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Sexta-feira, 9 de setembro de 2011

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Sexta-feira, 9 de setembro de 2011

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Nutrição adequada das culturas

Elmar Luiz Floss Engenheiro Agrônomo, Licenciado em Ciências, Doutor em Agronomia, Professor Emérito, Comunicador, Consultor em Agronegócios e Membro da Academia Passo-fundense de Letras. Instituto INCIA (www.incia.com.br)

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desenvolvimento pleno de uma planta também depende do equilíbrio nutricional. Na busca de maiores rendimentos das culturas, a nutrição adequada das plantas tem um papel muito importante. As grandes diferenças observadas nos rendimentos obtidos com o mesmo cultivar, em condições climáticas e sanitárias semelhantes, deve-se a desordens nutricionais. Atualmente, as principais causas de desordens observadas na região são: a) Acidez do solo e altos teores de alumínio tóxico; b) Excesso de calcário em superfície no sistema plantio direto; c) Salinidade por excesso de potássio na linha de semeadura ou por excesso de sódio na semente; d) Inibição da absorção de zinco por excesso de fósforo na linha; e) Relações inadequadas entre nutrientes, como as relações Ca/Mg/K e N/S; f) Pureza dos novos fertilizantes; g) Inibição temporária da absorção de alguns nutrientes causada pelo glifosato aplicado em pós-emergência em cultivares RR; h) Maiores potenciais de rendimento das culturas (maior extração e exportação); i) Uso de fórmulas inadequadas NPK; j) Indisponibilidade de nutrientes imóveis em estádios críticos da cultura devido a déficit hídrico; l) Inibição da absorção de manganês por excesso de magnésio (uso inadequado de calcário magnesiano); m) Inibição da absorção de molibdênio devido a doses excessivas de gesso agrícola; n) Não inoculação adequada de sementes de soja; o) Concentração de nutrientes na superfície do solo devido a aplicação integral de nutrientes em superfície; p) Menos crescimento do sistema radicular devido a características genéticas de cultivares ou limitações físicas, químicas e biológicas do solo. Com o aumento do potencial de rendimento das culturas, há maior extração e exportação de nutrientes. Além dos tradicionais macronutrientes, como nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), torna-se importante considerar também os macronutrientes secundários, como cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S). Além de uma maior disponibilidade desses nutrientes no solo, há necessidade de considerar as relações adequadas entre esses nutrientes. No caso do cultivo da soja visando altos rendimentos é importante uma relação Ca/Mg/K da ordem de 5:3:1. Como a soja é uma grande exportadora de cálcio é importante que a relação Ca/Mg seja superior a 1,5-2,0. Entretanto, a nanotecnologia na produção vegetal está mais propriamente relacionada aos micronutrientes. São elementos químicos, exigidos pelas culturas em quantidades extremamente pequenas. Por isso, muitas vezes há um descuido no diagnóstico do estado nutricional das culturas, por não considerar aquilo que é exigido em quantidades pequenas. Seria como imaginar que não tenham importância as vitaminas e hormônios em nosso organismo, só por que as quantidades necessárias para uma vida saudável são extremamente pequenas. Existem várias razões que devem ser consideradas quanto ao diagnóstico da deficiência de micronutrientes nas culturas com vistas a latos rendimentos e aumento da rentabiliadde: a) Excesso de calcário em superfície, que reduz a disponibilidade de nutrientes como manganês, cobre, zinco, boro, dentre outros; b) Maiores exigências das culturas em função dos maiores potenciais de rendimento (maior extração e exportação); c) Pureza dos fertilizantes NPK; d) Efeito temporário do glifosato em cultivares RR; e) Aumento da eficiência de absorção foliar e translocação na planta devido aos modernos quelatos hoje disponíveis, como EDTA, lignosulfonatos e aminoácidos; f) Menor translocação de nutrientes da raiz para as folhas, em estádios críticos, devido a deficiência hídrica no solo; g) Deficiências típicas de micronutrientes em alguns solos, como o zinco em solos arenosos e de cerrado; h) Inibição de zinco por excesso de fósforo na linha de semeadura; i) Inibição da absorção de manganês devido ao excesso de magnésio; j) Inibição da absorção de molibdênio devido a doses elevadas de gesso agrícola. Considerando os inúmeros fatores envolvidos com uma nutrição adequada das culturas, objetivando altos rendimentos, é de fundamental importância um diagnóstico adequado da lavoura, gleba por gleba. Além da análise freqüente do solo, realizar também análises foliares. A partir dessas informações, somadas ao potencial de rendimento dos cultivares nas condições climáticas, permitirá a implantação das tecnologias, técnica e economicamente viáveis.

Agenda Forrageiras de inverno

No dia 9, acontece em Cerro Grande, uma Tarde de Campo Manejo de Forrageiras de Inverno. As atividades iniciam as 13h30, na Linha Schimitt. São esperadas 60 participantes. No local, haverá duas estações sobre forrageiras de inverno, uma da Emater e outra da Embrapa. Também será abordada a qualidade do leite (agropecuária), em outra estação o foco será a criação correta de terneiras e melhoramentos genéticos (CRV) e outra será sobre segurança alimentar a cargo da Emater.

Tarde de Campo

Em Água Santa, no dia 13, haverá Tarde de Campo sobre Pastagens de Inverno, a partir das 13h30, na Propriedade de Sérgio Antônio Bonora, na Comunidade de São Miguel. São esperados cerca de 100 participantes. No local haverá apresentação de trabalho de avaliação de 18 espécies/variedades de pastagens de inverno em cultivo solteiro e consorciado com a finalidade de melhorar a produtividade da produção de leite a base de pasto disponibilizado nos 12 meses do ano.

