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Capina química, uma ideia que a Codeca não consegue eliminar

No debut moderno, as adolescentes não largam as bonecas Dedé Santana não se importa em ser escada

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65 motivos para sair de casa

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Vai faltar madeira no mercado

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TJ decide o futuro da greve dos médicos 4

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5 coisas para odiar em Caxias

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Paese narra a semana mais tensa de seu mandato

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O lado chique de Galópolis tem sua própria passarela

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Uma história realista demais na HQCX

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Fotos: 18: Foto Iália, Divulgação/O Caxiense | 29 e 8: Maurício Concatto/O Caxiense


DIGA!

Rua Os 18 do Forte, 422\1, bairro Lourdes, Caxias do Sul (RS) |

Forma & conteúdo | Repercussão pós-parto | Opinião política

95020-471 | Fone: (54) 3027-5538

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Diretor administrativo

Luiz Antônio Boff REDACAO Editores-chefes

Felipe Boff Paula Sperb

Parte da equipe, no lançamento da revista Fotos: Maurício Concatto/O Caxiense

É isso mesmo: somos maiores do que pensavam. O formato definitivo da revista O CAXIENSE é este que você tem em mãos. A estreia é que teve que ser em tamanho menor, por causa de um erro da gráfica que não pôde ser corrigido a tempo – não quisemos estragar nossa festa de lançamento nem adiar a surpresa para os leitores. O formato foi, de fato, o que mais causou estranheza aos leitores. “@ocaxiense tomou Nanicolina”, brincou Roger Busetti Torres. “Me decepcionei quanto ao tamanho do exemplar”, avisou Matheus Teodoro, que elogiou o conteúdo: “As reportagens estão ótimas. Li 40 minutos sem parar!”. E houve quem gostou do tamanho pequeno mesmo. Mariana Duarte comparou: “Que amorzinho @ocaxiense revista! Me lembrou um gibi, só que genial e inteligente ;)”. Entre elogios, Cátia Laner e Alexandre Vanin deixaram críticas e sugestões. Cátia achou a reportagem de capa muito longa e pediu mais espaço para os colunistas de política e economia. Alexandre sentiu falta de um colunista esportivo – assim como Matheus. Deixamos de publicar a coluna Dupla CA-JU, mas continuamos com os clubes da cidade no coração. Eles ganharão matérias isoladas e seguirão sendo destacados na seção Arquibancada. “Terminei agora de ler a matéria de capa do novo @ocaxiense, texto emocionante da mamãe @paulasperb. Eu, minhas irmãs gêmeas e meu irmão nascemos pelas mãos do Dr. Marco

Editores

Marcelo Aramis Jaisson Valim

Túlio. Há 40 anos, de parto normal, claro!!! Mas nós, hoje mães, não cogitamos em nenhum momento em ter nossos filhos ao natural. Optamos pela cesárea. E foi fantástico também!”, comentou Fabiana de Lucena, mãe de Henrique, em uma sequência de tweets. “Querida Paula Sperb, queremos registrar nossa admiração pela sua pessoa! Sua matéria está maravilhosa! Sensível, soube retratar em palavras a emoção e os sentimentos de uma mulher na hora do parto”, escreveu o pessoal da Núcleo Comunicação no Facebook. Aline Corso, mãe de Sofia, mandou e-mail para dizer à editorachefe que se identificou com todo o texto, “principalmente naquela parte que você fala que os hospitais não estão preparados para atender parto normal”, e concluiu: “Parabéns pela coragem em falar do tema, tão polêmico e tratado como tabu”. Também por e-mail, uma leitora contou que planeja ser mãe em breve e que, depois de ler a reportagem, consolidou sua decisão: terá o primeiro filho de parto normal.

Colunistas

Carlos Nunes cobrou, por e-mail, a opinião dos nossos jornalistas sobre o que deve ser feito com o vereador Moisés Paese (leia mais na pg. 8). Carlos, não existe uma opinião de O CAXIENSE, mas diversas, de cada jornalista da equipe. Dou-lhe a minha: em que pese seu problema de saúde ser real, o vereador cometeu falta gravíssima, que só assumiu depois. Merece a punição mais rigorosa: cassação de mandato.

Assinatura trimestral: R$ 30 Assinatura semestral: R$ 60 Assinatura anual: R$ 120

Felipe Boff, editor-chefe

Renato Henrichs Roberto Hunoff Reporteres

Camila Cardoso Boff Carol De Barba José Eduardo Coutelle Robin Siteneski Estagiarios

Gesiele Lordes Vagner Espeiorin Fotografo

Maurício Concatto Designer

Luciana Lain COMERCIAL Executivas de contas

Pita Loss ASSINATURAS Atendimento

Tatyany Rodrigues

Redes sociais Twitter: @ocaxiense Facebook: O Caxiense Revista Foto de capa Maurício Concatto/O Caxiense, com vestido feito por Michelle Granzotto da Costa (9989-1379).

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BASTIDORES

Paese narra a semana do escândalo | Dedé diz que é difícil ser escada | O tamanho da pilha de processos no Fórum

“Para matar o mato, só o glifosato.” Parece slogan, mas não é... A Anvisa proíbe, a Fepam proíbe (ou proibia) e até uma lei municipal proíbe. Adianta? Não. A Codeca insiste com o glifosato, produto bom para matar ervas daninhas, mas não só ervas daninhas. No estudo de alternativas à capina mecânica, aquela com roçadeiras, pelo qual está pagando cerca de R$ 200 mil à UCS, a empresa responsável por deixar as ruas da cidade limpas está testando, sim, a chamada capina química. Ao todo, são seis técnicas sendo pesquisadas, entre elas a aplicação do glifosato, mais conhecido pelo nome comercial Roundup. O engenheiro químico João Osório Martins, consultor técnico contratado pela Codeca para acompanhar o trabalho da UCS, conta que já foram realizadas 2 das 6 baterias de testes. “A gente não está priorizando (o glifosato) por tudo aquilo que aconteceu naquele momento que a gente tentou introduzir (“tudo aquilo” = reação de ambientalistas e órgãos responsáveis). Estamos fazendo porque pagamos para fazer, e também porque a gente tem que esclarecer para a comunidade caxiense, principalmente o pessoal do campo, se é bom ou não e quais os danos que pode causar ao ser humano e à natureza”, afirma o engenheiro, para completar temerariamente: “Para matar o mato, só o glifosato. Qualquer uma das outras técnicas inibe o crescimento. O extrato vegetal inibe por até 3 meses, enquanto a capina convencional dura apenas 15 dias”. Os testes são realizados no Loteamento Moinhos de Vento, que fica, ironicamente, no bairro Nossa Senhora da... Saúde.

No panfleto distribuído aos moradores das áreas vizinhas onde a pesquisa vem sendo feita, porém, não consta o uso do glifosato na relação de técnicas aplicadas. Em agosto, em audiência com a secretária estadual do Meio Ambiente, Jussara Cony (PC do B), a Codeca apresentou o estudo já em andamento. A titular da pasta deve indicar técnicos da secretaria, da Fundação Estadual de Proteção Ambiental e da Fundação Zoobotânica para acompanhar os trabalhos. Conforme o chefe da divisão agrossilvipastoril da Fepam, Juarez Jeffman, a comissão técnica que acompanhará o trabalho ainda não foi comunicada oficialmente. Por conta deste futuro acompanhamento, entretanto, a Fepam avisa que não irá notificar a Codeca pelo uso do agrotóxico. Questionada pela revista O CAXIENSE, a Anvisa reafirma, em nota, que o uso de agrotóxicos para capina química é proibido em todo Brasil. Conforme a agência, a aplicação desses produtos em áreas urbanas expõe a população ao risco de intoxicação, além de contaminar a fauna e a flora local. E é justamente por isso que a prática não é permitida. Por falta de “segurança toxicológica”, desde 2003 a agência proíbe a utilização de herbicidas em ambientes urbanos. Em junho, o grupo ambientalista Greenpeace publicou um relatório que atribui problemas de saúde ao uso do glifosato. Na Argentina, onde o glifosato é usado largamente em plantações transgênicas de soja e arroz, foram registrados 4 vezes mais casos de má formação congênita entre 2000 e 2009.

OLHA O PERIGO!

Conforme o Greenpeace, a exposição do ser humano ao glifosato pode causar: Incidência de linfoInterrupção da produção ma Não-Hodgkin, de hormônios reprodutique afeta o sangue, e vos vitais, como progesteoutros tipos de câncer. rona e estrogênio. O glifosato e os equipamentos para utilizá-lo | Maicon Damasceno, Arquivo/O Caxiense

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Doenças do sistema nervoso e Mal de Parkinson.


Fotos: Maurício Concatto/O Caxiense

Céu nem tão azul no aeroporto As previsões indicam que a primeira aterrissagem da Azul em Caxias do Sul, esperada para a próxima quinta-feira (10), será em condições mais favoráveis. Em andamento desde janeiro de 2010, a reforma do aeroporto Hugo Cantergiani só ficará pronta no início do ano que vem, mas a direção promete a conclusão da sala de embarque até o voo inaugural da companhia aérea. O novo espaço terá capacidade para 250 pessoas – quatro vezes mais do que a atual. Se depender da opinião de passageiros, o aeroporto precisará melhorar muito mais para contentá-los. O local em obras ainda terá banheiros, uma sala comercial e três balcões de check-in.

“Fiquei mais de meia hora esperando a bagagem” Augusto Oliveira, de 29 anos, usuário frequente

“A infraestrutura está abaixo dos outros”

Cléber Araújo, de 32 anos, estreante no aeroporto

Nova esperança para uma carência antiga Os governos estadual e federal iniciaram as discussões com diretores do Senai e do Senac para dar resposta a uma das mais agudas reivindicações dos empresários caxienses. Com intenção de qualificar a mão de obra local, os representantes

estudam a construção de uma nova escola técnica. O colégio ofereceria os cursos de Turismo, Hotelaria e Têxtil. Mas, antes de comprar os foguetes para comemorar, recomenda-se precaução. O debate sobre o modelo e o responsável

pela administração ainda levará meses. Menos demorado, por enquanto, só mesmo a entrega de R$ 256 mil em equipamentos à Escola Estadual Técnica a partir da reforma dos laboratórios, prevista para o início do próximo ano letivo.

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4 dias na vida de...

