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Alvorada, 17 de setembro de 2013 | Edição 24| Ano 2

O ALVORADENSE

A alvorada de uma nova cidade


JONATHAS COSTA

Pórtico de entrada da cidade, no início da Avenida Presidente Getúlio Vargas. Tornou-se símbolo de Alvorada.

EDITORIAL

A busca pela história perdida

M

uitos são os papeis que um jornal tem de cumprir na sociedade. Levar até o leitor informação de qualidade e relevante é apenas um deles. Neste 48º aniversário de Alvorada, O Alvoradense tem a honra de cumprir com mais um de seus deveres: registrar a história. Se nos 47 anos anteriores este jornal não teve a oportunidade de acompanhar esta data, o fazemos agora cientes de que há, ainda, muito do que se contar. Nesta edição especial fazemos não só um apanhado histórico da cidade, como propomos o futuro. Olhando para frente, queremos pautar a cidade para as próximas décadas. Certamente este é outro de nossos deveres. Partindo do pressuposto de que uma cidade que não guarda sua história pouco pode esperar de seu futuro, apresentamos este caderno especial com uma preocupação. Alvorada não guarda sua memória. Recontar o

passado do município é como tatear paredes de um quarto escuro. Há, sem dúvida, quem anonimamente trabalhe para guardar o pouco do que ainda sobrou, a maioria dos materiais em arquivos pessoais. Esforços que seriam melhores aproveitados se houvesse convergência de ideias e de interesse público. A cada novo governo, uma nova equipe, a cidade viu seu patrimônio histórico se perder entre a burocracia e a despreocupação. Não nos cabe lamentar. Não há tempo para isto. Este resgate certamente é o melhor presente que Alvorada poderia receber. Se em cidades como Porto Alegre o patrimônio histórico é ameaçado pela especulação imobiliária, por aqui, antigas terras dos Feijó, o desleixo é o maior vilão. É preciso, mais do que nunca, arregaçar as mangas e ir em busca desta história. Aprender com os erros passados é a melhor garantia de que não vamos repeti-los no futuro.

Empresa Jornalística Soares da Costa Ltda. CNPJ: 15.077.362/0001-58 www.oalvoradense.com.br Rua Icaraí, 106, Bairro Sumaré Alvorada, RS, Cep: 94824-030

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Alvorada, 17 de setembro de 2013 • Edição Especial

Redação

redacao@oalvoradense.com.br

Tel.: 8497.5631 Comercial

comercial@oalvoradense.com.br

Tel.: 8497.5631

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Aprender com os erros do passado é a melhor garantia de que não vamos repeti-los no futuro.

Coordenação Jonathas Costa

jonathascosta@oalvoradense.com.br

Reportagem Amanda Fernandes

amandafernandes@oalvoradense.com.br


ÍNDICE

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Do Passo do Feijó a Alvorada, uma história ainda em construção

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CATÁSTROFES

POLÍTICA

ECONOMIA

História mostra que cidade sempre sofreu com desastres naturais.

A história das nove pessoas que mudaram o destino de Alvorada.

A eterna busca pela industrialização da cidade.

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COTIDIANO

CULTURA

FUTURO

Conheça a história de quem mora na Capital, mas encontrou aqui o emprego ideal.

Opções para todos os gostos que comprovam que não é preciso ir longe para se divertir.

Porque acreditar que Alvorada pode ser uma cidade melhor nos próximos anos.

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INTERATIVIDADE

MAPA

Internautas enviam mensagens sobre que presente gostariam de dar para a cidade.

Os números que retratam a cidade nos seus 48 anos de fundação.

