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O Mirante

de Olinda

ROTEIRO DE CULTURA E TURISMO

Olinda, agosto de 2011 - ano 01 nº 01

Perfil

Distribuição GRATUITA/DIRIGIDA

A casa de Badida

Em uma casa pra lá de cenográfica, a artista abre a porta com um sorriso.

É em sua casa que seu mundo mágico aflora em quadros e instalações.

“É quase uma loucura a minha

relação com a leitura. Minha maior paixão é a literatura. Sem a palavra não dá”.

Turismo

Pág. 7, 8 e 9

Olinda: Fortalecendo o turismo. Pág. 11 “Fazer de maneira estruturada, com organização, limpeza, logística, para que possamos ter uma cidade propícia ao turismo”.

Maurício Galvão

Secretário de turismo de Olinda

Ainda nesta edição:

Roteiro Cultural Da bodega à alta gastronomia, as opções são variadas. Pág.4 e 5

Em cena Cine club solidário em Olinda com o ator Adriano Cabral. Pág. 6

Sabor e Arte

Chef Ruben Grunpeter “Costumo dizer que olho o mercado através da janela da cozinha”. Pág. 14 e 15


Editorial “Olinda é só para os olhos, não se apalpa é só desejo, ninguém diz é lá que eu moro, diz somente é lá que eu vejo”. Como na poesia de Carlos Pena Filho, Olinda é uma cidade de ver-se, de admirar-se. Seu visual inspira poetas, compositores e artistas das mais variadas vertentes. Com freqüência, vimos estampadas em diversos jornais, notícias de ações violentas de banditismo, que assustam os habitantes de várias cidades brasileiras. Aportamos em Olinda, cidade patrimônio histórico e cultural da humanidade, para colorir nossas páginas com O Mirante de Olinda. Um jornal que formata a cor do povo da cidade de Olinda e suas ações.

estaremos focados em fatos e abordagens que retratem a cidade de uma maneira leve e alegre, contribuindo para a divulgação do trabalho dos artistas que em Olinda mantém seus ateliers, bem como seus músicos, atores, chefs de cozinha, estilistas, hoteleiros, dançarinos e poetas. Olinda respira um universo peculiar e é uma cidade admirável por suas belezas naturais e suas vistas panorâmicas, bem como pelo estilo de vida dos seus artistas. O jornal O mirante de Olinda, mostra uma forma simples e culta na maneira de enxergar o mundo, ressaltando valores culturais e artísticos e tornando-se influente, na construção de um informativo que promove as iniciativas da sociedade olindense. Eis a que viemos. Vamos respirar aqui juntos essa verve artística, culta e histórica, vamos ver em cores um novo jornal que mostra a cara dessa cidade que tanto amamos. Sejam bem vindos!

Por ser uma cidade favorável ao turismo, a arte e a gastronomia,

Foto: Nando Chiappetta


Cultural

Olinda, agosto de 2011

Importância da implementação de um jornal com cunho cultural, gastronômico e turístico em Olinda. “Uma das mais bem pre� servadas cidades coloniais do Brasil. Foi a segunda ci� dade brasileira a ser decla� rada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela UNESCO, em 1982 qua� se 400 mil habitantes, e não tem um jornal próprio? Espera aí! Uma cidade da importân� cia de Olinda tem de ter um jornal próprio, o jornal que tem em Olinda é o de Recife! Olinda precisa de um jornal de Olinda”.

Junio Barreto

Cantor e compositor

“Olinda é uma cidade bela, cheia de riquezas na� turais e culturais. Mas fal� ta, ou melhor, faltava um espaço para propagar as coisas boas desta cidade. Que seja bem vindo este veículo de comunicação. Que tenha vida longa e seja recheado de sucesso”. Emília Lucena Jornalista

“���������� .Importan� tíssimo este trabalho, não lembro de nos anos recentes de ter visto algo parecido; uma publica� ção voltada para a cultura com foco na cidade que é patrimônio da humanidade. Parabéns e sucesso!”

“Parabéns pela iniciativa do lançamento do tablóide em Olinda! A cidade estava precisando de um veí� culo de co� municação deste tipo. O acesso à notícias so� bre cultura, turismo e gastronomia será de grande importância para todos.”

