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de 30 OT ve 9.4 O r– de 03 el DE esc eito C olh res O N er 10 têm FI co o p AN nse od lhe er – ÇA iro e s tu o tel are s |S15 |D16 |S17 |T18 |Q19 |Q20 |S21

MEMÓRIAS

DE GUERRA As histórias dos caxienses que ajudaram a derrotar o nazifascismo 65 anos atrás

Roberto Hunoff: o que dizem os balanços de Lupatech, Marcopolo e Randon | Renato Henrichs: os motivos de Vinicius Ribeiro para desafiar Alceu Barbosa Velho | Mórmons: os alicerces de uma religião

Arquivo do Museu dos Ex-combatentes da FEB/O Caxiense

Caxias do Sul, maio de 2010 | Ano I, Edição 24 | R$ 2,50


Índice A Semana | 3

Um resumo das notícias que foram destaque no site

Roberto Hunoff | 4

A crise de 2009 foi pior do que se pensava, mas a recuperação de 2010 foi melhor

Conselho da democracia | 5

CLÍNICA SINDICAL

A trajetória e os métodos de Marlonei dos Santos, líder dos médicos grevistas

Caxias do Sul, maio de 2010 | Ano I, Edição 23 | R$ 2,50

M. Damasceno/O Caxiense

Maicon Damasceno/O Caxiense

www.OCAXIENSE.com.br |S8 |D9 |S10 |T11 |Q12 |Q13 |S14

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.

@SamyGranel E mais uma vez, @ocaxiense esbanja criatividade na capa! Dá vontade de ler!! Muito bem pensado! Vou conferir...

IDEIAS

CONTRA A

POLUIÇÃO

Direitos das crianças e dos adolescentes ficarão nas mãos de 10 adultos – e cabe à cidade escolhê-los

A má qualidade do ar, causada principalmente pela poluição de veículos automotores, pode ser revertida com o uso de tecnologias limpas. A indústria caxiense tem alternativas prontas e testadas. Basta o poder público incentivar a sua adoção

Renato Henrichs: consulta popular online em estudo | Roberto Hunoff: Joinville voa melhor que Caxias | Mato Sartori: enfim, trilha desobstruída

Obra religiosa | 8

Mórmons constroem nova capela em área nobre e batem perna para divulgar suas crenças

@jolidandi Muito boa a capa do @ocaxiense desta semana #edição23 Douglas Trancoso/O Caxiense

Capacidade máxima | 11

Instituto de Medicina Esportiva da UCS trabalha para formar superatletas

Festa divina | 12

Celebração do Espírito Santo em Criúva tem queijo gigante e novena

Histórias do front | 13

Lembranças dos caxienses que pegaram em armas para derrotar o nazifascismo

Guia de Cultura | 16

@gustavotoigo @ocaxiense Fogão a lenha e pinhão combinam com leitura. Lendo matéria de O Caxiense “Educação Mato adentro” e O Caxiense cidade afora #23edição @danieldalsoto @ocaxiense Mais uma vez uma bela capa. Destaque além da matéria de capa contra a poluição, matéria do poeta @marcelomugnol. #23edição @bubstess Lá em casa, fizemos um ótimo investimento: assinamos @ocaxiense! Leitura para a semana inteira. Oba! #assinatura

A perda de um amor e os roubos de Robin Hood nas telas

Artes | 18

Ilusões sob duas óticas

@anahifros @ocaxiense Com mais esta mudança, quantas linhas param agora na Bento Gonçalves? Aquilo já havia virado o #caos. Que horror. #visate

Guia de Esportes | 19

Natação e basquete na UCS e taekwondo e futebol no Enxutão

@alexdenoia @ocaxiense Visate tinha que se preocupar mais era com a manutenção dos sinais luminosos de pedido de parada, dentro dos ônibus! #visate

Preparo é fundamental | 20 Juventude aproveita a longa espera pela Série C para se exercitar

Planos reforçados | 21

Contratações vão animar a retomada dos treinos para a Série C no Centenário

Caxias do Sul está de parabéns por ter um jornal de verdade, que fala de Caxias. É isto que faltava, parabéns. Ronaldo Pires

Renato Henrichs | 23

Por que Vinicius Ribeiro mantém a candidatura a deputado estadual

Bacana essa capa. Aliás, as capas de O Caxiense são sempre de muito boas pra cima, parabéns! Rafael Rodrigues Assista ao vídeo da reportagem de capa sobre os caxienses que lutaram na 2ª Guerra Mundial.

Expediente

Redação: Cíntia Hecher, Fabiano Provin, Felipe Boff (editor), Graziela Andreatta, José Eduardo Coutelle, Marcelo Aramis, Marcelo Mugnol, Paula Sperb (editora), Renato Henrichs, Roberto Hunoff e Valquíria Vita Comercial: Leandro Trintinaglia e Cláudia Pahl Circulação/Assinaturas: Tatyany Rodrigues de Oliveira Administrativo: Luiz Antônio Boff Impressão: Correio do Povo

Assine

Para assinar, acesse www.ocaxiense.com.br/assinaturas, ligue 3027-5538 (de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 18h) ou mande um e-mail para assine@ocaxiense.com.br. Trimestral: R$ 30 | Semestral: R$ 60 | Anual: 2x de R$ 60 ou 1x de R$ 120 Jornal O Caxiense Ltda. Rua Os 18 do Forte, 422, sala 1 | Lourdes | Caxias do Sul | 95020-471 Fone 3027-5538 | E-mail ocaxiense@ocaxiense.com.br www.ocaxiense.com.br

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O Caxiense

15 a 21 de maio de 2010

Erramos | O nome do monitor entrevistado na reportagem Edu-

cação Mato adentro, da edição anterior, é Roberto de Araújo Vianna Träsel e não “Trävel”, como foi publicado.

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


A Semana

Fotos: Claudia de Lucena, Div./O Caxiense

Sindicato dos Servidores Municipais, com mais de 4 mil associados, promete greve

Caxias está sobre fissura de 60 km e precisa de um sismógrafo permanente, como o instalado pela equipe de técnicos para a pesquisa dos abalos recentes

SEGUNDA | 10 de maio

TERÇA | 11 de maio

Greve dos médicos

Trabalho

O desembargador João Carlos Branco Cardoso negou o pedido de liminar do Sindicato dos Médicos de Caxias do Sul para que eles pudessem retornar à greve. Apesar da reinvindicação de um aumento salarial de 240%, os médicos concursados devem permanecer trabalhando. O Procurador Geral do Município, Lauri Romário Silva, lembra que se o Sindicato desacatar a ordem judicial será multado em R$ 50 mil por dia.

O Sindicato dos Servidores Municipais de Caxias do Sul (Sindiserv), que pede um reajuste salarial de 8,93%, promete convocar uma greve caso não seja atendido. A pauta de reivindicações foi apresentada em 6 de abril e uma comissão para tratar do caso foi criada. Entretanto, após manifestação do secretário da Fazenda, Carlos Búrigo, dizendo que não seria concedido nenhum índice de ganho real, o Sindiserv ameaça uma paralisação. O Sindicato tem mais de 4 mil associados. A pauta encaminhada pelo Sindserv para a prefeitura inclui 25 pontos a serem discutidos, e somente um deles trata do aumento salarial. No dia 20 de maio, a comissão discutirá todos os pontos referente ao documento.

Desembargador nega pedido

Visate

Painel digital é adiado A Visate, em convênio com a prefeitura, está implantando um protótipo de Sistema de Informação Dinâmica, que consiste em um monitor que mostra informações sobre os ônibus e seus itinerários. Entretanto, a assessoria de comunicação da Visate informa que a sua parte na parceria já foi realizada há mais de um mês e aguarda pela implantação da internet pela prefeitura. O diretor executivo de transportes, Osvaldo Della Giustina, explica que a demora por parte da prefeitura se deve à implicações legais e técnicas.

Servidores municipais podem entrar em greve

QUARTA | 12 de maio Escola técnica

Cinco cursos devem ser oferecidos

O Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFSul) poderá abrir as portas no próximo semestre, conforme a

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diretora do campus de Caxias do Sul, Gisele Ribeiro de Souza. Liberados os recursos pelo Ministério do Planejamento e autorizado pelo Ministério da Educação, o IFSul poderá funcionar. Cinco cursos estão programados para receber alunos na primeira fase da instalação do instituto: Subsequente de Plástico, as graduações de Técnico em Processos Metalúrgicos, Licenciatura em Matemática, Formação de Professores e Técnico em Administração, direcionado a alunos do Programa de Educação de Jovens e Adultos. Devem ser contratados 19 professores para implantação das formações.

tensão. Ela em Nova Prata, passa por Nova Roma do Sul e Caxias e termina em Feliz. Um sismógrafo permanente deve ser instalado para monitorar a Falha Caxias, como é denominada. Apesar da possibilidade de ocorrerem tremores maiores ser pequena, para o pesquisador a continuidade do monitoramento sismológico no município é necessária. O secretário de Meio Ambiente, Adelino Teles, acredita que conseguirá uma parceria com a Petrobras para a instalação do sismógrafo.

QUINTA | 13 de maio

Tapa-buracos

Tremores de terra

Origem dos abalos é tectônica

O estudo sobre os tremores de terra que ocorreram em Caxias no final do ano passado e no começo de 2010 concluiu que eles foram decorrentes de assentamentos de placas. Apesar de nenhuma atividade ter sido registrada desde a instalação do sismógrafo na cidade, a hipótese mais forte é de que a origem dos abalos seja tectônica. Segundo o diretor do Observatório Sismológico da Universidade e Brasília (UnB), George Sand França, existe uma fissura geológica sob a cidade com cerca de 60 quilômetros de ex-

SEXTA | 14 de maio Vias danificadas serão reparadas A Codeca realiza nesta sexta e sábado o trabalho de recuperação das vias que ficaram esburacadas após uma semana ininterrupta de chuvas e umidade. Na manhã desta sexta, o Departamento de Construção Civil (DCC) deslocou cerca de 30 funcionários, divididos em cinco equipes, para a operação tapa-buracos na área central e nas perimetrais. No sábado, além de finalizar os reparos na área central, as equipes vão trabalhar em outras regiões da cidade. Solicitações de reparos em ruas de responsabilidade do Município podem ser feitas pelo telefone 3224-8000.

15 a 21 de maio de 2010

O Caxiense

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Roberto Hunoff roberto.hunoff@ocaxiense.com.br

Aproximação

Feirão

Recuperação confirmada

Com a proposta de apresentar seus produtos, serviços e convênios, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Caxias do Sul idealizou a ação denominada Ponto de Encontro. Na primeira edição, marcada para segunda-feira (17), a partir das 19h30, no Salão dos Capuchinhos, a diretoria da entidade estará reunida com comerciantes dos bairros São Pelegrino, Rio Branco, Kayser, São Caetano, Medianeira, Floresta, Sanvitto, Esplanada, São Leopoldo, Arco Baleno, Bom Pastor e Salgado Filho. A ação pretende reunir cerca de 300 comerciantes e prestadores de serviços por edição.

de 6% em sua receita líquida, para R$ 106 milhões, e prejuízo de R$ 16,2 milhões, em alta de 32%, Marcopolo e Randon tiveram resultados que, certamente, provocarão, em julho, revisão nas estimativas para o ano. A não ser que a crise da Grécia se espalhe como rastilho de pólvora pelos demais mercados. Já há indícios neste sentido. Magrão Scalco, Divulgação/O Caxiense

Os balanços publicados nesta semana pelas três maiores empresas de Caxias do Sul evidenciam claramente duas situações: a crise do primeiro semestre do ano passado foi muito séria e a recuperação neste início de 2010 ficou acima do que a maioria dos empresários esperava. Com exceção da Lupatech, que apresentou queda

Influência

Modernização

Bruno D’Fraga/Divulgação/O Caxiense

Após quatro meses de obras, o Bergson Executive Flat concluiu o processo de modernização de suas instalações. O investimento de R$ 115 mil foi feito para customizar, adaptar e melhorar equipamentos, conforto e possibilidades de uso do prédio. Desde sua inauguração, há 12 anos, o local nunca havia passado por reforma alguma. O prédio recebeu nova pintura interna e externa. Os quartos estão com cortinas e colchas novas e tomadas elétricas adaptadas às normas do Inmetro.

Recordes históricos

Ameaça inflacionária

A Marcopolo consolidou receita líquida de R$ 679,2 milhões, lucro de R$ 69,1 milhões e produção mundial de 6.134 unidades, números acima dos registrados historicamente para o período. O resultado representa crescimento de 46,6% na receita líquida e de 55,9% na produção mundial na comparação com o mesmo período do ano passado. A projeção da empresa para o ano é de atingir receita líquida de R$ 2,550 bilhões e produção de 24,7 mil unidades.

A Randon apurou receita líquida consolidada de R$ 782,7 milhões, em alta de 46%, e lucro de R$ 40,4 milhões, 50,8% superior ao registrado de janeiro a março do ano passado. Com pedidos em carteira que garantem produção para os próximos meses, a empresa alerta, no entanto, para o surgimento dos primeiros sinais de pressão na área de custos, sobretudo na cadeia siderúrgica e petroquímica. A empresa projeta receita líquida de R$ 2,8 bilhões para o ano.

Qualificação

A Sulpeças, concessionária Fiat na Serra, recebeu o recertificado do Instituto da Qualidade Automotiva, entidade de certificação criada por entidades representativas do setor de veículos. Na avaliação de 116 itens do setor de vendas, 152 do pós-vendas

Com 32 mil metros quadrados de área construída, divididos em salas comerciais e apartamentos residenciais, o I. Towers será integralmente entregue na terça-feira (18) pela B.A.S. Incorporadora. Localizado próximo ao Iguatemi Caxias, o prédio já tem 46 salas e três lojas térreas ocupadas pela Rio Grande Energia desde dezembro de 2007. Em julho do ano passado a empresa concluiu 48 apartamentos. Agora serão entregues os 60 apartamentos restantes e mais duas salas comerciais. A B.A.S., administrada por Marcos Bergamaschi, Carlos Eduardo Albé e Everton De Boni Santos, começou a operar em 2002. Desde então já edificou 61.500 metros quadrados. Atualmente, administra projetos que superam 50 mil metros quadrados em Caxias do Sul e no litoral de Santa Catarina. Dentre eles. o Residencial Bellagio, na Rua Bento Gonçalves, que será entregue neste ano.

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O Caxiense

15 a 21 de maio de 2010

Em alta

A Volare, unidade de negócios da Marcopolo, fechou contrato com o Governo do Estado da Paraíba para o fornecimento de 80 unidades do modelo Escolarbus VE01. Os veículos foram adquiridos dentro do Programa Caminho da Escola do Governo Federal e serão utilizados

no transporte de estudantes da rede municipal e estadual. A perspectiva da Marcopolo é de fornecer, ao longo deste ano, em torno de 2,5 mil veículos para o programa em todo o Brasil, considerando licitação federal que venceu recentemente. O volume representa mais de 50% do total.

De quarta a sexta-feira (19 a 21) Caxias do Sul será sede do 6º Colloquium Internacional SAE BRASIL de Suspensões e Implementos Rodoviários & Mostra de Engenharia. O encontro reunirá apresentações de trabalhos técnicos, palestras e fóruns com a participação de especialistas do Japão, da Alemanha, Finlândia, dos Estados Unidos e do Brasil. A programação, que inclui exposição tecnológica composta por 33 estandes do setor, será realizada no Intercity Premium. A expectativa da SAE Caxias do Sul é de reunir 500 participantes.

O superintendente do Sesi no Rio Grande do Sul, Edison Lisboa, será o palestrante da reunião-almoço de segunda-feira (17) da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul. Ele falará sobre o tema Mulher: a outra face do desenvolvimento, em evento alusivo aos 13 anos do Banco da Mulher Caxias do Sul. A Associação de Engenheiros, Arquitetos, Agrônomos, Químicos e Geólogos de Caxias do Sul programou palestra de esclarecimento sobre a nova ART - Anotação de Responsabilidade Técnica. Será na quinta-feira (20), às 19h, na Uffizi Espaço Contemporâneo, com a presença do engenheiro Sandro Schneider, do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Porto Alegre.

e 169 do Sistema de Qualidade Fiat (SQF), não foi encontrada nenhuma não-conformidade. O SQF foi criado em janeiro deste ano com o objetivo de aperfeiçoar, por meio de cursos e treinamentos, o trabalho e a estrutura da rede de concessionárias.

