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pessoalmente desgostoso com certos aspectos, a ponto de perder o estímulo para o esporte. A atmosfera era envenenada. […] Quando eu jogava bem, sempre me mantinha estimulado, por mais que o técnico gritasse. […] Mas, quando seu negativismo se juntava ao meu, isso me derrubava. […] Meu pai e minha mãe ficaram preocupados. Viam que eu estava perdendo a paixão pelo esporte. 53 O SANTO GRAAL: NADA DE ERROS Alford relata: “Para o nosso técnico, o santo graal era uma partida jogada sem erros”. 54 Ora, ora. Sabemos que tipo de mindset torna os erros intoleráveis. E as explosões de ira de Knight eram lendárias. Houve um dia em que ele atirou uma cadeira na quadra. Em uma ocasião, tirou um jogador da partida puxando-o pela camisa. Em outra, agarrou o jogador pelo pescoço. Frequentemente justificava seu comportamento afirmando que queria endurecer o time, preparando-o para jogar sob pressão. Mas a verdade é que não conseguia se controlar. Seria instrutivo atirar cadeiras ou dar uma gravata em alguém? Ele motivava seus jogadores por meio do medo, não mostrando respeito por eles, e sim os intimidando. Eles temiam seu julgamento e suas explosões. Isso dava resultado? Às vezes, “funcionava”. Por três ocasiões, conseguiu ter equipes capazes de disputar a vitória final no campeonato. Na “temporada difícil” descrita por Feinstein, a equipe tinha poucos atletas de estatura elevada, pouca experiência e velocidade, mas era competitiva.55 Venceu 21 partidas, graças ao conhecimento que Knight tinha do jogo e a suas qualidades como técnico. Porém, outras vezes, não dava certo. Individual ou coletivamente, os jogadores se deixavam abater. Na temporada difícil mencionada no livro, o colapso ocorreu no final do campeonato. No ano anterior, igualmente, a equipe havia desmoronado pela pressão de Knight. Ao longo dos anos, alguns jogadores escaparam, transferindo-se para outras escolas ou desrespeitando as regras (faltando a aulas ou às sessões tutoriais), ou ainda passando para a categoria profissional, como Isiah Thomas. Durante uma turnê, os jogadores frequentemente conversavam sobre a possibilidade de ter ido para outra escola em vez cometer o erro de escolher Indiana. Não que Knight tivesse mindset fixo sobre a habilidade dos jogadores. Acreditava firmemente em sua capacidade de se desenvolver. Mas tinha mindset fixo a respeito de si mesmo e de sua aptidão como técnico. A equipe era produto seu, e, a cada vez que jogava, tinha de provar sua capacidade. Os atletas

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Mindset_ A nova psicologia do sucesso - Carol Dweck  

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