convidado.” Superar o preconceito é tarefa fácil se comparada à atuação na cama.“Beijar e abraçar é o pior. Eu tenho tanto nojo que nem penso no que estou fazendo”, conta o rapaz. A maioria de seus clientes é de homens, acima dos 30 anos, casados, com filhos. Uma pequena parcela é de jovens por volta dos 20 anos, “aqueles bem afeminados”, que querem “um homem mais másculo” e a experiência de fazer sexo com um heterossexual. A partir do segundo programa, César passou a tomar Viagra e dedicar-se à atuação. “Eu assisto filmes pornô, vejo como os caras fazem. O que faço nos programas é performance.” Há quem goste a ponto de se apaixonar. César detecta os possíveis envolvidos afetivamente pela necessidade que eles têm de conversar, falar sobre a vida, a família – nada que descarte o sexo – e aproveita a oportunidade. “É raro. Só uns dois se envolveram. E eu usei isso para ter mais encontros, ganhar mais dinheiro”, confessa, sem remorso. “Não estou fazendo mal para ninguém, pelo contrário, estou fazendo alguém feliz. Estou dando prazer. Eles me usam mais do que eu uso eles”, diz César, que, se aplicasse a sinceridade da entrevista ao trabalho, sempre responderia “não” ao “foi bom para você?”. Novo no mercado, ele é um produto disputado justamente pela falta de experiência. “Quem faz isso há muito tempo tem uma série de restrições”, explica. 8.fev.2012

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Enquanto isso, ele, como novato, ainda está elaborando suas exigências, conforme as situações o obrigam. Além de ser somente ativo, ele não faz nada sem camisinha, impõe limites para o sexo oral e recorre aos estudos médicos para recusar bizarrices bem comuns da profissão. “Alguém que goste que urinem ou evacuem no seu corpo não pode ser normal. Isso não é fetiche, é patologia psiquiátrica. Que procure um médico e não um garoto de programa.” Por enquanto, César não pode ajudar e ganhar dinheiro com aquilo que aprende nos livros, mas conta os dias para fazê-lo. “Mais 3 anos e deixo disso. Me formo, vou para São Paulo tentar uma residência. Quero trabalhar no centro do país.” Se César não aceita atender vítimas de patologias psiquiátricas, há quem o faça. Murilo só não aceita transar sem camisinha – o que, segundo ele, a maioria dos seus colegas topa –, mas faz todo o resto que se possa imaginar. Quem compra o encontro com Murilo no apartamento privê que ele divide com uma amiga, também garota de programa, paga R$ 70 por meia hora e R$ 100 por uma hora de sexo básico: toques preliminares e penetração, ativa ou passiva. Qualquer extravagância tem taxa extra. E Murilo garante que quase ninguém economiza. Uso de vibrador, por exemplo, é muito pedido, mas nada tem tanta saída quanto o trivial beijo na boca, que custa R$ 50. É a experiência que faz com que Murilo cobre a mais o que César inclui no básico. Há 7 meses, a convite de uma agência de acompanhantes de Caxias, ele deixou a família em Santa Catarina e veio trabalhar aqui. Logo alugou seu privê, um diferencial da profissão, e deixou de pagar à agência os R$ 20 por cliente atendido. Diz que ganha de R$ 8 mil a R$ 9 mil por mês. Murilo é bissexual – “a cada 10 homens, vem uma mulher” –, o que não garante prazer na maioria dos programas, embora ele afirme não usar nenhum estimulante para manter a ereção. A ejaculação é poupada, porque custa caro. Quem a exige paga R$ 200 a mais. “Tem que fingir”, explica o experiente Murilo, que já ultrapassou os mil programas e garante que fingir orgasmo não é talento exclusivo das mulheres. Tu finge ou se poupa, senão tu não aguenta”, ensina. Com 8 a 9 encontros sexuais por dia, seu expediente costuma ir das 9:00 às 21:00, embora anúncio no jornal prometa atendimento 24 horas.

Ele mesmo diz que não se pode confiar na propaganda. “Nada do que está no site é verdade.” Murilo aproveita a aparência para vender seu peixe como um jovem de 18 anos, mesmo tendo 23. E as fotos passam pelo Photoshop – “nas minhas tem bem pouco”, assegura – antes de entrar no site onde ele é o único a mostrar o rosto. “Está na internet, todo mundo pode ver”, diz o garoto de programa, cogitando que a família já saiba da sua profissão. Nunca tomou a iniciativa de contar, embora fale com os pais semanalmente, por telefone, mesmo não tendo uma relação “muito afetiva”. “Eles devem saber, mas nunca tocaram no assunto. Porque não querem”, supõe. Antes de se prostituir, Murilo já trabalhou com carteira assinada em uma confecção. “Ganhava em um mês o que hoje ganho em 4 dias”, lembra. Agora quer juntar dinheiro para “trabalhar em algo normal”, mas não tem prazo nem muita convicção para mudar de vida. “Às vezes dá vontade de parar, mas o dinheiro fala mais alto.” Ele gasta pouco consigo mesmo e atribui o consumismo a necessidades da profissão. “Tenho que estar sempre bem perfumado, de roupa nova, cueca nova... Não posso repetir a roupa”, enumera. Muitos clientes de Murilo viraram amigos e um deles namorado. “Alguns querem ter envolvimento para não ter que pagar”, explica o garoto, que parou de cobrar pelo sexo com o clientenamorado e, em um mês, viu o relacionamento fracassar: perdeu o cliente e o namorado. Agora está disponível para carinho, conversa e desabafo, mas para quem paga. “Sempre deixo claro que não é porque é meu amigo que não vai ter que pagar”, diz o negociador. Só tem um motivo para Murilo não fechar negócio: mau cheiro. “Eu invento uma desculpa, não atendo.”

“Ganhava em um mês o que hoje ganho em 4 dias. Tenho que estar sempre bem perfumado, de roupa nova, cueca nova... Não posso repetir a roupa”, conta Murilo

“Com jeito, eu peço para o cara tomar um banho, digo que é para relaxar, já entrego a toalha”, conta Ryan, “alto nível, educado”, sobre a técnica que aplica aos malcheirosos, suados da academia, do futebol ou por nervosismo mesmo. Eles tomam banho e logo voltam a suar. O garoto de programa de 20 anos leva a experiência da luta que pratica, MMA, para a cama. Anuncia “um vigor físico que irá te enlouquecer”, “Venha ser finalizado por mim”, “especialista em dominação e spanking”. Cobra os R$ 80 por hora, que parece preço tabelado desse mercado (R$ 120 em motéis e R$ 150 para casais). “Dominação é a pega 8.fev.2012