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HISTÓRIA

A origem do Passo do Feijó

O

primeiro registro de formação da região que hoje conhecemos como Alvorada é de 1753, de acordo a professora Vera Maciel Barroso, organizadora do livro Raízes de Alvorada. Na época o açoriano Manoel de Souza Feijó recebeu as terras que originaram as cidades de Alvorada e Viamão. Estima-se que as dezenas de hectares cedidos à Família Feijó iam desde a avenida Assis Brasil, nas proximidades da rua Coronel Feijó, em Porto Alegre, até a região conhecida como Passos dos Negros, em Viamão. Não por outro motivo o nome Feijó batiza até hoje escolas, ruas e bairros. Pela inexistência de documentos que detalhem esta época, não se pode garantir o tamanho da extensão da propriedade de Manoel Feijó, mas sabe-se que entre Alvorada e Viamão ele estabeleceu residência e criou os 18 filhos, oriundos de três relacionamentos. A infância e juventude de Feijó também é pouco conhecida. Constam registros de que em 1782 ele, ao lado da esposa e filhos, se estabeleceu em Viamão, provavelmente nas imediações do Arroio que recebeu o nome da família. Ele administrou estas terras até sua morte, em 11 de setembro de 1835. O local do falecimento, no entanto, também é incerto. Outra família importante à formação do povo alvoradense é a Barcellos. No final do século XVIII eles chegaram à cidade a iniciaram o processo de povoação da região, conhecida hoje como Passo da Figueira. Os Barcellos e os Feijó detinham grande parte da área que hoje conhecemos como Alvorada. Cada um deles, no entanto, era dono de uma

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extremidade. Emancipação A região já contava com uma aglomeração considerável quando a proposta de emancipação surgiu. O precursor da proposta fora Elisardo Duarte Neto, que já nos anos de 1940 discordava com a forma como seu Sogro, então prefeito de Viamão, administrava a região. A reclamação da falta de investimentos era constante. Em 1952 o distrito Passo do Feijó foi criado oficialmente. O reconhecimento não trouxe as melhorias aguardadas e a proposta de separação ganhou corpo. A emancipação veio apenas em 1965, quando a Câmara de Vereadores de Viamão aprovou a lei, sancionada pelo prefeito da época Tenente Coronel Ponçalino Cardoso da Silva. Escolha do nome Erra quem aposta que Alvorada ganhou este nome devido ao nascer do sol ou aos hábitos dos primeiros moradores de deixar a cidade pela manhã. Igualmente está equivocado quem aposta no Palácio da Alvorada, sede do poder em Brasília. Segundo Irineu Luiz da Silveira, testemunha do processo de emancipação do município, o nome surgiu por uma necessidade básica: chamar atenção do Governo Federal. Na época a verba da União era passada para os Estados que depois repassavam para as cidades. A divisão, no entanto, ocorria pela ordem alfabética. Viamão, portanto, recebia tardiamente os recursos, que demoravam ainda mais para chegar aqui. Ao decidir pela emancipação, uma certeza nasceu junto: a de que o nome da futura cidade teria que começar com a letra “a”.

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Imagem histórica mostra grupo de tradicionalistas tocando à sombra de Big, na entrada da cidade. Região era praticamente desabitada, local ideal

Uma das propriedades da Família Feijó, existente até hoje no bairro


ARQUIVO BIBLIOTECA MUNICIPAL

Catástrofes naturais fazem parte da cidade Em 2013 Alvorada enfrentou, novamente, enchentes que deixaram bairros inteiros em baixo d’água. Esta realidade não é nova. Registros históricos comprovam que os alvoradenses sempre enfrentaram problemas em decorrência de desastres naturais. Entre os principais arquivos, surgem histórias de eventos que marcaram a cidade, como a 1970. Naquele ano um vendaval destrui grande parte de Alvorada. Na garagem das empresas de ônibus, por exemplo,

veículos ficaram revirados. Muitos prédios foram destelhados e outros completamente destruídos. Um novo temporal, em 1977, voltou a assolar a região, colocando à baixo por completo o prédio da prefeitura, que viria a ser reconstruído anos depois. Alagamentos também foram constantes, como a grande enchente dos anos de 1980. Registros fotográficos comprovam, no entanto, que já nos anos de 1960 as cheias assolavam a região. ARQUIVO SMC

uma suntuosa figueira em fazenda onde hoje está instalado o Hipermercado para a criação de animais dos sítios da região. ARQUIVO SMC

Foto datada de 19 de setembro de 1967 comprova que cidade sempre sofreu com alagamentos. ARQUIVO SOUL

Vendaval em 1977 gerou graves prejuízos para a cidade. Na garagem da Soul, ônibus foram revirados.

