Page 1


© SENAI Departamento Regional do Paraná 2007

Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense Roadmapping da Indústria Agroalimentar 2015 Equipe Técnica Marília de Souza Organizador Técnico Gina Gulineli Paladino Ariane Hinça Schneider Clarisse Bruning Schmitt Roepcke Fabiana Cristina de Campos Skrobot Ronivaldo Steingräber Gilson Abreu (fotos internas)

SENAI. Departamento Regional do Paraná.

Rotas estratégicas para o futuro da indústria paranaense : roadmapping de produtos de consumo – 2015. / SENAI. Departamento Regional do Paraná. – Curitiba : SENAI/PR, 2007. 57 p. ; 21x26cm. ISBN 978-85-88980-17-4 1. ������������������������ Indústria. 2. Paraná. 3. ���������������������������� Produtos de consumo. 4. Roadmapping. I. SENAI. Departamento Regional do Paraná. II. Título.

CDU 338.45


Apresentação

O

Sistema FIEP definiu, em 2004, o “desenvolvimento industrial sustentável do Paraná” como visão de futuro em seu planejamento estratégico. Várias

frentes de ação foram e estão sendo criadas para a concretização dessa visão. Uma delas é o Projeto Setores Portadores de Futuro para o Estado do Paraná que, em 2005, buscou analisar as tendências e as abordagens que marcarão o desenvolvimento industrial até 2015, prospectando oportunidades e identificando os domínios estratégicos mais promissores para a indústria do nosso Estado. Este primeiro estudo prospectivo sinalizou algumas possibilidades de futuro sustentável para a indústria do Paraná. Os resultados deste trabalho foram amplamente divulgados e estão sendo usados para subsidiar a tomada de decisão, dar foco às ações por meio da concentração de esforços e investimentos, e posicionar a indústria do Paraná em patamar mais competitivo em âmbito nacional e internacional. Dando continuidade a essa iniciativa precursora, foi concebido, em 2006, o Projeto Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense, com o objetivo de elaborar mapas de trajetórias a serem percorridas para materializar até 2015 o potencial percebido em cada um dos domínios apontados como altamente promissores para o Paraná. Fruto de uma pareceria SENAI/PR e SESI/PR, o desenho das Rotas Estratégicas é um exercício de prospectiva utilizando o método Roadmapping. O projeto, que foi elaborado e implementado pelo Observatório de Prospecção e Difusão de Tecnologia do SENAI do Paraná, conta com o apoio do SENAI/ DN e está sendo realizado com a colaboração técnica da Fundação OPTI, da Espanha, que é referência em prospectiva tecnológica industrial na Europa. Os resultados desse trabalho são consolidados em Roadmaps, mapas sintéticos de caminhos a serem trilhados até 2015, e em relatórios contendo um levantamento das tecnologias-chave que precisamos dominar ou incorporar para criar sólidas bases tecnológicas. Este material é aberto a todos,




Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

pois a decodificação destas informações pode ajudar a concentrar recursos financeiros, inteligência e ação humanas, capitalizando esforços em prol do bem comum. Estas Rotas Estratégicas vêm dar suporte a dois grandes objetivos do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná, que são preparar os setores industriais paranaenses para oportunidades e mudanças futuras e induzir um processo consciente de construção de um futuro desejado, provocando e planejando as ações necessárias. O maior desafio do futuro é o presente. É no hoje que preparamos o amanhã. As sociedades mais avançadas e prósperas há muito perceberam que podem tecer a teia de seus destinos a partir de um planejamento de longo prazo. Nós também podemos arquitetar o nosso porvir, e com este fim estamos construindo os primeiros Roadmaps da indústria paranaense. Nas páginas a seguir são apontados alguns caminhos possíveis. Entretanto, edificar o futuro é uma tarefa coletiva que começa com a assimilação das perspectivas já sistematizadas. Convidamos a todos a se apropriarem deste trabalho e serem co-criadores desse processo.

Rodrigo da Rocha Loures

Presidente da FIEP Vice-Presidente da CNI, Presidente do Conselho de Política Industrial e Desenvolvimento Tecnológico da CNI




Sumário

Apresentação..................................................................................................................................... Rodrigo da Rocha Loures

5

Introdução........................................................................................................................................... José Antonio Fares Carlos Sérgio Asinelli

9

Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense.......................................................... Cooperação Técnica Internacional................................................................................................. Roadmapping................................................................................................................................. Metodologia....................................................................................................................................

13 14 14 16

Roadmapping da Indústria de Produtos de Consumo................................................................... Considerações sobre a Situação Atual........................................................................................... Couro e Artefatos............................................................................................................................ Madeira e Móveis........................................................................................................................... Têxtil e Confecção . ....................................................................................................................... Visões do Futuro Desejado............................................................................................................ Inovação Organizacional: Empresas em Rede – Visão 1......................................................... Inovação de Marketing: Imagem de Marca Forte – Visão 2..................................................... Inovação em Produtos e Processos: Design e Tecnologia – Visão 3....................................... Novos Materiais: Valor Agregado e Sustentabilidade – Visão 4...............................................

21 21 23 24 26 27 28 31 34 39

Roadmaps...........................................................................................................................................

43

Atores e Responsabilidades.............................................................................................................

47

“Tecnologias-Chave” para o Desenvolvimento da Indústria de Produtos de Consumo............

49

Conclusões......................................................................................................................................... Roadmapping de Produtos de Consumo ...................................................................................... Projeto Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense..............................................

51 51 52

Próximos Passos...............................................................................................................................

53

Referências.........................................................................................................................................

54

Participantes .....................................................................................................................................

57




Introdução

O

SESI/PR e o SENAI/PR acreditam que a visão de longo prazo, a prospecção de oportunidades e a inovação na geração de respostas cada vez

mais completas às demandas e necessidades socioindustriais são fundamentais para o futuro do Sistema FIEP e a prosperidade da indústria paranaense. Por isso, conjugaram seus esforços em uma iniciativa inovadora de prospecção de tendências e difusão de informações estratégicas para a tomada de decisão. Tudo começou com o Projeto Setores Portadores de Futuro para o Estado do Paraná, que teve por objetivo prospectar

José Antonio Fares

Diretor Executivo do SESI Paraná

o futuro da indústria paranaense no horizonte de 2015, identificando os setores de atividade e as áreas estratégicas de desenvolvimento que pudessem situar a indústria do Estado em posição competitiva em âmbito nacional e internacional. O projeto Setores Portadores de Futuro foi conduzido pelo Observatório de Prospecção e Difusão de Tecnologia do SENAI/PR, em cooperação técnico-científica com a Fundação OPTI – Observatório de Prospectiva Tecnológica Industrial da Espanha e contando com apoio do SENAI/DN. O projeto teve como características a démarche prospectiva, o enfoque multissetorial, a abrangência estadual e a abordagem participativa. A metodologia de trabalho contemplou, em um primeiro momento, a realização de estudos sobre a economia e a indústria do Paraná e sobre as tendências internacionais em termos industriais, tecnológicos e sociais. O exame e cruzamento destes trabalhos permitiram estabelecer as tendências internacionais Carlos Sérgio Asinelli

Diretor Regional do SENAI Paraná

mais pertinentes em relação à economia paranaense de um modo geral. 


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

A etapa seguinte foi marcada pela realização de pesquisas específicas sobre a economia e a indústria das regiões Norte, Noroeste, Oeste, Sudoeste, Campos Gerais e Metropolitana de Curitiba. Todos esses estudos foram usados como subsídios de informação para o processo de identificação dos setores, que foi conduzido de forma participativa, por meio de “painéis de especialistas” realizados em cada uma das regiões mencionadas. Foram mobilizados mais de 120 formadores de opinião oriundos da indústria, do governo, das universidades e do terceiro setor. As percepções de futuro dos participantes dos painéis de especialistas foram sistematizadas e resultaram na identificação dos setores e áreas considerados, neste primeiro exercício, de alto potencial para a indústria do Paraná e para cada uma das regiões em particular. Os setores de energia, indústria agroalimentar e a biotecnologia aplicada às indústrias agrícola, florestal e animal foram priorizados em todas as regiões e se configuram, assim, em setores estratégicos comuns para todo o Paraná. As especificidades regionais puderam ser percebidas e sinalizam para possibilidades de desenvolvimento que precisam ser alavancadas. Para a Região Metropolitana de Curitiba apareceram como promissores os setores de microtecnologia e saúde. Na Região Norte, os setores de produtos de consumo e saúde foram priorizados. Na região Noroeste, foram selecionados como estratégicos a microtecnologia e o turismo. Na região de Campos Gerais, os setores de papel, metal-mecânico e plástico foram apontados como mais promissores. Na região Oeste, o turismo foi identificado como setor estratégico. Na região Sudoeste, os setores de produtos de consumo e microtecnologias foram indicados como de futuro. Vale salientar que esse processo é dinâmico e que os exercícios prospectivos precisam ser refeitos periodicamente para divisar novas possibilidades. O processo de consolidação das perspectivas de futuro sinalizadas pelos especialistas foi realizado no decorrer de 2005 sob a forma de um relatório técnico contendo: a explicação detalhada do projeto; a explicitação dos setores/áreas identificados como promissores para o Paraná; as tendências tecnológicas identificadas como importantes; e as propostas de ação recomendadas pela Fundação OPTI com vistas a induzir a construção negociada do futuro almejado. Também foram produzidos prospectos com um resumo executivo e um filme promocional, ambos em português, inglês, espanhol, alemão e francês. Esse material pode ser consultado no site www.fiepr.org.br/observatorios ou solicitado por meio do endereço observatoriosenai@fiepr.org.br. Com o apoio desse suporte de informação, em 2006, o Sistema Federação das Indústrias do Paraná realizou a difusão do trabalho em níveis estadual, nacional e internacional. A divulgação teve como objetivos: tornar de conhecimento público o processo consciente de transformação da indústria paranaense; identificar oportunidades; e associar parcerias estratégicas.

10


Roadmapping de Produtos de Consumo 2015

O SESI/PR e o SENAI/PR iniciaram um processo interno de apropriação desses resultados e reorientação de parte de suas atividades com vistas a ajudar a construir as perspectivas de futuro selecionadas. Vários questionamentos surgiram, novos temas de reflexão foram colocados na ordem do dia, e as duas instituições têm buscado reposicionar-se com olhar voltado para um horizonte mais amplo. Graças à parceria forte entre SESI e SENAI do Paraná, que juntos conseguem articular as condições necessárias para levar a cabo uma iniciativa desta envergadura, são mantidas equipes técnicas dedicadas à prospecção e à inovação. Também são definidas e articuladas cooperações com centros de excelência, como a Fundação OPTI da Espanha, que vem formando quadros internos de ambas as casas e aportando sua competência e experiência em prospecção setorial. A implantação das atividades de prospectiva no Sistema FIEP abriu caminho para a instalação de uma nova cultura industrial de pensar o futuro, antecipando e influenciando o que está por vir. A continuidade do trabalho de prospecção foi planejada e, em 2006, foram iniciados os estudos detalhados para os temas/áreas identificados como portadores de futuro, dando assim vida ao projeto Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense, sob coordenação da mesma equipe técnica e sempre com apoio do SENAI/DN. O projeto Rotas Estratégicas busca criar uma agenda de ações convergentes orientadas para o desenvolvimento industrial do Paraná. O método de trabalho adotado é o Roadmapping que, com sua abordagem estruturada, faz interagir grupos de especialistas e induz, de forma compartilhada, a criação de visões prospectivas e a elaboração de conjuntos de ações encadeadas em um horizonte temporal de curto, médio e longo prazo. O Sistema FIEP, respeitando as especificidades de cada Casa que o compõe, enxerga os resultados deste projeto como inspiração para a inovação e a articulação de forças e ideais. Para o SESI do Paraná, as Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense mostram um desenho e um desejo de sociedade que precisam ser considerados e trabalhados. As mudanças tecnológicas esperadas implicam alterações no campo das profissões, da empregabilidade e das relações de trabalho. A concretização do futuro almejado nas visões dos setores e áreas pede mudanças educacionais profundas e ações de alfabetização digital já na mais tenra idade. Existe muito a ser feito, e o SESI/PR pode, por meio deste trabalho, desenhar uma estratégia de atuação em que mantenha a qualidade de seu atendimento, amplie seu poder de alcance e se prepare para atender a esta nova indústria e nova sociedade que estão para emergir. Para o Senai do Paraná, as Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense são verdadeiros mapas do caminho. Sinalizam tendências internacionais. Sinalizam futuros sustentáveis. Sinalizam mudanças e, conseqüentemente, novas necessidades e oportunidades para o setor industrial. 11


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

Parafraseando o especialista em inovação, Marc Giget, na origem de toda tradição, existe uma ou várias grandes inovações, tão importantes que são capazes de gerar uma tradição. O Senai/PR é uma instituição de tradição forte e mais do que nunca está convencido de que essa força está intimamente relacionada com sua capacidade de reinventar-se. O Senai/PR está se preparando para existir em um mundo novo que se desenha. Está quebrando paradigmas e construindo uma nova tradição, de um Senai que prospecta, que antecipa estrategicamente junto com a comunidade industrial os caminhos a seguir, e, com seu trabalho diligente, ajuda na construção de uma sociedade que progride e resguarda o direito das novas gerações. O SESI/PR e o SENAI/PR esperam que as Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense sejam inspiradoras para sua empresa, organização ou área de atuação. O sistema FIEP como um todo deseja sinceramente que, apoiada nos rumos ora traçados, a indústria paranaense possa trilhar caminhos cada vez mais ambiciosos, inovadores, assertivos e sustentáveis.

