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Março | 2011

|S5 |D6 |S7 |T8 |Q9 |Q10 |S11

66 Ano ii

Roberto

Hunoff Prefeitura pede mais R$ 48 milhões ao BNDES para concluir o Sistema Marrecas

Ecad, o fiscal da música que você ouve, terá filial em Caxias

Dupla

CA-JU Caxias joga contra o Grêmio e contra o próprio retrospecto

Para onde vai o lixo do Shopping Iguatemi

Renato

Entidades arrecadam meio milhão de reais por ano com empresários, cidadãos e prefeitura para garantir o suporte básico ao funcionamento dos órgãos estaduais – do conserto de viaturas à confecção da identidade

André T. Susin/O Caxiense

Henrichs Localização do novo aeroporto se complica

R$ 2,50


Índice

www.OCAXIENSE.com.br Fevereiro | 2011 |S26 |D27 |S28 |T1º |Q2 |Q3 |S4

A Semana | 3 As notícias que foram destaque no site

65 Ano ii

Renato

HenRicHS Escolha da agência de publicidade da Festa da Uva está mais transparente

Histórias da velha guarda do

carnaval caxiense

Roberto Hunoff | 4 Conclusão do Marrecas pode esbarrar em cortes do governo federal

Animais | 8 Depois de socorrer 250 animais, Flávio Dias precisa de ajuda Contas do Município | 10 Avanço da população e da demanda por serviços aumenta o controle orçamentário Lixo | 12 Os trabalhadores que dão utilidade ao que os consumidores deixam para trás Ecad | 14 Seja em bares ou em consultórios, eles cobram pela música que você escuta Guia de Cultura | 16 Carnaval americano no Mississippi e moda caxiense no Ordovás Artes | 18 Passos livres e barcos presos Boa Gente | 19 A arte de cuidar, fazer música e fazer rir. Sanduíches, do simples ao complexo. Saúde mental | 20 Depois da pressa, prefeitura discute condomínio residencial terapêutico Dupla CA-JU | 21 Caxias tem a chance de dar um basta ao “quase” Guia de Esportes | 22 Decisão profissional na capital e diversão amadora nos bairros de Caxias Renato Henrichs | 23 Vinda de Tarso a Caxias não deve encerrar a questão do novo aeroporto

Expediente

Redação: André Tiago Susin, Camila Cardoso Boff, Carol De Barba, Fabiano Provin, Felipe Boff (editor), José Eduardo Coutelle, Luciana Lain, Marcelo Aramis (editor assistente), Paula Sperb (editora), Renato Henrichs, Roberto Hunoff, Robin Siteneski e Valquíria Vita Comercial: Pita Loss Circulação/Assinaturas: Tatyany Rodrigues de Oliveira Administrativo: Luiz Antônio Boff Impressão: Correio do Povo Distribuição: Dinâmica Assessoria de Distribuição

Assine

Para assinar, acesse www.ocaxiense.com.br/assinaturas, ligue 3027-5538 (de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 18h) ou mande um e-mail para assine@ocaxiense.com.br. Trimestral: R$ 30 | Semestral: R$ 60 | Anual: 2x de R$ 60 ou 1x de R$ 120

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O Caxiense

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Aposentados são os alvos preferidos de

golpes

o iMPASSe

por correio

nA SAÚDe MenTAL

um projeto que a prefeitura tentou aprovar às pressas no conselho Municipal de Saúde está provocando reações de especialistas e da oposição. o plano prevê a transferência de pessoas com transtornos mentais, hoje integradas à sociedade como moradoras de casas terapêuticas em bairros centrais, para um complexo residencial afastado que abrigaria também usuários de álcool e drogas

Roberto

Sebastião de Souza de Vaz/O Caxiense

Fotos: André T. Susin/O Caxiense

Segurança | 5 Serviços básicos do Estado são garantidos por doações privadas e da prefeitura

Dupla

cA-Ju Caxias precisa apostar em uma postura ofensiva para chegar à final

Muito boa a matéria de capa de edição 65. Moro próximo do local onde pretendem instalar o complexo residencial, foi muito útil. Cristine Brambatti

Hunoff Caxias e região devem pagar R$ 470 milhões em imposto de Renda

R$ 2,50

@lutianam Parabéns @ocaxiense pela excelente matéria sobre os residenciais terapêuticos. Muito importante que todos leiam. #edição65 @ramontisott A matéria sobre o Carnaval da cidade no @ocaxiense mostra que essa festa tem história e merece respeito e valorização. #edição65 @mfurlann Parabéns ao @ocaxiense pela reportagem da Tia Mirna. Pessoas assim fazem a diferença. #edição65 @gardelinvoiip Parabéns para @ocaxiense pelas excelentes coberturas #aovivo

Edição 65 | Gostei muito da capa. Pintura em tela de um usuário da saúde mental em oficina terapêutica comigo. Saudades! Homero Ribeiro

No Site

Aumento no Restaurante Universitário | Sempre gostei do refeitório da UCS, a comida normalmente é agradável e preço também. O que seria interessante seria abrir o contrato para outros fornecedores juntamente com o DCE. Assim, fazendo contratos de curto prazo, seria possível sempre encontrar a melhor comida, melhores serviços com o preço mais justo. Diego Tomazonni Aeroporto em Vila Oliva | A coisa mais importante para viabilizar o aeroporto em Vila Oliva é o recurso financeiro, coisa que não está em Porto Alegre, mas em Brasília. Santa Catarina, que é um Estado muito menor, tem diversos aeroportos com voos comerciais diários, aqui choramos para ter uma segunda companhia aérea. Sem aeroporto com pistas e instrumentos adequados não seremos atrativos para as companhias aéreas. Rodrigo Collaro iPad e iPhone | Toda a coleção de edições do jornal O Caxiense está disponível para download gratuito no iPad. No aplicativo para iPhone, fique informado diariamente com as notícias do site. O Caxiense é o 1º jornal do Sul do Brasil no iPad e o único no iPhone. Agradecemos | Samburá Caça e Pesca (3221-5466) e Celetro Caxias Materiais Elétricos (3228-1633).

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


A Semana

Fotos: André T. Susin/O Caxiense

editada por Felipe Boff | felipe.boff@ocaxiense.com.br

No Mariani, moradores se mobilizaram contra máquinas que construiriam uma área de lazer. Eles querem uma creche, mais urgente

SEGUNDA | 28.fev

TERÇA | 1º.mar

Protegidos da Princesa ganha o Carnaval

Crianças e mulheres param patrolas no Mariani

Escolhida a melhor entre as 10 escolas de samba que passaram pela Sinimbu, a Protegidos da Princesa faturou o prêmio principal, de R$ 45 mil, e promete aproveitar o embalo para já começar a trabalhar no desfile de 2011. “Conseguimos esse título com muita seriedade e muito trabalho. Foi comprometimento, não sorte”, disse a vice-presidente da escola, Daniela Padilha. Um discurso coerente com a nova fase do Carnaval caxiense – que, em termos de prestação de contas, já teve folia de sobra. A premiação em dinheiro, de acordo com o mérito de cada agremiação, até aqui se mostrou um incentivo mais eficaz do que distribuir verbas antecipadamente, como ocorria no passado. Fica a expectativa para ver, no ano que vem, como o dinheiro público será reinvestido pelas escolas.

A divergência entre fazer uma área de lazer ou uma creche acabou em um enfrentamento – felizmente, amistoso – no bairro Mariani. Avisadas pelas crianças, moradoras impediram as patrolas que começavam a abrir espaço para um cancha de bocha, uma área de academia e um campo de futebol. A área de lazer, segundo a prefeitura, teria sido escolhida como prioridade no Orçamento Comunitário (OC), mas os moradores contestam a legitimidade da representação. A foto acima, cheia de crianças. deixa claro que as mulheres do Mariani têm argumentos de sobra para sua causa.

programa Minha Casa Minha Vida para Caxias do Sul entrou em vigor. O valor máximo passou de R$ 100 mil para R$ 130 mil. A notícia é boa, mas só se for acompanhada de fiscalização mais intensa. O Caxiense já revelou, em edições anteriores, que imobiliárias e construtoras estavam vendendo imóveis acima do teto e cobrando um extra por fora. O Ministério Público Federal abriu inquérito para investigar esse tipo de irregularidade.

QUINTA | 3.mar Governo instala grupo para discutir pedágio

O governo estadual criou um Grupo de Trabalho, que se transformará depois em Câmara Temática, para discutir os pedágios. QUARTA | 2.mar É uma boa maneira de tratar o incômodo assunto com seriedaMinha Casa Minha de. Se tivesse havido essa postura Vida tem novo teto mais democrática nas administraDemorou, mas o novo teto do ções passadas – inclusive do pró-

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prio PT –, os motoristas caxienses não estariam praticamente ilhados por cancelas de pedágio. No meio das discussões, seria tranquilizador ouvir do secretário Beto Albuquerque a promessa que Tarso Genro fez na campanha: extinguir a praça de Farroupilha em 2013.

SEXTA | 4.mar Repórter do jornal O Caxiense é premiado

A reportagem Aprender a voar, de Robin Siteneski, repórter do jornal O Caxiense, foi a 1ª colocada do Prêmio Santos-Dumont 2010 de Jornalismo na categoria Aviação em Geral. A premiação será no dia 24, no Rio de Janeiro. Os vencedores – além de Robin, jornalistas de publicações especializadas e da revista Brasileiros – viajarão aos Estados Unidos para visitar uma unidade da Embraer e uma fábrica de helicópteros. Online | Acesse www.ocaxiense.com. br e leia a reportagem premiada

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Roberto Hunoff Roberta Albuquerque, Divulgação/O Caxiense

roberto.hunoff@ocaxiense.com.br

Novo

Segurança

empréstimo A prefeitura de Caxias do Sul encaminhará pedido de novo financiamento, este no valor de R$ 48 milhões, ao BNDES, para garantir a conclusão do Sistema Marrecas. Com este valor, o total investido na obra ficará perto de R$ 200 milhões considerando o empréstimo inicial de R$ 104 milhões e a contrapartida do Município próxima aos R$ 40 milhões. O que pode dificultar

a liberação é a decisão do governo de cortar R$ 50 bilhões do seu orçamento, incluindo recursos destinados ao Programa de Aceleração do Investimento 2, bem como para o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. O prefeito José Ivo Sartori não acredita em prejuízos nos valores já acertados para 2011, mas vislumbra dificuldades em futuras solicitações.

Desempenho positivo

A caxiense Marjorie Balbinot Gasperin é a primeira mulher a ocupar o cargo de diretora de hospitalidade do hotel Blue Tree Towers Caxias do Sul. Ela substituirá Rafael Cyrillo, indicado para atuar na operação da rede em Florianópolis. A nova executiva é graduada em Tecnologia em Hotelaria pela Universidade de Caxias do Sul e possui 13 anos de experiência no segmento hoteleiro, dos quais sete na rede Blue Tree. Em 2010 a operação local registrou ocupação 8,28% superior a 2009, receita bruta 14% maior e lucro líquido em alta de 33,5%.

Normalidade

A economia de Caxias do Sul fechou o primeiro mês do ano com queda de 5,1% na comparação com dezembro. Porém, cresceu 16% sobre janeiro de 2010. No acumulado de 12 meses a alta é de 21,4%. Os dados constam de pesquisa divulgada esta semana pela CIC e CDL de Caxias do Sul. Dos três segmentos, apenas o de serviços registrou crescimento, de 2,4%. A indústria teve desempenho negativo de 4% e o comércio, de 21,6%. Já em relação a janeiro de 2010 altas respectivas de 16,4%, 7,4% e 20,7%. Na avaliação de Carlos Heinen, vice-presidente de Indústria da CIC, e Carlos Zignani, integrante do Departamento de Economia, Finanças e Estatísticas, o resultado já era esperado em função da sazonalidade, comum em todos os primeiros bimestres de cada ano. Já como desempenho para o exercício a expectativa é de crescimento de 5% a 7%.

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milhões de 2009 em lucro de R$ 17,4 milhões no ano passado, com margem líquida de 3,7%. A empresa produziu 9.450 equipamentos, acréscimo de 43,1%. Para 2011 a meta da companhia é crescer 6%. Fernando Demore, Div./O Caxiense

Hotelaria

A Guerra, fabricante de implementos rodoviários, apurou receita líquida de R$ 467,8 milhões em 2010, em alta de 56% sobre a receita anterior. Mais significativo ainda foi reverter o prejuízo de R$ 19,8

Desempenho negativo

Já a Lupatech, dedicada à produção de componentes metálicos para diferentes setores industriais, registrou prejuízo de R$ 73 milhões em 2010, enquanto em 2009 havia lucrado R$ 15,4 milhões. A receita da companhia cresceu somente 4,8%, para R$ 581,6 milhões, resultado do declínio de 3,6% nas vendas de sua principal operação, a ligada aos segmentos de petróleo e gás, que responde por 64% do total. Os

segmentos de válvulas industriais e de metalurgia apresentaram crescimento de 27% e 17%, respectivamente. O resultado negativo de R$ 94 milhões, afetado principalmente por despesa de variação cambial, foi fator decisivo na formação do prejuízo. O endividamento total da companhia continua próximo a R$ 1 bilhão, distribuído dentre debêntures conversíveis, bônus perpétuo e dívidas de curto e longo prazo.

Curtas (9) a promoção 4 Dias de Preços

Na quinta-feira (10) começa a funcionar, em Farroupilha, a Face Design, loja especializada em móveis para casa e alta decoração. A iniciativa é dos sócios Vera Lucia Petroli Beitel e Jonas Ortiz, que montaram estrutura de 700 m² na RS 122, próximo ao Bairro Industrial.

Derretidos. O objetivo da diretoria é que a ação não seja apenas uma liquidação, mas uma referência no varejo da Serra.

A Vila Rica Móveis e Decoração abre nova loja que irá dispor de uma linha contemporânea, peças de saldo e preços especiais. A O San Pelegrino Shopping Vila Rica Outlet abrirá no final de Mall apresenta na quarta-feira março no Bairro São Pelegrino.