Harty Moisés Paese (PDT) |

Maurício Concatto/O Caxiense

…um vereador que apresentou atestados falsos Mesmo sem ser mais presidente da Câmara de Vereadores, cargo que ocupou em 2010, Harty Moisés Paese (PDT) esteve (e ainda está) no centro de duas das maiores polêmicas da Casa neste ano. A primeira delas, o aumento no número de cadeiras no Legislativo, que o pedetista foi contra apesar de ter tocado as obras de ampliação do prédio durante sua presidência. A mais recente começou no dia 25 de outubro. A Câmara descobriu que, para justificar ausências, o vereador apresentara atestados médicos falsos. Acompanhe os primeiros momentos do escândalo que pode mudar o futuro político de Paese, narrados por ele mesmo, do momento em que estourou até as suas primeiras declarações à imprensa. Terça-feira, 25 de outubro de 2011 “Mas o que é que é isso?”, pensei quando vi a matéria de capa do jornal Pioneiro. Dois atestados médicos falsos foram apresentados em meu nome para justificar faltas na Câmara. Que absurdo,

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já tive faltas descontadas. E, se eu fosse malandro, teria conseguido os atestados com um amigo, que pudesse comprovar. O telefone e o e-mail funcional estão desativados. Peço que minha família não revele que estou em Caxias ou que me passe ligações. Quarta-feira, 26 de outubro de 2011 Existe uma maneira de saber quem foi: preciso descobrir quem juntou os atestados no meu pedido de justificativa. Não que existam muitos suspeitos – tenho dois funcionários contratados pela Casa e dois que banco com recursos próprios. Com algumas ligações, consigo contato com ela (minha funcionária), que promete passar no meu escritório de advocacia à tarde. Aí veio a vitimização dela, dizendo que tinha estragado todo um trabalho. Disse a ela que cada um tem que assumir a sua parcela de culpa. Eu vou assumir a minha. Quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Alceu (deputado estadual Alceu Barbosa Velho) quer falar comigo até hoje. No meio da tarde, combinamos um encontro no escritório dele, a poucos metros do meu, para horas depois. Ele começa me dizendo: “ou tu é louco, o que sei não ser verdade, ou está doente”. Depois de pegar minha filha na escolinha e passar no supermercado, a primeira entrevista é marcada para a manhã seguinte. Sexta-feira, 28 de outubro de 2011 Os repórteres querem saber de detalhes desnecessários da minha adicção, como o tipo de droga que eu usava. Se ela ou a minha doença (Hepatite C) não estivessem intervindo na minha função pública, não seria da conta de ninguém. Não revelo o nome da funcionária. Se eu não tivesse sumido durante meu tratamento, nada disso teria acontecido. Mas agora, o que vão pensar ou deixar de pensar não importa. Isso está resolvido para mim. No final do dia, volto a Porto Alegre para uma consulta psicológica.


GENTE

Maurício Concatto/O Caxiense

BOA

Líder polivalente Advogado atuante em Direito Empresarial e Civil, Patrick Mezzomo, novo presidente do Departamento Jovem da CIC Caxias do Sul, diz que é e sempre será um empreendedor. “A importância que uma empresa tem na sociedade é absurda”, defende. Há apenas dois anos, ele faz parte do departamento e, desde o dia 26, é o 11° presidente da CIC Jovem. “Aonde eu vou, me envolvo”, revela. A agenda de Patrick comprova a declaração. Sócio de um escritório de advogacia, ele faz parte da Comissão de Previdência Social na subseção de Caxias da OAB e ainda escreve sobre negócios, quando encontra tempo, para o blog da Pepsi Club. Tão apaixonado pelo empreendedorismo como pelo Direito, Patrick diz que advoga pela função social do ofício. Para ele, na hora de resolver conflitos, o advogado está mais próximo da comunidade do que juízes, por exemplo. Satisfeito com a profissão aos 25 anos, nem sempre teve tanta certeza sobre o que gostaria de fazer. Tentou vestibular 2 vezes para Medicina. “Quando fiz a cadeira de Medicina Legal em Direito, tive certeza de que não queria ser médico”, conta, lembrando das visitas ao DML. O gosto pela advocacia, ao contrário, apareceu com rapidez, apesar de ele ter ingressado no curso pensando em ser juiz. “Tive certeza que queria advogar logo na primeira audiência”, lembra.

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Dedé Santana |

Fotos: Naty Tôrres, Divulgação/O Caxiense

“Se parar, eu fico velho”, diz o coadjuvante trapalhão Quase uma hora atrasado, vindo de outro show em Bento Gonçalves, e visivelmente cansado – não dormira na noite anterior, gravando As Aventuras do Didi. Foi assim que o eterno trapalhão Dedé Santana, de 75 anos, desembarcou em Caxias, no circo Orlando Orfei, no último dia 27. Com o ajudante Bub Razz, fez um número curto. Mas, apesar dos pesares, encontrou uma plateia que segurou todas as petecas: não se importou muito com o atraso, nem com o péssimo sistema de som do circo. “A gente é obrigado a dar o melhor ao público”, avaliou, antes de gastar o restinho de fôlego para conceder esta entrevista à revista O CAXIENSE. O que você achou da piada que o Rafinha Bastos (ex-CQC, da Band) fez com a cantora Wanessa Camargo? Sinceramente, estou por fora disso. Eu soube assim, por alto, alguma coisa, mas não sei nem o que foi exatamente. Eu sou fã do Pânico, mas quando pegam um artista para avacalhar, como eu vi uma vez o Tarcísio Meira e principalmente outras atrizes mais velhas, acho de muito mau gosto. Porque jornalismo e até humor não é fazer chacota com colegas, amigos. Hoje, humor na televisão que me segura é o Zorra Total, aquela parte do metrô. Tem até um colega meu, que fez As Aventuras do Didi. Mas um programa que eu gravo quando vou viajar, não perco mesmo, é o Tapas & Beijos. É fora de série, tem um humor rápido. Eles conseguem apresentar um monte de coisa em pouquinho tempo. A direção é muito boa. Como foi ter seu próprio programa (Dedé e o Comandante Maluco, no SBT) e depois voltar a trabalhar com o Didi?

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Eu estava bem lá no programa, gostava muito. O papel que fazia estava de acordo com a minha idade e tudo. Era um general bobo, metido a engraçado e conquistador, um coroa no meio da rapaziada. E ele ficava danado porque toda vez que ele sonhava aparecia como mulher. Mas então faleceu o meu amigo Beto Carrero (o programa era uma parceria entre a emissora e o empresário). Eu já tinha passado pela experiência de perder dois amigos e foi muito triste. Aí o Renato Aragão, que é um cara muito sensível, ligou me consolando e propôs que eu fosse trabalhar com ele. Foi uma alegria só, um presente de Natal. E assim eu vi uma coisa que nunca tinha visto. No primeiro dia de gravação de As Aventuras do Didi, vi repórter, repórter! (enfatiza), chorando na hora que viram o Dedé e o Didi se abraçando e trabalhando juntos. Foi uma experiência muito forte, tanto para mim quanto para o Renato.

ele trouxe o Zacarias. Se tivesse receio de alguém ser melhor, não trabalharia com eles. O Renato tem um humor próprio, eu morro de rir com ele até hoje. Você sempre foi escada para os outros. Nunca quis ser o comediante principal? Sempre fui ajudante de palhaço. Eu me mirei muito em duas pessoas. A principal foi o Lúcio Mauro. Eu via o Lúcio ser escada e achava muito difícil. E ele me dizia que eu era o maior escada do Brasil, porque ser escada para um comediante já era dificílimo, imagina para três, como eu fazia. E por incrível que pareça, se eu fizesse a mesma piada do mesmo jeito com o Mussum, o Zacarias e o Didi, não funcionava. No Comandante Maluco eu era o comediante. Mas nunca liguei para isso, porque fui palhaço de circo por muito tempo, desde os 7 anos, e acho mais difícil a escada do que a comicidade. Todo bom palhaço é bom escada. O Jorge Dória foi o outro espelho para mim. Muitas coisas que faço que são parecidas com as dele, no estilo daquele bordão “Onde foi que eu errei?”, quando ele fazia o quadro do filho gay.

Foi quando vocês fizeram as pazes? Pazes não, porque nunca brigamos. A gente sempre se falou. Mas quando voltamos de Portugal e meu contrato lá tinha acabado, fui para a Record e em seguida o Beto me chamou. Dou graças a Deus por ainda estar trabalhando nessa idade, e Depois de ter feito tantos programas não quero parar. Se parar, eu fico velho. diferentes, você não cansa de responder perguntas sobre Os Trapalhões? É verdade que nos Trapalhões o Didi Nunca. Os Trapalhões foram minha era poupado nas piadas? vida, tudo. Com essa doença (foi internaNão. Quando começou Os Trapalhões, do com sangramento estomacal devido a nós dois escrevíamos os roteiros. Na uma doença diverticular) senti que a coisa verdade, Os Trapalhões começaram com mais importante para Os Trapalhões era o a dupla Didi e Dedé, depois vieram os público. Porque você vê a fidelidade deles outros. E o Renato nunca teve medo de até hoje, quando põe qualquer coisa dos enfrentar outros comediantes. Quando Trapalhões em As Aventuras do Didi a eu trouxe o Mussum, ele encarou. Depois, audiência dispara, sobe na hora.


TOP5

Coisas que eu odeio em Caxias A aposentadoria da UCS não fez com que a historiadora Loraine Slomp Giron deixasse de ser uma das vozes mais críticas, e respeitadas, das mazelas da cidade. “Se eu não a amasse, não estaria reclamando”, explica. Mas, a seguir, Loraine relaciona o que mais odeia em Caxias. “A cidade está envolta em sujeira” A limpeza ou o sistema de coleta seletiva não são exemplares. O uso de contêineres também não é moderno, como alardeado. Na realidade, não há nada de moderno em Caxias. A falta de latas de lixo no Centro e a falta de educação das pessoas são um problema. Minutos depois da limpeza da calçada, as pessoas voltam a sujá-la. É uma das cidades mais sujas do mundo.

“Amor pelo lucro” Não somente pelo lucro, mas por ganhar algo em cima dos outros. As pessoas só têm interesse, sem amor por si mesmas ou por nada. É cultural – e é uma pena. Fisiologismo Falta posição política aos habitantes. Eles mudam de opinião de acordo com o amor pelos interesses pessoais. E a nossa classe política é resultado desse fisiologismo, com vereadores que estão aí só para conseguir lucro.

“Construtivismo enlouquecido” Imprevidência A derrubada de prédios antiCaxias não sabe olhar para o futuro e ver gos faz com que a cidade possa como as coisas poderiam ser melhoradas. pertencer a qualquer lugar. Essa Não temos noção de patrimônio, vemos a mania de construção acaba com a identi- cidade de forma utilitarista. Por que Paris é Paris? dade e a beleza de Caxias. Tínhamos um Porque os parisienses são previdentes. Os 5 itens Centro com construções lindas. estão ligados à falta de cidadania dos caxienses.

Loraine Slomp Giron |

André Susin, Arquivo/O Caxiense

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Novo lar para a montanha de processos

CAM Reunião de

Para agilizar o julgamento dos milhares de processos que circulam em pequenas pastas azuis pelas dependências do Fórum, a Comarca de Caxias do Sul contará, até o início de 2014, com um novo prédio de 11 mil m². O espaço deverá inaugurar uma Central de Conciliação e Mediação e um Juizado Especial da Fazenda Pública. O ingresso de mais um magistrado promete diminuir o número de processos por juiz e, com isso, melhorar o ritmo dos trabalhos. Mas pouca coisa deve mudar de fato. Com o atual efetivo, se desconsiderarmos as novas causas que seguirão entrando diariamente, seriam necessários 18 meses para zerar o número de processos existentes.

O desempenho do Fórum no ano passado 66 mil 74 mil

Novos processos Processos encerrados Iniciou o ano com Encerrou o ano com

bons alunos

Realizado há 19 anos, o Encontro de Jovens Pesquisadores da UCS reúne aqueles bons alunos que vão além do ensino em sala de aula. Os que se dedicam às atividades de iniciação científica e tecnológica terão espaço para apresentar e discutir os resultados das pesquisas empreendidas. Serão apresentados 387 trabalhos. Este ano ocorre também a 1ª Mostra Acadêmica de Inovação e Tecnologia. De segunda (7) a quinta (10), com atividades das 8:30 às 18:00, no Bloco J da Cidade Universitária.

+ EVENTOS 118 mil 110 mil

Média de entrada de processos por dia * Média de processos encerrados por dia *

PUS

180,8

* O cálculo considera feriados e finais de semana.