José Antonio Fares

12

Diretor Executivo do SESI Paraná

Carlos Sérgio Asinelli

Diretor Regional do SENAI Paraná


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

A

pergunta “Que futuro vamos construir?” modelou o projeto Setores Portadores de Futuro

e ajudou a vislumbrar pistas de prosperidade para a indústria paranaense. Esta questão continua na pauta do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná, porém ela

permite descortinar apenas o horizonte do caminho. Uma vez definida a direção, cabe agora uma nova pergunta: “Como poderemos chegar lá?” Para fazer face a esse novo questionamento foi idealizado o projeto Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense, que tem por objetivo apontar caminhos de construção do futuro desejado para cada um dos setores/áreas identificados como promissores para a indústria do Paraná no horizonte de 2015. Os objetivos específicos do projeto são: • Esboçar visões de futuro para cada um dos setores e áreas selecionados. • Elaborar uma agenda convergente de ações para concentrar esforços e investimentos. • Identificar tecnologias-chave para a indústria do Paraná. • Elaborar mapas com as trajetórias possíveis e desejáveis para cada um dos setores/áreas estratégicos. O projeto Rotas Estratégicas foi desenhado para execução em duas fases com vistas a abarcar todos os setores pré-identificados no exercício prospectivo Setores Portadores de Futuro, a saber: • Fase 1 (Período 2006 – 2007) Setores/áreas contemplados: Indústria Agroalimentar; Produtos de consumo; Biotecnologia Agrícola e Florestal; Biotecnologia Animal; e Microtecnologia. • Fase 2 (Período 2007 – 2008) Setores/áreas contemplados: Saúde; Papel; Metal Mecânico; Plástico; Energia; e Turismo.

13


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

Cooperação Técnica Internacional Este projeto está sendo desenvolvido pelo Observatório de Prospecção e Difusão de Tecnologias do SENAI/PR em uma cooperação técnico-científica com a Fundação OPTI – Observatório de Prospectiva Tecnológica Industrial. Com sede em Madrid, a Fundação OPTI é uma entidade sem fins lucrativos que está sob tutela do Ministério da Indústria, Comércio e Turismo da Espanha. Referência em prospectiva tecnológica industrial, já realizou mais de 45 estudos prospectivos setoriais para Europa e América Latina. A qualidade dos trabalhos e seu foco no setor industrial fazem da Fundação OPTI uma parceira estratégica para o Sistema FIEP. O objetivo desta cooperação é a transferência de conhecimentos e formação-ação de equipes técnicas no Paraná. A Fundação OPTI participou da concepção do projeto e da escolha do método. Foi responsável pela condução técnica e metodológica dos Roadmappings, orientando cada etapa, conduzindo as discussões e atividades dos participantes durante os Painéis de Especialistas.

Roadmapping O termo Roadmapping é um neologismo em inglês que, segundo Bray e Garcia (1997a), designa um processo de planejamento tecnológico para identificar, selecionar e desenvolver as alternativas tecnológicas que atendessem ao conjunto de necessidades de produção das empresas. Na atualidade, de acordo com Treitel (2005), o termo Roadmapping designa um método que permite desenvolver Roadmaps, ou seja, representações gráficas simplificadas que possibilitam comunicar e compartilhar de forma eficaz uma intenção estratégica com vistas a mobilizar, alinhar e coordenar esforços das partes envolvidas para atender a um ou a vários objetivos. Os Roadmaps fornecem um quadro para pensar o futuro. Eles estruturam a planificação estratégica e o desenvolvimento, a exploração de caminhos de crescimento e o acompanhamento das ações que permitem chegar aos objetivos. Probert e Radnor (2003) defendem que foi a indústria automobilística dos Estados Unidos que deu os primeiros passos para a criação do método Roadmapping, cuja difusão efetiva ocorreu nos anos setenta e oitenta, com larga utilização pelas companhias Motorola e Corning. Porém, a primeira publicação acadêmica data do final da década de 1980, de autoria de Willyard e McClees (1987), que apresentam o Roadmapping e suas vantagens no planejamento tecnológico para empresas. Inicialmente, o Roadmapping era utilizado apenas por empresas, tinha um enfoque tecnológico e continha um forte componente confidencial. Com a difusão do uso, os Roadmaps foram se diversificando 14


Roadmapping de Produtos de Consumo 2015

e vários foram divulgados como: o do DVD da Hitachi de 1999 (SADAYASU e colaboradores, 1999); o da empresa Compaq que fez um Roadmapping próprio em 2001 (COMPAQ, 2001); o do disco ótico de 60 GB realizado pela Calimetrics em 2002 (BURKE e SCHMIDT, 2002); o uso da tecnologia 3G feito pela Telenor Móbile (FJELL, 2003), e a prospecção sobre a hyper technology feita pela Astrium (JOHANN, 2003), ambas em 2003. Com o passar do tempo, um número crescente de organizações industriais, científicas ou governamentais, implementou abordagens análogas, apropriando-se do princípio e adaptando-o a contextos setoriais, temáticos ou regionais, por exemplo, os Roadmaps: • da indústria química (American Chemical Society e colaboradores, 1996), (Scouten e Petersen, 1999) e (Thompson e Kontomaris, 1999);

• da indústria de fundição (Cast Metal Coalisation, 1998); • da indústria americana de construção comercial (RCBI, 1999); • do petróleo (API e NPRA, 1999); • da infra-estrutura da Sociedade Canadense de Microeletrônica (ITRS, 2000); • das comunicações óticas da Rede Temática OPTIMIST (Demeester, 2002); • da indústria fotovoltaica e a eletricidade limpa (EPIA, 2002), (PVNET Consortium, 2002) e (Jäger-Waldau, 2002);

• de chips (CHEN, 2003). O processo de ampliação do uso e das áreas de aplicação do método fica bem exemplificado pelo Foresight Vehicle Programme, Roadmapping inglês realizado para o setor automotivo, que reuniu cento e trinta especialistas e sessenta organizações para planejar os próximos vinte anos do setor no Reino Unido (Society for Motor Manufacturers and Traders, 2004). Este também é o caso do Roadmapping

de semicondutores da SIA (Associação da Indústria de Semicondutores), comentado por Allan, Edenfeld e Joyner (2002), Schaller (2004) e Iwai (1999), que reuniu, em sua primeira versão em 2001, especialistas de países asiáticos, europeus e norte-americanos e que é uma grande referência em Roadmapping para setores industriais. A Comissão Européia também realizou Roadmappings como, por exemplo, o de inteligência ambiental em 2001 (Ducatel e colaboradores: 2001) e o da tecnologia wireless em 2002 (Loupis, 2002). Porém, o governo dos Estados Unidos teve um grande peso na utilização deste método, conduzindo vários Roadmappings, dos quais se destacam: robótica e máquinas inteligentes (US Department of Energy, 1998); recursos renováveis para a agricultura (US Department of Agricultural e US Department of Energy, 1998); o futuro dos caminhões (Bradley, 2000); eletricidade (US Department of Energy, 2000) e (EPRI, 2003); bioenergia (US Department of Energy, 2001); gás (Luke e Hamp, 15


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

2001); robótica (Gregory e colaboradores, 2001); turbina a vento (AWEA, 2002); nanotecnologia da NASA (Meyyappan, 2002); turbinas de alta eficiência (Layne, 2002); células a combustível (Rossmeissl, 2002); e

viagens solares (NASA, 2002). Graças às suas possibilidades de aplicação, o escopo de utilização do método Roadmapping se expandiu. Atualmente, além dos tecnológicos, encontramos referências de Roadmaps para produtos, políticas, cadeia de fornecedores, inovação, estratégias, competências, entre outros. Os Roadmappings realizados no âmbito do projeto Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense foram concebidos para permitir a formulação e a implementação de estratégias. Eles trazem também informações sobre tecnologias necessárias para permitir à indústria avançar em direção ao futuro desejado, entretanto não tem por objetivo definir alternativas tecnológicas precisas para os setores/áreas em estudo.

Metodologia Lançado em 2006 e com conclusão prevista para 2008, o Projeto Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense tem por meta desenhar mapas de trajetórias a serem percorridas para cada um dos domínios identificados como altamente promissores para a indústria do Estado até 2015. Em função do número de setores/áreas de interesse foi estabelecido um cronograma de trabalho em duas fases, conforme o diagrama a seguir. Figura 1 – Modelo do processo de geração dos roadmaps da indústria do Paraná.

Fonte: Elaborado pelo Observatório de Prospecção e Difusão de Tecnologia do SENAI/PR 16


Roadmapping de Produtos de Consumo 2015

Os Roadmappings estão sendo executados segundo uma mesma metodologia de trabalho, que pode ser dividida em quatro etapas:

Etapa 1 – Estudos preparatórios Foram elaborados, pelas equipes técnicas no Paraná, estudos para levantar a situação atual de cada um dos setores/áreas trabalhados em termos de número de empresas, empregados, produção, porte das empresas, principais produtos de exportação e indicadores científicos e tecnológicos, que estão disponíveis no site www.fiepr.org.br/observatorios. Estes estudos foram enviados aos especialistas como subsídio de informações preparatório aos painéis técnicos. Em paralelo, na Espanha, a Fundação OPTI, amparada pela sua larga experiência internacional e pelos estudos sobre a realidade econômico-industrial do Estado do Paraná, fez um inventário das tendências tecnológicas que poderiam impactar os temas selecionados para os Roadmappings 2006-2007. Essas informações foram organizadas para subsidiar os especialistas durante os encontros de trabalho.

Etapa 2 – Organização Os encontros participativos foram realizados no formato de painéis de especialistas. Os trabalhos foram planejados de forma que as etapas do método Roadmapping fossem cumpridas no decorrer de dois encontros de seis horas, para cada tema selecionado, conforme quadro a seguir: Quadro 1 – Painéis de Especialistas do projeto Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense, realizados no CIETEP (Curitiba-PR). Painel 1

Painel 2

Indústria Agroalimentar

29/08/2006

21/11/2006

Produtos de consumo

31/08/2006

22/11/2006

Microtecnologia

04/09/2006

24/11/2006

Biotecnologia (Agrícola, Florestal e Avicultura)

01/09/2006

23/11/2006

Biotecnologia (Suinocultura, Bovinocultura e Piscicultura)

10/11/2006

11/12/2006

Roadmappings

Fonte: Observatório de Prospecção e Difusão de Tecnologia do SENAI/PR

Com exceção do Roadmapping de Biotecnologia Animal, aplicada à suinocultura, bovinocultura e piscicultura, todos os outros foram conduzidos pela Fundação OPTI, que veio ao Paraná especialmente com este fim. Ao todo foram realizados 10 encontros e mobilizados aproximadamente 120 especialistas das áreas trabalhadas. As listas de participantes encontram-se nos anexos dos relatórios técnicos dos Roadmappings. 17


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

A composição dos painéis de especialistas obedeceu aos seguintes critérios: diversidade regional e representatividade da indústria, da academia, do governo e do terceiro setor. Os especialistas foram selecionados por sua experiência prática industrial, seu conhecimento técnico, relevância de sua pesquisa científica, ação empreendedora ou capacidade de pensar o futuro do setor estudado.

Etapa 3 – Condução Os participantes foram guiados nas seguintes fases de reflexão: Figura 2 – Modelo das macroetapas do Roadmapping

Fonte: Fundação OPTI – Artigo técnico não publicado.

Para conduzir o processo, foram realizadas as seguintes atividades: 1. Brainstorming sobre a situação atual – exame da realidade do setor/área para ter bem claro qual é o ponto de partida. Foram analisados aspectos-chave como: produtos existentes; processos/tecnologias em uso; situação nos mercados; capacidades em Recursos Humanos, entre outros. 2. Visões de futuro – estabelecimento dos objetivos a serem alcançados até 2015. Para serem aceitas, as visões tinham de atender aos seguintes critérios: ser consensuais, realistas, confiáveis e de fácil compreensão. 3. Desafios – entendimento compartilhado sobre o que pode impedir o desenvolvimento desejado. Esta etapa buscou listar os desafios/barreiras que devem ser superados para se alcançar os objetivos fixados nas visões. 4. Identificação dos fatores críticos de sucesso – consenso sobre os fatores que são críticos para o sucesso no processo de concretização das visões. 18


Roadmapping de Produtos de Consumo 2015

5. Soluções e ações – partindo dos fatores críticos e considerando os desafios, é a proposição de ações que devem ser desenvolvidas até 2015 para se alcançar as visões de futuro. Em grandes linhas, elas se relacionam (ou estão relacionadas) com: identificação de alternativas tecnológicas, mudanças na gestão empresarial, comercialização, marketing, recursos humanos, políticas públicas, legislação e planejamento, entre outros. 6. Agentes envolvidos – seleção dos agentes envolvidos (indivíduos e organizações) que precisam ser partícipes do processo para viabilizar e acelerar as estratégias de implantação das ações (indústrias, organizações governamentais e não-governamentais, pesquisadores, universidades e outros). A dinâmica das reuniões foi marcada pela organização dos especialistas em grupos mantidos fixos durante todo o processo. Cada grupo elegia um porta-voz para apresentar suas reflexões e negociar o consenso necessário à aceitação das propostas para cada etapa trabalhada.

Etapa 4 – Consolidação dos Resultados Esta etapa foi consagrada à sistematização final de todos os materiais gerados durante o processo de Roadmapping. Os Roadmaps esboçados durante os encontros foram finalizados e validados pelos participantes, e as informações consolidadas deram origem a relatórios técnicos. No biênio 2006-2007 foram realizados Roadmappings para a Indústria Agroalimentar e de Produtos de Consumo (Couro e artefatos; Têxtil e confecção; Madeira e móveis; e Cerâmica) e para Microtecnologia, Biotecnologia Agrícola, Florestal e Animal (Avicultura; Suinocultura; Bovinocultura; e Piscicultura). Cada Roadmapping (processo coletivo de construção de visões e proposição de ações) gerou um Roadmap (mapa do caminho a ser seguido) e um relatório técnico que estão disponíveis no site www.fiepr.org.br/observatorios ou podem ser solicitados por meio do endereço observatoriosenai@fiepr.org.br.

