Issuu on Google+

UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA CENTRO REGIONAL DAS BEIRAS - POLO DE VISEU Departamento de Economia, Gestão e Ciências Sociais Mestrado em Ciências da Educação Especialização em Administração e Organização Escolar

Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação Sob a Orientação do Prof. Doutor Paulo Pereira

Nuno Miguel Ferreira Simões Viseu 2010


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA CENTRO REGIONAL DAS BEIRAS - POLO DE VISEU Departamento de Economia, Gestão e Ciências Sociais Mestrado em Ciências da Educação Especialização em Administração e Organização Escolar

Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação Sob a Orientação do Prof. Doutor Paulo Pereira

Dissertação apresentada à Universidade Católica Portuguesa para obtenção do grau de Mestre em Ciências da Educação

Nuno Miguel Ferreira Simões Viseu 2010 i


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Agradecimentos

As minhas primeiras palavras destinam-se a todos aqueles que, pelo apoio e estímulo, tornaram possível a realização desta dissertação: 

Ao Professor Doutor Paulo Pereira, que aceitou orientar a dissertação, a quem agradeço o apoio e a disponibilidade, bem como as oportunas e sinceras observações.

A todos os professores, alunos e elementos da direcção do Agrupamento de Escolas da Região de Colares e do Agrupamento de Escolas Padre Vitor Melícias, que dedicaram algum do seu tempo a preencher os questionários, contributo indispensável para este trabalho.

À minha família, que conseguiu colmatar as minhas ausências físicas, prestando-me todo o apoio e carinho indispensáveis à concretização deste projecto.

A todos quantos, directa ou indirectamente, com a sua ajuda, tornaram possível este trabalho.

ii


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Resumo O trabalho de investigação que pretendo realizar centrar-se-á no estudo da utilidade do manuseamento das plataformas de tipo Moodle no processo de ensinoaprendizagem actual, pondo o acento tónico na ideia de que as novas tecnologias contribuíram para criar um novo paradigma neste campo, sendo absolutamente necessário que o sistema de ensino se adapte às novas exigências e aos novos desafios. Não parece existir dúvidas relativamente à metamorfose social e comportamental que os meios técnicos têm originado. A Educação é uma peça fundamental de valorização do Homem e da Comunidade e não se pode abstrair do fluxo de progresso que tem assaltado todas as áreas da existência humana. Assim, num primeiro momento, procurarei debruçar-me sobre o conceito de educação e paradigma e apresentarei uma breve história da educação, contextualizando o que irei tratar a seguir. Depois, passarei à investigação, referindome ao nascimento das plataformas tipo Moodle, à sua utilidade e funcionalidades (relativamente a este último campo, farei um brevíssimo enunciado, uma vez que não é a minha intenção tornar a dissertação num manual de utilização). Seguidamente, tentarei apresentar a pertinência da utilização das plataformas no sistema de ensino português e focarei a atenção em duas escolas oficiais portuguesas, procurando aferir o status quo relativamente a este assunto e quais os progressos que se fizeram nesta área (para chegar a conclusões, analisarei o resultado de 266 questionários efectuados a professores e alunos dessas duas escolas). Por fim, terminarei a minha dissertação com uma conclusão genérica atinente ao meu trabalho.

iii


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Abstract The research we want to achieve will be focus to study the usefulness of work with the type of Moodle platforms in the teaching-learning today, putting the emphasis on the idea that new technologies have helped to create a new paradigm in this area and it is absolutely necessary for the education system to adapt to new demands and new challenges. It seems there are no doubts about the behavioral and social metamorphosis that technical means have originated. Education is a fundamental part of human and Community enhancement and it cannot disregard the stream of progress that has stricken all areas of human existence. So, at first, we will try to investigate the concept of education and paradigm and we will present a brief history of education, contextualizing what we will treat below. Then, we will do an investigation related about the birth of the Moodle platform type, its usefulness and functionality (in this last subject, we will make a brief statement, since it is not our intention to make our thesis a user's guide). Next, we will try to present the relevance of the use of platforms in the Portuguese education system and will focus attention on two Portuguese state schools, to gauge the status quo on this issue and what progress has been made in this area (to reach conclusions, we will analyze the result of about 266 quizzes answered by teachers and students of two schools). Finally, we end our essay with a general conclusion regards to our work.

iv


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Índice Introdução ................................................................................................................................ 1 Organização do Trabalho....................................................................................................... 5

CAPÍTULO 1 - A Educação .......................................................................................................... 6 1.1 O conceito de educação .................................................................................................. 7 1.2 As várias perspectivas de Paradigma ............................................................................... 8 1.3 A perspectiva clássica e contemporânea de Paradigma ................................................... 8 1.4 Paradigma, educação e evolução do conhecimento ....................................................... 10 1.5 O Paradigma tradicional e o paradigma contemporâneo ............................................... 13 1.6 Contributos históricos para uma nova ideia de Educação .............................................. 15 1.7 Das comunidades tribais ao período clássico ................................................................. 15 1.8 A Pedagogia Romana ..................................................................................................... 17 1.9 O Humanismo e a Valorização da Criança ...................................................................... 18 1.10 O Iluminismo e Jean Jacques Rousseau ........................................................................ 19 1.11 O futuro do processo educativo ................................................................................... 20 1.12 Em jeito de conclusão .................................................................................................. 21

