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ObservatóriO dO turismO da cidade de maPutO http://observatoriomaputo.blogspot.com/

Prioridades do Turismo para 2012 A Educação e a formação profissional assim como a atracção de investimentos assumem-se, no sector do turismo, como os grandes enfoques para o ano de 2012. A ideia é promover cada vez mais a especialização dos recursos humanos através do uso de unidades móveis, centros ou escolas instaladas, e prosseguir com os esforços encetados no que diz respeito à atracção de investimentos para zonas de interesse turístico. Urge formar e atrair investimentos, mas para 2012 o Ministério do Turismo é peremptório em defender a promoção do turismo doméstico; a divulgação da ‘Marca Moçambique’; a introdução do licenciamento electrónico e da plataforma do turismo; e a mobilização de recursos para a construção de três escolas de hotelaria e turismo –almejadas há muito pelos operadores turísticos. Aliás, só o conjunto das agências de turismo precisa de 500 profissionais. A palavra de ordem associada ao novo ano passa também pelo desenvolvimento integrado, sendo que em alta continuam a estar o Projecto Âncora (nas províncias de Maputo, Inhambane, Zambézia e Nampula) e o Projecto Arco Norte (nas províncias de Nampula, Niassa e Cabo Delgado), que procuram maiores injecções de investimento. Por outro lado, o ministro do Turismo, Fernando Sumbana, defende o carrinho de três rodas compostas pelo Sector Público, Privado e Sindicato. Uma estratégia que faz todo o sentido se se tiver em conta que a parceria público-privada (PPP) que dá vida ao Observatório do Turismo da Cidade Maputo (OTCM) tem vindo a dar

os seus frutos, não só em termos de informações de inteligência de mercado como da promoção de sinergias. Não obstante, e diante das metas traçadas para o desenvolvimento sustentável, torna-se imprescindível desenvolver a materialização da quarta roda do carrinho do turismo com a adesão das comunidades. Neste momento, a demanda turística para o nosso País é considerada alta. Mas o gráfico não se manterá constante nem em fase ascendente ao longo de 2012. Nesse sentido, o apelo do MITUR vai para que em conjunto quebremos a sazonalidade turística; aumentemos o volume de chegadas turísticas internacionais e, ao mesmo tempo, a quota de viagens internas, actuando na estratégia de diversificação de produtos e serviços turísticos. Torna-se premente incluir pacotes de turismo doméstico (ao bom estilo do «vá para fora cá dentro»), através da promoção de excursões para destinos histórico-culturais dentro do País. Será uma boa forma de instigar o turismo de férias, o turismo juvenil, numa forte parceria com o sector de alojamento e transportes. Só assim conseguiremos reduzir a sazonalidade das actividades turísticas e rentabilizar os meios e equipamentos disponíveis. Adicionalmente, e como os turistas viajam na sua maioria sozinhos, de acordo com o Estudo de Satisfação levado a cabo pelo Observatório, seria igualmente importante estimular o ‘turismo em família’ bem como captar o ‘turismo sénior’ que se encontra em franca expansão na Europa e nos EUA. Bom Ano Novo!

N.º3 DeZeMbRo.2011 Maputo Mais de 80% pretende voltar a Maputo ‘Ecoeficiência’ a todo o vapor nos hotéis Turistas que mais visitam Maputo têm entre 25 a 44 anos

MoçaMbique Oportunidades de desenvolvimento dos vínculos económicos com as economias locais Número de trabalhadores aumenta nas áreas de conservação ‘Meeting of the EU Trade Officials’ em Maputo

MuNDo Captar turistas brasileiros poderá ser uma boa aposta Turismo europeu cresce e supera expectativas OMT prevê 1.800 milhões de turistas em 2030


