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André T. Susin/O Caxiense

Caxias do Sul, junho de 2010 | Ano I, Edição 29 | R$ 2,50

POR UM FUTURO SEM

PRECONCEITO Revisando sua história, aplicando novas leis e dando voz aos ativistas, Caxias tenta superar a discriminação ao negro

Roberto Hunoff: há 1,9 mil vagas nas empresas | Renato Henrichs: UCS regionaliza seu Conselho Diretor | Ficha Limpa: o que pensam os políticos locais | Fast Fashion: as grandes redes correm para Caxias


Índice

www.OCAXIENSE.com.br

As notícias que foram destaque no site

Roberto Hunoff | 4

A indústria volta a crescer, mas ainda se ressente da falta de mão de obra qualificada

Futebol com as mãos | 5

Como o jogo de botão sobreviveu em Caxias

Fim V de do ou ÍTIM mor to ad no AS ores dá D de início O F rua R e da ao to IO pe rmen rife to ria |S12 |D13 |S14 |T15 |Q16 |Q17 |S18

Caxias do Sul, junho de 2010 | Ano I, Edição 28 | R$ 2,50 André T. Susin/O Caxiense

Fotos: André T. Susin/O Caxiense

A Semana | 3

COMO O SEU

Folha de S. Paulo + O Caxiense, parceria de peso, hein! Boa associação de marcas. Me orgulha ser assinante de O Caxiense! Gustavo Cemin

VIRA CULTURA

Financiarte transforma migalhas do IPTU e do ISSQN em um bolo de meio milhão de reais – que pode dobrar de tamanho antes do fim do ano – para a classe artística

Demandas do crescimento | 6

O abastecimento de água acelera o passo para acompanhar o aumento da população

No escurinho do abandono | 8

Cine Operário, que encantou por décadas em Galópolis, hoje serve apenas de cenário

@josemar_almeida @ocaxiense Parabéns pela qualidade de informações, sempre esbanjando cultura! Continuem sempre com este jornal informativo! #edição28

A moda é vender | 9

Gigantes do fast fashion desembarcam suas araras nos shoppings caxienses

@marcioramostrip @ocaxiense Queria agradecer novamente, não só a matéria sobre a peça “Paranoia”, mas a qualidade do jornal para a cidade! Parabéns! #edição28

Nova política | 10

Ficha Limpa não afeta candidatos locais

Admitir para combater | 12

@FelipeGrivot @ocaxiense ‘Como o seu dinheiro vira cultura’ com caderno especial da Folha de São Paulo? Ok, me convenceram, vou assinar! #edição28

Ativismo, legislação e educação são as armas contra a discriminação

Artes | 15

Franklin, Dumont e Armstrong

@julianadebrito Texto bem escrito e sem ser igual ao áudio. Fotos muito bem selecionadas. Multimídia mesmo. Parabéns pelo trabalho. #copamultimídia

Guia de Cultura | 16

Jim Carrey com menos caretas e mais amor

Temporada de praia | 18

O Caxias ruma para o litoral catarinense, mas não para dar férias aos seus pés

Reportagem sobre o frio | Para os desprotegidos, o frio não tem nada de glamouroso...é penoso. Sandra Maria de Oliveira

Passado de glórias | 19

A história de Everaldo, tricampeão da Copa de 70, com a camisa do Juventude

Guia de Esportes | 20

O Caxiense faz muito bem em colocar seus repórteres nas ruas, porque estão fazendo o papel de mostrar a realidade às autoridades. Parabéns. Osni Carloni

Futebol em volta da mesa e uma partida que vai direto para os pênaltis

Copa 2010 | 21

ocaxiense@ocaxiense.com.br

Heróis negros da Suíça e do Brasil O dia em que uma vuvuzela coreana desafinou nosso samba

Renato Henrichs | 23

Mais uma candidatura de Caxias ao Senado: saiba o que pensa a comunista Abgail Pereira

Expediente

Redação: André Tiago Susin, Cíntia Hecher, Fabiano Provin, Felipe Boff (editor), Graziela Andreatta, José Eduardo Coutelle, Luciana Lain, Marcelo Aramis (editor assistente), Marcelo Mugnol, Paula Sperb (editora), Renato Henrichs, Roberto Hunoff e Valquíria Vita Comercial: Leandro Trintinaglia e Cláudia Pahl Circulação/Assinaturas: Tatyany Rodrigues de Oliveira Administrativo: Luiz Antônio Boff Impressão: Correio do Povo

Assine

Para assinar, acesse www.ocaxiense.com.br/assinaturas, ligue 3027-5538 (de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 18h) ou mande um e-mail para assine@ocaxiense.com.br. Trimestral: R$ 30 | Semestral: R$ 60 | Anual: 2x de R$ 60 ou 1x de R$ 120 Jornal O Caxiense Ltda. Rua Os 18 do Forte, 422, sala 1 | Lourdes | Caxias do Sul | 95020-471 Fone 3027-5538 | E-mail ocaxiense@ocaxiense.com.br www.ocaxiense.com.br

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O Caxiense

19 a 25 de junho de 2010

Acervo pessoal/O Caxiense

França x México | Parabenizamos a equipe do Jornal O Caxiense pela reportagem realizada com os intercambistas da UCS Anaïs e Hugo! Fixamos uma cópia em nosso setor. Nei Alexandre Rech

Copa em quadrinhos | 22

Mario Michelon estreia a nova série multimídia “10 cenas da minha vida”. O agora Cidadão Caxiense narra 10 momentos marcantes de sua trajetória. Para ver, ouvir e registrar a vida de pessoas importantes da cidade. Cada etapa de uma nova ligação de água foi acompanhada pelo jornalista José Eduardo Coutelle. Em menos de 1 minuto, veja o processo que leva cerca de 2 horas.

Capa | Maria Eduarda da Silva Machado fotografada por André Tiago Susin. Erramos | Os maçons devem utilizar terno preto e gravata branca durante as cerimônias, e não o contrário, como foi publicado na página 6 da edição 26 (Os alicerces do poder).

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


A Semana

paula.sperb@ocaxiense.com.br Projeto Recria, Divulgação/O Caxiense

editado por Paula Sperb

Crianças da Apae fotografam durante oficina; o resultado será visto durante a feijoada beneficente de domingo

SEGUNDA | 14 de junho Comunicação

Rádio da UCS passa para a UAB O conteúdo vai mudar, mas a sintonia continua no dial 87.5FM. A Cidade Universitária, da Associação Pró-Campus, gerida pela UCS, será repassada à União das Associações de Bairro de Caxias (UAB). A rádio funcionava há cerca de 10 anos junto ao Cetel para aulas práticas de rádio dos alunos do curso de Comunicação. A rádio foi transferida pois a concessão comunitária não estava sendo utilizada para este fim. Repassar a concessão para a UAB é uma decisão acertada. Em Caxias, a entidade é quem melhor fará uso das transmissões.

TERÇA | 15 de junho Origens de Caxias

Negros, índios e portugueses em debate

É no mês em que se comemora os 135 anos da imigração italiana que a Faculdade da Serra Gaúcha (FSG) se-

diou o Seminário Integrado Origens de Caxias para tratar das culturas que colaboraram com a formação dA cidade. Iniciativa louvável que gera reflexão sobre uma sociedade que não tem origens apenas italianas. Na programação, a prefeitura promoveu a construção de duas ocas na Estação Férrea. Lá, índios divulgaram sua cultura. Causa estranheza. É preciso preservar o patrimônio e não destruí-lo para reconstruir de maneira artificial.

QUARTA | 16 de junho Vestibular

UCS tem 3.893 candidatos

O vestibular de inverno da UCS, que ocorre às 9h de domingo, tem 3.893 candidatos inscritos para 2.660 vagas, em 52 opções de ingresso. As mulheres são maioria, 54,48%, e homens, 45,52%. Dados do levantamento socioeducacional realizado por meio de questionário respondido pelos candidatos no momento da inscrição mostra que, dentre os candidatos, 65,76% têm menos de 20 anos de idade e 82,25% residem no Nordeste do Estado, sendo 57,31% em Caxias e 24,94% em outras cidades da região.

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120 anos de município

Bolo de 120 metros será servido na praça

Serão preciso muita gente na Praça Dante Alighieri para dar conta de comer o bolo de 120 metros que será oferecido em comemoração aos 120 anos de município de Caxias, neste sábado, às 16h. O doce deve ser provado depois de medir a pressão, cortar o cabelo, fazer a carteira de trabalho. O serviços fazem parte da 25ª Ação Comunitária, que começa às 9h. Show do Alma Nova e apresentações de teatro são algumas das atrações do evento da prefeitura com apoio da Rádio São Francisco SAT e Rede Maisnova FM.

QUINTA | 17 de junho Economia

Luz aumentará 4,85%

Prepare seu bolso. A partir de sábado, sua conta de luz ficará 4,85% mais cara. As indústrias pagarão, em média, 3,41% a mais. Em todas as categorias, o aumento médio é de 3,96%. O reajuste da RGE foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

SEXTA | 18 de junho

Apae

Exposição tem fotos de alunos

O olhar dos alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) pode ser conferido em exposição durante a 10ª feijoada beneficente da entidade, no domingo. Fotografias tiradas pelos jovens especiais em oficina ministrada por Mário André Coelho mostram mais do que a vista alcança. “Existem imagens surpreendentes. Eles não tem dificuldades maiores de manusear uma câmera do que outras crianças. O objetivo do projeto é ensinar aos participantes que eles também podem ter um olhar sobre sua realidade”, explica Mário André. A oficina ocorreu em duas etapas: na primeira, os alunos confecionaram e usaram pinholes (câmeras artesanais de papelão) e um laboratório de revelação foi improvisado. Na etapa final, utilizaram câmeras digitais para fotografar uma visita ao Parque Cinquentenário. “Viramos a escola de cabeça para baixo”, conta Mário. O ingresso para a feijoada custa R$ 40 e pode ser adquirido na hora, no restaurante Tulipa, nos Pavilhões.

19 a 25 de junho de 2010

O Caxiense

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Roberto Hunoff roberto.hunoff@ocaxiense.com.br

A maior do país

À frente do Grupo Cozinha e Ambientes, o empreendedor José Clóvis Accadrolli inaugura sua quarta loja em Caxias do Sul. A abertura ocorre na terça-feira (22) em solenidade para clientes e convidados. No espaço de 1,2 mil m² estarão distribuídos 39 ambientes para exposição de produtos da Dell Anno Móveis, de Bento Gonçalves. Ainda há estacionamento coberto no subsolo e o Espaço Cultural Dell Anno, destinado a eventos culturais, gastronômicos, sociais, artísticos, mostras de artes, fotografias, lançamentos de livros e imobiliários, pocket show e workshops. Com os 300 m² deste espaço a loja torna-se a maior da Dell Anno no País.

Curtas A América Latina programou três palestras para a próxima semana. Na terça-feira, 22, o professor Bruno Henz Biazetto falará sobre Dilemas e oportunidades do mundo globalizado no século XXI. Na quinta-feira, 24, serão abordados os temas O novo mundo e as fronteira do ‘terroir’ pela professora Tatiana Zismann e Sucessão em empresas familiares por Ivandro Polidoro. As palestras têm início programado para às 19h30. O secretário de Estado da Justiça e do Desenvolvimento Social, Fernando Schüller, será o palestrante da reunião-almoço de segunda-feira (21), da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul. Abordará o tema Rio Grande do Sul: a modernização necessária. O encontro também será em homenagem aos 40 anos da Prolar Imóveis.

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O Caxiense

19 a 25 de junho de 2010

O Simecs (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico) revelou nesta semana que o setor, depois de 12 resultados mensais negativos, cresceu 3,48% em abril. A expectativa é de manutenção da tendência de alta até as eleições. Dependendo do resultado, admitem dirigentes da entidade, podem haver mudanças. Preocupação mesmo é com a falta de mão de obra: há 1,9 mil vagas em aberto nas empresas caxienses. Além disso, é preciso criar condições para manter os funcionários, diariamente assediados por propostas de empresas de outras cidades. Uma delas é a elevação dos salários.

Em semana de negociação do dissídio coletivo o Simecs liberou estudo que mostra avanços nos salários dos trabalhadores por conta de reajustes reais nos últimos três anos. Tomando por base um vencimento de R$ 1,4 mil em junho de 2007, o valor atual é de R$ 1.803,12. Se houvesse apenas a correção pelo INPC o valor seria de R$ 1.728,99, uma diferença mensal de R$ 74,13. No acumulado em 36 meses algo como R$ 3.498,26. Os metalúrgicos reivindicam aumento real de 10%, além do INPC, neste dissídio. O índice já foi considerado inviável pelo presidente do Simecs, Oscar de Azevedo.

Feira de compras

Primeira filial

Flores da Cunha espera 40 mil visitantes a partir deste sábado (19) com a 21ª Feira de Inverno. Iniciativa do Centro Empresarial e Prefeitura, a feira reúne expositores dos setores de móveis, malhas e confecções, vinícola e construção civil para a venda de produtos a preços de fábrica. Atração à parte é a gastronomia oferecida no Parque de Exposições, onde a feira se realizará nos finais de semana até 18 de julho. O Galito é o personagem promocional da feira, sem cobrança de ingresso nem estacionamento.

Feira agrícola

Com objetivo de mostrar os trabalhos dos laboratórios de Análises e Pesquisas em Alimentos, de Química e Fertilidade do Solo e o de Sementes e Fitopatologia, a Universidade de Caxias do Sul (UCS) participa do 5° Agroshow, que ocorre em Nova Petrópolis, de 24 a 27 de junho. A coordenadora Luciana Duarte Rotta explica que os diferenciais dos laboratórios da UCS são a qualidade e a agilidade do processo. O prazo de entrega dos laudos das análises feitos na universidade é de 15 dias úteis para produtores de toda a região.

A Inovar Acabamentos escolheu Caxias do Sul para abertura de sua primeira filial. Especializada em metais, louças, revestimentos e laminados de alto padrão, a loja ocupa 400 m² no Villagio Iguatemi. Segundo o diretor Fernando Joner, a escolha de Caxias do Sul para sediar a primeira filial da empresa, que tem sede em Novo Hamburgo, considerou o fato de a cidade ser um dos mais promissores mercados do Estado, principalmente no ramo da arquitetura e da construção.

Intercâmbio em TI

Uma representação de 21 empresários do setor de Tecnologia da Informação (TI) de Caxias do Sul integrou comitiva gaúcha que visitou o Porto Digital de Recife, em Pernambuco. Para Márcio Biazus, presidente do Trino Polo de Caxias do Sul, a iniciativa abrirá oportunidades de futuros negócios e parcerias estratégicas. Comenta que o encontro proporcionou o conhecimento de outros modelos de parques tecnológicos e a incorporação das boas práticas para o polo de Caxias. O parque tecnológico de Recife é o de maior faturamento no País, representando 3,5% do PIB de Pernambuco. Severino Schiavo/Divulgação/O Caxiense

Divulgação/O Caxiense

A Rio Grande Energia lança na segunda-feira (21), em Caxias do Sul, o projeto Caravana RGE – Educando para a eficiência. O projeto, inédito no País, integra o Programa de Eficiência Energética da concessionária e prevê ações educativas envolvendo arte, eficiência, sustentabilidade, cultura, conhecimento, experimento, concurso educativo e interatividade com o público. A estimativa é atingir público de 150 mil pessoas, com 250 apresentações em 80 municípios gaúchos, atendendo 600 escolas e capacitando dois mil professores. Os consumidores serão orientados para o consumo responsável e utilização segura da energia elétrica a partir de ações que podem fazer a diferença na vida dos cidadãos, como apagar uma lâmpada ao sair do ambiente, diminuir o tempo no banho ou programar o desligamento da televisão antes de pegar no sono. O lançamento em Caxias do Sul será às 9h no Instituto Estadual de Educação Cristóvão de Mendoza.

Teatro empresarial

Colaboradores da Agrale, de Caxias do Sul, e da Soprano, de Farroupilha, participam neste final de semana da Mostra Estadual de Grupos Participativos e da Mostra de Talentos da Associação Gaúcha de Qualidade. Eles encenarão peças teatrais dirigidas pela Ueba Pró e montadas visando mostrar as etapas de implementação de ferramentas da qualidade dentro do programa de Círculos de Controle da Qualidade. A mostra ocorre no sábado (19), a partir de 8h, no campus da Unisinos, em São Leopoldo.

