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ObservatóriO dO turismO da cidade de maPutO http://observatoriomaputo.blogspot.com/

Mercado informal congrega atenções Sabe-se que a maioria da população em Moçambique obtém os seus rendimentos a partir do mercado informal. Não obstante, o caminho rumo ao pleno emprego encontra-se ligado à transformação estrutural desta realidade da economia e a geração de empregos neste sector continua a ser uma preocupação da política laboral do Governo. Nesse prisma, e de acordo com a Estratégia de Emprego e Formação Profissional em Moçambique 2006-2015, a aposta recai sobre o rápido estabelecimento de pequenos negócios e postos de trabalho na economia informal. A abordagem do estabelecimento rápido de pequenos negócios implica atender a certas necessidades especiais como a retirada de regulamentos que constituem barreira às actividades informais, facilitação do acesso ao crédito, à formação, às tecnologias e a outros meios, que se destinam a aumentar a viabilidade e a produtividade das suas actividades. A Estratégia de Emprego e Formação Profissional pretende, sobretudo, desenvolver programas especiais para a absorção da força de trabalho em áreas com elevado potencial de criação de emprego e auto-emprego, onde o turismo naturalmente se inclui. Torna-se essencial desenvolver uma abordagem de emprego que contribua para o combate à pobreza absoluta, o crescimento económico e o desenvolvimento social. Abordagem essa que vise não só o desenvolvimento humano como o alcance dos ‘Objectivos de Desenvolvimento do Milénio’. Como tal, são salutares todas as sinergias encetadas em prol de um turismo susten-

tável. No âmbito do projecto «Moçambique Hospitaleiro», a ser implementado pelo INEFP com o apoio da SNV, já foi encomendado um Estudo sobre a análise das necessidades de formação de pessoas que actuam no mercado informal de turismo na cidade de Maputo. Por outro lado, o Ministério do Turismo (MITUR), o Instituto Nacional do Emprego e Formação Profissional (INEFP), o Conselho Municipal de Maputo e a SNV (Cooperação Holandesa para o Desenvolvimento) uniram esforços no sentido de formar 800 trabalhadores do mercado informal, nas províncias de Maputo e Inhambane, com fundos da Comissão Europeia. E o esforço não irá parar por aí. Apesar da formação ser o ponto de partida, a promoção de uma reflexão e o desenvolvimento de micro-pólos onde os ‘informais’ possam trabalhar constitui outro objectivo. A esse propósito, o famoso Mercado do Peixe em Maputo - enquanto realidade informal que atrai turistas - carece de atenção a todos os níveis ( formação específica dos vendedores, higiene e segurança no local de trabalho, entre outros). A formação já se encontra planeada pelo que será providencial o financiamento de 11 milhões e 600 mil dólares (concedido a fundo perdido pelo Japão) para a construção de um novo mercado do peixe com melhores condições. Este e outros investimentos demonstram como é importante profissionalizar os nossos recursos humanos, assim como dotar as infraestruturas de apoio com as condições ideais para bem-receber os turistas se de facto queremos ser competitivos.

N.º5 FEVEREIRo.2012 Maputo Turistas nacionais apostam mais no Machimbombo Estrangeiros continuam a hospedar-se mais em hotéis Infraestruturas do Campo de Golfe de Maputo carecem de consultoria

MoçaMbIquE Gastos de moçambicanos subiram 88% em Portugal Turismo e Hotelaria domina investimento na Beira Estrangeiros preferem Bazaruto a seguir a Maputo

MuNDo O que irá acontecer até 2020? OMT encoraja investimentos em África Angola quer 4 milhões de turistas


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Observatório do turismo da cidade MAPUTO

fevereiro.2012

Maputo Estrangeiros

Nacionais

Chapa

8% 4%

Machimbombo Taxi

88 %

27 % 40 %

Txopela

27 %

21 %

5% Fonte: Observatório do Turismo da Cidade de Maputo 2012

63 %

1%

Comboio Turístico 1%

Outros Meios 4%

Turistas nacionais apostam mais no Machimbombo O II Estudo de Satisfação ao Turista, orientado pelo Observatório do Turismo, revela que os turistas nacionais usaram uma maior diversidade de transportes públicos convencionais e os estrangeiros concentraram-se em muito maior proporção no recurso ao táxi. Os resultados obtidos no caso dos turistas estrangeiros demonstram maior adesão aos meios de tansporte tradicionais nesta segunda vaga, embora não tivessem afectado o índice de recurso ao táxi que até se manifestou superior (+14%). Já os turistas nacionais revelaram maior estabilidade nos transportes públicos