Citricultura

No dia 19 está programado o Encontro Regional de Citricultores, em Paim Filho, a partir das 14h. será no Cento Cultural 19 de Março. O encontro tem o objetivo de debater as potencialidades, mercados e produção da citricultura que está em expansão na região.

Mostra

Também de 19 a 25 de setembro acontece a XVII Mostra Agropecuária em Paim Filho. Será no Parque de Exposições. São esperados 5 mil visitantes.

Workshop

O Grupo de Adequação Ambiental (Gade), da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ ESALQ), promove nos dias 22, 23 e 24 de setembro, o “Workshop sobre Restauração Florestal”. O evento tem como objetivo a difusão dos conhecimentos abordados pelas universidades e instituições de pesquisa, visando contribuir para a mitigação dos impactos ambientais provocados por atividades antrópicas e para que seja fortalecida a prática da Restauração Florestal. A atividade tem vagas limitadas e acontecerá no Anfiteatro do pavilhão da Engenharia da ESALQ, das 7h30 às 18h. As inscrições podem ser feitas com desconto até o dia 21 de setembro no site www.fealq.org.br. Informações pelo e-mail gade@usp.br ou telefone (19) 3429-4194.

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ntes e ingredie s paro o e r s P o e d d e to es, coModo , coloqu e as noz a o h il C s . s a v a r rno ho Em uma por três eve ao fo o L d . n e a u s q n e sca pano e s deixe de a de um im c mater m e Fonte: E loque . s to u 20 min por 15 a

ESPAÇO ECOLÓGICO

Pediculose da cabeça (Piolhos)

A pediculose da cabeça é uma doença parasitária, causada pelo Pediculus humanus, vulgarmente chamado de piolho da cabeça. Atinge todas as classes sociais, afetando principalmente crianças em idade escolar e mulheres. É transmitida pelo contato direto interpessoal ou pelo uso de objetos como bonés, gorros, escovas de cabelo ou pentes de pessoas contaminadas. Existem três espécies: Pediculus capitis vive agarrado aos fios de cabelos e ataca o couro cabeludo, passando principalmente de uma cabeça para a outra pelo contato direto. O Pediculus humanus infesta o corpo. Vive agarrado à roupa, é mais comum nos países frios. É mais freqüente nos casos em que os hábitos de higiene são precários. Já o Phthirus pubis vive agarrado aos pêlos da região genital, atingindo portanto homens e mulheres a partir da puberdade. Podem ainda viver nos pêlos da parte inferior do abdômen, coxas e nádegas. A doença tem como característica principal a coceira intensa no couro cabeludo. Com a coceira, das lesões pode ocorrer a infecção secundária por bactérias, levando, inclusive, ao surgimento de glânglios no pescoço. Em pessoas com maus hábitos higiênicos, a infestação ocorre em grande quantidade. Outra característica da pediculose é a presença das lêndeas, que são os ovos do parasita, depositados pelas fêmeas nos fios de cabelo. O tratamento da pediculose da cabeça consiste na aplicação local de medicamentos específicos para o extermínio dos parasitas sob a forma de shampoos ou loções. Existe também um tratamento em comprimidos, cuja dose varia de acordo com o peso da pessoa acometida. Ambos os tratamentos devem ser repetidos após Profª. Ms. Danusa Ribeiro 7 dias. Em casos de difícil trataBióloga CRBio 28071/RS mento, os melhores resultados Microbiologista Agrícola e do Meio Ambiente danusa.ribeiro@yahoo.com.br são obtidos com a associação danusa@upf.br dos tratamentos oral e local.


Sexta-feira, 9 de setembro de 2011

EROSÃO

Estações chuvosas provocam danos no solo

FOTO DM

Orientação é que agricultores reduzem o período entre o fim da safra e começo da semeadura das coberturas verdes. Secretário da Agricultura de Carazinho lembra que a soja deixa muito pouca palhada

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o começo da semana, o secretário da Agricultura de Carazinho, Ítalo Tonon, fez um alerta para os setores do agronegócio que estão ligados diretamente a produção que vem do solo, principalmente, os grãos. Ao comentar o clima, das duas últimas estações, outono e inverno, o secretário deu um sinal amarelo dentro da porteira das propriedades rurais. Mesmo tendo sido cauteloso nas colocações deixou claro que, o produtor rural precisa estar mais preparado para enfrentar situações, como a ocorrida durante os meses chuvosos deste ano. “Poucos comentam, mas foram registrados vários casos de áreas danificadas e muito pelas chuvas, que caíram nos últimos meses. Não são poucas as lavouras, que sofreram pela ação da erosão provocada pelo excesso de chuva”, disse Tonon. De acordo com o secretário, dos últimos 20 anos, o de 2011 foi o que mais comprometeu a qualidade do solo, pois as fortes e freqüentes chuvas, além da

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n álise

Mercado Crise européia afeta mercado americano Cleber Bordignon – Diretor da Agroinvvesti