Ueba Pró/Divulgação/O Caxiense

Crise de mão de obra qualificada

Conscientização

Rádio hoteleira

Com programação musical e informações sobre os serviços internos nas 24 horas, o Bergson Executive Flat colocou em funcionamento a Rádio Bergson. Há também espaço para quem quer atingir os hóspedes do hotel. O projeto é realizado em parceria com a Núcleo Produtora, que utiliza programa instalado a um computador que é interligado ao sistema de som do local.

Expansão

A Marelli Ambientes Racionais abriu na cidade de Goiânia, em Goiás, sua 36ª operação própria. A unidade atuará nos mercados privado e público, com foco na Região Metropolitana e no Estado de Goiás. A Marelli tem atuação no Brasil e em países da América Latina.

Empreendedorismo feminino A Microempa (Associação das Empresas de Pequeno Porte da Região Nordeste do Rio Grande do Sul) recebe até 18 de agosto inscrições para o Troféu Empreendedorismo Feminino. A ação busca incentivar, valorizar e destacar as empresárias que atuam em organizações da Região Nordeste do Estado. As inscrições são abertas para mulheres que têm uma história de empreendedorismo, luta e dedicação à frente de suas empresas. A premiação é dividida em quatro ca-

tegorias: indústria, comércio, serviços e cooperativas ou associações. A coordenadora do projeto, Vanice Dani (foto), argumenta que a realização também reconhece o profissionalismo da mulher empreendedora. Um estudo do Sebrae revela que as mulheres empreendem mais do que os homens e o fazem como forma de fugir da discriminação salarial. Dados do IBGE de março deste ano mostram que as mulheres recebem, em média, 30% menos do que os homens.

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


André T. Susin/O Caxiense

Atletas na mesa

Craques de

acrílico

A Associação de Futebol de Mesa Caxias do Sul comemora, aos 45 anos, o prazer de manter viva uma paixão da infância Um organizado grupo de praticantes cultiva a tradição do futebol de botão, que poderia ter sido esquecida por falta de novos adeptos

N

por José Eduardo Coutelle jeduardo.coutelle@ocaxiense.com.br a infância e juventude de parte dos meninos que nasceram antes da era da internet rápida, um futebol diferente era muito praticado. Os meiões e as chuteiras permaneciam guardados no armário, junto com a camiseta do clube do coração, enquanto times compostos por pequenos jogadores eram retirados de caixas. Na maioria das vezes eram botões de plástico, chamados de panelinha, que faziam a diversão da gurizada. As pessoas que levavam o entretenimento mais a sério compravam os botões puxadores, vendidos individualmente em tamanho, altura e peso diferentes. Como campo bastava uma mesa lisa de madeira que permitisse aos botões deslizarem. Alguns modelos bem simples podiam ser comprados até em supermercados. Parte das regras era estipulada pelos próprios jogadores como, por exemplo, o limite permitido de toques na bola. Mas o objetivo sempre era e continua sendo o mesmo: fazer o gol. Alçado à condição de esporte, com federações e regras bem delimitadas, o então futebol de botão deixou de ser mera diversão de adolescentes e, oficialmente, passou a ser chamado de futebol de mesa. Em Caxias, um pequeno grupo formado por cerca de 25 pessoas mantém viva essa paixão e leva adiante uma cultura que poderia ter sido perdida pela falta de novos adeptos. Em uma sala junto ao Ginásio Vasco da Gama, Daniel Maciel, sentado em frente a uma escrivaninha, manuseia os registros históricos da Associação Futebol de Mesa Caxias do Sul, da qual é presidente. “Temos guardada aqui a matéria que saiu no jornal quando foi fundada a associação ainda com o

nome de Liga Caxiense de Futebol de Mesa em 1965”, recorda. Ao longo da sala comprida que abriga a sede estão dispostas 11 mesas para a prática do esporte. As que não estão sendo usadas ficam cobertas com plástico bolha para protegê-las do pó. É importante que as mesas estejam sempre bem limpas e lisas para que os botões possam deslizar. Próximo das 21h da última terça-feira vários associados disputavam partidas amistosas. Apesar de serem concorrentes entre si é notável o clima de camaradagem. A sede da associação funciona quase como um segundo lar para Mário Vargas. Com 25 anos de idade, é um dos mais jovens membros da entidade. Do interior de um estojo preto, cuidadosamente ele retira o seu time de botões, um a um, e coloca-os sobre a mesa. “O jogo nem é tanto na bola. Não há a necessidade de acertá-la”, diz, enquanto realiza algumas tentativas de chute a gol. Essas pequenas preciosidades de acrílico foram fabricadas em Porto Alegre, e um time completo custa, em média, R$ 300. No mesmo momento em que fala sobre o esporte, ele parece esquecer de tudo o que acontece fora daquelas quatro paredes. “Existe uma estratégia de jogo. A parte técnica e a psicológica são muito importantes”, continua, após acertar um gol. Sócio desde 2005, Mário explica que no seu primeiro ano praticava todos os dias. A persistência lhe rendeu frutos e títulos. Naquele ano foi campeão da segunda divisão do Campeonato Caxiense. Nos seguintes, já na categoria principal, acumulou três vice-campeonatos e um terceiro lugar. Outro título importante foi a conquista da Taça APFM 2010, em maio, em Pelotas. “Atualmente sou o primeiro colocado

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do ranking interno”, completa ele, com uma feição alegre e zombeteira direcionada aos mais experientes. Quando não está em casa ou no trabalho, a possibilidade de encontrar Mário na associação é imensa. “Posso dizer que o esporte é um vício para mim. Sempre que tenho tempo livre venho para cá”, diz. Junto dele, Alexandre Prezzi explica algumas regras do jogo. “Cada jogador só pode dar um toque na bola. Quando ela estiver no campo defensivo do adversário você pode pedir para chutar a gol”, conta, simulando a movimentação na mesa. Existem algumas exceções em que se pode efetuar dois toques seguidos. Entre elas, quando a bola sai pela linha lateral, quando um jogador atinge o adversário antes de tocar na bola ou quando a pequena pelota bate no corpo do técnico, denominação da pessoa que comanda o time. Conforme o regulamento, as partidas são compostas por dois tempos de 25 minutos e o jogador tem 15 segundos para efetuar a sua jogada. Com alguns anos a mais de experiência do que Mário, Alexandre participa da associação desde 1999. O futebol de mesa é a sua principal diversão quando não está nas aulas do curso de Ciências da Computação. Em uma mesa ao lado, Daniel Pizzamiglio, 32 anos, termina sua última partida da noite. Sua maior conquista foi o título do Campeonato Estadual em 2008. Associado desde 1999, Daniel conheceu o esporte bem mais cedo por meio do pai, Luiz Ernesto. “Atualmente jogo pouco. Venho de duas a três vezes por semana.” Para ele, um bom jogador precisa ter qualidades técnicas, calma e perseverança. “O cara tenso não ganha uma partida”, completa. Ao seu redor estão Luciano Carraro, atual campeão da Copa Caxias, e Daniel Crosa, que

joga com as regras oficiais desde 1977. Já passam das 22h e, finalmente, todos os botões são guardados e as luzes apagadas. As mesas terão descanso até quinta, quando todos se reunirão novamente no último encontro antes do campeonato que se inicia no sábado. Para comemorar seus 45 anos de atividades, a Associação sedia neste final de semana os Jogos Abertos de Futebol de Mesa. O presidente Daniel Maciel conta que o principal objetivo é homenagear as pessoas que elevaram o esporte ao status em que se encontra hoje. “Acredito que todos os presidentes estarão presentes, inclusive o primeiro, Adauto Celso Sambaquy.” Este é um personagem importante na história do esporte em Caxias do Sul e no Brasil: foi um dos responsáveis por uniformizar as regras do futebol de mesa no País. Aos 73 anos, ele lembra que a associação foi criada porque a Federação Gaúcha não “amparava clubes individuais” que existiam na época, e os seus jogadores não podiam disputar as competições estaduais. Atualmente morando em Balneário Camboriú, Sambaquy conta que a origem da atual regra brasileira nasceu da necessidade de padronizar o esporte e possibilitar jogos entre competidores de diversos estados. “Em 1965 fundamos a Liga Caxiense de Futebol de Mesa sob as regras gaúchas. Disputamos o primeiro estadual e ficamos com o vice-campeonato. Em 1966, com o primeiro aniversário, fizemos um torneio com participantes de algumas cidades do Estado e convidamos associações da Bahia. Elas trouxeram consigo a regra baiana, com os botões padronizados e a mesa do tamanho atual. A partir daí pegamos o bom de cada uma e fizemos a regra nacional”, explica. 19 a 25 de junho de 2010

O Caxiense

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Divulgação, Samae/O Caxiense

Infraestrutura indispensável

A Barragem do Faxinal, assim como as represas da Maestra, Samuara e Dal Bó, já opera no limite de sua capacidade

A SEDE DO

PROGRESSO P

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por JOSÉ EDUARDO COUTELLE jeduardo.coutelle@ocaxiense.com.br

raticamente todas as civilizações da história da humanidade se formaram próximas a grandes mananciais de água doce. E isso se deve a um simples motivo: sem ela, toda a vida na terra não seria possível. Na sua concepção mais bruta, a água é estritamente necessária para matar a sede e hidratar o corpo. Mas também é indispensável o seu uso para desenvolver a agricultura e a indústria. A grande questão é que, quanto mais se desenvolver a população em torno de um manancial, mais água será necessário para abastecê-la. Em grandes centros urbanos como Caxias, o sinal amarelo de atenção já foi

O Caxiense

19 a 25 de junho de 2010

acionado. O uso crescente, impulsionado pelo crescimento demográfico, gera prognósticos preocupantes. Conforme o diretor de Recursos Hídricos do Samae, Gerson Panarotto, neste ritmo de aumento populacional, em 2012 Caxias teria de fazer racionamento caso já não tivesse se antecipado ao problema – o que, felizmente, fez. Essa previsão foi constituída com base em alguns números bem objetivos. Até 1980, havia em Caxias do Sul 48,7 mil economias (residências, comércios ou empresas) abastecidas. Em 2010, são 154 mil. O consumo de água triplicou em três décadas. As represas Faxinal, Maestra, Samuara e Dal Bó estão praticamente operando em sua capacidade máxima. Foi por isso que

Crescimento populacional acelera cada vez mais a expansão da rede de abastecimento em Caxias

o governo federal emprestou, via Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), R$ 104 milhões para a construção da barragem que irá capturar água do arroio Marrecas. A obra, iniciada este ano, deve ficar pronta até o final de 2011. A prefeitura entrou com contrapartida de R$ 56 milhões. Conforme Panarotto, com o represamento das águas do arroio Marrecas, o problema da água na cidade seria resolvido por pelo menos 25 anos, tempo em que o aumento da população exigiria novas fontes de captação. “Nossa previsão é que o Marrecas atenda pelo menos 250 mil pessoas”, adianta. Outras opções de recursos hídricos que a cidade ainda dispõe são os arroios Mulada e Sepultura, e o rio Piaí.

Muitos são os dados que comprovam o aumento populacional na cidade e, com ele, o aumento da demanda de água. Conforme os números da Secretaria de Urbanismo, 709 novos projetos de construção foram aprovados de janeiro até maio, entre residências, comércios, indústrias e locações institucionais. Contabilizado em área, esse total chega perto de 480 mil metros quadrados, algo próximo a 75 campos de futebol. O Samae informa que todos os dias são feitas 15 novas instalações de água – uma a cada 30 minutos do horário de expediente da autarquia. Independentemente da questão migratória, Panarotto conta que o abastecimento da cidade está sob controle.

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


Para sua instalação, o Samae precisa ligar a rede pública à entrada particular. O fator que torna esta operação um pouco mais complicada e cara é que a rede normalmente está instalada sob as ruas, muitas vezes a mais de um metro de profundidade. Para isso, é necessário interromper temporariamente o fluxo da via, para que os operários possam abrir uma vala e fazer a conexão. O valor final desse trabalho depende do tipo do calçamento da rua e da metragem aberta. Neste momento entra em ação o fiscal de ligação de água José Carlos de Cândido, que, com seus 35 anos de experiência no Samae, sabe com precisão onde se encontra boa parte dos canos dos 1.400 quilômetros de extensão da rede da Caxias do Sul – pouco mais que a distância em linha reta entre São Paulo (SP) e o Chuí (RS). Sob sua supervisão, os operários de empresa terceirizada JK Ferreira realizam diversas novas instalações. Na última quarta (16), a equipe de quatro homens liderada por Paulo Éverton Leicini realizou mais uma ligação no bairro Kayser. Pelo fato de ser uma rua com pouco movimento e calçada com pedra, e não asfalto, o trabalho foi feito rapidamente. Em pouco mais de duas horas, a mangueira que leva a água da rede pública para o hidrômetro particular foi conectada e o calçamento da rua foi restabelecido. “Essa instalação foi tranquila”, avaliou José Carlos. A conclusão de mais uma obra não significa descanso para esses operários. Esta foi apenas a primeira instalação do dia. Para Leicini, porém, novas instalações significam mais trabalhos e, por consequência, uma renda maior no final do mês. Todos recebem por empreitada. Apenas um fator é capaz de deixar esses homens parados e criar um novo acúmulo de serviços. As poucas gotas que caíam enquanto a equipe finalizava o calçamento intensificaram-se, transformando-se em uma chuva fria. Assim, todos os operários da JK Ferreira, juntamente com o experiente fiscal José Carlos, tiveram de aguardar até que a água parasse de cair do céu para que pudessem voltar a distribuí-la a partir por terra.

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Camila Braga, Samae, Divulgação/O Caxiense

“Toda a área urbana está sendo atendida. Há algumas pausas no abastecimento apenas por questões temporárias de reformas. A represa Faxinal atende a 70 % da população, mas está chegando ao seu limite de retirada de água. A barragem Marrecas vem para suprir essa demanda futura”, tranquiliza. Nas áreas rurais – cerca de 92% do território do município, e que se encontram apenas 7% da população –, as residências são abastecidas com a captação direta das vertentes e nascentes, ou através de poços artesianos, feitos em parceria entre o Samae e a Secretaria de Agricultura. Apesar de as medidas para garantir o abastecimento em Caxias já estarem sendo tomadas, Panarotto salienta que é indispensável o consumo consciente e o reaproveitamento da água. “Alguns dos novos projetos prediais já preveem o uso de cisternas, que captam a água das calhas, destinada para a lavagem de carros, calçadas e jardim. É importante o reaproveitamento da água. Nosso grande vilão é o desperdício”, afirma. Entretanto, a cultura do caxiense, marcada pelo trabalho intenso, não dá muito espaço para perdas desnecessárias. A média do consumo caseiro não chega a atingir 10 metros cúbicos por mês, valor inferior ao índice nacional. Outro recurso de economia de água que está sendo realizado pelo Samae é o Programa de Perdas. Ele visa encontrar, identificar e restaurar redes com problemas de vazamento. Acessível a todos ao abrir uma torneira, a água muitas vezes atinge altos valores na conta mensal devido à manutenção do sistema de abastecimento. Parte do custo está na energia elétrica. “Como as barragens ficam em uma região mais baixa que a cidade, a água precisa ser bombeada. Nos horários de pico, das 18h às 21h, o preço é mais caro. Gastamos cerca de R$ 10 milhões por ano com energia elétrica. Uma alternativa são os Centros de Armazenagem, que mantêm a água tratada na cidade. Assim é possível ativar um número menor de bombas”, explica Panarotto. Outra despesa relacionada ao abastecimento, e paga individualmente pelo usuário, é a obtenção do hidrômetro.