Empreendimento

Tecnologia automotiva

Curtas

Antônio Neto/Divulgação/O Caxiense

A indústria caxiense teve participação decisiva no incremento das exportações gaúchas em 16% no primeiro quadrimestre do ano, as quais superaram os US$ 4 bilhões. As vendas externas de ônibus e implementos rodoviários cresceram 42%, com destaque ao envio para a África do Sul e Argentina. Já as importações gaúchas aumentaram 68%, também rompendo a barreira dos US$ 4 bilhões. Ênfase para óleos brutos de petróleo, nafta para petroquímica, automóveis e caminhonetes e adubos e fertilizantes. Os dados foram liberados nesta semana pela Federação das Indústrias do Estado.

A Caixa Econômica Federal realiza neste sábado e domingo (15 e 16), nos Pavilhões da Festa Nacional da Uva, mais um feirão de imóveis. Os organizadores estimam a oferta de 2,5 mil unidades habitacionais pelas 38 construtoras inscritas. Nas 13 cidades brasileiras em que será realizado o Feirão da Casa Própria terá à disposição 450 mil imóveis entre novos e usados, com expectativa de movimentar R$ 3,5 bilhões.

Neste sábado (15), a partir das 14h, na Vila Olímpica da Universidade de Caxias do Sul, funcionários e familiares das Empresas Randon participam de mais uma edição do evento Vivendo de Bem com a Vida. A programação inclui atividades desportivas, realização de exames de saúde, oficinas de circo, artes e recreação para crianças, livraria e jogos educativos de trânsito. O programa foi criado pela empresa em 1998 com a proposta de incentivar hábitos saudáveis e conscientizar para a prevenção ao uso de drogas no trabalho e na família. A iPlace, Apple Premium Reseller, localizada no Shopping Iguatemi Caxias, oferecerá workshops semanais com consultores especializados e treinados pela Apple. Todos os sábados de maio, a partir do dia 15, sempre às 15h, a loja promove palestras sobre Mac OS X, sistema operacional todos os computadores Mac.

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Douglas Trancoso/O Caxiense

Responsabilidade social

Atualmente, os atendimentos são divididos entre os Conselhos Tutelares Norte e Sul, que no próximo ano deverão ganhar o reforço de um terceiro órgão

EM BUSCA DO

BOM CONSELHO

U

por CÍNTIA HECHER cintia.hecher@ocaxiense.com.br

m trabalho diário, com plantão 24 horas, faz valer o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), criado há 20 anos. É pelas mãos, olhos e, principalmente, ouvidos dos conselheiros tutelares que esse conjunto de leis de proteção aos menores é posto em prática. No próximo dia 30, porém, essa responsabilidade será compartilhada com toda a população apta a votar. Caberá a ela escolher, entre 19 candidatos, os 10 guardiões da infância e da adolescência na cidade pelos próximos três anos. Os eleitos se dividirão em dois Conselhos: o da Macrorregião Norte e o da Macrorregião Sul, separados por uma linha imaginária desenhada sobre o traçado da Avenida Júlio de Castilhos. Essas duas áreas deverão ser redimensionadas em 2011, quando se espera que ganhem o reforço, já aprovado, de um terceiro conselho – motivado pelo crescimento populacional da cidade. A demanda da sociedade encontra os esforços dos conselheiros de ambas as macrorregiões em um mesmo endereço. Na ampla sede da Rua Visconde de Pelotas, no Centro, onde as cadeiras da recepção ficam mais vazias em dias chuvosos. Muitas pessoas têm dificuldade, como falta de dinheiro para o ônibus ou impossibilidade de se ausentar do trabalho por muito tempo, para chegar até lá. A última terça-feira (11) foi um desses dias de pouco movimento. No início da manhã, nove pessoas aguardavam atendimento. O frio congelante envolvia a calmaria do ambiente, só seria rompida um par de horas depois, com a entrada de uma mulher esbaforida. Depois de olhar para os lados, ressabiada, ela pediu em voz alta

e firme para marcar um horário para o filho de 16 anos. “Ele não me obedece. Fica até uma da manhã na rua. Ele já veio aqui umas três vezes e não adiantou nada. Vive na rua, na casa dos outros, enfiado nas lan houses. Há três dias foi expulso da escola!”, justificou. O agendamento feito com a secretária aplacou seu nervosismo, mas ela saiu consciente de que ainda precisaria convencer o filho: “É capaz de ele nem vir. É teimoso”. Não muito depois, um homem desabafava com um jovem que aguardava atendimento ao seu lado. Desde março ele tentava matricular o filho em alguma escola infantil. “É uma falta de respeito. Mandam a gente pra Smed (Secretaria Municipal de Educação), vai pra lá, vai pra cá, perdem papel”, enumerava. O jovem concordava, com poucas palavras afirmativas. Pais em busca de vagas para os filhos em escolas infantis são casos frequentes no Conselho Tutelar, mas, infelizmente, há muitos outros, mais graves e tristes, como negligência e maus tratos. São situações que exigem atenção dos conselheiros 24 horas por dia. Eles precisam se revezar em um sistema plantão móvel, que abarca os horários do meio-dia às 13h30, das 17h30 às 8h do dia seguinte e nos finais de semana. Um atendimento não tem tempo estipulado. Pode durar de poucos instantes a uma hora. Tudo depende da gravidade do caso. Também é de competência do conselheiro avaliar a veracidade da denúncia, que muitos mal intencionados veem como oportunidade para atingir familiares ou ex-cônjuges, além de propagar fofocas. Conflitos desse tipo, às vezes, adentram as portas do Conselho Tutelar, que já foi palco de brigas entre marido e mulher

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População escolhe, no fim do mês, 10 guardiões da infância e da adolescência para os próximos três anos

separados e incontáveis ameaças e ten- região Norte. Estudante de Direito, foi tativas de agressão a conselheiros. Não presidente do Sindicato dos Trabalhahá ninguém para garantir a seguran- dores na Indústria do Vestuário, viceça tanto de quem trabalha quanto de presidente da União das Associações quem frequenta o Conselho. de Bairro (UAB) e duas vezes presidenA responsabilidade de um conse- te do bairro Garbin. “Para quem gosta lheiro tutelar, entretanto, não deve de trabalhar com o social, a função de ultrapassar seus limites de ação. Ele conselheiro é interessante, pois tira a é responsável por aconselhamento e criança e o adolescente de posição vulorientação a famílias, e a partir disso nerável”, salienta Abreu. os casos são encamiTerezinha Marli Pesnhados aos órgãos rescador Andreazza, que ponsáveis. O que antes Todos os trabalhou como profeschamavam de abriga- moradores com sora e diretora de escomento, que seria retirar título eleitoral la e catequista, também a criança de casa, agora busca a reeleição. Aos chama-se acolhimento em Caxias do 60 anos, orgulha-se em institucional, e aconte- Sul poderão representar a terceira ce somente nos casos votar na eleição idade. “Sempre volto mais extremos, quando do Conselho para casa mais alegre todos os outros recurem ser útil”, destaca. sos – jurídicos, peda- Tutelar, no Ela é filiada ao Partido gógicos, de assistência próximo dia 30 Trabalhista Brasileiro social – forem esgota(PTB) e foi líder comudos. nitária do bairro MariA ideia de recolhimento de menores, land. entretanto, ainda é equivocadamente Paulo Roberto Borges tenta seu termuito associada à figura do Conselho ceiro mandato como conselheiro. Ele Tutelar. “Acham que conselheiro pega atua na área social desde os anos 90 a carrocinha e vai recolher criança”, diz como educador da Fundação de Asa conselheira Rosane Biurrum Martins sistência Social (FAS) e da Pastoral de Curto. Ela afirma que o Conselho é o Apoio ao Toxicômano Nova Aurora último órgão que deve ser ativado, de- (Patna), entre outras instituições, e já pois que todas as outras alternativas fo- foi coordenador do Albergue Municiram utilizadas. Assistente social, Rosa- pal. “Hoje crianças e adolescentes têm ne concorre à reeleição. Começou seu proteção, direito de serem ouvidos e vínculo com a área social em Pelotas, atendidos. Deve-se aplicar a lei na ínquando estudava na UCPel, ao traba- tegra”, diz Paulo. lhar com reestruturação de famílias A atual coordenadora da Macrorrepor meio da Igreja Universal do Reino gião Sul, Daiane da Cruz, é estudante de Deus, da qual é obreira. de Serviço Social e faz trabalho voluntário com crianças e adolescentes em Além de Rosane, quatro conse- uma instituição evangélica, o que a fez lheiros tentam renovar seus mandatos. concorrer a conselheira. “Esse trabalho Um deles é Marcos Antonio Castilhos é indispensável para a sociedade porAbreu, atual coordenador da Macror- que trata do futuro não só da cidade, 15 a 21 de maio de 2010

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que faria. Seria o caos”, acredita.

O estudante de Direito Paulo Rodrigo Toledo Inda é o candidato mais novo. Trabalhou voluntariamente com recreação na Escola São Vicente, no Burgo, e foi secretário de diligências (visitas) do Conselho Tutelar por um ano e meio. “Quero fazer o que eu observava e não podia fazer por não ser conselheiro, como o trabalho com as famílias”, afirma. Outro jovem é Fabian Tamura, também acadêmico de Direito, que já foi oficineiro da FAS e pensa que candidatos mais novos são um incentivo para mudar a cara do Conselho. “O órgão está rotulado como defasado, que não faz nada, mas deve-se deixar claro para a comunidade onde o conselheiro pode ou não atuar”, analisa. A candidata Janaína Santos Gil, que trabalhou nove anos com educação infantil e é formada em Educação Física, vê a necessidade de existir alguém para conversar com as famílias sobre a banalização de valores. “Admiro o trabalho do conselheiro e o respeito que tem perante a sociedade”, ressalta. Estudante de Ciências Políticas, Marcelo Valmir Vanzin da Silva trabalhou com jovens na Coordenadoria Municipal da Juventude e enfatiza a importância do cargo. “Não sei o que aconteceria sem o conselheiro na sociedade. Se tirá-lo, percebe-se a falta

Zeferino de Freitas diz que seu interesse pela área social consolidouse no trabalho. Ele atuou como enfermeiro por 15 anos em locais como a Clínica Paulo Guedes, em Ana Rech. “Peguei gosto pela coisa e sei que posso fazer muito por quem precisa”, garante. Especializado em Saúde Mental e Gestão em Políticas de Saúde, Freitas aponta para uma questão preocupante para as famílias com adolescentes: o uso de drogas. Jucimara Fátima Vidal trabalha na Brigada Militar há 20 anos, e há 10 resolveu agir em prol da criança, com a Patrulha Escolar. Foi coordenadora de centros educativos da FAS em 2005 e vê a candidatura como oportunidade de fazer mais. “O conselheiro tem que estar dentro das escolas, tem que ouvir professores, direção, e fazer os encaminhamentos necessários. Assim se faz um resgate maior de crianças e adolescentes”, projeta. A guarda municipal Cleonice de Fátima Andrade trabalha em um projeto que leva oficinas a escolas públicas municipais, tratando de temas como drogas, violência, orientação sexual e segurança. “Na situação em que se encontra a sociedade, muitos direitos das crianças e adolescentes foram violados. O conselheiro deve garantir o exercício da cidadania”, prega.

Cecilia Silveira Leite foi secretária da escola Renato João César, no São Caetano, e pretende atuar baseada no que observou lá e em sua experiência como auxiliar de enfermagem. “Adoro meu trabalho e não me vejo fazendo algo distante de crianças e adolescentes.” Marien Regina Andreazza também vem de experiências escolares. Seu interesse pela ação social teve início ao dar aula de Educação Física na escola Rubem Bento Alves, além de fazer parte da Rede de Atenção à Criança e ao Adolescente (Recria). “Conheço as fragilidade e o potencial maior da rede”, aponta. Loci Teresinha de Almeida Prux trabalha no Sistema Nacional de Emprego (Sine) há sete anos e é envolvida há 24 em trabalhos na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. “Sei que as dificuldades das pessoas neste cargo são bem polêmicas e muitas vezes um conselheiro não consegue resolver a maioria dos casos. Concorro por saber ouvir e dar atenção, que é muitas vezes o que as pessoas precisam”, avalia. A candidata Merindiara Godinho Rodrigues trabalha como voluntária no bairro Esplanada. “Não tenho nenhuma experiência nem vinculação política, mas conto com a ajuda das pessoas mais simples”, destaca. Trabalhando com crianças de maneira voluntária há 10 anos, a peda-

goga Janice Armino vê necessidade do aconselhamento às famílias como ponto principal, e protesta: “As pessoas têm que parar de reclamar, levantar e fazer alguma coisa”. Giane Neitzke Kuhn foi influenciada pelo marido, que há três anos trabalha no Centro de Reabilitação Vita. Buscando acompanhá-lo, envolveu-se com jovens dependentes e suas famílias. Professora da Assembleia de Deus no Santa Fé, Giane diz que se candidatar foi a maneira que encontrou de ajudar. “Não adianta só gostar muito, tem que proteger”, alerta. Cleusa de Fátima Oliveira da Silva é voluntária nos finais de semana em uma instituição em Lagoa Vermelha há quase quatro anos e integra o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica) há dois. “Acredito na verdade do Conselho”, justifica. Independentemente da formação e dos objetivos particulares dos candidatos, a missão que espera os 10 vencedores é a de ser um mediador do núcleo familiar. O conselheiro tutelar avalia e opera os direitos das crianças e adolescentes, e tem responsabilidades muito acima de suas ambições pessoais. “Quem entrar só pelo salário (R$ 2.860,88) ou para usar como trampolim político vai se dar mal. Aqui é pressão”, avisa a candidata a reeleição Rosane Curto. Douglas Trancoso/O Caxiense

mas do Brasil inteiro”, considera.

Sede do Conselho presta serviços no horário comercial, mas há um sistema de plantão no qual os conselheiros se revezam

Edital de Citação – Execução 3a vara cível - Comarca de Caxias do Sul

Prazo de: 20 ( vinte ) dias. Natureza: Execução de Título Extrajudicial. Processo: 010/1.07.0026391-0. (CNJ : .026391169.2007.8.21.0010) Exeqüente: Maria Bernardete Camargo Benato. Executado: Labor Análises Biomédicas Ltda e outros. Objeto: CITAÇÃO De Francoise Renee Oliva Grassi, CPF 437.862.600-44, atualmente em lugar incerto e não sabido, para que no PRAZO DE TRÊS (03) DIAS, efetue o pagamento do débito e demais cominações legais, ficando ciente (s) de que havendo o pagamento integral no prazo legal, a verba honorária arbitrada será reduzida pela metade. Poderá (ão) o (a) (s) executado (a) (s) oferecer EMBARGOS no prazo legal de QUINZE (15) DIAS , a contar do término do presente edital ( art. 232, IV, CPC ). No prazo dos embargos, reconhecendo o (a) (s) executado (a) (s) o crédito do exeqüente e comprovando o depósito de no mínimo 30% ( trinta por cento ) do valor exeqüendo, inclusive custas processuais e honorários advocatícios, poderá (ão) o (a) (s) executado (a) (s) também requerer seja ( m ) admitido (s) a pagar o restante em até SEIS ( 06 ) parcelas mensais, acrescidas de correção monetária e juros de 1% ( um por cento ) ao mês. Valor do Débito: R$ 1.512,70, em 08/10/2007. Caxias do Sul, 23 de Abril de 2010 SERVIDOR: Samira Virgili Quintino Losso JUIZ: Clóvis Moacyr Mattana Ramos

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Maicon Damasceno/O Caxiense

Vocações religiosas

Os norte-americanos Tyson Jorgensen e Kelly Cheever, em missão no Brasil, só podem telefonar para casa duas vezes ao ano: no Natal e no Dia das Mães

NO CAMINHO DOS

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MÓRMONS por RODRIGO LOPES

les têm entre 19 e 26 anos, andam sempre em dupla e vestem uma imaculada camisa branca abotoada até o pescoço. Usam gravatas de cor neutra, calça de tergal escura e sapato preto social. Nos dias mais frios, um paletó é acrescido ao conjunto. O cabelo, curto e meticulosamente alinhado, acompanha um permanente sorriso no rosto – muitas vezes envolto nas espinhas típicas de quem acabou de sair da adolescência. Batem de porta em porta munidos de dois livros, um crachá de identificação fixado ao lado esquerdo do peito e disposição de sobra para catequizar o maior número possível de pessoas. Ou como ambos costumam dizer: compartilhar o Evangelho. Se você ainda não deparou com nenhum deles, calma. É só uma questão de tempo até que os jovens missionários da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, popularmente conhecida como mórmon, cheguem até você. Denominados élderes (título que significa ancião, senhor ou irmão mais velho), eles fazem das quase 10 horas diárias de caminhadas – e da consequente conversão dos fiéis – a mola propulsora do crescimento da doutrina, cujo número de seguidores

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atualmente está na casa dos 13 milhões em todo o planeta. No Brasil, segundo dados contidos na página oficial da igreja, são 1.066.000 membros, o que faz do país o segundo maior em população mórmon do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, onde a devoção nasceu. A SUD (abreviação para designar os Santos dos Últimos Dias) também ocupa a segunda posição entre as religiões que mais avançam, ficando atrás apenas do islamismo. E é bastante provável que quando você terminar de ler essa reportagem esse índice tenha aumentado ainda mais – estima-se que a cada 90 segundos um novo integrante adere à crença.