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da mais forte, o chicote, uns tapas de leve, os xingamentos (vadia, cachorra, etc... adjetivos válidos para eles e elas). Spanking é mais forte, é humilhação mesmo. Tu cospe, xinga, bate”, explica O Lutador. Mas Ryan diz que só leva marcas para casa quem pede. Lembra de um cliente que pediu para apanhar de cinto de couro. “Eu disse que só tinha cinto de pano, que são os que eu uso. Daí peguei o chinelo e dei umas chineladas.” O cara gostou tanto que voltou. Trouxe um cinto de couro que, conforme Ryan tenta medir com a mão, teria a largura de um cinturão de gaúcho. “Eu comecei batendo na bunda, mas ele pedia nas costas. Eu via as marcas levantarem na pele, os riscos de sangue. E o cara estava curtindo. É muito louco isso”, lembra, rindo. Ao contrário de Murilo, que teve agenda lotada nas últimas semanas, Ryan reclama da demanda do final de janeiro. “Tá todo mundo de férias, fora da cidade ou em casa. Dezembro foi melhor. As esposas foram viajar, fazer compras, e os maridos aproveitaram a oportunidade. E também agora é fim de mês. Melhora em época de pagamento de salário e aposentadoria”, conta. Os aposentados compõem boa parcela de sua clientela, na qual o mais velho tem 70 anos. “É um dos melhores. Vem aqui, faz, paga, vai embora. Não reclama de nada, espera se for preciso.” Ryan é heterossexual e só faz sexo ativo. Se o cliente pergunta, ele diz que é bissexual, para evitar constrangimento. Gosta do homem de 70 anos que chama de “senhorzinho” porque ele é desses que “chega e diz ‘faça o que tu quiser’”. O dominador se irrita um pouco com quem quer comandar tudo. “O cara que quer ficar beijando por muito tempo; o que demora para gozar; que quer ultrapassar o horário (eu controlo e sei, o cara fica achando que ainda não deu uma hora); o que fica dizendo ‘tá muito rápido, faz assim, faz assado’... Isso me enoja.” Do sexo com homens, em si, ele não tem nojo nenhum. “O cara te liga e tu vai te preparando, tua cabeça vai trabalhando. No começo é complicado, mas depois fica automático.” Antes das preliminares, o garoto de programa põe um DVD “de mulheres” para ter mais companhia durante o sexo. “Ouvir uns gemidos ajuda”, justifica. Mas nada ajuda mais do que as pílulas azuis que ele toma assim que o cliente chega: Pramil, uma versão mais barata do Viagra. “Pago 50 pila pela cartela com 20 comprimidos, um gasto que se dilui”, explica. Ryan põe um compri-

mido debaixo da língua para fazer efeito mais rápido. Em 10 minutos está pronto e o efeito dura o dia inteiro. “Não, eu não fico excitado o dia todo. O remédio só causa esse efeito quando tu se estimula. Se não estimular, não acontece nada. Só se tomar café, daí o coração dá uma disparada violenta”, explica. Ele sabe das contraindicações, mas, como não tem problemas cardíacos, acha que “não dá nada”. Pramil é vendido somente com receita médica, mas a oferta sem receita é grande. Mesmo que não fosse, ele não teria problemas. Seus clientes médicos receitam inclusive os anabolizantes que ele usa para potencializar seus exercícios na academia. E os medicamentos que comprovam os braços fortes que ele anuncia e mostra na sua página na internet ameaçam a utilidade dos 20 centímetros do seu instrumento de trabalho – “isso não dá para aumentar. Se desse, todo mundo aumentaria” –, o músculo que mais interessa aos clientes. Mas ele descarta a possibilidade da impotência. “É só fazer o tratamento certo, fazer o pós-ciclo para controlar os hormônios”, garante. Homens casados são a maioria dos clientes de Ryan. As mulheres, quando aparecem, geralmente vêm acompanhadas pelos parceiros que querem vê-las fazendo sexo com outro homem. “Eles ficam assistindo ou participam, mas quase nunca tocam em mim”, conta Ryan, que desmente a aparente heterossexualidade desses clientes. “Muitos vêm sozinhos depois. Para mim, homem que tem tesão em ver a mulher com outro cara é porque sente atração por homens.” Ele mesmo, porém, já viu essa tese ser desmentida por um de seus clientes da modalidade casal. O homem mentia para a mulher dizendo que o garoto de programa era um amigo, e simulava o acaso dos encontros eróticos. Para manter a surpresa, preferia pagar antes. “Um dia, resolvi testar. Ele avisou que estava vindo pagar e eu já atendi pelado. O cara nem olhou para mim, não estava nem aí. Mas foi uma exceção.” Alguns solteiros pedem que o garoto de programa arranje uma mulher para o sexo a 3. A própria namorada de Ryan, que mora com ele e trabalha como garota de programa em outro apartamento, seria uma opção. Mas Ryan não gostaria de vê-la fazendo sexo com outro. “Seria muito chato”, explica. Saber que ela trabalha com isso não tem problema nenhum – “por que teria? – nem atrapalha o sexo entre os dois. “É outra coisa, completa-

“Tá todo mundo de férias, fora da cidade ou em casa. Dezembro foi melhor. As esposas foram viajar, fazer compras, e os maridos aproveitaram a oportunidade. E também agora é fim de mês. Melhora em época de pagamento de salário e aposentadoria”, conta Ryan

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mente diferente. Trabalho é trabalho”, conta Ryan, que também cobra mais caro para ejacular, performance que atrapalha outros atendimentos e o sexo com a namorada. “Pedem pouco. Eles querem ter prazer, não importa se eu vou gozar. Quando querem (aí eu já sei onde aquilo vai parar) faço o preço para cobrir todos os outros programas que eu poderia fazer naquele dia e não terei condições.” Para atender em motéis, ele cobra mais caro, R$ 120, mas não faz questão. “O cara que vai sozinho para o motel e chama um garoto de programa quase sempre é um problema. Se a ligação vem depois das 21:00, nem atendo. É certo que o cara vai estar bêbado ou drogado, vai te encher o saco, cheirar durante o programa, demorar mais...” Ryan já foi namorado de homens também. Namoros pagos, mas não menos problemáticos do que “cada louco que aparece” na rotina normal de um garoto de programa. Eram clientes fixos, pagavam o quanto ele deveria ganhar se não oferecesse exclusividade – hoje cerca de R$ 4 mil a R$ 8 mil mensais – e bancavam outras despesas do rapaz: “Tu quer uma roupa? Eles te pagam”. Ryan ainda tinha liberdade para namorar com mulheres. “Eles te dividem com uma mulher, mas com outro homem jamais”, conta Ryan, que viu esses namoros acabarem por pressão, por ciúme e por não poder sair com os amigos “porque eles já acham que tu está com outro cara”. “Uma mulher já enche o saco bastante. Imagina ter que aguentar um cara te enchendo o saco. Não dá.” O atual namoro de Ryan com a garota de programa – esse sem pagamentos, com exclusividade e menos encheção de saco – é o que ajuda a justificar para a família dele a sua sobrevivência longe de casa. Aos 16 anos, quando morava com os pais em Porto Alegre, Ryan fez seu primeiro programa, com um homem – já tinha boa experiência com mulheres, inclusive pegou gonorreia, aos 15. Aos 18 anos, trabalhava em uma sauna gay na Capital, que rendia menos e atendia a um público diferente: “gays assumidos, que frequentam lugares gays, fazem amigos na própria sauna”. Os pais questionavam a falta do emprego formal que o garoto nunca teve, mas supunham que ele estivesse sendo sustentado pela garota de programa com quem namorava. Hoje, pensam o mesmo. “Eles me veem comprar as coisas, chegar com