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Para tirar dúvidas sobre a nova NR 12, que trata da segurança no trabalho em máquinas e equipamentos, o Simecs promoveu encontros de empresários com a engenheira Aida Becker, auditora fiscal do trabalho e coordenadora da comissão tripartite que revisou e elaborou o novo texto. As mudanças visam aumentar a segurança dos trabalhadores, minimizando os riscos de acidentes. No segmento metalmecânico são contempladas notadamente prensas, dobradeiras, equipamentos similares e máquinas injetoras.

Menos horas extras

Apesar da retração, a economia de Caxias do Sul abriu 1.534 postos de trabalho em janeiro, elevando para 165 mil o total de colocações formais. Indústria e serviços responderam por 85% das vagas, cada qual com números próximos a 650. A construção participou com mais de 230 e o comércio manteve estabilidade. De acordo com Carlos Zignani, as contratações têm principalmente a função de reduzir as horas extras, realizadas em grande número no ano passado. Ele assegura que o custo da hora extra é muito elevado e nem mesmo as entidades sindicais apoiam o seu uso. Acredita que em função disto o quadro de expansão das vagas formais se estenderá ao longo do ano.

Ponto eletrônico

Tudo o que se escreveu ou disse na semana passada sobre a vigência da nova lei do ponto eletrônico a partir de 1º de março estava errado. Pois o ministro do Trabalho, Carlos Luppi, editou no dia 28 de fevereiro novo documento colocando por terra tudo o que estava estabelecido. A nova portaria, que terá vigência a partir 1º de setembro, permite o uso de sistemas alternativos de controle da jornada de trabalho, desde que haja autorização por convenção ou acordo coletivo de trabalho. Na avaliação do presidente da ARH Serrana, Francisco Batista, essa disposição descaracteriza o texto original da portaria anterior e abre novas possibilidades de marcação da jornada de trabalho. No entanto, ressalva que a portaria 1.510 não perdeu a validade. Caso não ocorra a convenção ou acordo coletivo até 1º de setembro ela vigorará na íntegra. A confusão é tamanha que foi constituído grupo de trabalho para revisar o Sistema de Registro Eletrônico de Ponto.

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Amparo da sociedade

P

QUEM COBRE

OS FUROS

Arrecadando e gerenciando verbas de empresas e da prefeitura – além de repasses encaminhados pelo Ministério Público –, Consepro e Mocovi investem R$ 500 mil por ano em uma área que o governo do Estado não atende como deveria. É o que garante serviços básicos dos órgãos policiais e ambientais

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André T. Susin/O Caxiense

DA SEGURANÇA

por CAMILA CARDOSO BOFF camila.boff@ocaxiense.com.br

ara expedir uma carteira de identidade, a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP) recebe uma taxa de R$ 29,89, ou R$ 42,70 para a segunda via do documento. No Posto de Identificação do Instituto Geral de Perícias de Caxias do Sul, são confeccionadas, em média, 200 cédulas de identidade por dia. Caso fossem expedidas somente primeiras vias, a SSP arrecadaria R$ 5.978 por dia com contribuintes de Caxias. O dinheiro deveria ser suficiente para arcar com todos os custos da documentação, de recursos humanos a equipamentos. No entanto, a Secretaria paga somente quatro técnicos papiloscopistas e a impressão das carteiras. Para completar a conta, é preciso que o Conselho Comunitário PróSegurança (Consepro) recolha uma taxa a mais, de R$ 10. Como a contribuição é espontânea, em média, apenas 80 das 200 pessoas que tiram a identidade pagam esse valor. Mas é graças a elas que os seis funcionários que fotografam e cadastram dados são remunerados. “Caso não houvesse isso, não teríamos atendimento nos guichês”, admite a coordenadora do posto, Márcia Tonietto, referindo-se à parceria com o Consepro, entidade privada sem fins lucrativos que, devido à ineficiência do Estado para distribuir recursos, ampara financeiramente órgãos de segurança pública que atuam na cidade. Ao lado da Mobilização Comunitária de Combate à Violência (Mocovi), entidade que compartilha os mesmos objetivos e integrantes, cabe ao Consepro a tarefa de guardar e gerenciar verbas doadas que devem ter como destino os cofres da Brigada Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Susepe, instituições públicas que não podem receber doações em dinheiro de empresas privadas. Em uma inversão de papéis, a comunidade, o empresariado local e a prefeitura prestam serviço ao Estado, responsável constitucional pela segurança pública. O Consepro, criado em 1981, já foi coordenado por integrantes das polícias Civil e Militar, o que de certo modo comprometia a isenção na gerência das verbas. Frente aos problemas da segurança pública, integrantes do Rotary Caxias fundaram, em 1987, a Mocovi. Em mais de 20 anos de atuação conjunta, as entidades já foram responsáveis por reformas na sede do Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO-Serra) e no prédio do 12º Batalhão da Brigada Militar (12° BPM) e pela construção da delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na cidade. Quinze

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plica o major. des, destinadas a órgãos específiNa Delegacia Regional de Po- cos. Por exemplo, há uma conta lícia Civil, um dos funcionários da Patrulha Ambiental da Brigapertence à folha de pagamento da Militar (Patram) que recebe do Consepro. A verba mensal de os valores decorrentes de crimes R$ 500 vai para manutenção dos ambientais. O MP também pasprédios e viaturas, além de mate- sou a propor ao Judiciário que rial de expediente. “Apesar de re- pequenas condenações em que cebermos recursos orçamentários o infrator não é preso, mas sim do Estado, a verba do Consepro condenado a doar cestas básicas, se sobressai pelo caráter de ur- pudessem ser revertidas em digência”, ressalta Joigler Paduano, nheiro e depositadas em contas delegado regional interino. semelhantes. O tenente coronel Julio César A existência do Consepro e da Marobin, comandante do 5° Co- Mocovi permite que a prefeitumando Regional de ra contribua com Bombeiros, também o Estado, além dadestaca a importân- “A comunidade quilo que já repassa cia da contribuição. e o empresariado sistematicamente “Ela se presta a pe- são pródigos em em impostos. Por quenos pagamentos ajudar. O ideal meio de projetos de que nós não terílei aprovados pela amos como fazer, seria ter a Câmara, o Municíporque são valores sustentação pio destina verbas muito pequenos. completa do do orçamento da Caso contrário, por governo”, admite Secretaria de Seguexemplo, uma viatu- o capitão Ribas rança Pública e Prora ficaria parada por teção Social para a falta de um reparo Brigada Militar, Posimples”, afirma. O lícia Civil e Susepe. Consepro também paga a conta O convênio entre as entidades e de um celular operacional que a prefeitura foi firmado pela prifica à disposição de oficiais em meira vez em 2008, quando moserviço. “A gente sabe a burocra- vimentou R$ 150 mil. Em 2009 cia que seria contratar uma linha e em 2010, foram destinados R$ telefônica pelo Estado”, reconhece 200 mil por ano, cifra que deve o oficial. se repetir em 2011. Além disso, com um convênio direto com a Há dois anos o orçamento Secretaria de Segurança Pública do Consepro/Mocovi para repas- do Estado, a prefeitura coloca à ses ganhou um complemento, disposição 16,5 mil litros de comvindo do Ministério Público. Al- bustível por mês: 10 mil para a gumas das multas cobradas em Brigada Militar, 4 mil para a PoTermos de Ajustamento de Con- lícia Civil e 2,5 mil para a Susepe. duta passaram a ser depositadas Mas a maior parte da verba do poem contas bancárias das entida- der público municipal é destinada Fotos: André T. Susin/O Caxiense

anos atrás, Caxias não contava aquisição de materiais de expecom uma estrutura completa para diente e pequenos reparos em a confecção da carteira de identi- viaturas. Nas notas fiscais, com dade – os documentos eram fei- valores que variam entre R$ 15 tos em Porto Alegre e levavam e R$ 300, aparecem as mais difemais de três meses rentes demandas: para ficarem pronimpressoras, pertos. Os empresários “As viaturas sianas, extintor de do Consepro e da estão na rua incêndio, folhas de Mocovi organizaram 24 horas por ofício, estiletes, caa transformação do dia, quando fura netas marca-texto. antigo Fórum no PaEm dezembro de lácio da Polícia Civil um pneu ou 2010, as entidades precisa de bateria e contrataram funprecisaram pagar cionários. nova, tem que ter até papel higiênico Com uma estrutu- agilidade”, diz para a Penitenciára enxuta e processos o major Custódio ria Industrial, em menos demorados, o função do atraso Consepro e a Mocode uma verba estavi conseguem garandual. Realizações tir agilidade ao trabalho prático maiores, como a aquisição de oito de quem faz a segurança pública aparelhos de GPS para viaturas da de Caxias. Com o dinheiro de Polícia Civil, no valor de R$ 4,8 uma entidade privada é possível mil, e de ar-condicionado para a comprar materiais de expediente delegacia da PRF, por R$ 1,2 mil, ou fazer pequenas manutenções também constam nos gastos do em viaturas ou prédios sem pre- ano passado. cisar cotar preços e realizar licitaO major Jorge Ricardo Luz ções com pelo menos três forne- Custódio, chefe da Seção de Locedores, método obrigatório para gística, Orçamento e Patrimônio verbas públicas. Mensalmente, 80 do Comando Regional de Polícia boletos são remetidos a empresas Ostensiva da Serra (CRPO-Serra) caxienses, que contribuem espon- estima que o valor recebido das taneamente com quantias que entidades represente pouco mais somaram, em 2010, R$ 300 mil. de 1% do orçamento da sede do Esse valor não é deduzido do Im- comando, mas ressalta que ele posto de Renda dos doadores. ganha importância pela disponiAtualmente, a 7ª Delegacia Pe- bilidade imediata da verba. “Caso nitenciária, a Delegacia Regional não houvesse, nós teríamos que de Polícia, a sede do CRPO-Serra, nos adaptar aos recursos do Eso 12° Batalhão de Polícia Militar e tado. A vantagem dessa verba é a o quartel do 5° Comando Regio- rapidez. As viaturas estão na rua nal de Bombeiros recebem uma 24 horas por dia, sete dias por cota que gira em torno de R$ 500 semana, então quando fura um por mês para cada um. A verba pneu ou precisa de uma bateria é utilizada prioritariamente para nova, tem que ter agilidade”, ex-

Carteiras de identidade são feitas com atendimento de funcionários pagos pelo Consepro, que também captou verbas para construir o canil da BM

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a obras, como uma reforma no Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), orçada em R$ 85 mil, com licitação prevista para iniciar no próximo dia 14. “O Município participa porque a gente sabe o que se passa, vê isso mais de perto. Segurança pública não se faz sem os três âmbitos do governo, federal, estadual e municipal. O Estado tem seu investimento em profissionais e viaturas, ou seja, faz a parte dele. É um investimento que acho plenamente viável para Caxias e que visa resultados para a comunidade”, defende Roberto Soares Louzada, titular da pasta municipal.

ajudar a segurança pública permitiu que fosse construído o canil do 12°BPM. Inaugurado em 2010, o local tem capacidade para abrigar 18 cães, consultório veterinário e sala de aula. Dos custos, R$ 125 mil vieram de doações gerenciadas pelo Consepro/Mocovi – R$ 100 mil da Randon e R$ 25 mil do Ministério Público. A mão de obra, que custou cerca de R$ 50 mil, foi financiada pelo Grupo Voges. Mobiliário, materiais elétricos e até decoração foram doados por outros empresários. Assim, Caxias ganhou um canil que é referência estadual sem que o Estado investisse um tostão sequer, algo não raro de acontecer. A vocação caxiense para “A comunidade e o empresariado

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caxienses são pródigos em ajudar a segurança pública. Isso não é o ideal. O ideal seria ter a sustentação completa do governo, mas sabemos que isso não é possível”, reconhece o subcomandante do 12° BPM, capitão Jorge Emerson Ribas. “Fiquei dois anos e meio no comando do 12° BPM e nesse tempo tivemos mais de R$ 1 milhão captados junto à comunidade. Sem esse recurso, não teríamos como resolver com eficiência o nosso trabalho. Os empresários não ajudam de forma espontânea, não batem na porta do quartel e nos entregam o dinheiro, mas apresentando um projeto bem elaborado dificilmente ficaremos

sem apoio”, acredita o tenentecoronel Marobin. Para justificar os investimentos privados em uma obrigação pública, o presidente do Consepro, Humberto Thomé, salienta: “Nesses anos de atuação, nós ajudamos a construir uma estrutura para que a polícia tivesse condições de atender a população porque achamos que todos devem fazer a sua parte. Nós entendemos que agora que eles têm o que precisam, eles têm que trabalhar. Exigimos o trabalho porque nós somos colaboradores e fazemos o papel do governo. Já que eles recebem do governo e também recebem de nós, a comunidade tem que cobrar um bom trabalho”.