CAPÍTULO 2 – As Plataformas Moodle ..................................................................................... 23 2.1 Introdução .................................................................................................................... 24 2.2 As novas tecnologias nos dias que correm ..................................................................... 24 2.3 As plataformas tipo Moodle .......................................................................................... 26 2.4 O conceito de ensino e formação à distância ................................................................. 28 2.5 O que é uma plataforma Moodle? ................................................................................. 32 2.6 Dois exemplos da operacionalidade das plataformas Moodle em escolas portuguesas .. 37 2.6.1 Agrupamento de Escolas da Região de Colares ....................................................... 37 2.6.2 Agrupamento de Escolas Padre Vítor Melícias ........................................................ 42 2.7 Em jeito de conclusão .................................................................................................... 44 v


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

CAPÍTULO 3 – Percurso Metodológico ..................................................................................... 45 3.1 Objectivo do estudo ...................................................................................................... 46 3.2 Importância do estudo .................................................................................................. 46 3.3 Questões de investigação .............................................................................................. 46 3.4 Hipóteses de investigação ............................................................................................. 47 3.5 Metodologia do estudo ................................................................................................. 49 3.6 Selecção e adaptação do Instrumento ........................................................................... 49 3.7 Validação do questionário ............................................................................................. 50 3.8 População e Amostra..................................................................................................... 50 3.9 Procedimentos de recolha e tratamento de dados ........................................................ 50

CAPÍTULO 4 – Interpretação de resultados .............................................................................. 51 4.1 Introdução .................................................................................................................... 52 4.2 Análise dos resultados ................................................................................................... 52 4.2.1 Alunos .................................................................................................................... 53 4.2.2 Professores............................................................................................................. 55 4.2.3 Uso de meios tecnológicos por parte dos alunos ..................................................... 57 4.2.4 Uso dos meios tecnológicos por parte dos professores ........................................... 58 4.2.5 As potencialidades dadas pelas plataformas do ponto de vista dos professores ...... 68 4.2.6 A importância dada pelos alunos em relação às plataformas .................................. 71 4.2.7 A importância dada pelos professores em relação às plataformas .......................... 71 4.3 Resultados conseguidos ................................................................................................ 77 4.3.1 Resultados para as plataformas tipo Moodle .......................................................... 78 4.3.2 Verificação das hipóteses........................................................................................ 80 4.4 Em jeito de conclusão .................................................................................................... 85

Conclusão Geral ...................................................................................................................... 87 Bibliografia ............................................................................................................................. 91 Infografia ............................................................................................................................ 95

vi


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

ANEXOS .................................................................................................................................. 96 Questionário aplicado aos alunos ........................................................................................ 97 Questionário aplicado aos professores .............................................................................. 101 Questionário aplicado aos órgãos de gestão...................................................................... 105 Respostas ao questionário aplicado aos alunos ................................................................. 109 Respostas ao questionário aplicado aos professores ......................................................... 115 Respostas ao questionário aplicado aos órgãos de gestão ................................................. 121

vii


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Índices Complementares

Índice de Imagens Imagem 1: Página principal de uma plataforma Moodle .......................................................... 35

Índice de Gráficos Gráfico 1: Número de alunos por ano escolar .......................................................................... 54 Gráfico 2: Professores de Colares e os ciclos que leccionam .................................................... 55 Gráfico 3: Professores da Padre Vítor Milícias e os ciclos que leccionam ................................. 55 Gráfico 4: Distribuição dos professores por ciclos de ensino .................................................... 56 Gráfico 5: Utilização de meios tecnológicos por parte dos alunos das duas escolas ................. 57 Gráfico 6: Utilização de meios tecnológicos por parte dos alunos das duas escolas em estudo 57 Gráfico 7: Recursos utilizados pelos professores de Colares .................................................... 58 Gráfico 8: Recursos utilizados pelos professores de Colares (2) ............................................... 58 Gráfico 9: Recursos utilizados pelos professores da escola Padre Vítor Melícias ...................... 59 Gráfico 10: Recursos utilizados pelos professores da escola Padre Vítor Melícias (2) ............... 59 Gráfico 11: Recursos utilizados pelos professores das duas escolas ......................................... 60 Gráfico 12: Recursos utilizados por professores das duas escolas (2) ....................................... 60 Gráfico 13: A plataforma e os testes avaliativos. Numa pontuação de 1 a 5 os professores avaliam a operacionalidade das plataformas ........................................................................... 68 Gráfico 14: A plataforma e a criação de testes interactivos e lições. Numa pontuação de 1 a 5 os professores avaliam a operacionalidade das plataformas ................................................... 68 Gráfico 15: A plataforma e os testes avaliativos. Numa pontuação de 1 a 5 os professores avaliam a operacionalidade das plataformas ........................................................................... 69 Gráfico 16: A plataforma e a construção e utilização PDF’s. Numa pontuação de 1 a 5 os professores avaliam a operacionalidade das plataformas ........................................................ 70 Gráfico 17: A plataforma e a destribuição de aulas e conteúdos em MP3/MP4. Numa pontuação de 1 a 5 os professores avaliam a operacionalidade das plataformas ..................... 70 Gráfico 18: A importância dada pelos alunos em relação às plataformas. Numa pontuação de 1 a 5 os alunos avaliam a operacionalidade das plataformas ...................................................... 71 Gráfico 19: A importância dada pelos professores em relação às plataformas. Numa pontuação de 1 a 5 os alunos avaliam a operacionalidade das plataformas .............................................. 71 viii


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Índice de Tabelas Tabela 1: Idade dos alunos das duas escolas em estudo e total dos alunos .............................. 53 Tabela 2: Idade dos professores .............................................................................................. 56

