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Agenda

Noventa dias de aviso prévio Por Eduardo Bratz – bratz@eduardobratz.com Em 21 de setembro de 2011, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que altera a Consolidação das Leis do Trabalho para aumentar o período de aviso prévio que os empregadores e empregados deverão se conceder mutuamente para o período de até 90 dias no caso de rescisão do contrato de trabalho sem justo motivo. Atualmente, quando a pessoa é dispensada, deve permanecer no emprego por até 30 dias, independentemente do tempo de serviço. Com a mudança, o aviso prévio será proporcional. O trabalhador com um ano de emprego tem direito aos atuais 30 dias, mas para cada ano adicional de trabalho, o aviso prévio aumenta em três dias, até o limite de 90, no total. Em caso de demissão voluntária, o empregado deve trabalhar pelo mesmo período ou indenizar o empregador, que pode optar por liberar o empregado, sem ônus. A proposta, com origem no Senado Federal, será enviada à sanção da presidente Dilma Rousseff, que pode vetar partes da nova Lei. Neste ano, o Supremo Tribunal Federal tratou sobre o tema, mas adiou, em junho, decisão sobre mudanças. A proposta tramita desde 1989, mas voltou à discussão na Câmara em julho 2011, com análise em várias comissões. Ontem, a matéria entrou na pauta do plenário em regime de urgência e foi aprovado em uma versão com origem no Senado Federal. O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, disse que o projeto teve o apoio de todas as centrais sindicais. Ele afirmou que após receber o aval dos presidentes das centrais sindicais, disse ao presidente da Câmara, Marco Maia, que o projeto poderia ser aprovado. Indubitavelmente, trata-se de mais um caso de intervenção do Estado na iniciativa privada.

Agrotecno Leite

Visando fomentar a produção leiteira e o consumo do alimento, levando informações, técnicas, tecnologias e estudos – todo aporte necessário para driblar os desafios do setor, será realizada a 5ª edição da Agrotecno Leite, de 27 a 30 de setembro, no Centro de Eventos e Campos de Pesquisa da Universidade de Passo Fundo (UPF). Nos últimos quatro anos, o setor já apresentou um salto em ganho de produtividade, e muito se deve ao fomento realizado pela feira, mas as necessidades ainda são grandes frente à demanda. Conforme o presidente do evento, Ari Rosso, mais de 100 expositores estarão presentes, levando o que há de mais moderno em maquinário e tecnologias que facilitem a vida do produtor que exige muita mãode-obra e sem horários fixos. Entre as novidades desta edição está a presença não somente de produtores, técnicos e pessoas ligadas ao segmento, mas também crianças. Se trata do projeto Beba Leite, que objetiva incentivar o hábito do consumo do leite e seus derivados entre as crianças. A outra novidade desta edição, é a presença de animais. Neste ano, haverá exposição, julgamento e comercialização de gado leiteiro das raças jersey, holandesa e gir leiteira.

Proleite

A estruturação da cadeia do leite, através da atualização dos produtores, é o principal objetivo do 14º Seminário para Produtores de Leite e Derivados (Proleite) que vai acontecer, pela primeira vez, paralelamente à Expo Bacia Leiteira. Realizado anualmente pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), além de promover a atualização dos produtores, vai ainda fomentar a atuação dos pequenos negócios e fortalecer a atividade em Alagoas. O evento vai ser realizado no município de Batalha, no Clube ABC, de 28 a 30 deste mês. No primeiro dia serão debatidas temáticas sobre os mercados e as políticas públicas para o setor. O segundo dia será dedicado ao produtor rural e no terceiro, e último dia do seminário, as palestras serão voltadas para o laticinista.

Avicultura

Fisiologia e Manejo de Culturas de Lavoura O INCIA - Instituto de Ciências Agronômicas – Professor Elmar Luiz Floss, em parceria com a DiDatus Pós Graduação, promove mais um módulo do MBA em Fisiologia e Manejo de Culturas de Lavoura. O curso, voltado aos profissionais formados nas áreas relacionadas a agronomia, biologia e afins, está em andamento com a sua primeira turma. O 6º Modulo acontece nos dias 23, 24 e 25 de setembro, no Centro de Eventos do Colégio Notre Dame. O professor Doutor Gilberto Cunha, será o ministrante, abordando o tema Bases bioclimatológicas do rendimento das culturas. “Queremos possibilitar, pela compreensão dos princípios físicos que regem o comportamento da atmosfera e definem os padrões climáticos regionais, uma maior eficiência na exploração dos recursos do ambiente em busca de rendimentos elevados e melhoria da qualidade dos produtos colhidos nas lavouras brasileiras”, observa. Os grandes cenários futuros do Agronegócio acenam para a necessidade do aumento permanente da produtividade, da melhoria da qualidade do produto, da rentabilidade, da competitividade e da sustentabilidade (econômica, social e ambiental). Por isso, segundo o palestrante, cada vez mais o profissional precisa estar preparado e em constante aprendizagem. Informações no INCIA, na Rua João de Césaro, 255, sala 03, bairro Rodrigues, Passo Fundo. Ou pelos telefones

Termina no dia 30 de setembro o prazo para inscrições com desconto na programação de palestras do 22°Congresso Brasileiro de Avicultura - principal encontro do setor avícola brasileiro em 2011, que acontece entre 25 e 27 de outubro no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. Durante o encontro, serão tratados tópicos sensíveis do tema, como tendências e limitações de ferramentas de diagnóstico, prevenção e controle no campo, intervenções no abate e processamento, entre outros. Até o dia 30, as inscrições para congressistas podem ser feitas pelo valor de R$ 200,00. Para estudantes, o valor até o fim de setembro será de R$ 110,00. Após essa data, passa a valer a tabela final do evento, de R$ 300,00 para congressistas e R$ 150,00 para estudantes.

