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Directora: Beatriz Isaac | Directores-adjuntos: Emanuel Monteiro | Joana Portugal Edição nº11 (Janeiro de 2014) - Jornal Mensal

Reportagem fotográfica Erasmus em Itália Págs. 5-10

E tudo o mar levou… A tragédia do Meco, as Praxes e a Justiça portuguesa

Óscares 2014

O dossier Sírio:

Descubra as nomeações para o maior evento cinematográfico do ano

O impasse da conferência de paz , o agudizar do conflito e o problema dos refugiados

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O Futebol nas indústrias culturais: CR7 , Eusébio e a projecção cultural de Portugal

Diffraction/Refraction, o novo sucesso de YCWCB Pág. 20


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Edição de Janeiro

Editorial

O novo dossier d’O Académico Beatriz Isaac

Aborda-se a Guerra Civil Síria e a catástofre humanitária subsequente, assolando diversos países com milhares de refugiados lutando pela sobrevivência

pactante da Comunicaçao Social na mediaçao deste acontecimento. A crescente exploraçao mediatica e sensacionalista da tragedia ocorrida nao so representa um desrespeito perante as famílias em luto, como tem vindo a denegrir sistematicamente a praxe enquanto ritual de integraçao, associando-a de forma implícita, e nao raramente, a praticas nazis de humilhaçao dos mais fracos e perpetuadoras de obediencia cega. Contudo, esta publicidade negra denigre tambem, na minha opiniao, a propria Comunicaçao Social cuja preocupaçao e a venda e o lucro ao inves da procura da verdade, escolhendo varias vezes o caminho da especulaçao. Adicionalmente, discute-se a questao Erasmus, a experiencia de viajar pelo desconhecido, e apresenta-se, atraves da fotografia, plena de vida e cor, a experiencia de uma das alunas da Faculdade de Ciencias Humanas no seu semestre em Italia. Por ultimo, e num tom mais alegre, passam-se em revista as nomeaçoes para os tao aguardados Óscares, apresentando em maior detalhe a longa-metragem 12 years slave. No que toca à música, damos a conhecer o novo album dos You Can’t Win, Charlie Brown apresentado no começo do presente ano. Ja na area da literatura, avalia-se o livro Índice Médio de Felicidade de David Machado.

Esta, assim, completa a decima primeira ediçao deste jornal, que promete continuar a surpreender.

num tom mais alegre, passam-se em revista as nomeações para os tão aguardados Óscares, apresentando em maior detalhe a longa-metragem 12

years slave

O Académico | Nº11 Ficha Técnica

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m Janeiro do novo ano, O Académico apresenta aos seus leitores uma ediçao ecletica que, como tal, aborda diversos temas nevralgicos da actualidade. Aborda-se a Guerra Civil Síria e a catastofre humanitaria subsequente, assolando diversos países com milhares de refugiados lutando pela sobrevivencia. Este conflito, que toma maiores proporçoes a cada dia que passa, tem potencial para ser a proxima grande questao internacional que ficou por resolver. Trabalha-se para a paz na conferencia em Genebra, com as Naçoes Unidas, no entanto, a ausencia de predisposiçao para acordo nao augura resultados positivos. Contamos, ainda, com uma reflexao sobre a tao discutida Tragedia do Meco e o papel im-

Directora: Beatriz Isaac

Directores-Adjuntos: Emanuel Monteiro Joana Portugal

Redacção: Ana Claudia Rodrigues Ana Machado Dario Alexandre Ines Correia

Joao Gonçalo Simoes Jose Paiva Miriam Andrade Patrícia Fernandes Sara Placido


Décima Primeira Edição

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FCH News Ir ou não ir? – Eis a questão Miriam Andrade

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e és daqueles que acha que “está-se bem é fora de Portugal”, ou que diz “só o que é nacional é bom”, tira a prova dos nove e aprende com quem nasceu cá mas decidiu dar um pulinho lá. Fazer Erasmus e uma ambiçao para muitos ou um desperdicio de tempo para outros. No entanto, e sempre importante estarmos informados sobre tudo e, tambem neste campo, conhecer é viver. O Académico dá-te a conhecer a experiencia de Erasmus de dois alunos da nossa Faculdade de Ciencias Humanas (FCH). Ana Paixao e uma alentejana de gema com um sorriso sempre pronto, que veio para Lisboa estudar mas decidiu voar para mais longe e aterrou em Florença. Jose Paiva e uma das personagens da FCH e provoca sempre um sorriso ou gargalhada, que por mao amiga optou por Madrid para um semestre da sua vida. Ana Paixao responde que fez Erasmus pela aventura a nível pessoal e que, ao fim de contas, e uma experiencia que valoriza o seu percurso academico. E Florença, para ela, foi Arte e a

adaptaçao foi genuína. Diz que se apaixonou assim que os seus pes pousaram em solo italiano. Ja Jose afirma que “sabia que Madrid era mais que tapas e flamencos” – e nao se enganou. Descobriu uma “nova Madrid”, onde o interessante nao esta a primeira vista. Tanto a populaçao italiana como a espanhola mostraram-se prontas a ajudar e deixarao saudades. Mas sair fez, para Jose, reconhecer que apesar de Madrid ser muito boa “Lisboa batea aos pontos, e de longe” – afirma. E claro, as saudades de casa apertam e sera bom regressar a casa mas Jose afirma que esta experiencia, acima de tudo, o fez crescer. Para Ana Paixao, a frase em-

Tanto a população italiana como a espanhola mostraram-se prontas a ajudar e deixarão saudades.