Palha de milho é apontada como uma excelente conservadora natural do solo

erosão, acabaram por ajudar na infiltração mais profunda, como por exemplo, do nitrogênio aplicado nas plantas de inverno. “São pequenos detalhes que podem aumentar o custo de produção, porque o agricultor no momento de fazer a correção do solo terá que aplicar mais produtos químicos como adubo e calcário”, disse o secretário. Segundo ele, o pior momento para o solo foi o mês de março e abril, quando a chuva pegou as áreas colhidas com pouca proteção natural feita pela palhada da oleaginosa. Já as partes das restevas de milho sofreram menos, pois conforme Tonon, o cereal produz bem mais palha do que a soja. Conforme Tonon, como a palha da soja tem deterioração rápida, o solo acaba ficando desprotegido até que se forme a cobertura verde, o que não é bom em tempo de precipitações pluviométricas elevadas. “Como a melhor camada de terra, ou seja, aquela rica em potencial de garantir produtividade, quando está descoberta, acaba

indo embora com as chuvas”, disse o secretário. Salienta que a rotação de culturas, intercalando milho e soja, dentro dos índices técnicos indicados, é uma excelente alternativa para a redução dos riscos vindos pelo excesso de chuvas, que este ano está bem acima da quantidade média que gira entre 120 e 140 milímetros/mês. “O agricultor tem que estar preparado para momentos como o vivido este ano, quando vem chovendo acima do previsto. Para o secretário, a perda do solo rico pode ser reduzida com o plantio de espécies de cobertura verde como azevem, nabo, aveia, e também com culturas de inverno como trigo e canola. “A terra carregada pela erosão não retorna nunca mais. O certo é que aquela camada rica em nutrientes que eleva a produtividade terá que ser refeita e isto tem custo para o produtor”, completa o secretário. Tonon aponta sistema de terraços como outra alternativa, para evitar perdas de solo em tempo de chuvarada.

Cotações da semana dos produtos recebidos pelos produtores

Fonte: Safras & Mercado

Os futuros da soja na Bolsa de Chicago encerraram o pregão diurno de terça-feira, antes feriado Nacional de 7 de setembro, com fortíssimas quedas. Depois de chegar aos 34 pontos de baixa durante o dia, a oleaginosa conseguiu uma leve recuperação e fechou a sessão com 23 pontos de variação negativa nos principais contratos. Milho e trigo também trabalharam todo o pregão do lado vermelho da tabela e finalizaram com perdas de 4 e 14 pontos, respectivamente, em seus vencimentos mais importantes. As perdas do complexo de grãos espelham-se no nervosismo da economia global ante uma possível recessão puxada, principalmente, pelos países da zona do euro e pelos EUA. Segunda-feira (05), com o feriado do Dia do Trabalho americano e com a notícia de um possível corte no rating da Itália, os investidores aumentaram sua aversão ao risco e, como conseqüência, as principais Bolsas de Valores do mundo despencaram. Hoje, o pessimismo continuou assombrando os mercados e o FTSEurofirst 300, principal índice das ações européias, fechou com queda de 0,66%, para 904 pontos, chegando ao menor nível de fechamento desde julho de 2009. No entanto, hoje, o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) divulgou números sobre de exportação de soja em seus portos, com volume de embarque dentro do esperado, em 248,6 mil toneladas na semana encerrada em 01 de setembro. Já o milho, apresentou volume abaixo das expectativas (762,0 mil e 889 mil toneladas), com 614,5 mil toneladas embarcadas. A seca nos EUA continua comprometendo a safra americana. As chuvas ocorridas nos últimos dias no Cinturão de Produção norte-americano tiveram volume muito inferior ao necessário para uma melhora nas lavouras do país.

Embrapa apresenta cultivares de pimenta em Encontro Nacional do Agronegócio As pimentas têm várias formas de preparo e consumo em todo mundo. Doces ou picantes podem ser processadas na forma de pó, flocos, picles, molhos líquidos, conservas de frutos inteiros, geleias, entre outros. As picantes também são utilizadas pela indústria farmacêutica na composição de pomadas para artrose e artrite e pela indústria de cosméticos em vários produtos de beleza. A capsaicina, substância responsável pela pungência da pimenta, é ainda utilizada como arma na forma de spray pela polícia de muitos países. Com o objetivo de ampliar a articulação e integração dos diversos segmentos da cadeia produtiva, identificar perspectivas, oportunidades e tendências de mercado, além de divulgar a realidade local e nacional do agronegócio pimenta e pimentão, é que serão realizados o IV Encontro Nacional do Agronegócio Pimenta e Pimentão, o II Seminário de Pimentas de Monte Carmelo e o lançamento do Selo de Sustentabilidade, concedido àqueles que utilizam práticas sustentáveis na produção. O s eventos que iniciaram nesta quinta, dia 8, segue até esta sexta, dia 9, em Monte Carmelo-MG.


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Sexta-feira, 9 de setembro de 2011 FOTO DIVULGAÇÃO BSBIOS