Os números realmente impressionam. No Brasil, são 1.036 capelas em funcionamento em todos os estados e outras tantas em processo de construção. Também existem cinco templos atuantes: em São Paulo, Recife, Campinas, Porto Alegre e Curitiba. Outros dois estão a caminho em Fortaleza e Manaus. Na Serra Gaúcha existem nove unidades da Igreja, abrangendo os municípios de Caxias, Bento Gonçalves, Farroupilha, Carlos Barbosa e Nova Prata. Todas estão sob a coordenação da Estaca Caxias do Sul (como eles definem sua

Construção de uma imponente capela na área central chama a atenção para uma das religiões que mais crescem no mundo

diocese), presidida pelo empresário dedicado aos ensinamentos da doutrie corretor de imóveis Artur Peruzzo, na e erguido em 1976 – assim como o 50 anos, auxiliado por dois conselhei- antigo, o atual prédio ocupa toda a exros, os também empresários Oscar tensão do terreno até a Rua Dom José Guilherme Siedschlag e Odilon da Sil- Barea. va Filho. Conforme o coordenador, são três ramos (um em Farroupilha, um Amparados pela Bíblia e pelo em Carlos Barbosa e um Nova Prata), Livro de Mórmon – Um Outro Testauma ala em Bento Gonçalves e cinco mento de Jesus Cristo, os seguidores alas em Caxias do Sul. “Os ramos são sustentam, acima de tudo, a defesa da menores, agregam em torno de 50 pes- família tradicional, o recato, as boas soas e costumam ficar ações, o trabalho voem prédios alugados. luntário e a solidarieAs alas têm uma fre- “Empresários, dade. Todas as práticas quência média de 100 profissionais cristãs, resumem eles. participantes e estão Os mórmons acreditam liberais e concentradas nas capeainda que as relações trabalhadores de íntimas antes do casalas”, explica Peruzzo. Especificamente em variados campos mento, a pornografia, Caxias, são cerca de 3 participam da o divórcio, a infidelidamil seguidores, uma de conjugal e todos os liderança sem média mensal de 1 mil abusos praticados confiéis nos encontros (re- remuneração”, tra o corpo são contráalizados sempre aos diz Peruzzo rios à vontade de Deus. domingos pela manhã) Entram aí restrições a e três capelas: uma no bebidas estimulantes, bairro Pio X, outra no Bom Pastor e como café, chá preto e álcool, cigarro uma em construção na Rua Carlos e todos os tipos de drogas. Também Giesen, nos fundos do Zaffari do bair- advertem sobre a importância da casro Exposição. Essa última, aliás, não se tidade. trata de uma novidade. A imponente Uma afirmação do profeta Gordon estrutura, que deve estar concluída Hinckley, presidente da Igreja de 1995 até julho, substitui o primeiro casarão a 2008, resume bem essa crença. “De-

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claramos que o mandamento dado por gião, iniciou uma busca para saber qual Deus a seus filhos, de multiplicarem- igreja seria a mais correta. Orando, ele se e encherem a Terra, continua em teria recebido a visão de Deus Pai e Jevigor. Declaramos também que Deus sus Cristo. Foi-lhe dito que nenhuma ordenou que os poderes sagrados de das igrejas na Terra seria a verdadeira. procriação sejam empregados somente Mais: ele deveria atuar em uma missão entre homem e mulher, legalmente ca- especial – ajudar a restaurar a Igreja de sados”. Mesmo sem apresentar núme- Jesus Cristo antes da segunda vinda do ros, a coordenação estima que os que Senhor à Terra. se casam no templo e o frequentam reTrês anos depois, em 1823, um anjo gularmente apresentam uma média de teria aparecido para o jovem, falando divórcios abaixo dos índices nacional e sobre um velho registro escrito em mundial. placas de ouro. Nele, haveria o relato Já o clero da Igreja não é profissional do povo de Deus no antigo continente nem pago. Conforme Peruzzo, todas as americano. Smith foi o escolhido para atividades eclesiásticas são feitas por traduzir esses escritos e proclamar sua membros voluntários, que doam par- mensagem ao mundo como um outro te de seu tempo para servir à religião. testamento de que a Igreja de Jesus “Empresários, profissionais liberais e Cristo havia sido restaurada na Terra. trabalhadores dos mais variados cam- A tradução gerou o Livro de Mórmon, pos participam da liderança sem re- publicado apenas alguns dias antes da ceber remuneração”, afirma o coorde- organização da Igreja de Jesus Cristo nador, ressaltando que o dízimo (10% dos Santos dos Últimos Dias por seis daquilo que se ganha) é usado para indivíduos, em 6 de abril de 1830. São construir capelas e templos, ajudar o os ensinamentos contidos nesse voluprograma missionário e fortalecer o me, mais os da Bíblia, que norteiam a que os mórmons consideram ser o Rei- conduta dos fiéis até hoje. no de Deus na Terra. Um reino ramificado em mais de 160 países e com um Na manhã do último dia 2, um patrimônio material que inclui cadeias domingo, a equipe d´O Caxiense de rádio e televisão, livrarias, agências acompanhou o tradicional encontro de viagens, escolas de idiomas, com- semanal dos seguidores. É nesse dia panhias de seguros e que as famílias diriaté uma universidade, gem-se a uma das igrea Brigham Young, no Igreja prega a jas para exercitar os enestado americano de crença de que sinamentos da doutrina Utah, utilizada para descendentes e participar de uma sépropagar o Evangelho rie de atividades, cada podem salvar de Jesus Cristo. uma delas direcionada seus antepassados a uma faixa etária espeÉ dos Estados no mundo cífica. O local escolhido Unidos, mais especifi- espiritual ao foi a Capela Moreira, camente da cidade de localizada no bairro Pio Salt Lake City, onde serem batizados X, em uma pequena via está localizada a sede na Terra de apenas uma quadra, mundial da Igreja, que vizinha da Rua Moreisaem os registros rera César e da Avenida ferentes à expansão do mormonismo Rossetti. Logo na entrada, missionápelo planeta. Os dados do relatório ofi- rios, bispo e seguidores recebem os cial, divulgado na Conferência Geral fieis e também os que visitam a igreja de 3 e 4 de abril de 2010 e relativos a pela primeira vez. 31 de dezembro de 2009, apontam um Lá dentro, devidamente acomodatotal de 2.865 estacas, 344 missões, 616 dos no salão sacramental, os frequendistritos e 28.424 alas e ramos. Já os tadores entoam cânticos, celebram o membros da Igreja somam 13.824.854. sacrifício expiatório de Cristo de forApenas em 2009 foram 119.722 crian- ma semelhante à comunhão em outras ças registradas e 280.106 leigos batiza- igrejas e escutam mensagens do bispo dos. Os missionários de tempo integral e de outros membros da congregação. chegam a 51.736. Na parte superior, uma série de salas Tanta precisão de números é perfei- abriga as várias esferas e programas tamente explicável. A Igreja, comanda- da Igreja: a Organização de Rapazes e da por um Quórum de Doze Apósto- Moças (ORM), a Sociedade de Socorro los, mantém registros cuidadosos de (mulheres adultas que prestam assisseus membros e facilita-lhes a com- tência às famílias), o Quórum do Sapilação e o armazenamento de infor- cerdócio, a Organização dos Rapazes, mações sobre sua árvore genealógica. a Organização das Moças, a Primária Esses dados são importantes devido (crianças), os Membros Adultos Solà crença na possibilidade de salvação teiros (acima de 18 anos e que sejam dos antepassados através do batismo solteiros) e os Membros Novos (seguivicário feito por seus descendentes. dores que tenham sido batizados nos A doutrina prega que a salvação dos últimos 12 meses). mortos poderá ser alcançada se os anA reportagem deparou ainda com tepassados aceitarem o Evangelho no uma programação especial dedicada ao mundo espiritual – as ordenanças sal- jejum, que costuma ocorrer sempre no vadoras para os mortos são feitas pelos primeiro domingo de cada mês. Convivos nos templos. forme Peruzzo, nesse dia os seguidores Toda essa história tem base em fatos se abstêm de duas refeições consecutiocorridos, segundo eles, há quase dois vas, doando o dinheiro que teriam gasséculos, em 1820, nos Estados Unidos. tado com a comida – ou até mais, se Joseph Smith, um filho de fazendeiros suas condições financeiras permitem – da Nova Inglaterra, mudou-se para a programas da Igreja que ajudam aos Manchester, em Nova York, e, com mais necessitados. Essa contribuição é grande interesse em debates sobre reli- denominada por eles como oferta de

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Capela mórmon em construção no bairro Exposição deverá ficar pronta em julho, ampliando a estrutura da Igreja que reúne 3 mil seguidores em Caxias

jejum. Também no primeiro domingo, ever estudam os preceitos da religião os membros têm a oportunidade de individualmente. Das 9h às 10h, essa declarar a sua fé, uma prática conheci- tarefa é feita em dupla. Entre 10h e da como “prestar testemunho”. 10h30min, dedicam-se ao aprendizaEsses testemunhos englobam desde do da Língua Portuguesa. Finalizadas relatos da semana e do cotidiano dos as atividades em casa, os dois seguem fiéis até mensagens de reafirmação da para a missão nas ruas até o meio-dia. doutrina pelos missionários em ativi- O almoço costuma ser sempre na casa dade. Atualmente, seis de algum dos fiéis e é deles (quatro rapazes, previamente agendado. os élderes, e duas mo- “Nem sempre Na sequência, das 13h ças, as sisters) atuam as pessoas às 21h, retomam o tranas ruas de Caxias. balho de evangelização. Com a crença de que param para Costumam abordar Jesus é seu “Salvador ouvir. Quando passantes e visitar caPessoal” e espelhando- percebem o sas de famílias, algumas se no exemplo e nos sotaque, alguns com horário marcado, ensinamentos de Crisoutras escolhidas aleto, eles se integram acabam indo atoriamente nos bairaos mais de 70 mil embora”, ros – Bom Pastor, Ana membros que se com- conta Cheever Rech e Salgado Filho prometem, às próprias foram alguns dos concustas, a servir voluntemplados mais recentariamente pelo mundo. O proselitis- temente. mo, por sinal, é outra característica Conforme Cheever, são visitadas em que desperta a curiosidade entre os torno de cinco famílias por dia, o que leigos na doutrina. resulta em uma média de 15 novas pessoas a conhecer os ensinamentos mórQuando completam 19 anos, os mons. Além da explanação da doutrijovens mórmons são convidados a atu- na, eles convidam os fiéis para visitar ar como missionários, podendo optar alguma das capelas e distribuem folheou não pela atividade. Os rapazes pas- tos e exemplares do livro sagrado. A sam dois anos nessa função. As moças, abordagem nas ruas é um pouco mais um ano e meio. Geralmente, eles são complicada. “Nem sempre as pessoas enviados para cidades, estados e países param para ouvir. Quando percebem bem distantes de sua origem. “A deci- o sotaque e a nossa fala mais devagar, são cabe à direção da Igreja, que ava- alguns acabam desviando e indo emlia os locais onde há uma necessidade bora”, completa Cheever, enrolando maior desse trabalho”, explica Peruzzo. a língua. A missão encerra-se às 21h, É do estado americano de Utah, mais quando os dois retornam para casa, faespecificamente das cidades de Ogden zem uma refeição e planejam as ações e Orem, que vieram Tyson Jorgensen e do dia seguinte. O horário para dormir Kelly Cheever, ambos de 21 anos. Él- também é fixo: 22h30min. Isso tudo de der Jorgensen e Élder Cheever, como segunda a sábado. Como o domingo é aparecem identificados no crachá de o dia sagrado, a única folga ocorre às metal fixado à camisa, seguem à risca terças-feiras. Nesse dia, os missionátodas as normas da religião desde o rios aproveitam o turno da manhã para desembarque em Caxias do Sul, há um lavar roupas, arrumar a casa e usar o ano e sete meses. Instalados em um correio eletrônico. A checagem de eapartamento alugado na Rua Pinheiro mails é feita sempre em lan houses e Machado, no Centro, eles obedecem a com os endereços e o provedor da próuma rotina pautada por atividades cro- pria igreja. O uso do celular também nometradas a partir do momento em só é permitido às terças, sendo restrito que acordam. a contatos com colegas, coordenadores Das 6h30min às 7h, praticam flexões e outros representantes da missão no e outros exercícios físicos. Banho e café Estado. da manhã ocupam o horário entre 7h No apartamento, Jorgensen e Cheee 8h. Das 8h às 9h, Jorgensen e Che- ver dispõem de duas camas, geladeira,

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fogão, sofá e uma mesa para as refei- que sustenta a família ficar desempreções. Não leem jornais, não possuem gado, por exemplo, ele terá condições TV, rádio, telefone fixo nem compu- psicológicas para contornar o probletador. Também não frequentam cine- ma com mais tranquilidade”, explica, mas, nem saem à noite. Bares, boates completando que esse hábito possibie shows são vetados. O lazer resume- lita ainda doações em casos de emerse a passeios em parques ou visitas a gência. Exemplo disso, segundo ele, museus. Já o contato telefônico com a ocorreu após o terremoto que atingiu família ocorre apenas duas vezes por o Haiti, em janeiro – kits de higiene ano, no Natal e no Dia das Mães. No pessoal e artigos de emergência para último domingo, por exemplo, os dois recém-nascidos foram enviados pelos fizeram a primeira ligação de 2010 mórmons às vítimas. para os pais e irmãos, nos Estados UniOs mitos de que a religião permite a dos. A outra seria em 25 de dezembro, poligamia – uma prática limitada aos mas como o encerramento da missão primórdios da Igreja e extinta em 1890 está previsto para daqui cinco meses, – ou de que apenas 400 mil pessoas temuito provavelmente esse contato será rão direito ao Reino dos Céus também feito pessoalmente. são negados. O mesmo acontece com Em outubro, os dois planejam retor- as acusações de racismo. Atualmente, nar à cidade natal e retomar os estudos os negros estão assumindo muitas coem Fisioterapia. Jorgensen joga beise- ordenações da Igreja, principalmente bol e pretende aplicar o aprendizado nos Estados Unidos. Muitas pessoas auxiliando as equipes. “Gosto muito de têm curiosidade ainda sobre a roupa esportes e quero seguir nisso”, resume, íntima mórmon, chamada de garment. com acentuado sotaque. Cheever espe- Ele costuma ser usado após a primeira ra arranjar uma nova namorada, pois visita a um templo, um ano depois de acabou rompendo com a última depois os fiéis terem sido batizados em algude alguns meses longe de casa. “Que ma das capelas. “São um símbolo e um garota ia aguentar falar com o namora- lembrete dos convênios especiais e das do apenas uma vez por semana, e por promessas que os mórmons fazem com e-mail?”, argumenta. Os dois, no en- Deus”, explica o conselheiro Oscar. tanto, incentivam a prática missionária O garment é constituído de duas como impulsionadora do crescimento peças: uma camisa, cobrindo ombros, pessoal e da própria crença. “É impor- peito, costas e barriga, e uma bermutante que os leigos conheçam melhor da, que se estende até o joelho. Feito de o nosso trabalho”, diz uma variedade de teciCheever, referindo-se a dos leves, geralmente um certo desconheci- Costumes brancos, é definido mento de grande parte peculiares, como como uma espécie de das pessoas sobre os enemblema de pureza fío de estocar sinamentos da religião. sica e de proteção dos alimentos e vestir seguidores. Os devotos A afirmação faz o garment, uma entendem ainda que um certo sentido. A roupa íntima os garments devem ser notória discrição dos removidos somente mórmons já suscitou a exclusiva, geram em situações especídisseminação de algu- curiosidade ficas, como ao nadar, mas lendas. Uma delas entre os leigos se banhar, ir à praia ou diz respeito ao hábito ao ter relações íntimas, de estocar provisões e aconselhadas apenas água. Trata-se de uma prática antiga, depois do casamento. Sobre fidelidamas que nada tem a ver com a espe- de conjugal, aliás, Peruzzo cita o livre ra pelo fim do mundo, como alguns arbítrio, mas prega que “devemos nos leigos apregoam. Conforme o coorde- entregar somente àquela pessoa com nador Peruzzo, o que existe é a defesa quem estamos preparados a assumir da autossuficiência, um plano de bem- um compromisso completo e marital, estar. “As famílias chegam a estocar mostrando o nosso amor para com alimentos, sim. Se o pai ou a pessoa Deus e para com o nosso cônjuge”.