Na memória não ficam apenas os lugares, os passeios, as pessoas – fica o sentimento de mudança pessoal e carimbo único na vida. blematica do grande Jose Malato, basta-lhe para descrever esta experiencia na sua vida – quando a questiono se Florença a marcou, ela responde simplesmente “Fui muito feliz aqui”. Na memoria nao ficam apenas os lugares, os passeios, as pessoas – fica o sentimento de mudança pessoal e carimbo unico na vida. Se ficaste curioso e queres saber mais sobre como fazer Erasmus dirige-te ao gabinete de Estagios da FCH no 3º piso do 2º bloco da FCH ou em http:// www.erasmus-aetc.com, onde esta experiencia esta a um passo de distancia.


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Actualidade

O dossier Sírio Beatriz Isaac e Joana Portugal

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rrancou dia 22 deste mes, em Genebra, a conferencia de paz sobre a síria onde compareceram todos os chefes de estado das naçoes unidas assim como as delegaçoes do governo Sírio e da oposiçao. Nesta reuniao pretendia-se chegar a um consenso entre as duas delegaçoes em prol da paz na síria. No entanto, os esforços de mediaçao foram em vao dado que, o regime Sírio rejeitou desde logo a elaboraçao de um acordo de paz para que posteriormente fosse possível a construçao de um governo de transiçao, sendo este o objectivo ultimo da conferencia. A alegada impreparaçao dos opositores ao regime levou ate a uma ameaça do Ministro dos Negocios Estrangeiros Sírio, Walid al-Moualem, de abandono das negociaçoes de paz. Esta conferencia surge com o intuito de por termo a guerra civil Síria, que desde 2011 ja ceifou a vida a mais de 100 mil pessoas e provocou a detençao de mais de 130 mil. Recentemente tambem surgiram provas, expostas por um fotografo da polícia militar, de que se tem verificado actos de tortura sistematica por parte das forças do regime. Tendo em conta este panorama cerca de 6 milhoes de pessoas foram deslocadas para diversas partes da Síria assim como 2

@AFP

@AFP milhoes sírios foram obrigados a procurar refugio noutros países tais como o Líbano, a Jordania e a Turquia. A sobrelotaçao dos campos de refugiados, nomeadamente o da Jordania que conta com mais de 130 mil civis sírios tem levado ao agudizar de uma crise humanitaria. Na sequencia desta problematica o Primeiroministro ingles, David Cameron, anunciou a aceitaçao de alguns refugiados admitindo ate que o numero ultrapasse as centenas, minimizando assim esta questao. Ós esforços destes de acolhimento podem assim vir a constituir uma soluçao provisoria para

o problema humanitario sírio, uma vez que o acordo de paz aparenta ser um projecto ainda longínquo. Ós apelos ao auxílio internacional tem sido constantes e ja em Julho do ano passado, um refugiado mostrou ao mundo a razao pela qual se devem abrir portas para a situaçao síria, dizendo ao jornal The Guardian: “We should be accepted because we are humans”. Deste modo, a ajuda internacional e crucial para a resoluçao deste conflito e de outros que se verificam na actualidade para que situaçoes como o Holocausto nao se verifiquem novamente.


Décima Primeira Edição

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Reportagem Fotográfica

O retrato a cores de uma experiência Erasmus em Itália, por Ana Paixão.

@AnaPaixão

Canal de Veneza


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Reportagem Fotográfica

@AnaPaixão

Ilha de Burano, Veneza

@AnaPaixão

Máscara de Veneza


Décima Primeira Edição

@AnaPaixão

Troço de Rua, Florença

@AnaPaixão

Ponto de venda do mercado central, Florença

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Reportagem Fotográfica


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Edição de Janeiro

Reportagem Fotográfica

@AnaPaixão

Vista da Catedral de Santa Maria del Fiore, Florença

@AnaPaixão

Mural, Siena


Décima Primeira Edição

@AnaPaixão

Doumo de Milão

@AnaPaixão

Torre de Pisa

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Reportagem Fotográfica


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Edição de Janeiro

Reportagem Fotográfica

Ilha de Burano, Veneza

@AnaPaixão

Vista da Ponte Vecchio, Florença


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Opinião O Futebol nas indústrias culturais nacionais Ana Machado

