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COMBATIVO AOS 80

Senador Pedro Simon: “O Congresso está gozando da nossa cara”

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Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.

O CLÁSSICO

CA-JU

ESTá NO AR Dois times nivelados. Dois jogadores que passaram a vestir a camisa do rival. E dois técnicos que já foram rivais em outros gramados. Caxias do Sul respira as emoções de seu grande clássico

As nuvens começam a se dissipar sobre Vila Oliva, e Roberto Hunoff afirma: o aeroporto internacional será lá | Renato Henrichs ouve o Samae sobre o aumento da água | Festa da Uva usa tecnologia para resgatar a história

Maicon Damasceno/O Caxiense

Caxias do Sul, janeiro de 2010 | Ano I, Edição 9 | R$ 2,50


Índice José Cruz, ABr/O Caxiense

www.OCAXIENSE.com.br

A Semana | 3

Um resumo das notícias que foram destaque no site

Roberto Hunoff | 4

Além de aeroporto, Vila Oliva deve ganhar distrito industrial

VÍDEOS

(Acompanhe em www.ocaxiense.com.br/multimidia)

Entrevista | 5

Na praia, o senador Pedro Simon recebe O Caxiense para falar da vida política dele, dos conterrâneos e do país

Longe do Centro | 7

Maicon Damasceno/O Caxiense

Quase inacessível, o Vila Lobos quer mais acesso ao poder público para reivindicar

Festa da Uva | 10

Tridimensionalidade, interatividade, telas e luzes combinam, sim, com fotos antigas

Expectativa nos céus | 12 A favorita Vila Oliva aguarda a confirmação oficial do aeroporto internacional em suas plagas

l O CA-JU que vem aí reuniu os presidentes Milton Scola e Osvaldo Voges. Veja o bate-papo preparativo ao clássico.

Guia de Cultura | 15

Pedro e Penélope no cinema; Victor e Léo nos pavilhões; Andy, Danny e Tiago na estação

Artes | 17

Um ritmo para o caminho, um passeio no frio e uma rua iluminando a fotografia

l Pedro Simon falou com o jornal O Caxiense na sua casa de praia, em Rainha do Mar. Assista a trechos da entrevista.

Guia de Esportes | 18

Corrida, vôlei e esportes de areia são alternativas na semana do clássico caxiense no futebol

FACEBOOK

(Acompanhe em www.facebook.com/ocaxiense) Festa sem Som & Luz | Eu trabalhei 2 anos no Som & Luz de Caxias do Sul, na divulgação e organização, e quando o poder público assumiu os problemas técnicos simplesmente se multiplicaram, fazendo com que esse maravilhoso espetáculo fosse se perdendo... Elisangela Dorotéia Ceconi, às 19h21 de 27 de janeiro

Ca-Ju 266 | 19

Julinho volta a encarar Loss, rival nos gramados das categorias de base em Porto Alegre

Ca-Ju 266 | 21

Desta vez, cabe a Marcos Denner alegrar a torcida alviverde

TWITTER

(Acompanhe em www.twitter.com/ocaxiense)

Renato Henrichs | 23

Tarifa social da água terá custo aos demais contribuintes, diz o Samae

@Sechaus Parabéns à equipe do O Caxiense pela fantástica reportagem sobre Rugby. Obrigado e contem com o Serra Rugby Maurício Sechaus, às 08h08 de 25 de janeiro

Expediente

PLURK

Redação: Cíntia Hecher, Fabiano Provin, Felipe Boff (editor), Graziela Andreatta, José Eduardo Coutelle, Maicon Damasceno, Marcelo Aramis, Marcelo Mugnol, Paula Sperb (editora do site), Renato Henrichs, Roberto Hunoff e Valquíria Vita Comercial: Leandro Trintinaglia Circulação/Assinaturas: Tatyany Rodrigues Administrativo: Luiz Antônio Boff Impressão: Correio do Povo

Assine

Para assinar, acesse www.ocaxiense.com.br/assinaturas, ligue 3027-5538 (de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 18h) ou mande um e-mail para assine@ocaxiense.com.br. Trimestral: R$ 30 | Semestral: R$ 60 | Anual: 2x de R$ 60 ou 1x de R$ 120 Jornal O Caxiense Ltda. Rua Os 18 do Forte, 422, sala 1 | Lourdes | Caxias do Sul | 95020-471 Fone 3027-5538 | E-mail ocaxiense@ocaxiense.com.br www.ocaxiense.com.br

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O Caxiense

30 de janeiro a 5 de fevereiro de 2010

(Acompanhe em www.plurk.com/ocaxiense) Livro Livre | Excelente iniciativa, acho que vou lá trocar alguns! Vera Lucia Mariani, às 8h57 de 21 de janeiro Agradecemos | Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, Juventude, Caxias, Academia Conexão Esportiva, Ivanete Zanrosso, Douglas Rodrigues (na capa, com a camisa do Ju), Luan Fernandes (com a camisa do Caxias), Alan Fernandes, Alisson Brustolin, Viviane Fernandes e Janice Brustolin.

Retificamos | A coordenadora de Apoio à Gestão da FAS, Ana Paula

Flores, retifica trecho da reportagem “Assistência desassistida” (ed. 6, pg. 11) em que usou a expressão “faz de conta” para falar das falhas da filantropia antes da nova lei. Ana Paula esclarece que “quis dizer que a lei trará critérios mais claros na concessão da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS)”, mas não considera a situação anterior um “faz de conta de nenhuma das partes, nem dos órgãos federais e nem das entidades”.

S e m an alm e nte n a s b an c a s , di ar i am e nte n a inte r n e t .


A Semana

Maicon Damasceno/O Caxiense

Luiz Chaves, Divulgação/O Caxiense

Maicon Damasceno/O Caxiense

Luiz Chaves, Divulgação/O Caxiense

Tarifa da água aumenta 21,42%, passagem de ônibus pode subir para R$ 2,50, Festa sem Som & Luz

Reynolds Hotel dará lugar a um luxuoso centro comercial; coletiva para anunciar mudanças no transporte coletivo; tradição interrompida; água está mais cara

SEGUNDA | 25 de janeiro Segurança

QUARTA | 27 de janeiro Festa da Uva

BM receberá caminhonetes

2010 sem Som & Luz

A Brigada Militar de Caxias do Sul contará, com novos veículos de patrulhamento na cidade. Oito caminhonetes Nissan X-Terra foram repassadas pela Força Nacional de Segurança Pública para a BM gaúcha. O comandante do Comando Regional de Polícia Ostensiva da Serra (CRPOSerra), coronel Telmo Machado de Sousa, acredita que todos os oito carros devem vir para Caxias.

O espetáculo Som & Luz ficará de fora da agenda da Festa da Uva 2010. Uma obra de R$ 487,5 mil, que entregaria um novo Som & Luz este ano, atrasou por problemas de licitação. E a atração foi adiada para a festa de 2012. O secretário de Turismo e responsável pela subcomissão de hospitalidade da Festa, Jaisson Barbosa, afirma que a verba do Ministério do Turismo, proveniente de duas emendas parlamentares, foi aprovada na metade do ano passado. A empresa vencedora da primeira licitação não aceitou o projeto, alegando não ter tempo hábil para entregar a obra até dezembro de 2009, prazo estipulado pelo Ministério do Turismo. A Secretaria de Turismo, que corria risco de perder o recurso, pediu prorrogação e abriu uma nova licitação. A empresa vencedora, de Flores da Cunha, tem prazo até junho deste ano para entregar a obra. A antiga arquibancada tinha 300 lugares. A nova terá 350. A obra no Som & Luz iniciou

TERÇA | 26 de janeiro Serviço

Tarifa de água sobe 21,42%

O reajuste da tarifa de água em Caxias do Sul é de 21,42%. Hoje a taxa mínima de consumo residencial de água é R$ 11,75. Com o aumento, ela passará a custar R$ 14,40, um acréscimo de R$ 2,55. O reajuste começará a valer no dia 1° de março deste ano.

em dezembro do ano passado e foi interrompida para a realização da Festa da Uva, que abre no próximo dia 18. Até agora, apenas a demolição da arquibancada antiga está concluída. A nova estrutura terá as laterais fechadas com vidros, o que possibilita a realização do espetáculo em dias de chuva. Haverá um restaurante e uma sala de degustação. A obra será retomada no dia 9 de março.

QUINTA | 28 de janeiro Reynolds

Hotel vira centro comercial O Reynolds Hotel, fechado desde setembro de 2007, vai virar um centro comercial. Os 11 andares do luxuoso prédio estão em obras. Um grande tapume preto foi colocado na calçada em frente ao Reynolds há cerca de 15 dias, mas as obras, na verdade, estavam sendo feitas há mais tempo. O centro comercial vai se chamar Reynolds Business Center e continuará sob administração da família Backendorf, através da Bak Administração e Empreendimentos Imobiliários. Serão nove andares

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com 17 salas comerciais, que serão vendidas, e não alugadas. Apenas as salas térreas serão mantidas pela família proprietária. Segundo o assessor jurídico da Bak, Henrique Ott Vanoni, as salas poderão ser transformadas em consultórios, clínicas, escritórios. Tudo vai depender dos interessados em comprá-las. A empresa responsável pela obra do centro comercial é a Edifica Construção Civil, e a comercialização será feita pela Avanti Imóveis. A venda das salas, conforme o assessor jurídico, será lançada já nos próximos dias.

SEXTA | 8 de janeiro Ônibus

Prefeitura quer amenizar reajuste revendo benefícios

Diante da necessidade de um aumento da tarifa de ônibus para R$ 2,50 apresentada pela Visate, a prefeitura passou a trabalhar em uma contraproposta: rever as gratuidades (passe livre, passagem para idosos e especiais) e assim manter ou reduzir a tarifa atual de R$ 2,20, conforme o prefeito José Ivo Sartori (PMDB).

30 de janeiro a 5 de fevereiro de 2010

O Caxiense

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Roberto Hunoff

roberto.hunoff@ocaxiense.com.br | www.ocaxiense.com.br/roberto-hunoff

Novo aeroporto

O segundo projeto tem relação com o processo de expansão e apoio ao segmento industrial de Caxias do Sul. Informações oficiosas indicam que a prefeitura está em vias de desapropriar área para a localização do segundo distrito industrial da cidade. O atual, que ocupa terreno nas proximidades do Desvio Rizzo, está quase que totalmente ocupado, e revela sérios problemas de infraestrutura. Na região de Vila Oliva a Marcopolo já adquiriu imóvel para futuras edificações e, recentemente, diretores da Randon percorreram a região com o mesmo objetivo. Aquele lado da cidade também deve abrigar, no futuro, um novo shopping e um condomínio residencial de luxo. O Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, registrou a presença de 182.229 visitantes ao longo de 2009, crescimento de 18,5% sobre o movimento do ano anterior. Para 2010 a expectativa é ampliar este número em 15%, ficando perto dos 210 mil visitantes, dos quais 37 mil somente nos meses de fevereiro e março. Em 2001, quando o trabalho se iniciou, a região recebeu 45 mil pessoas. Atualmente, o roteiro conta com mais de 30 vinícolas abertas a visitação. Neste sábado ocorre a abertura da vindima, em evento no Hotel Villa Michelon, a partir das 17h.

Liderança

A unidade brasileira da Spheros, fabricante de equipamentos de ar-condicionado para ônibus, tem como meta crescer 35% neste ano, elevando seu faturamento para mais de R$ 66 milhões. Localizada em área construída de 5 mil m2, exporta 35% do que produz. No Brasil é líder de mercado com 56%, com grande presença no RJ e SP, responsáveis por 60% de sua receita. A empresa produz 24 modelos de produtos para vans, microônibus, ônibus urbanos, articulados, rodoviários e double deckers. A Spheros é uma associação entre as alemãs Granville Baird Capital Partners e HSH Nordbank. Em março, seu diretor, Jayme Comandulli, participa do 1º encontro anual da companhia em Nova Délhi.

4

O Caxiense

reajustes do preço do aço ao que os consumidores devem reagir com a importação da matéria-prima do mercado internacional. “Países como China e Ucrânia, por exemplo, oferecem preços até 30% mais baixos que o do aço brasileiro,” observou. Na avaliação de Martins, este exercício será extraordinário, em especial pelo programa Minha Casa, Minha Vida e pelo Plano de Aceleração do Crescimento, que estimularão fortemente o consumo. Do total gaúcho, Caxias do Sul absorve em torno de 50%.

Consumo de aço no Rio Grande do Sul (em toneladas)

2° Trim.

- 43,81

- 38,10

3° Trim.

4° Trim.

- 34,11

23,67

1.015.494

1.389.747

258.410

261.739

397.210

234.730

1° Trim.

319.588

Fonte: Associação do Aço do RS *

2009

379.213

199.437

2008

Total

- 26,93

* A partir de dados da Arcelormittal, CSN e Usiminas Fabian Gloeden, Estudio Org, Divulgação/O Caxiense

Novo distrito industrial

O consumo do aço no Rio Grande do Sul, em 2010, tende a atingir 1,4 milhão de toneladas, superando o recorde histórico de 2008. Basta que a economia brasileira cresça, como estimam os especialistas, entre 5% e 6%. É o que projeta o presidente da Associação do Aço do Estado, José Antonio Fernandes Martins, ao confirmar que no ano passado o consumo sofreu redução próxima a 27%, totalizando 1 milhão de toneladas. Ele também espera que as usinas siderúrgicas pressionem por novos

354.914

Maicon Damasceno, Div./O Caxiense

As informações carecem de anúncio oficial, mas o distrito de Vila Oliva será escolhido para a localização de dois importantes projetos para o desenvolvimento da economia e da infraestrutura da cidade. O primeiro deles é a construção do novo aeroporto, a ser anunciado em 1º de março pela governadora Yeda Crusius na abertura do calendário regular de reuniões-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços. Nem mesmo lideranças de outros municípios da região que defendem a construção em Farroupilha, acreditam em outra decisão que não a escolha de Vila Oliva.

Turismo a mil

Confiança

Aço como referência

Em ascensão

A Malharia Anselmi, de Farroupilha, prepara expansão de mais 3,5 mil metros quadrados em seu parque fabril atual de 14 mil. Com o investimento, elevará a capacidade de produção de 40 mil peças mensais. Os diretores Reni e Maria de Lourdes Anselmi também priorizam aportes na divulgação de suas coleções deste ano. Mais uma vez o trabalho é feito pela atriz global Juliana Paes. A empresa foi uma das marcas presentes a Fenim, feira de malhas que se encerrou nesta sexta-feira em Gramado. A Anselmi emprega 300 colaboradores e tem outra unidade de produção em Alto Feliz.

Curtas A Faculdade de Tecnologia da Serra Gaúcha é a novidade a ser apresentada na quarta-feira, dia 3, pela América Latina Educacional. No encontro, que ocorrerá nas instalações da instituição, na esquina das ruas Sinimbu com Marechal Floriano, o diretor da nova faculdade, Julio Ferro de Guimarães, e o superintendente da América Latina Educacional, João Dal Bello, explanarão as estratégias e objetivos do novo projeto. A Câmara de Indústria, Comércio e Serviços e a Câmara dos Dirigentes Lojistas apresentam na segunda-feira, dia 1º, o desempenho da economia caxiense em 2009. Mesmo com a retomada da atividade produtiva nos três últimos meses, a tendência é de resultado negativo.

30 de janeiro a 5 de fevereiro de de 2010

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, palestra sexta-feira, dia 5, 12h, na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul. O tema da reunião-almoço extraordinária é “Perspectivas econômicas para 2010”. O Grupo Voges, por meio de sua unidade de motores, anuncia na quarta-feira, dia 3, seu ingresso no segmento de inversores de frequência. Recentemente a empresa confirmou investimento de R$ 16,5 milhões na localização de fábrica na cidade do Recife, em Pernambuco. O inversor de frequência é um dispositivo que controla com precisão torque e velocidade de um motor monofásico ou trifásico.

Pesquisa realizada pela Federação do Comércio do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS) indica que 52% das empresas caxienses ligadas ao segmento de serviços pretendem investir neste ano. Já o Sindilojas de Caxias do Sul, por meio de levantamento junto a um conjunto de empresas associadas, apurou que 30% a 40% dos trabalhadores contratados para atividades temporárias serão efetivados neste ano. As duas informações fortalecem pensamento do consultor econômico da Fecomércio, Marcelo Portugal, exposto nesta semana em reunião de diretoria da entidade, de que o ano de 2010 será de otimismo e retomada de crescimento. Ele destacou duas possibilidades de instabilidade econômica que devem requerer atenção especial de empresários e da sociedade: as eleições presidenciais, que afetam diretamente a taxa de câmbio e os índices de inflação, e a possibilidade de uma recaída da crise externa. Mas reconhece que é possível agir com ousadia e investimentos nos negócios.

