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or que o título deste livro?

Presidente do Conselho Administrativo da Kurika Seleta Ambiental S/A

Fale com o Shapiro: shapiro@shapiro.com.br

“Abraham Shapiro é um profissional que conseguiu fazer do coaching uma arte atraente, útil e funcional. Sua forma de atuar é inteligente e provocante, ajudando as pessoas a alcançarem resultados efetivos. Seu livro, Torta de chocolate não mata a fome, é um convite a todo ser humano para dar o real valor à vida, às conquistas e ao esforço. Na minha visão, Shapiro é um filósofo do esforço. Ele acredita no esforço e nos frutos que ele proporciona. Consegue transmitir e convencer, de modo claro e simples, ideias complexas e profundas. É um livro para matar a fome da alma.”

“O nome ‘Shapiro’ vem do aramaico antigo e um de seus significados é ‘belo’. Esta palavra sintetiza o meu sentimento sincero em relação ao primeiro livro de Abraham Shapiro, Torta de chocolate não mata a fome. Amigos por quase duas décadas, com muitas passagens interessantes – todas com bastante otimismo –, admiro sua forma de trabalho, inteligência, dedicação e entusiasmo contagiante. Após a leitura, tenho absoluta certeza de que esta obra é o princípio de uma série de sucessos que abrilhantará o conhecimento e a vida de muitas pessoas. Desejo inspiração a todos os que terão o mesmo privilégio que eu tive em lê-lo.”

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9 788564 01350 6

braham Shapiro é engenheiro, psicólogo, estudioso de modelos de gestão, marketing e vendas. É reconhecido como influente consultor e como coach de empresários e de líderes corporativos das maiores e melhores empresas do país. Tem destaque nas funções de aconselhamento e de orientação à alta administração, além da atividade de desenvolvimento de competências de liderança. Ministra treinamentos profissionais de impacto nas áreas de Psicologia de Vendas, Comportamento, Gestão e Desenvolvimento de Pessoas. Como palestrante, faz questão de não ser showman, pois prima, apaixonadamente, pelo conteúdo e por ajudar as pessoas a transformar conhecimento em vivências práticas. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é “simplicidade”. É articulista do Portal HSM Management, do jornal Folha de Londrina, de O Diário de Maringá e de vários órgãos nacionais e internacionais de imprensa. É comentarista de negócios da Rádio CBN (Londrina e Maringá) no boletim “Profissão Atitude”. Publica boletins diários no blog de mesmo nome (www. profissaoatitude.com.br) que conta com mais de 8 mil visitas diárias e 42 mil assinantes em todo o mundo.

ISBN 978-85-64013-50-6

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“Torta de chocolate não mata a fome é um livro sobre a prudência e a atitude aplicadas ao dia a dia. Cativante e inspirador, é um verdadeiro manual de soluções simples para as dificuldades, um aviso para se valorizar o que realmente é importante na vida.”

Este é um livro sobre a verdadeira motivação. Mais do que isso, é um livro sobre o nascer da motivação no interior do ser humano. Todas as escolhas que fazemos sem um nítido e conhecido propósito acabam proporcionando satisfação momentânea. Não suprem, de fato, as nossas necessidades reais. Sem um objetivo, não é possível chegar a qualquer meta. O conforto característico de nosso tempo tem uma influência nociva sobre muitos de nós. Quase tudo na vida moderna – do conceito de beleza aos relacionamentos sociais – passou a ser visto pelo prisma do imediatismo. Entretanto, nossas maiores necessidades requerem tempo, muito mais tempo do que os três minutos que o atendimento em uma lanchonete fast food leva. Há um engano, no senso comum, de que todos os problemas da vida estarão resolvidos com mais dinheiro, com um manequim menor ou com um guarda-roupa cheio de peças de grife. Torta de chocolate não mata a fome contém segredos que se tornarão verdades incontestáveis para todos aqueles que se dedicarem a ler e a refletir sobre seus temas de simples e fácil compreensão.


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Inspirações para a vida, o trabalho e os relacionamentos

Abraham Shapiro


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proibida reprodução Aos que preenchem o vazio do tempo com um conteúdo de vida e um propósito... Aos que lutam para viver, movidos pela convicção de que o esforço compensa... Aos que aprenderam que retornar ao princípio e percorrer o caminho novamente não é um demérito, mas desenvolvimento, pois o valor de todas essas coisas é inestimável e eterno.

“Somos todos prisioneiros. Mas estamos sentados sobre as chaves”. Rabi Menachem Mendel Schneerson – O Rebe


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Sumário Apresentação........................................................................................... 15 Prefácio.................................................................................................... 17 Uma palavra............................................................................................. 19 No princípio…......................................................................................... 21 Chama interior........................................................................................ 29 Valor........................................................................................................ 30 Falar mentiras.......................................................................................... 31

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A intenção por trás das ações.................................................................. 32 Apresentar uma ideia.............................................................................. 33 A alegria de viver.................................................................................... 34 Você sempre tem razão sobre si mesmo................................................. 35 Medida por medida.................................................................................. 36 O flecheiro talentoso............................................................................... 37 Onde está a motivação............................................................................. 38 Tudo tem o seu lugar............................................................................... 39 Não pense pelos outros............................................................................ 40 Dinheiro de pinga.................................................................................... 41 Boa comunicação..................................................................................... 42 Ouse ser o que você sempre quis............................................................. 43 Sem fundamento...................................................................................... 44 Profissionais diplomados......................................................................... 45 Nada de culpa.......................................................................................... 46 Ansiedade. Cuide disso!........................................................................... 47 Ouvir é entender .................................................................................... 48 O peixe assado e o bom profissional........................................................ 49 Como ser vendedor.................................................................................. 50 Repressão não!......................................................................................... 51

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A prática... sempre a prática.................................................................... 52 Crer e ter fé: a diferença.......................................................................... 53 Conselhos de Bill Gates........................................................................... 54 Não dependa da memória........................................................................ 55 Tenha e mantenha consciência .............................................................. 56 Não julgue pela aparência....................................................................... 57 Na profissão errada.................................................................................. 58 Resolver problemas................................................................................. 59 O melhor uso do tempo........................................................................... 60 Um bom papo faz bem............................................................................. 61 Quem é bom parceiro?............................................................................ 62