Simpósio

O I Simpósio Goiano de Pós-colheita de Grãos será realizado na Associação Atlética da COMIGO, em Rio Verde, GO, de 24 a 26 de outubro, com o tema a competitividade e qualidade dos grãos. O evento deve reunir armazenadores, produtores que armazenam sua safra, cerealistas, cooperativas e empresas de alimentos. As inscrições podem ser feitas até o dia 20 de outubro pela internet no site http:// www.abrapos.org.br/eventos/sgpg2011.

a t i e c e R

m o c a h l e v o e d o ç a Espinh de mandioca farinha Ingredientes: ço de carne ovina inha - 3 kg de esp rinha de mandioca fa s a - 300 gram - sal

em uma paparo: Modo de pre e em seguida a coloque tire o suco e , re Salgue a carn ar por 30 minutos. Após nh e um pouco zi nt co ce xe es la e acr nela e dei ne o, a p na ou fic inutos no fog da carne que por mais 10 m na panela. xe ei D . la ne a te de água na p coloque o suco novamen e mandioca, e d e a rn nh ri ca fa a a e e tir re acrescent o, ã ir p sempre, colo o o r d ze Para fa ar. Mexen ol o b d zi em co o er nã tiv es ara aos poucos p . Ele estará pronto quando r a carne na a to nt os ce g a es l cr sa a que ois é só ep D e. nt dois e deixar te is os misturar e bem cons o, ã ir p o tá ue es panela em q o. inutos no fog m 5 is a por m a Emater Fonte Site d

ESPAÇO ECOLÓGICO

ARANHA DOMÉSTICA

TEGENARIA DOMESTICA ou aranha caseira, esta aranhas tem a aparência peluda e pálida. Não é uma ameça ao ser humano, não possue peçonha, tem seu habitat, em locais abrigados em casas, garagens, quartos de despejo, e algumas vezes em baixo de pedras e em tijolos, esta aranha constrói teias densas e brancas nos telhados, paredes, atrás de quadros e por vezes até em baixo de camas, elas se alimentam de pequenos insetos que agarra com as quelíceras e a transporta para o interior do tudo da teia. As fêmeas vivem em media por 4 anos, e durante o acasalamento elas vivem com o macho na mesma teia, isso ocorre ate antes da postura dos ovos, pois nesse instante o macho se estiver na mesma teia também pode virar vitima da fêmea. Para controlar e afastar estas aranhas caseiras, basta limpar as paredes, toda semana e passar uma solução de cravo da Índia, cânfora e álcool, na seguinte proporção, 1 litro de álcool, 5 pedras de cânfora, e 30 cravos da Índia, junte-os e deixe repousar por 7 dias até que o cravo solte seu óleo que dará o efeito residual na solução, pulverize nos locais afetados, paredes, porProfª. Ms. Danusa Ribeiro Bióloga CRBio 28071/RS tais atrás de portas e onde haja Agrícola e do Meio Ambiente teias de aranhas, elas não apare- Microbiologistadanusa.ribeiro@yahoo.com.br cerão mais. danusa@upf.br


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TRIGO

n álise

Cultura entra na fase crítica

Redação Carazinho

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altando 45 dias para o início da colheita do trigo, principal cultura que ocupa as lavouras no inverno na região, as previsões de produtividade continuam sendo positivas. De acordo com o técnico agrícola da Coagril (Cooperativa dos Agricultores de Chapada), Renato Koch, o cereal está entrando em uma das fases mais críticas, que é floração, momento em que o clima não pode ser de chuvas excessivas. “As próximas semanas são fundamentais para a manutenção das plantas em bom estado, o que vai garantir uma média considerável na produtividade e, conseqüentemente, lucros ao nosso triticultor”, disse Koch. Segundo ele, o excesso de umidade neste momento provoca uma doença chamada de giberela, que traz grande preocupação ao agricultor. Segundo o técnico, a doença ataca diretamente a produtividade do cereal, pois causa problemas na formação do grão. “O ideal é que os produtores acompanhem diariamente as previsões do tempo, e ao primeiro sinal da doença busquem orientação de profissionais da área agrícola”, salienta Koch. O risco da doença é de período prolongado, pois se estende do espigamento até a fase final

Mercado

FOTO DM

Excesso de chuvas a partir de agora comprometem produtividade. Riscos da giberela, doença causada pela umidade, traz preocupações ao triticultor

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Valorização do dólar favorece a cotação da soja João Pedro Corazza

Gerente Comercial de Operações de Commodities da Agroinvvesti

Giberela pode se manifestar até a fase final da formação do grão na espiga do cereal

As próximas semanas são fundamentais para a manutenção das plantas em bom estado, o que vai garantir uma média considerável na produtividade e, conseqüentemente, lucros ao nosso triticultor.

do enchimento do grão. Conforme Koch, as precipitações pluviométricas acima da média, este ano, já colocaram um limite na produtividade do trigo, que na região de atuação da Coagril deverá ficar igual ou, um pouco, inferior a da safra passada. “Mesmo com aplicação de boa tecnologia raras serão as áreas que vão superar a quantidade de grãos, retirados no ano passado das lavouras, em nosso município”, disse o técnico agrícola.