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André T. Susin/O Caxiense

À espera de socorro

Gatos e cachorros deixados nas ruas, muitas vezes feridos, são acolhidos pelo voluntário no bairro Parque Oásis

ABANDONADOS

PELA SEGUNDA VEZ

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por VALQUÍRIA VITA valquiria.vita@ocaxiense.com.br

uxa está no presídio. “Não é nada pessoal, meu amor”, diz Flávio Soares Dias, enquanto a abraça. Ela está presa por uma corrente desde o dia em que atacou Camila Pitanga e será solta assim que voltar a se comportar. Xuxa e Camila Pitanga, nesse caso, integram um grupo de 250 animais abandonados – entre cachorros e gatos – que vivem na chácara mantida por Flávio, um espaço de 6 mil metros quadrados no bairro Parque Oásis, em Caxias. Cada bicho tem um nome, escolhido pelo proprietário: “Assim fica mais familiar”. Eles vivem todos próximos, em suas casinhas, exceto quando ocorrem desentendimentos como o das duas cachorras. Nessas ocasiões, assim como quando animais chegam agressivos na chácara, Flávio dedica seu tempo a educá-los. No caso de Xuxa, deixando-a em uma casinha afastada dos outros animais, que ele chama de presídio. Flávio dá aos animais abandonados todo o carinho e atenção que provavelmente nunca receberam. “Eles não sabem falar, então ajudá-los depende da gente.” Faz sete anos que ele e a esposa moram na chácara que abriga animais vítimas de maus tratos. O cachorro Negrinho, por exemplo, ficou na rua com uma fratura exposta durante três dias. “Todos passavam e diziam ‘coitadinho’, mas ninguém fez nada”, conta Flávio, mostrando outro cão, abandonado sangrando na Rota do Sol, que resgatou. Marley, um cachorro branco e peludo, foi parar na chácara de-

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pois que a dona descobriu que a filha tinha rinite alérgica e precisou se desfazer dos bichinhos de pelúcia e de verdade. “Olha só a Juventudista”, diz Flávio, apontando para uma grande cachorra marrom-clara. “Achei ela lá perto do campo do Juventude. Pensei: ‘não dá para essa cachorra morrer, ela é juventudista’.” “Já o Lobinho foi abandonado na rua porque está velhinho. O Bob foi atropelado no Centro e ninguém quis ficar com ele. Quando chegou, mordia, mas agora está um amor”, orgulha-se. “Filho, por que esse ciúme?”, interrompe Flávio, dirigindo-se a Átila, um cãozinho que latia insistentemente enquanto ele fazia carinho em Bob. Flávio tem se empenhado cada vez mais em achar quem queira adotar os animais – é preciso apenas estar disposto a dar comida, água e amor. Basta escolher um dos cães e gatos da página ao lado e entrar em contato pelo telefone 3205-1692 ou visitar a chácara para conhecer mais bichos de estimação à espera de um lar. Outra oportunidade será no dia 19 deste mês, na feira de adoção que ocorrerá no estacionamento do Komilão Lanches. Além das preocupações usuais, Flávio tem perdido o sono com dois processos judiciais que podem fazer com que ele, a esposa e os animais precisem desocupar a chácara. Um dos processos envolve o Samae. A propriedade está em uma área de zoneamento de água e apenas metade do terreno poderia ter sido ocupado. Com tantos animais, dessa forma faltaria lugar, e por isso Flávio já planejava deixar a terra. Mas há um outro processo mais urgente,

Os 250 animais abrigados por Flávio Dias estão em contagem regressiva para o dia em que terão que deixar sua chácara

que estabeleceu uma data para a de Flávio. saída do terreno: 29 de março. O secretário de Planejamento, o Uma disputa que se estendia há Paulo Dahmer afirma que tudo o nove anos culminou na expedição que pode ser feito é o auxílio na de um mandado para desocupa- regularização da ONG. “Eu não ção e não há mais possibilidade sei pra onde ele vai. Pelo que me de recurso. Flávio explica que o disseram ele tem um trabalho tipo proprietário original da terra ven- a Soama (Sociedade Amigos dos deu-o a um outro homem, mas Animais), mas para fazer isso ele não recebeu o pagamento. Nesse precisa estar dentro da legalidade. meio tempo, Flávio comprou a Se vai ganhar o espaço, depende terra desse primeiro comprador. de avaliação. Vamos ter que ver Com a contestação de posse por se há área da prefeitura em conparte do proprietário original, dições de receber tais atividades. Flávio não efetivou o pagamen- No momento em que tivermos to até ser definida que fazer isso sea decisão judicial. remos obrigados a “Quando descobri “Podemos alugar correr atrás”, explica que havia um outro uma casa, ir Dahmer. dono da terra eu para algum O secretário resquis pagar, mas par- parente, mas os salta, porém, que celado. Ele não aceireceber uma área da animais não. E tou. Daí foi o caso prefeitura não é algo para a Justiça. Até não podemos simples, pois é granque chegou a notícia largar 250 de a demanda para de que eu precisava animais na rua”, isso: “A gente só doa desocupar.” em raras exceções. diz Catiúcia Para que Flávio Ganhar ele não vai”, consiga adquirir antecipa Dahmer. uma nova área, a solução indicada O risco de 250 animais terem pela prefeitura foi registrar uma de ir para a rua faz a questão paOrganização Não Governamen- recer problema de saúde pública. tal (ONG). Quando a Associação A chefia de gabinete da SecretaCaxiense de Proteção aos Ani- ria da Saúde, entretanto, informais São Francisco – ONG en- ma que não é responsável pelo cabeçada por ele, com o apoio de caso. A possibilidade de remover conhecidos – estiver legalizada, a os animais para a Soama é desexpectativa é que a prefeitura lhe cartada pela representante legal doe um lote. “Se não tiver nova da entidade, Dinamar Ozelame. área eu não vou sair. E tem bas- “Não conseguimos nem acomotante gente, milhares de pessoas dar os nossos”, justifica Dinamar, que vão me apoiar nisso”, adianta. afirmando que hoje a Soama tem “Se a gente tirou esses animais da entre 1,8 mil e 1,9 mil animais. rua, é da prefeitura a responsabi- Há uma última alternativa, mas lidade. Nós podemos alugar uma esta depende da boa vontade de casa, ir para algum parente se for- alguém: “Pode acontecer de apamos despejados, mas os animais recer um empresário com uma não. E não podemos largar 250 área para doar – e tem tantos na animais na rua”, diz Catiúcia, filha cidade – e com uma alma boa”.

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Fotos: André T. Susin/O Caxiense

Átila

Véio

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Lautério Zé Mandioca

Fofinha

Lobinho

Marley

Nicolau

Belinha

Juventudista

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Luiz Chaves, Divulgação/O Caxiense

Contas municipais

COBERTOR CADA VEZ MAIS CURTO

Construção do Sistema Marrecas exigiu R$ 104 milhões em empréstimo e agora mais R$ 48 milhões para complementação

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por ROBERTO HUNOFF roberto.hunoff@ocaxiense.com.br

a mensagem que leu no início do ano legislativo de 2011, na Câmara Municipal, na primeira semana de fevereiro, o prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori, reafirmou a preocupação em manter o equilíbrio financeiro das contas públicas. Observou que, diferentemente da maioria dos municípios e estados brasileiros, a cidade ainda tem capacidade de investir em obras necessárias à população e de honrar as suas obrigações. Mas enfatizou que cada vez mais as contas ficam apertadas, exigindo medidas de contenção de despesas. “Não dá para fazer tudo o que a população quer e necessita. É preciso trabalhar com racionalidade e fixar prioridades”, reafirmou Sartori esta semana. O responsável por garantir o equilíbrio financeiro da prefeitura é o secretário de Gestão e Finanças, Carlos Búrigo, que já foi prefeito de São José dos Ausentes e sabe as dificuldades por que passam os pequenos municípios, quase sempre dependentes única e exclusivamente de repasses da União e dos estados. Ele assegura que a situação de Caxias do Sul está equilibrada, mas revela preocupação com o crescimento das demandas por serviços públicos, decorrência da característica da cidade em atrair novos habitantes que aqui veem um eldorado. “É uma situação contraditória. A economia evolui em ritmo superior às médias nacional e estadual, o que cria oportunidades de crescimento pessoal. A questão é que o retorno dos tributos não se dá na mesma proporção, gerando desequilíbrios nas finanças municipais.” Saúde e educação exempli-

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ficam claramente o que significa o desequilíbrio revelado por Búrigo. Por determinação legal, todo município deve investir em educação e saúde, respectivamente, 25% e 15% da receita resultante dos impostos. Em Caxias do Sul, no ano passado, o legal seria aplicar pouco mais de R$ 79,7 milhões em saúde e R$ 133,3 milhões em educação. No entanto, como os recursos repassados pela União e pelo Estado foram insuficientes para cobrir as despesas, a prefeitura precisou destinar mais R$ 22 milhões para a saúde e 19 milhões para educação, elevando os percentuais para 19,38% e 28,54%. “De algum outro lugar estes recursos precisam sair, porque educação e saúde são prioridades. Para que situações como essas não se perpetuem está na hora de se rever a distribuição dos tributos recolhidos”, defende o secretário. Ele recorda que na área da saúde, a prefeitura tem sob sua responsabilidade a prestação de serviços para um universo de 1 milhão de pessoas, considerando os 48 municípios da região. Isto decorre do fato de Caxias do Sul ser referência regional no atendimento de média e alta complexidade. Já na educação, a mais recente decisão é de repassar aos municípios a missão de gerenciar a educação infantil, sem a garantia de novos recursos por parte da União. “O problema não é a construção do prédio, mas a sustentação do serviço por meio de funcionários e equipamentos”, alerta Búrigo. A assistência social é outro ponto que desequilibra as finanças públicas. Em função da grande migração para Caxias do Sul – basta lembrar que a cidade

Aumento dos serviços públicos por conta do crescimento populacional começa a exigir controle mais rígido das despesas da prefeitura

ganhou 70 mil novos habitantes e no Exterior. na última década, dos quais meÉ assim que a prefeitura está tade vinda de outros lugares – a conseguindo materializar obras necessidade de ofertar serviços viárias, o Sistema Marrecas, o trasociais cresceu em proporções tamento de esgotos, o asfaltamenastronômicas. “São recursos para to do interior, projetos habitacioalimentação, moradia, centros de nais e outras ações em diferentes referência, cursos profissionali- áreas. A soma dos empréstimos zantes. Enfim, tudo para dar dig- fica próximo dos R$ 300 milhões, nidade a quem chega com quase com ênfase para o Sistema Marnada e busca vida nova por aqui,” recas, já em R$ 104 milhões, mas explica. que exigirá outros R$ 48 milhões O resultado destas ações se con- para sua complementação. Para cretizou nos três últimos balanços cada um dos projetos o Municído Município de Caxias do Sul. As pio precisa entrar com a contradespesas da Fundação de Assis- partida: o total já está acima de R$ tência Social (FAS) aumentaram 130 milhões. 125% no período de 2005 a 2010: O ponto central é que estes empassaram de R$ 10,7 préstimos precisam milhões para mais ser pagos, com prade R$ 24,3 milhões. “A economia local zos de até 18 anos, Nos últimos três evolui em ritmo devidamente remuanos o crescimen- superior à nacional nerados com juros. to das despesas foi e estadual. Já Logicamente que de 30%, enquanto a não aqueles cobraarrecadação do Mu- o retorno dos dos pelo mercado nicípio em tributos tributos não se dá convencional, pois limitou-se a 18%. na mesma neste caso a prefei“Este é mais um dos proporção”, explica tura poderia abrir fortes argumentos Búrigo processo de falênpara que o pacto fecia. Nos últimos três derativo seja revisto. anos o Município A União precisa urgentemente pagou R$ 18,5 milhões em juros aumentar os repasses para as pre- e encargos da dívida, além de desfeituras, cada vez mais penaliza- tinar outros R$ 29,4 milhões para das por serviços sem a contrapar- a amortização. Boa parte referentida dos recursos.” te a empréstimos contraídos em administrações passadas, inclusiOs efeitos do crescimento ve do Sistema Faxinal. Em 2010 populacional também se esten- os juros pagos somaram R$ 9,9 dem aos demais serviços, como milhões, representando 1,4% da abastecimento de água, transpor- receita própria da Administração te coletivo, habitação, trânsito e Direta. infraestrutura. Com sobras cada vez menores de recursos para inSegundo Búrigo, estes emvestir – para 2011 a estimativa é préstimos somente foram conque a prefeitura aplique perto de cedidos em função do equilíbrio R$ 60 milhões da arrecadação financeiro da prefeitura e pela própria – a saída mais usada tem apresentação de projetos consissido a de buscar empréstimos em tentes. Ele garante que ainda exisinstituições financeiras nacionais te capacidade para endividamen-

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Receitas realizadas e despesas executadas (em milhões de reais)

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Investimentos (em milhões de reais)

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to, mas a tendência é não contrair mais dívidas. Exceto os R$ 48 milhões que serão buscados junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para conclusão do Sistema Marrecas. De acordo com o prefeito José Ivo Sartori, este adicional é necessário porque o projeto original data de 2005 e, nestes seis anos, além de alterações na concepção inicial da obra, também houve reajuste dos preços. Na soma dos recursos próprios e dos obtidos por meio de empréstimos a prefeitura destinou em 2010 o equivalente a R$ 135,2 milhões para investimentos, valor 15,96% superior a 2009. A maioria das verbas, 88%, foi aplicada em obras e instalações, incluídas as realizadas pelo Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgotos (Samae). Nos seis anos do atual governo os recursos em investimentos cresceram quase 500%, tomando por base a aplicação de R$ 23,1 milhões em 2005, que foi 47% inferior ao último exercício da administração anterior.

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to sobre Serviços de Qualquer Natureza, responsável por 46,5% do total da receita própria, e incremento de 19%. O Imposto de Transmissão de Bens Intervivos, com 20,69%, foi o que apresentou maior alta. A arrecadação foi completada com R$ 98,7 milhões de receita de capital, sendo R$ 83,4 milhões provenientes de empréstimos. As despesas da Administração Direta em 2010 aumentaram 10,65%, totalizando R$ 708 milhões, valor que não inclui os repasses ao Serviço Autônomo Municipal de Águas e Esgotos, (Samae) principal beneficiado pelos empréstimos contraídos pelo Município. A maior despesa é com o pagamento de salários e encargos de seus quase 6 mil servidores ativos e inativos, que somou R$ 335 milhões, ou 47% do total, em alta de 9,5% sobre 2009. Na comparação com a receita equivale a 41%, três pontos abaixo do consolidado no ano anterior. A prefeitura também apresentou gasto expressivo, de R$ 193 milhões, em alta de 11,94%, com serviços de terceiros pessoa jurídica. Em material de consumo foram gastos quase R$ 42 milhões, crescimento de 14,7%. Instituições privadas sem fins lucrativos levaram R$ 30 milhões, em alta de 11,37%. As despesas com investimentos, entendidos como obras, ampliações, equipamentos e material permanente, somaram apenas R$ 63,2 milhões, alta de 6,71%. Ou seja, menos de 9% das despesas totais da Administração Direta.