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Ousadia ajuda .......................................................................................... 63 Nem tudo o que brilha é ouro................................................................. 64 Se prometer, cumpra............................................................................... 65 8

Deu na Forbes.......................................................................................... 66 Bom-senso e bom humor......................................................................... 67 As pessoas querem atendimento............................................................. 68 A cigarra e a formiga............................................................................... 69 Ninguém vai longe só com pensamento positivo................................... 70 Antigo e velho......................................................................................... 71 Na entrevista de emprego........................................................................ 72 Simplesmente aja!.................................................................................... 73 Em busca da grandeza............................................................................. 74 Palestras de motivação............................................................................ 75 Exigências em excesso............................................................................. 76 Problemas que não existem..................................................................... 77 O que você anda falando?........................................................................ 78 Quem diz ser ético................................................................................... 79 A voz interior.......................................................................................... 80 Parada para a reflexão.............................................................................. 81


Lições dos feirantes.................................................................................. 82 Cuide do que você pensa......................................................................... 83 As percepções de cada um....................................................................... 84 Torne-se insubstituível............................................................................ 85 Limpe seu pensamento dos pressupostos maus....................................... 86 A responsabilidade é que muda .............................................................. 87 Sua agenda pessoal................................................................................... 88 Mágoa: um pacote difícil de carregar...................................................... 89 Depende de você...................................................................................... 90 Quem entra no jogo tem que saber jogar................................................ 91 O poder de uma iniciativa....................................................................... 92

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Estratégia em defesa própria................................................................... 93 Estou cansado.......................................................................................... 94

Sociedades de negócios............................................................................ 95 Persistência.............................................................................................. 96 O galo e os ladrões................................................................................... 97 Confiança demais..................................................................................... 98 Sonhos bastam?........................................................................................ 99 Fazer é a questão.................................................................................... 100 O céu e o inferno................................................................................... 101 Tempo de despertar............................................................................... 102 Beleza..................................................................................................... 103 Procrastinar........................................................................................... 104 Duas palavras......................................................................................... 105 Loucura.................................................................................................. 106 E haja lixo ............................................................................................. 107 A nova liderança.................................................................................... 108 Mulheres................................................................................................ 109 Senso comum......................................................................................... 110

Lei da promoção versus incompetência................................................ 111

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Sucesso e felicidade: de que dependem?............................................... 112 O campeão............................................................................................. 113 Gritos..................................................................................................... 114 O poder da sabedoria ancestral............................................................. 115 Renuncie às perdas................................................................................ 116 Mude de canal........................................................................................ 117 O homem que perdeu o emprego.......................................................... 118 A batalha de cada dia............................................................................. 119 A farsa do trabalho duro........................................................................ 120 Não faça piada do seu chefe.................................................................. 121 Comporte-se!......................................................................................... 122

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O táxi do Genaro................................................................................... 123 Lições do Vampeta no Flamengo.......................................................... 124 Ouça antes de agir................................................................................. 125 10

O que você escreveu?............................................................................ 126 Nada mais que a verdade....................................................................... 127 Quem venceu?....................................................................................... 128 Seleção................................................................................................... 129 Como você chegou a este degrau?......................................................... 130 Tomar conselhos.................................................................................... 131 Tempo elástico....................................................................................... 132 Como vai você?...................................................................................... 133 A dor da inveja...................................................................................... 134 O que eu ganho com isso?..................................................................... 135 O que é a amizade?................................................................................ 136 Ser livre.................................................................................................. 137 Fazer a sua parte.................................................................................... 138 Ambição: tempero importante.............................................................. 139 Sua aparência é importante................................................................... 140 O que é fácil é chato.............................................................................. 141


Final e reinício: a dinâmica dos ciclos.................................................. 142 Compulsão de consumo......................................................................... 143 Quem é corajoso?................................................................................... 144 Bom é o que a gente tem....................................................................... 145 O pesadelo do rei................................................................................... 146 O modo correto de viver o presente..................................................... 147 Ressentimentos...................................................................................... 148 Coerência............................................................................................... 149 Assuma o seu dever............................................................................... 150 O descobridor........................................................................................ 151 Para frente e para o alto........................................................................ 152

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Cuidado com o vale tudo....................................................................... 153 Não peça aumento de salário................................................................. 154 Use de todos recursos para lembrar ..................................................... 155 O terceiro amigo.................................................................................... 156 Grupo ou equipe?.................................................................................. 157 Escrever bem......................................................................................... 158 Audição versus interesse....................................................................... 159 O seu papel............................................................................................ 160 Mude a atitude....................................................................................... 161 Somos o que pensamos ser..................................................................... 162 Muitos, muitos problemas..................................................................... 163 Futebol também é sabedoria................................................................. 164 Tia Rivka................................................................................................ 165 O arquiteto............................................................................................. 166 Os donos do mundo............................................................................... 167 O labirinto............................................................................................. 168 Inovações............................................................................................... 169 Uma missão comum a todos.................................................................. 170 O quebrador de pedras.......................................................................... 171

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Quem está no comando?....................................................................... 172 Parar de vez em quando faz bem.......................................................... 173 Apostam em você?................................................................................. 174 Manter-se ligado.................................................................................... 175 O poder da expressão............................................................................. 176 Respeite a privacidade........................................................................... 177 Estudar não é ir à escola........................................................................ 178 Hospitalidade......................................................................................... 179 Preguiça................................................................................................. 180 Você sabe tudo?..................................................................................... 181 Preocupações......................................................................................... 182

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Esquecimento........................................................................................ 183 Não desprezar pessoa alguma................................................................ 184 Autopiedade........................................................................................... 185 12

Tempo na internet................................................................................. 186 Adulação é falsidade.............................................................................. 187 O lado bom da cobiça............................................................................ 188 Respeito pelas pessoas........................................................................... 189 Dívidas................................................................................................... 190 Todos erram........................................................................................... 191 Levar vantagem em tudo....................................................................... 192 Educando os filhos................................................................................. 193 Ajude a ajudar........................................................................................ 194 O outro................................................................................................... 195 Semeadura.............................................................................................. 196 Decisões................................................................................................. 197 Um segredo............................................................................................ 198 Falta de trabalhar e de ouvir................................................................. 199 Ter foco.................................................................................................. 200 Não viva de passado............................................................................... 201