19


Roadmapping da Indústria de Produtos de Consumo

A

palavra Roadmapping, neologismo da língua inglesa, tem dois significados que se complementam e se confundem. Inicialmente, designa um método bastante estruturado cujo eixo central é a interatividade de grupos de trabalho que efetuam coletivamente a

criação de visões de futuro e o desenho de Roadmaps, ou seja, mapas com caminhos e encaminhamentos coordenados e encadeados no tempo e no espaço. Porém, designa também o processo de construção de perspectivas de futuro e o conjunto de resultados parciais (reflexões) e finais (Roadmaps) gerados. Esta seção tem por objetivo documentar o processo de Roadmapping do setor de Produtos de Consumo do Paraná que foi vivenciado por um grupo de indivíduos, selecionados por seu perfil profissional e sua disponibilidade pessoal, que se reuniu em Curitiba, em “Painéis de Especialistas”, para contribuir na elaboração dos primeiros Roadmaps da indústria paranaense. A reflexão coletiva partiu de um diagnóstico sobre “Onde estamos” para definir de forma participativa “Para onde queremos ir”. O trabalho buscou apontar os impedimentos atuais à implementação das visões prospectivas, concluindo finalmente com a elaboração de uma agenda pró-ativa de ações que visam enfrentar os desafios à materialização do futuro desejado. O recorte adotado para o Roadmapping do setor de Produtos de Consumo foi baseado na Classificação Nacional de Atividades Econômicas do IBGE e se concentrou nas divisões 17, 18, 19, 20 e 26, que compreendem: Fabricação de produtos têxteis, Confecção de artigos do vestuário e acessórios, Preparação do couro e fabricação de artefatos de couro, artigos de viagem e calçados, Fabricação de produtos de madeira e Fabricação de produtos de cerâmica.

Considerações sobre a Situação Atual A questão “Onde estamos?” orientou o diálogo sobre a posição atual do setor de Produtos de Consumo no Paraná e teve por objetivo explicitar da forma mais clara possível qual é o ponto de partida do setor. Os debates foram organizados em torno de temas como: Produtos, Processos, Design, Mercado, Concorrência e Infra-estrutura de conhecimento. 21


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

As análises e considerações dos participantes desenham o seguinte panorama:

Cerâmica Produtos Na indústria cerâmica do Estado do Paraná, destacam-se os seguintes produtos: refratários, porcelana elétrica, louça e porcelana doméstica, cerâmica vermelha, cerâmica de revestimento e cerâmica artesanal. Processos A situação atual dos processos relacionados com cada produto de destaque da indústria cerâmica no Paraná é a seguinte: • Os refratários apresentam baixa produtividade, automação e qualidade. • O subsetor de porcelana elétrica possui alta produtividade e qualidade, porém sua automação é baixa. • Já as louças e porcelanas têm média produtividade e qualidade, enquanto sua automação é deficiente. • A cerâmica vermelha é caracterizada por sua baixa produtividade, automação e qualidade. • A cerâmica de revestimento é o subsetor mais desenvolvido no Estado: detém alta produtividade, automação e qualidade. Design Com relação ao design, os produtos da indústria cerâmica foram assim caracterizados pelos especialistas participantes: • Na cerâmica artesanal, a utilização de design é mediana, quase sempre cópia de produtos com aceitação no mercado. • Na área de refratários, o uso de design é inexistente. • Na porcelana elétrica, a aplicação do design não é freqüente, e quando ocorre é caracterizada pela cópia de produtos já existentes. • Na área de louças e porcelanas, o uso de design possui uma freqüência média com muita prática de cópia. • Na cerâmica vermelha, a aplicação do design é inexistente. • Na área de cerâmica de revestimento, o design é freqüentemente utilizado, porém fortemente caracterizado pela cópia de produtos já existentes no mercado. 22


Roadmapping de Produtos de Consumo 2015

Mercado O mercado dos produtos de cerâmica artesanal, refratários, porcelanas elétricas e cerâmicas vermelhas está atualmente em condição estável. Já a indústria de cerâmica de revestimento apresenta uma tendência de crescimento em sua comercialização. O único subsetor que se encontra pouco aquecido é o de louças e porcelanas. Concorrência Para todos os produtos da indústria de cerâmica (cerâmica artesanal, refratário, porcelana elétrica, louça e porcelana, cerâmica vermelha, cerâmica de revestimento) a concorrência é alta, tanto em nível nacional quanto internacional. Infra-estrutura de conhecimento Os subsetores de louça e porcelana, porcelana elétrica e cerâmica de revestimento apresentam realidades semelhantes com relação ao critério Infra-estrutura de conhecimento: na área de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) seu nível é médio; já os centros tecnológicos e os recursos humanos (RH) são deficientes. Para os refratários, em todos os critérios avaliados (P&D, centros tecnológicos, RH) existe pouco desenvolvimento na infra-estrutura existente. Na cerâmica artesanal, a infra-estrutura de conhecimento de P&D e dos centros tecnológicos é bastante precária, enquanto os recursos humanos são medianos. A cerâmica vermelha apresenta P&D e centros tecnológicos com infra-estrutura de conhecimento de nível razoável, porém seus recursos humanos ainda necessitam de muito treinamento.

Couro e Artefatos Produtos Os produtos fabricados atualmente no Paraná na indústria de couro e artefatos são os seguintes: couro wet blue, semi-acabado e acabado; bolsas e artefatos; estofamentos; calçados de segurança; produtos para diversão canina; além do uso da gelatina na alimentação. Foi comentada pelos especialistas a necessidade da valorização dos subprodutos provenientes do couro, assim como de tecnologia e inovação. A qualidade dos produtos fabricados, a matéria-prima aplicada, as espécies utilizadas e a produção são fatores importantes citados para o critério Produtos.

23


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

Processos Em relação ao produto couro, os processos presentes atualmente no Paraná apresentam alto nível de automatização, são dependentes de mão-de-obra especializada não existente no Estado e, além disso, geram alto impacto ambiental. Foi citada a importância do controle de qualidade deste produto. Já para a produção de calçados, bolsas e artefatos, a automatização é baixa, assim como sua produtividade. Estes produtos também dependem de mão-de-obra especializada não existente no Estado, e são fabricados geralmente por microempresas. Também foi mencionada pelos painelistas a importância do controle de qualidade e da amostragem no processo de produção destes produtos de consumo. Design Os produtos fabricados com base em couro no Paraná apresentam baixo investimento em tecnologia e design. Uma prática comum é a cópia de produtos já existentes no mercado. Mercado O mercado da indústria de couro é bem distinto: o produto couro é destinado para o mercado externo, enquanto os produtos fabricados a partir dele são absorvidos pelo mercado interno. Atualmente, existem dificuldades para a ampliação destes mercados. Concorrência O produto couro encontra alta concorrência comercial em relação a outros estados do país, e possui uma carga tributária mais elevada no Paraná. Também foi comentada a dificuldade de obtenção de matérias-primas no Estado. Já os produtos fabricados com base em couro sofrem atualmente com a alta concorrência dos produtos chineses, que apresentam preços competitivos porém com qualidade que ainda deixa a desejar. Infra-estrutura de conhecimento As deficiências encontradas no critério de infra-estrutura foram: a falta de mão-de-obra qualificada; a falta de centros tecnológicos e o pouco interesse no treinamento e na capacitação de pessoas da área.

Madeira e Móveis Produtos Os produtos fabricados pela indústria da Madeira do Paraná são os seguintes: • Painéis: compensados; aglomerados OSB; MDF, LDF, HDF. 24


Roadmapping de Produtos de Consumo 2015

• Pisos: pisos engenheirados; pisos de madeira. • Mobiliário: industrial (chapas, madeiras, estofados); artesanal; sob medida. • Construção civil: casas, cercas, pontes, dormentes; portas, janelas. • Energia, carvão, briquetes. • Madeira serrada: lâminas (faqueado/torneado); autoclavado. Processos Os produtos relacionados à indústria da madeira foram agrupados de acordo com a similaridade dos processos utilizados para a sua fabricação. O primeiro grupo é formado por painéis, pisos e mobiliário popular, que possui um alto grau de desenvolvimento em seus processos. Já o segundo grupo é composto por compensados, madeira serrada, construção civil, mobiliário artesanal e energia, que ainda é bastante incipiente em tecnologias de processos. Design A maioria dos produtos fabricados pela indústria da madeira no Estado não utiliza a ferramenta design. Apenas os produtos do subsetor moveleiro usam o design para o desenvolvimento de produtos, e algumas empresas deste subsetor já o aplicam no processo. A utilização desta ferramenta na estratégia da empresa, salvo raras exceções, é praticamente inexistente, de acordo com os especialistas. Mercado O Estado do Paraná possui ampla participação no mercado interno da indústria madeireira, já no mercado externo os produtos paranaenses enfrentam uma forte concorrência. Os produtos madeira, painéis e pisos encontram-se em um momento de forte comercialização no exterior. Já o mobiliário produzido no Paraná não possui grande participação nas vendas para o mercado externo. Concorrência O Estado destaca-se por sua alta competitividade com relação à concorrência interna, e os principais concorrentes externos da indústria paranaense da madeira são a Ásia, Estados Unidos e União Européia. Infra-estrutura de conhecimento A presença de Pesquisa & Desenvolvimento na indústria da madeira do Paraná é baixa, porém existem centros tecnológicos que desenvolvem pesquisas nesta área, como os dois centros tecnológicos de engenharia madeireira presentes no Estado. Faltam Recursos Humanos especializados na área, além de existir a necessidade de investimentos em formação. 25


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

Têxtil e Confecção Produtos Os principais produtos da indústria têxtil e confecção do Paraná são: confecção masculina; confecção feminina; bonés; jeans wear; moda bebê; malharia retilínea; moda praia e fitness; lavanderia; bordados, e estamparia. Além disso, destacam-se no Estado a tecelagem, a fiação de algodão e a fiação de seda. Processos Os investimentos em novos processos na indústria têxtil e confecção são baixos, a tecnologia aplicada é heterogênea e o uso de marcas próprias é freqüente. Existe uma pequena porcentagem de empresas de grande porte, enquanto a grande maioria é de empresas pequenas. Isto se deve ao fato de a terceirização ser muito forte no setor, ocorrendo concentração da mão-de-obra em facções. Design As principais dificuldades encontradas na aplicação do design na indústria têxtil e confecção são: a baixa formação acadêmica dos profissionais em relação a esta ferramenta; o baixo investimento das empresas em tecnologias de design; a ausência da cultura de sua utilização e a baixa aplicação de tecnologia na indústria. Mercado O mercado da indústria têxtil e confecção paranaense está focado no âmbito nacional e enfrenta uma forte concorrência da Ásia, que fabrica produtos com um custo baixíssimo. Existem dificuldades na importação de matérias-primas, e os investimentos em marketing são reduzidos. Foi comentada pelos especialistas a necessidade de uma política estadual forte para o setor de confecções. Concorrência Os pontos que mais se destacam com relação ao fator Concorrência são os baixos preços praticados pelos produtos asiáticos, além da concorrência com os produtos dos bairros Bom Retiro e Brás da cidade de São Paulo. Outros fatores comentados pelos especialistas foram a falta de eventos de grande visibilidade, a forte informalidade no setor, a pouca aplicação da ferramenta de design, a dificuldade na logística de matérias-primas e a grande distância do mercado consumidor.

26


Roadmapping de Produtos de Consumo 2015

Infra-estrutura de conhecimento Em relação à infra-estrutura de conhecimento, destacam-se a baixa qualificação da mão-de-obra da indústria têxtil e confecção, a baixa formação acadêmica e a ausência de um centro paranaense de desenvolvimento tecnológico focado neste setor.

Visões do Futuro desejado O estudo econômico sobre a indústria paranaense de Produtos de Consumo e a experiência dos participantes dos Painéis de Especialistas sustentaram o debate inicial que culminou na percepção compartilhada do grupo sobre o contexto atual do setor no Estado, quesito fundamental para entrar na etapa de elaboração de visões de futuro. Com o entendimento comum estabilizado sobre “Onde estamos”, o passo seguinte foi definir “Para onde queremos ir”. Para ajudá-los neste processo, a Fundação OPTI – Observatório de Prospectiva Tecnológica Industrial, de Madrid – apresentou ao grupo o resultado de uma pesquisa sobre as tendências tecnológicas de impacto no setor de Produtos de Consumo. Esse aporte de informação, formatado e orientado para abrir o horizonte de possibilidades, somado à dinâmica de trabalhos em grupo e criação de consenso, foi o suporte metodológico para a proposição de visões. O painel de especialistas elaborou e validou um conjunto de quatro visões complementares, redigidas de forma a garantir uma transversalidade que atendesse aos setores de têxtil e confecções, couro e artefatos, madeira e móveis e cerâmica, que foi o recorte adotado para o Roadmapping do setor de Produtos de Consumo. O conjunto de visões, que compõem um cenário de prosperidade desejado para a indústria paranaense de produtos de consumo, tem como foco a inovação e a sustentabilidade. A inovação é um dos principais meios de adquirir vantagens competitivas ao mesmo tempo em que responde com sucesso comercial às demandas dos mercados. A sustentabilidade é um conceito sistêmico, ainda em processo de apropriação pelas diversas comunidades empresariais, que discute a continuidade da sociedade humana por meio de suas práticas econômicas, sociais, culturais e ambientais. As questões ligadas à sustentabilidade no desenvolvimento, na produção e comercialização de produtos tendem a tornar-se, em curto e médio prazo, em barreiras não-alfandegárias de grande poder de impacto no comércio nacional e internacional.

27


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

Visões da indústria paranaense de Produtos de Consumo centrada na inovação e sustentabilidade Visão 1

Inovação organizacional: Empresas em rede

Visão 2

Inovação em marketing: Imagem de marca forte

Visão 3

Inovação em produto: design e tecnologia

Visão 4

Novos materiais: valor agregado e sustentabilidade

Para cada uma das quatro Visões foram identificados desafios a serem vencidos, fatores críticos de sucesso e ações a serem implementadas em curto, médio e longo prazo, de forma a induzir o crescimento sustentável da indústria de Produtos de Consumo do Estado do Paraná e tornar real o futuro desejado. Em complemento às ações, a Fundação OPTI e o Observatório de Prospecção e Difusão de Tecnologia do SENAI/PR identificaram tecnologias correlacionadas, que devem ser desenvolvidas ou incorporadas ao longo dos anos, para que as Visões possam ser alcançadas com sucesso.