O balanço financeiro da prefeitura de Caxias do Sul referente a 2010 aponta receita total de R$ 816.384.042,03, em alta de 16,72% sobre o ano anterior. As transferências por parte dos governos federal e estadual somaram R$ 474,2 milhões, crescimento de 13,6%, e representaram 58% dos recursos totais. O retorno do ICMS, na ordem de R$ 248,6 milhões, o mais significativo dentre as transferências, aumentou 21,45%. No entanto, a maior alta, de 35,4%, foi no retorno do Imposto sobre Produtos Industrializado (IPI). A receita própria atingiu perto O Samae encerrou o exerde R$ 201 milhões, crescimento cício do ano passado com receita de 15%, e participação de 24,6% total de R$ 148 milhões, em alta no total. Destaque para o Impos- de 39,47%. A arrecadação a par-

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tir da prestação dos seus serviços caminhões. Segundo o diretor alcançou R$ 85,4 milhões, cres- administrativo e financeiro, José cimento de 25,49% sobre o con- Luiz Zechin, a empresa precisaria solidado em 2009. O organismo comprar, no mínimo, 15 veículos, ainda recebeu R$ 56,3 milhões, pois boa parte da frota atual tem expansão de 76,46%, de recursos de 25 a 30 anos de uso. advindos da prefeitura por conta de empréstimos. O orçamento da AdminisJá as despesas do Samae totali- tração Direta para 2011 é da orzaram R$ 142 milhões, em alta de dem de R$ 861 milhões. Se com18,78%. Em investimentos o va- parado com o consolidado no lor superou R$ 71,6 ano passado a alta milhões, expansão estimada é de 5,5%. de 25%. Para encar- “A indústria e Em torno de R$ 100 gos e pagamento de o comércio milhões devem vir salários destinou R$ passarão a de empréstimos. 29 milhões, cresci- exigir notas de Quando incluído mento de 6,95%. Já os orçamentos do seus prestadores no pagamento de Samae de R$ 112 de serviço”, prevê serviços de terceiros milhões e do Instipessoa jurídica o va- Ozório Rocha tuto de Previdência lor chegou a R$ 24,6 sobre notas Municipal (Ipam), milhões, com incre- eletrônicas de R$ 74 milhões, o mento de 5,44%. valor total sobe para mais de R$ 1 bilhão. A Companhia de DesenvolUma das ações em estudo para vimento de Caxias do Sul (Code- melhorar a arrecadação, sem eleca), que não tem gestão financeira var as alíquotas dos impostos, é a vinculada à prefeitura, apresen- adoção da nota eletrônica para o tou no ano passado lucro líquido segmento de serviços, medida já de R$ 327 mil, valor 55% infe- em uso em várias cidades. Na avarior ao consolidado em 2009. A liação do secretário da Receita, redução deve-se principalmente Ozório Rocha, esta ação aumenao aumento de 16% no custo dos tará a base de arrecadação com serviços prestados, que somou a redução da informalidade e da R$ 49 milhões, reduzindo em 6% sonegação. “A indústria e o coo lucro bruto, que fechou em R$ mércio, que já usam este mecanis5 milhões. A elevação teve como mo em função do ICMS, passarão causas principais as despesas de a exigir notas de seus prestadores manutenção da frota e acréscimo de serviço”, acredita. nos salários e encargos. A Codeca atingiu faturamento De acordo com a publicação bruto de R$ 58,5 milhões, cresci- Finanças dos Municípios do Bramento de 14%, e projeta R$ 63 mi- sil -, Caxias do Sul teve, em 2009, lhões para 2011. Os investimentos a 35ª maior arrecadação nacional, do ano passado somaram R$ 11,9 atrás de 18 capitais e 16 cidades milhões, dos quais R$ 2,4 milhões do interior. Pela publicação da foram pagos, além de mais R$ 2,8 Frente Nacional de Prefeitos, a armilhões de exercícios anteriores. recadação pública municipal total Em 2011 a estimativa é de inves- de Caxias do Sul foi de R$ 906,9 tir mais R$ 3 milhões, principal- milhões para uma despesa de R$ mente na renovação da frota de 874,7 milhões.

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

PODER JUDICIÁRIO

Edital – Citação de GL Acessórios Diferenciados Ltda

1 ª Vara Cível Comarca de Caxias do Sul. Prazo : 30 (trinta) dias. Natureza : Anulatória. Processo : 010/ 1.05.0059362-3. Autor : Josemar Marchett . Réu : Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A e outros. Objeto: Citação do réu acima nominado, atualmente em lugar incerto e não sabido, para, no prazo de quinze (15) dias, a contar do término do prazo do presente edital (art. 232, IV, CPC ) contestar, querendo, a presente ação, ciente de que, em não o fazendo , serão tidos como verdadeiros os fatos articulados pelo autor na inicial. Caxias do Sul, 18 de maio de 2007. SERVIDOR: Miriam Buchebuan , Ajudante Substituta. JUÍZA : Maria Aline Fonseca Bruttomesso

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Fotos: André T. Susin/O Caxiense

Consumo reciclado

Mensalmente, são separadas de 25 a 30 toneladas de lixo reciclável no Iguatemi: “A gente está salvando o meio ambiente”, diz Ady Machado

TRABALHO

Sete pessoas se encarregam de dar o destino adequado ao que milhares de outras descartam ou deixam sobrar no Shopping Iguatemi

LIMPO O

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por VALQUÍRIA VITA valquiria.vita@ocaxiense.com.br

s corredores são amplos, as paredes são brancas e o chão reluz. Uma agradável música ambiente toca enquanto as vitrines milimetricamente organizadas parecem chamar quem passa para dentro das lojas impecáveis. Fica difícil imaginar que ali, no Shopping Iguatemi, são produzidas cinco toneladas de lixo por dia. Tudo é planejado para que os clientes não percebam o lixo circulando. As bandejas que ficam nas mesas da praça de alimentação são rapidamente recolhidas pelos funcionários da limpeza. Outros têm a função de retirar os sacos das lixeiras e levá-los, discretamente, para uma sala refrigerada. Para muitos que trabalham no shopping, esse é o ponto final do lixo. “A gente leva ali pra trás, depois não sei para onde vai”, diz a atendente de um restaurante. A sala refrigerada, na verdade, é só uma das etapas do processo que vai classificar as toneladas do que é jogado fora no Iguatemi. Entre 22h e 2h, horário em que não há mais clientes, as centenas

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de sacolas de lixo produzidas naquele dia são arrastadas em contêineres marrons até uma sala de separação onde, na manhã do dia seguinte, se transformarão no objeto de trabalho de duas famílias. A renda com a triagem do lixo gerado pelas 800 mil pessoas que passam pelo Iguatemi mensalmente garante o sustento de sete pessoas. Duas câmeras apontam para o rosto de quem entra na sala da reciclagem. Assim como no restante das áreas restritas do shopping, apenas pessoas autorizadas podem conhecê-la. Lá dentro, o cheiro das toneladas de lixo – orgânico e seletivo misturados – faz com que o primeiro impacto não seja muito positivo. Nada que incomode Beatriz Machado, 54 anos, uma senhora baixinha de cabelos tingidos de vermelho vibrante que administra com o marido a empresa criada especificamente para esse trabalho. “Tem umas pessoas do shopping que nem sabem que tem gente que trabalha aqui. E umas que nem gostam de entrar. Falam do cheiro. Eu não sinto nada, mas tem gente que entra aqui e fecha

o nariz”, relata. convidou para trabalhar na sepaBeatriz e o marido, Ady Macha- ração do lixo do Iguatemi, que até do, 58 anos, recolhiam lixo na rua então não existia. “Era uma coisa antes antes de assumirem o sho- horrível. Lá fora, na rua, embaixo pping. Ady era catador e levava de uma lona, só tiravam papelão tudo para casa, onde a mulher e e plástico. A Codeca recolhia 26 o filho faziam a classificação. “A contêineres de orgânico por dia. gente amassava as garrafas pet Daí eu registrei a empresa e agocom os pés”, conta ra toda a minha faela. “Começamos mília trabalha aqui, com um Chevette “O povo desperdiça além de um casal velho, foi para um comida. Vai que também tracarroção atopetado muita coisa fora. balhava na rua. A de lixo e hoje vi- Batata é de quilos. gente dá café da marou um caminhão.” nhã e café da tarde”, Vemos xis com Os dois recolhiam orgulha-se Beatriz, o seletivo também uma mordida”, mostrando uma penos condomínios da conta Marcos, quena cozinha, com cidade. Encontra- que monta fardos micro-ondas e gelaram tanta coisa em para reciclagem deira. Graças à seporões e garagens paração que as duas que montaram uma famílias fazem na casa inteira em Lajeado Grande sala, a Codeca recolhe hoje apeapenas com objetos retirados das nas seis contêineres de lixo orgâlixeiras. “Só compramos a para- nico diariamente no Iguatemi– o bólica. Tem museus e museus em restante é vendido para a empresa umas casas por aí”, diz Beatriz. que compra o seletivo. “Sempre tinha alguém que dizia: ‘ô, não quer uma cama?’, ‘não quer Há uma mesa no centro um sofá?’”, lembra o marido. da sala onde os sacos de lixo são O casal vendia o que recolhia abertos. De dentro deles sai despara uma empresa que compra de papel, papelão, plástico e vidro grande parte do seletivo de Ca- até restos de comida. Na praça de xias. Até que essa companhia os alimentação, a maior geradora de

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duas são de comida. Depois de classificado na mesa, o lixo vai para separações, que indicam seus tipos: há espaço para jornal, revista, papel branco, plástico transparente, plástico colorido, mistão (papeis coloridos) e pet. Os fardos de material seletivo que são produzidos na prensa pesam cerca de 80 quilos. Para um fardo de garrafas pets brancas, Beatriz e Ody ganham R$ 1,20 ao quilo, cerca de R$ 96 por fardo. O valor é pequeno se for feita a seguinte comparação: cada fardo tem centenas de garrafas pets de 600ml, que clientes do shopping pagaram cerca de R$ 4,50 para consumir. Se o pet for verde o valor é ainda menor: R$ 0,90 por quilo. Latas são vendidas a R$ 2 o quilo, plástico colorido a R$ 0,50 e papelão, a míseros R$ 0,30. Naquela tarde, enormes caixas de TVs de led iriam para a prensa. Havia também um fardo feito apenas de embalagens de pipoca consumida no GNC, pronto para embarcar no caminhão do casal e ir para a empresa de reciclagem. Ao lado dele, cartazes de filmes que já saíram de exibição e sacos lotados de copos plásticos que tinham a altura de um adulto. “Temos que trabalhar sábado e domingo também, pelo menos até o meio-dia. Senão não conseguimos nem entrar aqui na segunda”, diz Ady, lembrando que lixo não dá folga no final de semana – pelo contrário, a produção de resíduos

do shopping aumenta considera- de dizer que trabalhava com lixo. velmente nesses dias. “Hoje, por Eu nunca tive. Ter vergonha para exemplo, saiu carga de 1,1 tone- quê?” O marido completa: “Não é lada de papelão. Por mês, de lixo feio trabalhar no lixo, a gente está reciclado, saem de 25 a 30 tonela- salvando o meio ambiente”. das”, contabiliza Beatriz. Com esse pensamento, o casal Todo esse lixo, poucos anos avança para ter ainda mais sucesatrás, ia diretamente para o ater- so. A empresa deles começou a ro sanitário, e saber que isso não fazer também a separação de resíacontece mais, segundo Ady, é a duos do San Pelegrino Shopping maior gratificação pelo trabalho Mall. que fazem. “Agora 90% do lixo é aproveitado. Só vai fora resto de Quando você consome um comida e papel higiênico. Se to- McDonald’s, por exemplo, talvez dos os locais fizessem essa seleção você não se dê conta da quantide resíduos como aqui seria uma dade de lixo que está produzindo. coisa de primeiro mundo. Isso é Para cobrir a bandeja há uma foa minoria das emlha de papel. O xis presas que faz. As virá em uma caixipessoas deveriam “As pessoas nha colorida. Você se empenhar mais deveriam usará um guardananisso, porque o lixo se empenhar po para segurá-lo. está acabando com o mais nisso, E este guardanapo planeta. Pouca gente estará dentro de sabe do trabalho de porque o lixo está uma embalagem de recolher e separar o acabando com plástico. Você tolixo. Muitos pagam o planeta”, alerta mará sua bebida em seu imposto e que- o engajado Ady um copo plástico, rem que a prefeitu- Machado que precisará de um ra se vire. Não pode canudo, também de ser assim. Eu tiro plástico, e que virá até o vidro da comida, mesmo embalado em um papel. As baque ganhe centavos com isso, só tatas fritas virão em outra embapara o vidro não ir para o solo”, lagem. E você ainda pode deixar argumenta. “Isso aqui para mim sobrar um pouco de comida. Portem valor”, diz Beatriz, apontando tanto, da próxima vez, lembre que para o lixo. “Enquanto uns discri- os restos não desaparecem magiminam e colocam fora eu ajudo camente quando você termina a o meio ambiente e ganho um di- refeição e levanta da mesa. Limnheiro. Olha meu filho. Ele traba- par tudo isso dá muito trabalho, lhava em uma empresa e ganhava e você pode ajudar. É só prestar R$ 500. Agora ele é sócio do pai. atenção nas placas de “lixo orgâNo começo ele tinha vergonha nico” e “lixo seco”. André T. Susin/O Caxiense

lixo do shopping, as lixeiras indicam “lixo seco” e “lixo orgânico”, mas poucos parecem notar. Por isso a separação é feita na sala, pelas mãos dos trabalhadores. Agilmente eles dividem o lixo em diferentes sacos. Na tarde de sexta-feira (26) quatro pessoas trabalhavam naquela mesa, vestindo avental, máscara e luvas. Despejavam restos de refrigerante em um balde, jogavam latinhas em um saco, plástico em outro, e assim prosseguiam, com cada tipo de lixo. O que mais se via eram embalagens e restos de McDonald’s. Tudo o que é seletivo vai para uma prensa e comprimido em fardos, que são vendidos. As sobras de comida vão para um grande saco de lixo. As exceções são os bifes de gado e frango, reunidos em um pote em cima da mesa: “Esses são para os nossos cachorros”, diz Marcos Alberto da Rosa, que divide o tempo de trabalho diário entre a separação e a confecção dos fardos na prensa. “A gente vê muita comida aqui. Muita massa jogada fora”, conta ele. Beatriz e Ady não gostam nem de falar do desperdício que presenciam diariamente: “Você não tem ideia de como o povo de Caxias desperdiça comida. Vai muita coisa fora. Batata é de quilos. Vemos xis com uma mordida”, relata. Beatriz e o marido dizem que nunca deixam sobrar comida no prato. “Não colocamos nada fora. A gente não pode desperdiçar o suor da gente”, explica Ady. Das cinco toneladas de lixo recolhidas no Iguatemi,