Você quer segurança?............................................................................ 202 Boa educação......................................................................................... 203 Bondade é uma receita para todos......................................................... 204 O furioso na pizzaria............................................................................. 205 Pessoa sincera........................................................................................ 206 Reativo ou proativo?.............................................................................. 207 Índole..................................................................................................... 208 Um futuro melhor................................................................................. 209 O machado do lenhador e a vida........................................................... 210 A sogra e a técnica de resolver problemas............................................ 211 Podre de rico.......................................................................................... 212

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Acidente e consciência.......................................................................... 213

Ano novo, calendário novo................................................................... 214 O sucesso de um grande projeto............................................................ 215 Como recomeçar?.................................................................................. 216 Em busca do culpado............................................................................. 217

Lobo em pele de cordeiro...................................................................... 218 O custo da ignorância............................................................................ 219 Desculpas............................................................................................... 220 Tudo é relativo....................................................................................... 221 Não troque o seu pacote........................................................................ 222 Críticas................................................................................................... 223 Mudar de emprego?............................................................................... 224 Nada de gambiarra................................................................................. 225 A doença do rei...................................................................................... 226 Precisa-se de todos................................................................................ 227 Saber onde encontrar............................................................................ 228 Iniciativa certa....................................................................................... 229 Iniciativa errada..................................................................................... 230 O diamante riscado................................................................................ 231

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Não vá com o freio de mão puxado....................................................... 232 Perguntas que definem.......................................................................... 233 A projeção das mulheres....................................................................... 234 Protagonista........................................................................................... 235 Pressão no trânsito funciona?............................................................... 236 Relacionamentos................................................................................... 237 Prestar ajuda.......................................................................................... 238 Presentes de verdade............................................................................. 239 Como dizer “não”................................................................................... 240 Fácil, difícil, simples e complexo.......................................................... 241 Ninguém é obrigado a ir à praia............................................................ 242

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Os idosos na sociedade.......................................................................... 243 O livre arbítrio....................................................................................... 244 Todo problema parece mau................................................................... 245 14

Resultado............................................................................................... 246 Um aperto de mãos................................................................................ 247 Não aja com raiva.................................................................................. 248 Você faz parte do projeto...................................................................... 249 Pior que um furacão.............................................................................. 250 Credibilidade......................................................................................... 251 A vida é como uma montanha.............................................................. 252 Perguntas............................................................................................... 253 Um desafio real ..................................................................................... 254 Paciência – 1 ......................................................................................... 255 Paciência – 2.......................................................................................... 256 Elogiar faz bem...................................................................................... 257 As crises e a grandeza do homem.......................................................... 258


Apresentação Conheci Abraham Shapiro quando assumi a responsabilidade pela Direção de Recursos Humanos da Nestlé do Brasil, em 2003. Foi um dos primeiros consultores com quem tive a oportunidade de discutir a proposta de trabalho que eu estava ainda desenhando. Desde aqueles primeiros momentos, ficou claro para mim que estava diante de uma dessas raras pessoas que têm a capacidade de acumular uma vasta sabedoria sem perder a simplicidade e a maneira direta de tratar dos assuntos mais complexos no campo das relações humanas. A proposta que Abraham faz neste livro está intimamente ligada ao modo que ele tem adotado nos processos de coaching nesse mundo corporativo: um processo direto, franco, aberto, sem rodeios. E neste livro eu pude “reencontrar” o meu amigo fazendo exatamente isso com o leitor: orientação baseada num processo de comunicação que não deixa dúvidas, mesmo em assuntos cuja complexidade seria suficiente para escrever um verdadeiro tratado. O livro, cuja leitura é altamente prazerosa por sua total aplicabilidade, nos mostra que nossos processos de autocompensação podem e devem ser melhor trabalhados ao buscarmos, no íntimo de nós mesmos, o Ser Humano completo, o indivíduo, o indivisível, em todas as atitudes diárias. Não adianta somente mitigar. Os paliativos não resolvem as causas e fazem com que a verdade dura, os nossos “fantasmas interiores”, apareçam vez por outra para nos lembrar que uma mudança maior é necessária. Uma mudança que só tem sentido se começar de dentro para fora. É necessária uma nova atitude, cujo resultado será uma convivência mais pacífica com nossas próprias escolhas. Torta de chocolate não mata a fome, livro cheio de aconselhamentos verdadeiros sobre dificuldades que nos podem surgir em diferentes épocas da vida, pode ser a chave que abre a porta dessa mudança completa. Ao tratar de variados aspectos da convivência humana, seja no mundo profissional, em família, com os amigos e colegas, Abraham Shapiro não deixa dúvida de que viver melhor é totalmente possível e não é tão difícil quanto se pode imaginar. É uma questão de querer, mesmo. E persistir!

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Mais uma vez, Shapiro consegue transmitir de uma forma simples, prática e honesta alguns relevantes aspectos da sabedoria que ele continua a acumular. Estou seguro de que você, leitor ou leitora, vai se identificar com algumas das páginas a seguir. Tomara que elas lhe signifiquem um recomeço muito positivo, exatamente do jeito que o autor lhe deseja.

