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Abril | 2011

|S9 |D10 |S11 |T12 |Q13 |Q14 |S15

71 Ano ii

Noerci,

o delegado cantor Roberto

Hunoff Ranking gaúcho não reflete a força local dos supermercados

Profissão:

concurseiro Renato

Henrichs A política que vai aos bairros fora da época de eleição

Alceu:

“tudo que é feito no Daer não funciona”

Os bastidores do dia em que a cidade entrou para a história ao realizar a primeira transmissão a cores do país, feito a ser comemorado na Festa da Uva 40 anos depois

Ilustração: Marcelo Aramis/O Caxiense

Dupla

CA-JU Ju tenta o título do Interior e Caxias sonha com a classificação

R$ 2,50


Índice

www.OCAXIENSE.com.br Abril | 2011

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A Semana | 3 As notícias que foram destaque no site

Renato

Zé do Rio,

o crítico do “Estado Merdocrático” Roberto

MAIS FRACO

Perfil | 14 Os versos escrachados de uma autoridade séria: Noerci Melo Guia de Cultura | 16 Zica Stockmans solteira no palco e uma arara-azul em busca do amor Alistamento | 19 Não há vagas suficientes para quem quer servir nem garantia de dispensa para quem não quer Dupla CA-JU | 21 Um quer o título do Interior; outro, só classificar (e já será muito) Guia de Esportes | 22 Batalhas do fim de semana: Gauchão e kickboxing Renato Henrichs | 23 O que a Câmara pode aprender nos bairros

Expediente

Redação: André Tiago Susin, Camila Cardoso Boff, Carol De Barba, Fabiano Provin, Felipe Boff (editor), José Eduardo Coutelle, Luciana Lain, Marcelo Aramis (editor assistente), Paula Sperb (editora), Renato Henrichs, Roberto Hunoff, Robin Siteneski e Valquíria Vita Comercial: Pita Loss Circulação/Assinaturas: Tatyany Rodrigues de Oliveira Administrativo: Luiz Antônio Boff Impressão: Correio do Povo

Assine

Para assinar, acesse www.ocaxiense.com.br/assinaturas, ligue 3027-5538 (de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 18h) ou mande um e-mail para assine@ocaxiense.com.br. Trimestral: R$ 30 | Semestral: R$ 60 | Anual: 2x de R$ 60 ou 1x de R$ 120

Jornal O Caxiense Ltda. Rua Os 18 do Forte, 422, sala 1 | Lourdes | Caxias do Sul | 95020-471 Fone 3027-5538 | E-mail ocaxiense@ocaxiense.com.br www.ocaxiense.com.br

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O Caxiense

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Fotos: André T. Susin/O Caxiense

Noveletto fala de Copa, Gauchão e Clube dos 13

André T. Susin/O Caxiense

O assédio moral motivou a abertura de 267 processos na Justiça do Trabalho de Caxias do Sul no ano passado. Nos três primeiros meses de 2011, já são 87, uma média 30% superior. Na prefeitura, os servidores reivindicam a criação de uma lei específica para combater os abusos

Festa da Uva | 7 Os bastidores da primeira transmissão a cores do Brasil

Artes | 13 Um olhar que sorri

HuNOFF O setor de serviços puxou a retração da economia caxiense

A LEI DO

O Caxiense entrevista | 5 Alceu Barbosa Velho (PDT), adversário dos pardais, é contra a CPI (por enquanto)

Boa Gente | 12 Fábula do Brasil para a Itália, pizza da Itália para Caxias e evento mundial com palestrantes locais. Cinco comércios 24h.

Ano ii

HENRICHS Em maio, dom Paulo Moretto faz aniversário – e deixa de ser bispo de Caxias

Roberto Hunoff | 4 Ausência de redes caxienses no ranking gaúcho de supermercados revela desinteresse – e pode gerar prejuízos

Concurseiros | 10 A marcha pelo emprego público impõe uma dura seleção à espécie

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Entrevista com Fuck Yeah, a coluna antissocial

Parabéns pela matéria “A lei do mais fraco”. Mostra exemplos de assédio moral no serviço público municipal. Foto da capa ficou perfeita. João Dorlan

Caxias, acampamento de ciganos

R$ 2,50

@FilipeVolux Parabéns ao @ocaxiense pela capa!!! Palmas para o André T. Susin #edição70

@paulinhocc Muito massa a capa! Abaixo o assédio moral #edição70

@jornalisi Bela capa! A expressão do cãozinho acuado está perfeita. Ótimo trabalho! #edição70 @adiphotos Parabéns ao @ocaxiense por abrir um espaço em sua edição para que os artistas locais possam expor seus trabalhos. #artes @kah_cr Adoro muito o @ocaxiense! Parabéns pessoal! Jornalismo de qualidade! #edição70

@tricke Parabéns ao @ocaxiense pela 70ª edição. Jornalismo e informação de altíssima qualidade. #edição70 @RoseBrogliato Fiquei feliz de ver as matérias de @ocaxiense. Todas me interessam. #edição70 @vereadoradenise Confesso que gostei muito dessa última edição! Nem sabia o que ler primeiro... Zé do Rio, Ciganos, Assédio Moral. #edição70

No Site

Extinção do pedágio de Farroupilha | A grande questão não é extinguir as praças de pedágio e sim valores mais justos. Na minha opinião, o Estado não consegue arcar com todos os custos de manutenção das nossas estradas (embora devesse). Os pedágios podem ser uma ferramenta para melhorar as condições de infraestrutura das estradas, desde que não seja abusivo, como tem sido. Uma mudança radical na política de concessão já seria um grande avanço. Alessandro Silva Erramos | No perfil de Zé do Rio, publicado na última edição (Zé, do Rio a Caxias), na foto em que ele aparece ao lado da mãe, Esther, está acompanhado do padrasto, Francélio Caldas, e não do pai, Manoel; Zé do Rio pensou em ser presidente do Brasil pela primeira vez em 1954, ano em que Getúlio Vargas se suicidou, e não em 1984; Zé do Rio também afirma que nunca pichou muros, apenas escreve o nome de seus livros, com giz, em tapumes.

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


A Semana Luiz Chaves, Divulgação/O Caxiense

André T. Susin/O Caxiense

editada por Felipe Boff | felipe.boff@ocaxiense.com.br

Candidatas à coroa da Festa da Uva 2012: Francine (E), Aline (C) e Lídia (D); Biblioteca Municipal aguarda interessados na reforma

SEGUNDA | 4.abr

cidade da região receberá uma unidade de UFRGS. Caxias do Abertas as inscrições Sul, Farroupilha, Bento Gonçalpara concurso da rainha ves e Garibaldi já demonstraram Começou bem o concurso para esse interesse. a escolha da rainha e das princesas da Festa da Uva de 2012. No primeiro dia, três candidatas se Governo confirma fim apresentaram: Aline Apareci- do pedágio de Farroupilha da Dallegrave, Francine Abreu Também para 2013, outra boa Guerra e Lídia de Oliveira Flores. notícia. A se julgar pelo anúncio Interessadas têm até o dia 21 de formal e oficial, feito pelo secremaio para se inscrever, de segun- tário de Infraestrutura e Logístida a sexta, das 14h às 18h, e aos ca, Beto Albuquerque, pode-se sábados das 9h às 12h (exceto dia considerar cumprida a promessa 23 de abril). do governador Tarso Genro de extinguir a praça de pedágio de Farroupilha quando se encerrar o TERÇA | 5.abr contrato atual. Agora, o governo aguarda as conclusões da CâmaExtensão da UFRGS ra Temática formada para discuprevista para 2013 tir um novo modelo de pedágio Deve levar dois anos o proces- no Rio Grande do Sul, ao mesmo so de instalação de uma extensão tempo em que tenta resolver o da Universidade Federal do Rio impasse das rodovias federais. Grande do Sul (UFRGS) na Serra. A previsão é do vice-reitor, Rui Vicente Oppermann. Se a notícia QUARTA | 6.abr desanima quem esperava um processo mais rápido, outra informa- Biblioteca sofre pelo ção de Oppermann compensa. O desinteresse – na reforma vice-reitor diz que mais de uma Não é desinteresse pela leitura,

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mas afeta diretamente os livros e os leitores. A reforma da Biblioteca Pública Municipal Dr. Demetrio Niederauer, com orçamento de R$ 392 mil, pode ser inviabilizada pela falta de interessados na licitação. O projeto, que prevê a ampliação de espaços para armazenar o material utilizado nos programas de estímulo à leitura, a expansão de alguns ambientes e a construção de banheiros novos, adequados às necessidades dos deficientes físicos, corre o risco de ficar no papel se nenhuma empresa se candidatar à execução da obra.

QUINTA | 7.abr Terceiro anel viário ganha apoio do Estado A alternativa para desafogar o trânsito da BR-116 no trecho urbano, chamada de terceiro anel viário, recebeu incentivo e promessa de apoio na busca de recursos por parte do governo do Estado. O secretário de Infraestrutura e Logística, Beto Albuquerque, quer vir a Caxias para conhecer melhor o

projeto da prefeitura, e já sugere uma associação de esforços para conseguir a verba necessária. Uma das ideias é colocar a obra no PAC 2 e, depois, municipalizá-la. O projeto da prefeitura segue o traçado da RSC-453, em frente ao Campus 8 da UCS, até a localidade de Santo Homobom. No percurso, prevê seis viadutos e dois túneis.

SEXTA | 8.abr Médicos do Município devem retomar a greve Com direito à greve devolvido pela Justiça e sem acordo com a prefeitura, os médicos da rede municipal pretendem retomar a paralisação a partir de segunda-feira (11). A posição anunciada pelo presidente do sindicato, Marlonei Silveira dos Santos, não ajuda muito na negociação. A categoria aumentou o pedido de reajuste. Quer R$ 9,1 mil por 20 horas semanais. Hoje, recebe salário-base de R$ 2,1 mil. E ainda tem a questão do ponto – assumidamente descumprido por parte dos médicos – a ser resolvida...

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Roberto Hunoff roberto.hunoff@ocaxiense.com.br

Tomando por base os indicadores do seu programa de qualidade, a Agrale premiou 44 concessionários de todo o País, dos quais 25 da linha de tratores e 19 de veículos. Com cinco anos de existência, o programa de qualidade para concessionários foi criado para aprimorar ainda mais o atendimento aos clientes da marca, reconhecer os distribuidores com melhor desempenho e permitir a excelência dos serviços de toda a rede. O encontro com 160 representantes das concessionárias da marca também serviu para promover integração.

Baixa representatividade

Aumento discreto

As vendas de material de construção no mês de março tiveram elevação de apenas 1% na comparação com fevereiro. A pesquisa realizada pela Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção indica que, dentre todos os segmentos pesquisados, apenas tubos e conexões de PVC apresentaram resultado superior, em alta de 4,8%. Para abril o segmento aposta em avanço de 5% sobre março.

Causa estranheza que apenas três empresas do varejo supermercadista de Caxias do Sul despontem no ranking de 2010 da Associação Gaúcha de Supermercados. São elas: rede Kastelão, 52ª colocada; Mini Mercado Simiel, 157ª; e Melon Alimentos, 289º posto. A lista com as 327 maiores do Estado foi liberada nesta semana. Na ponta aparece o grupo Walmart, detentora em Caxias do Sul das marcas BIG e Nacional. A ausência de redes como Andreazza, Condor, Savi e Vantajão, dentre outras, deve estar diretamente relacionada ao fato de

elas não estarem ligadas à entidade gaúcha ou não liberarem informações. Tanto num caso, quanto no outro, perdem a cidade e o setor supermercadista local, que dá a impressão de não ser representativo, o que é uma inverdade. Talvez esteja faltando um pouco mais de interesse em participar efetivamente das lutas do segmento. Seria muito bom que estas redes revelassem seu real tamanho, mostrando que Caxias não é apenas uma cidade de características industriais. Isto também pesa na hora da decisão de novos investimentos.

Congresso

A Universidade de Caxias do Sul organizará, de 11 a 15 de abril, o 6º Congresso Brasileiro de Engenharia de Fabricação, maior evento nacional nesta área. Realizado a cada dois anos, o congresso reunirá especialistas de instituições de ensino superior e da indústria para a discussão e apresentação de trabalhos científicos sobre o tema. Dos 300 trabalhos inscritos, 20 são da UCS. São esperados especialistas da Polônia, Alemanha, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Coreia do Sul, França, Portugal, Taiwan e Itália.

Tecnologia

Referência em sua área de atuação, a CGL - Casa das Gaxetas inaugurou unidade fabril em Caxias, onde aplicará inovadora tecnologia no segmento de vedações industriais. A empresa investiu perto de R$ 1,3 milhão na estruturação da área de 500 m² e na aquisição de equipamentos. A nova tecnologia permite a produção de vedações com melhor acabamento e baixo nível de rugosidade, resultando em maior vida útil. Outra vantagem é a agilidade. No processo anterior a empresa levava cerca de 38 horas para fazer uma peça com molde ou matriz. Agora, leva 15 minutos.

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Mudanças

Julio Soares, Divulgação/O Caxiense

Distinção

A Dramd Participações e Administração, controladora das Empresas Randon, sofreu alterações societárias. O empresário Raul Randon, presidente do Conselho de Administração do grupo, transferiu a titularidade da maioria de suas ações para os cinco filhos em igual proporção. Com essa medida, a família Randon finalizou o processo de sucessão da gestão executiva e patrimonial da companhia, iniciada em abril de 2009, quando Raul Randon foi substituído pelo filho David Randon na presidência da diretoria executiva. A transferência deu-se por instrumento que preserva o exercício do direito de voto, mantém reserva de usufruto e traz cláusula de inalienabilidade. Já o controle direto e indireto da companhia, a composição de sua administração, a sua gestão executiva e a orientação dos negócios não sofrerão qualquer modificação em função da operação realizada.

Franquia

Com mais de 40 lojas espalhadas pelas principais cidades brasileiras, a Saccaro inaugurou franquia em Miami, nos Estados Unidos. A meta para 2011 é de abrir mais 14 franquias.

Ritmo acelerado Qualificação

A voestalpine Meincol conquistou a Certificação ISO TS 16949:2009, o que a coloca em diferenciado patamar de fornecedores para o mercado automotivo. Com capacidade para processar anualmente cerca de 170 mil toneladas de tubos e perfis de aço, a empresa pode agora aten-

der necessidades específicas do setor. Mais que pré-requisito para acesso à indústria automotiva no mundo, a nova certificação faz parte do processo de evolução e reestruturação da empresa, iniciada em 2007 quando da sua aquisição pelo grupo austríaco.

Curtas

A Microempa programou para 13 de abril, às 19h30, no auditório da CIC de Caxias do Sul, a primeira palestra do projeto Prazer em Conhecer deste ano. O especialista em marketing digital e diretor da WBI Brasil, Paulo Kenderski, falará sobre O impacto das redes sociais no comércio eletrônico.