Sistema Marrecas, em construção, deve assegurar abastecimento por 25 anos

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Fotos: André T. Susin/O Caxiense

Cenas inesquecíveis

Prédio do antigo Cine Operário, hoje pertencente à Mitra Diocesana, ainda abriga autorizações de exibição de filmes, LPs e projetores

ERA UMA VEZ

EM GALÓPOLIS

q

por CÍNTIA HECHER cintia.hecher@ocaxiense.com.br

uando criança, Maria Lourdes Diligenti Comerlato ficava na primeira fila do Cine Operário Galópolis, com seu cachorro Pretinho ao lado, e arregalava os olhos diante da enorme tela à sua frente. “Não perdia um filme!” De propriedade do seu pai, Victório Diligenti, o cinema do então distrito de Caxias do Sul era ponto certo para diversão dos moradores. Simples operário do Lanifício São Pedro, mas de espírito empreendedor, Victório abriu em Galópolis áreas de lazer como um campo de futebol – “feito à base de carrinho de mão”, diz a filha – e até um ringue de boxe. Um dia, tomou coragem e pediu dinheiro emprestado a um amigo. Queria realizar um sonho. Assim nasceu, em 1929, a primeira estrutura do cinema de Galópolis. De madeira, tinha dois andares e camarotes laterais. No primeiro, o assoalho era plano, e cadeiras de palha faziam as vezes de assentos para os espectadores. Na porta, vendia-se balas e doces. Uma abertura em forma de meia lua na parede, com grades, constituía a bilheteria, com ingressos para as sessões das terças-feiras, sábados e domingos. O segundo abrigava a cabine de projeção, de onde a magia se lançava à tela. “Já assistiu ao filme Cinema Paradiso? Então, era bem aquilo mesmo”, descreve Lourdes, 74 anos, referindose à famoso obra de Giuseppe Tornatore. A paixão pela sétima arte era o que movia o Cine Operário, que era parceiro de outros cinemas da cidade, como o Central e o Guarany, na compra de rolos de filmes. Assim, exibia obras americanas, italianas, francesas e brasileiras. Lendas do cinema tiveram o rosto projetado em Galópolis. Sem uma data precisa, o que era de madeira foi dando espaço à alvenaria. Uma reforma que durou anos, feita

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aos poucos, construiu ao redor do salão de tábuas uma estrutura de material. Somente quando ela ficou pronta o antigo prédio foi derrubado, tudo para não deixar nenhum fã de cinema na mão. As cadeiras de palha deram espaço a poltronas de madeira, o assoalho ganhou inclinação para melhorar a visibilidade e os camarotes foram extintos. Um mezanino foi erguido próximo à cabine de projeção, que recebeu dois novos aparelhos. A tela foi trocada para uma panorâmica. Hoje em dia, pouco resta além das lembranças. A cortina empoeirada que cobre o palco revela, ao ser aberta, uma enorme tela rasgada. Atrás dela, entulhos. Cadeiras e escadas amontoamse. Algumas das poltronas de madeira continuam lá, encostadas nas paredes. Um objeto que remete ao presente é um relógio branco e redondo que marca a hora correta, pendurado no mezanino desnivelado. No início deste ano, o antigo cinema foi cenário para o documentário Al Cinema, de Lissandro Stallivieri, da Spaghetti Filmes. Nele, o italiano Gianfranco Sinico conta sua história relacionada a um cinema na Itália que já não existe. Nada mais adequado que filmar em uma sala abandonada. De acordo com o padre João Roberto Masiero, pároco da comunidade desde fevereiro deste ano, o cinema hoje é utilizado para aulas de violão ou reuniões. “A estrutura está péssima, o assoalho, comprometido. Mais que grupos de 10, 15 pessoas, não pode.” No andar de cima, um tesouro é resguardado pela pesada porta de ferro da antiga sala de projeção. São relíquias dos tempos de ouro do cinema: projetores, toca-discos, negativos de filmes, uma estante com diversos LPs amontoados, microfone, autorizações para projeção de filmes. A janela é tapada por um armário, por conta de tentativas de roubo. Ao dar uma espiada pela porta, cuja fresta aberta trazia breve iluminação ao quarto sem luz elétri-

Interior de Caxias do Sul já teve o seu próprio Cinema Paradiso

ca, padre João foi categórico: “só serve para museu”.

inviável. Criticar é fácil, mas faz parte. Só se joga pedra em árvore que dá fruto. Quem reclama devia pegar e abrir um cinema pra ver como é”, desabafa Nicoletti, salientando que as divergências do passado já não o incomodam. “Foi há muito tempo.”

No início da tarde de terça-feira (15), Maine Rosa Comerlato – que não é parente de Lourdes – aguardava doações de alimentos para posterior distribuição a pessoas carentes. Com 61 anos, ela lembra da infância passada Lourdes Comerlato já pensou naquele espaço hoje reservado ao uso em escrever um livro contando a hisde pessoas relacionadas à Mitra Dioce- tória do Cine Operário Galópolis, estisana, proprietária do Cine desde 1967. mulada pela filha. Tem fotos guardadas “Sempre ia assistir, mas com a chegada e um programa do Festival de Inauguda televisão o cinema ração do Palco, quando foi morrendo”, recorda. da reforma do cinema, Esse é um dos mo- “Já assistiu ao datado de 9 de agosto tivos apontados por filme Cinema de 1947. E tem, prinLourdes para que o Paradiso? cipalmente, as grandes negócio do pai não terecordações, reavivadas nha durado mais mui- Então, era em jantas mensais com to tempo. “Foi a crise bem aquilo amigas que compartimundial do cinema.” mesmo”, descreve lham suas lembranças Outro razão foi, se- Lourdes, neta do do cinema. gundo ela, uma perseLourdes ainda ri das guição promovida pela fundador do molecagens dos jovens, Igreja. A projeção de Cine Operário como jogar chiclete do filmes com beijos, por mezanino em quem esexemplo, causou a ira tava no primeiro andar. das autoridades eclesiásticas da região. Esse mesmo lugar servia de refúgio aos Diziam que o Cine Operário era a casa casais, que aproveitavam o escurinho do diabo. “O padre na época conven- do cinema para seus beijos apaixonaceu o bispo que tinha que fechar”, diz dos. Isso até que algum problema com Lourdes. Ironicamente, foram eles que o filme acontecesse, o que provocava o adquiriram o cinema. “Aí não tinha acendimento das luzes e, consequenmais Satanás nem diabo”, ri Lourdes. temente, muitas bochechas vermelhas Com essa compra, Victório Diligenti de vergonha. O romance estava sempassou a ser gerente do antigo negócio, pre em cartaz. Dois alto-falantes posiaté adoecer. Quando ele morreu, a ge- cionados na entrada do cinema eram rência passou para o antigo projecio- usados para declarações e dedicatórias nista. E, em 1983, por ordem do bispo de amor. Dom Benedito Zorzi, o Cine Operário Essas e outras memórias mantêm a fechou as portas definitivamente. De aura do cinema de rua de Galópolis. acordo com o contador do cinema na Lourdes quer deixar a tristeza do fim época, João Nicoletti, a casa dava pre- para trás. “Teve muita alegria, muita juízo. Essa constatação, porém, ren- diversão. Isso que deve ser lembrado”, deu-lhe alguma hostilidade e críticas afirma, para completar, emocionada: entre a comunidade. Nicoletti fizera “Assim aproveito para matar a saudade um estudo de quantos ingressos o ci- do meu pai”. E, claro, daquele tempo nema tinha que vender por sessão para em que o cinema deslumbrava, enequilibrar as contas. E desse cálculo cantava. Era mesmo uma máquina de fez-se o fim. “Ele era economicamente sonhos.

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Tendências comerciais

MODA PARA

CONSUMO RÁPIDO Chegada de grandes magazines ao Iguatemi e ao San Pelegrino Shopping Mall coloca Caxias do Sul na rota do fast fashion

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por RODRIGO LOPES ãs do filme da moda de quem gosta de moda, Sex and the City 2, podem não perceber, mas além de vestidos de grife internacional, como Balenciaga, Dior, Ralph Lauren e Gucci, a protagonista Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) também veste peças de preços populares, daquelas encontradas em grandes magazines. São da rede espanhola Zara, por exemplo, alguns dos itens desfilados pela personagem em suas andanças pelo deserto ao lado das companheiras Miranda, Charlotte e Samantha. O que isso significa? Que a produção de figurino do filme, atualmente em cartaz nos cinemas, também voltou seus radares para o chamado fast fashion. Em uma tradução livre, trata-se da moda para consumo rápido, de preço mais acessível e com inspiração naquilo que é apresentado originalmente nas passarelas de grife e definido pelos grandes estilistas como tendência. Também pode surgir a partir da disseminação por novelas, filmes e celebridades. Independentemente da fonte inspiradora, porém, o sistema fast-fashion pede coleções compactas, modelos novos o tempo todo nas vitrines e olho vivo para retirar das araras tudo aquilo que encalha e repor o que vende. Das empresas, requer agilidade, conhecimento do mercado e estoques enxutos, nem sempre com todas as numerações disponíveis. O segredo está em conquistar – e fidelizar – os consumidores com peças adaptadas ao orçamento e passíveis de compra imediata. A pedagoga caxiense Leonor Santarém, 37 anos, é um exemplo do consumidor-alvo do fast-fashion. No último final de semana, deixou um shopping local com duas sacolas recheadas de roupas e acessórios, incluindo bolsa, dois cintos, um cachecol, um par de

botas e três blusas de malha. “Sempre tem uma novidade, com um preço em conta. Não tem como sair dessas grandes lojas de mãos abanando”, comenta ela, que no mínimo duas vezes por mês faz uma visita ao magazine em questão. A “novidade” citada por Leonor é a ponta de todo um trabalho envolvendo equipes de pesquisa, consultoria, adaptação, fabricação e, principalmente, barateamento do que estará à disposição do público no mês, ou melhor, na semana seguinte. Rapidez, tanto para lojistas quanto para clientes, é fundamental nesse processo. Em Caxias do Sul, a confirmação de chegada da grife Luigi Bertolli ao San Pelegrino Shopping Mall e o possível desembarque da Zara como uma das âncoras do empreendimento são um indicativo da demanda local por esse recente filão de consumo entre as grandes cadeias do varejo de moda. As duas devem somar-se ao time de gigantes do fast fashion instalado na cidade nos últimos 10 anos: Renner, Marisa, C&A, Hering e, a mais recente delas, Riachuelo, que debutou no Iguatemi em 22 de abril. Destaque entre as grandes redes brasileiras que aderiram ao fast fashion, a Riachuelo pesquisa, desenvolve, fabrica e distribui moda para todo o Brasil – são 112 lojas no país. A agilidade na produção e no repasse das coleções (três por ano) garante a rapidez na divulgação de novas tendências e a geração de valor agregado para cada uma delas. O diferencial, segundo o departamento de marketing da empresa, é a integração com o Guararapes, maior grupo de confecção de roupas da América Latina. O Guararapes possui duas fábricas, uma em Natal (RN), que produz malharia e tecido plano (de trama simples), empregando 14 mil funcioná-

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rios, e outra em Fortaleza (CE), que faz jeans e sarja, empregando 8 mil funcionários – e toda essa produção é comercializada pela rede. Desde 2007, o departamento de estilo da Riachuelo faz parte da metodologia e dos processos criados para o atendimento a todos os fornecedores. A grande função dele é conciliar o que o varejo pede no momento com aquilo que a fábrica pode oferecer. Para garantir o sucesso de uma coleção, o processo é iniciado de seis meses a um ano antes de o produto estar nas lojas. O trabalho engloba pesquisas sobre as últimas tendências e temas em desfiles nacionais e internacionais, definição da cartela de cores, das peças mais importantes da coleção e das atitudes que estão ligadas a ela. Dessa forma, tudo o que é criado é feito para ser usado no dia a dia e respeitando tendências, mas levando em conta a realidade dos consumidores e do país. A designer de moda Fabrícia Costanello, 29 anos, conhece bem essa situação. Há três anos em Caxias do Sul, depois de uma temporada de estudos em Barcelona, na Espanha, ela reconhece o fast fashion de longe. “É uma realidade no mundo inteiro, não há como ficar indiferente. Se você passar férias na Europa durante uma estação, quando voltar vai enxergar por aqui muito daquilo que eles usaram seis meses, um ano atrás, com as devidas adaptações. Alguns se inspiram, outros copiam mesmo”, compara. A padronização do estilo parece ficar em segundo plano quando entram em cena os números. Uma das oito marcas integrantes do grupo Inditex, a Zara chegou ao Brasil em 1999. Dez anos depois, tem 25 unidades espalhadas pelo país. No mundo, o Inditex conta hoje com 4.280 estabelecimentos em 73 países. Em 2008, o

faturamento chegou a 10,4 bilhões de euros, colocando a marca na posição de líder mundial em fast fashion. Não por acaso, muitas de suas companheiras de varejo turbinam os investimentos pelo Brasil. Confirmada como uma das âncoras do San Pelegrino Shopping Mall, ao lado das Lojas Americanas e do Supermercado Nacional, a rede Luigi Bertolli está focada na moda casual e urbana, dando conta dos públicos feminino e masculino. Assim como a Riachuelo, está integrada a um grande grupo empresarial, o GEP, que reúne 28 lojas próprias, localizadas nas cidades de São Paulo, Campinas (SP), Florianópolis, Santo André (SP), Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Belo Horizonte e Salvador. A unidade em Caxias do Sul, que deve abrir juntamente com a inauguração do San Pelegrino, prevista para 30 de setembro, será a terceira no Estado e a primeira no interior – atualmente, o grupo possui duas lojas em Porto Alegre, nos shoppings Praia de Belas e Barra Shopping Sul. Já a Zara está cotada para ser a possível quarta âncora do shopping, apesar de não estar oficialmente confirmada nem pela marca, nem pela direção do empreendimento. Se fincar bandeira na cidade, deve não apenas fomentar o conceito fast como fazer coro ao que propõe a aclamada consultora de moda Patricia Field, de Sex and the City e O Diabo Veste Prada: “Por que é preciso ficar só com roupas de estilistas? Gosto de misturar grandes assinaturas com roupas de varejo da H&M e Topshop, e a Zara é uma das que mais uso para esta segunda parte do filme”, revelou à época de lançamento do filme nos Estados Unidos. Fãs de Carrie e consumidoras dos grandes magazines populares, com certeza, assinam embaixo.

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Eleições 2010

bem-vinda,

ficha limpa

A lei ficou mais rigorosa com políticos que respondem a processos judiciais. Mas candidatos de Caxias não devem ser atingidos

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tema e votou favorável à lei, explica que antes os candidatos com pendências sérias na Justiça podiam se eleger facilmente inúmeras vezes, sem impedimentos. “Os processos em terceira instância demoram para ser julgados, porque se acumula a demanda de todo o país. Um político com um bom advogado ia protelando o processo infinitamente. Às vezes ele se elegia e reelegia sem nunca ter o processo julgado”, explica. “É uma lei mais dura para quem pre-

Guerreiro, AL/Div./O Caxiense

Márcio Schenatto, Div./O Caxiense

Diego Netto, Div./O Caxiense

a política. “Mais do que a ficha limpa, uma pessoa pública não deveria ter ficha nenhuma, porque os interesses públicos deveriam estar acima dos pessoais para quem decide assumir uma vida pública. Mas, infelizmente, não é assim que acontece, e não é essa lei que vai mudar. É um começo, mas não é a solução.” Ainda não está definido de que maneira a lei da Ficha Limpa será aplicada. Por enquanto, o Tribunal Supe-

Luiz Chavez/Div./O Caxiense

A mudança não deve afetar diretamente as candidaturas de políticos de Caxias do Sul. Ao menos por enquanto, não há pré-candidatos da cidade condenados em segunda instância nos crimes previstos pela lei da Ficha Limpa. Mas o deputado federal Pepe Vargas (PT), que irá concorrer novamente ao cargo, lembra que o novo regramento acabará atingindo também os eleitores caxienses, já que os deputados e senadores eleitos legislam sobre todo o país e não apenas sobre a cidade onde nasceram. Pepe, que participou dos debates no Congresso Nacional a respeito do

tende concorrer, o que eu acho abso- rior Eleitoral (TSE) anunciou que fará lutamente correto. Talvez seja uma das as regras valerem já para esse pleito primeiras vezes na história do Brasil e que estarão sujeitos a elas políticos que o Congresso faz isso. Normal- considerados culpados em segunda mente, os deputados criam leis para se instância antes e depois da aprovação beneficiar”, acrescenta do projeto. Significa Pepe. que políticos já conheOs dois pré-candidacidos pelos brasileiros tos do PT à Assembleia Mudança por envolvimento em Legislativa, vereador deve barrar casos de corrupção, Marcos Daneluz e de- condenados em como Paulo Maluf putada estadual Marisa segunda instância (PP-SP), condenaFormolo, entendem que do por improbidade a lei poderia ter sido das disputas administrativa, e o ainda mais rigorosa. eleitorais, mas ex-governador José Daneluz acredita que a há possibilidade Roberto Arruda, que mudança não deve mu- de recurso renunciou ao mandato dar o comportamento para evitar a cassação, dos políticos. “Os ho- ao candidato ficariam de fora da mens sérios não serão disputa em 2010. atingidos porque conO deputado federal tinuarão sendo sérios e os desonestos Ruy Pauletti (PSDB), que irá concorcontinuarão encontrando uma manei- rer à reeleição, considerou positivos ra de fazer sem-vergonhices.” os pronunciamentos do TSE. Assim Na opinião de Marisa, seria neces- como Pepe Vargas, ele também, partisário muito mais rigor para moralizar cipou das discussões em torno do pro-

Marcos Eifler, AL, Div./O Caxiense

Diego Netto, Div./O Caxiense

estupro, assassinato ou formação de quadrilha. O candidato que tenha sido considerado culpado em segunda instância em qualquer um desses crimes citados pode até recorrer da decisão, em uma tentativa de garantir a vaga no pleito. Mas ele só conseguirá concorrer se obtiver uma liminar por órgão colegiado em terceira instância, o que deve acontecer apenas se houver sinais evidentes de inocência. Também pela nova regra, esse tipo

de recurso receberá atenção especial. Será julgado em regime de urgência, ficando atrás apenas dos casos de habeas corpus e mandados de segurança. Com isso, pode haver uma sentença final antes mesmo da eleição ou da posse do candidato eleito, impedindo-o de assumir em caso de culpa. Se ele já tiver assumido, a pena é a perda do mandato.