utilizados, embora com um acréscimo de 10% no número dos que recorreram ao machimbombo, ou autocarro. Pensa-se que concorre para essa evolução positiva esteja a melhoria de qualidade dos meios e o conforto proporcionado aos utentes por parte das companhias de transporte. Em termos de meios de transporte, tanto o táxi, como a txopela (pequenas motos com assentos) e o comboio turístico evidenciaram maiores índices de utilização por parte dos turistas estrangeiros, do I para o II Estudo de Satisfação. Já os visitantes moçambicanos, aquando da sua estadia em Maputo, usaram mais o machimbombo.

Em termos gerais, os estrangeiros continuam a usar mais o táxi para se deslocarem e os nacionais percorrem mais a capital nos ‘chapas’ - transportes públicos que podem comportar entre 15 e 30 lugares sentados. Já para visitar outros locais fora da cidade de Maputo, tanto os turistas estrangeiros (64%) como nacionais (98%) preferem o automóvel em detrimento dos restantes meios de transporte. Contudo, os estrangeiros usam mais o avião em segunda instância (36%) enquanto os nacionais recorrem ao serviço dos chapas e machimbombos (2%).

Perfil do Turismo e dos hotéis em Maputo O turismo é considerado um sector vital para o desenvolvimento do país pelo Governo moçambicano, e apesar do seu peso diminuto no PIB (menos de 2%) este tem vindo a recuperar o seu potencial, quer pela atracção de investimentos quer através da melhoria das infraestruturas e acessibilidades. O Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Turismo 2004-2013, a publicação da Lei do Turismo e a recente declaração de Quatro Zonas de Interesse Turístico, demonstram o estabelecimento das bases da política e estratégia para o desenvolvimento deste sector no país.

Preços médios por quarto ««« 74 usd «««« 174 usd ««««« 257 usd Fonte: Prime Yield 2012

O Governo prevê ainda o investimento de cerca de 11,4 milhões de dólares na nova campanha da Marca Moçambique. O número de turistas tem vindo a registar uma evolução positiva, estimando-se que a chegada de turistas a Maputo se salde em 382 mil, no ano de 2011, representando

um crescimento de 7% face a 2010. As viagens de negócios representam o principal motivo dos turistas estrangeiros que visitam Maputo, fora das épocas de férias e lazer. E a nível de oferta de estabelecimentos hoteleiros, Maputo conta com quatro hotéis classificados de cinco estrelas, sendo que o preço médio nos estabelecimentos hoteleiros de 3 estrelas é de 74 dólares americanos, nos hotéis de 4 estrelas é de 174, e nos hotéis de 5 estrelas é de 257 dólares, de acordo com um estudo de mercado realizado pela Prime Yield - Consultoria e Avaliação Imobiliária.


Observatório do turismo da cidade MAPUTO

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Fevereiro.2012

Maputo

Estrangeiros continuam a hospedar-se mais em hotéis De acordo com o II Estudo de Satisfação ao Turista da Cidade de Maputo, realizado em Novembro de 2011, os turistas estrangeiros que visitam Maputo continuam a preferir os hotéis (58%) à casa de familiares e amigos (29%) e à alternativa proporcionada pelo segmento da pensão/residencial (9%). Quanto às casas alugadas e backpackers, a percentagem é mínima e corresponde a 3% e 1%, respectivamente. Aqui se encontra um indicador interessante, sobretudo para os hoteleiros que poderão criar adicionalmente outras condições como forma de fidelizar os seus clientes. Aliás, a realização de eventos e de iniciativas culturais, desportivas e de lazer poderão servir para prolongar a estadia e conferir um maior nível de prazer e satisfação. A preferência inverte-se, no entanto, no que diz respeito aos visitantes nacionais. Os mesmos acedem em largo número à casa de familiares e amigos (68%) e apenas 18% deles utiliza o hotel e 8% a pensão/residencial. Por outro