A Fundação Caxias oferece curso gratuito de auxiliar de cozinha, que será desenvolvido no Centro de Atendimento ao Migrante, localizado no Bairro Desvio Rizzo. Serão 220 horas/aula, com início

confirmado para o dia 25 de abril. Um dos requisitos para se inscrever é ser maior de 18 anos e estar em situação de vulnerabilidade social. Mais informações pelo telefone 3223.0528.

O tema da reunião-almoço da CIC de Caxias de segunda-feira (11) será apresentado pelo prefeito José Ivo Sartori e pelo diretor-presidente do Samae, Marcus Caberlon. Falarão sobre o andamento das obras do Sistema Marrecas, que garantirá o abastecimento de 250 mil caxienses nos próximos 25 anos.

Com novos produtos voltados para beleza e saúde, a Tone Derm fechou o primeiro trimestre com vendas crescentes em 50% sobre igual período do ano passado. Destaque para uma linha de produtos portáteis com aplicação estética, que teve evolução de 200%. Outra ação para sustentar o ritmo das vendas é a ampliação em mais 20% da rede de distribuição, com ênfase no Exterior, onde se destaca o Equador, responsável por 10% do faturamento.

Páscoa

Os supermercados de Caxias do Sul estimam crescimento de 7% a 8% nas vendas de Páscoa deste ano na comparação com 2010, acompanhando o cenário desenhado pela Agas. Para Jorge Salvador, presidente do Sindigêneros, entidade representante da categoria, uma das razões para o incremento é o período da Páscoa deste ano, quando se espera temperaturas mais amenas, o que favorece a compra de chocolates. De acordo com a Agas, o gaúcho deve gastar em torno de R$ 157 em presentes de Páscoa.

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


O Caxiense entrevista

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“O DAER É UM ÓRGÃO QUASE

FANTASMA”

Marcelo Bertani, Ag AL, Divulgação/O Caxiense

Alceu Barbosa Velho (PDT) quer proibir controladores eletrônicos e dar mais poder à Agergs, mas retirou apoio à CPI dos Pardais

“Tenho três secretários no governo, como vou ser contra?”, diz o deputado

www.ocaxiense.com.br

por ROBIN SITENESKI robin.siteneski@ocaxiense.com.br

lômetros, um absurdo, tem que atender toda a Rota do Sol e a RS122. Temos que fazer sinalizações adequadas, mas não com chute. Os pardais foram todos no chute. Em nenhum deles foram feitos os estudos técnicos de viabilidade de instalação.

ossível candidato à prefeitura em 2012, Alceu Barbosa Velho (PDT) não demorou para se envolver com uma das principais polêmicas do governo Tarso Genro (PT). Foi um dos primeiros a assinar o pedido de instalação da CPI dos E como suprir a perda de arrePardais, de autoria de seu colega cadação para o governo do Estade partido Diógenes Basegio, para do? depois desistir do fogo amigo – o Mas que perda de arrecadação? PDT é da base do governo. Na Vai quase tudo para a empresa última quarta-feira (7), Basegio dona do pardal, o Estado não perdecidiu interromper por 45 dias o de nada sem eles. Fiz o projeto inrecolhimento de assinaturas para dependentemente de apoio. Se os o requerimento, no mesmo dia outros deputados apoiarem, que em que a Câmara caxiense votou bom, senão, paciência. O imporuma moção de apoio a um proje- tante é que vou trazer essa discusto de Alceu contra os pardais. Por são para dentro da Assembleia. causa das denúncias de supostas Está provado que os pardais são irregularidades nos contratos dos uma fonte de corrupção. Então, controladores eletrônicos veicu- que serventia têm eles? ladas na Rede Globo, o deputado de Caxias propôs simplesmen- O senhor acha que os contratos te proibi-los. Ex-vice-prefeito e deveriam ser interrompidos? ex-presidente da Associação dos Todos deveriam ser rompidos Usuários de Rodovias Concedidas por vício na sua confecção. (Assurcon-Serra), Alceu defende que Por que o senhor a Agência Estadual “Está provado apoiou e depois de Regulamentação que (os pardais) decidiu não apoiar de Serviços Públi- estão lá como mais a CPI dos Parcos (Agergs) possa uma máquina dais? multar as concessioEu apoiei em um nárias de rodovias e arrecadadora primeiro momento. prega a necessidade que, em nome Fui um dos primeide mais controle so- do Estado, cobra ros a assinar, junto bre quem faz parte para as empresas com o (Diógenes) do Conselho Supe- privadas” Basegio (PDT), até rior da agência. porque havia denúncias graves e o Por que os pardais não devem Estado não tinha feito absolutamais existir? mente nada. Aí o governo tomou Porque eles não têm nenhuma medidas duras para apurar o que utilidade. Cheguei a essa conclu- houve. E mais, aquele requerisão. Eles não evitaram que ne- mento que eu havia assinado foi nhum acidente acontecesse – em substituído por outro, que eu não tese, serviriam para isso – e não assinei. A oposição não assinou o têm nenhuma função educativo- primeiro requerimento. Quando pedagógica. Está provado que es- viram que o Estado tomou meditão lá como uma máquina arreca- das efetivas, aí assinaram e exigidadora que, em nome do Estado, ram outro requerimento – senão cobra para as empresas privadas. todos os deputados de oposição, a Eles não têm outra função a não maioria deles. ser multar o cidadão. Então, quem é a favor de multa, que defenda os O senhor acha que isso que o gopardais. Eu não, sou contra. vernador chama de “devassa” no Daer é suficiente? Qual seria a alternativa? Sim. Envolve Tribunal de ConA alternativa seria fazer sinali- tas, Ministério Público, auditozações adequadas, como a lomba- ria e participação da Assembleia da eletrônica, em determinados (com o acompanhamento de qualugares. Ela cumpre um papel im- tro comissões da Casa). Agora, se portante, porque onde tem lom- em 90 dias não der resultados, bada não acontecem acidentes. eu vou ser o primeiro a assinar Estreitamentos de pista com algu- a CPI. Pela minha experiência, a mas tartarugas para sinalização e investigação pelo governo é mais sinalizações verticais nas curvas eficiente do que uma CPI, que também precisam ser utilizados. muitas vezes é palco para disE temos que resgatar o papel da curso político e não leva a nada, polícia rodoviária, tanto estadual como as do governo Yeda. quanto federal. Estudar onde realmente precisa e colocar a polí- Como resolver o impasse das rocia na estrada. Em São Marcos, dovias federais pedagiadas? por exemplo, fecharam o posto Eu reclamo de o governo não da Polícia Federal. Em Farrou- ter retomado as estradas. A Yeda pilha, existe um posto da Polícia devolveu para o poder público Estadual para mais de 500 qui- federal, eu estou afirmando que 9 a 15 de abril de 2011

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o governo tem que dizer “Descul- vai ser votado em relação ao oripa, nós erramos quando devol- ginal que foi aprovado parcialvemos, nos devolva novamente”. mente? Porque senão fica nessa enrolaBasicamente, a questão toda é a ção. O Município quer fazer uma multa. Há quem defenda (a oposiobra na estrada federal e nem o ção) que o Daer já faz isso (aplicar DNIT (Departamento Nacional multas), mas nós defendemos que de Infraestrutura de o Daer tem outras Transportes) nem o atribuições. TamDaer autorizam. O “A investigação bém determina que Município não tem pelo governo é quem trabalhou no com quem se socor- mais eficiente do Daer não pode farer, fica uma terra que uma CPI, que zer parte da Agergs, de ninguém. quem tem processo muitas vezes é na Justiça também O senhor acha que palco para não. Eu acho que o governo federal discurso político tem que haver uma estaria disposto a e não leva quarentena. Pessoas devolver as rodo- a nada” que foram advogavias para o Estado? dos das empreiteiras Mas o governo fee concessionárias deral não está fazendo nada. Por não podem fazer parte do quadro, que não estaria disposto? nem quem responde processo de improbidade administrativa. E qual o melhor modelo de pedágios para se implantar depois Existem pessoas que tiveram do fim dos contratos? esses problemas no quadro da Para esses trechos de estrada agência hoje? que temos aqui, da forma como Tem um advogado lá. O mané a malha rodoviária do Rio dato também não deve ser maior Grande do Sul, é o comunitário. do que dois anos. Hoje é de três, Não tenho a menor dúvida. Ele e um governador indica na gestão é melhor porque você arrecada e dele e vai ficar até a metade do aplica na estrada. E vamos impor próximo governo, isso não é corregras. Por exemplo, o dinheiro reto. Até para haver uma ventilaarrecadado no pedágio deve ser ção no órgão, senão ficam sempre aplicado naquela estrada, e não os mesmos. O objetivo é mudar ir para o caixa único do Estado, radicalmente. Do jeito que está que é o que está acontecendo hoje não vejo nada de bom, nehoje. Porque o dinheiro não volta, nhuma virtude dentro da Agergs, se pulveriza. Se você quer que o só defeitos. dinheiro fique de fato na estrada, tem que ser administrado pelo Se o Daer é um órgão fantasma, Conselho Comunitário. o que tem que ser feito para que ele funcione? Por que o senhor apoia o projeto Acho que essa fiscalização que do governo que modifica as atri- vai ser feita vai apontar os pontos buições da Agergs? que não funcionam. Aí vamos poA Agergs tem que fiscalizar e ter der tomar as atitudes necessárias. o poder de multa. Sem o poder de A sociedade sempre tem o dever multa, não adianta nada. Ela vai de fiscalizar o órgão. O que quedizer “Tu anda direito, senão... remos é uma forma de o gestor não faço nada”. Isso não existe. público ter mais controle sobre o E o Daer, está provado que não Daer. Que ele veja o que realmenfunciona. Tudo que é feito lá não te pode fazer. Se não fizer nada, funciona. É um órgão quase fan- bom, é um problema do gestor, tasma. mas aí não tem solução. O gestor é a sociedade, o governo que foi Qual a diferença do projeto que eleito pelo povo.

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O senhor foi contra a entrada do PDT no governo Tarso. E agora... Fui vencido pelo voto. A maioria disse que era para fazer parte, e democracia se estabelece pela maioria.

representar esse projeto, eu aceito. Tenho o desejo de ser prefeito da minha cidade, todos os políticos têm e eu não sou diferente. Mas para viabilizar isso, o meu desejo é o menor. O maior é o do agrupamento de partidos.

Mas hoje o senhor apoia o governo. Apoio. Eu sou governo. Eu tenho três secretários no governo, como é que vou ser contra? Embora eu não quisesse, mas já que a maioria decidiu...

Quando se formou essa aliança ficou acordado que a próxima... Não, não ficou nada acordado. Nunca ficou acordado que o PDT seria cabeça de chapa na próxima (eleição).

O senhor acha que a atitude do partido foi acertada? Foi correta. Porque é um governo que tem tudo para dar certo e a ajuda do PDT está sendo muito importante para que isso aconteça. Quem ganha não é o PDT, é o povo do Rio Grande. Se o meu partido vai fazer com que o povo tenha uma melhora, isso é bom, e eu estou cumprindo meu papel como político, que é de melhorar a vida das pessoas.

O PDT entende que o melhor é ser cabeça de chapa? O PDT entende que o melhor é conversar com todos os partidos e esses juntos decidirem o que é melhor para o grupo. Como é que vai convidar outras pessoas para tua casa se nela você não se entende? Queremos contribuir para essa discussão toda, mas unidos. Outros dentro do PDT se colocam como candidatos à prefeitura? Sempre tem. Mas temos que resolver essa questão para mostrar que existe uma unidade. Como eu vou buscar a unidade de 15 (partidos) se dentro do PDT não tenho a minha?

Mesmo tendo apresentado o candidato a vice na chapa concorrente, o partido cresce com a decisão de fazer parte do governo? Cresce porque está no poder. Todos os partidos crescem no Essa resolução se dá no voto? poder. O poder é um fermento Não, se dá no diálogo. Acrediassim. to que, em breve, o PDT vai se maniO senhor quer ser “Do jeito festar (sobre quem candidato a prefei- que está gostaria que fosse to? candidato). hoje não Não. Não existe vejo nada de quero ser, ninguém O senhor acredita bom, nenhuma é candidato porque na possibilidade quer. Você só pode virtude de continuar com ser candidato se dentro da uma aliança tão houver uma mani- Agergs, grande? festação nesse senti- só defeitos” Vejo essa possido do seu partido e, bilidade e isso está no caso específico de bem próximo de Caxias, de outros partidos. Existe acontecer. É o melhor jeito de uma grande coligação em Caxias concorrer. Evita gastos desnecese nenhum partido tem o direito sários, segundo turno, e dá mais de dizer “Sou eu ou é você”. Tem representatividade. O projeto não que haver uma composição. Se es- é do partido A, B ou C, é de um ses partidos e o meu entenderem conjunto de pessoas, e isso tem que eu apresento requisitos para que ser preservado.

