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A há triz c 43 ax IT an ien TA os se e a lem L A vis br N a: ain a ent AN da rev D é u ista I ma ce mu nsu lhe rad r li a vre |S26 |D27 |S28 |T29 |Q30 |Q1º |S2

Roberto Hunoff: o otimismo do comércio não se abala | Renato Henrichs: a questão que deveria prender a atenção de Yeda em Caxias | A Copa em Quadrinhos: os vilões e heróis do Mundial | Imigração africana: Caxias acolhe estudantes e esperanças

Caxias do Sul, junho de 2010 | Ano I, Edição 30 | R$ 2,50

ÁFRICA CAXIAS

DA PARA

André T. Susin/O Caxiense

A missão técnica enviada à Copa do Mundo voltou otimista: a cidade tem boas condições para ser subsede em 2014. E já sabe o que fazer para aumentar ainda mais suas chances


Índice

www.OCAXIENSE.com.br André T. Susin/O Caxiense

A Semana | 3

Roberto Hunoff | 4

Retração de abril não afeta projeção otimista do comércio para 2010

|S19 |D20 |S21 |T22 |Q23 |Q24 |S25

Caxias do Sul, junho de 2010 | Ano I, Edição 29 | R$ 2,50 André T. Susin/O Caxiense

As notícias que foram destaque no site

O he O do rói LH Bra ne O sil gro S N tran da sfor Suíç A Á mad a e FR a em a bo ICA la fute mur bo ch l-ar a te

Preconceito é perverso e burro, pois discrimina as pessoas pela cor da pele e não pelos valores e atitudes.

Os novos imigrantes | 5

Sandra Maria de Oliveira

Alunos tornam Caxias um pouco africana

POR UM FUTURO SEM

PRECONCEITO

A beleza do olhar | 6

Revisando sua história, aplicando novas leis e dando voz aos ativistas, Caxias tenta superar a discriminação ao negro

Roberto Hunoff: há 1,9 mil vagas nas empresas | Renato Henrichs: UCS regionaliza seu Conselho Diretor | Ficha Limpa: o que pensam os políticos locais | Fast Fashion: as grandes redes correm para Caxias

Alunos da Apae descobrem novos ângulos da vida em uma oficina de fotografia

Inspiração africana | 8

O aprendizado da missão técnica caxiense na Copa para nos tornar uma subsede em 2014

@cristiansr @ocaxiense Parabéns pela #edição29, a reportagem sobre o preconceito e jogo do Brasil, ambas excelentes, como toda a edição. Simone de Almeida, Divulgação/O Caxiense

Alerta animal | 11

Combate aos maus tratos depende de atenção para denunciar e preocupação em acolher

A Copa em Quadrinhos | 12 As aventuras da Seleção na África

Estrela libertária | 14

A atriz Ittala Nandi, 43 anos depois, fala sem censura da realidade da mulher brasileira

Guia de Cultura | 16

A amizade animada e o espetáculo do trem de volta aos trilhos

@carlacastroo Linda capa! #edição29

@Deiasusin @ocaxiense Espero que este futuro seja logo! Parabéns pela matéria! #edição29

@Sechaus Agradeço ao @ocaxiense pelo apoio dado ao rugby, publicando sobre o nosso time. Obrigado de coração. #rugby

Artes | 18

A poesia do lado bonito da morte e a agonia do lado feio da alma

NO SITE

Trabalho na praia | 19

Edição 24 - Memórias de Guerra | Sou neto do expedicionário Olices Alcides Guerra, citado no texto. Cresci ouvindo essas histórias e muitas outras. Sinto-me emocionado em ler esta matéria. Estes sim são nossos verdadeiros heróis! Parabéns a todos. Georgio Guerra

Depois do amistoso com o Pelotas, no sábado, o Ju vai a Florianópolis para... se concentrar

Copa 2010 | 20

A Odete Roitman francesa e o Schwarzenegger brasileiro

ocaxiense@ocaxiense.com.br

Guia de Esportes | 21

Em nome da diretoria e associados da Associação de Futebol de Mesa – Caxias do Sul (AFM Caxias) quero agradecer e parabenizar pela reportagem da edição 29 sobre nosso esporte, contando um pouco de nossa história de 45 anos de atividades e esclarecendo um pouco mais sobre as regras de nossa modalidade. Rogério Prezzi

Sábado é dia de jogar bola: com o pé, no Jaconi, e com a mão, na UCS

Passado renovado | 22

Campos do novo CT exibem raízes da velha raça grená dos tempos da Baixada Rubra

Reforço meu apreço por este conceituado jornal O Caxiense, que vem demonstrando seu interesse pela formação da identidade cultural e intelectual de nossa cidade, colocando com clareza seu posicionamento jornalístico para seus leitores. Osmar Ferreira

Renato Henrichs | 23 A visita de Yeda em dia de rebelião no presídio

Expediente

Redação: André Tiago Susin, Cíntia Hecher, Fabiano Provin, Felipe Boff (editor), Graziela Andreatta, José Eduardo Coutelle, Luciana Lain, Marcelo Aramis (editor assistente), Marcelo Mugnol, Paula Sperb (editora), Renato Henrichs, Roberto Hunoff e Valquíria Vita Comercial: Leandro Trintinaglia e Cláudia Pahl Circulação/Assinaturas: Tatyany Rodrigues de Oliveira Administrativo: Luiz Antônio Boff Impressão: Correio do Povo

É absurdo, mas são muitos os casos de animais que não fazem mal a ninguém e acabam maltratados e abandonados. A repórter Cíntia Hecher e o fotógrafo André Tiago Susin mostram, em um audioslide, esta triste realidade, que pode mudar com a ajuda de cada um.

Assine

Para assinar, acesse www.ocaxiense.com.br/assinaturas, ligue 3027-5538 (de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 18h) ou mande um e-mail para assine@ocaxiense.com.br. Trimestral: R$ 30 | Semestral: R$ 60 | Anual: 2x de R$ 60 ou 1x de R$ 120 Jornal O Caxiense Ltda. Rua Os 18 do Forte, 422, sala 1 | Lourdes | Caxias do Sul | 95020-471 Fone 3027-5538 | E-mail ocaxiense@ocaxiense.com.br www.ocaxiense.com.br

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O Caxiense

26 de junho a 2 de julho de 2010

Números atrasados | Complete sua coleção do jornal O Caxiense. Compre já as edições anteriores, pelo preço de capa (R$ 2,50), enviando um e-mail para ocaxiense@ocaxiense.com.br ou ligando para 3027-5538.

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


paula.sperb@ocaxiense.com.br Maicon Damasceno/O CAXIENSE

editado por Paula Sperb

A Semana

Consulta popular sobre transporte público alerta para desconhecimento sobre as gratuidades das passagens; mudanças nas paradas do Centro vão facilitar embarque de idosos

SEGUNDA | 21 de junho Transporte

Mudanças para melhor nas paradas do Centro Diversas alterações nas linhas de ônibus da Visate causaram transtorno aos usuários, que levam tempo para se acostumar com as novidades pouco divulgadas pela empresa. Mas, desta vez, as mudanças são daquelas que não demoram a fazer parte da rotina. As paradas do Ópera e da Bento Gonçalves receberam local específico para embarque de idosos e portadores de deficiência. Além disso, placas informam o nome e o número das linhas que param nas estações.

Economia

Randon fecha seu maior contrato ferroviário É no mês de comemoração de 100 anos da chegada do trem a Caxias que a Randon fecha seu maior contrato para o segmento ferroviário. A empresa vendeu 1.150 vagões para a Mitsui Rail Capital Participações, do grupo japonês Mitsui & Co Ltd. O contrato é o maior da empresa gaúcha desde que ingres-

sou no ramo ferroviário, em 1998. A integralidade do contrato deverá ser cumprida até junho de 2011.

TERÇA | 22 de junho Cultura

R$ 60 mil para teatro aguardam interessados Por mais que se deixe para última hora, não dá para desprezar o prêmio de R$ 60 mil de incentivo à montagem teatral. Neste ano, são R$ 20 mil a mais do que no ano passado. Até a tarde de terça, porém, não havia nenhum inscrito. Em 2009, dois espetáculos foram contemplados: Romeu e Julieta – Versão de Bolso, da Cia. Teatral Atores Reunidos, e In Osteria, da Associação Cultural Miseri Coloni. Os R$ 60 mil do prêmio serão divididos entre os aprovados e os atores têm um prazo de 12 meses para estrear a peça.

QUARTA | 23 de junho Saúde

Ipam finalmente nomeará um diretor de saúde Após dois anos e meio sem um

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diretor de saúde, o Instituto de Previdência e Assistência Municipal (Ipam) nomeará o médico Abelardo Antônio Ferreira Cavalcantti para o cargo. Abelardo é cirurgião geral, atual coordenador médico do Ipam e filiado ao PMDB. O cargo de diretor foi criado pela lei complementar n° 298, de dezembro de 2007, e será ocupado pela primeira vez.

QUINTA | 24 de junho Transporte

Maioria aprova passe livre, sem saber que paga por ele

A maioria dos usuários do transporte público em Caxias aprova o passe livre nos ônibus. Conforme o resultado da Consulta Popular realizada pela Associação de Usuários de Transporte de Passageiros (Assutran), 59,10% acham positivo a passagem gratuita no último domingo do mês. O que surpreende é que 80,62% dos 5.440 usuários que responderam a pesquisa sequer sabiam que pagam pelas gratuidades. Sinal de que o debate sobre o transporte coletivo na cidade precisa ser aprofundado antes que os usuários sejam pegos de surpresa com um aumento nas passagens.

SEXTA | 25 de junho Interior

Vereador responsabiliza Estado pela insegurança

A insegurança no interior de Caxias foi tema de discussão na Câmara de Vereadores e deve ir parar no gabinete da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul. O presidente da Comissão de Direitos Humanos, vereador Renato Nunes (PRB), que comandou audiência pública sobre o assunto durante a semana, explica que não há nada que possa ser feito no município. “O problema de insegurança é sério, e é uma responsabilidade do governo do Estado. Por isso, vamos levar a questão aos responsáveis e cobrar uma solução”, promete Nunes. Enquanto isso não acontece, a recomendação da Brigada Militar é que os moradores do interior tranquem suas casas. A Brigada Militar disponibiliza apenas duas patrulhas, que devem dar conta de todo o interior. A possibilidade de os policiais chegarem em tempo de evitar uma ocorrência é pequena. Há policiamento comunitário em apenas dois distritos caxienses, de Vila Seca e Vila Cristina, e na região de Forqueta.

26 de junho a 2 de julho de 2010

O Caxiense

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Roberto Hunoff roberto.hunoff@ocaxiense.com.br

Se encerra na quarta-feira (30) o prazo para a entrega da Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica. Por meio dela as empresas enviam para a fiscalização tributária, entre outros dados, número de empregados e faturamento de 2009. No entanto, todas as organizações de lucro presumido e lucro real devem ficar atentas a novas exigências fixadas pela Receita Federal. Dentre elas, o uso de assinatura e certificado digital válidos no envio da declaração, alternativa encontrada para desburocratizar e agilizar o sistema, permitindo segurança na transação de arquivos via internet. Um dos principais benefícios é que com essa tecnologia a empresa também terá acesso a toda sua vida fiscal.

A Randon apurou receita líquida de R$ 318,9 milhões no mês de maio, em alta de 54% sobre igual período do ano passado e de 10% na comparação com abril último. No acumulado dos cinco meses o valor líquido é de R$ 1,391 bilhão, com evolução de 47,5% sobre o mesmo período de 2009. O faturamento de maio foi o maior mensal registrado desde o início do ano. Nesta semana a empresa

confirmou a venda de 1.150 vagões ferroviários para a MRC, com prazo de entrega até junho de 2011. Este é o maior contrato já feito pela empresa desde 1998 quando ingressou neste segmento. A Randon tem ainda em carteira mais dois pedidos, no total de 550 unidades, que estão sendo entregues. A projeção para o ano é de faturar 1,5 mil vagões, alta superior a 300% sobre o realizado em 2009.

Dissídio em pauta

Os metalúrgicos de Caxias do Sul reúnem-se em assembleia neste sábado (26) para deliberar sobre a contraproposta patronal para acordo do dissídio coletivo. Por meio do Simecs, os empresários oferecem reajuste de 6%, proposta já recusada pela diretoria do Sindicato dos Trabalhadores. A reivindicação é de 10% mais a inflação de 5,31% do período.

Pedidos atendidos

Miniempresas em ação

As 11 empresas constituídas na 10ª edição do Programa Miniempresa participarão de uma exposição no domingo (27), no Salão dos Capuchinhos. Por iniciativa da CIC Jovem será realizado almoço de integração dos miniempresários e familiares. Promovido em parceria com a Junior Achievement Rio Grande do Sul, o programa incentiva o empreendedorismo entre estudantes do 2º ano do Ensino Médio. Nesta edição são 200 participantes. De 6 e 11 de julho será realizada a tradicional feira dos produtos no Iguatemi. A sócia e consultora da empresa Ponto de Referência no Rio Grande do Sul e Paraná, Elisa Oca Bertaso, palestrará na reunião-almoço de segunda-feira (28) da CIC de Caxias do Sul. Ela falará sobre gestão, atendimento e serviço. A Ourives TeD – Treinamentos e Eventos Empresariais, o Diretório Central dos Estudantes da Universidade de Caxias do Sul e a RHCurrículo&Cia realizam em 3 de julho, das 13h às 18h30, o workshop beneficente Desenvolvendo atitude - Transformando vidas, evoluindo seres humanos.

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O Caxiense

Frota ampliada

A Marcopolo fechou a venda de 222 ônibus modelo Paradiso Geração 7 para o Grupo JCA, um dos principais operadores do transporte rodoviário do país. O modelo é considerado ideal para viagens de média e longa distâncias. Do lote total, quatro são da

Comércio otimista

A retração das vendas em abril não abalou o otimismo do comércio caxiense. A projeção é de crescimento anual entre 6,6% a 7,4%, acompanhando a tendência gaúcha. Para Ivanir Gasparin (foto), presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Caxias do Sul, a desaceleração foi normal depois de um ritmo forte de vendas no primeiro trimestre. Mesmo ainda sem dispor de dados definiti-

Curtas

As inscrições custam R$ 10 para estudantes da UCS e R$ 20 para público em geral, além da doação de dois quilos de alimento, uma lata de leite e um agasalho. Sem os donativos, que serão repassados para a Associação Criança Feliz, a inscrição custará R$ 630. A DSRibeiro Representações, de Caxias do Sul, amplia seu negócio com a incorporação da venda de implementos rodoviários fabricados pela Becker, de Criciúma (SC). De acordo com Danilo Souza Ribeiro, dirigente da representação, o tra-

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versão low driver, que tem a cabine do motorista rebaixada, proporcionando visão panorâmica aos passageiros. As empresas do Grupo JCA atendem linhas nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. vos, os últimos dois meses apresentaram crescimento. Para maio, em função do Dia das Mães, a projeção é de aumento de 10%. Para junho, de acordo com pesquisa da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Caxias do Sul sobre o desempenho do Dia dos Namorados, a indicação é de 4% a 5% de incremento. Calçados e roupas, como era projetado, foram os principais presentes desta data. Divulgação/O Caxiense

Representantes do setor vitivinícola gaúcho obtiveram resposta positiva a duas reivindicações feitas esta semana ao ministro Wagner Rossi, da Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. Ele garantiu a publicação de Edital de Prêmio de Escoamento da Produção para a destilação de vinhos e a regulamentação e nacionalização do Cadastro Vitícola e Vinícola, hoje realizado somente no Rio Grande do Sul. Por meio deste cadastro anual os produtores gaúchos declaram a produção de uvas, destino, área plantada, cultivares e comercialização. A presidente do Sindicato da Indústria do Vinho, Cristiane Passarin, afirma que a estimativa de destilação de 40 milhões de litros de vinhos garantirá o equilíbrio de estoques e a remuneração da uva e do vinho em seus preços mínimos.