Diego Netto, Div./O Caxiense

s regras para ser candidato nas eleições de outubro deste ano mudaram. Estão mais rigorosas. A aprovação da lei complementar nº 135, de 4 de junho de 2010, instituiu um novo filtro para afastar da disputa candidatos condenados judicialmente por órgão colegiado, ou seja, em segunda instância. Até o pleito passado só não podia concorrer quem tivesse condenação transitada em julgado (aquela em que se esgotam as possibilidades de recurso). A lista de condenações vetadas para possíveis candidatos inclui desde crimes contra o meio ambiente e o patrimônio público até os praticados por motivo de racismo. Candidatos que tenham sido condenados por ter agido de má fé contra a economia popular, contra o sistema financeiro e a saúde pública também estão incluídos. Sem contar os crimes mais graves, como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, Arquivo pessoal, Div./O Caxiense

a

por GRAZIELA ANDREATTA graziela.andreatta@ocaxiense.com.br

jeto no Congresso e votou favorável a ele. “Só espero que os partidos agora acatem essa lei, sem tentar contestá-la judicialmente. Ela é importante para a política brasileira e também para a democracia.” Os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) ainda aguardam pelas orientações oficiais do TSE, que deve emitir um documento aos órgãos responsáveis explicando os procedimentos da Justiça Eleitoral. “O que temos de concreto por enquanto é que a lei está

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Roberto Menezes/Div./O Caxiense Diego Netto, Div./O Caxiense

alfinetar os companheiros – a possibilidade de participar da disputa para a Assembleia. Toigo, que também é formado em Direito, concorda com Alceu sobre a presunção de inocência até a condenação em última instância, mas também defende que os políticos precisam de tratamento diferenciado. Ele acredita que a lei poderá forçar uma mudança dentro dos partidos. “Os partidos precisarão ter um cuidado muito maior quando forem selecionar seus candi-

vam naquela região. Porém, foi denunciado pelo Ministério Público porque não poderia ter usado verba pública de um município em território de outro. O vereador foi absolvido no julgamento em primeira instância. O Ministério Público recorreu, e o recurso aguarda apenas o despacho de um juiz local para ser remetido à segunda instância, onde o processo será julgado por órgão colegiado, o que, em caso de condenação, poderia prejudicar o précandidato.

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Tem que mudar o sistema de financiamento das campanhas eleitorais; as suplências no Senado devem ser revistas, pois há casos em que os suplentes são pessoas completamente despreparadas, às vezes estão ali porque financiaram a campanha do senador; tem que rever a representatividade dos estados no Congresso Nacional”, enumera. Rigotto lembra que a mudança ocorrida agora é resultado da mobilização da sociedade e da imprensa, que vem cobrando mais ética na política. O projeto de lei que deu origem à Ficha Limpa foi elaborado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que entregou a proposta ao Congresso em setembro do ano passado já com uma sugestão de texto para a lei e 1,6 milhão de assinaturas. A proposta foi ganhando adesão e, quando aprovada pelo Senado, em 19 de maio deste ano, já tinha mais de 2 milhões de assinaturas. A pré-candidata ao Senado pelo PC do B Abgail Pereira interpreta a aprovação da lei como uma grande vitória de quem leva a política a sério, mas também dos eleitores. “Ser honesto é um princípio básico para qualquer cidadão. No caso dos políticos, isso deveria ser ainda mais exigido, porque é o mínimo que se espera de alguém com a pretensão de representar a sociedade, ou pelo menos uma parte dela.” Pré-candidato comunista a deputado estadual, Guiomar Vidor entende que o Ficha Limpa deve ser apenas um começo. “Essa lei veio tarde, mas Jorge Scherer, Div./O Caxiense

Luiz Chaves/Div./O Caxiense Diego Netto, Div./O Caxiense

O vice-prefeito Alceu Barbosa Velho (PDT), pré-candidato a deputado estadual e advogado, diz que sempre defendeu o direito das pessoas de serem consideradas culpadas somente ao final do processo, quando não cabe mais nenhuma contestação de decisões. Mas no caso da Ficha Limpa ele concorda com a exceção. Em seu perfil no Orkut, chegou a postar a frase “Ficha Limpa já, ficha suja nem pensar”. Ao jornal O CAXIENSE, manteve a opinião: “O homem público tem que ser exemplo de conduta. Ele não pode ser devedor, estelionatário”. Essa postura, aliás, é uma das poucas unanimidades dentro do PDT caxiense no momento. O partido vive dias turbulentos: além de Alceu, os vereadores Vinicius de Tomasi Ribeiro e Gustavo Toigo disputam internamente – ou nem tanto, já que Alceu tem usado canais de internet como o Twitter para

datos.” O promotor Adrio Rafael PauVinicius avalia que regras como essa la Gelatti não acredita que o caso do expõem a realidade brasileira. “É uma Juá possa prejudicar Mauro, por dois pena ter que fazer uma lei para melho- motivos. Primeiro: dificilmente haverá rar a dignidade do políjulgamento até 5 de tico. O que deveria estar julho (data final para no dicionário da política os partidos registra“A lei está mais virou virtude.” rem seus candidatos O deputado estadual dura. Como na Justiça Eleitoral). Kalil Sehbe Neto (PDT), isso vai se dar Segundo: mesmo que que deve concorrer a na prática, haja o julgamento, o deputado federal no promotor não está precisamos próximo pleito e tem 21 pedindo a inelegibilianos de mandatos inin- aguardar ainda dade do ex-secretário. terruptos, acredita que para saber”, “Eu peço apenas a a lei servirá para que os diz Edson, do declaração de ilegalieleitores conheçam medo ato praticado Cartório Eleitoral dade lhor as pessoas em quem por ele e o pagamento votam. “Acho excelente a de uma multa como mudança, porque sepasanção”, explica. ra o joio do trigo e começa a valorizar Gelatti diz que não solicitou a pena os aptos a serem candidatos, pois são de inelegibilidade pois entende que a aqueles que não têm nada abalando obra era de interesse público, embora sua conduta moral e judicial.” fosse ilegal. “Precisamos ser razoáveis. Não posso ignorar o ato do ex-secreO único caso em Caxias do Sul tário, porque daqui a pouco vai estar que pode ter alguma repercussão de- todo mundo fazendo o que bem envido à mudança legal é o do vereador tende.” Mauro Pereira garante que não Mauro Pereira (PMDB), que pretende chegou a se assustar com a possibilidaconcorrer a uma vaga na Câmara de de do impedimento de sua candidatuDeputados. O pré-candidato responde ra. Ele não critica as novas regras para a um processo de improbidade admi- inscrição de candidatos. “O fato de eu nistrativa por ter autorizado a execu- responder a um processo judicial não ção de obras em uma estrada da lo- tira a importância da lei. A lei existe e calidade do Juá, em São Francisco de ao mesmo tempo existe a Justiça”. Paula, quando era secretário municipal de Obras em Caxias. Pré-candidata a deputada esMauro autorizou as obras porque a tadual pelo PMDB caxiense, Maria estrada ficava na divisa com Caxias e Helena Sartori interpreta que, embora era usada pelos caxienses que mora- os candidatos de Caxias não devam ser Janine Moraes,Agência Câmara, Div./O Caxiense

mais dura. Mas, para termos segurança sobre como isso vai se dar na prática, precisamos aguardar alguns dias ainda para saber”, explica o chefe de cartório da Zona Eleitoral 169, de Caxias do Sul, Edson Borowski. Ele adianta apenas que cada candidato deverá apresentar um documento chamado Certidão de Pé, fornecido pelas justiças estadual e federal. Nesse papel constará se existem processos contra o candidato e em que pé eles estão. “A análise da situação de cada candidato será feita a partir dessa certidão.”

Acima (E para D): os comunistas Abgail Pereira, que concorre ao Senado, o vereador Assis Melo, a deputado federal, e Guiomar Vidor, a estadual; a petista Marisa Formolo, que busca reeleição à Assembleia Legislativa; o vereador peemedebista Mauro Pereira concorre a deputado federal; o tucano Ruy Pauletti quer renovar o mandato na Câmara; o petista Pepe Vargas, também atrás da reeleição como deputado federal; e o peemedebista Germano Rigotto, na disputa pelo Senado. Abaixo (E para D): o vice-prefeito Alceu Barbosa Velho, único confirmado pelo PDT local para concorrer à Assembleia; o vereador petista Marcos Daneluz vai a deputado estadual; o pedetista Kalil Sehbe Neto quer trocar a Assembleia pela Câmara; a primeiradama Maria Helena Sartori tenta a Câmara; e os vereadores pedetistas Gustavo Toigo e Vinicius Ribeiro, que lutam para confirmar seus nomes à Assembleia

atingidos pela lei da Ficha Limpa, no país podem ocorrer mudanças. “É um passo importante para um processo de moralização política e também de mudança da mentalidade dos eleitores que pensam que todo político é corrupto.” Germano Rigotto, pré-candidato ao Senado pelo PMDB, vai um pouco além. Para ele, a lei aprovada agora pode ser o começo de uma reforma política, objetivo que defende desde que era deputado.“É um passo importante, mas é apenas um. Precisamos ir além.

foi importante. Agora, precisamos de mobilização para finalmente fazer uma reforma política profunda no país.” O vereador do PC do B Assis Melo, que pretende concorrer a deputado federal, diz que respeito ao eleitor deveria ser a base de qualquer político. Mas também lembra do papel de quem vota. “O eleitor precisa conhecer o candidato. Tem que procurar saber como ele trabalha, se é honesto ou não. A Justiça pode fazer uma parte. Mas o principal quem faz é o eleitor.” 19 a 25 de junho de 2010

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André T. Susin/O Caxiense

Consciência social

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por VALQUÍRIA VITA valquiria.vita@ocaxiense.com.br oão Heitor espera na fila do lado de fora do banco para poder receber seu salário. A polícia aparece e, de todos que estão na fila, ele é o único a ser colocado na parede, revistado e interrogado sobre o que está fazendo lá. Diógenes está num restaurante lotado. É chamado por um senhor que lhe conta que seu carro havia sido roubado naquele dia. Em seguida, o homem lhe oferece R$ 5 mil para que diga o paradeiro do veículo. Quando Juçara abre a porta do gabinete onde trabalha, algumas pessoas não acreditam que ela é a assessora de uma deputada, e pedem para falar com o responsável do local. Se foi fácil perceber o que essas três pessoas têm em comum, isso é preocupante. Simplesmente confirma que em Caxias do Sul há um preconceito velado: todo mundo sabe que existe, poucos falam abertamente, mas, em determinadas situações, ele aparece. João Heitor, Diógenes e Juçara são negros. Negros que mesmo já tendo visto muita discriminação não têm medo de se dizerem negros, e até desprezam o termo “pardo”, palavra que só usam para se referir a papel. Negros que vivem numa cidade com a quinta maior população negra do Estado, mas que insiste na hegemonia da cultura italiana. Negros que todos os dias sentem vontade de gritar “eu sou negro”, “esta cidade é formada por negros também”. Enquanto os afrodescendentes de Caxias lutam para serem ouvidos, o restante da população prefere muitas vezes ignorá-los ou seguir reproduzindo um antigo pensamento preconceituoso. “Eu não sou racista. Só não gosto de negro.”

PRECONCEITO

DESVELADO Na cidade com a 5ª maior população negra do Estado, a discriminação não pode mais ser ignorada. A hora é de combatê-la

Brazil aponta raízes do racismo: “O processo de educação dentro de casa falhou”

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A escravidão – apontada, de forma geral, como marco inicial do preconceito racial e da ideia de que os negros são inferiores no Brasil – não passou por Caxias. Quando os imigrantes chegaram, Caxias era colônia, onde, por causa da Lei de Terras de 1850, não era permitido ter escravos. “Como já se vislumbrava que a escravidão ia aos poucos se encerrar, era necessário que a lógica dessas colônias destinadas a imigração não possuísse escravidão, e sim a mão de obra livre, que posteriormente auxiliasse o processo de industrialização”, explica o historiador Lucas Caregnato, autor de A outra face: afrodescendentes no município de Caxias do Sul 1900 a 1950, contemplado pelo Financiarte, que deve ser lançado na Feira do Livro. O primeiros negros que aparecem em Caxias, segundo a historiadora da Universidade de Caxias do Sul (UCS) Loraine Slomp Giron, são negros fugidos, da região dos Campos de Cima da Serra e de Fazenda Souza, que passavam por aqui e tentavam se salvar. “Mas, como eram negros e chamavam muito a atenção, eles acabavam sendo presos e remetidos aos seus senhores. O maior número de negros vêm para cá depois da abolição, em 1888. Porque aqui era uma colônia que havia crescido, com muitas pequenas empresas,

precisando de mão de obra”, explica. Os negros vêm para Caxias para trabalhar nas fábricas, nas serrarias e, principalmente, nas obras públicas, como na construção da estrada de ferro que ligou Porto Alegre a Caxias, no início do século 20. “Nas fotos de Domingos Mancuso se vê negros”, conta Loraine, autora de A presença negra na Serra Gaúcha – Subsídios. “Os livros sobre isso são escassos porque são tão poucos negros, e geralmente as minorias são esquecidas”, completa. “Meu pai dizia que negro não prestava, e passei anos dizendo que ele estava errado, que todo mundo era igual. Mas hoje eu penso a mesma coisa.” A falta de bibliografia sobre o tema foi o que impulsionou Caregnato a dar início ao livro. Com a pesquisa, ele conta ter descoberto que os negros que chegaram em Caxias não se instalaram no Centro da cidade, mas em locais afastados: “Percebi a localização dos afrodescendentes nos primeiros núcleos de sub-habitação, o Beltrão de Queiroz (Zona do Cemitério) e o Complexo Jardelino Ramos (Burgo), desde a década de 1910. Apenas os imigrantes eram beneficiados com o recebimento de lotes e colônias, e aos negros cabiam os locais que sobravam. Foi assim que se formaram os primeiros bairros periféricos da cidade”, diz Caregnato. Loraine sustenta que os italianos não tinham preconceito com os negros, porque os consideravam simplesmente seres sujeitos ao trabalho pesado, como eles. “Eram dois grupos, neri e coloni. Houve miscigenação muito grande entre italianos e negras, não entre italianas e negros. O preconceito inicia muitos anos depois, na medida em que começa a vir o enriquecimento. Enquanto está todo mundo pobre e colono é todo mundo igual. Depois, quando se dividem em pobres e ricos, o preconceito fica muito mais sério”, afirma a historiadora, ressaltando que o primeiro intendente (o que hoje seria o prefeito) eleito, José Cândido de Campos Júnior (1895-1902), era negro – até hoje, o único negro entre os 34 prefeitos da história de Caxias. Segundo Caregnato, em Caxias, os negros sofriam com o racismo nos jornais da primeira metade do século XX. “Praticamente não existem afrodescendentes nos jornais de 1900 a 1950, mesmo sabendo que sempre houve presença de negros na cidade. Eram noticiados apenas em colunas policiais, com adjetivos pejorativos”, ressalta o historiador. O movimento negro em Caxias surge em resposta a essa discriminação, com as associações negras, como o Clube das Margaridas, em 1933, que um ano depois se tornou o Clube Gaúcho. O espaço surgiu porque os negros eram proibidos de frequentar clubes tradicionais da cidade, como Juventude e Juvenil. “E no Gaúcho eles proibiam a entrada de brancos. Só com o tempo é que foi abrindo. Eu lembro que me criei dentro do clube, e quando a gente levava as primeiras pessoas brancas era muito estranho. Era uma pessoa branca no meio de toda aquela negrada. Uma mosca no leite, mas ao contrário”,