Média diária de entrada de processos, por juiz Média diária de processos concluídos, por juiz Tempo necessário para zerar o número de processos, desconsiderando a entrada de novas causas

542 dias, 13 horas e 42 minutos

Tempo necessário para zerar o número de processos, considerando o ritmo de julgamento de 2010

13 anos e 9 meses

O Fórum encerrou o ano com 1 processo para cada 4 caxienses O Fórum possui 20 juizados.

202,7 9 10,1

Paisagens Clínicas: cartografando uma escuta do sensível

SEX. 19:30. FSG. A palestra será com os psicólogos Francis Londero e Luciana Barone, no auditório da faculdade. Evento gratuito e aberto à comunidade.

Oficina Resumo, Resenha e Artigo

SÁB. 9:00 – 12:00. FTSG Ministrada pela professora Sandra Oliveira, a oficina é voltada aos estudantes da faculdade, que devem se inscrever no Serviço de Relacionamento da instituição.

CineDesign, PsicoCine e BiomediCine

SÁB. 13:00 – 17:00. FSG. Os cursos de Design, Psicologia e Biomedicina realizam debate sobre o livro Perfume, do romancista alemão Patrick Süskind. Após a exibição do filme homônimo será realizada a apresentação de conteúdos relacionados ao tema Sentidos. O debate será comandado pelos professores Rodrigo Pissetti, Gustavo Pozza, Marcio Braga, Paulo Klafke, Queli Varela e Camila Lang. Evento gratuito e aberto à comunidade.

Semana Acadêmica de Arquitetura

SEG. TER e QUI. 19:30. FSG. Entre palestras e oficinas, os destaques dos primeiros dias da atividade são as abordagens de sustentabilidade, na terça, e Photoshop, na quinta, aplicadas à arquitetura e decoração. A semana acadêmica segue até sábado, com o passeio Caminhos da Memória, guiado pelo arquiteto Roberto Filippini, às 8:30. Evento gratuito e aberto à comunidade.

Direito, Guerra e Rock - 2ª Edição

“Entrei em uma fase de realmente acreditar que a morte estava próxima” Harty Moisés Paese (PDT), expondo o drama de sua dependência química, em meio ao estresse e à depressão, no site de O CAXIENSE

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TER. 18:00. FSG. Com o tema Welcome to the jungle: Entre armas e rosas na urbanização da Juventude, os professores do curso de Direito Fernando Pedro Meinero, João Heitor Macedo, Germano Schwartz e Otaviano Kury conduzirão o assunto, no auditório da faculdade. Evento gratuito e aberto à comunidade. UCS: FRANCISCO GETÚLIO VARGAS, 1.130. 3218-2118 | FSG: OS 18 DO FORTE, 2.366. 2101-6000 | FACULDADE DE TECNOLOGIA DA SERRA GAÚCHA: MARECHAL FLORIANO, 889. 3022-8700


na rio

Renato Henrichs

Maurício Concatto/O Caxiense

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Distância

Lajeado Grande encontrase a pouco mais de 50 quilômetros do centro de Caxias do Sul e a cerca de 74 quilômetros de São Francisco de Paula, município ao qual pertence. Somente essa distância já tem sido argumento suficiente para os moradores buscarem a anexação da localidade a Caxias. De acordo com essa lógica, Criúva vai querer anexar-se a São Marcos, do qual dista apenas 18 quilômetros. O distrito caxiense está a 60 quilôSomente nesta quarta (9), o Tribunal de Justiça vai analisar o mérito metros da sede do município. da greve dos médicos da rede pública de Caxias do Sul. A administração municipal – em especial a procuradoria jurídica do Município – aposta todas as fichas na decisão do TJ para impedir que a mobilização médica complete, no dia 11, 7 meses de duração. Até lá, as relações entre o prefeito Sartori e o presidente do Sindicato O prefeito de Bento Gondos Médicos, Marlonei Silveira dos Santos (foto acima), continuarão çalves, Roberto Lunelli, sendo um pote de mágoas. pretende oferecer a área do Campus Universitário da Região dos Vinhedos (Carvi) Os médicos apresentaram uma nova proposta à prefeitura que dá da UCS, que muitos ainda praticamente na mesma: R$ 4 mil de salário-base para 10 horas sema- teimam em chamar de Fervi, para garantir a instalação nanais de trabalho e atendimento a 15 pacientes por dia. Antes, os profissionais da saúde queriam um salário de R$ 9,1 mil quele município do núcleo da para 20 horas semanais, conforme estabelece a Federação Nacional dos Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Médicos. Difícil que aconteça: a área do Carvi foi cedida à Universidade de Caxias do Sul por A eleição municipal do ano que vem Palestra do presidente da 30 anos, por força de convêvai ser briga de deputados. Fiergs, Heitor Müller, esta nio assinado em 1993, com No sábado passado, o deputado federal semana na CIC, mostrou aval do MEC. Assis Melo foi indicado como pré-can- pontos de contato com redidato do PCdoB à prefeitura de Caxias cente fala, na mesma entido Sul. No próximo dia 19, tudo indica dade, do empresário José A comissão organizadora que será a vez de outro parlamentar, o Fernandes Martins, do petista Gilberto Pepe Vargas, ser confir- Conselho de Administra- da Festa do Vinho Novo de Forqueta, presidida pelo exmado pelo diretório do partido também ção da Marcopolo. como pré-candidato à sucessão de José Martins é o único inte- vereador Felipe Slomp Giron, Ivo Sartori pela oposição. Pela situação, a grante de Caxias do Sul na realiza neste sábado a festa de candidatura do deputado estadual Alceu diretoria de Müller. Ambos escolha da rainha e princesas Barbosa Velho (PDT) já está colocada há fizeram questão de ressal- do evento, tido como uma tempos. Falta apenas o nome de seu vice. tar feitos governamentais espécie de prévia da Festa Exceção a essa regra, por enquanto, é o com a consequente movi- da Uva. A nota dos jurados não será atual presidente da CIC, Milton Corlatti, mentação que ocorre na divulgada. que concorrerá pelo DEM. economia.

Justiça decide

Um campus para a Ufrgs

Pela metade

Briga parlamentar

Afinados

Vinho novo

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Apagão florestal

Roberto Hunoff

Sem nenhuma muda de pinus ou eucalipto plantada nos últimos 2 anos, em razão da burocracia ambiental do governo do Estado, o Rio Grande do Sul corre sério risco de não ter matéria-prima florestal na virada desta década. O alerta partiu do presidente do Sindicato Estadual da Indústria da Madeira, Serafim Quissini, que também recordou perdas de investimentos no setor. Estudo da Federação das Indústrias aponta

Parceiros que US$ 3,2 bilhões de aportes foram perdidos para outros estados ou estão trancados em órgãos ambientais do governo. Quem agradece é o Mato Grosso, para onde as empresas estão destinando seus recursos. O Sindimadeira, em conjunto com a Fiergs, realizará neste mês audiência para tratar do tema e convidará o secretário do meio ambiente do Mato Grosso para expor a política florestal de lá.

Menos temporários

serão mais de 500. Além da reconhecida falta de mão de obra, os empresários aperfeiçoaram a gestão do negócio ao longo do ano e identificaram que não há necessidade de tantas contratações como no passado. Kuyava usa o termo Pelos indicadores da Câmara “oxigenação” para definir o novo de Dirigentes Lojistas (CDL) de momento do setor. Caxias do Sul, a inadimplência de setembro apresentou alta de 60% na comparação com igual mês do ano passado. Em valores, quase R$ 2,3 milhões deixaram de ser pagos. Já o valor recuperado, de pouco mais de R$ 1,2 milhão, foi somente 2% acima de setembro de 2010. Como forma de qualificar a concessão de crédito, a entidade associou-se à Serasa Experian, aumentando para 84% as possibilidades de consulta cadastral de pessoas físicas e jurídicas em todo o Brasil. A nova estrutura será o tema central do Cardápio do Comércio, na terça (8), a tada em carretas frigorificadas, partir das 19h30, no Salão dos mas nem sempre é assim. Como Capuchinhos. as exigências sanitárias ainda são brandas nessa área, muitas toneladas de alimentos são postas fora, situação que também se reO Centro de Ensino Empresaflete na inflação. É uma bandeira interessante para a classe política. rial (CEEM) de Caxias do Sul é Nesta semana a Randon anunciou a primeira instituição brasileira a compra da Folle, empresa de conveniada à Fundação Getúlio Chapecó, especializada em carre- Vargas a ter o Sistema de Gestas frigorificadas. Com a aquisi- tão da Qualidade certificado na ção, a Randon busca atingir 40% norma ISO 9001:2008 em todos do mercado nacional, que tem os seus processos. Com 15 anos volume anual médio de 1,7 mil de atuação, o CEEM tem ainda equipamentos. Sua participação unidades em Pelotas, Santa Maria e Santa Cruz do Sul. anterior era de 32%.

Rigor no crédito

Magrão Scalco, Div./O Caxiense

O número de contratações temporárias pelo comércio neste final de ano deve ficar bem abaixo do que foi consolidado em 2010. A expectativa inicial era a de repetir as 800 admissões, mas o diretor do SPC e ex-presidente da CDL de Caxias do Sul, Luiz Antônio Kuyava, reavalia que não

Com alta de 20% no ano, totalizando US$ 444 milhões até setembro, quase 52% das importações caxienses concentram-se em três países: pela ordem, China, Itália e Estados Unidos, responsáveis, principalmente, por envios de equipamentos para indústrias moveleira e metalúrgica. Já as exportações cresceram 23,5%, somando US$ 757 milhões. Do total, 43% da receita externa têm origem na Argentina, Chile e Estados Unidos. Segundo os dados da CIC, as vendas externas representam 6,9% do faturamento da indústria local, quase 40% abaixo de outubro de 2010, que foi de 11%.

Desperdício de alimentos

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Eliminar a perda de grãos no transporte é um dos principais desafios para a indústria fabricante de implementos rodoviários. Avanços tecnológicos já garantiram sensível redução, mas a busca do marco zero continua. Além de grãos existe outro grande desperdício no transporte de alimentos. O diretor comercial da Randon Implementos Rodoviários, Vanei Geremia, estima em 20% a perda de alimentos perecíveis, como carnes e frutas, dentre outros, pelo transporte em equipamentos inadequados. Esta carga, segundo o executivo, precisa ser transpor-

Certificação


Penoso batismo

Um grupo ousou montar uma igreja protestante em plena Caxias dos anos 30 e desafiar a hegemonia católica. Enfrentou um calvário, com insultos, boicotes e tentativas de proibir celebrações por Camila Cardoso Boff Assembleia de Deus, Divulgação/O Caxiense

Uma sentença perseguia o sapateiro Rosolimbo José Cóssio nas ruas empoeiradas ou enlameadas da cidade. Eram só sete palavras, mas tinham força suficiente para desmobilizar qualquer pessoa menos persistente. Só que Rosolimbo não era qualquer pessoa. Rosolimbo era o homem que ousaria desafiar a hegemonia católica característica de Caxias do Sul. Rosolimbo foi o primeiro pastor no município da Assembleia de Deus, doutrina de origem sueca, seguidora da reforma de Martinho Lutero contra dogmas da Igreja católica. Estamos no fim da década de 20, início da década de 30. Se as palavras de um padre ou um bispo ainda têm hoje influência marcante na comunidade,

imagine há 80 anos. Era esse o cenário em que o sapateiro aceitou ceder sua moradia – a poucos metros de onde está instalada hoje a igreja dos Capuchinhos, na Avenida Rio Branco – para os primeiros cultos da nova doutrina. A resistência chegou de forma imediata e tomou a voz dos intolerantes, que passaram a insultá-lo quando cruzavam por ele durante as caminhadas. “Homem que troca de religião não presta”, ouvia o ex-católico. Rosolimbo não precisava pôr os pés nas ruas para sentir as consequências da conversão. Atrás do balcão da sapataria, descobriu que a sociedade conservadora começou a classificar seus clientes de “maus católicos”. O leiteiro recebeu a ordem de cessar as entregas