Hotel Pensão/Residencial Casa de familiares/amigos Casa alugada Backpackers Outros lado, apenas 4% recorre ao aluguer de casas e 2% a outras alternativas. Apesar da importância da opção ‘casa de familiares e amigos’ ser maior em relação aos visitantes locais, o II Estudo registou um valor ligeiramente superior (18%) ao registado na vaga anterior (13%). Não obstante, os hotéis podiam optar por arranjar uma taxa mais atractiva para o hóspede de origem nacional, à semelhança do que já acontece em outros países africanos que promovem o turismo doméstico, como por exemplo o Malawi e a Namíbia. Fonte: Observatório do Turismo da Cidade de Maputo

Estrangeiros

Nacionais

18%

8% 58%

9%

68%

29%

3% 1%

4% 2%

CONSELHO MUNICIPAL DE MAPUTO

Infraestruturas do Campo de Golfe de Maputo carecem de consultoria O Conselho Municipal de Maputo lançou um concurso público que visa a contratação de uma consultoria que se proponha avaliar e propor um projecto viável para o desenvolvimento das infraestruturas do Campo de Golfe de Maputo. A iniciativa visa resgatar o nome que a Cidade de Maputo e o País já tiveram no passado face à prática desta modalidade, de olhos postos no potencial que este desporto de elite possui em termos de atracção de turistas da categoria sócio-económica alta. Nesta empreitada, o Conselho Municipal de Maputo conta

com um parceiro estratégico que é o Clube de Maputo, e que sob a forma de arrendamento de longo prazo tem vindo a gerir há muitos anos aquelas infraestruturas municipais. De forma resumida, a ideia é expandir o campo de golfe e torná-lo num espaço propício para a prática daquela modalidade com 18 buracos; vedar e proteger a área; e permitir um desenvolvimento imobiliário que conduza à arrecadação de receitas, que, por sua vez, garantam a sustentabilidade de todo o empreendimento e, naturalmente, a geração de empregos e receitas para o Município.


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Observatório do turismo da cidade MAPUTO

fevereiro.2012

Moçambique

Gastos de moçambicanos subiram 88% em Portugal Os gastos dos turistas moçambicanos e angolanos foram os que mais aumentaram em Portugal, ao longo de 2011, e a hotelaria, compras e entretenimento foram as áreas que mais pesaram nas despesas. O Estudo que contabiliza as despesas pagas com cartões Visa (crédito, débito e pré-pagos), em França, Grécia, Itália, Portugal, Espanha e Turquia, indica que, nos primeiros quatro meses de 2011, as despesas de moçambicanos e angolanos tiveram a maior subida no top 10 de Portugal. Aliás, estes dois países africanos de expressão portuguesa protagonizaram os maiores aumentos neste indicador, seguidos do Brasil. Segundo as contas da Visa Europe, os 10,9 milhões de euros desembolsados por moçambicanos, que são uma novidade entre o top 10 dos turistas que gastam mais em Portugal, representam um aumento um aumento de 88% face ao

período homólogo. Já os brasileiros despenderam mais 26,69%, totalizando 47,6 miilhões de euros. Por países, no primeiro quadrimestre, Angola ocupava a quarta posição desse grupo, atrás da França, Reino Unido e Espanha, lugar que manteve no segundo quadrimestre. Já entre Setembro e Dezembro, Angola substituiu a Espanha, passando para terceiro posto na lista dos países, cujos turistas deixam mais dinheiro em Portugal. Nesses quatro meses, os gastos dos angolanos avançaram 55,37% para mais de 90 milhões de euros, uma subida apenas ultrapassada pelas despesas dos visitantes oriundos de Moçambique, embora as mesmas representem menos de 2% do total dos gastos de estrangeiros em Portugal. Os turistas que visitaram Portugal, no último quadrimestre de 2011, deixaram 569 milhões de euros no País, de acordo

com o estudo “Mediterranean Rim Tourism Monitor” da Visa Europe. E apesar de não ser possível perceber onde é que os estrangeiros gastaram 242 milhões de euros - já que foram levantados no multibanco - do restante sabe-se que foi na roupa e na estadia que se gasta mais dinheiro. Seria interessante e muito útil que se pudesse fazer o tracking dos turistas estrangeiros em Moçambique, à semelhança do que sucede em Portugal e na África do Sul. O Observatório do Turismo da Cidade de Maputo gostaria imenso de poder contar com o apoio do grupo Visa na formulação e apresentação de Estudos que manifestassem as tendências de aquisição desses turistas, não só em Maputo como no resto do País.