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Site da Festa Nacional da Uva/O Caxiense

Foto Studio Beux, Arquivo Histórico Municipal/O Caxiense

“Uva, Cor, Ação”

Carro da metalúrgica Abramo Eberle, a maior indústria de Caxias na época; Cartaz da Festa da Uva de 1972

AS CORES DE CAXIAS ENTRAM PARA A HISTÓRIA As imagens do desfile da Festa da Uva de 1972 foram as primeiras cenas que todo o país assistiu na televisão a cores, em um acontecimento que marcou a história das comunicações e da cidade

A

por VALQUÍRIA VITA valquiria.vita@ocaxiense.com.br

doce Festa da Uva. A cidade gaúcha de Caxias do Sul mostra sua riqueza ao Brasil”, anunciava em 9 de março de 1972 a revista O Cruzeiro. Uma das maiores revistas brasileiras do século XX, publicada pelos Diários Associados, conglomerado de comunicação de Assis Chateaubriand, foi apenas um dos periódicos que estamparam Caxias em suas páginas naquelas semanas. Alguns dias antes, em 19 de fevereiro de 1972, os brasileiros voltaram os olhos para as telas de televisão, que pela primeira vez exibiria oficialmente o que até então só era visto no cinema: imagens coloridas em movimento. Sentados em seus sofás ou apertando-se em frente a vitrines de lojas, telespectadores de todo o país conheceram Caxias do Sul. Assistiram ao desfile da Festa da Uva daquele ano e acompanharam a visita do presidente militar, o gaúcho de Bagé Emílio Garrastazu Médici, que veio à cidade abrir o evento e presenciar aquele que seria considerado um marco na história das comunicações do Brasil – e maior ainda na história de Caxias do Sul. Chovia bastante naquele 19 de fevereiro. O suficiente para dei-

xar muita gente nervosa – já que o desfile poderia não acontecer e, por consequência, frustraria a transmissão colorida, realizada por uma união de esforços entre as emissoras TV Gaúcha, TV Caxias, TV Piratini, TV Difusora e TV Rio, com transmissão via Embratel. Como o desfile atrasou, 75 mil quilos de uva precisaram ser distribuídos aos que esperavam nas arquibancadas ou lotavam as calçadas. Médici, que por causa do mau tempo precisou vir a Caxias de carro e não de avião, já estava na cidade desde a manhã, quando participou da abertura da Festa – naquele ano, pela última vez, feita nos antigos pavilhões, onde hoje fica a prefeitura. Vestindo terno preto e gravata vermelha, Médici estava acompanhado da esposa Scylla, que chegou a Caxias com cabelo preso em coque armado com laquê e grandes óculos escuros. Foram hospedados no Hotel Samuara e, após almoço no CTG Rincão da Lealdade, partiram para a Rua Sinimbu. Segundo o jornal Folha da Tarde de 21 de fevereiro de 1972, Médici e sua comitiva desceram do carro às 15h30, e, enquanto o presidente se dirigia ao palanque oficial, a população cantou Cidade Maravilhosa. Ovacionado, Médici foi recebido com papéis

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picados jogados dos edifícios das Caxias do Sul estava a pleno vaproximidades. Exatamente em por no início dos anos 70. Prinfrente ao assento de Médici havia cipalmente por causa da ascenuma televisão colorida. O desfile são da Metalúrgica Eberle – uma demorou 20 minutos para come- das primeiras forças propulsoras çar. Nesse ínterim, o ministro das de Caxias, lembra Dall’Alba –, Comunicações, Hygino Corsetti, a cidade de pouco mais de 140 discursou. Ao falar com orgulho mil habitantes já era referência sobre a primeira transmissão a nacional no setor industrial. Na cores, o rosto do ministro já esta- época, inclusive, o desfile exibia va sendo transmiticarros luxuosos das do ao vivo para todo maiores empresas. o Brasil. Agradecen- “Eu lembro “Na Festa de 1972 do aos envolvidos, dessa imagem e há uma mudança Corsetti disse que o do impacto que na cultura brasileisacrifício tinha vali- eu senti. Foi ra, e o cenário para do a pena. exibir essa mudança uma coisa é um evento no Sul surpreendente Corsetti era do país, e não no caxiense, detalhe ter visto tudo Centro. Mas é em que muitos acredi- colorido, como ao uma região industam ter sido crucial vivo”, diz Luiza trializada”, explica para que a transmisCleodes. são fosse realizada O escritor e pesde Caxias. “Foi um pouco por quisador José Clemente Pozenato política, um pouco por decisão ressalta que essa foi a época codo ministro Hygino”, afirma Edu- nhecida como o Milagre Econôardo Dall’Alba, coordenador de mico e que a menina dos olhos projetos especiais da Secretaria do regime militar era o setor das da Cultura. “Teve um peso gran- comunicações. “São criados o de. Ele deve ter usado argumen- Ministério das Comunicações e tos para convencê-los a fazer um a Embratel. E o coronel Corsetinvestimento dessa forma”, diz a ti acaba sendo ministro. Ele tipesquisadora Cleodes Piazza Jú- nha argumento forte nas mãos, lio Ribeiro. porque a indústria caxiense era Independentemente da natura- modelo de modernização”, diz lidade do ministro, o fato é que Pozenato. Cleodes avalia que a 9 a 15 de abril de 2011

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ficou entusiasmadíssimo porque a primeira transmissão foi daqui. Acharam fantástico. E funcionou tudo perfeitamente bem.” A professora Luiza Motta relata como foi ver Caxias colorida na televisão: “Assisti na casa de um parente meu. Eu lembro dessa imagem e do impacto que eu senti. Foi uma coisa surpreendente ter visto tudo colorido, como víamos ao vivo. Evidente que não era uma imagem extraordinária. Mas foi um orgulho muito grande”. Nem todos tiveram um dia tranquilo assistindo à transmissão. Uma grande equipe trabalhou muito para que o Brasil todo não se decepcionasse com a promessa de ver cor na TV. O jornalista Luiz Carlos de Lucena, naquele ano, gerente comercial da TV Caxias, foi o cicerone dos artistas globais. “Eu fui durante o dia todo uma espécie de guia para eles. Eles vieram só por causa da transmissão, porque era promoção de interesse da TV Gaúcha, que tinha programação da TV Globo. E a TV Caxias foi um QG”, conta Lucena.

1. Carro da rainha Elizabeth Trevisan, a primeira rainha que foi vista a cores na televisão; 2. Jô Soares foi um dos globais que vieram a Caxias para a primeira transmissão; 3. Pavilhões da Festa da Uva, no último ano em que o evento foi realizado no prédio onde hoje fica a prefeitura; 4. Presidente Emílio Médici assistiu o desfile no palanque, ao mesmo tempo em que viu as imagens na televisão a cores

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Foto Studio Beux, Arquivo Histórico Municipal/O Caxiense

cisco Cuoco, Paulo José e Renata que tomou conta dos caxienses. Sorrah roubaram as atenções na Ela assistiu ao desfile ao vivo da festa que tinha Margareth Trevi- praça e depois foi para a casa do san como rainha e mais quatro pai, que já possuía uma televisão princesas. “Os caxienses viram ao colorida. “Comprei uma televisão vivo as pessoas que todo mundo só depois, e o preço correspondia conhecia das novelas em preto e a um terreno em Farroupilha”, branco. Imagina, compara. “Os catrazer para Caxias xienses se sentiram astros da Globo? “Dizem que por muito honrados. Eu Hoje não se con- causa de uma penso que mesmo segue isso. Todo tomada quase que eles (do governo mimundo foi para a não sai a litar) sendo os banrua. Quem os viu didos, grandes ditadeve ter ficado ma- transmissão. dores, pelo menos ravilhado”, imagina Quem estava nos isso fizeram por CaDall’Alba. “A pri- bastidores sofreu xias”, opina Loraine. meira vez que os percalços”, Flávio Ioppi, prebrasileiros viram lembra Lucena sidente da Festa da cor na TV foi a cor Uva de 1978, tamda uva”, acrescenta, bém assistiu àquele com orgulho. “E como o Médici desfile na rua e depois viu alguera gremista, teve um jogo (no dia mas imagens na TV de casa: “Eu seguinte) que também foi trans- lembro de ter visto um aparato mitido a cores, para comemorar, tremendo, veio um caminhão entre Associação Caxias (hoje enorme, com um transmissor da SER Caxias) e Grêmio”, emenda a televisão a cores. Era um equihistoriadora Tânia Tonet. pamento muito grande, as câmeras eram gigantes, não eram A pesquisadora Loraine como são hoje”, recorda Ioppi. Slomp Giron lembra da animação “Todo mundo da cidade vibrou, Foto Studio Beux/O Caxiense

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escolha de Caxias para transmitir as primeiras imagens coloridas da TV brasileira proporcionou grande projeção para a cidade e todo o país tomou conhecimento que aqui acontecia o “ritual da Festa da Uva”. “O Brasil viu mais que os caxienses”, completa Pozenato, ressaltando que a uva, naquele ano, ficou em segundo plano. Conforme Dall’Alba, existiam 200 televisores coloridos em Caxias do Sul em 1972. Quem tinha o aparelho que transmitia em preto e branco mas queria um pouco mais de cor – mesmo sendo uma só – comprava uma espécie de chapa, azul ou laranja, que era vendida nas lojas e encaixada na frente do aparelho. “A TV a cores era um luxo, era muito cara. Ela só iria chegar mesmo na década de 80”, observa, explicando que para o evento foi feita uma grande publicidade para que as pessoas adquirissem o novo aparelho. Naquele 19 de fevereiro vieram a Caxias, além das autoridades políticas, muitos artistas globais. Glória Menezes, Tarcísio Meira, Tônia Carrero, Jô Soares, Fran-

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Ele diz que, passados alguns períodos de tensão, toda a transmissão funcionou bem. “Houve um desgaste muito forte, na hora teve probleminhas técnicos. Mas antes da transmissão já estavam resolvidos. Dizem que por causa de uma tomada quase que não sai a transmissão. Quem estava nos bastidores sofreu percalços”, revela o jornalista. Oficialmente, a Festa da Uva de 1972 foi a primeira transmissão a cores da TV brasileira. Mas há quem tenha assistido a Copa do Mundo de 1970 colorida. O coordenador do curso de Jornalismo da UCS, Álvaro Benevenuto Jr., viu na televisão de um

tio, que voltara dos Estados Unidos trazendo um aparelho que recebia o sinal colorido. “Só teve acesso ao espetáculo quem tinha o receptor. Em 1970 havia 150 aparelhos no país programados para receber sinal em cores. Esses aparelhos estavam na mão do governo. O presidente viu. Era fase de testes”, explica Álvaro, ressaltando que as transmissões a cores aconteciam desde 1940. “A Copa acontece em 70 e o mundo todo já recebe sinal colorido. Nós não, porque não temos equipamento para recebê-lo.” No Brasil, segundo ele, em 1972 a TV Rio havia adquirido um equipamento de ponta para transmitir a cores. “E ocorreu uma

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ação colaborativa de emissoras, que entraram com os técnicos. A unidade móvel da TV Rio se instalou aqui, eles montaram o circo para a transmissão da Festa com apoio técnico das outras.” A diretora do Centro de Ciências da Comunicação da UCS, Marliva Vanti Gonçalves, afirma que alguns autores, ao contar a história da televisão, classificam a entrada da TV colorida como uma segunda fase. “A primeira foi da TV ao vivo até a entrada do videotape, nos anos 60, e a terceira é a que estamos agora, da TV digital. A TV em cores é vista como revolução. Daí começam estudos a respeito das cores, seus significado, mensagens persuasivas”, diz

Marliva. “Essa mudança, da TV preto e branco para a cores, teve o mesmo impacto de quando o cinema mudo passou a ser falado”, comenta Cleodes. Já que Caxias foi o cenário para esse momento histórico, e aproveitando o aniversário de 40 anos desse acontecimento, a primeira transmissão a cores foi o tema escolhido para a Festa da Uva de 2012. Uva, Cor, Ação! A safra da vida na magia das cores, anunciado pelos organizadores no dia 1º de abril , pretende usar a metáfora das cores para mostrar que a Festa da Uva não é mais uma festa apenas italiana. Dall’Alba explica: “Todas as cores quer dizer todas as culturas”.

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Rumo ao serviço público

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A MARCHA DOS

CONCURSEIROS

André T. Susin/O Caxiense

A jornada e o habitat de uma espécie em expansão, que sofre atrás dos livros e persevera numa conquista que pode levar anos

Da formatura à vaga de juíza, Joseline esperou cinco anos – sem jamais parar de estudar

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por CAROL DE BARBA caroldebarba@ocaxiense.com.br

pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri) é a maior ave da família dos pinguins – os adultos podem medir até 1,22m, o mesmo que as pernas de Ana Hickmann, para se ter uma ideia. Alguns estudos apontam que esse é um tipo basal da espécie, ou seja, que tomou outro rumo na evolução, separando-se do ramo evolutivo que deu origem a todas as outras espécies vivas de pinguins. Diferenciam-se pela plumagem cinza-azulada nas costas, branca no abdômen, preta na cabeça e barbatanas, com uma faixa laranja em torno dos ouvidos. A reprodução do pinguimimperador é bastante singular. Os machos passam o inverno na Antártida, chocando durante 65 dias um único ovo, que as fêmeas põem e abandonam para passar a estação num mar mais quente. De acordo com os estudiosos, no extremo frio, apenas 19% dessas crias ultrapassam o primeiro ano de vida. Em compensação, aqueles que conseguem têm uma taxa de sobrevivência média anual de 95,1%, com uma expectativa de vida de 19,9 anos. Os mais sortudos e esforçados, cerca de 1%, podem chegar até os 50 anos, vivendo sua vidinha tranquila de pescar peixes e estocar gordura durante o verão antártico. Na natureza não tão selvagem do mundo do trabalho, concurseiros são como pinguins-imperadores. Além do pessoal do Direito e dos bancários, aqueles que topam todo e qualquer concurso que aparecer são a maioria dos exemplares dentre os candidatos a empregos públicos, uma carreira que não é a mais comum nem a que gera mais empregos ou movimenta mais capital, mas cuja procura parece estar aumentando. A oferta não segue a mesma proporção, e é preciso paciência e muito estudo para conquistar uma das disputadas vagas – seja na prefeitura, no Estado, no Judiciário ou em um banco. Quem persevera num caminho que pode demorar até oito anos diz que a recompensa vale a pena: um emprego que paga bem, dá benefícios e, principalmente, segurança. Uma pesquisa em um dos maiores portais de concursos na internet indica que, entre julho de 2010 e janeiro de 2011, 204 vagas foram abertas só em Caxias. Isso sem contar o Tribunal de Justiça do Estado, por exemplo, que abriu 339 vagas espalhadas pelo Rio Grande do Sul, incluindo a Serra. Os salários vão de R$ 700 a R$ 4.049,49, e os níveis de exigência, desde aprendiz e Ensino Médio até curso superior. Pelos números do último concurso da prefeitura, que abriu 44 vagas e teve quase 5 mil inscritos, o secre-