Além dos resíduos inevitáveis, há muito desperdício. Das cinco toneladas de lixo recolhidas por dia no shopping, duas são de comida

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Fotos: André T. Susin/O Caxiense

Nota (preta) musical

Erik, que comandará o escritório em Caxias, e Alvino, gerente estadual, de olho na região: “Tem muita atividade artística na Serra”

DETETIVES DO DIREITO AUTORAL

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por CAROL DE BARBA caroldebarba@ocaxiense.com.br

orocaba. Não o município do interior de São Paulo, conhecido como a “Manchester Paulista”, mas sim uma pessoa: Fernando Sorocaba – que faz dupla com outro Fernando. É esse sertanejo que você, frequentador dos bares mais rock & roll da cidade, apreciador e entusiasta das bandas locais, ajuda a enriquecer cada vez que põe seus pezinhos no Vagão – qualquer um deles – ou no Mississippi. Isso acontece devido às normas do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), que faz cumprir a Lei de Direitos Autorais brasileira. Como os critérios do Ecad beneficiam os artistas mais executados a partir de uma média baseada no rádio, Sorocaba, o autor que mais lucrou durante o ano passado – até outubro, data da última atualização do órgão – acaba se dando bem nas casas noturnas de Caxias. A situação, porém, pode mudar um pouco (mas bem pouco), pois em cerca de 90 dias a cidade terá seu próprio escritório do Ecad. Com uma sede aqui, o escritório poderá ampliar a fiscalização, cobrando mais e, se tudo funcionar direitinho, distribuindo melhor também. O funcionamento do Ecad é um pouco complicado, e sua tarefa também não é nada fácil. O

O Caxiense

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escritório é uma sociedade civil, de natureza privada e sem fins lucrativos, instituída e mantida por leis federais ligadas ao direito autoral. O propósito da sua criação e existência, portanto, é exatamente garantir que a propriedade intelectual de músicos e compositores seja respeitada. O Ecad é administrado por uma Assembleia Geral, formada por nove associações musicais e responsável pela fixação dos preços e regras de cobrança e distribuição dos valores arrecadados. Os titulares de direitos autorais devem ser filiados a pelo menos uma dessas associações, para que elas controlem e remetam as informações cadastrais de cada sócio e seus respectivos repertórios. Esses dados alimentam o banco do Ecad. Sem eles, é como se nem autor, nem música, nem direito autoral algum existissem, e muito menos valessem algum dinheiro. Atualmente, só para se ter uma ideia, há 245 mil titulares cadastrados no sistema. Estão catalogadas 1,75 milhão de obras, além de 760 mil fonogramas, que contabilizam todas as versões registradas de cada música. Esses números fazem com que aproximadamente 72 mil boletos bancários sejam enviados por mês, cobrando direitos dos 399 mil “usuários” que utilizam as obras publicamente. Estes chamados “usuários de música” podem

O Ecad, um órgão que pouca gente conhece mas que quase todos ajudam a sustentar, deve abrir um escritório em Caxias

ser pessoas físicas ou jurídicas, vendidos. Esse valor vai para um cinemas e similares, emissoras de bolo, com fatias do país inteiro, radiodifusão (rádios e televisões distribuído trimestralmente. E é de sinal aberto), emissoras de te- aí que entra o Sorocaba, ou melevisão por assinatura, boates, clu- lhor, os artistas que ganham a bes, lojas, micaretas, trios, desfiles nossa graninha. de escola de samba, O Ecad terceiriestabelecimentos za uma empresa, industriais, hotéis e “A França, que com polos de gramotéis, supermervação distribuídos cados, restaurantes, é muito menor, por todo o Brasil, bares, botequins, arrecada bem que monitora o shoppings centers, mais. Aqui, em se que está tocando aeronaves, navios, tratando de bens em diversas rádios. trens, ônibus, salões intelectuais, as As emissoras tamde beleza, escritóbém enviam suas rios, consultórios pessoas não dão programações para e clínicas, pessoas o mesmo valor”, o órgão, que ainda físicas ou jurídicas compara Alvino mantém operadores que disponibilizem de gravação, uma músicas na Internet, espécie de detetives academias de ginástica, empresas sonoros, perambulando pela noiprestadoras de serviço de espera te e anotando e gravando as mútelefônica, ringtones e truetones. sicas executadas em bares e casas A cobrança é feita de acordo noturnas. Tudo isso rende relatócom a importância da música rios, sobre os quais são aplicados para a realização do serviço ofere- cálculos quase mirabolantes que cido – numa loja ela não é essen- resultam numa média. É ela que cial, enquanto que uma boate, por identifica as músicas e artistas que exemplo, precisa da música para lideram a parada do Ecad e para sobreviver. Como é impossível sa- quem será distribuída, proporciober exatamente todas as canções nalmente, a arrecadação. que tocam em todos esses estabeQuando os usuários são prolecimentos 24 horas por dia, além motores de eventos e audições de levar em conta o nível de re- públicas (shows em geral, circo levância da música, o Ecad consi- etc.), a distribuição é mais justa. dera a periodicidade da utilização Os organizadores dos eventos dee o chamado borderô – 2,5% por vem passar ao Ecad o roteiro mumês sobre a entrada dos clientes, sical, o popular set list. O boleto ou, num cinema, de ingressos de cobrança é feito em cima dessa

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


balho do órgão interessa principalmente às bandas que têm um trabalho autoral, por ser uma fonte de renda extra, mas tem seus poréns. “Se por um lado o Ecad, de certa maneira, funciona como fiscalizador dos direitos autorais, por outro os artistas reclamam da maneira como se dá a distribuição dos valores, além de ser um tanto nebulosa a forma como se dá a arrecadação, que não é plenamente confiável”, aponta. Como quem trata disso diretamente com os músicos são as associações e não o Ecad, Farina ressalta que deve haver competência e honestidade nessa intermediação. “Mas tem outra coisa que é difícil de ter certeza, que é a lista das músicas executadas, dada pela casa onde há show ou outro local de execução da música. Às vezes, pode ser que essa lista não corresponda com a verdade”, explica. E completa: “O Ecad é cruel porque, por exemplo, até de uma festa em uma escola pública eles cobram, o que é um exagero, um absurdo”. Farina acredita que uma fiscalização por microrregiões funcionaria melhor – o que pode vir a acontecer com a abertura do escritório em Caxias –, mas alerta que é extremamente necessário existir uma instituição para regular o cumprimento da lei dos direitos autorais. “Sinceramente, eu penso que o ideal seria uma fundação estatal. E sim, eu acho que as organizações governamentais devem estar a par do que acontece. Afinal, a arte e a cultura são interesse do Estado.” André T. Susin/O Caxiense

lista, e o pagamento aos autores toda a vida do artista. Até 70 anos por um ano. São centavos, mas também, ou seja, bem mais exato. após sua morte a família continua como o número de clientes varia, recebendo, e não há prazo para às vezes significa bastante sobre o Os números totais do ano retirá-lo. Muitos, porém, quan- lucro”, explica. “É um órgão meio passado ainda não foram apura- do vão reclamar seus direitos, sem sentido. Parte do dinheiro vai dos, mas em 2009 o Ecad arreca- encontram o vazio da inadim- para os mais tocados, mas a outra dou R$ 318 milhões, que foram plência. “Aqui no parte ninguém sabe. divididos entre 81 mil titulares. Estado, ela gira em E o músico mais toDe acordo com o gerente da uni- torno de 30%. Há “O Ecad é cruel cado num determidade do Rio Grande do Sul, Al- grandes rádios e porque até de nado local talvez não vino de Souza, o Estado foi res- grandes promoto- uma festa em tenha acesso, devido ponsável por R$ 20,5 milhões. res de evento que escola pública à forma como é dis“Só na região da Serra temos dois são nossos devedotribuído”, observa. eles cobram, o técnicos de arrecadação, que pas- res. Lucram com Além de pagar pesam o dia todo na rua visitando ingresso, venda de que é exagero, las músicas do Misos usuários, cadastrando, emitin- bebidas, alimentos, um absurdo”, sissippi Delta Blues do boletos, cobrando o direito, e camisetas, mas não diz o advogado Bar, Toyo Bagoso um supervisor. E a perspectiva é respeitam os artis- e músico Farina e Rodrigo Parizzoampliar. Temos o projeto de mon- tas que garantem o to também são os tar um núcleo em Caxias do Sul, seu sustento”, reclaresponsáveis pelo administrado por Porto Alegre, ma Alvino. Para o gerente, o pro- maior exemplo de arrecadação mas que consiga focar melhor seu blema é uma questão de cultura. direta da região, o Moinho da Estrabalho. Já está tudo aprovado, “A França, que é muito menor que tação Blues Festival. Com shows falta apenas uma parte burocrá- o Brasil, arrecada bem mais. Pen- de 28 bandas, mais jam sessions, tica, e acredito que em 90 dias já so que aqui, geralmente, em se e um público em torno de 6 mil estaremos estabelecidos”, anuncia tratando de bens intelectuais, que pessoas, a última edição renAlvino. O responsável pela filial não são palpáveis, as pessoas não deu uma boa coleta aos fiscais caxiense será o atual supervisor dão o mesmo valor”, avalia. do Ecad. Para Toyo, que, como a regional, Erik Rossari. De acordo maioria dos donos de estabelecicom Alvino, o potencial da região Enquanto Caxias não tem mentos, confessa não saber exataé muito grande: “Tem muita ati- seu próprio escritório, a arreca- mente como funciona o órgão, o vidade artística na Serra, princi- dação vem basicamente de forma valor é caro, mas compensa se for palmente em Gramado e Cane- indireta – aquela em que é feita bem distribuído. “O blues é o ritla. Com o escritório em Caxias, uma média das músicas e a taxa é mo que mais toca cover. Existem podemos ficar mais atentos”. Ele cobrada sobre o borderô. É o caso poucos artistas com um repertambém ressalta uma particula- do Vagão Bar e do Vagão Clas- tório autoral desse estilo. Então, ridade dos gaúchos. “Por causa sic. Os bares são bons pagadores há bandas importantes, como a do MTG (Movimento Tradicio- do Ecad, mas Pubby, um dos só- Blues Etílicos, que realmente menalista Gaúcho) e dos CTGs, so- cios, não concorda muito com o receriam receber o valor que se mos o único Estado brasileiro a trabalho do escritório. “Eles não paga.” ter uma rubrica diferenciada, que fiscalizam os shows. Estipulam O advogado Diogo Farina, além trata apenas desse gênero musi- uma quantidade de pessoas que de abordar os direitos autorais em cal. Com isso, os artistas locais frequentam o bar por mês e pa- sua monografia, convive com a ganham muito”, afirma. gamos sobre o valor do ingresso, questão quase diariamente, pois O benefício é repassado durante também mensalmente. Isso vale também é músico. Para ele, o tra-

O Moinho da Estação Blues Festival é exemplo de um dos eventos mais rentáveis para o Ecad

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Guia de Cultura

por Carol De Barba | guiadecultura@ocaxiense.com.br

CINEMA

l Esposa de Mentirinha | Comédia romântica. 13h45, 16h10, 18h50 e 21h (leg.) | Iguatemi Jennifer Aniston, linda como sempre, e Adam Sandler, palhaço como sempre, protagonizam uma comédia que envolve uma família falsa, filhos pestinhas e uma assistente gostosa. 12 anos. 110min.. l Gnomeu e Julieta | Animação. 13h30, 17h30 e 19h20 (dub.) | Iguatemi Não vale a pena mudar uma linha da sinopse oficial. O diretor de Shrek 2, Kelly Asbury, traz a maior e mais famosa história de amor de todos os tempos estrelando... Anões de Jardim?!?! Elton John é a trilha. Livre. 84min.. l Rango | Animação. 14h10, 16h20, 16h30, 19h e 21h30 (dub.), até terça (08). | Iguatemi Johnny Depp e Gore Verbinski repetem a parceria de Piratas do Caribe, só que dessa vez, Depp empresta a voz ao camaleão Rango. A voz, grande marketing do filme, você não vai ouvir no nosso dublado. Ainda assim, a história do camaleão que não sabe se camuflar e se transforma no herói de uma cidade do Velho Oeste vale o ingresso (marketing nosso). Livre. 107min.. Recomenda l Criadoras de Moda de Caxias do Sul | Documentário. 20h, quarta (09) e quinta (10) | Ordovás