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Superação esportiva

formando

superatletas oucos segundos, às vezes milésimos, são o limiar entre o velocista campeão e o segundo lugar. Força e estatura selecionam quem está apto a ser um jogador profissional de vôlei ou basquete. No futebol, o atleta que não possui forte musculatura nas pernas dividirá grande parte da sua carreira entre gramados e departamento médico. O esporte aliado a grandes patrocinadores, gera novas tecnologias de medicina esportiva capazes de aperfeiçoar tanto o rendimento quanto a saúde. Concorrendo com instituições nacionais, a Universidade de Caxias do Sul (UCS) larga na linha de frente nesta corrida em busca da formação do superatleta. O Instituto de Medicina do Esporte (IME) da UCS é o que há de mais avançado no setor na região. Além de tratar jogadores profissionais de diversos clubes e atletas da Vila Olímpica da UCS e do Programa UCS Olimpíadas,

com um campo de futebol como paisagem, aguarda que João Paulo Sarturi, 14 anos, membro da equipe de futsal, dê seus primeiros passos. “A esteira começa bem devagar e vai aumentando a velocidade. Quando não aguentares mais, me avise para pararmos”, explica o médico Henrique Pinheiro. Eletrodos conectados no peito de João transmitem as informações cardíacas para o monitor. “O teste ergométrico visa avaliar arritmias, capacidade aeróbia e pressão arterial. No caso de João, ele disse sentir palpitações quando joga futebol e por isso está fazendo o exame”, conta o médico. Em alguns minutos a esteira começa a obter velocidade e o jovem atleta corre. Seus batimentos cardíacos passam rapidamente de 120 para 130. “Como ele é um atleta, que possivelmente vai se tornar profissional, temos um programa específico. A esteira tem uma inclinação de 1% e a velocidade dela é mais rápida do que quando aplicado para uma pessoa sedentária.” Logo após completar oito

atlética da UCS e é referência nacional no esporte. Apesar da pouca idade, Diogo tem oito anos de experiência e vitórias. A conquista de oito títulos do Troféu Brasil em diversas categorias e dois vice-campeonatos no brasileiro resumem o sucesso de sua carreira. O exame servirá para melhorar sua capacidade física, e por consequência, diminuir seus tempos. “Já tive lesões nos dois joelhos. Fiquei oito meses sem treinar. Agora quero baixar o tempo do meu recorde de 49min55s para 46 minutos na próxima competição que começa dia 28 de maio em Porto Alegre”, conta o rapaz. O desejo de superar obstáculos, diminuir tempos, aumentar capacidades físicas e vencer adversários ganha reforço de exames cada vez mais específicos. O Biodex, máquina que realiza a avaliação isocinética, é capaz de oferecer um exame objetivo e personalizado da estrutura física. “Se o atleta apresenta diferenças nos músculos da perna esquerda para a direita, a máquina

Alegre. Ele faz toda a avaliação muscular, pico de força máxima, variações musculares. Com esses dados em mãos é mais fácil trabalhar cada atleta, lesão e sobrecarga. Trabalhamos com o que cada atleta precisa”, revela. Há três semanas os jogadores do Juventude realizaram os exames completos de pré-temporada, logo após a reapresentação. Com as informações em mãos, Rodrigo iniciou os treinamentos da parte física já no início de maio. “Atualmente estamos em uma fase de treinamento mais físico. Em junho, priorizaremos a parte técnica e tática, sempre acompanhado de trabalhos físicos. Em julho, intensificaremos o trabalho de campo pois já começa o Campeonato Brasileiro (dia 18).” O time do Caxias, principal adversário do Juventude, aguarda até 21 de maio para realizar os testes em seus atletas. O preparador físico, Carlos Fabiano Mazolla Vieira, diz que serão feitos os exames isométricos, frequência cardíaca e esforço físico. Essas inforFotos: Douglas Trancoso/O Caxiense

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por JOSÉ EDUARDO COUTELLE jeduardo.coutelle@ocaxiense.com.br

Especialistas e aparelhos modernos fazem o Instituto de Medicina do Esporte da UCS ser uma referência

No IME, atletas têm capacidade otimizada com diagnóstico de aparelhos e acompanhamento especializado

o instituto oferece seus serviços para qualquer pessoa que deseje fazer avaliações preventivas de saúde. O médico Juliano Augusto Ziembowicz, especializado em Medicina do Esporte, conta que diversos grupos de reabilitação, que incluem cardíacos e diabéticos, são atendidos no instituto. “Nossa preocupação é com a prevenção da morte súbita e a longevidade do atleta. Após a morte do jogador Serginho, do São Caetano, passamos a nos preocupar mais. Mesmo nos atletas de categoria de base fazemos alguns testes. Eles são crianças, mas podem apresentar alterações quando exigidos ao extremo”, explica.

minutos e atingir sua máxima capacidade cardíaca a esteira começa perder velocidade até parar. Mesmo com o resultado positivo, o atleta não está livre de novos testes pois não identificou a causa de sua palpitação. “Ele vai ter de fazer outros exames. O teste ergométrico não é o mais indicado para este caso. Existe um equipamento chamado Holter. Ele na verdade é um eletro que acompanha o paciente por 24 ou 48 horas. Nesse período ele registra todos os picos dos batimentos cardíacos. Mas esse aparelho não tem no IME. Ele vai ter de fazer em outro lugar”, informa o médico.

Na tarde de quarta-feira (12), as equipes de atletismo e futsal das categorias de base estavam fazendo exames de prevenção, realizados rotineiramente no início dos campeonatos. A esteira ergométrica posicionada de frente para uma janela envidraçada

Sentado sobre um banco no corredor, Diogo Mello da Rosa, 17 anos, aguarda a avaliação isocinética, exame que avalia a parte osteo-muscular, todas articulações do corpo e possíveis desequilíbrios musculares. O jovem rapaz faz parte da equipe de marcha

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é capaz de fazer o diagnóstico, e também o treinamento e o tratamento. Ele nos dá algo objetivo”, explica Juliano Augusto Ziembowicz. Essa personalização, no qual cada preparador físico pode construir um treinamento para o atleta com base em informações extremamente precisas, tem como resultado obter o máximo da pessoa com menor risco de lesões. Os clubes da região perceberam essas vantagens e passaram a acompanhar de perto a vida profissional de seus atletas nos mínimos detalhes. O preparador físico do Juventude, Rodrigo Poletto, que tem passagem pelo Dínamo de Moscou, seleção do Panamá e Paysandu, conta que sempre em que esteve no comando da função no time alviverde encaminhou os jogadores para o tratamento no IME. “A avaliação física é muito importante. O Biodex, fora a UCS, só tem em Porto

mações irão para um banco de dados. Nele vai constar toda a vida profissional do jogador, incluindo o número de jogos, cartões recebidos, primeiros testes e condição física. Fabiano explica que é comum os atletas apresentarem uma pequena variação entre grupos musculares. “Isso pode acontecer pelo fato de o jogador estar muito tempo parado ou voltando de lesão.” Mas grandes diferenças podem causar problemas em campo. O preparador físico lembra que o volante Renan teve dificuldades para acompanhar o ritmo dos demais atletas no início deste ano. E a causa foi uma diferença de 3% da musculatura de uma perna para a outra. “O comum é um percentual de até 1%. No caso do Renan, com tratamentos específicos conseguimos diminuir essa diferença e ele até jogou algumas partidas”, lembra Fabiano. Cada detalhe pode fazer a diferença na formação de um superatleta. 15 a 21 de maio de 2010

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Fé & tradição

Douglas Trancoso/O Caxiense

Festa para o

Divino Espírito Um queijo de 150 quilos, mais de 12 mil tortéis e leilão de 25 terneiros atraem festeiros que celebram a fé e a cultura açoriana na Festa do Divino

A pomba branca representa o Espírito Santo, celebrado no evento que a comunidade conduz na forma de novena

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por ROBIN SITENESKI erca de 30 pessoas organizavam, na quarta-feira (12), a sexta comemoração da festa em homenagem ao Divino Espírito Santo – no total, serão nove festejos, o última neste sábado. Os preparativos, que incluíam fazer 12 mil tortéis, movimentaram o salão paroquial da capela do distrito de Criúva. O ritual, que envolve jantares no salão próximo à igreja, se repete nove vezes, caracterizando uma novena. A repetição do número não é casual. Significa três vezes a Santíssima Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo. A tradição faz parte da Festa do Divino, uma herança açoriana que sobrevive na região de colonização predominantemente italiana e reúne mais de 300 pessoas a cada celebração. A festeira Inês Zachin Luqui, 60 anos, participa da Festa há três décadas. “Faço parte da comunidade. Ou participo, ou caio fora”, comenta, bem humorada, durante um intervalo dos trabalhos culinários. O sentido comunitário é o que norteia a Festa do Divino. O marido de Inês, Adelir João Luque, é responsável por uma das atrações do domingo, após o encerramento da Festa. Ele cuida do queijo de cerca de 150 quilos que vai ser leiloado às 18h. A tradição manual de preparação do queijo teve de ser modificada. Quando começaram a prática, em 1991, o queijo pesava “apenas” 45 quilos. Até 80 quilos, continuou sendo feito manualmente. Agora, é necessária a ajuda de uma máquina hidráulica para

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virá-lo. A fartura é herança das origens da Festa. Isabel de Aragão (1271-1336), rainha de Portugal, foi quem realizou a primeira Festa do Divino, no século XIII. Ela costumava distribuir com o mordomo donativos para os pobres. O rei D. Dinis, que era ateu, desaprovava o envolvimento da princesa com caridade, como explica o ministro da Festa do Divino do bairro Santa Fé, Lindomar Mendes. Ele conta que foi preciso um milagre para mudar a opinião do monarca: “Um dia, ela estava levando comida no avental e o rei perguntou o que era. Ela disse que eram flores para o jardim do palácio. Ele pediu, então, que mostrasse. Os donativos se transformaram em flores e isso ficou conhecido como o milagre das rosas”. Durante a primeira Festa, a rainha ofereceu o bodo, um banquete para os menos afortunados. O nome é o feminino de bodas, que significa promessas. O costume do bodo foi resgatado na celebração do bairro Santa Fé, assim como o da representação da rainha e do mordomo. O costume chegou ao Sul do Brasil em 1747 com imigrantes portugueses que desembarcaram onde hoje é Florianópolis. Açorianos vindos de Laguna (SC) trouxeram a tradição para os Campos de Cima da Serra. Em Criúva, a Festa acontece desde o final do século XIX. Após um período de cerca de 15 anos sem a realização da Festa, ela foi retomada em 1971, tornando-se o evento mais importante do distrito. “Para mim, é um grande ato de fé. Temos uma devoção infinita ao Espí-

rito Santo. Não há como imaginar minha trajetória sem a Festa. Faço parte dela desde criança”, conta Luís Alberto Soldera, um dos 80 voluntários que trabalham nos nove dias de Festa. Ele mostra a pequena galeria de fotos dos festeiros que já fizeram parte da louvação e conta o número de familiares. Há pelo menos sete parentes, entre eles, seu pai e sua mãe. A primeira bandeira do Divino chegou a Criúva em 1890. Na época, as festas eram apenas um almoço, patrocinado por pessoas distintas na localidade. Atualmente, a Festa do Divino se aproxima da tradição portuguesa e começa no terceiro domingo de maio. É precedida por uma comitiva vestida a caráter, que oferece a bênção aos moradores e empresas por onde passa. Ao encerrar a celebração, começam os preparativos para a Festa do Divino do próximo ano. Além de planejar os detalhes do cardápio e escolher as bandas que se apresentarão em cada noite, uma comissão arrecada donativos. Cada um participa como pode, doando leite para a confecção do queijo ou terneiros para leilão – neste ano, 25 serão leiloados. Toda dedicação não é somente para divulgar o distrito. “Quando convidamos os amigos, não podemos deixá-los sem bom atendimento”, afirma Soldera. Para o historiador Luiz Antônio Alves, a Festa atual agregou novas práticas, além das açorianas. “Ela sofreu muitas modificações. Teve influência dos imigrantes portugueses e dos tropeiros paulistas. Em Portugal,

até hoje as pessoas se vestem de terno e gravata nos dias de festa. É uma liturgia que não existe aqui”, explica. Além de Criúva, do bairro Santa Fé e do distrito de Vila Seca, a Festa é realizada em todo país. “Onde existem descendentes de imigrantes portugueses, se celebra a Festa do Divino”, afirma. O historiador, que está finalizando o livro A História de Criúva, conta que a Festa era a mais importante de Caxias até 1920. “A Igreja Católica perdeu, com o tempo e o aparecimento de novos Santos e milagres, a parte lúdica, de lendas e dogmas”, observa. Para Alves, o nível de conhecimento por parte da população sobre a Festa tem relação com um processo de dominação cultural. “Uma geração se sobrepõe a outra e impõe uma nova cultura. Isso às vezes é implícito e, outras, explícito. A tendência é que se enterre um pouco da cultura passada”, afirma. No salão paroquial de Criúva, apenas uma das 30 pessoas que trabalhavam na quarta-feira tinha descendência açoriana, a maioria era descendente de italianos. O cardápio da Festa também representa esse processo. Polenta, churrasco, massa e sopa de agnoline estão entre os pratos servidos. “A festa se sobrepôs a um massacre da cultura dos imigrantes italianos. Muitos descendentes incorporaram as duas culturas. Caxias do Sul tem duas histórias: uma que começou em 1885 e outra que começou 100 anos antes. A mais antiga é pouco lembrada. Criúva é um povoado bem brasileiro que tenta sobreviver em uma região que quer ser italiana”, avalia Alves.