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tário de Recursos Humanos e Lo- de 50 até 150 concurseiros. “Dagística, Edson João Adami Mano, mos a aula expositiva, debatemos avalia que a procura pelo empre- provas anteriores, macetes, tego no setor público está crescen- mos que ter objetividade. É quase do em Caxias. “Acredito que seja como um vestibular, tem questões porque o nível salarial, principal- que caem, com pegadinhas. Mas é mente dos cargos que exigem até uma concorrência, o professor dá o Ensino Médio, é o mais elevado a dica e quem elabora procura ouda região. Muitas pessoas de fora tro jeito para confundir o aluno”, procuram bastante também, por- explica. Por isso, ele aconselha: que querem vir mo“Antes da prova tem rar na cidade”, afirque se preparar, e na ma. Entre os postos “É o objetivo hora precisa tranda maioria dos que a prefeitura quilidade. E insistir. abriu – de professor trabalhadores Especialmente para a médico –, um dos tupiniquins, quem escolhe uma que mais surpreeninstituição ou banderam foi o de fisio- conquistar um co onde gostaria de terapeuta. Segundo lugar ao sol, trabalhar, a regra é Mano, 700 inscri- ou melhor, estudar até passar”. tos disputam uma à sombra”, única vaga. “Mas o afirma Jeison Alice Cavalheiro número de vagas é já não é mais uma relativo, também. concurseira, nem Às vezes anunciamos um deter- um pinguim-imperial no seu minado número e acabamos cha- primeiro ano de vida. Ela acaba mando mais. O caso dos agentes de ser aprovada para o cargo de administrativos, por exemplo. Analista Processual do Ministério Prevíamos 10 e acabamos cha- Público da União. “Devo ser nomando quase 100”, explica. meada em dois meses, para alguEm outro nível da cadeia ali- ma cidade grande do Estado, pois mentar concurseira, o consultor passei em boa colocação.” Alice é de vendas do Mutirão Caxias Sa- formada em Direito – não se conmuel Almeida diz que a área de sidera advogada, pois apesar de cursos preparatórios para concur- ter o registro na OAB nunca exersos públicos é forte durante o ano ceu o que chamam de advocacia todo. Entre os cursos mais procu- privada –, mas passou pela Arrados na escola, que abre prepa- quitetura e pela Publicidade antes ratórios conforme o lançamento de optar, definitivamente, pela lei. de editais, estão os relacionados Um dos motivos foi a possibilidaao Direito e à Administração – de de fazer carreira pública. “Eu especialmente para concursos de gosto muito de estudar, e também bancos. “São os que abrem mais achei que teria mais oportunidaeditais. Mas no último da prefei- des de encontrar trabalho aqui tura, por exemplo, fomos muito na região. Além disso, advogado procurados por profissionais da privado tem que saber se vender, Odontologia e da Fisioterapia.” e eu não tenho esse dom. ConcurOs líderes, porém, são mesmo sado tem um chefe, metas, estabios chamados concurseiros. “Não lidade, salário fixo”, compara. temos um número certo, mas Alice se formou em julho de calculo que em torno de 60% dos 2006, esperou um semestre e sealunos são o que chamamos de guiu o movimento migratório de concurseiros, aqueles que fazem muitos caxienses recém formados qualquer concurso. Independen- em Direito: entrou para a Ajuris – temente da área, procuram pela Escola Superior de Magistratura, estabilidade e pelo salário”, conta. especializada em preparar futuros Almeida percebe um crescimen- trabalhadores do Judiciário desde to rápido dessa espécie. “No ano 1962, com sede em Porto Alepassado, vários concursos esta- gre. Estudou lá durante um ano vam previstos e foram adiados e meio. Voltou a Caxias e passou devido às funções eleitorais. En- mais outro ano e meio tendo aulas tão, desde o início do ano, mesmo na filial de uma rede que minissem nenhum preparatório em an- tra cursos via satélite – nessa esdamento, estamos tendo bastante cola, os alunos assistem às lições procura de alunos que já querem pela televisão e tiram dúvidas por começar a estudar mesmo sem ter e-mail, um tipo de ensino a diso edital. São de cinco a seis pesso- tância, que é a grande moda na as por dia”, contabiliza. área dos concursos públicos. “O Jorge Brugnera, gerente aposen- curso preparatório é importante tado e professor de conhecimen- porque dá um norte que às vezes, tos bancários há mais de 10 anos, sozinho em casa, tu não tens. E observa que os concursos estão é divertido, como um cursinho ficando mais complexos. “Estão pré-vestibular, tem o assunto da exigindo mais conhecimento dos moda, macetes, musiquinhas... candidatos. Para banco, estão so- No Direito tem muita decoreba, licitando conhecimento de fun- e os tais métodos mnemônicos ções que a pessoa desempenharia ajudam muito. Hoje em dia esses só na função gerencial.” Brugne- cursos são superespecializados, e ra dá aulas em Caxias e em toda os professores têm estratégia de região, em salas que comportam marqueteiros.” Nesses três anos,

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Se Joseline Vargas fosse um pinguim-imperial, com certeza ela teria seus 50 anos de idade. Em 2009, ela passou em primeiro lugar no concurso para juiz no Rio Grande do Sul. Neste sábado (9), aliás, Joseline dará uma palestra sobre o assunto. “Muitos se O estudante de Licenciatura inscrevem para fazer as provas, em Filosofia Jeison Dotto Ariotti, mas poucos estão bem prepara26 anos, é concurseiro desde os dos. Sobram vagas nas carreiras 18. Na verdade, pinguim sortu- de elite. Se a pessoa se dedicar e do, nem precisaria ser, pois pas- buscar a excelência, com responsou de primeira, para leiturista sabilidade e comprometimento, a no Samae. “A maioria fala em aprovação é certa. Pode até não estabilidade. Eu nunca me apoiei ser rápida, porque o mundo dos nisso, porque sou jovem, estudan- concursos exige certa paciência, te. Além da vantagem pecuniária mas a aprovação virá”, analisa. sempre procurei o crescimento Joseline já ingressou no Direito intelectual”, diz. A conta certa ele querendo fazer concurso. “Dunão sabe, mas já fez seis ou sete rante a faculdade percebi que o provas, e em 2011 tomará posse meu interesse maior era pela mapela terceira vez como servidor gistratura, então comecei a direpúblico municipal – atualmente cionar meu estudo para esse objeé motorista da Secretaria do Meio tivo.” Da formatura foi direto para Ambiente, mas passou em pri- a Ajuris e nunca parou de estudar, meiro lugar para Fiscal de Trân- o que considera fundamental. sito. “Digamos que meu histórico “Foi nesse momento que eu criei familiar é promissor. Minha mãe o hábito de estudar, porque tíé servidora desde a época da Co- nhamos muitas avaliações, o que mai (a extinta Comissão Munici- nos mantinha sempre revisando pal de Amparo à Infância), meu os conteúdos. Após, ingressei em irmão gêmeo trabalha na Codeca uma especialização em Direito e o mais velho no Banco do Brasil, Público, mas também me mantiem Brasília”, acrescenta. Como os ve estudando (para concursos), até outros concurseiros, Jeison des- a aprovação. Teve momentos em taca que não existe fórmula para que eu estudei menos, mas parapassar. Entretanto, estudo e de- da eu nunca fiquei.” dicação plena são fundamentais. O objetivo da juíza sempre foi “Eu sempre estudei em casa, e chegar a esse cargo, mas no meio também fiz dois cursos preparató- da jornada ela também fez conrios, que são importantes porque, curso para Assessor do Ministécomo normalmente sai o edital e rio Público do RS. Foi aprovada e a prova já é no mês seguinte, tem trabalhou como assessora na Propouco tempo para se preparar. motoria da Infância e Juventude No cursinho, o ritmo é mais atroz de Caxias de novembro de 2008 a que o vestibular, a matéria tem maio de 2009, quando teve que se que ser vomitada, com muitos exonerar para ir à Capital fazer os macetes e estratégias. Estudamos cursos preparatórios para a prova o que seriam nove anos de portu- de sentença do concurso de juiz. guês no ensino normal em apenas “Eu me formei em julho de 2005, um mês”, conta. Jeison também comecei o concurso para juiz em acredita que a procura pelo servi- abril de 2009 e fui nomeada em ço público está aumentando. “É o 27 de outubro de 2010. Do térmiobjetivo da maioria dos trabalha- no da faculdade até a nomeação, dores tupiniquins, conquistar um após o encerramento de todas lugar ao sol, ou meas fases do concurlhor, à sombra. Nosso da magistratura, so modelo de estru- “Muitos se foram cinco anos”, tura familiar exige inscrevem para faz as contas. Parece uma certa seguran- fazer as provas, demorado, mas, no ça para dar uma boa mas poucos estão caso dela, não é. “Na minha turma, de criação aos filhos, a 60 alunos, eu era a estabilidade que as bem preparados. mais jovem. Alguns pessoas procuram Sobram vagas colegas já trabalhano emprego públi- nas carreiras ram em outras áreas co.” Segundo ele, de elite”, (eram defensores púmoradores de ou- aponta Joseline blicos, procuradores) tros lugares engrose alguns eram assessam a concorrência. “No dia da prova tinha várias sores de desembargador no Trivans de outras cidades esperan- bunal de Justiça, era uma turma do. Acho que todos estão vendo bem diversificada. Acredito que Caxias novamente como a Péro- uns 10 colegas já haviam prestado la das Colônias. Vêm para cá não o concurso anterior, que ocorreu só pelas indústrias, mas também em 2003, portanto já estariam espelo capital intelectual. Querem tudando há uns oito, nove anos. primeiro um emprego. Depois, Mas concurso é assim mesmo, buscam formação para conseguir é muito raro passar na primeira tentativa. Fazemos até passar.” empregos melhores”, analisa. Alice fez seis concursos até conseguir aprovação. “Quando sai da faculdade muita gente quer fazer concurso. Só que no meio do caminho a maioria desiste, porque é muito difícil. É muita gente fazendo”, avalia.

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Edson Pereira, Divulgação/O Caxiense

por Paula Sperb e Marcelo Aramis Colaboraram Camila Cardoso Boff e Robin Siteneski André Susin/O Caxiense

Rodrigo e Fabiana da Fonseca

Spolidoro

Se você gosta dos sabores de pizza que só devem existir em Caxias, tipo filé com palha e coração, deveria experimentar as criações de Rodrigo e Fabiana. À frente da Arte in Pasta, o casal resgata o que há de mais genuíno no prato: o sabor de cada ingrediente, principalmente a massa. Rodrigo e Fabiana precisaram ir até a Itália para saber como os criadores apreciam o prato. Rodrigo formouse Pizzaiolo Professionista pela Associazione Pizzaioli e Similari, em Milão, e trabalhou seis anos em restaurantes de lá. De volta a Caxias, abriram o negócio que ganha clientes com o atendimento atencioso, os cuidados na tele-entrega para minimizar a perda de calor e características originais do produto, além, é claro, do sabor da autêntica pizza italiana.

André T. Susin/O Caxiense

Rodrigo Molon

Uma mente em busca de novos conhecimentos ininterruptamente é o que move a rotina do bacharel em Direito, mas com especializações em Gestão, Rodrigo Molon. Generalista, como se define, “acho os especialistas monótonos”, lê, assiste e escuta de tudo um pouco. Do universo de informações à disposição, destaca dois livros essenciais para sua formação A Lei do Triunfo, de Napoleon Hill, e Como fazer amigos e influenciar pessoas, de Dale Carnegie. Rodrigo é um dos idealizadores do TEDx Caxias do Sul juntamente com Roberta Mattana, Guilherme Vieira, Patrícia Fagundes e Bruna Valentin. O evento inspirado no TED (Technology Entertainment Design), que ocorre anualmente na Califórnia desde 1984, deve ser inaugurado na cidade no final do ano com o tema Espalhando Boas Ideias, com palestrantes locais. Além da consultoria jurídica que presta para empresas, principalmente no setor de TI, Rodrigo vai seguir trabalhando para espalhar a ideia do TEDx Caxias.

Farmácia Central | O único estabelecimenComércio | Atendimento 24h

Barcelona | No Barsa, que fica na Si-

nimbú perto do Monumento ao Imigrante, você encontra um pouco de tudo. É um armazém como aqueles que não existem mais onde você pode compra desde a cerveja para a festa de garagem até pilha para o controle remoto que resolveu parar de funcionar.

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to neste Top 5 que não vende comida, mas atende situações mais urgentes. A farmácia tem tele-entrega até as 24h, depois, os funcionários se dispõem a enviar os medicamentos por um táxi. Uma conta a mais e um trabalho a menos, para que ninguém precise andar de pijama na Avenida Julio .

Komilão | Exceto na segunda, dia em que não

abre, e no domingo, quando funciona das 18h30 às 2h – o Komilão atende das 10h30 às 6h. Em alguns casos, pode estar até mais animado do que a festa de onde você saiu.

Juliano Carpeggiani

A fábula do país da Cocanha, das colinas de queijo, rios de vinho e chuvas de outras riquezas é contada no filme Il Paese Della Cuccagna (O país da Cocanha). Dirigido por Juliano, de Flores da Cunha, o filme é o único brasileiro entre os finalistas no Concorso Memorie Migranti VII Edizione, em Perúgia, na Itália.O documentário concorre na categoria das produções profissionais com mais de 15 minutos de duração e ao prêmio principal, o Vincitore Assoluto. Filmado em 2008, em Flores, o filme retrata, pela versão dos descendentes, a imagem heróica dos imigrantes italianos. Financiado entre outros 10 filmes, pelo projeto Urb-al, Il Paese Della Cuccagna é a primeira produção profissional de Juliano em cinema. No dia 16, ele estará na cerimôinia de premiação na cidadade de Guado Tadino, em Perúgia, com grande expectativa. O trailer do filme pode ser visto no site do jornal O Caxiense (www.ocaxiense.com.br).

McDonalds | Entre quinta e sábado, o

Mc fica aberto até as 6h. A comida não é a melhor para se consumir antes de dormir, mas não é na volta de uma festa que você vai lembrar disso.

Madrugadão do Peretti | Tra-

dicional conveniência, o Peretti está funcionando na Ver. Mário Pezzi há poucos meses. Não é o lugar ideal se estiver chovendo, o espaço interno é pequeno, mas é uma boa opção para compras de última hora e bebidas a qualquer hora.

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


Artes

Participe | Envie para artes@ocaxiense.com. br o seu conto ou crônica (no máximo 4 mil caracteres), poesia (máximo 50 linhas) ou obra de artes plásticas (arquivo em JPG ou TIF, em alta resolução). Os melhores trabalhos serão publicados aqui.

artes@ocaxiense.com.br

Ângelo Coffy | Olhar Azul |

Ângelo produziu um ensaio inteiro do garoto de oito anos que aparece nesta foto. Foram cerca de 20 minutos de fotos, mais de 150 cliques. Mas foi um momento expontâneo, depois da sessão, que propiciou a captura da imagem que o fotógrafo escolheu para ilustrar esta página. Dentro de um carrinho de plástico, parte do cenário do ensaio, o menino brincava com a mãe. E o rosto meio escondido revelou a combinação dos olhos do menino com a cor do brinquedo. É assim que se fotografa um sorriso sem precisar mostrar a boca.