Índice de Tabelas dos Anexos Tabela A 1: Escola onde os alunos estudam ........................................................................... 109 Tabela A 2: Idade dos alunos ................................................................................................. 109 Tabela A 3: Ano de escolaridade dos alunos .......................................................................... 109 Tabela A 4: Utilização de instrumentos pelos alunos ............................................................. 110 Tabela A 5: Horas dispendidas com tecnologia pelos alunos .................................................. 110 Tabela A 6: Relação com os professores ................................................................................ 111 Tabela A 7: Preparação dos professores ................................................................................ 111 Tabela A 8: Atitudes dos alunos face às tecnologias na escola ............................................... 111 Tabela A 9: Evolução das notas ............................................................................................. 111 Tabela A 10: Aproveitamento dado à utilização das tecnologias ............................................ 112 Tabela A 11: Importância dada às tecnologias pelos alunos ................................................... 112 Tabela A 12: Rendimento escolar dos alunos......................................................................... 112 Tabela A 13: Relação com os alunos, professores e pessoal não docente .............................. 113 Tabela A 14: Sensibilidade dos professores para as necessidades da escola e dos alunos ...... 113 Tabela A 15: Sensibilidade dos orgãos de gestão para as necessidades da escola e dos alunos ............................................................................................................................................. 114 Tabela P 1: Escola onde leccionam os professores ................................................................. 115 Tabela P 2: Idade dos professores ......................................................................................... 115 Tabela P 3: Ciclo onde leccionam os professores ................................................................... 115 Tabela P 4: Grupo de docência .............................................................................................. 115 Tabela P 5: Número de anos no ensino ................................................................................. 115 Tabela P 6: Frequência de acções formação .......................................................................... 115 Tabela P 7: Número de horas de formação ............................................................................ 116 Tabela P 8: Adequação da formação recebida ....................................................................... 116 Tabela P 9: Suficiência da formação recebida ........................................................................ 116 Tabela P 10: Utilização dos instrumentos pelos professores .................................................. 116 Tabela P 11: Horas dispendidas com tecnologia pelos professores ........................................ 117 Tabela P 12: Meios utilizados na preparação das aulas .......................................................... 117 Tabela P 13: Vantagens de aplicação das tecnologias educativas........................................... 118 ix


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Tabela P 14: Mutação do paradigma educacional .................................................................. 118 Tabela P 15: Papel do professor no processo educativo ........................................................ 118 Tabela P 16: Evolução das relações pedagógicas ................................................................... 119 Tabela P 17: Vantagens do cartão da Escola .......................................................................... 119 Tabela P 18: Potencialidades do Moodle ............................................................................... 119 Tabela P 19: Percepção da importância dada pelos órgãos de gestão relativamente às tecnologias ........................................................................................................................... 120 Tabela OG 1: Escola onde exerce funções de direcção ........................................................... 121 Tabela OG 2: Instrução dos professores em novas tecnologias .............................................. 121 Tabela OG 3: Capacidade dos professores para enfrentar o novo paradigma de educação .... 121 Tabela OG 4: Capacidade de adaptação às mudanças............................................................ 121 Tabela OG 5: Evolução da equidade na educação .................................................................. 122 Tabela OG 6: Vantagens e Desvantagens da implementação das novas tecnologias .............. 122 Tabela OG 7: Complexidade dos actos administrativos .......................................................... 122 Tabela OG 8: Dotação orçamental para as tecnologias .......................................................... 123 Tabela OG 9: Implementação do projecto educativo com as TIC............................................ 123 Tabela OG 10: Importância atribuída às tecnologias .............................................................. 123 Tabela OG 11: Disponibilidade de recursos a nível tecnológico .............................................. 124 Tabela OG 12: Importância atribuída ao Moodle ................................................................... 124

x


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Introdução

1


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

A sociedade em que vivemos é fruto de um processo histórico, influenciado pelas mudanças ao longo do tempo. A educação tem que acompanhar essas mudanças. Não poderemos projectar o futuro sem revermos o passado, pois a educação de então fezse de revoluções e de evoluções. Para melhor contextualizar o tema, optei por conceituar o que tem vindo e o que vem a ser a educação e os seus paradigmas, bem como apresentar as diferentes abordagens paradigmáticas desta área. Baseando-me na educação grega e traçando uma forma de paralelismo com o presente, poderei questionar se a cultura/educação se está a democratizar cada vez mais, graças à enorme quantidade de informação disponível. A busca do significado de “educação” e de” paradigma” permite indicar a trajectória do que vai ser a educação no presente e no futuro. Estamos a viver vários tipos de revoluções. Muito se poderia dizer sobre elas, salientando que transformam a sociedade, em geral, e a nós próprios, em particular. Posso dar o exemplo da revolução na medicina, com a descoberta e decifração do código genético, da revolução na ciência, com o desenvolvimento da nano tecnologia, e por aí fora... É através da reflexão que fiz sobre o percurso da Educação ao longo dos tempos que delinei os objectivos da monografia que pretendo apresentar. Estes estão centrados na revolução da educação, nesta época alucinante de mudança a nível tecnológico, que, para além da quantidade excessiva de informação, nos remete para uma quase exponencial de fontes dessa mesma informação. Sintetizando, a metodologia a utilizar prende-se, em primeiro lugar, com o enraizamento do que entendi que seja a educação e, a partir daí, o estudo do percurso desta, ao longo do tempo, desde a época da Antiguidade Grega até aos nossos dias, observando as características de cada período, de forma a melhor entender a evolução que se operou. Depois, debruçar-me-ei sobre as características das tecnologias contemporâneas e procurarei fazer uma ponte de ligação entre o processo de ensinoaprendizagem e a utilização pertinente dos meios tecnológicos modernos, de forma a optimizá-lo. Apercebi-me das potencialidades que a tecnologia contemporânea tem como elemento influenciador e condicionador das mudanças revolucionárias operadas no mundo dos nossos dias1. O processo de ensino-aprendizagem não é excepção e pode usufruir, de forma fantástica, dos novos meios postos à sua disposição. E os 1

Sobre esta temática leia-se, Toffler, A. (1999), A Terceira Vaga, Editor Livros do Brasil.