Cleyton Santana- Cantador,

Alexandre Sampaio

Baterista

Cantor e compositor

Ator

“O jornal de Olinda é de grande utilidade ao seu Flávio Mamoha povo. Informações sobre Músico, produtor cultural e jornalista cultura, história e gas� tronomia para facilitar a vida dos seus moradores e admiradores eternos. Es� “Relevante. Esse servico que pecificamente em relação situa e instiga o turista a des� à cultura, torna-se rele� cobrir e realizar seus dese� vante pela valorização e jos de maneira mais objetiva divulgação do trabalho e confortável pela cidade , de artistas da terra, bem dando um suporte maior em como das manifestações i n f o r � culturais do estado. Dese� m a ç õ e s jo todo o sucesso do mun� durante do aos editores deste novo a sua es� jornal. Fiquem certos da tada”. minha contribuição”. MR. JAM

Cássio Sette

Carlos Lira

“Toda cidade merece e precisa de  um jornal com este cunho, mas numa cida� de que é patrimônio cultural como Olinda; que recebe mi� lhares de turistas anualmen� te; que tem inúmeras opções gastronômicas e turísticas, essa necessidade torna-se fundamental. Os próprios olindenses ou moradores desta cidade não conhecem esse leque de opções já que são tantas e tantas. O que di� ríamos sobre quem mora em Recife ou  em outra cidade do estado de Pernambuco, do Brasil ou do mundo? Espero que muito em breve este jornal, que promete uma riqueza de qualidade e in� formações, nos traga ótimas notícias sobre teatro e cine� ma dentro de uma cidade tão importante e tão bela quanto Olinda. Boa sorte a todos!

compositor e produtor cultural.

“Morei em Olinda um tem� pão, mais especificamente em Rio Doce. E não sabia de nada que acontecia na cida� de. Seja de quem for a ideia, acho uma maravilha ! Estou às ordens”.

Produtor cultural e ator

“Desejo sucesso a toda equi� pe do recém-publicado jor� nal O mirante de Olinda! É extremamente convidativo e encorajador saber que sur� ge nesta cidade efervescen� te, um trabalho realizado por pessoas que carregam consigo o compromisso com a informação e o respeito à memória social e cultural de toda uma comunidade reple� ta de artistas e anônimos. E melhor ainda: com distribui� ção gratuita! Urruuu! Longa vida ao jornal O mirante de Olinda!

Amanda Ramos - Cineclubista

“Um jornal chamado O Mirante de Olinda, chama a atenção pelo título, além de oxigenar o mundo cultural da nossa antiga capital”.

Parabéns !

Valmir Jordão Poeta


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Roteiro Cultural

Olinda para todos os gostos

A noite de Olinda é para quem gosta de dançar, ouvir MPB, degustar da alta gastronomia, ou passear descompromissadamente pela orla, ou pelo sítio histórico. Neste roteiro, o turista encontra as melhores opções. Percorrendo a orla marítima temos um leque de opções. Para quem quer curtir um namoro à beira mar degustando dos seus frutos fresquinhos, começamos o passeio pelo Marisqueira, que tem uma excelente cozinha e está para além das comidas marítimas. No restaurante do empresário Piauí, o casal pode apreciar uma costela de porco ou carne de sol, dentre tantas outras delícias. O interessante é que lá podemos pedir que o garçon ponha a mesa à beira mar, de onde se vê o quebrar das ondas, degustando um bom vinho. Ainda à beira mar, encontramos o Hotel Costeiro. Este hotel tem 79 apartamentos climatizados e cozinha internacional. O hóspede desfruta de banho de piscina, enquanto pode solicitar um drink à sua borda. Além dessas características, fica próximo ao Centro de convenções , Veneza Water Park, Chevrolet Hall, shoppings centers, bancos e sítio histórico, o que torna ainda mais favorável a estada do turista. No bar de Paulete, temos um caldinho de marisco ou feijão, com uma cervejinha geladíssima para se beber de forma bem descontraída numa Sexta – feira à noite, ou no happy hours a caminho de casa. É só dar aquela paradinha na rua do Sol e aproveitar. Logo adiante, na altura do Fortim do Queijo, A Fábrica Bar tem promoções todas as terças- feiras com clone de cerveja e nas quintas, de whisky. Tem espaço para se dançar, além de poder se escutar MPB. Os proprietários da casa, Robson e Gustavo estão cuidando da qualidade musical e afinando cada vez mais a sua clientela. Esse bar tem um público fiel e “habituée”. Os frequentadores dos clubes não deixam de dar aquela passada semanal na casa.