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o início do ano, Portugal foi testemunho do falecimento e do nascimento de duas lendas que marcaram a Historia, o desporto e a cultura a nível mundial. Eusebio da Silva Ferreira, Bola de Óuro de 1965 e 9º melhor jogador do Mundo do Seculo XX e Cristiano Ronaldo, Bola de Óuro de 2013, condecorado pelo Presidente da Republica, respectivamente. Futebol a parte, nao sao muitos os que destacam Portugal no mapa. Desde o falecimento de grandes estrelas musicais a renuncia da nacionalidade portuguesa por aquelas ainda vivas, o nosso país presenciou poucos momentos que o tornassem expoente de noticiarios internacionais ou europeus. Ate para os menos cativados pelo desporto, o impacto cultural torna-se indeclinavel. Para alem do crescente investimento na produçao e exportaçao para mercados externos, somos agora observadores de um reconhecimento internacional cada vez maior, especialmente nas industrias culturais. Nao mais temos cravado na cara a Cruz da Órdem de Cristo, Os Lusíadas, Vasco da Gama, Bartolomeu Dias ou Pedro Alvares Cabral. Podemos, finalmente, abandonar a “cultura da memoria” sobre a qual Theodor Adorno tanto reflectiu, e concretizar a inscriçao sobre a qual

Jose Gil tanto idealizou. Agora e passível usufruir deste espaço publico para por de parte descobridores e ilhas utopicas, e navegar pela riqueza literaria, musical e desportiva. E porque nao? Porque nao haveremos de reconhecer na simbologia de Eusebio, uma (apesar diferencial) cultura a altura de Amalia Rodrigues? Tera o futebol menor influencia no nosso modus vivendi que a poesia política de Zeca Afonso? Óu sera a arte da literatura mais complexa de executar do que as centenas de golos por temporada do Cristiano Ronaldo? Quem julga que perante estes media culturais, o futebol e potencialmente mais redutível e inverosímil de ser apelidado como cultural, atire a primeira bola.

Quem julga que perante estes media culturais, o futebol é potencialmente mais redutível e inverosímil de ser apelidado como cultural, atire a primeira bola. Sei que nao sao muitos aqueles capazes de captar a essencia de uma partitura musical, simplesmente olhando para ela. Seria, aos olhos de outros tempos, algo digno de uma cultura de classe alta. Talvez o futebol se integrasse, tambem nesses tempos, na cultura.


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Opinião Num país que luta pela coadopçao de casais homossexuais, a perspectiva nao deve ser essa, de certo. Eu julgo, confiante de que a Internet e as Bibliotecas nao servem para o deleite na ociosidade, que os portugueses compreendem o significado social que determinados desportos adquiriram na nossa sociedade. Ha, por exemplo, mais pessoas a dirigirem-se a um estadio de futebol, do que a um evento cultural o qual discuta o futurismo de Pessoa correlacionado as pinturas de Pablo Picasso. Ó futebol reune pessoas, e utilizado como espaço publico de partilha de opinioes, de valores, de crenças. Hoje, quando o Benfica e o Porto jogam, todos sabemos que estarao frente-a-frente, mais do que dois clubes e os seus seguidores, mas vira a tona a disputa entre as duas cidades

Na cultura dos miudos que vao la para fora a chuva, sujar-se e pronunciar palavroes quando sao arrebatados com um golo do adversario. Aqueles que chegam a casa a cheirar mal e, no dia seguinte, andam pela escola agarrados a bola de futebol velha e cheia de rasgoes, com as unhas todas pretas de caírem na lama. Seria uma cultura dedicada ao físico, a agressividade, a competiçao, a libertaçao das boas regras da educaçao que ditam o nosso comportamento em sociedade. Hoje em dia ja nao. Porque hoje em dia, julgo que vivemos alem das mediocridades e preconceitos. Todos temos acesso a qualquer tipo de informaçao e estudos desenvolvidos com o intuito EXACTÓ de os eliminar.

O futebol reúne pessoas, é utilizado como espaço público de partilha de opiniões, de valores, de crenças. e culturas, a qual nasceu ja ha mais de cinco Seculos. Trata-se de um sentido de integraçao na actualidade e nas relaçoes interpessoais, tao pertinente como o partido político defendido ou as ideias religiosas de cada um. Vivemos uma colectividade, criamos símbolos e signos nacionais, que eventualmente nos definem. Com Eusebio e Cristiano Ro-

Vivemos uma colectividade, criamos símbolos e signos nacionais, que eventualmente nos definem. Com Eusébio e Cristiano Ronaldo, estes símbolos abandonam o património nacional e tornamse elementos pertencentes à cultura mundial. naldo, estes símbolos abandonam o patrimonio nacional e tornam-se elementos pertencentes a cultura mundial. A globalizaçao tal o permitiu, com a integraçao dos Novos Media no nosso quotidiano e com o investimento nos Mass Media. Ó CR7, alcunha que acompanha Cristiano Ronaldo desde que ficou famoso no Manchester United, tornou-se tambem uma referencia a nível nacional. Ó “Pantera Negra” foi uma alcunha pela qual Eusebio sera sempre relembrado mundialmente, desde os seus tempos no Benfica. Nao me vou perder aqui a definir a miríade de impactos socio-culturais que estas personalidades tiveram e tem. Espero que cada um usufrua do seu espaço publico para discutir, concordar, discordar, argumentar sobre estas questoes que aqui proponho. Nao e esse, afinal, o objectivo principal da cultural?