Turismo e Hotelaria domina investimento em Sofala O sector do Turismo e Hotelaria domina o investimento na província de Sofala, de acordo com o CPI. A fatia representada pelo sector do Turismo e Hotelaria foi de 41%, no primeiro semestre de 2011, e o investimento global somou a quantia de 18.550.000 dólares norte-americanos. A seguir, situaram-se os sectores do Transporte e Comunicações, com 18% (8.350.000 dólares) e a Indústria, com 13% (6.017.801 dólares). Três projectos contribuíram para que tal sucedesse, sendo que o IDE foi de 100.000 dólares, o IDN de 3.125 dólares e o Sup/ Emp de 4.681.875. Os projectos em causa contribuíram para garantir 191 postos de trabalho (ou seja, 16,20% da fatia do emprego global). Na listagem das empresas em 2011 surgem o Beira Terrace Hotel (15.000.000 dólares) na cidade da Beira, o Ngalamo

Investimento autorizado por sector no primeiro semestre de 2011

41 %

18 % 13 %

Turismo e Hotelaria Transporte e Comunicações Indústria Serviços Aquacultura e Pescas Construção e Obras Públicas Agricultura e Agro-Indústrias

18.550.000 usd 8.350.000 usd 6.017.801 usd 4.785.000 usd 4.712.060 usd 2.421.200 usd 878.001 usd

11 %

Fonte: CPI

10 % 5%

Total

Safaris (550.000 dólares), em Muanza, e o Complexo Turístico Luna Mar (3.000 dólares) também na cidade da Beira. O investimento de 18.550.000 dólares representa um aumento substancial se tivermos em conta que, em 2009, o volume de investimento totalizou apenas

45.714.062 usd 7.803.722 dólares, atribuindo emprego a 69 trabalhadores, e que, em 2010, o Turismo e Hotelaria arrecadou 8.867.714 dólares de investimento, originando 194 postos de trabalho. Ou seja, o aumento registado foi superior a 100%, entre 2010 e 2011.


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Fevereiro.2012

Moçambique 1% 1%

Estrangeiros 7%

2% 1% 3% 0% 1% 9% 19 % 51 % 12 % 6% 45 %

Nampula Niassa Tete Manica Zambézia Sofala Vilanculos Gorongosa Pemba Praia de Tofo Bazaruto Ponta do Ouro Praia de Xai-Xai Bilene

5%

Nacionais

12 % 18 % 23 %

41 % 48 % 9% 20 % 32% 8% 3% 8% 8% 26 %

Fonte: Observatório do Turismo da Cidade de Maputo

Estrangeiros preferem Bazaruto a seguir a Maputo Confrontados se visitaram outros locais para além da capital, os visitantes estrangeiros e nacionais inquiridos pelo II Estudo de Satisfação ao Turista da Cidade de Maputo, encetado pelo Observatório do Turismo e levado a cabo pela empresa Intercampus (Gfk), registaram respostas diferentes. Os turistas estrangeiros dividem-se: 51% diz que não visitou outras paragens contra 49% dos que visitaram. Ao mesmo tempo, 64% dos nacionais diz que não visitou outros locais sendo que apenas 36% o fizeram. Nessa perspectiva, os 49% de inquiridos

estrangeiros preferiram ocupar parte da sua estadia, em Novembro de 2011, viajando até localidades associadas à prática de praia e actividades marítimas que lhe são inerentes. As preferências são inequívocas e o Bazaruto foi o local mais visitado (51%) seguido pelo Bilene (45%), que era o primeiro do ranking no I Estudo realizado. Surgem igualmente mencionados a Praia do Tofo (19%), a Ponta do Ouro (12%) e Pemba (9%). A escolha pode-se colocar por um lado devido à época ser mais propícia ao gozo de férias e passeio e turismo no País e tal é confirmado

pelos dados recolhidos, mas é preciso ter em conta que os negócios também estiveram presentes na agenda dos visitantes. Quanto aos visitantes nacionais, a tendência para visitar mais a província de Sofala mantém-se. Contudo, Pemba perde o seu segundo lugar no ranking (de acordo com o I Estudo de Satisfação realizado em Agosto) para a Zambézia e salta para o terceiro lugar. Curiosamente, tanto Sofala como a Zambézia poderão mais facilmente ser associados à prática de negócios do que a outro propósito de visita.