Conteúdo extra

Formosa. Casarão é um dos poucos prédios históricos de Alvorada.

Gostou de ver imagens históricas da cidade? Então corre para o site que preparamos uma galeria de fotos antigas de Alvorada. www.oalvoradense.com.br Alvorada, 17 de setembro de 2013 • Edição Especial

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POLÍTICA

As nove pessoas que mudaram o destino da cidade para sempre

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As três prefeituras. A primeira foto não possui referência de data. A segunda mostra o prédio de madeira no mesmo local da atual sede do Poder Execuitivo da cidade.

esde sua emancipação, Alvorada contou com representações políticas fortes, que encontraram muitos desafios à frente do Executivo. Antônio Antônio Alves foi o primeiro prefeito da cidade, nomeado interventor à época da emancipação. Em 1968 foi eleito Pedro Antônio de Godoy, que governou de 1969 a 1973 e foi responsável pela implementação da primeira estrutura administrativa da nova cidade. Elisardo Duarte Neto foi eleito no mandato seguinte. Em seu período no Executivo trouxe para a cidade o Banrisul, a Corsan e a Comarca Municipal. No mandato seguinte foi a vez de Marne Machado Feijó assumir a prefeitura, que acabou destruída por um temporal nos primeiros meses de gestão. A estrutura administrativa da cidade foi instalada

em locais improvisados por mais de três anos, quando o novo prédio foi inaugurado. Em 1983 assumiu Léo Barcellos, que enfrentou os problemas de calçamento das ruas e ampliou a rede de ensino. Godoy retornou à prefeitura em 1989. Seu segundo mandato esteve focado na industrialização da cidade, projeto que se viu consolidado na gestão seguinte, de Appolo, que também focou na ampliação da rede de esgoto. A primeira mulher eleita prefeita da cidade tomou posse em janeiro de 1997. Stela estimulou a participação da população nas decisões do governo. Nesta época surge o Orçamento Participativo, mantido durante os oito anos da sua gestão. Em 2005 foi a vez de João Carlos Brum assumir. Também foi reeleito. O processo de industrialização foi ampliado em sua gestão.

Antônio Antônio Alves, de 12/05/1966 a 31/01/1969

Pedro Antônio de Godoy, de 31/01/1969 a 31/01/1973

Elisardo Duarte Netto, de 31/01/1973 a 31/01/1977

Marne Machado Feijó, de 31/01/1977 a 31/01/1983

Léo Barcellos, de 31/01/1983 a 31/12/1988

Pedro Antônio de Godoy, de 01/01/1989 a 01/01/1993

Ex-prefeitos definem os desafios e legados de seus mandatos

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JOSÉ APOLLO

STELA FARIAS

CARLOS BRUM

SÉRGIO BERTOLDI

Foi prefeito entre 1993 e 1996. Nascido na região de Taquara, teve seu primeiro contato com a cidade quando foi transferido para atuar como delegado, na década de 1970. Foi transferido para a Capital e depois voltou a atuar em Alvorada. Mesmo não sendo o favorito, Appolo foi eleito em 1992, derrotando o candidato do governo. Seu maior legado, segundo ele mesmo avalia, foi a implementação da infraestrutura básica, como o saneamento. Data desta época o início do Distrito Industrial.

Nascida em Ibirubá, noroeste do Estado, veio para Alvorada acompanhando os pais e irmãos, aos 14 anos. É formada em história, atuou como professora e militou no Cpers Sindicato. É uma das fundadoras do PT na cidade. Foi eleita vereadora em 1992. Quatro anos depois conquistou a prefeitura, sendo reeleita em 2001. Stela vê como marca da sua passagem pela prefeitura a participação popular. Em sua gestão foi implementada o Orçamento Participativo, criado em 1989 na Capital.