O Mirante de Olinda

Da bodega à alta gastronomia, as opções são variadas. Subindo as ladeiras pela cidade alta, come-se o famoso sanduíche de lombo no Bar do Déo, feito com a tradição que existe desde 1963, onde, as filhas resolveram manter a receita original do sanduíche criado por seu pai. Nas quintas- feiras, o bar tem uma programação musical comandada pelos músicos da cidade. É lá onde eles se encontram para bater papo e fazer suas tocadas. A gastronomia é regional e o bar também abre espaço para recitais de poesia. Para quem quer conhecer a autêntica música de Pernambuco e do Brasil, pode chegar na Oficina da Música. Fica na Rua do Amparo. Além de boa música, o cliente encontra camisetas, acessórios para instrumentos, artesanato, bolsas, sandálias em couro, dentre outros. Descendo pela Rua de São Bento, encontramos os sabores ibéricos trazidos pelo chef Jaime, que é português e serve desde a cozinha de sua terra até os sabores da Espanha, França e Itália. Além deste cardápio especial, come-se um almoço bem preparado e saboroso a preços módicos. O carro chefe da casa é o tradicional bolinho de bacalhau e a sobremesa, o pastel de Belém. Enquanto sai o almoço, um papo com o chef faz o ambiente ainda mais especial. Para um bom sossego no sítio histórico, a Pousada D’Olinda no varadouro, tem banho de piscina e restaurante, além de quartos climatizados. É bem pertinho do Mercado Eufrásio Barbosa, onde pode-se comprar peças artesanais. São inúmeras as opções. Nas sextas - feiras ainda pode-se caminhar pelas ladeiras de Olinda, ao som de uma típica seresta, que nos remete aos tempos de outrora.


Em cena

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Olinda, agosto de 2011

Cine Clube Solidário em Olinda

Lá, as crianças adquirem formação em ética e cidadania, acesso à internet e à cultura, tendo como instrumento viabilizador o cinema. O ator Adriano Ca- Solidário necessita para

Adriano Cabral somou mais de dez prêmios em sua carreira de ator

bral trabalha há 22 anos com teatro, cinema e TV e tem 10 prêmios somados em diversos festivais. Ele não trabalha só no palco. Adriano atua nas comunidades carentes com arte de inclusão para crianças, jovens e adolescentes. Um dos projetos que vem desenvolvendo é o do Cine Clube Solidário na comunidade Boa Fé em Rio Doce, Olinda. Lá, as crianças adquirem formação em ética e cidadania, acesso à internet e à cultura, tendo como instrumento viabilizador o cinema. Tudo o que o Cine Clube

iniciar sua programação é de um Projetor e um telão, que podem ser doados por uma empresa que queira divulgar sua marca como contrapartida ao patrocínio. As empresas ou pessoas que queiram apoiar o projeto podem fazer contato direto com o ator.

Serviço: Adriano Cabral Teatro, Dança, Circo e Performance. Fones: 99326418 86431940.

atoradrianocabral@hotmail.com

Luciana Canti. Uma atriz plural.

“Minha relação com Olinda é desde pequenininha. Aqui vi a praia cheinha de cajueiros quando ainda nem existia a orla marítima”. Nascida e criada em Olinda, a atriz Ela começou sua carreira no ano de 1989 e Luciana Canti tem reestreia marcada para dia 06 de Agosto, do espetáculo “Um rito de mães, rosas e sangue”, que são adaptações de três textos de Lorca: “Bodas de sangue”, “Casa de Bernarda Alba” e “Yerma”. A direção é de Cláudio Lira e o espetáculo estará em cartaz no teatro Hermilo Borba Filho, aos Sábados e Domingos, sempre às 20h. Além deste projeto, a inquieta Luciana atua em vários outros projetos. Ela é integrante do Coletivo Muda e está envolvida em um novo projeto de teatro que tem estreia prevista para ano que vem em Recife. A peça chama-se “Cinema” e tem direção do mineiro Anderson Aníbal da Cia Clara de Teatro. Luciana é mãe de três filhos, sendo desses três, um casal de gêmeos.

desde o começo de sua trajetória atua em cinema, teatro e televisão. Essa cidadã Olindense, adora passear com seus filhos no Alto da Sé e comer a famosa tapioca do Sítio histórico. Além do passeio com os filhos, não deixa de curtir as noites da cidade alta. “Minha relação com Olinda é desde pequenininha. Aqui vi a praia cheinha de cajueiros quando ainda nem existia a orla marítima. Morei sete anos no Rio de Janeiro, mas voltei por amor à cidade e pela grande oportunidade de ser mãe e poder criar meus filhos aqui. O que sinto falta em Olinda é de um movimento teatral e de teatros disponíveis para se montar e ensaiar espetáculos”. Contato de Luciana: 87852116.