João Batista Dornellas

V.P. de Recursos Humanos e Comunicação Corporativa da Nestlé do Brasil

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Prefácio Um sábio chega a uma cidade e vê três trabalhadores carregando pedras. Aproxima-se de um deles e pergunta: – Por que o senhor carrega essas pedras? – Eu, meu senhor, carrego essas pedras pois é o único trabalho que encontrei nessa cidade. Aproxima-se, então, de outro trabalhador e repete a pergunta. Como resposta ele ouve: – Eu carrego essas pedras porque, ao final do dia, ganharei umas boas moedas, e, com elas, poderei prover alimento para a minha família. O sábio, sempre ávido por entender o comportamento humano, aproxima-se do terceiro trabalhador e faz a mesma pergunta. Eis, então, que este trabalhador responde: – Eu, meu senhor, carrego essas pedras pois estou ajudando a construir a mais bela catedral desse país. Em Torta de chocolate não mata a fome, Abraham Shapiro ajuda-nos a refletir sobre a dimensão da nossa vivência – ou carregadores de pedras ou construtores de catedral, como a fábula nos demonstra. No livro, contos, sabedorias, humor e reflexões desembocam em conselhos práticos, simples e aplicáveis para o desenvolvimento pessoal. E, por falar em simples, algum de nós seria capaz de se esquecer dos deliciosos bolinhos de chuva que nossas avós ou mães faziam em nossa infância? Simples, alimentavam nossa alma; de tão carregados de afeto que eram, fortaleciam a nossa autoconfiança, sem que soubéssemos dessa preciosidade. Remeto-me a essa deliciosa lembrança para ressaltar a diferente “proposta gastronômica” que esse livro propicia à alma e ao intelecto, e, novamente, ressalto a riqueza da simplicidade dessa obra. Nós podemos até conhecer parte dos relatos perfeitamente reunidos por Shapiro, mas será que já saboreamos todo o conteúdo? Melhor, será que conseguimos aplicar esse conteúdo em prol de nosso próprio desenvolvimento pessoal ou do desenvolvimento de pessoas pelas quais somos responsáveis? Na medida em que leio um livro e quero compartilhá-lo com as pessoas que amo, aí está a minha resposta sobre o apreço à obra. Esse foi o meu sentimento durante a leitura de Torta de chocolate não mata a fome. Abraham Shapiro remete-se a seu mentor, Rav Fishman, recordando-se de que “Um sábio, que se enquadrava em todas as definições e práticas já descritas so-

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bre a sabedoria, comunicava pensamentos com ordem enciclopédica e profunda expressão. Sua fluência e lógica eram raríssimas entre pessoas comuns, sem que jamais deixasse de ser sensível em nenhum momento”. Muitas dessas palavras eu atribuo às próprias competências do autor. Conheci Shapiro numa situação daquelas em que, por pura ignorância, não se encontra uma solução. Eu tinha recém-formado o time de diretoria de uma empresa, sediada no Brasil, cujos donos eram de Israel. Responsável pela gestão do clima organizacional, rapidamente percebi que os executivos do Brasil e os de Israel tinham dificuldades de comunicação, embora todos fossem fluentes no inglês – língua oficial entre eles. Sabia que encontraria em Shapiro alguma luz, por ser ele um judeu religioso e profissional de rara cultura geral. Eu buscava algum entendimento sobre a cultura que ignorávamos e que poderia melhorar a comunicação, até então, limitada entre os executivos nacionais e estrangeiros. O que eu não podia imaginar era o encontro com alguém disposto a colaborar efetivamente para o esclarecimento e o desenvolvimento das pessoas. Além de preparar um maravilhoso curso sobre a cultura judaica, ele nos agraciou com um almoço típico, que materializou um daqueles momentos inesquecíveis da vida. O curso tornou-se tema obrigatório para todos os líderes da empresa, e eu tive a oportunidade de conhecer outros trabalhos de Shapiro que comprovam o seu modo de viver, relatado nas seguintes passagens desse livro: “(...) eu encontrei um modo profícuo e real de viver com respeito e valor – um contraste visível com a maneira ‘normal’ como as pessoas vivem nos dias de hoje. Talvez nem estejam vivendo, mas apenas existindo!”; “(...) Viver uma vida com significado e propósito, a começar por minhas decisões e escolhas”. Alguém que se propõe a escrever um livro repleto de conselhos práticos está em seu tempo de colheita. Todos temos o tempo de receber e o tempo de devolver. Este é um livro para aqueles interessados em partilhar, com Shapiro, a sobremesa da vida no recheio de suas vivências, seus estudos, suas constatações e experiências, servidos todos de forma leve, simples, rica e prazerosa!

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Conselho prático: Leia e desfrute! Vera Lucia Paiotti

Coach Sênior Diretora da VP Empresas Coaching & RH Estratégico


proibida reprodução Uma palavra Se você toma este livro como um passatempo, muito pouco será alcançado daquilo que nele há. Mas se existir de sua parte algum interesse em fazer uma análise racional e não tendenciosa sobre as ideias e os conceitos que nele apresentarei, certamente ser-lhe-á aberta uma visão clara a respeito de cada ponto, e você poderá tomar resoluções importantes que, provavelmente, não adotaria de outro modo.

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No princípio… Eu não imaginava que minha ida a Nova Iorque consolidaria as grandes e profundas mudanças que haviam começado em minha vida anos atrás. Fazia calor naquela manhã de junho quando cheguei. A magia da cidade encantava-me. Não sei explicar por que tenho pela Big Apple uma sensação convicta de terra natal. Meu destino era a Lee Street. O rabino Fishman dividiria comigo os três cômodos do pequeno apartamento no terceiro andar de um antigo prédio. Iguais àquele, havia centenas de prédios compartilhando da mesma arquitetura em Williamsburg – área do Brooklyn onde quase 100% dos habitantes são judeus ortodoxos. Ali eu passaria um tempo estudando. Conhecera o Rabino Pinchas Fishman oito anos antes, como magarefe1 responsável por uma equipe de profissionais religiosos que cuidava da exportação de carnes bovinas do Brasil para Israel, em conformidade às leis judaicas. No frigorífico, ele sofrera um acidente de trabalho que resultara em uma fratura do fêmur direito. Obrigado a se imobilizar e a guardar repouso, propôs-se a me ensinar a Torá e o Talmude. Eu o chamava simplesmente de Rav desde então. Aquele foi um tempo que se converteu no alicerce sobre o qual edifiquei convicções, valores e crenças essenciais para a minha vida. Um verdadeiro marco. Rav Fishman era paciente e compassivo, um sábio que se enquadrava em todas as definições e práticas já descritas sobre a sabedoria. Comunicava pensamentos com ordem enciclopédica e profunda expressão. Sua fluência e sua lógica eram raríssimas entre pessoas comuns, sem que jamais deixasse de ser sensível em nenhum momento. Suas palavras surgiam com precisão brilhante. Tudo se encaixava em uma sequência ininterrupta de ideias, como no projeto de uma obra monumental. Ele persuadia com delicadeza e talento. Chegava ao objetivo de cada ensinamento com a velocidade e a precisão de uma flecha lançada ao alvo. Jamais o vi cansado de ensinar. E, como autêntico mestre, respeitava meu ritmo e minhas limitações – que eram, e continuam sendo, muitas. A grandeza e elevação com que pautava cada um de nossos encontros faziam dele um presente precioso da Vida para a minha vida.