No município, que está na região do Alto Uruguai, a estimativa é que a média produtiva não ultrapasse as 55 sacas colhidas na safra de 2010. “É mais provável que tenhamos uma redução de 10% na produtividade do que colhermos algo acima, comparando com os números do ano passado”, completa. Para Koch, mesmo o tempo tendo acarretado no atraso de plantio em algumas lavouras, não há riscos de comprometimento no plantio da soja em cima das restevas do trigo. “É bem provável que a colheita do trigo esteja concluída até o final da primeira quinzena de novembro, período ainda considerado bom para a formação de lavouras de soja”, explica. Outro detalhe, apontado pelo técnico, é que aconteceu uma demora, para conclusão do plantio, em cerca de 10% das lavouras de trigo, o que não significa extensões consideráveis de terra quando comparada com a destinada a soja. “No município o índice representa pouco mais de 300 hectares, dos 3.200 plantados”, complementou.

Cotações da semana dos produtos recebidos pelos produtores

Fonte: EMATER/RS-ASCAR

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forte valorização do dólar frente às principais moedas mundiais, entre elas o real, ajuda a favorecer a elevação dos preços das commodities brasileiras maximizando os lucros principalmente do setor agropecuário. Quem mais se favoreceu com essa desvalorização do real foi à soja. Na semana foram registrados negócios na casa dos R$ 56,00 para saca de 60 kg a ser entregue na próxima safra de verão no Porto de Rio Grande. Com isso, pode-se observar negócios no interior do estado em até R$ 52,00. O principal motivo dessa grande alteração no cenário macroeconômico da principal moeda mundial é o medo dos investidores de uma recessão global que possa levar o mundo a uma crise já mais vista antes. Com isso, grandes investidores tiram suas aplicações de rendas variáveis colocando-as em de menor risco, como é o caso do ouro e da moeda norte- americana. Com isso a volatilidade foi à marca registrada na semana fazendo com que em um único dia a variação da moeda atingisse quase 10 centavos. A crise na união européia, onde os principais países do bloco vêem as notas de seus grandes bancos serem rebaixadas, a inflação na China e os Estados Unidos não conseguindo achar soluções para uma saída da crise, contagiam o mercado com notícias ruins e o pavor toma conta dos investidores. Chegando próximo a dois reais, a moeda norte-americana permitiu a realização de ótimos negócios durante alguns momentos da semana já que a cotação ficou muito atraentes e muitos produtores aproveitaram para garantir seus lucros. Porém, a despencada em Chicago freou os negócios no final da semana e enfraqueceu um pouco os preços. Com a insistente escalada nas cotações da moeda norte- americana, o Banco Central optou por realizar leilões de vendas fazendo com que os ânimos da ponta compradora acalmassem, enfraquecendo um pouco a alta. Assim, as oportunidades de negociações vão aparecendo e o setor produtivo deve ficar atento a todos os momentos e aproveitar essas altas para proteger parte da sua produção garantindo uma rentabilidade mínima que possa fazer com que se garante cada vez mais forte em sua atividade. João Pedro Corazza

UBABEF desfaz mitos sobre produtos avícolas A União Brasileira de Avicultura (UBABEF), em parceria com o Instituto Ovos Brasil, promove uma ação de esclarecimento sobre as propriedades nutricionais de produtos avícolas para nutricionistas de todo o país, durante o XV Congresso Brasileiro de Nutrologia, em São Paulo (SP). A UBABEF e a Ovos Brasil estão com um estande montado no evento, onde distribuem aos visitantes materiais com informações gerais sobre qualidade e diferenciais nutricionais de frangos e ovos. A ação conta ainda com degustação de pratos à base de produtos da avicultura. “Nosso objetivo é esclarecer os nutrólogos, que são formadores de opinião no que tange a alimentação humana, sobre inverdades como a utilização de hormônios na criação de frangos e o alto colesterol do ovo, dois mitos que privam o consumidor dos benefícios desses produtos”, ressalta o presidente executivo da UBABEF, Francisco Turra.


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FLORES

Uma terapia que pode gerar lucros Dona de casa troca mudas de várias espécies de flores pelos Correios, com colecionadores de todo o país Priscila Devens pridevens@gmail.com

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a fazer dois anos da faculdade de Biologia, mas não concluiu por falta de condições financeiras. A câmera digital da família também foi adquirida devido a vontade de Clarice de registrar cada momento das suas flores. “Por exemplo, os cactos, é tão incrível quando nascem as flores que chegam a ser maiores que a própria planta. Eu fico ali, esperando elas abrirem”, salienta.

FOTO PRISCILA DEVENS

á alguns anos que o carteiro de Clarice Correa, moradora da Vila Rica em Carazinho, lhe entrega frequentemente encomendas vindas de todo o país, como São Paulo, Amazonas, Sergipe, Minas Girais, entre outros. Mal sabe ele que ali dentro encontra-se um pouquinho da flora de diversos biomas. A paixão pelas plantas já foi despertada nela desde muito cedo, quando ainda era pequena, e a internet, com o advento das redes sociais, possibilitaram que Clarice trocasse, vendesse e comprasse mudas de flores de colecionadores, seus amigos no Orkut. “Eles olham as fotos das minhas flores pela internet e entram em contato. Assim, via Correios, nós conseguimos preservar um pouco mais as plantas e conhecer espécies diferentes”, comenta ela. Questionada se esta atividade lhe traz alguma renda, Clarice responde que não tem lucro nenhum, mas sim, muitos gastos. “Eu gosto muito de cuidar das flores e isso para mim é como um hobby. É a minha maneira de manter a mente ocupada, e hoje em dia eu não tenho tempo nem para ficar doente, pois estou sempre cuidando das minhas plantas”, destaca ela. Preocupada com a natureza, ela recolhe a água da chuva para poder regar todos os lírios, cactos, suculentas, caladium e diversas outras plantas que tem em sua casa, sem precisar utilizar a água encanada. A curiosidade dela também fez com que Clarice fosse buscar na internet as diversas espécies e nomes para as plantas que possui. Além disso, ela chegou

Paixão pelas plantas já foi despertada ainda na infância

É necessário fazer pesquisa de mercado

“ Eles olham as fotos das minhas flores pela internet e entram em contato. Assim, via Correios, nós conseguimos preservar um pouco mais as plantas e conhecer espécies diferentes.