Nova sede

Negócios em alta

Divulgação/O Caxiense

Leão jurídico

balho estará centrado nas regiões Norte, Nordeste, Centro e Sul do Estado. A empresa já representa, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a JMB Zeppelin, fabricante de produtos e equipamentos para a estocagem e manuseio de graneis sólidos.

O grupo Boeira, formado por uma metalúrgica e uma indústria de plásticos, investiu R$ 2,5 milhões na construção de nova sede no Desvio Rizzo. A apresentação oficial do empreendimento de 2 mil m² foi sexta-feira (25). Com 30 anos de presença no segmento de usinagem, peças automotivas, moldes e matrizes e, recentemente, em uma linha de utilidades domésticas, a empresa ampliará sua capacidade de produção em até 30%. Também serão agregados novos funcionários, elevando em 20% o quadro atual de 60 colaboradores.

Cozinha

Será na quinta-feira (1º) que a empresa Dolaimes Comunicação e Eventos apresentará oficialmente a primeira edição do Divina Cozinha Top – Os melhores da cidade. O projeto, dividido em 21 categorias, é resultado de pesquisa realizada com mais de 1 mil pessoas frequentadoras de estabelecimentos gastronômicos. A diretora Fúlvia Stedile Angeli Gazola assegura que a comunidade ganhará um guia-conceito que valorizará os melhores lugares e profissionais da enogastronomia local.

Selo de qualidade

A Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul iniciou por Caxias do Sul as tratativas para a criação de um selo de qualidade do comércio gaúcho. A proposta é a de desenvolver um programa de qualificação nos moldes do existente na indústria. Na segunda-feira (28) haverá nova reunião na CDL de Caxias do Sul para apresentação e discussão de alterações ao projeto e início de adesões.

Homenagem

A Prolar Imóveis completa, neste domingo (27), 40 anos de atividades na intermediação imobiliária e administração de condomínios. A data foi lembrada essa semana na reunião-almoço da CIC de Caxias do Sul, quando seu presidente Milton Corlatti entregou placa para Vilson Pascoal Dalla Vecchia, fundador da empresa.

A diretoria do shopping San Pelegrino elucidará na quarta-feira (30) todas as dúvidas da comunidade quanto ao empreendimento. Em café da manhã, deverá confirmar as lojas âncoras, a data de início das atividades e as demais corporações que ocuparão seus 115 espaços comerciais.

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Fotos: André T. Susin/O Caxiense

Imigração longínqua

Ana Cristina (E) veio de Cabo Verde, que tem mais nativos no Exterior do que no próprio território; Denise faz pratos típicos de Guiné-Bissau para se sentir mais próxima de casa

UM POUCO DA ÁFRICA

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em caxias por ROBIN SITENESKI

ma cidade maior do que um país. Foi o que encontrou Nilson do Espírito Santo Pires Neto ao se mudar para Caxias do Sul no segundo semestre de 2005. O jovem de 27 anos deixara São Tomé e Príncipe, o menor Estado no continente africano, com 1 mil quilômetros quadrados de área e cerca de 200 mil habitantes, para morar em um município de 1,6 mil quilômetros quadrados e população estimada em 410 mil. Nilson chegou a Caxias movido por dois desejos. O primeiro, estudar Engenharia Química, ele já está realizando, na UCS. O segundo poderá ser concretizado daqui a um ano: ajudar no desenvolvimento de São Tomé e Príncipe. “Eu fazia curso técnico e, dois dias depois de pegar a documentação para fazer o estágio, recebi a notícia de que ganhara uma bolsa para estudar no Brasil. Larguei tudo e vim”, conta Nilson, contemplado por um programa de bolsas para estrangeiros do governo federal. Além dele, outros 13 africanos, todos bolsistas, estudam em Caxias. O objetivo do programa é que, depois de formados, esses universitários retornem a seus países de origem, substituindo a mão de obra especializada estrangeira, e ajudem a reverter a situação socioeconômica das nações. É exatamente o que Nilson quer fazer. “Vou tentar trabalhar na indústria do petróleo de São Tomé e Príncipe”, explica o estudante, contando que a descoberta de reservas petrolíferas, no final dos anos 90, deu novo impulso à economia local, até então baseada na agricultura – especialmente no cultivo do cacau. Outros 20 conterrâneos de Nilson vieram ao Brasil em busca de formação. Ele é o único em Caxias. Para matar a saudade de casa, Denise Lopes Camará, estudante de Serviço Social na UCS, prepara co-

mida típica de seu país, Guiné-Bissau. “Fazemos grafiela, que é um frango temperado com alho, limão, pimenta e manteiga, ou caldo de amendoim, que usamos como molho para a carne, pelo menos uma vez a cada 15 dias.” Denise se inscreveu para estudar em Brasília e Goiânia, mas, oferecida a bolsa em Caxias, decidiu vir para a Serra Gaúcha. Passou por duas provas, uma oral e uma escrita, sobre idioma e cultura geral, antes de ser contemplada. A língua não foi problema. GuinéBissau, assim como São Tomé e Príncipe, foi colônia portuguesa. A mudança de um local de clima quente para uma cidade que parece passar por várias estações no mesmo dia impressionou Denise. “As roupas que comprei ficarão todas aqui. Se chegar lá com esses casacos, vão achar que sou louca.” De economia 80% agrícola, GuinéBissau, pouco maior do que Alagoas, é um dos países mais pobres do mundo, e passa por um momento de instabilidade política. Há pouco mais de um ano, teve o presidente assassinado. Especialista no continente africano, a professora de história Cristine Fortes Lia afirma que a disputa violenta pelo poder em Guiné-Bissau tem a mesma origem que em outros países da região. “Quando os europeus chegaram, a África já estava totalmente organizada, respeitando diferenças étnicas. Os colonizadores fizeram um novo mapeamento, que gerou conflitos”, explica. Lia também aponta o fato de que as colônias portuguesas na África se tornaram independentes apenas recentemente – no caso de Guiné-Bissau, em 1974. “Depois do período de colonização, a África viveu uma época de imperialismo nos séculos XVIII e XIX, o que aconteceu principalmente por causa de minério e outras riquezas.” Antes de desembarcar no Brasil, tudo que a cabo-verdiana Simone

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Separados da terra natal por um oceano, bolsistas se adaptam aos costumes caxienses para, na volta, ajudar seus países

Lima, aluna de Psicologia da UCS, serviu de entreposto durante muito sabia sobre o país tinha aprendido na tempo, pessoas de diferentes origens televisão. “Assistimos às novelas da que passavam por lá acabavam ficanGlobo e da Record. Lembro de ver La- do”, explica Ana Cristina, que teve nas ços de Família. Mas Caxias é muito conterrâneas um apoio fundamental diferente do que é mostrado na TV”, para se adaptar a Caxias. “Elas são miconstata. A exibição de folhetins brasi- nha família longe de casa.” leiros também é comum em São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau. Simone moQuem conhece bem as dificuldarava em Boa Vista, uma das dez ilhas des dos estrangeiros é Nei Alexandre de Cabo Verde. Apesar Rech, da Assessoria de o idioma oficial ser de Relações Internao português, algumas “Assistíamos às cionais da UCS. Uma variações do crioulo é conseguir monovelas da Globo delas são mais usadas nas radia. “Não ter avalise da Record. Mas ta é um problema. E ruas. Quando chegou a Caxias é muito o pessoal do mercado Caxias, a dificuldade diferente do imobiliário é bem infleque teve não foi com xível nesse ponto.” Para que é mostrado a língua local. Ela veio ajudar os alunos, a ascom duas conterrâne- na TV”, diz a sessoria mantém uma as, Ana Cristina An- cabo-verdiana lista de pessoas que se drade e Ana Júlia Ta- Simone dispõem a alugar imóvares, com quem mora. veis diretamente para “Como só falamos estrangeiros. crioulo em casa, no início tive probleRuthie Gomes, que também trabalha mas em entender minhas amigas, que na assessoria, revela que os africanos são da ilha de Santiago, onde o idioma demoram cerca de um mês para se amé um pouco diferente”, conta Simone. bientar em Caxias. “Eles também acaAdaptou-se bem à cidade, mas não a bam se abrasileirando com o tempo. alguns costumes gaúchos: “Chimarrão, Lembro que uma africana dizia ‘Imasó se for com açúcar, senão é horrível”. gina se eu chegar com essa calça justa Ana Cristina, estudante de Relações em Guiné-Bissau, o que minha mãe Públicas, revela que hoje existem mais vai dizer?’”, conta. Ruthie acredita que cabo-verdianos fora de Cabo Verde do a volta ao país de origem não deve ser que vivendo lá. “A maior parte do PIB fácil em casos como esse. “Eles mudavem da remessa de emigrantes.” ram, mas os pais e as mães deles não.” O país delas, onde chove apenas duOs bolsistas, entretanto, não esconrante os meses de junho, julho e agos- dem a ansiedade em retornar à África. to, é seco, formado por ilhas vulcâni- “O que eu mais quero é voltar para cas. Ana Cristina costuma dizer que, casa. Não vejo a hora. Por mais que de verde, Cabo Verde não tem nada. goste de outro lugar, sempre vai faltar As ilhas importam cerca de 85% dos alguma coisa”, afirma Denise. Nilson alimentos que sua população consome. acredita que carregará um pouco da Além do dinheiro recebido de fora, o grandeza do Brasil consigo para São turismo é das principais receitas. Tomé e Príncipe. “Levo muita coisa Na formação cultural, há semelhan- boa do Brasil, um país tão diversificaças com o Brasil. “O povo cabo-ver- do culturalmente. Ampliei muito midiano é uma grande mistura. Como nha visão de mundo.” 26 de junho a 2 de julho de 2010

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Fotografia de inclusão

U SUPERAÇÃO A IMAGEM DA

Dois meses, seis câmeras e dois professores foram o necessário para despertar o amor pela fotografia em um grupo de alunos especiais 1.

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1. Katiúcia no laboratório improvisado no banheiro; 2. Professora Tere, Jéssica e Mário André, o coordenador da oficina; 3. Casa fotografada com a técnica pinhole 4. Guadalupe e Katiúcia clicadas por colegas: “Eu achei ótimo”, diz Guadalupe; 5. Leão clicado por Jéssica em visita ao parque ; 6. Ezequiel captando detalhes em suas fotos

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26 de junho a 2 de julho de 2010

por VALQUÍRIA VITA valquiria.vita@ocaxiense.com.br m grupo de adolescentes descobriu que a mágica existe. Sete alunos da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) viram o papel branco se transformar em fotos em um laboratório improvisado dentro de um pequeno banheiro. Os alunos participaram do projeto de fotografia Recria – Fazendo Arte e Educação, do Instituto Murialdo. E, por dois meses, aprenderam desde o processo tradicional de revelação até as facilidades da fotografia digital. Antes das 9h de quarta-feira (23), a turma que fez parte da oficina estava sentada em silêncio em frente a um computador manuseado por Mário André Coelho, fotógrafo e coordenador do projeto, que mostrava as fotos tiradas pelos alunos no domingo anterior, durante a Feijoada da Apae. Entre imagens de convidados do almoço, dos cozinheiros, das professoras, dos pais e até do prefeito José Ivo Sartori ajudando na cozinha, há fotos das lajotas do chão: “E aqui, o que aconteceu?”, pergunta Mário André, arrancando risos dos alunos. “Quando a gente está contra a luz tem que ligar o flash”, continua ele, depois de mostrar uma foto escura. “Agora, quando o fotógrafo corta a cabeça... é brabo”, diverte os alunos, ao mostrar uma imagem onde aparece apenas o corpo de uma pessoa. Os alunos começaram fotografando através da técnica conhecida como pinhole (com câmeras feitas de lata). “Para tirar a foto tinha que esperar 15 segundos se tinha sol e 40 segundos se estava nublado. Daí ia no laboratório, colocava os produtos e colocava na água. E saía o negativo, depois o positivo”, explica a aluna Katiúcia Erthal, 16 anos. A professora da turma Tere Panozzo costumava brincar que a única coisa que não era permitida dentro do laboratório era soltar pum, já que o lugar é pequeno e fechado. Nenhum dos alunos diz ter sentido medo da salinha escura. A única reclamação é que demorava muito para a foto finalmente aparecer no papel. “O momento mais marcante foi quando se revelou a primeira foto. Uma das alunas se

deu conta do que estava acontecendo, pegou a foto e saiu correu por toda a escola mostrando para todo mundo”, relembra Mário André. Depois da etapa das fotos reveladas no laboratório fotográfico, “aquela coisa do tempo do Ariri Pistola”, como diz Mário André, os alunos aprenderam a manusear câmeras digitais. “Qualquer adolescente pega a câmera e aprende logo. Dentro das capacidades de cada um, foi assim com eles também”, conta o fotógrafo. Os alunos registraram imagens do Parque Cinquentenário e fizeram um ensaio fotográfico dentro da própria escola, clicando os colegas e funcionários. “São fotos muito espontâneas. Acho que dificilmente ia chegar um fotógrafo profissional e as crianças aceitariam na boa serem fotografadas”, diz o professor. Participante da oficina, Ezequiel Soares, 15 anos, gosta dos detalhes. E suas fotos mostram isso. “Gostei da parte de fotografar com a latinha porque dá para ver mais os detalhes em preto e branco.” Ele conta que chegou a dizer ao professor que estava gostando tanto das aulas que pensa em trabalhar com fotografia. Jéssica Martins, 16 anos, conta que o mais divertido foi ter ido ao parque “de carro com a profe” e ter conseguido fazer a foto do leão de bronze da entrada. Como não era possível fotografá-lo de frente (o leão está virado para a Avenida Itália), Jéssica fotografou-o de costas mesmo. Tere lembra que a aluna festejava com palmas a cada foto que ia aparecendo na hora da revelação. “Elas ficavam bonitas”, diz Jéssica, tímida. “Eu achei ótimo”, resume Guadalupe Maciel, 16 anos, espontânea. “Meu pai veio ver as fotos e achou muito legal.” As fotografias estão agora em exposição no saguão da Apae, e algumas pessoas chegam a se surpreender com o resultado: “Eles dizem ‘não acredito que foi vocês que fizeram’”, diz Katiúcia. Os alunos com necessidades especiais precisam de contato e vínculo afetivo, segundo Tere. E ela é a prova disso. “A profe é muito, mas muito amada por seus alunos”, escreveram os adolescentes em uma das muitas foto em que Tere aparece.