à família. Comentou-se até que alguém teria envenenado a água do poço da casa do sapateiro. A perseguição chegou às três filhas. Professoras, elas não conseguiam emprego “porque eram protestantes”. Trabalharam em casa até receberem a nomeação para escolas mantidas pelo governo do Estado. O sapateiro enveredou pelo difícil caminho da Assembleia de Deus graças à visita de um parente, em 1928. Crente da igreja em Porto Alegre, ele subiu a Serra com uma conveniente companhia: Gustavo Nordlund, o missionário sueco responsável por pregar a mensagem da doutrina pelo Estado. Os primeiros cultos no Brasil, 04.NOV.2011

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Primeira geração de membros da igreja |

Assembleia de Deus, Divulgação/O Caxiense

em Belém (PA), já tinham quase duas décadas. Era chegado o momento de conquistar novos adeptos no interior gaúcho. As visitas se sucederam, as pregações continuaram na moradia dos Cóssio, e três anos depois um grupo de crentes se consolidou com uma estratégia adotada até hoje. “O objetivo da Assembleia de Deus é ganhar almas para o Reino dos Céus. A criação das sedes das congregações é uma consequência disso, não um objetivo”, enfatiza o pastor Daniel Cavalcanti, presidente em exercício da igreja em Caxias. A Assembleia de Deus – que cria-

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ria seu primeiro templo na Avenida Júlio de Castilhos, próximo à Capela do Santo Sepulcro – nascia em Caxias do Sul em 20 de outubro de 1931. Oito décadas depois, quando comemorou o aniversário com um fim de semana de orações nos Pavilhões da Festa da Uva e homenagem na Câmara de Vereadores, a igreja estima reunir, em 54 congregações, cerca de 6 mil fiéis. É um número bem maior do que aquele do batismo em junho de 1943, um dos momentos mais tensos da história da Assembleia de Deus em Caxias. Doze fiéis mergulhariam não em

Anos iniciais foram tão difíceis que fiéis preferem esquecê-los


confortáveis tanques batismais, como hoje, mas em um arroio que deu lugar à Avenida São Leopoldo, entre a Colônia do Tronco e a Madeireira Travi. O inverno esfriava a água. Mas isso não era o que mais incomodava o pastor Rosolimbo. Para enfrentá-lo, bastaria jogar latas de água quente no arroio – e ele, como ficaria mais tempo imerso, teria também de usar panos aquecidos. A mobilização de um grupo de católicos, incomodados com a visibilidade que a igreja conquistava, havia se tornado a principal inquietação do religioso. A solução foi chamar o inspetor de polícia para proteger a cerimônia, evitando transtornos. “Não faltaram ameaças, que foram suplantadas pela alegria e pelas providências do senhor”, conta a pesquisadora Marília Aparecida Rocha de Castro, 67 anos. Natural de Vacaria, formada em Letras pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) e convertida desde os 12 anos, Marília se debruçou durante mais de 24 meses sobre as atas da Assembleia de Deus. Juntou o estudo às

conversas com os precursores – muitos deles que já dormem com o Senhor ou que permanecem na Glória (eufemismos usados pelos crentes para a morte) – e elaborou, em máquina de escrever, o livro sobre os primeiros 65 anos de história da igreja no município, publicado em 1998. Apesar de tanta dedicação, Marília faz raras referências às perseguições aos pioneiros. “Existe muitas histórias de perseguição, que eram verdadeiras, mas eu fui fiel àquilo que foi registrado nas atas”, justifica. O pastor Daniel também se mostra reticente quando convidado a relembrar a repressão caxiense à nova religião. “Com a chegada de uma denominação nova, houve algumas reações. Mas, com o trabalho e a seriedade, logo o povo caxiense pôde concluir que não estava tratando com mercenários, mas com pessoas dispostas a ajudar a desenvolver a cidade. Nós esquecemos esses problemas”, encerra. Como bons cristãos, os integrantes da Assembleia de Deus não guardam ressentimentos.

Pastor Rosolimbo Cóssio |

Assembleia de Deus, Div./O Caxiense

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Fotos: Foto Itália, Divulgação/O Caxiense


Bonecas da alta sociedade Depois de ficar sem um dos eventos mais tradicionais de seu calendário – e justo no ano do centenário do clube –, o aristocrático Juvenil rejuvenesceu. Adaptou à nova geração da elite caxiense a festa criada para agradar a velha e convidou um ícone de ambas: Barbie celebrou 15 anos em Caxias

por Marcelo Aramis 04.NOV.2011

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Elas chegaram de casacos longos. Sob uma chuva fina dessas de estragar chapinha, saíram do carro em frente ao Clube Juvenil, a 6 metros da entrada da festa – a maior distância que os pais das meninas aristocráticas costumam deixar as filhas. No saguão, um tumulto se instaurava. “Mãe, volta!”, desesperou-se uma delas, retornando à calçada com um gritinho típico da idade. A mulher estacionou. “Leve os casacos! A chapelaria está fechada”, disse a garota sobre o motivo do caos, algo capaz de acabar com a balada de qualquer uma. Logo alguém providenciou a chave, abriu a chapelaria e foi soterrado por uma pilha de roupas e bolsas Vitor Hugo e Louis Vuitton. Sob os casacos das meninas, vestidos de mulher. Para se identificar como donas da festa, as Barbies da Balada dos 15, o debut moderno do Juvenil, amarraram uma fita rosa na cabeça e um pequeno avental (?!) na cintura, mais comprido do que alguns vestidos. Faltava ainda uma semana para o baile de gala da nova geração da elite caxiense. A noite fria do fim de agosto era cenário para a Balada dos 15 Preview: mais balada, menos glamour. Pela experiência das outras edições da festa, que ocorre um final de semana antes do debut juvenilista, Daniele Locatelli Massignani, a mais recatada das 23, já se sentia apta a fazer previsões para o final da noite. “Ainda nem fomos apresentadas para a sociedade e já estão soltas, ‘ficando’, bebendo, caídas no chão”, sentenciava a garota, que recrimina o comportamento Paris Hil-

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ton, mas não pensa em trabalhar tão cedo e sonha ser dona de uma “rede chique de hotéis”. Daniele exagerou. Os garotos mais populares da escola passeavam com as debutantes como se exibissem um troféu, mas ninguém bebeu até cair. À primeira vista, Daniele é uma raridade entre as adolescentes. “Sou santa. Sou ‘BV’, digamos assim”, assumia a “boca virgem” durante o bate-papo com a psicóloga Mirelle Guerra – um dos 20 eventos do pré-debut. “Que bacana. Ainda existe...”, surpreendeuse Mirelle, admirando a franqueza da única BV do grupo, bem mais tímido quando a pauta migrou para a virgindade sexual. “Para os pais é difícil aceitar, por exemplo, as festas de vocês, que vão sei lá até que horas”, prosseguiu a psicóloga. “Até as 6:00”, precisou Greice Rangel, que sai à noite desde os 10 anos. “Eu ia pro Nova (Nova Geração, a festa teen do Recreio da Juventu-

de). Na época, a Wave (Juvenew Wave, a equivalente do Juvenil), noooossa... Era a melhor festa do mundo!”, relembrava Greice, como se resgatasse histórias antiquíssimas. Abismada com a experiência de ver uma garota “ficar” com 42 meninos em uma festa, Daniele adotou um discurso que deixaria qualquer mãe dormir tranquila. “Eu não vou perder o meu BV com qualquer um só porque todas estão perdendo. Tu tem que aproveitar cada fase da vida. E agora a gente tá na escola, e é época de estudar.” “Ahhhhh... Tipo, ok, é época de estudar sim, mas não só, né?!”, respondeu uma debutante, juntando um coro de sorrisinhos atrevidos. Daniele é uma adolescente típica: cheia espinhas e controvérsias. A garota que nunca beijou na boca – pelo menos até aquela data – declara no catálogo especial da Balada dos 15: “perco a linha quando... vejo um ga-


tinho”. Ao falar de imagem, a maior preocupação dessas gurias, ela revela outras semelhanças com as meninas da sua idade. Foi Greice quem melhor definiu o tamanho do dilema da fase da transformação.“Tu olha as fotos de criança: ‘Nossa, eu era tão fofinha...’ Olha no espelho hoje: ‘Nossa, que monstro’.” Em outro nível de aceitação, Daniele fez sua primeira piadinha: “Tu tem dois caminhos na vida: ser magra ou ser feliz. Eu escolhi ser feliz”, disse Daniele-bem-resolvida, para em seguida a Daniele-adolescente-comum derrubar toda essa segurança: “Mas também não sou uma baleia. Fui para Nova York, vi umas coisas terríveis (tipo, muuuuito gordas) e percebi que não tenho do que reclamar. Eu tento pensar em quem é pior do que eu. Daí fico melhor”. “Daí tu vê alguém mais magra e quer ficar igual a ela”, alguém tratou de encerrar o assunto. “Se o debut fosse manter as mesmas funções da origem, talvez devesse acontecer aos 13”, me disse a psicóloga Mirelle, após a palestra, sobre as adolescentes de hoje, cada vez mais precoces – Carolina Marques Guerra, a Barbie Oscar, tem 13. O debut que marcava a real estreia na vida social, a passagem para a fase adulta e a apresentação a possíveis pretendentes é da época das mães das atuais debutantes, mas já morreu de velhice. A cerimônia sobrevive com um protocolo clássico, para contentar aos pais, e, para atrair as filhas, uma maratona de atividades – durante os três meses que antecedem o baile – e formato de balada. “Para essas meninas terem interesse em de-

butar tem que ter uma festa muito diferente”, conta Renan Ribeiro Mendes, presidente do Clube Juvenil. Quando ele entrou para a diretoria, em 2005, a festa mais importante do calendário juvenilista estava defasada para as jovens, “mais autênticas e com mais personalidade”. Participar obrigada pela família, moda nos anos dourados do debut, também já tinha caído em desuso. Aquele era o ano do centenário do Juvenil, e a tradicional noite de gala deixou de ocorrer pela primeira vez. Por falta de interessadas. Então o clube contratou o promoter Julius Rigotto e transformou o baile adulto, animado por valsas e apresentação de orquestra, em uma balada jovem e tecnológica. O protocolo formal, ponto alto da noite, se manteve e ganhou ainda mais sofisticação. As gurias curtiram e os pais cederam aos caprichos modernos em troca da parcela conservadora do evento: o útil e o agradável voltavam a movimentar o clube cor-de-rosa. “Ainda é um momento de apresentação. É o pai conduzindo a menina pela mão e mostrando: ‘Essa aqui é a minha filha’”, conta Solange Lima, que coordena a Balada dos 15 desde 2006. Durante o baile, junto comigo na mesa, a colunista Odinha Peregrina fazia uma segunda narração depois que os mestres de cerimônia anunciavam o nome das debutantes e o nome dos pais. E todas eram filhas ou netas de alguém importante ou dono de alguma coisa. “Uma vez tu sabias quem era filho de quem. Hoje as meninas só querem saber o nome, não importa filho de quem. Os sobrenomes interessam aos pais”, explica Solange.