Inovação organizacional: Empresas em Rede – Visão 1 Incertezas e turbulências político-econômicas têm demandado uma nova forma de relacionamento entre empresas. O estabelecimento de alianças, a construção de laços de confiança e práticas cooperativas configuram-se em alternativas que trazem vantagens competitivas diante das mutações do mercado. O conceito de empresas em rede surge neste contexto e se desenvolve apoiado nas possibilidades de troca de dados em tempo real advindas da aplicação generalizada das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no setor empresarial. No conceito de empresa em rede, a empresa é formada por um conjunto de partes interessadas, que compõem uma estrutura organizacional baseada nas interconexões em rede dos diferentes elementos da cadeia de valor. Logo, ele se refere a um grupo de empresas independentes, localizadas em qualquer lugar, que constituem uma aliança estratégica com o objetivo comum de desenvolver, fabricar e distribuir um produto em um mercado com uma melhor relação custo/benefício. A visão de futuro “Inovação organizacional: Empresas em rede” tem por objetivo construir condições para que as empresas paranaenses do setor de produtos de consumo possam inserir-se nesta nova lógica de relações com vistas a enfrentar os desafios crescentes da nova economia. Desafios • Criar e fortalecer cultura associativa no empresário. • Capacitar recursos humanos. • Investir em inovação tecnológica. 28


Roadmapping de Produtos de Consumo 2015

• Criar linhas de financiamento e incentivos fiscais. • Possibilitar acesso às TICs para micro e pequenos empresários. • Estimular e investir em pesquisa e desenvolvimento. • Difundir e incorporar o conceito de empresas em rede. Fatores críticos de sucesso De acordo com os especialistas, os fatores críticos para o sucesso no processo de concretização dessa visão de futuro são: • Formação Gerencial e Cultura Empresarial • Implementação de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) • Parcerias • Políticas Públicas Soluções e ações Os participantes dos Painéis de especialistas, partindo dos fatores críticos para o sucesso e considerando os desafios a serem vencidos, propuseram um conjunto de ações que devem ser desenvolvidas até 2015 para que a indústria de Produtos de Consumo Paranaense possa tornar-se referência em inovação organizacional. Quadro 2 – Propostas de ações para inovação organizacional: empresas em rede na indústria de produtos de consumo paranaense continua Fator crítico

Ações

Formação Gerencial e Cultura Empresarial

• Realizar um diagnóstico sobre a formação gerencial e a cultura empresarial no setor de produtos de consumo do Paraná. • Conceber e realizar programa de formação gerencial continuada para micro e pequenos empresários. • Elaborar e implementar plano de difusão de informações sobre empresas em rede direcionado a empresários de produtos de consumo. • Organizar ciclos de apresentação de cases de sucesso de empresas em rede. • Divulgar cases paranaenses de sucesso que funcionam na dinâmica de “empresas em rede”. • Promover cursos de capacitação focados em demandas e lacunas de formação dos empresários. • Formar e informar sobre novas tendências organizacionais, tecnológicas e de mercado. • Instaurar um fórum empresarial permanente para difusão do conceito de empresas em rede. • Criar clube de empresários inovadores. • Refazer diagnóstico sobre a formação e a cultura empresarial no setor de produtos de consumo do Paraná.

29


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

Quadro 2 – Propostas de ações para inovação organizacional: empresas em rede na indústria de produtos de consumo paranaense conclusão Fator crítico

Ações

Implementação de TICs

• • • • • • • •

Realizar pesquisas sobre empresas em rede no Paraná. Realizar diagnóstico das capacidades instaladas (empresas prestadoras e grupos de pesquisa). Criar pacote econômico de TICs (software, hardware, capacitações) para micro e pequenas empresas. Criar estrutura de captação de recursos para potencializar a implementaçao de TICs nas empresas. Incentivar o desenvolvimento de pesquisas em TICs. Desenvolver portais setoriais e-commerce. Criar oportunidades de estágios internacionais. Prospectar evoluções no setor de TICs e antecipar soluções.

Parcerias

• Realizar estudos para identificar gargalos e demandas no setor de produtos de consumo. • Realizar acordos de cooperação (nacional e internacional) para intercâmbio de conhecimento e aquisição de tecnologia. • Promover a formação de RH especializados para apoiar o processo de inovação organizacional no setor de produto de consumos. • Articular projeto-piloto de empresas em rede em um APL. • Criar Centro Tecnológico de TICs: provedor de soluções para implementação de TICs em empresas de todos os portes. • Criar núcleo de inovação organizacional: provedor de assessoria e consultoria especializada para empresários (serviços de apoio, programas de implantação do novo modelo de negócio, diagnóstico prévio, reengenharia dos processos, busca de alianças nacionais e internacionais). • Criar centro de articulação de alianças empresariais para melhorar a cadeia de valor. • Intensificar articulação internacional.

Políticas Públicas

• Criar incentivos para a informatização das empresas. • Induzir a formação de recursos humanos especializados para apoiar a inovação organizacional das indústrias de Produtos de Consumo. • Incentivar o associativismo e introduzir o conceito de empresas em rede. • Investir e captar recursos para apoio à inovação organizacional das empresas paranaenses. • Criar políticas fiscais de apoio à competitividade empresarial.

Fonte: Observatório de Prospecção e Difusão de Tecnologias do SENAI/PR

Tecnologias O sucesso na concretização dessa visão depende da implementação das ações vinculadas aos fatores críticos, mas também, e muito fortemente, de investimentos em tecnologias de apoio. A Fundação OPTI e o Observatório de Prospecção e Difusão de Tecnologia do SENAI/PR realizaram uma pesquisa para identificar tecnologias importantes para o processo como um todo. Para que ocorra a inovação organizacional no setor de Produtos de Consumo paranaense é imprescindível a implantação das TICs nas empresas. • Para satisfazer as necessidades em matéria de conexão, as redes de comunicação devem ser flexíveis e adaptáveis. Algumas tecnologias deverão receber maior atenção: 30


Roadmapping de Produtos de Consumo 2015

• Serviço de informação contínua. • Telecomunicação interpessoal. • Aplicações móveis para as empresas. • Interconexão: fios de cobre, fibra óptica, cabos em geral. • Interoperação: assegurar o transporte, aposta em comum dos recursos. • Trocas: serviços disponíveis, auto-organização, comunicador compartilhado. • Plataformas para empresas móveis. • Grades de informática: grades de calcular, grades de serviços. • Plataformas para convergência fixo-móvel. • Interfaces materiais (monitores, alavancas, câmeras, microfones, teclados, entre outros). • Interfaces amigáveis (aplicação dos conceitos de ergonomia, psicologia cognitiva, adaptação aos novos contextos). • Gestão eletrônica e informática das interfaces. • Novos modos de representação da informação e navegação, os novos paradigmas das interfaces por meio de representações 3D.

Inovação de marketing: Imagem de marca forte – Visão 2 A competitividade da indústria paranaense de produtos de consumo precisa ancorar-se em uma estratégia de marketing robusta. A concorrência asiática demonstra a inviabilidade de estratégias baseadas em baixos preços. Portanto, é preciso inovar tanto em produtos e processos quanto em posicionamento no mercado. De acordo com o painel de especialistas, uma imagem de marca forte é um atributo importante na diferenciação e valorização dos produtos e deveria ser objeto de uma estratégia de longo prazo. A imagem da marca é a opinião que formam os consumidores reais ou potenciais sobre os produtos e serviços oferecidos por uma empresa ou pelas empresas de uma região ou de um país. Portanto, a imagem de marca associa as qualidades dos produtos e serviços à empresa ou às empresas e ao território de origem. A visão de futuro “Inovação em marketing: Imagem de marca forte” busca agregar valor aos produtos de consumo produzidos no Paraná a partir de duas frentes de ação voltadas para o mercado: criação e consolidação de marcas fortes para empresas paranaenses e construção coletiva de uma tradição de qualidade e inovação, para fortalecer e valorizar os produtos criados e produzidos pela indústria do Estado de uma forma geral.

31


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

Desafios • Difundir amplamente a importância da imagem/marca do produto. • Criar linhas de financiamentos e incentivos fiscais. • Conhecer bem os mercados nacional e internacional. • Incentivar e investir em pesquisa e desenvolvimento na área. • Criar referenciais para normalizar a criação de marcas. • Desenvolver competências em criação e gestão de marcas. • Criar/fortalecer cultura de cooperativismo. Fatores críticos de sucesso De acordo com os especialistas, os fatores críticos para o sucesso no processo de concretização dessa visão de futuro são: • Mercados Nacional e Internacional. • Gestão da Marca. • Cultura Empresarial. • Propriedade Industrial. Soluções e ações Os grupos de trabalho elaboraram um conjunto de ações a serem desenvolvidas até 2015 para que haja sucesso na visão “Inovação de marketing: Imagem de marca forte”. As ações foram centradas nos fatores críticos para o sucesso e levaram em consideração os desafios a serem vencidos. Quadro 3 – Propostas de ações para Inovação de marketing: Imagem de marca forte na indústria de produtos de consumo paranaense continua Fator crítico

Mercados Nacional e Internacional

32

Ações • • • • • • • •

Promover estudos sobre os mercados nacional e internacional do setor de produtos de consumo. Identificar e valorizar diferenciais e pontos fortes, dos produtos paranaenses. Trabalhar os pontos fracos com foco nas especificidades dos mercados. Dinamizar e expandir as ações do Centro Internacional de Negócios (CIN). Instaurar dinâmica de acompanhamento de tendências internacionais. Promover e fomentar a participação em eventos, feiras e workshops. Ampliar o acesso a canais de distribuição nacionais e internacionais, por meio do CIN. Antecipar demandas dos mercados.


Roadmapping de Produtos de Consumo 2015

Quadro 3 – Propostas de ações para Inovação de marketing: Imagem de marca forte na indústria de produtos de consumo paranaense conclusão Fator crítico

Gestão da Marca

Ações • • • • • • • •

Elaborar estratégias para criação de imagem de marca forte (para empresas e para o Paraná). Diagnosticar capacidades existentes em termos de gestão da marca. Criar/fortalecer centros de marketing para desenvolvimento e manutenção de marcas. Induzir o setor de produtos de consumo a criar marca própria. Induzir a formação de RH especializado para criação e gestão de marca. Formular campanhas de informação para os consumidores. Construir paulatinamente uma “tradição” para os produtos paranaenses. Incorporar disciplinas de gestão de marca ao currículo dos cursos de graduação voltados para desenvolvimento, produção e comercialização de produtos de consumo. • Investir em campanhas de informação e fortalecimento das marcas. • Criar plataformas de lançamento das marcas paranaenses. • Consolidar a tradição dos produtos “feitos no Paraná”.

Cultura Empresarial

• Realizar diagnóstico sobre ações de marketing das empresas e cultura empresarial sobre marketing no setor de produtos de consumo. • Elaborar programa de ações para mudança dos paradigmas empresariais diante dos potenciais de mercado. • Promover capacitação empresarial continuada. • Induzir a formação de recursos humanos especializados para apoiar a inovação em marketing das empresas do setor de produtos de consumo. • Instaurar um fórum empresarial permanente para fortalecimento do produto do Paraná. • Articular ações para captação de recursos a fundo perdido para investimento na marca empresarial. • Estimular os consórcios de empresas. • Implementar programa de internacionalização do empresariado do setor de produtos de consumo.

Propriedade Industrial

Criar cultura de registro da propriedade industrial da empresa. Criar dinâmica para identificação de marcas com potencial internacional. Fortalecer escritórios de patente nas universidades, por meio de recursos financeiros e humanos exclusivos para a área. Criar linhas de financiamento a fundo perdido para registros de marca em nível internacional. Criar o centro de apoio à inovação e registro da propriedade industrial.

Fonte: Observatório de Prospecção e Difusão de Tecnologias do SENAI/PR

Tecnologias A pesquisa realizada pela Fundação OPTI e pelo Observatório de Prospecção e Difusão de Tecnologias do SENAI/PR, em busca de tecnologias de apoio ao processo de implementação dessa visão, revelou algumas linhas importantes de desenvolvimento tecnológico a serem acompanhadas. Para que ocorra a inovação de marketing no setor de Produtos de Consumo paranaense, é imprescindível o desenvolvimento de:

33


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

• Tecnologias de design. • Tecnologias de marketing (pesquisa, monitoramento, análise de tendências e evoluções dos mercados, desenvolvimento de produtos e marcas, manutenção de marcas). • Tecnologias de comunicação. • Tecnologias de mídias digitais. • Produção de conteúdos para mídias. • E-Commerce.