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dinheiro. Mas acham que eu sou gigolô”, ameniza. Além das artes marciais, Ryan também é especialista na arte do sigilo, o que talvez proteja o segredo da sua profissão. Pelo menos, é a qualidade que mais atrai clientes ao seu privê, em um apartamento no térreo (para que o cliente não precise circular pelo prédio) de um edifício sem porteiro, porque “eles não querem ver ninguém”. Mesmo assim, precisa evacuar o prédio a cada cliente que chega ou sai. “O cara chega louco por sexo e nem presta atenção em nada. Outro dia, enquanto eu abri a porta para um sair, chegou outro e até cumprimentou na porta aquele que saía. Mas na hora de ir embora pediu para eu verificar se não tinha ninguém no corredor!? Depois que gozam, eles querem se vestir rápido e sair correndo sem serem vistos.” Ryan também não faz perguntas alheias ao serviço que presta. “Sei que são casados porque contam, porque têm aliança ou marca de aliança ou porque a mulher liga no meio do programa e eles inventam uma desculpa”, conta o jovem, que já foi atendido por muitas esposas ao retornar chamadas não atendidas. Recorre a um infalível “desculpe, foi um engano”. Trabalhando das 9:00 à meia-noite, Ryan praticamente não sai de casa, a não ser para frequentar a academia onde mora o seu verdadeiro sonho profissional. Agora que concluiu o ensino médio em um curso supletivo, quer prestar vestibular para Educação Física. “Eu aceitaria ganhar menos para fazer o que eu realmente gosto”, admite. Ryan gasta pouco – “pago as contas normais, compro preservativos e o remédio, não gasto em roupas: uma toalha na cintura é suficiente nesse trabalho” – e guarda R$ 20 de cada programa para o futuro e períodos de escassez. O rendimento com a única profissão que domina deve ajudar a pagar a faculdade, talvez montar o próprio negócio (uma academia) e fazer novos planos. “Quero ter um guri para ensinar a jogar bola”, sonha. O projeto é para um futuro distante, mas Ryan trabalha desde já para garantir o sustento e dar estrutura para que o filho não tenha as mesmas pretensões do pai quando chegar à adolescência. “Eu tinha amigos que ganhavam a vida assim. E achava que seria fácil. Não via a hora de chegar aos 18 para ser garoto de programa também.”


Paulo Pasa/O Caxiense

Velha e nova guarda do samba caxiense Das antigas serenatas aos shows em bares, o ritmo dos Seresteiros do Luar começou a se consolidar há mais de 50 anos quando jovens que serviam no Exército no Rio de Janeiro vieram a Caxias trazendo o choro e samba de raiz por Daniela Bittencourt 8.fev.2012

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Luis Carlos (Micaio) |

“Cada um de nós tem um destino. Um nasce para o futebol, o outro nasce para ser doutor. Eu nasci para a música”, refletiu Milton Pereira, 66 anos, que desde os 16 anos se dedica ao samba. Sentado em frente à casa onde morou a vida inteira, em uma viela do bairro Marechal Floriano, em Caxias do Sul, o pandeirista talvez não tivesse se dado conta, mas a frase que acabava de pronunciar definia não somente sua vocação, mas a história de todo um grupo de músicos, caxienses por nascimento ou por permanência. Naquele final de tarde, Milton vasculhava a memória em busca de datas e lembranças que ajudassem a reconstruir a trajetória de um conjunto de artistas que resistiu com o samba na cidade do rock e do blues. Uma história que começou há meio século quando o Seresteiros do Luar, grupo formado atualmente por Milton Pereira, Sérgio Juarez Maciel Rodrigues, Luiz Carlos da Silva, Cléber Medeiros e Djair Márcio Pereira, embalou Caxias com seu chorinho e samba de raiz.

que seria conhecido como Perdigão, um apelido cuja origem não recorda bem, mas pelo qual é chamado até hoje, aos 72 anos de idade. O fundador da Seresteiros do Luar – também voz e pandeiro do grupo – aprendeu o samba nas rodas compostas por jovens do Exército que chegavam do Rio de Janeiro. “Vieram cheios de samba. A gente formava um bolinho em volta deles, ficava ouvindo as rodas. E, no outro dia, a gente ia ensaiar com instrumentos improvisados”, recorda. O primeiro pandeiro de Perdigão foi feito com um arco deixado de lado por um dos milicos e um pedaço de camurça. Foi o impulso para o menino começar a sonhar ser músico. Aos 8 anos, cantou na rádio pela primeira vez. Espinita foi a canção escolhida. “Eu ouvia a música na galena, um tipo de rádio muito antigo, de um velhinho vizinho meu. Era o que sabia cantar”, conta Perdigão, que depois encontrou nos bailes oportunidades de aprimorar a vocação. “Eu ia muito dar canja nos bailes de velha guarda. Ali na Zona do Cemitério tinha um salão de baile. A gente começou Nos anos 50, no popular Burgo, o a cantar assim, pedindo canja, e depois menino Sérgio, auxiliar de pedreiro, teve começamos a fazer grupo de samba, ali o primeiro contato com a música, que no Burgo mesmo”, conta. vinha das residências vizinhas. “Naquele tempo, na minha casa não tinha rádio, a Não muito longe dali, nos arredogente era muito pobre. Mas tinha aqueles res do Cemitério Público Municipal, vizinhos que tinham mais possibilidade o pequeno Milton, hoje pandeirista do de ter um radinho, e a gente escutava. Eu Seresteiros, se encantava quando os vipegava muitas músicas de ouvido. Sem- zinhos mais velhos iam “bater serenata” pre tive aquela esperteza no ouvido de nos aniversários. Com 15 anos, ganhou ser ligado em música”, lembra o garoto um pandeiro do tio e começou a prati-

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Perdigão |

Fotos: Paulo Pasa/O Caxiense

car em casa. “Um certo dia me convidaram para tocar em um baile. Mas eu fiquei faceiro! Parecia que ia estrear em uma seleção brasileira”, conta. O encontro de Perdigão e Milton aconteceria na década de 70, no grupo de samba Verde e Amarelo. “Éramos o papel carbono dos Demônios da Garoa”, diz Perdigão. O grupo durou cerca de 20 anos, e por ele passaram nomes tradicionais da música em Caxias do Sul, como o professor Carlos Jardim, que também foi um dos fundadores do Seresteiros do Luar. Mas a carreira de Sérgio e Milton já havia começado muito antes, de forma informal. Ainda adolescentes, seguiam o mesmo caminho sem tocarem juntos. A experiência na música começou na zona, embalando a noite das prostitutas. “Foi lá que eu aprendi mais. É na zona que dá músico bom. Lá, toquei bateria com gente muito boa, acompanhando o piano, o sax”, avalia Milton. Menor de idade, ele precisava se esconder quando os policiais apareciam na boate. Aprendeu os dois instrumentos de ouvido, vendo e ouvindo os mais velhos tocarem. Foi também no meretrício que Luis Carlos, 64 anos, violinista da Seresteiros do Luar, desenhou sua história na música. Micaio, como é conhecido – apelido que ganhou em casa pelo tanto de vezes que se queixava para o pai das quedas na escola: “eu me caio, pai”, dizia –, herdou a musicalidade do pai, que lhe deu o primeiro pandeiro quando ele tinha 11 anos. Mais adiante, comprou um violão, um cavaquinho e estudou solfejo aos 14


anos, antes de montar uma banda de rock, a Filhos do Sol, que durou 3 anos. Tocou violão por 15 anos em boates de prostituição. “Quando vim para a sociedade, não foi fácil. Muitos achavam que quem toca naquele ambiente não merece respeito. Mas fui me infiltrando na sociedade, comecei a tocar em clubes. Toquei violão clássico em festas e bailes por muito tempo, e estou aí até hoje”, conta o músico que conquistou a admiração de seus companheiros pela técnica apurada. “O Micaio escuta até o barulho da grama crescendo”, define o metalúrgico Cléber Medeiros, 46 anos, cavaquinho e bandolim da Seresteiros do Luar. Foi o pai de Cléber, um sambista conhecido como Milonga, companheiro de Perdigão na Verde e Amarelo nos anos 70, quem chamou Milton para tocar no grupo precursor do Seresteiros do Luar. “O pessoal do samba todo se conhece, muitos cresceram juntos, tocaram juntos. O meu pai e meu tio tocaram com o Micaio em cabaré”, lembra o motorista Djair Márcio Pereira, 39 anos, na tentativa de explicar a teia de contatos que deu origem ao Seresteiros. Ele toca surdo no grupo há 2 anos, quando assistiu uma apresentação do Seresteiros e foi chamado por Micaio para dar uma canja com o pandeiro. Foi ficando, ficando e hoje é parte da formação. Depois de mais de 20 anos de Verde e Amarelo, com shows em clubes de Caxias e apresentações na televisão, o conjunto se desfez. O Seresteiros do Luar

