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TRABALHOS DOS ALUNOS DO 8º E Estes trabalhos de escrita criativa foram feitos na aula, num momento de avaliação, após o estudo do texto descritivo, portanto são textos originais e da exclusiva autoria dos alunos mencionados. Os discentes descreveram as imagens apresentadas pela professora. Normalmente, os alunos têm mais dificuldade nesta tipologia textual, pelo que a sua divulgação parece ser pertinente. Que estes textos sirvam, pois, de inspiração e motivação para valorizar a língua portuguesa, nomeadamente, a escrita como um meio privilegiado de comunicação!

Maio 2012


Conforto desconfortável A cidade. As ruas atarefadas e barulhentas. Tudo o que eu vejo pela minha janela, monstruosamente grande e lustrosa, é escuridão, barulho, pressa e gritos. Dentro deste apartamento não há nada mais senão uma minúscula cozinha, uma sala enorme, dois quartos simultaneamente grandes, mas tudo muito cinzento, tudo muito insípido e incolor. Claro que não poderia faltar o som irritante dos saltos altos da vizinha de cima às seis da manhã, as aspiradelas do vizinho do lado e os berros estridentes e esganiçados da vizinha de baixo. Para me abstrair olho para a rua. A enorme rotunda à minha frente guarda carros em filinha indiana, todos eles com diversas cores: brancos, pretos, vermelhos, azuis e amarelos… Nos passeios, não muito longínquos deste fenómeno matinal, apenas se veem pessoas atarefadas: mulheres elegantes a correr nos enormes saltos, possivelmente tão finos como agulhas; homens de fato e gravata a deslocarem-se apressadamente para o trabalho com a pasta na mão; crianças a serem puxadas pelos pais na multidão, naquela que mais parece, daqui de cima, formada por formigas atarefadas à procura de comida para armazenar. Mas, enfim, é nesta cidade estranhamente normal que eu vivo.

Sofia Ferreira Santos - 8ºE


A beleza daquele lugar Ai! Tão bom que fora aquele dia! Neste momento encontro-me à sombra, guardada por este meu velho amigo carvalho, tal como fazia na minha juventude. E aqui estou eu, enquanto o sol irradia uma luz fascinante e o calor abraça o meu corpo de uma maneira inexplicável, acompanhada pelos meus pequenos amigos, a relembrar aquele dia extraordinário. O relógio já tinha feito soar as seis horas, e era dia de campismo em família, nós naquele dia íamos passar a noite num exuberante jardim. Lá tudo parecia magia: tantas cores, tanta vida, tanta alegria passeava entre os espaços vazios das árvores. O silêncio… ai, o silêncio! Era tão relaxante tal e qual a frescura do vento que me percorria a face e fazia com que a vida viesse ao de cima como os destroços de um barco à deriva no mar… das lembranças mais inesquecíveis às mais insignificantes. No dia seguinte, acordara com o imenso brilhar do sol e com as esplendorosas melodias chilreadas pelos pássaros. Mal me levantei, consegui observar toda aquela extravagância do jardim, toda aquela imensidão. As altíssimas árvores e os estranhos caminhos curvados que davam a ideia de labirinto, o encantador céu azul, os vigorosos arbustos e a extrema beleza daquela mistura de amores-perfeitos. Aquela paisagem seria das mais belas que alguma vez veria. Diana Almeida - 8ºE


Uma discoteca natural

Era uma paisagem magnífica. Uma discoteca com muita cor e vivacidade. Uma imensidão de cores à minha volta. Parecia ser uma pintura de tela, um quadro deslumbrante! Um jardim com árvores altas, baixas, arbustos, flores… Uma multidão de flores, todas elas diferentes, todas com o seu toque especial, todas com um cheiro característico e que não se viam em mais nenhum lado. Um jardim fonte de oxigénio onde podemos respirar ar puro em abundância. Os nossos pulmões agradecem o alívio e o descanso que lhes oferecemos. Um aroma inconfundível a natureza e um sabor a frescura. Ao longe, um repuxo de água fresca para refrescar os nossos rostos. Eram caminhos para passear que pareciam não ter fim, caminhos longínquos. Nestes, uma infinidade de bancos, onde poderíamos descansar. Mas, também, dançar com as árvores ao som do vento a tocar nos meus “fones” (ouvidos)! E cantar com os passarinhos nas asa do vento… Tudo isto para afirmar que há discotecas muito mais saudáveis! Vânia Soares – 8ºE


Tudo parecia fantasia!