Inovação em produtos e processos: design e tecnologia – Visão 3 Estudos recentes sobre tendências industriais indicam que a indústria do século XXI evoluirá da produção em massa para a produção personalizada e de alto valor agregado. Corroborando esta vertente, em termos de tendências sociais, observa-se uma demanda crescente por produtos personalizados, que permitam a expressão da individualidade e especificidade humana. O desenvolvimento e a produção de produtos personalizados dentro de uma dinâmica industrial demandam competências especializadas e empresas modernizadas. Estas evidências colocam em relevo dois vetores de força que precisam ser desenvolvidos pela indústria paranaense de produtos de consumo: o design e a tecnologia. O vetor design, de crucial importância para a valorização do produto, da marca ou do serviço em termos de qualidade, sustentabilidade, estética, simbolismo, conforto ou inovação de uso é um fator de competitividade importante, com capacidade de criar novos mercados e fazer crescer o faturamento das empresas, tanto no mercado interno como no mercado externo. O vetor tecnologia se refere ao desenvolvimento ou à incorporação de soluções customizadas para inovação/flexibilização dos processos produtivos, melhoria da qualidade, melhoria da relação custo/ benefício, melhoria dos canais de comunicação com o cliente, estabelecimento de cooperação em redes de empresas, entre outros. A visão de futuro “Inovação em produtos e processos: design e tecnologia” tem por objetivo concentrar esforços nos vetores de força “design e tecnologia” com o objetivo de tornar a indústria paranaense conhecida como geradora de inovação em produtos e processos para o setor de produtos de consumo. Desafios • Formar recursos humanos. • Desenvolver e ampliar parcerias com instituições de ensino. • Induzir a inovação tecnológica. • Induzir o investimento contínuo em design. 34


Roadmapping de Produtos de Consumo 2015

• Estimular e fortalecer a pesquisa e o desenvolvimento na área. • Implementar a gestão estratégica e o uso de design. • Incentivar e consolidar parcerias com instituições internacionais de design. • Praticar de forma sistematizada a reutilização/reciclagem de materiais. • Criar linhas de financiamento para pesquisas de novos produtos. Fatores críticos de sucesso De acordo com os especialistas, os fatores críticos para o sucesso no processo de concretização dessa visão de futuro são: • Pesquisa e Desenvolvimento, Tecnologia e Inovação. • Políticas Públicas. • Qualidade e Sustentabilidade. • Foco no Resultado. Soluções e ações Apoiados nos consensos construídos, os especialistas estipularam ações a serem realizadas no horizonte de 10 anos, com vistas a consolidar o setor de produtos de consumo como inovador em produtos e processos. As ações foram definidas de forma a potencializar os fatores críticos de sucesso, sempre levando em conta os desafios a serem enfrentados. Quadro 4 – Propostas de ações para Inovação em produtos e processos: design e tecnologia na indústria de produtos de consumo paranaense continua Fator crítico

Ações

Pesquisa e Desenvolvimento, Tecnologia e Inovação

• Criar e potencializar centros de tecnologia e de gestão do negócio (serviços técnicos, tecnológicos e de gestão) para atender às demandas do setor de produtos de consumo. • Fortalecer grupos de pesquisa em design, gestão de processos e da produção, gestão da inovação, marketing, cultura, tendências internacionais. • Criar e incentivar parcerias com universidade e pesquisadores internacionais. • Fortalecer e ampliar a oferta de cursos técnicos, de tecnologia e de graduação. • Criar mestrados profissionalizantes. • Criar núcleos de apoio a inovação, transferência de tecnologia e valorização industrial de produtos. • Identificar talentos e investir em sua capacitação e internacionalização. • Sistematizar atividades de vigilância tecnológica para têxtil e confecções; couro e artefatos; madeira e móveis; cerâmica. • Estabelecer/fortalecer parceria com centros nacionais e internacionais que sejam referência em tecnologia, gestão, design e inovação. • Realizar estudos prospectivos com foco em tecnologias-chave para o setor de produtos de consumo. • Criar/fortalecer mestrados e doutorados em gestão da inovação e áreas de impacto na inovação em produtos de consumo. • Investir em pesquisa para valorização dos subprodutos.

35


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

Quadro 4 – Propostas de ações para Inovação em produtos e processos: design e tecnologia na indústria de produtos de consumo paranaense conclusão Fator crítico

Ações

Políticas Públicas

• Criar/fortalecer infra-estruturas de apoio para a inovação em produto de consumo, atendendo às especificidades dos setores têxtil e confecções; couro e artefatos; madeira e móveis; cerâmica. • Criar e potencializar núcleos/centros de design. • Criar/fortalecer núcleos de apoio ao registro da propriedade industrial. • Criar núcleo de inovação organizacional e gestão de processos. • Criar subsídios para os serviços prestados pelos centros de tecnologia e gestão, núcleos de design, de inovação organizacional e de patentes. • Investir em pesquisa e desenvolvimento direcionados para o setor de produtos de consumo. • Induzir a formação de RH especializado. • Facilitar a importação de equipamentos, materiais e a transferência de tecnologia. • Criar e adequar laboratórios de testes e certificação. • Criar incentivos específicos para induzir a inovação em produto. • Elaborar política de retenção de talentos no Paraná. • Criar plataformas de lançamento de designers paranaenses. • Criar centro de assessoria setorial com atendimento em gestão, produção, marketing, design. • Promover a inserção de doutores nas empresas.

Qualidade e Sustentabilidade

• Articular estruturas e incentivos para ampliação do uso de selos de qualidade e certificação de produtos de consumo. • Promover campanhas de informação diferenciadas para empresários e consumidores. • Criar selos e definir padrões de qualidade. • Criar incentivos e subsídios para ampliar o atendimento de entidades de assessoria e certificação. • Articular parcerias para equacionar soluções para problemas ambientais. • Consolidar cultura de valorização e uso de processos de qualificação entre micro e pequenos empresários. • Consolidar o “valor” dos selos perante os consumidores. • Consolidar práticas de sustentabilidade nos processos produtivos. • Monitorar a qualidade e sustentabilidade dos produtos.

Foco no Resultado

• • • • • • • •

Incentivar a inovação em produto: desenvolvimento de produtos novos ou melhoria de produtos existentes. Realizar estudos sobre os mercados nacional e internacional para produtos de consumo. Identificar e criar nichos de mercado. Incentivar a realização de planos estratégicos diferenciados para as empresas. Incentivar o redesenho dos processos internos das empresas. Realizar sistematicamente a análise de ciclo de vida dos produtos e a gestão dos resíduos industriais. Articular parcerias com designers de renome internacional. Criar cases de sucesso: identificar candidatos potenciais e investir recursos humanos e financeiros para efeito demonstrativo. • Internacionalizar o perfil do empresário paranaense. • Antecipar soluções para barreiras não-alfandegárias ligadas ao impacto ambiental dos produtos ou processos. • Estimular alianças estratégicas entre empresas, academia e Estado para melhorar a cadeia de valor dos produtos.

Fonte: Observatório de Prospecção e Difusão de Tecnologias do SENAI/PR

36


Roadmapping de Produtos de Consumo 2015

Tecnologias Para materializar a visão “Inovação em produtos e processo:design e tecnologia” serão necessários esforços para melhoria dos produtos e processos. Algumas tecnologias podem ser associadas a design e tecnologia, além de montagem e composição. A pesquisa realizada pela Fundação OPTI e pelo Observatório de Prospecção e Difusão de Tecnologia do SENAI/PR, em busca de tecnologias de apoio à visão, revelou algumas técnicas, tecnologias e ferramentas a serem amplamente utilizadas. • Prototipagem rápida: Designa um conjunto de tecnologias utilizadas para a confecção de diversos objetos, a partir de fontes de dados gerados por sistemas computacionais. As metodologias são bastante peculiares, uma vez que podem agregar diversos materiais, camada a camada, de forma a constituir o objeto desejado. • Tecnologias CAD/CAM: CAD – ferramenta de projeto que se utiliza de técnicas gráficas computadorizadas, mediante a utilização de softwares de apoio. CAM – todo e qualquer processo de fabricação controlado por computador. As tecnologias CAD/CAM correspondem à integração das técnicas CAD e CAM num sistema único e completo. Isso significa, por exemplo, que se pode projetar um componente qualquer na tela do computador e transmitir a informação por meio de interfaces de comunicação entre o computador e um sistema de fabricação, sendo que o componente poderá ser produzido automaticamente numa máquina de controle numérico computadorizado. • Análise do ciclo de vida do produto: Avaliação sistemática que quantifica os fluxos de energia e de materiais no ciclo de vida de um determinado produto. O ciclo nada mais é que a história do produto, desde a fase de extração das matérias-primas, passando pela fase de produção, distribuição, consumo, uso, até sua transformação em lixo ou resíduo. • Tecnologias de processo: Metodologia que utiliza ferramentas de software e métodos estatísticos para representar, compreender e permitir interferência com inteligência na realidade. Preconiza a obtenção, medição e análise dos dados e informações reais em cada contexto para compreendê-los antes de empreender melhorias contínuas nos processos. Além disso, permite a monitoração, o controle e o redesenho dos processos existentes, com a finalidade de otimizá-los, em um ciclo de melhoria contínua. • Análise de imagem: Ocupará uma parte cada vez mais importante no controle industrial. Na cadeia de produção industrial, será utilizada em diferentes aplicações para: automação, controle do processo por meio de imagens, termografia infravermelho, análises estatísticas, além de possibilitar a interligação com outros setores, como, por exemplo, o pós-vendas. 37


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

• Montagem de multimateriais: A evolução das técnicas de montagem acompanha a generalização dos sistemas de multimateriais desenvolvidos para responder às exigências dos mercados utilizadores: redução de tamanho, estética e novas funcionalidades. O sucesso da sinergia das propriedades dos diferentes materiais que compõem uma estrutura depende prioritariamente da maneira como estes são ligados. Podem ser utilizadas técnicas com mecanismos físicos (soldagem, mistura, rebite, engaste) ou químicos (colagem). A durabilidade das montagens é um ponto-chave para o desenvolvimento destas técnicas, já que se deve sempre considerar a presença de diversas interfaces, em diversas escalas, que deverão interagir da melhor maneira possível. • Micro e nano-compósitos: Estão em diversos eixos tecnológicos, e deverão compor uma parte muito importante do desenvolvimento de novos produtos, dentro do setor de bens de consumo, como, por exemplo: aumento do tempo de vida de diversos bens, acondicionamento de componentes para utilizações em condições adversas (alta temperatura, vibrações, radiações), criação de novas funções para produtos já existentes, integração de diversas funções em um mesmo bem de consumo. • Rastreabilidade: De acordo com a Iso 8402, rastreabilidade é a atividade de localizar um artigo ou uma atividade. Com o mercado consumidor cada vez mais exigente, a rastreabilidade tornou-se elemento-chave na gestão da logística, já que confere segurança aos produtos e, por conseqüência, ao mercado. As tecnologias mais importantes relacionadas à rastreabilidade são: instalação de etiquetas pertinentes para cada tipo de produto e desenvolvimento de tecnologias de identificação de rádio-controle. • Transferência de Tecnologia: Consiste em uma troca de conhecimentos, técnicas ou knowhow entre duas ou mais organizações, sendo que a divulgação no meio industrial de pesquisas realizadas em laboratórios e universidades públicas é a principal forma de transferir tecnologia. Existe, ainda, a transferência internacional de tecnologia, que freqüentemente une empresas parceiras, em diferentes países. A transferência não pode ser realizada de maneira improvisada, pelo contrário, necessita de um certo número de instrumentos para que ocorra com sucesso. Dentre esses instrumentos, alguns são de fundamental importância, tais como: elaboração de uma estratégia; identificação dos elementos que constituem o objeto da transferência; análise da propriedade intelectual do objeto; caracterização do quadro regulamentar e jurídico da transferência; identificação das potenciais licenças dos objetos e o cálculo do valor econômico 38


Roadmapping de Produtos de Consumo 2015

da transferência. A escolha do tipo de transferência de tecnologia deve, preferencialmente, estar adaptada ao objeto específico: concessão, licença, projetos de P&D em parceria, acordos de cooperação técnica, formação, criação de joint-venture, compartilhamento de know-how.

Novos materiais: valor agregado e sustentabilidade – Visão 4 A inovação de produtos e processos produtivos deixou de ser uma característica de setores industriais de ponta e passou a ser condição de sobrevivência de todos os setores, tornando-se barreira à entrada em qualquer atividade econômica. Nessa situação, a diferenciação entre setores industriais não se dá mais entre inovadores ou não, mas sim entre setores que inovam com mais ou com menos intensidade. Para a indústria paranaense de produtos de consumo, os desafios maiores são: tornar a inovação uma prática das empresas e, concomitantemente, sair da inovação esporádica para entrar em uma dinâmica de gestão de processos contínuos de inovação. O enfrentamento desses desafios demanda uma estratégia. A análise das tendências tecnológicas indica que a inovação a partir de novos materiais, com agregação de valor para o consumidor e respeitando os princípios da sustentabilidade, tem grandes chances de impacto na competitividade da indústria de produtos de consumo do Paraná. A visão “Novos materiais: valor agregado e sustentabilidade” coloca a inovação a partir de novos materiais como uma estratégia que, mais que uma vantagem competitiva, tem potencial para gerar uma dinâmica de gestão sustentável de processos de inovação. A concretização dessa visão passa pelo desenvolvimento de competências específicas em identificação e apropriação de novos materiais para desenvolvimento de produtos novos ou melhoria de produtos já existentes. Desafios • Criar linhas de financiamento para ampliar pesquisa, desenvolvimento e inovação nas empresas. • Conscientizar empresários e população da importância do desenvolvimento sustentável. • Capacitar recursos humanos especializados. • Desenvolver parcerias público-privadas. • Induzir a inovação tecnológica. • Conhecer bem os mercados nacional e internacional. • Induzir a pesquisa e o desenvolvimento em novos materiais.

39


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

Fatores críticos de sucesso De acordo com os especialistas, os fatores críticos para o sucesso no processo de concretização dessa visão de futuro são: • Design Estratégico. • Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. • Acesso à Tecnologia. • Propriedade Industrial. Soluções e ações Os participantes dos Painéis de especialistas, partindo dos fatores críticos para o sucesso e considerando os desafios a serem vencidos, propuseram um conjunto de ações que devem ser desenvolvidas até 2015 para que a indústria de Produtos de Consumo do Paraná se torne, com sucesso, inovadora no uso de novos materiais para produtos de consumo. Quadro 5 – Propostas de ações para novos materiais: valor agregado e sustentabilidade na indústria de produtos de consumo paranaense continua Fator crítico

Design Estratégico

40

Ações • • • • • • • • • • • • • • • •

Induzir a inovação em produto centrada no uso de novos materiais e sob uma ótica de desenvolvimento sustentável. Elaborar estratégias de criação de vantagem competitiva para o setor de produtos de consumo. Criar/fortalecer centros de design com foco em novos materiais e sustentabilidade. Formar designers em instituições de referência internacional. Articular parcerias e captação de recursos para projetos de desenvolvimento de produtos inovadores. Elaborar e implementar projetos para atendimento de APLs e aglomerações industriais em design de produtos. Promover intercâmbio de designers entre áreas e entre países. Difundir conceito e práticas de análise do ciclo de vida do produto. Implementar vigilância de barreiras não-alfandegárias ligadas a questões sociais e ambientais. Criar/fortalecer centros de design setoriais para têxtil e confecções; couro e artefatos; madeira e móveis; cerâmica. Ampliar projetos para atendimento de APLs e aglomerações industriais em design de produtos. Influenciar a criação de editais específicos para design de produtos articulando novos materiais e sustentabilidade. Criar/fortalecer cursos de especialização e pós-graduação em design. Realizar estudos de tendências internacionais. Criar/fortalecer centros de design para nichos de mercado. Lançar tendências em produtos.