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Opinião

E tudo o mar levou...

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José Paiva

ezembro costuma ser o mes mais feliz do ano, para todos. Em Portugal, contudo, houve uma excepçao, alias, seis. Seis famílias, que esqueceram a chegada do Natal e a noite do Ano Novo e que viram os seus filhos serem levados pelo mar, caíndo num vazio e obscuridade inegualaveis, que ainda hoje esta por explicar. Nada fazia esperar, que em 2013, uma dessas praias, a do Meco, ficaría marcada com um episodio que chegou ate as nossas casas, e que promete ainda dar muito que falar. Seis jovens faleceram, e so um sobreviveu. Alunos da Lusofona, e membros da Comissao de Praxes da Faculdade, decidiram passar uns dias numa das zonas mais bonitas perto de Lisboa, para, supostamente, organizarem e experimentarem novas praxes. Ó Dux, Joao Miguel Gouveia, foi o unico sobrevivente, e o unico que agora pode contar o que se passou. Pode, mas ainda nao o fez. A comunidade estudantil resolveu fazer um pacto de silencio, e a Reitoria da Universidade Lusofona decidiu lançar um inquerito interno, para tentar aclarar os factos, que, no entanto, pouco ou nada estao claros. Ó Ministerio da Justiça, por sua vez, resolveu tornar a sua investigaçao secreta, o que itensifica ainda mais a duvida instaurada. Enquanto isso, as

famílias destes jovens tiveram de reconhecer os corpos dos seus filhos, de chorar a sua morte, e de esperar. Esperar. Esperar. Esperar. E a sua unica hipotese, num país onde a justiça se move a passos lentos, e a Comunicaçao Social tenta explorar, por vezes de forma doentia, um acontecimento que acaba por alimentar a fome de sensacionalismo que se instaurou em Portugal ha muito tempo. E agora abre-se, novamente, o debate sobre as praxes. Estara na altura de repensar esta actividade, com tradiçao academica e historica, que tem vindo a trazer a luz do dia, alguns episodios pouco dignos e crueis, que merecem ser condenados? Sera a altura certa, para rever o tipo de ideologia empregue nas faculdades, pelos estudantes? Óu este terrível episodio, nao sera mais do que um aviso alarmante, do que antes de repensar as praxes, e necessario repensar o tipo de homens e mulheres que estamos a formar? Desde que vimos ser celebrada a liberdade de expressao, que nunca mais fomos os mesmos. A forma como vivemos, sentimos e debatemos o que nos rodeia levou um “volte face” sem prece-

dentes mas que cedo se tornou numa preversa forma de fazer dinheiro e denegrir a cultura e a educaçao deste país. Existe, porem, o respeito pelos outros. Existe, porem, a verdade dos factos, que nos leva, enquanto seres humanos, a obter respostas e conclusoes que nos ajudem a repor um pouco do sentido de justiça que temos vindo a perder. Existe ainda, porem, a nossa Humanidade, que apesar de todos os dias levar cortes e pancadas, ainda nao se deixou morrer. Ó nosso mar, que tantas conquistas ja nos trouxe, tambem ja nos levou muitos, que nos eram queridos. Contudo, desta vez, cre-se que nao foi so o mar o culpado. Desta vez, sao mais do que ondas a levantar-se, sao opinioes, ideias, teorias da conspiraçao, que precisam de ser resolvidas. Para que 2014 comece bem, e seja um ano extraordinario, fazendo-nos esquecer um 2013 difícil para todos, este caso merece ser resolvido. Pela nossa dignidade, pelo jornalismo portugues, pela justiça portuguesa, pelos jovens portugueses, e por estas famíias, que nunca mais terao um mes de Dezembro igual, o mes mais feliz do ano.


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Culturismo

CINEMA

Óscares 2014 Inês Correia

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om a temporada de premios em curso, as atençoes estao a virar-se para o evento principal: os Óscares. Este ano temos uma supremacia de filmes baseados em historias reais. Ó resultado sao historias fortes de interesse humano acompanhadas por uma cinematografia esteticamente bela. As nomeaçoes para o evento principal sao: 12 Years a Slave, American Hustle, Captain Phillips, Dallas Buyers Club, Gravity, Her, Nebraska, Phil omena e The Wolf of Wall Street. Podemos prever que filme ira ganhar ao olhar para o passado? Seis grandes e influentes cerimonias ja distribuíram premios para o filme do ano e a luta re-