2


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

últimos anos têm sido demonstrativos do que afirmo. Não obstante, muito mais há a fazer no domínio da educação, pelo que é motivo de estímulo procurar compreender, através de um trabalho sobre a matéria, até que ponto a aprendizagem poderá beneficiar da sua utilização. Farei a análise do desempenho de duas escolas oficiais sobre o uso e a adaptação de meios a objectivos, identificando os elementos que fundamentarão e documentarão o meu discurso e os objectivos da minha monografia, complementando com o estudo do resultado de questionários realizados a professores, relativos à interacção entre a actividade dos docentes e os instrumentos a que recorreram para a concretizar. Perante o tema: “Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação. A utilização da plataforma de aprendizagem Moodle nas escolas do ensino básico em Portugal”, poder-se-á levantar a seguinte ideia: Sendo uma plataforma de aprendizagem, mais do que um instrumento pedagógico, deve ser considerada um elemento activo na contribuição para a mudança no paradigma relativo ao processo de ensino-aprendizagem Não pode ser considerado como um mero instrumento de disponibilização de cursos pela Internet ou videoconferência, mas sim uma referência à criação de hábitos de aprendizagem distintos daqueles incentivados pelo ensino presencial. A forte contribuição do E-Learning para a mudança do paradigma educacional baseia-se na constatação de que a Internet exige uma maior assertividade por parte do aluno, que deve conduzir a sua aprendizagem. Ao sistema presencial, por norma, associa-se uma passividade do aluno em relação à condução do processo de ensino-aprendizagem, no caso do E-Learning, exige-se do aluno uma forte motivação e empenho para levar a cabo as tarefas propostas no decorrer da formação. As plataformas de aprendizagem podem ser aproveitadas pela comunidade educativa como um veículo de comunicação, como um instrumento integrador, sendo um importante recurso de apoio à gestão escolar. Assim, formulei uma série de hipóteses de investigação, gerais e operacionais, que julgámos adequadas ao tema em estudo, centradas nas ideias de que a utilização de plataformas de aprendizagem aumentam a motivação dos alunos, potenciam o rendimento escolar e sucesso educativo dos alunos, incrementam o envolvimento da comunidade educativa no processo de ensino-aprendizagem, se estarão os professores preparados para utilizar ferramentas de E-Learning e se a gestão escolar utilizará as 3


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

ferramentas de E-Learning. Considerei estas as hipóteses fundamentais a serem verificadas e, procurarei fazer a sua verificação e demonstração. Pretendi, com este trabalho, desenvolver um campo empírico, recorrendo a questionários a aplicar a alunos, professores e elementos de gestão escolar. Para o efeito, tenho como intenção desenvolver um estudo equacionando duas realidades escolares. A primeira é um agrupamento, constituído por jardins-de-infância, escolas do 1º ciclo do ensino básico e uma escola com 2º e 3º ciclo do ensino básico de Torres Vedras: Agrupamento de Escolas Padre Vítor Melícias. A segunda é um agrupamento, constituído por jardins-de-infância, escolas do 1º ciclo do ensino básico e uma escola com 2º e 3º ciclo do ensino básico de Colares (Sintra): Agrupamento de Escolas da Região de Colares. Nestes estabelecimentos, proponho a aplicação de questionários em que seja possível aferir a importância que as plataformas assumem e o envolvimento que a comunidade educativa tem, através das tecnologias, no processo de ensino-aprendizagem. Os resultados esperados com este trabalho dividem-se em duas partes: (1) maior sensibilização sobre o que são, para que servem, como se utilizam as plataformas de aprendizagem e (2) uma análise do que actualmente se faz e com que resultados nas escolas portuguesas. No final desta tese de dissertação, espero que seja clara a importância deste tipo de ferramentas no ensino da actualidade: a urgência do desenvolvimento de novas competências tecnológicas dos professores; a importância da adaptação de novos métodos de ensino; a relevância da sua adopção para a gestão escolar. O objectivo da elaboração da monografia que apresento prende-se com razões de ordem pessoal e pelo desejo que tenho em contribuir, de alguma forma, na exploração de ideias atinentes aos novos desafios que se põem à educação que vigora nos nossos dias. Considero o tema da tese bastante interessante, actual e pertinente, atendendo ao clima que actualmente se vive nas escolas portuguesas e às crescentes competências técnicas, relacionais e comportamentais com as quais a profissão de professor está comprometida. O pensamento que me norteia, aquando da sua redacção, é que o resultado da sua feitura seja um trabalho que, de alguma maneira, contextualize o papel das novas tecnologias no melhoramento do processo de ensinoaprendizagem e que informe das novas potencialidades a que os professores podem 4


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

recorrer para leccionar as suas aulas, principalmente focando-se nas funcionalidades das plataformas tipo Moodle. As motivações que me levaram à realização desta dissertação foram o facto de exercer a docência na área da informática e perceberr a utilidade que o manuseamento das plataformas tem na área do ensino, mas também o prazer de investigar um campo que considero bastante interessante. Acredito que não é possível que um professor continue a ensinar eficazmente com giz e quadro negro, quando os alunos utilizam MP3, Ipod, Iphone e telemóveis de última geração no seu dia-a-dia. Considero que o desenvolvimento de uma temática ligada às novas tecnologias poderá contribuir para a nossa valorização profissional e creio que poderá vir a ser mais um instrumento de reflexão para as comunidades educativas, em geral.