Longe do trem

O governo federal confirmou que a malha da ferrovia Norte Sul será estendida até o Porto de Rio Grande. No Rio Grande do Sul a nova malha fará o ingresso por Erechim, passando por Passo Fundo, Roca Sales, Montenegro, Triunfo, Camaquã, Pelotas e Rio Grande. Ou seja, Caxias do Sul ficará de 70 a 80 quilômetros longe da estrada, considerando Montenegro e Roca Sales como as cidades mais próximas. A malha ferroviária no estado será de aproximadamente 650 quilômetros. No dia 4 de fevereiro a Assembléia Legislativa abrigará debate para identificar se o traçado proposto é o ideal para o Estado.

Ação social

A Fundação Marcopolo fez a distribuição de 16 mil cadernos em kits para os filhos de funcionários da empresa que participaram do projeto Todos na Escola. A iniciativa beneficia filhos dos colaboradores com idade entre cinco e 18 anos incompletos,  que estão cursando o ensino fundamental e médio. Desde o lançamento do projeto, em 2003, já foram entregues 63 mil cadernos.

Mais repasses

O Piratini elevou, na comparação de 2009 com 2008, em 6,2% os recursos para os municípios. Foram R$ 270 milhões a mais. O aumento tem como razão a arrecadação de IPVA, 45,8% maior.

S e m an alm e nte n a s b an c a s , di ar i am e nte n a inte r n e t .


Valter Campanato, ABr/O Caxiense

O agregador chega aos 80

Crítico do próprio partido, Simon reclama: “Quem está no comando do MDB é uma legião estrangeira. Um grupo de aventureiros que está ‘mamando’ em causa própria”

“O MDB, DOMINGO, ESTÁ FORA” por RENATO HENRICHS renato.henrichs@ocaxiense.com.br e VALQUÍRIA VITA valquiria.vita@ocaxiense.com.br

E

ra final de tarde quando Pedro Simon apareceu calado na varanda em Rainha do Mar. Em sua casa de veraneio, que não ostenta o luxo ou a segurança esperada da residência de um político bem sucedido, o senador do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) concedeu uma entrevista ao jornal O Caxiense às vésperas de completar 80 anos. A festa de Simon, que ocorre neste sábado, dia 30, na churrascaria Kostelão, à beira da Estrada do Mar, além de comemorar o aniversário do senador, servirá como oportunidade de lançar o governador do Paraná, Roberto Requião, précandidato do PMDB à Presidência da República. Vestindo camisa listrada, bermuda verde escura e sandálias franciscanas pretas, Simon aos poucos foi se empolgando com a conversa, principalmente nos momentos em que criticou a infidelidade política e a corrupção. “Nós fomos degradando tanto que hoje vivemos no país da impunidade”, constatou. O senador não poupou elogios às ações do prefeito caxiense, José Ivo Sartori – também do PMDB – , e afirmou que considera Lula um grande líder, principalmente por ter feito a economia brasileira crescer. “O lado ruim

é a ética e a moral, que, infelizmente, o presidente não tem.” Para Simon, seis décadas de vida política ainda serão acrescidas de cinco anos, prazo em que termina o mandato de senador. Depois disso, ele confessa que não terá mais pretensões políticas, a não ser a de continuar com a tentativa de criar uma movimentação social frente aos escândalos dos governos.

Oitenta anos de vida e sessenta anos de vida pública. Qual sentimento o senhor tem em relação a sua trajetória? Estou vivendo uma fase de me adaptar aos 80 anos. Já tem algum tempo que eu venho refletindo sobre isso. Durante esses dias, nas minhas reflexões diárias lendo a Bíblia, caí num trecho de Moisés, que dizia que quando Deus o chamou para tirar o povo do Egito ele tinha 80 anos. E a vida dele começou com 80 anos. É imprevisível o que a vida reserva para a gente. A minha começou em Caxias. E eu tenho muito orgulho de ter nascido lá. Que relação existe entre fazer política há 60 anos e fazer política hoje? Tem muita diferença ou, no fundo, a prática é muito parecida? Não tem nada de parecido. É muito diferente. O Brasil nunca teve vida partidária. É triste isso. Nos Estados Unidos são os republicanos e os democratas, na Inglaterra são os conservadores e os trabalhistas. Aqui nunca teve isso. Isso é um mal, de nós não termos par-

Logo após a festa de aniversário, Simon quer ver os secretários do partido saírem do governo Yeda. “Quem ficar, fica a convite dela”

tido. Hoje o cara que é Grêmio é Grê- Não vamos dizer que o Brasil tem mais mio, o que é Inter é Inter. Tem honra de corrupção que a Europa, que a China, ser do seu time. Como poderiam mu- que os Estados Unidos. Mas lá o cara é dar de clube? Agora, mudar de partido punido. Lá o Nixon renunciou à Preo cara muda três, quatro, cinco vezes e sidência da República quando ficou ninguém está dando bola. Este é o mal provado que ele sabia das gravações da política brasileira. A reforma polí- na sede do partido democrático. O tica que tem que ser feita deve ser ini- Clinton teve um episódio com aqueciada exatamente pela la mocinha e quase foi organização política cassado. dos partidos brasileiros. A política era feita “Para mim O senhor acredita por gente que entrava parecia que que essa situação pode por vocação, por ideal. o MDB era um mudar? Nenhuma das pessoas Vai mudar. A sociegrupo de santos. que fizeram política em dade está vivendo no Caxias no meu tem- Até chegarmos limite disso. Vê nos jorpo entrou porque era no poder. Quando nais todos os dias os esrico. Não tinham nada, chegamos, eu vi cândalos do mensalão, nem se elegeram com o o escândalo do Maluf, que estava cheio dinheiro de ninguém. o escândalo do goverEram caras que se de- de vigaristas” no de Brasília. Acontedicavam. A política era ce tudo e não acontece feita com seriedade. nada. Hoje, no Brasil, Não era ninguém ligado a ninguém, se pode ser candidato sempre. Só não ninguém com poder e ninguém com pode ser candidato quem for condenaoutra missão senão fazer isso (política). do em última instância. E no Brasil político nenhum é condenado em última E hoje? instância. Quando o cara faz uma coisa Hoje, se não tem dinheiro, como errada, ele não procura um advogado vai fazer para entrar na política? Uma para ser absolvido, procura para emcampanha sai uma fortuna. Os deputa- purrar com a barriga. dos têm que estar a favor do governo. Se não estiverem a favor, as emendas A pressão popular vai mudar isso? deles não passam. Para a emenda sair Vai, não tenho dúvida. Nós já estivetem que lamber a mão do presidente. mos em uma luta contra uma ditadura. Para se eleger, meu Deus, é muito di- E conseguimos mudar. O povo foi para fícil. Nós fomos degradando tanto que a rua, os estudantes foram para a rua. hoje vivemos no país da impunidade. No aniversário de São Paulo botamos

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30 de janeiro a 5 de fevereiro de 2010

O Caxiense

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bilidade eles se unem com essa gente. Mas essa movimentação, por exemplo, o governador Requião estará em Capão da Canoa no sábado, dia 30, justamente para ser lançado. Qual é o sentido dessa mobilização? O sentido é que nós temos candidato a presidente. Nós do MDB do Rio Grande estamos com essa posição com a faca no peito. Nós vamos levar o Requião para a convenção do partido. A campanha da candidatura do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, ao governo do Estado está bem encaminhada? A candidatura está bem encaminhada. Nós tínhamos dois candidatos, o Rigotto e o Fogaça. O meu candidato natural era o Rigotto. O Fogaça ainda tem mais três anos de prefeitura em Porto Alegre, o que para nós não é bom. Por causa disso o PDT estava insistindo mais no Fogaça no que no Rigotto. Não era contra o Rigotto, ele

tem que sair do PT para ser ministra do Itamar? Não. Se a Yeda convidar alguém e ele ficar, fica como convidado da Yeda, e não em nome do MDB. O MDB, domingo, está fora. O senhor acha que essas denúncias de corrupção que surgiram contra a governadora são frutos específicos da oposição petista? Não, tinha coisas que precisavam ser esclarecidas. Mas a oposição não tinha interesse em esclarecer, tinha interesse em fazer agitação. É um negócio que soa como ridículo, é piada. O Fogaça já tinha denunciado isso. Esse tipo de coisa não fica bem. O senhor tem acompanhado o prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori, do PMDB? Espetacular a administração do Sartori. Eu fico pensando como é que aquele gringo ficou tão bom. Eu não imaginava. O recolhimento de lixo da cidade é exemplo para o país inteiro. Fotos: Valquíria Vita/O Caxiense

quase um milhão de pessoas na rua, mil bruto como senador, e tem mais R$ e a Globo colocou no jornal de noite 15 mil para as minhas despesas. Esses que era por causa do aniversário de R$ 15 mil eu não aceito. Então, estou São Paulo. No dia seguinte os caras co- rejeitando, por mês, R$ 50 mil (mais meçaram a virar a camionete da Glo- exatamente, R$ 53 mil). bo. Houve uma adesão e movimentação tão O senhor deve ser grande que a ditadura O Rigotto se muito mal visto pela caiu. Está acontecendo precipitou ao categoria... uma saturação. Acredi- se lançar Sim. Até não posso to que já dá para sentir falar muito que os cacrescer na sociedade candidato ao ras se irritam com isso. uma movimentação Senado? Eles pedem se estou que vai dar em alguma “Acho que com medo da lei, por coisa. Eu ainda sonho ele se precipitou, não estar recebendo. em fazer nascer no Rio E eu digo que a lei está Grande do Sul um mo- mas eu errada. Isto tem que ser vimento novo. Agora respeito” no Brasil como acona sociedade está, pelo tece no Japão. Lá, três menos, cobrando a primeiros-ministros questão da ficha suja. Cobrando que o corruptos se mataram de vergonha. partido político deve tirar os vigaristas Não esperaram nem concluir o procesda sua nominata. Está cobrando esse so. Na Itália, na Operação Mãos Limnegócio de não condenarem ninguém. pas, o presidente da FI (Força Itália, partido italiano) foi para a cadeia. E Esse processo não é muito lento? ficou na cadeia como ladrão.

O franciscano senador, em Rainha do Mar: “Estou rejeitando, por mês, R$ 50 mil. Até não posso falar muito porque os caras (colegas da política) se irritam com isso”

Não é decepcionante depois de seis décadas de vida pública ter que enfrentar questões éticas? Isso já não deveria estar resolvido com a própria redemocratização do país? Aí é que está. Quando eu estava no MDB (Simon só se refere ao próprio partido pela antiga denominação), para mim parecia que o MDB era um grupo de santos. Até nós chegarmos no poder. Quando nós chegamos no poder eu vi que estava cheio de vigaristas. Foi o que aconteceu com o MDB, com o PSDB, e é o que acontece com o PT. Aquele pessoal que a gente via na campanha, de chinelo, pé descalço, com uma bandeirinha rasgada, ganhou o governo. O cara da CUT (Central Única dos Trabalhadores) é diretor da Petrobrás, o cara da UNE (União Nacional dos Estudantes) é diretor do Banco do Brasil, o negócio está todo mudado. Uma coisa é ter ideal e lutar, outra é estar no poder e ter o poder. O poder corrompe. A pressão popular, então, vai mudar não no sentido de que a corrupção não existirá mais, mas que o Brasil não pode ser mais o país da impunidade. Temos que punir, ter condições de fazer isso. As pessoas viram na televisão o governador de Brasília pegar o dinheiro e colocar no bolso. A justiça está gozando da nossa cara. O Congresso está gozando da nossa cara. E para isso vamos ter que encontrar uma fórmula. Mas é tanto teto... Eu poderia ganhar R$ 16 mil como ex-deputado estadual. Poderia ganhar R$ 22 mil como ex-governador. Também não aceitei. Eu ganho R$ 16

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O Caxiense

O senhor tem citado bastante o presidente Lula. Quais são os pontos positivos e os pontos negativos do governo Lula no seu entendimento? Positivo não há dúvida de que foi o crescimento da economia brasileira. O Lula teve competência de se adaptar. O Plano Real, que foi o Itamar que lançou, e que o Fernando Henrique progrediu, ele soube continuar. O Lula soube enfrentar aquela esquerda mais radical e manter a economia avançando. Ele é um grande líder e tem um carisma enorme. Os projetos deles são positivos, o Bolsa-Família não dá para discutir. São 20 milhões que passavam fome e hoje estão comendo duas vezes por dia. Ele manteve, foi firme. O lado ruim é a ética e a moral, que, infelizmente, ele não tem. No que uma candidatura própria do PMDB à presidência pode ajudar a mudar um pouco essa situação? Não sai candidatura própria pelo MDB. Quem está no comando do MDB é uma legião estrangeira. Um grupo de aventureiros que se apoderou e está “mamando” em causa própria. Nosso candidato é o Requião (Roberto Requião, governador do Paraná). Se ele assumir, esses caras que estão no governo do MDB vão todos para casa, ninguém pega nada e eles sabem disso. Não pegam nada porque são caso de polícia. Todos eles são processados no Supremo (Tribunal Federal). O novo presidente, ou a Dilma ou o Serra, vai se unir com esse pessoal para se manter no governo. A pretexto da governa-

30 de janeiro a 5 de fevereiro de 2010

tinha que entender que era natural. O PDT lançou o Collares e ficou no governo, o PP lançou candidato e ficou no governo, o PSDB também. E ele (Rigotto) deixou, achou que todo mundo ia estar com ele no segundo turno. O que era verdade. Só que, surpreendentemente, ele não foi para o segundo turno. Então o Rigotto era nosso candidato natural, mas quando ele se candidatou ao Senado ficou o Fogaça. O Rigotto se precipitou ao se lançar candidato ao Senado? Acho que ele se precipitou, mas eu respeito.

Além disso, Caxias vai ser a cidade com maior esgoto urbano de todo o Brasil. Eu fico emocionado. O Pepe também foi um grande prefeito. Esse negócio de corrupção não teve no governo Pepe e não tem no governo Sartori. O senhor pretende concorrer de novo? Se eu quiser concorrer vão me botar num asilo. Eu, com 80 anos, não sou mais candidato para nada. Não tenho mais pretensão nenhuma. Tenho mais um mandato de cinco anos de senador. No dia em que eu fizer 85 anos é o dia em que eu estou terminando o meu mandato de senador. Na minha família ninguém durou 85 anos, não sei se vou ser eu que vou durar.

O PMDB hoje detém cargos no governo Yeda Crusius. O senhor defende ainda a permanência desses cargos? Como o senhor gosDomingo (dia 31) “Espetacular a taria de ficar conhecinós deixamos o gover- administração do do na posteridade? no. Quem ficar, fica Não sei. Eu não coa convite dela. O PT Sartori. Fico nheço na história do foi muito mal. O que pensando como Rio Grande nem do o PT fez no governo é que aquele Brasil alguém que abriu da Yeda não se faz. E gringo ficou tão tantas portas para genjá é a segunda vez que te importante na polítiele faz isso. O PT no bom. O Pepe ca. Eu somei, agreguei, governo do Collares também foi um trouxe gente. Antigapraticamente demoliu grande prefeito” mente convidava e as o Collares, não deixou pessoas entravam emoo Collares governar. E cionadas. E hoje esagora com a Yeda. Então eu não vou tou tentando fazer isso mas não estou para a oposição via PT, ficar numa tendo sorte. Sou franciscano. Tenho oposição de absoluta independência. uma profunda fé na transformação da Não vamos fazer que nem o PT fez. sociedade. Acredito que vamos chegar Nós, no governo do Itamar, convida- lá. E dedico boa parte do meu tempo a mos a Erundina para ser ministra. Ela esse trabalho.