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Julio Calegari, Arquivo Histórico João Spadari Adami/O Caxiense

Lembranças de Guerra

Comício nacionalista realizado em frente ao Clube Juvenil, em 1942, incentivou os jovens a entrarem na guerra

A maior

batalha dos caxienses O

por VALQUÍRIA VITA valquiria.vita@ocaxiense.com.br

dia estava bonito demais para ser um dia de batalha. O rigoroso inverno já havia terminado, e a neve espessa dava lugar a um agradável ar de primavera naquele 20 de abril de 1945. A pequena e antiga cidade de Zocca, no norte da Itália, tinha apenas uma rua principal e poucas casas, todas feitas de pedra. Algumas estavam em ruínas e nenhum morador havia permanecido na cidade. Tudo estava em silêncio quando o pelotão de quase 40 homens da Força Expedicionária Brasileira (FEB) entrou na cidade aparentemente deserta. Subitamente, tiros de metralhadoras começaram a atingir os soldados brasileiros, que precisaram se jogar para dentro das casas para se proteger. Assim que identificaram que os disparos vinham de soldados alemães posicionados no campanário do alto de uma igreja, os brasileiros prepararam a bazuca que carregavam. No primeiro tiro, erraram. No segundo, acertaram em cheio no sino. As metralhadoras cessaram. “Subimos no campanário e vimos que havia três mortos e que um dos alemães havia fugido. Foi lá que eu vi que queria voltar para casa. Lá que vi que a coisa estava preta.” A frase acima é do ex-combaten-

te Alberto Arioli, hoje com 84 anos, um dos 133 caxienses que integraram o Exército brasileiro na campanha dos Aliados contra o nazismo, durante a 2ª Guerra Mundial. Depois de 65 anos do fim da maior de todas as guerras, Arioli é um dos oito ex-pracinhas de Caxias ainda vivos e o único que fala com naturalidade sobre o período. A idade avançada fez com que alguns esquecessem a maior parte dos acontecimentos ocorridos nos meses em que guerrearam na gelada Itália. Outros, por recomendações médicas, não ousam relembrar aquele ano sangrento. E ainda há aqueles que são protegidos pela própria família para não falar sobre o assunto, a fim de evitar os pesadelos que insistem em voltar à noite. Para entender como Arioli pegou em armas é preciso antes entender como o Brasil entrou na guerra. Em 1941, quando Pearl Harbor, nos Estados Unidos, é bombardeada pelo Japão, o Brasil se declara ao lado dos países Aliados, no combate às nações do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Em represália, os alemães afundam 36 navios mercantes brasileiros, matando mais de 1 mil civis. A partir daí intensifica-se a pressão popular para que o Brasil entrze no conflito Não foi diferente em Caxias. Grandes comícios

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Há 65 anos, 133 heróis locais alistados na Força Expedicionária Brasileira ajudaram os Aliados a derrotar os nazistas e fascistas na Itália agitaram a cidade e começou-se a se- homens viajaram sentados no chão, e lecionar voluntários para lutarem ao as necessidades tinham que ser feitas lado do 5º Exército Americano. “Eu fui num buraco que havia no vagão. num dos comícios aos 18 anos. No dia Chegando ao Rio de Janeiro, os solseguinte me apresentei. No total, em dados caxienses se misturaram com Caxias foram 121 voluntários que es- homens de todo o Brasil e embarcaram tavam servindo ao Exército e 12 civis em uma navio rumo à Itália, onde o que ainda não tinham exército nazista havia se alistado. Não sei se ocupado a maior parforam os comícios, “Subimos no te do território, junto aquela conversa de campanário e com alguns fascistas honra, de ‘vamos matar remanescentes. A FEB vimos que havia os alemães’. Mas a gente enviou à guerra mais foi entusiasmando para três mortos e de 25 mil soldados, que brigar com os inimi- que um dos se instalaram no norte gos”, relata Arioli. do país. alemães havia “Alguns pracinhas necessários fugido. Eu queria 15Foram disseram que o fato dias de viagem para de os alemães terem voltar para chegar à Itália. O navio afundado os navios e casa”, diz Arioli americano, adaptado ainda terem atirado para o transporte micom metralhadoras nas litar, comportava 4 mil pessoas que tentavam se salvar foi o homens bem apertados. Para tantos que fez com que eles quisessem entrar soldados era possível dar comida apena guerra”, explica Katia Campagnolo, nas uma vez por dia, em turnos. O hocoordenadora do Museu dos Ex-com- rário de Arioli era às 4h da manhã. Ele batentes da Força Expedicionária Bra- recebia comida típica americana: ovos sileira (FEB) de Caxias. cozidos, maçã da Califórnia, arroz e Em novembro de 1944 houve uma feijão. “A gente guardava a comida para despedida em frente à Catedral para o resto do dia”, conta. os 133 soldados caxienses que partiDesembarcaram em Nápoles e, deram para o Rio de Janeiro. A duração pois de treinamentos, foram incorpoe as condições da viagem de trem até rados ao 5º Exército Americano. “Esse o Rio deram uma prévia do que estava exército era uma mistura de raças, oito por vir. Por uma semana, cerca de 700 países faziam parte. Quem nos treinou 15 a 21 de maio de 2010

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eram os piores”, revela. E completa: “Sempre perguntam quantos a gente matou. É difícil saber isso, mas matamos muito. Graças a Deus, na maioria das vezes não se via se caía ou não. Às vezes a gente abria fogo e quando ia ver estavam três, quatro mortos. Mas o importante não era matar. O principal era fazer prisioneiros e tomar o território”, explica o ex-pracinha caxiense, que só ficou sabendo dos terríveis campos de concentração de Hitler após o final da guerra.

Em maio de 1945, os soldados da FEB receberam a notícia que deveriam cessar fogo e a comemoração Arioli participou da Batalha começou. Arioli conta que não deu de Montese, onde os brasileiros fize- tiros para cima como os outros. “Mas ram 300 prisioneiros. “Eles se entre- tomei um porre...” Dos 457 soldados garam porque a gente bombardeou brasileiros que morreram, nenhum era um monte”, conta ele. Também em caxiense. depoimento preservado no Museu, o Na chegada ao Rio de Janeiro, em ex-combatente Olices Guerra, já faleci- julho de 1945, praticamente toda a do, narra as dificuldades enfrentadas: cidade assistiu à volta dos pracinhas, “Na tomada de Montese, tínhamos que recebidos como heróis. “Passamos na passar por uma ponte. Ela estava toda frente de um palanque e tinha o Geminada. Mas o pelotão de caça-minas túlio Vargas. Aviões fizeram rasantes foi na frente e tirou tudo. Porque o ale- para a comemoração. O desfile comemão fazia o seguinte: se çou às 13h e se estentinha uma ponte para deu até as 21h. O povo passar, ele abria outra “Não falavam invadiu, arrancaram o picada e passava por publicamente, símbolo da cobra, os baixo. Nós não sabíabotões, nos abraçavam, mas, debaixo mos se a ponte estava nos beijavam, estavam minada ou não. Então dos panos, histéricos.” ia um pelotão de reco- achavam que No Rio, os pracinhas nhecimento com apa- Mussolini estava ficaram uma semana, relhos para retirar os sempre uniformizados, certo”, afirma explosivos e dar passachamando a atenção o historiador gem para a tropa”. de todos e contando Outro grande feito Juventino Dal Bó as histórias incansarecordado por Arioli velmente. Durante foi o aprisionamento aqueles dias, cinema e de 18 mil alemães em uma das bata- bonde eram gratuitos para os soldados lhas, na região da Toscana. “A gente da FEB. De lá, foram a São Paulo, onde não tratava mal os prisioneiros. ‘Non desfilaram novamente. “Foi a mesma kaput’ (o que queria dizer algo como coisa. Eu já estava um flagelado”, lem‘não me mate’), diziam os alemães, de- bra Arioli, aos risos. No dia da volta de sesperados, com as mãos na cabeça. São Paulo a Caxias, quando ele estava A gente não os matava. Os britânicos pronto para embarcar, pediram se al3.

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1. Infantaria da FEB apoiando ataque a Monte Castello; 2. Arioli relembra os sete meses em que ficou na frente de combate; 3. Tropas brasileiras regressam ao Rio de Janeiro; 4. Treinamento na cidade de Collechio

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Fotos: Arquivo Museu dos Ex-combatentes da FEB

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trincheiras nas rochas, as chamadas casamatas. “Para chegar lá, só com aviões. Os alemães enxergavam tudo lá de cima. Eles haviam chegado antes, então estavam melhor posicionados”, diz Arioli. Em depoimento exposto no Museu da FEB, outro ex-combatente, Plínio Micheli, descreve: “Foram os brasileiros que subiram no Monte Castello, foram eles que fizeram a patrulha de reconhecimento. A patrulha é a pior missão que tem para um soldado. Na patrulha vão sete, oito soldados na frente para descobrir o inimigo. É difícil. Quem está parado enxerga melhor do que aquele que está andando”.

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foram os oficiais americanos, filhos de os soldados abriam uma caixinha com portugueses, para que a gente enten- comida como sardinha, arroz e feijão, desse o que eles estavam falando.” acondicionados em pequenas latas. Os soldados receberam um novo Havia também café em pó e chiclete. uniforme verde oliva e um capacete “A comida era boa, nutritiva, mas era de ferro. Para os períodos frios, ga- fria.” Em algumas ocasiões, os brasileinharam uma roupa mais grossa e bo- ros dividiam os alimentos com os hatas de combate forradas bitantes famintos das com pele de carneiro. vilas italianas. “BrasiNo lado direito do bra- “Criou-se liani, nostri liberatori” ço do uniforme havia o um caos (“Brasileiros, nossos símbolo do 5º Exército inacreditável. libertadores”), eram Americano, e do lado saudados. O pavilhão esquerdo o símbolo da Os soldados carrecobra fumando – dese- caiu praticamente gavam um cantil de nho feito por Walt Dis- todo”, relata metal com água forney, que representava a Ivo, sobre a necida pelo Exército entrada dos brasileiros americano, já que a explosão na na guerra, pois dizia-se água dos rios poderia que o Brasil não ingres- Gazola, em 1943 ter sido envenenada saria no conflito nem se pelos alemães. “Rea cobra fumasse. cebíamos comida e Ansiosos para entrar em combate, os munição da retaguarda. Foram 17 mil jovens soldados não dormiam à noi- brasileiros que entraram em ação, mas te. A 10 quilômetros dos conflitos, do sem os outros teríamos perdido a guerinterior das barracas eles viam os ca- ra.” nhões iluminando as noites e ouviam Quando sobrava tempo durante o as centenas de aviões que seguiam dia – à noite, não se podia acender lurumo à Alemanha para bombardeá-la. zes – os soldados escreviam cartas. As O sentimento naquele momento não correspondências, porém, tinham anera de medo, mas de vontade de entrar tes que parar no Rio de Janeiro, onde na guerra. Pelo menos para Arioli. eram censuradas pelo serviço especial da FEB. Nos textos não podia haver Carregando uma metralhadora nada de negativo, do tipo “não quero Thompson de 22 tiros, Arioli foi fi- mais saber disso”, ou “meu companheinalmente liberado para a batalha em ro morreu”. Da mesma forma, as cartas 1945, combatendo durante cerca de que saíam do Brasil para os soldados sete meses – com a sensação de que não podiam levar notícias ruins: “Se “cada dia foram 10”. Fazia parte da in- recebia uma carta com uma frase corfantaria, que seguia a pé ou de jipe. As tada era porque lá tinha uma má notíordens para avançar ou não vinham cia. E a gente não podia nem colocar o dos americanos, liderados pelo Gene- nome da cidade em que estávamos, era ral Mark Clark. Quando a parada era apenas Itália. Mesmo assim, quando o maior, cada soldado fazia um buraco carteiro aparecia era um acontecimenna neve com uma pá para colocar sua to fantástico”, conta Arioli. cama-saco nos chamados fox holes, ou Ele ressalta duas grandes conquistas “buracos de raposa”, que os ajudavam a dos brasileiros na Itália que contaram se proteger das pavorosas temperatura com apoio de caxienses: as batalhas de de até -20º. Monte Castello e Montese. Foi muito Durante a batalha não existia hora difícil se aproximar de Monte Castello, para a refeição. Quando era possível, porque os alemães se abrigavam em


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Se os pracinhas perceberam que estavam mesmo em guerra no dia em que desembarcaram em Nápoles e viram a cidade destruída, a população de Caxias se deu conta de que existia uma guerra e que Caxias fazia parte dela ao ouvir uma sequência de três explosões da Gazola, Travi & Cia. A empresa, considerada de interesse militar pelo Exército nacional desde o início do conflito, estava produzindo artefatos bélicos. O acidente aconteceu numa quintafeira de julho de 1943, por volta das 9h da manhã. Ivo Gazola, na época com 17 anos, trabalhava isolado na produção do fulminato de mercúrio, que carregava as granadas. Quando ouviu as explosões pensou imediatamente nos dois irmãos, que trabalhavam no prédio principal. “O Remy, meu irmão mais novo, trabalhava na mesma mesa de quatro mulheres que morreram. Lembro dele saindo dos escombros todo ensanguentado e com os braços abertos e do Henrique ferido, rolando no morro da fábrica”, conta Ivo, hoje com 84 anos.

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Benito Mussolini. Há quem diga que o próprio empresário Abramo Eberle era um destes últimos. “Havia clubes fascistas em Caxias. Assim como em Porto Alegre e Novo Hamburgo algumas comunidades consideravam Hitler um líder fantástico, aqui na região existia quem considerasse Mussolini um líder de caráter internacional. A sede ficava onde hoje é o Hospital Pompéia, mas eles faziam reuniões em outros locais, entre eles, no Clube Juvenil. A maioria das pessoas de Caxias era fascista. Não falavam isso publicamente, mas, por debaixo dos panos, achavam que Mussolini estava certo, que ele estava fazendo maravilhas na Itália”, sustenta Dal Bó. “Assim que o governo brasileiro entra na guerra e toma partido contra Hitler e Mussolini, esses grupos se desfazem, se disfarçam”, completa. Além da briga entre os dois grupos, Caxias ficou longe do sossego durante o período do conflito mundial por causa do clima de guerra que se instalou aqui. Não era permitido que as luzes ficassem acesas depois das 22h, quando ocorriam os chamados blackouts, e havia treinamentos de ataques aéreos. “As pessoas tinham instrução para ter abrigo nas casas. Havia uma sirene instalada na praça: quando tocava, todos tinham que se abrigar”, diz Katia. “Existia um projeto de abrigo antiaéreo na Eberle. Porque eram as empresas que estavam fabricando artefatos durante a guerra, e se houvesse um bombardeio elas seriam as primeiras a ser atacadas”, explica Dal Bó. Na próxima quarta-feira (19), será lançado um projeto para lembrar a participação caxiense no conflito encerrado há 65 anos. O Caixa de Memória: Caxias do Sul e a 2ª Guerra Mundial oferecerá um baú de materiais para alunos de todas as redes de ensino estudarem o episódio histórico. A caixa poderá ser usada pelas professoras para complementar a visita ao Museu dos ex-combatentes, que fica na Visconde de Pelotas, 249. “É para os alunos não acharem que a 2ª Guerra aconteceu apenas lá, que não envolveu o Brasil. E para mostrar os valores cívicos desses jovens que lutaram”, ressalta Katia – como muitos, uma apaixonada pelo tema 2ª Guerra Mundial. Douiglas Trancoso/O Caxiense

Hoje, Arioli gosta ver filmes de guerra, diferentemente de muitos de seus colegas. Costuma assisti-los para ver se é verdade o que aparece na tela. Acha absurdo quando “o mocinho ganha todas” e também não lhe agrada muito a bandeira americana tremulando em todos os filmes, mas tem os seus favoritos: O Dia D, O Resgate do Soldado Ryan e aqueles que muito bem retratam a loucura da guerra, Platoon e Apocalipse Now. Diversas vezes o ex-combatente voltou à Itália. Numa das viagens levou as duas filhas. Na cidade de Montese, onde o pai lutou e ajudou os Aliados a vencerem a guerra, as filhas choraram.