Organização do Trabalho Iniciarei a minha dissertação referindo-me ao seu tema, apresentando o problema que encerra, as hipóteses de trabalho relativas à temática e a metodologia que pretendo adoptar. A monografia será dividida em três capítulos que abarcam os conteúdos que passo a citar seguidamente. A organização do meu trabalho tem como ponto de partida uma breve introdução que irá sintetizar o desenvolvimento dos conteúdos a actualizar. Posteriormente, no primeiro capítulo, trabalhar-se-á a conceptualização teórica inerente ao conceito de educação e de paradigma. Passar-seá à apresentação de uma breve história da educação, procurando vincar-se aspectos característicos de cada época, salientando os paradigmas educativos e identificando a dinâmica evolutiva da educação ao longo dos tempos. Por fim, e para finalizar o primeiro capítulo, irei debruçar-me sobre o futuro do processo educativo, o que se espera que venha a acontecer e que medidas se poderão adoptar para que se possa optimizá-lo. O segundo capítulo incidirá sobre as actuais aplicações e plataformas de ensino, dando-as a conhecer e às suas potencialidades. O terceiro capítulo tratará da análise dos resultados relativos aos questionários respondidos por alunos, professores e elementos de órgãos de gestão escolar. O quarto apresentará o percurso metodológico efectuado para se chegar aos objectivos e a verificação dos resultados conseguidos. Por fim, terá lugar a apresentação da conclusão do trabalho efectuado.

5


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

CAPÍTULO 1 - A Educação

6


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

1.1 O conceito de educação

O conceito de educação reveste-se de grande complexidade, uma vez que muitas são as definições que a pessoa vulgar lhe atribui. Posta esta situação, convém apresentar algumas opiniões sobre o que é a educação. Comecemos pela ideia de Durkheim, cujo conceito de educação originou largo consenso na época. Dizia-nos o pensador que: “A educação é a acção exercida pelas gerações adultas sobre as que ainda se não encontram amadurecidas para a vida social. Ela tem por objectivo suscitar e desenvolver na criança um certo número de condições físicas, intelectuais e morais que dela reclamam, seja a sociedade política, no seu conjunto, seja o meio especial a que ela se destina particularmente” (Durkheim, 1994). Para Mialaret, o conceito de educação possibilita três significados: o primeiro ligado a uma instituição social, dando-lhe um sentido histórico-comparativo e sócio-político; o segundo, sublinha que é resultado ou produto de uma acção, ou seja, é uma educação adaptada às exigências da sociedade; em terceiro lugar, ela é perspectivada como um processo que relaciona de maneira prevista ou imprevista os seres humanos, colocando-os numa situação de influência e intercâmbio. O conceito de educação só estará completo quando for feito um estudo exaustivo de todas as suas implicações e significados. Paulo Freire defende que “A educação é um acto de amor, por isso, um acto de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir a discussão criadora, sob pena de ser uma farsa. Como aprender a discutir e a debater com uma educação que se impõe?” (Freire, 1979). Kant afirmava que:“A educação tem como finalidade desenvolver no indivíduo toda a perfeição de que este é capaz.” (Kant. In Curtis & Boultwood, 1977).

É unânime considerar que o conceito de educação se reveste de grande complexidade. Temos verificado que o senso-comum relaciona educação com estudo. Parece-nos incorrecto aceitar uma ideia que pretende transformar um processo natural e gradual num simples limite específico, como é a sala de aula, e condicionar a educação a uma mera etapa de estudo. Não se trata de um momento passageiro, mas de uma dinâmica de pesquisa e investimento ao longo da vida. Um investimento que 7


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

requer consciência alargada de todo o processo activo. A passagem do senso-comum à de consciência é fundamental, de forma a elevar a consciência de todo um povo e, consequentemente, dar sentido e valor à existência. A história da educação passou por momentos específicos, mediante a época que queiramos estudar. Observada como arte, actividade ou ciência (se se puder apelidar a educação destas formas), o que parece um facto concreto é que sofreu metamorfoses no processo de evolução e foi perspectivada de forma diferente. A essas alturas em que se define, de forma concreta, os significados e conceitos, do ponto de vista da Ciência, Thomas Khun apelidou paradigmas. Em benefício do nosso objectivo na realização da nossa monografia, consideramos importante apresentar, de uma forma sucinta, os vários paradigmas que compuseram a História da Educação.

1.2 As várias perspectivas de Paradigma

Um paradigma pode definir-se como um conjunto de valores e preconceitos que se assumem como válidos num determinado contexto social, sendo, portanto, socialmente aceites. Proveniente do grego (parádeigma, -atos), o termo paradigma significa modelo, exemplo ou padrão. A noção de paradigma pode ser estudada, pelo menos, segundo duas perspectivas: a clássica e a contemporânea.

1.3 A perspectiva clássica e contemporânea de Paradigma

Na perspectiva clássica, o paradigma é de natureza filosófica e insere-se numa das versões da teoria das formas ou ideias de Platão. Segundo Marcondes (2002, p.15), na perspectiva platónica “um paradigma é um modelo, um tipo exemplar que se encontra num mundo abstracto e do qual existem instâncias, como cópias imperfeitas, em nosso mundo concreto”. Platão entendia que paradigma dizia respeito à realidade, aos objectos e aos seres do mundo sensível, àquilo que o ser humano percepcionava do que via. Como 8