Milton Pereira |

nasceria pelo ano de 2002, uma data que ninguém no grupo sabe precisar. Perdigão, o fundador, havia se aposentado e decidiu dedicar todo o tempo livre para a música. Apesar dos anos vividos pelo Verde e Amarelo, o grupo, que interpretava clássicos do samba, nunca foi fonte de renda para ele. “Nossa música não tinha sucesso, não dava nem pra dizer ‘sou cantor’. Nós tínhamos que trabalhar e cuidar das nossas vidas, família, filhos. Naquela época, músico era marginal. Hoje mudou muito, essa gurizada tem chance. Já nascem tocando, se apresentando”, explica o ex-lavador de carros, que casou com 17 anos, ajudou a criar 7 filhos, separou, casou novamente, ficou viúvo e hoje namora “um mulherão de 48 anos”. Mas se defende do estereótipo de boêmio e namorador. “Tem uns que são, mas não são todos”, confessa. Para Milton, músico não pode ter muito compromisso. Ele acabou um relacionamento recentemente porque a esposa queria ir aos bailes de domingo. Cansado dos shows nas madrugadas de sábado, ele não conseguia acompanhar. Achou melhor continuarem só amigos. “Quando era mais novo, fui casado, mas não tinha essa rotina. Não tem músico que não seja namorador, mas a gente vai pegando certa idade e vai parando. Hoje eu prefiro ficar sozinho”, avalia o pai de uma filha de 23 anos fora do casamento. Da bebida, garante que mantém distância há 16 anos, assim como Perdigão. “Os outros tomam a sua cervejinha”, revela.

Os primeiros shows do grupo aconteceram no antigo bar Galleria. Logo depois, foram recebidos pelo Zarabatana, onde consolidaram o início da carreira, tocando no projeto Gafieira Zarabatana. De lá para cá, o grupo passou por algumas formações até chegar a atual que, garantem, tem um ótimo relacionamento. “A gente se cobra, mas sempre com respeito. Os mais velhos ensinam, dão uns toques. E o grupo já tem credibilidade, já conquistou seu público”, confirma Djair, o mais novo da banda. Reconhecido pelo público do samba em Caxias e com apresentações também em bares da região, o Seresteiros do Luar hoje é o emprego dos aposentados Perdigão e Milton – o grupo tem shows agendados até dezembro de 2013. Micaio, que pretende se aposentar logo, também dividiu a vocação de músico com outros ofícios que garantiriam o sustento: foi encanador e pedreiro. Os mais novos do grupo, Cléber e Djair, ainda mantêm seus empregos formais. “A música é uma carreira muito insegura. Posso ter um projeto, um sonho, mas nem sempre dá certo”, pondera Cléber. Djair, que ficou 15 anos sem tocar antes de entrar para o Seresteiros, não conseguiu resistir ao ritmo, mas sabe das limitações financeiras impostas pela arte. “A gente toca porque gosta. Tem remuneração, mas são necessárias outras profissões”, defende. Com dinheiro ou sem dinheiro, o que vale é manter a paixão. E isso eles têm de sobra.

Djair Pereira |

Cléber Medeiros |

Fotos: Paulo Pasa/O Caxiense

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PLATEIA Arrivederci, Django folia carnavalesca nas praias

| feriadão no teatro |Bloco da Velha e Mardi Gras | Sinimbu vira Sapucaí

por Carol De Barba Em Django Livre (Django Unchained, 2013), Quentin Tarantino pode ter seguido à risca a receita que pretendia homenagear (o Western Spaghetti), cortado a veia trash, deixado um pouco de lado seus banhos de sangue e exageros estéticos por vezes caricatos, mas não se engane: a ironia, os diálogos memoráveis e o caos de referências está todo ali, naquelas proporções fascinantes que só ele sabe dar. O Faroeste à Italiana, que nas mãos de Sergio Leone chegou ao esplendor, tinha mocinhos e vilões grandiosos, um humor inteligente, sarcástico, ácido e perspicaz, com trilhas sonoras inconfundíveis de Enio Morricone, parece feito sob-medida para Tarantino exercitar seu estilo. Inspirados no Dr. King Schultz (interpretado por Christoph Waltz, que patrolou a interpretação de Jamie Foxx), caçamos algumas dessas curiosidades. A recompensa? Tornar sua experiência vendo o filme muito mais interessante.

Trilha sonora Tem de Ennio Morricone a mash-up de James Brown e Tupac Shakur. Valer dar um Google.

Fazenda Carrucan Em Kill Bill Vol. 2, o personagem Esteban Vihaio está lendo um livro chamado: The Carrucan's of Kurrajon. A obra não existe, é uma piada interna com o nome de um dos membros da equipe.

Spaghetti nos

capuzes brancos Lá pelos 40 minutos de filme, Tarantino transforma um bando de fazendeiros em uma Ku Klux Klan (organização racista) improvisada. Ironia com requintes de crueldade.

Mississippi

Os enormes caracteres que atravessam a tela são uma referência a E o Vento Levou, que mostra uma visão bem diferente do período pré-Guerra Civil.

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Django + Banho de sangue Franco Nero

Homenagem ao filme Django (1966), de Sergio Corbucci, estrelado por Franco Nero. Nero faz uma participação no filme de Tarantino, como Amerigo Vessepi. Ele aparece na fazenda de Candie. E ainda tem mais aparições, até do próprio Tarantino.

Knickerbocker É isso que aparece escrito no aparato que o dentista usa para cortar a espuma da cerveja, quando ele e Django invadem um bar. Knickerbocker é um tipo de calça até o joelho, usada por George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos. Também é um bar localizado numa cidade de Nebraska chamada Lincoln, em homenagem ao presidente que liderou o Norte contra o Sul defensor da escravidão na Guerra Civil Americana. E o nome de onde surgiu a abreviação Knicks, do time de basquete de Nova York.

Apesar de muitas mortes ao longo do filme, a última cena na casa do vilão Candie é a que mais se aproxima dos banhos de sangue clássicos de Tarantino (tipo a batalha dos Crazy 88, em Kill Bill Vol. 1).

Arrivederci

A fala clássica do Tenente Aldo Raine (Brad Pitt) em Bastardos Inglórios está de volta. Desta vez, na boca de Calvin Candie (Leonardo Di Caprio).

Escravidão

Em Bastardos Inglórios, Tarantino critica o antissemitismo, muda a história a seu gosto, matando Hitler e boa parte de seus generais na explosão do cinema. Em Django, ele novamente pisa nos calos da diferença: racismo, escravidão, tortura. O negro Django Freeman (traduzindo, homem livre) provoca preconceituosos dentro e fora das telas do início ao fim.

★★★★★

CINÉPOLIS 21:30 GNC 21:30

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2:45


CINE

Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva. De Michael Haneke

Amor Dirigido por Michael Haneke (A fita branca, A professora de piano), a produção sobre o mais nobre dos sentimentos consegue ir muito além do romance ao ser visceral e inquietante. Casal de professores de música octogenários passa a conviver com os obstáculos da idade longe da filha, que vive em outro país. Tendo apenas um ao outro, eles precisam dar provas de que seu amor é maior do que tudo. Pré-estreia 14

CINÉPOLIS somente SÁB. 22:00

2:06

Os Miseráveis * Qualquer alteração nos horários e filmes em cartaz é de responsabilidade dos cinemas.