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Maicon Damasceno/O Caxiense

Vida sem infraestrutura

o vale

invisível Irregular, isolado, precário, o bairro Vila Lobos tem muitas reivindicações – e pouca esperança

Moradores precisam fazer longas caminhadas nas ruas pedregosas, intransitáveis para ônibus e caminhões

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o

por VALQUÍRIA VITA valquiria.vita@ocaxiense.com.br bairro é afastado do Centro, cercado por montes verdes. Lá dentro quase é possível esquecer do resto da cidade, tamanho o silêncio que o diferencia dos bairros mais movimentados. Silêncio que só é quebrado quando um avião decola do aeroporto, próximo dali. As ruas desse bairro têm nomes bonitos, como Felicidade, Cristais, Brilhantes. A beleza dos nomes e das paisagens, entretanto, não condiz com a situação dos moradores. O bairro é o Vila Lobos, um loteamento irregular praticamente invisível aos olhos das autoridades. Não tem pavimentação, tratamento de esgoto, área de lazer, posto de saúde, creche. Tem morros. Muitos morros. Morros tão íngremes que as pessoas nem se arriscam a sair de carro. Morros que impedem que o ônibus e o caminhão de lixo consigam subir algumas ruas. É nesse bairro que vivem Jaqueline, Bertoldo, Rosângela, Mônica, Erasmo, José Carlos, Tarcisio, Marizete. Moradores que, mesmo tendo comprado a terra onde moram, no fundo sabem que não a possuem de verdade. É nesse bairro que um menino brinca com um caminhão de plástico na água do esgoto que corre na frente de sua casa. É nesse bairro que as crianças viram casas de vizinhos serem removidas para dar continuidade ao trajeto do ônibus. A obra nunca foi concluída, e a rua agora está deserta. “Aqui parece que tudo o que começa não termina”, resume a manicure Rosângela de Oliveira, 36 anos. Rosângela mora no alto de um dos morros cobertos de cascalho do Vila Lobos, e convive com a angústia de saber que, se por algum infortúnio, sua casa pegar fogo, o caminhão dos bombeiros não conseguirá subir. Por isso, para ela, a maior dificuldade do bairro é a falta de calçamento das ruas. Rosângela costuma andar de ônibus, mesmo sabendo que realizaria o trabalho de manicure a domicílio muito mais rápido se andasse com o carro da família. “Mas sair de carro estraga tudo. Perdi as contas de quantos pneus já tivemos que trocar. Na hora de subir o morro o carro bate embaixo, quando chove o morro vira barro e o carro patina, e quando está seco o carro joga pó na cara de quem está atrás.” A cena de moradores ajudando a empurrar carros de vizinhos morro acima já não surpreende ninguém, de tão comum no Vila Lobos. “O dinheiro que colocaram em brita nesse bairro já poderia ter sido colocado em asfalto”, completa o podador de árvores Marcos Welneck, 39 anos. Ele desanima ao olhar para o lugar. Considera-o abandonado perto de outros que vê por aí, que têm pelo menos ruas calçadas. Para o presidente do Vila Lobos, José Carlos Pascoali, 44 anos, um só bloco de anotações não seria suficiente para relacionar os problemas do bairro durante a apuração desta reportagem. Pascoali já foi por três vezes presidente do Vila Lobos. E nas três vezes já ouviu respostas negativas às solicitações dos moradores pelo fato de o bairro ser irregular. “Sim, é irregular,

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Fotos: Maicon Damasceno/O Caxiense

mas bem que poderiam fazer algumas É também perto dali que fica o único coisas. Já ouvi que se é invadido, não colégio, cuja quadra disponibiliza um podemos exigir. Mas não é assim.” espaço de lazer para quem vive no Vila O cargo de presidente do bairro não Lobos, bairro que tem muitas crianças. faz com que Pascoali sinta menos os A quadra fica aberta para quem quiser, problemas do que os outros morado- e os adultos também aproveitam. Nos res. Dono de um mercado que leva finais de semana o espaço lota. “Chega o seu sobrenome, ele conta que o ca- a ter 16 times de futebol”, conta o mominhão do entregador de carne não torista Cruz. Os jogos misturam adulconsegue subir o morro até o estabe- tos, crianças, mulheres e homens, e o lecimento. Pascoali tem que descer e esquema é simples. Quem faz três gols buscar a mercadoria a pé. “Querem no adversário fica; o time perdedor dá regularizar, mas regularizar antes de lugar ao próximo da fila. fazer melhorias? Não vamos pagar imA quadra é tão disputada por ser o posto se não tivermos nem as ruas cal- único espaço de lazer disponível. Pasçadas”, afirma. coali e Cruz mostram o local onde Segundo ele, a coleta de lixo passa antes havia um salão comunitário, em em algumas partes do bairro. Em ou- que os moradores participavam de tras, os moradores precisam levar os atividades culturais. Segundo o presisacos de lixo até o fim da linha do ôni- dente, o salão foi destruído há mais de bus ou a entrada do bairro, nas lixeiras um ano para que um novo fosse feito. públicas. Outro problema é a falta de Hoje, o que se vê é uma grande cratera. um posto de saúde. Contam os moradores que para conseguir atendimento O bairro Vila Lobos originouem um postinho é preciso ir a Galó- se de terrenos da família Pettefi que, polis, o que, para quem não tem carro, segundo a vereadora Geni, foram exige duas passagens de ônibus para vendidos há cerca de 20 anos. A área, ir e duas para voltar. “Antes alegavam então, foi loteada. De acordo com inque não tinha posto de saúde porque formações da Secretaria Municipal não tinha gente suficiente. Mas agora da Habitação, o bairro foi registrado tem”, diz Rosângela. em 1989, com apenas 10 famílias haDe fato, o bairro cresceu muito. Hoje bitando a área. Por mais de dez anos são quase 800 famílias que habitam o ficou sem água e sem luz até que fosse Vila Lobos. Estão lá, na construída uma rede opinião do presidente, hidráulica. Em 1996, “porque não têm como A única rua os moradores, que já comprar terrenos no calçada do somavam 250 famílias, Centro”. E a maioria bairro, e a conseguiram energia deles, como afirma o elétrica. Ônibus, teletesoureiro do bairro, mais conhecida fone e parte da rede de o motorista Tarcisio delas, é a esgotamento sanitário, Rodriges da Cruz, 35 chamada “rua bem como alargamenanos, veio de fora da do ônibus” – to da rua principal, cidade. “Assim como chegaram apenas entre ou Rua da toda Caxias”, destaca. os anos de 2000 e 2005. Um dos moradores Felicidade “O Vila Lobos é um mais antigos é Bertoldo bairro de interesse soRech, 79 anos. Usando cial, de grandes dificulum grande chapéu de palha para se dades, que apresenta um grau extremo proteger do forte sol, mesmo já sendo de pobreza”, resume o secretário de Urfim de tarde, Rech, ao ouvir a pergunta banismo, Francisco Spiandorello. sobre o que falta no Vila Lobos, nem Para que os moradores possam ter pensa duas vezes: “Falta tudo!”, diz, a “inserção social”, como diz Spiandoarrancando risos de quem passava na rello, a Secretaria está fazendo um lerua. Nos 30 anos em que o aposentado vantamento de casa em casa para dar vive no bairro, ele diz que a única coisa início à regularização da área. “Estaque mudou é que antes o Vila Lobos mos verificando a necessidade de ruas, tinha ainda mais mato. áreas institucionais, escola, creche, O verde a que se refere Rech ainda centro comunitário...” O órgão busca toma conta de muitas partes do lotea- informações com cada família para pomento. Atrás da casa de Pascoali, um der fazer a regularização, já que, exceto mato muito fechado leva até o outro pela semelhança de nenhum morador lado do bairro. Em alguns locais, só é pagar o Imposto sobre a Propriedade possível mesmo ir a pé. É lá que fica a Predial e Territorial Urbana (IPTU), grande curva na subida de um morro, os casos são muito distintos. “Em loonde as casas foram retiradas para o teamentos assim tem de tudo”, diz o polêmico trajeto do ônibus que nun- secretário de Urbanismo, explicando ca aconteceu. “Tiraram as casinhas que alguns compraram seu terreno encom as patrolas e meteram lá pra bai- quanto outros simplesmente tomaram xo”, conta o morador de apenas quatro posse. “Por enquanto eles não podem anos que brincava com um carrinho de fazer inventários, não podem usar terbrinquedo na terra, próximo dali. reno como garantia. Quando a área for A única rua calçada do bairro Vila regularizada, eles vão receber as escriLobos, e a mais conhecida delas, é a turas prontinhas.” chamada “rua do ônibus”. Fica na Rua A chuva, entretanto, está atrapada Felicidade, onde também há duas lhando o processo de regularização igrejas: uma católica e uma Assembleia do Vila Lobos, o que não impede que de Deus. A evangélica, conta o presi- Spiandorello afirme que no final do dente, é a que mais traz movimento mês de março a legalização estará feipara o bairro, com os cultos de quar- ta. Contando com o Vila Lobos, serão tas à noite, quando os carros chegam a regularizados 26 loteamentos – hoje, formar fila na rua principal. há mais de 200 loteamentos irregulares

Bertoldo (acima), Mônica e um dos privilegiados trechos por onde passa o ônibus

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Garoto brinca na vala de esgoto que corre à beira de uma das ruas; em outra, o comerciante Pascoali precisa buscar a mercadoria a pé, pois o caminhão de entrega não sobe

em Caxias. Os moradores do Vila Lobos, no entanto, não levam muita fé na promessa da regularização. “A gente não acredita muito nessa história, faz tempo que dizem que vão regularizar. Olham rua, medem e esquecem”, conta Rosângela, que mora num terreno comprado, porém, sem escritura. “Quem sabe é por isso que eles dão menos importância pra nós, né. Quando legalizarem, a gente pelo menos vai ter como reclamar”, acredita. Os esforços para tentar melhorar a situação do Vila Lobos, mesmo que não pareçam muito significativos para os moradores, vêm também da Secretaria da Habitação. O diretor-geral, Carlos Giovani Fontana, ressalta a remoção de oito famílias de uma rua para outra, onde foram construídas novas casas, de madeira, para viabilizar a abertura viária que está sendo feita pela Secretaria de Obras. “Efetivamente o que se fez até o momento foi isso. Construímos essas casas para realocar essas famílias”, explica Fontana. De acordo com Francisco Rech, diretor-geral da Secretaria de Obras e Serviços Públicos, não é preciso que o loteamento seja regularizado para que ocorram obras no Vila Lobos. A abertura da rua por onde passaria o ônibus não continuou por causa do forte período de chuvas. Resta torcer por um período de sol para que as obras con-

tinuem. Rech não sabe ainda se a rua pior ainda”, prevê. será pavimentada ou asfaltada, pois diz O artesão Erasmo Borges, 33 anos, já que a prioridade é abri-la e dar condi- cansou de ver cenas como a de Mônica. ções para que pessoas, carros e ônibus “Vejo mulheres carregando crianças, consigam passar. “O tempo não tem pessoas de idade, de muletas. Eu ando dado oportunidade, com meu carrinho veassim como para toda lho, mas a gente precisa a cidade. Mas se ele “Esse bairro é de um ônibus aqui. Se der uma trégua, a rua é sofrido, mas eu precisar pagar para coprioridade na adminis- não troco por locarem calçamento, a tração municipal. Isso é gente paga!”, diz, no inpromessa de um longo outro. A tervalo do trabalho de tempo”, diz, confirman- criminalidade escultura em madeira do as reclamações dos é zero. que fazia. moradores. Os quatro filhos de É um bairro Erasmo não conseguiDebaixo de um unido”, ressalta ram vagas na mesma forte sol, a auxiliar de o artesão Erasmo escola. Por isso, dois cozinha Mônica Rosádeles estudam no corio, 22 anos, levava no légio do bairro, e dois colo a filha Juliana, de pouco mais de na Terceira Légua. Mas o artesão não um ano, para casa. Mônica havia des- reclama. Diz que a tranquilidade do cido na última parada do bairro, na rua lugar compensa o esforço. “Esse bairro principal, e até chegar em casa calcula- é sofrido, mas eu não troco por outro. va uma hora de caminhada. Só de su- A criminalidade é zero, posso deixar bida. O ônibus não passa daquela rua meus filhos irem no mercado, que todo por causa dos morros sem calçamento, mundo conhece eles. É um bairro unie todos os moradores têm que desem- do”, explica Erasmo, que mora de alubarcar e seguir por si até suas casas. guel, mas está construindo uma casa Ela conta que se o novo trajeto por em frente à atual para ser sua. onde passaria o ônibus estivesse conAssim como Erasmo, a merendeira cluído haveria uma parada bem na es- do Colégio Vila Lobos, Marizete Braquina de sua casa. Enquanto isso não ga, 36 anos, diz que o bairro é um bom acontece, enfrenta as longas caminha- lugar para morar. “É calmo, de boa vidas diárias. “Subir esse morro com esse zinhança. O problema são as estradas tempo! Mas sei que no inverno vai ser mesmo. Aqui onde é Rua F, ou, como

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dizem, a Rua da Felicidade, acham que todo mundo é feliz. Só somos tristes por causa dessas ruas”, diz, sorrindo. Num final de tarde, Marizete descansava em cima de um terraço, onde gosta de ficar sentada “só para ver um pouco do movimento” – mesmo que na tranquilidade do Vila Lobos ele praticamente inexista. Enquanto a falta de calçamento é o maior problema para uns, para outros é o esgoto. As casas do Vila Lobos usam o sistema de fossas, e em alguns trechos o esgoto escorre pelas beiradas das ruas. O plano milionário de despoluição dos arroios administrado pelo Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) não envolve o loteamento. Muitas vezes, crianças sem supervisão acabam brincando na água suja. “Pedem para a gente cuidar da dengue, mas isso fica parado aqui”, diz a dona de casa Jaqueline de Fátima Hoffmann, 45 anos. A moradora, que tem uma fossa provisória – coberta com madeira –, diz que sua maior vontade é ver as fossas substituídas por um esgoto com tratamento. “Arrumando o esgoto já melhoraria o resto”, acredita. A fossa do vizinho de Jaqueline, que fica separada apenas por alguns metros de distância da casa dela, está aberta. “Quero ver agora que está perto da Festa da Uva, que eles só mostram os lugares bonitos”, provoca a dona de casa.

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Festa da Uva

Fausto Araújo é um dos encarregados de transferir os registros históricos da cidade e da Festa para o campo virtual

A TECNOLOGIA RESGATA A

MEMÓRIA Q

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por GRAZIELA ANDREATTA graziela.andreatta@ocaxiense.com.br

uando Venâncio Bastiani, 90 anos, chegou em Caxias, há quase nove décadas, nem se sonhava com computador. Tecnologias em 3D e realidade virtual não faziam parte nem das projeções mais audaciosas sobre o futuro. Os anos passaram e o pedreiro aposentado, natural de Otávio Rocha, distrito de Flores da Cunha, só tomou conhecimento de tudo isso de longe. Aliás, é preciso registrar: ele nem fez questão de chegar perto. “Só se fala em computador hoje em dia”, resmunga. Para Bastiani, os registros virtuais não são confiáveis porque relatam uma história que alguém, que não se sabe quem, contou. Ele é da opinião de que válida é a história vivida ou que foi contada olho no olho por alguém que realmente sabe o que aconteceu, não de ouvir falar, mas por tê-la vivenciado. “Qual computador poderia contar com precisão sobre a primeira videira que deu o primeiro fruto?”, desafia. Claro que para Bastiani é fácil falar. Ele é do tempo em que as pessoas ainda viajavam de trem em Caxias, em que a Festa da Uva estava começando, a Avenida Júlio de Castilhos ainda não era calçada e a jovem cidade era chamada de Pérola das Colônias. A igreja de São Pelegrino nem existia. “As pedras da

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fundação dessa igreja fui eu que ajudei a carregar”, orgulha-se. Bastiani casou-se em 1941 com Rosa Bettega Bastiani, 92 anos, na Catedral, porque a Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, no bairro onde moravam, ainda estava em construção. Na casa deles não havia energia elétrica. E os dois passeavam pelas principais ruas da cidade ainda sem pavimentação. Ou seja, dos 100 anos da chegada do trem, dos 120 da emancipação política de Caxias e dos 135 da imigração italiana que serão comemorados na Festa da Uva de 2010, Bastiani participou ou viu quase tudo. E ele nunca precisou de um computador para isso. Mas para quem não vivenciou nenhum desses fatos que compõem a história da cidade, para aqueles que só sabem que Caxias teve trem de ouvir falar, os computadores – que nos desculpe Bastiani – serão a verdadeira pérola da cidade em 2010. Se todos os planos derem certo, quem visitar a Festa da Uva, de 18 de fevereiro a 7 de março, poderá presenciar quase um milagre da tecnologia. Imagens virtuais, tridimensionalidade, interatividade e truques de videogame tentarão reproduzir pelo menos parte daquilo que Bastiani e toda a sua geração viram acontecer no último século. Os