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recorda a coordenadora estadual do Movimento Negro Unificado, Juçara de Quadros. “No interior de Vila Ipê, nos anos 40, os brancos criaram uma música para cantar para os negros quando eles passavam. ‘Os negros não vão pro céu, nem que seja um rezador, porque têm muita catinga, perto de Deus nosso Senhor’.”

odiar e odiar toda a população afrodescendente. Mas dói saber que as pessoas pensam esse tipo de coisa”, diz Brazil, que acredita que a capoeira é o maior meio de integração que existe, pois brancos e negros jogam juntos. “Acreditamos que o processo de educação dentro de casa falhou, por isso há preconceito. Nós estamos ainda aprendendo a sair do processo de escravidão. Tem pessoas negras que não entram em restaurantes porque acham que não sabem comer”, afirma ele. Brazil discorre com facilidade sobre Nelson Mandela, o Apartheid, a escravidão no Brasil, os discursos da época da libertação dos escravos, quando “algumas pessoas até concordavam em abolir, mas não achavam que aquele era um bom momento”. De tão absurda essa afirmação, Brazil chega a rir ao contá-la. Ele nem precisa pensar duas vezes ao citar suas referências negras: Paulo Paim, senador, Abdias Nascimento, defensor da população afrodescendente no Brasil, e Candinho, filho do líder da Revolta da Chibata, João Felisberto Cândido – que lutou pelo fim dos castigos aos negros na Marinha em 1910. Studio Geremia, AEMJSA/O Caxiense

Domingos Mancuso, ASMJSM/O Caxiense

Analisando os censos da década de 20, 30 e 40, de acordo com Loraine, a população negra caxiense era de cerca de 2%. Hoje, a situação é muito diferente. Um artigo publicado por Marcelo Paixão, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na revista Conexão Negra, em 2003, expõe as cidades gaúchas com maior população negra: Porto Alegre, Pelotas, Viamão, Alvorada e Caxias do Sul. A contagem da população negra abrange quem se autodeclarou preto e pardo no censo demográfico do IBGE de 2000. Caxias ocupa a quinta posição porque naquele ano havia 37.366 negros, o que correspondia a pouco mais de 10% da população da época, que era de 360.419

Macedo. “Anulam que isso aqui é uma eu estudava coisas do tipo ‘isso é bem cidade que era um campo de bugres, coisa de negro mesmo’, ‘tem que mae bugre é negro”, afirma Juçara, que tar’, ‘se não tivesse negro, o Brasil ia se envolveu no movimento a partir da pra frente’.” morte do líder comunitário negro José Maria Martins, pela Brigada Militar, “Não existe negro que não sofra no ano 2000. “Ele foi morto porque preconceito. O elemento negro é esestava dirigindo uma tranho fora do conSantana Quantum. Eles tinente africano. Ele acharam que era roubaser sempre estran“Não existe negro vai da”, conta ela. geiro para o resto do O preconceito em que não sofra mundo”, resume SérCaxias, onde, para João preconceito. O gio Ubirajara da Silva Heitor Macedo, a força negro é estranho Rosa, presidente do da tradição europeia é Municipal fora do continente Conselho muito mais relevante do da Comunidade Neque em qualquer outra africano. Vai gra (Comune). parte do Estado, ainda é ser sempre Por lei, o racismo é muito velado. “Há uma estrangeiro”, crime, mas, segundo limitação de espaço. Na Sérgio Ubirajara, aldiz Sérgio cabeça daquele policial gumas ações, como as que me parou na fila do da polícia, que aborbanco, eu tenho o perfil dam um menino nede ser uma pessoa perigosa. Ele não gro de uma forma diferente da abordaia dizer na minha frente ‘porque tu é gem a um menino branco, vão contra negro’. Mas dentro do que ele apren- isso. “O Estado deveria ser o principal deu, o indivíduo suspeito não era o cumpridor da lei, mas vemos preconadolescente que estava do meu lado, ceito”, aponta. Atualmente, há quatro por exemplo. Não se ouve um discurso processos de racismo em andamento xenofóbico na frente de todo mundo, na cidade, segundo levantamento do

Fotos de Domingos Mancuso, no início do século passado, são umas das poucas a registrar a presença dos negros (ao centro). Ao lado o intendente José Cândido de Campos Júnior

pessoas. Em todo o Rio Grande do Sul, eram 1,3 milhão de negros, e no Brasil, 37,3 milhões. Neste dado, vale ressaltar que 50% dos negros brasileiros eram enquadrados como pobres. Para o professor da Faculdade da Serra Gaúcha (FSG) João Heitor Silva Macedo, a imigração italiana ainda é muito enfatizada na cidade, mas hoje se entende que Caxias é muito mais do que isso. “A presença de pessoas de cultura italiana hoje é menor do que qualquer outra etnia em Caxias. A população negra é bem expressiva. Mas é um número que a gente não consegue ver. A comunidade negra está na cidade, mas ela está muito aquém”, diz

mas aparece nessas coisas.” Uma certa dificuldade em falar a palavra “negro”, e preferir a nomenclatura “afrodescendente”, ou o pejorativo “de cor”, também é problema de todo o Brasil, como afirma o professor. “Durante a Constituição de 1988 se rotulou isso, que quem usasse o termo pejorativo ‘negro’ poderia ser penalizado. Então até hoje as pessoas têm medo de falar isso. Mas eu não tenho qualquer problema que um dos meus colegas aqui me chame de negro. Quem é negro se reconhece como negro”, diz. “Era comum escutar crianças falando ao único menino negro na escola onde

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Fórum de Caxias. Diógenes Brazil, coordenador da Coordenadoria da Promoção da Igualdade Racial – também conhecido por Mestre Brazil, líder do grupo de capoeira Conquistador da Liberdade –, conta que quando sofreu a discriminação no restaurante preferiu educar do que denunciar. “Depois que ele disse que me daria R$ 5 mil para eu dizer onde estava o carro, eu disse ‘está lotado de gente aqui, e casualmente o senhor me chamou, porque pensou que eu fosse um ladrão, ou que conheceria o ladrão?’. Daí ele percebeu o que tinha feito e começou a ficar com medo. Eu não quis denunciar, porque ele ia me

Mestre Brazil acredita que o preconceito pode ser facilmente mapeado em Caxias do Sul: “Tem aquela ideia de que o bairro da negrada é o Burgo, e o dos brancos, o Panazzolo, coisas assim”. Na cidade, a discriminação contra os negros, segundo ele, é 40% maldade e 60% ignorância. “A maldade é daqueles que impedem que os negros trabalhem, que os prejudicariam se pudessem. A ignorância é dos que não sabem, não se aproximam.” Mesmo assim, ele acha que Caxias já discriminou muito mais: “Quando nasceu a coordenadoria, diziam que era ‘a negrada que queria um espaço público’. Hoje já somos aceitos”.

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Além de uma maior receptividade, o mestre de capoeira considera a aprovação da lei das cotas para o serviço público um marco. Desde que foi sancionada pelo prefeito José Ivo Sartori (PMDB), em 2005, a lei obriga que 10% das vagas de aprovados em concursos públicos da prefeitura sejam para negros. Na quarta-feira (16), após 10 anos de tramitação no Congresso Nacional, o Estatuto da Igualdade Racial, uma das maiores lutas do movimento negro, foi aprovado no Senado. Entre outras mudanças, a capoeira passa a ter reconhecimento como esporte, os crimes de racismo na internet são multados e o livre exercício dos cultos religiosos de origem africana é reiterado. Porém, reformulações no estatuto retiraram a política de cotas das universidades federais, “uma grande perda”, como afirmou o presidente do Comune na quinta-feira (17). O texto vai agora para sanção presidencial. “Quando eu era criança, costumava brincar de Barbie com uma amiga. E ela tinha uma Barbie negra, que um tio missionário na África havia trazido de presente. Nas nossas brincadeiras, essa boneca era sempre a empregada.”

gravidasse. Já pensou ter um netinho café-com-leite?” Os professores têm se engajado à causa negra com a Lei 10.639, conforme o secretário municipal da Educação, Edson da Rosa. “Eu brigo muito com isso porque não tem que estudar o negro só em algumas datas.” O secretário salienta que se as mesmas oportunidades dadas a uma criança branca forem dadas a uma negra, elas vão chegar na fase adulta em iguais condições. “Por isso que eu acho que o preconceito é mais de condição social do que de cor da pele.” Edson, de pai negro e mãe branca, prefere não separar as pessoas entre brancas e negras, mas dividi-las entre aquelas que reparam nas diferentes cores de pele e as que não se importam com isso – como é o caso dele. “Não é Edson um homem negro, não é Sartori um homem branco. Humano é humano. És pó e ao pó voltarás. Isso é bíblico até”, reflete. Muita gente, porém, ainda presta atenção à cor da pele. Prova disso é o setor de adoção de crianças do Fórum, onde 90% dos casais que têm interesse em adotar optam por uma criança branca, como explica a assistente social do Judiciário Maria do Carmo da Silva Mattana Relosi. “As pessoas escolhem. E como. Querem crianças brancas ou, no máximo, morenas claras.” As frases destacadas que você leu ao longo desta reportagem são de moradores de Caxias. Foram selecionadas apenas como uma amostra da dimensão do preconceito com que convivemos. São palavras que podem ter lhe incomodado, ou pode ser que você as tenha achado normais – talvez até tenha se identificado com algumas delas. Não importa quem as disse, e por isso elas aparecem anonimamente. São registros do preconceito velado de Caxias, ainda muito longe de ser superado. O que essas frases realmente pretendem dizer, neste texto, é que o primeiro passo para não perpetuar o preconceito é reconhecê-lo. André T. Susin/O Caxiense

Quantos negros você vê na sua faculdade? “Devido ao poder aquisitivo e ao sucateamento do ensino público em detrimento ao particular, há pouquíssimos negros”, esclarece Sérgio Ubirajara, do Comune. “Se a UCS assumisse a política de cotas, ela teria um impulso social muito grande”, acredita Brazil. Existe uma espécie de sistema de cotas na UCS. Quando os alunos se inscrevem no Programa Universidade para Todos (ProUni) para concorrer à bolsa do governo federal, se for negro, pardo, índio ou deficiente físico, o candidato pode concorrer por esse sistema. Para o segundo semestre, o ProUni da UCS está disponibilizando 680 vagas. Destas, 55 serão para as co-

tas. “Não é uma ampla concorrência. trabalho em Caxias é gritante. Não só Eles concorrem entre eles”, diz Adal- para mulheres. Se tu vier de São Pelemir Borges Antunes, coordenador do grino até o Imigrante, contando quanProUni da UCS, ressaltando que para tos negros encontra no comércio, vai receber bolsa de estudos integral ou de ver que é meio por cento. É mais nas 50%, além de ser negro, por exemplo, o fábricas, onde o trabalho é braçal”, diz aluno precisa atender a alguns requisi- a coordenadora do Movimento Negro tos econômicos. Unificado. A universidade não sabe quantos neAlém do mercado de trabalho, o gros estudam na instituição. Só divul- espaço que o negro recebe na mídia ga que do total de 3.266 matriculados ainda é muito pequeno, de acordo com no último vestibular Juçara. “Se tu abrir o de verão, apenas 66 se jornal todo o dia tu disseram negros e 174 “A maldade é não vê imagens de pardos. “Depois da ma- daqueles que negros. Mas vê a autrícula não se tem mais impedem que os toafirmação do branco acompanhamento. Na todos os dias. Porque o inscrição pela internet, negros trabalhem. jornal, né, ele é brané pedido o dado ‘cor’, A ignorância é quinho”, analisa. só para ter um dado dos que não Os livros didáticos de ingresso”, explica a se aproximam”, de História, que tamsupervisora de recobém sempre foram nhecimento de cursos, afirma muito branquinhos, Diógenes Brazil Enoema Wilbert. estão começando a Se no ensino superior mudar. Por causa da se vê poucos rostos neLei 10.639, de 2003, o gros, no mercado de trabalho há uma estudo da cultura negra e indígena pasclara separação. Mesmo que o Sistema sou a ser obrigatório nas escolas. “Essa Nacional de Empregos (Sine) não saiba é uma lei que daqui a uns anos vai bainformar em números quais os setores nir a ignorância”, acredita Brazil. Conque mais empregam negros – pois a forme João Heitor Macedo, antes da lei cor não é mais identificada nos currí- os livros não traziam figuras de negros culos –, para o presidente do Comune heróis – só imagens de negros levando os negros hoje ainda estão nos mesmos chibatadas. “Não só pela dor da escralugares onde Loraine disse que eles es- vidão o negro deve ser avaliado”, opina. tavam no começo do século XX, quanAté a evasão escolar, segundo Juçara, do vieram a Caxias: na construção civil tem diminuído depois da aplicação da e nas indústrias. “Só quem é negro e lei, pois os alunos negros começaram procura o mercado de trabalho sente a a se ver. “Com essa lei, o aluno abre o negritude. É aquela coisa de ‘tu é meu livro e vai ver que existem famílias que amigo, mas não quer me dar um em- sentam na mesa, que não são só branprego’. Hoje, na administração de em- cas. Veem que não é ruim ser negro, presas não se vê negros. No comércio como até então era. A sociedade já pastambém não. Existem meninas negras sa a vida inteira dizendo para eles que bonitas, novinhas, preparadas, que não tudo o que é ruim é negro. Não querem conseguem vaga no comércio. É a polí- nem se ver no espelho. Dizem até que o tica da boa aparência, que não é negra”, cabelo do negro é ruim, então nem os aponta. cabelos os negros querem ter, daí proJuçara destaca que para quem, além curam alisar”, explica Juçara, que exibe de negro, é mulher, a situação é ainda com orgulho os cabelos crespos. mais complicada: “Ela termina sendo a empregada doméstica, que está lá “Quando a minha filha namorou um para servir. A diferença no mercado de negro, eu morria de medo que ela en-

Juçara engajou-se no movimento após o assassinato do líder negro José Maria Martins: “Ele foi morto porque estava dirigindo uma Santana Quantum. Acharam que era roubada”

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Lídia Abel Stangherlin | Sem título |

A intensa prática e o exercício da técnica milenar da xilogravura nas aulas do Núcleo de Artes Visuais de Caxias do Sul (NAVI), resultou em uma série de gatos e mandalas da artista Lídia Abel Stangherlin. A motivação é aquela comum aos talentosos: a inspiração subjetiva.

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TEMPESTADES por MARCELO MOURA

ontinue caçando suas tempestades, enfrente os raios, sinta a chuva, olhe bem para as nuvens escuras que pairam sobre você, elas não duram para sempre, são apenas alguns instantes de anormalidade, é o momento em que não faz tempo bom, é a chance de escapar do trivial. Torne-se um louco, desenvolva uma surdez, não ouça o que dizem, não faça o que fazem. Eles fogem, você enfrenta, eles ignoram, você quer saber, eles permanecem secos, você se encharca, eles não morrem, você vive. Pise na lua, caminhe no ar, voe pelas estrelas. Vista o traje de astronauta, faça a contagem regressiva do foguete, prepare-se para aterrissar. Construa o seu mundo, este não basta, ele não está certo, não é um lugar justo. Você

é o lunático, um sonhador desatento, alguém que não tem chance nessa realidade, precisa se salvar! Continue sendo o que sempre foi, não fuja do abrigo, não esqueça do autismo, conteste o que vê e ouve, é sua única chance.

Benjamin Franklin e sua pipa enfrentaram a tempestade, desafiaram as ameaçadoras nuvens negras, domaram os raios. Santos Dumont embarcou em seu 14 bis e provou que o homem podia voar. A bordo do Sputnik, Yuri Gagarin foi além do horizonte, viajou pelas estrelas, o céu deixou de ser o limite. No dia vinte de julho de 1969, Neil Armstrong anunciou estar caminhando pela humanidade, neste momento ele pisava no solo arenoso da Lua pela primeira vez. Estes homens existiram no mundo de qualquer um, enfrentaram as tempestades, promoveram as mudanças no tempo.

Edital de Interdição

1a Vara de Família – Comarca de Caxias do Sul.