COND.EDIF.MAGUS APART HOTEL - 06.215.879/0001-75

ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA - CONVOCAÇÃO Ficam pelo presente Instrumento e na melhor forma de direito os Senhores Condôminos Poolistas do CONDOMÍNIO EDIFÍCIO MAGUS APART-HOTEL, convocados para comparecer à Assembléia Geral Ordinária a ser realizada no próprio empreendimento situado à Rua Pinheiro Machado, 2.867 – São Pelegrino em Caxias do Sul/RS, no dia 15 de ABRIL de 2011, em primeira convocação às 18:30 horas, com 2/3 (dois terços) dos adquirentes presentes, ou às 19:00 horas, em segunda convocação, e com qualquer número de Condôminos presentes ou representados, a fim de deliberarem sobre a seguinte ordem do dia: 1)Análise e prestação de contas referente o ano de 2010 (Condomínio e Pool); 2)Análise e prestação de contas dos Investimentos realizados em 2010 com recursos dos Fundos de Reserva; 3)Análise e aprovação da previsão orçamentária para o ano de 2011 (Condomínio e Pool); 4)Análise e aprovação dos Investimentos para 2011 com utilização de recursos dos Fundos de Reserva; 5)Eleição do Síndico e demais membros do Conselho para o Biênio 2011/2012, e 6)Assuntos de ordem geral. Caxias do Sul, 07 de abril de 2011. Rony Fernandes P. Júnior – Síndico do Condomínio

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Perfil

AS RIMAS DO

DELEGADO

As composições remanescentes de festivais formam o primeiro CD de Noerci: Cacófatos e outros vícios

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André T. Susin/O Caxiense

A faceta musical de Noerci Melo, autoridade máxima da Polícia Federal em Caxias

por CAMILA CARDOSO BOFF camila.boff@ocaxiense.com.br

heirosa, safada, gostosa, vagaba/ Não vale um real mas todo homem quer ter/ Mulher vagaba eu sou louco por você”; “Mas ela é cheia de manias e nove-horas/ Não quer dar o curso pra mim, prefere dar pros de fora/ Ô bailarina, dá o curso pra mim/ Dá o curso pra mim que eu sempre vou estar aqui/ Esses homens lá de fora só querem fazer teu curso e depois vão tudo embora”; “Se você está caidinha e nada mais para em pé/ veinho quer, veinho quer/ Mas se você está gostosinha e é a garota da hora/ o veinho te devora/ Au, au, au, veinho animal / Ão, ão, ão, veinho loco de bão.” A mesma pessoa que canta esses versos, embalados por um ritmo popular que mistura vaneira com pagode, comanda a Polícia Federal em Caxias há cinco anos. Noerci Melo não revela a idade, onde mora, nem o nome completo. Preservar a identidade é importante para o andamento de investigações que envolvem tráfico, sonegação, corrupção. Mas a cautela da função não impediu que o delegado Noerci se lançasse como cantor. Acostumado a ser uma pessoa pública ele já era. Devido à discrição que os policiais federais devem manter, o delegado é o porta-voz da corporação, único a dar informações sobre o trabalho da polícia. No entanto, faltava realizar um sonho que tinha desde pequeno e, consequentemente, se tornar conhecido por feitos que ele chama de artísticos. Em março, Noerci lançou o segundo CD, chamado Ritmo Brasil, que contém essa canção e outras do mesmo estilo. Natural de Bom Jesus, o delegado cantor seguiu um movimento quase obrigatório para quem nasce por lá e deseja avançar nos estudos. Mudou-se para Caxias aos 17 anos e cursou Ciências Contábeis, faculdade concluída em 1993, e Direito, em 1995, na Universidade de Caxias do Sul (UCS). Enquanto estudava, foi funcionário do Banco do Brasil. Por seis anos, atuou como auditor fiscal da Receita Federal, conciliando o conhecimento das duas formações acadêmicas. “Tinha o aspecto jurídico, do Direito tributário, e também o aspecto contábil da tributação. Era uma coisa que eu tinha facilidade de fazer. Embora eu tenho feito Contábeis, não era algo que eu fazia por gostar. Fazia, procurava fazer bem, mas minha vocação sempre foi para o lado jurídico”, conta. Assim, decidiu prestar mais um concurso público, porém voltado para a área judicial. Ao contar como chegou a delegado da Polícia Federal, ele abre um leve sorriso, estufa o peito e discursa

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André T. Susin/O Caxiense

Reprodução/O Caxiense

Alex Milesi, Divulgação/O Caxiense

O segundo show da carreira na Casa da Cultura, em dezembro de 2010. O segundo CD, Veinho Animal, foi lançado em março com muita seriedade: “a Polícia uma outra de temática humorísFederal hoje é, se não a mais, uma tica. Noerci lembra que às vezes das mais confiáveis instituições eram estas que mais agradavam o do país. E essa credibilidade se público. Obviamente, as músicas deu graças ao trabalho, que se debochadas nunca eram classifitornou um marco importante na cadas para os discos dos festivais. fixação e expansão da democra- “O júri escolhia dentro daquele cia no Brasil. A possibilidade de nativismo, que era a proposta detrabalhar num órgão que tem a les, com um certo conservadorisconfiança da população, o poder mo”, lamenta. de fazer alguma coisa pela socieCom as músicas remanescentes dade, isso me motivou”. dessa época, Noerci gravou seu Em 2010, Noerci comandou as primeiro CD, Cacófatos e outros operações Espelho e Matriz, am- vícios, lançado em 2009. Combas contra o tráfico põem a obra letras de drogas. Cerca de como “Essa menina 60 pessoas foram “São palavras vale um dinheirão/ presas, entre elas que dentro de Tem um baita chetraficantes interna- um contexto de cão, tem um baita cionais que realiza- pronúncia têm checão”, referindovam remessas mense a Mariazinha, sais de toneladas uma sonoridade uma menina que de cocaína para a que se torna ganhou um cheque região. “O combate engraçada”, do padrinho, o Zeca ao tráfico de drogas explica o Fetão; e“De manhã é o braço de atuação compositor cedo, desde antes do da Polícia Federal café / ela tá com o que mais me chacooper feito e eu com mava atenção. Eu a vara em pé”, sobre sempre tive a percepção de que um casal que, bem, resolve fazer aqui o tráfico se fazia em grande exercícios. “São palavras que denescala. Na nossa região se conso- tro de um contexto de pronúncia me muita droga, principalmente têm uma sonoridade que se torna cocaína, e por consequência ela é engraçada”, explica Noerci. Mas alvo de grandes traficantes. Hoje ele diz que, como ficou muito eu posso dizer com tranquilidade tempo afastado do meio musical, que todos os grandes traficantes não se preocupou em fazer alterada região estão presos ou mortos” ções no ritmo, mantendo os acorafirma, contundente. des de xote, vaneira e bugio que faziam mais sucesso na época. O discurso pontuado por expressões do meio policial, às Noerci acredita que o teor vezes até burocrático, é sutilmen- humorístico é um avanço em rete deixado de lado quando Noerci lação aos temas das músicas natifala da carreira artística. Ele con- vistas. Por isso, achou que precita que o gosto pela música vem sava também modernizar o ritmo de berço. O pai incentivou e, aos para poder tocá-las em rádios poseis anos, o menino já tocava gai- pulares. “Eu percebi que as rádios ta de boca. Como o ambiente da tocavam os mesmos ritmos que terra natal sugeria, Noerci cres- tocam em outras regiões do país, ceu admirando música nativista, enquanto a música regional daqui daquele tipo mais tradicional. Já fica restrita a horários de menor em Caxias, criou com uma tur- audiência, como o domingo de ma de amigos um conjunto para manhã.” participar de festivais ao estilo das Daí surgiu a ideia de lançar um Califórnias da Canção Nativa. Em novo CD, misturando vaneira alguns concursos, inscrevia, além com samba e letras de temática da música no estilo proposto – ainda mais aberta. Ele diz que as que falava dos costumes, valores estrofes das músicas do início da e tradições do gaúcho típico –, reportagem falam “do cotidiano,

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de um jeito que todo mundo en- um festival na Casa da Cultura tende, porque o palavreado gau- de Caxias em 2010. “Obviamente, chesco muitas pessoas nem sa- se essa atividade de shows existir, bem o que é”. ela tem que ser compatível com a O delegado afirma que não se minha atividade de autoridade de inspirou em nenhum artista. “A Polícia Federal”, projeta. arte é assim, o diferente. Quan“A arte é uma experiência grado surge uma coisa diferente que tificante. Em todas as minhas dá certo, o passo seguinte é uma atividades busco transmitir algusérie de pessoas quererem imitar ma coisa para as pessoas. Como aquilo. E depois vem o que acon- policial, eu preciso fazer alguma teceu com o sertanejo universitá- coisa pela sociedade, estou lá para rio, por exemplo. Não é a mesma isso. Como artista, da mesma formúsica, mas é quase que cover um ma. Por isso surgiu a ideia desse do outro. Depois que passar a fe- trabalho mais alegre. Se as pessobre, a tendência é só os primeiros, as ouvirem a minha música e se que têm identidade, permanece- sentirem melhor, acho que o meu rem”, filosofa, apostando que sua objetivo foi alcançado”, avalia. obra é algo que veio para ficar. Alguns colegas de Polícia FedeBoa parte dos custos de gravação ral já conheciam a faceta musical foi financiada pelo próprio Noer- do delegado, que tocava em reuci. Isso porque a gravadora resis- niões informais. Os desavisados, tiu ao estilo do delegado cantor. porém, ficaram espantados. Ele Hoje ele comemora sua inserção garante que cantar músicas huem rádios populares como Viva, morísticas não atrapalha na auFarroupilha e Cidade. toridade, afirmando que as coiNa divulgação das músicas, sas não se confundem. “A arte principalmente fora de Caxias, está vinculada à evolução do ser fez questão que as rádios não humano. O ser humano saiu das soubessem que se tratava de um cavernas à medida que começou a trabalho paralelo e pitoresco do desenvolver o seu lado artístico. E delegado da PF, “para que a gente a arte tem a ver com criação. Acho tivesse um retorno real do nos- que se tu tirar a arte da história da so trabalho”. Noerci garante que humanidade tu apaga o homem uma atividade não da história dela. atrapalha a outra e Quanto mais a pesrecorre às referên- “A PF é soa tem o seu lado cias da corporação artístico desenvolvique ajuda a coman- um pilar da do, mais respeitada dar: “A Polícia Fede- democracia. essa pessoa vai ser ral é uma instituição Tu jamais vai pela sociedade.” que se tornou um conceber qualquer Noerci não conpilar da democracia. tipo de repressão sidera suas músicas Assim, tu jamais vai ofensivas e diz que conceber que haja à liberdade nunca recebeu maqualquer tipo de de expressão”, nifestações contrárepressão à liberda- diz o delegado rias. “Até as crianças de de expressão. Eu ouvem e cantam tenho vários colegas a minha música. agentes e delegados que escrevem Acho que quem não gosta fica livros, por exemplo. Essa liberda- quieto. Quando tu faz um trabade é compatível e salutar dentro lho novo, as pessoas podem gosde qualquer atividade”. tar ou não gostar, mas tu foge do aspecto da comparação. Porque a Por enquanto, a carreira arte é isso, tem que ter uma coisa de cantor não interferiu na rotina própria do artista”, acredita o aupolicial, sobretudo pela falta de tor de composições como Taludo, uma agenda de shows – os únicos Dá o curso pra mim, Veinho Aniforam em uma festa da Rádio Far- mal e outras contribuições para o roupilha, em Porto Alegre, e em cancioneiro popular. 9 a 15 de abril de 2011

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Guia de Cultura

por Carol De Barba | guiadecultura@ocaxiense.com.br

Literatura | Mapas do Acaso

Fox Films, Divulgação/O Caxiense

Gessinger e seus fantasmas por Carol De Barba

Ouvi falar de Mapas do Acaso – 45 variações sobre um mesmo tema pela primeira vez só em janeiro, quando me deparei com Humberto Gessinger nos trending topics mundiais do Twitter. O livro é divulgado como uma espécie de continuação de Pra Ser Sincero – 123 variações sobre um mesmo tema, que contava a história dos Engenheiros do Hawaii. Eu não o conhecia simplesmente porque gosto muito da banda, o que me faz uma raridade dentre fãs ardorosos e críticos ferrenhos. Naquele dia, por quase uma hora, Humberto conversou com os tuiteiros e tocou diversas canções de todas as fases dos EngHaw como se estivesse numa mesa de bar. A leitura de Mapas do Acaso tem esse clima, leve, solta, sem pretensões, sem ter que contar fatos em ordem cronológica. Ela flui como se fosse uma coletânea de crônicas que compartilham com o leitor a visão muito particular do artista sobre o mundo. O Humberto escritor é um reflexo do Humberto compositor. Cheio de enigmas, comparações, analogias, aforismos. Palavras e frases com ritmo, mesmo que não virem música. Não adianta, essa arte é indissociável do autor-personagem. “De tanto ouvir canções, passei a acreditar que a vida também é uma” (pg, 33), se justifica. Por isso, salpicados em meio ao texto, surgem versos, tanto dos Engenheiros quanto de outras parcerias e trabalhos de Humberto, e até inéditas. Para os leigos, o compasso dos parágrafos talvez não reserve tantas emoções ao descobrir referências e coincidências com letras da banda. Para os fãs, um verdadeiro deleite, especialmente ao encontrar músicas, ideias e pensamentos antes guardados na mente do ídolo. Um cara, diria ele, muitas vezes tido como antipático pela imprensa, mas provavelmente quieto tentando lidar com o turbilhão da mente que vê música em “um punk na farmácia/atrás de protetor solar/baile funk no plenário/ambulância quer passar”. Enquanto lia, tinha certeza de que Pra Ser Sincero era melhor. No final, mudei de opinião. E arrisco dizer, com medo dos fãs me esperarem na saída da redação, que Humberto Gessinger solo é muito mais interessantes que todos os Engenheiros que passaram pelo Hawaii juntos. Uso as palavras do escritor para me explicar. “Somos exilados da objetividade, eu e meus fantasmas. Filmes de ação nos entediam, músicas pra dançar nos entristecem, revistas de sacanagem, panfletos políticos, carros de corrida, tanques de guerra, qualquer coisa muito objetiva nos cansa. Se for bem feita, cansa mais rápido. Se for bom, bonito e barato, cansa ainda mais.”

Blue e Jade, o último casal de araras-azuis, protagonizam a animação Rio câncer, em fase terminal. 16 anos.

CINEMA Recomenda l Rio | Animação. 13h40, 15h50, 18h, 20h10, 22h10 (dub.), 15h30, 15h40, 17h50, 20h (dub. 3D) e 22h (leg. 3D) | Iguatemi Homenagem do diretor Carlos Saldanha (Era do Gelo) à Cidade Maravilhosa, o longa estreia com grandes chances de chegar ao topo das bilheterias. No enredo, uma arara-azul macho, domesticada e criada nos EUA, vem ao Brasil conquistar a última fêmea da espécie. Livre. 96 min.. l Sem limites | Suspense. 14h, 16h30, 18h50 e 21h10 (leg.) | Iguatemi Em sua estreia, o filme liderou as bilheterias da América do Norte com US$ 19 milhões. Bradley Cooper (o bonitinho de Se Beber Não Case) é um escritor em início de carreira que aumenta extraordinariamente sua atividade cerebral ao tomar uma pílula. Com Robert De Niro, Abbie Cornish e Anna Friel. Dirigido por Neil Burger. 14 anos. 105 min.. l Biutiful | Drama. Sábado (9) e domingo(10), 20h (leg.) | Ordovás Javier Bardem é Uxbal, um homem que coordena vários negócios ilícitos, é capaz de falar com os mortos e descobre que está com

l Matinê Sessão Banzai | Anime. Sábado (9), 15h | Ordovás Para divulgar a cultura pop japonesa, nesta edição as atrações são: Itazura no Kiss!, Tokyo Magnitude 8.0, ambos com histórias permeadas por terremotos, e Basquash!, sobre um desporto praticado no planeta Earthdash, o Basketball Bigfoot, jogado com robôs Bigfoot gigantes. l O Mágico | Animação. De quinta (14) a domingo (24), 20h | Ordovás A animação francesa sem diálogos, indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro e vencedora do César, conta a história de um mágico que vê o público diminuir devido à preferência por atrações mais jovens e populares. A direção é de Sylvain Chomet, do incrível As Bicicletas de Belleville. Livre.