Ivo conseguiu embarcar com os dois afundasse. Eu lembro de ter ouvido irmãos na primeira ambulância até o o barulho naquele dia. Foi uma coisa Hospital Pompéia. Os demais feridos muito triste. Quando eu trabalhava lá foram levados pelos caminhões que diziam que de noite as seis mulheres na época trabalhavam na construção apareciam, mas isso era conversa”, conda BR-116. “Criou-se um caos inacre- ta Antônia. ditável. O pavilhão caiu praticamente Sem equipamentos de proteção, o todo. E as explosões foram ouvidas até serviço de Antônia era encher as espelas irmãs do colégio de Lourdes, que poletas de pólvora, tarefa que devia ser disseram que os pratos da mesa treme- feita calma e cuidadosamente. “Tinha ram”, relata. que puxar uma placa de ferro bem deSeis operárias morreram com a ex- vagar. Num dia puxei a placa mais ráplosão no depósito de pólvora. Nunca pido e me queimei. Foi muito dolorido, ficou esclarecido o que causou o aci- é uma coisa que gruda, perdi a pele da dente. “O Exército deu todo o apoio mão. Mas não deixei de trabalhar por para reconstruir, porisso”, diz ela, que na que tinha interesses, época não sabia para claro”, afirma Ivo. O “As pessoas onde exatamente iam trabalho na fábrica, tinham instrução as bombas. depois de um tempo, Há controvérsias voltou ao normal. Na para ter abrigo sobre o uso dos armatranquilidade do jar- nas casas. mentos. Se a história dim da Gazola ainda Havia oficial conta que as arhá hoje o monumento uma sirene mas eram fabricadas às vítimas, erguido um por empresas caxienmês depois das mortes, instalada ses como a Gazola e a com a inscrição: “Às na praça”, Eberle para prevenir o denodadas e infelizes conta Katia Exército brasileiro no companheiras de tracaso de um ataque – já balho aqui vitimadas que a FEB utilizou apequando cumpriam seu dever pelo es- nas armamento americano –, Ivo Gaforço de guerra do Brasil”. zola diz o contrário: as bombas eram As operárias que morreram eram mandadas de trem ao Rio de Janeiro e jovens, 16, 18, 20 anos no máximo. depois utilizadas nos campos de com“Temos depoimentos que dizem que bate. “Claro que ia para lá. Por que gasessas seis mulheres estavam em busca tariam fortunas com essa produção se de dinheiro para fazer seu enxoval”, diz não fosse para usar na guerra?”, quesKatia, a coordenadora do Museu da tiona. FEB. As mortes causaram uma comoção muito grande na cidade, mas, mais Outra contradição, para o do que isso, segundo Liliana Henrichs, historiador Juventino Dal Bó, é que diretora do Museu Municipal e do De- Getúlio vivia numa espécie de conflito partamento de Memória e Patrimônio com os estrangeiros que habitavam a Cultural, demonstraram uma outra região de Caxias e, antes da eclosão da situação: a participação feminina nas guerra, proibiu que falassem a língua fábricas. “Os homens foram para o alemã e italiana. “Quando começa a front, mas as indústrias precisavam guerra, o governo vai buscar ajuda juscontinuar. A 2ª Guerra foi um grande tamente entre as fábricas dos italianos, momento para as mulheres saírem de para fazer o que chamou de esforço de casa”, explica Liliana. guerra”, explica. Antônia Rossa Perini, hoje com Além da proibição das línguas es81 anos, trabalhou na fabricação de trangeiras, movimentos nacionalistas bombas na Gazola tempos depois da na cidade fizeram com que a Praça explosão. “Eles chamavam as bombas Dante Alighieri mudasse de nome de corpos, iam 100 pecinhas dentro para Ruy Barbosa, e a Avenida Itália, de cada uma. Era feito um pacote com para Avenida Brasil. Em Caxias, havia 10 bombas, que ficavam bem prote- os nacionalistas, que apoiavam Getúlio gidas caso entrassem num navio que e os fascistas, que apoiavam o italiano ????????????????

gum dos pracinhas sabia datilografar. O caxiense se prontificou. Foi incumbido de datilografar o certificado de 6 mil reservistas e ficou um mês a mais em São Paulo. “Depois disso aprendi a nunca mais dizer ‘eu sei’ quando alguém pedir alguma coisa”, diverte-se. Quando finalmente retornou a Caxias, a Alfredo Chaves, rua de sua casa, estava toda enfeitada por bandeirinhas. “Foi uma choradeira geral.”

1. Ivo Gazola mostra a principal peça da granada fabricada por ele; 2. Seção de embalagens de material bélico produzidos na Gazola na época da guerra; 3. Bombas e capacete feitos na empresa caxiense, que teve a produção controlada pelo Exército brasileiro

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Guia de Cultura

Kerry Brown, Universal Studios, Divulgação/O Caxiense

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Russell Crowe encarna Robin Hood na versão do diretor Ridley Scott, em cartaz no Iguatemi

CINEMA

l Antes que o mundo acabe | Aventura. 14h30, 16h30, 19h30 e 21h30 | Iguatemi Jovem se vê cercado de decisões a tomar, de problemas com a namorada e com o reaparecimento do pai que o abandonara. Dirigido por Ana Luiz Azevedo. Com Pedro Tergolina e Caroline Guedes. 10 anos. 102 min.. l Robin Hood | Aventura. 13h30, 16h20, 19h e 21h40 | Iguatemi Arqueiro reúne bando para saquear os ricos e distribuir os ganhos aos pobres, até precisarem se envolver em uma guerra civil para proteger seu país. Dirigido por Ridley Scott. Com Russell Crowe e Cate Blanchett. 14 anos. 140 min., leg.. AINDA EM CARTAZ - Alice no País das Maravilhas. Aventura. 13h40 e 16h10 (dub.) e 18h40 e 21h20 (leg.). Iguatemi | Caçador de recompensas. Comédia. 20h15. UCS | Chico Xavier. Drama. 18h30 e 21h10. Iguatemi. 18h15. UCS | Como treinar seu dragão. Animação. 16h40. Domingo, 16h. UCS | Homem de Ferro 2. Ação. 14h10, 16h40, 19h10 e 21h50 (dub.) e 14h20, 16h50, 19h20 e 22h (leg.). Iguatemi | Missão Quase Impossível. Comédia. 14h e 16h. Iguatemi | O Guarda-costas. Drama. Quinta (20), 15h.

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Ordovás. INGRESSOS - Iguatemi: Segunda e quarta-feira (exceto feriados): R$ 11 (inteira), R$ 7,50 (Movie Club Preferencial) e R$ 5,50 (meia entrada, crianças menores de 12 anos e sêniors com mais de 60 anos). Terça-feira: R$ 6,50 (promocional). Sexta-feira, sábado, domingo e feriados: R$ 13 (inteira), R$ 10 (Movie Club Preferencial) e R$ 6,50 (meia entrada, crianças menores de 12 anos e sêniors com mais de 60 anos). Horários das sessões de sábado a quinta – mudanças na programação ocorrem sexta. RSC-453, 2.780, Distrito Industrial. 3209-5910 | UCS: R$ 10 e R$ 5 (para estudantes em geral, sênior, professores e funcionários da UCS). Horários das sessões de sábado a quinta – mudanças na programação ocorrem sexta. Francisco Getúlio Vargas, 1.130, Galeria Universitária. 32182255. | Ordovás: R$ 5, meia entrada R$ 2. Luiz Antunes, 312, Panazzolo. 3901-1316 |

TEATRO l O Intruso | Sábado e domingo, 20h | Homem recebe um braço em transplante e acaba dominado por ele. Espetáculo do Grupo Patinhas ao Largo. Teatro do Sesc R$ 5 | Moreira César, 2.462, Centro | 3221-5233

l Em Cena | Sábado e domingo, às 20h30 | Monólogo com Maria do Horto Coelho e direção de Raulino Prezzi. Teatro Municipal – Casa da Cultura R$ 10 | Dr. Montaury, 1.333, Centro | 3221-3697 l O Santo e a Porca | Terça (18) e quarta (19), 20h30 | Empregada quer arranjar casamento para todos que a cercam. Comédia de Ariano Suassuna, dirigida por João Fonseca e interpretada pela Cia. Limite 151. Teatro São Carlos Dia 18: R$ 10 (estudante e sênior) e R$ 20 (público em geral); dia 19: R$ 20 (estudante e sênior) e R$ 40 (público em geral) | Feijó Júnior, 778, São Pelegrino | 3221-6387 l 12° Caxias em Cena | Inscrições prorrogadas até dia 31 de maio | O festival recebe inscrições de grupos e companhias interessadas em participar do evento, que devem enviar ficha de inscrição, ficha técnica, currículo do espetáculo, necessidades técnicas, material de divulgação, clipping e DVD/vídeo do espetáculo na íntegra. O material pode ser entregue pessoalmente ou pelo e-mail caxiasemcena@caxias.rs.gov.br. Regulamento e ficha de inscrição estão disponíveis no site www.caxias.rs.gov.br.

Secretaria Municipal de Cultura Luiz Antunes, 312, Panazzolo | 39011316 l Prêmio Anual de Incentivo à Montagem Teatral | Até 25 de junho | Projetos devem ser inscritos e protocolados na Secretaria Municipal de Cultura, de segunda a sexta, das 10h às 12h e das 14h às 17h. Estão destinados R$ 60 mil para os trabalhos selecionados. Edital, formulários e instruções estão disponíveis na Unidade de Teatro, no Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho. Secretaria Municipal de Cultura Dr. Augusto Pestana, 50, São Pelegrino | 3901-1316 ou 3218-6192

IMIGRAÇÃO l Festa nas Réplicas | De sexta (21) a domingo (23) | Evento comemora os 135 anos de imigração italiana, celebrando valores e tradições italianos com música, jogos, gastronomia e fé. Sexta: Missa com procissão luminosa, do pórtico à igreja. 19h30. Filó dos 135 Anos. 20h30. Salão Paroquial (R$ 20, somente antecipado, com Claudia, na Secretaria da Cultura) | Sábado: jogos de tradição italiana. | Domingo: Missa em italiano. 11h. Almoço colonial. 12h30. Salão Pa-

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roquial (R$ 25, somente antecipado, na Secretaria da Cultura). Orquestra Municipal de Sopros e Coral Municipal. 16h. Em seguida, entrega de troféus e encerramento. Réplica de Caxias 1885 – Parque da Festa da Uva Os 18 do Forte, 1690, Centro | 39011388 e 3901-1288 AINDA EM EXPOSIÇÃO: A Espera. De terça a domingo, das 8h às 20h. Jardim de Inverno – Sesc. 3221-5233 | Desenhos. Até terça (18). Campus 8 – UCS. 3289-9000 | Fragmentos. De segunda a sexta, das 8h30 às 18h e sábado das 10h às 16h. Galeria Municipal. 3221-3697 | Marias e Madalenas. De segunda a sexta, das 9 horas às 21 horas. Sábados, domingos e feriados, das 15 horas às 21 horas. Saguão – Ordovás. 3901-1316 | Soul Art. De terça a sábado, das 17h às 21h. Galeria em Transição – Teatro Moinho da Estação. 8404-1713 | Vitrine da História. De terça a sexta, das 9h às 17h. Arquivo Histórico Municipal. 3218-6114.

LITERATURA l A Mansão da Rue Lafayette | Sábado, 19h | Lançamento do livro de Luis Narval, com contos de mistério e suspense que trazem referências literárias, como autores conhecidos da literatura nacional. Do Arco da Velha R$ 35 | Os 18 do Forte, 1690, Centro | 3028-1744 l Rodas de Leitura | Segunda (17), 15h | Grupo de leitores é mediado pelo escritor Uli Bergamin. Biblioteca Pública Municipal Entrada franca | Dr. Montaury, 1333 | 3221-3697

Textos Clássicos. Auditório do Bloco E – UCS Entrada franca | Francisco Getúlio Vargas, 1.130, Galeria Universitária | 3218-2100

CORAIS l Jantar de abertura do XIV Canta Caxias | Sábado, 20h | Após jantar com cardápio colonial, coros típicos e sorteio de brindes. Salão Paroquial da Igreja dos Capuchinhos R$ 18 (adulto) e R$ 8 (infantil) | General Sampaio, 189, Rio Branco

TRADICIONALISMO l 22° Rodeio Crioulo Nacional de Caxias | Sábado e domingo| Sábado: Concurso de danças tradicionais. 13h. Cristiano Quevedo. 21h. Walther Morais. 21h30. Os Tiranos. 24h | Domingo: Concurso de danças. 9h. Concursos artísticos. 9h30. Luiz Marenco. 19h30. Pavilhões da Festa da Uva Ingressos: sábado e domingo, R$ 4, das 8h à 24h | Ludovico Cavinatto, 1.431 | 3221-1118

FESTA l Fenawiki 2010 | Até 23 de maio | Cerca de 120 expositores, gastronomia típica, shows, cultura e esporte são as atrações. Sábado: Celebration. Espetáculo do Coral Municipal de Caxias. 18h. Parque Cinquentenário Ingressos: normal, R$ 5; promocional, R$ 4. Sextas, das 14h às 22h, e sábados e domingos, das 10h às 22h. Ingresso para o Festival do Moscatel: R$ 35

MÚSICA

FILOSOFIA

l Orquestra Municipal de Sopros | Domingo, 20h | Regido pelo maestro Gilberto Salvagni e com participação dos solistas Juliano Brito e Patricia Vianna, espetáculo Vicini per Sempre apresenta músicas italianas de todos os tempos.

Cinema| Direito de Amar

l Stefano Nutti & Banda | Terça (18), 20h | Tenor apresenta repertório de músicas italianas, românticas e obras líricas, em homenagem aos 135 anos de imigração italiana de Caxias do Sul. Teatro Municipal – Casa da Cultura 1kg de alimento não perecível | Dr. Montaury, 1333, Centro | 3221-3697

por CÍNTIA HECHER

Um homem solitário

TAMBÉM TOCANDO - Sábado: AC/DC Cover RS e Babysitters. Rock. Roxx Rock Bar. 3021-3597 | Aquarius. Música eletrônica. 23h. Move. 91983592 | Flash Back. Pop rock. 23h. Pepsi Club. 3419-0900 | Izequiel Carraro. Pop/música eletrônica. 23h. La Boom Snooker. 3221-6364 | Jack Brown. Pop rock. 23h. Portal Bowling – Martcenter. 3220-5758 | Lennon Z and The Sickboys Trio. Rockabilly. 22h. Zarabatana Café. 3901-1316 | Libertá. Nativista e outros gêneros. 22h30. Libertá Danceteria. 3222-2002 | Mayron de Carvalho e Ana Jardim. Pop rock. 22h. Badulê American Pub. 3419-5269 | Overcast. Música eletrônica. 22h. Havana Café. 3215-6619 | Pacific 22. Rock/blues. 22h30. Mississippi Delta Blues Bar. 3028-6149 | Perversion. Música eletrônica. 23h. Studio 54 Mix. 9104-3160 | Rock Rocket e Greek Van Peixe. Rock. 23h. Vagão Bar. 3223-0007 | The Trippers. Rock. 23h. La Barra. 3028-0406 | Ton e os Karas. Rock. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Domingo: Projeto CCOMA e Camila Cornutti. 18h. Zarabatana. 3901-1316 | Terça (18): Uncle Cleeds. Blues. 22h30. Mississippi Bar. 3028-6149 | Quarta (19): Rodrigo Campagnolo e Graziano. Blues. 22h30. Mississippi Bar. 3028-6149 | Só Batidão. Sertanejo universitário. 22h. Portal Bowling. 3220-5758 | Quinta (20): Os Blugs. Blues. 22h30. Mississippi Bar. 30286149 | Sexta (21): Bah Que Bem. MPB. 22h. Zarabatana Café. 3901-1316 | Blackbirds. Beatles Cover. 22h30. Mississippi Bar. 3028-6149 | Cartolas e Os Oitavos. Rock. 23h. Vagão Bar. 3223-0007 | Retro Rock 80's com Jaime Rocha. Rock. 22h. Havana Café. 3215-6619 | Sunny Music. Pop. 23h. Portal Bowling. 3220-5758. Eduard Grau, The Weinstein Company, Divulgação/O Caxiense

l George Bernanos e a questão da fé | Quarta-feira (19), das 18h às 19h40 | Palestra com o professor Paulo César Nodari, parte do curso Filosofia e Literatura – Leitura Recomendada de

Teatro Municipal – Casa da Cultura Entrada franca | Dr. Montaury, 1333, Centro | 3221-3697

Em Direito de Amar, no Ordovás, o diretor Tom Ford aborda a dor da perda em uma relação gay