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Observatório do turismo da cidade MAPUTO

dezembro.2011

Maputo Indicadores Turísticos da Demanda - Destino Maputo

2008 2009 2010 2011*

Número de Turistas Nacionais Estrangeiros

294.698 333.000 357.310 382.320 40% 44% 44% 47% 60% 56% 56% 53%

Permanência Média

3

3

4

7

95

95

106

123**

Taxa de Ocupação Hoteleira 39.5% Contribuição ao PIB de Maputo (USD) Geração de Emprego Directo 3.880

44.3% $ 95 M 4.000

53,8% $ 151 M 4.116

$ 187 M 4.239

Gasto Médio por dia (USD)

* Projecção Observatório ** Estimativa Intercampus

Mais de 80% pretende voltar a Maputo

Participantes do seminário de apresentação de resultados das Auditorias de P+L, que foram conduzidas em sete hotéis das cidades de Maputo e Matola.

‘Ecoeficiência’ a todo o vapor nos hotéis No âmbito do Projecto de Valorização da Eficiência do Uso de Recursos e Produção Mais Limpa (ERP+L) na indústria hoteleira em Moçambique, no sector da acomodação e sua cadeia de valores de fornecimento, realizou-se um seminário de apresentação de resultados das Auditorias de P+L conduzidas em sete hotéis das cidades de Maputo e Matola. A iniciativa decorreu da continuidade dos trabalhos realizados nos hotéis, entre 2010 e 2011, e participaram activamente do projecto o Ministério para a Coordenação de Acção Ambiental (MICOA), através da Direcção Nacional de Gestão Ambiental (DNGA) e do Centro Nacional de Produção Mais Limpa (CNPML), em colaboração com a Direcção Nacional de Turismo (DNATUR) do Ministério do Turismo (MITUR), e com o apoio da UNIDO (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial). No Seminário, a UNIDO, o MICOA e o MITUR

organizaram uma cerimónia de premiação dos hotéis com boas práticas de conservação dos recursos, melhor desempenho ambiental e cometimento na implementação do Projecto, a 3 de Novembro. Nos dias 7 e 8 do mesmo mês, iniciou a segunda ronda de Capacitação dos Técnicos de Hotéis em eficiência do uso de recursos, Produção Mais Limpa e Responsabilidade Social para numa fase posterior se poder arrancar com as auditorias nos respectivos empreendimentos. O Observatório do Turismo da Cidade de Maputo, que se fez representar em ambos os eventos e no sentido de mobilizar e convidar mais hotéis da Cidade de Maputo para integrarem o Projecto, informa que os custos de participação no Projecto, incluindo as auditorias, são cobertos pela UNIDO e que os hotéis devem ser de «3 Estrelas para cima; ter um mínimo de 50 camas e possuir uma piscina».

Segundo o Estudo de Satisfação ao Turista na Cidade de Maputo, levado a cabo pelo Observatório do Turismo da Cidade de Maputo, 80% dos turistas estrangeiros tencionam voltar à cidade de Maputo após a sua visita, contra 89% dos nacionais. Quais são as razões invocadas para o retorno? Para 42% dos turistas vindos de fora a razão prende-se sobretudo com a oportunidade de celebrar negócios e para 35% dos mesmos a questão é motivada pelo gozo de férias. Já os nacionais pretendem retornar à capital de Moçambique em maior percentagem (51%) para passar as suas férias e 34% dos mesmos devido a actividades de passeio e turismo. Face à questão colocada sobre «se recomendaria a alguém uma visita à cidade de Maputo?», 92% de estrangeiros e 97% dos nacionais respondem afirmativamente – um dado que nos enche de orgulho e que nos motiva ainda mais no sentido de transformar Maputo num destino de eleição. Para tal, as sinergias inter-pares serão cruciais!