A produção de flores para a comercialização é bastante restrita, como explica o presidente da Associação de produtores de flores do Norte Gaúcho (Ameflor), José Elias Girardi. Clarice não vende para pessoas na própria cidade, pois todos querem ver as flores enormes e floridas, e no caso das trocas com os colecionadores, são apenas mudas ou folhas, pois a espera para que fiquem grandes é bastante longa. Girandi revela que na Associação são cerca de 10 produtores associados entre as cidades de Vista Alegre do Prata, passando pela região de Erechim, Victor Graef, Marau, Passo Fundo, entre outras, na produção de flores de vaso e de corte, usadas para a decoração de eventos. Para ele este número está baixo devido a uma questão cultural da região, que é muito direcionada para a produção de grãos, e a floricultura é uma atividade que demanda trabalho diário e bastante mão-de-obra. “Então, o cultivo de flores para o comércio é só para quem realmente gosta. A maioria dos produtores começou com um hobby e hoje são profissionais”, pontua. O mercado para as flores existe, conforme Girardi, mas é preciso que os agricultores façam uma pesquisa acerca das demandas. “Nós somos

concorrentes diretos de São Paulo, porém, a atividade tem riscos iminentes, uma vez que aqui temos um inverno rigoroso. É necessário fazer grandes investimentos”, afirma ele, acrescentando que o retorno não é imediato. “É imprescindível investir em estufa, estrutura, na logística para a distribuição, entre outros”, reitera. A floricultura tem gastos maiores comparados com atividades como os grãos. “A produção de flores é direcionada, aqui na região, para pequenas propriedades, e se torna viável, porque se monta uma estrutura não tão grande, e tem o retorno financeiro. Mas para isso deve ser bem administrado”, completa Girardi, lembrando que não adianta fazer o investimento e depois não ter onde colocar o produto. A produção ocorre praticamente todo o ano, mas a partir de agora, com a entrada da Primavera, a demanda aumenta cada vez mais, pois as pessoas começam a fazer os jardins. “E no ciclo do Inverno a produção fica mais restrita, pois têm plantas que não resistem a baixas temperaturas”, explica, argumentando que nos meses de janeiro e fevereiro a venda é maior para as flores de corte, devido as formaturas.


PECUÁRIA

Uma década depois, aftosa volta a preocupar Medidas são intensificadas para controlar e impedir a entrada da doença no país, mas lembrança do cenário vivenciado no Estado nos anos 2000 preocupa produtores Rosa Liberman e Liliana Crivello

rosa@diariodamanha.net

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m foco de febre aftosa no Paraguai, confirmado nesta semana, levou o Estado a adotar medidas de intensificação nas barreiras para impedir que o vírus chegue ao Estado, especialmente porque, o local está distante 150 quilômetros da divisa com o país, onde provavelmente ocorreu o início do surto de febre aftosa nos anos 2000 no Estado. O técnico em Agropecuária da Emater de Tapera, Clari Pierezan Pereira, diz que apesar de ser uma situação preocupante, considerando a vasta área de fronteira que une o Rio Grande do Sul com o Paraguai, neste momento os temores são mais concretos no campo psicológico, considerando que o trauma vivenciado pelo foco ocorrido na região de Jóia, trouxe apreensão e incertezas quanto ao desdobramento da situação. “Especificamente no tocante à região algumas considerações são importantes. A probabilidade de ocorrer focos de febre aftosa na região, com procedência via animais infectados no Paraguai, é bastante remota. “Esta improbabilidade resulta das seguintes condições: a distância, pois o Planalto Médio está localizado à aproximadamente 800 km da região do foco; medidas adotadas pelo sistema de vigilância paraguaio, já que o abate dos animais é uma medida de controle adotada mundialmente, e demonstra também que o foco terá seu perímetro de abrangência monitorado e controlado. Além disso, ações de vigilância brasileira, como a adoção de barreiras fixas e volantes inibe a ação de trânsito de animais com problema Sanitários. Considerando as ações do Estado paraguaio e a distância que envolve o foco, nos parece plenamente eficiente a adoção das barreiras