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

para este filósofo existia o mundo das ideias, que era independente do mundo real, o paradigma funcionava um pouco como o espelho de um mundo original que se reflectia no mundo observado pelos homens. Ou seja, o paradigma era o padrão não genuíno de algo que lhe era superior e, por esse motivo, não era perfeito. Apesar de os homens o seguirem como exemplo, o padrão mais aproximado do conhecimento, ele não encerrava em absoluto a verdade, pois esta só era possível de se obter se alguém conseguisse navegar e chegar ao mundo das ideias. Seja como for, o paradigma era o instrumento que os homens tinham à mão para atingirem os seus objectivos. O filósofo sublinhava que, por este motivo, os homens eram incapazes de expressar por escrito as coisas de maior valor.2 Hoje em dia, o conceito de paradigma modificou-se e não se deve falar dele sem nos referirmos a Thomas Kuhn. Para este pensador, deve ser perspectivado no campo da Ciência. Ele serviria de suporte a uma ideia ou teoria relativa a uma dada área científica. Assim, o seu significado está intimamente ligado à evolução das ciências e à aquisição de conhecimento. Este pensamento está presente na sua obra: A Estrutura das Revoluções Científicas. Segundo Kuhn, este conceito poderia ser observado em duas vertentes distintas: a referente a um conjunto de crenças, valores e técnicas aceite e actualizado pela maioria dos elementos que compõem uma determinada comunidade, mas também as soluções concretas que resolveriam problemáticas fora do contexto padrão que agrupa um conjunto de regras previamente estabelecidas pela sociedade. Na opinião do mesmo autor, a evolução do processo conectado com o conhecimento pode ser divido em cinco etapas: a préparadigmática (antes do paradigma ser edificado), a paradigmática (que se debruça sobre as características do objecto em estudo, das questões que devem ser elucidadas e das técnicas e métodos que se devem utilizar para que se atinjam os objectivos delineados), a científica (que se concentra nas regras estipuladas), a crise (respeitante aos problemas que resistem ao processo padrão para os resolver) e, por fim, a revolução (que consiste na substituição do paradigma antigo, incapaz de resolver os problemas vindos a lume, por um paradigma mais moderno e mais capaz de satisfazer as interrogações humanas).

2

Estas ideias do filósofo podem ser analisadas em obras como Fedro ou Carta VII.

9


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Não podemos afirmar que Kuhn se afastou totalmente do ideário de Platão, uma vez que encontramos pontos de convergência nas duas teorias, nomeadamente, no que respeito à ideia de que um paradigma é um modelo que os homens devem utilizar como instrumento da sua actuação e, por isso, possuidor de uma função normativa. Edgar Morin é outro pensador que dá um importante contributo para a ideia que se tem actualmente de paradigma. Ele não segue o pensamento de Kuhn e na sua obra: Repensar a Reforma, Reformar o Pensamento, argumenta que o conceito de paradigma tem adstrito um conjunto de relações lógicas que estabelecem a ligação entre ideias e que servem de suporte a um discurso coerente. Esses conceitos podem reunir um grupo de ideias em rede de interacção que contribuirão para a inserção dos elementos no discurso e pensamento lógico ou para a separação de ideias porque estas, apesar de pertencerem a outra rede de significação, entram em contraste com outras que estão no momento a ser actualizadas. A lógica, suportada pela relação básica de conceitos, tem um contributo fulcral, controlando todo o discurso proferido. É esta a ideia força de Morin numa vertente linguística, ideológica e lógica.

1.4 Paradigma, educação e evolução do conhecimento

A Educação tem inerente o conceito de paradigma. Para tentarmos perceber a ligação entre estes dois elementos é importante retornarmos no tempo até à Antiguidade Grega e a Platão. O filósofo é considerado por muitos o primeiro pedagogo, uma vez que elaborou as primeiras teorias sobre educação. A educação tinha objectivos de ordem social e moral. Para este pensador, o homem que recebia instrução deveria tornar-se num melhor cidadão, colaborando, posteriormente, para a edificação de um Estado mais justo. Estabeleceu, desta forma, uma ponte entre virtude e conhecimento. Só atingia o conhecimento o indivíduo que fosse virtuoso. Também as ideias de belo e bem estavam associadas à virtude e, por esse motivo, a conhecimento. O processo de aquisição de conhecimento não era delimitado pelo tempo, mas deveria ter lugar no decorrer da existência humana, devido a implicações de ordem política e social. Só os mais sabedores deveriam governar, uma vez que eles 10


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

seriam os mais aptos para levar a bom porto o destino da cidade e a justiça social. E, para ele, os mais sabedores eram os filósofos (na sua obra República expressa isso mesmo). O filósofo desenvolveu a ideia pioneira de que cabia ao Estado responsabilizar-se pela educação. Como se sabe, mais tarde essa ideia veio a vingar no mundo ocidental. Não havia destrinça entre a instrução ministrada a homens e a mulheres e todos deveriam ter acesso ao ensino. Cabia ao mestre avaliar a competência dos seus discípulos, pelo que deveria fazer de forma criteriosa a selecção e identificação dos que revelavam o melhor desempenho, de forma a motivá-los para a constante procura do conhecimento, favorecendo o surgimento de um conjunto de elementos cuja acção seria muito benéfica para a sociedade. Porém, a formação das pessoas deveria começar antes do seu nascimento, através do estudo de diversos grupos sociais e da forma como se poderia potenciar as características dos seus descendentes.3 A consciência da importância da aquisição do conhecimento era um facto que ganhou grande relevo desde o tempo da Antiguidade. A forma como interpretamos a realidade no mundo ocidental baseia-se no caldeamento de várias ocorrências ideológicas ao longo da história. No ocidente, antes do Renascimento, a verdade era dogmática, pois era perspectivada como desígnio de Deus. A estrutura da organização social era o autoritarismo e as ideias que fossem contrárias às estabelecidas pelo ideário religioso eram reprimidas. O conhecimento científico era limitado, pois o desenvolvimento dos processos era sujeito a forte opressão, quando se considerava que eram contra as ideias que vigoravam, desencorajando os estudiosos, que livremente procuravam alargar as suas pesquisas e investigações, a tudo que consideravam pertinente analisar. Com o Renascimento e com o Humanismo, esta situação começou a mudar. O Homem passou a ser o centro do universo, passou a investigar, a experimentar, a interpretar o sistema de interacção entre os diversos elementos constituintes do mundo real, procurou demonstrar a razão de ser das coisas e que tudo estava ligado numa complexa rede de relações. As descobertas conseguidas no campo da física e da astronomia vieram revolucionar a Ciência e incrementar o gosto pela pesquisa e

3

Sobre este assunto, vid. Inquiries in to human faculty and its development, de Francis Galton (2009).