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recursos

tecnológicos

Visitantes irão mergulhar em uma experiência tridimensional e interativa, um novo jeito de contar uma bela e antiga história

irão além de mostrar imagens ou con- começará a viagem virtual. tar episódios do passado de Caxias e No primeiro vagão, os visitantes veda Festa da Uva. Deverão colocar as rão passar pelas janelas – onde estarão pessoas que visitarem os pavilhões li- instalados televisores de LCD – paisateralmente dentro dos cenários mais gens de Caxias anteriores a 1910. Veimportantes do município desde 1910. rão surgir diante dos olhos cenários de Como define o diretor-geral da Secre- tropeiros e colonos em tons sépia extaria Municipal da Cultura, João To- traídos de fotos originais preservadas nus, “será uma imersão pelo Arquivo Histórico na história da cidade”. Municipal. No segundo E não será preciso dei- “A ideia do vagão, fotos em prexar o passado de lado 3D e do to e branco, também – muito menos colocá- movimento projetadas nas janelas, lo todo dentro de commostrarão a cidade em putadores. Na Festa é fazer com que 1910, ano que marca a da Uva de 2010 esses a pessoa tenha a chegada do trem e do dois elementos devem sensação de estar desenvolvimento da ciandar juntos para im- dentro de vagões dade. E no terceiro, paipressionar quem gossagens atuais da Serra ta de tecnologia, mas de um trem”, surgirão aos olhos dos também para agradar explica Tonus passageiros. os quem se mantêm Para dar a ideia de fiéis às tradições mais profundidade, inclusiantigas. ve nas imagens estáticas, foram utiliEssa interação tecnológica começará zados recursos de 3D. E as imagens do exatamente no início da visita aos pavi- presente foram filmadas com uma câlhões e estará presente em pelo menos mera que faz captação tridimensional. quatro das 15 estações temáticas que “A ideia do 3D e do movimento é fazer farão parte da decoração do Parque de com que a pessoa tenha a sensação de Exposições da Festa da Uva durante o estar mesmo dentro de vagões de um evento. Logo na entrada do Centro de trem”, explica Tonus. Eventos, após ser recebidos pela rainha Após sair dos vagões, o passeio see pelas princesas, os visitantes recebe- guirá pelos estandes de exposições de rão um óculos 3D e serão convidados uvas até a entrada do Pavilhão 1, onde a entrar em três vagões de trem, onde estará a Estação da Serra, novamente

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ajuda da tecnologia. O que diria Venâncio Bastiani ao ver os livros que ele tanto preserva na estante da sala de casa ganharem movimento? Se as imagens impressas nas páginas interagissem entre si ou com o leitor? Pois é exatamente o que vai acontecer. A Estação da Leitura terá uma praça com bancos para as pessoas descansarem ou assistirem às contações de histórias. O assessor da Diretoria de Cultura da Festa da Uva, Jair Bastos, explica que os livros virtuais serão colocados à disposição dos visitantes em um espaço que terá a réplica do prédio histórico da Livraria Saldanha, que funcionava na esquina da Avenida Júlio de Castilhos com a Rua Visconde de Pelotas nos idos de 1910. Serão três livros virtuais. Eles terão aparência de antigos, com capas de couro, mas contarão a história da livraria de um jeito bem moderno. “As páginas estarão aparentemente em branco. Mas, conforme as pessoas forem folheando, começarão a ver imagens em movimento projetadas nelas.”

Os organizadores da festa sabem que não há como colocar mais de 100 anos de história nessas estações, muito menos em quatro atrações interativas de computador. Mas a aposta é uma tentativa de tornar o evento mais atraente, valorizando uma das maiores preciosidades para os caxienses, que é a sua história. Provavelmente, poucas das pessoas que entrarem nas pipas feitas por Paulo Ricardo Adami terão a verdadeira noção do que elas representam. Uma minoria talvez se dê conta de que estará participando de uma brincadeira moderna de dentro de um objeto que Paulo aprendeu a fabricar com o pai dele, que também já tinha aprendido do pai e assim por diante. “Antigamente quase todo mundo tinha pipa em casa, porque as famílias faziam seu próprio vinho. Hoje em dia as pessoas compram o vinho e quem faz a bebida usa aquelas pipas de inox, que são muito mais baratas e fáceis de fazer. Ninguém mais quer saber dessas de madeira. O hábito está se perdendo”, Fotos: Maicon Damasceno/O Caxiense

com interatividade. Nesse local, desti- ratividade de todas as demais estações. nado às vinícolas da região e às apre- “Nós pegamos imagens de Caxias de sentações de dança de CTGs, serão 1910 e reproduzimos em computador. instalados três tótens com informações Depois criamos um traçado de rua sobre a história fictício e transformamos em da uva e do vium game. A pessoa que estinho na região. “A pessoa vai ver brincando vai poder corCom ajuda de poder cortar tar caminho, bater e capotar, um recurso tec- caminho, bater como ela faz num videoganológico chamame normal, só que o cenário do de realidade e capotar, como será a Caxias antiga”, explica aumentada, os num videogame Araújo. visitantes mos- normal, só que trarão códigos o cenário será Quem não está achando impressos em um tão divertido assim é Paupapel para a câ- a Caxias antiga”, lo Ricardo Adami, 48 anos, mera dos tótens explica Araújo que está fazendo as pipas. Ele e, imediatamenfabrica esses recipientes há te, imagens relaaproximadamente 20 anos cionadas à vitivinicultura se projetarão na empresa que divide com o irmão na tela. Essas imagens terão movimen- e o pai em um pavilhão na propriedato, e as pessoas poderão brincar com de rural da família, mas nunca tinha as figuras. construído nenhuma pipa que viraria carrinho ou parte de um jogo de comQuem pensa que o arcaico e o putador. Aliás, ele nem gosta muito moderno não combinam terá que ver de computador. “Uso só para uma ou de perto o que está reservado para a outra coisinha. Quem lida melhor com

Adami constrói as pipas para um videogame nos pavilhões, onde estações interativas tentarão levar ao público imagens e vivências de pessoas como Venâncio e Rosa Bastiani

Estação da Colônia. O lugar, que costuma atrair os visitantes pelo cheiro do pão recém saído do forno com aquele doce de frutas caseiro fabricado há mais de cem anos da mesma maneira, será o terceiro ponto a receber interatividade nos Pavilhões. Nesse espaço, os estandes dos distritos – com direito a chapéus e cestas de palha, bordados e guloseimas italianas de dar água na boca – serão dispostos ao redor de uma pracinha com bancos para as pessoas descansarem, um palco, a réplica de um coreto que havia na praça Dante Alighieri em 1908 – tudo igual a como era antigamente – e três telões de pelo menos dois metros de largura por um metro de altura. Achou contraditório? Ainda não é tudo. Em uma empresa familiar da Linha 40 estão sendo construídas três pipas de madeira que serão usadas como carrinhos em um jogo de videogame a ser instalado nessa mesma pracinha antiga com os telões. Aliás, os telões serão parte do jogo, que está sendo elaborado pelos sócios-proprietários da empresa Urizen, Gelson Cardoso Reinaldo, 36 anos, e Fausto Araújo, 28 anos, os mesmos que cuidam da inte-

computador aqui é meu irmão, que faz as vendas por e-mail.” Adami ainda era adolescente quando começou a fabricar as pipas, que são os principais produtos da empresa. “Comecei a fazer por causa de uma necessidade, depois fui pegando gosto.” E o ofício é trabalhoso. Como a Festa da Uva está quase chegando, Adami está precisando trabalhar além do normal para poder entregar as encomendas. Se dedicasse sua jornada a apenas uma pipa e não fizesse mais nada além dela, ele levaria dois dias para concluíla. É preciso selecionar a madeira, cortar os pedaços com a angulação correta para dar ao recipiente o formato redondo, encaixar manualmente cada uma das tábuas e colocar a cinta metálica para garantir que a estrutura não se desmonte. Tudo isso para cortar um pedaço depois. “Aprendi a fazer com muito cuidado, porque a pipa é um recipiente para colocar líquido dentro. Não pode vazar. Mas essas aqui vou ter que cortar para poder caber uma pessoa dentro. É uma novidade pra mim.” As pipas não serão os únicos objetos a ganhar nova função com a

Bastos se empolga ao contar sobre a constata Adami. interatividade, que será a grande noviTambém será impossível levar a todade da Festa da Uva de 2010. E o di- dos os visitantes a memória de pessoas retor João Tonus se anima ao falar da como Venâncio Bastiani e o encanto possibilidade dos visitantes mergulha- que ele sentiu ao ver os distritos colocarem na história do evento e também de rem nos carros alegóricos os produtos Caxias do Sul com a ajuda da realidade cultivados em cada uma das regiões no virtual. Ele acredita que essas estações desfile de 1937. Pois, se como ele mesinterativas, junto com as outras 11, mo diz, “não é fácil reduzir 80 e tantos que mesmo sem ajuda da tecnologia anos em uma entrevista para um jordevem agradar o público pelas apre- nal”, imaginem resumir um século de sentações de teatro, história de uma cidade música e dança, serão inteira para uma festa. um grande atrativo aos “Tem que Espiritualizado, ele se visitantes. “Antigamen- ouvir o coração, justifica: “Os olhos só te, as estações eram os porque ele veem a matéria”. locais onde os trens Mas, apesar de toda paravam. Depois, eles também fala”, essa desconfiança do seguiam seu percurso diz Venâncio, pedreiro aposentado natural. As estações da ensinando como em relação às novas Festa da Uva terão esse se faz para tecnologias, ele deixa papel. Serão um conviuma dica importante te para as pessoas para- compreender a àqueles que, além de rem de vez em quando, nossa história se divertirem com as se sentarem, assistirem brincadeiras virtuais, a alguma apresentação, quiserem realmente eninteragirem e depois seguirem o cami- tender a história desta cidade e de sua nho de visita aos estandes de exposi- festa. “A pessoa tem que ouvir o coração e de compras do evento”, compara ção, porque ele também fala. O sentiTonus. mento fala.”

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Indefinição no ar

Dit alitionse vero imint. Dit alitionse vero imint. Dit alitionse vero imint. Dit alitionse vero imint. Dit alitionse vero imint. Dit alitionse vero imint. Dit alitionse vero imint.

NOVO

Exatamente atrás do varal de Nilva Pereira, na localidade de Tabela, em Vila Oliva, desenha-se um aeroporto internacional

AEROPORTO

À PROCURA DE UM POUSO

E

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por CÍNTIA HECHER cintia.hecher@ocaxiense.com.br m uma estrada bucólica entre Fazenda Souza e a sede de Vila Oliva, distritos de Caxias do Sul, há uma encruzilhada. O lugar é conhecido por Tabela, pois abrigava antigamente uma balança para pesar o gado das grandes criações que havia por aqueles campos. Placas castigadas pelo tempo sinalizam as localidades próximas, mas falham em apontar, à esquerda, o provável local do futuro Aeroporto Internacional de Caxias do Sul. Hoje, à direita, o campo é coberto por modestas plantações de tomate, pimentão, cenoura, brócolis e beterraba. Um pomar com incontáveis macieiras carregadas de seus frutos vermelhos fica do outro lado da estrada. Lá, em duas simples casas de madeira com ar de improviso, moram duas famílias que trabalham na roça. Um dos terrenos, de propriedade de um caxiense, é arrendado para o agricultor Ronaldo Mazzochi, que emprega nas lavouras de hortifrutigranjeiros as famílias, uma delas capitaneada por Nilva Pereira. Estendendo a roupa, ela

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explica que logo mais terá que deixar suas duas filhas cuidando da casa para ajudar na plantação, onde o marido e o filho mais velho já trabalham desde cedo. Os Pereira estão lá há aproximadamente um mês, e não faziam ideia de que sua morada poderá ser convertida em aeroporto. “Quando as obras começarem, não teremos para onde ir. Espero que tenhamos tempo de conseguir um cantinho até lá”, conforma-se Nilva. A mesma conformidade é mostrada por Ronaldo Mazzochi, que não possui terras próprias. Para ele, em sua tranquilidade do interior, o que se pode fazer é simplesmente partir para outra. “Estou há dez anos aqui, já investi em açude, luz trifásica, mas fazer o quê? Se é para melhorar...”, resigna-se Mazzochi. Indagado se considera uma melhoria o desembarque de um empreendimento de tal porte nas terras que hoje ocupa, o agricultor ergue os ombros e sorri: “é o que dizem”. A dúvida consiste em qual será o impacto da instalação do novo aeroporto. “Agora é um sossego, mas com o aeroporto vem tudo”, diz, afirmando que logo mais a cidade

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As lideranças caxienses dão Vila Oliva como local definido, as de cidades vizinhas reclamam e o governo diz que a decisão não está tomada chegará ao campo. “Cada vez que vou para Caxias, uma vez por semana ou a cada 15 dias, dá para reparar como ela cresce sempre mais”, espanta-se. Enquanto isso, as medidas são precavidas. Mazzochi concentra-se nas suas plantações, em pagar o aluguel das terras um ano adiantado, e não pensa em fazer qualquer grande investimento no local. “Vamos levando devagarinho”, diz ele. Devagar, também, encaminhase para Vila Oliva a definição do lugar do novo aeroporto, desequilibrando a disputa com uma área em Monte Bérico, em Farroupilha (colada a Mato Person, Flores da Cunha). Quem ainda tem esperança de investimento na área farroupilhense é a Associação das Entidades Representativas da Classe Empresarial Gaúcha (CICS-Serra), presidida pelo bentogonçalvense Ademar Petry. Formada por entidades empresariais de Antônio Prado, Bento Gonçalves, Carlos Barbosa, Farroupilha, Garibaldi, Guaporé, Nova Prata, Serafina Corrêa e Veranópolis, a CICS-Serra defende o local como ideal por conta da proximidade

com diversas cidades da Serra e da Região das Hortênsias. Mas Petry reconhece que há uma ligeira vantagem pendendo para Vila Oliva. O presidente afirma que, desde 2004, três relatórios foram realizados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para avaliar áreas viáveis à instalação do aeroporto, medindo suas condições. A função da Anac é auxiliar o governo do Estado na tomada da decisão. Até um terreno de Desvio Blauth, em Farroupilha, foi considerado uma opção, logo descartada em prol de Vila Oliva e Monte Bérico. Um novo relatório foi apresentado ao governo estadual e à governadora Yeda Crusius no ano passado, contendo um ofício da Anac onde constava uma análise comparativa entre as duas áreas. De acordo com essa comparação, ambos os locais estariam aptos a receberem o aeroporto, cada qual com suas vantagens e potencial. Monte Bérico apresenta melhor logística e acessibilidade viária, enquanto Vila Oliva mostra ausência de obstáculos geográficos, com menor necessidade de remoção de terra e adaptação. Os dois sítios se-