Natureza: Interdição. Processo: 010/1.09.0024604-1. ( CNJ:. 0246041 – 40.2009.8.21.0010 ). Requerente: Manoel José Souza Marrachinho. Requerido: Gabriela Bastiani Marrachinho. Objeto: Ciência a quem interessar possa de que foi decretada a INTERDIÇÃO do REQUERIDO (A): Gabriela Bastiani Marrachinho, por sentença proferida em 16/10/2009. LIMITES DA INTERDIÇÃO: alcance total. CAUSA DA INTERDIÇÃO: incapacidade total e permanente da parte interditanda para reger sua pessoa e administrar seus bens, por sofrer de doença codificada na classificação internacional de doenças sob nº CID 10 G40.9; G84; F84; F72. PRAZO DA INTERDIÇÃO: ilimitado. CURADOR (A) NOMEADO (A): Manoel José Souza Marrachinho. O prazo deste edital é o do art. 1.184 do CPC. Caxias do Sul, 28 de maio de 2010. SERVIDOR: Geovana Zamperetti Nicoletto. JUIZ: Antônio Claret Flôres Ceccato.

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Guia de Cultura

por Cíntia Hecher | editado por Marcelo Aramis

Newmarket Films, Divulgação/O Caxiense

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O Golpista do Ano, com mais sentido no título original I love you Phillip Morris, é um filme de amor, Leva para a tela um Jim Carrey sem caretas e um Santoro sem sotaque

CINEMA

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do por Adam Elliot. 92 min., leg..

l Caxias do Sul: Tradição e Inovação de um Povo | Sexta (25), 20h | Lançamento do trailer do polêmico filme que contará a história de Caxias do Sul e que teve aquela ajuda esperta de R$ 100 mil da prefeitura. Estação Férrea Entrada franca | Dr. Augusto Pestana, s/n° | 3901-1381

l Toy Story 3 | Animação. 13h30, 14h, 16h, 16h30, 18h30, 19h, 21h e 21h30. Domingo, 18h30, 19h, 21h e 21h30 | Iguatemi Doados para uma creche, o caubói de brinquedo e seu amigo astronauta são governados por um autoritário urso cor-de-rosa com cheiro de morango e planejam voltar para casa. Livre, 113 min., dub..

l Mary e Max | Animação. Quinta (24) a domingo, 20h | Ordovás A amizade ultrapassa fronteiras. Mary, australiana de 8 anos, troca correspondência com Max, americano de 44 e sem habilidade para interação social. As conversas superam os 36 anos e os quilômetros de distância. Dirigi-

AINDA EM CARTAZ - Alice no País das Maravilhas. Aventura. 16h. UCS | Esquadrão Classe A. Aventura. 21h40. Iguatemi | Fúria de Titãs. Aventura. 14h10, 16h50 e 19h10; domingo, 19h10 (dub.). 18h e 20h15 (leg.). UCS | Plano B. Comédia romântica. 14h20, 16h40, 19h20 e 21h50. Domingo, 19h20 e

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21h50. Iguatemi | Príncipe da Pérsia: As areias do tempo. Aventura. 14h30, 17h10, 19h30 e 22h. Domingo, 19h30 e 22h. Iguatemi | Proposta Indecente. Drama. Quinta (24), 15h. Matinê às 3. Ordovás | Vidas que se cruzam. Drama. Sábado e domungo. 20h. Ordovás. INGRESSOS - Iguatemi: Segunda e quarta-feira (exceto feriados): R$ 12 (inteira), R$ 10 (Movie Club Preferencial) e R$ 6 (meia entrada, menores de 12 anos e sêniors com mais de 60 anos). Terça-feira: R$ 6,50. Sextafeira, sábado, domingo e feriados: R$ 14 (inteira), R$ 12 (Movie Club Preferencial) e R$ 7 (meia entrada, menores de 12 anos e sêniors com mais de 60 anos). Horários das sessões de sábado a quinta – mudanças na programação ocorrem sexta. RSC-453, 2.780, Dis-

trito Industrial. 3209-5910 | UCS: R$ 10 e R$ 5 (para estudantes, sênior, professores e funcionários da UCS). Horários das sessões de sábado a quinta – mudanças na programação ocorrem sexta. Francisco Getúlio Vargas, 1.130, Galeria Universitária. 3218-2255. | Ordovás: R$ 5, meia entrada R$ 2. Luiz Antunes, 312, Panazzolo. 3901-1316

TEATRO

l Los Funestos Esponsales de Don Cristóbal | Quarta (23), 20h | A Cia. Pelele Marionettes, de teatro de bonecos, de origem espanhola e francesa, apresenta espetáculo com bonecos de luva. Na peça só para maiores de 14 anos, um velho rico e solitário se vê fascinado por uma mu-

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lher que enfeitiça seus sonhos Palco dos Trilhos – Estação Férrea R$ 10 (público em geral) e R$ 5 (estudante e sênior) | Dr. Augusto Pestana, s/n° | 3901-1381

Domingos Mancuso recriam o cenário da época da chegada do trem. Museu Municipal Entrada franca | Rua Visconde de Pelotas, 586 | 3221.2423

Entrada franca | Dr. Augusto Pestana, s/n° | 3901-1288 ou 3901-1388

l Para Luis Melo | Quarta (23), 20h |

AINDA EM EXPOSIÇÃO – XXVI Bienal de Arte Fotográfica Brasileira em Preto e Branco. De segunda a sexta, das 8h30 às 18h, e sábado, das 10h às 16h. Galeria Municipal – Casa da Cultura. 3221-3697 | Exposição Andina. Sábado, das 10h às 22h e domingo, das 14h às 20h | No tempo dos trilhos. De terça a sábado, das 17h às 21h. Galeria em Transição – Teatro Moinho da Estação. 8404-1713 |

l Grandes Nomes | Quinta (24), 21h | Juliano Moreira, acompanhado por Ismael Conceição, Lázaro Nascimento, Marcelinho Silva, Diego Andrade e Tianinho, homenageia a obra de Djavan, o Grande Nome. O espetáculo tem as participações especiais de Gustavo Viegas, Iuri Silva, Dan Ferretti e Fran Duarte. Grandes nomes. Zarabatana Café Entrada franca | Luiz Antunes, 312 | 3901-1316

LITERATURA

l La Soleá | Terça (22), 20h30 | Parte do projeto Ordovás Acústico, o show tem covers de nomes populares da música latina, como os ciganos Gipsy Kings, Tito Puente e Santana. Ênfase aos cubanos Célia Cruz, Glória Stefan e Buena Vista Social Club. Cinema - Ordovás Entrada franca | Luiz Antunes, 312 | 3901-1316

A personagem da atriz Rosana Stavis vai a um jantar em homenagem ao ator Luis Melo e, durante a longa e irritante espera pelo ilustre, dispara críticas ao meio artístico. Marcos Damasceno é diretor da peça e autor do texto que classifica como “franco atirador”. Para assistir sem escudos e vestir carapuças. Teatro do Sesc Entrada franca | Moreira César, 2462 | 3221-5233 l Show de Improvisos | Sábado, 20h | Neste espetáculo você é o diretor. No espaço da Tem Gente Teatrando, cinco atores fazem comédia com as dicas da plateia. Acesse o canal do grupo In Peça no You Tube (http://www. youtube.com/grupoinpeca) e prepare o seu roteiro. Casa de Teatro R$ 20 (público em geral) e R$ 10 (antecipados, estudantes, sênior e classe artística) | Olavo Bilac, 300, esquina com Regente Feijó | 3221-3130

FESTA l 21ª Feira de Inverno | Até 18 de julho | Feira de malhas, móveis, vinhos, gastronomia italiana e artesanato terá atrações artísticas e um telão para transmitir os jogos da Copa. Para aquecer as vendas e a estação. Sábado: Abertura. 11h. Almoço. 12h. Hora do Galito. 14h e 17h. | Domingo: Almoço. 12h. Hora do Galito. 11h30, 14h, 16h. Esquete teatral Lost na Feira de Inverno e show com a banda Torrones. 14h. Parque da Vindima – Flores da Cunha Entrada e estacionamento gratuitos

EXPOSIÇÕES l Caxias do Sul, um olhar alviverde | A partir de quinta (24), das 8h às 18h | Fotografias relembram fatos históricos dos 97 anos do Esporte Clube Juventude. Câmara de Vereadores Entrada franca | Alfredo Chaves, 1323 | 3218-1600

l Das fronteiras do império – A publicidade norte-americana no Brasil dos anos 1920 | Terça (22), 19h | O desejo de dirigir um Hupmobile ou um Gordini, nos anos 20 e 60, pode ter surgido apenas pela influência da publicidade. Doutor em Ciências Sociais, Rafael José dos Santos lança o livro, parte da sua tese sobre as mudanças do Brasil através da publicidade. Saguão do Bloco M Entrada franca | Francisco Getúlio Vargas, 1.130 | 3218-2309 l Pessuelos da Leitura | Terça (22), 20h | Lançamento do projeto que valoriza a literatura regionalista. Serão disponibilizados 50 pessuelos (aqueles alforjes com duas bolsas de couro unidas, que leva-se no ombro) com 10 livros cada. Depois da solenidade, show com Luis Marenco. Ingressos somente antecipados, mediante retirada na Secretaria Municipal de Cultura. Palco dos Trilhos – Estação Férrea Entrada franca | Dr. Augusto Pestana, s/n° | 3901-1288 ou 3901-1388 l Rodas de Leitura | Terça (22), 13h30 | A pedidos, dessa vez quem está na berlinda é o escritor Uili Bergamin, o próprio organizador. A apresentação será de um conto chamado A ilha mágica e um poema. Biblioteca Pública Municipal Entrada franca | Dr. Montaury, 1.333 | 3221-3697

CORAL

l Olhos para Caxias | De segunda (21) a quarta (30), das 10h às 16h | Retratos de Caxias pelo olhar de alunos da Oficina de Fotografia das Ações Educativas Complementares, da Secretaria Municipal de Educação. Galeria da Smed Entrada franca | Antonio Prado, 339 | 3901-2323

l XIV Canta Caxias | Sábado, 19h | Abertura do evento, que promove o intercâmbio cultural dos corais da cidade. Às 20h, jantar por adesão no salão da igreja dos Capuchinhos a R$ 18. Apresentações: Domingo: 20h | Segunda (21): 20h | Sábado (26): 16h e 20h | Domingo (27): 16h e 20h | Segunda (28): 20h. Palco dos Trilhos – Estação Férrea Entrada franca | Dr. Augusto Pestana, s/n° | 3901-1288 ou 3901-1388

l Caxias 1910 | De segunda à sábado, das 9h às 17h | O Museu Municipal mudou os móveis de lugar para lembrar o centenário da cidade. Antiguidades e fotos de

l Cecune | Sábado, 20h | Espetáculo do Coral Ecumênico de Cultura Negra resgata a musicalidade das culturas africanas. Palco dos Trilhos – Estação Férrea

MÚSICA

l Mixtu | Quinta (24), 20h | A ordem é misturar. Astistas dos bairros caxienses cantam, dançam e atuam em esquetes teatrais no espetáculo que dá espaço à multiplicidade da cultura caxiense. Palco dos Trilhos – Estação Férrea Entrada franca | Dr. Augusto Pestana, s/n° | 3901-1381 TAMBÉM TOCANDO - Sábado: Dan Ferretti e Banda. Pop. 23h. Portal Bowling – Martcenter. 3220-5758 | Di Bobeira. Pagode. 23h. Move. 91983592 | Drink Party. Música eletrônica. 23h. Studio 54 Mix. 9104-3160 | Electric Blues Explosion. Blues/rock. 22h30. Mississippi Delta Blues Bar. 3028-6149 | H5N1. Pop rock. 23h. Pepsi Club. 3419-0900 | Hard Rockers e Blue Label. Rock. Roxx Rock Bar. 3021-3597 | Izequiel Carraro. Pop/música eletrônica. 23h. La Boom Snooker. 3221-6364 | Jeison Reis. Música campeira. 21h30. Zarabatana Café. 3901-1316 | Killer on the dance floor. Música eletrônica. 22h. Havana Café. 3215-6619 | Libertá. Nativista e outros gêneros. 22h30. Libertá Danceteria. 3222-2002 | Pata de Elefante e Mahabharata. Rock instrumental. 23h. Vagão Bar. 3223-0007 | Pietro Ferretti e Bico Fino. Rock. 22h. Bier Haus. 32216769 | Sopros e Acordes. Pop rock. 22h. Badulê American Pub. 3419-5269 | Domingo: DJ Zé Beto. Música eletrônica. 17h. Zarabatana Café. 39011316 | Terça (22): Ton Rock and Roll e Robledo Rock. Pop rock. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Quarta (23): Andy Boy e Tiago Dandrea. Blues. 22h30. Mississippi Delta Blues Bar. 3028-6149 | Bahqsambafunk. Samba funk. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Quinta (24): Emerson Caruso. Blues. 22h30. Mississippi Delta Blues Bar. 3028-6149 | Ton e Trio. Pop tock. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Sexta (25): Ana Paula Chedid e Trio. MPB. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Blackbirds – Tributo a Beatles. Rock. 22h30. Mississippi Delta Blues Bar. 3028-6149 | Império da Lã. Rock. 23h. Vagão Bar. 3223-0007.

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Cinema | O Golpista do Ano

Adoro um amor inventado por CÍNTIA HECHER Primeiro de tudo, O Golpista do Ano é um filme de amor. Segundo, você só percebe quando vê o título em inglês: I love you Phillip Morris. Terceiro: novamente, a versão nacional para títulos surpreende e fascina. Deixando as ironias e inabilidades de tradução à parte, esse é sim um filme sobre amor, mas de uma maneira escrachada e levemente doentia. Steven Jay Russell é interpretado por Jim Carrey, sem aquelas caretas peculiares, mas com todo seu bom humor. Mas para entender o comportamento do personagem, deve-se conhecer um pouco da figura real. Sim, é tudo verdade. A primeira legenda do filme já avisa. E ao assistir percebe-se por que uma advertência dessas se faz necessária: Russell realmente faz coisas fora de série. O filme é baseado em um livro que, por sua vez, conta a história deste golpista. Eu te amo, Phillip Morris foi escrito por outro Steven, o McVicker, um jornalista interessado nos causos de um dos condenados mais fascinantes do sistema prisional americano. Mestre em escapar da cadeia, Russell ganhou apelidos como Houdini e King Con (esse último, trocadilho com a palavra convicted, ou seja, condenado por um crime). Mas onde entra o amor? Ora meus caros, em tudo. Desde o começo da sua vida, o que o move é o amor. O amor que falta, o de mãe, pois é adotado e, ao encontrar a mãe biológica, ela o rejeita. O amor pela mulher e filha, com o casamento movido a Jesus Cristo. Tudo isso escondendo a sua verdade: ele é gay. Segundo ele, gay gay gay desde criancinha. Depois de um acidente de carro que o faz encarar a brevidade da vida, resolve que chega de mentiras. Assume-se gay, pede divórcio e vai para a Flórida. Lá, vivendo a plenitude da sua homossexualidade, com dois cachorrinhos e um belo exemplar de namorado (personagem do brasileiro Rodrigo Santoro, com um inglês admiravelmente sem sotaque e em mais uma ótima atuação), descobre que ser gay custa caro. Nisso começam seus golpes. Ele sobrevive de alguns relativamente singelos, como se jogar “acidentalmente” de uma escada rolante para receber indenização do shopping center, a outros como fraudar cartões de crédito e identidade. Claro que ele não poderia ficar impune. Na sua primeira ida à prisão, encanta-se por um outro detento: Phillip Morris. Aí vem mais e mais amor: apaixonase e continua mentindo para poder viver esse romance. Ewan McGregor, que passa longe de ser caricato, é Morris, que mal desconfia das tramoias e grandes planos do amado para, de seu jeito peculiar, mantê-lo feliz e ao seu lado. Enfim, não é um filme ativista, nem mereceu os meses e meses de atraso para estreia. Senhor, livrai-nos dos puritanos. Amém! É um filme sobre o amor e sobre o que ele é capaz de fazer com você. Ou o que você pode fazer por ele. E como uma paixão intensa pode fazer com que você se sinta invencível. l O Golpista do Ano | Comédia. 13h40, 16h20, 18h50 e 21h10. Domingo, 18h50 e 21h10 | Iguatemi Homem que sobrevive de golpes se apaixona por colega de cela e faz de tudo para manter o namorado. Dirigido por Glenn Ficarra e John Requa. Com Jim Carrey e Ewan McGregor e Rodrigo Santoro. 16 anos, 97 min., leg.. 19 a 25 de junho de 2010