11


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

experimentação, dando confiança às capacidades intelectuais do Homem. Tudo era objecto de observação, uma vez que o estudioso procurava uma resposta para o Mundo. 4 Descartes (1596–1650) apresentou uma teoria que apoiava o método da decomposição dos elementos constituintes do pensamento e das questões problemáticas, classificando-os e agrupando-os de forma lógica. A razão era a forma de atingir o conhecimento, apesar de não se dever negligenciar o papel que o mundo sensível tinha para a descoberta da verdade científica, através da experimentação e da organização

dos

efeitos

consequentes

de

determinadas

causas.

Após

a

experimentação, a intuição, a dedução e a dúvida levavam até ao raciocínio lógico que actuava como instrumento que contribuía para organizar o pensamento, procurando comprovar-se a resolução a que se chegava. Só desta forma, o pensamento estaria munido de alicerces sólidos. A essência estava no mundo espiritual que ele separou do mundo empírico. O filósofo é considerado como o pai da ciência moderna e um adepto incondicional do racionalismo. Actualmente, muitos são aqueles que criticam o ideário deixado por Descartes. Não obstante, reconhecem o contributo único do filósofo para o desenvolvimento científico-tecnológico que se operou a seguir, originando a democratização de mentalidades e do conhecimento, promovendo a discussão sobre todas as temáticas, incrementando a modernidade, o conforto, o crescimento de melhores condições sociais e de justiça, alargando horizontes sem limites. Com o desenvolvimento da Ciência ao longo dos séculos, deu-se um salto civilizacional. Porém, esta situação tem trazido igualmente situações graves de difícil resolução para o Homem, encontrando-se “Dividido no conhecimento, dissociado nas suas emoções e nos seus afectos, com a mente técnica e o coração vazio, sem um trabalho digno e satisfatório, compartimentalizado no viver e profundamente infeliz” (Moraes, 2007, p. 43). Esta visão compartimentada está, hoje, a ser questionada. Extrapolando, inclusivamente para o campo do corpo humano, António Damásio (Damásio, 1999) defende que este contém um sistema muito complexo com uma rede de intercomunicação entre os diferentes elementos que o compõem e que 4

Sobre este assunto, vid. Turning Point: Science, Society and the Rising Culture de Capra (1992).

12


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

tanto os músculos, como as articulações e os órgãos enviam sinais para o cérebro através de nervos periféricos. A actividade e funcionamento do cérebro está condicionada pela produção de substâncias químicas que percorrem o fluxo sanguíneo e podem atravessá-lo, influenciando o seu funcionamento. Por sua vez, o cérebro também produz hormonas que chegam a todas as partes do corpo e que determinam a sua actividade. Esta perspectiva faz o enfoque nas relações físico-químicas, defraudando aqueles que atribuíam ao processo de raciocínio a autonomia quase plena, ou, pelo menos, um distanciamento considerável em relação ao corpo e aos seus órgãos.

1.5 O Paradigma tradicional e o paradigma contemporâneo

O pensamento tradicional influenciou, de forma importante, os séculos passados. Advogava que mente e matéria estavam separados e que o conhecimento poderia ser dissecado em várias partes. Este método de fragmentação era considerado mais eficaz, uma vez que permitia um maior discernimento e compreensão do conhecimento. No campo da instrução, baseando-nos no paradigma tradicional, o aluno tinha um papel passivo e receptivo, enquanto o professor era a entidade que era possuidora da verdade absoluta e, neste prisma, seria o emissor da mensagem. Não deveria existir comunicação entre os alunos, mas tão-somente uma postura de submissão e concentração na tentativa de assimilar os conteúdos chave do discurso proferido pelo mestre. O docente representaria uma autêntica autoridade, sendo posta de parte qualquer necessidade de investigação extra-aula. O objectivo seria que os alunos reproduzissem os modelos de comportamento pré-estabelecidos pelo poder político e tivessem uma atitude de submissão perante a autoridade. Neste contexto, qualquer atitude de crítica seria posta de parte. Nos anos 30, há uma reacção ao paradigma tradicional, através de uma teoria denominada “escolanovista”. Esta pôs o acento tónico no desempenho do aluno, alterando o seu estatuto de passivo para activo, e procurando respeitar a sua individualidade. A escola não deveria ser um local onde se ministrava um ensino de preparação para a vida, mas deveria ser a própria vida. Ou seja, o aluno faria a 13