Porto-alegrense de nascimento, Brum passou a infância em Alvorada. Depois de um período em Santa Rosa, retornou à cidade aos 18 anos. É formado em Contabilidade. Aos 24 se elegeu vereador e, depois de três mandatos na Câmara, foi eleito prefeito, em 2005. Quatro anos mais tarde foi reeleito em uma disputa acirrada com Stela. Na sua avaliação, a falta de industrialização da cidade foi enfrentada como principal desafio. A mesma área é vista por ele como um legado de sua gestão.

Nascido em Viamão, Serginho tem como a primeira lembrança de Alvorada as longas caminhadas para os banhos na Lagoa do Cocão. Formado em Educação Fisica, foi militante sindical em 1980. Ao lado de Stela, ajudou a fundar o PT na cidade. Eleito pela primeira vez como vereador em 2000, cumpriu três mandatos de vereança até chegar à prefeitura. Com quase 50 mil votos, foi eleito prefeito em 2012. Trabalha agora para deixar de legado obras importantes, como a construção do dique.

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ARQUIVO SOUL

SAMUEL SILVEIRA/OA

Fotografia histórica mostra empresários locais no primeiro canteiro de obras no Distrito Industrial de Alvorada, em abril de 1993. Imagem ao lado mostra o local hoje.

ECONOMIA

A busca pela industrialização

E

m 16 de outubro de 1987 uma comissão pela industrialização da cidade entregou ao então secretário de obras uma ata pedindo o inicio da criação de um polo industrial em Alvorada. Da criação, definição do espaço e vinda da primeira empresa que deveria compor o que hoje é o Distrito Industrial, se passaram seis anos. Uma campanha iniciada em junho de 1988 incentivou empresários da região para se instalarem no local. A

contratação de mão-de-obra em Alvorada também foi fortemente incentivada. O primeiro empreendimento, no entanto, chegou em 15 de abril de 1993. Foi quando a Dgmetal se estabeleceu na cidade em uma área de cerca de 10 mil m². Na época, o investimento gerou 150 vagas de empregos diretos. A empresa de camas metálicas, que em 1993 pretendia atender as demandas da cidade, Estado e países do Mercosul, tinha, naquele ano,

uma produção de cerca de 2400 peças por mês. Passados mais de duas décadas a sociedade alvoradense ainda se preocupa se as empresas que vão ocupar os espaços disponíveis no Distrito vão oferecer vagas para a população local ou trarão mão-de-obra de fora da cidade. Depois de 24 anos, a ampliação Em setembro deste ano

foi entregue ao Governo do Estado um projeto que deve estender o Distrito Industrial de Alvorada até a RS 118. De acordo com a avaliação do atual presidente da Associação Comercial de Alvorada (Acial), Maurício Cardoso, a falta de espaço dificulta a vinda de novos empreendimentos. “O maior desafio é ampliar o distrito, pois uma grande dificuldade da cidade é atrair novas empresas em função do pouco espaço físico”, afirmou.

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MAPA

Alvorada

aos 48

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1 - Pórtico de entrada da cidade; 2 - Vista da avenida Presidente Getúlio Vargas, altura da parada 45; 3 - Paróquia São José Operário; 4 - Praza Leonel Brizola, em frente ao prédio da prefeitura; 5 - Praça João Goulart, a 48, palco de shows, feiras e eventos; 6 - Unidade Básica de Saúde do Bairro Americana; 7 - Ginásio Municipal Tancredo Neves; 8 - Hospital Municipal.