Seis grandes e influentes cerimónias já distribuíram prémios para o filme do ano e a luta resumia-se a uma disputa entre o American Hustle com dois prémios e uns fantásticos 4 para 12

years a Slave

sumia-se a uma disputa entre o American Hustle com dois prémios e uns fantasticos 4 para 12 years a Slave, quando um empate com Gravity numa das cerimonias, Producers Guild of America, lançou a corrida para o caos. Nunca tinha havido empate na historia dos premios PGA na categoria de melhor longametragem, uma honra que se traduziu ao premio de melhor filme nos Óscares nos ultimos seis anos. Apenas tres vezes nos ultimos 25 anos, o Óscar de melhor filme foi para um que nao esteve nomeado nas cerimonias acima. Foram eles, Million Dollar Baby em 6444, Braveheart em 1995 e Unforgiven em 1992. 12 Years a Slave é então o vencedor mais provavel. Na categoria de melhor ator

num papel principal, temos uma das disputas mais concorridas dos ultimos tempos onde as fantasticas prestaçoes de por exemplo Robert Redford, Tom Hanks, Óscar Isaac, Forest Whitaker e Joaquin Phoenix tiveram de ser deixadas de parte. Temos Matthew McConaughey em Dallas Buyers Club que nos Globos de Óuro, ganhou o Melhor Actor num drama, enquanto DiCaprio nomeado pelo The Wolf of Wall Street ganhou o globo de ouro na categoria de Comedia. McConaughey passou muitos anos a aparecer em comedias romanticas, mas deu uma reviravolta notavel na carreira com esta sua primeira nomeaçao, num papel onde, de acordo com o mesmo, pela primeira vez se orgulha bastante. Agora, muitos


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comentadores acreditam que pode derrotar o nomeado para o 4º oscar DiCaprio. DiCaprio que ja apareceu em 7 nomeados para o premio de melhor filme, ira certamente proporcionar uma forte concorrencia tambem a Christian Bale no seu papel como o vigarista Irving Rosenfeld nos anos 70 em American Hustle e Chiwetel Ejiofor como um homem livre vendido como escravo em 12 years a slave. Ó actor veterano Bruce Dern, 77, completa os candidatos no seu papel como o pai excentrico Woody Grant no filme de Alexander Payne, Nebraska. Ós premios entregues ate agora apontam como provavel vencedor, Matthew McConaughey. Para melhor atriz, temos as nomeadas: Amy Adams em American Hustle, Cate Blanchett em Blue Jasmine, Sandra Bullock em Gravity, Judi Dench em Philomena e Meryl Streep por August:Osage County. Cate Blanchett tem sido apontada para ganhar o premio desde o dia em que “Blue Jasmine” foi

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lançado e, pelas vitorias que conta nos SAG, Critics Choice e nos Globos de Óuro, parece que essa perspetiva esta correta. Contudo, Amy Adams tambem e apontada como uma das favoritas. Para melhor ator num papel secundario estao nomeados Barkhad Abdi em Captian Phillips, Bradley Cooper em American Hustle, Michael Fassbender em 12 years a Slave, Jonah Hill em The Wolf of Wall Street e Jared Leto em Dallas Buyers Club. Ó nomeado pela primeira vez, Jared Leto, faz acreditar, genuinamente, a quem ve o filme, onde encarna um travesti vítima do vírus HIV, que deveria deixar a sua carreira no mundo da musica para se dedicar de vez ao cinema. Essencialmente, ganhou cada nomeaçao ate agora tornando-o a aposta mais segura na grande noite. Para melhor actriz em papel secundario, foram nomeadas as fantasticas Sally Hawkins em Blue Jasmine, Jennifer Lawrence em American Hustle, Lupita Nyong’o em 12 years a slave,

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Culturismo

Julia Roberts por August: osage county e June Squibb em Nebraska. Jennifer contra Lupita, este é o confronto definitivo na corrida, ja que as duas tem, basicamente, dividindo todos os premios precursores. Lupita, provavelmente, tem a maior hipotese. Para Melhor Realizaçao foram nomeados American Hustle, por David Ó. Russell, Gravity por Alfonso Cuaron, Nebraska por Alexander Payne, 12 years a Slave por Steve McQueen e The Wolf of Wall Street por Martin Scorsese. Gravity foi o filme vencedor nesta categoria no Directors Guild Óf America Awards. Desde que a cerimonia existe (1944) que este premio foi posteriormente entregue de maneira igual nos oscares falhando apenas 7 vezes. Assim, Alfonso Cuarón, assume um estatuto de vanguarda nesta categoria. Na categoria de melhor guiao original, estao nomeados “American Hustle” escrito por Eric Warren Singer e David Ó. Russell, “Blue Jasmine” de Woody Allen, “Dallas Buyers Club” de Craig Borten e Melisa Wal-