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André T. Susin/O Caxiense

Viagem de negócios

ESFORÇO

Elenco grená não irá a Camboriú (SC) curtir a praia, mas a bela paisagem deve servir de inspiração

À BEIRA-MAR

Na intertemporada grená, o técnico Julinho não deve dar descanso aos atletas. Continuará mandando repetir jogadas cinco, seis vezes se preciso for

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por MARCELO MUGNOL marcelo.mugnol@ocaxiense.com.br ão há quem vislumbre o mar que avança horizonte adentro e não se sinta a menor das criaturas. A tímida espuma da onda minúscula que se esparrama pela areia é só uma pequena porção da volúpia dessa paisagem. Ainda mais quando se trata da sinuosa e sedutora costa de Santa Catarina. Talvez por isso há quem defenda a tese de que Santa Catarina não combina com trabalho. Serve apenas para curtir os prazeres da vida. É como se o Estado todo fosse um grande parque de diversões para crianças, jovens e adultos. Mas o esquadrão grená vai provar que Santa Catarina é o cenário ideal para o Caxias plantar a semente do maior sonho de 2010. O Caxias decidiu fazer uma viagem de negócios. Afinal de contas, nada mais de acordo com um clube que tem a mentalidade de empresa do que encarar uma temporada de treinamentos como uma viagem de negócios. Em vez de reuniões exaustivas, os atletas vão enfrentar demorados ensaios táticos. Quem depara pela primeira vez

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com Julinho Camargo, o treinador do Caxias, nem imagina quão exigente ele é. O Julinho é daqueles caras tranquilos, bem-humorados, atenciosos. Mas dentro de campo, trabalhando com os atletas, o jeito manso de falar desaparece. Entra em cena um sujeito determinado, que sabe muito bem aonde deseja chegar. Julinho é daqueles que interrompem um ataque cinco, seis vezes se for preciso. E manda repetir, sem pena. Faça chuva ou sol. Ao mesmo tempo, Julinho é um treinador que enxerga na união do grupo uma arma imbatível pra contra-atacar qualquer adversidade. Foi assim no Gauchão. “Nunca escondi isso, nosso time tinha limitações. Mas nunca faltou à nossa equipe a força do grupo, a união, a responsabilidade, o profissionalismo. Nunca faltou entrega ao nosso grupo.” Mesmo que o negócio seja a bola rolando, a armação das jogadas, a integração no gramado dos novos atletas que chegaram, Julinho ainda entende que os jogadores precisam conviver mais juntos. Antes de mais nada é bom que

se repita que o Caxias vai a Santa Catarina, na sua temporada em Camboriú, entre os dias 22 de junho (terça-feira) e 4 de julho, a trabalho. Lembrem: é uma viagem de negócios. Até para estancar de uma vez as piadinhas de que o pessoal vai lá fazer turismo. Senão vai ficar complicado para Osvaldo Voges explicar às esposas e namoradas dos atletas o que seria inexplicável. Brincadeiras à parte, Julinho explica direitinho os motivos da intertemporada em Camboriú. “Um dos objetivos é tirar o jogador daqui. A convivência do grupo em hotel, viagem, vai fazer bem a eles. Vai ser uma oportunidade de se conhecerem melhor, de se integrarem, já que tem gente nova no elenco”, sintetiza o técnico, pensando bem no que dizer – afinal de contas, para quem não percebeu ainda, o Caxias vai se preparar dentro da casa dos inimigos. Chapecó, terra da Chapecoense, e Criciúma, lar do clube homônimo, se alguém faltou às aulas de geografia, são cidades catarinenses. “Pode ser até que a gente consiga ver algum jogo dos nossos adversários (que estão jogando a Copa

SC), mas o principal objetivo é a nossa preparação. Decidimos ficar em Camboriú porque é uma cidade estratégica. Fica perto de Florianópolis, de Itajaí, ou mesmo se quisermos jogar algum amistoso no Paraná, é mais fácil sair dali do que sair de Caxias”, argumenta. O Caxias já tem acertados dois jogos, com o Marcílio Dias, em Itajaí, dia 26 de junho, e com o Metropolitano, a princípio no dia 1º de julho, em Blumenau, mas essa data pode mudar. A intenção de Julinho é que o clube possa jogar ainda com algum dos times grandes do Paraná: Coritiba, Atlético ou Paraná. A escolha por Camboriú, defende Julinho, não tem nada a ver com a beleza da praia, mas sim com a localização e os bons campos de treinamento. O Caxias deve usar o estádio municipal e mais um gramado particular para os treinos de “lapidação das ideias táticas”, que é como Julinho chama o estágio da preparação em Santa Catarina. Mas, se depender do sinuoso e sedutor recorte da costa catarinense, o Caxias voltará inspiradíssimo para o início da Série C.

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Acvervo E. C. Juventude, Divulgação/O Caxiense

André T. Susin/O Caxiense

97 anos de história

Lateral da Seleção, Everaldo (agachado, o segundo da esquerda para a direita) foi vice-campeão estadual com o Juventude em 1965; sua camisa inspirou o modelo retrô lançado recentemente

A ESTRELA BRILHOU

PRIMEIRO NO JU

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por FABIANO PROVIN fabiano.provin@ocaxiense.com.br

orcedores do Juventude com menos de 45 anos só ouviram falar dele. Quem viu jogar, diz que teve uma passagem marcante pelo clube caxiense. Tão marcante que, além de estrear como jogador de futebol profissional, ajudou o time então treinado por Pastelão a ser vice-campeão gaúcho em 1965 (o título ficou com o Grêmio). O time: Negri; Bugre, Almir, Mauro e Everaldo; Hermes e Nezito; Babá, Luís César, Bira e Parobé. O presidente do clube era Willy Victor Sanvitto. Em 1967, Everaldo Marques da Silva foi convocado para a Seleção Brasileira pela primeira vez. Três anos depois, sagrou-se tricampeão mundial na Copa do Mundo do México. Para marcar definitivamente sua passagem pelo Ju, dentro do calendário de eventos alusivo aos 97 anos de fundação do clube, a direção promoverá na noite de segunda-feira (21) a incorporação da camisa de Everaldo no Memorial esmeraldino, junto ao Estádio Alfredo Jaconi. Guardada por 43 anos pelo torcedor Floriano Ártico Correa, ex-diretor de

propaganda do Ju, a camisa foi doada por ele ao clube em maio de 2008. Mesmo costurada, devido à idade e ao uso em bailes de Carnaval, é considerada uma relíquia. Correa ganhou-a diretamente das mãos do ídolo quando tinha 15 anos, depois de uma vitória por 2 a 1 sobre o Farroupilha, de Pelotas, em 1965. Como recompensa pela doação da peça, Correa ganhou uma camisa comemorativa aos 500 jogos do volante Lauro pelo Juventude. Ainda em 2008, uma camisa retrô, inspirada no modelo do século passado, foi confeccionada e até hoje é comercializada na loja oficial da Rua Hércules Galló. Everaldo Marques da Silva, nascido em Porto Alegre em 11 de setembro de 1944, foi o primeiro atleta de um clube gaúcho a conquistar uma Copa do Mundo. Formado nas categorias de base do Grêmio, foi emprestado ao Juventude em 1964, onde ficou até 1966. Ao retornar para o Grêmio conquistou seu espaço e tornou-se titular. Foi o dono da lateral esquerda do tricolor até sua morte precoce, aos 30 anos, em um acidente de trânsito em 1974. No documentário Everaldo,

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Everaldo Marques da Silva, tricampeão mundial em 1970, jogou dois anos com a camisa do alviverde

A Estrela Dourada, lançado em 2009 pelo universitário Bruno Luce, o irmão Ariovaldo Marques da Silva, o Dico, e a filha do craque, Denise Silva da Silva – a única sobrevivente do desastre – contam um pouco do homem de vida simples. “Ele adorava ficar no sítio que tinha comprado, andava a cavalo... Ele sempre foi a mesma pessoa”, resume a filha. O irmão de Everaldo lembra de quando eles eram crianças e ficavam olhando os adultos jogarem futebol. Com as chuteiras embaixo do braço, aguardavam um “furo” nos times. “Foi assim que ele começou a jogar. Na base do Grêmio, como não tinha espaço para mostrar seu talento, acabou emprestado ao Juventude, onde despontou. Voltou para o Grêmio e, em 1966, sentado ao meu lado em casa, no bairro da Glória, depois do Brasil perder para Portugal e ser eliminado, ele me disse: ‘Dico, em 1970 eu estarei na Copa e nós vamos ganhar’”, conta Ariovaldo no documentário. Uma cópia do filme está com o departamento de marketing do Ju, que pretende fazer um vídeo sobre a atuação de Everaldo em Caxias do Sul.

No documentário, o jornalista Ruy Carlos Ostermann conta que conheceu Everaldo quando este começou a jogar pelo alviverde da Serra. “Ele atuava no meio-campo e tinha qualidades dos atuais laterais. Sóbrio e aplicado, um cumpridor de tarefas.” Para o irmão, o ídolo – que morreu após seu Dodge Dart, presente de uma concessionária porto-alegrense pelo tricampeonato, ser atingido por um caminhão na BR-290 – era lateral esquerdo, meio-campo, centro-médio e até centroavante. Para o vice-presidente de marketing do Ju, Mauro Trojan, a colocação oficial da camisa do ídolo no Memorial fará não só os torcedores mais antigos, mas também os mais novos lembrarem sempre de Everaldo, que ganhou o apelido de Estrela Dourada ao retornar da Copa do Mundo do México. Seis dias após a conquista do tri, Everaldo foi homenageado pelo Grêmio com a colocação de uma estrela dourada na bandeira oficial do clube. Hoje, boa parte dos gremistas não conhece essa história. Mas no Alfredo Jaconi todos sabem que a estrela brilhou primeiro no Juventude.

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Guia de Esportes

guiadeesportes@ocaxiense.com.br André T. Susin/O Caxiense

por José Eduardo Coutelle

O jogo de botão está de aniversário: a Associação Caxiense de Futebol de Mesa comemora seus 45 anos com um campeonato especial neste final de semana

FUTEBOL DE MESA l Jogos Abertos de Futebol de Mesa | Sábado e domingo, a partir das 9h | O campeonato deve reunir pelo menos 20 aficionados pelos pequenos botões. Todos os jogos iniciam às 9h com 50min de duração. A competição é comemorativa aos 45 anos da associação. Associação de Futebol de Mesa Entrada gratuita | José Soares de Oliveira, nº 2.557, Pio X

VÔLEI l Jogos Abertos de Vôlei | Sábado e domingo, 13h30 e 10h | Começa a primeira fase do campeonato no naipe feminino. A competição tem 10 equipes que jogam entre si. Entre os homens, os jogos ocorrem no domingo pela manhã. Ginásio 2 da UCS e Enxutão Entrada gratuita | Francisco Getúlio Vargas, s/n°, Petrópolis – Vila Olímpica e Luiz Covolan, 1.560, Santa Catarina

MOTOVELOCIDADE l 4ª Etapa do Campeonato Serrano de Arrancadas | Domingo, 8h às 18h | Com as mais variadas potências, os motociclistas usarão habilidade para chegar à frente dos adversários na pista de areia de 200 metros. O destaque desta etapa serão a participação de duas supermotos: uma R1 da Yamaha e uma CBR 600 da Honda, ambas disputando na categoria força livre. Parque de Rodeios Vila Oliva Entrada R$ 5 | Rodovia BR 116, km 145, nº 1410, distrito de Vila Oliva |

CICLISMO l 3º Passeio Ciclístico | Domingo, 9h30 | O percurso inicia em frente à prefeitura, e a chegada será no largo da Estação Férrea, onde será realizado sorteio de bicicletas e materiais esportivos. A organização espera pelo menos 300 ciclistas. Em caso de chuva, o evento será transferido para o dia 27

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de junho. Prefeitura de Caxias do Sul Inscrições gratuitas | Alfredo Chaves, 1.333, Exposição

CAPOEIRA l Campeonato Artístico de Capoeira | Domingo, 14h30 | Toda a habilidade dos meninos e meninas das categorias infantil e juvenil será posta à prova no campeonato neste domingo, a partir das 14h30. Serão disputados jogos de duplas e modalidades acrobáticas. A organização espera pelo menos 30 participantes. Qualquer capoeirista pode participar. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até as 14h no local. Centro Comunitário Vila Ipiranga Entrada gratuita | Rua Nereu Prestes Pinto, 519

HANDEBOL l Liga Nacional Feminina | Quinta (24), 20h | A equipe feminina da UCS estreia na Liga Nacional na próxima quinta. As meninas caxienses enfrentam o Blumenau/Furb no Ginásio Poliesportivo da UCS. Vale a pena conferir. A entrada é gratuita e os portões estarão abertos a partir das 19h. Ginásio Poliesportivo da UCS Entrada gratuita | Francisco Getúlio Vargas, s/n°, Petrópolis – Vila Olímpica

ATLETISMO l 24h Correndo | Sexta (25), 20h | O preparo físico dos atletas será exigido ao máximo na próxima sexta. Ao todo, 15 esteiras estarão em constante movimento com os corredores que se revezarão por 24 horas ininterruptas. Cada equipe terá no mínimo 12 participantes e no máximo 24. E acredite: três esteiras serão destinadas para competidores individuais, que tentarão ficar um dia correndo. Além disso, uma outra esteira, especialmente desenvolvida, será ocupada por um cadeirante, que tentará quebrar o recorde nacional. As inscrições ainda estão abertas, e podem ser feitas pelo site correndo24horas.com. A equipe

vencedora é aquela que somar maior quilometragem. Centro de Eventos dos Pavilhões da Festa da Uva Entrada gratuita | Ludovico Cavinatto, 1.431, Nossa Senhora da Saúde

– ao todo, 7. Quadras do Sesi e Voges Entrada gratuita | Cyro de Lavra Pinto, s/nº, Nossa Senhora de Fátima e Grercio Reis, s/n°, km 72 da Rota do Sol, Desvio Rizzo

FUTEBOL

l Campeonato Municipal | Sábado, 13h15, 14h, 15h15 e 15h30 | As maiores emoções ficam por parte da Série suplente. A partir das 13h15, as semifinais entre Hawaí e Cristal, e Águia Negra e Kayser definem quem segue em busca do título. Entrada gratuita

l Jogos comemorativos ao aniversário de Caxias do Sul | Sábado, 15h30 | Neste sábado haverá um confronto diferente na cidade. Uma equipe de índios Kaingang irá provar que, além das atividades próprias da sua cultura, são bons de bola. Vindos da cidade de Cacique Doble, eles irão enfrentar a equipe do Centro de Preparação de Atletas. Campo Municipal 2 Entrada gratuita | Av. Circular Pedro Mocelim, s/n°, Cinquentenário l Juventude x Cruzeiro | Sábado, 15h | O time alviverde iniciou a segunda fase do Campeonato Gaúcho Sub20 empatando de um a um contra o Estância Velha. Neste sábado, os meninos do Ju poderão conquistar a primeira vitória diante do Cruzeiro, resultado que o coloca entre as duas equipes que avançam para a fase seguinte competição. Centro de Formação de Atletas e Cidadãos (CFAC) Entrada gratuita | Atílio Andreazza, Parque Oásis l Caxias x Estância Velha | Terça, 15h | A equipe do Caxias sub-20, que goleou o Cruzeiro por 4 a 0 no primeiro jogo da segunda fase de grupos, busca vencer o Estância Velha para se manter na liderança. Estádio Homero Soldatelli Entrada gratuita | Rua Barros Cassal, 377, Flores da Cunha l Futebol Sete Master | Sábado, 9h45 e 10h45 | O campeonato iniciou com força total. Na primeira rodada, a equipe da Madal goleou a Guerra por 6 a 0, e assumiu a ponta na chave A. O time da Randon também estreou colocando muitas bolas na rede da equipe Voges

l 8ª Copa Ipam de Futsal Feminino | Sábado, 19h, 20h e 21h e domingo, 9h, 10h e 11h | As jogadoras do Santa Catarina e da ACBF disputam a melhor posição geral no campeonato. As duas equipes são líderes de seus grupos com três vitórias em três jogos. Contudo, a eficiência do ataque do Santa Catarina a coloca um passo à frente nessa disputa. Ao todo, foram 17 gols marcados, seis a mais que a sua rival. Ginásio Escola Santa Catarina e UCS Entrada gratuita | Matheo Gianella, 1.160, Santa Catarina e Francisco Getúlio Vargas, s/n°, Petrópolis – Vila Olímpica l Campeonato Citadino Adulto | Terça (22) e quinta (24), às 19h45 e 20h45 | Mesmo com um jogo a menos, o Torino se mantém em 2º do grupo F, na segunda fase de grupos do campeonato. A vitória contra o seu próximo adversário, Os Deva, pode colocá-lo como líder isolado. Enxutão Entrada gratuita | Luiz Covolan, 1.560, Santa Catarina l Copa União | Sábado, 15h30 | São Virgílio e Pedancino se reencontram neste sábado só para cobrar pênaltis. É isso mesmo! No fim de semana passado, após empate em 2 a 2 na final dos sêniors, a decisão não foi para a marca da cal por falta de iluminação – e devido ao atraso no início da partida. É o que eles farão neste sábado. Na categoria juvenil, o Pedancino já está com a taça no armário. Campo do São Virgílio Entrada gratuita

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COPA MULTIMÍDIA | Jornalismo multimídia é oferecer conteúdo exclusivo, sem repetir o que se lê no jornal. No nosso site, cada jogo ganha um tratamento diferente de tudo o que se vê na web. Imagens dos jogos do Brasil são comentadas em áudio, e uma HQ é contada em versão animada. Acesse: www.ocaxiense.com.br

fabiano.provin@ocaxiense.com.br

Ah, o Brasil

O lateral direito Maicon, autor do primeiro gol na vitória de 2 a 1 sobre a Coreia do Norte, teve o surpreendente aproveitamento de 84% nos passes – acertou 92 dos 110 feitos na partida. Excelente no ataque, o jogador da Inter de Milão, somente neste ano, já é campeão italiano, da Copa da Itália e da Liga dos Campeões. Neste domingo (20), contra a Costa do Marfim, pode ter ainda mais liberdade

no ataque, pelo fato de o time africano não ter o mesmo estilo dos retranqueiros norte-coreanos. É bom Dunga abrir o olho (e isso ele deve ter feito), pois os marfinenses meteram uma pressão em Portugal na estreia e por pouco não conquistaram três pontos. Uma vitória no jogo das 15h30 de domingo praticamente garante a Seleção nas oitavas de final.