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André T. Susin/O Caxiense

Caxias 2014

O QUE A

ÁFRICA ENSINA

Comitiva observou a organização e a estrutura das cidades na Copa do Mundo e voltou ainda mais otimista com a candidatura de Caxias a subsede

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por JOSÉ EDUARDO COUTELLE jeduardo.coutelle@ocaxiense.com.br á pouco mais de uma década, a África do Sul vivia um violento regime de segregação racial. Hoje, reúne alegre e pacificamente representantes de incontáveis nacionalidades, credos, idiomas, costumes. A linguagem universal do futebol fez isso. Mas não só ela. Além das profundas modificações políticas e sociais que promoveu, o país teve de se estruturar para ser o primeiro do continente a receber uma Copa do Mundo. Saber exatamente o que a África do Sul fez foi o objetivo do seleto grupo de nove caxienses que mergulhou em um dos maiores eventos esportivos do planeta durante 10 dias. Integrantes de uma missão técnica, eles voltaram com muitos conhecimentos e, principalmente, uma constatação. O sonho de abrigar em Caxias pelo menos uma seleção em 2014 – e entrar, social e economicamente, na grande festa da Copa do Mundo – ficou um pouco mais real. Não foi fácil chegar a essa conclusão. Tampouco foi rápido. A missão partiu de Caxias às 14h do dia 4 de junho. De van, até o aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Dali, voou a São Paulo. Depois, fez escalas em Dubai e, já em solo africano, Joanesburgo, para finalmente chegar à Cidade do Cabo. Quase 20 mil quilômetros. Uma viagem de 50 horas. O desgaste, porém, teve suas compensações. A primeira delas veio ainda no saguão de um aeroporto. Na parada em Dubai, a comitiva descobriu que a delegação da Nova Zelândia aguardava pelo mesmo voo. “No avião, havia uma aeromoça brasileira. Pedi para ela chamar a delegação para a gente conversar. Daí mandaram um dos jogadores, que era coordenador do grupo. Esse foi nosso primeiro convite”, relata o secretário municipal de Esporte e Lazer, Felipe Gremelmaier, principal encarregado de oferecer a hospedagem caxiense às seleções em 2014. “Nessa nova distribuição da Fifa, a Nova Zelândia tem mais chance de chegar à Copa. Ela disputa pela Oceania, enquanto a Austrália disputa pela Ásia. São seleções fracas, mas vão estar nas Copas”, acrescenta. E foi assim que o grupo, composto por Geremias Rech, Rudimar Pontalti, Paulo Rossi, Fábio Lembi, Rafael Ártico, Paulo Cancian, José Carlos Avino e Sirlei Bertollo, além de Gremelmaier, desembarcou na África do Sul já com placar favorável. Uma das cidades visitadas, Cape Winelands, no extremo sul do país, trouxe aromas familiares à comitiva local. A terra que poderia ter seu nome traduzido por algo como Cabo dos Vinhedos se assemelha a Caxias tanto pelo clima frio quanto, obviamente, pela vinicultura. A ligação mais forte, entretanto, é entre o que o município africano é e o que Caxias pretende ser. Cape Winelands uniu-se a quatro municípios vizinhos e tornou-se uma das subsedes da Copa do Mundo. Essa conquista exigiu quatro anos de dedicação – nesse quesito, Caxias até se antecipa um pouco, já que começou a se mobilizar em 2009. “Trabalhando em conjunto, eles receberam três se-

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


Rafael Ártico, arquivo pessoal/O Caxiense

Rudimar Pontalti, arquivo pessoal/O Caxiense

Fábio Lembi, arquivo pessoal/O Caxiense

Reunião com a Coordenadoria de Hospitalidade da África; favela de 1,5 milhão de habitantes, na Cidade do Cabo; barreira de segurança na entrada do estádio em Pretória

leções. Se não estou enganado foram na África do Sul. Foi preciso fretar uma Japão, Uruguai e Dinamarca. Isso é o van. Apesar das boas estradas do país, que nós estamos fazendo aqui. Junta- o transporte coletivo é praticamente mos Caxias, Farroupilha, Antônio Pra- inexistente e os táxis são poucos e cado e São Marcos nessa ros. “Percebemos que lá busca”, conta Gremelnão há ônibus urbano. “Juntamos maier. Você faz sinal e o moO aspecto cultural Caxias, torista da van, se entencomum entre as duas Farroupilha, der que você vai para cidades chamou a ateno mesmo lugar, para. ção do representante Antônio Prado Caso contrário, você da Associação Rio- e São Marcos espera outra”, conta Gegrandense de Imprensa nessa busca”, remias Rech, da CIC. (ARI) Serra Gaúcha, enfatiza “Existem apenas vans, Paulo Cancian. “A mas não é um serviço gente visitou viníco- o secretário organizado, como o de las, algumas com duas de Esporte grandes empresas. Os safras por ano. Além proprietários possuem de aspectos da armaduas ou três delas. Se zenagem, as peças dos barris tinham dependesse desse transporte, nós não entalhos na madeira realizados por nos locomoveríamos”, acrescenta Pauartistas do mundo inteiro. Nas jane- lo Rossi, representante do Sindicato do las havia vitrais, como em uma igreja”, Comércio Varejista (Sindilojas). descreve. Fábio Lembi, presidente da Associação das Empresas de Pequeno Uma outra dificuldade africaPorte da Região Nordeste/RS, destaca na ficou flagrante aos olhos dos caxienas estratégias dos produtores de Cape ses em todas as cidades. A comunicaWinelands para lucrar com o turismo ção deixa muito a desejar. Em nenhum da Copa. “Vimos que uma cantina pe- dos locais visitados pela missão técnica quena pode vender camisetas e souve- havia nativos preparados para recebênires para aumentar o seu faturamen- los em língua espanhola ou, muito meto. São pequenas ações que trazem um nos, portuguesa. “Lá eles têm 11 dialebom resultado.” tos e mais o inglês. Não encontramos Para chegar a Cape Winelands, po- ninguém falando espanhol, nem em rém, os caxienses tiveram de enfrentar hotéis, restaurantes, nem nada escrito um dos maiores problemas observados nesse idioma. Esta Copa tem nove se-

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leções que falam português e espanhol comunicação é bem elitizado”, rela- Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, ta. O secretário Gremelmaier lembra Paraguai, Honduras, México, Portu- que no primeiro dia o grupo ficou até gal e Espanha –, e na África ninguém as 4h para conseguir enviar material fala”, aponta Gremelmaier. “Na África pela internet do hotel. “O aeroporto as pessoas estavam preparadas para lá também não possui wireless. Essa é falar um inglês bem simplificado, car- uma grande dificuldade que não pode regado no erre, derivado do africâner. acontecer”, afirma. Em qualquer outra língua era extremamente difícil a comunicação”, completa A segurança, questão que preCancian. ocupava a missão técnica antes da parA experiência corrobora a já iden- tida, foi uma surpresa positiva. “Não tificada necessidade de um segundo vimos nenhum incidente. Tudo era idioma, exigido pela Fifa para que Ca- muito tranquilo. Se pode andar de noixias possa ser subsede. “O que eles não te a pé. O número de assaltos é quase fizeram, e que nós temos de fazer, é zero”, conta Paulo Rossi. Para Sirlei, o formar um pessoal em que chamou mais atenlínguas estrangeiras. ção foi a presença femiNa África eles já têm nina no policiamento. “Aqui não o inglês como idioma. “As policiais estavam a Aqui não temos o in- temos o inglês cavalo e também nos glês nem o espanhol. É nem o espanhol. estádios.” Cancian resnecessário formar pes- É necessário salta que houve uma soas com esses idiomas conjugação de esforformar pessoas com urgência”, conclui ços de polícia pública, com esses o secretário. empresas de segurança Ainda na área da co- idiomas com privada e mais algumas municação, outra defi- urgência”, diz pessoas especialmente ciência percebida foi o contratadas. “Sozinhos, Gremelmaier alto custo e a lentidão nenhum desses grupos dos serviços de interteria como atender essa net. Paulo Rossi conta demanda. A gente se que poucos lugares disponibilizam o sentia seguro pois havia guardas por serviço. Conforme Cancian, um cartão todo o canto. Muitos foram preparaque dá direito a uma hora de acesso dos pela polícia francesa. A gente soucusta cerca de R$ 26. “O processo de be que boa parte dessa gente não tinha

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40 mil pessoas, com transmissões dos jogos do dia. Isso é para oportunizar às pessoas que não têm dinheiro para entrar nos estádios a chance de acompanhar os jogos em clima de Copa. Na Alemanha havia uma média de 21 mil pessoas em cada Fan Fest. Na África, chegava apenas a 5 mil. Essa foi uma experiência bem interessante para nós, pois temos condições de receber uma Fan Fest em Caxias. Espaço tem, e a Fifa vem aqui e monta tudo. Coloca a barraquinha da Coca-Cola, da Budweiser e da própria Fifa, que vende materiais oficiais”, revela Gremelmaier.

nosso estádio. Algumas coisas podem ser implantadas, mas não sei se seria uma vantagem. Aqueles são estádios que também são usados para o rugby”, indaga Ártico. Além dos estádios, a dupla CA-JU pôs o olho em novas oportunidades de divulgação. O exemplo veio do maior time sul-africano, o Kaizer Chiefs. Pontalti conta que para visitar as dependências internas do Centro de Treinamento foi necessário associar-se ao clube. “Confeccionaram uma carteirinha na hora. Achei bem interessante e viável para implantarmos aqui”, adianta. A direção do Kaizer contou a grenás e alviverdes que teve um incremento muito grande nas vendas de materiais do time em virtude da Copa. “Quem gosta de futebol vai comprar uma camisa, um boné, uma coisa do clube local. Além disso, a carteirinha que te dão fica de lembrança”, acrescenta Pontalti.

Treinamento de segurança no Ellis Park, estádio da estreia brasileira; Fan Fest, evento da Fifa para quem não tem dinheiro para ir aos jogos, em Joanesburgo

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Fábio Lembi, arquivo pessoal/O Caxiense

Da arquibancada, a comitiva – que se dividiu para assistir a alguns jogos: Sérvia x Gana, Holanda x Dinamarca e, claro, Brasil x Coreia do Norte – também viu boas perspectivas. A análise dos estádios sul-africanos mostrou ao secretário municipal de Esporte que Caxias está muito bem se comparada sua estrutura com as oferecidas pelas subsedes desta Copa. “A gente Com todo conhecimento acutem condições até de sediar amistosos mulado, o placar final da missão capré-Copa aqui. Vamos supor que a Itá- xiense à África, segundo seus integranlia fique em Caxias e faça um amisto- tes, é muito positivo. O desejo de ser so com a Venezuela ou a Bolívia. Vai subsede ficou mais palpável. “Caxias lotar o estádio, movimentar demais a tem condições de receber a Copa. Concidade.” siderando todas as dificuldades dos Para os representantes da dupla CA- africanos, estamos à frente em muitos JU, alguns pequenos reparos já são aspectos. Nós queremos é movimentar suficientes para colocar Centenário e a cidade. Este é o nosso desafio”, resJaconi de acordo com as exigências da salta Sirlei. Para Fábio Lembi, quanto Fifa. “Nossos dois campos estão pre- antes a cidade se mobilizar, mais chanparados. Só alguma coisa de estrutura ce terá de atingir o seu objetivo. Paulo interna precisa ser feiCancian diz que é neta, como a reforma nos cessário fazer a lição vestiários. Não vejo de casa. “Precisamos “Nossos dois problemas maiores”, nos unir para trabalhar diz Rudimar Pontalti, campos estão em conjunto: uma mão conselheiro do Caxias. preparados. Só da livre iniciativa e ouRafael Ártico, repre- alguma coisa tra do poder público.” sentante do Juventude Conforme o secretário de estrutura na missão, observa que Felipe Gremelmaier, o os estádios sul-africa- interna precisa próximo passo é reunos têm um diferencial ser feita”, nir os participantes da no escoamento da tor- avalia Pontalti, missão e montar um cida e no acesso intermaterial com tudo o do Caxias no aos diversos setores. que foi observado na “A lógica de acesso aos viagem. “Os contatos estádios é diferente. são extremamente imAqui temos controle único. Lá é ao portantes, todo mundo nos disse isso. contrário. Aqui se entra direcionado Agora, devemos ampliá-los, e depois para um setor. Lá se acessa todos os focar em alguns. Se conseguirmos unir setores de um único ponto. Essa é uma a cidade em prol dela mesma, este será mudança bem grande com relação ao o grande legado que a Copa deixará.”

Geremias Rech, arquivo pessoal/O Caxiense

a habilitação nem o conhecimento out!, mas foi algo parecido”, lembra. para o que estavam fazendo. Eles não Em meio às seleções, a missão téctinham uma boa comunicação e não nica também acompanhou o trabalho sabiam dar informações, isso porque de deslocamento de uma delegação do faltou preparo. Entretanto, sua presen- hotel para o estádio. Os caxienses obça intimidava a violência e dava uma servaram a saída da Sérvia e a chegada sensação de seguranda Nigéria e da Argença”, analisa. tina. “Existe toda uma Segundo Gremel- “A delegação segurança especial. Há maier, o policiamento dos Estados um helicóptero para era tão forte que pare- Unidos nos cada ônibus, viaturas cia até excessivo. “Não da polícia, batedores, sentimos o clima de mandou embora. motos. Em ônibus difeinsegurança na Cidade Não lembro se rentes saem jogadores e do Cabo, em Pretória usaram o get os dirigentes. Pela maou em Joanesburgo. out!, mas foi nhã, vai para o estádio Nos jogos, tivemos inuma van com todo o formação de que eram algo parecido”, material esportivo da disponibilizados cerca conta Sirlei equipe, e também parde 2,2 mil policiais. te da comissão técnica”, Acho que esse policiaregistra Gremelmaier. mento todo acaba deixando desprotegido o resto da cidade. A Brigada gaúUma das reuniões mais imporcha diz que disponibiliza 300 policiais tantes na África foi com representantes para os Gre-Nais, e isso que se trata de do programa oficial de hospitalidade jogo de rivalidade, um clássico com da Copa do Mundo, que, entre outras enfrentamento. Lá os jogos de seleções atribuições, comanda a distribuição são supertranquilos.” das vagas nos hotéis e a venda de ingressos para os jogos. Para supresa dos Entre reuniões e tentativas caxienses, a Match, empresa responsáde aproximação – nem sempre muito vel que administra as questões de hosbem-sucedidas –, o nome de Caxias pedagem em eventos da Fifa no mundo Sul como candidata a subsede da do inteiro, disse que não houve um Copa 2014 circulou em muitas mãos. aumento de oferta de leitos na África. O presidente da Federação Gaúcha “Perguntamos se eles não tinham perde Futebol (FGF), com quem o gru- dido turistas com isso e nos disseram po se reuniu na África, encarregou-se que não. No dia em que acompanhade receber o material sobre a cidade mos o deslocamento da Sérvia, cone repassá-lo às seleções do Chile e do versamos com turistas brasileiros que Uruguai e ao presidente da Conmebol estavam alojados em casas de família. (Confederação Sul-americana de Fute- Muitas delas absorveram esses turistas bol), Nicolás Léoz Almirón. na Copa da África. Fizemos a nossa A Itália, um dos alvos preferenciais reserva com pouco mais de um mês dos caxienses, também foi contatada. de antecedência, e ainda tivemos de “Entregamos o nosso material para um trocar de hotel. Conseguimos tranquirepresentante do time italiano, ao lado lamente para antes da Copa. Mas, nos da concentração”, relata Gremelmaier. últimos dois dias, tivemos de mudar Outro convite foi feito à Sérvia. “Nem para outro hotel”, conta o secretário. sei como conseguimos entrar dentro O grupo também teve a oportunido hotel da Sérvia. Começamos falan- dade de conhecer uma edição da Fan do com o porteiro e, quando vimos, es- Fest, evento oficial da Fifa, iniciado távamos lá dentro. No hotel estavam as na Copa da Alemanha, em 2002, para pessoas responsáveis pela segurança e levar os jogos até as pessoas que não alimentação”, diz o secretário. As trata- poderão estar nos estádios. A equipe tivas com a equipe norte-americana é foi convidada pela CIC de Joanesburgo que não tiveram resultado satisfatório, para conhecer uma Fan Fest privada na conta Sirlei. “A delegação dos Estados abertura da Copa. Dias após, a comitiUnidos nos mandou embora literal- va visitou uma pública. “Era um local a mente. Não lembro se usaram o get céu aberto, que pode receber cerca de