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crianças menores de 12 anos e sêCom apoio do Financiarte, o fil- entrada, nior com mais de 60 anos). Sala 3D: R$ 22 me é estrelado por oito mulheres (inteira), R$ 11 (estudantes, crianças me– Carla Carlin, Carmem Venzons, nores de 12 anos e sênior com mais de 60 Corina Wainstein, Erica Genero- anos) e R$ 19 (Movie Club Preferencial). das sessões de sábado a quinta – zo, Izabel Basso, Lola Salles, Ra- Horários mudanças na programação ocorrem sexta. che Martini e Simone Franco – e RSC-453, 2.780, Distrito Industrial. 3209registra a história da moda em 5910 | UCS: R$ 10 e R$ 5 (para estudantes Caxias, através da trajetória des- em geral, sênior, professores e funcionários da UCS). Horários das sessões de sábado a sas costureiras, estilistas, empre- quinta – mudanças na programação ocorsárias, enfim, criadoras caxienses. rem sexta. Francisco Getúlio Vargas, 1.130, Direção e roteiro: Viviane Salva- Galeria Universitária. 3218-2255 | Ordodor. Produção: Carolina De Bar- vás: R$ 5, meia entrada R$ 2. Luiz Antunes, 312, Panazzolo. 3901-1316. ba. Captação de imagens, direção de fotografia e edição: Alex Zucolotto e Igor dos Reis. Trilha sonoMÚSICA ra: Roberto Niederauer, Maikol Nora e Joel Viana. Design gráfico: l Águas de Março Infantil Mateus Loreto. Livre. 40 min.. e Nova Geração | Sexta (11), das 15h às 18h e das 20h às 24h | AINDA EM CARTAZ: As ViaRemanescente dos clássicos cargens de Gulliver. Aventura. 16h navais de clubes, o Águas de Mar(dub.). UCS. | Bruna Surfisti- ço marca o fim da temporada das nha. Drama. 14h30, 17h, 19h30 piscinas e é uma comemoração e 21h50. Iguatemi | Caça às Bru- pós-carnaval, mas ainda no clixas. Ação. 16h40 e 19h10 (leg.). ma da folia. Para os adolescentes, Iguatemi | Cisne Negro. Sus- a atração são os DJs da Big Bropense. 14h e 21h20 (leg.). Igua- ther e, para as crianças, concurso temi | Desconhecido. Suspense. de fantasias. Sócios devem retirar 17h15 e 22h (leg.). Iguatemi | De as senhas gratuitas na secretaria Pernas pro Ar. Comédia. 19h do clube. As crianças sócias não (leg.).UCS | Justin Bieber: Ne- pagam e podem levar um amiguiver Say Never. Musical. 15h20 nho de graça. e 21h10 (dub. 3D). Iguatemi | O Sede Social Recreio Discurso do Rei. Drama. 19h da Juventude e 21h30, até terça (8), 14h40 e R$20 (antecipado) e R$ 25 (na 19h40, na quarta (09). Iguatemi. hora) para os adultos | Pinheiro | O primeiro que disse. Comé- Machado, 1762 | 3028-3555 dia. De quinta a domingo, 20h Recomenda (leg.). Ordovás | O Ritual. Suspense. 14h40 e 19h40 (leg.), até l Mardi Gras | De sábado (5) terça (08), e 18h50, na quarta (9). a terça (8), às 22h | Iguatemi. O Mardi Gras é uma festa carnavalesca típica de Nova Orleans, INGRESSOS: Iguatemi: Segunda e quartafeira (exceto feriados): R$ 12 (inteira), R$ nos Estados Unidos, conhecida 10 (Movie Club Preferencial) e R$ 6 (meia por suas máscaras de gesso, desentrada, crianças menores de 12 anos e files com bandinhas e colares de sênior com mais de 60 anos). Terça-feira: R$ 6,50 (promocional). Sexta-feira, sába- continhas dourados, verdes e rodo, domingo e feriados: R$ 14 (inteira), R$ xas. Honrando as tradições do 12 (Movie Club Preferencial) e R$ 7 (meia Delta, o Mississippi, faz a festa do

seu jeito. No sábado (5), sobem ao palco Fabrício Beck Trio e Andy & The Rockets. De domingo (6) a terça (8), Charles Master faz um especial que inclui até marchinhas de carnaval. Mississippi R$ 20 e R$ 25 (feminino e masculino nos dias 5 e 8), R$ 15 e R$ 20 (dias 6 e 7) | Estação Férrea | 3028-6149 TAMBÉM TOCANDO: Sábado (05): Projeto House Concept. DJ Gui Oliveira. Eletrônica. 22h. The King Pub. 3021-7973 | Carnaval Move. Eletrônica, pagode e sertanejo universitário. Move. 3214-1805 | Carnaval da Bier. Banda Bico Fino + Dj Mono. Samba rock. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | A4 + Eletro Acústico. Pop. 23h30 Bukus Anexo. 3285-3987 | Carnaval. Mister Cherry + DJ Jorgeeeeenho. Rock. Vagão Bar. 32230007 | Hardrockers. Rock. 22h Vagão Classic. 3223-0616 | Dinamite Joe + DJ Eddy. Pop rock. 23h. Portal Bowling. 3220-5758 | Quarteto Paiol. Tradicionalista. 22h. Paiol. 3213-1774 | DJs Audiotronic. Pop. 23h. La Boom. 3221-6364 | Carnaval Clube Recreio Guarany. No espaço Tambor: Declarasamba, Grupo Magnitude, Pagode Júnior + DJ Anderson. Pagode e electrofunk. No espaço Folia: Banda Cheiro da Flor e DJ Andrey Matté. 22h. Sede Social Recreio Guarany. 3222-5660 | Domingo (06): Domingueira Zarabatana. Eletrônica. 17h. Zarabatana. 32289046 | Segunda(07): Carnaval da Bier. Lazaro Nascimento e Ana Paula Chedid. Samba rock. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Carnaval Move. Eletrônica, pagode

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


EXPOSIÇÕES l A arte está em esconder a arte | De segunda a sexta, das 8h30 às 18h30, sábados das 8h30 às 12h30 | A exposição da acadêmica de Artes Karem Sartor dos Santos utiliza diversas técnicas. Para ela, o processo criativo do artista se tudo que é produzido pelo artista reflete seu eu interior e a maneira como ele idealiza o mundo. A arte está escondida na própria arte assim como o artista esconde seu eu interior naquilo que expressa. Farmácia do Ipam Entrada franca | D. José Barea, 2202 | 3222-9270 l Abre alas | De segunda a sexta, das 8h às 18h | A mostra relembra os carnavais dos clubes da sociedade caxiense. Dez fotografias do acervo do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami mostram um dos primeiros carros alegóricos, fantasias e os blocos carnavalescos dos anos 20. A maior parte das imagens foi captada pelas lentes do Stúdio Geremia. Câmara de Vereadores Entrada franca | 3218-1600

Cinema | Criadoras de Moda

19h. Catna Café. 3212-7348 |

Oito peças que vestem bem

TEATRO l Inauguração Sala de Teatro | Quinta (10), às 19h30 | O prédio que já abrigou o Acervo Municipal de Artes Plásticas foi transformado em teatro. O espaço terá palco e plateia móveis, que será aberto pelo show Do Rio Grande do Passado ao Rio Grande do Futuro, com Anderson Oliveira e Tatiéle Bueno. Sala de Teatro Entrada franca | Centro de Cultura Ordovás | 3901-1316

por Marcelo Aramis

LAZER

l Fantastic Ball | Diariamente, das 10h às 22h | Crianças (a partir dos 3kg), divirtam-se! Adultos (de até 100 kg), não tenham medo de ser ridículos! A proposta é tentar ficar de pé – ou relaxar deitado – dentro de bolas infláveis que flutuam em uma piscina instalada em pleno shopping. Quem não tem coragem pode ir lá pra rir de quem tem. Praça de Eventos do Iguatemi AINDA EM EXPOSIÇÃO: Ex- R$ 10 | Shopping Iguatemi | posição de Fotografias. Alunos das Ações Educativas Complementares das Escolas Municipais LITERATURA Pe. João Schiavo, Pe. Antonio Vieira, Alfredo Peteffi e Caldas l Rodas de Leitura para JoJunior. De segunda a sexta, das vens | Sábado (5), das 10h às 11h | 8h às 18h30. Galeria da Smed. Leitura comentada de obras li39012323 | Mostra de Grafite terárias, contos, crônicas ou poCaxias 100 Anos. Coletiva. Vi- esias, organizadas por um mesitação livre. Largo da Estação diador. A coordenação é de Uili Férrea | O Caxiense Um Ano. Bergamin e Iraci Maboni. De segunda a sábado, das 10h Biblioteca Municipal às 19h30 e domingos, das 16h às Entrada Franca | 3221-1118 Carol de Barba, Divulgação/O Caxiense

e sertanejo universitário. Move. 3214-1805 | Carnaval da Tequila. Los Infernales. Rock. Vagão Bar. 3223-0007 | Terça (08): Carnaval da Bier. Pietro Ferreti + Adriano Trindade e Trio. Samba rock. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Carnaval. Farina Brothers. Rock. Vagão Bar. 3223-0007 | Projeto Rock e Cultura. Vagão Classic. 3223-0616 | Carnaval Clube Recreio Guarany. No espaço Tambor: Declarasamba, Grupo Magnitude, Pagode Júnior + DJ Anderson. Pagode e electrofunk. No espaço Folia: Banda Cheiro da Flor e DJ Andrey Matté. 22h. Sede Social Recreio Guarany. 3222-5660 | Quarta (09): Marício e Daniel. Tradicionalista. 22h. Paiol. 3213-1774 | Classic Gamer. Vagão Classic. 3223-0616 | Opera Liz. Rock. 22h30. Boteco 13. 3221-4513 | Quinta (10): Quinta-feira do Beijo. Vagão Classic. 3223-0616 | Processo IV. Rock clássico. 22h. Mississippi. 3028-6149 | Banda Graal. Pop rock. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Grupo Macuco. Tradicionalista. 22h. Paiol. 3213-1774 | Sexta (11): Aquece. Vagão Classic. 3223-0616 | Fabricio Beck e Trio. Rock nacional e internacional. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Franciele Duarte e Banda. Rock clássico. 22h. Mississippi. 3028-6149 | DJs Audiotronic. Pop. 23h. La Boom. 3221-6364 | Lacross. Rock. 20h30. Sala de Teatro. 3901-1316 | Sexta Cultural. The Blues Beers. Blues. 21h30. Zarabatana. 3228-9046 | Só o Rock Salva. Agente Ed + DJ Convidado. Rock. Vagão Bar. 3223-0007 | Grupo Barbaquá. Tradicionalista. 22h. Paiol. 32131774

Simone Franco é uma das oito mulheres que abriram seus ateliês para o documentário Criadoras de Moda

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Se o documentário Criadoras de Moda de Caxias do Sul fosse uma roupa, seria feita a 16 mãos, misturaria rendas antigas com tecidos de alta tecnologia, seria uma peça básica para se usar em qualquer ocasião e um traje de gala digno de figurar em museu. Carol De Barba – jornalista de O Caxiense – alinhavou pesquisa, costurou o olhar de repórter ao conhecimento de estudante de moda. A jornalista Viviane Salvador, roteirista e diretora do filme, gostou do modelo, fez cortes e emendas, bordou a peça. O Financiarte 2009 pagou o feitio. A base do documentário são os depoimentos de criadoras caxienses, do clássico ao contemporâneo. Nos seus espaços de criação, Corina Wainstein, Lola Salles, Izabel Basso, Erica Generozzo, Rache Martini, Carmen Venzons, Carla Carlin e Simone Franco contam histórias de quem descobriu a moda brincando de boneca ou desde criança teve tecidos e agulhas como instrumentos de trabalho. Costureiras, estilistas e empresárias – todas em uma, inclusive – revelam a força desse mercado em Caxias, em um documentário que não é sobre economia; narram a história da moda na cidade em um roteiro não cronológico; constroem a identidade da moda local sem optar pelo “mundo da moda em Caxias” ou “a moda de Caxias no mundo”. Elas falam dos seus estilos, dos seus mercados e da suas marcas (não aquelas das etiquetas) sem qualquer pretensão de ditar moda. Criadoras de Moda revela a personalidade das entrevistadas. O documentário não define o DNA da moda caxiense – e deixa claro que talvez isso não exista, pelo menos com a rigidez desse rótulo –, mas alcança profundidade nas mentes criadoras, os verdadeiros ateliês. É ali, antes do traço, do corte e da costura que está a moda caxiense na sua forma mais pura. As oito mulheres abrem seus ateliês. O primeiro impulso ao assistir o filme é buscar ali, entre os cabides, a moda que Caxias veste. Esse traje ideal está mais nos detalhes espalhados entre os depoimentos do que em peças prontas e etiquetadas. As roupas de cada criadora são coadjuvantes do documentário. O resultado da criação fica sugerido, talvez traçado como esboço simples na imaginação do espectador. O filme não mostra um forjado uniforme da nossa moda mas indica tendências. Se Criadoras de Moda fosse uma roupa, seria feita de retalhos com costuras inacabadas, chegaria ao mercado como o mais moderno dos trajes típicos e daria à alta-costura a acessibilidade da moda popular. Se o documentário pudesse ser vestido, cairia bem tanto aos modernos quanto aos conservadores. Criadoras não é uma roupa (parece mais um croqui), mas, como pesquisa não sai de moda, merece fazer sucesso na vitrine.

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Artes artes@ocaxiense.com.br

Participe | Envie para artes@ocaxiense.com.br o seu conto ou crônica (no máximo 4 mil caracteres), poesia (máximo 50 linhas) ou obra de artes plásticas (arquivo em JPG ou TIF, em alta resolução). Os melhores trabalhos serão publicados aqui.

por ALIne Luz A cada passo me sinto incerto Já não me traço como antes O que faço me desperta, no meu peito crava a foice

Gisa Demoliner Fedrizzi | Sossego Marítmo |

Há pouco tempo Gisa se profissionalizou na fotografia. Para o seu estúdio, levou a qualidade estética das fotos artísticas que gosta de fazer por hobby. E o hobby ganhou profissionalismo. Pelo menos uma vez por ano, Gisa viaja para fotografar. Foi sozinha para a Amazônia, onde fez uma das fotos selecionadas entre as 24 melhores do país na XXVI Bienal da Arte Fotográfica em Preto e Branco, realizada em Caxias. O cenário da foto acima é o rio da Guarda, na praia da Guarda do Embaú (SC). O efeito que transforma o rio em espelho e a foto em pintura foi conseguido pelo longo tempo de exposição. O obturador aberto dá nitidez aos elementos fixos da cena. Ligado ao mar, o rio copia o movimento da maré e transforma os barcos em aquarela. A foto ganhou o desafio Marítmo do Clube do Fotógrafo de Caxias e deve participar da seleção para a próxima bienal da Fotografia Colorida, que será em Londrina.