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Magarefe: indivíduo que abate e esfola as reses nos matadouros; açougueiro.

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Eu necessitava realmente de tudo o que recebia dele, e já tinha alguma consciência disso. Devo confessar que, desde o primeiro instante, me vi como receptor de um legado que um dia teria de dividir com o mundo em retribuição ao bem que ele continha. Não me cabia o direito de retê-lo somente para mim. Certo dia, Rav disse-me: “Não só de pão vive o homem, mas de tudo o que provém da boca de Deus”. Jamais esquecerei a força dessa expressão, nem deixarei de lembrar o tom com que foi verbalizada. Eu a ouvia pela primeira vez. Passávamos horas sentados junto a uma grande mesa na sala de jantar, separada da cozinha por uma cortina de pano fino, estampada por flores. Ali, comíamos e estudávamos. Sentado em uma cadeira de rodas, dali mesmo o Rav orientava a cozinheira no preparo de um prato de fígado de boi com azeitonas pretas e berinjela, enquanto me dava explicações das leis de combinação e vistoria de alimentos. Carne e leite são proibidos de serem consumidos na mesma refeição. Após lavada, uma folha de alface deve ser verificada contra a luz a fim de que se busquem pequenos insetos ou seus minúsculos ovos escondidos em suas rugas. Um ovo de galinha deve ser visto contra a luz como forma de verificar a presença de mancha de sangue sobre a gema, algo que pode torná-lo não apropriado para ingestão, conforme a dieta israelita. São muitos os detalhes milenares de cuidados e regras transmitidos de geração para geração. Todos eles com vistas a fazer-nos saber que “somos o que comemos”, entre outros princípios de imenso valor e discernimento. Um aroma delicioso enchia o ambiente e aumentava a minha fome naquela manhã, próximo ao meio-dia. Após lavarmos as mãos do modo ritual, abençoamos o pão e o mergulhamos três vezes no sal. Nesse momento, nenhuma palavra era permitida além das bênçãos em hebraico. Um momento solene! Após comermos o primeiro bocado do pão, um prato de salada e um outro com o fígado foram servidos para cada um. Rav Fishman então começou a dizer: “Quase todos os animais suportam uma dieta simples e fixa. O homem, não. Nós necessitamos de, e até exigimos, uma variedade alimentar. Isso é interessante, pois pão e água seriam uma boa e suficiente alimentação. Mas uma dieta assim é praticamente inconcebível por qualquer pessoa em condições normais de vida. Comidas finas, tortas, frios e outras delícias encantam todo mundo. A culinária, aliás, é um diferencial de cultura entre os povos e está presente em suas religiões, rituais e crenças”. “Os sábios da Cabala – a mística judaica – ensinaram que essa atração natural pela variedade de alimentos revela o fato de sermos interiormente movidos por

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uma energia espiritual cuja função é conduzir nossos desejos a pensamentos e atos tão refinados quanto variados”. “Mas não é só nisso que somos diferentes dos animais. Além de nossa capacidade de falar, de expressar nossos mais profundos pensamentos e ideias, a maior de todas as diferenças é que nós buscamos um significado para a vida. Necessitamos de um propósito para tudo. Sim, é uma necessidade. E a comida tem enorme relação com essa carência intrínseca”. “Observe! Mesmo sabendo que não encontrarão o real sentido da vida em um prato de filé acebolado ou na mais fina iguaria, muitas pessoas estão confusas e mal focadas nos conceitos existenciais, a tal ponto que buscam a razão de viver em algo cuja função exclusiva seria servi-las como alimento, e nada mais. ‘Não só de pão vive o homem, mas de tudo o que provém da boca de Deus’ pode ser interpretado, portanto, à luz desse fato. Uma belíssima interpretação possível é: ‘Posto que o homem não possa viver só de pão, ele preencherá esse espaço vital extra com um real significado, ou seja, a relação com o seu Criador. Caso isso não ocorra, ele buscará substitutos’. A comida é uma das alternativas possíveis – talvez a mais imediata e, por isso, o meio em que as pessoas mais insistem”. Nas refeições, nunca falávamos de pessoas comuns ou de coisas. Ele mencionava os ditos dos sábios e discorria sobre suas lições. Estudávamos uma página de um livro ou discutíamos ideias em uma conversa que abordava os mais diferentes pensamentos e figuras. Qualquer questionamento era permitido e incentivado. Perguntar era um verbo importantíssimo na nossa relação – talvez o mais importante. Ele fazia questão de treinar minha capacidade de elaborar boas perguntas e, por isso, me provocava todo o tempo. Nada era considerado tolice. Para ele, tudo tinha uma razão. E hoje é assim comigo. Quem me conhece sabe disso! Nesse cenário eu encontrei um modo profícuo e real de viver com respeito e valor – um contraste visível com a maneira “normal” como as pessoas vivem nos dias de hoje. Talvez nem estejam vivendo, mas apenas existindo! Eu começava a ver o mundo por essa outra ótica. Podia entender por que as pessoas submetem suas vidas à idiotia e ao vazio frígido em que consistem um mero posicionamento social. Tornavam-se claros para mim os motivos pelos quais há tanta gente para quem os restaurantes, por exemplo, ocupam o status de “lugares sagrados”. A mesa sobre a qual comíamos se distinguia de tudo à nossa volta. Era um lugar incomparável de conexão ao intangível e ao eterno. Não era o sabor ou os temperos que se cultuavam ali. A preciosidade de cada momento emanava desde a fonte

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em que saciávamos a sede de nossas almas. Não dependíamos da gastronomia, mas do conteúdo dos diálogos e da maneira respeitosa e elevada como nos dirigíamos um ao outro, e a Deus. Éramos verdadeiramente ricos por causa disso.