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riam adequados, tanto em extensão de Fernando Coronel, autoridade do gopista quanto na instalação de heliporto verno estadual que coordena o Depare todas as necessidades de um aeropor- tamento Aeroportuário (DAP), órgão to internacional. ligado à Secretaria de Infraestrutura e Somente uma condição não foi ana- Logística. De acordo com ele, a Anac lisada, e, para Petry, é uma questão de não decide nem recomenda nenhum fundamental importância. “A questão dos sítios, só entrega um relatório com socioeconômica não foi avaliada, e há diversos itens e a pontuação que cada a necessidade desse eslocal conquistou. tudo. Tentamos marcar Coronel afirma que audiência com a gover- “A governadora desde dezembro está nadora para apresentar virá palestrar sendo realizado um o assunto, de todos os estudo georeferencial meios possíveis, mas em uma dos terrenos de Monaté agora não obtive- reunião-almoço te Bérico e Vila Oliva, mos sucesso”, conta o da CIC e de alta precisão, que presidente da CICS-RS. fará o anúncio consiste em fotografias Ele torce para que a entiradas por satélite e tidade que representa da escolha posterior interpretação seja ouvida, “para que do aeroporto”, dos dados e imagens a decisão tomada não afirma Corlatti obtidos. Esse processo seja política”. dura em torno de 90 Petry continua: “não dias, e a decisão, sedescartamos Vila Oliva, mas queremos gundo ele, será tomada depois disso. que sejam levadas em consideração A resposta virá “até o final de fevereiro questões técnicas e também culturais, ou início de março”, garante o coordeeconômicas e sociais”. Uma das ações nador. em favor das ações em favor de MonCoronel insiste em afirmar que o te Bérico é o cuidado com a proteção estudo não está concluído e que a exdo entorno da área contra invasões, ou pectativa de anúncio em 1° de março é seja, para que com o decorrer do tem- fantasiosa. “Estamos trabalhando para po a cidade não avance em direção ao que o mais rápido possível o estudo esaeroporto. Isso entraria no Plano Dire- teja terminado, mas ainda não há data tor de Farroupilha. “E se em Vila Oliva definida”, diz ele. não forem tomadas, da mesma forma, O coordenador explica que depois ações de proteção da área, em cinco, 10 da entrega do relatório há uma análise anos, ficará igual ao aeroporto já exis- da DAP e então os responsáveis pelos tente em Caxias”, afirma Petry. sítios e as comunidades envolvidas Sobre a crescente expectativa ca- são chamados para uma conversa. Um xiense de que a governadora confir- consenso deve ser atingido e, se não me a área de Vila Oliva, Petry reage ocorrer desta forma, a governadora com certa decepção. “Não sabemos é quem decide, embasada nos estude nada, de nenhuma decisão tomada. dos técnicos porque, “de uma vez por Acreditamos que a governadora tem todas, a decisão deve ser tomada do respeito pela região e seria deselegante ponto de vista técnico, e não político”, da parte dela uma decisão desse porte assegura Coronel. “Há muito trabalho ser tomada, sabendo de toda demanda a ser feito”, completa. da população empresarial daqui”, diz o Depois de determinado o local, parpresidente. te-se então para a prática. O começo de tudo é com um projeto adequado, É o que pode acontecer, a CICS- que será realizado por uma empresa Serra sabendo ou não. Pelo menos é escolhida por meio de processo licitao que diz o presidente da Câmara de tório. Isso em mãos, o próximo passo Indústria e Comércio de Caxias do Sul é angariar recursos, que provavelmente (CIC) Milton Corlatti. “A governadora virão da União, do governo do Estado Yeda Crusius virá palestrar em uma e da prefeitura envolvida. No meio disreunião-almoço da CIC e fará o anún- so tudo, deve ser realizado um levancio da escolha do aeroporto”, afirma tamento sobre impacto ambiental na Corlatti. A data não está oficializada, região. mas tudo aponta para o dia 1° de marA sugestão de uma ampliação do aeço. Para Corlatti, o melhor local para roporto já existente em Caxias provoca o novo aeroporto é, sem dúvida, Vila risos no coordenador. Para ele, isso é Oliva. Segundo ele, os estudos realiza- impossibilitado pela pequena possibidos pela Anac apontam o favoritismo lidade de extensão da pista, por causa do distrito caxiense, com um terreno das habitações ao redor. “Aquele sítio reservado de mais de 400 hectares para é conurbado, ou seja, tem muitas casas a obra. “Somos a favor da área com e comunidade em volta, antenas que maior capacidade técnica, que a Serra prejudicam a visibilidade dos pilotos, precisa”, justifica. obstáculos como prédios”, lista CoroO projeto não é algo imediato, mas nel. sim a longo prazo. Corlatti comenta que a ideia é evitar um grande aglomePara suprir algumas carências, rado urbano, comparado ao Aeroporto o Aeroporto Regional Hugo CanterInternacional de Congonhas, em São giani está em reforma. Localizado no Paulo, palco de tragédias aéreas trau- bairro Salgado Filho, em frente ao matizantes. “Temos que pensar adian- CTG Negrinho do Pastoreio, ele sote, para daqui a 20, 30 anos”, diz. Para frerá modificações significativas para o presidente da CIC de Caxias, não há maior comodidade dos usuários. Em imposição política, só um desejo de sua sala, logo à direita de um corredor que os estudos apontem a melhor área. estreito, o diretor José Henrique Elustondo se encontra cercado de fotos Melhor explicação sobre os de aviões decorando as paredes, que tais estudos da Anac é oferecida por disputam espaço com um mapa da

O agricultor Mazzochi: “Estou há 10 anos aqui, mas fazer o quê? Se é para melhorar...”

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tais, a tela se mostra colorida de tons Quem esteve no distrito cavermelhos, azuis e verdes. Ao lado, há xiense em 1996 para uma observação uma caixa com objetos barrados, na inicial foi o consultor técnico de Meio maioria estiletes e canivetes. Ambiente da CIC, Victor Hugo De Elustondo conta que no ano passado Lazzer, que aprova entusiasticamente 126.119 pessoas utilizaram os serviços Vila Oliva. “O lugar é maravilhoso. As do aeroporto regional. Se formos am- condições climáticas são boas, a altitupliar a conta e pensar que cada pessoa de também e, além disso, há uma antique embarcou levou um acompanhan- ga estrada dos tropeiros que liga Vila te para a despedida ou foi recepcio- Oliva à Cascata do Caracol, em Canela, nada por uma pessoa, sem contar os percorrendo a distância de uns 35 km”, usuários informais, vizinhos que utili- enfatiza. Para ele, a área será ideal tanzam os banheiros ou param para um to para o turismo, pensando também lanche, o número chega a aproximada- nos municípios de Canela e Gramado, mente 380 mil pessoas circulando pelo quanto para as atividades industriais aeroporto. Isso levando em considera- tão características de Caxias. “Por isso, ção que o expediente lá, quando não é ideal”, categoriza. há necessidade de uma prorrogação de Quem também torce para contar horário, é das 7h às 20h. com um empreendimento desse porte Um novo aeroporto não significa na vizinhança é o sub-prefeito de Vila ameaça ao regional, pelo menos por Oliva, Nelson Marcarini. De acordo enquanto. A curto e médio prazo, as com ele, a comunidade é toda a favor reformas atendem as demandas neces- do que considera grande avanço. “Vai sárias. O aeroporto deve ser pensado a ser muito bom pela geração de emprelongo prazo. “Um novo local se faz ne- gos, pelo favorecimento do turismo e cessário, sim, e acho a discussão ótima. maior movimento no comércio local”, Um investimento dessa envergadura e afirma Marcarini. perenidade é de grande importância”, Mas para isso acontecer, ainda falressalta o diretor. tam muitas horas de voo. Para o coDe acordo com ele, ordenador do DAP, Vila Oliva comportaria Fernando Coronel, é um espaço de 6 mil m², “Um novo local difícil se posicionar sendo 4 mil m² para a se faz necessário. agora quanto a valores pista e mais 1 mil m² uma estimativa de Um investimento etempo para cada cabeceira, para a entrega além de uma área de dessa de um novo aeroporto escape em caso de tra- envergadura para a região. Ele congédia. Monte Bérico e perenidade corda, porém, que a ofereceria uma pista média estipulada de 10 é de grande de 2.300 m², não supeanos para a construção rando muito a do ae- importância”, não foge da realidade. roporto regional, que diz Elustondo Outras questões, como possui 2 mil m². Outros o deslocamento entre aspectos levados em uma cidade e outra consideração pela Anac são as zonas ou, no caso de Vila Oliva, do interior de proteção de ruído e ambiental, além ao centro de Caxias, continuarão em de possíveis obstáculos. Em Monte aberto. Por ora, só o que pode ser reBérico existiria um, impossível de ser solvido é a escolha do local. E só a padesapropriado – nada menos do que lavra da governadora poderá afastar de o Santuário de Nossa Senhora de Ca- vez as nuvens que envolvem a disputa ravaggio –, favorecendo mais uma vez entre os distritos de Caxias do Sul e de Vila Oliva. Farroupilha. Maicon Damasceno/O Caxiense

cidade, certificados e um mural com 2014. “Imagine a felicidade de hospetextos de apoio aos funcionários, com dar a seleção da Argentina ou do Uru10 regras de qualidade. Na mesa, en- guai na nossa cidade”, sorri Elustondo. quanto termina de mandar um e-mail, De acordo com ele, o que caracteriza ato com o qual ainda não está familia- um aeroporto como internacional sob rizado, seu notebook disputa espaço demanda é a presença de três órgãos com aparelhos telefônicos, papelada, governamentais no momento de emóculos, celular e walkie-talkie. barque e desembarque: Polícia Federal, Logo ele se inflama Vigilância Sanitária para dizer que toda a e Receita Federal. “É demanda do aeroporto Enquanto o só disponibilizar três é atendida por 13 fun- internacional não salas, uma para cada cionários, que estão à vem, arruma-se funcionário. Quando disposição da populao voo vai, eles também o regional: ção caxiense 365 dias vão embora. Pronto!”, por ano. “Trabalha Aeroporto Hugo simplifica Elustondo. essa gurizada!”, brinca Cantergiani está O tamanho, em si, não Elustondo. Atualmente, em obras de teria maior importâna demanda é relativacia: “um aeroporto reampliação e mente pequena e sogional tem que ser pemente uma empresa aé- reforma queno, o nacional um rea opera lá, a Gol, com pouco maior e o intertrês voos: dois para São nacional maior ainda? Paulo e um para Curitiba. “Mas com- Não faz sentido”, diz o diretor. porta mais voos”, afirma o diretor. Uma O que ele salienta repetidamente é conversação com a operadora Azul, em o que considera de maior importânfranca expansão no mercado nacional, cia em qualquer aeroporto, principalestá sendo intermediada pela CIC. mente no que comanda: a segurança. Elustondo então se põe a explicar “Mexemos com vidas”, diz. Alguns dias que a área reformada será de 1.819 m², antes, uma equipe de 11 militares da sendo 400 metros da pista. As obras Aeronáutica foi ao aeroporto regional contemplarão uma cobertura na entra- realizar uma de suas inspeções perida do terminal, ampliação da área de ódicas e observou os equipamentos desembarque e climatização. O setor referentes a auxílio de navegação, bade embarque será transferido para um lizamento da pista (luzes que servem novo prédio, a ser construido à direita de orientação), a biruta, entre outros. do aeroporto, onde ficarão as empresas Segundo o diretor, tanto a estrutura aéreas e a sala de espera. Totalizando quanto a questão da segurança de voo R$ 2,319 milhões, o investimento vem foram elogiadas. do governo do Estado, por meio do DAP, pois o aeroporto é uma concesElustondo afirma que os ususão estadual. A prefeitura de Caxias do ários costumam aliar segurança com Sul colabora, por meio de acordo, com tamanho do aeroporto. Prova disso serviços como administração de pes- é o canal de inspeção, novo aparelho soal, segurança patrimonial e limpeza. de raio-x de bagagem, instalado em O diretor afirma que a discussão so- julho de 2009. Em Caxias, ele é alvo bre a capacidade ou não do aeroporto de críticas. O aparelho mostra em sua regional tornar-se “internacional sob tela o conteúdo de bolsas e malas de demanda” começou com a possibili- qualquer passageiro, que é obrigado a dade de Caxias abrigar a comitiva de disponibilizar sua bagagem para poder algum time de futebol durante a pré- embarcar no avião. Com sensores que temporada da Copa do Mundo de detectam materiais orgânicos e me-

O aeroporto atual, onde a Gol opera três voos diários (dois para São Paulo, um para Curitiba), está recebendo investimento de R$ 2,3 milhões

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Guia de Cultura

guiadecultura@ocaxiense.com.br

Novo Almodóvar no cinema, sertanejo nos Pavilhões e blues importado na Estação Férrea

l Avatar | Ficção científica. De sábado a quinta, 19h e 22h | Classificação 12 anos, 166 minutos, legendado. Pepsi GNC 5 – Shopping Iguatemi l Bete Balanço | Drama. De quinta a domingo, 20h | Bete é uma garota do interior recém aprovada no vestibular e cantora eventual de um bar de Governador Valadares

l Premonição 4 | Terror. De sábado a quinta, 22h10| No quarto filme da série, jovens escapam da morte em um autódromo

parques, praças e outros espaços públicos da cidade. Unidade de Teatro – Centro de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho Luiz Antunes, 312, Panazzolo | 39011316

EXPOSIÇÃO l Um olhar sobre a CIC | Até dia 8 de fevereiro | Alunos do curso de Fotografia da Universidade de Caxias do Sul, Maurício Concatto, Adriana Kury, Flora Simon, Milena Leal, Isadora Secchi Silveira, Jonas Ramos e Luiz Coutinho

Macall Polay, Divulgação/ O Caxiense

l Abraços Partidos | Drama. De sábado a quinta, 14h10, 16h30, 19h10 e 21h30 | Cineasta sofre acidente de carro que tira sua visão e seu grande amor, a atriz do seu filme. Depois de 14 anos do ocorrido e de ter se tornado escritor, um fato parecido traz à tona lembranças e histórias de antigamente. Dirigido por Pedro Almodóvar. Com Penélope Cruz. Censura 14 anos, 129 minutos, legendado. Pepsi GNC 1 - Shopping Iguatemi

De sábado a quinta, 14h20, 16h50, 19h15 e 21h40 | Policial veterano vê sua filha ser assassinada na porta de casa e começa a investigar o caso. A suspeita inicial, de que ele era o alvo original, é deixada de lado quando descobre o envolvimento de sua filha com segredos do governo dos EUA. Dirigido por Martin Campbell. Com Mel Gibson. Censura 14 anos, 117 minutos, legendado. Pepsi GNC 3 – Shopping Iguatemi

Universal International Pictures, Div./O Caxiense

CINEMA

confronto com os alienígenas muda depois que um deles salva sua vida. Dirigido por James Cameron. Censura 12 anos, 166 minutos, dublado. Pepsi GNC 5 – Shopping Iguatemi

Penélope Cruz é a musa de um cineasta (também) nas telas; Mel Gibson investiga o assassinato da filha em uma trama envolvendo o governo americano

l Alvin e os Esquilos 2 | Comédia. De sábado a quinta, 13h30, 15h30, 17h30 e 19h30 | O trio de esquilos Alvin, Simon e Theodore participa de um concurso de bandas para salvar a escola de música com o dinheiro do prêmio, mas um dos concorrentes é um grupo formado por três fêmeas, as Chipettes. Dirigido por Tim Hill. Censura livre, 94 minutos, dublado. Pepsi GNC 4 - Shopping Iguatemi l Amor sem escalas | Comédia romântica. De sábado a quinta, 15h10, 17h20, 19h35 e 21h45 | Homem que viaja pelos Estados Unidos despedindo funcionários de empresas sempre teve estilo de vida desapegado, com passagens frequentes por aeroportos e hotéis. Porém, ele começa a se conscientizar de sua solidão e de como seria sua vida sem esse emprego quando uma nova funcionária é contratada e ele tem que treiná-la. Dirigido por Jason Reitman. Com George Clooney e Vera Farmiga. Censura 12 anos, 109 minutos, legendado. Pepsi GNC 2 – Shopping Iguatemi l Avatar | Ficção científica. De sábado a quinta, 13h e 16h | Ex-fuzileiro naval é enviado ao planeta Pandora, onde encontra uma raça humanoide chamada Na’Vi. A missão dele é impedir que os Na’Vi atrapalhem a extração de minerais, mas o

(MG). Liberada na relação sexual com o namorado, curte teatro e sonha com um espaço maior para o seu prazer, no trabalho e na vida. A música a atrai para o Rio de Janeiro, pouco antes de completar 18 anos. Tudo o que experimenta, então, é uma inevitável sucessão de coisas boas e más. Dirigido por Lael Rodrigues. Com Debora Bloch, Lauro Corona e Diogo Vilela. 74 minutos. Sala de Cinema Ulysses Geremia R$ 1,99 | Luiz Antunes, 312, Panazzolo | 3901-1316 | 100 lugares l O fada do dente | Comédia. De sábado a quinta, 13h10 | Conta a história de um cruel e sádico jogador de hockey com tendência de arrancar dentes de seus adversários, daí o apelido. Depois de dizer para uma menina que a fada do dente não existe, ele é condenado a se tornar uma delas. O jogador, então, aprende a função e passa a visitar as crianças que deixam seus dentes embaixo do travesseiro, mas realiza o trabalho do seu jeito. Dirigido por Michael Lembeck. Com Dwayne Johnson (The Rock) e Julie Andrews. Censura livre, 103 minutos, dublado. Pepsi GNC 2 – Shopping Iguatemi l O fada do dente | Comédia. De sábado a quinta, 16h40 | Censura livre, 103 minutos, dublado. Pepsi GNC 6 – Shopping Iguatemi l O fim da escuridão | Policial.