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Maputo

Turistas que mais visitam Maputo têm entre 25 a 44 anos De acordo com o Estudo de Satisfação ao Turista na Cidade de Maputo, realizado pelo Observatório do Turismo com o apoio técnico da empresa de estudos de mercado Intercampus, a camada etária dos estrangeiros que mais visitam a cidade de Maputo corresponde à que vai dos 35 aos 44 anos (36%), logo seguida do escalão dos 25 aos 34 anos (29%). Quanto aos turistas domésticos ou visitantes nacionais a proporção inverte-se de algum modo, sendo que 40% dos inquiridos que visitam a capital pertencem à camada etária que vai dos 25 aos 34 anos, e 28% são os que possuem entre 35 e 44 anos. No fundo, mais de 60% dos entrevistados que viajam até Maputo representam a considerada idade activa. Mas, enquanto os estrangeiros vêm a Maputo mais orientados para o desenvolvimento de negócios (30%), os nacionais acorrem à cidade para visitar os familiares e amigos (34%) e no sentido de gozarem as suas merecidas férias (33%). Tendo em conta que em determinados pontos do globo, como na Europa e nos Estados Unidos da América, já se promove imenso aquilo que se chama de turismo

Estrangeiros

Nacionais 4%

8%

18%

36%

55 ou mais

11%

45-54

28%

35-44

41%

25-34

28%

16-24

10%

16%

Fonte: OTCM

sénior. Ou seja, um turismo mais vocacionado para uma camada etária mais idosa. Seria interessante poder intensificar a aposta num público-alvo mais velho e com uma tranquilidade financeira suficiente para poder ficar mais tempo na cidade, e ao ponto de aumentar a percentagem de visitantes que se quedam entre os 26% dos estrangeiros e os 15% dos nacionais com mais de 45 anos. Eis um desafio que o Observatório lança aos actores turísticos bem como ao próprio Governo em termos estratégias de promoção e marketing.

Turistas viajam mais sozinhos Ao perfil do visitante que acorre à cidade de Maputo junta-se ainda a particularidade de que a maioria dos indivíduos, inquiridos no âmbito do I Estudo de Satisfação ao Turista na Cidade de Maputo, desloca-se em viagem sozinho. Aliás, 59% dos estrangeiros e 76% dos nacionais acorrem a Maputo sem a companhia de alguém. A percentagem dos que que viajam com a família é ainda pouco expressiva (19% dos estrangeiros e 16% dos nacionais), o Estrangeiros

59%

sozinho

família

Nacionais

que nos leva a crer que se os pacotes turísticos fossem cada vez mais orientados para o segmento familiar, os operadores turísticos iriam ser capazes de captar uma maior fatia de turistas. Outro facto curioso é que apesar de 30% dos visitantes estrangeiros vir à cidade de Maputo no intuito de estabelecer negócios, constata-se que apenas 4% dos mesmos vêm em grupo de negócios. Ou seja, uma vez mais, a deslocação e estadia são feitas em regime individual. 19%

amigos 76%

Fonte: Observatório do Turismo da Cidade Maputo

grupo negócios

12%

4% 6%

grupo turismo 16%

6% 2%

Investimentos turísticos atingem Reserva Especial de Maputo As zonas turísticas de Dobela e Milibangalala, localizados na Reserva Especial de Maputo (REM), irão beneficiar de um investimento calculado em mais de 100 milhões de dólares norte-americanos. A ponta de Milibangalala é a que absorve a maior fatia do investimento, com 90 milhões de dólares. O montante será aplicado na construção de um hotel de cinco estrelas que inclui uma sala de congressos, restaurantes e bungalows. Serão construídas ainda residências de ocupação temporária e um centro de actividades desportivas e safaris. Por seu turno, a Ponta de Dobela, com 10 por cento do investimento (10 milhões de dólares) irá beneficiar de um projecto que compreende a implantação de Chalets, entre outras acções de apoio às actividades previstas na REM. O projecto, em fase de estudo, é desenvolvido pela Mozaico do Índico, uma empresa participada por entidades estatais e orientada para a promoção e gestão das oportunidades de investimento no sector do turismo. Para a concretização dos projectos foi assinado o contrato de concessão das referidas zonas turísticas, entre o Ministério do Turismo e a Mozaico do Índico. Na ocasião, o ministro do Turismo, Fernando Sumbana, destacou as recentes medidas promovidas pelo Governo na vertente humana, entre as quais a consignação de 20 por cento das receitas geradas nos parques e reservas para as comunidades locais.