Naquela manhã de primavera parecia que tudo era fantasia! Eu estava sentada descontraidamente, num banco de pedra, a ler um magnífico romance da minha escritora favorita. Ouvia o chilrear dos pássaros perto de mim, o que ainda me deixava mais tranquila. À minha frente, havia arbustos, inúmeras flores de variadíssimas cores, parecia um autêntico arco-íris. Por detrás desta pequenina tela encontravam-se árvores altas, esguias e finas, eram como os palácios das princesas, bonitos, elegantes e com muita cor. Mas quando escutei com atenção, apercebi-me que não eram só os pássaros e a brisa a bater nas árvores, mas também, no fundo do jardim, por trás das elegantes árvores havia uma cascata, uma beldade que nunca tinha visto antes. Mais tarde, depois de terminar de ler o meu romance, fui passear por um caminho, por entre as árvores, constituído por pedrinhas. Nunca me tinha sentido tão bem, sentia-me uma criancinha a saltar de pedra em pedra num riacho. Mas o meu sossego terminou subitamente, quando começou a chover, era como se a tela que tinha pintado naquele dia se tivesse borratado. Voltei para casa, para o meu doce lar, para perto da minha querida e adorável família.

Beatriz Cardoso – 8ºE


Pensamentos na imensidão

Sentia uma alegria compulsiva, algo que me levava a viajar pelas minhas memórias mais recentes. Sabia que aquela paz, que os meus olhos fechados não viam, era o factor ideal para permanecer ali. O sol intenso envolvia-me num abraço profundo. Forte! A fresca brisa marinha lembravame a existência de temperaturas inferiores àquela que eu sentia sobre a minha pele dourada. E voltavam as memórias! Tudo aquilo formava a paleta de cores que precisava para pintar a tela que iria retratar aquele momento divino. Abri os olhos. Tudo o que me passava pelo cérebro dissipou-se. Percebi, então, que aquilo que via ia entrar para a caixa que tenho no meu cérebro à qual intitulo memórias. Estava deitada numa toalha vermelha, na proa de um barco. No barco respirava-se fascínio. Afinal o próprio barco era fascinante, exuberante até. Não me podia esquecer daquele momento. Teria eu morrido? Estaria eu no céu? Por momentos pensei que sim. Que fizera eu para merecer tal? Mas olhei em redor, tudo o que observava era tão real, tão extraordinário, tão cheio de vida que tinha de ser uma paisagem pintada algures neste planeta. A imensidão do mar era desconcertante. Via-se vida através da água em que eu podia observar a minha face. Peixes, que juntos formavam um estupendo arco-íris, entregavam-se às águas estagnadas de diferentes tons de azul. As pessoas, que mergulhavam com brilhantes acrobacias, conviviam amigavelmente com aqueles seres pequeninos, mas que desejavam chamar à atenção. Não eram os únicos indicadores de vida. Debaixo de guarda-sóis de palha permaneciam pessoas. Estas desejavam que o sol libertasse o seu pó dourado sobre suas peles. Sem dúvida, uma recordação magnífica!


Ao fundo, via-se uma floresta pintada em tons de verde. Ouviam-se passarinhos frenéticos a cantar. Queriam dar a conhecer a sua presença naquele lugar. A floresta prolongava-se para os lados assim como para trás. Aquele conjunto de árvores rematava, com enorme classe, o fim das areias envolvidas em água salgada. Estava no local perfeito para me lembrar das minhas memórias, que eu desejava nunca esquecer. Mas estava também no local perfeito para adicionar àquela caixa, guardada na secção mais interna do meu cérebro, mais memórias em que se destacam as sensações mais impressionantes. Deitada neste barco, espero que os meus olhos fotografem este éden! Sara Cascais – 8ºE