André T. Susin/O Caxiense

Atenção e compaixão

eles pedem

socorro Vítimas de maus tratos, animais dependem de denúncias da população e da acolhida de voluntários para ter seu sofrimento interrompido

Cães e gatos abrigados por Flávio Dias em sua chácara estão disponíveis para adoção

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por CÍNTIA HECHER cintia.hecher@ocaxiense.com.br ma das maiores maldades que um ser humano pode infligir é a agressão a um ser indefeso. Provas dessa crueldade não são esporádicas, nem acontecem longe de você. Maus tratos a animais, domésticos ou silvestres, pequenos ou grandes, seus ou dos outros, são punidos por lei. É uma forma daqueles sem voz serem ouvidos, mesmo que não seja uma maneira totalmente eficaz. Quem conhece de perto o quanto um animal pode sofrer é Flávio Dias, dono da chácara que carrega seu nome e também a responsabilidade de abrigar as vítimas. O que move Flávio nessa tarefa é o que, segundo ele, mais falta no mundo. “Falta amor pela natureza e até por si. Como alguém vai amar um animal ou outra pessoa se não ama nem a si mesmo?”, questiona. Ex-morador de rua, Flávio tinha como companhia os cães. Ao crescer, resolveu que era hora de fazer um pouco por quem tanto fez por ele – e contagiou a esposa, Maria Beatriz dos Reis Dias, a Bea, que também se apaixonou pela causa. A chácara (fone: 8402-3821) hoje tem em torno de 400 animais, todos tirados de alguma situação de maus tratos ou violência, como atropelamentos sem socorro. Flávio, que refere-se a si mesmo como “pai” dos hóspedes da chácara, desfia um repertório horripilante ao contar suas histórias. Pingo, um cachorro linguicinha, mas de pelo longo, arrasta as duas patas traseiras pelo chão. Depois de atropelado, foi abandonado pelo dono. Pirata chegou lá com um dos olhos saltado para fora da cavidade ocular. Hoje, a vista esquerda é fechada por pontos cirúrgicos. Há também Pretinho, encontrado com a pata traseira pendurada e sangrando –

teve de ser amputada. Zé Bonitinho é um pequeno viralata com o mesmo problema de Pingo. Flávio fala que o aconselharam a sacrificá-lo, mas isso não passou por sua cabeça. “Ele merece viver. Cada um tem sua função aqui na Terra. Se uma pessoa fica paraplégica não matam ela, né?”, raciocina. Um dos casos mais comoventes é o do grandão Toby, o viralata que não consegue se mexer sozinho e mostra os dentes sempre que alguém – exceto Flávio – se aproxima. Vive deitado em um colchão, e Flávio o movimenta algumas vezes ao dia. Só consegue mover a cabeça e, manhoso, reclamar por cafuné. A chácara também abriga Neguinho, um pitbull de rinha que estava velho demais para a violenta competição entre cachorros. O estado em que ele chegou era lastimável, com mordidas por todo corpo. Diante de todo esse sofrimento – e da impossibilidade de se entender a crueldade com os animais –, Flávio e Bea buscam consolo na recuperação dos bichos. “Eles são meu tesouro, minha alegria, minha fortuna”, emociona-se Flávio. Em Caxias do Sul, a Patram (fones: 3217-8941 e 3215-5531), Patrulha Ambiental (Patram) da Brigada Militar, é acionada em casos de violência contra os animais. O sargento Paulo César Rodrigues dos Santos explica que a função da corporação é intervir quando se trata de crime. “O que para uns é caso de maus tratos, para outros talvez não seja. Temos que avaliar cada situação”, afirma. O termo utilizado é denúncia fundada de maus tratos. Um exemplo: um cachorro se encontra amarrado o dia inteiro sob o sol, sem comida ou bebida. A Patram também age em situações em que o animal é que oferece risco, como é chamada em

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outras situações, como quando um cão bravo anda livre pelas ruas. “Recolher um animal atropelado na rua não faz parte da função, porque não temos para onde levá-lo depois. Embora queiramos contribuir e recolher todos os cães atropelados, para onde levá-los? A Patram não tem local adequado nem veterinário disponível”, justifica Santos. Esses casos são, então, encaminhados à superlotada Sociedade Amigos dos Animais (Soama). Um animal maltratado ou violento não fica sob os cuidados da Patram, que busca o responsável pelo ocorrido. A primeira coisa a fazer é identificar o proprietário. “Aí tomamos as providências. Um termo circunstanciado é assinado. Não necessariamente o animal é retirado do dono. Ele é, afinal, o responsável”, explica o sargento. Mas a principal linha de trabalho da Patram é a fiscalização sobre a posse de animais silvestres, que não devem ser confundidos com os exóticos, como calopsitas ou canários-belga. Silvestres são os animais da fauna local retirados do seu habitat natural – e que podem até estar entre as espécies em extinção. Os mais encontrados são, de longe, os papagaios. “Independentemente do tempo que a pessoa possua o animal, ele deve ser entregue ao órgão competente. O Ibama não autoriza a posse”, alerta Santos. Canário da terra, sabiá, azulão e trinca-ferro são outros pássaros encontrados com maior frequência. “A multa fica entre R$ 500 e R$ 5 mil, dependendo da espécie.” A punição financeira, que decorre de um processo administrativo no Ibama, é só a primeira fase da responsabilização do criminoso. A segunda é um procedimento cível – que também pode dar em multa –, tomado pelo Ministério Público, e a terceira, um processo criminal. “São soluções diferen-

tes em esferas diferentes”, diz Santos. A Promotoria de Caxias (fone: 3228-2366) não tem número exato de casos, mas estima que cerca de 10% dos crimes ambientais sejam relativos a maus tratos a animais. No ano passado, 551 registros de crimes envolvendo o meio ambiente foram registrados. Em 2010, até o último dia 8, os casos somavam 265. A promotora Janaína De Carli dos Santos afirma que a maioria acaba em algum tipo de punição. “Os casos arquivados são os que possuem poucos elementos de prova.” Vizinhos e até parentes que se penalizam com a situação dos bichos são as principais fontes de denúncias. Elas revelam situações como a de um animal que ficou preso em casa por 15 dias, sem comida nem água, enquanto os donos foram viajar, ou a de um poodle que morreu por ficar em uma área onde tomava sol o dia inteiro. O crime de maus tratos é doloso, ou seja, tem a intenção da ação. Segundo Janaína, um acusado sem antecedentes pode pedir transição penal: em vez de três meses a um ano de detenção e multa, como prevê a lei, ele pode prestar serviços comunitários ou fazer o pagamento de multa reduzida. Geralmente, os condenados acabam cumprindo tarefas em uma escola próxima de sua casa ou na Associação de Moradores do bairro (além de quitar a multa). “Não é necessária a pena de prisão, no meu entendimento. Prestação de serviços é uma pena suficiente”, avalia a promotora. Com os agressores longe da cadeia, resta aos defensores dos animais, além de ter pena das vítimas, seguir denunciando. Assim, pelo menos, conseguirão o mais urgente: interromper o sofrimento dos bichos.

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Simone de Almeida, Divulgação/O Caxiense

Entrevista: Ittala Nandi

Exemplo de independência no fim dos anos 60, Ittala Nandi foi uma das mulheres ouvidas pela revista Realidade na edição censurada e apreendida pelo governo militar

Esta mulher

ainda é livre

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por GRAZIELA ANDREATTA graziela.andreatta@ocaxiense.com.br

mulher desta reportagem é Ittala Nandi, caxiense, atriz e feminista. Começou a carreira aqui na cidade, trabalhando no teatro amador. Mas foi atuando no Teatro Oficina, grupo paulista de renome internacional, que ela conquistou os palcos e, depois, as telas. No teatro, fez Na Selva das Cidades, de Bertolt Brecht, com direção de José Celso Martinez Corrêa. No cinema, atuou em filmes como Pindorama – de Arnaldo Jabor, que representou o Brasil em Cannes em 1972. Na tevê, estreou em 1978. Fez novelas como Que rei sou eu? e a minissérie A Casa das Sete Mulheres, na Rede Globo, Pantanal, na Manchete, e, mais recentemente, Os Mutantes – Caminhos do Coração, na Rede Record, que está sendo reprisada pela emissora. Com posições firmes, Ittala rompeu barreiras do seu tempo. Numa época em que as mulheres se sujeitavam ao papel secundário de atender à vontade masculina, ela foi protagonista. Participou de atos políticos e ficou completamente sem roupa em um palco. Escandalizou a sociedade, mas virou ícone de luta pela liberdade feminina. Em janeiro 1967, Ittala – que então não havia acrescentado o segundo “t” ao nome – ilustrou uma das reportagens de um número especial da revista Realidade sobre as mulheres. A publicação marcou época no jornalismo

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brasileiro na forma e no conteúdo, tratando de temas considerados tabus e de questões sociais com profundidade até então inédita na imprensa no país. A edição em que Ittala apareceu trazia na capa a foto de uma mulher observada com uma lupa e um conteúdo recheado de imagens e declarações inimagináveis para o período. As entrevistadas falavam sobre o que pensavam e o que queriam: desquite, o corpo e sexo. Ittala era quem falava de sexo, e sua entrevista tinha como título “Esta mulher é livre”. O resultado dessa combinação de temas: a revista foi censurada e apreendida nas bancas pela ditadura militar. Quarenta e três anos depois, a editora abril relançou, neste mês, aquela edição proibida de Realidade. E O Caxiense foi atrás de Ittala Nandi para ouvir novamente suas ideias. Quarenta e três anos depois, a condição da mulher no Brasil mudou completamente. Amadureceu. Ittala também. A moça de 24 anos, solteira e sem filhos que falava de sexo quase como um desafio agora está com 68 anos, tem um filho, Giuliano, de 38 anos, e uma neta, Sofia, de sete meses. Também tem um namorado “muito querido”, que se chama Tiago. Ittala não tem mais tanto contato com Caxias do Sul, já que suas irmãs vivem em Florianópolis, mas conta que vem de vez em quando à cidade para visitar outros parentes. A última passagem por aqui foi em fevereiro

Aos 68 anos, atriz caxiense relembra entrevista de 43 anos atrás, quando a liberdade feminina era quase um sonho

deste ano, na Festa da Uva. nhas opiniões. No momento, Ittala aguarda a defi- Você chegou a reler a reportagem de nição da data, pela Editora Melhora- Realidade recentemente ou se lemmentos, para lançar seu primeiro livro bra dela? Se aquela entrevista, com de ficção, Os sonhos de Vesta, e está aquelas perguntas e aquelas resposem pré-produção da peça A Caçada, tas, fosse feita e publicada hoje, como escrita pelo diretor Evaldo Mocarzel, seria classificada? entre outros trabalhos para a tevê e o Não teria, nos dias de hoje, nenhucinema. ma importância. Hoje não é a questão A entrevista com ela sexual que se impõe foi – a pedido da atriz como algo de relevân– por e-mail, recurso “Hoje a cia. A mundialização inimaginável em 1967. censura não é nos coloca diante de Da mesma forma, era problemas muito mais mais ditada, difícil pensar que um complexos. Hoje a cendia seria possível falar porque é sura não é mais ditada, tão abertamente sobre econômica. porque a censura hoje é sexo – e que hoje aqui- Ela é mais econômica. Ela é mais lo que há mais de quacruel e, de certa forma, cruel e, de tro décadas foi tratado vulgarizou tudo. como escândalo parece certa forma, quase ingênuo. vulgarizou tudo” Em 1967, falar de sexo era algo muito ousaO título da reportado, principalmente gem com sua entrevista na revista porque você era muito jovem. Hoje os Realidade era “Esta mulher é livre”. jovens falam de sexo sem problemas Você gostou desse título? Ele te defi- nas revistas, quem não fala muito são ne bem? as pessoas mais velhas. Se você desse Gosto muito desse título. Tem tudo uma entrevista sobre sexo hoje, com a ver com a minha independência e o a sua idade, acha que seria recebida meu espírito libertário. Talvez o meu com naturalidade? Ou ainda existe maior defeito e também a minha gran- uma ponta de preconceito, se não de qualidade sejam a minha indepen- pelo comportamento, pela idade? dência. Isso o grande jornalista que Minha querida, o sexo deixou de ser me entrevistou há 40 anos, Alessandro tabu, o tabu nos dias atuais é a questão Porro, soube perceber imediatamente. do “amor”. Sexo explícito você vê em Além do que, ele conhecia bem a mi- muitos canais na TV. Toda a garotada nha história no Teatro Oficina e as mi- de 10, 11 anos está vendo isso. O pro-

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blema é o “amor”, que significa também altruísmo, generosidade, fraternidade, compreender o outro, aceitar a religião do outro. Amar o outro, aquele que é diferente de mim! Como o amor está em “crise”, nós temos o aumento da violência, da arrogância, do ego, da corrupção etc.

Há muito a ser conquistado ainda, meu bem. Agora é preciso juntar as pontas. O evento da pílula ajudou a mulher a se realizar mais sexualmente, ter mais liberdade para encontrar seus afetos e para se desfazer das amarras. Agora se faz necessário achar o equilíbrio entre essa liberdade sexual, econômica, social e os valores humanos. Os valores humanos em “Eu introduzi sua essência são esses: no Brasil a agir corretamente, paz, minissaia, amor, verdade e não violência. Sem os vafui a primeira lores humanos colocaatriz a ficar nua dos em prática, do que nos palcos adiantam os Direitos brasileiros. Humanos?