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Observatório do turismo da cidade MAPUTO

Moçambique

Moçambique entre os melhores destinos turísticos para 2012 Para o jornal ‘Financial Times’, Moçambique é uma das grandes atracções do mercado turístico para 2012. O jornal recolheu a opinião de vários agentes de viagens que apontaram alguns dos destinos que deverão ser mais procurados pelos turistas. Will Jones da agência de viagens Journeys by Design diz: “Com uma linha costeira de 2,500 km inexplorada, plena

de belezas, Moçambique é o último grito dos destinos litorais”. Mas outro agente, Joel Zack, da Heritage Tours não lhe fica atrás: “Moçambique oferece o luxo sem perder a sensação de se estar em África. As praias são fantásticas e as pessoas muito amáveis”. No que diz respeito ao turismo de topo, o destaque vai para a ilha de Quilalea, situada no arquipélago das Quirimbas, no

Norte do País. Não obstante, outros pontos mágicos são igualmente apontados como a Ilha de Ibo e as ilhas de Bazaruto e Benguerra, que atraem as atenções das agências de viagem, assim como o Parque Nacional da Gorongosa. Ou seja, Moçambique soma e segue em termos de destinos de reconhecida qualidade turística.

TURCONSULT

O crescimento do turismo em Moçambique e as oportunidades de desenvolvimento dos vínculos económicos com as economias locais As estatísticas oficiais indicam que o número de chegadas internacionais ao País tem estado a crescer progressivamente. Os investimentos no Turismo também demonstram um crescimento considerável, colocando o sector no quarto lugar no conjunto dos investimentos directos estrangeiros registados em Moçambique nos últimos 6 anos. Por outro lado, o recente fenómeno da nossa economia relacionado com a descoberta e início de exploração de carvão mineral, gás e petróleo tem vindo a contribuir para o aumento do tráfego de pessoas a nível interno, para além de que as relações económicas do mercado interno e as actividades relacionadas com a administração nacional contribuem para que cada vez mais moçambicanos viagem pelo País. A oferta turística em termos de serviços de alojamento (quartos) e similares (restaurantes) tem também registado aumentos progressivos. No entanto, nota-se ainda uma fraca ligação entre o crescimento das actividades de turismo e a resposta das economias locais à crescente demanda de produtos e serviços a incorporar na Cadeia de Valor do Turismo como fornecimentos locais de terceiros. O turismo como actividade económica tem um grande potencial de estimular a capacidade empresarial local devido ao facto de exigir um vasto leque de serviços e produtos fundamentais para a prestação de serviços de alojamento, restauração e actividades que tirem partido dos atractivos locais como programas turísticos, o que constitui em última análise a essência do negócio do Turismo. Os produtos hortícolas e a respectiva cadeia de produção

e fornecimentos proporcionam grandes oportunidades de inclusão de pequenos e médios produtores, mas será necessário introduzir novos produtos que respondam às necessidades de serviços de restauração de qualidade internacional. Serviços de segurança e manutenção, lavandarias e outros podem ser contratados em regime de “outsourcing” pelos hotéis. O desenvolvimento de negócios ligados às actividades náuticas, pesca de lazer, o artesanato, os espectáculos culturais, o teatro, as agências de turismo receptivo, os operadores de programas locais, o turismo de habitação, entre muitas outras actividades, fazem parte de um grande universo de negócios com grandes oportunidades de inclusão na Cadeia de Valor do Turismo. Torna-se necessário entender que todas as pesquisas realizadas sobre a Cadeia de Valor do Turismo têm demonstrado que o fenómeno do Turismo não aponta somente para o mercado estrangeiro como estando na origem do crescimento do sector mas que, pelo contrário, o número maior de turistas que visitam os diversos pontos do País são essencialmente nacionais ou residentes. Por esse motivo deverá ser entendido pelas pessoas activas das economias locais que o Turismo abre inúmeras portas para a diversificação das actividades económicas locais que estão gradualmente a ser influenciadas por novos tipos de solicitações ligadas a necessidade de alojar, alimentar e divertir turistas e viajantes nacionais e estrangeiros.