depois da premonição de um deles. Depois, são perseguidos um a um. Dirigido por Davir R. Ellis. Com Bobby Campo e Shantel Van Santen. Préestreia. Censura 18 anos, 81 minutos, legendado. Pepsi GNC 4 – Shopping Iguatemi

transmitem suas visões pessoais sobre o cotidiano da Câmara de Indústria e Comércio de Caxias do Sul. Saguão da Prefeitura Entrada gratuita | Alfredo Chaves, 1.333, Exposição | 3218-6000

l Sherlock Holmes | Ação. De sábado a quinta, 14h, 19h20 e 21h50 | Em meados do século XIX, o detetive Sherlock Holmes, mais ousado e bon vivant que em qualquer outra adaptação cinematográfica, é acompanhado pelo fiel escudeiro Dr. Watson na captura de um serial killer e bruxo. Dirigido por Guy Ritchie. Com Robert Downey Jr. e Jude Law. Censura 14 anos, 128 minutos, legendado. Pepsi GNC 6 – Shopping Iguatemi

CURSO

TEATRO l Temporada do Teatro Caxiense Estão abertas as inscrições para a temporada 2010. Interessados em inscrever sua atividade devem enviar e-mail para unidadedeteatro@caxias. rs.gov.br ou ir pessoalmente na Unidade de Teatro da Secretaria Municipal de Cultura. Esta temporada será realizada de abril a dezembro, sempre na segunda semana de cada mês, com apresentações no Teatro Municipal Pedro Parenti, Teatro do SESC e nos

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l Cinema | Das 14h às 17h (teatreiros) e das 19h às 22h (turma mista) | De 1° a 17 de fevereiro, o Grupo EDZ realiza curso de cinema com Luiz Rangel, da LCR Imagem Produtora. Os aspectos tratados serão construção de personagem (físico e psicológico), improviso, postura profissional, postura frente à câmera, construção de roteiro, produção e pré-produção, técnica, roteiro, assistência de direção, figurino e maquiagem e introdução ao cinema e áreas. Serão desenvolvidas atividades de roteirização e gravação de um curta-metragem com os alunos. Espaço Multicultural R$ 1.800 | Pinheiro Machado, 2.968, São Pelegrino | 3025-7600 ou 81216338

CANTO l Banco de Vozes do Coral Estão abertas inscrições para o Coral Municipal de Caxias do Sul. Os testes serão realizados nos dias 8 e 9 de

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fevereiro, das 9h às 12h. Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho Luiz Antunes, 312, Panazzolo | 91210902

MÚSICA

l Banda Disco | Anos 70 e 80. Sábado, 23h | Vagão Bar R$ 15 ou R$ 12 (com nome na lista e até meia-noite) | Coronel Flores, 789, São Pelegrino | 3223-0007 | www. vagaobar.com.br | 500 pessoas l Blackout | Música eletrônica. Sábado, 23h | Studio54Mix R$ 12 | Visconde de Pelotas, 87, Centro | 9104-3160 | www.studio54mix.com l Carlos Zanettini | MPB. Sábado, 21h30 | Compositor caxiense mostra seu trabalho autoral. Zarabatana Café Entrada franca | Luiz Antunes, 312, Panazzolo | 3901-1316 l DJ Iziquiel Carraro | Música eletrônica. Sábado, 23h | La Boom Snooker Entrada franca (feminino) e R$ 6 (masculino) | Feijó Junior, 1.023, sala 02, São Pelegrino | 3221-6364 | 1.200 pessoas l Infiltrados | Rock. Sábado, 23h | Banda caxiense apresenta músicas próprias e covers de sucessos do rock nacional e internacional. Portal Bowling – Martcenter R$ 10 (feminino) e R$ 15 (masculino) | RST-453 Km 2, 4.140 | 3220-5758 | 1.000 pessoas | www.portalbowling. com.br l Libertá | Nativista e outros gêneros. Sábado, 22h30 | Grupo com repertório variado, desde música gaúcha e sertaneja até MPB, passando por axé music e pagode. Libertá Danceteria R$ 10 (feminino) e R$ 20 (masculino) | 13 de maio, 1.684, Cristo Redentor | 3222-2002 | 700 pessoas l Music is a source of life | Música eletrônica. Sábado, 23h | Havana Café Feminino: R$ 20 e R$ 10 (com nome na lista). Masculino: R$ 40 e R$ 20 (com nome na lista) | Augusto Pestana, 145, São Pelegrino | 3215-6619 | www.havanacafe.com.br l Pantera Cover | Heavy metal. Sábado, 23h30 | Sucessos da banda Pantera, como Mouth for war e Cowboys from hell. Roxx Rock Bar R$ 13 (até 23h30) e R$ 15 (depois) | Av. Júlio de Castilhos, 1.343, Centro | 3021-3597 | 400 pessoas l Q Encanto, D’Skema Novo e Estranha Loucura | Pagode. Sábado, 22h | Grupos tocam sucessos do pagode e composições próprias. Expresso Pub Café

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R$ 10 (feminino) e R$ 12 (masculino) | Garibaldi, 984, Centro | 3025-4474 | 150 pessoas l Sami Bosoni | MPB e música latina. Sábado, 22h30 | Acústico com covers de músicas brasileiras, latinas e espanholas. Badulê American Pub Entrada franca até as 22h . Após, R$ 5 | Rua Marechal Floriano, 1.504, sala 1, Centro | 3419-5269 | 70 pessoas l Saturday Night | Música eletrônica. Sábado, 23h | Na pista e no lounge, DJs. No palco, show com a banda Flash Back. Pepsi Club Feminino: R$ 20 e R$ 15 (com flyer). Masculino: R$ 40 e R$ 35 (com flyer) | Vereador Mário Pezzi, 1.450, Exposição | 3419-0900 | www.pepsiclub.com. br | 1.100 pessoas l Skol Summer Double | Música eletrônica. Sábado, 23h | Nox Versus R$ 15 (com nome na lista e até 0h30) e R$ 20 (após) | Darcy Zaparolli, 111, Villaggio Iguatemi | 3027.1351 | www. noxversus.com.br l Sunny Music | Pop. Sábado, 23h | Banda faz seu primeiro show, com músicas próprias e covers de sucessos dos anos 70 e 80 de Abba, Bee Gees e U2, entre outros. La Barra Valor não divulgado | Coronel Flores, 810, São Pelegrino | 3028-0406 | www. labarra.com.br l Victor e Léo | Sertanejo universitário. Sábado, meia-noite | Dupla de grande renome nacional apresenta seus sucessos, como Borboletas e Fada, além de músicas do seu trabalho mais recente, Ao vivo e em cores em São Paulo, sétimo álbum dos artistas que possuem mais de 15 anos de estrada. Pavilhões da Festa da Uva R$ 20 (geral), R$ 40 (ala VIP Prata), R$ 70 (ala VIP Ouro) e R$ 60 (camarote). Ingressos à venda nas lojas Cia. Básica, Essência Jovem, Estilo Radical, Bulla, no Posto da Júlio e na Morphine Produções | Ludovico Cavinatto, 1.431, Nossa Senhora da Saúde | 3028-2200 l Pagode Junior | Pagode. Domingo, 21h | Clássicos do samba e do pagode, além de composições próprias. Europa Lounge Garden Feminino: R$ 10 ou R$ 5 (com nome na lista). Masculino: R$ 20 ou R$ 15 (com nome na lista) | Feijó Júnior, 1.062, Via Decoratta | 3536-2914 ou 8401-2029 | 400 pessoas

Festas Típicas | La Prima Vendemmia

PRIMEIRA

COLHEITA EM

NOVA ROMA por ROBERTO HUNOFF

Típica cidade de colonização italiana, mas com traços poloneses, suecos e russos, que também participaram do processo de construção a partir de 1880, Nova Roma do Sul se prepara para receber visitantes nos dias 5, 6 e 7 de fevereiro. Distante 65 quilômetros de Caxias do Sul, fazendo divisas com Farroupilha, Nova Pádua, Veranópolis e Antônio Prado, o pequeno município de 4 mil habitantes reeedita a La Prima Vendemmia, com a qual celebra a colheita das primeiras uvas. A produção agrícola é a principal atividade econômica da cidade. A uva, em especial, está presente na quase totalidade das propriedades do interior, onde reside a maioria dos moradores. Caso de Jocemar Dalmolin, que neste ano colhe a sua primeira safra de uva orgânica, cultivada exclusivamente com defensivos preparados de forma caseira, sem adição de agrotóxicos. Em sua propriedade, uma das dezenas que poderão ser visitadas, há meio hectare plantado com as variedades niágara branca e rosada, parte coberta com plástico, que reduz os riscos de perda por questões climáticas. A colheita e a degustação constituem um dos atrativos da La Prima Vendemmia, que se inicia na sexta-feira, 19h, no salão de eventos da comunidade da Linha Paranaguá. Ali se concentrará a exposição de produtos da cidade e de municípios vizinhos, num total de 40 participantes, ocupando área de 1,5 mil metros quadrados. Mas a grande atração da cidade é a sua geografia. Quem for à Nova Roma do Sul passando por Nova Pádua fará a travessia do Rio das Antas por balsa. Quem optar por Farroupilha percorrerá uma das mais belas estradas da região, que precisa, por questões de segurança, ser feita a baixa veloci-

dade, mas principalmente para que se aprecie o conjunto de paisagens que oferece. De um lado altos rochedos; de outro a visão de vales profundos do Rio das Antas. Na cidade não se pode deixar de ir ao Eco Parque Cia. Aventura para prática de rafting, tirolesa, arvorismo, trekking e rapel, dentre outras aventuras radicais. Vale mencionar a tirolesa. São 650 metros de comprimento, realizados em duas etapas, a uma altura de 80 metros, com vista para o Rio das Antas, cascata e mata exuberante. Todos os passeios poderão ser feitos por meio de vans, com saídas da Praça Matriz das 8h às 18h. Os veículos levarão os visitantes aos parreirais e principais pontos turísticos da cidade, que ainda incluem a Gruta Fiorese e a Capela São José, esta uma marco da religiosidade e do patrimônio histórico e cultural às margens do Rio das Antas, além da hidrelétrica Castro Alves. A gastronomia típica italiana é servida em cinco restaurantes da cidade. Já a hospedagem se restringe a um hotel. Tanto o prefeito Marino Testolin, quanto o presidente da Câmara de Indústria e Comércio, Tranquilo Tessaro, reconhecem que a estrutura hoteleira ainda deixa a desejar. “Esta festa, agora divulgada para todo o Estado, tem também como objetivo estimular o surgimento de novas opções neste segmento. Já melhoramos nos últimos anos, mas ainda temos espaço para crescer e qualificar os serviços,” resume Tessaro. A La Prima Vendemmia é realizada a cada dois anos desde 1994. Nesta edição a programação se estenderá até 18h de domingo. Haverá shows musicais todos os dias de artistas locais e regionais na Praça Matriz. Mais detalhes no endereço eletrônico www. laprimavendemmia.com.br.

l Andy Just, Danny Vincent e Tiago Cerveira | Blues. Terça, dia 2, 22h | Atrações internacionais: Andy Just vem dos Estados Unidos e Danny Vincent da Argentina para mostrar, com o paulista Tiago Cerveira, o melhor do blues. Mississippi Delta Blues Bar R$ 15 (feminino) e R$ 20 (masculino) | Augusto Pestana, 810, São Pelegrino | 3028-6149 | www.msdelta.com.br

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Juliane Tonin, Divulgação/O Caxiense


Artes artes@ocaxiense.com.br

Neuza Zini

| Sem título | A realidade ilumina o interior da câmara escura na fotografia pinhole. Distorcido pela técnica, o real adquire nova forma e luz quando revelado.

ALGORITMO OU ALGO

C

RíTMICO por NATALIA BORGES POLESSO

hocar-se com a distância a ser percorrida, num determinado tempo e em determinada velocidade, chocar-se pela manhã, antes de sair ao trabalho, ou antes mesmo de pensar em levantar. Encarar o caminho que obviamente é uma linha reta ligando dois pontos. Pensar em percorrê-lo com os pés, um após o outro. Ou com a palma das mãos, considerando o desconforto a ser sentido ao término do trajeto. Esgueirar-se pela calçada de pedras irregulares e fartas camadas de cimento, rodar no asfalto preto, macio e recém assentado. Seguir em direção oposta ao sol, como se estivesse o acompanhando e, como ele, ficando cada vez mais quente. Quando chegar ao destino, terás um lenço no bolso direito. Este é um modo. O modo para obter o lenço. E o lenço é muito importante aqui, pois neste dia específico do choque com a distância, estará muitíssimo quente. O lenço, então, ao final do trajeto será de grande valia para secar o suor

do rosto. Portanto, ao esgueirar-se pela calçada, enfie-se em uma loja de lenços, se isso existe, ou numa farmácia. Sendo na farmácia, procurar primeiro por lenços de pano, em não havendo, pedir os de papel. Mas saiba que estes últimos não terão o mesmo efeito do primeiro. Na esquina, secar o rosto e respirar profundamente enquanto os carros ainda não atigiram o cume do morro em que se tem os pés cravados como se fossem raízes há muito tempo fixas naquele lugar. Chocar-se com a distância percorrida. Conferir o tempo e a velocidade. Chocar-se já no final da tarde, antes de voltar à casa, ou antes mesmo de pensar que o dia tenha terminado mais uma vez. Mais uma vez. Neste momento não há uma instrução, pois se queira voltar para casa, o caminho inverso é a solução. Exceto que não se precisa comprar mais lenços. Contudo, se queira continuar acompanhando o sol, o tempo, a distância e a velocidade devem ser recalculados. Isto muito rapidamente, pois já haveria um dia de atraso.

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PASSEIO DE AGOSTO por MAQUIAM MATEUS SILVEIRA Na neblina da tarde que não é dia, a sacola inútil enroscada no alto dos fios. Tudo é frio. Alguns andam, outros correm, o velho para no meio da rua... Ninguém entende a poesia inútil de que ele precisa e procura

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Guia de Esportes guiadeesportes@ocaxiense.com.br

Rafaela Dariva/Divulgação/O Caxiense

Domingo, a dupla CA-JU enfrenta VEC e NH. Mas com a cabeça na quinta, dia de clássico

No meio da semana, a pista de atletismo do Sesi receberá os corredores da segunda etapa do Circuito Festa da Uva 2010

FUTEBOL l Veranópolis x Juventude | domingo, 11h | O técnico Osmar Loss deve recuar o volante Fred para a zaga, ocupando o lugar de Dirley, dispensado pela direção na tarde de quinta-feira. Dessa forma, o novo reforço, o volante Umberto, pode estrear no meio-campo. O Veranópolis, do técnico Gilmar Dal Pozzo, tem o melhor ataque da competição, ao lado do Inter, com 11 gols marcados. O Ju deve começar com Carlão; Luiz Fellipe, Fred, Ferreira e Calisto; Umberto, Lauro, Edenilso e Ivo; Maycon e Marcos Denner. Estádio Antônio David Farina Ingressos a R$ 15. Antecipados, até sábado ao meio-dia, R$ 12. Crianças menores de 12 anos, acompanhadas de responsável, com carteira de identidade ou certidão de nascimento, não pagam entrada. Estudantes e pessoas acima de 60 anos pagam R$ 6 | Abertura dos portões: 10h | RSC-470, Medianeira, na entrada de Veranópolis | Informações: (54) 3441.4878 | l Caxias x Novo Hamburgo | domingo, 17h | O treinador Julinho Camargo estuda alterações para compor o esquadrão grená contra o Novo Hamburgo, em casa. Na zaga, para o lugar de Tiago Saletti, que saiu de campo machu-

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cado no meio da semana, deve entrar Netto. Mas Julinho pode contar ainda com Caçapa. No meio-campo, a indefinição segue por conta de Edenílson ou Lê, para iniciar a partida. O Caxias deve começar com Fernando Wellington (Ricardo); Bindé, Anderson Bill, Netto (Caçapa) e Ismael (na sexta-feira, era dúvida; poderá ser substituído por Itaqui, improvisado); Itaqui, Marcos Rogério, Marcelo Costa e Lê (Edenílson); Borja e Everton. Estádio Centenário Arquibancadas: R$ 10. Cadeiras: R$ 20. Acompanhantes de sócio: R$ 15. Estudantes e pessoas acima de 60 anos: R$ 5. Torcida visitante: R$ 20. | Thomas Beltrão de Queiroz, 898, Marechal Floriano | l Juventude x Caxias | quinta, 19h | Este será o clássico de número 266. A direção do Juventude destinou toda a ferradura norte (Mato Sartori) para a torcida do Caxias. Estádio Alfredo Jaconi Ingressos a R$ 20. Estudantes, munidos do requerimento de matrícula ou histórico escolar e pessoas acima de 60 anos, R$ 10. Sócios com mensalidades em dia e menores de 12 anos acompanhados portando documentação tem entrada gratuita. Cadeiras: R$ 30 para sócios, R$ 40 para público em geral e R$ 15 para menores de 12 anos | Hércules Galló, 1.547, Centro |