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O título acima se aproximaria mais do original (A Single Man) do que Direito de Amar, mais uma obra das malucas traduções nacionais. Felizmente, porém, o título não faz o filme. Direito de Amar retrata um amor entre dois homens, mas passa longe da militância pelos direitos dos homossexuais. É um filme sobre a falta, enfim. Sobre a saudade de alguém que não vai mais voltar e a necessidade de se aprender a viver dia após dia adequando-se a esse pensamento. O professor universitário George (Colin Firth, merecido concorrente ao Oscar de Melhor Ator este ano) perde Jim (Matthew Goode), seu parceiro por 16 anos, em um acidente de carro. A história se passa no ano de 1962 onde, mesmo na libertária Los Angeles, ser gay não era algo aceito com naturalidade. Em contraponto ao fato serem enquadrados em uma minoria que tinha que fazer tudo de maneira velada, Jim construiu para George uma casa com paredes de vidro, com vista para a vizinhança. Oito meses depois da morte do companheiro, George decide que viverá seu último dia. Nada é fácil para ele, que lembra de Jim a cada olhar lançado para qualquer canto da casa. Tudo ainda faz recordar. A primeira cena representa a sensação de George nos últimos meses: preso embaixo d'água, sufocado, com o tempo passando lentamente, lembra a angústia da perda. “Agora não é só agora, mas lembra que é um dia depois de ontem”, diz ele. No meio da rotina matinal, George se aconselha, no espelho, a passar por mais um maldito dia. Na pasta que leva para o trabalho, desta vez, carrega um material diferente: uma cópia do livro After many a summer, de Aldous Huxley, e um revólver. Emblemático, o livro é citado em aula: “after many a summer dies the swan” (depois de muitos verões morre o cisne). Aliás, nada escapou ao olhar atento do diretor novato Tom Ford, renomado estilista. O filme é sépia. Tomado pelos tons marrons e cinzas, contempla a tristeza que não tem fim. Mas percebe-se, porém, os momentos de esperança de George, como quando um de seus alunos (Nicholas Hoult), cheio de vida, o aborda para uma conversa no campus. As cores ficam vivas, como um dia de sol se abrindo no estio. E a passagem de um estado emocional para outro é evidente na tela, as cores dão espaço umas às outras no mesmo plano. Mas George não é sozinho. Ele divide suas angústias com a melhor amiga, Charley (Julianne Moore), abandonada pelo marido, que afoga as mágoas em profundas doses de gim. À noite, os dois reúnem-se para jantar, beber e celebrar, mesmo vazios. Ao fundo, toca Stormy weather, interpretada pela norte-americana Etta James, falando do eterno tempo ruim depois da partida do amado. Direito de Amar é daqueles filmes de ficar com o coração na mão, apertado, mas que mostra que às vezes as coisas mais horríveis também têm algo de belo. l Direito de amar | Drama. De quinta a domingo, 20h | Ordovás Professor de inglês perde companheiro e tenta manter sua rotina, suas amizades e sua vida. Dirigido por Tom Ford. Com Colin Firth e Julianne Moore. 14 anos, 101 min., leg.. Online | Assista aos trailers dos filmes em cartaz na cidade em www.ocaxiense.com.br. 15 a 21 de maio de 2010

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Artes artes@ocaxiense.com.br

Marinês Busetti | Sem título |

A exploração de formas geométricas e abstratas produz um efeito ótico de ilusão na xilogravura. A imagem torna-se um estímulo à percepção. Inúmeras combinações de ângulos formam o inusitado que surge em fractais e tramas. As xilogravuras de Marinês Busetti estão expostas até 30 de maio no Catna Café (Av. Júlio de Castilhos, 2.854).

VALORES INCONSCIENTES

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por Marcelo Moura casa está em péssimas condições, situada não se sabe bem onde... Falo daqueles sonhos que não são lembrados, me refiro aos que vivem sem estarem despertos. Ela está lá, ainda de pé, e assim deve permanecer, pois abriga uma fortuna. Incontáveis quilos de dinheiro, de todas as partes do mundo, cobrem o chão, sobem pelas paredes desgastadas. Nesse mesmo chão repousa um casal, eles

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se olham fixamente, não perceberam que lhes faltam os braços e as pernas, estão juntos e podem admirar suas íris. Começa a chover, o telefone toca, o dinheiro não se move. O negociante de ossos aparecerá, entrará usando uma capa, que lhe proporciona um corpo e seu chapéu, que lhe confere um molde de rosto. Assim que a chuva começar ele abrirá a porta de madeira e arrastará para dentro sua caixa repleta de restos mortais... Crâ-

nio destruído por um projétil, aquela ossada com perfurações nos punhos, pés e peito. O negociante não ficará muito, verá o telefone cheio de poeira em uma mesa e dois esqueletos incompletos no chão. Ele pegará duas moedas, abrirá sua caixa e voltará pra o lugar de onde não gostaria de ter vindo. Sozinho em sua mansão o milionário carregou o trinta e oito cromado. Ligou para um número aleatório, precisava conversar com

alguém, ninguém atendeu... Sempre que procuram por explicações eu ofereço vários tempos. Estava tudo vazio, a mansão, a garrafa de vodka e sua vida, em condição contrária se encontrava o tambor da arma, ele não se daria outra chance de sofrer. Os vidros da cristaleira estremeceram com o disparo, mas o homem não morreu, a bala não chegou a estourar sua cabeça, antes que isso pudesse acontecer ele desapareceu, não havia mais corpo. Seu túmulo sempre esteve vazio.

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Guia de Esportes

Jonas Ramos, Divulgação/O Caxiense

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Vila Olímpica da Universidade de Caxias do Sul recebe 350 competidores na manhã deste sábado

NATAÇÃO

CAMINHADA

l 2ª Etapa Circuito Gaúcho Master de Natação | Sábado, 8h | A competição deverá reunir mais de 350 atletas na Vila Olímpica UCS. Vila Olímpica da UCS Entrada franca | Francisco Getúlio Vargas, s/nº, Vila Olímpica da UCS, Petrópolis

l 1ª Caminhada e Corrida da Fé | Sábado, 7h e 8h | A largada da caminhada ocorre em frente ao estacionamento do Iguatemi, às 7h. O percurso até o Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio tem de 15 km. Para os corredores, a largada é no mesmo local, às 8h, com percurso de 21 km. Estacionamento do Iguatemi Inscrição gratuita | RSC-453, 2.780, Km 3,5

TAEKWONDO l Jogos Abertos de Caxias do Sul | Sábado, a partir das 9h | Os jogos reúnem 173 inscritos de diversas faixas e categorias. Enxutão Entrada gratuita | Luiz Covolan, 1.560, Santa Catarina

BASQUETE l Campeonato Estadual Sub 15 Masculino | Sábado, 11h30 | A UCS joga contra o Colégio Sinodal. Ginásio Poliesportivo da UCS Entrada franca | Francisco Getúlio Vargas, s/nº, Vila Olímpica da UCS, Petrópolis

FUTEBOL l Campeonato Municipal | Sábado, 13h15, 14h e 15h15, e domingo, 13h15, 15h15 | Devido à chuva, os jogos dos suplentes do último final de semana foram transferidos para este sábado. SÉRIE SUPLENTE - Sábado, 13h15: Guarani x Ouro Verde (Enxutão), Século XX x XV de Novembro (Municipal 1) | 14h: Londrina x Águia Negra (Sagrada Família) | 15h15: Unidos x Az de Ouro (Enxutão), Fiorentina x União de Zorzi (Municipal 1) | SÉRIE OURO - Domingo, 13h15: Fonte Nova x São Victor Cohab (Municipal

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2) | 15h15: Guarani x Vindima (Enxutão), Fiorentina x XV de Novembro (Municipal 1), Cristal x Az de Ouro (Reno), União Reolon x Século XX (Sta. Corona), Goiás x União de Zorzi (Fátima), Londrina x União Industrial (Sagrada Família) | SÉRIE PRATA – Domingo, 13h15: Águia Negra x Hawaí (Enxutão), Atlético x Ouro Verde (Municipal 1), R. Unidos da Esperança x Vera Cruz (Reno), Unidos x Uruguai (Sta. Corona), Esperança x Kayser (Fátima), Bom Pastor x Mundo Novo (Sagrada Família). Entrada gratuita l Copa União | Sábado, 13h30 e 15h30 | 10ª rodada. Juvenil, 13h30: Botafogo x Bevilacqua, São Cristóvão x Forquetense, São Francisco x Pedancino | Sênior, 15h30: Canarinho x Conceição, Juvenil x Forquetense, Botafogo x Pedancino, São Virgílio x São Francisco, São Cristóvão x Diamantino. Campo do time mandante Entrada gratuita l Futebol Sete Série A | Sábado, 14h15 e 15h15 | As semifinais foram transferidas para este sábado por causa da chuva. Sábado, 14h15: Voges x Agrale |

15h15: Randon x Guerra. Centro Esportivo do Sesi Entrada gratuita | Cyro de Lavra Pinto, s/nº, Nsa. Sra. de Fátima l Copa Ipam de Futsal Feminino | Sábado, 19h, 20h e 21h, e domingo, 9h, 10h e 11h | Este ano, 21 equipes de Caxias, Farroupilha, Bento Gonçalves, Ipê, Antônio Prado e Carlos Barbosa disputam a.1ª e a 2ª divisão. Sábado, 19h: Sindicato Metalúrgico x Real Madames | 20h: Santa Catarina B x Santa Catarina | 21h: ACBF x Pôr do Sol | Domingo, 9h: F.Z. Futsal x Camisa 10 | 10h: União x São Luiz | 11h: UCS x Juventus. Colégio Santa Catarina Entrada gratuita | Matheo Gianella, 1.160, Santa Catarina l Campeonato Citadino Adulto | Terça (18) e quinta (20), 19h45 e 20h45 | Quarta rodada. Terça, 19h45: Águia Negra x Acadêmicos | 20h45: São Paulo x Vila Amélia | Quinta, 19h45: SER Real x Torino | 20h45: São Vicente x Os Deva/América Rio Branco. Enxutão Entrada gratuita | Luiz Covolan, 1.560, Santa Catarina

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Douglas Trancoso/O Caxiense

À espera da Série C

esforço concentrado Orientados por uma ampla equipe de profissionais e acompanhados até por GPS, jogadores buscam a forma física ideal

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por FABIANO PROVIN fabiano.provin@ocaxiense.com.br projeto de retornar à Série B passa também pelas mãos do preparador físico Rodrigo Poletto. Na sua quinta passagem pelo Juventude, ele tem a missão, com apoio da comissão técnica, de deixar o grupo de jogadores em forma até o início da disputa da 3ª Divisão do Campeonato Brasileiro, a partir de 18 de julho – a tabela oficial de jogos ainda não foi divulgada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). E Poletto promete que vai conseguir cumpri-la, afinal, dispõe de tempo para avaliar cada atleta e programar a preparação física considerada ideal. Após a reapresentação, no final de abril, o primeiro passo foi fazer uma bateria de exames médicos e físicos em todos os jogadores, como medição da potência muscular. Na primeira semana de maio começaram os trabalhos físicos mais específicos, feitos por grupos de atletas, divididos conforme os resultados dos exames iniciais. “Um deles, por exemplo, é o que está trabalhando para ter mais massa muscular ou hipertrofia. Esse grupo é composto pelo goleiro Carlão, pelo meia Hiago, pelos volantes Gustavo e Tiago Renz e pelo atacante Jander”, especifica Poletto. Dependendo da evolução, as atividades serão desenvolvidas entre quatro e seis semanas. Até lá, são encaminhadas ações de condicionamento físico geral, como corrida. “Cada grupo tem um condicionamento diferente. Acompanhamos os atletas com GPS, para que cada um tenha sua velocidade de treino e que renda o seu máximo”, complementa o preparador. Sobre o início da temporada, ele lamenta ter disposto de apenas 15 dias para deixar os jogadores em forma. “Eles necessitavam muito de preparação. Sabíamos que teríamos dificuldades, pois o nível estava muito baixo. Ao mesmo tempo em que eram feitos treinos técnicos e táticos, íamos cuidando da preparação física”, relembra. Para a Série C, Poletto ressalta que todos os clubes terão o mesmo tempo de treino disponível. Por isso, serão o espírito de grupo e a competitividade da equipe os diferenciais. Até o final deste mês, as atenções do Ju estarão voltadas para a parte física. Poletto, que conta com o auxiliar de preparação Rodrigo Squinalli, tem acompanhamento direto do treinador Osmar Loss, do auxiliar técnico Edemar Picoli, da nutricionista Katiuce

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Borges, do fisiologista Everson Batassini, do fisioterapeuta Ricardo Finger e dos massagistas Edson de Camargo, o Massa, e Elton de Vargas, o Pato. A parte nutricional também é considerada fundamental por Poletto. Por meio de avaliações, a nutricionista define um plano de alimentação para cada jogador, com ou sem suplementação, no caso de o atleta estar abaixo ou acima do peso. “Temos ainda as massagens, a hidratação... Tudo é planejado com um objetivo”, diz Poletto. A partir do próximo mês, sabendo que todas as atenções estarão voltadas para a Copa do Mundo, o Juventude inicia os trabalhos técnicos, com fundamentos (passe, chute, cabeceio e domínio de bola) e triangulações para, posteriormente, evoluir para a parte tática. “Sempre conversamos sobre o que está sendo desenvolvido. Minha parte é deixar o grupo pronto para o Picoli e o Osmar começarem a definir um padrão de jogo com os jogadores que temos e os que foram contratados”, resume Poletto. Formado em Educação Física, Rodrigo Poletto, 37 anos, começou a trabalhar nas categorias de base do Juventude em 1996. Vinculado ao clube, cursou um mestrado de Ciência do Treinamento em Cuba, em 1999, e no ano seguinte foi “promovido” ao grupo profissional. Depois, fez uma especialização pela Universidade do Norte do Paraná (Unopar) em Treinamento Esportivo. Foi para a Rússia, onde trabalhou até 2005 no Dínamo (Moscou). Em 2006 retornou ao Ju. Em 2007 e 2008 trabalhou com o técnico Alexandre Guimarães na seleção do Panamá, retornando ao alviverde no final de 2008. No ano passado atuou no Paysandu-PA, onde foi campeão estadual, sob o comando do treinador Edson Gaúcho. Para iniciar a Série C todos os jogadores deverão estar em seu nível de excelência física. Por se tratar de uma competição curta – em 10 jogos é possível saber se o objetivo de voltar à Série B será atingido ou não –, a qualidade será a principal característica. “Avaliamos se os jogadores têm desequilíbrios ou mais desgaste do que outros. Todas essas verificações visam a aprimorar o grupo, tanto os mais jovens como os mais experientes. Hoje em dia o lastro físico exigido é grande”, complementa Poletto, prometendo à papada que o desempenho na Série C será bem diferente daquele apresentado no Gauchão.