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Moçambique

Ante-projecto de Lei das Áreas de Conservação têm progressivamente vindo a crescer e com impacto directo sobre o ambiente; (ii) a necessidade de de inir claramente a participação das comunidades locais nas áreas de conservação. Salientou-se a dificuldade de funcionar com três institutos autónomos que regem a mesma matéria, nomeadamente o Ministério do Turismo, o Ministério para Coordenação da Acção Ambiental (MICOA) e o Ministério da Agricultura, ainda no mesmo âmbito sobre a burocracia exigida pelos Governos provinciais e distritais no que toca às licenças para actividade do turismo e actividade cinegética. Este projecto prevê uma revisão profunda sobre as penalizações dos actos criminosos voluntários com a integração de prisão efectiva nos crimes cometidos por reincidência.

No dia 24 de Novembro realizou-se a Consulta sobre o ante-projecto da Lei das áreas de conservação. Participaram desta reunião a Governadora da Cidade de Maputo, o ministro do Turismo, juristas, docentes, responsáveis de coutadas de caça e representantes da sociedade civil bem como o Observatório do Turismo da Cidade de Maputo. O ante-projecto prevê dar resposta adequada à realidade actual, harmonizar-se à lei de pescas, minas, caça e estradas no que concerne à protecção, conservação e uso sustentável da diversidade biológica para o benefício da humanidade e de gerações moçambicanas em particular. Foram debatidos aspectos sobre: (i) a essência conceptual das áreas de conservação total, posto que habitam no seio dos Parques Nacionais (área de conservação total) comunidades que

45 24 51 40

Parque Nacional de Bazaruto

406 385

Parque Nacional de Gorongosa 52 35

Parque Nacional de Zinave

71 72

Parque Nacional das Quirimbas

116

Parque Nacional do Limpopo

84 61 55

Reserva Especial de Maputo

174

Reserva Nacional do Niassa Reserva de Pomene

80 13 8

Reserva de Marromeu

9 6

Reserva do Gilé

9

Reserva de Chimanimani FONTE:DNAC

35 63 41

O governo moçambicano assinou com a BW Mozambique, Lda., uma empresa formada pela INATUR - Instituto Nacional de Turismo e a BW Group, de operadores britânicos domiciliados na Espanha, um contrato na área do turismo estimado num bilião de dólares. A verba será aplicada nas ilhas de Crusse e Jamal, localizadas na província de Nampula, segundo o ministro do Turismo, Fernando Sumbana, e prevê-se que o arranque das obras possa ocorrer no primeiro trimestre de 2012. Este investimento enquadra-se numa série de empreendimentos turísticos que serão instalados nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, designados por Projecto Arco Norte.

Número de trabalhadores aumenta nas áreas de conservação

Número de Trabalhadores nos Parques Naturais e Reservas Parque Nacional de Banhine

BW Mozambique vai investir 1 bilião de dólares em Nampula

2010 2008

O pessoal afecto às áreas de conservação tem vindo a aumentar em praticamente todos os parques e reservas de Moçambique. A variação do número de efectivos tem sido positiva em 10 das 11 áreas existentes, sendo que a que registou um maior aumento foi a reserva do Gilé, com uma variação positiva na ordem dos 288,9%. A reserva em causa viu aumentar o seu número de trabalhadores, entre 2008 e 2010, de 9 para 35, de acordo com a DNAC. Também a Reserva do Niassa apresenta uma evolução positiva de 80 para 174 postos de trabalho criados de 2008 a 2010 (registando uma variação positiva de 117,5%). No terceiro e quarto lugares, no que diz respeito à geração de emprego e no período em estudo, posicionam-se o Parque Nacional de Banhine e a Reserva de Pomene, com uma variação de 87,5 e 62,5%, respectivamente. Curiosamente, e em termos numéricos, o Parque Nacional da Gorongosa possui o maior número de trabalhadores quando comparado com as restantes áreas de conservação do País, com um total de 406 funcionários.