LAM vai voar para Brasil e China A companhia Linhas Aéreas de Moçambique registou um crescimento global dos proveitos operacionais na ordem dos 15%. Destaca-se ainda o resultado operacional e líquido positivo, o crescimento do volume de tráfego em 4%, o crescimento da produção (isto é, passageiros quilométricos) e das horas voadas na ordem dos 10%, e a taxa média de ocupação que atingiu os 73%, uma melhoria de 3 pontos percentuais, comparativamente ao ano de 2010. Contribuíram para o bom desempenho, a optimização da oferta e a maior utilização das aeronaves modernas, cujo nível de eficiência permitiu reduzir os períodos de rotação, aumentar o número de frequências e reduzir o consumo de combustível.

Importa ainda referir o estreitamento das relações de parceria (code-share) já existentes com a SAA e SAX na África do Sul, KQ no Quénia, a TAP em Portugal e a ET na Etiópia, permitindo aos passageiros acesso a um leque maior de opções nas suas viagens. Em termos de perspectivas para o ano de 2012, e no âmbito da renovação da frota, a LAM procederá muito brevemente ao fase-out do B737-200. Em sua substituição, passará a contar com um boeing mais moderno alugado na África do Sul, o B737-500, enquanto aguarda a chegada do terceiro Embraer E190, em Outubro. A LAM espera ainda receber a quarta aeronave do tipo Embraer em Outubro de 2013. Respondendo à crescente demanda causada pelos grandes projectos de desen-

volvimento no País, através da MEX, sua companhia subsidiária, a LAM pretende posicionar aeronaves a jacto com capacidade para transportar 50 passageiros no Centro (Tete) e Norte (Nampula). Ainda no âmbito do crescimento de mercado, em Janeiro, a LAM assinou mais acordo de parceria, desta vez com a companhia aérea Precision Air, da Tanzania, desta feita para os destinos mais atractivos da Tanzania como são os casos de Zanzibar e Kilimanjaro, bem como outros Países da Região Oriental de África. Por outro lado, a companhia aposta no aumento de parcerias no continente americano e asiático, abrindo horizontes para a futura realização de voos para o Brasil e a China, grandes parceiros do país em termos de projectos de desenvolvimento.


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fevereiro.2012

Observatório do turismo da cidade MAPUTO

MUNDO

O que irá acontecer até 2020? Numa longa caminhada, até ao ano de 2020, e segundo o Travel & Tourism Council, o segmento das viagens e Turismo irá manter a sua capacidade de liderança no que concerne a conduzir o crescimento global, gerando emprego e aliviando a pobreza. É expectável que as economias emergentes, em particular, venham a ser os motores de crescimento, dando alento às viagens internacionais – com a China a garantir sozinha quase 95 milhões de visitantes para outros destinos em 2020 – e gerando igualmente um crescente e vibrante sector de viagem doméstica. Não obstante, as economias desenvolvidas vão continuar a dominar o denominado ‘Global Travel & Tourism’ no futuro, visto que a maioria é constituída por mercados maduros a atingir o topo em termos de propensão para a viagem. Prevê-se que uma crescente preferência e focus no lazer venha a providenciar turistas para novos destinos, logo que os consumidores retomem a confiança. A popularidade de pequenas pausas –

Fonte: Oxford Economics

tanto a nível doméstico como internacional – irão continuar a aumentar. E a inovação da indústria das Viagens & Turismo contribuirá certamente para criar novos produtos e mercados, nos próximos oito anos. De um modo geral, é previsível que a economia das Viagens & Turismo cresça cerca de 4.4% por ano em termos reais, entre

Medida argentina de controlo de câmbio pode afectar turismo no Brasil O governo argentino decidiu reforçar o controlo de câmbio para evitar a saída de dólares do país. A partir do dia 3 de abril, os argentinos não poderão mais utilizar seus cartões de débito bancário no exterior para retirar moeda estrangeira de suas contas em pesos. Ao viajarem para o Brasil, por exemplo, e retirar reais de suas contas em pesos, só poderão fazê-lo se tiverem uma caderneta de poupança em dólares na Argentina. Pensa-se que a medida venha a afectar o turismo argentino no exterior porque, mesmo que as pessoas ainda possam usar cartões de crédito, vão-se sentir menos seguras, ao saber que não contam com outras formas de pagamento.