CANOLA

Abertura da safra é transferida para outubro

Evento demonstrará tecnologias de manejo para a cultura

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Comissão Organizadora da terceira edição da Abertura Nacional da Safra de Canola esteve reunida em Colorado (RS) e definiu pela transferência do evento que iria acontecer em 22 de setembro. A data escolhida foi 4 de outubro, tendo em vista que as condições climáticas atrasaram o desenvolvimento da cultura. De acordo com o Diretor Administrativo da Associação Brasileira dos Produtores de Canola (ABrasCanola) e coordenador do Departamento de Fomento da BSBIOS, agrônomo Fábio Júnior Benin, a alteração deve-se as características climáticas registradas nesta safra. “Durante esse inverno houve muitos dias de

chuva e encobertos, com baixa incidência de luminosidade, o que atrasou o desenvolvimento da Canola. Assim, nesta safra, a Cultura necessitará de alguns dias a mais para estar pronta para a colheita”, afirmou. Em paralelo a Abertura Nacional da Safra de Canola acontece o dia de campo da cultura. As atividades têm por finalidade divulgar e difundir as novas tecnologias a respeito do cultivo da cultura, com atividades teóricas e prática, bem como, o manejo de corte e enleiramento e o de recolhimento com a dinâmica de equi-

pamentos utilizados para estes manejos. Ainda, se pretende conscientizar produtores, lideranças e autoridades acerca da importância do processo de diversificação rural como alternativa de geração de trabalho e renda na propriedade no período de inverno. Através de estações de visitação, será feita uma abordagem tecnológica da cultura, tratando desde semeadura, adubação, manejos, novas tecnologias de colheita e comercialização, bem como características de fisiologia, desenvolvimento e assistên-

cia técnica. Também haverá dinâmica de corte e enleiramento e de recolhimento. Os eventos são uma promoção da ABrasCanola, BSBIOS, Cotrijal, Embrapa-Trigo, Emater/RS, PRODUFORT, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Colorado e Sindicato Rural de Colorado. E, conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Colorado, Câmara de Vereadores de Colorado, Universidade de Passo Fundo (UPF), Banrisul, Banco do Brasil, Sicredi e Associação Comercial e Industrial de Colorado(ACICOL).

MORANGO

Chuva atrasa colheita

O inverno chuvoso vem trazendo problemas aos plantadores de morango na região de Victor Graeff. De acordo com o produtor, Verno Neuhaus, a pouca luminosidade registrada este ano comprometeu o desenvolvimento das plantas bem como na formação da fruta. “O moranguinho tem seu ciclo principal nos dois últimos meses do inverno e os dois primeiros da primavera e na primeira metade a luz praticamente não veio”, disse o agricultor que tem cerca de 1.500 pés da cultura, em sua propriedade, localizada em Posse Müller, no município de Victor Graeff. Neuhaus calcula em 50% as perdas causadas, até o momento, pelo clima chuvoso com risco de aumentar o índice caso o tempo continue com baixa luminosidade. “Estou com medo de perder praticamente toda a minha safra de moranguinhos, ativi-

Principal ciclo da fruta se dá nos dois últimos meses do inverno e os dois primeiros da primavera

dade que entra como complementa da renda familiar”, disse o pequeno agricultor dono de 13 hectares de terra. Segundo Neuhaus, no ano passado no final do mês de agosto já havia colhido e comercializado 25% da safra, que rendeu cerca de 1.500 quilos. “A atividade na safra passada garantiu uma renda bruta no ano de R$ 10 mil. Havia estimado repetir este ano, pelo menos o mesmo valor, mas sei que não vou”, lamenta. Outro produtor que já soma as perdas é Derli Fater, que tem cerca de dois mil pés da cultura na mesma localidade, Posse Müller. Também estima em mais de 25% o comprometimento da produtividade em sua plantação de morangos.

A atividade na safra passada garantiu uma renda bruta no ano de R$ 10 mil. Havia estimado repetir este ano, pelo menos o mesmo valor, mas sei que não vou


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FOTO PRISCILA DEVENS

INFRAESTRUTURA

Gasto com logística chega 50% do custo da safra Secretário da pasta no Estado, Beto Albuquerque, afirma que faltam recursos pesados para investir nas obras Priscila Devens pridevens@gmail.com

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Falta de investimentos prejudica desenvolvimento do Estado De acordo com o secretário Estadual de Infraestrutura e Logística do Rio Grande do Sul, Beto Albuquerque, a falta de recursos pesados para os investimentos em obras de infraestrutura emperra o desenvolvimento do Estado. Ele observa que dos 12 mil quilômetros de rodovias pavimentadas no RS, apenas 396 são duplicados, o que já representa um enorme gargalo, tornando o Estado atrasado do ponto de vista logístico. “Por isso, mesmo antes de assumir, o governador Tarso Genro encaminhou cartas-consultas para financiamentos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco Mundial (Bird), para programas regionais de desenvolvimento que preveem, além

Dos 12 mil quilômetros de rodovias pavimentadas no RS, apenas 396 são duplicados

de programas sociais e econômicos, a duplicação de trechos rodoviários esgotados e, para acabar com um debito que o Estado tem com cerca de 104 municípios sem acesso asfáltico”, garante ele. Albuquerque comenta ainda sobre a assinatura da ordem de início do projeto de duplicação da ERS-135, entre Passo Fundo e Erechim, que deverá ser viabilizada com os recursos arrecadados na praça de pedágio de Coxilha. “Vamos enfrentar os problemas para duplicar os 22 Km da ERS-118 e estamos buscando recursos para enfrentar pelo menos mais três gargalos rodoviários já diagnosticados que são a ERS324 (Passo Fundo/Marau/Vila Maria/ Casca), a ERS-342 (Cruz Alta/Ijuí) e a

Porém, nós estamos completamente estrangulados, com estradas em má conservação, e sem um modal de transporte, com a utilização de ferrovias, hidrovias, entre outros.

