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Boston e que se autodestruiu justamente quando mais precisavam dele. Mas a história vai além; é uma história sobre caráter. Um grupo de jornalistas esportivos do New York Times e do Boston Globe tomou a ponte aérea da Delta para Boston. Eu também estava nesse voo. Eles iam assistir ao jogo número três das eliminatórias de 2003 do campeonato da Liga Americana, entre os Yankees de Nova York e os Red Sox de Boston. Falavam sobre caráter, e todos concordavam — os de Boston com relutância — que os Yankees o possuíam. Entre outras coisas, recordavam o que os Yankees haviam feito por Nova York dois anos antes. Foi em outubro de 2001, e os nova-iorquinos tinham acabado de passar pelo Onze de Setembro. Eu estava lá, e ficamos arrasados. Precisávamos de alguma esperança. A cidade precisava que os Yankees dessem tudo o que tinham, que chegassem à World Series. Mas os Yankees também tinham passado por aquilo, e estavam feridos e exaustos. Pareciam não ter mais nada a oferecer. Não sei onde foram buscar forças, mas foram até o fundo e venceram jogo após jogo, e cada vitória nos trazia um pouco mais de volta à vida, cada qual nos dando um pouco mais de esperança para o futuro. Nutridos por nossa necessidade, tornaram-se campeões da região Leste da Liga Americana, depois campeões da Liga Americana e finalmente chegaram à World Series, onde lutaram valentemente e quase venceram. Todos odeiam os Yankees. É a equipe contra a qual todo o país torce. Também cresci odiando os Yankees, mas, depois do que aconteceu, tive de amá-los. Era isso que os jornalistas esportivos queriam dizer com caráter. Caráter, diziam eles. Eles sabem reconhecê-lo. É a capacidade de ir ao fundo de si mesmo e encontrar forças, mesmo quando as coisas estão contra você. No dia seguinte, Pedro Martinez, o extraordinário mas supermimado arremessador da equipe de Boston, mostrou o que é caráter, ao exibir a falta dele. Ninguém poderia almejar o título de campeão da Liga Americana naquele ano mais do que os Red Sox de Boston. Eles não venciam havia 85 anos, desde a maldição do “Bambino”, isto é, desde que o dono dos Red Sox, Harry Frazee, vendera Babe Ruth aos Yankees, a fim de obter dinheiro para financiar um espetáculo teatral na Broadway. 30 Não bastava que ele vendesse o melhor arremessador canhoto do beisebol (que na época era Ruth), mas, além disso, vendera-o ao detestado inimigo.

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Mindset_ A nova psicologia do sucesso - Carol Dweck  

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