Na reportagem da revista Realidade, você conta a história de uma amiga que perdeu a virgindade porque queria ser escritora. Hoje existe mais liberdade para se falar de sexo em casa e na escola, ou seja, há mais abertura. Mas as Fazia um teatro razões pelas quais as revolucionário” Na entrevista que você meninas decidem fadeu à Realidade, fala zer sexo pela primeira que o problema não vez será que mudaram? era os homens dizerem “essa mulher A imprensa atual é vulgar, seja ela é assim”, porque os homens normalescrita, falada ou televisiva. Essa vulga- mente rotulam as mulheres dessa ridade impede os jovens de serem pes- maneira. Você dizia que as coisas só soas especiais. Então, é claro que hoje começariam a mudar quando eles se faz sexo por qualquer motivo, ou passassem a dizer “essa mulher pensa melhor, sem qualquer motivo. Vou dar assim”. Chegamos a isso? um exemplo a você das mudanças: na De certa forma, sim. A mulher nesRealidade de 40 anos atrás, um núme- ses 40 anos evoluiu. Ela sabe o valor ro dedicado à mulher traz na capa um que tem. Melhorou a sua autoestima. rosto de mulher e uma lente de aumen- Os homens, com isso, tiveram que reto diante dela, significando que se bus- ver seus posicionamentos com relação cava “descobrir” a mulher. A Veja de 40 à mulher. anos depois, dedicada também à mulher, o que tem na capa? Um pedaço de Você também fala que se tivesse ficamulher, duas pernas vendendo um par do em Caxias do Sul agiria e até pende sapatos. Olha o absurdo! Esse é o saria diferente. O que teria mudado mundo hoje, pedaços de pessoas. Deu se você tivesse ficado aqui? pra compreender o que estou dizendo? Não teria conhecido pessoas que modificaram as minhas forma de ver o O que fez as mulheres brasileiras te- mundo e de me posicionar diante dele. rem hoje mais liberdade para falar de Tudo teria sido muito diferente, sem sexo? Mudou o pensamento de ho- sombra de dúvida. Eu seria outra pesmens e mulheres em relação ao tema soa, mas certamente não perderia nunou mudou a condição social e econô- ca a minha forma de ser independente mica da mulher? e de lutar sempre para ver o mundo A minha luta pela liberdade sexu- com os meus próprios olhos. al da mulher deu certo. Eu, a querida amiga Leila Diniz... nossa batalha saiu Você morava sozinha no Rio de Javencedora. Não foram só as nossas pa- neiro, posou nua, participou de atos lavras que movimentaram o sistema, políticos. Em Caxias, chegou a ser foram nossas atitudes libertárias. Eu mal falada. Passou bastante tempo. introduzi no Brasil a minissaia, fui a Mas o preconceito das pessoas em reprimeira atriz a ficar nua nos palcos lação a mulheres à frente do seu tembrasileiros. Fazia um teatro ponta de po mudou? E Caxias, você acha que lança, revolucionário, Teatro Oficina, mudou junto? muito Brecht, Gorki, Oswald de AnCaxias, há quarenta anos, era uma drade, filmes de contestação política província. É claro que as minhas atitucom Ruy Guerra, Joaquim Pedro de des à frente do meu tempo teriam que Andrade, Leon Hirszman, Arnaldo ser vistas com olhos de preconceito. Jabor, representando o Brasil nos mais Caxias cresceu, mudou também, como importantes festivais do mundo, como eu. Na passagem do século 20 para 21, Cannes, Veneza, Berlim. Em todos es- os universitários de Caxias me escolheses lugares, eu sempre falava sobre a ram como Personalidade de Destaque necessidade das mudanças, da liber- do Século 20. Isso pra mim disse muita dade de expressão, do respeito maior coisa. Fiquei feliz! Crescemos. pelas mulheres, em abrir o mercado para dar emprego às mulheres. Todas Qual o papel das mulheres hoje na essas mudanças são as que você está vi- sociedade? vendo, você e todas as mulheres atualHá mais vantagens para elas, as conmente. O mundo mudou sim, querida, quistas das feministas que trabalharam mudou a condição social e econômica muito para abrir espaços para o futuro da mulher, nós somos responsáveis por da mulher deu resultado. muitas portas abertas para a melhoria do mundo feminino. E você ainda se considera uma mulher livre? Existem ainda barreiras a ser derruSer livre é ter consciência que liberbadas quando o assunto é liberdade dade é sentido de responsabilidade! sexual feminina? Ou agora as barrei- Sim, fui, continuo e serei até o fim dos ras são outras? meus dias, uma mulher livre!

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NOVA DIRETORIA SIMECS

No dia 1° de julho assume a nova diretoria do SIMECS, Conselho Consultivo, Delegados Representantes junto à FIERGS, Câmaras Setoriais e respectivos suplentes, para o triênio 2007/2010. A eleição que aconteceu no dia 31 de maio passado tem a seguinte composição: Diretoria: Getulio da Silva Fonseca, Diretor Presidente, Carlos Zignani, Diretor Secretário e Reomar Angelo Slaviero, Diretor Tesoureiro; Marcos Guerra, Norberto José Fabris e Edson D’Arrigo. Conselho Fiscal: João Francescutti, Manoel Dall’Agnol Ruas Amantino, Ricardo Letti Borghetti, Osvaldo Carlos Voges, Milton Susin e Rogério Vacari. Delegados Representantes junto a FIERGS: Oscar de Azevedo, Astor Milton Schmitt, José Antonio Fernandes Martins e Getulio da Silva Fonseca. Câmara Setorial Automotiva: João Cláudio Pante e José Alceu Lorandi. Câmara Setorial Eletroeletrônica: Rudinei Suzin e José Paulo Medeiros. Câmara Setorial Metalmecânica: Enio Luiz Martinazzo e Humberto Edson Cervelin. Câmara Setorial de Micro e Pequenas Empresas: Jones Francisco Mariani e Alexandre Carlos Vanin Neto. A Gestão 2007/2010 que está encerrando seu mandato em junho foi comandada pelo presidente Oscar de Azevedo. CONVENÇÃO COLETIVA 2010 As comissões de negociação do SIMECS e do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos estão mantendo durante o mês de junho diversas reuniões, visando buscar um consenso para a composição do acordo da Convenção Coletiva de 2010. Entre os assuntos em discussão, estão sendo avaliadas as questões econômicas da atual situação. Em recente reunião entre as partes, o SIMECS apresentou uma proposta de 6% (seis por cento) de reajuste a vigorar a partir de 1º de junho de 2010. A comissão de negociação do SIMECS é liderada pelo presidente Oscar de Azevedo. A data - base da Convenção Coletiva é 1º de junho e atende os municípios de Caxias do Sul, Farroupilha, Garibaldi, Flores da Cunha, São Marcos, Nova Pádua e Nova Roma do Sul. MISSÃO AUTOMECHANIKA / IAA O SIMECS informa que deverá finalizar em breve a formação do grupo de empresas dos segmentos automotivo, eletroeletrônico e metalmecânico que irá participar da 20ª Missão Técnico-Comercial ao exterior. A missão está programada para o período de 15 a 26 de setembro. Na oportunidade serão visitadas as feiras Automechanika em Frankfurt e IAA em Hannover, ambas na Alemanha. A Automechanika é uma feira voltada para o setor automotivo e especializada em equipamentos para oficinas, acessórios para automóveis, reparação de automóveis, plataformas elevatórias, carroçarias, pintura de veículos, entre outros. Enquanto isso, A IAA International é a Feira mais completa da indústria automotiva e terá a exposição de caminhões de carga, ônibus e trailers, logística, equipamento para garagem e automóveis. Além das feiras, o grupo também irá visitar institutos de tecnologia e empresas da Europa. Inscrições pelo fone: (54)3228.1855 MAR DO NORTE De 26 de junho a 04 de julho, o presidente do SIMECS, Oscar de Azevedo integrará a Missão Petróleo e Gás no Mar do Norte que visitará no período, a cidade de Aberdeen. A comitiva será liderada pela FIERGS através do Comitê de Competitividade em Petróleo, Gás e Energia,do qual o SIMECS faz parte. A viagem tem como objetivo desenvolver cultura e conhecimento para o Polo OffShore, aproximar empresas gaúchas de Petróleo e Gás com empresas européias, visando gerar conhecimento sobre a realidade tecnológica de outros mercados, proporcionando a difusão de informação para o setor, e consequentemente, a possibilidade de negócios entre as partes na formação de parcerias e outros modelos empresariais. ALTA PREVIDENCIÁRIA / RETORNO AO TRABALHO Um expressivo público composto por profissionais das empresas metalúrgicas de Caxias do Sul e região lotou o auditório do SIMECS no dia 24 de junho para participar da palestra promovida pela entidade sobre Alta Previdenciária e Retorno ao Trabalho. Na oportunidade, o médico do trabalho e membro da Comissão de Segurança e Saúde Ocupacional SIMECS Marcos Giovane Rutsatz comentou algumas informações importantes sobre o assunto. Citou o alinhamento de ações conjuntas entre a Previdência Social e as empresas, abordando questões relacionadas às dificuldades observadas por ocasião da cessação de benefícios dos segurados (alta previdenciária ) uma vez que o segurado buscar a prorrogação ou a reconsideração sem acompanhamento do serviço de saúde da empresa. Rutsatz falou das alternativas por ocasião dos processos de reabilitação profissional, considerando variáveis como patologia, laudos médicos, limitações e interesses do segurado, vagas, conhecimento técnico e postos de trabalho compatíveis. PASSIVOS PREVIDENCIÁRIOS / VERANÓPOLIS Prevenindo Passivos Previdenciários. Este foi o tema da reunião de interiorização que o SIMECS promoveu dia 22 de junho na Associação Comercial e Industrial do município de Veranópolis. O encontro propiciou aos participantes a necessidade de uma integração e gestão total dos programas de saúde e segurança com vistas a contestação de Nexos Técnicos, Ações Regressivas Acidentárias e adequação ao PPP eletrônico que será implantado em breve. Foi palestrante do evento o engenheiro de segurança do trabalho Victor Hugo Facchin, integrante da Comissão de Saúde e Segurança do SIMECS. GRUPO DE TRABALHO TRIPARTITE Na semana de 21 a 25 de junho, o SIMECS sediou as reuniões do GTT – Grupo de Trabalho Tripartite, composto por representantes do governo federal, empregadores e trabalhadores. O objetivo foi dar continuidade à revisão da NR-12 (Norma Regulamentadora que trata da segurança de máquinas e equipamentos). Esta avaliação encontra-se em sua fase final, objetivando a publicação da portaria específica da referida norma. Os trabalhos foram coordenados pela Auditora Fiscal do Trabalho, engenheira Aida Cristina Becker. A realização das reuniões em Caxias do Sul contou com o apoio da Comissão de Segurança e Saúde Ocupacional do SIMECS, a qual pretende em breve realizar um evento para as empresas do segmento metalmecânico sobre as principais mudanças na NR-12. Uma das características desta norma regulamentadora está direcionada aos requisitos de segurança que as máquinas e equipamentos deverão possuir, tanto os existentes quanto aos novos. PROGRAMA DE SEGURANÇA Os eventos relativos ao Programa Segurança Continuada do SIMECS tiveram continuidade no mês de junho. No dia 14 o tema abordado esteve relacionado a Equipamentos de Proteção Coletiva e Individual - necessidades, prioridades e controle. Tendo a participação de profissionais das empresas metalúrgicas os eventos técnicos foram desenvolvidos pela Assessoria em Saúde e Segurança Ocupacional do SIMECS, a qual continua à disposição das empresas metalmecânicas. O atendimento desta assessoria acontece todas às segundas-feiras na sede da entidade, no seguinte horário: das 13:30 às 18:00h. Contatos pelo fone: (54) 3228.1855. SIMECS - Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul. Rua Ítalo Victor Bersani, 1134 - Caixa Postal 1334 Fone/Fax: (54) 3228.1855 – Bairro Jardim América. CEP 95050-520 – Caxias do Sul Rio Grande do Sul. www.simecs.com.br - simecs@simecs.com.br

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O Caxiense

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Guia de Cultura

por Cíntia Hecher | editado por Marcelo Aramis

Fotos: Icon Entertainment International, Div./O Caxiense

guiadecultura@ocaxiense.com.br

Mary, oito anos, mora em uma Austrália sépia; Max, 44, na Nova York cinza. Em Mary e Max eles descobrem que a amizade é capaz de combinar as cores e unir os mundos

CINEMA l Cartas para Julieta | Romance. Quarta (30) e quinta (1º), 14h20, 16h40, 19h20 e 21h40 | Iguatemi Em Verona, o muro de onde seria a casa da Julieta, do clássico de Shakespeare, serve de depósito para cartas apaixonadas e com dúvidas amorosas. A protagonista desse filme responde uma delas, de 1957, dando continuidade ao romance. Dirigido por Gary Winick. Com Amanda Seyfried e Vanessa Redgrave. Livre, 105min., leg.. l Eclipse | Aventura. Quarta (30), 00h01, 13h30, 16h10, 18h50 e 21h30 (dub.) e 00h15, 13h50, 16h30, 19h10 e 21h50 (leg.); quinta (1º), 13h30, 16h10, 18h50 e 21h30 (dub.) e 13h50, 16h30, 19h10 e 21h50 (leg.) | Iguatemi Terceiro filme da saga dos vampiros, lobisomens e mocinhas indefesas atraídas pelo charme e perigo desses seres. Para os fanáticos, haverá sessão à meia-noite. Dirigido por David Slade. Com Kristen Stewart e Robert Pattinson. 12 anos, 135 min.. l Quincas Berro d'Água | Comédia. Sábado a terça (29), 16h20, 18h50 e 21h10. Quarta (30) e quinta (1º), 14h10 e 18h40 | Iguatemi

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O Caxiense

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Baseado no livro de Jorge Amado melhor aceito pela crítica, o filme fala do bêbado e festeiro Quincas. Ele morre, mas os amigos não o deixam descansar da vida boêmia. Quincas então “revive” para uma última noite de festa. Dirigido por Sérgio Machado. Com Paulo José e Marieta Severo. 14 anos, 104 min.. l Segurança Nacional | Aventura. 18h | UCS Filme rodado em 2006 chega atrasado (com ação militar, frases feitas, explosões) e, principalmente, bombardeado pela crítica. Dirigido por Roberto Carminati. Com Thiago Lacerda e Milton Gonçalves. 12 anos, 97 min.. AINDA EM CARTAZ - Alice no País das Maravilhas. Aventura. 16h. Domingo, 14h e 16h. UCS | Ensina-me a viver. Comédia. Quinta (1º), 15h. Ordovás. Matinê às 3 | Fúria de Titãs. Aventura. 14h10 e 19h10 (dub.). Iguatemi. 20h (leg.). UCS | O Golpista do Ano. Comédia. 16h50 e 21h40. Iguatemi | Plano B. Comédia romântica. 14h20, 16h40, 19h20 e 21h50. Iguatemi | Príncipe da Pérsia: As areias do tempo. Aventura. 14h30, 17h10, 19h30 e 22h. Quarta (30) e quinta (1º), 16h20 e 21h. Iguatemi | Toy Story 3. Animação. 13h30, 14h, 16h, 16h30,

18h30, 19h, 21h e 21h30. Quarta (30) e quinta (1º), 14h, 14h30, 16h30, 17h, 19h, 19h30, 21h20 e 22h. Iguatemi INGRESSOS - Iguatemi: Segunda e quarta-feira (exceto feriados): R$ 12 (inteira), R$ 10 (Movie Club Preferencial) e R$ 6 (meia entrada, crianças menores de 12 anos e sênior com mais de 60 anos). Terça-feira: R$ 6,50 (promocional). Sexta-feira, sábado, domingo e feriados: R$ 14 (inteira), R$ 12 (Movie Club Preferencial) e R$ 7 (meia entrada, crianças menores de 12 anos e sêniors com mais de 60 anos). Horários das sessões de sábado a quinta – mudanças na programação ocorrem sexta. RSC-453, 2.780, Distrito Industrial. 3209-5910 | UCS: R$ 10 e R$ 5 (para estudantes em geral, sênior, professores e funcionários da UCS). Horários das sessões de sábado a quinta – mudanças na programação ocorrem sexta. Francisco Getúlio Vargas, 1.130, Galeria Universitária. 3218-2255. | Ordovás: R$ 5, meia entrada R$ 2. Luiz Antunes, 312, Panazzolo. 3901-1316

TEATRO l Em Cena | Sábado, 20h | A arte imita a vida e discute a si pró-

pria neste monólogo de Maria do Horto Coelho dirigido por Raulino Prezzi. Tirada rudemente do palco, uma atriz começa a avaliar sua arte, sua vida, seu cotidiano. Ingressos retirados antecipadamente no local do espetáculo ou na Unidade de Teatro da Secretaria Municipal da Cultura. Casa de Teatro Entrada franca | Olavo Bilac, 300, esquina com Regente Feijó | 3221-3130 l Tangos e Tragédias | Sábado e domingo | 20h30 Direto da Sbórnia, Maestro Pletskaya e o violinista Kraunus Sang atracam novamente em terras caxienses para cantar mais de sua terra natal, lixo cultural do mundo. Há 26 anos em cartaz, o espetáculo nunca fica velho. Para relembrar os clássicos sbornianos, acesse www.tangosetragedias. com.br. UCS Teatro R$ 50 | Francisco Getúlio Vargas, 1.130 | 3218-2309