Perfil

Daniela Câmara

A casa de Badida

“ Pensei no poema

de Cobra Norato que diz assim: vou fazer minha casa aqui de porta azul bem clarinha pintada com lápis de cor. E então pintei”.

Em

sua casa pra lá de cenográfica, a artista abre a porta com um sorriso largo e todo o bom humor do mundo. Cearense de Fortaleza, Badida Campos (Marisa Alcides Campos), explica que seu nome artístico veio da dificuldade de sua irmã ainda pequena, em pronunciá-lo corretamente. Filha do escritor Moreira Campos, ela diz que teve a infância cercada de arte , literatura e muita ternura. Sua mãe pintava lindamente. Suas primeiras aspirações artísticas eram pensadas na escrita, mas ela confessa que sendo filha de um grande escritor, não se sentia segura em seguir a mesma profissão. Achava que jamais alcançaria a escrita do pai. Começou

então a ilustrar as histórias dele e as suas próprias histórias, que se transformavam em quadrinhos. Badida sempre desenhou. O que vimos em seus quadros é o seu cotidiano recheado de símbolos, muitas vezes histórias simples, que segundo ela, são as melhores para se contar, dos tempos de sua memória, até os dias de hoje. Ao perceber o talento de Badida, o seu marido a colocou na escola de belas artes. No começo ela pintava para vender. Quando passou a pintar para si própria, percebeu a legitimidade do seu trabalho. Em dado momento, retira da gaveta do quarto, poesias escritas à máquina antiga e lê uma apenas. Pergunto se não pensa em publicá-


A casa de Badida

8 las e ela quase esconde os escritos. Coloca-os de volta à pasta e diz: “Como? Com o pai que tive, não posso publicá-las”. A partir daí entende-se porque seus quadros, são na maioria das vezes fraseados, escritos. É a literatura permeando as pinturas da artista plástica. Quando falamos de casamento, ela diz que separou-se após 21 anos de relacionamento. Diz que foi um tempo feliz e que sentiu-se cuidada e protegida por seu marido, o pai de seus filhos. “Ele tornou-se um grande amigo”. Badida tem mais vivência em Recife do que em Fortaleza, sua terra natal. Adora a capital pernambucana. “Vim para Recife porque me casei e foi aqui que passei a acreditar em minha arte”. Quando chegou a Recife, em 1965, já havia feito a primeira exposição em Fortaleza. Mas foi aqui que sua carreira foi reconhecida. Certa vez, um crítico de arte chamado Walmir Ayala, deixou a artista ainda em começo de carreira, em momento de tensão. Ao examinar a obra de Badida, que esperava

ansiosa a resposta, ele disse que se ela parasse de pintar, isto seria um crime. Ela diz que esses minutos de análise do crítico ao seu trabalho, lhe pareciam cem anos. Dos prêmios conquistados ela registra um na Alemanha, o prêmio Salão Abril de Fortaleza, mas parece não querer ressaltar seus méritos. Prefere falar que as aulas que dá na Hobby Mania nas Graças, as deixa encantada e que tem alunos preciosos. Acrescenta ainda, que é necessário repassar as técnicas da pintura, mas que o forte em seu trabalho de mestra é a aula de criação artística, em que propõe temas e trechos de textos e poesias para que seus alunos explorem. Ela cita que certa vez numa exposição de belas artes viu uma série de quadros quase todos iguais e que não quer a repetição de temas. Prefere abrir oportunidades para novas criações e concepções dos seus alunos. É impossível conversar com Badida sem morrer de rir com as piadas que ela escuta em seu dia a dia e as coloca em um repertório vasto. Uma das que cita é a de Picasso. “Ele tinha uma amiga que chegou pra ele e disse: Picasso se eu fosse casada com você, eu colocava veneno em seu café da manhã e ele responde: e se eu fosse seu marido,

tomava.” Seu mestre foi Pierre Chalita. Refere-se a ele como um grande mestre que a decepcionou. “Eu fiz um quadro de uma mulher com olhar distante que ele disse que estava muito bom. Mas eu ainda não tinha terminado a obra. Eu quis fazer uma mulher que estava à procura de outros mares. Então coloquei um navio

em cima de sua cabeça. Meu mestre, ao ver a obra, colocou um X por sobre a tela. Aquele gesto me decepcionou. Deixou-me muito triste”. A relação de Badida com sua casa é incrível. É uma casa cenográfica, mas tem o aspecto do real. Esse cenário está em sua realidade, em seu cotidiano. Cada canto da casa de Badi-

da é uma surpresa. São personagens que habitam o ambiente de forma latente. “Faço instalações artísticas pela casa e amo quando elas são felizes. Adoro instalações. Cheguei a pintar uma casa que tive com portas e janelas com lápis de cor por causa de um poema. Pensei no poema de Cobra Norato que diz assim:


O Mirante de Olinda vou fazer minha casa aqui de porta azul bem clarinha pintada com lápis de cor. E então pintei”. Badida é doce e carinhosa. É perceptível o cuidado com os filhos e netos, seu carinho e dedicação são orgânicos, naturais. Pergunto sobre o que faz quando não está trabalhando. Ela diz que lê, que gosta de passar horas sentada em uma livraria pesquisando novos livros. “É quase uma loucura a minha relação com a leitura. Minha maior paixão é a literatura. Sem a palavra não dá”. Além da leitura gosta das redes sociais e está sempre no Facebook. “Lá tenho as pessoas por perto. Parece que estamos todos juntos. A internet é uma rua e podemos conversar com quem está pelo mundo afora”. Badida define-se mais como simbolista do que surrealista. “Não gosto da obviedade. Não sendo óbvia, sou simbolista”. Em relação à crítica de arte diz que tudo de-

pende da ótica do crítico, porque a arte é uma das coisas mais difíceis de se definir. A arte para ela só é arte, se despertar um sentimento de emoção a quem aprecia. Uma das coisas que ressalta é que o mercado das artes plásticas não é fácil, embora seja generoso com ela e que com sua aposentadoria, pode dar-se ao luxo de não vender seus quadros de forma indevida. Nossa conversa aconteceu no quarto da artista. Observei alguns sapatos dela pintados à mão, com dedos que parecem estar expostos. Ela diz que acha engraçado as pessoas pararem para conferir se os dedos são de verdade ou pintados. “Certa vez eu estava em uma lanchonete com o braço engessado. Coloquei um passarinho empalhado sobre o gesso. Eu pedi que trouxessem um hambúrguer e um prato de alpiste”. Esse espírito bem humorado foi herdado do tio Hildebrando que era genial e tinha humor que fugia à vulgaridade. Dentre os diversos ta-

lentos de Badida, um deles é tocar violão muito bem. Sambas, Bossa Nova e MPB são seu forte. “O violão foi comprado para a minha irmã, mas ela não desenvolveu. Minha mãe percebeu que eu tinha jeito e me colocou para estudar com um professor que vinha em casa, mas toco violão de ouvido”.

Essa artista cheia de dotes diz que gosta de viver a vida com inteligência e que queria ter mais tempo em vida para realizar mais coisas. Quando falamos das mulheres e o que elas tem feito, Badida afirma que estamos, nós mulheres, cada vez mais escoladas pelo bicho homem. As proibições dos homens nos permitem saber enga-

nar. “As mulheres são fabulosas”! Badida em sua juventude foi modelo da Rhodia, campeã de esqui aquático e Glamour Girl quando ainda morava no Ceará. Hoje é modelo de cidadania, genialidade e talento. E é em sua casa, que seu mundo mágico aflora em quadros e instalações.

Fotos: Daniela Câmara SERVIÇO:

Contato para aquisição de quadros da artista: (81) 9103-2402. Para fazer o curso de pintura de Badida, vide anúncio abaixo.


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Turismo

Olinda, agosto de 2011

Olinda: Fortalecendo o turismo Maurício Galvão

Secretário de turismo de Olinda

“Tenho mais de trinta anos na área de turismo. Comecei a trabalhar desde antes de me formar em engenharia”.

O MIRANTE : Há quanto tempo você assumiu a Secretaria de turismo de Olinda? Maurício Galvão: Assumi no início da gestão do Prefeito Renildo. Temos dois anos e meio de atuação na Prefeitura de Olinda, que anteriormente só tinha uma diretoria e não uma secretaria de turismo. Implantamos a Secretaria para estruturarmos melhor a nossa gestão. OM: O que a Secretaria de turismo tem feito por Olinda? MG: Em primeiro lugar, a secretaria interage com as outras secretarias, a fim de articular as

Arquivo: O Mirante de Olinda

O SECRETÁRIO DE TURISMO Mauríco Galvão fala sobre o trabalho em Olinda.