“Hoje as meninas só querem saber o nome, não importa filho de quem. Os sobrenomes interessam aos pais”, entrega Solange Lima, coordenadora do debut

Do Preview para o debut, o vestido cresce e muda o comportamento | Fotos: Foto Itália, Div./O Caxiense

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Barbie decorativa no baile |

Foto Itália, Divulgação/O Caxiense

Barbies no salão intermediário |

Foto Itália, Divulgação/O Caxiense

Cupcakes: decoração comestível |

Foto Itália, Divulgação/O Caxiense

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Isso é o suficiente para os pais. O resto do pacote, o que atrai as debutantes, é muito mais trabalhoso. “O Juvenil tem essa vantagem em relação aos outros clubes: um convívio familiar do pré-debut, que se deve muito ao trabalho e ao carisma da Sola”, elogia Renan. Maternidade. É isso que Solange, mãe da rainha Pauline, que passou a coroa na noite de gala, exerce durante os três meses de pré-debut. “Eu questiono. Vocês acham legal sair da festa contando com quantos ficaram? Acham legal se arrumar, gastar na roupa, cabelo e maquiagem para, no fim da festa, o vestido ter virado blusa e o sapato estar na mão? Elas não acham legal”, relata a diretora social, que não impede as meninas de beber, desde que saibam o limite. Para quem não obedece ou ultrapassa a linha da elegância, ela recorre às famílias originais. “Podem beber, podem cair. Primeiro eu cuido, até limpo, se precisar. Depois ligo para os pais e mando vir buscar a filha que deu vexame”, dizia a elegante Solange, agitando as pulseiras douradas, as unhas feitas, mãos improváveis para a limpeza de vômito. “Tu tem que entrar na festa linda e sair do mesmo jeito que entrou”, repetia, entoando o mantra da aristocracia. Foi esse ambiente familiar que chamou a atenção de Nádia Sandrin Manfroi, mãe de Bárbara. Ela quer que a filha faça “boas amizades” e frequente “bailes seguros e saudáveis”. Em Bento Gonçalves, onde elas moram, o debut está perdendo a força e há poucas opções para Bárbara sair à noite.“Ela nunca tinha saído antes. O debut foi mesmo um marco”, conta a mãe, que integrou a organização do Clube Aliança para realizar o sonho da filha e conseguiu, “com muito custo”, 10 meninas para o debut de Bento. “Queríamos que ela aproveitasse os 15 ao máximo.” E Bárbara levou a sério o “ao máximo”. Antes do Juvenil, a Rainha do Clube Aliança foi apresentada às sociedades de Bento, Farroupilha e Veranópolis. “Esse é o último. Acho que não vai dar mais pra convencer o pai”, conformou-se a garota, que ainda pretendia debutar em Nova Prata. Não foi um lamento, ela tinha motivos demais para comemorar: Barbie é o diminutivo de Bárbara (“adorei”); o formato do baile do Juvenil permitiu que ela tivesse uma madrinha (a melhor amiga); e,

pela primeira vez, o par foi o namorado. Inevitavelmente, o baile preferido. Na noite da festa, o namoradinho – “inho” pelo físico e pelos modos, não pela maturidade do relacionamento – abraçava a debutante sem amassar o vestido e a beijava na testa para não estragar a maquiagem. Recentemente, quando eles começaram a namorar, o pai de Bárbara ficou surpreso pela precocidade, mas aceitou. “Só pediu que houvesse respeito. Eles só querem me ver feliz”, acrescentou a menina. E o quanto custa a felicidade de Bárbara? Nem tanto. “Acabamos economizando no vestido. A Solaine Piccoli, que é excelente, tinha um pronto que ficou perfeito na Bárbara”, conta Nádia – ela pede para não divulgar o valor do traje assinado por “uma das melhores estilistas de Porto Alegre”. A bagatela financiaria pelo menos cinco anos do meu guarda-roupa. Mas nem tudo é extravagância. Bárbara usou o mesmo vestido nas quatro noites. Sem choro. De presente, viajou para Londres e Paris com os pais e a irmã. A mais nova, longe dos 15, já decidiu a viagem e Bárbara deve acompanhá-la também: Grécia e Dubai. “Elas têm gostos bem exóticos”, define a mãe. As outras 22 não têm gostos tão exóticos para viagens – quem ainda não foi pra a Disney já tem a viagem marcada –, mas são similares em poder aquisitivo. “Não dá pra dizer que não é uma festa elitizada, mas é bem menos do que muita gente pensa. Competimos com a festa de 15 anos, com a Disney... Em muitos casos, elas têm que escolher”, diz Renan. Quando perguntam a Solange quanto custa o debut, ela passa as taxas do clube – R$ 3 mil para não sócias, R$ 2.200 para sócias e mesas para o baile ente R$ 240 e R$ 350, mais um investimento de 1 mil reais com outros custos (maquiagem, fotos e firulas). O cálculo não inclui o vestido, que costuma ser a maior despesa. Os do estilista porto-alegrense Marco Tarragô, o queridinho das debutantes, custam de R$ 5 mil a R$ 11 mil. A rainha Pauline usou dois desses: um ‘estilo sereia’ bordô, para passar a coroa, e um rosa curto, no Chá com a Rainha, quando o dress code era “estilo boneca”. Antes do preço, a propaganda. Para Solange, as amizades construídas nos passeios e o conhecimento adquirido


Passeio a Gramado, no pré-debut | Foto Itália, Div./O Caxiense

nas palestras (autoconhecimento, maquiagem, etiqueta...) justificam cada centavo. Em um dos eventos do prédebut, o preferido da coordenadora, as meninas passaram um dia com as crianças do Abrigo Sol Nascente. Presentearam a casa com um videogame, distribuíram doces e cada uma ficou responsável por uma criança no passeio ao zoológico da UCS e ao McDonald’s. “Elas adoraram. Se emocionaram. As crianças as chamavam de tias. Tu precisava ver elas limpando o nariz das crianças...”, lembra Solange. Maria Eduarda Deon Cecatto, que escolheu ser a Barbie DJ na exposição fotográfica das debutantes, coleciona Barbies e viagens internacionais. As 62 Barbies “sentadinhas” (porque não são capazes de ficar de pé) na prateleira do quarto, paixão dividida com a mãe e o tema da Balada dos 15, convenceram a família a realizar o debut, depois de uma festa de 15 particular para 400 pessoas no Juvenil. “Fisicamente, Barbie é uma mulher que não existe: totalmente magra, muito busto, bunda e cabelo perfeitos. Às vezes se

A então soberana Pauline, no Chá com a Rainha |

refere a uma menina muito fresca”, diz Maria Eduarda, que detesta futilidade. Na festa dos 15, ela trocou o sapatinho por tênis, a valsa pelo hip hop. “A Barbie é linda e tal. Mas nem precisaria... Gosto dela por causa disso: a Barbie pode ser qualquer coisa. Ser Barbie é poder ser o que tu quiser”, filosofa a garota. Menos crente na possibilidade de um debut sem futilidade, a madrinha de uma debutante – e da mesma idade que ela – acha que o baile pode ser fundamental para a carreira da afilhada. “Ela quer ser médica, precisa estar em um nível mais alto da sociedade. Eu quero ser jornalista, não vou ter tempo para vida social”, analisou, justificando a intelectualidade conferida pelo óculos e pelo vestido preto comportado. “Tu vê meninas fofinhas, com namorados fofinhos... É bem o que elas são: bonitinhas e fofinhas. E provavelmente se aceitem como Barbies”, completou, ácida. Para ela, o importante do debut não é, necessariamente, a apresentação na coluna social, que “as pessoas olham, dizem ‘que bonita!’, ‘que feia’, e puf!, viram

Foto Itália, Div./O Caxiense

“A Barbie é linda e tal. Mas nem precisaria... Gosto dela por causa disso: a Barbie pode ser qualquer coisa. Ser Barbie é poder ser o que tu quiser”, diz Maria Eduarda, a maior fã da boneca

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a página”. O fundamental é o círculo social. “Elas sonham ser ricas, já são ricas e querem continuar sendo ricas. É isso”. Igualmente recém-chegada aos 15 anos, a madrinha achou desnecessário debutar ou ter festa especial. E abdicou de uma viagem em troca de uma desnecessária plástica no nariz. No grande dia, as mães, de penteado feito e calça jeans, novamente deixam as filhas na porta do clube, agora de vestidos longos, às 19:00, 4 horas antes do protocolo. Aguardadas por 4 fotógrafos, que dispararam quase 4 mil flashes naquela noite, elas fazem pose desde a calçada, onde começa o tapete vermelho. Perto das 22:00, os convidados começam a chegar. O traje de gala que, conforme Solange, “muda a postura das pessoas”, os destaca dos populares que passam na Avenida Júlio de Castilhos e espiam o movimento dos vestidos brancos. Na entrada do salão principal, flores de plástico que pareciam de verdade e Barbies de verdade que pareciam de plástico completavam a decoração cor-de-rosa da festa. Não teve jantar nem coquetel. Petiscos e frituras eram vendidos a la carte. Pouco depois das 23:00 iniciou o protocolo, que chamava as gurias de “meninasmoças”. Elas surgiram de trás de um

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telão móvel, com a trilha que escolheram para o momento.“Eu adoraria um trio de violinos para a entrada das debutantes. Mas para elas não faria o menor sentido. Tem que se adaptar. Elas querem Katy Perry? Tocaremos Katy Perry. O baile é delas”, aceita Solange. As jovens são conduzidas pelo par até os pais e desfilam pela pista de leds. Cumprimentam a família, a madrinha e a sister – debutante do ano anterior – e recebem uma joia do casal presidente (neste ano, uma corrente de ouro com um pingente que reproduzia o perfil da Barbie). Saem de cena e retornam para a coreografia de Teenage Dream, de Katy Perry. Os adultos têm mais 5 minutos de fama: tempo suficiente para homens da família dançarem a valsa com a debutante. Apagam-se as luzes. O DJ toca Love is in the air e I Will Survive para o público da pista. Em uma mesa, um grupo tenta adivinhar a próxima: ensaia a coreografia de YMCA. Acertam em cheio. A geração dos avós é eliminada. Em seguida, Village People é interrompido por uma batida forte e um rápido silêncio. I gotta feeling..., cantam The Black Eyed Peas. “UhhhUhhh”, respondem os jovens das mesas antes de invadir a pista. É o fim do baile. O começo da balada.