esmo enfrentando momentos desfavoráveis, com o dólar baixo e juros elevadíssimos, a agricultura no Brasil consegue o feito de se manter extremamente competitiva, comparando os altos custos impostos pelas condições da logística nacional. Segundo o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho da Silva, um dos maiores problemas enfrentados pelo produtor e pelo consumidor – as duas pontas mais frágeis – é o estado caótico da infraestrutura brasileira. “Nossos principais concorrentes, como por exemplo, os Estados Unidos, chegam com a soja no porto com um custo de US$ 12 a tonelada, sendo que no Brasil o frete pode chegar a US$ 60 a tonelada”, explica ele, acrescentando que isto significa aproximadamente 50% do custo da produção. Cesário acredita que o Brasil poderia ter feito no início do Governo Lula a parceria público-privada, onde a União delegaria à iniciativa privada a responsabilidade quanto aos investimentos na infraestrutura. “Porém, nós estamos completamente estrangulados, com estradas em má conservação, e sem um modal de transporte, com a utilização de ferrovias, hidrovias, entre outros”, salienta, contrapondo que, desta forma, é necessário utilizar o dobro de caminhões para o escoamento da safra, que são deteriorados devido as péssimas condições das estradas, elevando os gastos também com a manutenção.

ERS 453 (Bento Gonçalves/Farroupilha)”, ressalta. O secretário afirma que já alertou sobre a necessidade de investir R$ 100 mil anuais, até 2014, para garantir a trafegabilidade nas rodovias. “Mas, infelizmente, herdamos uma malha vi-

ária sem manutenção permanente, algumas estradas em péssimas condições e outras, restauradas no final de 2010 se deterioraram em menos de um ano”, enfatiza. Ainda, o alto volume de chuvas, registrados nos últimos 100 dias, piorou ainda mais a situação e danificou 700 quilômetros de rodovias estaduais. Nos poucos dias de sol, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) está investindo recursos em ações emergenciais, conforme revela Albuquerque. “Mas essa não é a solução. Precisamos realizar obras definitivas e, para isso, o Estado terá que fazer um sacrifício e mobilizar recursos, que hoje não dispomos, para enfrentar o problema”, pondera.


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34ª EXPOINTER

ecnologia Sistema FARSUL festeja Expointer de Ouro

resultados da feira

Melhorias no parque Assis Brasil

Engenheiro Agrônomo Eduardo Copetti

Gerente de Desenvolvimento de Mercado/ Produto da Semeato FOTO DIVULGAÇÃO

Balanço foi divulgado no encerramento da exposição

E Equipe da Semeato junto a máquina premiada

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oncorrendo com mais 20 equipamentos a SEMEATO conquistou o troféu Ouro na categoria Novidade do Prêmio Gerdau Melhores da Terra, realizado durante a EXPOINTER 2011. A semeadora SOL TT conquistou o prêmio máximo do concurso que foi anunciado no primeiro dia da feira, no sábado, dia 27/08. Criado há 29 anos, o Prêmio Gerdau Melhores da Terra acompanha a indústria de máquinas e equipamentos agrícolas e aponta aqueles mais modernos e eficientes do setor. A comissão julgadora, formada por 11 especialistas em mecanização agrícola do RS, PR, GO e SP, além de Argentina e Chile, ao se referir a SOL TT destacou: “a importância do lançamento se dá em função da tendência cada vez maior da aplicação do plantio direto no País, técnica por meio da qual a semeadura é feita sem que seja necessário o revolvimento do solo. O equipamento apresenta boa autonomia e alta capacidade operacional, podendo ser utilizado para o plantio de grandes áreas em pouco tempo. Tem boa qualidade construtiva e trabalha com precisão.” A SOL TT é uma máquina de grande porte, autotransportável, que reúne o que há de mais moderno em sistemas de plantio de grãos graúdos. Está disponível em três modelos, com 30, 34 e 40 linhas espaçadas a 45 cm. A qualidade do plantio pode ser traduzida pela utilização de linhas de semeadura pantográficas, montadas em um chassi com 3 módulos flexíveis que oferece plenas condições para a realização da semeadura, mesmo em terrenos irregulares. A distribuição das sementes realizada através do sistema de discos alveolados ou sistema pneumático Vacuum System, possibilita individualizar as sementes com precisão para que as mesmas sejam distribuídas de forma eqüidistante. Com disco de corte de 20”, independente da linha de semente, é possível a obtenção de excelentes resultados no corte de diferentes palhadas. A transmissão eletro-hidráulica possibilita facilidades ao operador na calibração da quantidade de sementes. A SEMEATO é a maior vencedora do Prêmio Gerdau, foram 19 premiações, resultado de um trabalho pioneiro de inovação e coragem, característico da empresa. O prêmio reflete todos os esforços de desenvolvimento em pesquisa da empresa, sempre criando novas tecnologias, desenvolvendo novos produtos para atender a demanda do campo. Parabéns a todos os colaboradores, pois cada um tem uma parcela de contribuição desta conquista.