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Preocupa-me constatar, cada vez mais, que, para um crescente número de pessoas, as receitas são consideradas “segredos santos”; os chefs, verdadeiros sacerdotes. Encontrar um prato fantástico equivale a uma realização pessoal de grandeza para muitos. O foco dessas pessoas está concentrado sobre o que se come e bebe. E, curioso, o assunto que mais se fala durante uma refeição não é outro senão o sabor dos ingredientes, o bouquet do vinho e coisas assim. Por horas e horas, é disso que falam. Por outro lado, se você está vivendo um dia repleto de significado e de grandes lições, encontrar um sashimi perfeito é um acontecimento que só fará diferença, de fato, para o seu gato de estimação – caso você leve as sobras para ele –, pois, quando a vida é plena de significado, não existirá o anseio de encontrar satisfação na comida, no dinheiro, no status etc. Há muito mais com que se alimentar além do pão. Desde outra ótica, talvez, infelizmente, você já tenha provado dias de depressão em que comeu muito acima do seu limite suportável. Essa é a típica situação em que, mesmo momentaneamente, se faz da comida a razão da vida. Quando estamos carentes de significado, uma de nossas tendências mais imediatas é compensar por meio do garfo. Quando eu me deparei com os conhecimentos que me fizeram ver a existência humana por meio desse novo ponto, tinha, em minha existência, os meus próprios meios de compensação à falta de significado e de propósito. Desde a educação básica até a universidade, sempre fui um aluno excelente. Isso, porém, nunca foi natural em mim. Era uma atitude forçada, uma modalidade clara de benefício sei lá de que natureza. O resultado desse comportamento satisfazia meu ego e alimentava minha presunção de parecer rapaz inteligente e diferente dos demais. Eu nutria o gosto contínuo de ser o melhor, simplesmente. No entanto, as decepções decorrentes disso foram alastrando-se em várias áreas de minha vida. No momento em que eu chegava a Nova Iorque, acabava de finalizar uma escolha profissional malfadada, que nada tinha em comum com meu talento ou vocação. Faltou-me autoconhecimento na hora da escolha. E o pior é que esse item importante, determinante de meu futuro, começava a me incomodar. Já era capaz de prever – e ficava claro ao meu entendimento – que aquela opção não levaria à realização de meu potencial que eu tanto desejava e podia ter.

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A partir de então, assumi, definitivamente, viver uma vida com significado e propósito, a começar por minhas decisões e escolhas. Meus sonhos e perspectivas mudaram. E, com eles, também a medida de felicidade e de sucesso pessoal que buscava. Revi conceitos, julguei antigos pressupostos e permiti que isso me transformasse de todas as formas possíveis. O clássico paradoxo “comer para viver ou viver para comer” fez-me entender que há um ponto na curva do espaço-tempo em que se faz urgente recontextualizar a vida e reengenhá-la a qualquer custo. A minha, em especial, carecia de reorientação e, assim, de alcançar novos e consistentes patamares de bem-estar em relação a mim mesmo e ao mundo. Eu necessitava de uma definitiva mudança de referencial a partir de então, e de que ela atingisse toda a minha existência, incluindo o passado, até o ponto que fosse possível. Era chegada a hora de criar um novo presente a fim de garantir um futuro que valesse a pena e de me livrar de arrependimentos resultantes de más escolhas anteriores. Segui uma nova profissão: a psicologia. Anos depois de viver boas e más experiências ou em negócios próprios ou na simples condição de colaborador em empresas, parti para os desafios dos serviços de consultoria empresarial em nível de aconselhamento, formação e desenvolvimento de equipes, das orientações à alta gerência e dos treinamentos comportamentais. Aperfeiçoei meus conhecimentos e práticas em gestão e em outros aspectos organizacionais e, depois, acessei as técnicas do coaching, que me permitiram boa projeção profissional entre grandes executivos. Passei a atuar junto a gente bem ou mal ajustada; homens e mulheres carentes de rearranjo geral em suas vidas e trabalhos; mentes sãs, e outras bastante doentes. Mas, dentre eles todos, encontrei muitos que, apesar de bem resolvidos, desejavam enxergar os eventos do cotidiano por outras óticas. Eles auxiliaram-me a definir minha missão individual: “Levar a reflexão para o interior dos seres humanos com o fim de auxiliá-los no seu autodesenvolvimento e na melhoria de suas qualidades como indivíduos”. Anos depois, algo próximo desse ideal inspirou-me a determinar o posicionamento de minha empresa de consultoria empresarial: “Mentes sãs em corporações sãs”. É assim que tenho vivido e me esforçado a deixar algo de bom na vida de qualquer pessoa que cruze o meu caminho. Um dia de cada vez. Um momento de cada vez. Ser e fazer a diferença na existência de todos. Tive sucessos, mas às vezes não consegui. O prato do insucesso na balança tem bom peso. Ao vê-lo, redobro meus esforços, pois “de acordo com o esforço é a recompensa”.

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Não pretendo que estas páginas sejam minha autobiografia, até porque, exceto minha mãe, todos me perguntariam: “Quem você pensa que é?”. Mas faço esse raciocínio com o fim de afirmar que, ao longo de todo o meu trabalho com pessoas em consultoria, coaching e aconselhamentos, tenho percebido a existência de uma gigantesca e inexorável fome se alastrando por todos os ambientes que frequento. E ela é só uma amostra representativa de um fenômeno que toma conta de toda a Humanidade. Por onde passo, lá está ela, encoberta ou desvelada. O mundo inteiro padece de fome. O conforto característico de nosso tempo, que só cresce, tem uma nociva influência sobre grande parte de nós. O acesso fácil às coisas rápidas e prontas para uso – como um fast food, por exemplo – impõe ao homem a falsa sensação de que todas as suas necessidades serão atendidas instantaneamente, sem limites ou restrições. Quase tudo na vida moderna, do conceito de beleza ao relacionamento social, passou a ser medido por esse prisma. Entretanto, as exigências interiores, nossas maiores necessidades, requerem tempo, muito mais tempo do que os três minutos de um hambúrguer com fritas em uma lanchonete. E não é só. Um engano ainda maior está contido no senso comum de que todos os problemas da vida serão resolvidos com um manequim menor, com um corpo melhor esculpido ou com uma cirurgia plástica que introduza uma prótese modeladora. Igualmente, uma “turnê gastronômica” àquelas churrascarias que nada ficam a dever às cortes monárquicas francesas não irá aumentar a autoestima de ninguém. Circunstâncias como essas são “atalhos” perigosos que levam a espaços vazios, nos quais nada de valor poderá jamais ser encontrado. Quem segue essa rota nunca chegará ao lugar onde cada ser humano tem o anseio e a necessidade vital de chegar. Onde, afinal, desejamos ou precisamos chegar? O que é a busca de um significado para a vida? Quando iniciei a escrever este livro, meu desejo era de dar respostas a essas questões de forma simples e assertiva. Pensei, então, que seria inevitável transcrever as lições que recebi de meu querido mestre, Rav Fishman. Meu tempo ao seu lado foi um período de semeadura. Passadas três décadas, colho, agora, frutos doces e gratificantes de cada semente que, de fato, germinou e vingou. Mesmo vivendo crises pessoais, preocupações e apertos como qualquer outro ser humano, tive o privilégio imerecido de aprender ensinamentos gigantescos. Fui atingido por inspirações que me fizeram compreender como agir para me manter na caminhada e, quando me desvio, como retornar ao “sentido” da Fonte da Vida.