Roadmapping de Produtos de Consumo 2015

Quadro 5 – Propostas de ações para novos materiais: valor agregado e sustentabilidade na indústria de produtos de consumo paranaense conclusão Fator crítico

Ações • • • • •

Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

Acesso à Tecnologia

Propriedade Industrial

• • • • • • • • • •

Investir em pesquisa e capacitação de recursos humanos em áreas prioritárias. Fortalecer grupos de pesquisa em novos materiais para produtos de consumo. Fortalecer grupos de pesquisa em tecnologias limpas. Fortalecer grupos de pesquisa em tecnologias de reciclagem e transformação. Estabelecer parcerias estratégicas com centros de referência em pesquisa, desenvolvimento, tecnologia e inovação em materiais. Capacitar empresários e equipes técnicas em inovação. Fortalecer e ampliar os cursos técnicos, de graduação e pós-graduação. Criar competências em análise e gestão do ciclo de vida do produto. Investir em laboratórios e infra-estrutura de pesquisa. Criar o centro de apoio à valorização da pesquisa e inovação em produtos de consumo. Sistematizar atividades de prospecção de novos materiais. Aumentar os investimentos em pesquisa e formação de RH especializado. Criar mestrados profissionalizantes. Consolidar centro de pesquisas em novos materiais. Desenvolver pesquisas para reciclagem de produtos.

• Criar competências sólidas em transferência de tecnologia (prospecção, seleção, análise da propriedade industrial, acordos de compra, entre outros). • Criar e adequar centros tecnológicos para as demandas dos setores. • Criar centros de prototipagem rápida. • Subsidiar as prestações de serviço dos centros de prototipagem. • Facilitar a aquisição de tecnologias de CAD e CAM. • Realizar estudos prospectivos com ênfase em tecnologias-chave para têxtil e confecções; couro e artefatos; madeira e móveis; cerâmica. • Divulgar a importância da propriedade intelectual e industrial. • Incentivar a participação dos empresários em eventos, feiras e workshops, nacionais e internacionais. • Realizar clínicas tecnológicas para capacitação e difusão de informações sobre novas tecnologias de interesse do setor. • Criar linhas de fomento para renovação do parque industrial do setor de produtos de consumo. • Criar incentivos fiscais para empresas que adotem tecnologias limpas. • Facilitar a aquisição de equipamentos, materiais e tecnologias (burocracia e financiamento). • Criar laboratórios para teste de materiais e produtos. • Articular parcerias internacionais para transferência de tecnologia. • Implementar vigilância tecnológica em novos materiais. • Criar centro de transferência de tecnologia em novos materiais e sustentabilidade. • Elaborar estratégia de aquisição, incorporação e desenvolvimento de tecnologias-chave para o setor de produtos de consumo. • • • • • • •

Criar/fortalecer núcleos de apoio ao registro da propriedade industrial. Subsidiar as atividades dos núcleos de apoio ao registro da propriedade industrial. Criar linhas de crédito para o registro internacional. Realizar campanhas informativas sobre a importância da propriedade industrial. Sensibilizar empresários e profissionais sobre a confidencialidade como fator de sucesso. Desburocratizar o processo de registro. Criar clínica volante em Propriedade Industrial para circular em todo o Paraná com objetivo de conscientização, capacitação, atendimento e desmistificação do tema. • Implementar sistema de vigilância de patentes com divulgação de boletins para o setor de produtos de consumo.

Fonte: Observatório de Prospecção e Difusão de Tecnologias do SENAI/PR

41


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

Tecnologias A pesquisa realizada pela Fundação OPTI e pelo Observatório de Prospecção e Difusão de Tecnologia do SENAI/PR, em busca de tecnologias de apoio a esta visão, levantou algumas tendências internacionais, relacionadas ao desenvolvimento de produtos funcionais, que devem ser priorizadas, como por exemplo: • Materiais ativos; • Materiais multifuncionais, que permitam desenhar o seu uso segundo as necessidades dos usuários; • Materiais sustentáveis; • Eletrônica aplicada ao produto; • Tecnologias de hardware e software para a personalização dos produtos. Para o domínio dessas grandes áreas, é fundamental o desenvolvimento da nanotecnologia e dos nanocompósitos, independente do setor industrial. A nanotecnologia é, atualmente, uma das ciências mais importantes para a obtenção de produtos que correspondam às necessidades e aos estímulos humanos reais. Ela consiste em um conjunto de técnicas baseadas em várias ciências que visa à pesquisa e produção em escala nanométrica (escala atômica). Serão necessários avanços industriais importantes em: • Materiais nanoestruturados: constituem elementos de revestimentos de superfície, ou então são elementos de materiais maciços cuja estrutura intrínseca de redes cristalinas nanométricas confere-lhes propriedades físicas específicas. • Nanocompósitos: são materiais que podem ser incorporados ou produzidos numa matriz, para trazer uma nova funcionalidade ou alterar as propriedades físicas de um produto já existente. As propriedades, e conseqüentes melhorias específicas de um nanocompósito, são múltiplas: físicas, magnéticas, mecânicas, ópticas, elétricas, químicas, térmicas, dentre outras. • Produção dos nanoobjetos: desenvolvimento de métodos compatíveis com uma produção industrial já existente. • Aplicação de materiais sustentáveis: desenvolvimento de técnicas para utilização de resíduos agrícolas; desenvolvimento e utilização de materiais reciclados; desenvolvimento e utilização de materiais naturais ou biodegradáveis; substituição parcial ou total de tintas químicas por tintas vegetais.

42


Roadmaps

Políticas Públicas

Horizonte Temporal 2007 – 2008 2009 - 2011 2012 - 2015 Realizar diagnóstico sobre a formação gerencial e a cultura empresarial no setor de produtos de consumo do Paraná. Conceber e realizar programa de formação gerencial continuada para micro e pequenos empresários. Elaborar e implementar plano de difusão de informações sobre empresas em rede direcionado a empresários de produtos de consumo. Organizar ciclos de apresentaçao de cases de sucesso de empresas em rede. Divulgar cases paranaenses de sucesso que funcionam na dinâmica de “empresas em rede”. Promover cursos de capacitação focados em demandas e lacunas de formação dos empresários. Formar e informar sobre novas tendências organizacionais, tecnológicas e de mercado. Instaurar um fórum empresarial permanente para difusão do conceito de empresas em rede. Criar clube de empresários inovadores. Refazer diagnóstico sobre a formação e a cultura empresarial no setor de produtos de consumo do Paraná. Realizar pesquisa sobre empresas em rede no Paraná. Realizar diagnóstico das capacidades instaladas (empresas prestadoras e grupos de pesquisa). Criar pacote econômico de TICs (software, hardware, capacitações) para micro e pequenas empresas. Criar estrutura de captação de recursos para potencializar a implementação de TICs nas empresas. Incentivar o desenvolvimento de pesquisas em TICs. Desenvolver portais setoriais e-commerce. Criar oportunidades de estágios internacionais. Prospectar evoluções no setor de TICs e antecipar soluções. Realizar estudos para identificar gargalos e demandas no setor de produtos de consumo. Realizar acordos de cooperação (nacional e internacional) para intercâmbio de conhecimento e aquisição de tecnologia. Promover a formação de RH especializados para apoiar o processo de inovação organizacional no setor de produto de consumos. Articular projeto-piloto de empresas em rede em um APL. Criar Centro Tecnológico de TICs: provedor de soluções para implementação de TICs em empresas de todos os portes. Criar núcleo de inovação organizacional: provedor de assessoria e consultora especializada para empresários (serviços de apoio, programas de implantação do novo modelo de negócio, diagnóstico prévio, reengenharia dos processos, busca de alianças nacionais e internacionais). Criar centro de articulação de alianças empresariais para melhorar a cadeia de valor. Intensificar articulação internacional. Criar incentivos para a informatização das empresas. Induzir a formação de recursos humanos especializados para apoiar a inovação organizacional das indústrias de Produtos de Consumo. Incentivar o associativismo e introduzir o conceito de empresas em rede. Investir e captar recursos para apoio à inovação organizacional das empresas parananenses. Criar políticas fiscais de apoio à competitividade empresarial.

Visão

1

Inovação Organizacional: Empresas em rede

Parcerias

Implementação de TICs

Formação Gerencial e Cultura Empresarial

Fator Crítico

43


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

Propriedade Industrial 44

Horizonte Temporal 2007 – 2008

2009 - 2011

Visão 2012 - 2015

Promover estudos sobre os mercados nacional e internacional do setor de produtos de consumo. Identificar e valorizar diferenciais, pontos fortes, dos produtos paranaenses. Trabalhar os pontos fracos com foco nas especificidades dos mercados. Dinamizar e expandir as ações do Centro Internacional de Negócios (CIN). Instaurar dinâmica de acompanhamento de tendências internacionais. Promover e fomentar a participação em eventos, feiras e workshops. Ampliar o acesso a canais de distribuição nacionais e internacionais, por meio do CIN. Antecipar demandas dos mercados. Elaborar estratégias para criação de imagem de marca forte (para empresas e para o Paraná). Diagnosticar capacidades existentes em termos de gestão da marca. Criar/fortalecer centros de marketing para desenvolvimento e manutenção de marcas. Induzir o setor de produtos de consumo a criar marca própria. induzir a formação de RH especializado para criação e gestão de marca. Formular campanhas de informação para os consumidores. Construir paulatinamente uma “tradição” para os produtos paranaenses. Incorporar disciplinas de gestão de marca ao currículo dos cursos de graduação voltados para desenvolvimento, produção e comercialização de produtos de consumo. Investir em campanhas de informação e fortalecimento das marcas. Criar plataformas de lançamento das marcas parananenses. Consolidar a tradição dos produtos “feitos no Paraná”. Realizar diagnóstico sobre ações de marketing das empresas e cultura empresarial sobre marketing no setor de produtos de consumo. Elaborar programa de ações para mudança dos paradigmas empresariais diante dos potenciais de mercado. Promover capacitação empresarial continuada. Induzir a formação de recursos humanos especializados para apoiar a inovação em marketing das empresas do setor de produtos de consumo. Instaurar um fórum empresarial permanente para fortalecimento do produto do Paraná. Articular ações para captação de reursos a fundo perdido para investimento na marca empresarial. Estimular os consórcios de empresas. Implementar programa de internacionalização do empresariado do setor de produtos de consumo. Criar cultura de registro da propriedade industrial da empresa. Criar dinâmica para identificação de marcas com potencial internacional. Fortalecer escritórios de patente nas universidades, por meio de recursos financeiros e humanos exclusivos para a área. Criar linhas de financiamento a fundo perdido para registros de marca em nível internacional. Criar o centro de apoio à inovação e registro da propriedade industrial.

2

Inovação em marketing: Imagem de marca forte

Cultura Empresarial

Gestão da Marca

Mercados Nacional e Internacional

Fator Crítico


Roadmapping de Produtos de Consumo 2015

Horizonte Temporal 2007 – 2008

Visão

2009 - 2011

2012 - 2015

Criar e potencializar centros de tecnologia e de gestão do negócio (serviços técnicos, tecnológicos e de gestão) para atender às demandas do setor de produtos de consumo. Fortalecer grupos de pesquisa em design, gestão de processos e da produção, gestão da inovação, marketing, cultura, tendências internacionais. Criar e incentivar parcerias com universidade e pesquisadores internacionais. Fortalecer e ampliar a oferta de cursos técnicos, de tecnologia e de graduação. Criar mestrados profissionalizantes. Criar núcleos de apoio à inovação, transferência de tecnologia e valorização industrial de produtos. Identificar talentos e investir em sua capacitação e internacionalização. Sistematizar atividades de vigilância tecnológica para têxtil e confecções; couro e artefatos; madeira e móveis; cerâmica. Estabelecer/fortalecer parceria com centros nacionais e internacionais que sejam referência em tecnologia, gestão, design e inovação. Criar/fortalecer mestrados e doutorados em gestao da inovação e áreas de impacto na inovação em produtos de consumo. Realizar roadmappings para têxtil e confecções; couro e artefatos; madeira e móveis; cerâmica. Investir em pesquisa para valorização dos subprodutos. Criar/fortalecer infra-estruturas de apoio para a inovação em produto de consumo, atendendo às especificidades dos setores têxtil e confecções; couro e artefatos; madeira e móveis; cerâmica. Criar e potencializar núcleos/centros de design. Criar/fortalecer núcleos de apoio ao registro da propriedade industrial. Criar núcleo de inovação organizacional e gestão de processos. Criar subsídios para os serviços prestados pelos centros de tecnologia e gestão, núcleos de design, de inovação organizacional e de patentes. Investir em pesquisa e desenvolvimento direcionadas para o setor de produtos de consumo. Induzir a formação de RH especializado. Facilitar a importação de equipamentos, materiais e a transferência de tecnologia. Criar e adequar laboratórios de testes e certificação. Criar incentivos específicos para induzir a inovação em produto. Elaborar política de retenção de talentos no Paraná. Criar plataformas de lançamento de designers paranaenses. Criar centro de assessoria setorial com atendimento em gestão, produção, marketing, design. Promover a inserção de doutores nas empresas.

Qualidade e Sustentabilidade

3

Articular estruturas e incentivos para ampliação do uso de selos de qualidade e certificação de produtos de consumo. Promover campanhas de informação diferenciadas para empresários e consumidores. Criar selos e definir padrões de qualidade. Criar incentivos e subsídios para ampliar atendimento de entidades de assessoria e certificação. Articular parcerias para equacionar soluções para problemas ambientais. Consolidar cultura de valorização e uso de processos de qualificação entre micro e pequenos empresários. Consolidar o “valor” dos selos perante os consumidores. Consolidar práticas de sustentabilidade nos processos produtivos.

Inovação em Produto: Design e Tecnologia

Políticas Públicas

Pesquisa e Desenvolvimento, Tecnologia e Inovação

Fator Crítico

Foco no Resultado

Monitorar a qualidade e sustentabilidade dos produtos. Incentivar a inovação em produto: desenvolvimento de produtos novos ou melhoria de produtros existentes. Realizar estudos sobre os mercados nacional e internacional para produtos de consumo. Identificar e criar nichos de mercado. Incentivar a realização de planos estratégicos diferenciados para as empresas. Incentivar o redesenho dos processos internos das empresas. Realizar sistematicamente a análise de ciclo de vida dos produtos e a gestão dos resíduos industriais. Articular parcerias com designers de renome internacional. Criar cases de sucesso: identificar candidatos potenciais e investir recursos humanos e financeiros para efeito demonstrativo. Internacionalizar o perfil do empresário parananense. Antecipar soluções para barreiras não-alfandegárias ligadas ao impacto ambiental dos produtos ou produção. Estimular alianças estratégicas entre empresas, academia e Estado para melhorar a cadeia de valor dos produtos.