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Moçambique

‘Meeting of the EU Trade Officials’ em Maputo O Observatório do Turismo da Cidade de Maputo esteve presente no ‘Meeting of the EU Trade Officials’, a 30 de Novembro de 2011, na delegação da União Europeia em Maputo. Um evento dedicado às oportunidades de investimento no sector do Turismo, no qual participaram igualmente o INATUR e a empresa Turconsult. Nesse contexto, o INATUR, através do Dr. Mário Sevene (responsável pelo departamento de desenvolvimento e investimento), apresentou as oportunidades de investimento no seio do sector e alguns projectos em Moçambique que poderão ser tentadores para empresários estrangeiros, sobretudo nas regiões de Pemba, Inhassoro e Vilanculos. O Dr. Rui Monteiro, empresário responsável pela firma Turconsult, abordou

«Um evento dedicado às oportunidades de investimento no sector do Turismo, no qual participaram igualmente o INATUR e a empresa Turconsult» as oportunidades e desafios do sector privado no que diz respeito ao turismo, evidenciando o papel relevante dos projectos empresariais de pequena e média dimensão, da formação profissional bem como os negócios complementares às empresas do ramo da hotelaria e restauração (evidenciando sobretudo os respeitantes ao agrobusiness). Em representação do Observatório do Turismo da Cidade de Maputo, a Dra. Helga Nunes apresentou o organismo que monitora e analisa o mercado; apoia

a gestão das empresas de turismo e das políticas e estratégias do sector e que promove a Cidade de Maputo enquanto destino atractivo. Presentes estiveram os responsáveis pelas áreas de investimento e negócio das embaixadas de Espanha, França, Irlanda, Itália e Portugal, e ainda Myriam Sekkat (Oficial do Sector Privado e Comércio) e Francesca Di Mauro (Primeira Secretária – Chefe de Secção, Desenvolvimento Económico e Governância), da delegação da União Europeia em Moçambique.

mitur

RAS, Swazilândia e Moçambique unem esforços turísticos As autoridades do sector de turismo de Moçambique, África do Sul, através da província de Kwazulu Natal, e Swazilândia organizaram, de 26 a 29 de Novembro, uma expedição motorizada denominada Cross Border Excursion. A expedição partiu da região de Kwazulu Natal, concretamente em Durban Hluhluwe, seguindo para Maputo (Ponta do Ouro, Reserva Especial de Maputo), prosseguindo para a Swazilândia (Mbabane) e terminando em Durban, na procedência. A excursão contou com a participação de 200 pessoas, numa coluna constituída por 50 viaturas com tração a quatro rodas e três adicionais mega-buses. Segundo o programa, em cada um dos três países por onde passou a caravana de turistas, foi realizdo um seminário com o envolvimento de aproximadamente 500 pessoas, sendo 200 excursionistas e 300 empresários, designadamente operadores turísticos, jornalistas e parceiros locais. A conferência teve como enfoques a apresentação de oportunidades de investimento, actividade que foi coordenada pelas agências de promoção de investimentos de Moçambique, África do Sul e Swazilândia. O evento teve um forte envolvimento do sector privado,

patrocinando a iniciativa sob forma de cedência de meios de transporte, financiamento de combustível, telecomunicações, seguros, serviços de salvamento dos participantes, em caso de necessidade, e noutras áreas. A excursão foi um encontro de culturas em que se juntaram os povos de Moçambique, África do Sul e Suazilândia para se tornar num único com o objectivo de desenvolvimento económico. Moçambique trabalhou com o sector privado, o que permitiu receber condignamente os visitantes. Foram mobilizados os artesãos, pescadores e operadores turísticos para que cada um pudesse ofereçer o seu melhor em termos de alojamento, gastronomia, arte e cultura e de pescado. A ocasião serviu para mostrar o que o Moçambique tem de melhor através de brochuras e vídeos, sob o ponto de vista turístico e o que tem a vender, incluindo oportunidades de investimento. A Cross Border Excursion está integrada numa iniciativa tripartida de promoção de turismo, envolvendo Moçambique, África do Sul, através da província de Kwazulu Natal, e Swazilândia, cujo lançamento aconteceu recentemente em Sandton, Joanesburgo, na África do Sul. Rafael Nambal, assessor de Comunicação e Imagem