Depois da versão da Broadway, o clássico do francês Victor Hugo ganha uma festejada versão cinematográfica. Durante a Revolução Francesa do século XIX, Jean Valjean é preso por roubar um pão para alimentar a irmã mais nova. Solto tempos depois, ele tentará recomeçar sua vida e se redimir. Para quem gosta de musicais. Com Russel Crowe, Hugh Jackman, Anne Hathaway. De Tom Hooper. 2 ª semana CINÉPOLIS 12:50-16:00-21:50 GNC 16:10-21:15

★★★★★ 10

2:37

O voo Nem só de Lincoln se contrói o mito dos heróis nacionais. Denzel Washington, que interpreta Whip Whitaker, é um piloto que salva um avião comercial de uma queda iminente. Porém, uma investigação revela que ele voava sob efeito de drogas e álcool, colocando em questão seu rótulo de bom moço. Com John Goodman, Don Cheadle. De Robert Zemeckis. Estreia CINÉPOLIS 13:10-16:10-19:10-22:10 14 GNC 13:20-16:00-18:50-21:40

Emma Watson, Logan Lerman, Ezra Miller. De Stephen Chbosky

As vantagens de ser invisível Charlie é um jovem que não acredita em si mesmo, mas é visto por ser professor de literatura como um gênio. Um dia, ele passa a andar com dois jovens excêntricos e, é claro, tudo muda. ORDOVÁS. QUI . E SEX. 19:30. SÁB E DOM. 20:00

2:18

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Nicholas Hoult. De Jonathan Levine

Meu namorado é um zumbi Filme que rendeu U$ 19 milhões em bilheteria em seu fim de semana de estreia aposta em uma realação amorosa sem meiguice. O zumbi Bolt R, que não lembra de nada de sua vida pré-morte, volta a ter sentimentos bem vivos, se apaixonando pela humana Julie, que encontra em uma de suas caçadas pela cidade. Estreia. CINÉPOLIS 13:20-15:30-17:50-20:0022:20 GNC 13:25-15:40-17:50-20:00-22:10

10

1:37

Lincoln

Caça aos gângsteres

Recordista de indicações para o Oscar 2013 (12, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor), Lincoln é mostra o ícone da História dos Estados Unidos, o presidente Abraham Lincoln. São os anos mais #tensos de Lincoln na Guerra Civil, conduzindo os estados do Norte à vitória contra o Sul, contrário à abolição da escravidão, que são revelados na biografia. Como todo filme de Spielberg, é muito mais um espetáculo de imagens do que uma obra de profundidade. Com Sally Field, Daniel Day-Lewis. De Steven Spielberg. 3ª semana

Mais um drama policial tendo a máfia e suas relações criminosas nos anos 40 como pano de fundo, o que sempre resulta em muito sangue e conspirações. Mas dessa vez, a trama é respaldada por uma boa dose de realidade, pois é baseada em uma série de reportagens do jornalista Paul Lieberman. O longa seria lançado em outubro passado, mas teve a estreia adiada devido ao tiroteio ocorrido em julho, nos EUA, quando 12 pessoas foram mortas durante uma sessão de Batman. A versão original tinha uma cena de tiroteio em sala de cinema, que foi cortada. Com Sean Penn, Ryan Gosling. De Ruben Fleischer. 2ª semana

GNC 21:00

10

2:33

CINÉPOLIS 19:30 GNC 13:50

As Aventuras de Tadeo

CINÉPOLIS 3D 11:30 (SEX. SÁB. DOM)13:40-15:50-18:00 GNC 3D 15:30-17:30-19:30 1:32

João e Maria: Caçadores de bruxas A indústria resolveu que era hora de revisitar os clássicos infantis. João e Maria crescem e viram caçadores de bruxas, num típico ato de vingança. Freud explica. Com Jeremy Renner, Gemma Arterton. De Tommy Wircola. 3ª semana CINÉPOLIS 3D 15:40-20:20-22:30 | 3D 13:30-18:10 19:50-22:00 | 3D GNC 3D 17:45 1:23 De Peter Docter, Lee Unkrich e David Silverman.

Inatividade Paranormal

Monstros S.A. 3D

Comédia pastelão que satiriza Atividade Paranormal. Como não incentivamos a pirataria, melhor esperar o DVD chegar na locadora do que ir ao cinema gastar seu rico dinheirinho. 2ª semana

Doze anos após o lançamento original, um dos mais amados filmes de animação da Disney está de volta às telas em 3 dimensões para levar quem já está bem crescidinho para assitir mais uma vez.

GNC 13:30

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1:27

1:53

Na animação espanhola, um pedreiro de Chicago sonha em ser arqueólogo e aventureiro a la Indiana Jones. A oportunidade surge quando ele é convidado a substituir um amigo arqueólogo em uma missão rumo a uma cidade perdida no Peru. Lá, ele precisa enfrentar uma organização criminosa especializada em roubar tesouros. Além de divertido, traz bastante informação sobre as lendas e a cultura dos incas, bem nerd. Estreia

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GNC 13:45-15:45

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Bradley Cooper. De David O. Russell

O lado bom da vida Por conta de algumas atitudes erradas, Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper) perdeu quase tudo na vida: sua casa, o emprego e o casamento. Decidido a reconstruir sua vida, ele acaba conhecendo Tiffany (Jennifer Lawrence), uma mulher também problemática que poderá provocar mudanças significativas em seus planos. Poderia ser só uma comédia romântica, mas é mais do que rostinhos bonitos na tela. Concorre a 8 estatuetas do Oscar. 2ª semana GNC 16:10-18:30 CINÉPOLIS 14:00-16:40-19:2012 22:00 (EXCETO SÁB)

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De pernas pro ar 2 É a 7ª semana de exibição. Você ainda não viu? Cuidado, vai que talvez um dia ele saia de cartaz... Com Ingrid Guimarães e Maria Paula. De Roberto Santucci. GNC 14:10-19:15

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Fotos: Divulgação/O Caxiense

litoral + eventos Sunset Of Summer – DJ Felippe Frontier + DJ Giovane Webster e DJ do Santos SEX. (8). A partir das 19:00. Gratuito. Largo do antigo Baronda. Capão da Canoa

Denver Reginato

SEX. (8). 19:00. Gratuito. Casa de Verão Band. Torres

Elys Cardoso

SÁB. (9). 17:00. Gratuito. Praça Pinheiro Machado. Torres

Arte Sutil + Novo Esquema SÁB. (9). 22:00. Gratuito. Praia Paraízo. Torres

Eclipse Fatal

SÁB. (9), DOM. (10) e SEG. (11). 22:00. Gratuito. Arroio Teixeira

Ginga Show

SÁB. (9). 22:00. Gratuito. Capão Novo

Ginga Show

DOM. (10). 22:00. Gratuito. Curumim

Novo Esquema + Lucas & Felipe + Cia Show4 + Cartão Postal DOM. (10). 22:00. Gratuito. Praia Grande (Torres)

Desfiles das campeãs do Carnaval SEG. (11). 22:00. Gratuito. Av. Assis Brasil. Arroio do Sal

Louca Sedução + Banda Ébanos + Indústria Nacional + Pagode Mania de Você

SEG. (11). A partir das 22:00. Gratuito. Praia Grande (Torres)

Rafael Santos + Inaldi Ferrari + Bruno Pacheco + Elys Cardoso QUA. (13). 17:00. Gratuito. Praça Pinheiro Machado. Torres

Na Trilha do Tempo (teatro) QUI. (14). 21:00. Gratuito. Centro de Cultura. Torres