O Mirante de Olinda nativos conhecem bem a cidade. Esses meninos estão sendo estimulados a estudarem, para que possam ser guias profissionais e então poderem trabalhar de forma mais ampla. Vários desses meninos hoje falam outras línguas.

ações para então fazer um turismo de maneira estruturada, com organização, limpeza, logística, para que possamos ter uma cidade propícia ao turismo. Estamos implantando a revitalização do sítio histórico. Em Setembro teremos a obra do Alto da Sé concluída. Treinamos os ambulantes das barracas, para que possam ser pequenos empreendedores. Foram 60 dias de curso. O alto da Sé é o ponto turístico mais visitado do estado de Pernambuco. OM: Com relação orla de Olinda. O que a Prefeitura tem feito para melhorar e movimentar o acesso do turista à praia? MG: Olinda tem a maior orla da região metropolitana. São 9 KM de orla. Anteriormente, só eram utilizados 3,5 KM. Abriremos a orla até a ponte do Janga. Ainda terá a etapa do trecho do Del Chifre, que ficará para mais adiante, depois da conclusão dessa primeira etapa.

OM: Fale um pouco do trenzinho que tem circulado pelas ladeiras de Olinda:

Arquivo: O Mirante de Olinda

PONTOS DE INFORMAÇÃO TURÍSTICA: Um na Praça do Carmo (foto) e o outro nos Quatro Cantos. OM: Você é um empreendedor do turismo? MG: Sim, sou um dos sócios do Hotel Costeiro aqui em Olinda.

OM: O que você pode falar sobre a questão da violência urbana em Pernambuco. Sobre os aspectos que afastam o turista do nosso roteiro em suas OM: Desde quando viagens? você trabalha na área MG: O Governador do de turismo? estado, Eduardo CamMG: Tenho mais de trin- pos, tem tido sucesso ta anos na área de tu- com o novo sistema de rismo. Comecei a traba- segurança pública, que lhar desde antes de me retirou das manchetes formar em engenharia. de jornal as questões Meu primeiro empreen- de violência contra o tudimento nesta área foi rista. Um desses exema implantação de um al- plos é que no carnaval, não houve uma notícia bergue em Olinda.

de morte. Houve no carnaval uma redução de 30% da violência no estado. O CIATUR, (Companhia independente de apoio ao turista), tem vínculo com a polícia militar, que acompanha toda a segurança do sítio histórico.

OM: Como foi a implantação do trabalho dos meninos de Olinda, que são guias turísticos nativos da cidade?

MG: Há anos atrás, um religioso teve a boa ideia de treinar os meninos de OM: Como Olinda tra- Olinda. Só que eles não balha com o turismo e tiveram um acompacom o turista? nhamento devido. Eles cresceram e muitos se MG: Temos dois pontos desvirtuaram, formando de informação turística grupos distintos. Na gesna cidade. Um na Praça tão de Luciana criou-se do Carmo, que é do go- uma única associação. verno do estado e o ou- Depois o governo fedetro é o da Prefeitura, que ral criou a lei do turismo, fica nos Quatro Cantos. que regulamentou a proLá temos profissionais fissão de guia. Hoje eles treinados para receber são chamados de cono turista, mesmo que dutores nativos, porque ele não tenha chegado não tem ainda um aproà cidade através de uma fundamento para serem agência de turismo. guias, mas por serem

MG: Foi uma licitação. Fechamos contrato com o trenzinho do Mirabilândia. Somos o primeiro município vriar um transporte turístico desta natureza. São duas opções de passeio, sendo uma mais simples que custa R$ 7,00 e outra de R$ 15,00. Esta última oferece um passaporte que dá livre acesso ao trem em qualquer ponto da cidade alta naquela data do passeio. O turista recebe um passaporte que dá essa mobilidade. OM: Quais são as paradas turísticas que o trem percorre? MG: O trem sai do Carmo. As paradas são as seguintes: Praça Laura Nigro (perto do Mercado da Ribeira), Prefeitura, Praça de São Pedro, Quatro Cantos, Rua do Amparo, Alto da Sé (em frente à Academia Santa Gertrudes), Igreja da Sé e finalmente, em frente à Igreja de São Francisco.