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A cidade em números 42.392 Automóveis 12.434 Motocicletas 01.732 Caminhões 00.602 Ônibus 05.774 Outros

48,6% Homens

48.931 M³ DE ÁGUA TRATADA CONSUMIDA POR DIA FONTE: IBGE (2008)

51,4% Mulheres

FONTE: DENATRAN (2012)

FONTE: IBGE (2013)

99

Ensino Fundamental Ensino Médio Pré-escola Ensino Superior

34.359 Fundamental 07.624 Ensino Médio FONTE: INEP (2012)

FONTE: IBGE (2010)

0,699

60.211

ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS

IDH

DOMICÍLIOS Posição 314 do RS

0,58%

NO RANKING GAÚCHO DE PIB PER CAPITA

DO PIB GAÚCHO

3.598

37,68%

EMPRESAS

INCIDÊNCIA DE POBREZA

FONTE: IBGE (2011)

R$ 7.528,20 Penúltima posição

FONTE: IBGE (2003)

FONTE: FEE (2010)

0,14%

55

FONTE: IBGE (2011)

FONTE: PNUD (2013)

495º

Agricultura

R$ 173 MILHÕES

20,88%

Indústria

78,98%

EM DEPOSÍTOS NA CADERNETA DE POUPANÇA

Serviços

FONTE: BC (2012)

BAIRROS

Água Viva Americana Barcelos Bela Vista Caxambú Cedro Centro Chácara do Tordilho Distrito Industrial Duas Figueiras Formosa Germânia Guedes Intersul

7

16 Municipais 15 Privados 01 Estadual

179 FONTE: IBGE (2010)

6

ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE

ALUNOS MATRÍCULADOS

FONTE: INEP (2012)

16

32

41.938

ESTABELECIMENTOS EDUCACIONAIS de de de de

VEÍCULOS

HABITANTES

KM² DE TERRITÓRIO

49 15 35 01

62.995

204.750

71.311

8

Jardim Algarve Jardim Alvorada Jardim Nsa. Sra. Aparecida Jardim Porto Alegre Jundiaí Madepinho Maria Regina Maringá Menino Jesus de Praga Nova Alvorada Nova Americana Nova Esperança Nova Petrópolis

9

Nova Setembrina Onze de Abril Passo do Feijó Passo dos Negros Pindorama Piratini Porto Verde Primavera Pro Morar Salomé Samaritana Santa Bárbara Santa Clara

Santa Helena São Francisco São Lourenço São Pedro Sítio dos Açudes Stella Maris Tijuca Torotama Três Figueiras Tupã Umbu Vila Aparecida Vila Izabel Vila Maria

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11

9 - Vista do alto do morro do cemitério, na rua Oscar Shick; 10 - Lagoa do Cocão; 11 Avenida Getúlio Vargas, próximo a esquisa com a Santos Dumont; 12 - Sede da 2ª Companhia da Brigada Militar na Avenida Zero Hora, bairro Jardim Algarve; 13 - Tradicional procissão de Nossa Senhora Aparecida; 14 - Avenida Piratini; 15 - Arroio Águas Belas, no Bairro Onze de Abril; 16 - Digitel, no Distrito Industrial.

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JONATHAS COSTA/OA

Expansão do comércio local, intensificada nos últimos anos com a chegada de novas marcas na cidade, atrai não só trabalhadores de Alvorada como de cidades vizinhas, inclusive da Capital.

COTIDIANO

No caminho inverso da maioria

U

mas das imagens que Alvorada cultiva até hoje é o de cidade dormitório. A característica “debandada” rumo à Capital todas as manhãs, no entanto, começa a dar sinais de saturação. O tempo passou e Alvorada cresceu. Ao completar 48 anos uma nova realidade se desenha, ainda que discretamente. Estes novos aspectos podem ser comprovados em números. A expansão do comércio local, responsável por quase 79% do Produto Interno Bruto (PIB) de Alvorada, abriu novos postos de trabalho dentro da cidade. Há cada dia mais trabalhadores deixam de ir até Porto Alegre para trabalhar e permanecem na cidade, onde passaram a encontrar opções vantajosas de carreira. Há, ainda, outra característica muito atual e, em parte, peculiar. Um grupo cada vez maior de pessoas começou a fazer o caminho inverso, vindo de Porto Alegre para atuar na cidade. Esse é o caso da corretora de imóveis Cristiane Quessada, 33 anos, moradora do bairro Jardim Leopoldina. Desde maio, durante todas as manhãs da semana ela enfrenta o movimento inverso ao da maioria dos alvoradenses na avenida Baltazar de Oliveira Garcia