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Culturismo

Wallack, “Her” de Spike Jonze e “Nebraska” de Bob Nelson. Poder-se-ia pensar que esta e uma vitoria infalível para American Hustle, devido ao seu sucesso em solo americano dando a David Ó. Russell o seu primeiro Óscar. No entanto, Spike Jonze foi dominando nesta categoria, ganhando um Globo de Óuro. Por isso, e definida uma corrida entre os dois, com tanto Jonze e Russell na projeçao para o seu primeiro oscar sendo que Her, parece ser o provavel vencedor. Para melhor guiao adaptado estao nomeados “Before Midnight” escrito por Richard Linklater, Julie Delpy, Ethan Hawke. “Captain Phillips” de Billy Ray, “Philomena” de Steve Coogan and Jeff Pope, “12 Years a Slave” de John Ridley e “The Wolf of Wall Street” por Terence Winter. Ó guiao de John Ridley parece estar na linha da frente. Nas restantes categorias, especula-se que Gravity ganhe o maior numero de premios, com as seguintes categorias favoraveis: melhor cinematografia, melhores efeitos especiais, banda so-

nora, design de produçao e ediçao de som. E possível que American Hustle ganhe o melhor guarda-roupa e ediçao. Na categoria de maquilhagem e cabeleireiro, o premio ira provavelmente para as transformadas personagens de Dallas Buyers Club. Frozen é apontado como o vencedor na categoria de melhor filme de animaçao e Feral, na categoria de curta-metragem. Na categoria de mistura de som, o favorito e Inside Llewyn Davis. Em Melhor Curtas-Metragens de açao ao vivo, Just Before Losing Everything parece o mais favoravel. Depois, The act of killing e o preferido na categoria de filme documental e Karama Has No Walls na mesma categoria

mas de curta duraçao. Por fim, para melhor filme estrangeiro, as luzes estao viradas para The Hunt e para melhor canção original para Ordinary Love do filme Mandela: Long Walk To Freedom. Apesar destas previsoes, a cerimonia e sempre recheada de surpresas (por vezes nao muito boas), glamour e bom humor. Portanto, e definitivamente um evento a nao perder para os fas de cinema e da maquina Hollywoodesca. A cerimonia esta marcada para dia 2 de Março, tempo suficiente para ver todos os filmes e, ate la, as tençoes vao -se adensando e a curiosidade tera simplesmente de aguentar.


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Culturismo CINEMA

12 Years a Slave, Steve McQueen Inês Correia

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a assumida de Steve McQueen esperava ansiosamente este filme que nao desiludiu. Ó reencontro de McQueen com Fassbender resultou num marcante filme que ja ganhou 4 premios e e um dos candidatos preferidos aos Óscares. Considerando a importancia social e economica da escravatura na historia americana, a escassez de filmes serios que retratam o quotidiano dos escravos nos Estados Confederados e significativa ja que as sequelas deste episodio ainda ecoam atraves da cultura do país. Ó filme de McQueen concentra-se num arquetipo significativo da experiencia americana e

lida com os horrores suportados por um negro inocente nas plantaçoes do sul. 12 years a Slave é baseado nas memorias de Solomon Northup, um homem negro livre que vivia em Nova Iorque e que foi raptado e vendido como escravo para o Louisiana, onde teve que suportar um período infernal. A medida que o filme começa, somos expostos ao seu talento como musico atraves dos maravilhosos acordes do seu violino e podemos espreitar para a vida que leva com a sua mulher e dois filhos. Tudo corre bem ate ao momento em que se encontra com dois homens que parecem apreciar a sua musica e querem leva-lo com eles para que posso tocar em varios even-

tos. Quando Solomon acorda envolto em correntes, a sua jornada negra começa e o filme nunca nos deixa tirar uma pausa. Solomon e forçado a aguentar situaçoes terríveis, mas mantem sempre uma certa dignidade e notabilidade, o que torna o seu sofrimento ainda mais sentido aos nossos olhos. E um desempenho de incrível subtileza onde o actor e obrigado, em grande parte das situaçoes, a expressar-se com nao mais que os seus olhos, num mundo onde um gesto inconveniente equivalia a castigos pesados. Lupita Nyong’o representa Patsey, uma escrava que se cruza com Solomon e e o epicentro


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Culturismo Culturismo

emocional do filme. Despoleta violentos ataques de ciumes da mulher de Epps, o seu dono, e e a fixaçao sexual deste homem doentio. Ó sofrimento, lagrimas e raiva que se desenvolvem no filme, tem Patsey no seu amago. Possivelmente estaremos a assistir ao nascimento de uma estrela. Contudo, os restantes actores sao ofuscados de longe por Michael Fassbender que faz o papel de Edwynn Epps, um traficante de escravos demoníaco e repugnante. Em situaçoes que chegam a ser pateticas e aterrorizantes, ele encarna o pesadelo de um homem com falhas ,que no poder absoluto que tem sobre outros seres humanos encontra apenas loucura. Ele e sempre uma presença maligna, mesmo quando nao esta no ecra, os seus escravos devem estar sempre conscientes e preparados para os seus aleatorios ataques sadicos. Ó filme e negro e cru, como ficamos habituados na restante obra do realizador e expoe tudo sem qualquer atenuaçao. E definitivamente difícil de ver. Começando a sua carreira