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Olinda, agosto de 2011

Um pesquisador da

de Recife é mais plana, porque sofreu as influências holandesas, enquanto que Olinda tem sua arquitetura mais caracterizada pelas construções portuguesas”.

nossa história Daniela Câmara

Marcelo Lins é his- do historiador e jornatoriador formado pela UFPE e trabalha como pesquisador em projetos desde 2002. Trabalhou com Ulisses Pernambucano de Mello Neto e com a historiadora Virgínia Pernambucano, no levantamento arqueoló-

lista Leonardo Dantas, “Pernambuco Preservado” e “Os holandeses em Pernambuco”. Lins será nosso colunista a partir da segunda edição deste impresso, vindo contribuir com o resgate histórico da ci-

gico e histórico de Vila dade patrimônio e estiVelha em Itamaracá. mular nossos leitores a Desenvolveu um traba- passearem pela história lho como pesquisador da cidade. A história de para os livros de autoria Olinda será contada des-

de o princípio, fazendo um paralelo entre a história de dentro da cidade e do que veio de fora influenciar sua formação histórica, a exemplo de Recife, que tem a história atrelada a de Olinda, porque as duas cidades

já andaram juntas, mas têm ambiências diferentes em suas características arquitetônicas. “As duas cidades sofrem influência das culturas portuguesa e holandesa, mas a formação urbana

Atualmente, Marcelo está trabalhando junto a Leonardo Dantas, em pesquisa acerca do trabalho do artista plástico Vicente do Rêgo Monteiro. O historiador que estará conosco a partir da nossa segunda edição, é autor do livro “Mercados do Recife” publicado em 2007.

“Olinda, cidade heróica, Monumento da velha geração. Olinda, serás eterna e eternamente Viverás em meu coração”.

Capiba

Foto: Nando Chiappetta


O Mirante de Olinda

Foto: Nando Chiappetta

te estou estagiando na Assessoria de Comunicação e Marketing do Sesc Pernambuco. Bruno Souza Interesso-me por assunchefe desse periódico, tos que envolvam liteDaniela Câmara, que, ratura, música, cinema com seu talento, docili- e redes sociais. Tenho dade e profissionalismo perfil em todas elas. Fa(de primeira), ofereceu- cebook, Twitter, Orkut me este espaço de crô- e Blogs e não consinicas para que eu dialo- go passar um dia sem gasse e partilhasse da postar, twitar, comentar minha experiência de ou curtir alguma coisa viver nesta cidade linda nelas - sem dúvida as e encantadora. redes sociais reconfiguPor se tratar de estreia, raram a maneira como acho bom me apresen- nos relacionamos com tar. Sou Bruno Souza, as pessoas e o mundo. tenho 20 anos, estudo Porém, deixando de jornalismo e atualmen- lado a pós-modernida-

Vida Longa Ao som de Chico Buarque – “Seu padre, toca o sino/ Que é pra todo mundo saber/ Que a noite é criança/ Que o samba é menino/ Que a dor é tão velha/ Que pode morrer/ Olê, olê, olê, olá” – escrevo minha primeira crônica (de muitas que virão) para o Jornal O Mirante de Olinda. O convite para participar desse projeto partiu da minha amiga de profissão e editora-

de e todos os aparatos tecnológicos desta nova era, em que estamos vivendo e nos adaptando, gostaria de parabenizar toda a equipe do Mirante de Olinda, pela bela e ousada iniciativa de colocar nas ruas do Sítio Histórico olindense esse jornal que enaltece e, ao mesmo tempo, valoriza o que o município tem de melhor para oferecer, conhecer e ver. Que me perdoem as más línguas, também nem quero bancar o defensor dos órgãos municipais, mas é muito fácil criticar e apontar com

o dedinho indicador os inúmeros problemas que a cidade enfrenta. Difícil mesmo é enxergar além dessas dificuldades e propor ideias, assim como esta, que visam promover positivamente a imagem de Olinda. Desejo vida longa a esse veículo e, mais ainda, espero que a partir dele surjam iniciativas tão boas quanto esta, pois amo Olinda. Aqui nasci, cresci, fiz bons amigos, aprendi a ler, escrever e amar. E aqui pretendo passar o resto dos meus dias, vivendo e amando.


O Mirante entrevista:

RUBEN GRUNPETER

O Chef de cozinha e consultor em gastronomia, Ruben Grunpeter, desenvolve um trabalho em gastronomia experimental. Nessa entrevista vamos ver como funcionam as releituras de pratos clássicos por esse chef e a proposta de se degustar um cardápio que não é repetitivo. O MIRANTE: Fale do conceito de cozinha de bolso e da cozinha experimental que você desenvolve: RUBEN GRUNPETER: Gosto da ideia de se provar algo novo. É interessante essa coisa de trocar sempre as opções de pratos em um restaurante. Nada como surpreender o cliente com um cardápio mutante e delicioso, com adaptação de grandes pratos já conhecidos. OM: Qual a sua formação em gastronomia? RG: Sou autodidata e tenho formação em comunicação social. Minha família é de cozinheiros. Sempre observei minha mãe e minha avó cozinhando. Minha grande paixão é a gastronomia e o futebol. OM: Quando iniciou sua carreira e há quanto tempo trabalha com gastronomia? RG: Tenho 33 anos de carreira e comecei por acaso na gastronomia. Trabalhei