45


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

Propriedade Industrial 46

2007 – 2008

Horizonte Temporal 2009 - 2011

Visão 2012 - 2015

Induzir a inovação em produto centrada no uso de novos materiais e sob uma ótica de desenvolvimento sustentável. Elaborar estratégias de criação de vantagem competitiva para o setor de produtos de consumo. Criar/fortalecer centros de design com foco em novos materiais e sustentabilidade. Formar designers em instituições de referência internacional. Articular parcerias e captação de recursos para projetos de desenvolvimento de produtos inovadores. Elaborar e implementar projetos para atendimento de APLs e aglomerações industriais em design de produtos. Promover intercâmbio de designers entre áreas e entre países. Difundir conceito e práticas de análise do ciclo de vida do produto. Implementar vigilância de barreiras não-alfandegárias ligadas a questões sociais e ambientais. Criar/fortalecer centros de design setoriais para têxtil e confecções; couro e artefatos; madeira e móveis; cerâmica. Ampliar projetos para atendimento de APLs e aglomerações industriais em design de produtos. Influenciar a criação de editais específicos para design de produtos articulando novos materiais e sustentabilidade. Criar/fortalecer cursos de especialização e pós-graduação em design. Realizar estudos de tendências internacionais. Criar/fortalecer centros de design para nichos de mercado. Lançar tendências em produtos. Investir em pesquisa e capacitação de recursos humanos em áreas prioritárias. Fortalecer grupos de pesquisa em novos materiais para produtos de consumo. Fortalecer grupos de pesquisa em tecnologias limpas. Fortalecer grupos de pesquisa em tecnologias de reciclagem e transformação. Estabelecer parcerias estratégicas com centros de referência em pesquisa, desenvolvimento, tecnologia e inovação em materiais. Capacitar empresários e equipes técnicas em inovação. Fortalecer e ampliar os cursos técnicos, de graduação e pós-graduação. Criar competências em análise e gestão do ciclo de vida do produto. Investir em laboratórios e infra-estrutura de pesquisa. Criar o centro de apoio à valorização da pesquisa e inovação em produtos de consumo. Sistematizar atividades de prospecção de novos materiais. Aumentar os investimentos em pesquisa e formação de RH especializado. Criar mestrados profissionalizantes. Consolidar centro de pesquisas em novos materiais. Desenvolver pesquisas para reciclagem de produtos. Criar competências sólidas em transferência de tecnologia (prospecção, seleção, análise da propriedade industrial, acordos de compra, entre outros). Criar e adequar centros tecnológicos para as demandas dos setores. Criar centros de prototipagem rápida. Subsidiar as prestações de serviço dos centros de prototipagem. Facilitar a aquisição de tecnologias de CAD e CAM. Realizar estudos prospectivos com ênfase em tecnologias-chave para têxtil e confecções; couro e artefatos; madeira e móveis; cerâmica. Incentivar a participação dos empresários em eventos, feiras e workshops, nacionais e internacionais. Realizar clínicas tecnológicas para capacitação e difusão de informações sobre novas tecnologias de interesse do setor. Criar linhas de fomento para renovação do parque industrial do setor de produtos de consumo. Criar incentivos fiscais para empresas que adotem tecnologias limpas. Facilitar a aquisição de equipamentos, materiais e tecnologias (burocracia e financiamento). Criar laboratórios para teste de materiais e produtos. Articular parcerias internacionais para transferência de tecnologia. Implementar vigilância tecnológica em novos materiais. Divulgar a importância da propriedade intelectual e industrial. Criar centro de transferência de tecnologia em novos materiais e sustentabilidade. Elaborar estratégia de aquisição, incorporação e desenvolvimento de tecnologias-chave para o setor de produtos de consumo. Criar/fortalecer núcleos de apoio ao registro da propriedade industrial. Subsidiar as atividades dos núcleos de apoio ao registro da propriedade industrial. Criar linhas de crédito para o registro internacional. Realizar campanhas informativas sobre a importância da propriedade industrial. Sensibilizar empresários e profissionais sobre a confidencialidade como fator de sucesso. Desburocratizar o processo de registro. Criar clínica volante em Propriedade Industrial para circular em todo o Paraná com o objetivo de conscientização, capacitação, atendimento e desmitificação do tema. Implementar sistema de vigilância de patentes com divulgação de boletins para o setor de produtos de consumo.

4

Novos Materiais: Valor Agregado e Sustentabilidade

Acesso à Tecnologia

Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

Design Estratégico

Fator Crítico


Atores e Responsabilidades

P

ara concretizar as Visões de Futuro, foram identificadas ações específicas para cada ator envolvido no processo: autoridades públicas, empresas e associações empresariais, instituições de ensino e centros de pesquisa, e o terceiro setor.

As autoridades públicas devem responsabilizar-se pelas seguintes ações – consideradas chave – para concretizar essas Visões: • Estimular o uso das TICs por meio de linhas de crédito para empresas e incentivos fiscais. • Promover serviços e programas que ajudem os empresários no processo de implantação do modelo de negócio de cooperação e empresas em rede. • Apoiar atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação nas empresas. • Estabelecer padrões de qualidade. • Definir normas. • Coordenar campanhas para divulgação das marcas paranaenses nos mercados consumidores. • Garantir os padrões de qualidade por meio de órgãos de certificação homologados internacionalmente. • Fomentar ações comuns de promoção do produto paranaense. • Apoiar a realização de estudos de mercado. • Atuar junto ao poder público federal na quebra de barreiras comerciais impostas pelo mercado externo aos principais produtos paranaenses. Empresários e Associações devem ser responsáveis por: • Implementar as TICs na estrutura da empresa. • Estimular o desenvolvimento e a implantação de softwares que facilitem a comunicação entre todos os atores envolvidos. • Utilizar o design como ferramenta para competitividade. • Realizar estudos de mercado. • Participar de feiras e eventos, tanto para o mercado interno como externo.

47


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

• Divulgar os produtos certificados. • Unir esforços para realizar ações no exterior. • Identificar projetos multiempresariais para exportação. • Identificar os produtos que apresentam as maiores oportunidades. • Associar-se para conseguir acesso a canais de distribuição e venda. • Implantar tecnologias que permitam otimizar a cadeia de fornecimento. • Inovar em gestão, processos e produtos. As Instituições de ensino e centros de pesquisa serão os responsáveis por criar: • Cursos de capacitação técnica e comercial. • Cursos de formação de certificadores. • Cursos de formação em controle da qualidade. • Programas de formação em comércio exterior. • Centros de possam desenvolver tecnologias específicas para cada setor. Os elos da cadeia de valor, desde o agricultor até o terceiro setor, devem: • Criar associações que integrem todos os atores. • Incorporar tecnologias que aumentem a produtividade. • Promover o desenvolvimento de novos produtos. • Desenvolver ações comuns de comercialização. Tanto o setor público como o privado devem: • Estimular a modificação da cultura empresarial mediante ativas campanhas de difusão e informação. • Potencializar linhas de pesquisa de interesse para a indústria nos centros tecnológicos. • Promover campanhas de formação para divulgar os produtos. • Estabelecer medidas que incentivem o desenvolvimento tecnológico. • Criar uma infra-estrutura de suporte ao setor, como centros tecnológicos, laboratórios, plantaspiloto, que ajudem as empresas no desenvolvimento de produtos.

48


“Tecnologias-Chave” para o desenvolvimento da Indústria de Produtos de Consumo

A

lém de todas as ações, medidas e tecnologias associadas a cada uma das quatro visões de futuro vislumbradas para o desenvolvimento de uma indústria agroalimentar paranaense moderna e competitiva no mercado externo, é necessária a incorporação de

tecnologias-chave. Tecnologias-chave são aquelas que precisam ser de domínio da indústria para garantia de sua competitividade. Podem tratar-se tanto de tecnologias já existentes, bem estabelecidas e que continuam se desenvolvendo, quanto de tecnologias emergentes, com possibilidade de industrialização em um horizonte de 10 anos. (Ministère de l’Industrie, 1995). As tecnologias para o desenvolvimento da indústria de Produtos de Consumo no Estado do Paraná, estão relacionadas, principalmente, com Personalização dos produtos, Novos modelos de negócio e Fatores-chave de competitividade. As Tecnologias associadas à Personalização dos Produtos são: • Tecnologias Hardware e Software – para a personalização de produtos. • Microeletrônica aplicada ao produto e ao processo. • Ferramentas de realidade virtual – para a apresentação de produtos. • Sistemas específicos para a gestão da informação. • Tecnologias CAD/CAM – para peças de vestuário feitas sob medida. • Tecnologias de simulação e animação avançadas. Já as tecnologias associadas aos Novos modelos de negócio são: • Reengenharia de processos. • Sistemas centrais de gestão de todos os processos de negócio em tempo real: ERP; B2B. • Portais de negócio – para a comunicação entre os elementos internos e externos da empresa. • Protocolos de comunicação mediante XML com sócios e fornecedores. 49


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

Por fim, as Tecnologias associadas aos Fatores-chave de competitividade são: • Ferramentas para o desenho de produto e simulação de produtos e processos. • Tecnologias para transformar máquinas de produção individuais em sistemas digitais integrados. • Gestão e integração da informação sobre plataformas digitais. Criação de standards. • Ferramentas digitais para prototipagem rápida. • Ferramentas para manutenção telemática de sistemas de produção. • Técnicas de visão artificial – para inspeção de materiais e controle de processos. • Interfaces homem-máquina.

50


Conclusões

Roadmapping de produtos de consumo

O

setor de produtos de consumo foi identificado como promissor e validado como de interesse para a indústria paranaense. Neste sentido, o futuro desejado passa pela criação de uma indústria forte de produtos de consumo no Paraná.

“Como chegar lá?” é a pergunta que conduziu este processo e induziu a escolha do método roadmapping como ferramenta de mobilização para esta reflexão coletiva. O Roadmapping de produtos de consumo buscou estabelecer visões consensuais de futuro e identificar forças e meios de superar as dificuldades. De forma participativa, foram construídas perspectivas para uma indústria paranaense de produtos de consumo centrada na inovação e sustentabilidade. As visões estabelecidas foram: “Inovação organizacional: Empresas em rede” “Inovação de marketing: Imagem de marca forte” “Inovação em produto: design e tecnologia” “Novos materiais: valor agregado e sustentabilidade” Para cada visão foi elaborado um Roadmap, que sintetiza os caminhos a percorrer e as etapas a cumprir em diferentes horizontes temporais. Foram também identificadas tecnologias-chave para a competitividade da indústria de produtos de consumo. A vivência do processo de roadmapping permite concluir que este método é apropriado para: • Identificar em detalhes, mediante a experiência dos participantes, o estado real do setor/ área industrial; • Criar consenso para o desenho das perspectivas de futuro; • Sistematizar grande quantidade de informação não-estruturada e conhecimento tácito sobre o setor/área; • Sensibilizar e mobilizar atores fundamentais para a elaboração e implementação dos projetos necessários à materialização das perspectivas de futuro.

51


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

O processo de roadmapping e os roadmaps gerados para a indústria de produtos de consumo comunicam intenções estratégicas e podem permitir o alinhamento de ações. A concretização desse potencial demanda um grande trabalho de difusão destas informações, depende da assimilação e incorporação destas perspectivas, e tem como fator crítico a capacidade de articulação entre atores e interesses privados, públicos e do terceiro setor.

Projeto Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense Este projeto instituiu um processo estruturado de construção coletiva de futuro e no biênio 2006/2007 realizou roadmappings para os setores/áreas de produtos de consumo, indústria agroalimentar, microtecnologia, biotecnologia aplicada à indústria agrícola, florestal e animal. As Rotas Estratégicas estão sendo realizadas em cooperação técnica com a Fundação OPTI Observatório de Prospectiva Tecnológica Industrial, da Espanha, e se apóiam em estudos sobre a economia do Paraná, sobre a situação atual de cada um dos setores trabalhados e sobre tendências tecnológicas internacionais. Nesta primeira etapa, contaram com a colaboração de cerca de 120 especialistas que participaram ativamente do processo de construção dos Roadmaps, ou seja, das representações sintéticas das trajetórias que podem tornar possíveis as visões desenhadas. Por meio dessa iniciativa, o Sistema FIEP está buscando induzir um projeto cooperativo de futuro. O trabalho realizado fornece uma visão panorâmica de possibilidades de desenvolvimento para os setores contemplados. O conjunto de informações aqui sistematizadas pode subsidiar a tomada de decisão de diferentes atores, organizações e instituições do Estado do Paraná em termos de: elaboração de estratégias para identificação, desenvolvimento e incorporação de tecnologias; definição do foco de ações/produtos de curto, médio e longo prazo, e priorização de áreas para pesquisa e desenvolvimento, entre outros. Enfim, pode permitir antecipar-se para responder com agilidade às mudanças previstas e também definir linhas de ação para provocar as mudanças que sejam necessárias. As rotas estratégicas para o desenvolvimento industrial paranaense são caminhos a serem percorridos de forma solidária, onde a cooperação e a inovação são a chave do sucesso. A concentração de esforços humanos, o reforço mútuo, o investimento em educação, os projetos estratégicos, a interação entre organizações públicas e privadas, academia e empresas, todos estes fatores juntos podem levar a indústria e a sociedade do Paraná aos patamares almejados. Portanto, o impacto deste trabalho depende, e muito, do processo de apropriação desta prospecção pelo tecido industrial e demais organizações da sociedade. Todos são convidados a dar significado a este trabalho e de forma negociada estabelecer relações vitoriosas rumo ao futuro. 52


Próximos Passos

O

projeto Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense terá o seguinte desdobramento:

• Difusão do Roadmapping de produtos de consumo, assim como dos demais setores/áreas trabalhados em 2006/2007:  Divulgação dos relatórios técnicos;  Produção de folder e vídeo em cinco idiomas (português, inglês, francês, espanhol e alemão)  Realização de ciclo de reuniões em todo o Paraná para divulgação e diálogo sobre as rotas. • Articulação dos atores para viabilização das ações previstas nas rotas elaboradas. • Desenvolvimento da Fase 2 do projeto, com a realização de Roadmappings para os setores/ áreas: Saúde, Papel, Metal Mecânico, Plástico, Energia e Turismo. • Definição de estratégia de monitoramento das tecnologias-chave para a indústria paranaense. • Prospecção de setores/áreas estratégicos para o desenvolvimento da indústria do Paraná.