FESTA l Festa Popular comemorativa ao aniversário de Caxias | Domingo, 14h | Aproveite o passe livre do ônibus

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


para assistir aos shows de Papas da Língua, Os Monarcas, Porto do Som, Délcio Tavares, Shana Müller, Só Batidão e Alex Trio. Colabore levando um agasalho ou um quilo de alimento não perecível. Pavilhões da Festa da Uva Entrada franca | Ludovico Cavinato, 1.431 | 3218-6000 l 21ª Feira de Inverno | Até 18 de julho | Feira de malhas, móveis, vinhos, gastronomia italiana e artesanato oferece o que Flores da Cunha tem de melhor. Um telão transmite os jogos do Mundial. Um olho na Copa e outro nas compras. Sábado: Almoço. 12h. Hora do Galito. 14h às 14h30 e 17h às 17h30 | Domingo: Almoço. 12h. Hora do Galito. 11h30 às 12h, 14h às 14h30 e 16h às 16h30. Show da Rádio Viva: Motryz, Los Medonhos, Toque de Mágica e Matizes. 14h. Parque da Vindima, Flores da Cunha Entrada e estacionamento gratuitos l Baile Municipal | Sábado, 21h | Baile reproduz a comemoração da chegada do trem em 1° de julho de 1910. O local é o mesmo onde Caxias comemorou o título de cidade, há 100 anos: o Clube Juvenil, que festeja os seus 105 anos de fundação. Clube Juvenil R$ 200 (casal) | Marquês do Herval, 147 | 3221-5225

EXPOSIÇÕES l Retratos na Lona | De segunda a sexta, das 9h às 21h. Sábados, domingos e feriados, das 15h às 21h | Ale Ruaro, Fabiano Sallmeyer e Rafael Happke estenderam uma lona na Praça Dante e, por 12 horas, fotografaram gente comum. Depois, selecionaram 135, uma para cada ano da imigração italiana em Caxias. Saguão do Ordovás Entrada franca | Luiz Antunes, 312 | 3901-1316 AINDA EM EXPOSIÇÃO – Caxias do Sul, um olhar alviverde. De segunda a sexta, das 8h às 18h. Câmara de Vereadores. 3218-1600 | Caxias 1910. De segunda à sábado, das 9h às 17h. Museu Municipal. 3221.2423 | Olhos para Caxias. Até quarta (30), das 10h às 16h. Galeria da Smed. 3901-2323 | XXVI Bienal de Arte Fotográfica Brasileira em Preto e Branco. De segunda a sexta, das 8h30 às 18h, e sábado, das 10h às 16h. Galeria Municipal – Casa da Cultura. 3221-3697 |

LITERATURA l Rodas de Leitura | Segunda (28) e terça (29), 13h30 | Na segunda, Iraci Maboni coordena um bate-papo adulto, ainda sem tema definido. Na terça, a tarde é adolescente e Uili Bergamin pretende trabalhar com crônicas de Dudu Oltramari. Biblioteca Pública Municipal Entrada franca | Dr. Montaury, 1.333 | 3214-5937

CORAL

l XIV Canta Caxias | Sábado e domingo, 16h e 20h, e segunda (28), 20h | Corais jovens, institucionais, religiosos e italianos msturam as vozes da cultura caxiense. Palco dos Trilhos – Estação Férrea Entrada franca | Dr. Augusto Pestana, s/n° | 3901-1288 ou 3901-1388

PAINEL l Ciranda do pensamento | Sábado, 18h | O tema é Neuroquímica da empatia e a Sétima Arte incandescente – Como os neurônios espelho são ativados durante um filme e geram vivências emocionais intensas. O título é longo, mas o assunto é simples: os painelistas Caetano Fenner Oliveira e Marco de Menezes falam sobre o que um filme é capaz de mudar em você. Zarabatana Café Entrada franca | Luiz Antunes, 312 | 3901-1316

OFICINA l Vivência em Performance Arte | Sexta (2), das 19h às 22h; sábado (3) e domingo (4), das 15h às 19h | Quem participar entrará em contato com a teoria e a prática da linguagem de performance, que envolve das experiências pessoais à atuação. Ministrada pela atriz Andressa Cantergiani, tem inscrições gratuitas que devem ser feitas mediante envio de currículo para anatomiadaboneca@gmail.com. Teatro do Sesc Entrada franca | Moreira César, 2.462 | 3221-5233

DANÇA l Beatles, 4 lados de um círculo | Domingo, 16h30 e 20h | Espetáculo da Endança Jazz e Cia., dirigido por Cris Dall'Agno e Lisa Susin, acompanha as fases da carreira dos Fab Four interpretadas pela dança. Teatro Municipal – Casa da Cultura R$ 10 (estudante e sênior) e R$ 20 (público em geral) | Dr. Montaury, 1.333 | 3221-3697

MÚSICA l Concertos ao Entardecer | Domingo, 18h | Quinteto de Sopros da UCS se apresenta em cenário especial, com posto de arrecadação de alimentos não perecíveis. Capela do Santo Sepulcro Entrada franca | Júlio de Castilhos, s/ nº | 3289-9023 l Canções de amarrar em estrelas | Sábado, 20h | Composições próprias de MPB dos músicos Cardo Peixoto, Le Daros e Janice Comper e banda de apoio. Teatro do Sesc R$ 5 (comerciários); antecipados, R$ 6 (estudantes e sênior) e R$ 12 (geral);

na hora, R$ 7 (estudantes e sênior) e R$ 15 (público em geral) | Moreira César, 2.462 | 3221-5233 l Restart, Doyoulike e Keepers | Sábado, 22h | Eles não são tristes como as bandas da moda. São otimistas e têm músicas com letras felizes. A família Restart celebra a alegria de viver com rock. Abertura da Keepers e participação de Douyoulike. ConD Show Bar R$ 20 antecipado (ADD+ Informática, Alfredo Chaves, 930), R$ 30 na hora | Angelo Muratore, 54 | 3229-5377 l Daniel Ferreira | Sexta (2), 20h | Gaudério lança seu CD Da alma de quem andeja em show com participação de diversos músicos caxienses, como Fran Duarte e os irmãos João e Gustavo Viegas. As músicas têm arranjos elaborados, levando toques de jazz, música erudita e nativismo. Teatro Municipal – Casa da Cultura R$ 10 (estudante e sênior) e R$ 20 (geral) | Dr. Montaury, 1.333 | 3221-3697 l Pare, Olhe, Escute | Segunda (28), 20h | Nova oportunidade para assistir ao espetáculo que comemora os 100 anos da chegada do trem. Com a Orquestra Municipal de Sopros, o Coral Municipal e a Cia. Municipal de Dança. Palco dos Trilhos – Estação Férrea R$ 10 (público em geral) | Dr. Augusto Pestana, s/n° | 3901-1388 TAMBÉM TOCANDO - Sábado: A4. Pop rock. 23h. Portal Bowling – Martcenter. 3220-5758 | Arraiá das Caricatas. Eletrônico. 23h. Studio 54 Mix. 9104-3160 | Bad Obsession e Elixir. Rock. Roxx Rock Bar. 3021-3597 | Banda Acervo. Blues/rock. 22h30. Mississippi Delta Blues Bar. 30286149 | Black XB. Pagode. 23h. Move. 9198-3592 | Dan Ferretti. Pop. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Disco – Festa Junina. Anos 70 e 80. 23h. Vagão Bar. 3223-0007 | H5N1. Pop rock. 23h. Voice. 3025-5252 | Izequiel Carraro. Pop/ eletrônico. 23h. La Boom Snooker. 3221-6364 | Libertá. Nativista. 22h30. Libertá Danceteria. 3222-2002 | This is my dream. Eletrônico. Pepsi Club. 3419-0900 | Zé Bitter Rock. Pop rock. 22h. Badulê American Pub. 3419-5269 | Domingo: Cédrik Damábiah. Eletrônico. 17h. Zarabatana Café. 39011316 | Terça (29): Tiago e Ismael. Pop rock. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Quarta (30): Blues de Bolso. Blues. 22h30. Mississippi Delta Blues Bar. 3028-6149 | Cesar de Freitas e Banda. Sertanejo universitário. 23h. Portal Bowling – Martcenter. 3220-5758 | July e Fulvio. Pop rock. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Velhas Virgens. Rock. 22h. Roxx Rock Bar. 3021-3597 | Quinta (1º): Fabricio Beck. Pop rock. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | The Headcutters. Blues. 22h30. Mississippi Delta Blues Bar. 3028-6149 | Sexta (2): Billy Ride. Pop rock. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Charlotte Rock. Pop rock. 23h. Portal Bowling – Martcenter. 3220-5758 | The Headcutters. Rock. 22h30. Mississippi Delta Blues Bar. 3028-6149.

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Cinema | Mary e Max

Os amigos que nos escolhem por CÍNTIA HECHER Austrália. Anos 70. Mary é uma menininha encucada com os mistérios da vida e com sua marca de nascença na testa. O pai prefere passar seu tempo livre empalhando pássaros que encontra mortos na beira da estrada do que ficar com ela. A mãe vive bêbada de um "chá que só adultos podem tomar", e Mary a define como uma alma complicada. Mary não tem amigos. O mais próximo disso é a companhia de uma galinha e, claro, seu desenho animado favorito – pelo fato de seus personagens serem marrons, mesma cor da sua mancha na testa. Em um estalo, enquanto sua mãe roubava envelopes no correio, Mary escolheu um nome na lista de endereços de Nova York e mandou uma carta. A correspondência atingiu Max, um judeu de 44 anos viciado em chocolate que mora sozinho. Em qualquer situação em que se confrontasse com algo novo ou estressante, ele tinha um ataque de ansiedade: ia para o canto da sala, de pé em um banquinho, suando cântaros. As cartas de Mary, cheias de questionamentos e informações, o deixavam tenso. Ao mesmo tempo, o quão fascinante era, finalmente, ele também ter uma amiga. Max tinha companhia de alguns animais de estimação, mas não se relacionava com pessoas. Achava-as confusas e, francamente, elas não compreendiam sua extrema honestidade. Isso por causa da sua doença: Síndrome de Asperger, que inabilita socialmente. Essa introdução faz-se necessária pela complexidade dos personagens, mas não descreve um décimo do que você vai ver na tela. Mary e Max é uma animação para adultos em stop-motion, aquela técnica de bater foto de cada mínimo movimento dos, no caso, bonecos de massinha, e uni-las em edição para criar continuidade. Para ficar pronto, o filme levou quase cinco anos entre o roteiro e o produto final. Há aproximadamente 132.480 frames (unidade de medida fílmica equivalente a 0,0417 segundo) em Mary e Max e os animadores conseguiam a façanha de concretizar cerca de dois minutos e meio de animação por semana. Para as lágrimas, suor ou qualquer outro momento em que água aparecia, o material utilizado foi lubrificante íntimo à base de água: cerca de 12 litros ou, em miúdos, 2.400 colheres de chá. Cada mundo tem sua cor própria: Austrália é sépia, Nova York é cinza. Todo esse delicado e demorado trabalho para tratar de um assunto batido mas, aparentemente, não compreendido e posto em prática. Seres humanos são imperfeitos, tendem ao erro e tanto merecem perdão como precisam aprender a pedi-lo. A amizade verdadeira atravessa o tempo, as dificuldades e é nosso salva-vidas. Ensina que é preciso aprender a gostar de si mesmo. Ser o que você é. Não importa como, sempre haverá alguém com quem você se identifique. Para discutir mais amplamente, no domingo tem sessão comentada com o relações públicas, blogueiro, curta-metragista e divertido Marcelo Müller e com a cinéfila Salete Marcílio. l Mary e Max | Animação. Sábado, domingo, quinta (1º) e sexta (2), 20h | Ordovás A amizade ultrapassa fronteiras. Mary, menina australiana de oito anos, troca correspondência com Max, homem de Nova York, com 44 anos. Dirigido por Adam Elliot. 92 min., leg.. 26 de junho a 2 de julho de 2010

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COMO GATO QUE

N

FICA SEM por CLÁUDIO B. CARLOS

ÃO SABIA da morte nem de seu significados. Até gostava da palavra e encantava-me a triste elegância ou a elegante tristeza das mulheres de negro, chorosas nos velórios. De certo, só que era alguma coisa de muito grave. Mas era tão distante de mim, que correndo pelos campos com os guaipecas, ou comendo furtivas guabirobas entre um brincar e outro, era impossível imaginá-la ou sabê-la. CHEGOU-ME SILENTE como um passar de flanela em tampo de vidro, e com ares de sorro levou-me o

DONO

amigo em palavra de cerejeira. Também gostava desta – caixão – talvez por não saber que nela pudesse caber o gigante que carregou-me às costas um dia. Ali, no centro da sala, como num passe de mágica, em frente ao féretro me branquearam os cabelos, como se tivesse dormido à geada. Petrifiquei-me por dentro e entendi que assim como a saudade, que também é palavra bonita, a morte, em um dos significados que traz como disfarce que escolhe à toa em um leque de opções, é guri que fica sem pai, como gato sem dono, assim sem pernas para se enroscar.

por LEANDRO ANGONESE Lúgubre senhora Aguarda com paciência O halo trágico da morte Lívida A alma despede-se do tempo Desprende-se do corpo Perfumes Embalsamam ares Enquanto A hiena sorrateira Permanece ao pé da mesa Até altas horas mortas da noite Na dissonância do tempo Templo da loucura Poesia premiada no 44° Concurso Anual Literário de Caxias do Sul - 2010

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Celso Bordignon | Béstias III |

Sempre prontos para devorar e serem devoradas entre si, as béstias são o tema da obra, sob a técnica da encáustica. Nos deixamos dominar pelos monstros que criamos e o fazemos para ter força e medo. Aprisionados no lado obscuro da alma de cada um, os demônios são condenados à existência livre da arte de frei Celso.