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“Bons são todos os dias em que podemos ver a grama do lado de cima. Problemas? Eles existem porque somos seres humanos. Uma vaca não tem com o que se preocupar. Ela passa toda a sua existência comendo capim. Dia após dia, tem apenas um pasto para comer. Às vezes, molhado, outros dias, seco, mas sempre sem tempero, sem sal, só pasto. Somos diferentes dos animais, sim. E, sob todas as perspectivas, buscar na comida a razão de viver é um preocupante indicador de que estamos no rumo errado da vida”. Neste livro eu mantenho o desejo fervente e explosivo de partilhar com você, leitor ou leitora, princípios verdadeiros e eternos de vida. Como concluir meu pensamento sem falar da Moyshe’s Delikatessen, uma pequena lanchonete situada na rua acima de onde vivíamos na Big Apple? Em uma manhã de domingo, Rav Fishman e eu saímos tarde da sinagoga, próximo ao horário do lanche do almoço no costume norte-americano. Resolvemos comer algo. Escolhi alguns kreplachs – pasteizinhos de massa folhada com recheio de purê de batatas. Aqueles kreplachs são memoráveis. Em seguida, pedi uma torta. Eu e minha preferência incontrolável por doces! – Torta de chocolate? Isso é almoço? – perguntou-me ele – Coma algo que o satisfaça o bastante durante as próximas horas e não só agrade ao seu paladar. Engane agora o seu estômago, e, em pouco tempo, você vai precisar de comida fora de hora. Essa não era uma simples advertência de um pai postiço. Vinda de meu Rav, tinha uma razão que, por menos aparente naquela hora, merecia ser decifrada. No momento não entendi, confesso. Mas hoje acho que cheguei ao ponto, até por gostar demais de doces, e, em especial, dos fabulosos itens do cardápio daquela delikatessen. Penso que todas as escolhas que fazemos sem um nítido e conhecido propósito acabam causando satisfação momentânea sem que supram, de fato, as nossas necessidades reais. Sem um objetivo, não é possível chegar a qualquer meta. Naquele dia, minha particular atração pela torta de chocolate com calda quente de Williamsburg, Nova Iorque, tornou-se uma lição esplendorosa. Nesta vida há, de fato, uma verdade incontestável que encerra o poder de fazer toda a diferença em tudo o que buscamos ou fazemos. E essa verdade é: torta de chocolate não mata a fome! Não, isto não é uma brincadeira ou piada. É a inspiração pura e genuína que me levou a escrever este livro.

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Chama interior Uma amiga que trabalha em uma loja veio desabafar comigo: “Estou muito desanimada com o meu trabalho. Os clientes nunca querem comprar comigo. Saio de casa todas as manhãs sabendo que vou sofrer o dia inteiro”. Fique atento. Em primeiro lugar, em qualquer negócio em que você trabalhe, nunca deixe se apagar a chama do entusiasmo. Esteja sempre disposto. Procure razões para estar feliz e deixe a felicidade aparecer em seu rosto. Não fique esperando ser escolhido. Sorria para quem entrar em seu local de trabalho. Um sorriso e o semblante aberto acolhem as pessoas. Elimine a negatividade que pode destruir a sua carreira. Injete amor no trabalho e faça as suas tarefas todas com satisfação. Nada de passar a vida esperando os finais de semana, como os preguiçosos. As pessoas percebem quem trabalha com vontade. Elas farão fila para serem atendidas por quem é assim. Dizem que se dermos o mapa de um tesouro a uma pessoa negativa, é bem capaz que ela o use para calçar uma mesa manca. Se você quer vencer, lembre-se de que nada grandioso jamais foi inventado sem entusiasmo.

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Conselho prático: Não jogue sua carreira fora por conta do negativismo. Escolha ser, desde já, quem você deseja ser em qualquer momento, de agora em diante.

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Valor

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Quanto você vale? Valor é uma expressão que muita gente tem dificuldade de entender. É uma percepção subjetiva – quer dizer, depende de cada pessoa. Olhe o que aconteceu comigo. Eu e dois clientes estávamos em um restaurante, esperando nossos pratos, quando senti um aroma de pão quente. O garçom percebeu o meu interesse. Passados poucos minutos, surge ele com um prato de pães quentinhos. Não havíamos dito nada a ele. Pôs o prato sobre a mesa e disse: “A fornada que acabou de sair é para atender a uma encomenda externa. Mas vi que o senhor gostou e tirei estes pãezinhos só para vocês experimentarem”. Eu fiquei encantado. E sabe do que mais? Ele não incluiu a gentileza na conta. Deixamos uma gorda gorjeta, e, desde então, eu e meus amigos temos indicado o restaurante para amigos nossos. Eu acho que agora você entende como se deve agir para aumentar o nosso valor pessoal. Em uma só palavra? Atitude. Deliberada atitude. Planejada e consciente atitude.

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Conselho prático: Quem tem a atitude certa na hora certa é sempre alguém de muito valor. Observe. Pense. E depois aja!