Novinho em folia

Com apenas 17 anos, o porto-alegrense Gabriel Farias compôs um drama em forma de música. A canção principal do álbum Mais Um Ano Sem Você, lançado no começo de 2012, fala de uma paixão não correspondida. Entre mágoas e choro, o jovem apenas diz que deseja “conhecer nova gente”. Que dó do menino! Além do vozeirão, o jovem se diz “nativo criativo”, isso porque está em praticamente todas as redes sociais da internet e conta com as letras do primeiro CD em sites de músicas. Além do garoto, se apresentam na programação do Band Folia as bancas Pura Cadência e Champion. SEX. (8). A partir das 22:00. Gratuito. Praia Grande (Torres)

Caramelo veio antes

Muito antes de Munhoz e Mariano lançarem a (grudenta) Camaro Amarelo (e agora eu fiquei doce igual caramelo, tô tirando onda de Camaro amarelo), o gaúcho Rodrigo Ferrari já fazia sucesso nas rádios gaúchas cantando Caramelo, um dos seus maiores sucessos da carreira que iniciou em 2007. Não é porque é da terra, mas a versão gaúcha é bem melhor. Além de Rodrigo, se apresentam também MC Jean Paul, Pagode Mania de Você e Indústria Nacional. SÁB. (9). A partir das 22:00. Gratuito. Praia Grande (Torres)

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litoral

MUSICA

Carnaval de rua na praia

+ SHOWS

Em Capão da Canoa, duas escolas da cidade desfilam junto com duas escolas de samba de Porto Alegre: Corujas do Samba e Unidos do Litoral (Capão da Canoa) e Unidos de Vila Isabel e Imperatriz Dona Leopoldina (Porto Alegre). Em Arroio do Sal, os desfiles também terão blocos e trios elétricos. Apenas as escolas de samba Haja Saco, CAMAS, Gigantes da Orla e Mocidade Independente de Arroio do Sal brigam pelo título. Os blocos Ilê Mulher, do Esquenta, Lusa do Carmo, Saímos Se Querê, Ôba Ôba e da Lú animam o veraneio. Capão da Canoa SEG. (11). 22:00. Gratuito. Largo do antigo Baronda Arroio do Sal SEX. (8), SÁB. (9), DOM. (10). A partir das 21:50. 1kg de alimento não perecível. Av. Assis Brasil.

SEXTA-FEIRA (8) Jaimar e Alexandre

21:00. R$ 8 e R$ 6. Paiol

Amigos do Samba

23:30. R$ 5. Cachaçaria Sarau

Saturno de José e Pá Virada (Festa Folk Me) 23:30. R$ 5. Level

Adriano Trindade & Banda + Dj Gilson

22:30. R$ 20. Portal Bowling

Ritmistas da Escola de Samba Estado Maior da Restinga 23:30. R$ 10 e R$ 20. Boteco 13

Toolbox

23:30. R$ 10. Bier Haus

Los Infernales

00:30. R$ 12 e R$ 15. Vagão

SÁBADO (9) Grupo Paiol

22:00. R$ 8 e R$ 6. Paiol Manuela Stalivieri + Tool

Box + Dj Eddy

22:30. R$ 20. Portal Bowling

Seresteiros do Luar

23:00. R$ 5. Cachaçaria Sarau

Festa Popcorn – Especial Beyoncé

23:00. R$ 15 a R$ 20. Level

Grupo Bloco na Vitrine

23:30. R$ 20 e R$ 10. Boteco 13

Pietro Ferretti e Banda Bico Fino

23:30. R$ 10. Bier Haus

Vegas (CarnEVIL)

00:30. R$ 15 e R$ 12. Vagão

DOMINGO (10) Pagode Jr + Billy Jhow & Fabiano + Dj Gilson 22:30. R$ 20. Portal Bowling

Dê férias aos homens de preto

É cantando, dançando e interpretando diferentes personagens que os atores Rogério Beretta, Oscar Simch e Zé Victor Castiel interpretam os Homens de Perto. Se não tiver mais nada para fazer, até que pode ser uma boa. SÁB. (8). 21:00. R$ 20 a R$ 25. Teatro da Ulbra. Torres

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SEGUNDA (11) Rodrigo Campagnolo Trio e Dj Mono

23:30. R$ 10. Bier Haus

The Hangover – A festa do álcool (vários Dj’s) 00:30. R$ 15 e R$ 12. Vagão


Paulo Pasa/O Caxiense

MUSICA + SHOWS TERÇA (12) Fher Costa, Rodrigo Campagnolo, Jayson Mross Trio e Dj Mono 23:30. R$ 10. Bier Haus

Banda Disco (Carnaval do Pijama) 0:30. R$ 15 e R$ 12. Vagão

QUARTA-FEIRA (13) Jhonatan e Carlos

21:00. Gratuito. Paiol

QUINTA-FEIRA (14) Grupo Macuco

21:00. R$ 8 e R$ 6. Paiol

Djs no Deck - Junior Secco e Lee Batista

23:30. R$ 15 e R$ 20. Havana

Hardrockers

23:00. R$ 10. Bier Haus

Também tem Carnaval na casa do blues

De sexta até terça-feira, o Mississippi Delta Blues Bar promove seu próprio Mardi Gras (terça-feira gorda, em francês), a festa carnavalesca tradicional de New Orleans. O mesmo nome vai ter o bloco organizado pela turma do bar, que terá camisetas à venda todas as noites e na terça irá desfilar com saída da Fassbier (esquina Coronel Flores e Ernesto Alves) em direção ao bar, no fim da tarde. SEX, SÁB e DOM. 23:00. Trio New Orleans. Fabrício Beck Trio. R$ 40 e R$ 25 SEG. 23:00. Trio New Orleans. Fabrício Beck Trio. Andy & The Rockets. R$ 40 e R$ 25 TER. Após o desfile (18:00). Trio New Orleans. Fabrício Beck Trio. Andy & The Rockets. R$ 40 e R$ 25

A Sinimbu com cara de Sapucaí

Os desfiles do Carnaval de rua de Caxias do Sul irão reunir, nesta edição, 8 escolas e 2 blocos, que tomarão a rua Sinimbu nas noites de sexta e sábado (a concentração das escolas será entre as ruas Andrade Neves e Do Guia Lopes). Em www.ocaxiense.com.br, dá para conferir todas as informações e os sambasenredo das agremiaões. A ordem dos desfiles:

SEX. Blocos e escolas do grupo de acesso. R$ 5 (arquibancadas) 20:30. Abertura oficial 21:00. Desfile dos blocos Acadêmicos do Arsenal e Unidos da Zona Norte 22:00. Unidos da Tia Marta 23:00. Acadêmicos XV de Novembro 00:00. Mancha Verde (do grupo especial)

SÁB. Escolas do Grupo Especial. R$ 10 (arquibancadas)

21:00. Incríveis do Ritmo 22:10. São Vicente 23:20. Protegidos da Princesa 00:30. Imperatriz do Vale 01:40. Pérola Negra

Vida Loka também samba

Como O CAXIENSE é um veículo democrático, não podemos destacar o carnaval do blues e do samba e deixar de lado o carnaval dos DJs da Saveiro. Para esse público, o Cond promove o 1° Carnaval do Som Automotivo e do Eletro Pop que, como diz o slogan, vai ter “som do pancadão até clarear o dia”. A festa terá a participação dos DJs Malbek e William Castro, além de diversos “paredões” de som de equipes de Caxias e da região. É pra vestir a fantasia e cair na folia! SÁB. (9). 23:00. R$ 15 a R$ 25. Cond Bar 8.fev.2012

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Divulgação/O Caxiense

PALCO

Dúvidas e respostas existenciais Em um espetáculo que transborda sentimento, a atriz Maria do Horto Coelho parte em uma busca interna pelos significados dos momentos felizes a amargos de sua vida na peça Em Cena. De uma forma inesperada e agressiva, a atriz vê a sua intimidade invadida por estranhos, surpreendida por uma gama de situações que fogem do seu controle. De temperamento forte e determinado, ora verborrágico, ora silencioso, enfrenta os invasores sem a disposição de ceder. SEX. (15) e SÁB. (16). 20:30. R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada). Teatro Municipal

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1:05

Mostra de Monólogos na agenda

Reprodução: Andreia Copini, Div./O Caxiense

É só na próxima semana, mas a gente adianta. Vem aí a 1ª edição da Mostra de Monólogos de Caxias do Sul, que traz oficinas e espetáculos, com artistas de Caxias do Sul, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Algumas atrações são a oficina Espaço íntimo do Ator, com Márcio Ramos, e o espetáculo A Descoberta das Américas, com Julio Adrião. As atividades ocorrem na sede do grupo Tem Gente Teatrando, onde os ingressos já estão à venda. Mais informações: (54) 3221.3130.