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


André T. Susin/O Caxiense

Meta alviverde

Em busca do

Refinamento

Ju parte para intertemporada em SC no dia 28. Antes, neste sábado, faz amistoso com o Pelotas Osmar Loss, comandante do Juventude desde o início da temporada, aposta numa evolução natural do grupo dentro e fora dos gramados

O

por Fabiano Provin fabiano.provin@ocaxiense.com.br planejamento está sendo diferente no Esporte Clube Juventude para a disputa da Série C a partir do dia 17 de julho. Bem diferente daquele do Gauchão. Por enquanto, os resultados são considerados satisfatórios – duas vitórias em dois amistosos –, reflexo de que os planos estão sendo seguidos à risca no Estádio Alfredo Jaconi. Afinal, subir para a Série B não será tarefa fácil para o treinador Osmar Loss. Neste sábado (26), o comandante alviverde terá a oportunidade de mostrar à torcida o trabalho desenvolvido desde o dia 26 de abril, data em que o grupo se reapresentou após o fiasco no Estadual. Na mesma oportunidade, serão apresentados à papada os 15 reforços contratados desde então – goleiros, laterais, zagueiros, volantes, meias e atacantes. Ou seja, mais de um time inteiro. Após a preparação física e um pouco de tática, o grupo do Ju fez o primeiro amistoso contra o Flamengo, de São Valentin, equipe amadora de Bento Gonçalves. O placar de 5 a 0 foi construído na tarde de 12 de junho ainda no primeiro tempo. Para Loss, esse

teste teve um caráter diferente. “Foi o primeiro trabalho com características de jogo. Também serviu para quebrar o gelo e aplicar em campo o que estava sendo exigido nos treinos. O melhor rendimento do grupo foi na etapa inicial. Na segunda, tivemos muitas improvisações”, resume o treinador. Contra o Pelotas, dia 20, a história foi um pouco diferente. “Pegamos um time que fez um belo Gauchão, manteve o treinador e se reforçou. O grupo mostrou boa recuperação e a maioria dos atletas atuou 90 minutos, o que mostra que estamos bem na parte física”, elogiou Loss. O Ju venceu o amistoso por 1 a 0. A realização dos testes antes da competição ajuda também o grupo se entrosar fora do campo. Afinal, os jogadores viajam, fazem as refeições, enfim, passam a maior parte do tempo juntos. “É bom porque eles já ficam no clima, concentrados. Como é um grupo novo, é importante fazer com que se conheçam. Em Pelotas ainda tivemos torcida contra, uma característica muito forte que iremos enfrentar na Série C”, pondera Loss. Para o amistoso de sábado, contra o mesmo Pelotas, o plano do treinador é aproximar, pela primeira vez, os jo-

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gadores com a torcida. “Vamos apresentar nossos atletas. Precisamos criar uma identidade com os torcedores”, opina Loss. Ele ressalta a importância de disputar uma partida dentro do Jaconi para facilitar a adaptação do time: “Este é um território que teremos de conhecer muito bem. O fator local será fundamental para nossa campanha”. A direção contratou dois goleiros (Jonatas e Gottardi), três zagueiros (Bruno Salvador, Edson Borges e Rafael Pereira), dois laterais (Celsinho e Planchón), dois volantes (Éverton e Tiago Silva), três meias (Christian, Marcos Paraná e Cristiano) e três atacantes (Júlio Madureira, Ismael Espiga e Fausto). Além deles, são caras conhecidas no grupo os goleiros Carlão e Follmann; os laterais Luiz Felipe e Calisto; os zagueiros Fred, Bressan e Victor; os volantes Júlio César, Umberto, Gustavo e Tiago Renz; os meias Alan, Fabrício e Jander; e o atacante (que é meia de origem) Hiago. Todos viajam na segunda-feira (28) para a Praia dos Ingleses, em Florianópolis (SC), para a intertemporada. Até o retorno, programado para 8 de julho, a delegação buscará integrar, além dos jogadores, a comissão técnica e a direção. “A pala-

vra principal é integração. Precisamos nos entender para que as coisas deem certo. Todos têm suas vidas fora do Juventude, mas nesses 11 dias a vida de todos será o Juventude. Espero muito crescimento no aspecto do comprometimento coletivo”, filosofa Osmar Loss. Nos amistosos, um fato que chamou a atenção da comissão técnica foi a união do grupo. Na comemoração dos gols, todos correram para abraçar o jogador que colocou a bola nas redes. “Foi uma coisa natural que aconteceu. Ninguém disse para eles fazerem isso”, explica o treinador, satisfeito pelo trabalho que está sendo desenvolvido. “Eles precisam ficar juntos na hora ruim também, na hora de cobrar e acertar as coisas dentro de campo”, complementa. Em Santa Catarina, o Ju deve fazer novo amistoso, provavelmente com o Figueirense – as tratativas estão bem avançadas. O encerramento da preparação alviverde será contra o Grêmio, dia 10 de julho, no Jaconi, o jogo de despedida dos gramados do volante Lauro. A estreia na Série C será em casa, dia 17 de julho, contra o Criciúma. Por enquanto, Loss tem outra preocupação: a intertemporada. “Vamos em busca do refinamento”, sintetiza.

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Marcelo Mugnol

Que não dê sono

O primeiro grande clássico desta Copa será disputado às 11h de segunda-feira (28): Inglaterra x Alemanha, pelas oitavas de final da competição. Assim como a maioria das rivalidades europeias, a disputa entre ingleses e alemães, adversários em Guerras Mundiais, transcende o futebol. O retrospecto histórico favorece os ingleses, com 12 vitórias em 27 jogos disputados. Os germânicos somam 10 triunfos – cinco partidas terminaram empatadas.

marcelo.mugnol@ocaxiense.com.br

DOMENECH, A

ODETE ROITMAN

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FRANCESA ra entender como a França caiu feito um boneco de Olinda na quarta-feira de cinzas, esparramado na sarjeta da amargura, é preciso valer-se da cultura noveleira. Raymond Domenech é a Odete Roitman dos gramados. O olhar blasé, o nariz empinado, o laquê no cabelo, tudo em Domenech nos lembra a inimitável vilã da novela Vale Tudo. Pode um treinador odiar a sombra da bola; chutar um balde de isotônico depois de ver o cadarço da chuteira do atacante desamarrado; ou vociferar babando de raiva por ter visto o massagista suspirando? Domenech sequer cumprimentou Carlos Alberto Parreira depois do jogo contra a África do Sul. Dunga tenta, mas nunca conseguirá ser Domenech. Na escala dos vilões, Dunga consegue ser, no máximo, uma Maria Joaquina, da novela Carrossel. Uma menina zangada, mimada e apaixonada pelo cara errado. O vexame protagonizado por Domenech é o mesmo do padrinho que bebe até o chá da nona no casamento da sobrinha e acaba derrubando o bolo de sete andares da noiva. Não fosse verdade, diria que Domenech estava apenas fazendo o que lia num roteiro do Miguel Falabella (o cara que pensa que é o Almodóvar tupiniquim). A França que sempre ganha do Brasil em Copas do Mundo foi pra casa sem vencer ninguém na África. Os franceses empataram com o Uruguai e perderam para o México e a África do Sul. Aliás, os Bafana Bafana SÓ ganharam da França. Ou seja, o pior time da Copa

O Caxiense

conseguiu ser melhor do que os franceses. Justo os franceses que pensam (e exalam seu perfume no ar) ser os melhores em tudo. Desde a cabeçada do Zidane no peito do italiano Materazzi, aos 5 minutos do segundo tempo da final da Copa de 2006, nada mais deu certo para os franceses. Dizem que Zidane cabeceou Materazzi porque este o chamou de “feio”. E Zidane teria dito: “Feio é a NÓNNA”, com o mesmo sotaque do peludo Tony Ramos, em Passione. Já que a França escreveu a novela mais enfadonha de todas as edições da Copa, nada mais coerente (sic!) do que o Nicolas Sarkozy, presidente do país, pedir explicações a Thierry Henry. Não pelo fracasso na Copa, nem pelo vexame, nem pela vergonha que os homens de azul desencadearam no país. O que perturba Sarkozy é por que raios Henry não usa mais as mãos para jogar, afinal de contas foi assim que a França foi pra Copa, com Henry usando as mãos, não a cabeça. Sarkozy está mais pra Sinhozinho Malta, em Roque Santeiro, do que presidente de uma nação que continua tentando esconder seu mau desempenho dentro e fora de campo. No primeiro trimestre de 2010, a França cresceu apenas 0,4%. Índice que reflete bem a média de gols do time nesta Copa. O time de Domenech fez um golzinho em três pífios jogos. Enquanto isso, na Irlanda, fogos de artifício ironizam o fracasso francês. Dizem que até o Bono Vox desdenhou Domenech, ao melhor estilo bom moço que ri por último, como em Betty, a Feia.

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Dunga x Globo

Depois do CALA BOCA GALVAO e do CALA BOCA TADEU SCHMIDT, um novo tópico de críticas à maior emissora de TV do país se espalhou pelo Twitter, o #DiasemGlobo (assim mesmo, com #, modo como os twitteiros marcam os temas mais comentados). A revolta começou com Dunga, no dia 20, após a vitória do Brasil por 3 a 1 sobre a Costa do Marfim. Na entrevista coletiva, o treinador murmurou xingamentos ao jornalista Alex Escobar, da Globo. Os palavrões (entre eles, “cagão”, o melhor) foram captados pelo microfone à sua frente. Pessoas presentes no momento afirmam que Escobar chamou Dunga de “insuportável” ao falar no telefone com o apresentador Tadeu Schmidt sobre o veto do treinados a entrevistas exclusivas com jogadores. Parece que até um lobby com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para convencer Dunga, foi feito, sem sucesso. Certo é que Dunga não precisava ter xingado o cara. Não se controlou. Agora, mesmo que conquiste o hexa, não terá o mesmo tratamento. Se hoje sites e jornais já produzem milhões de matérias sobre a suposta falta de preparo psicológico do treinador gaúcho, o que vai acontecer se a Seleção voltar antes para o Brasil (bata na madeira três vezes, Deus-o-livre)? Aguardemos os próximos capítulos desse imbróglio.

Entre tapas e beijos

O meia argelino Rafik Saifi agrediu uma jornalista depois da derrota do seu time por 1 a 0 para os EUA. Segundo as agências de notícias, Saifi teria dado um tapa em Asma Halimi, jornalista do jornal Algeria Competition, que revidou com outra bofetada. O jogador ainda jogou uma garrafa de água na direção da jornalista, sem atingi-la – ela disse que escreveu uma matéria sobre Saifi há algum tempo. Imagina se a moda pega e o Dunga começa a jogar objetos na imprensa?

Apostas

Tem muita gente que está perdendo uma grana nos bolões... Dos confrontos a seguir, quais as quatro seleções que avançarão na Copa? Uruguai x Coreia do Sul, Argentina x México, Gana x Estados Unidos e Inglaterra x Alemanha. O único confirmado nas quartas de final é o México. Claro.

Se fosse na Colômbia... Harry Kewell, ídolo australiano, no empate em 1 a 1 com Gana, foi estupendo: se arrastou em campo, colocou a mão na bola, deu um pênalti ao adversário e foi expulso. Pior não daria para fazer. Com certeza ele não conhece a história do zagueiro colombiano Andrés Escobar, que marcou um gol contra no jogo com os Estados Unidos, na Copa de 1994. A Colômbia perdeu por 2 a 1 e foi para casa mais cedo. Escobar, um dia depois de chegar ao país, foi assassinado com 12 tiros quando saía de um restaurante. Kewell que se cuide.

Felipe Boff/O Caxiense

COPA MULTIMÍDIA | Jornalismo multimídia é oferecer conteúdo exclusivo, sem repetir o que se lê no jornal. No nosso site, cada jogo ganha um tratamento diferente de tudo o que se vê na web. Imagens dos jogos do Brasil são comentadas em áudio, e uma HQ é contada em versão animada. Acesse: www.ocaxiense.com.br

fabiano.provin@ocaxiense.com.br

Caetano Barreira/Fotoarena/Folhapress

Copa 2010

Fabiano Provin

Camisa de craque No campo, empatamos com os portugueses. Mas na leitura você pode sair ganhando. As duas primeiras pessoas que assinarem O Caxiense mandando e-mail para ocaxiense@ocaxiense.com.br, além de receber grandes reportagens em casa toda semana, vão levar de brinde a homenagem de Valter Oliveira a um craque das letras: uma camisa exclusiva com o nome do escritor José Saramago, falecido no dia 18, estampado nas costas. Você também pode encomendar a sua camiseta diretamente ao Valter: 9145-0336 ou camisetasexclusivas@uol.com.br.

Eu esperava mais

O Brasil foi burocrático mais uma vez. Contra Portugal, não se impôs, não se arriscou. Dunga usou o regulamento. Tudo bem, é a fase classificatória. Agora, se a Seleção continuar a jogar mal a partir

de segunda-feira, nas oitavas de final, não será só a Globo que irá pegar no pé do treinador. Como torcedor, esperava muito mais do Brasil.

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Guia de Esportes

guiadeesportes@ocaxiense.com.br Claiton Stumpf, Divulgação/O Caxiense

Edgar Vaz. E.C. Juventude, Divulgação/O Caxiense

por José Eduardo Coutelle

Garotos do Caxias e do Juventude venceram na rodada anterior e disputam o CA-JU no sábado; meninas da UCS voltam às quadras pela Liga Nacional, também no sábado

TÊNIS

TAEKWONDO

l 3° Tennis Cup Indoor | Sábado e domingo, das 8h às 22h | Tenistas de toda a região devem provar a sua habilidade com as raquetes em punho. Ao todo, são 150 inscritos que disputam as categorias 1ª, 2ª e 3ª classes, sênior, 1ª e 2ª classes feminina e infantil de 12 a 14 anos. Academia Bohrer Entrada gratuita | Antônio Ribeiro Mendes, 2.800, Santa Catarina

l 1ª Copa UCS de Taekwondo | Domingo, a partir das 9h | Cerca de 300 atletas gaúchos disputam medalhas. A UCS estará representada por 40 lutadores. As modalidades combate e forma (execução de movimentos) serão disputadas nas categorias infantil, mirim, juvenil, adulto e master, no masculino e no feminino. Ginásio Poliesportivo da UCS Entrada gratuita | Francisco Getúlio Vargas, s/n°, Petrópolis, Vila Olímpica

BASQUETE l Campeonato Estadual Sub-17 masculino | Sábado, 11h e 18h | A UCS tenta manter sua invencibilidade. Até agora, foram duas vitórias em dois jogos. A primeira partida é contra o Corinthians, de Santa Cruz do Sul. Depois, enfrenta o Corinthians Atlético Clube, de Santa Maria. Ginásio Poliesportivo da UCS e Sede Recreativa do Clube Juvenil Entrada gratuita | Francisco Getúlio Vargas, s/n°, Petrópolis, Vila Olímpica, e Marquês do Herval, 197

TÊNIS DE MESA l Jogos Abertos de Tênis de Mesa | Sábado, a partir da 13h30 | Os mesa-tenistas caxienses exibem a arte de rebater a bolinha pequena. Centro de Eventos da Festa da Uva Entrada gratuita | Ludovico Cavinatto, 1.431, Nossa Senhora da Saúde

HANDEBOL l Liga Nacional Feminina | Sábado, 19h | As meninas da UCS retornam às quadras contra o Aceu/Univale, pela segunda rodada. O técnico Gabriel Citton não contará com a pivô Emanuelle Moreira Lima, que está com a seleção brasileira na Tunísia. Ginásio Poliesportivo da UCS Entrada gratuita | Francisco Getúlio Vargas, s/n°, Petrópolis, Vila Olímpica

VÔLEI l Jogos Abertos de Voleibol Feminino | Domingo, a partir das 9h | Seis jogos de cada chave foram realizados na primeira fase classificatória, no último sábado. Neste domingo serão disputados o restante dos confrontos. Ginásio 2 da UCS Entrada gratuita | Francisco Getúlio Vargas, s/n°, Petrópolis, Vila Olímpica

FUTEBOL l Juventude x Pelotas | Sábado, 15h30 | Depois de vencer os dois primeiros amistosos, o Ju volta a campo. A partida servirá para a direção apresentar à torcida o grupo de jogadores que disputará a Série C. O adversário é novamente o Pelotas, do treinador Beto Almeida. O provável time do Ju: Jonatas; Luiz Felipe, Bruno Salvador (Rafael Pereira), Edson Borges e Calisto; Júlio César, Umberto, Cristiano (Marcos Paraná) e Christian; Hiago (Fausto) e Júlio Madureira. Estádio Alfredo Jaconi Ingressos: R$ 15 | Rua Hércules Galló, 1.547, Centro l Torneio Willy Sanvitto | Sábado, a partir das 8h30 | O tradicional torneio comemorativo ao aniversário do Juventude este ano homenageará o patrono Willy Sanvitto. As equipes Arcaica, Loucos da Papada, Imprensa e Conselho De-