como um artista de vídeo, antes de fazer longas-metragens, McQueen tem um olhar misterioso para imagens e contrastes. Tambem e um realizador muito paciente, utilizando planos longos e estaticos para enfatizar situaçoes. Quando os eventos no ecra se tornam mais aterradores e feios, e quando a sua camara se torna mais firme criando cenas altamente desconfortaveis. McQueen e um realizador sem medo dando continuidade com esta obra a sua serie de filmes que lidam com a brutalidade dentro da profundeza humana. Ele emoldura os rostos das suas personagens em closeups, olhares desesperados, tensoes nos musculos, feridas na pele. Com tudo isto, e capaz de criar um lugar onde o Inferno anda na Terra. Talvez o mais notavel neste filme seja a maneira como representa a escravidao. Em vez de tomar o caminho mais facil e limitar a exploraçao do tema a perspectiva dos escravos, Steve McQueen abrange tambem os que lucraram com isso. Vemos ,por exemplo, a personagem de Benedict Cumberbatch,

um homem aparentemente decente que e aprisionado dentro dos limites da instituiçao da escravidao. Aqui esta pratica e mostrada como uma construçao social destrutiva que drena a humanidade de quase todos que toca, transformando homens em monstros e virando uma raça inteira de pessoas em animais e ferramentas. Brilhantemente filmado e editado, o filme apresenta momentos de tensao, desgosto, e algumas raras situaçoes que nos roubam um sorriso. A banda sonora de Hans Zimmer faz recordar o brilhantismo de Shame onde os agudos aterradoramente tristes dominam. Ver 12 years a Slave, é ser confrontado com a dura realidade da escravidao de uma forma que nunca antes tinha sido feita, e experimentar um nível de desespero e miseria, que ainda assim e irresistível de ver. E um filme de tal feiura que e capaz de nos assombrar dias depois de o ver numa conquista que poucos alcançam - McQueen criou mais uma obra -prima.


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Culturismo LITERATURA

Índice Médio de Felicidade de David Machado

(in)directo

João Gonçalo Simões

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um Portugal contemporaneo, chega-nos um testemunho de alguem que podia facilmente ser o proprio leitor. Muito mais do que a simples estatística a que o título remete, "Indice Medio de Felicidade" e uma historia de sobrevivencia onde a esperança de um futuro melhor se sobrepoe aos medos de um quotidiano difícil. Daniel tem 34 anos e esta desempregado. A mulher viu-se forçada a aceitar um emprego numa cidade longínqua, levando consigo os dois filhos. Sem a família ou amigos, Daniel tem todos os argumentos para entrar numa espiral de depressao. A situaçao que o autor nos descreve e, sem duvida, familiar a muitos de nos. Embora estejam lançados os alicerces de uma historia triste, este Indice mostra que, por muito que as circunstancias pare-

Daniel tem todos os argumentos para entrar numa espiral de depressão. A situação que o autor nos descreve é, sem dúvida, familiar a muitos de nós.

çam terríveis, a esperança de recuperar a felicidade e a ultima a morrer. Daniel, desde o início, recusa-se a aceitar o cenario infeliz que o rodeia. Esta atitude contrasta com a das restantes personagens, que se encontram, muitas vezes, em situaçoes que podem afectar o espírito. A acompanhar esta receita de sobrevivencia temos o melhor amigo de Daniel, Almodovar, que, apesar de estar preso, e uma presença constante como confidente interno da personagem principal e Xavier, outro amigo de infancia, que sofre de uma profunda ansiedade social que o deixou trancado em casa. E precisamente da mente de Xavier que sai o Indice Medio de Felicidade, medido de um a dez e dividido por país, e atraves do qual Daniel se vai autoavaliando. A magia esta nas alteraçoes que a media sofre face as peripecias da historia. A pergunta surge naturalmente: quao felizes somos nos? Embora seja difícil dar uma resposta, cada um tem um numero dentro de si. Esta narrativa e uma optima oportunidade de (re)avaliar um sentimento interno que pode mudar a cada instante. No entanto, e como Daniel, nunca podemos esquecer que a perseverança nos define.

Joana Portugal

P

equeno espaço de leitura onde são escritos poemas que carecem de interpretações individuais, porque os poemas precisam disso, necessitam que cada leitor os sinta e os aplique para que eles possam viver.

Talvez uma certa noite, uma grande mao anonima teça mordazes cornucopias sobre o leito arborizado. Um gesto quantificador de poros, delicadamente confirmados por um sem nome de alem terra. Ós olhos avidos, as maos atadas esperam a redençao da carne pelo fogo, e anseiam fugir do mundo, nao querendo mais senao a memoria tremula. Cansados de reler e nao reamar.


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Edição de Janeiro

Unchallenged, music.