Poletto, em sua quinta passagem pelo Ju, coordena a preparação física

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Maicon Damasceno/O Caxiense

À espera da Série C

A COPA

DO MUNDO

DO CAXIAS Enquanto Dunga despreza craques, o time grená luta para trazer os melhores que o seu cofrinho pode suportar

Marcelo Costa, o craque que voltou a brilhar este ano, é um dos acertos da direção grená

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por Marcelo Mugnol marcelo.mugnol@ocaxiense.com.br a terça-feira passada o mundo quase parou. QUASE. Tivesse a mídia não apenas o Quarto Poder, mas o poder transcendental de frear o universo, o mundo teria parado para assistir à convocação de Dunga. Não era o Obama convocando jovens norte-americanos para mais uma insana batalha. Era o Dunga, cujo nome de batismo 9 entre 10 brasileiros não sabe. Para saber como ele se chama é que existe o Google. Dunga, o técnico, não um dos sete anões da Branca de Neve, sentiu o raro gosto do poder QUASE supremo. Dunga não tem o poder transcendental de convocar o Garrincha, mas tem o poder de dizer nananinanão para o brutamontes Adriano, o eterno risonho-moleque Ronaldinho Gaúcho e as sensações pop da temporada Paulo Henrique Ganso e Neymar. Mas e o que isso tudo tem a ver com o Caxias? Explico. Enquanto Dunga despreza fenômenos (tá na boca do povo que o Dunga mudou de apelido: agora é o Zangado), o time grená sua a camisa para trazer reforços. O Caxias luta contra tudo e todos nessa sua labuta diária de cravar o picão na terra para tentar descobrir um craque. No primeiro semestre, numa paulada só, o time grená encontrou dois: Marcelo Costa e Éverton. O primeiro virou craque do Gauchão, ídolo da torcida, voltando a repetir os bons momentos que o revelaram ao futebol brasileiro. O segundo deixou muito zagueiro com lordose, escoliose e letargia. Éverton, o 3 em 1 do Julinho Camargo, vai dei-

xar saudades e segue até o final do ano dando alegrias ao Internacional. “Nosso trabalho é permanente. Estamos sempre de olho em novos jogadores e avaliando os atletas que aqui estão”, explica Júlio Soster, gerente de futebol do Caxias. “Sabe por que a gente tem dificuldade em trazer jogadores?”, questiona Soster aos jornalistas em uma entrevista coletiva. E ele mesmo responde: “O Caxias tem uma responsabilidade com o seu orçamento. Além disso, o Caxias tem como norma só contratar jogadores cujos direitos federativos são do clube. E, se não for do perfil que desejamos, não vai vir”.   Sobre o investimento do Caxias, O Caxiense já antecipou, na edição número 20, que o clube tem cacife para bancar R$ 250 mil mensais para a Série C. Em relação ao Gauchão, houve um aumento de R$ 70 mil por mês. Dentro dessa realidade, o Caxias aumentou o salário de quem ficou. Além disso, foi para o mercado, às compras, com mais fichinhas no bolso. Mesmo assim, não deu para trazer ninguém da enorme lista dos desconvocados do Dunga. Não porque haja no Caxias gente com o mesmo ressentimento de Dunga, que não esquece aquele vexatório chapeuzinho que tomou do Ronaldinho Gaúcho. Brincadeiras à parte, o Caxias tem responsabilidade financeira. Se custar mais do que o clube pode investir, não virá e ponto. Por outro lado, Julinho Camargo e Júlio Soster sabem que precisam procurar onde o mercado não está saturado. Devem ter cautela, porque é necessário minimizar os possí-

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veis erros que podem ocorrer em uma e o perfil de jogador que o Caxias desacolada de contratações. Em relação seja basta um exemplo. O goleiro Maao Juventude, o Caxias, a princípio, vai theus, apresentado dia 12. Primeiro, errar menos, porque não precisou re- o atleta só veio porque rescindiu com montar o time inteiro. Foi para o mer- o Grêmio, e então foi comprado pelo cado sabendo exatamente que peças clube grená, com contrato de três anos. queria. Já o Juventude foi caçar. Porque Segundo, destaca-se o comportameno alviverde tinha um balaio maior e to do goleiro. Depois das tradicionais vazio e precisava dele bem cheio para fotos vestindo a camisa e aquela pomrepor as peças. pa toda e coisa e tal, Julinho estava de Matheus brincou, mas férias quando rece- “A torcida já falando sério, que não beu a reportagem d’O está identificada queria devolver a camiCaxiense para a en- com o nosso sa número 1. “É minha, trevista. No mesmo né? Já posso ficar com trabalho e sabe dia em que Dunga era ela?”. “Não”, sorriu para alvejado por toda a que podemos ele Luiz Carlos Erbes, imprensa brasileira, fazer muito mais assessor de imprensa o comandante grená do que fizemos”, do Caxias. “Ah, mas é fazia a sua ressalva. que eu já queria ficar diz o técnico Dunga retrucava as alcom ela pra vir treinar finetadas dizendo que Julinho Camargo na segunda-feira.” E, os jornalistas queriam por fim, recomposto da impor a ele suas vonbrincadeira, Matheus tades. E Dunga, batendo o pezinho, disse ao repórter: “Respeito os meus mesmo sem pilcha, sustentou sua lista colegas que estão aqui, mas vou lutar e suas coerências. Já Julinho, que não para ser titular”. é de se mostrar irritado, disse que as Julinho Camargo falava desse perfil constantes especulações em torno de de atleta dias depois da derrota nos jogadores que o Caxias tem ou já teve pênaltis, em casa, para o Ypiranga. Nainteresse em trazer atrapalham as ne- quele momento, Julinho mostrava o gociações. “Antes de sair de férias eu planejamento para a Série C, anunciae o Soster definimos que só ele falaria va as férias dos jogadores e revelava o sobre as contratações. Se especula mui- desejo de trazer ao Caxias atletas com to esse ou aquele e às vezes isso atra- um desejo louco de vestir o manto sapalha. Não fechamos com um jogador grado grená. “A torcida já está identifiporque outro time pode também ficar cada com o nosso trabalho e sabe que interessado, depois de ver uma repor- podemos fazer muito mais do que fizetagem sobre nosso interesse, e levar mos”, afirma Julinho. Entre os reforços antes”, argumenta Julinho. que o Caxias já trouxe estão o zagueiro   Marcelo Oliveira, o atacante Balthazar Para entender melhor o estilo e o lateral direito Tiaguinho. O meia 15 a 21 de maio de 2010

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preparando: será chamado a empurrar o time uma divisão acima. “Vamos precisar do apoio de todos porque, nos jogos em casa, temos de ir pra cima de quem vier. Sinto que torcida está ansiosa para essa conquista, em subir para a Série B. Mas eu tenho bastante corrida, 21 anos de profissão, e nosso elenco tem uma mescla de jogadores mais experientes em meio aos mais jovens. Acreditamos que essa comunhão é suficiente para encarar esse desafio”, defende Julinho.   O Caxias inicia nesta segundafeira (17) sua maratona de treinos para a disputa da Série C. Serão nove semanas de intensos trabalhos físicos, táticos e técnicos. Enquanto isso, a torcida precisa fazer o seu papel, associandose ao clube. Voges disse recentemente a O Caxiense que o clube ultrapassou a marca de 3.300 sócios. O presidente não disse ainda se vai lutar para baixar o valor dos ingressos, como fez na campanha de 2009. O ano do QUASE reacendeu a paixão pelo clube. Ou alguém aí já esqueceu daquele estádio lotadaço, fervilhando, pulsando de azul e grená? Lembre-se, torcedor, que enquanto Dunga e seus selecionados amigos estiverem disputando a Copa do Mundo os gladiadores grenás estarão trabalhando forte para conduzir o Caxias à Série B. Por isso, se a Era Dunga tropeçar diante da Era Messi, não fique triste. Talvez Deus esteja dizendo a você que A alegria do ano será a conquista do Caxias. A quem duvida da façanha, só uma perguntinha: você confia num time que tem Kléberson e Josué? Ou no time que tem Itaqui e Marcelo Costa? Se você sorriu, é porque tem certeza que o Caxias tem mais futuro este ano.

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Reforços no Centenário: 1. Matheus, goleiro 2. Balthazar, atacante 3. Marcelo Oliveira, zagueiro 4. Thiaguinho, lateral direito

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Fotos: Luiz Carlos Erbes, Divulgação/O Caxiense

Marcelo Labarthe deve ser confirmado até segunda-feira, dia 17. “Eu gostaria que na nossa reapresentação, dia 17, todo mundo já estivesse aí, mas talvez fique apenas um nome para trazermos ao longo da preparação”, pondera Julinho Camargo.   A Série C é a Copa do Mundo do Caxias. É competição de tiro curto. São 10 jogos que valem o futuro. Mal comparando, mas comparando, é como Dunga e seus selecionados. Para ser Campeão do Mundo tem sete jogos. Garrincha, o gênio de pernas tortas, dizia sobe a tabela da Copa do Mundo: “É pior do que a Taça Guanabara...ganhamos duas, três partidas e já vamos para a final...”. Na Série C não é lá muito diferente. “São todos jogos decisivos. Diferente de um campeonato de pontos corridos. Neste, cada jogo é decisão, e precisa ser encarado dessa forma. Precisamos ser inteligentes em formatar a ideia de cada partida. Sem errar”, avalia Julinho. Por outro lado, Ivan Soares, auxiliar técnico de Julinho Camargo – que, por sinal, mesmo na ausência do chefe, esteve em todas as apresentações de reforços –, acredita que a primeira fase da Série C tem bem a cara do treinador. “É em pontos corridos e premia quem é mais regular. Esse é o estilo que o Julinho gosta”, aponta. Ivan é o elo entre as categorias de base e profissional do Caxias. Tem avaliado bem o trabalho que vem sendo feito com os mais novos para saber se há possibilidade de conduzir alguém para cima. Se não for durante a Série C, com certeza será depois, na Copinha. Enquanto Julinho e Ivan observam, planejam, enfim, trabalham, mesmo de férias, o torcedor também por ir se


Renato Henrichs Em alta

Chega de reunião, tem que ter ação

De comum acordo com os números da economia caxiense no primeiro trimestre, o movimento de passageiros no Aeroporto Regional Campo dos Bugres (ou seria Hugo Cantergiani?) cresceu 61% no mês de abril, em relação ao mesmo mês no ano passado. No Brasil, o número de passageiros nos aeroportos subiu 23% nesse período. Outra: o aeroporto local, com todas as suas deficiências, prejudicou 12% dos horários de voos em abril. Porto Alegre enfrentou situação semelhante: ficou parado 9% do tempo – por causa da neblina.

Vereadora Geni Peteffi (PMDB), Líder do governo na Câmara, diante da sugestão de nova reunião para discutir as mudanças nas paradas de ônibus no centro da cidade.

perguntas para

Vinicius Ribeiro

O vereador do PDT garante que vai concorrer a deputado estadual, mesmo que o diretório municipal do partido tenha escolhido o viceprefeito Alceu Barbosa Velho como candidato único

Maicon Damasceno/O Caxiense

Os três voos da Gol de Caxias do Sul para São Paulo tiveram 67% de ocupação no mês de abril, índice considerado excelente. Talvez em função de números tão positivos, o preço da passagem daqui para a capital paulista fique, em média, 33% mais cara que o trecho Porto Alegre-São Paulo. De Caxias para Curitiba a situação é pior: a única empresa que atua nessa rota (a mesma Gol) cobra pelo trecho, em média, 92% a mais do que o voo entre Porto Alegre e a capital paranaense.

Os problemas verificados no trânsito e a localização das feiras de agricultor na Bento Gonçalves deixam evidente uma necessidade: a implantação de um amplo terminal de ônibus e também de um mercado municipal na área central da cidade. Por mais que os técnicos da prefeitura entendam que essas sejam soluções ultrapassadas e/ou inviáveis.

Aliás

Pertinente a indagação do vereador Assis Melo (PC do B), a respeito das explicações dadas pela Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade sobre as mudanças implantadas nas paradas de ônibus da rua Bento Gonçalves. Diante da resposta de que essas mudanças visam a descentralização do transporte coletivo urbano, o vereadorsindicalista pergunta: “Como vão descentralizar o transporte, se os ônibus continuam passando pelo centro da cidade?”

O sr. mantém a candidatura? Sou candidato do PDT estadual com o apoio da juventude do partido (JS), da Coordenadoria Regional e de um grupo do diretório municipal. Estou trabalhando com a mesma garra e determinação com que trabalhei quando fui presidente da Câmara, secretário de Planejamento e, recentemente, de Trânsito e Transportes. Carrego aquilo que a comunidade exige no atual momento da política gaúcha: ousadia e coragem. Tenho convicção de que, apesar de jovem, tenho a experiência que Caxias e região precisam de um representante.

Por várias vezes, o senhor atendeu aos apelos do partido, indo

“para o sacrifício” (como candidatar-se – aliás, com bom resultado – a deputado federal ao lado de pesos pesados como Pepe Vargas e Ruy Pauletti ou mesmo largando a Câmara para ser secretário municipal). Isso não poderá acontecer de novo – ou seja, o PDT pedir que Alceu Barbosa Velho concorra sozinho? Novamente vou atender ao pedido do partido, nesse momento concorrendo a deputado estadual. Para mim não é sacrifício. Em 2006, fiz 32.215 votos em um cenário dificílimo. Citaste dois nomes fortes, mas à época, o PMDB também teve candidato fazendo votação expressiva. Fui secretário municipal para colaborar com o partido, que precisava de nomes e também abrir vagas para os suplentes de vereador, assim como contribuí com um governo que ajudei a eleger. Fiz e propus mudanças, junto com meus colegas, que necessitavam de ousadia e coragem. Sinto-me orgulhoso de ter sido um agente dessa mudança. Não tenho medo. Sou competidor e respeito os adversários, da mesma forma que sei das minhas condições e do meu PDT. Sou parte de uma família amorosa, de valorosos amigos e companheiros. Além disso, conto com o apoio da população caxiense, que sempre confiou em mim e me proporcionou excelentes votações.

Feira central

Estudo eleitoreiro

E a decisão do diretório municipal, que coloca o atual vice-prefeito na condição de candidato único, como fica? Não houve decisão e sim indicação e tampouco foi por unanimidade. A eleição é do Rio Grande do Sul e não somente de Caxias do Sul. Por isso é que a decisão compete ao diretório estadual. Logo, a indicação do diretório municipal deve ser respeitada da mesma forma que deve ser respeitada a orientação da Juventude Estadual e da Coordenadoria Regional, em relação ao meu nome.

O Ponto da Safra da Rua Dr. Montaury finalmente vai mudar de lugar. A partir da próxima sexta-feira, estará na Bento Gonçalves, entre a Montaury e a Marquês do Herval. A mudança era reivindicada por moradores do Centro. Só não deu para entender a alternativa encontrada pela Secretaria Municipal da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: colocar o Ponto da Safra na Bento Gonçalves vai ocasionar ainda mais problemas no já tumultuado trânsito daquela rua – mesmo que a feira seja realizada apenas às sextas-feiras.

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Luiz Chaves /O Caxiense

Mais caro

Centralização

Douglas Trancoso/O Caxiense

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O diretor do Departamento Aeroportuário do Estado, Fernando Coronel, admite que o estudo técnico sobre a localização do futuro Aeroporto Regional de Caxias do Sul está pronto. O trabalho foi encaminhado há semanas para o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Daniel de Andrade - que o engavetou. Vereadores caxienses reclamaram em plenário que o resultado desse estudo ainda não foi divulgado porque será utilizado na campanha da governadora Yeda Crusius, em busca de reeleição para o Palácio Piratini.

Esporte e política

O ministro de Esportes Orlando Silva é bom de oratória, bem articulado e muito hábil. Provou isso na reunião-almoço realizada na sexta-feira na CIC, em nova ação suprapartidária da diretoria do presidente Milton Corlatti. O ministro não anunciou qualquer novidade, não prometeu nem se comprometeu com qualquer reivindicação da comunidade caxiense, que apresentou no mês passado ao Ministério dos Esportes um caderno de intenções com as pretensões e expectativas locais a respeito da Copa do Mundo que o Brasil sediará. E, apesar disso, conquistou a simpatia do público presente. Ao lado do ministro, a deputada federal Manoela d’Ávila e os vereadores Renato Oliveira e Assis Melo, todos do mesmo partido, o PC do B. O tom do discurso de Silva, a agilidade de suas palavras e o tempo diminuto da palestra confirmaram a impressão de que ele se encontra em plena campanha – não apenas para esclarecimentos gerais sobre a Copa do Mundo de 2014 (e suas implicações socioeconômicas), mas também com vistas às eleições deste ano. O mote, claro, são os preparativos para a grande competição futebolistica. Mas a política fica implícita em cada declaração de Orlando Silva, que ficou pouco mais de três horas na cidade. Silva foi pródigo em declarações elogiosas a Caxias e à iniciativa da CIC de encabeçar, ao lado da prefeitura, a movimentação local para transformar a cidade em campo base da Copa 2014. A própria missão técnica caxiense que irá à Africa no próximo mês foi considerada importante. “Os desafios e as oportunidades que a Copa do Mundo e também as Olimpíadas nos trazem não podem ser desperdiçados”, declarou o ministro, que considera o evento esportivo programado para o Brasil daqui a quatro anos como uma oportunidade “maravilhosa” de se melhorar a infraestrutura das cidades, além de possibilitar – como aconteceu, segundo ele, com as Olimpíadas de Seul – uma grande vitrine mundial para os produtos brasileiros. “Fico feliz em saber das iniciativas de Caxias para aproveitar o que a Copa trará de positivo para o país”.

15 a 21 de maio de 2010

O Caxiense

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Edição 24