Crença egípcia

Os mistérios e as crenças de uma das mais antigas artes é mostrada na releitura assinada pela jovem artista caxiense Emili Colório. A exposição revela uma civilização construída entre a arte e a espiritualidade, onde a vida era preparada para a morte. O uso de materiais alternativos foram utilizados com precaução, para que tenha aproximação com a arte egípcia.

ARTE

Exposição Releituras do Egito Antigo

SEG.-SEX. 9:00-19:00. SÁB. 9:00-12:00. Farmácia do Ipam

Documenta Costumes: Carnaval

Coletiva. SEG-SEX. 8:00-17:00. Campus 8

Atelier Revisitado

Márcia Casal. SEG-SEX. 8:30-18:00. SÁB. 10:00-16:00. Galeria Municipal

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Na beleza de Caxias, a Natureza em Cores Coletiva. SEG.-SÁB. 10:00-20:00. DOM. 14:00-20:00. Estação San Pellegrino

* O colunista Marcelo Aramis (Camarim) está em férias.


A

os

cinemas: CINÉPOLIS. AV. RIO BRANCO,425, SÃO PELEGRINO. 3022-6700. SEG.QUA.QUI. R$ 12 (MATINE), R$ 14 (NOITE), R$ 22 (3D). TER. R$ 7, R$ 11 (3D). SEX.SÁB. DOM. R$ 16 (MATINE E NOITE), R$ 22 (3D). MEIA-ENTRADA: CRIANÇAS ATÉ 12 ANOS, IDOSOS (ACIMA DE 60) E ESTUDANTES, MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE CARTEIRINHA. | GNC. rsc 453 - km 3,5 - Shopping Iguatemi. 3289-9292. Seg. qua. qui.: R$ 14 (inteira), R$ 11 (Movie Club) R$ 7 (meia). Ter: R$ 6,50. Sex. Sab. Dom. Fer. R$ 16 (inteira). R$ 13 (Movie Club) R$ 8 (meia). Sala 3D: R$ 22 (inteira). R$ 11 (meia) R$ 19 (Movie Club) | ORDOVÁS. Luiz Antunes, 312. Panazzolo. 3901-1316. R$ 5 (inteira). R$ 2 (meia) |

MÚSICA: Bier HauS. Tronca, 3.068. Rio Branco. 3221-6769 | BOTECO 13. Dr. Augusto Pestana, s/n°, Largo da Estação Férrea, São PelegrinO. 3221-4513 | bukus anexo. Rua Osmar Meletti, 275. Cinquentenário. 3215-3987 | BULLS. Dr. Augusto Pestana, 55. Estação Férrea. 3419.5201 | CACHAÇARIA SARAU. Coronel Flores, 749. Estação Férrea. 34194348 | cond. Angelo Muratore, 54. Dellazzer. 3229-5377 | HAVANA. DR. AUGUSTO PESTANA, 145. mOINHO DA ESTAÇÃO. 3215-6619 | LEVEL CULT. CORONEL FLORES, 789. 3223-0004 | Mississippi. Coronel Flores, 810, São Pelegrino. Moinho da Estação. 3028-6149 | NOX VERSUS. Darcy Zaparoli, 111. vilaggio Iguatemi. 8401-5673 | OLIMPO MUSIC. PERIMETRAL BRUNO SEGALLA, 11655, São Leopoldo. 3213-4601 | PAIOL. FLORA MAGNABOSCO, 306. 3213-1774 | PEPSI club. Rua Guerino Sanvitto, 1412. Villaggio Iguatemi.3019-0809 | PORTAL BOWLING. RS 453, KM 2, 4140. SHOPPING MARTCENTER. 3220-5758 | VAGÃO CLASSIC. JÚLIO DE CASTILHOS, 1343. CENTRO. 3223-0616 TEATROS: teatro municipal. Doutor Montaury, 1333. Centro. 3221-3697 | CASA DE TEATRO: Rua Olavo Bilac, 300. São Pelegrino. 3221-3130 galerias: campus 8. Rod. RS 122, Km 69 s/nº. 3289-9000 | ESTAÇÃO SAN PELEGRINO. Av. Rio Branco, 425. São Pelegrino. 3022-6700 | GALERIA MUNICIPAL. DR. MONTAURY, 1333, CENTRO, 3215-4301 | museu municipal. VISCONDE DE PELOTAS, 586. CENTRO. 3221-2423 | ORDOVÁS. Luiz Antunes, 312. Panaz­zolo. 3901-1316 | SESC. MOREIRA CÉSAR, 2462. pio x. 3221-5233 |

Legenda Duração

Classificação

Carol De Barba

12° Integramoda

O Integramoda RS tem novidades para 2013. Além de mudar as datas para se adequar ao calendário nacional (que, por sua vez, mudou conforme o internacional), serão 3 edições. A primeira, que ocorre no dia 5 de março, terá a confirmação das tendências para Primavera-Verão 2013/2014 e Preview do Outono-Inverno 2014. As inscrições para participar já estão abertas, junto ao Polo de Moda, pelo telefone 3027-4422.

Fitness com tecnologia A DiCorpo tem novidade para as ratas de academia – e para quem tem esperança de melhorar a forma sem muito esforço, vá lá. São peças no tecido Emana Sport, que promete reduzir a celulite e ativar a circulação. Divulgação/O Caxiense

Endere

Avaliação ★ 5★

Cinema e Teatro Dublado/Original em português Legendado Ação. Animação. Artes.Circenses. Aventura Bonecos. Comédia. Documentário. Drama Fantasia. Ficção.Científica. Faroeste Infantil. Romance. Suspense. Terror. Musical. Policial.

Música Blues. Coral. Eletrônica. Erudita. Folclórica. Funk. Hip.hop Indie. Jazz. Metal. MPB. Pagode. Pop. Reggae. Rock. Samba. Sertanejo. Tango. Tradicionalista

Dança Clássico. Folclore. Hip.hop

Contemporânea. Flamenco. Forró. Jazz. Dança.do.Ventre Salão.

Artes Acervo. Fotografia. Pintura.

Desenho. Grafite.

Diversas Escultura. Gravura. Instalação

Tríade

Débora Bregolin, vencedora do 26° Prêmio UCS/Sultextil coloca, em breve, sua primeira coleção no mercado. Para atiçar a curiosidade do público lança, antes, um vídeoconceito do trabalho. A direção do filme (que, aliás, concorre ao prêmio do IUFF - international upcoming fashion filmmakers, promovido pela Milano Fashion City), é de Vinicius Guerra. Confira em ocaxiense.com.br. 8.fev.2012

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GASTRONOMIA E COZINHA Para enfrentar os exageros carnavalescos Abacaxi

O Carnaval, a gente sabe, tende a ser um feriado permeado por exageros, principalmente alcoólicos. E no caso de quem faz festa nos 3 (ou mais) dias de folia, como se não bastasse lidar com um fígado sobrecarregado, o corpo ainda tem que se virar para recuperar as forças em poucas horas de sono. Para te ajudar nessa maratona, escolhemos algumas receitas e alimentos para consumir antes, durante a após o Carnaval. Eles não aliviam a culpa, mas ajudam a curar a ressaca. Fotos: Divulgação/O Caxiense

É diurético e facilita a digestão, especialmente de carnes. Age desobstruindo o fígado e melhorando a fluidez do intestino.