Bem feito

Contra as vuvuzelas

Vítimas

Adversário complicou

Caetano Barreira/Fotoarena/Folhapress

Copa 2010

Fabiano Provin

Marcelo Mugnol

marcelo.mugnol@ocaxiense.com.br

FERNANDES:

Nelson Rubens é o pai da fofoca. Não lê Saramago nem sob tortura. Mas sabe com quem a Preta Gil dormiu ontem à noite. Nelson só não descobriu ainda se as rusgas entre Maradona e Pelé escondem um amor clandestino, recheado de salsa e merengue. A Sônia Abrão me contou que a Luciana Gimenez estará em Buenos Aires para gravar com o Maradona pelado, ao lado do Obelisco, quando os hermanos voltarem pra casa com a taça na mão. Enquanto isso, Gilberto Gil tenta convencer Caetano a compor uma opereta pra Preta Gil cantar antes que o mundo acabe. A Copa nem engrenou ainda e teve muito espanhol afogando a tristeza dentro de um copo. A Fúria, seleção da Terra do Nunca, considerada uma das favoritas para erguer o caneco (só se for de chope), tropeçou na Suíça, terra das vaquinhas leiteiras, do relógio e de Roger Federer. Lá na Espanha tem gente com saudades do Messi. Aqui no Brasil, ninguém reconhece que falta um Messi para espantar o tédio. Tivéssemos Messi, ninguém saberia se Robinho é nome de jogador de futebol ou de filho de socialite. Ninguém conhecia Gelson Fernandes até a última quarta-feira (16). Talvez nem o Robinho se lembre dele. Os dois jogaram juntos no Manchester City, da Inglaterra. Robinho sorri até debaixo d’água. Fernandes é um cara sisudo, mas sorriu depois do gol marcado contra a Espanha. Parecia não acreditar e talvez vibrasse porque do outro lado, lá na Suíça, sua mãe estava chorando. Por felicidade e desabafo, porque na Suíça os negros – mesmo os que têm registro oficial – não são reconhecidos como suíços. Fernandes é negro. Nasceu em Cabo Verde e aos cinco anos mudou-se com a mãe para Sit-

ten, onde o pai havia conseguido trabalho. Fernandes talvez seja o herói de um jogo só. Volantes não costumam ser heróis de uma nação em tempo integral. Ainda mais um negro na Suíça, onde apenas 0,6% da população carrega na pele o legado africano. O gol de Fernandes, que atualmente joga no Saint-Etienne, da França, será esquecido com a mesma velocidade que a Preta Gil troca de namorado. Levando-se em conta, é claro, a estatística do Nelson Rubens. Na Suíça, Preta Gil provavelmente não seria muito bem vista. Não porque ela se diverte com os homens errados enquanto não encontra o certo. Mas porque na Suíça, conforme pesquisa da Comissão Suíça contra o Racismo, homens negros são associados à marginalidade e mulheres negras à prostituição. Entrevistados pela Comissão revelam: “Me olham como se fosse um estrangeiro”, ou ainda: “observam de tal modo que parece que pensam que você vai cometer um delito em qualquer momento”. Tivesse pensado nisso tudo, Fernandes teria chutado a bola pra fora. Fernandes tem um olhar cravado no horizonte como quem ainda procura um oásis. Seu maior troféu da carreira, por enquanto, foi ter sido o primeiro capitão negro da seleção sub-21 da Suíça. E olha que já foi pior a situação dos negros por lá, sobretudo quando Christopher Blocher, líder da União Democrática do Centro (UDC), partido de extrema direita, controlava o Departamento Federal de Justiça, órgão responsável pela imigração. Mas seu legado é ainda tão forte por lá que atos de heroísmo como o de Fernandes, diante da Fúria, não têm vez na história suíça. Morasse no Brasil, Nelson Rubens já teria descoberto alguma fofoca vexatória do Sr. Blocher. Atrasado esse povo suíço, não?

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Arrogante, o treinador francês Raymond Domenech virou chacota da imprensa francesa pelo fato de avaliar o mapa astral dos jogadores antes de escalálos. Na derrota para o México, Henry nem entrou. A volta para Paris está mais próxima do que nunca. Isso é bem feito por terem conseguido a vaga para a Copa na repescagem, com aquele gol feito por Gallas após receber passe de Henry, que dominou a bola descaradamente com a mão – todo mundo viu, só o árbitro não.

A jabulani, a bola da Copa, é tão importante que tem nome. E já fez três vítimas: os goleiros Green (Inglaterra) e Chaouchi (Argélia), que sofreram penosos galináceos, e Enyeama (Nigéria) que falhou (por culpa da jabiraca) no 2 a 1 para a Grécia.

O uso contínuo e indiscriminado das vuvuzelas favoreceu o comércio de outro item, os tampões de ouvido (os shu-shuzelas). Em farmácias próximas aos estádios o produto não existe mais. Jogadores de Portugal e o volante hermano Mascherano já pediram que uma medida seja tomada. Convenhamos, é chato assistir a uma partida com aquelas – como disse Lula – “varejeiras” dentro da televisão. Ou que se criasse uma regra: vuvuzelas liberadas apenas nos jogos da Argentina. A Alemanha, de futebol talentoso na estreia, se complicou contra a Sérvia. Faltou criatividade ao enfrentar um adversário mais retrancado. Podolski (que perdeu um pênalti) e Schweinsteiger produziram pouco, e Klose foi expulso. Segue favorita?

Está faltando futebol. E gols

Dizem que o futebol evoluiu nas últimas décadas. A primeira Copa de que me lembro é a de 1986, quando Zico perdeu aquele pênalti contra a França no tempo normal. Depois, 1990, e o maldito Caniggia que marcou aquele gol. Sem muito brilho, 1994. O fiasco de 1998, o penta do Felipão em 2002 e a França novamente no caminho em 2006. Nesses 24 anos, a liberdade dos jogadores talentosos foi deixada de lado, e a prioridade virou tática, 3-5-2, 4-4-2, 3-6-1...

Resultado: jogos burocráticos (como o da Seleção contra a Coreia do Norte) e poucos gols. Tão poucos que a primeira rodada já entrou para a história: em 16 jogos, 25 gols, ou média de 1,56 por partida, a pior desde 1930. No início da segunda rodada a rede já balançou um pouco mais (foram 10 gols em três jogos), mas acredito que a média pode melhorar. Passada a tensão da estreia, vamos ver se a Copa 2010 realmente irá começar.

Camisetas

Ah, se Nelson Mandela pudesse defender a África do Sul também em campo... Na criação de Valter Oliveira, porém, o nome do grande líder negro reforça a camiseta dos Bafana Bafana, a título de homenagem. Dois novos assinantes do jornal O Caxiense – Nacarino Corti Mac Lean e Rachel Zilio – ganharam a camisa de presente. Também quer uma? Então encomende logo a sua ao Valter: 91450336.

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André T. Susin/O Caxiense

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HERÓI SEM PÁTRIA

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O Caxiense

19 a 25 de junho de 2010

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


Renato Henrichs renato.henrichs@ocaxiense.com.br

Votos iguais

Em reunião esta semana, os conselheiros da Fundação Universidade de Caxias do Sul decidiram também conceder igualdade de condições às entidades representadas no Conselho Diretor. Todos elas passam a ter dois votos, privilégio restrito até então ao Ministério da Educação (MEC) e à Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul. As novas integrantes – Fervi e Apesc – ficarão com um voto apenas, por serem comodatárias (não entraram com patrimônio para a formação da fundação).

Questionário

Está anunciada para a próxima quinta-feira (24) a divulgação dos resultados da pesquisa feita pela Associação dos Usuários do Transporte Coletivo sobre o serviços prestados pela concessionária Visate. Menos de 5% (5.440 caxienses) dos usuários dos ônibus urbanos responderam às questões sobre passe livre e outras gratuidades, sobre estrutura viária e, de uma forma mais ampla, a respeito da atuação da concessionária, a Viação Santa Tereza (Visate). O problema será o que fazer com os dados levantados.

Bravata

Salvo melhor juízo, não se fala mais em demissão coletiva entre os profissionais da rede municipal de saúde. A intenção havia sido anunciada pelo presidente do Sindicato dos Médicos, Marlonei dos Santos, em represália ao fracasso das negociações salariais com a prefeitura.

Arsenal

Vou voltar às minhas origens

O verdadeiro arsenal – facas, tesouras, estiletes, celulares, além de pedras de crack, maconha e cocaína – recolhido quinta-feira (17) na vistoria feita na Penitenciária Industrial pela Brigada Militar impõe medidas urgentes. De remoção de agentes da Susepe a reforço nas revistas feitas durante visitas.

Dom Alessandro Ruffinoni, italiano de nascimento, ao ser anunciado bispo coadjutor da Diocese de Caxias do Sul

perguntas para

Abgail Pereira

A sindicalista caxiense vê como grande responsabilidade pessoal e partidária sua candidatura ao Senado pelo PC do B

A sra. entrou na convenção partidária como cotada para ser suplente do candidato ao Senado Paulo Paim e saiu como candidata ao Senado, pelo PC do B. O que essa candidatura – de uma mulher, caxiense, sindicalista, filiada ao PC do B – significa? O PC do B, antes de definir o nome do candidato, já havia definido concorrer a uma das vagas ao Senado, em discussões com os partidos que compõem a Frente Ampla. Em nenhum momento discutiu-se a suplência, de forma que a convenção já analisou e definiu a minha candidatura como parceira de chapa do senador Paulo Paim. É natural que minha experiência como sindicalista, como militante do movimento feminista e político-partidário foram fatores determinantes para a indicação. Nesse sentido, minha candidatura significa a determinação, vontade, garra e sensibilidade para representar os interesses do Rio Grande e de seu povo, bem como a renovação que o país cobra no Senado. Quais as suas propostas para o possível mandato? Com a ousadia que é marca das mulheres do meu partido, quero contribuir com o desenvolvimento do Estado, com o olhar feminino, que valoriza as pessoas, honrando a tradição dos comunistas em incentivar a participação política das mulheres. Em parceria com o senador Paim, vamos manter o olhar destacado para o trabalhador,

Por nove anos

Será dia 8 de agosto – Dia dos Pais – a posse do bispo coadjutor de Caxias do Sul, Dom Alessandro Ruffinoni. Atual bispo auxiliar de Porto Alegre, Dom Alessandro (à esquerda na foto) foi escolhido pelo Papa para substituir Dom Paulo Moretto (à direita) na Diocese local. Dom Paulo vai se aposentar na metade do ano que vem, quando completar 75 anos. A data limite é estabelecida pela Igreja. O que significa dizer que Dom Alessandro, hoje com 66 anos, deverá permanecer apenas nove anos como bispo de Caxias do Sul.

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os aposentados, os negros, e, claro, terei um olhar determinado para as mulheres trabalhadoras – urbanas e rurais. Tenho convicção de meu papel como senadora da República – é lutar para trazer investimentos que permitam melhorar a infraestrutura de nosso Estado e, por conseguinte, a qualidade de vida de nosso povo. Precisamos recolocar o nosso Estado em sintonia com o desenvolvimento que vivemos no Brasil. Promover a integração regional como fundamental para o desenvolvimento do Brasil e da América Latina, porém lutando por compensações que garantam a competitividade de nossos produtos, como, por exemplo, reduzir os impostos do setor vitivinícola. É a nossa região sendo representada. Precisamos também modernizar e diversificar as cadeias produtivas. A sra. desempenhou papel importante na campanha municipal passada, como vice na chapa da Frente Popular. Uma candidatura ao Senado agora, seja qual for o resultado dela, terá ressonância na próxima eleição para a prefeitura? A política é dinâmica... Nesse momento estamos empenhados em eleger o projeto da Frente Ampla, bem como garantir a continuidade das mudanças em nosso país, com a eleição de Dilma. O PC do B tem clara a importância ímpar do momento que vivemos e não medirá esforços na luta pela liberdade, pela democracia e pelo progresso social em nosso querido Rio Grande. André T. Susin/O Caxiense

Coube ao novo vice-reitor José Carlos Köche, ao assumir o cargo nesta sextafeira, dar a notícia: o Conselho Diretor da Fundação Universidade de Caxias do Sul aprovou a inclusão de mais dois integrantes no grupo: um da Fundação Educacional da Região dos Vinhedos (Fervi), de Bento Gonçalves, e outro da Associação Pró-Ensino Superior dos Campos de Cima da Serra (Apesc), de Vacaria. Trata-se de uma decisão considerada importante para consolidar o processo de regionalização da universidade.

Divulgação/O Caxiense

Bento e Vacaria

Na contramão

Coordenação regional da campanha do Partido dos Trabalhadores buscou sugestões ao pré-candidato ao governo do Estado, Tarso Genro. Entre os pontos elencados, a instalação do futuro aeroporto regional em... Monte Bérico, município de Farroupilha. A proposta vai na contramão do que prega, por exemplo, a CIC de Caxias do Sul, defensora da região de Vila Oliva para sediar o substituto do Aeroporto Hugo Cantergiani.

Por sinal

A convenção estadual petista, na próxima semana, vai oficializar as candidaturas do PT local, entre elas a do vereador Marcos Daneluz. Ele pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa ao lado de Marisa Formolo, que busca a reeleição. Daneluz confia que a candidatura dele vai ajudar na construção do processo democrático interno, engrandecendo o partido. Há quem diga que a concorrência de dois petistas ao mesmo cargo enfraquece Marisa, embora o trabalho atento que realizou assegure a ela uma boa votação.

Arrecadação

Ao contrário do que prega a imensa maioria de Detrans do país, o diretor de trânsito da Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade, Carlos Noll, apoia a proposta que prevê parcelamento de multas, aprovada esta semana na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Para Carlos Noll, a medida deverá “facilitar a vida dos infratores que não têm recursos para pagar as multas” e “garantirá o recebimento dos valores devidos”. Ou seja, a arrecadação com multas de trânsito estará mais garantida.

Sem estrutura

Nas entrevistas que concedeu a respeito de sua aposentadoria, Dom Paulo Moretto mostrou preocupação com o crescente fluxo de migrantes para Caxias do Sul. “A cidade não tem estrutura suficiente para receber a todos”, reconheceu o bispo. Embora declare que ainda não tem qualquer projeto para a nova tarefa, o italiano Dom Alessandro Ruffinoni – nascido em Piazza Brembana, na província de Bérgamo – também revelou sua intenção de discutir e encaminhar alternativas para esse problema.

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