“Elas sonham ser ricas, já são ricas e querem continuar sendo ricas”, diz a madrinha de uma debutante sobre as meninas “fofinhas, com namorados fofinhos” que “se aceitam como Barbies”

Coreografia de Cláudia Bergmann | Foto Itália, Div./O Caxiense


Galópolis Fashion Week Modelos de todas as idades e todos os pesos fazem desfile sem o glamour internacional, mas com algo que não se vê nem em Paris: aqui ninguém tem o nariz empinado

Maurício Concatto/O Caxiense

por Carol De Barba “Gente, vamos começar! Avisa todos, Marilisa”, grita Vera Roso Vial, uma das integrantes da comissão que organiza a 3ª Semana de Galópolis, fazendo acender as luzes da passarela do também terceiro desfile de modas do comércio local. As palavras de Vera são proferidas bem na entrada do ginásio do bairro, ponto estratégico de comunicação entre os camarins, montados no prédio anexo, e a passarela, formada por um tapete vermelho avançando da lateral e outro cruzado sobre o círculo central. Na noite de sexta-feira (28), a mesma quadra que trocou as tabelas de madeira por tabelas em vidro, conforme as normas da Federação Internacional de Basquete (Fiba), no tempo em que o extinto programa UCS Olimpíadas anunciava Galópolis como o “polo do Basquete Feminino Gaúcho”, virou polo de moda. Às 20:24, hora exata do anúncio de Vera, quase um quinto da população 04.NOV.2011

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do bairro – conforme o último Censo, o total é de 2.377 habitantes – já está concentrado naquele quarteirão há pelo menos uma hora e meia. Mais de uma centena só nos bastidores, preparando o show que faria as arquibancadas vibrarem como nos tempos do basquete. Quatro lojas participaram do desfile, “as mesmas de sempre”, segundo Vera, que tradicionalmente – há três anos – colaboram para abrilhantar a Semana de Galópolis com acessórios e peças de vestuário feminino e masculino, infantil e adulto: a Boutique Fafalu (das irmãs Lóris e Loren), a Ousadia (cuja proprietária é uma bela mulher de meia-idade com cabelos negros, compridos e lisos como os da cantora Perla), a Nostra Vita (“que tem roupa, cama, mesa, banho, chinelo, flor e um mercadinho no subsolo”, explica Vera) e a Dandai (administrada por mãe e filha). Apesar de não vender roupas, a quinta participante foi a Cootegal – Cooperativa Têxtil Galópolis, uma das fábricas de tecidos mais antigas do Estado e em torno da qual surgiu todo bairro, em 1891 –, que encerrou o Crianças na passarela | evento com amostras de panos da coMaurício Concatto/O Caxiense leção de inverno 2012 trabalhados na

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técnica moulagem (direto no manequim). O desfile da Cootegal é coordenado pela estilista da empresa – e “do bairro”, completa a anfitriã Vera para ressaltar que tudo ali é da comunidade, acrescentando ser ela a criadora do trajes das soberanas de Galópolis. O da rainha, Mariana Brustolin Calza, é o único com temática: Amy Winehouse. “Começa mais colorido e vai ficando escuro, pesado, como o vício dela. É para servir como um alerta contra as drogas”, descreve Mariana, tirando as peças de uma grande caixa de papelão. Para que o desfile não fosse longo demais, cada pessoa jurídica teve direito a 10 entradas na passarela, totalizando 50, quase todas com bem mais que duas pessoas físicas – o que já é bastante se levarmos em conta que a Dolce & Gabbana penou para não enjoar o público da Semana de Moda de Milão com 76 entradas individuais. No prédio anexo ao ginásio, uma espécie de salão de igreja, mesas e cadeiras de madeira e palha foram empilhadas e cobertas com grandes panos (as toalhas das mesas, no caso) para se transformar em camarins. Apesar do cheiro de comida e das crianças correndo com refrigerante e salgadinhos nas mãos – perigo constante para os


looks –, foi ali que 100 clientes, parentes e amigos viraram modelos depois de vestidos, maquiados e penteados com a ajuda, é claro, dos profissionais do bairro. “Aqui tem de todas as idades e todos os pesos”, conta Vera. O show começa com uma entrada das soberanas da localidade e segue com a trilha de abertura da novela Fina Estampa. A plateia se emociona com cada entrada, especialmente com os pequenos, que, quanto mais desajeitados, mais fofos. Entre os mais velhos, ninguém com cara de comeu e não gostou, ou pior, de fome, como se vê em tantas passarelas internacionais. As senhoras, ainda que tímidas, exibiam com gosto visuais milimetricamente elaborados pelas equipes das lojas. O encerramento de um dos desfiles teve até fogos, como os da performance de Paul McCartney em Live and Let Die, guardadas as devidas proporções. Entre público e participantes, a opinião é consensual: todos amaram ver ou ser “artistas” por uma noite. Não foi nenhuma Fashion Week, mas deveria ser programa obrigatório para os narizes empinados metidos a fashionistas.

Bastidores do desfile |

Maurício Concatto/O Caxiense

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PLATEIA a moradia dos pesadelos

a FaNtÁstica FÁbrica de Fazer mÚsica | teatro sem segredo

Velcy Soutier da Rosa, Divulgação/O Caxiense

Arte prêt-à-porter por Vagner Espeiorin A principal função de um desfile de moda é apresentar tendências e novos produtos. Não raro, junta-se aos lançamentos, elementos experimentais. É assim, com jeito de coleção de moda, que a Curadoria Independente e a Galeria Arte Quadros lançam a exposição Primavera Verão, uma mistura de clássicos e estreantes. Diferentemente das passarelas, a mostra não pretende se guiar pela harmonia do conjunto, mas se inspira na moda para estimular o consumo. “Juntamos uma galera, porque queremos mesmo criar uma variedade de opções às pessoas”, diz a curadora Mona Carvalho, que pretende lançar a moda de comprar arte.

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Extravagância não é pecado no consumo de arte. Pecado seria nem sequer apreciar as 150 obras dos 32 artistas da exposição, revelações como Simone Sgorla, Daniela Antunes e Cristiane Marcante e ícones como Antonio Giacomin, Jane De Bhoni, Velcy Soutier da Rosa e Vasco Machado. Vitor Hugo Porto, de 57 anos, que pertence à classe dos ícones, também cede ao experimentalismo. Sem perder a característica cubista da sua obra, o artista aborda uma temática um tanto realista, deixa o acrílico e colore as telas a óleo. Vitor vai expor duas obras, entre elas Dona Júlia. “O processo é inspirativo. Pensei em fazer um retrato de um mulher da periferia. Dei idade a ela. Imaginei que tivesse filhos. Cha-

mei de Júlia”, diz o artista sobre a personagem que não teria espaço nas passarelas de moda, mas é top na galeria. O uruguaio Mario Cladera, que tem uma obras pouco comerciais, também está entre os grandes nomes da exposição. Mostra cinco esculturas. Produzidas ao longo de um ano, entre as oficinas de arte e as imersões no ateliê, entre Porto Alegre e Caxias, as obras fazem referência à natureza e já passaram por outras mostras locais. A visitação é gratuita e as peças têm preços de grife e de liquidação: custam entre R$ 250 e R$ 5 mil. ARTE QUADROS

SEG-SEX.09:00-12:00 13:30-19:00. SÁB 09:00-15:00. A PARTIR DE 11. NOV.


CINE

Daniel

CRAIG. Rachel WEISZ. Naomi WATTS. De Jim SHERIDAN

A CASA DOS SONHOS Um editor de livros muda-se de Nova York com a esposa e as duas filhas para uma bucólica cidadezinha em busca de paz – que, obviamente, não consegue: descobre que a nova casa foi palco do brutal assassinato de uma família. Atenção para o “quase”: o único sobrevivente, o pai, é o principal suspeito do crime. Mas #tenso mesmo é o que houve entre o oscarizado diretor irlandês Jim Sheridan (Em Nome do Pai) e os produtores. Não ficou o filme dos sonhos de Sheridan, que pediu para retirar seu nome dos créditos – e não levou. As interpretações de Daniel Craig e Rachel Weisz tentam salvar o que restou. Estreia.

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GNC 14:00-16:15-19:00-21:30

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A áRVORE DA VIDA

+ TV

Espinhosa e existencialista, a oposição entre a racionalidade e a emoção domina o drama de uma família texana. A mãe acredita no poder da graça. O pai é a representação da força e da autoridade. O filho precisa achar seu caminho. A árvore pode ser bela, mas guarda a dureza do caule. 2ª semana.

CSI: Las Vegas

Quem tem TV por assinatura já viu todas as temporadas e versões (Miami, NY, Las Vegas...), mas, na falta de programação mais interessante, sempre vale recorrer ao legista Gil Grissom, à ex-dançarina Catherine Willows e ao restante da equipe que investiga cenas criminais por meio da ciência forense. RECORD SEX. 21:15

14

1:00 3★

★★★★ ★

ORDOVÁS. SEX. 19:30. SÁB.-DOM. 20:00 Sara

12

PAXTON. Dustin MILLIGAN. De David R. ELLIS

TERROR NA áGUA

Um tubarão que ataca amigos durante as férias em um lago. Dos mesmos produtores de O Albergue e O Massacre da Serra Elétrica. O o mesmo diretor de Premonição. Enlatado como sardinha. Estreia. GNC 14:15-16:40 (3D)

19:30-21:50 (3D)

14

1:48

O PALHAçO

O nome do Circo é Esperança, mas o sentimento nem sempre dá as caras no filme. Poucos esperariam tanta melancolia em uma obra com esse nome. Numa crise existencial, Pangaré ocupa o picadeiro com suas tristezas e angústias. Às vezes, faz graça, mas no estilo humor negro. 2ª semana.

★★★★ ★ GNC 13:40-15:45-18:45-21:00

10

1:30

2:18

CONTáGIO

Não se mexa. Não toque. Não mantenha contato. É um filme sobre vírus, mas poderia ser uma obra sobre a dificuldade de relacionamento na atualidade. A catastrófica ameaça de um vírus é um argumento batido, mas Soderbergh “brinca” com ela de forma original. 2ª semana. GNC 14:30-19:20-21:40

12

1:36

O RETORNO DE JOHNNY ENGLISH

Não é para ser levado a sério. Rowan Atkinson (o Mr. Bean) é o protagonista. 2ª semana. GNC 13:50-16:30-19:10-21:20

10

1:41

ATIVIDADE PARANORMAL 3

Espíritos que assustam criancinhas e os gritos das criancinhas assustam os adultos. 3ª semana. GNC 16:00-18:00-20:00-22:00

14 04.NOV.2011

1:34

29


Clive

Owen. Catherine Keener. De David Schwimmer

CONFIAR

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

PODER JUDICIÁRIO

Edital de Interdição 1ª Vara de Família - Comarca de Caxias do Sul. Natureza: Interdição Processo: 010/1.11.0015427-2 (CNJ:.0028490-60.2011.8.21.0010). Requerente: Nelson José Caberlon. Requerido: Caterina Dal Pos Caberlon. Objeto: Ciência a quem interessar possa de que foi decretada a INTERDIÇÃO do REQUERIDO(A): Caterina Dal Pos Caberlon, por sentença proferida em 30/08/2011. LIMITES DA INTERDIÇÃO: Sem limites. CAUSA DA INTERDIÇÃO: Incapacidade para reger sua pessoa e administrar seus bens . PRAZO DA INTERDIÇÃO: Indeterminado. CURADOR(A) NOMEADO(A): NELSON JOSÉ CABERLON . O prazo deste edital é o do art. 1.184 do CPC. Caxias do Sul, 27 de setembro de 2011. SERVIDOR: Maria Cristina Chiele Bernardi JUIZ: Maria Olivier. AVERGS – Associação Vêneta do RS

Rua Bento Gonçalves, 1283 salas 03 e 04 - Centro Caxias do Sul – Fone (54) 3223 5083

EDITAL DE CONVOCAÇÃO Convocamos os Srs. Associados, quites com a tesouraria, para uma Assembléia geral que será realizada no dia 23 de novembro ( quarta-feira) as 19:00, conforme determina o estatuto, tendo como local sua sede social cita no endereço acima, para apreciarem o seguinte: A) Alteração do estatuto social; B) Assuntos em geral; Caxias do Sul, 04 de novembro de 2011. Tito Armando Rossi – Presidente

O diretor David Schwimmer (o Ross, da série Friends) deixou a comédia de lado para falar de coisa séria. Pedofilia na internet. Uma jovem se envolve com um garoto pela rede, mas descobre que ele não é tão novo assim. O relacionamento abala a confiança da família. Para acentuar o drama, um dilema: o pai da vítima é um publicitário que, em suas campanhas, trabalha com a erotização dos adolescentes.

ORDOVÁS QUI. 19:30

14

1:46

GIGANTES DE AÇO

Num futuro não muito distante, em 2020, mas numa realidade a perder de vista, robôs substituem lutadores em ringues. 5ª semana. GNC. 13:30-16:50

10

2:07

Amizade Colorida ★★★★★ “Bonitinho, ordinário, sem graça.”