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MuNDo

65% dos estrangeiros não conhecem a ‘Marca Moçambique’ Conhece a marca ‘Moçambique’? Nacionais não 9%

Além do recente lançamento, por parte de Moçambique, Suazilândia e a província sul-africana de Mpumalanga, da marca regional de turismo denominada ‘Triland’, que nasce para captar potenciais visitantes na Europa, na Ásia e no continente americano, urge reflectir sobre a propalada ‘Marca Moçambique’. Depois de cerca de três anos após o seu lançamento (tendo o mesmo decorrido a 26 de Fevereiro de 2009), apenas 35% dos turistas estrangeiros diz conhecer aquele branding, contra 91% dos nacionais. Aliás, 65% dos estrangeiros é peremptório quando afirma desconhecer a ‘Marca Moçambique’, que nasceu para promover «um país rico em segre-

sim 91%

não 45%

Estrangeiros

não 65%

sim 35%

sim 55%

Total Fonte: Observatório do Turismo da Cidade de Maputo

Captar turistas brasileiros poderá ser uma boa aposta O turismo interno no Brasil cresceu 16% entre 2007 e 2010, passando de 43 para 50 milhões de pessoas. Parte da responsabilidade desse crescimento pertence aos viajantes domésticos que já correspondem a 85% do turismo brasileiro, segundo dados do Ministério do Turismo. A tendência será continuar crescendo, esperando-se que emerjam mais 50 milhões de brasileiros que não tinham o turismo na sua base de consumo e que agora terão - uma tendência que se espera ver concretizada também em Moçambique. Além dos turistas domésticos, o sector irá investir igualmente na América do Sul. As principais apostas serão no Chile, pela sua boa posição económica, e na Argentina que tem vindo a se reestruturar financeiramente. Além disso, o Peru e a Colômbia também têm apresentado um forte crescimento económico, com bons mercados a serem explorados pelo turismo brasileiro, uma ideia que Moçambique poderia replicar em relação

a países vizinhos em pleno gozo da saúde económica e até um pouco mais distantes como Angola (o quinto mercado emissor de turistas para a cidade de Maputo). Por outro lado, o câmbio com o Real forte vem prejudicando a balança comercial do turismo, propiciando a saída dos brasileiros das classes A e B, que consideram mais vantajoso viajar para fora do país. Um dado extremamente importante, se tivermos em conta a proximidade estabelecida, nos últimos tempos, em termos de actividades culturais e de negócio entre Moçambique e o Brasil. Face à cooperação encetada entre os dois países e as oportunidades de negócio que se antevêem, urge estabelecer uma estratégia de captação de turistas brasileiros para Moçambique. Quem sabe a Copa do Mundo no Brasil não poderá ajudar Moçambique no sentido da atracção de mais visitantes?

dos e tesouros naturais». Na altura ficou expresso que a Marca Moçambique iria funcionar, sobretudo, como um compromisso no sentido da exigência que não se pode compadecer com a falta de limpeza nas cidades, a pouca afabilidade dos agentes da polícia, a ineficácia dos operadores nem com a inexistência de infraestruturas de apoio, entre outras falhas. A meta definida pelo Ministério do Turismo consistia em suplantar os 180 milhões de dólares da receita do turismo internacional, arrecadados em 2008, e atingir os 4 milhões de turistas em 2020. Será que o ‘Triland’ vai servir para fortificar a ‘Marca Moçambique’?