Falar mentiras Você já observou que as pessoas têm medo de dizer a verdade quando sabem que seu superior irá maltratá-las por isso? Elas temem consequências drásticas ou explosivas. As crianças são assim com os pais. Todo mundo deseja dizer a verdade. Mas, dependendo da reação que o outro tiver, a mentira parecerá mais vantajosa. Se você é pai, mãe ou chefe em uma empresa, busque ser justo. Mas nunca sem antes ser indulgente e bondoso. Busque, primeiro, saber de tudo o que aconteceu. Não pense em punir sem conhecer todos os fatos e desdobramentos. Se as pessoas perceberem que foram punidas ou injustamente ou no impulso imediato de descarga de uma raiva, no futuro elas tenderão a camuflar a verdade. Por isso, seja moderado e equilibrado. E saiba desde já que melhor do que punir é corrigir. Quem corrige com interesse de ajudar o outro a ser melhor ganha a sua estima. Desse modo, dizer a verdade valerá mais do que mentir, e, por isso, a opção será por dizer a verdade. Um lindo ditado diz: “A mentira só é valorosa entre os mentirosos. Mas a verdade é, desde o princípio, preciosa entre todos os homens”.

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Conselho prático: Consulte o dicionário e conheça a diferença entre as p­ alavras “corrigir” e “punir”. Depois, escolha qual delas representará o seu modo de agir.

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A intenção por trás das ações

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Alguém entra no seu escritório aos gritos. Se você se perguntar o que é que ele deseja com isso, poderá descobrir que, provavelmente, ele só quer chamar a sua atenção para ajudá-lo a resolver algum problema que o aflige. Todo comportamento, mesmo que aparentemente estranho ou condenável, tem uma intenção positiva, quando analisado dentro do contexto e da experiência da pessoa que o exibe. É importante exercitar a descoberta das razões que motivam a ação. Pergunte-se, por exemplo: “Por que ajo deste modo?”, ou “Qual a razão de minhas atitudes?”. Mesmo que inicialmente não enxerguemos ou não aceitemos essa motivação, é possível desenvolver a capacidade de entender que intenção é essa. Aí está uma das mais difíceis lições de maturidade de qualquer indivíduo. Seres humanos elevados entendem não ser necessário se concentrar na aparência do que os outros fazem. Sabem que, por trás – por pior que pareça ser –, sempre há algo que as pessoas têm dificuldade em demonstrar com clareza. A compreensão nos relacionamentos depende sempre de nós. Pratique e cresça também nisso.

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Conselho prático: Evite aceitar o primeiro julgamento sobre as atitudes das pessoas. Busque entender sempre novos pontos observados em busca de suas reais intenções.


Apresentar uma ideia Em uma rua movimentada de Paris, logo de manhã, um jovem que trajava um bonito terno, sem pedir licença, pega o cartaz de um pobre cego sentado numa calçada, escreve algo no verso, coloca-o de volta ao lugar e vai embora para seu escritório. Ao final do dia, passando novamente por ali, o cego reconhece as pisadas do rapaz e lhe diz: “Amigo, o que quer que tenha escrito no meu cartaz, nesta manhã, fez as pessoas porem muito dinheiro na minha caixa”. O rapaz confessa que escreveu uma frase bem parecida com a que já estava no cartaz, sorri e vai-se embora. Sabe o que ele havia escrito? “Hoje é primavera em Paris, e eu não posso enxergar a beleza desta cidade maravilhosa”. O que podemos aprender? O modo de apresentar uma ideia é crucial. Pode produzir muitos ou poucos adeptos. Às vezes, nenhum. Às vezes, uma multidão. Não é só a ideia em si que produz resultados. O jeito de expô-la e de falar sobre ela são igualmente importantes.

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Conselho prático: Uma história simples, contada com entusiasmo, tira aplausos dos ouvintes. Com sabedoria e cuidado, sempre conseguimos o que desejamos.

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A alegria de viver

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Por que é tão difícil poupar dinheiro? Pelo mesmo motivo por que é difícil ser feliz. Tem tanta propaganda por aí hoje em dia. Elas criam necessidades novas. Quando essas necessidades não são satisfeitas, elas se tornam desejos. E como os desejos são sempre muito maiores do que o nosso salário, nós corremos o risco de gastar muito – quando não tudo – para satisfazê-los. Olhe à sua volta e constate quantas coisas você já comprou sem precisar. E os desejos nunca acabam. Até os milionários têm mais desejos do que podem satisfazer. Um ricaço que tem uma casa confortável, carros, viagens maravilhosas, guarda-roupa cheio e boa comida sofre muito pelos desejos que não consegue realizar. Então, tome para si um grande segredo: a questão fundamental não é satisfazer todos os nossos desejos, mas ser feliz sem depender disso. Quem consegue sentir-se realizado com o que tem e não perde a vida buscando ter coisas e mais coisas, este é rico de verdade. Verdadeiro rico é, portanto, aquele que obtém satisfação do que já possui e disto extrai toda sua alegria e contentamento.

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Conselho prático: Mire-se nas suas conquistas. Olhe para as realizações que você já alcançou. Goste e dê valor ao que você já tem. Sinta-se grato.


Você sempre tem razão sobre si mesmo Em uma noite de 1914, o laboratório de Thomas Edison, o norte-americano que inventou a lâmpada elétrica, estava em chamas, com todos os seus registros e projetos dentro. Milhões de dólares sendo destruídos, e não estava no seguro. Seu filho, preocupado, encontrou o pai, de 67 anos, com aspecto sereno, olhando para o incêndio a distância e mirando todo o trabalho de sua vida sendo consumido pelas chamas. Após horas em silêncio, Edison virou-se para o filho e disse: “Existe um grande valor em um desastre como este, filho. Todos os nossos erros estão sendo queimados. Agora, poderemos começar tudo de novo, graças a Deus”. Até aquele incêndio, Edison havia passado quatro anos tentando inventar o toca-discos. Três semanas após o desastre ele conseguiu. E ficou milionário com a invenção. É possível aprender algo precioso com essa lição de vida. Se você acha que pode conseguir algo, você consegue. Se acha que não irá conseguir, você não consegue.

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Conselho prático: Cuide de sua autovisão. Lembre-se: você sempre tem razão quando pensa coisas a respeito de si mesmo.

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Torta de Chocolate Não Mata a Fome  

Um livro para quem quer viver a vida e o trabalho com significado e razão. Através de pequenas reflexões e uma pitada de humor, os leitores...

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