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A cada passo me vejo livre Solto, fingindo que vivo Sorvo a vida numa taça Como a traça num bom livro A cada passo, descompassado sigo Recebo meu passe frívolo Cego ao passo que me sinta do espaço em que me sirvo A cada passo, um nó, um laço Nó de pinha, nó de umbigo Num abraço de aconchego No compasso de estar vivo

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


Luciana LAin/O Caxiense

André T. Susin/O Caxiense

por Paula Sperb e Marcelo Aramis

Gema

Lurdinha

Dal Cero

Maria de Lurdes Fontana Grison A sensibilidade – aguçada pela atuação no magistério – motiva Lurdinha a buscar constantemente oportunidades aos excluídos. Há seis anos como presidente da Fundação de Assistência Social (FAS), tem inúmeros projetos para se orgulhar. Com experiência de 17 anos como voluntária da Pastoral de Apoio ao Toxicômano Nova Aurora (Patna), deu as diretrizes para a Casa de Passagem São Francisco, que acolhe dependentes químicos sem o rigor usual. Mesmo alcoolizados podem usar o serviço. Ela acredita que o tempo fará com que eles aceitem o tratamento. O tempo, inimigo de crianças que estão na fila para adoção, é amenizado com o projeto Famílias Acolhedoras, onde crianças aguardam por reestruturação do lar ou por pais adotivos. Idosos são atendidos nas próprias residências para que não sejam separados da família com asilamento. Por profissão e convicção, Lurdinha tem os olhos voltados aos mais necessitados.

Luciano André T. Susin/O Caxiense

Natália Oliveira, Divulgação/O Caxiense

“Cinco dúzias e quatro ovos”, Dona Gema revela a idade confiando na preguiça alheia de fazer cálculos. A animadora de grupos de turistas que visitam a Cooperativa Vitivinícola Forqueta, ela recepciona gente de todo o país com música, cultura e bom humor. Integrante do grupo folclórico Felice Persone e figura popular na Festa da Uva e Festa do Vinho Novo, ela trabalha há cinco anos na cooperativa. Quando deixou a casa dos pais, em Nova Prata, não era comum que as moças tivessem essa liberdade. Gema teve a chance porque acompanhava a irmã em um tratamento de saúde. E aproveitou. “Eu é que não volto para aqueles morros.” Entre Caxias e Farroupilha, trabalhou como cozinheira, em padaria, hospital e agências de turismo. Construiu a vida na divisa entre as duas cidades. O traje típico dos imigrantes é o uniforme de Gema, que explica aos turistas que é neta de italianos, brasileira de coração e gaúcha com muito orgulho. Sobre o seu trabalho, não vê outro emprego melhor. “Trabalhar com os braços me cansava. Mas a língua não me cansa nunca”, conta, pelos cotovelos.

Balen Desde outubro de 2009, Luciano Balen, ou Swami Sagara, é quase personagem do que mostra, como diretor, no documentário Profissão: Músico, que estreou na última terça (1). Até então, ele era empresário e, nas horas vagas, dedicava-se a música – não com menor paixão. Desde pequeno foi apresentado aos sons da melhor qualidade – MPB, rock e música erudita. Era uma família de três: a mãe, o menino e a música. Aos 12, começou a tocar não só bateria como qualquer instrumento de percussão que aparecesse. Foi só lá pelos 30 que surgiu o Projeto CCOMA, sem grandes pretensões, mas que rendeu dois CDs experimentais, dois originais, um videoclip e um média-metragem, que deu a Luciano certeza de que é possível viver de música, seguir seu coração. Planos para o futuro? “Gravar um disco este ano, tocar, viajar, conhecer o mundo, conhecer mais pessoas e não perder os amigos que já fiz. Cuidar de minha filha e proporcionar a ela o que minha mãe proporcionou a mim. Encontrar tempo pra família e brincar com minha cachorrinha.”

Zeus, do Grão Café | A melhor opção do carLanches | Sanduíches

Nazareth, da Catna Sanduicheria | Saboroso sanduíche

quente que pode ser consumido em qualquer filial da Catna e pedido por tele-entrega. Tomates frescos e tomates secos com especiarias e muzzarela são envoltos por delicioso pão sírio.

dápio do café que fica na Galeria Via do Pátio tem nome de deus e divino sabor. O beirute quente é feito com tomate e quatro queijos: minas, mussarela, provolone e parmesão. Peça meio beirute e meia salada: alface em tiras bem finas, queijo minas, champignon, alcaparras e um molho que é segredo da casa.

Legumes, do Pali | Típico sanduíche de bar, daqueles em forma triangular e envolto por papel filme. O sabor é garantido pela abundância de cenoura ralada, ovos e tomates. Num dos principais bares da UCS, vale por uma refeição.

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Peru, do Zarabatana | A aparência engana. O sanduíche que parece um xis é o mais leve desta lista. O gordinho saudável é de peito de peru acompanhado por alface e champignon. Da leveza surge o que para muitos é essencial: é um bom acompanhamento para a cerveja do final do dia. 15 ou 30 cm?, da Subway | No ápice da customização culinária, quem escolhe os ingredientes, do pão ao molho final, é o cliente: um interrogatório. Destaque para as promoções semanais e cartão fidelidade. Difícil é fazer o pedido da tele-entrega com tanta opção. Dica: leia o cardápio e decida – decore – o pedido antes de chegar ao balcão. 5 a 11 de março de 2011

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Saúde mental

Novo complexo, no bairro São Ciro, seria gerido pela Associação Cultural e Científica Virvi Ramos

DEBATE URGENTE A

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por ROBIN SITENESKI robin.siteneski@ocaxiense.com.br

visita guiada, no último dia 28, para imprensa e membros do Conselho Municipal de Saúde ao local para onde a Secretaria de Saúde pretende transferir pessoas com distúrbios mentais não curou as polêmicas que envolvem o projeto. A intenção é fechar os três residenciais terapêuticos que atualmente funcionam em bairros centrais e atendem 27 pessoas e mudá-las para um conjunto de prédios no bairro São Ciro. Mas duas barreiras se impõem: os prejuízos que podem ser causados ao tratamento dos pacientes ao afastá-los do convívio com a sociedade e o fato de a prefeitura querer alocar dependentes químicos no mesmo complexo. A Secretaria sustenta que a medida permitiria ampliar o atendimento, além de trazer economia. Paulo Cardoso Alves, presidente do Conselho Municipal de Saúde, órgão deliberativo com representantes da prefeitura e da sociedade civil, não se convenceu com as explicações recebidas no prédio que já foi alojamento de padres e poderá ser o futuro lar de pessoas que precisam de acompanhamento psicológico constante. “É um bom lugar para Caps (Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas) 24h, mas, quanto a um residencial terapêutico, não consigo ter clareza sobre como funcionaria. Se a votação fosse hoje, não votaria a favor”, antecipou na semana passada. O Conselho deverá decidir se aprova ou não a proposta na próxima quinta (10). Enquanto isso, a Comissão de Saúde Mental do grupo analisa o projeto. No dia da votação, ela apresentará parecer técnico. “O que prega

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Longe de consenso, projeto que prevê transferir pacientes com distúrbios mentais para bairro afastado, junto a dependentes químicos, deve ser votado na próxima quinta-feira

a lei é o convívio. Dentro de um complexo, eles só teriam contato com pessoas com problemas ou de guarda-pó. Como fica o convívio de ver os carros passando na rua ou as crianças jogando bola? O que temos discutido é a questão moral da situação. Ainda existem muitas dúvidas”, acrescenta Paulo. “Não sei a quem interessa que o governo Sartori não avance no aumento do atendimento a pessoas com distúrbios psicológicos. O assunto deveria ter sido discutido com mais seriedade antes de se tornar um Gre-Nal”, critica a secretária municipal da Saúde, Maria do Rosário Antoniazzi. Essa discussão mais séria, porém, ela esperava que acontecesse em apenas uma reunião do Conselho, quando o projeto foi apresentado já para ser votado. As críticas à proposta e à rapidez com que a prefeitura pretendia aprová-la adiaram a votação. Com a utilização do complexo em vez dos residenciais terapêuticos, o Município não precisaria mais gerir os profissionais que atendem os pacientes ou se responsabilizar pelo local onde temporariamente vivem. A mudança prevê um convênio com a Associação Cultural e Científica Virvi Ramos, que se responsabilizaria pela administração do local. A associação é uma entidade filantrópica – mantenedora do Hospital Virvi Ramos (ex-Fátima), da Escola de Educação Profissional e da Faculdade Fátima – e, com o convênio, conseguiria se manter dentro dos critérios da nova lei de filantropia. A Lei 12.101 prevê que entidades beneficentes da área da saúde cedam 60% de seus leitos a pacientes do Sistema Único de Saúde, o que poderia ser substituído pela gestão do complexo.

A pressa da administração, no real e não querem que compartientanto, parece ser mais do que lhem o pátio do complexo (com simples intriga da oposição. Já dependentes químicos), o que nem existe até uma minuta do contrato está definido se acontecerá.” que firmaria o convênio, ao qual Além do Conselho e da SecreO Caxiense teve acesso. O acor- taria, o Ministério Público e a do prevê a disponibilização de 32 Câmara de Vereadores se envolleitos para pacientes com distúr- veram na questão. O promotor bios e 10 para desintoxicação. A Adrio Gelatti abriu investigação secretária, que a princípio negou para acompanhar a possível abera existência do dotura do complexo. cumento, diz que O MP aguarda, inele é apenas “um “Caxias tem clusive, que a Seprimeiro ensaio de um atendimento cretaria da Saúde uma proposta de de saúde mental remeta documentacontrato”. Segundo que é referência. ção requisitada, que ela, a prefeitura não não foi encaminhaestaria se antecipan- A dúvida é por da no prazo exigido. do à análise do Con- que mexer nisso”, Na Câmara, as banselho. Mas o presi- questiona cadas do PT e do PC dente do órgão, que a psicóloga do B também encaafirma desconhecer Elizabeth minharam pedidos a minuta, reclama de informação à que a possibilidade Secretaria. O debate de mudança deveria ter sido dis- mais efetivo está ocorrendo, em cutida com os conselheiros antes reuniões quase diárias, na Comisdas conversas entre as partes. são de Saúde Mental. A coordenadora do grupo, que faz parte do Maria do Rosário aponta os Conselho Regional de Psicologia benefícios que o convênio pode- do Rio Grande do Sul, Elisabeth ria trazer: ao invés de gastar cerca Mazeron Machado, aponta a mude R$ 7,3 mil com cada paciente dança dos residenciais como únicom transtornos mentais, a pasta co ponto de “discórdia ou negodestinaria aproximadamente R$ ciação”. “No mais, o projeto prevê 3,8 mil. A secretária já sabe o que uma ampliação do serviço. Caxias gostaria de fazer com a diferença tem um atendimento de saúde dos recursos. Pretende aplicá-los mental que é referência. A dúvida na abertura do Caps 24h, na am- é por que mexer nisso”, questiona. pliação das vagas para esses doen- “Se a comunidade entender que tes no condomínio – a fila de es- não é necessário ampliar o atendipera atual teria 14 inscritos – e na mento e que não existe epidemia criação de uma Casa da Gestante de crack, então não abriremos o voltada para grávidas dependen- condomínio terapêutico. É um tes de crack. projeto sério, estamos tentando A secretária discorda que a in- ampliar e manter o acesso com ternação dos pacientes em lugar nossos recursos. Quem é goverdistante do movimento da cidade no, sabe da realidade dos resipossa atrasar suas melhoras. “Eles denciais e do avanço da droga, não estarão privados de liber- tem consciência de que o projeto dade. O local não tem grade. As é bom e deve ser aprovado logo”, pessoas querem inseri-los na vida argumenta Maria do Rosário.

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


Dupla por FABIANO PROVIN Contra o perigoso São José este colunista havia enumerado os tipos de atuações do Caxias até então no Gauchão. Esperava um time com vontade, mas não foi o que vi das cabines do Estádio Centenário. Tanto que a vaga foi conquistada nos pênaltis. Nos 90 minutos, diria que o Caxias jogou 30, 35. O Zequinha teve seus momentos de lucidez sem Chiquinho e incomodou até o fim. Se não fosse o concentrado goleiro André Sangalli, não sei se Lisca aguentaria no cargo. Não pela direção, mas pela pressão que continua sofrendo nos jogos em casa por parte da torcida grená – principalmente aquela das arquibancadas opostas às sociais. E para quem apostou em quase 10 mil pessoas contra o São José, o borderô “oficial” informa público total de 5.804 pessoas, sendo 4.064 sócios naquela partida.

Veio e já foi

O meia argentino Rodrigo Archubi, anunciado pelo Juventude, não foi liberado pelo River Plate. No dia 17 de fevereiro, o jogador, que está longe do futebol profissional há um bom tempo, vestiu a camisa alviverde e, segundo a direção, teria assinado contrato até o dia 30 de novembro deste ano. Mas na realidade isso não aconteceu. O jogador está vinculado até o final de junho ao River, clube que passa por dificuldades financeiras e lhe deve cerca de US$ 800 mil em salários e premiações atrasadas. Depois disso, quem sabe, Rodrigo Archubi pode vir para o Ju. Por isso que muitas pessoas são devotas de São Tomé...

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Não foi ‘aquele’ Caxias

CAXIAS ENFRENTA

O SEU RETROSPECTO No ano passado, o Caxias quase chegou à fase eliminatória do Gauchão, quase foi para as quartas de final da Série C e quase chegou à semifinal da Copa Enio Costamilan. Mas em 2011 tudo está diferente. Dono da segunda melhor campanha do Estadual, fará a decisão do primeiro turno contra o melhor até agora, o Grêmio. Quarta-feira (9), às 21h50, o time do técnico Lisca poderá escrever novas linhas nessa história recente, lá no Estádio Olímpico. Ou não. Mas se tudo deu certo até agora, e até a chuva deu uma trégua, por qual motivo não acreditar na esquadra? Lisca até ganhou mais uns dias para trabalhar e definir a equipe que enfrentará o tricolor. Isso porque o time da Capital jogou pela Libertadores no dia 3 e, segundo argumento da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) – em virtude da grade da televisão aberta, que havia previsto os jogos dos campeonatos regionais para este sábado (5) –, houve a necessidade de transferir a decisão para o dia 9. Porém, a programação oficial no site do Grêmio prevê, após o jogo da Copa Libertadores da América, folga até domingo...