m balanço das atividades do Sistema Farsul na Expointer, no domingo (4), o presidente da entidade, Carlos Sperotto, avaliou que a comercialização da feira aponta para negócios pecuários aquecidos na temporada de primavera. Embora a comercialização de animais registrasse 11,7 milhões às 15h – abaixo dos R$ 14,2 milhões de 2010 –, a baixa se deu especialmente entre os cavalos crioulos. A raça não contou com alguns leilões, tampouco registrou vendas de animais fora de série. Em ovinos e bovinos, os resultados apontaram preços melhores, evidenciados pela Feira da Novilha, realizada no sábado (3/9), que vendeu R$ 778 mil, ou 38% mais do que no ano anterior. “Nós aguardávamos essa resposta, porque tivemos um crescimento no mercado do boi no decorrer do ano, e isso deve se projetar para as feiras do interior”. Apesar disso, ele não descarta a hipótese de a crise financeira europeia e norte-americana provocar alguma reacomodação de preços de commodities. Já o diretor financeiro da Farsul, Jorge Rodrigues, destacou o crescimento da comercialização de gado leiteiro, com negócios nas raças holandês, que ficou entre as bovinas que mais venderam, e jersey. A área de máquinas novamente apresentou negócios aquecidos, com vendas de R$ 834 milhões, pouco acima dos R$ 827 milhões de 2010. O programa Mais Alimentos, voltado à agricultura familiar, voltou a se destacar, respondendo por 25% dos negócios. Mas Sperotto projeta um freio no mercado nos próximos anos. Especialmente a partir do momento em que aqueles produtores que investiram no ano passado e neste ano tenham de pagar a conta dos financiamentos. “O crescimento (do setor nos últimos anos) é normal, porque ainda estamos no período de carência dos contratos. Quando os produtores começarem a ter de amortizar a parcela, a coisa vai mudar”, disse.

Sperotto ainda projetou melhorias no parque Assis Brasil para as próximas edições. Os co-promotores da feira, incluindo a Farsul, e o Governo do Estado entregaram à presidente da República, Dilma Rousseff, solicitação de investimentos federais na infraestrutura do local. São necessárias obras de recuperação dos pavilhões, construção de mais espaço para ovinos, drenagem de pistas, entre outras. “Se aspiramos ser uma das maiores feiras do mundo, precisamos de investimentos pesados no parque”, disse o vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira, que participou da entrevista coletiva de balanço do Governo do Estado com co-promotores da feira. O coordenador da Comissão de Feiras, Exposições e Remates da Farsul, Francisco Schardong, defendeu que o debate sobre melhorias e propostas para a próxima edição seja feito com antecedência, evitando atropelamentos. Um dos pontos polêmicos é a cobrança de aluguel das associações instaladas no parque, a qual o presidente do Sistema Farsul é contra. “Você já viu artista pagar para se apresentar? Aqui, os artistas são os animais, que são apresentados e organizados pelas associações”, argumentou Sperotto. Para a próxima edição, ele ainda defendeu a construção de um espaço que permita a participação de suínos, que não estiveram em Esteio neste ano devido a rigores das normas sanitárias. “A minha ideia é reproduzir no parque o que se tem na granja, em termos de cuidados sanitários. Seria uma pocilga com uma vitrine, algo inédito”, projetou. O presidente do Sistema Farsul também destacou o clima de concórdia entre produtores e governos, principalmente porque o diálogo sobre três questões importantes para a agricultura – seguro rural, renda e solução do passivo – está ocorrendo na esfera técnica do Ministério da Agricultura. “O clima é favorável, no que diz respeito a relacionamento e entendimento. A tônica da Expointer evidenciou essa condição”, analisou Sperotto.

Senar-RS faz 2,5 mil atendimentos

O Senar-RS realizou 2.565 atendimentos técnicos nos primeiros oito dias de Expointer. O número deve aumentar com o grande público presente neste domingo. O balanço foi apresentado pelo superintendente da instituição, Gilmar Tietböhl. A grande atração do estande do Senar-RS foi um simulador de cabine com equipamento de agricultura de precisão embarcado. As outras áreas enfocadas foram segurança no trabalho, a unidade móvel do Sistema, Programa Agrinho e arroz. “Dentro da preocupação de que o consumo de arroz precisa crescer, mostramos todas as possibilidades de utilização, desde alimentação até energia e ração animal”, explicou Tietböhl. Ele festejou conquistas ocorridas na feira, como o anúncio de restabelecimento do programa Juntos Para Competir, em parceria com Sebrae-RS. Ainda destacou o Projeto Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura, com ações de Senar-RS, Acsurs e Sebrae-RS.

Casa Rural encaminha negócios de R$ 3 milhões

A Casa Rural encaminhou negócios de R$ 3 milhões na Expointer, informou o superintendente do braço comercial da Farsul, José Alcindo de Souza Ávila. Na feira, também foi apresentado um novo produto: o Multi-Risco Rural, um seguro da corretora Agrosur. Os fornecedores parceiros no estande foram Heringer, Kepler Weber, Dagoberto Barcellos, Drakkar, Fockink, Connectere e Saltchê.


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AGRICULTURA DE PRECISÃO

Foco no intercâmbio de novas tecnologias O 1º Congresso Sul-Americano de Agricultura de Precisão, que acontece entre os dias 12 a 14 de setembro, em Não-Me-Toque, irá propor o debate acerca da difusão de tecnologias e fomentar o incentivo na busca pelo conhecimento sobre novas ferramentas que contribuam para o aperfeiçoamento do trabalho no campo

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FOTO DIVULGAÇÃO

Novas tecnologias para Agricultura de Precisão serão apresentadas durante o Congresso

ioneiro na criação, no desenvolvimento e na utilização de tecnologias voltadas à Agricultura de Precisão (AP), o município de Não-Me-Toque sedia, entre os dias 12 a 14 de setembro, o 1º Congresso Sul-Americano de Agricultura de Precisão, no Parque de Exposições da Expodireto Cotrijal. Com foco no intercâmbio de novas tecnologias, o Congresso irá propor o debate sobre as ferramentas tecnológicas ofertadas aos produtores rurais, além de incentivar e fomentar a busca pelo conhecimento teórico e prático dos benefícios da Agricultura de Precisão para o aumento das produtividades. Promovido pela Prefeitura de Não-Me-Toque, Sindicato Rural de Não-Me-Toque, FARSUL, Universidade Federal de Santa Maria e Cotrijal, com patrocínio da Stara, Senar e Jan e apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o evento deve reunir centenas de pesquisadores, engenheiros agrícolas, agrônomos, produtores rurais e estudantes, que participarão das palestras, oficinas e paineis sobre os temas propostos. Participantes de diversas