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FOTO PAULO DANIEL

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sanitárias propostas”, destaca. Estado é livre de aftosa com vacinação, por isso, produtores devm estar atentos ao calendário de vacinas Conforme Pereira, no Medidas de vigilância intensificadas foco ocorrido na região noroeste do A situação ocorrida no país vizinho incrementar as ações de vigilância, com visiEstado (Jóia e adjacências), foram levou o Governo do Estado a adotar uma tas a propriedades, montagens de barreiras, abatidos aproximadamente 11.100 série de medidas que visam preservar o inspeção de rebanhos e ações de educação animais. Por isso, ele afirma que no status sanitário do Rio Grande do Sul. Para sanitária. Por fim, o momento exige reforço momento, é inegável que o estado tanto, estão sendo incrementadas ações de de atenção na questão de vigilância sanitáde ânimo das pessoas tenha ficado vigilância sanitária na fronteira, regionais de ria, fato este que já está devidamente proviextremamente abalado. Pois ver os Ijuí, Santa Rosa e São Luiz Gonzaga, numa denciado”, afirma o supervisor.A regional de animais sendo abatidos, não poder área que vai de Garruchos a Barra do GuaPasso Fundo atende 35 municípios da região, comercializar os produtos oriundos rita. De acordo com o supervisor Regional da onde as ações terão o intuito de preservar o Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agroda produção pecuária, ter limitação status sanitário do Rio Grande do Sul, livre negócio de Passo Fundo/RS, SEAPA, Henride febre aftosa com vacinação, através das de trânsito, não era uma situação que Hessel Bueno, foram montadas equipes equipes de Inspetorias Veterinárias que atupeculiar. No entanto, o técnico em para realizar ações de vigilância. “Pelo meam nas regiões que passam a ser monitoraAgropecuária destaca que a ação do nos seis equipes volantes, formada com 15 dos, que também devem ampliar as ações poder público naquela situação, foi pessoas da SEAPA, foram montadas para de vigilância sanitária. fundamental para que o foco ficasse restrito à um determinado perímetro e para que as pessoas tivessem pelo menos, a mínima tranquilidade no sentido de retomar suas atividades quando a normalidade voltasse. “As informações que se dispõe nos dão conta de que após as devidas indenizações, os produtores voltaram a investir na atividade, via compra de animais, melhoramento genético, entre outras ações, com produtividades superiores àquelas obtidas anteriormente”, acrescenta. Por parte dos produtores, ele enfatiza sobre a necessidade de observar o calendário de vacinação obrigatório, além das medidas sanitárias recomendadas (não aquisição de animais sem os devidos atestados de sanidade, controles internos da propriedade). Na região de atuação da Emater de Passo Fundo, a atividade leiteira está presente em 28.775 propriedades, sendo que destas, em torno de 21 mil tem produção para venda ao mercado. O número de vacas em lactação gira entre 197.000 – 198 mil animais. Diante da improbabilidade neste momento, de haver foco na região, Pereira diz que é precipitado enfocar aspectos de prejuízo em termos econômicos. Uma possibilidade que pode ocorrer, mas que em sua visão, neste momento, acredita ser algo remoto, é o uso por parte de países exportadores de lácteos no tocante à ocupar espaço no mercado. Isto porque o Brasil exporta basicamente para mercados de pouca expressão em termos de consumo mundial (países africanos e Venezuela).


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APROSOJA

ecnologia Falta de política agrícola Semeadura do milho Engenheiro Agrônomo Eduardo Copetti

Gerente de Desenvolvimento de Mercado/ Produto da Semeato FOTO DIVULGAÇÃO

limita concorrência FOTO PAULO DANIEL

Representantes nacionais e estaduais apontaram linhas de defesa para produtores de soja

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semeadura deve possibilitar o estabelecimento rápido e uniforme da população de plantas desejada. Para isso, a semeadora deve formar um ambiente propício para que a semente entre em íntimo contato com o solo, possibilitando a absorção de água, essencial para o início do processo de germinação. Além disso, a semeadora deve promover a dosagem apropriada de sementes para que se obtenha a população ideal de plantas/ha. A densidade ótima de plantas de cada cultura é determinada pelas exigências da própria espécie. Sabe-se que culturas apresentam respostas diferentes à variação na população de plantas. Alguns autores afirmam que a cultura da soja, por exemplo, suporta variações de até 15% na densidade de semeadura, sem afetar o rendimento. Por outro lado, estudos mostram que a desuniformidade na distribuição espacial de plantas pode resultar em perdas de até 15% ou mais na cultura do milho; 35% ou mais na cultura do girassol e 10% ou mais na cultura da soja. A escolha do disco a ser utilizado na semeadora para o plantio de determinada semente está diretamente relacionada ao tamanho da mesma. Deve-se sempre observar uma folga mínima entre a semente e o alvéolo do disco. O disco deve permitir a passagem livre das sementes pelos alvéolos, sem que as mesmas permaneçam retidas no disco e, ao mesmo tempo, não pode permitir que duas ou mais sementes ocupem o mesmo alvéolo. Existe uma gama enorme de discos disponíveis, com diferentes espessuras, tamanhos de alvéolos e com diferentes números de alvéolos, o que faz com que o sistema se adapte às mais diversas culturas e às mais variadas formas e tamanhos de sementes. O dosador de sementes deve selecionar, dentro de um volume de sementes, somente uma, que deverá ser distribuída por cada um dos alvéolos do disco. Desta operação dependerá maior ou menor possibilidade de ocorrência tanto de falhas, que resultam em clarões nas linhas de plantio, como de amontoamento de plantas, devido a ocorrência de “grãos múltiplos”. Muitas vezes, tem se verificado que as semeadoras perdem o caráter de precisão devido a alguns fatores que influenciam diretamente na performance do mecanismo dosador. Dentre outros fatores, pode-se destacar, principalmente a qualidade física das sementes. Daí, muitas vezes, nasce a idéia de que a máquina é a grande culpada quando o plantio não ocorre com a precisão desejada.

Brasil não é o maior celeiro do mundo, e sim os Estados Unidos que produzem 600 milhões de toneladas, posteriormente a China, com 500 milhões de t e o Brasil com somente 150 milhões de t. Com relação a produção de soja nós somos o segundo maior produtor, mas há inúmeros desafios e gargalos”, declarou o presidente nacional da Aprosoja, Glauber Silveira da Silva, que esteve em Passo Fundo na última semana, durante posse da nova diretoria da entidade no RS e outras eis regionais no Estado. Na ocasião ele apontou que o país mais sustentável do planeta, com 62% de suas florestas preservadas. Mencionou ainda que a China não tem possibilidade de ampliar sua produção e ainda perde 100 mil ha todos os anos para as cidades, enquanto que o Brasil tem 35 milhões de hectares abertos que podem ser ocupados com a agricultura, sem desmatar. “É ridículo comemorarmos os números de 150 milhões de t, que estão estacionados há anos, sendo que podemos saltar para 400 milhões t em 10 anos,