Suco verde 1 copo de 200 ml de água de coco 1 maçã com casca picada 1 folha de couve 1 colher de sopa de mel 1 colher de sobremesa de linhaça 1 cubo de gelo Bata no liquidificador a água de coco, a maçã picada, a couve, o mel e o gelo. Depois de pronto o suco, salpique a linhaça e sirva. A maçã e a couve repõem nutrientes perdidos. A pectina da casca da maçã também é importante para reduzir a gordura e a glicose do sangue, além de ser uma fruta muito rica em vitaminas B1, B2, niacina, ferro e fósforo. A couve tem alto teor de clorofila, que ajuda a limpar o intestino e ainda protege o fígado dos efeitos nocivos das bebidas alcoólicas.

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Limonada refrescante Suco de 2 limões ½ xícara de chá de hortelã fresca 1 copo de 200 ml de água Gelo e adoçante a gosto Bata no liquidificador. Beba sem coar. Bom para tomar logo de manhã, em jejum. A hortelã é uma erva rica em vitaminas A,B e C, minerais (cálcio, fósforo, ferro e potássio), que exercem ação tônica e estimulante sobre o aparelho digestivo, atuando com efeito refrescante e inibindo a sensação de enjoo. A combinação também ajuda a desintoxicar o organismo de exageros. Mas não seja espertinho (só que ao contrário): também é preciso manter a alimentação saudável pelo resto do dia.

Arroz integral

Rico em fibras, o arroz integral faz o intestino funcionar melhor e favorece a eliminação de toxinas, mantendo a pele saudável.

Mel

Um adoçante 100% natural que inibe problemas de circulação e alivia as dores musculares causadas pela desidratação, decorrente do consumo de bebidas alcoólicas.

Castanhas

Ricas em vitamina E, ômega-3, cálcio, magnésio, zinco e selênio, possuem ação anti-inflamatória e antioxidante. Castanhas do Pará, amêndoas, avelãs e nozes têm composições oleaginosas que tendem a eliminar toxinas e enriquecer o sangue com nutrientes.

Chás

Dente-de-leão, capim limão e chá verde tem ação diurética, combatem a retenção de líquidos e desintoxicam o organismo. É aconselhado o consumo do chá verde também com gengibre, preparados em infusão de 5 a 7 minutos na água fervida.


SECOS E MOLHADOS Peixe e coco: sugestões de receitas que vão trazer a beira-mar para a sua mesa. Fotos: Divulgação/O Caxiense

Salmão com tomate seco

Rende 10 porções | Fonte: Camarão na Moranga

Bolo de Cenoura Rende 10 porções | Fonte: Ducoco

Bata no liquidificador 3 cenouras médias picadas, ½ xícara de chá de leite de soja light (ou comum desnatado), 2 ovos e 4 colheres de sopa de óleo de coco até obter uma mistura homogênea. Coloque em uma tigela e acrescente, aos poucos, 7 colheres de sopa de farinha de aveia, 7 colheres de sopa de farinha de trigo, 4 colheres de sopa de adoçante em pó para uso culinário e bata bem. Acrescente delicadamente 2 colheres de sopa de coco ralado e desidratado e 1 colher de chá de fermento em pó. Coloque em uma assadeira pequena (28 X 18 cm), untada e enfarinhada, e leve ao forno médio (180ºC) préaquecido por 30 minutos. Reserve. Calda: em uma tigela, misture 5 colheres de sopa de leite de coco com 1 colher de sopa do adoçante para uso culinário e espalhe sobre o bolo ainda quente.

Tempere 2 kg de salmão com sal e pimenta moída a gosto. Grelhe as postas com azeite. Reserve. Para o molho de tomate seco: Coe 400 gramas de tomate seco, deixando o azeite escorrer, pique e reserve. Em uma frigideira, coloque o azeite que sobrou dos tomates e junte 80 gramas de alho, 150 gramas de cebola e os tomates secos picados. Frite até dourar. Finalizar com salsa e cebolinha picadas a gosto e 2 maços de rúcula, cortada em pedaços, à mão. Regue o salmão. Acompanhamento 1 (legumes no vapor): cozinhe no vapor 2 cabeças de brócolis, 400 gramas de cenoura, 300 gramas de vagem e 2 cabeças de couve flor, corte como quiser, e reserve. Corte 300 gramas de palmitos (ou aspargos)

e reserve. Em uma frigideira, derreta manteiga, adicione todos os vegetais e deixe dourar. Tempere com sal e pimenta a gosto. Reserve. Acompanhamento 2 (arroz com brócolis): em uma panela, coloque a água (suficiente para cozinhar 1 kg de arros), 100 gramas de cebola, 30 gramas de alho, 2 folhas de louro, sal e 50 ml de óleo. Deixe ferver e acrescente o arroz. Após o cozimento, acrescente salsa e cebolinha picada a gosto e 600 gramas de brócolis picado e cozido no vapor.

Abóbora ao creme de frango com óleo de coco Rende 2 porções | Fonte: Ducoco

Coloque 2 mini-abóboras (ou uma moranga pequena) em uma assadeira pequena, junte meio copo de água, cubra com papel alumínio e leve ao forno médio (180ºC) por 30 minutos ou até ficarem macias. Corte uma tampa, retire as sementes (despreze) e a polpa (reserve). Em uma panela média, aqueça 2 colheres de sopa de óleo de coco e

Vinho oficial do Carnaval 2013 A Vinícola Aurora apresenta o seu vinho oficial do Carnaval 2013, o Saint Germain Branco Suave. A bebida é envasada em caixinhas tetra pak criadas especialmente pelo Ibravin para o evento. Elas serão vendidas nas arquibancadas do sambódromo paulistano nos dias de desfile. Ainda: no dia 8 de fevereiro, a escola Vai Vai levará para a avenida o enredo Vinhos do Brasil, com presença das soberanas da Festa da Uva.

refogue ligeiramente 1/2 cebola pequena picada e 1 dente de alho amassado. Junte 2 colheres de sopa de molho de tomate, meio peito de frango cozido e desfiado e 1 colher (chá) de sal. Retire do fogo, misture a polpa reservada e 1 colher de sopa de requeijão light. Recheie as abóboras, polvilhe com queijo ralado e leve ao forno para dourar.

Óleo de coco 100% virgem

A Ducoco está lançando um óleo feito com 100% de óleo de coco virgem, extraído do fruto maduro. Benéfico para a saúde, o produto pode substituir outros óleos vegetais no preparo de saladas, bolos, assados, grelhados e bebidas, entre outros alimentos. Segundo a marca, ele pode ser utilizado até mesmo para preparar drinks ou ser adicionado ao iogurte matinal, em sucos, chás e café. Segundo a nutricionista Roseli Rossi, diretora da Clínica Equilíbrio Nutricional, se for consumido antes dos exercícios físicos, o óleo de coco aumenta a energia e o gasto calórico; 1 hora antes das refeições, dá saciedade; e ao longo do dia, mantém a ingestão de substâncias antimicrobianas e antioxidantes. A recomendação para adultos é de 1 a 3 colheres de sobremesa por dia. O produto já está no mercado, em média, R$ 25. Confira ao lado acima algumas receitas com óleo de coco. 8.fev.2012

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