E comprar dólares para viajar ao exterior torna-se assim muito mais complicado. Esta é a segunda medida de controlo do câmbio adoptada pelo governo argentino em menos de cinco meses. A primeira, em Outubro passado, obrigou os argentinos que queriam comprar dólares (ou qualquer moeda estrangeira) a pedir autorização prévia à Afip, a Receita Federal local. Nos bancos e nas casas de câmbio, os compradores de divisa estrangeira devem apresentar provas de que têm suficientes pesos declarados para realizar a operação. Turistas que querem trocar os pesos que sobram das viagens podem fazê-lo, desde que apresentem provas de que trocaram moeda estrangeira por moeda local.

2010 e 2020, suportando mais de 300 milhões de trabalhos até 2020. Ou seja, 9.2% do total do desemprego e 9.6% do PIB global. Tal vem confirmar que o segmento de Viagens & Turismo vai continuar a crescer em importância como um dos sectores mundiais prioritários, mesmo enquanto empregador.

FEIRAS Internacionais em 2012 ITB, Berlim (Alemanha)

18 a 20 de Abril COTTM, Beijing (China)

12 a 15 de Maio INDABA, Durban (África do Sul)

Novembro World Travel Market, Londres (Inglaterra)

27 a 29 de Novembro EIBTM, Barcelona (Espanha)


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Fevereiro.2012

MUNDO

OMT encoraja investimentos em África O secretário-geral da Organização Mundial do Turismo (OMT) encorajou as empresas a que continuem os seus investimentos no continente africano e no seu “crescente mercado turístico”, durante o Fórum de Investimentos Turísticos em África (Investour). «África foi uma das regiões que mais cresceu na última década», afirmou o responsável máximo da Organização Mundial do Turismo, para juntar a ideia de que com uma estratégia adequada, as chegadas de turistas continuarão a aumentar, os investidores obterão um excelente rendimento, irão criar-se novos postos de trabalho e toda a economia

ganhará com isso. Reforçando as palavras de Rifai, o ministro de Turismo dos Camarões, M. Bello Bouba Maigari, realçou o modo como os projectos turísticos na África Central ajudaram milhares de pessoas a transpor o limiar da pobreza, enquanto o responsável da Comunidade de África Oriental sublinhou que, em termos de atractivos turísticos, África ainda está a «arranhar a superfície do seu potencial». Por seu turno, o director-geral da Casa de África, Ricardo Martínez, afirmou que face às previsões de que se atinjam em 2012 os mil milhões de turistas em todo o mundo, «temos que fazer do turismo

uma prioridade da política externa e da cooperação espanhola». A Investour, já na sua 3ª edição, visa incrementar a visibilidade de África enquanto destino turístico e mobilizar investimentos em projectos de desenvolvimento sustentável. Neste fórum, organizado conjuntamente pela OMT e pela FITUR, estiveram representados mais de 25 países africanos, entre os quais Cabo Verde.

OMT considera África a região que mais cresceu na última década

É lançado alerta para a concentração de investimentos no turismo em Cabo Verde Joseph Cool, representante da União Europeia chamou a atenção de Cabo Verde para o perigo da concentração de investimentos no sector do turismo. «A diversificação é uma coisa que é boa. O turismo é excelente, é uma janela para fora, permite que o país seja conhecido lá fora, mas não podemos concentrar tudo na área do turismo», disse, salientando que existe toda uma agenda de reformas e de modernização que tem de ser levada adiante.

Por outro lado, sem precisar outras áreas de investimentos, salientou que há uma série de problemas que devem ser atacados, nomeadamente a reforma laboral, questões de incentivos fiscais, da competitividade e trabalhar para a boa governação e manutenção da estabilidade política. «O esforço do Governo deve estar virado para a criação de condições óptimas para atrair os investimentos», referiu, frisando que um fluxo financeiro importante decorre na região da África

Ocidental. Joseph Cool lembrou que existe um esforço da UE em apoiar Cabo Verde na elaboração da convergência normativa e técnica e garantiu que tanto a UE como os seus Estados-membros estão dispostos a continuar a ajudar para que a transição de Cabo Verde de país menos avançado para o de rendimento médio, em curso, aconteça da forma mais equilibrada possível.