Presidente nacional da Aprosoja, Glauber Silveira da Silva ocupando a área ociosa, desde que o Código Florestal que está interferindo muitas atividades, seja aprovado dentro de um equilíbrio”, afirmou. Porém, para atingir essa produção, é necessário que agricultores passem a utilizar de uma agricultura de precisão, que ETA disponível com tecnologia adequada para reduzir custos e aumentar a produtividade, consequentemente, a rentabilidade. Mas não é simples. Alem da mudança de habito do produtor rural, o presidente nacional da Aprosoja destacou que a produção de soja no Brasil não é certificada como na Argentina, por este motivo, a oleaginosa nacional é desvalorizada em 10 até 15%. “Tudo isso por causa da

legislação brasileira, apesar da nossa soja ser mais sustentável que a argentina. O então presidente da Aprosoja no RS, Pedro Ribeiro Nardes, destacou que a entidade luta continuamente para que haja uma política nacional permanente que beneficie os agricultores e assim, evite o êxodo rural e que o Brasil tenha condições de competir com outros países. “Somos muito competentes, mas não temos condições d lutar com países subsidiados”, afirmou, acrescentando que “o país que praticamente tem 40% do que produz equivale a sua renda na bolsa internacional, mas não valoriza os agricultores”, ressaltou Nardes. Já o novo diretor da Aprosoja RS, Ireneu Orth, disse que são inúmeras as lutas da entidade, mas uma necessidade é de vender melhor o produto nacional e estadual, com os principais compradores, entre eles, asiáticos e africanos, que aos poucos, também começam a ter mais renda e mais condições de consumo. “Nos produtores brasileiros temos que mostrar nossa soja ecologicamente correta e assim, nossos produtos olhados pelos grandes críticos europeus terão um valor maior. Queremos ser um mecanismo que possa pressionar o governo, mostrar nosso produto e que os produtores tenham resultado em suas propriedades”, conclui.

ENDIVIDAMENTO AGRÍCOLA

Deputados e entidades buscam negociação com Mapa Na quarta-feira, o deputado federal Jeronimo Goergen, juntamente com o presidente da Aprosoja Santiago – Núcleo Centro Oeste, Sandro Cardinal e o presidente do Sindicato Rural, Fernando Gonçalves, com outras lideranças, estiveram reunidos com o ministro da Agricultura, levando ao seu conhecimento a questão do endividamento agrícola. O deputado salientou que há duas situações com relação à pauta: uma anterior a 2001, que foi renegociada e a posterior, que de seu ponto de vista é a de maior volume. Ele defende uma espécie de Refis Rural, que seria um método de enxugá-la. “Os agricultores não querem anistia, mas estão pagando há muito tempo e ela não termina. Temos que levar em conta a carga tributária e a inflação e tudo isto acaba impedindo que haja maiores investimen-

tos no campo”, declara. O deputado comenta que as tratativas estão sendo feitas pela frente parlamentar agropecuária e comissão da agricultura. “Está sendo feito o levantamento deste endividamento, mas acredito que o ideal seria haver mecanismos e pudéssemos ter um percentual da safra fixo como forma de pagamento. Porque o nosso problema é cambial e de juros inseridos”, acrescenta. Fernando Gonçalves diz que esta renegociação nacional precisa ser feita. “Está errado o modelo de cobrança da dívida e isto impacta na capacidade de crédito do produtor. Não estamos nos negando a pagar a conta. Agora que há anos estamos pagando e continuamos endividados. Assim, até a economia acaba sendo prejudicada”, enfatiza.


AGRICULTURA DE PRECISÃO

Parcerias universalizam e facilitam acesso às tecnologias

Programa Ciclus, da Cotrijal, é uma das iniciativas pioneiras na região para incentivar o uso de ferramentas tecnológicas que auxiliam os produtores na gestão e na otimização dos resultados produtivos Cristian Puhl cristian@diariodamanha.net

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áquinas operadas por meio de piloto automático, com ajuda de aparelhos de posicionamento global por satélite (GPS), sistemas hidráulicos que dispensam a embreagem e são guiados por telecomando, e softwares que calculam a dosagem de fertilizantes e adubos a taxas variáveis de aplicação. Toda essa evolução está ligada à nova forma de trabalho no setor produtivo, com a incorporação de planejamento prévio e Agricultura de Precisão, práticas que utilizam diversas ferramentas e tecnologia de informação para reduzir custos de produção, maximizar a rotina dos trabalhadores rurais e aumentar a longevidade e a produtividade na lavoura. De acordo com especialistas, a tendência é mesmo de uma reviravolta no campo, com novidades e máquinas cada vez mais avançadas conquistando a área agrícola, pois ninguém quer ficar para trás e ter altos custos com manutenção e insumos, além de maior tempo de trabalho. “Estamos experimentando uma nova revolução na agricultura. Depois do Plantio Direto e da utilização dos organismos geneticamente modificados, a Agricultura de Precisão é um caminho sem volta para o produtor que quer ser eficiente”, comentou o presidente da FARSUL, Carlos Sperotto, durante a realização do 1º Congresso Sul-Americano de Agricultura de Precisão e Máquinas Precisas, realizado nos dias 13 e 14 de setembro, no Parque da Expodireto, em Não-Me-Toque. Ao longo de dois dias, mais de cinco mil pessoas, entre estudantes dos cursos ligados a área de ciências agrárias, produtores rurais e agrônomos, puderam acompanhar as discussões envolvendo os desafios e as tendências do setor para os próximos anos. Um dos painelistas, o engenheiro Agrícola, Ph.D e professor da Universidade de São Paulo, José Molin, ressaltou que o desenvolvimento experimentado pela indústria de máquinas precisas nos últimos cinco anos foi significativo para determinar o futuro da agricultura. “Muitas tecnologias foram incorporadas aos produtos brasileiros, facilitando a utilização na lavoura. Isso modificou o cenário agrícola nacional, porque cada vez mais produtores passaram a ter acesso a