O Caxias somou 16 pontos na fase classificatória (em oito jogos foram cinco vitórias, um empate e duas derrotas), marcou 13 gols e levou cinco. Somados os confrontos das quartas de final (1 a 0 no Veranópolis) e semifinal (1 a 1 no tempo normal com o São José; 2 a 1 para o Caxias nos pênaltis), foram seis vitórias, dois empates e duas derrotas. O Grêmio é dono do melhor ataque – fez 20 gols até agora. Nas quartas, eliminou o Ypiranga por 5 a 0 e na semi, bateu o Cruzeiro-PoA por 4 a 2. Jogando no Olímpico o Grêmio está invicto no Estadual – cinco vitórias e um empate. Para enfrentar o perigoso adversário, Lisca pode manter o esquema com três atacantes ou optar por uma formação mais cautelosa, com André Sangalli; Alisson, Édson Rocha, Marcelo Ramos e Gerley; Marcos Rogério, Dê, Itaqui e Edenílson; Éverton e Lima. Marcos Rogério pode retornar após suspensão no lugar de Pedro Henrique. Dessa forma, o treinador deixa o meiocampo mais guarnecido, sendo que Itaqui e Edenílson teriam a responsabilidade de chegar junto aos atacantes. Quem sabe assim o Caxias não chega à final do Gauchão?

Tempo bandido

O técnico Picoli, do Juventude, ganhou mais quatro dias para ajustar o grupo antes da estreia na Taça Farroupilha, contra o Pelotas, no dia 13, no Estádio Boca do Lobo. Em contrapartida, não pode contar nos treinos com duas peças que pretenderia usar no time principal: o zagueiro Édson Borges e o centroavante Zulú, ambos lesionados. “Na verdade é um tempo bandido. É preciso aproveitá-lo da melhor forma possível para evitar novas lesões, mantendo o foco”, disse o ex-interino do Ju na tarde do dia 1º de março – os jogadores estavam de folga, mas Picoli estava no Jaconi, “definindo algumas coisas”. Neste período a comissão técnica deve ter um cuidado especial com a carga de trabalhos, evitando a superlotação do departamento médico. “O Fred e o Jean Coral estão voltando. O Pico parou dois dias devido a uma pancada no joelho. Minha função é buscar o equilíbrio para iniciar o returno forte”, explicou Picoli. Além deles, Bruno Salvador e Moisés devem trabalhar normalmente com bola depois de se recuperarem de lesão. Na opinião do treinador, o esquema de jogo do Ju é o com três zagueiros, mas o tempo permite testar outras formações. “Minha proposta é mudar a estrutura do time sem trocar as peças. Ou mexer o mínimo possível. A maior probabilidade é povoar mais o meio-campo”, revela Picoli. Ele se refere às peças que chegaram recentemente, como o meia Rodrigo Ost e o atacante Aidar. Num dos treinos da semana o técnico usou os meias Cristiano e Christian e o volante de origem Gustavo para abastecer os atacantes. André T. Susin/O Caxiense

O herói

É impossível falar da classificação do Caxias à final da Taça Piratini sem falar no goleiro André Sangalli. Ele defendeu quatro dos cinco pênaltis batidos por jogadores do São José na noite de 27 de fevereiro. O Caxias empatou em 1 a 1 no tempo normal e venceu por 2 a 1 as penalidades. Sangalli, natural de Estrela, cidade do Vale do Taquari, tem 31 anos e chegou ao Centenário no dia 30 de novembro. Antes do Caxias, atuou em outros 11 clubes, entre eles Juventude, Grêmio, NáuticoPE e Ceará-CE. Na noite dos pênaltis, ele recorda que estava muito concentrado. Depois, lhe coube lidar com a glória. “Foi

ótimo, passei quase dois dias dando entrevistas. Mas na quarta o novo foco foi definido: o jogo contra o Grêmio”, diz o atleta, que geralmente é desafiado pelo técnico Lisca ao final dos treinamentos. O treinador bate pênaltis e faz apostas com os goleiros. As últimas delas foram vencidas por Sangalli. “Os R$ 100 que ganhei ajudaram a encher o tanque do carro. Mas isso tudo não passa de uma brincadeira”, desconversa o goleiro, que tirou a titularidade de Matheus por escolha de Lisca na partida contra o Porto Alegre (13/2). “Eu não conquistei nada, nós conquistamos, o grupo do Caxias”, considera o goleiro.

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Guia de Esportes

por Robin Siteneski | guiadeesportes@ocaxiense.com.br

FUTEBOL Recomenda l Caxias X Grêmio | Quarta (9), às 21h50 Quem vencer leva a Taça Piratini e está garantido para a final do Gauchão, em maio. O técnico do Caxias tem a vantagem de poder contar com o time completo (leia mais na página 21). Estádio Olímpico Visitantes só podem comprar ingresso para arquibancada, R$ 30. Torcedores do Grêmio também podem ocupar as cadeiras laterais, R$ 40, e centrais, R$ 50 l Campeonato Municipal | Sábado (5) Os três jogos deste sábado decidem quem sobe para a Série Prata. No Municipal II, Real Reolon e Sagrada Família jogam às 13h15. O Diamante Negro enfrenta o Aeroporto no mesmo horário e, às 15h15, o Unidos joga com o Uruguai. Enxutão e Municipal II

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Entrada gratuita | Enxutão: Luiz Esporte: Rua Fiorelo Arpini, 285, Arroio do Sal Covolan, 1.560. Municipal II: Júlio bairro Salgado Filho. | Entrada Durante o evento, aspirantes de Castilhos, 4.390 gratuita a cestinha ganham senhas para concorrer a prêmios. São 18 cesl Campeonato Interbairtas para que os competidores seros de futsal | Sábado (5) jam divididos por faixa etária. O FUTSAL O final de semana será cheio evento acontece a beira-mar, próde embates pela segunda rodada l Seleção para as catego- ximo à Avenida Assis Brasil, e a da Série Ouro do campeonato. A rias de base da UCS | Sábado participação é gratuita. partir das 18h jogam, no Enxu- (12) e domingo (13) às 13h30 tão, São Vicente e Esplanada, São Aspirantes a jogador de vôlei l Oficina de skate | Até terça Vitor Cohab e Santa Fé, Pioneiro podem tentar a sorte. Serão sele- (8) das 9h às 12h e das 15 às 18h e Serrano, Belo Horizonte e Cru- cionados 20 atletas para as cate- | Torres zeiro, Reolon e Monte Carmelo e gorias mirim, infantil e infantoCom um quilo de alimento não Fátima Baixo e Arco Baleno. No juvenil masculino e feminino. perecível, é possível apreender mesmo dia, São Cristovão e Pri- Podem participar meninos e me- o esporte. A inscrição é feita no meiro de Maio, Jardim Eldorado ninas, nascidos entre 1994 e 2001. local da oficina, a Estação Verão e Beltrão de Queiroz e Ana Rech e Eles no sábado, elas no domingo. Sesc. Leve o seu skate. São Gabriel disputam no Cruzei- A avaliação contará com testes ro a partir das 21h. Ainda jogarão físicos, por fundamento (saque, l Torneio de Xadrez | Sábado Marianinha e Vila Almeida, Fáti- bloqueio, etc.) e atividades em (5) às 9h | Capão da Canoa ma Baixo e Planalto Rio Branco grupo. As inscrições terminaram na e Planalto I e Monte Castelo no Ginásio II da Vila Olímpica sexta (4), mas o torneio, na EsCastelo Parque Esporte, a partir Inscrições no local tação Verão do Sesc, é aberto e das 20h. gratuito para quem quiser partiEnxutão, Ginásio da igreja do cipar – em silêncio, por favor – na bairro Cruzeiro e Castelo Parplateia. Entre os competidores, LITORAL que Esporte possíveis prodígios de até 16 anos. Entrada gratuita | Enxutão: Luiz l Bola na Cesta | Sábado (2) Começa às 9h, termina sabe-se lá Covolan, 1.560. Castelo Parque e domingo (3) das 10h às 13h30 | que hora. Típico do xadrez.

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Renato Henrichs Fernando C.Vieira, Grupo CEEE, Div. /O Caxiense

Era uma vez

Nomes indicados pelo governador para a diretoria do Banrisul foram aprovados na semana que passou na Assembleia Legislativa. Foi-se o tempo em que era uma questão de honra para Caxias do Sul ocupar uma diretoria no banco estatal gaúcho, por onde passaram nomes como Willy Sanvitto, Bernardino Conte e Cláudio Eberle. Não há mais interesse ou perdemos força política?

Agora é samba

Mesmo com sua ambígua posição na recente votação para definir o valor do salário mínimo, o senador caxiense Paulo Paim (PT) permanece caracterizado como “o pai dos aposentados”. Foi nessa condição que estava prevista a participação dele no Bloco dos Aposentados, na abertura do Carnaval nas ruas do Rio de Janeiro, na sexta (4), entoando o samba: “Senador Paulo Paim, o porta-voz dos aposentados, este ser iluminado, vem mostrando o seu valor, lado a lado com os aposentados, o idealista, guerreiro e lutador”.

Minha audiência

Comissão de Obras da Câmara, agora presidida por Elói Frizzo (PSB), vai promover audiência pública para discutir o programa Minha Casa Minha Vida.A ideia é ouvir representantes da Caixa, da prefeitura e até mesmo construtoras. Tem havido muitas queixas em relação à qualidade de algumas construções.

Perímetro urbano

Outro trabalho a ser alvo da atenção da Comissão de Obras é o Plano Diretor. Frizzo pretende discutir áreas que foram ampliadas no novo perímetro urbano, como as da Linha 40, a região de Nossa Senhora da Saúde e indo em direção a São Marcos.

Condomínios fechados Também na pauta da Comissão de Obras estão os condomínios fechados. Tendência do segmento imobiliário em grandes centros urbanos, esse tipo de empreendimento não vingou em Caxias do Sul, ao menos por enquanto. Num primeiro momento, em função de uma legislação limitadora e, depois, pela alta valorização das áreas em que eles poderiam ser implantados.

Silvio Alves, Palácio Piratini, Div. /O Caxiense

renato.henrichs@ocaxiense.com.br

AEROPORTO VIRA

ESTUDO PERMANENTE

Os caxienses podem tirar o cavalo da chuva. A vinda do governador Tarso Genro a Caxias no próximo dia 21, para participar de reuniãoalmoço na CIC, não deverá significar qualquer tipo de anúncio em relação ao futuro Aeroporto Regional. A não ser aquele previsto: que o Estado ainda vai estudar um pouco mais o tema. A sugestão dada na semana que passou pelo deputado estadual Álvaro Boessio (PMDB), de construção de um aeroporto entre Garibaldi e Boa Vista do Sul, embolou mais uma vez o meio de campo. Boessio só conseguiu atender aos interesses políticos dos prefeitos de Garibaldi e Bento Gonçalves, ambos filiados ao PT. O governador irá se contrapor a dois correligionários? Em conversa com representantes de Caxias do Sul, esta semana, em Porto Alegre, o secretário estadual Beto Albuquerque (PSB), de

Infraestrutura e Logística, apresentou argumentos já utilizados por outros políticos. Ele disse que deve ser muito bem estudada a opção por Vila Oliva porque não daria para asfaltar a estrada para Gramado. Outra: que o Estado não teria condições de assumir essa obra em função das suas conhecidas e históricas carências financeiras. Ora, o futuro aeroporto deverá ser construído com recursos federais. Há uma linha de financiamento específica para isso. Tarso Genro designou os secretários Beto Albuquerque e Abgail Pereira (PC do B), do Turismo, para esmiuçar o tema da localização do futuro Aeroporto Regional. Ambos estão se aprofundando no resultado de estudos já realizados a respeito. Todos eles, por sinal, favoráveis a Vila Oliva. Mas Monte Bérico (ou agora Garibaldi) conta com o lobby de parlamentares petistas.

A Sinimbu é de todos

Ao contrário deste ano, em que as apresentações das escolas foram realizadas na semana retrasada, em 2012 Caxias do Sul terá Carnaval no período de... Carnaval. Está projetado que os desfiles das escolas de samba acontecerão no sábado e domingo e, possivel-

mente na terça, haverá a exibição das três primeiras classificadas. A Liga Carnavalesca terá apenas que combinar com a Comissão Comunitária. Algumas datas das apresentações dos foliões vão coincidir com os desfiles de carros alegóricos da Festa da Uva.

Maturidade política

Morte de um vereador, pedido de afastamento de outro, indicação de suplente, entre outras adversidades. O presidente Marcos Daneluz (PT) tem enfrentado com rara habilidade diversos contratempos

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ocorridos na Câmara de Vereadores neste início de legislatura. Além disso, Daneluz vem demonstrando também maturidade política nas relações com o Executivo.

Feldmann no Gabinete

Como vinha sendo especulado, o jornalista Antônio Feldman (PMDB) deixa na próxima quartafeira (9) a Secretaria Municipal da Cultura para assumir a chefia de Gabinete do Executivo. Calma, gente: ainda não se trata da reforma do secretariado do prefeito José Ivo Sartori. Feldmann assumirá o cargo interinamente, apenas enquanto Edson Néspolo estiver em férias.

Fogos Caramuru

O prefeito José Ivo Sartori reuniu detentores de cargos em comissão (CCs), quinta-feira (3), no restaurante da Festa da Uva. Além de Sartori, houve mais três oradores no encontro: Edson Néspolo, Carlos Búrigo e Antônio Feldmann. A conversa versou sobre muitos temas, menos política. Ou seja, a reforma administrativa virou tabu. Ou deu chabu.

Convenção antecipada Executiva municipal do PDT surpreendeu filiados ao antecipar a convenção do partido de outubro para o próximo mês de maio. Argumento utilizado para justificar a antecipação: haverá mais tempo de preparar os pedetistas caxienses para a eleição municipal do ano que vem. Correntes contrárias ao presidente da sigla, Luiz Carlos Muniz – e seus sustentáculos Alceu Barbosa Velho e Jaison Barbosa –, estão atentas.

Quem paga?

Duas questões se impõem diante do caso da construção indevida dos prédios do complexo Puerto Vallarta, junto ao Aeroporto Regional de Caxias do Sul. Quem autorizou a construção? E quem vai pagar a conta, no caso de um embargo definitivo da obra?

As várias redes de relacionamento, blogs e sites de bancos expõem demais a vida pessoal do cidadão Vereador Renato Nunes (PRB), ao justificar projeto que prevê cadastro de usuários em lan houses de Caxias do Sul

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Edição 66