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em direção ao seu emprego, em uma imobiliária de Alvorada. Segundo Cristiane, a mudança ocorreu não só na direção do deslocamento do transporte, como também em sua carreira. “Conversando com um amigo que tem um negócio pedi a oportunidade de aprender esse novo ramo”, afirmou a portoalegrense que há quatro meses vai na contramão de muita gente da cidade ao cruzar a ponte do Arroio Feijó em direção à Alvorada. Para ela, a escolha pela cidade foi feita pela facilidade. “O trânsito contrário fica muito mais rápido. Em cinco, no máximo dez minutos, estou no meu destino”, completou. Assim como ela, muita gente tem descoberto o potencial que a cidade tem para oferecer oportunidades de cidade grande, mas com as facilidades de cidade pequena. Prova disso é o próprio ramo de Cristiane. Novas imobiliárias chegaram na cidade e o setor apresentou forte aquecimento nos últimos anos. Essa nova realidade torna-se perceptível a cada dia. Seja nos canteiros de obras, nos anúncios de novos empreendimentos ou até mesmo no trânsito, que tem registrado lentão não só no sentido Alvorada-Porto Alegre.

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SAMUEL SILVEIRA/OA

Trânsito pesado na saída da cidade, em direção a Porto Alegre, é estímulo para quem decidiu trabalhar em Alvorada. ARQUIVO PESSOAL

Cristiane Quessada, moradora de Porto Alegre, encontrou em Alvorada a oportunidade de emprego que faltava na Capital.


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CULTURA

Agenda com opções para todos os gostos

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uem não conhece Alvorada tem uma imagem muita clara da cidade. O estigma de dormitório quase dura mais do que os 48 anos da emancipação e estimula o imaginário de que na cidade não há opções para o lazer, por exemplo. Há, inclusive, quem more por aqui e, ou por falta de tempo ou de interesse, também desconhece outra realidade se não aquela de ir a Porto Alegre em busca de serviços, emprego, festas e eventos culturais. A cidade, porém, está mudando alguns conceitos que, ao longo dos anos, se arraigaram na população. A setor cultural não fica de fora desta transformação. Reflexo disso é o crescimento

das casas de eventos que começaram a ver na cidade um potencial cultural até então pouco explorado. Alvorada ainda possui características de cidade pequena, mas o crescimento da cidade é inegável e, junto com essa expansão, a demanda de eventos culturais também se tornou mais atrativa aos alvoradenses, sejam eles espectadores ou artistas. A cidade passou a oferecer locais para os mais diversos tipos de atividades culturais. Empresários também notaram essa carência da população por espaços e demanda de eventos. O cenário favorável contribuiu para que diversas casas especializadas abrissem suas portas nos últimos anos. LIV/DIVULGAÇÃO

Cidade recebeu nos últimos anos novos investimentos no setor de entretenimento, com a abertura de casas noturnas e espaços dedicados a exposições e peças de teatro.