Turismo europeu cresce e supera expectativas Contrariamente à tendência dos últimos anos, o crescimento nas chegadas durante os oito primeiros meses de 2011 foi maior nas economias avançadas (+4,9%) do que nas emergentes (+4,0%), devido principalmente aos resultados especialmente bons da Europa (+6%). Na Europa do Norte (+7%) e Europa Central e Oriental (+8%), a recuperação do declive de 2009, iniciado em 2010, ganhou impulso este ano. O mesmo sucedeu em alguns destinos da Europa do Sul (+8%), que este ano também se beneficiaram da diminuição das viagens para o Médio Oriente (-9%) e para o Norte de África (-15%).

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OMT prevê 1.800 milhões de turistas em 2030 Em 2030, as chegadas de turistas internacionais em todo o mundo deverão ascender ao número de 1.800 milhões. A estimativa é da OMT e foi apresentada durante a XIX Assembleia Geral deste organismo, que decorreu na Coreia. De acordo com a OMT, o turismo vai continuar a crescer até 2030 mas a “um ritmo mais moderado”, mais concretamente a cerca de 3,3% ao ano. Tal significa que “a cada ano, entrarão no mercado turístico mais 43 milhões de turistas”, sublinha a OMT, avançando que a meta dos 1.000 milhões será já ultrapassada no próximo ano. O número de turistas previstos para 2030, 1.800 milhões, significa, segundo a OMT que “em duas décadas, 5 milhões de pessoas cruzaram por dia as fronteiras internacionais”, seja em lazer, negócio ou através de outras actividades. Até 2030, os destinos que maior cres-

FICHA TÉCNICA

O Observatório do Turismo da Cidade de Maputo (OTCM) é resultado de uma parceria entre as 16 organizações que o integram. Trata-se de um organismo especializado em monitorar e analisar as informações de inteligência de mercado. O Boletim do OTCM é distribuído em Moçambique e em todas as embaixadas do País no exterior.

cimento irão apresentar são os emergentes. Assim, Ásia, América Latina, Europa Central e Oriental, Europa Mediterrânica Oriental, Médio Oriente e África deverão ganhar cerca de 30 milhões de turistas por ano, número que se compara aos 14 milhões que deverão ser ganhos pelos destinos mais tradicionais das economias mais avançadas: América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico. A OMT avança ainda que já em 2015 as economias emergentes igualarão as mais avançadas em número de turistas, mas em 2030 já as terão ultrapassado, com uma quota de 58%. Por outro lado, nas próximas décadas, os países da Ásia e do Pacífico irão ser os principais emissores de fluxos turísticos, pensando-se que até 2030 poderão gerar 17 milhões de chegadas a cada ano, contra os 16 milhões gerados pelos europeus.

FEIRAS Internacionais em 2012 18 a 22 de Janeiro Feira Internacional de Madrid (Espanha)

29 de Fevereiro a 04 de Março Bolsa de Turismo de Lisboa (Portugal)

07 a 11 de Março ITB, Berlim (Alemanha)

18 a 20 de Abril COTTM, Beijing (China)

12 a 15 de Maio INDABA, Durban (África do Sul)

Novembro World Travel Market, Londres (Inglaterra)

27 a 29 de Novembro EIBTM, Barcelona (Espanha)

MEMBROS DO OTCM

EQUIPA Coordenação / concepção de textos: Helga Nunes (AHSM) Assessoria / concepção de textos: Federico Vignati (SNV) Secretariado: Tânia Barbero (AHSM) Design e Paginação: Rui Batista Tradução: Pedro Amaral Impressão: Kamatsolo, Lda.

 

INFORMAÇÕES Associação de Hotéis do Sul de Moçambique Rua da Sé, nº 114, 6º andar Porta 608 Maputo - Moçambique Tel. +258 21 31 4970 Subscrições e informações do Boletim: observatorioturmaputo@gmail.com http://observatoriomaputo.blogspot.com/

 


Boletim OTCM n.º 3 - 2011, Dezembro  

Boletim do Observatório de Turismo da Cidade de Maputo

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