Economias avançadas crescem mais em 2011 O Turismo Internacional cresceu quase 5% no primeiro semestre de 2011, totalizando um novo recorde de 440 milhões de chegadas. Estima-se que as chegadas de turistas internacionais tenham crescido 4,5%, consolidando o aumento de 6,6% registado em 2010. Entre Janeiro e Junho de 2011, o número total de chegadas registou 19 milhões a mais, quando comparado com o mesmo período de 2010. Ao mesmo tempo, o crescimento nas

Chegadas Internacionais, evolução mensal Economias Avançadas & Economias Emergentes 16 meses 10 meses

Economias avançadas Economias Emergentes

Fonte: World Tourism Organization (UNWTO) ©

economias avançadas acabou por se fortalecer ao longo do ano passado, superiorizando-se de algum modo ao das economias emergentes, que têm vindo a impulsionar o crescimento do turismo internacional nos últimos anos. Uma tendência que reflecte a diminuição registada no Médio Oriente e no Norte de África, bem como um ligeiro abrandamento do crescimento de alguns destinos asiáticos, como o caso do Japão.

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fevereiro.2012

ObservatóriO dO turismO da cidade maPutO

MuNDo

Angola quer 4 milhões de turistas Angola pretende ter um movimento de quatro milhões de turistas até 2020, de acordo com projecções apresentadas, em Luanda, pelo ministro de Hotelaria e Turismo, Pedro Mutindi. De acordo com o governante, que falava na cerimónia de tomada de posse dos directores-gerais e adjuntos dos Pólos de Desenvolvimento Turístico, o sector prevê criar um milhão de postos de trabalho directos e indirectos, ao longo dos próximos oito anos. Até lá, vai ser desenvolvido um plano de mobilização a favor do turismo interno, para que 60 por cento dos angolanos viagem mais por “Angola Adentro”. «O futuro que almejamos depende sempre da forma como alicerçamos o presente e como olhamos para o passado», realçou Pedro Mutinde, para quem o turismo é a indústria da paz e do desenvolvimento sustentável de qualquer nação. O ministro Pedro Mutindi pediu, ain-

FICHA TÉCNICA

O Observatório do Turismo da Cidade de Maputo (OTCM) é resultado de uma parceria entre as 18 organizações que o integram. Trata-se de um organismo especializado em monitorar e analisar as informações de inteligência de mercado. O Boletim do OTCM é distribuído em Moçambique e em todas as embaixadas do País no exterior.

da, maior mobilização em torno das acções do Plano Director do Turismo, na reformulação e adequação do pacote legislativo do sector e na criação de uma maior disponibilidade de oferta de equipamentos e, consequentemente, de preços competitivos, capazes de atrair e permitir a livre adesão dos turistas internos e externos. Na sequência da instauração da paz, há dez anos, milhares de turistas estrangeiros têm escolhido Angola, que conta com muitos lugares de atracção turística em todo o território nacional. De salientar que Angola é o quarto mercado emissor de turistas para Moçambique, segundo o II Estudo de Satisfação ao Turista na Cidade de Maputo, e que seria proveitoso se se encetassem estratégias e parcerias no sentido de promover o turismo entre o país angolano e Moçambique, e vice-versa. Aliás, Angola passou do sexto lugar do ranking de turistas para o quarto.

85% dos aeroportos no Brasil estão em situação crítica Um estudo do Instituto de Pesquisa Económica Aplicada (Ipea) diz que 17 dos 20 principais aeroportos brasileiros, ou 85%, estão em situação crítica ou preocupante. Desses, 12 estão a funcionar acima da capacidade operacional. Apenas os aeroportos de Porto Alegre, Salvador e Manaus funcionam em condições adequadas, fora do cenário de estrangulamento. Segundo o estudo, as etapas do Plano de Investimentos da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) pouco evoluíram nos últimos 12 meses, entre Fevereiro de 2011 e Janeiro de 2012. Dos 11 aeroportos, nos quais estão previstos investimentos nos terminais de passageiros, oito ainda estão na fase inicial do projecto.

MEMBROS DO OTCM

EQUIPA Coordenação / concepção de textos: Helga Nunes (AHSM) Assessoria / concepção de textos: Federico Vignati (SNV) Secretariado: Tânia Barbero (AHSM) Design e Paginação: Rui Batista Tradução: Pedro Amaral Impressão: Kamatsolo, Lda.

 

INFORMAÇÕES associação de Hotéis do sul de Moçambique Rua da Sé, nº 114, 6º andar Porta 608 Maputo - Moçambique Tel. +258 21 31 4970 Subscrições e informações do Boletim: observatorioturmaputo@gmail.com http://observatoriomaputo.blogspot.com/

 


Boletim OTCM n.º 5 - 2012, Fevereiro