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As que já existiam passaram a investir em eventos e artistas que agradassem todas as camadas do público alvoradense, fazendo com que locais tradicionais de lazer convivessem ao lado de novos endereços de baladas. Uma concorrência que tem aquecido o setor. Foram necessários muitos anos de trabalho árduo para que o público local pudesse aproveitar desde de bailes funk à shows de blues, peças de teatro e exposições de arte e fotografia sem, para isso, ter que atravessar as pontes que separam Alvorada da Capital. Com ingressos que dificilmente ultrapassam os R$ 20 e melhorias na infra-estrutura das casas, cada vez mais pessoas decidem prestigiar os eventos locais. Ainda falta muito para que seja realmente possível garantir uma agenda cultural semelhante a de Porto Alegre, mas nota-se que Alvorada está no caminho. Soma-se a este cenário cultural efervescente, a expansão de pubs, bares e restaurantes, que oferecem opções de lazer baratas e de alta qualidade. No Centro da cidade, às voltas da avenida Maringá, surge a cada dia um novo bairro. No local há opções para todos os tipos de paladares. Alguns estabelecimentos oferecem, ainda, uma agenda de shows e apresentações. Uma noite verdadeiramente completa. É um cenário inegavelmente novo para um bairro agora chamado de “Cidade Baixa de Alvorada”, em referência à região mais boêmia de Porto Alegre.

Espaço para exposições no bairro

Apesar de não possuir teatro, adequados mas que não deixa


SUBTÊ/DIVULGAÇÃO

Sumaré trouxe novas opções para a agenda cultural da cidade e tem movimentado o setor oferecendo um local apropriado para artistas divulgarem suas habilidades sem precisar sair da cidade. SUBTÊ/DIVULGAÇÃO

A opinião de quem prefere Alvorada

A noite em Alvorada é a melhor por que aqui é a nossa terra e dela temos orgulho de viver e de curtir. Alvorada sempre. Jamais esqueceremos de onde viemos.

William Nery, estudante.

Aqui encontro oportunidades culturais para se ouvir blues, jazz, hip-hop, rock, entre outros, favorecendo a arte e poesia locais.

Nair Duarte, professora.

Eu gosto de curtir as noites no fim de semana em Alvorada porque aqui não são notadas as diferenças sociais e o melhor de tudo> todo mundo está sempre junto e misturado, conhecendo novas pessoas e reencontrando os conhecidos. Somos bem recebidos em qualquer lugar sem que haja uma diferença pois todos moramos em Alvorada. Na maior parte das vezes, claro, pois também há quem vem de fora curtir aqui.

Mariele Braga, estudante. Alvorada passou a contar com um calendário de apresentações permanente, que supera os desafios da falta de palcos de trazer ao público grandes espetáculos, fortemente incentivados por artistas e empresários locais.

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PERSPECTIVA

Com os olhos no futuro

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m seu 48º aniversário Alvorada tem muito o que comemorar, ainda que alguns não acreditem. A cidade mudou muito nos últimos anos. Tivemos saltos de desenvolvimento que permitiram que muita gente iniciasse o caminho inverso, vindo de Porto Alegre para trabalhar na cidade, por exemplo. Hoje é possível ir a diversos tipos de eventos culturais sem a necessidade de cruzar os limites da cidade. Porém, a Alvorada do futuro ainda nos reserva algumas surpresas. Se pudéssemos projetaríamos um município sem os baixos índices de desenvolvimento humano e os elevados indicadores de violência. Se fosse possível realizar as expectativas de cada um dos mais de 200 mil alvoradenses, certamente teríamos um pouco mais de desenvolvimento, empregos e condições de educação e saúde dignas de cidades desenvolvidas. O processo de industrialização, que deveria ter se iniciado há décadas atrás,

ainda engatinha, com um número de empreendimentos que ainda não consegue suprir todas as necessidades de emprego da cidade. As expectativas são boas. Alvorada é, no entanto, como muitas, uma cidade em desenvolvimento que, às vezes, parece não saber lidar com as mudanças. Mas ainda assim, a população tem razões para acreditar em um futuro próspero. Os índices educacionais da cidade estão melhorando gradativamente. Os incentivos a industrialização e profissionalização estão encaminhados. Segundo o que Rosalinda Flores Khal, afirmou em seu artigo publicado no livro Raízes de Alvorada, “o que mais chama atenção em Alvorada é o povo que aqui vive. São pessoas queridas, bonitas que trazem no rosto e nas mãos as marcas da luta para melhorar, crescer, pois a coragem é o que não falta aos alvoradenses, que não se intimidam diante de tantas dificuldades”.