Giro Agrícola Engenheiro Agrônomo Cláudio Dóro

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FOTO CRISTIAN PUHL

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instrumentos e ferramentas que contribuem não só para o aumento da produção, mas também para reduzir os impactos ambientais e tornar a agricultura uma atividade mais sustentável”, observou, acrescentando, contudo, que essa disseminação ainda é parcial e precisa ser estimulada. “A assimilação da tecnologia por um número expressivo de agricultores é um dos principais desafios a ser vencido. Mas eu sou otimista e acredito que isso vá acontecer nos próximos anos, porque a Agricultura de Precisão é o caminho para toda agricultura que queira ser eficiente”. É nesta perspectiva que a formação de consórcios entre produtores rurais e o aumento da oferta de prestadores terceirizados de serviços surgem como alternativa para ultrapassar a barreira mais perceptível entre agricultor e as novas tecnologias de precisão: o custo. “Em um primeiro momento, não é um investimento barato. E esse problema pode ser vencido com o auxílio das cooperativas, tão importantes em outros momentos e que, neste Máquinas precisas para Agricultura de Precisão foram apresentadas no novo cenário, voltam a ocupar lugar de destaque APSul América no cotidiano do produtor”, defendeu o professor hectares e até aqueles com mais de cinco mil”. Telmo Amado, um dos responsáveis pela implantação do A amostragem de solo, afirmou o coordenador do Projeto Aquarius, no ano de 2000, na Fazenda Anna, em Ciclus, é realizada para quantificar os níveis de fertiliNão-Me-Toque. dade do solo. “Desta forma, conseguimos gerar informações de fósforo, potássio e a situação do pH. É um Programa Ciclus: a Cotrijal auxiliando raio-X completo da área do produtor”, ponderou, esclao produtor recendo que a partir destas análises é que o Programa Durante o APSul América, o presidente da Cotrijal, Nei inicia a segunda etapa. “É de posse destes dados que César Mânica, reforçou que o papel da cooperativa é subpartimos para a aplicação de fertilizantes a taxa varisidiar o produtor associado para que ele possa aumentar ável, com a utilização dos caminhões que fazem a dissua produtividade e melhorar a renda. “Por isso, criamos tribuição”.De acordo com Kerber, todos os produtores uma série de projetos e programas que difundam e proassociados da Cotrijal podem usufruir deste trabalho, paguem boas ações para nossos associados”, justificou. sem ter que preencher nenhum cadastro. “A demanda Um desses programas é o Ciclus, criado justamente é bastante grande e nós estamos deixando que essa para aproximar o produtor – independente do tamanho procura aconteça ao natural. E um diferencial do Ciclus de sua propriedade – da tecnologia de Agricultura de é que primamos pela qualidade do trabalho que é presPrecisão. Conforme o coordenador do Programa, Leonartado ao produtor”, salientou, contando que, atualmente, do Kerber, o início das ações do Ciclus ocorreu em 2007, 10% das áreas cobertas pela Cotrijal estão mapeadas impulsionado, sobretudo, pelos resultados positivos do e recebendo serviços de Agricultura de Precisão. “Teprojeto Aquarius, do qual a Cotrijal era uma das parceimos 90% ainda para fazer. Então, é um desafio bastante ras. “Realizamos amostragens de solo, aplicação de fergrande”.O Ciclus, mais do que promover o aumento de tilizantes e outros trabalhos mais. A partir disso, derivou o produtividade e auxiliar o produtor na gestão de sua Ciclus, que oferece aos produtores duas linhas de trabapropriedade, na opinião de Kerber, facilita a universalho”, relatou Kerber, explicando que uma delas refere-se à lização da tecnologia, tornando possível que agricultoamostragem de solo, com georreferenciamento por GPS. res com menor poder de investimento também possam “Esse trabalho é realizado com produtores pequenos e se beneficiar da tecnologia. grandes. Nós atendemos agricultores com cinco ou dez

“Vamos branquear as coxilhas”

ASCAR- Emater/RS

A partir dos primeiros experimentos com o sistema de Plantio Direto até os dias de hoje, muito aprendemos principalmente em relação ao solo, porém os estudos têm que estar sempre evoluindo para que possamos aumentar a produtividade de nossas lavouras. A calagem tem contribuído enormemente para os bons resultados que estamos obtendo. Foi constatado que nas áreas onde foi corrigida a acidez do solo através da aplicação de calcário, houve significativa melhoria dos componentes físicos, químico e biológico. Aumentou o nível de agregação, pelo acréscimo no tamanho (ajuntamento de partículas de areia, silte e argila, com a matéria orgânica), aumentando o teor de cálcio e magnésio

e diminuiu o alumínio (tóxico para as plantas), promovendo maior produção das culturas e como conseqüência maior disponibilidade de resíduos vegetais. A utilização de calcário reorganizando o solo, através de agregados estáveis, implica em diminuição de perdas do solo pela erosão, maior acúmulo de matéria orgânica (a qual retém água, favorece o desenvolvimento da vida microbiana) essa forma quando mineralizada é uma fonte de macro e micro nutrientes para as plantas, contribuindo para a redução do uso dos fertilizantes agrícolas, barateando os custos finais e proporcionando maior lucratividade para quem labuta no campo.