em um hotel em Eilat (fronteira do Egito), na função de carregador de malas e por imposição superior, tive que prestar serviços na cozinha. Então comecei aí minha trajetória. Comecei descascando cebolas e batatas, fui auxiliar de cozinha, até finalmente chegar ao fogão e trabalhar como chef. OM: Onde você já trabalhou como chef? RG: Burburinho, La Prensa, esfera 7, Abracadabra, Arauak, London Pub e em alguns restaurantes europeus. Hoje prefiro trabalhar como consultor em gestão de criação de pratos e cardápios, embora eu ame a cozinha. OM: Qual o seu estilo em culinária? RG: Sou um estudioso e gosto de adaptar os pratos. Gosto de aprender e depois criar fazendo uma releitura do que já foi criado. Costumo dizer que olho o mercado através da janela da cozinha. Meu estilo é bem

“ Costumo dizer que olho o mercado através da janela da cozinha”. diferenciado e em meu cardápio sempre disponho de uma opção sem carne e mais três com carnes variadas. Sempre costumo fazer aquela pergunta da música do Titãs. “Você tem fome de quê”? OM: O que você gosta de cozinhar? RG: Sou apaixonado pela cozinha italiana. Preparo um sugo que passa 5 horas cozinhando. Gosto de fazer

Ragú Gnochi e Gulash, que é um prato húngaro que me remete à infância. Mas até o Gulash é feito em releitura do preparo original. OM: O que você gosta de comer? RG: A feijoada da Luciana, minha namorada, pão francês com galeto, um bom feijão com arroz e bife. Gosto de pizzas e da comida que eu faço. OM: Quais são as novas

tendências em gastronomia? RG: Cozinhar sem sal é um novo conceito e muito bem vindo, porque há pessoas que nem imaginam ser hipertensas. É um conceito novo e mais saudável. Outra nova tendência é também a “Nouveille couisine pernambucana” (Nova cozinha pernambucana). OM: O que você tem sempre em sua cozinha? RG: Azeite, pimenta calabresa, alho, cebola, cenoura e vinagre balsâmico. OM: Para você o que é ser um grande chef? RG: É encarar a gastronomia como ofício e só depois disso, fazer dela uma arte. O chef tem que em primeiro lugar compreender sua comida, sua equipe e sua clientela. Tem que ter a sorte de cair na boca das pessoas e ser personagem da mídia, para poder se dar bem. Já o consultor tem o compromisso com a realidade do lugar e das circunstâncias desse lugar.


O Mirante de Olinda

01 de Agosto é o dia estadual do maracatu

O maracatu é um ritmo que tornou-se um símbolo de resistência racial e cultural.

Edição / Diagramação Emanuel Sacramento Jornalista / Redação Daniela Câmara Desenvolvimento / Arte Saulo de Tarso

fias, além de oficinas e participação de vários grupos de maracatu. Os participantes deste ano foram: Leão Coroado, Maracatudo Camaleão, Maracambuco, Badia, Estrela de Olinda, Axé da Lua, Nação de Luanda e alguns grupos

Fotografia Nando Chiappetta Historiador Marcelo Lins Cronista Bruno Souza

CNPJ 13.992.630/0001-31

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Colaboração

Como diz a letra da música de Jorge Du Peixe, o peso e rufar dos tambores do maracatu são extremamente contagiantes. Mais contagian-

te ainda foi o encontro que celebrou essa manifestação cultural. 01 de Agosto é o dia estadual do maracatu. A comemoração se deu em formato de evento recheado de palestras, rodas de diálogo, solenidade e exposição de fotogra-

Expediente

“Meu maracatu pesa uma tonelada”.

de batuques e batucadas. As culminâncias do evento se deram no auditório da AESO, na Rua de São Bento em Olinda. Esse tipo de iniciativa que uniu cultura, educação e lazer, vem resgatar a força de nossa cultura e do folclore

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de Pernambuco. O maracatu é um ritmo que tornou-se um símbolo de resistência racial e cultural. Esse evento foi comemorado na data de nascimento do mestre Luiz de França, que nasceu no dia 01 de Agosto.

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O Mirantede Olinda - Edição nº 1