Mila Kunis e Justin Timberlake vivem uma experiência em que a amizade é fachada e o sexo é subterfúgio. E eles gostaram do subterfúgio. UCS. 18:00

14

1:45

Premonição 5

A história de sempre: grupo de amigos tentando fugir da morte até sóbrar só um, para dar sequência a história. UCS. 20:00

16

1:35

OS SMURFS

Depois de uma longa espera, eles voltaram e esqueceram de ir embora. O público gosta mesmo dos smurfs. Resultado: 14ª semana. UCS. 16:00

L

1:43

SIMPLESMENTE AMOR

O velho quebra-cabeças do coração, com paixões entrelaçadas e desencontradas, mas com direito a ponta de galã brasileiro: Rodrigo Santoro. ORDOVÁS QUI. 15:00

30 30 04.NOV.2011

14

1:43


Tire 5 dias para ver desenho Faz tempo que ver desenho animado não é só programa de criança. A 1ª edição do Anima Caxias atende bem o público infantil, mas vai muito além disso. Somando 2 mil inscrições, os participantes vão respirar desenho por 5 dias. Além das mostras competitiva e paralela, com filmes locais, nacionais e internacionais, o evento terá oficinas, workshops e palestras sobre as diversas técnicas de animação, do stop motion ao 3D. Mestres da área, como Fabio Yamaji, estarão por aqui. E servirão de incentivo à produção caxiense. “Caxias tem muitos animadores, mas poucos filmes”, explica o organizador, Maurício Sabbi. Veja a programação completa www.animacaxias.com.br. SEG.-SEX. 8:30-22:00. Ordovás

04.NOV.2011

L

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Divulgação/O Caxiense

MUSICA + SHOWS SEXTA Disco

22:00. R$ 10 e R$ 20. Portal Bowling

Volux

22:00. R$ 10. Bier Haus Bar

Pátria e querência

22:00. R$ 6 e R$ 8. Paiol

Julian e Juliano

23:00. R$ 20 e R$ 30. Arena

Marcelo Duani e DJ Marcelo Heck 23:30. R$ 10 e R$ 20. Boteco 13

Puracazuah

23:00. R$ 20 e R$ 25. Havana

The Hawks Country Band

22:00. R$ 10 e R$ 15. Mississippi

Sunny Music

23:00. R$ 10 e R$ 12. Vagão Bar

Corrente Sangüínea Lustrando os Trastes, Stripper Jack e Toni Trapaça 23:00. R$ 10 e R$ 12. Vagão Classic

DJ Luciano Lancini e DJ Nóia 23:00. R$ 20 e R$ 40. Xerife

Sexta Cultural

21:00. Zarabatana

Sábado H5N1

Blues de Chicago, Santa Catarina The Headcutters, de Itajaí (SC), é considerada uma das boas representantes do blues do Brasil. O quarteto é fiel à estética dos anos 40 e 50 e à linha das lendárias gravadoras de blues de Chicago dessa época, desde o timbre, o visual dos integrantes e os instrumentos até a identidade no MySpace. A inspiração dos performáticos Joe Marhofer (harmônica e vocal), Ricardo Maca (guitarra e vocal), Arthur “Catuto” Garcia (contrabaixo acústico) e Leandro Cavera (bateria) vem de mestres como Muddy Waters, Little Walter e Jimmi Rogers.

★★★★ ★

22:00. R$ 10 e R$ 20. Portal Bowling

Izzi e Louise

22:00. R$ 10. Bier Haus Bar

SÁB. 22:00. R$ 10 (F) e R$ 15 (M). Mississippi

22:00. R$ 6 e R$ 8. Paiol

DJ Felipe Guerra

23:00. R$ 30. Nox Versus

Goiabada Cascão

23:30. R$ 10 e R$ 20. Boteco 13

Killer on the dancefloor

23:00. R$ 25 e R$ 40. Havana

The Headcutters

22:00. R$ 10 e R$ 15. Mississippi

Guff

23:00. R$ 12 e R$ 15. Vagão Bar

32

Divulgação/O Caxiense

Barbaquá

Da garagem ao parque Os integrantes eram baixinhos. Sugeriram dar o nome à banda de Umpa Lumpas. Eles não chegaram a gostar. Optaram por Willie Wonka. Mais nobre. Ainda que o nome seja de destaque, a banda precisa virar gente grande no lotado cenário musical de Caxias. No sábado, eles tocam composições próprias e alguns covers nos Macaquinhos. O show faz parte do Rock Parque. Ainda tem Metalica Cover, Lustrando os Trastes, Fighter e OLTZ. Nwão chega a ser uma fantástica fábrica de talentos, mas já ajuda a mostrar o trabalho dos caras. SÁB. 15:30. Parque dos Macaquinhos 04.NOV.2011


Maurício Concatto/O Caxiense

+ SHOWS SÁBADO Oltz

22:00. R$ 12 e R$ 15. Vagão Classic

DJ Cuca

23:00. R$ 20 e R$ 40. Pepsi

DOMINGO Gaspanic e Lonely Hearts Club Band 18:00. R$ 12. Leeds

Domingueira

17h. Livre. Zarabatana

TERÇA Sopros e Acordes

22:00. R$ 10. Bier Haus Bar

Débora Menegon e André Viegas 22:00. R$ 8 e R$ 10. Mississippi

Giovanni Marquezeli

20:30. R$ 25 e R$ 15. Teatro São Carlos

A fórmula do jazz e o quarto elemento

Receita para uma bela noitada de jazz: junte uma boa dose de Fernando Aver, guitarrista, violonista, compositor e arranjador, entre outros, com 20 anos carreira; uma pitada de Marcos Petta no baixo; outra de Rodrigo Zorzi na bateria; e finalize com a potente voz de Mirtinha Gómez – que vai de MPB a Billie Holiday em um só repertório – a gosto. Misture bem e aprecie sem moderação.

★★★★★

QUARTA

SÁB. 23:00. R$ 10. Leeds

Tríplice

Divulgação/O Caxiense

22:00. R$ 10. Bier Haus Bar

Maurício e Daniel 21:00. Paiol

Rafa Gubert e Tita Sachet

22:00. R$ 8 e R$ 10. Mississippi

QUINTA Sandra e Leonarda

22:00. R$ 10 e R$ 20. Portal Bowling

Fabrício Beck

22:00. R$ 10. Bier Haus Bar

Macuco

22:00. R$ 6 e R$ 8. Paiol

Rafa Schuler Trio

22:00. R$ 10 e R$ 15. Mississippi

Projeto Caiubi

20:00. Zarabatana

A voz da brasilidade

“Muitos do ritmos em cena podem parecer estrangeiros”, avisa a diretora musical do espetáculo Cantos da Nossa Terra e Outros Cantos Cristiane Ferronato. Mas não são. No palco, 29 pessoas cantam e dançam músicas com essência brasileira. Encabeçado pelo grupo Zingado e com a participação do Coro Infanto-juvenil de Veranópolis, o projeto quer colocar sobre o palco o trabalho preparado desde fevereiro. Envolto na pesquisa histórica, a apresentação popular tem grande chances de se mostrar um bom espetáculo experimental. SÁB. DOM. 20:30. R$ 10. Ordovás 04.NOV.2011

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Divulgação/O Caxiense

PALCO + ESPETACULOS Mostra Tem Gente Teatrando 2011 Depois de uma temporada com Memórias de uma Solteirona, a Casa de Teatro Tem Gente Teatrando sedia mais um evento em família. A mostra de teatro da companhia acontece pela 13ª vez e abre com espetáculos infanto-juvenis. Em Escravos de Jó e A Galera da Rua 13, os alunos sobem ao palco para mostrar o trabalho ao longo do ano. “Acho que esse é o nosso diferencial. Fazer com que os alunos realizem um produto final”, avalia a atriz Zica Stockmans, a diretora da casa. SÁB. DOM. 16:00. R$ 20 e R$ 10. Casa de Teatro

Estudantil acadêmico

O diretor Eriam Schoenardie concebeu a peça O Segredo de Salete ao participar com os colegas de uma oficina do dramaturgo Valter Sobreiro. Não, isso não foi foi há muito tempo. Eriam tem apenas 19 anos, cursa Licenciatura em Teatro na UFRGS, em Porto Alegre, e os outros sete atores do grupo Teatro de Nômades – inclusive sua parceira no roteiro, Letícia Tonolli – ainda estão no ensino médio do Colégio Imigrante. Baseado no poema O Caso do Vestido, de Carlos Drummond de Andrade, o espetáculo até parece obra de gente grande: tem trilha sonora ao vivo, mistura passado e presente em palco, e usa de elementos simbolistas para representar vidas marcadas por amores frustrados. SEX. 20:00. 1Kg de alimento não perecível. Teatro do Sesc 1:00

Consórcios Contemplados de Imóvel CRÉDITO

ENTRADA + SALDO

200.000,00 100.000,00 100.000,00 92.600,00

Entrada + 68 x 3.682,00 Entrada + 106 x 1.130,00 Entrada + 145 x 858,00 Entrada + 69 x 1.285,00

(54) 3419 4662 │Email: marchesini.franci@gmail.com www.compreimoveisnaserra.com.br

Sem prisão de ventre Para comemorar o aniversário de 10 anos, a Hayet Escola de Danças vai colocar 75 pessoas no palco no espetáculo Belly Fusion. E vai misturar dança do ventre, especialidade da casam com hiphop, dança cigana e efeitos pirotécnicos. Eu tenho medo. DOM. 19:30. R$ 18. Teatro São Carlos. 1:30

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Histórias emolduradas

CA

MA RIM

Em 2004, Paulo Scott convidou Fábio Zimbres para ilus- Marcelo Aramis trar seus textos. Os cartazes em preto e branco, metade ilustração, metade texto – uma pequena ficção – foram expostos em livrarias, cafés e bares em todo o Brasil. O projeto cresceu e novos escritores e ilustradores foram convidados: ao todo, 90, o mesmo número de obras na exposição Na Tábua. Entre os convidados, os escritores Charles Kiefer e Reinaldo Moraes e da filósofa Márcia Tiburi. A partir de 9.NOV. SEG.-SEX. 9:00-19:00. SÁB. 15:00-19:00. Ordovás

+ EXPOSICOES VI Mostra Real da Maçonaria da Serra Gaúcha

Coletiva SEG.-SEX. 9:00–19:00. SÁB. 15:00–19:00. Ordovás.

Êxodos

Sebastião Salgado (reproduções). SEG.-SEX. 9:00-19:00. Câmara de Vereadores

Frames da Dança

2★

Coletiva. SEG.-SÁB. 8:00–20:00. Sesc

Moúsai: à luz do luar, entre sombras, o patrimônio se revela Coletiva. TER.-SÁB. 9:00–17:00. Museu Municipal

O Bairro faz

Coletiva. SEG.-SEX. 8:00-18:00. SÁB. 8:30-12:30. Farmácia do IPAM

O ventre e o Leite

5★

Bruno Segalla. SEG.-SEX. 9:00–12:00. 14:00–7:00. Instituto Bruno Segalla

Retratos

3★

Vitor Hugo Senger. SEG.-DOM. 10:00–22:00. San Pelegrino

Somos iguais. Preconceito não Coletiva. SEG.-SEX. 8:00–22:30. ATÉ 10.NOV. BLOCO M.-UCS

Teatro Lume, Divulgação/O Caxiense

ARTE

Novos ares no Teatro Municipal Depois de 6 meses fechado para reformas, o Teatro Pedro Parenti retoma a agenda. As principais mudanças ocorram na cabine de iluminação, que passou do mezanino para o térreo e nas adequações de segurança, como o alargamento de corredores e saídas de emergência. A capacidade do teatro foi reduzida de 412 para 349 lugares. No dia 11, deve ser realizada uma solenidade de reinauguração. No dia 13, Carlos Simioni, do Teatro Lume (SP) apresenta o espetáculo Sopro.O teatro/dança revela as relações do homem com o tempo, o espaço, o sexo e as emoções. Entre o nascimento, “folha em branco do ser” e a morte, “folha em branco, do não ser”, a ligação entre os extremos: o sopro. Os ingressos devem custar R$ 5. Bons ventos para a nova fase do teatro municipal.