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ESPORTES DE AREIA l Circuito de Verão Sesc | sábado, a partir das 9h | Os primeiros jogos do Circuito de Verão Sesc começam a ser disputados neste domingo. A modalidade que abre o evento é o futebol de areia. Os jogos serão disputados na sede da Associação dos Funcionários da Móveis Florense, em Flores da Cunha, a partir das 9h. No domingo, as duplas de vôlei e futevôlei se enfrentam no Parque dos Macaquinhos, também a partir das 9h. De tarde, às 15h, serão realizados os jogos de handebol, na quadra da Agrale São Ciro, na BR-116, 15.104, Km 145, bairro São Ciro. Associação dos Funcionários da Móveis Florense Entrada gratuita | Av. 25 de Julho, 4.090, Flores da Cunha |

VÔLEI l Superliga de vôlei | sábado, 19h |Neste sábado, o Caxias enfrenta, no Ginásio Poliesportivo da UCS, mais um adversário direto na tabela, o Vôlei Futuro. O jogo é válido pela 16ª rodada do campeonato. Faltando apenas três jogos para o fim do primeiro turno da Superliga, o Caxias está conseguindo se manter entre os oito times que passam para as quartas de final,

após o fim do segundo turno. Na rodada seguinte, quinta-feira, dia 4, às 18h30, o Caxias terá uma dificil missão a cumprir em São Paulo: vencer o Sesi, um dos times que brigam pela ponta no campeonato. Ginásio Poliesportivo da UCS Ingressos: R$ 4 para funcionários da UCS e estudantes, mediante identificação, e R$ 8 para público em geral. Abertura da bilheteria: 18h | Francisco Getúlio Vargas, s/n, Vila Olímpica da UCS, Petrópolis |

CORRIDA l Circuito Caxiense de Provas de Pista | quarta, 19h | Esta é a segunda de três etapas do Circuito Festa da Uva 2010. O circuito é dividido em categorias. As provas do infantil (10 a 15 anos) têm 3 mil metros. A adulta (16 anos em diante) é de 10 mil metros. As inscrições são gratuitas, e podem ser realizadas antecipadamente na Secretaria de Esporte e Lazer ou na hora, a partir das 18h. A primeira etapa ocorreu em 14 de dezembro, com 60 inscritos. A premiação será entregue após a última etapa, no dia 4 de março. A menor média do tempo das três corridas define o campeão. Pista de Atletismo do Sesi Entrada gratuita | Cyro de Lavra Pinto, s/nº, Nossa Senhora de Fátima |

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Maicon Damasceno/O Caxiense

CA-JU 266

HORA DE REENCONTRAR

O RIVAL

Julinho, que enfrentou Loss em Gre-Nais das categorias de base, e Marcelo Costa, ex-Ju, disputam o primeiro clássico vestindo grená

Julinho voltará a ver Loss no banco adversário: “Antes de mais nada, somos amigos. Fui eu quem levou o Loss para trabalhar no Inter. Admiro muito ele”

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por MARCELO MUGNOL fmarcelo.mugnol@ocaxiense.com.br em coisas nessa vida que nem Freud, nem Nelson Rodrigues explicam. Talvez o que chegou mais perto foi Shakespeare, o inventor do humano. Sem Shakespeare talvez não soubéssemos ainda revelar nossas paixões. Mas e que raios isso tudo tem a ver com futebol? Apita o árbitro. Bola rolando. De um lado, um esquadrão grená. De outro, homens fardados de verde e branco. Olhares que fuzilam. Se a torcida fizesse silêncio seria possível ouvir o coração em disparada, a respiração ofegante, o som dos dentes rangendo de tensão. Os jogadores armados conforme os seus comandantes atacam e defendem. Contra-atacam. Usam da mesma artilharia, chutes e dribles. Resta aos goleiros a difícil e árdua tarefa de defender – a qualquer custo. O tempo inteiro. Seria só mais um jogo pelo Gauchão ou qualquer outra competição insignificante, mesmo aquelas em que o prêmio é uma caixa de cerveja. Seria só mais um jogo, não fosse essa partida chamada de clássico Ca-Ju. E talvez devêssemos escrever em letras maiúsculas para deixar cravada neste jornal a importância dessa disputa. Um CAJU não é e nunca será só um jogo entre dois times de Caxias do Sul. O clássico CA-JU rompe as fronteiras do possível, ameniza tristezas, realça desavenças, faz mais barulho do

que dezenas de máquinas pesadas em acelerada produção. Fora de campo, o toma-lá-dá-cá dura uma eternidade. A discussão pode ser sobre a última rodada, mas as torcidas grená e alviverde vão sempre se sair com aquela: “Espera o CA-JU. Aí vocês vão ver”. Se dependesse da torcida tinha que ter um CA-JU por mês, pelo menos. Neste ano, poderemos até ter clássico em campeonato nacional, na Série C. O primeiro, porém, e este do Gauchão, a ser disputado na casa do Juventude, quinta-feira, dia 4 – que com certeza vai deixar a cidade contando os dias para o próximo confronto. Pode perguntar por aí: o sonho de quem torce pelo Caxias e Juventude é disputar todas as finais de campeonato possíveis juntos. Um contra o outro. Afinal, não há para esses torcedores melhor vitória do que arrasar com o co-irmão. Esse é o sentimento no Caxias, pelo menos. Até o presidente Osvaldo Voges sonha ser campeão em cima do Juventude. Quem sabe neste ano ainda, na Série C. “O melhor para a cidade seria ver os dois subirem”, pondera. Melhor ainda e com mais ênfase histórica, para desespero dos papos, seria o Caxias ser campeão da Série C e o Juventude, vice. Enquanto o segundo semestre não chega, vamos ao que nos interessa agora. O clássico CA-JU no Gauchão. Na semana que passou, o pensamento de quem trabalha no Caxias, obviamente, era mentalizar as disputas com o Esportivo e o Novo Hamburgo. Afi-

nal de contas, uma competição de tiro Raça é como respeito, não se curto como essa não permite tropeços. compra na padaria. Raça é virtude que Ainda mais em casa, como era o caso só os jogadores honrados podem revedas duas partidas que o esquadrão gre- lar ao inimigo, batendo com o punho ná disputaria. fechado no peito e de olhos cravados No entanto, era só o repórter cutucar nos olhos do oponente. “Um clássico “E o CA-JU”? para os jogadores mu- como o CA-JU muitas vezes independarem a fisionomia. Nem todos desse de da situação em que o time esteja no grupo do Caxias vivenciaram ainda campeonato”, revela Lê, meia-atacante a experiência. E só depois de quinta- do Caxias, de 25 anos, nascido em Sanfeira é que eles poderão tentar explicar ta Cruz do Sul. essa sensação. Lembra daquela reporLê é prata da casa. Disputou CA-JUs tagem com o Osvaldo nos juvenis, juniores e Voges, aqui mesmo profissionais. E como n’O Caxiense, em que “Sem aquele comercial de suo presidente revelou menosprezar tiã, o primeiro Lê nunque conheceu no fu- as outras equipes, ca esqueceu: “Foi no tebol um elemento até juvenil, em 2001, aqui o clássico é então estranho a ele, mesmo no Centenário, pelo menos nos domí- um jogo especial. e jogamos bem. Lemnios de uma fábrica? E a gente quer bro que tinha torcida e Voges referia-se à pai- vencer pra ficar a cobrança já era granxão. de por uma vitória”, na história”, E é essa paixão arrecomplementa. batadora que a torcida diz Ricardo Na outra ponta do sustenta pelo Caxias time, está o goleiro que deixa muitos boRicardo. Debaixo das quiabertos. Os papos acham o grená traves é dele a missão de impedir qualum sofredor. Mas talvez os papos não quer gol do Juventude. Seja o chute reconheçam que só o torcedor do Ca- de onde for, mesmo à queima-roupa. xias é capaz de desafiar os gigantes, É dura a missão de um arqueiro. Para remar e remar mesmo em mares tur- alguns jogadores, como Pelé, que além bulentos e de intensa tempestade, sem de Rei do futebol é reconhecido como nunca esmorecer. Porque um verda- filósofo da bola, por frases como essa: deiro grená não se entrega. Seja dentro “É tão ruim ser goleiro quem nem graou fora de campo. Foi assim em vitó- ma nasce onde ele joga”. rias como a do Campeonato Gaúcho Piadas fora de época à parte, Ricardo de 2000 e em derrotas como para o já disputou três clássicos CA-JU, neGuaratinguetá, na Série C do Brasilei- nhum deles válido pelo Gauchão. Sem ro, no ano passado. querer assustar o torcedor gená, diga-

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Fotos: Maicon Damasceno/O Caxiense

Marcelo Costa arma o meio-campo; Ricardo protege a meta grená

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mos apenas que seu saldo não é favorável nas disputas. Mas Ricardo pretende começar a escrever um novo capítulo nessa história. “Sem menosprezar as outras equipes, o clássico é um jogo especial. E a gente quer vencer pra ficar na história”, admite o caxiense Ricardo, 25 anos, depois de um treino no Centenário.

defendendo o Grêmio. Seu batismo em CA-JU será na quinta-feira, dia 4. Ele e toda a massa grená esperam que seja o início de uma história de vitórias em cima do co-irmão. Quem sabe seguindo a mesma trilha do presidente Osvaldo Voges, há três temporadas no Caxias, e que jamais – repito: jamais – perdeu um CA-JU. Voltando a Julinho. Na beira do graNaquele glorioso Caxias ven- mado verde do estádio Alfredo Jaconi, cedor do Campeonato Gaúcho, em ele e o treinador do Juventude, Osmar 2000, havia em campo um atleta expe- Loss, vão continuar com uma batalha riente, ex-jogador do Juventude, que nascida e criada lá em Porto Alegre. caiu como uma luva no time coman- É que Julinho e Loss, antes de serem dado por Tite. Aquele escudeiro grená importados para a Serra, estavam treiera Gil Baiano, e por seus pés passava nando a base do Grêmio e Inter. “Um a maior parte das jogadas do Caxias. contra o outro, em Gre-Nais, tem de No meio do campo, Gil Baiano virou confirmar com o Loss, mas acho que soberano, tendo como fiéis escudeiros vencemos duas partidas cada um”, reo trio Maurício, Titi e Ivair. vela Julinho. Quem sabe esteja aí, no Nesse novo time do Caxias, ressur- clássico CA-JU, a chance de desempate ge um comandante grená em campo. desse confronto. Marcelo Costa, também ex-jogador do “Antes de mais nada, somos amiJuventude, também não devidamente gos. Fui eu quem levou o Loss para aproveitado pelo time trabalhar no Inter. Eu verde e branco. No já estava me formando Caxias, Marcelo Costa “Clássico é em educação física na tem sido o principal clássico. Não tem UFRGS quando conhearmador das jogadas. ci ele. Vi que tinha jeito favorito. Já vi Com experiência, vespara trabalhar com futindo a braçadeira de jogador nascer tebol e levei ele pra tracapitão, tem feito o que em clássico, mas balhar comigo no Inter. muita gente duvidava, também já vi Admiro muito ele. É um principalmente os do treinador que sabe fazer jogador morrer lado de lá da cidade, muito bem o xadrez do daquela região perto em clássico”, jogo e sempre tem uma diz Julinho da Rodoviária. formação interessante “Somos jogadores nos seus times”, avalia bem diferentes um do Julinho. outro”, desconversa Marcelo, 29 anos, natural de Palmeiras do Sul (RS), O treinador do Caxias conhece quando comparado a Gil Baiano. Em muito bem a forma como Loss trabacampo, realmente, podem ter uma for- lha. E isso é um ponto positivo nesse ma distinta de atuar, mas que os dois desenho que vai se configurando nesse encaixaram muito bem nos elencos, ses dias que antecedem o CA-JU. No isso não tem como discutir. Por isso entanto, essa arma de Julinho é carretem tanto torcedor alviverde roendo as gada com a mesma munição de Loss. mangas da camisa de raiva. E esse é só Ou seja, Loss também conhece Julinho. mais um dos elementos que justificam Também sabe das suas estratégias e da a paixão. Afinal de contas, como dizem forma como o comandante grená arma os mais velhos, é quando se perde que o time. Por isso, esse confronto tende a se sente a falta. ser ainda mais poderoso, e emocionante, porque a disputa rompe a barreira A falta de um jogador que ob- de torcida e time e concentra-se basserve o mundo a partir do meio-cam- tante nas estratégias de Julinho e Loss po e consiga em um lance mudar uma para surpreender um ao outro. partida é que anda deixando muito “Clássico é clássico. Não tem favoalviverde de cabelo em pé. Enquanto rito. Já vi jogador nascer em clássico, isso, no clube grená: “Fui formado na mas também já vi jogador morrer em base do Juventude, mas se estou dando clássico”, brinca Julinho, disfarçando certo aqui no Caxias é porque a torcida a ansiedade que o CA-JU acende na me recebeu bem, com carinho e apoio”, torcida. E na cidade. Porque Julinho, justifica Marcelo Costa. mesmo há pouco tempo morando em O meia do Caxias disputou mais de Caxias, bem sabe quanto o clássico é 10 clássicos vestindo a camisa do Ju- importante para os caxienses. ventude. “Acredito que venci mais de Se depender das duas torcidas, será 70% das partidas”, divididas entre as o melhor jogo do campeonato. De presuas duas passagens pelo clube alvi- ferência sem chuva, e com o estádio verde, entre 2000 e 2004 e entre 2007 lotado. Antes mesmo de a bola rolar, já e 2009. “Já passei por várias situações. começa a disputa das torcidas pra ver Até de time que ia ser rebaixado, mas quem vai colocar mais gente no Jaconi. acaba vencendo o clássico”, ensina Grenás ou Papos? Que sejam muitos, Marcelo Costa, comprovando a teoria dos dois lados. E que todos entrem e de que em se tratando de CA-JU não saiam do estádio com um só pensahá nunca um favorito. mento: futebol é batalha no campo, Mesmo sem saber a opinião de Ju- não fora dele. Torcedor torce, vibra, linho Camargo, Marcelo referenda o canta, ri e chora. Torcedor não agride, pensamento de outro estreante em não machuca, não ataca um irmão que CA-JU. O treinador, nascido em Porto pode estar vestindo outras cores,que Alegre, já vivenciou outro conhecido não as suas preferidas. clássico gaúcho, o Gre-Nal. Disputou Bom jogo a todos nós, caxienses de sete anos de embate pelo Inter e oito coração.

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Maicon Damasceno/O Caxiense

CA-JU 266

Denner contabiliza 14 gols com a camisa do Ju. Na próxima quinta, pretende ampliar o número contra o maior rival, que defendeu no primeiro semestre do ano passado

Agora,

O ALVO É O

CAXIAS

Marcos Denner, que marcou contra o Juventude no último clássico, desta vez estará no comando do ataque alviverde

por FABIANO PROVIN fabiano.provin@ocaxiense.com.br

N

a tarde de 12 de abril de 2009 o atacante Marcos Denner foi o carrasco do Juventude no Gauchão. O artilheiro deixou o dele no CA-JU disputado no Estádio Alfredo Jaconi, vencido pelo Caxias por 2 a 0, que valia vaga na final da competição. Júlio Madureira fez o segundo, o Caxias avançou e perdeu a final do 2º turno – Taça Fábio Koff – para o Internacional. Todos lembram do resultado. Para quem não recorda, 8 a 1. Em 2010 será a primeira vez que Denner defenderá a camisa alviverde num clássico CA-JU. E ele avisa: quer fazer gol. Ou gols. “Assim como fui profissional lá no Centenário, sou aqui no Jaconi. Mas marcar contra o Caxias será especial”, explica o centroavante, dispensado pelo Caxias por contenção de custos, em junho do ano passado, e quase que imediatamente contratado pelo Ju. O CA-JU 266 será disputado

a partir das 19h de quinta-feira, dia 4 de fevereiro. Marcos Aurélio Martins Ivo, 33 anos, começou a jogar futebol no Nova Iguaçu-RJ. Nasceu na capital carioca. Aos risos, ele prefere não listar por quantos clubes já atuou. “Poxa, foram muitos. Se botar todos aí, vai faltar papel”, brinca. Marcos recebeu o apelido de Denner pela semelhança física e pela habilidade com a bola nos pés, comparadas a Dener Augusto de Sousa, craque que morreu aos 23 anos de idade em 1994, em um acidente de carro no Rio de Janeiro – jogou pela Portuguesa, Grêmio e Vasco. Quando fala da disputa do clássico, o Denner alviverde, com o típico sotaque “carioquês”, é só entusiasmo. “É sensacional. É muito bom. É um jogo que mexe com multidões, mexe com o jogador, mexe com todo mundo. Se o atleta se dedica, se envolve com o clube que está defendendo, como é o meu caso, as emoções afloram ao entrar em

campo. Não tem como ser diferente.” O maior clássico que Marcos Denner já disputou foi um Flamengo e Vasco em 2005. Ele atuava pelo atual campeão brasileiro, o Flamengo, que acabou derrotado por 2 a 1 no Maracanã, em partida válida pelo Campeonato Carioca. Em seguida, na lembrança do atleta, aparecem os CA-JUs. “CA-JU é o segundo maior clássico que disputei”, confirma, sorrindo. Sentado na sala de imprensa do Estádio Alfredo Jaconi, Denner aguardava o treino que definiria o time para enfrentar o Inter na quarta-feira – o Ju jogou mal e acabou goleado por 5 a 0 no Beira-Rio. Sempre alegre, olhando para o chão e esfregando as mãos, o jogador lembra que marcou pelo menos quatro gols nos clássicos em Caxias do Sul – três pela Copinha, o torneio do segundo semestre promovido pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF), e um pelo Gauchão.