Giro Agrícola Engenheiro Agrônomo Cláudio Dóro ASCAR- Emater/RS

A segurança alimentar é um dos grandes desafios atual. A expectativa é de que a população mundial cresça mais de 50% até 2050, em especial na Ásia, África, América Latina e no Oriente Médio e salte de 6 bilhões para 9 bilhões de pessoas. No entanto, atualmente, o consumo de alimentos é apenas 15% maior que há 20 anos quando a população era de 4 bilhões, segundo dados da FAO/ONU. O nosso país conta com sua biodiversidade em espécies animais e vegetais e é um dos poucos países com condições de produzir alimentos seguros em alta escala e a custos competitivos, além de manter a pequena propriedade auto-

regiões do Estado e também dos de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, e de países vizinhos, como Argentina e Paraguai, já confirmaram presença. A maior parte dos inscritos, conforme a comissão organizadora do evento, pretende descobrir como Não-Me-Toque obteve o título de Capital Nacional da Agricultura de Precisão e porque as produtividades são tão elevadas nesta região. Uma das explicações possíveis e que serão apresentadas pelos palestrantes e painelistas do Congresso estão relacionadas ao Projeto Aquarius, iniciado em 2000 e que é considerado o berço da Agricultura de Precisão no Estado. Formado por um grupo de empresas privadas, com apoio institucional e acadêmico da Universidade Federal de Santa Maria, o Aquarius começou a ser desenvolvido no ano 2000, na Fazenda Anna, com a experimentação de tecnologias de precisão que começaram a auxiliar o produtor na correta aplicação de insumos no solo, entre outras ações que geraram benefícios produtivos aos agricultores.

Empresas confirmam presença De acordo com a organização do 1º Congresso Sul-Americano de Agricultura de Precisão, 20 empresas e instituições de pesquisa já confirmaram presença no evento, o que deve concretizar a proposta de difundir e intercambiar tecnologias. Divididas em ambientes internos e externos, as entidades levarão para o Parque os avanços tecnológicos e as inovações da pesquisa em prol da agricultura de precisão. Uma das empresas que já confirmou presença é a Ceres Agrotecnologia, de Florianópolis, que estará expondo, entre outros produtos, o Controlador de Fertilização com Monitor de Plantio Integrado, um dos novos produtos incorporados ao portfólio da indústria. Fundada em 2009 por um grupo de jovens empreendedores, a Ceres está desenvolvendo e produzindo equipamentos eletrônicos para automação agrícola, atuando em várias regiões brasileiras. Uma das principais linhas elaboradas pela empresa é a Ostera, cujo objetivo principal é gerar economia e facilitar o trabalho do agricultor em todo o ciclo agrícola, desde o preparo do solo até a colheita, colaborando para a sustentabilidade no processo produtivo. Recente no amplo mercado criado em torno da Agricultura de Precisão, a Ceres lançou a sua linha de produtos durante a Expodireto Cotrijal 2011. “Vamos aproveitar o Congresso Sul-Americano para promover nossos produtos e mostrar o que desenvolvemos para este mercado de Agricultura de Precisão, que tem crescido a passos largos no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, que é um Estado que além de estar acompanhando esse crescimento, está se tornando referência como exportador de tecnologia agrícola para o setor”, informou a diretora de Comunicação da empresa, Kelly Magalhães. Para o diretor Comercial da Ceres, Jefferson Magalhães, o Congresso será uma vitrine importante para que o público conheça a tecnologia desenvolvida em Florianópolis. “Nosso objetivo desde o início tem sido desenvolver e entregar um produto nacional, diferenciado e confiável ao cliente, pois queremos gerar ótimos resultados, que possam fortalecer e impulsionar ainda mais o setor agrícola brasileiro”, explicou.

“ O presente é o rabo do futuro” sustentável e produzir “sob-medida” ao consumidor, onde quer que ele esteja. Outro desafio é produzir alimentos seguros em quantidade e com acesso a todos; pois no mundo globalizado em que vivemos enfrentamos muitos obstáculos, como: mal da vaca louca, dioxinas, resíduos de drogas veterinárias e defensivos agrícolas, porém destaca-se como fato positivo o implemento e certificação de programas de gestão de qualidade e boas práticas de fabricação, que inclui todo o processo, desde a fabricação dos insumos para a agricultura e pecuária até a mesa do consumidor

através da rastreabilidade, de uma ponta a outra na cadeia alimentar. O Brasil tem cumprido com sua lição de casa, e não é por acaso que é o maior exportador de carnes do mundo. A qualidade dos nossos produtos exportados é a mesma oferecida ao mercado doméstico, onde são consumidos anualmente 35 kg de carne bovina, 35 kg de carne de frango, 14 kg de carne suína per capita, além do leite e ovos. O grande desafio é manter essa posição e conquistar mercados, atendendo a todos os pilares da segurança alimentar: acesso, educação e qualidade.