53


Referências

ALLAN, A; EDENFELD, D; JOYNER JR, WH; KAHNG, AB; RODGERS, M; ZORIAN, Y. 2001 technology roadmap for semiconductors. Computer, volume 35, number 1, 2002, p.42-53. AMERICAN CHEMICAL SOCIETY; AMERICAN INSTITUTE OF CHEMICAL ENGINEERS; CHEMICAL MANUFACTURERS ASSOCIATION; COUNCIL FOR CHEMICAL RESEARCH; SYNTHETIC ORGANIC CHEMICAL MANUFACTURERS ASSOCIATION. Technology vision 2020: the US chemical industry. ��������������������� 1996. Disponível em: http://www.chemicalvision2020.org/pdfs/ chem_vision.pdf. Consultado em 26/02/2007. API - AMERICAN PETROLEUM INSTITUTE; NPRA - THE NATIONAL PETROCHEMICAL AND REFINERS ASSOCIATION. Technology roadmap for the pretoleum industry. ��������������������� 1999. Disponível em: http://www.eere.energy.gov/industry/petroleum_refining/ pdfs/petroleumroadmap.pdf. Consultado em 26/02/2007. AWEA - AMERICAN WIND ENERGY ASSOCIATION. Roadmap: a 20-year industry plan for small turbine technology. ������ 2002. Disponível em: http://www.awea.org/smallwind/documents/31958.pdf. Consultado em 26/02/2007. BAUMANN, R. O Brasil e a economia mundial. Rio de Janeiro: Campus, 1995. BRADLEY, R. Technology roadmap for the 21st century truck program. ��������������������� 2000. Disponível em: http://www.doe.gov/bridge. Consultado em 26/02/2007. BRAY, OH; GARCIA, ML. Technology roadmapping: the integration of strategic planning for competitiveness. Portland: PICNET - Portland International Conference on Management and Technology, 1997a. BRAY, OH; GARCIA, ML. Fundamentals of technology roadmapping. Albuquerque: SANDIA National Laboratories – Strategic Business Development Department, 1997b. BURKE, T; SCHMIDT, M. Calimetrics annouces MLTM technology roadmap to take optical disk capacity to 60 GB per side. Disponível em: http://roadmap.itap.purdue.edu/ctr/documents/Calimetrics-Roadmap.pdf. CAST METAL COALISATION. Metalcasting industry technology roadmap. ��������������������� 1998. Disponível em: http://gateway.metalcasting. govtools.us/reports/roadmap.pdf. Consultado em 26/02/2007. CNAE, Comissão Nacional de Classificação, 2006. Disponível em: http://www.cnae.ibge.gov.br. ������������������������� Consultado em 21/02/2007. CHEN, William T. Futures trends in Flip Chip packaging and applications. ��������������� Disponível em: http://www.apialliance.com/pdf/Archive_ 03/W_Chen_ASE.pdf. Consultado em 26/02/2007. COMPAQ. Compaq 64-bit server roadmap. ��������������� Disponível em: http://roadmap.itap.purdue.edu/ctr/documents/Tru64UNIX_roadmaps1.pdf. COUTINHO, L; FERRAZ, JC. Estudo da competitividade da indústria brasileira. ������������������������ Campinas: Papirus, 1995. DEMEESTER, Piet. First roadmap for optical communications. ��������������������� 2002. Disponível em: http://www.ist-optimist.org/pdf/trends/ May2002/roadmap_draft_may2002_files/frame.htm DUCATEL, K; BOGDANOWICZ, M; SCAPOLO, F; LEIJTEN, J; BURGELMAN, JC. Scenarios for ambient intelligence in 2010. 2001. Disponível em: http://forera.jrc.es/documents/eur19763en.pdf. ������������������������� Consultado em 26/02/2007. 54


Roadmapping de Produtos de Consumo 2015

EPRI - ELECTRIC POWER RESEARCH INSTITUTE. Electricity technology roadmap. ��������������������� 2003. Disponível em: http://www.epri.com/roadmap/. Consultado em: 26/02/2007. EPIA - European Photovoltaic Industry Association. Industry needs and industrial roadmap. ��������������������� 2002. Disponível em: http://paris.fe.uni-lj.si/pvnet/files/1st_RTD_Workshop_2002/Cameron.pdf. FJELL, Yngve. 3G: challenges ahead. ��������������������� 2003. Disponível em: http://www.eurescom.de/~ftproot/web-deliverables/public/P1200series/P1203/D3/3g-operatorchallenges_fjell.pdf. ������������������������� Consultado em 26/02/2007. FORESIGHT VEHICLE PROGRAMME. Foresight vehicle technology roadmap. London: Society of Motor Manufacturers and Traders, 2004. GREGORY, J; LUJAN, R; HALEY, D; HAMEL, W. Robotics and intelligent machines: a doe critical technology roadmap. ������ 2001. Disponível em: http://www.robotics.ost.doe.gov/reports/rimroadmap.pdf. ������������������������� Consultado em 26/02/2007. GROENVELD, P. Roadmapping integrates business and technology. Research Technology Management, volume 40, number 5, 1997, p.48-55. ITRS - International Technology Roadmap for Semiconductors. CMC Manufacturing Technology Roadmap. ��������������������� 2000. Disponível em: http://roadmap.itap.purdue.edu/ctr/documents/010124cmc_roadmap.pdf. IWAI, H. CMOS technology – year 2010 and beyond. IEEE Journal of Solid-State Circuits, volume 34, number 3, 1999. JÄGER-WALDAU , A. Roadmaps for PV: a comparison between Japan and the US. 2002. ��������������� Disponível em: http://paris.fe.uni-lj.si/ pvnet/files/1st_RTD_Workshop_2002/Jaeger-Waldau.pdf. ������������������������� Consultado em 26/02/2007. JARUZELSKI, B; DEHOFF, K; BORDIA, R. The Booz Allen Hamilton global innovation 1000: Money isn’t everything. Strategy + Business, issue 41, winter, 2005. JOHANN, Ulrich. HYPER technology Road Map. 2003. ��������������� Disponível em: http://sci2.esa.int/hyper/docs/roadmap.pdf. Consultado em 26/02/2007. LAYNE, AW. High efficiency engines and turbines (HEET). ��������������������� 2002. Disponível em: http://www.netl.doe.gov/publications/ proceedings/02/turbines/layne.pdf. ������������������������� Consultado em 26/02/2007. LUKE, D; HAMP, S. Roadmapping the resolution of gas generation issue in packages containing radioactive waste/materials – a status report. ��������������������� 2002. Disponível em: http://www.osti.gov/energycitations/servlets/purl/797098-vHdF94/native/797098.pdf. Consultado em 26/02/2007. MEYYAPPAN, M. Nanotechnology: opportunities and challenges. ��������������������� 2002. Disponível em: http://www.ipt.arc.nasa.gov/Graphics/ new_talk.pdf. Consultado em 26/02/2007. MINISTÈRE DE L’INDUSTRIE. Les 100 technologies clés pour l’industrie française – à l’horizon 2000. Direction générale des estratégies industrielles. 1. ed. Julho, 1995. NASA. Solar sail technology development 5-year roadmap. ��������������������� 2002. Disponível em: http://solarsails.jpl.nasa.gov/roadmap/roadmap15-year2.pdf. Consultado em 26/02/2007. OPTI. Tecnologías de diseño e producción: tendencias tecnológicas de media y largo plazo. Madrid: Fundación OPTI, 2002. OPTI. TIC: tendencias de evolución. Madrid: Fundación OPTI, 2005. PHALL, R; FARRUKH, CJP; PROBERT, DR. Technology roadmapping – developing a practical approach for linking resources to strategic goals. Journal of Engineering Manufacture, volume 217, number 9, 2003.

55


Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense

PHALL, R; FARRUKH, CJP; PROBERT, DR. Collaborative technology roadmapping: network development and research prioritization. International Journal of Technology Intelligence and Planning, volume 1, number 1, 2004 (a), p.39-55. PHALL, R; FARRUKH, CJP; PROBERT, DR. Technological roadmapping – a planning framework for evolution and revolution. Forecasting and Social Change, volume 71, 2004 (b), p.5-26. PROBERT, D.; RADNOR, M. Frontier experiences from industry-academia consortia. Research Technology Management, v. 46, n.2, 2003, p. 27-30. PVNET Consortium. PV R&D for PV products generating clean electricity. ��������������������� 2002. Disponível em: http://paris.fe.uni-lj.si/pvnet/files/ PVNET_Roadmap_Dec2002.pdf. ������������������������� Consultado em 26/02/2007. RCBI - Representatives of the Commercial Building Industry. High-performance commercial buildings: a technology roadmap. 1999. Disponível em: http://www.eere.energy.gov/buildings/info/documents/pdfs/roadmap_lowres.pdf. ������������������������� Consultado em 26/02/2007. ROSSMEISSL, N. Fuel cells for buildings roadmap workshop. ��������������������� 2002. Disponível em: http://www.p2pays.org/ref/20/19376.pdf. SADAYASU, M; LANATA, W; TAYLOS, D; STUMP, R. Hitachi DVD business backgrounder. ��������������� Disponível em: http://roadmap.itap. purdue.edu/ctr/documents/DVDback.pdf. SCHALLER, RR. Technological innovation in the semiconductor industry: a case study of the international technology roadmap for semiconductors (ITRS). George Mason University: dissertation of Doctor of Philosophy Public policy, 2004. SCOUTEN, WH; PETERSEN, G. New biocatalysts: essential tools for a sustainable 21st century chemical industry. ������ 1999. Disponível em: http://www.ccrhq.org/vision/index/roadmaps/New%20Biocatalysts.pdf. ������������������������� Consultado em 26/02/2007. SOCIETY FOR MOTOR MANUFACTURERS AND TRADERS. Foresight vehicle technology roadmap: technology and research directions for future road vehicles. ��������������� Disponível em: http://www.foresightvehicle.org.uk/technology_road_map.asp. THOMPSON, TB; KONTOMARIS, K. Technology roadmap for the computational fluid dynamics. ��������������������� 1999. Disponível em: http://www.chemicalvision2020.org/pdfs/compfluid.pdf. Consultado em 26/02/2007. TREITEL, R. Roadmap et Roadmapping: tout ce que vous voulez savoir sur les roadmaps et vous n’avez jamais osé demander. Disponível em: htttp://igart.free.fr/. Última atualização em 22 de maio de 2005. Consultado em 23 fevereiro de 2007. US DEPARTMENT OF AGRICULTURAL; US DEPARTMENT OF ENERGY. The technology roadmap for plant/crop-based renewable resources 2020. ��������������������� 1998. Disponível em: http://www.osti.gov/bridge/purl.cover.jsp?purl=/756319-sRmRAG/native/. Consultado em 26/02/2007. US DEPARTMENT OF ENERGY. Robotics and intelligent machines roadmap. ��������������������� 1998. Disponível em: http://www.rim.doe.gov/. Consultado em 26/02/2007. US Department of Energy. Vision 2020: the lighting technology roadmap. ��������������� Disponível em: http://www.eere.energy.gov/buildings/ info/documents/pdfs/lighting_roadmap_compressed.pdf. US Department of Energy. Vision 2020: the lighting technology roadmap. ��������������������� 2000. Disponível em: http://www.eere.energy.gov/ buildings/info/documents/pdfs/lighting_roadmap_compressed.pdf. ������������������������� Consultado em 26/02/2007. US DEPARTMENT OF ENERGY. Biobased products and bioenergy roadmap. 2001. Disponível em: http://roadmap.itap.purdue. edu/ctr/documents/BIOENGY_RDMP_0718.pdf. Consultado em 26/02/2007. WILLYARD, C.H.; MCCLEES, C.W, Motorola’s technology roadmapping process, Research Management, Sept.-Oct., 1987, p. 13-19.

56


Participantes

Participantes dos Painéis de Especialistas do setor de Produtos de Consumo

NOME DO PARTICIPANTE Annelise Vaine Castelli Cleiton Antunes Pereira Daniella C. A. Botelho Dorotéia Baduy Pires Egon Antônio Torres Berg Elvina Chaves Eugenio Rossato Fabrizio Neves Silveira Júnior Gabardo Ken Flávio Ono Fonseca Lucia do Amaral Lúcia Figueredo Lucimar Pontara Peres Maria Luiza Rodrigues de Souza Marilzete Basso Nascimento Rajanand Albano da Costa Ricardo Alex Giovaneli Ricardo Dutra Sidarta Ruthes de Lima Umberto Klock

INSTITUIÇÃO Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI/PR) Use Brazil Cermassa Universidade Estadual de Londrina (UEL) Cerâmica Campestre (Cercam) Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) Paraíso Bordados Cerâmicas Eliane Sexxes Centro de Design /PR Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR) Lúcia Figueredo Universidade Estadual de Maringá (UEM) Universidade Estadual de Maringá (UEM) Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Consórcio de Exportação (CONEX) Curtume Central Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI/PR) Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI/PR) Universidade Federal do Paraná (UFPR)

57


COORDENAÇÃO EDITORIAL FIGURAS

Antônia Schwinden  CAPA e projeto gráfico Glauce Midori Nakamura

Stella Maris Gazziero 

Editoração Eletrônica

Ivonete Chula dos Santos

Este livro foi composto em Arial Narrow e impresso em papel Reciclato 90g/m2. Capa em papel Papel Reciclato 240g/m2. Tiragem: 1.000 exemplares.

Produtos de Consumo  

Estes estudos prospectivos resultam do projeto Setores Portadores de Futuro para o Estado do Paraná, que evidenciou a necessidade de concebe...

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you