Chegadas e partidas

A Revista Zunido, lançada em fevereiro deste ano, prepara a sua segunda edição. Projeto de Patrícia Heuser e Lidia Ribeiro, da Arquivo Design, a revista sai no início de dezembro. Lidia conta que as pautas de cultura, comportamento e moda serão mantidas, mas com um apelo mais jovem. E mais verão. Conquista suada.O New Jazz Festival, realizado em outubro do ano passado, com a mesma equipe na organização e grandes talentos no palco do Aristos, não terá a mesma sorte da revista. Volta no ano que vem? Lidia não garante. Ficaremos na torcida. 04.NOV.2011

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Enderecos

Daiane Daros, Divulgação/O Caxiense

A

cinemas: GNC - rsc 453 - km 3,5 - Shopping Iguatemi | 3289-9292. Seg.qua.qui: R$ 14 (inteira), R$ 11 (Movie Club) R$ 7 (meia). Ter: R$ 6,50. Sex. Sab.Dom.Fer.R$ 16 (inteira). R$ 13 (Movie Club) R$ 8 (meia). Sala3D: R$ 22 (inteira). R$ 11 (meia) R$ 19 (Movie Club) | UCS. Francisco Getúlio Vargas, 1130, Petrópolis. 3218.2100. | ORDOVÁS. Luiz Antunes, 312. Panazzolo. 3901-1316. R$ 5 (inteira). R$ 2 (meia).

MÚSICA: Arena. Perimetral Bruno Segalla, 11.366. São Leopoldo. 3021-3145. | Bier HauS. Tronca, 3.068. Rio Branco. 3221-6769 | Boteco 13. Augusto Pestana. Moinho da Estação. 3221-4513 | Havana Café. Augusto Pestana, 145. Moinho da Estação. 3215-6619 | Leeds. 18 do forte, 314. Lourdes | Paiol. Flora Magnabosco, 306. São Leopoldo. 3213-1774 | Mississippi. Coronel Flores, 810, São Pelegrino. Moinho da Estação. 3028-6149 | Nox Versus. Darcy Zaparolli, 111. Villaggio. 3027-1351 | Pepsi Club. Vereador Mário Pezzi, 1.450. Lourdes. 3419-0900 | Portal Bowling‎. RST 453, Km 02, 4.140. Desvio Rizzo. 3220-5758 | The King: Tronca, 2802. Rio Branco. 3021-7973 | Vagão. Coronel Flores, 789. São Pelegrino. Moinho da Estação. 3223-0007 | Vagão Classic. Júlio de Castilhos, 1.343. Centro. 3223-0616 | Xerife. Hilário Pasquali, 34. Universitário. 30254971 | Zarabatana. Luiz Antunes, 312. Panazzolo. 3228-9046

Carol De Barba

teatros: TEATRO São CARLOS. Feijó Júnior, 778. São Pelegrino. 3221-6387 | SESC. Moreira César, 2462. PIO X. 3221-5233 | ORDOVÁS. Luiz Antunes, 312. Panazzolo. 3228-9046 | casa de teatro. oLAVO BILAC, 300, SÃO PELEGRINO galerias: Câmara Municipal. Alfredo Chaves, 1.323. Exposição. 3218-1600 | CAMPUS 8. RS-122, s/n°, Km 69. Forqueta. 3289.9000 | CATNA CAFÉ. Júlio de Castilhos, 2546. Centro. 3221-5059 | Instituto Bruno Segalla. 30276243 | Andrade Neves, 603,Centro | Museu Municipal. Visconde de Pelotas, 586, Centro. 3221-2423 | ORDOVÁS. Luiz Antunes, 312. Panazzolo. 3228-9046 | Salão de Beleza Iza. Os 18 do Forte 1420. São Pelegrino. 3223.8135 | San Pelegrino. Rio Branco, 425. São Pelegrino. 3022-6700 | sesc. mOREIRA CÉSAR, 2462, PIO X. 3221-5233 | FARMÁCIA DO IPAM. DOM JOSÉ BAREA, 2202, EXPOSIÇÃO. 4009.3150

Legenda Duração

Classificação

Avaliação ★ 5★

Cinema e Teatro Dublado/Original em português Legendado Animação Ação Aventura Comédia Drama Infantil Policial Romance Suspense Terror Ficção Científica

Música Blues Coral Eletrônica Erudita Jazz Pop Reggae Rock Samba Sertanejo Tradicionalista Pagode

MPB

Dança Clássico Dança do Ventre

Folclórica

Artes Desenho Fotografia

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Diversas Escultura Pintura

Hip hop

Viva la bijou

A grife de bijuterias Maria Santa lança este mês uma coleção pocket de Alto Verão inspirada em Frida Kahlo. Símbolo de feminismo e de libertação, a pintora mexicana era detentora de um estilo único de pintar e viver. A “Filha da Revolução” deu status cult ao kitsch, primando pela arte do excesso tanto em suas telas quanto no visual. As peças da Maria Santa misturam cores, texturas e materiais, apostando em uma tendência que sempre dá certo no calor: o tropicalismo.

Moda y otras cositas más

Quem gosta de garimpar peças bacanas por precinhos camaradas já pode marcar na agenda: sábado (5) e domingo (6), a partir das 15h, tem brechó Magnifique très Chic, no Café Giardino (ao lado do Parque dos Macaquinhos). Idealizado por Carolina Merolillo e Sabrine Zanotto Tosi, o bazar terá roupas de marcas como Guess, Triton, Converse, Zoomp, Vide Bula, Favela Hype e King 55, além de peças de decoração, quadros, acessórios, calçados, livros e discos. Tudo ao sabor de deliciosos fofos (os pãezinhos especiais do café) e ao som de Beatles – com Rafael Poletto, no sábado – e blues – com Uncle Cleeds e J.A. Harper, no domingo.


ARQUIBANCADA

Futebol vai a Novo Hamburgo| Basquete vai bem mais longe | Gurizada bate bola no Municipal | Tem bolão nos Capuchinhos + ESPORTE TÊNIS: Circuito da Serra Gaúcha de Tênis

SEX. 18:00. SÁB. e DOM. 9:00. Recreio da Juventude

CORRIDA: 2ª Rústica Girassol 2011 SÁB. 9:00. UBS Santa Fé

GOLFE: Torneio Presidente

SÁB. 8:00. DOM. 9:30. Caxias Golf Club

FUTEBOL: Campeonato Municipal Sub-13 e Sub-15 SÁB. Das 14:00-16:30. Estádio Municipal

FUTEBOL: Jogos Escolares

SÁB. Das 8:30-13:00. Estádio Municipal

FUTSAL: Copa Ipam

SÁB. 19:00-20:00-21:00. Colégio Santa Catarina

VÔLEI: Campeonato Aberto de Voleibol Celso Silva Schaidhauer DOM. 8:30-17:30 (Enxutão) 9:30-14:15 (Arena)

BASQUETE: Campeonato Citadino DOM. 15:00 e 16:30. UCS

BOLÃO: Jogos Abertos

Unidos x Caipora: SEX. 19:15. Salão Paroquial dos Capuchinhos Esperança x União: SEX. 19:15. Salão Paroquial da Igreja Santo Antônio Virakopus x União: QUA. 19:15. Salão Paroquial da Igreja Santo Antônio Unidos x Esperança: QUA. 19:15. Salão Paroquial dos Capuchinhos RECREIO DA JUVENTUDE: ATÍLIO ANDREAZZA, 3.525, SAGRADA FAMÍLIA | UBS SANTA FÉ: AV. SANTA FÉ, 349, SANTA FÉ | ENXUTÃO: LUIZ COVOLAN, 1.560, STA. CATARINA | ARENA: GUERINO LIMA, 746, STA. CATARINA | CAXIAS GOLF CLUB: ESTRADA DO GOLFE, 111, FAZENDA SOUZA | ESTÁDIO DO VALE: SANTA TEREZA, 420, NOVO HAMBURGO (RS) | COLÉGIO SANTA CATARINA: MATHEO GIANELLA, 1.160, SANTA CATARINA | UCS: FRANCISCO GETÚLIO VARGAS, 1.130, PETRÓPOLIS | ESTÁDIO MUNICIPAL: AV. PEDRO MOCELIN, CINQUENTENÁRIO | SALÃO PAROQUIAL DOS CAPUCHINHOS: GENERAL SAMPAIO, 161, RIO BRANCO | SALÃO PAROQUIAL DA IGREJA SANTO ANTÔNIO: PADRE VICENTE BERTONI, 1.390, FORQUETA.

Bruno Salvador marcou nos 3 a 0 do Jaconi |

Edgar Vaz, EC Juventude, Div./O Caxiense

quase na final

Parece que nem tudo está perdido em 2011. No primeiro jogo das semifinais da Copa Laci Ughini, no Jaconi, o Ju fez sua parte, e com sobra. Empilhou 3 a 0 no Novo Hamburgo e pôs na mala uma bela vantagem para decidir fora de casa, neste sábado, uma vaga na final da Copinha. O alviverde pode perder por 2

gols ou, se marcar algum, por 3. Se levar o troco com o mesmo placar, a disputa vai para os pênaltis. Na outra semifinal, Lajeadense e Grêmio B decidem a vaga no Olímpico – na primeira partida, em Lajeado, o time da casa fez 4 a 2.

SÁB. 16:00. De R$ 5 a R$ 10, Estádio do Vale, Novo Hamburgo

Cortando o Estado No basquete, um segundo em quadra pode definir o vencedor. Na estrada, o tempo significa desgaste e tédio. E são longas 10 horas de trânsito que o Caxias Basquete enfrentará até Uruguaiana para disputar a penúltima partida da fase de grupos do Estadual. Na 2ª

colocação, a equipe de Rodrigo Barbosa não deve ter dificuldades para vencer o time da casa, que, além de lanterna, perdeu todas.

DOM. 19:00. Ginásio do Uruguaiana. Marechal Deodoro, 1.920, Uruguaiana

Jogatina beneficente O grupo Poker das Quintas quer dar uma mão para entidades assistenciais de Caxias do Sul. Está com inscrições abertas para o 1º Torneio Beneficente de Poker, que ocorrerá no próximo dia 19, um

sábado, às 13:00, na sede da Acomac (Rua Santo Bortolini, 1.270, Bela Vista). Inscrições – a R$ 50 + 2 kg de alimento – e informações no local ou pelo telefone 99593353. 04.NOV.2011

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Profile for O Caxiense Revista

Edição 101  

Beleza, riqueza, sucesso. A velha boneca, que ainda representa tudo isso, foi convidada a celebrar 15 anos em Caxias para ajudar a rejuvenec...

Edição 101  

Beleza, riqueza, sucesso. A velha boneca, que ainda representa tudo isso, foi convidada a celebrar 15 anos em Caxias para ajudar a rejuvenec...

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