romântica. 15h10 e 21h50 (leg.). Iguatemi. 18h e 20h (sem sessão terça (12), às 20h). UCS. | Fúria Sobre Rodas. Ação. 14h15, 16h45, 19h e 21h20 (leg.) e 15h20, 17h30, 19h50 e 22h10 (3D, leg.). Iguatemi | Rango. Animação. 16h (dub.). UCS | Sexo sem compromisso. Comédia romântica. 14h30 e 19h30 (leg.). Iguatemi | INGRESSOS: Iguatemi: Segunda, quarta e quinta (exceto feriados): R$ 14 (inteira), R$ 11 (Movie Club Preferencial) e R$ 7 (meia entrada, crianças menores de 12 anos e sênior com mais de 60 anos). Terça-feira: R$ 6,50 (promocional). Sexta-feira, sábado, domingo e feriados: R$ 16 (inteira), R$ 13 (Movie Club Preferencial) e R$ 8 (meia entrada, crianças menores de 12 anos e sênior com mais de 60 anos). Sala 3D: R$ 22 (inteira), R$ 11 (estudantes, crianças menores de 12 anos e sênior com mais de 60 anos) e R$ 19 (Movie Club Preferencial). Horários das sessões de sábado a quinta – mudanças na programação ocorrem sexta. RSC-453, 2.780, Distrito Industrial. 3209-5910 | UCS: R$ 10 e R$ 5 (para estudantes em geral, sênior, professores e funcionários da UCS). Horários das sessões de sábado a quinta – mudanças na programação ocorrem sexta. Francisco Getúlio Vargas, 1.130, Galeria Universitária. 3218-2255 | Ordovás: R$ 5, meia entrada R$ 2. Luiz Antunes, 312, Panazzolo. 3901-1316.

l Shine a Light | Documentário. Quinta (14), 20h (leg.) | Leeds A sessão especial do Cinecomolegusta exibe o documentário feito com imagens dos bastidores e MÚSICA duas apresentações da banda The Recomenda Rolling Stones no Beacon Theater, em Nova York, em 2006. A direção l Somos Somas | Sábado (9), 20h | é de Martin Scorsese. 122 min. Show de Gilberto Amaro do Nascimento, mais conhecido AINDA EM CARTAZ: As mães como Giba Giba, cantor, compode Chico Xavier. Drama. 16h15 e sitor, percussionista e ativista cul21h30. Iguatemi | Bruna Surfis- tural gaúcho. Com uma carreira tinha. Drama. 19h10. Iguatemi | de mais de 40 anos, foi um dos Esposa de Mentirinha. Comédia fundadores e primeiro presidente

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da escola de samba Praiana. Teatro do Sesc R$ 10 e R$ 5 (comerciários, sêniors, estudantes, integrantes de escolas de samba e alunos de escolas de músicas) | Moreira César, 2.462 | 3221-5233

Cinema | Biutiful

LITERATURA Recomenda l Mapas do Acaso | Segunda (11), 19h | O líder dos Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger, lança seu terceiro livro, Mapas do Acaso - 45 variações sobre um mesmo tema, pela editora BelasLetras, acompanhado de um pocket show (leia resenha). Saraiva Mega Store Entrada franca | Iguatemi Caxias | 3289-9292 l Cem versos de uma mulher | Terça (12), 18h30 | O livro é a estreia da poetisa Hieldis Severo Martins, que faz poesia sobre a mistura de sentimentos que permeia a existência feminina, complexa, carregada PG Florence, Divulgação/O Caxiense

l Bionika| Sábado (9), 23h A festa do sujeito_coletivo tem o objetivo de levantar fundos para as ações culturais do grupo (exposições, intervenções urbanas, cursos de arte contemporânea, ações sociais). Esta edição será inspirada no filme Curtindo a Vida Adoidado, e terá como atrações os Djs Jorgeeeeenho e David Kurz. Cassino Royale R$15 (antes da meia-noite) e R$20 (depois da meia-noite) | Coronel Flores, 777 | 8114-0110

23h. Havana. 3224-6619 | Wazabi Sushi Lounge. Eletrônica. 22h. The King Pub. 3021-7973 | Zé Bitter Rock. Acústico Nando Reis. 21h30. Zarabatana. 3228-9046 | Domingo(10): DJ Zonatão. 17h. Zarabatana. 3228-9046 | DJ Gui Oliveira. Eletrônica. 18h. The King. 3021-7973 | Swing Natural. Pagode. 23h. Portal Bowling. 3220-5758 | Terça(12): Flávio Ozelame. Rock clássico. 22h. Mississippi. 3028-6149 | DJ Gui Oliveira. Eletrônica. 18h. The King. 3021-7973 | Projeto Rock e Cultura. Sala de Ensaio. 21h30. Vagão Classic. 3223-0616 | Sopros e Acordes. Pop rock. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Quarta(13): Classic Gamer. Vagão Classic. 3223-0616 | Disco Acústico. Rock nacional e internacional. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | DJ Gui Oliveira. Ele-

Humberto Guessinger lança Mapas do Acaso, com pocket show na livraria Saraiva do Iguatemi TAMBÉM TOCANDO – Sábado(09): Adriano Trindade e Banda + Márcio Local + Filipe Melara. Samba. 00h. Boteco 13. 3221-4513 | Baile de Máscaras. H5N1. Rock. Vagão Bar. 23h. 3223-0007 | Bean Blues e Os Bruxos. 22h. Mississippi. 3028-6149 | DJs Audiotronic. Pop. 23h. La Boom. 3221-6364 | Lonely Hearts Club Band. Rock. 23h. Leeds. 3238-6068 | Noite da Tequila. Eletrônica, pagode e sertanejo universitário. 23h. Move. 3214-1805 | DJ Kahball. Eletrônica. 23h. Pepsi Club. 3419-0990 | Pátria e Querência. Tradicionalista. 22h. Paiol. 3213-1774 | Pietro Ferreti e Bico Fino + Junk Box. Samba rock e rock. 22h. Bier Haus. 32216769 | Sandro Seixas Band + Jack Brown. Pop rock. 23h30. Bukus Anexo. 3285-3987 | Tattoo Rock Party. Ballantine’s. Vagão Classic. 3223-0616 | Ton Rock and Roll e Luciano Cavion + Dinamite Joe. Rock. 23h. Portal Bowling. 32205758 | Vivi Seixas DJ. Eletrônica.

trônica. 18h. The King. 3021-7973 | Maurício e Daniel. Tradicionalista. 22h. Paiol. 3213-1774 | The Cotton Pickers. Rock clássico. 22h. Mississippi. 3028-6149 | Quinta(14): Graal. Rock. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Grupo Macuco. Tradicionalista. 22h. Paiol. 3213-1774 | DJ Gui Oliveira. Eletrônica. 18h. The King. 3021-7973 | Quinta-feira do Beijo. Vagão Classic. 3223-0616 | Rádio Country. Sertanejo universitário. 23h. Portal Bowling. 3220-5758 | Rafa Gubert e Tita Sachet. Rock clássico. 22h. Mississippi. 3028-6149 | Sexta(15): Agente Ed. Rock. Vagão Bar. 23h. 3223-0007 | Aquece. Vagão Classic. 3223-0616 | Branco no Preto + DJ Mono. Som Brasil e samba rock. 22h. Bier Haus. 32216769 | DJs Audiotronic. Pop. 23h. La Boom. 3221-6364 | DJ Gui Oliveira. Eletrônica. 18h. The King. 3021-7973 | Preto no Branco. Samba rock e som Brasil. 21h30. Zarabatana. 3228-9046 | Quarteto Paiol. Tradicionalista. 22h. Paiol. 3213-1774 |

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de desejos, medos, crises, alegrias, amores. As ilustrações são do artista Sérgio Lopes, a editora responsável é a Belas-Letras. No lançamento, também estarão expostas as obras do artista plástico. A renda obtida com a venda do livro será doada para Domus Associação de Amparo à Criança com Câncer da Serra Gaúcha. Galeria Municipal R$ 30 (o livro) | Dr. Montaury, 1333 | 3221-3697

TEATRO Recomenda l Memórias de uma Solteirona | Sábado (9) e domingo (10), às 20h | Zica Stockmans interpreta uma quarentona independente, vendedora de mão cheia, que tem um entrave na sua vida: as pendências espirituais com Tia Gérdebra, uma freira que a mantém eternamente virgem. A comédia, recomendada para maiores de 12

Triste e errada beleza

por Carol De Barba

Um homem de meia idade, cabelos compridos e ensebados, vestindo calças de moletom escuras – surradas como todo o resto de sua roupa – está de pé num pequeno e sujo banheiro. Ele olha a patente por alguns segundos, que parecem uma eternidade, tomando coragem para aguentar a dor que lhe causa a simples e humana ação de urinar. Geme ao sentir a urina vermelha de sangue passar pela uretra e ao vê-la tingir a louça que um dia já foi branca. Com o cansaço de quem correu uma maratona, fecha a tampa do vaso e puxa a descarga. O barulho camufla a entrada de uma menina, que tapeando o medo com uma falsa coragem, briga com o pai querendo entender o que está acontecendo. O pai, que há dias esconde do mundo – e de si mesmo – que está morrendo de câncer, se vê encurralado naquele minúsculo banheiro. Transtornado, abraça a criança e pede: “Olhe nos meus olhos. Olhe bem para o meu rosto. Prometa que não vai se esquecer, que vai lembrar de mim”. Essa é uma das cenas finais do drama Biutiful, mais uma obra-prima do diretor Alejandro González Iñárritu (Babel, Amores Brutos, 21 gramas), que está em cartaz até domingo (10) no Ordovás. O longa estrelado por Javier Bardem concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro e melhor ator, mas sua qualidade vai além das indicações. Biutiful é de uma beleza estranha – como a palavra escrita errada –, mas que penetra na alma. Bonito de doer a cabeça e o coração. Iñárritu – mestre nesta estética – faz poesia com a escuridão, as sombras, a sujeira e a poluição visual do submundo de Barcelona. Faz com que o espectador quase sinta o ar e o cheiro dos quartos fétidos, frios, úmidos, sujos e bagunçados onde as personagens dormem. As poucas cores aparecem nos também raros momentos alegres do filme como quando o protagonista Uxbal olha retratos que parecem fotos lavadas em contraste com o papel psicodélico azul e amarelo da parede em que estão pregados. Uxbal é uma espécie de anti-herói com ganha-pão em alguns negócios ilícitos, envolvendo desde a exploração do trabalho de chineses até de seu dom de falar com os mortos. Essa vida marginalizada faz o bom coração de Uxbal sofrer. Bardem parece outra pessoa na pele desse homem, que sente um profundo remorso, transpira mágoa e é atormentado pelas coisas ruins que faz, ainda que sejam, talvez não o único, mas o caminho que lhe ensinaram a seguir para sobreviver. O ritmo do filme é lento, como deve passar o tempo para aqueles que têm uma vida judiada como a de Uxbal, mas cadenciado por conflitos psicológicos. E conforme os sinais de metamorfose e morte aumentam – mariposas que se multiplicam no ninho, revoadas de pássaros – o espectador torce pelo fim. Não para que o filme acabe, mas para que Uxbal, finalmente, descanse, como se diz e se espera ser, em paz. A gente sai da sala juntando os cacos do coração, e com a impressão de estar voltando ao paraíso. 9 a 15 de abril de 2011

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A escritora Elaine Cavion conta histórias, a Bandamigos faz show, o Estúdio de Dança Camila Oliveira se apresenta, o artista plástico Mai Bavoso expõe seus trabalhos, Dionéia Zampieri palestra e a Coleção Por Aí desfila. Tudo isso em benefício às crianças atendidas pela Liga Feminina de Combate ao Câncer. Ingressos com integrantes da Liga. l Stand up | Quarta (13) | Teatro São Carlos Os atores Gabriel Scopel e Ra- R$ 20 | Feijó Júnior, 778 | 3221-6378 fael Campos, do grupo Comédia em Stand By, desenvolvem seus l Show Internacional Hayet próprios textos – sem piadas | Sexta (15), 20h30 | prontas ou anedotas conhecidas, A Hayet Escola de Danças prodizem – dentro do gênero popula- move um show com uma banda rizado no Brasil por nomes como libanesa, que também estará seRafinha Bastos e Danilo Gentili. lecionando bailarinas para seguir O boliche abre às 17h. carreira internacional. Ingressos Portal Bowling disponíveis na escola. Entrada franca | Martcenter | Teatro São Carlos 3220-5758 R$ 85 (ingresso + inscrição) e R$ 30 (ingresso) | Feijó Júnior, 778 | l Clube do Fracasso | Quinta 3214-0200 (14), 20h | O espetáculo da Cia. Rústi- l Workshop de Jazz e Danca ganhou o Prêmio Açorianos ça de Rua | Sábado(9) e domin2010 de melhor dramaturgia. A go(10)| peça estrutura-se em vários joPara comemorar seus 15 anos, a gos que se desdobram sobre áreas escola Endança traz a Caxias Tati diversas da experiência humana, Sanchis e Henrique Bianchini, conpercorrendo memórias, amores siderados os melhores coreógrafos despedaçados, exposições ao ridí- do Brasil nas áreas de jazz e dança culo, tentativas falidas, a sede de de rua, respectivamente. A aula da sucesso, nossos medos e dificul- Tati é das 9h ao meio dia, e a aula do dades. 12 anos. Henrique das 13h30 às 16h30. Nível Teatro do Sesc intermediário/avançado. Alunos da R$ 15, R$ 7,50 (estudantes e sê- Endança têm 20% de desconto. nior) e R$ 5 (comerciários) | Mo- Sede Social Recreio da Juventude reira César, 2.462 | 3221-5233 R$ 100 e R$ 150 (um ou dois cursos, antecipado), R$130 e R$180 l Festival 3 e Já Fazendo (na hora) | Pinheiro Machado, Arte | Quinta (14), às 19h30 | 1762 | 99177860

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EXPOSIÇÕES

Douglas Trancoso, Divulgação/O Caxiense

anos, promete um final que não é tão óbvio, mas obviamente feliz. Os ingressos na Escola Tem Gente Teatrando e livraria Do Arco Da Velha, na hora na bilheteria do teatro. Teatro São Carlos R$ 15 (antecipados), R$ 20 (na hora) e R$ 10 (estudante e sênior) | Feijó Júnior, 778 | 3221-6387

l Transformação/Transformazione | Sexta (15), das 9h às 19h, sábados e domingos, das 15h às 19h | No livro, Lucí Barbijan conta a metamorfose que seu Eu-Poeta sofre sob as mãos do seu Eu-Pintor, com um poema, desenhos e colagens. O trabalho culmina em 15 telas pintadas a óleo. Galeria do Ordovás Entrada franca | Luiz Antunes, 312 | 3901-1316 l Notações Pictóricas | De segunda a sexta, das 8h30 às 18h e no sábado, das 10h às 16h | As séries fotográficas de Fernanda Gassen e Mariana Silva tecem aproximações pela via da pintura, transformando visão da casa como apenas cenário para gestos banais e corriqueiros, como na obra de Vermeer. Galeria Municipal Entrada franca | Dr. Montaury, 1.333 | 3221-3697 AINDA EM EXPOSIÇÃO: Acervo de gravuras do impressor Amaro Albuquerque. Coletiva. Até segunda (11), das 8h às 22h30. Campus 8. 3289-9000 | A procura da arte. Guilherme Nogueira de Castro. Segunda a sexta, das 8h30 às 18h30, sábados e domingos, das 8h30 às 12h30. Farmácia do Ipam. 3222-9270 | Aromas, texturas e cores. Leonor Aguzzoli. De segunda a sábado, das 10h às 19h30, domingo, das 16h às 19h. Catna Café. 3212-7348