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liberativo, Papos da Capital, Mancha Verde 20 anos e Conselho Jovem estão confirmadas para os jogos. CFAC Entrada gratuita | Atílio Andreazza, Parque Oásis

| 11h: Força Por do Sol x Força Jovem (Sta. Catarina) Enxutão e Ginásio do Santa Catarina Entrada gratuita | Luiz Covolan, 1.560, Santa Catarina e Matheo Gianella, 1.160, Santa Catarina

l Campeonato Estadual Sub-20 | Sábado, 18h | Os jovens atletas disputam o clássico CA-JU. Na rodada anterior, a equipe grená goleou o Estância Velha por 5 a 1 e se manteve isolada na liderança. O Juventude foi um pouco mais modesto, venceu por 2 a 1 o Cruzeiro. Estádio Alfredo Jaconi Entrada gratuita (após o amistoso do time principal contra o Pelotas) | Rua Hércules Galló, 1.547, Centro

l Campeonato Municipal | Sábado e domingo, 13h15, 15h15 | Na Série Ouro, restando quatro jogos para o final da primeira fase, as equipes XV de Novembro, Az de Ouro e Vindima seguem na frente. Na Prata, apenas duas rodadas definirão os quatro semifinalistas. Esperança e Hawaí estão praticamente classificados.

l Futebol Sete Master | Sábado, 9h45 e 10h45 | Devido à chuva, todos os jogos da 2ª rodada do campeonato foram adiados para esta semana. As equipes Madal e Randon prometem seguir marcando muitos gols, como fizeram na primeira rodada. Ao todo, foram 13. Sábado, 9h45: Guerra x Marcopolo (Sesi), Gpaniz x Randon (Voges), Agrale x Master (Sesi) | 10h45: Fras-le x Madal (Sesi), Voges x Pisani (Voges), Lavrale x Neobus (Sesi) Quadras do Sesi e Voges Entrada gratuita | Sesi: Cyro de Lavra Pinto, s/nº, Nossa Senhora de Fátima. Voges: Grercio Reis, s/n°, km 72 da Rota do Sol, Desvio Rizzo l 8ª Copa Ipam de Futsal Feminino | Sábado, 19h, 20h e 21h e domingo, 9h, 10h e 11h | A equipe das meninas da ACBF apenas assistirá aos próximos jogos para conhecer sua adversária na fase seguinte. Líderes isoladas do grupo A, elas encerraram a campanha inicial com 100% de aproveitamento e ainda sem sofrer nenhum gol. Sábado, 19h: Real Madames x BGS Futsal (Enxutão) | 20h: UCS ‘B’ x Primavera (Enxutão) | 21h: União Flores da Cunha x Pôr do Sol (Enxutão) | Domingo, 9h: UCS x Sindicato dos Metalúrgicos (Sta. Catarina) | 10h: Camisa 10 x Pradense (Sta. Catarina)

SÉRIE SUPLENTE - Sábado, 13h15: Águia Negra x Kayser (Municipal 1) | 15h15: Hawaí x Cristal (Municipal 1) | SÉRIE OURO - Domingo, 13h15: XV de Novembro x Cristal (Municipal 2) | 15h15: União Reolon x Fiorentina (Enxutão), Fonte Nova x Goiás (Municipal 1), Londrina x Guarani (Sagrada Família), São Victor Cohab x Vindima (De Lazzer), União Industrial x Az de Ouro (Reno), Século XX x União de Zorzi (Sta. Corona) | SÉRIE PRATA - Domingo, 13h15: Águia Negra x Esperança (Enxutão), Hawaí x Mundo Novo (Municipal 1), Vera Cruz x Unidos (Sagrada Família), Ouro Verde x Kayser (De Lazzer), Uruguai x Bom Pastor (Reno), Atlético x R. Unidos da Esperança (Sta. Corona). Entrada gratuita l Campeonato Citadino Adulto | Terça (29) e quinta (1°), 19h45 e 20h45 | Com um jogo a mais, o Águia Negra só pensa na vitória para continuar na disputa pela classificação às semifinais. O adversário é o Planalto, último colocado da Chave E. Pelo outro grupo, o Torino tenta a reabilitação contra a líder Associação Caxias, após a derrota para Os Deva na última rodada. Terça, 19h45: Águia Negra x Planalto | 20h45: Associação Caxias x Torino | Quinta, 19h45: São Vicente x Real | 20h45: Arsenal x Os Deva Enxutão Entrada gratuita | Luiz Covolan, 1.560, Santa Catarina

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André T. Susin/O Caxiense

Infraestrutura grená

O Carecão ficou apenas na memória. O novo espaço de treinos, com três gramados cercados e área exclusiva para os goleiros, completa um investimento de R$ 300 mil em melhorias no clube

A nova Baixada Rubra

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por Marcelo Mugnol marcelo.mugnol@ocaxiense.com.br

em gente que prefere uma disputada partida da segunda divisão gaúcha do que um jogo desimportante da Copa do Mundo. Na segunda divisão todo jogo é uma final de Copa do Mundo. Não importa se a vitória vale o salário do mês ou um aperto de mão do treinador. Cada lance é disputado com garra, nada de ternura e muito bico na bola. Já na Copa do Mundo, o problema começa na torcida. Não se sabe se estão ali vibrando fanáticos e apaixonados torcedores ou se os que assopram as vuvuzelas vibram porque ganham cachê de alguma marca de sabonete líquido, cerveja ou pantufa. E dentro de campo, mesmo lá na África se vê o mesmo tipo de lance bizarro que se vê na segundona gaúcha. Com uma pequena diferença. Os que dão vexame por lá, na maioria, ganham em euro. Os daqui, em reais. Toda essa digressão faz sentido quando se para pra pensar na homenagem apaixonada que o Fórum Grená (grupo de torcedores nada virtuais) sugeriu pra batizar o novo Centro de

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Treinamentos do Caxias. O nome escolhido como uma luva é Baixada Rubra, como era chamado o campo do G.E. Flamengo. Clube, aliás, para quem não sabe (afinal de contas, o Caxias está sempre atraindo novos e jovens torcedores), que deu origem à S.E.R Caxias. Na Baixada Rubra o futebol tinha outro tempero, outro perfume. Soa estranho ter saudade daquele tempo em que as arquibancadas eram de madeira, o gramado um tanto irregular e os jogadores não se achavam mais importantes do que a bola. Porque ninguém lembra que mais importante do que o Garrincha era a bola. Porque sem bola ele chutaria uma laranja, iria se divertir igual, mas sem a bola de couro ele não teria jogado no Botafogo, nem vencido a Copa do Mundo para o Brasil. Dia desses, quando apurava informações para a reportagem sobre como surgiu o Flamengo, encontrei Nestor Vittorio Coin, 85 anos, natural de Flores da Cunha, que acabou vindo pra Caxias aos 20 anos porque acreditava encontrar aqui na cidade melhores oportunidades na vida. Nestor contou da primeira partida do Flamengo que viu. “Eu não tinha dinheiro e fiquei

Centro de Treinamentos homenageia velho campo e inspira novas conquistas

vendo o jogo pelas frestas das tábuas, porque o estádio era todo de madeira”. Mesmo depois, quando já ostentava o pequeno ordenado, bem guardado nos bolsos das calças, Nestor continuava vendo o jogo do lado de fora, através dos buracos nas tábuas: “Eu economizava pra poder ir no cinema domingo à noite”. Acompanhado, é claro.   Aquela Baixada Rubra não existe mais. Ficou lá atrás, perdida no tempo e no espaço. Só continua viva na memória de torcedores como o Nestor. Mas só de a diretoria ter batizado o novo Centro de Treinamentos com esse nome é um bom sinal. Talvez essa sugestão dos torcedores, endossada pela direção, seja a confirmação de que no Caxias só se cria jogador que reconhece o valor da história de um clube e que não anda por aí achando que é mais importante que a bola, do que o superintendente ou do que o presidente. Cabe ao jogador utilizar bem essas novas ferramentas de trabalho que o clube entrega aos atletas. O investimento em melhorias na estrutura chega a R$ 300 mil, incluindo nessa fatura

o CT e a reforma das salas de musculação e do refeitório.   Aquela área, atrás do Estádio Francisco Stédile, chamada noutros tempos de Carecão, porque nela se via mais terra batida do que grama, hoje mudou de cara. Quem não pisa no Centenário há uns 10 anos vai se assustar (positivamente) com o que verá. E quando escrevo 10 anos, ironicamente, me refiro ao longo período compreendido ente o fim do Gauchão e o início da Série C – esta sim a verdadeira Copa do Mundo do Caxias. O Caxias não é ainda o Real Madrid, nem o São Paulo, mas tem agora um espaço de treinamentos de fazer inveja em muito clube de Série A com casa e time de Série D. O gramado de treinamentos não é de grama importada como o tapete do Centenário, mas tem a mesma capacidade de suportar o inverno, a geada, as baixíssimas temperaturas registradas na cidade. São, ao todo, três campos, cercados por telas e com área exclusiva para os goleiros. Segundo Osvaldo Voges, assim também se conquista campeonato, já que dentro do campo ele não atua.

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


Renato Henrichs renato.henrichs@ocaxiense.com.br

Embalados pelo resultado da pesquisa do Ibope, que dá 40% da preferência do eleitorado para Dilma Roussef, representantes dos partidos políticos que apoiam a candidata petista agilizaram a criação do comitê político regional “Dilma presidente”. O coordenador regional Victor Hugo Gomes e os presidentes Adriano Boff (PSB), Alfredo Tatto (PT) e Silvio Frasson (PC do B) querem agregar outras siglas para a campanha.

Base eleitoral

A gente não consegue fazer de um dia para o outro Coronel João Carlos Trindade, comandante geral da Brigada Militar, ao reconhecer que o presídio regional de Caxias do Sul precisa de muitos ajustes, entre os quais a construção de um muro – reivindicada há mais de ano André T. Susin/O Caxiense

Comitê pró-Dilma

Candidatos oficiais

A convenção estadual do PDT consegue fugir da previsibilidade de outros partidos graças à disputa entre os candidatos a deputado estadual por Caxias do Sul. O diretório municipal apresentará neste sábado o nome do vice-prefeito Alceu Barbosa Velho. Mas a juventude trabalhista também indicará um nome: o do vereador Vinicius de Tomasi Ribeiro. A essa altura, especula-se que o terceiro pretendente, vereador Gustavo Toigo, deverá retirar sua indicação.

Desqualificação

Preocupação com a segurança Teve efeito imediato o princípio de rebelião ocorrido na quintafeira (24) no presídio regional de Apanhador. Em meio ao anúncio de um pacote de bondades para a área da segurança pública da cidade (de helicóptero a criação de uma unidade local do Colégio Tiradentes), a governadora Yeda Crusius reconheceu que a penitenciária não é aquele modelo que chegou a ser

anunciado e que todos gostariam. Ela reconheceu que há muito a melhorar no presídio, cujo comando voltou a ser da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). Por pouco o princípio de rebelião no presídio não prejudicou as atividades programadas pelo governo do Estado para comprovar preocupação efetiva com a área de segurança pública. André T. Susin/O Caxiense

Tudo na mão

Os usuários do transporte coletivo da cidade (aqueles que responderam ao questionário organizado pela associação da categoria, é claro) apoiam o passe livre e criticam o sistema de troncalização do transporte. A leitura desse resultado poderia ser: querem ônibus na porta da casa, sem maiores transtornos, e, se possível, de graça. O índice de aceitação dos serviços oferecidos pela Visate é de fazer inveja ao presidente Lula: 72% dos entrevistados consideram o trabalho da concessionária ótimo ou bom.

Trevo de acesso

Tem sentido a prefeitura assumir uma despesa que é de responsabilidade da concessionária Convias? É o que pergunta o vereador Rodrigo Beltrão (PT) ao pedir informações ao governo Sartori sobre as obras no trevo de acesso a Flores da Cunha da RS-122. Sem descartar a necessidade de melhorias no local, o petista quer saber qual o suporte legal para a prefeitura realizar esse trabalho.

Pela comunidade

Surpreendente o silêncio da Associação dos Docentes da Universidade de Caxias do Sul (Aducs) diante da inclusão de representante da comunidade universitária no Conselho Diretor da fundação. A medida, aprovada por todos os conselheiros da FUCS, atende a uma reivindicação histórica dos professores da instituição. É, portanto, uma vitória a ser comemorada. O representante da comunidade será indicado pelo Conselho Universitário (Consuni), integrado por todos os segmentos que compõem a Universidade de Caxias do Sul.

Asfalto para todos

Na assinatura da ordem para asfaltamento do trecho entre a Rota do Sol e Dalagno, quarta-feira, o prefeito José Ivo Sartori (PMDB) garantiu que, “até o final de 2012”, todos os distritos vão estar ligados por meio de asfalto com a vida urbana de Caxias do Sul. O vice Alceu Barbosa Velho, presente à solenidade, gostou da notícia. “Até o final de 2012” pode significar até a eleição municipal daquele ano. A obra em Dalagno integra o Programa de Asfaltamento do Interior (PAI), que vai levar 105 quilômetros de asfalto para 20 comunidades do interior, num investimento de R$ 60 milhões.

É comum o vice-prefeito Alceu Barbosa Velho (PDT) e a primeiradama do município, Maria Helena Sartori (PMDB), ambos candidatos a uma vaga na Assembleia Legislativa, participarem dos mesmos eventos e dividirem o mesmo eleitorado em determinadas solenidades organizadas pela prefeitura. Fica sempre no ar a pergunta: qual dos dois candidatos vai capitalizar para si as obras da administração municipal?

Previsível

Se alguém tinha alguma dúvida a respeito, elas foram dissipadas nos distúrbios verificados quintafeira (24) no presídio regional de Apanhador. Quem tem a força junto aos apenados, cada vez mais,

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é a juíza Sonáli da Cruz Zluhan, da Vara de Execuções Criminais. Os apenados rebelados no pátio da casa de detenção só voltaram às celas depois que Sonáli assumiu o comando das negociações.

A Mesa Diretora perde pontos ao propor a criação na Câmara de Vereadores de um setor de transportes e, na sequência, estipular uma função gratificada para quem chefiá-lo. A proposta passa por cima do enxugamento de diversas atividades internas, realizado em 2003, com notórios benefícios ao serviços da Casa – e ao bolso do contribuinte caxiense. Outra: em tempos de proliferação de cursos de graduação na cidade (são quase 20), chama a atenção a proposta, também da Mesa Diretora, de abrir mão da exigência de curso superior completo para o cargo de assessor técnico de comissão. Para contemplar qual interesse?

Participação relativa

Em comparação ao volume de recursos destinados a obras priorizadas pela Consulta Popular – R$ 8 milhões para 31 municípios pertencentes ao Conselho Regional de Desenvolvimento da Serra –, a adesão ao processo oficial de participação no Estado alcançou níveis consideráveis. A governadora Yeda Crusius reconhece que é pouco dinheiro, embora antecipe uma nova etapa para a Consulta a partir do ano que vem. “Agora que o passivo do governo Rigotto foi quitado”, justifica.

50 anos

Os 50 anos de sacerdócio do pároco de São Pelegrino, Mário Pedrotti, e do padre Arduino Lazzari serão comemorados no próximo dia 3, no salão dos padres capuchinhos.

26 de junho a 2 de julho de 2010

O Caxiense

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Edição 30  

A missão técnica enviada à Copa do Mundo voltou otimista: a cidade tem boas condições para ser subsede em 2014. E já sabe o que fazer para a...

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