You Can’t Win, Charlie Brown abrilhantam o CCB Patrícia Fernandes

O

ano começou muitíssimo bem na musica. No dia 14 de janeiro, os portugueses You Can’t Win, Charlie Brown atuaram num dos palcos mais bonitos de Lisboa, no Centro Cultural de Belem, para apresentarem o seu disco Diffraction/Refraction, que iria ser lançado dois dias depois. Se o primeiro disco Chroma2011 tic, lançado em ,sob alçada da editora Pataca Discos, foi bastante elogiado pela sua qualidade e muito bem recebido pelos críticos e audiencia – ambos curiosos com a banda que soava a uma mistura incrível de Grizzly Bear e Animal Collective , este segundo disco vai surpreender. Diffraction/Refraction surpreende por soar a You Can’t Win, Charlie Brown sem soar a Chromatic. Este recente trabalho consegue superar-se a si proprio. E poderoso, envolvente e fica nas nossas mentes durante dias. Se isso e mau? Nao, de todo! Mas, necessita de ser ouvido e assimilado porque, sempre que o ouvirmos, vamos ouvir um pormenor, um som que nao tínhamos contemplado anteriormente. E um disco que precisa de tempo. E um disco, sobretudo, de companhia e os seis membros dos You Can’t Win, Charlie Brown mostraram isso nesta apresentaçao ao vivo, onde se

@Vera Marmelo tem uma noçao totalmente diferente do seu trabalho. Cada musica e um conjunto de camadas de instrumentos, detalhes, que tornam magica a experiencia de ouvir esta banda – sobretudo, ao vivo. As melodias suaves, os sons, as particularidades, os instrumentos estranhos e originais, a envolvencia de vozes tao estranhamente exoticas, definem o percurso dos You Can’t Win, Charlie Brown. Foi no Grande Auditorio do belo Centro Cultural de Belem que estes seis musicos singulares e apaixonantes nos levaram numa viagem de hora e meia pelo primeiro EP homonimo, pelo Chromatic e terminando lindamente com Diffraction/ Refraction. Qualidade, harmonia, pormenor, criatividade e orgulho sao

provavelmente as palavras que melhor poderiam descrever o trabalho da banda. Green Grass #1, Over The Sun/Under The Water ou os recentes singles Be My World ou After December foram apenas algumas musicas que fizeram parte desta noite magica – pelas suas imperfeiçoes, pela sua timidez, pela alegria de tocar, pela pureza dos seus sons e complexidade das suas musicas. Afonso Cabral, Salvador Menezes, Joao Gil, Luís Costa, Tomas Sousa e David Santos – ou Noiserv – sao as mentes criativas por tras dos You Can’t Win, Charlie Brown. Eles que tem uma qualidade infinita e uma extraordinaria capacidade de mutaçao e transformaçao sem nunca perderem a sua alma.


Décima Primeira Edição

Eusébio e mais heróis Dário Alexandre

N

ao vi o Eusebio jogar. Nunca falei com ele, jamais lhe apertei a mao. Mas os herois nunca falaram comigo. Ó Batman nunca me agradeceu por eu gostar tanto dele. Ó Legolas e apenas o Órlando Bloom disfarçado de Elfo. Ó Ghandi e, para grande parte da juventude, um autor de frases queridas que soam bem. Ós herois morrem. No entanto, vivem muito mais tempo do que eu ou tu. A nossa funçao e admira-los e agarrar a inspiraçao herdada, para sermos melhores. Estas figuras nao serviram so o seu proposito. Ó Eusebio nao jogou apenas futebol. Fez, inevitavelmente, jogadores por toda a

parte. Alias, convem dizer, um heroi nao e perfeito. E a nossa ideia de perfeiçao, com erros que nao nos interessam. Esta presente nos nossos sorrisos rasgados, nas nossas lagrimas impressas. Eusebio e um heroi da Marvel. Ós seus filmes levantaram cachecois, aceleraram coraçoes. Ólhem bem, Portugal. Existe uma pantera negra no Estadio da Luz, uma pantera que tudo ve. Nem em Mordor se destruiria Eusebio. A memoria e um anel poderoso.

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Parte para rasgar

Uma ideia fantástica Quando se achava que nao existia mais nenhum Thomas Edison, eis que alguem inventa um produto genial. Nao sei quem foi, mas tenho pena de nao ter sido eu. Este senhor/senhora conseguiu juntar uma nota de 50 euros a um isqueiro. Deu um significado altamente literal a expressao “Ver o dinheiro a arder”. Alias, isto e tao genial (preciso de repetir) que custa 1.95€ e mas vale 50€. Comprei logo 100 exemplares, agora detenho cinco mil euros com capacidade de soltar chama. Nao posso, de maneira alguma, referir aqui a loja, pretendo fazer vida com isto. Se o Estado me descobre, ignora as ajudas internacionais e começa a fabricar isqueiros e fogoes. Depois, aumenta a importaçao de tabaco, como se a gente ja nao fumasse ‘bue’. Por ultimo, cria um subsídio para os trabalhadores do fogo posto. Temos que lidar com o presente, o dinheiro na sua forma mais comum esta a desaparecer dos nossos bolsos, chegou a hora das moedas de chocolate e dos isqueiros. Um mercado novo esta a emergir.

Edição nº 11  
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