Zica estreia Memórias de uma Solteirona

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Alistamento militar

Depois de um ano no serviço militar, os recrutas concorrem a cerca de 30 vagas para seguir carreira por no máximo sete anos, sem prestar concurso

O DESEJO DE SERVIR NÃO É GARANTia dE VAGA

Cerca de 4 mil jovens devem se alistar na Junta Militar; 30% querem entrar para o Exército e apenas 5% serão recrutados, entre estes, alguns que não queriam

E

por JOSÉ EDUARDO COUTELLE jeduardo.coutelle@ocaxiense.com.br

m um cenário de batalha, Alex Machado comanda um pelotão americano para reconquistar a base da Normandia ocupada por alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Diversos soldados são mortos na ação militar ao sair das embarcações aportadas na beira da praia. Mas Alex não se importa. Toda a vez que ele é fuzilado pela metralhadora alemã, recomeça do ponto em que parou. Fã de simuladores de guerra no videogame, o rapaz, que ainda não completou 18 anos, sonha em entrar o quanto antes para o Exército de verdade. Na última terça-feira (5), entregou a documentação exigida na Junta Militar e agora torce para ser recrutado pelo 3º Grupo de Artilharia Antiaérea (GAAAé). O alistamento militar é obrigatório para todos os homens no Brasil a partir dos 18 anos – depois de se apresentar, podem ser convocados ou dispensados. Por isso, para Alex, existe um desafio a mais do que concorrer com os cerca de 4 mil candidatos para as 201 vagas do quartel de Caxias do Sul. O estudante que cursa o segundo ano do Ensino Médio tem apenas 16 anos. Ele é voluntário e tenta ingressar no Exército antes

do tempo previsto. Mesmo sem saber ao certo o que vai aprender quando atravessar os muros do quartel, localizado no Avenida Rio Branco, Alex se mostra entusiasmado com a possível vida militar. “Vou aprender a lidar com ação, a atirar. Eu jogo muitos games como o Medalha de Honra”, conta o rapaz que nunca segurou uma arma de verdade, muito menos um Fuzil Automático Leve. As aventuras e histórias de uma vida militar que fantasiam a imaginação do jovem são contadas pelo tio, que conseguiu ingressar no Exército. Inspirado, ele sonha em conquistar uma vaga e depois prosseguir na carreira militar. “É o que eu quero fazer. Se não for chamado dessa vez, vou tentar no ano que vem”, relata Alex. Mas para seguir uma carreira militar não basta apenas boa vontade. O comandante do 3° GAAAé, tenente-coronel Antonio Carlos Gasparelli, conta que existe um número limitado de vagas para permanecer no quartel após o término do serviço militar, que tem duração de um ano. Os aspirantes que obtiverem as melhores notas e forem voluntários serão chamados. Gasparelli conta que, normalmente, abrem 30 vagas por ano para pouco mais de 40 interessados. “Procuramos ao

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longo do ano avaliar o desempe- de Caxias e não pensava em sair nho. Aqueles que apresentam os da cidade”, justifica. Capra manmelhores resultados, verificamos tém uma lembrança positiva da se pretendem ficar ou não. De- época da rotina rígida do quartel. pendendo da existência de vagas Ele conta que, logo quando foi aproveitamos os melhores”, ex- convocado, mudou a imagem que plica o comandante. Para estes tinha da instituição. “Percebi que poucos selecionados, a carreira o serviço militar permite que o jonas Forças Armadas tem prazo vem conheça alguns valores como de validade. Os aprovados como espírito de grupo, camaradagem, militares temporádedicação e corrios, podem permareção de atitudes.” necer no máximo Hoje, de volta a vida sete anos no Exér- “Se não for civil, Capra mantém cito, com contratos chamado dessa a proximidade com que são renovados vez, vou tentar a antiga carreira. anualmente. Depois no ano que vem”, Após ser aprovado desse período, terão explica Alex, que em concurso públiduas opções: fazer co para prefeitura tem apenas 16 concurso público de Caxias do Sul, ele para ingressar na anos e concorre ingressou na Juncarreira militar per- a uma das 201 ta Militar. Há três manente ou retor- vagas disponíveis anos ocupa o cargo nar para a vida civil. de diretor. Capra é a Foi justamente pessoa que mantém isto que fez Carlos José Capra, 48 o primeiro contato com os rapaanos. Aos 18, recrutado contra zes que ainda não completaram a a vontade, ingressou no serviço maioridade e não sabem ao certo militar e acabou permanecendo o que esperar do serviço militar. por todo o período permitido. Até a última terça-feira (5), 2,7 Iniciou como soldado e duran- mil jovens, de um total de quatro te a breve carreira graduou-se mil, já haviam realizado o alistacomo sargento. Quando expirou mento obrigatório, que encerra as possibilidades de renovação, no dia 29 de abril. De modo geral, decidiu largar a carreira. “Apro- Capra explica que normalmente veitei o meu tempo no Exército e eles apresentam as mesmas caracoptei por não ingressar em con- terísticas. “Eles estão em uma fase cursos públicos para militar. Sou de conquista de espaço. Muitos já 9 a 15 de abril de 2011

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No ano passado, 255, entre os 456 jovens considerados os mais capazes para o serviço militar, foram dispensados na segunda fase da seleção estão empregados. O resultado do alistamento gera ansiedade. Digo isso baseado no fato de o mercado estar contratando pessoas mais jovens. Eles já têm colocação antes dos 18 anos”, explica. A vida profissional é um dos principais fatores para o jovem não querer ingressar no serviço militar. Este é o caso de Bruno Barreto. Com 18 anos já completos, ele mantém uma perspectiva de crescimento dentro da empresa em que foi admitido. Há seis meses, Bruno ingressou no programa menor aprendiz da RGE, onde atua no setor administrativo. Satisfeito com a carreira profissional ele não quer deixar de lado o trabalho para servir no Exército. Mas a opção é recente. Antes de ingressar no programa, Bruno tinha o projeto de realizar os mesmos passos do irmão, que alistou-se em Canoas e serviu na Base Aérea da cidade. “Até o ano passado pensava em seguir carreira militar, em pilotar um avião. Mas não teve jeito. Meus pais também preferem que eu não sirva. Dizem que meu irmão sofreu muito. Que não dormia direito”, conta. Mas o principal argumento para não servir provém de questões de saúde. Bruno sofreu uma lesão no joelho direito que encerrou a breve carreira no futebol. Natural de Pelotas, aos sete anos começou a treinar no Brasil-PE. Com a mudança da família para Caxias, ingressou no Juventude. Ocupando a lateral direita, Bruno teve uma breve oportunidade de conhecer a Europa quando foi contratado para defender o Sporting, time que disputa o Campeo-

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nato Irlandês. No início de 2009 têm dependentes, antecedentes lesionou o joelho e não pôde mais criminais, pessoas com problejogar. “Posso correr, mas sem for- mas de saúde e com escolaridade çar muito”, explica sobre a limita- abaixo da sétima série do Ensino ção. Fundamental. O preparo físico Assim como Bruno, a maioria também pode influenciar, apedos rapazes que se alistam não é sar de não ser determinante. O voluntária. Capra comandante Gasrevela que a méparelli conta que a dia de alistados que “Nunca pensei seleção é dividida querem ingressar em entrar para em duas partes. Na no serviço militar o Exército. Não primeira, nos meses é de 30%, número gosto de rigidez”, de julho e agosto, que considera alto. todo o contingente Diego Freitas, 17 conta Bruno, 17 passa por exames anos, faz parte deste anos, que não médicos, odonpercentual. Acom- gosta de exercícios tológicos, alguns panhado do pai, ele físicos ou de testes e entrevistas apresenta o docu- acordar cedo para selecionar os mento de identidamais capazes. Dede, CPF, certidão pois, em janeiro, de nascimento original, uma foto os aprovados retornam para um 3x4 e comprovante de residência segundo teste que define os conna Junta Militar. Em pouco mais vocados. Esta etapa é necessária de três minutos todo o processo é pois o número vagas sempre é realizado e Diego pode aguardar menor do que o de aptos. Na seaté o dia em que terá de se apre- leção de 2010, dos quase quatro sentar no quartel. Entretanto, o mil jovens, 456 foram aprovados. desejo de servir pode ser negado Com apenas 201 vagas disponibidevido a um problema de saúde lizadas, os demais 255 candidatos descoberto logo aos 12 anos. Nes- retornaram para casa com o certita idade, Diego deslocou o qua- ficado de dispensa. dril ao cair. Após o tratamento, Cléber Vieira, 17 anos, espera em que colocou pinos de titânio, ser eliminado já no primeiro teste. os médicos informaram que ele Porém suas qualidades conspiram tinha uma doença óssea. Porém, contra a própria vontade. Com mesmo nestas condições, Alex 1m85, 80kg e com saúde perfeita, consegue jogar futebol e vôlei de ele acredita que será selecionado. forma moderada e é capaz de re- A perspectiva da rigidez do Exéralizar alguns exercícios e corridas cito não agrada ao rapaz que trade pequenas distâncias. balha como flanelinha e vigia os carros enquanto os proprietários A seleção dos recrutas se divertem na vida noturna da que irão realizar o serviço militar cidade. “Não me agrada ter que é definida por três critérios: situ- acordar cedo. Além do mais, já ação social, saúde e escolaridade. tenho trabalho”, conta. Este caso São eliminados do sistema os que é semelhante ao de Gabriel da

Silva, 17 anos. “Nunca pensei em entrar para o Exército. Não me é familiar. Não gosto da rigidez”, justifica. O jovem concluiu o Ensino Médio e iniciou um curso técnico em eletrônica no segundo semestre de 2010. Sem apresentar nenhuma das condições eliminatórias, Gabriel pode servir o quartel contra a vontade, mesmo não gostando de exercícios nem de acordar cedo. Todos os casos serão avaliados e cerca de 95% dos alistados receberão o certificado de dispensa por excesso de contingente. O restante irá compor a reserva mobilizada do Exército brasileiro. E isto não depende de gosto. O comandante Gasparelli conta que a maioria dos jovens que se apresentam para o início do serviço militar não tem noção do que vão realizar. “Eles chegam na primeira semana e pensam que só vão fazer Educação Física e faxina. Mas depois veem que a quantidade de conhecimento e instruções que vão adquirir aqui é bastante grande, que a formação de um soldado é bem trabalhosa.” As adaptações mais difíceis ocorrem nas primeiras semanas. Logo no começo do serviço militar, normalmente no dia 1° de março, os soldados passam por um período de internato no quartel. “Esse período é muito importante, porque é quando eles vão se acostumar com as atividades rotineiras. Vão aprender sobre o respeito à hierarquia e sobre o respeito irrestrito à ordem. Alguns estranham este tipo de cobrança. Mas rapidamente se acostumam”, garante Gasparelli.

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Dupla por FABIANO PROVIN O título de campeão do Interior é dado à equipe que ficar melhor colocada na classificação geral do Gauchão excluindo-se a dupla Gre-Nal. Até a última rodada, o prêmio é do Ju – 3º, com 25 pontos. O Grêmio tem a melhor campanha (29 pontos). O colorado é o 2º, com os mesmos 25 pontos do Ju. O campeão e vice do Estadual terão vaga garantida na Copa do Brasil de 2012. A vaga será transferida ao campeão do Interior caso um deles se classifique à Libertadores.

O equívoco Ferreira

A direção do Caxias quis inovar. Tentou contratar um treinador desconhecido do Sul, acabou acertando com outro mais desconhecido ainda. Nada contra. O currículo de Luiz Carlos Ferreira falava por si: mais de 10 acessos com clubes medianos, a maioria do interior paulista, de onde ele é natural. No Caxias, foram 22 dias de trabalho. Ao melhor estilo bonachão, estava sempre pronto para conversar. Os treinos eram descontraídos, o pessoal parecia ter gostado dele. Bastou o primeiro jogo em casa para a torcida ter uma opinião totalmente diferente. Depois da vitória no jogo de ida da Copa do Brasil contra o Botafogo da Paraíba, Ferreira teve um empate sem gols com o Lajeadense, fora do Centenário. Em casa, os 4 a 3 sobre o Canoas mostraram um sistema defensivo vulnerável. A confirmação veio na goleada sofrida para o São José: 5 x 2. Após novo empate sem gols, nova goleada fora de casa, desta vez para o Ypiranga, em Erechim (4 x 2). Antes da última partida à frente do time, Ferreira teve um desentendimento com o artilheiro Lima. Ao ser colocado para treinar entre os reservas, Lima (foto) deixou o gramado, pegou suas coisas, pôs no porta-malas do carro e foi embora. Mais tarde, o atacante retornou ao estádio para a concentração visando ao jogo contra o Ypiranga. Nos bastidores, a direção tinha a confirmação de que Lima jogaria. Mas a surpresa foi Sato ao lado de Éverton em Erechim. Lima ficou no banco. Ferreira estava demitido naquele momento, antes mesmo do início da partida. Sem motivação alguma em campo, o Caxias sucumbiu. Nem parecia o mesmo time que bateu de frente com Grêmio e Inter. Uma derrota que teve a participação dos jogadores.

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Regulamento

ASPIRAÇÕES BEM

DIFERENTES Depois da classificação à Copa do Brasil, o Caxias retoma o foco no Gauchão. Na última rodada, contra o São Luiz de Ijuí, a ser disputada no Centenário às 16h deste domingo (10), acredito que o técnico Ricardo Cobalchini irá manter o time que enfrentou o Botafogo-PB – o mesmo que empatou com o Grêmio na decisão da Taça Piratini, o primeiro turno do Estadual. Com Lima no ataque. O Caxias é o último no grupo 1, com 6 pontos. O Inter lidera com 10, seguido de Lajeadense (9), São José (8) e a embolada faixa dos 7 pontos: Canoas, Ypiranga, o adversário São Luiz e Novo Hamburgo. Para se classificar às quartas de final da Taça Farroupilha, a equipe de Cobalchini precisa vencer. E torcer para que apenas um desses times – Canoas, Ypiranga ou Novo Hamburgo – vença na última rodada. Complicado.