Paz Monótona

O radioso sol acompanhado pela jovem madrugada pairava já no ar. Através da janela estes raios penetravam e incidiam na minha cabeça. Pareciam querer acordar-me. Respondi às suas vontades e fui novamente desfrutar de um dia calmo e pacífico. Lá fora, o céu estava limpo e azulado. As nuvens já não visitavam este local há bastante tempo. Já começava a ter saudades delas. O mar silencioso e adormecido parecia estar em repouso, à espera que algo acontecesse. Ao longe, conseguia-se avistar uma verde e misteriosa floresta cuja biodiversidade era infinita. Os “coloridos” odores que pareciam vir desta floresta misturavam-se com o suave aroma marítimo e ambos vinham transportados pela pacífica e breve brisa proporcionada pelo mar. Como sempre, o dia estava bonito! E com todas estas cores e cheiros únicos a minha humilde cabana parecia destacar-se. Era feita de madeira e o seu telhado de finíssimas agulhas de palha. Lá dentro só existia o essencial. Pois o único luxo da minha vida era poder todos os dias apreciar esta paz e exuberância produzida pela Natureza! Tiago Gaspar – 8ºE


Local Divinal

Quando cheguei à ilha, fiquei estarrecida com toda a beleza e serenidade à minha volta. Do bote que nos transportou até ali pude imaginar o que me esperava nos próximos dias: descanso, o que, realmente, eu precisava e ainda não obtivera e simplesmente não conseguia imaginar local melhor que aquele. Já no lindo e acolhedor casebre, que se encontrava sobre a água azulada e límpida, tive o prazer de reparar nos mais pequenos detalhes. A areia fina e branca da praia, que rodeava crianças acompanhadas pelos pais, intrigadas, tal como eu, se aquele sítio realmente existia. Como que a abraçar a praia, o arvoredo à volta debruçava-se, fornecendo-lhe sombra, tornando o local mais fresco e agradável. O céu perdia-se com as cores do mar e o sol brilhava intensamente. Mesmo os pequenos ruídos não passavam despercebidos, o que tornava o local ainda mais maravilhoso e fora do normal. O barulho da água a correr, da família que desfrutava do sol e da frescura do mar, da leve brisa que brincava com as folhas das árvores… Tudo aquilo não cabia na minha cabeça. Como poderia existir sítio com tamanha perfeição? Toda a calma que me era transmitida dava a sensação de que nunca iria desaparecer, o que me fazia querer ficar lá para sempre. Todas as cores, sons, o cheiro, mostravam que aquele era o verdadeiro conceito de paraíso. Ana Margarida Almeida Pires - 8ºE


Uma tarde na floresta nevada

Era uma gelada tarde de Inverno. A neve cobrira a floresta com o seu longo manto branco, tornando assim aquela paisagem ainda mais bela do que já era, antes de nevar. Alguns animais que habitavam a floresta, nomeadamente veados, procuravam alimento. Quando o tempo arrefecia bastante o alimento era cada vez mais escasso. Outros animais apenas corriam e pulavam na neve. As árvores de folha caduca tinham perdido todas as folhas, tornandose despidas. Sem as folhas, algumas árvores possuíam um ar sinistro. As árvores de folha persistente, principalmente, os pinheiros, naturalmente permaneciam com folhas. Até estavam mais vistosos com neve espalhada por eles. Ao longe, podiam avistar-se montanhas. O cume destas encontrava-se nevado todo o ano. A neve proporcionava-lhes beleza. O céu estava enevoado, as nuvens escureciam. Era perfeitamente normal no Inverno. Era muito provável começar a chover ou a nevar. Talvez fosse esse o motivo por que os animais andavam ligeiramente agitados. Um falcão atravessava a floresta com os seus gritos que cortavam o sossego pacífico. Parecia mesmo que anunciava que se aproximava uma forte tempestade. Por fim, os animais recolhiam-se, sempre com a preocupação de proteger as crias.

Ângela Regalado – 8ºE


AGRUPAMENTO DE ESCOLAS BENTO CARQUEJA E B 2,3 BENTO CARQUEJA

ALUNOS: 8ยบ E

DOCENTE DE LรNGUA PORTUGUESA PROFESSORA LURDES SILVA

ANO LETIVO 2011/2012

Textos criativos  

E B 2,3 Bento Carqueja - Oliveira de Azeméis Textos dos alunos do 8º E da Porfessora Lurdes Silva

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