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Evangélico, Marcos Denner tem sua base na união da família. A nova crença, que apareceu em sua vida a partir de 1998, ajudou muito na vida profissional. O tom da voz muda ao falar da mulher, Patrícia, e das duas filhas, Beatriz, seis anos, e Thaís, de um ano. “Elas estão no Rio, de férias. Mas logo estarão de volta. Estou com saudades”, diz, orgulhoso. Para ele, fazer gol em um clássico mexe com as emoções do jogador. “É diferente, não dá para dizer que não. Venci jogos importantes em minha carreira. Sempre tenho uma motivação a mais para jogar. Sou o mesmo Denner que passou por Flamengo, Caxias e está no Juventude”, salienta. Pelas suas contas, no Caxias ele marcou 28 gols, e no Ju, até sábado, dia 30, já havia feito 14. Ele quer ampliar esse número, se puder, contra o Veranópolis, a partir das 11h de domingo, no Estádio Antônio David Farina, e também no CA-JU de número 266. “Nosso tra-

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disputado em 30 de maio de 1999, pelo Estadual. “No primeiro clássico deu 1 a 1 no Centenário. Nos classificamos com 1 a 0, gol do Mabília, no Jaconi. Depois fomos eliminados pelo Grêmio”, recorda Scola, que era presidente do clube naquele ano em que conquistou a Copa do Brasil, 27 dias após a vitória no CA-JU. Outra partida que está gravada na mente de Scola é a derrota Contabilizando todos os con- por 3 a 0, no Centenário, também pelo frontos disputados entre o extinto Fla- Gauchão e também quando era presimengo e o Ju e a Sociedade Esportiva dente, em 14 de maio de 2000. “Nossa, e Recreativa Caxias e o Esporte Clube nunca esquecerei. Aqueles 3 a 0 demoJuventude, sejam amistosos, torneios raram uns três meses para serem assimunicipais ou estaduais, o time da Rua milados. Tínhamos jogado em Quito, Hércules Galló soma mais vitórias: 93, no Equador, pela Copa Libertadores, contra 85 da equipe do Centenário – numa quinta-feira. Chegamos muito 87 jogos terminaram empatados. Os cansados para o jogo do final de semapapos marcaram 375 gols, e os grenás na”, lembra o presidente, com cara de 351. Se forem levados em consideração espanto. apenas os FLA-JUs, disputados entre Na próxima quinta, no Jaconi, Scola 1935 e 1971, o time da antiga Quinta espera que o resultado seja diferente. dos Pinheiros também leva vantagem, Principalmente pelo fato de o time ter com 68 resultados positivos contra 48 sido goleado por 5 a 0 no Beira-Rio do rival da também extinta Baixada pela 4ª rodada. Antes do clássico, o Rubra. Exclusivamente em CA-JUs, a Ju encara o Veranópolis, no Estádio supremacia é grená: 37 vitórias, ante Antônio David Farina. Até então, o 25 dos papos – 51 empates. O primei- alviverde venceu uma, empatou outra ro confronto foi disputado no dia 4 de e perdeu duas na competição; tem 4 agosto de 1935, pelo Campeonato Es- pontos. Precisa buscar uma reabilitatadual, no campo do Rio Branco. Deu ção fora de casa, contra o VEC, e na 3 a 1 para o Flamengo, com gols de sequência encara o CA-JU. Em quatro Filhinho e Antenor (duas vezes). Bor- jogos, tomou 12 gols, média de três por tinha descontou para o partida – só é pior do Juventude. que a do Porto Alegre, Entre as maiores go- “Conheço o que levou 13 e não ponleadas do Ju no clássi- trabalho do tuou ainda. co estão a de 7 a 2 em Julinho, o 31 de agosto de 1941, Talvez o maior pelo Campeonato Mu- que pode desafio do técnico Osnicipal, quando o jo- ajudar a mar Loss seja o de regador Remo Boscatto montar a abilitar moralmente o marcou quatro gols e equipe para grupo, que não mosdesde então é considetrou poder de reação rado o maior artilhei- o CA-JU”, contra o Inter, além, é ro a balançar a rede afirma Loss claro, de acertar a zaga, em um único jogo; 6 que teve a estreia de a 0 em 1949, também Ferreira no Beira-Rio. pelo Municipal; e 5 a 0 em 1961, pelo No primeiro quesito, certamente terá Torneio da Festa da Uva. A favor do a ajuda do presidente Scola, que não Flamengo/Caxias, as duas maiores go- estava muito contente após a derrota, leadas foram pelo placar de 5 a 1, em o primeiro confronto entre as equipes agosto de 1951 e em agosto de 1952, em Porto Alegre após o título coloraambas pelo Campeonato Municipal. do conquistado em 2008, com outra Outra curiosidade do confronto entre goleada de 8 a 1. “Temos muito trabaos times caxienses é a da partida com lho pela frente”, reconhece o treinador. maior número de gols marcados: em Loss, inclusive, conhece bem o estilo 12 de março de 1950, pelo Torneio da do comandante adversário. Julinho foi Festa da Uva, o jogo terminou empa- técnico da categoria de base gremista tado em 5 a 5. O gol mais rápido dos enquanto Loss colecionou títulos nos clássicos foi anotado por Mário Lopes, 15 anos em que defendeu as cores do do Juventude, que fez aos 14 segundos colorado. do 1º tempo em um amistoso de 1956. Em clássicos Gre-Nais, nas contas de Entre 1944 e 1946, 1960, 1967, de 1972 Loss, os dois treinadores fizeram quaa 1974, em 1998 e em 2002 não foram tro confrontos, com equilíbrio: duas disputados FLA/CA-JUs. vitórias do Grêmio, duas do Inter. “Se Na história recente, mais especifi- não me engano, disputamos as finais camente desde 2000, em 20 jogos o Ju do Brasileiro Sub-20 em 2006, do Esvenceu seis, empatou cinco e perdeu tadual de Juniores de 2007 e a semifinove. A maior vitória ocorreu por 5 a nal do Brasileiro em 2008. Sem dúvida, 3, no Centenário, pelo Gauchão, em conheço o trabalho do Julinho, o que 8 de março de 2003. Em 2008, foram pode ajudar a montar a equipe para o quatro confrontos, todos pela Copa CA-JU. Mais do que nunca vamos preLupi Martins (Copinha) – duas vitó- cisar do apoio da torcida para reverter rias do Caxias e dois empates. No ano esse quadro”, conclama o treinador passado, duas partidas pelo Gauchão papo. Para o próximo duelo, ele cone duas pela Copa Arthur Dallegrave, sidera fundamental a mobilização. “É com nova vantagem para os grenás: um clássico como Flamengo e Vasco, três vitórias e um empate. como Gre-Nal, como São Paulo e Palmeiras. Precisamos mostrar atitude”, Na memória do presidente Mil- resume Loss. É o que torcida espera – e ton Scola, seu CA-JU inesquecível foi vai cobrar – no CA-JU 266.

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O Caxiense

30 de janeiro a 5 de fevereiro de 2010

Maicon Damasceno/O Caxiense

balho está evoluindo, mas precisamos melhorar a parte física ainda. Na 6ª rodada, quando será disputado o clássico, o torcedor pode ter certeza de que estaremos melhor dentro de campo”, promete Marcos Denner, que sempre se ajoelha, ergue os braços e aponta os dedos indicadores para o céu quando faz gol.

Loss, que enfrentou Julinho nas categorias de base: “Precisamos mostrar atitude”

S e m an alm e nte n a s b an c a s , di ar i am e nte n a inte r n e t .


Renato Henrichs

renato.henrichs@ocaxiense.com.br | www.ocaxiense.com.br/renato-henrichs

Primeiro, os estatutos

O quadro hipertensivo apresentado pelo presidente da República esta semana derrubou de vez a possibilidade de Lula estar em Caxias para a abertura da Festa da Uva. É pouco provável, inclusive, que a comissão comunitária consiga fazer chegar a ele, no dia 5, o convite oficial para a cerimônia de inauguração. A agenda de Lula em Porto Alegre naquela data poderá ser cancelada.

Berlusconi

Além de Brasília, o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi vai estender seu roteiro pelo país, a partir do dia 18, a Rio e São Paulo. Alguém conseguiu passar até ele a informação de que, no período em que estiver em solo brasileiro, acontecerá em Caxias do Sul uma festa comemorativa aos 135 anos da imigração italiana aqui? A presença do polêmico político italiano traria evidentes dividendos publicitários para a Festa da Uva. Sem contar que seria uma homenagem aos descendentes dos imigrantes.

Cidade grande

Ainda que divulgados para justificar o aumento de 21,5% da tarifa, os números do Samae impressionam. A autarquia registra a existência de 151.298 “economias” abastecidas com água tratada. Mesmo descontada do total uma expressiva parcela de indústrias e casas de comércio, é razoável multiplicar esse número de economias por quatro pessoas. O que representaria uma população de algo em torno de 600 mil pessoas em Caxias do Sul. O Censo do IBGE poderá confirmar.

Prazo final

O vereador Rodrigo Beltrão (PT) foi até agora a voz mais contundente na Câmara contra o aumento da tarifa de água. Para ele, enquando o governo federal anuncia investimentos históricos nos municípios, inclusive Caxias do Sul, e redução de impostos, a prefeitura repassa todo ônus de governar para o bolso da população. Lembrou também da necessidade de o município criar, com base na lei federal 11.445/2007, a tarifa social no prazo de três anos.

Esse aumento soa como brincadeira de mau gosto Vereador Rodrigo Beltrão (PT), ao reclamar do reajuste na tarifa de água em 21,42%, anunciado esta semana

perguntas para

Marcus Vinicius Caberlon

Para o diretor geral do Samae, a criação da tarifa social à população de baixa renda também significará despesa maior para os demais consumidores O aumento de 21, 42% na tarifa deve ser encarado de forma drástica (ou ele ou a paralisação das obras que o Samae realiza no momento)? O reajuste tem como objetivo, além de garantir o equilíbrio econômico-financeiro da autarquia, dar prosseguimento aos investimentos programados pelo Samae, como o sistema de tratamento de esgoto da cidade, a ampliação e a modernização das estações de tratamento de água, a substituição e recuperação de redes antigas, programa este que tem nos permitido ampliar o número de ligações – foram 4.799 novas economias ligadas ao sistema só no ano passado -, entre tantos outros. A oposição lembrou esta semana a criação de sete novos cargos de confiança (CCs) no Samae. A existência deles também contribui para a definição do reajuste? O que nosso estudo tarifário prevê é a nomeação de 20 novos servidores,

Em campanha

Pré-candidato ao Senado (para desgosto de muitos peemedebistas gaúchos, que gostariam de vê-lo disputando a sucessão ao Palácio Piratini), o ex-deputado e exgovernador Germano Rigotto já articula sua campanha . Contratou o jornalista Stefan Ligocki, ex-colunista de política da imprensa local, para assessorá-lo.

aprovados nos concursos realizados pelo Samae. São servidores especializados, que terão atividades principalmente no tratamento de água e esgoto, funções essenciais dentro do quadro atual, levando-se em conta o novo sistema de abastecimento de água, Marrecas e as novas Estações de Tratamento de Esgoto. Quanto aos cargos em confiança, o preenchimento das vagas criadas e das existentes, será na medida real da necessidade da autarquia. E a tarifa social, quando será criada? A efetivação da tarifa social a partir de 2011 será discutida no segundo semestre de 2010, havendo a projeção de superávit ao longo do ano. Essa sim, uma tarifa justa e real e necessária, com critérios definidos e que poderá beneficiar àqueles de menor poder aquisitivo. Entretanto, ela trará, com certeza, um aumento expressivo para os demais consumidores.

Aliás

Se Rigotto for eleito e se Paulo Paim for reconduzido em outubro, mais a permanência de Pedro Simon por outros quatro anos, os três representantes do Rio Grande do Sul no Senado Federal, a partir do ano que vem, serão caxienses. Um dia, quem sabe, isso poderá significar alguma coisa.

Não dá para afirmar que a bilheteria de “Lula, o filho do Brasil” - que saiu de cartaz na quinta-feira - tenha sido um fiasco. Mas ficou longe das expectativas dos produtores - e, talvez, do próprio presidente e de assessores dele. O GNC Cinemas não divulga números. Sabe-se, porém, que em Caxias o filme de Fábio Barreto atraiu menos espectadores que até mesmo “Xuxa e o Mistério de Feiurinha”. Talvez o público caxiense tenha feito a mesma leitura que a The Economist, que considerou o filme uma versão adocicada da vida do presidente da República. Para a revista inglesa, o personagem do filme “é bom demais para ser verdade”.

Mais um A partir desta segunda-feira, a prefeitura começa a distribuir aos contribuintes os carnês do IPTU.

Quebra de resistências

Por uma coincidência sempre presente na atividade política, a CIC de Caxias do Sul poderá trazer a Caxias para uma reunião-almoço especial, na próxima sexta-feira, o companheiro da ministra da Casa Civil Dilma Rousseff na chapa ao Palácio do Planalto. É isso, o presidente Lula - com crise hipertensiva ou não - continua insistindo junto a auxiliares e dirigentes do PT que, se depender dele, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, será o candidato da situação à vice-presidência. De acordo com Lula, Meirelles atuaria como uma espécie de escudo de Dilma Rousseff, proporcionando segurança ao mercado financeiro. O mesmo papel, aliás, que José Alencar desempenhou em 2002.

Saída relativa

Saída do PMDB do governo Yeda Crusius pouco significa para Caxias do Sul. Nenhum caxiense ocupa cargo de expressão no primeiro escalão da administração estadual. Luiz Chaves, Divulgação/O Caxiense

Abertura sem Lula

Bom demais

Luiz Chaves, Divulgação/O Caxiense

O Conselho Diretor da Fundação Universidade de Caxias do Sul agendou para 19 de fevereiro reunião extraordinária com o objetivo de debater a reforma dos estatutos da instituição. O encontro da última quinta-feira, previamente agendado, só tratou de questões pontuais. A discussão da reforma dos estatutos engloba a formação do conselho e também o formato do processo sucessório na UCS. A campanha eleitoral a reitor será desencadeada a partir da definição de como será esse formato.

Tarifa compensada

Foi uma semana de aumentos para as tarifas municipais, a começar pelo novo preço da água, a ser cobrado na conta de março. Embora a definição do índice do reajuste da passagem do transporte coletivo aconteça somente após reunião do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte, sabe-se que ele não escapará de algo em torno dos 10%. Ou seja, a passagem poderá passar para R$ 2,40. O vilão desse reajuste não será, dessa vez, o preço dos combustíveis ou o aumento do salário dos funcionários da Visate, mas o excesso de isenções de pagamento da passagem (compensadas na tarifa integral).

w w w . o c a x i e n s e . c o m . b r

30 de janeiro a 5 de fevereiro de 2010

O Caxiense

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Edição 9