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Sexta-feira, 23 de setembro de 2011 FOTOS ROSA LIBERMAN

MILHO

Brasil pode ampliar exportações Quebra de safra americana abre portas para o Brasil, que poderá ampliar as exportações que no ano passado foram de 8 milhões de t, podendo atingir até 11milhões de toneladas

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cenário atual é positivo para a safra de verão regional, especialmente devido as previsões climáticas e também pelo comportamento do mercado. Os produtores, diante dos bons resultados obtidos no ano passado, deverão formar as lavouras com bom aporte tecnológico, o que também indica tendência de altos rendimentos. Entretanto, as informações divulgadas no relatório USDA, apontam queda de produção devido ao clima, o que significa uma boa lacuna para a exportação brasileira. Apesar do cultivo em uma área 4% superior ao ano passado, a produção de milho americano está projetada em 317,4 milhões de toneladas - uma redução de 3,2% previstos pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Este impacto negativo fez as cotações do cereal aumentar no mercado internacional. “Com esta quebra, os americanos vão reduzir em 2% a fabricação de etanol e em 5,1% o consumo animal – e ainda, 10,1% as exportações. Consequentemente, abre uma oportunidade para o Brasil se inserir no mercado internacional, exportando o produto”, declara o agrônomo da Emater Regional, Cláudio Dóro. Segundo Dóro, em 2010, o Brasil exportou 8 milhões de t. Para a nova safra, as perspectivas são de 8 a 11 milhões de toneladas que podem ser destinados aos países árabes, principalmente. A projeção estimada de plantio de milho no país, entre a safra e safrinha é de 61 milhões de t e o consumo é de 52 milhões – o excedente precisa ser exportado. Na região de abrangência do escritório regional da Emater, que compreende 71 municípios, deverão ser plantados 207 mil hectares – um aumento de 4,9% na área em relação à safra anterior. “Como o resultado do ano passado foi positivo, o produtor leva este fator em consideração e deverá aumentar a área cultivada. Além disso, os preços em alta também contribuíram para esta decisão”, destaca o agrônomo. Até o momento, cerca de 75% da área que será ocupada com o cereal já foi plantada. No ano passado, a produtividade média obtida foi de 6.600 quilos por hec-

FOTO DM

Rosa Liberman e Redação Carazinho rosa@diariodamanha.net tare. Mas há possibilidade de se obter de 13 a 15 t por há. Somado a este fator, os preços atuais deixam margem de lucro satisfatória. A comparação pode ser feita com os preços praticados há um ano, quando a saca de 60 quilos estava cotada no balcão em R$ 18,00 e hoje estão em R$ 25,00.

Soja Com relação a soja, a oleaginosa deverá ocupar área destinada ao sorgo e feijão, sendo ampliada em 1% passando a ocupar 820 mil hectares na região. O plantio inicia depois do dia 15 de outubro, mas poderá ser um pouco adiado devido ao atraso que se deu na implantação do trigo e em seu desenvolvido, por causa das condições climáticas: excesso de chuva, geadas e pouca luminosidade. Também para esta commoditie os preços estão favoráveis, com a saca de 60 quilos cotada em R$ 44,00, sendo que no ano passado estava em R$ 37,00 – deixando margem de lucro. Hoffmann cuida dos 18 hectares de terra da família

Rotação de culturas para manter a produtividade Pequeno produtor prefere intercalar soja e milho ao invés de plantar influenciado pelo preço de marcado da oleaginosa ou do cereal “O pequeno produtor não pode ficar atrelado apenas no mercado de preços na hora de decidir qual a espécie de grão que vai colocar no solo, da sua propriedade”. A dedução é do pequeno agricultor, Iagro Moura Hoffmann, 25 anos, que cuida dos 18 hectares de terra pertencentes à família, em Bela Vista, no município de Carazinho. Para ele, um dos pontos mais importantes, que leva em conta, no momento de tomar a decisão, é a preservação do solo em condições favoráveis de proporcionar boa produtividade. “Minha filosofia de produção passa pela rotação de culturas. O preço da soja ou do milho vem num segundo momento, pois de nada adianta valor se condenamos a qualidade da terra pela saturação da monocultura, independente de ser da oleaginosa ou do cereal”, explica sua posição. Enquanto alguns produtores anunciam aumento de área destinada ao milho ele anda na via inversa. Este ano não vai plantar o cereal, que no

ano passado ocupou os 10 hectares de área agricultável da propriedade. De acordo com o jovem, este ano faz parte do planejamento ocupar os 10 hectares com o plantio de soja. “Sei que o preço do milho é bem superior ao da oleaginosa, mas vou seguir a orientação técnica de não ocupar mais um ano o solo com milho, pois o que pode parecer lucro vai acabar em despesas para a recuperação da terra”, comenta Hoffmann. Utilizando sistema de plantio com média tecnologia aponta que colheu na última safra 120 sacas de milho por hectare. Estima que a soja, que vai plantar no final do mês de outubro, poderá render entre 40 e 50 sacas por hectare, o que considera uma boa produtividade na lavoura da família. Segundo Hoffmann, este ano deverá plantar uma variedade de soja hiper-precoce, para antecipar a cobertura verde do solo com o plantio de grãos que produzem massa para a formação de silagem. Conforme o agricultor, no próximo ano, os 10 hectares voltarão a ser plantados com milho, que permanecerá na área por duas safras, quando a soja retornará pelo sistema de rotação de culturas. “Mantendo uma boa média de produtividade de soja ou milho, pela preservação do solo, conseguimos um lucro razoável para uma pequena propriedade”, frisa Hoffmann. Ele aponta que hoje uma das dificuldades que enfrenta é a falta de apoio tecnológico público. “Muito se fala em incentivo ao pequeno, mas quando existe a necessidade de ajuda na parte técnica a saída é buscá-la na iniciativa privada, o que muitas vezes acaba elevando o custo de produção, de quem possui áreas pequenas”, salienta. Lembra que, custeios agrícolas existem, mas que há ainda uma carência técnica.

AgroDiario 23-09-2011  

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