No lado papo, para enfrentar o Veranópolis, também às 16h deste domingo, o técnico Picoli não terá os zagueiros Bressan, que foi para a Seleção Sub-18, e Fred, suspenso por ter levado o terceiro cartão amarelo na goleada de 3 a 0 sobre o rebaixado Porto Alegre. Rafael Pereira retorna após cumprir suspensão. Bruno Salvador ainda está lesionado. Dessa forma, um volante da base foi improvisado na função

O Ju vai a Veranópolis para disputar talvez o jogo mais importante da 8ª e última rodada do segundo turno do Gauchão. E vai embalado – venceu as três partidas consecutivas no Jaconi (5 x 0 no Inter-SM, 3 x 2 no Grêmio e 3 x 0 no Porto Alegre). O alviverde só depende de si para garantir o título de campeão do Interior e o prêmio de R$ 100 mil da FGF. Se vencer o Veranópolis no Antônio David Farina, conquista a distinção. Se empatar, precisa torcer para o Cruzeiro não vencer o Pelotas. Se perder, esperará por tropeços de Cruzeiro e São José. A classificação às quartas de final do segundo turno, em 1º no grupo 2, virá se ganhar do VEC e Grêmio e Cruzeiro não vencerem suas partidas. Se um deles ganhar e o Ju também, fica em 2º. Se perder, fica em 3º ou 4º. O alviverde é 3º na chave 2, com 11 pontos. Cruzeiro (1º) e Grêmio (2º) têm 12 pontos cada e estão classificados. O Santa Cruz é o 4º, também com 11. O Veranópolis é o 5º, com 8 pontos.

Bom senso

A Federação Gaúcha de Futebol (FGF) informou no dia 5 o cancelamento da partida entre Porto Alegre x Inter-SM, válida pela última rodada do segundo turno. O

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durante a semana: Deoclécio. No meio-campo, Umberto está mantido. No ataque, o artilheiro Júlio Madureira, com 10 gols no Estadual, se recupera de uma lesão na coxa direita e será dúvida até momentos antes do jogo. Se não tiver condições, Rafael Aidar começa ao lado de Zulú.

pedido foi feito pela direção dos clubes para evitar custos, pelo fato de ambos estarem rebaixados – disputarão a Segundona em 2012.

Apoio ao interino

Na segunda-feira (4), foi a vez de o vice-presidente grená Zoilo Simionato entrar no vestiário para conversar com os jogadores. O “bate-papo” durou cerca de uma hora. “Claro que não posso contar tudo o que foi dito, mas foi muito proveitoso. Pedi o apoio e o entendimento do grupo com o interino Ricardo Cobalchini”, diz Simionato. Após a vitória por 3 x 1 que despachou o Botafogo para a Paraíba, no dia 6, o dirigente ressaltou que o novo técnico será anunciado provavelmente até o início de maio. “Nossa meta é subir para a Série B”, resume. Questionado se a contratação de Ferreira foi um equívoco, Simionato não titubeou e respondeu: “Ele ficou aqui 22 dias e foi liberado. O estilo dele não encaixou. Com certeza foi um equívoco”. Mas, e se Lima tivesse jogado e matado a partida em Erechim?

Copa do Brasil

Em meio aos equívocos grenás, o time do interino Ricardo Cobalchini, com Lima no ataque, venceu o Botafogo-PB e garantiu a classificação do Caxias para a terceira fase da Copa do Brasil. Nas oitavas de final o time enfrentará o Coritiba. A primeira partida, após sorteio, será realizada às 20h30 da próxima quinta (14), no Estádio Couto Pereira. O jogo de volta, no Centenário, será às 19h30 de 27 de abril. Quem avançar enfrentará, nas quartas de final, o vencedor de Santo André x Palmeiras. Esta será a oitava vez que o clube grená participa da Copa do Brasil. A competição foi criada pela CBF em 1989. O Caxias disputou as edições de 1991, 1999, 2000, 2001, 2002, 2007 e 2009. Em 2000, mesmo ano do título gaúcho, com o técnico Tite, chegou na terceira fase. Na primeira rodada passou por Avaí-SC (1 x 1 e 3 x 1) e Sergipe-SE (1 x 0 e 1 x 2). Caiu diante do Cruzeiro – os mineiros venceram as duas partidas (3 x 1 no Centenário e 6 x 1 no Mineirão).

Jogos da 8ª rodada

Neste domingo (10), às 16h: Caxias x São Luiz Veranópolis x Juventude Inter x Canoas Novo Hamburgo x Lajeadense São José x Ypiranga Santa Cruz x Grêmio Pelotas x Cruzeiro Porto Alegre x Inter-SM

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Guia de Esportes

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por José Eduardo Coutelle | guiadeesportes@ocaxiense.com.br

Lutadores de três modalidades de kickboxing entram no ringue neste sábado

KICKBOXING Recomenda l 4º Nocaute à Fome | Sábado, a partir das 14h. Finais, às 19h | Muitos dos melhores lutadores vão participar da competição, em três modalidades: Full Contact, Low Kicks e K1 Rules. Para ter mais emoção para os espectadores e valor para os atletas, as lutas serão válidas para a seletiva do Campeonato Estadual. O evento, realizado pela Liga Caxiense de Boxe e Kickboxing e organizado pela Academia Fight Center, terá início às 14h, com as lutas eliminatórias nas 13 categorias das três modalidades disputadas. As finais estão previstas para ocorrer a partir das 19h. A organização espera pelo menos 120 competidores, todos utilizando capacetes, luvas, protetores de canela e pé, conforme manda o regulamento. Ginásio da AABB R$ 20 mais 2 kg de alimentos não perecíveis | Paul A. Harrys, 350, Cinquentenário

Futsal Sub-15 | Sábado, 15h e 16h, domingo, 10h | Recreio da Juventude e Top Sport representam Caxias na competição, que se encerra domingo. O time do RJ não se saiu tão bem quando o esperado. Nos primeiros dois jogos empatou em 3 a 3 com o Colégio Módulo e perdeu por 4 a 0 para o Dom Bosco. O jogo decisivo ocorreria na sexta (após o fechamento desta edição). Já o Top Sport fez bonito. Venceu facilmente o Uirapuru por 7 a 2, o Paysandu por 8 a 3 e o Sumov por 6 a 1, garantindo uma vaga para a semifinal. As duas primeiras eliminatórias estão programadas para ocorrer no sábado, às 15h e às 16h. E os vencedores disputam o título às 10h de domingo. Recreio da Juventude Entrada gratuita | Atílio Andreazza, 3.525

FUTEBOL

Recomenda l Caxias x São Luiz | Domingo, 16h | A vitória sobre o Botafogo-PB FUTSAL por 3 a 1, na última quarta (6), l Taça Brasil Correios de avançando na Copa do Brasil, só

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ajuda o Caxias no Estadual por renovar a confiança do time. A situação é difícil: com a derrota na última rodada para o Ypiranga de Erechim por 4 a 2, a equipe grená necessita de uma combinação de dois resultados, além da vitória diante do São Luiz, para conquistar a última vaga para as quartas de final. Para isso é precisa que o Inter vença o Canoas no Beira-Rio e o Lajeadense derrote o Novo Hamburgo no Estádio do Vale. O técnico interino Ricardo Cobalchini deverá entrar em campo com: Matheus; Alisson, Édson Rocha, Marcelo Ramos e Gerley; Marcos Rogério, Itaqui, Dê e Edenílson; Éverton e Lima. Centenário R$ 20 e R$ 10 (idosos e estudantes portando documentação) | Thomas Beltrão de Queiroz, 898 Recomenda l Veranópolis x Juventude | Domingo, 16h | A equipe alviverde viaja para Veranópolis embalada. O time treinado por Picoli precisa apenas empatar a fim de garantir matematicamente a classificação. Com 11 pontos, o Juventude ocupa a terceira colocação na tabela.

O VEC vem atrás, na quinta posição, com 8 pontos. O Ju só não prossegue no Gauchão se acontecer uma catástrofe: sofrer goleada de quatro gols de diferença e o Santa Cruz conseguir um empate contra o Grêmio. Picoli deve iniciar a partida com: Jonatas; Anderson Pico, Rafael Pereira, Deoclécio e Alex Telles; Umberto, Jardel, Cristiano e Ramiro; Rafael Aidar (Madureira) e Zulú. Antônio David Farina R$ 15 | RST-470, Bairro Medianeira – Veranópolis l Municipal | Sábado e domingo, 13h15 e 15h15 | A categoria suplente teve a rodada de abertura no último final de semana. Foram marcados 22 gols nas oito partidas disputadas. Uma média de 2,75 por jogo. Quem puxou a fila foi o União de Zorzi, que goleou a equipe do Bom Pastor por 4 a 1 e ocupa temporariamente a primeira colocação da Chave B. Defendendo a liderança, a equipe enfrenta o Linha 13, neste sábado, às 13h15, no campo do Fátima. Enxutão, Municipal 1 e 2, Sagrada Família, Zona Norte e Fátima Entrada gratuita

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Renato Henrichs renato.henrichs@ocaxiense.com.br

Disputa na UAB

Motorista da Visate, representante na UAB do Jardim Oriental, Valdir Fernandes Walter é o candidato da situação à presidência da União das Associações de Bairros. O atual presidente Daltro da Rosa Maciel concorre ao comando da Assembleia Geral, hoje nas mãos de Tânia Menezes – que não participará da chapa. O PDT dos vereadores Vinicius Ribeiro e Moisés Paese articula uma chapa de oposição. As inscrições podem ser feitas até 30 de abril. A eleição na principal entidade comunitarista do interior do Estado está marcada para 5 de junho.

Acompanhamento

Campeão na apresentação de projetos no ano passado, o vereador Renato Nunes (PRB) protocolou esta semana na Câmara outra proposta que poderá significar melhoria na qualidade de vida dos caxienses. Ele sugere a presença de professores de Educação Física nos parques públicos de Caxias do Sul. Os profissionais seriam responsáveis por ministrar atividades físicas e orientar a população na execução dos exercícios – como costuma acontecer, vejam só, em Cuba e na China.

* Colaborou Felipe Boff

CÂMARA VOLTA

Água é marketing

AOS BAIRROS

Iniciativa da presidência anterior, de Harty Moisés Paese (PDT), o projeto Câmara vai aos bairros será retomado – e ampliado – a partir desta segunda-feira (11). O atual presidente do Legislativo, Marcos Daneluz (PT), explica que são duas as mudanças principais: a regionalização, englobando mais bairros e loteamentos por reunião; e o aumento do número de encontros. Até novembro, serão oito (um por mês), contra cinco no ano passado. O primeiro deles ocorre no Centro Comunitário do Santa Fé, englobando este e outros 16 bairros e loteamentos. Outra alteração significativa é o dia de realização do projeto. Em vez de ser nos finais de semanas – quando a vontade de discutir política tinha de concorrer com o tempo de descanso da população –, passou para as segundas-feiras, começando às 19h30. As reuniões também serão previamente preparadas com lideranças comunitárias.

vereador, torná-los produtivos no atendimento às demandas dos moradores. Um dos caminhos para isso é o instrumento das indicações, pelo qual os parlamentares podem apontar ao Executivo a necessidade de providências simples, como a troca de uma lâmpada queimada em um poste de luz, ou mais, como a urgência de solução para problemas de esgoto, pavimentação ou insegurança em áreas públicas – ouvidas diretamente da população. Fundamental a presença de todos vereadores governistas, portanto.

40 anos depois

Depois do convite ao embaixador italiano no Brasil, Gherardo La Francesca, para que ele participe da programação da Festa da Uva 2012, a Comissão Comunitária aponta as baterias agora para veteranos astros da TV brasileira. A ideia é convidar para estarem em Caxias do Sul durante o evento artistas como Jô Soares, Francisco Cuoco, Tônia Carrero e Tarcísio Meira. Todos eles estiveram aqui há 40 anos no lançamento da TV em cores no Brasil, com a transmissão do desfile de carros alegóricos de então.

Contra as drogas

Outro benefício do Câmara vai aos bairros é que ele tira o vereador do conforto de sua base eleitoral para levá-lo a conhecer melhor a realidade de outros cantos da cidade. Com a frenética expansão de Caxias, ficou ainda mais difícil acompanhar os problemas de cada bairro, e principalmente dos mais distantes. Por tabela, a Câmara também ajuda a desfazer a velha O desafio do projeto é, den- máxima de que político só aparece tro das limitações da função de na vizinhança em época de eleição.

A Câmara Municipal de Caxias do Sul aderiu à campanha contra as drogas na mídia institucional pública. Toda e qualquer publicidade da Casa acrescenta uma mensagem sobre o crescente problema.

Sem indiferença

André T. Susin/O Caxiense

Voz discordante

Depois de quase quatro décadas de serviços à gastronomia típica – e, portanto, ao turismo – da região, a Casa Pão & Vinho fechou suas portas. Proposta coletiva articulada na Câmara de Vereadores pretendia homenagear o trabalho desenvolvido ao longo desse período por Nestor De Carli e esposa. Só um parlamentar não aderiu à proposta: Daniel Guerra (PSDB), por sinal ex-secretário municipal de Turismo.

Talvez a maior parceira do governo municipal, a CIC abre as portas nesta segunda-feira (11) para o prefeito José Ivo Sartori e ao diretor-presidente do Samae, Marcus Vinicius Caberlon. Ambos participarão da reunião-almoço da entidade empresarial para falar sobre a construção do sistema de abastecimento Marrecas. Em que pese a sua indiscutível importância, nunca na história deste município houve divulgação tão grande de uma obra da prefeitura. Necessária, aliás, pelo que essa badalação possa significar em conscientização dos caxienses para a necessidade de preservação dos recursos hídricos.

Asfalto da via

Desvio do pedágio de Vila Cristina (foto) estará fechado neste sábado para obras de manutenção. Mesmo com a boa vontade do subprefeito Sadi Pirovano, fica cada vez clara a necessidade de aquele

trecho – conhecido também como Via da Cidadania – ser incluído no Programa de Asfaltamento do Interior (PAI), menina dos olhos da administração Sartori (ao lado do Complexo Marrecas, é claro).

Um faz que paga e o outro faz que trabalha. Isso é uma grande cafajestice e uma grande canalhice de ambas as partes Presidente do Sindicato dos Médicos, Marlonei dos Santos, em entrevista a Rádio Caxias, numa autocrítica sobre o trabalho e a remuneração dos profissionais da saúde da rede municipal.

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Diante do revés que a prefeitura sofreu na Justiça, o chefe de Gabinete, Edson Néspolo, deixa claro que o governo Sartori não está indiferente à ameaça de uma nova greve dos médicos da rede pública municipal – prevista, aliás, para esta segunda-feira (11). “O que não podemos é tratar categorias profissionais de formas diferentes. A administração municipal não pode olhar somente para os médicos”. Néspolo garante que, ao contrário do que muitos imaginam, a administração municipal tem sim alternativas para apresentar aos profissionais da saúde.

Vik na CIC

A Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul negocia para setembro a vinda do artista Vik Muniz para ser palestrante de uma reunião-almoço. Nascido em São Paulo e atualmente morando em Nova York, o brasileiro ganhou ainda mais projeção ao ter seu trabalho retratado no documentário Lixo Extraordinário, que concorreu ao último Oscar. O filme mostra a relação de Vik com os catadores do aterro sanitário de Jardim Gramacho, no Rio, que ele recrutou para ajudá as montar as grandiosas imagens que fotografa. Se confirmada, será uma presença inspiradora.

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