As pessoas que aqui vivem trazem no rosto e nas mãos as marcas da luta para melhorar, crescer, pois a coragem é o que não falta aos alvoradenses, que não se intimidam diante de tantas dificuldades.

Rosalinda Flores Khal

JONATHAS COSTA/OA

Jovem bailarina no balet CultuArt, projeto que atende crianças em situação de vulnerabilidade social, durante apresentação. É para crianças como ela que a cidade de hoje se prepara.

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“ Recentemente meu filho quebrou um braço e a falta de um hospital de traumas me obriga a ir a Porto Alegre para o tratamento, a clínica de traumatologia é, também o meu presente.

Com tantos buracos, lixo por todos os cantos será que temos motivos para comemorar?

Henrique Arna Lely

Aymore

Marileni Caludete Soares Mazurana

DO LEITOR

Uma cidade melhor com mais educação, saúde e menos buracos nas vias públicas.

São tantas coisas que Alvorada precisa. O presente que eu dou para minha cidade, que assim como todos nós tem seus defeitos, é o meu amor.

Em minha opinião infelizmente, não temos nada para se comemorar. A cidade está num caos falta tudo por exemplo: falta segurança, saúde, educação e melhorias para nós cidadãos alvoradenses. O povo está tão cansado em promessas não cumpridas e de buracos nas ruas estão parecendo grandes campos de golfe.

Alvorada precisa de um hospital decente e uma unidade de tratamento de traumatologia.

Ronaldo Hoch

Grazeiela Cardoso

Limpeza e uma polícia mais atuante nos bairros.

Leonardo Silva dos Santos

Sirlei de Jesus Vaz de Sousa

Meu presente seria arrumar a estrada Frederico Dihl de ponta a ponta porque está horrível.

Leticia Soda

O que os alvoradenses desejam para a cidade

Eu faria uma lista de presentes: melhorias no hospital, asfalto ou operação tapa-buracos, clínica de fraturas, UPA’s, enfim, o cumprimento das promessas das épocas de campanha. Ao contrário do que dizem, nove meses não é pouco, muitas coisas poderiam ter sido iniciadas nesse período.

Neide Guimarães

A cidade tem 48 anos, mas continua sempre a mesma coisa sem evolução, nem melhoria. Como ônibus, calçamento. Entra prefeito e sai prefeito. Tudo do mesmo saco de farinha.

Marlene Pratt

A cidade precisa de infraestrutura. Universidades, hospitais, creches.

Helena Veseley

Melhores gestores, hospital decente, avenidas limpas e vias menos esburacadas

Melhorias na educação, saúde e segurança.

Juliana Araújo

Queremos uma Frederico Dihl sem tantos buracos.

Veronica Viana

Gislaine Rocha

Presente quem tem que dar para Alvorada são os políticos caras de pau que na eleição passada ficavam jogando golfe nas ruas esburacadas e postando no facebook, que apontavam todos os problemas que a cidade tinha e que o antigo prefeito não resolvia, e que nesse governo não fizeram nada ainda para mudar.

Muriel Ellen Rodrigues

Limpeza na cidade. Ela está abandonada, nem containers têm, a cidade virou um lixo.

Mery Pereira

Alvorada não tem nem o que comemorar. A cidade esta abandonada, tu não vês uma rua que não seja cheia de buracos, praças abandonadas cheias de mato, ruas sem asfalto impossíveis de andar de tanto barro. Olha, se for listar aqui, vou passar o dia.

Carla Camargo

Asfalto novo porque está uma vergonha!

Rosangela Machado Alvorada, 17 de setembro de 2013 • Edição Especial

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Alvorada, 17 de setembro de 2013 • Edição Especial

O Alvoradense #25 | 17 de Setembro de 2013  

www.oalvoradense.com.br/assine

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