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Sexta-feira, 9 de setembro de 2011 FOTOS ROSA LIBERMAN

KÁTIA ABREU

“A política agrícola brasileira é imprevisto puro” FOTO CRISTIAN PUHL

A senadora e presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) defendeu, durante reunião-almoço na Expointer, em Esteio, mudanças radicais napolítica agrícola nacional Cristian Puhl

cristian@diariodamanha.net

A aplicabilidade dos mecanismos governamentais empregados atualmente não atendem mais as necessidades e demandas dos produtores rurais brasileiros. É o que afirmou a senadora e presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Kátia Abreu, durante uma reunião-almoço realizada na Casa FARSUL, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, durante a 34ª edição da Expointer, que encerrou no domingo (4). “A política agrícola brasileira é imprevisto puro”, declarou ela, reiterando sua crença em alterações profundas na política de subvenção ao setor ainda nesta safra. “Conversamos com a presidente da República, Dilma Rousseff, e com o ministro, Mendes Ribeiro Filho, no dia de sua posse”, relatou ela após ter almoçado com Mendes, com o presidente da FARSUL, Carlos Sperotto; com o presidente da AL – RS, Adão Villaverde; e com lideranças e representantes de entidades e federações do agronegócio pertencentes aos países do MERCOSUL.

“Esses mecanismos retrógrados, antigos, fazem jus a uma política agrícola de 40 anos atrás. Com muita simplicidade, demonstramos à presidente que a aplicabilidade dos atuais processos não atende mais à agropecuária”, disse a senadora

Direcionamento dos recursos Para a presidente da CNA, o pragmatismo de Dilma e o bom relacionamento do novo ministro da Agricultura com todas as bancadas deve favorecer o setor e dar celeridade a tramitação de projetos importantes para o agronegócio brasileiro, sobretudo em questões envolvendo a votação do Código Florestal e a construção de uma nova política agrícola que traga sustentabilidade para o produtor. “O que nos anima é que o Mendes Ribeiro conta com o prestígio e a confiança da presidente”, comentou Kátia Abreu, acrescentando que o Ministério está demonstrando “um grande espírito de trabalho conjunto, sobretudo quanto à questão do novo modelo de política agrícola, que é a nossa principal reivindicação”. De acordo com a senadora, não são necessários mais recursos para a agricultura, mas sim os que estão disponíveis sejam direcionados correta e adequadamente para os produtores. “Nós não queremos um centavo a mais. Basta que os recursos disponíveis possam ser direcionados para a mão certa, porque hoje os recursos para garantir o preço de referência e o seguro agrícola para o setor estão

indo para as mãos erradas, estão indo para os intermediários. E aquele produtor que de fato produz o arroz e o feijão não está vendo a cor desse dinheiro”, justificou, defendendo que “o nós precisamos é mudar os processos, porque mudando as políticas nós vamos apenas tirar o mesmo dinheiro que está indo na direção errada e direcionar para a direção correta”. Ao longo da reunião, Kátia defendeu que o novo modelo de política se aproxime do norteamericano. Com isso, os diferentes instrumentos de apoio à comercialização, como PEP e AGF, seriam substituídos por subsídios diretos ao produtor sempre que o preço de mercado estiver abaixo do preço de referência. “Esses mecanismos retrógrados, antigos, fazem jus a uma política agrícola de 40 anos atrás. Com muita simplicidade, demonstramos à presidente que a aplicabilidade dos atuais processos não atende mais à agropecuária”, frisou a senadora, reiterando que acredita em uma aplicação piloto do novo modelo para culturas de arroz e trigo. A senadora ainda explicou que, para operacionalização do repasse direto de recursos ao agricultor, é preciso uma central de produtores rurais, com cadastro de propriedades por regiões, georreferenciamento e limites de produção com apoio por produtor.

“Precisamos de uma política que acompanhe o dinamismo da agricultura”, disse o presidente do SR de Carazinho Carlos Scheibe foi um dos presidentes de sindicatos convidado para participar da reunião-almoço com a senadora e presidente da CNA, com o ministro da Agricultura e com o presidente da FARSUL. Para ele, um dos pontos principais do encontro foi o debate acerca de uma nova política agrícola para o setor. “A agricultura é uma atividade muito dinâmica e que, ao longo dos anos, vem trabalhando com valores e produtividades muito maiores. Além disso, o acesso global a um universo imenso de informações, somada a volatilidade do mercado, tem transformado o campo. Por isso, precisamos de uma política que acompanhe esse dinamismo”, assegurou Scheibe. Para o presidente do Sindicato Rural de Carazinho, o encontro entre as lideranças do setor colocou em evidência a necessidade de reformar a política agrícola para que os produtores não percam competitividade. “O dinamismo na parte econômica não foi acompanhado por uma evolução em outros setores, como o de infraestrutura e o de armazenagem”, analisou, acrescentando que a afirmação do ministro da Agricultura de que o Ministério atua muito mais na resolução de problemas do que na sua antecipação e prevenção. “O Mendes Ribeiro disse que hoje demoramos tanto para encontrar soluções que, quando as encontramos, elas já estão ultrapassadas, pois os problemas já são outros ou estão mais graves. E é isso que ele pretende reverter estando à frente da Pasta”. O ministro, analisou Scheibe, embora não tenha um perfil técnico, dispõem de uma ampla aceitação no Congresso e um bom trânsito na Presidência da República, o que deve favorecer o crescimento do setor. “Não adianta termos um ministro com perfil técnico se ele não consegue tramitar politicamente os projetos do setor”, finalizou.


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