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

experimentação de situações reais na escola, estando os conteúdos de acordo com o contexto vivencial contemporâneo. A Escola Nova apostava numa democratização do ensino e defendia que a escola tinha um papel base na estrutura social, uma vez que as pessoas, quando a abandonassem, desenvolveriam a aprendizagem que nela tinham adquirido. Para que tal fosse possível, era fundamental que, tanto o professor como o sistema respeitassem a individualidade de cada discente, levando-se em linha de conta a sua vida psicológica e emocional. 5 e que deixassem extrapolar a energia e empenho em termos escolares que deles emanasse como um contributo importante para o processo de ensino-aprendizagem. É com esta ideia relativa à necessidade de um novo paradigma para um novo mundo que se tem procurado encontrar soluções adequadas que materializem uma escola moderna e adaptada às novas exigências do momento contemporâneo. Assim, nos anos 70 do século XX, surgem novas ideias no plano pedagógico-educacional. Conscientes de que a escola poderia ter um papel fundamental nas transformações sociais, procurou-se que todos lhe tivessem acesso. Deu-se, então, o fenómeno de massificação do ensino. Se as classes sociais mais desfavorecidas frequentassem a escola, ganhariam consciência cultural, política da sua situação e procurariam contribuir para a metamorfose da organização social, promovendo-se maior justiça, dignificando-se o Homem, incrementando a cidadania. Foi por esta altura que surgiram pedagogias de cariz particular, como a que defendia a educação de adultos, a que punha em causa a autoridade na escola, defendendo a auto-gestão com fins de consciencialização política, a orientada para conteúdos sócio-culturais, que visava a aprendizagem para depois ser utilizada como instrumento prático de transformação social. Do estudo destas ideias e como consequência delas, surgiram teorias que defendiam uma “educação democrática”, sendo o construtivismo uma das mais representativas. Salientava, esta teoria, que o conhecimento era resultado de uma construção que se ia desenvolvendo ao longo do tempo com a interacção entre o professor, os alunos e o grupo de trabalho. O aluno tinha um saber passivo no seu interior que deveria ser despertado pelo seu desejo de aprender e estimulado por um 5

Sobre este assunto, pode consultar-se a obra Tornar-se Pessoa de Carl Rogers (2009) ou Democracia e Educação, de John Dewey (1959).

14


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

professor de mente aberta que estivesse atento às iniciativas do discente. O processo de ensino-aprendizagem deveria ser motivador, originando o interesse de todos os intervenientes e o desejo de investigar, descobrir e voltar a pesquisar, incrementando a actividade contínua, reestruturando as soluções encontradas, promovendo sempre novas questões e adaptando o sistema ao contexto que o circunda e que está sempre em mutação. O aluno teria um importante papel de auto-disciplina, auto-regulação, auto-orientação, em prol do seu desenvolvimento escolar. O paradigma que o sustentava era o progressista, centrado numa atitude mais crítica por parte do aluno em relação ao objecto de estudo.

1.6 Contributos históricos para uma nova ideia de Educação

Não é possível compreender o estágio actual da Educação nas sociedades ocidentais contemporâneas sem ter em conta a sua história. O conhecimento da evolução histórica, das várias fases de desenvolvimento, da Educação e da Pedagogia é imprescindível para o seu estudo na actualidade. O contexto cultural não pode também, por outro lado, deixar de ser levado em conta para uma correcta análise das questões educacionais, das suas causas e dos seus efeitos. Na realidade, a transmissão e aquisição dos valores educacionais não se processou de igual forma ao longo do tempo, nem nas sociedades ocidentais e ditas civilizadas, nem nas sociedades ditas primitivas ou de menor nível civilizacional.

1.7 Das comunidades tribais ao período clássico

Nas sociedades de organização tribal, a educação pode ser considerada não formal, segundo Maria Lúcia de Arruda Aranha, em História da Educação. Não há ninguém encarregado de transmitir aos outros regras de educação ou formas adequadas de agir e de reagir. As crianças aprendem através do exemplo, portanto, por imitação das condutas dos adultos, das suas práticas no quotidiano e através das experiências. Os adultos são tolerantes quanto ao ritmo de aprendizagem e à 15


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

adaptação das crianças aos valores da tribo. Neste tipo de sociedades, a educação é transmitida pela difusão (todos participam na transmissão do conhecimento), pela integralidade (abrange todo o saber da tribo) e pela universalidade (todos têm acesso ao saber). Mas é na Grécia que tem origem o nosso conceito actual de educação. A visão dos gregos sobre o Mundo e a forma de educar distinguia-se relativamente a todos os outros povos da Antiguidade. Eles destacaram a importância da Razão e do Homem no Universo e acreditavam que o desenvolvimento das capacidades das crianças, que eram entregues aos pedagogos, tornaria mais forte a cidade-estado. A preparação para a cidadania era o principal objectivo da educação grega. A educação baseada na virtude (aretê) foi questão abordada por filósofos como Sócrates, Platão ou pelo poeta Homero. Mas o ideal de educação grego era a paidéia, que surge durante os séculos VI e V a.C, uma cultura crítica relativamente ao saber religioso e mítico à qual contrapõe a Razão. A atenção centra-se na formação do Homem nas suas várias dimensões social, política, cultural e educativa (holística). É então que nasce a Pedagogia, como saber autónomo, considerando a educação como “saber” em vez de “ética”. Com a decadência das cidades-estado gregas, no final do século IV a. C., a antiga paidéia torna-se enciclopédia, uma “educação geral” para a formação do homem culto. O papel de pedagogo assume cada vez maior importância, o ensino privado institucionaliza-se, a escrita, a leitura e o cálculo desenvolvem-se. Surge a Universidade de Atenas, importante centro de desenvolvimento intelectual, que se consolidará até ao período de dominação romana. Segundo os princípios da democracia grega, um indivíduo só se tornava um cidadão ao exercer os seus direitos de opinar, discutir e votar nas assembleias. Assim, o ideal da educação assentava na formação do bom orador, capaz de persuadir os outros no campo da política. Para transmitir esta educação aos mais novos, surgem os sofistas, considerados sábios, mas que recebiam dinheiro para ensinar. Foram muito criticados por isso por Sócrates, que considerava que os verdadeiros sábios eram os que reconheciam a sua ignorância.”Só sei que nada sei” é uma frase que lhe é atribuída. Para combater os sofistas, Sócrates desenvolveu os métodos da ironia (levar o ouvinte que considera saber tudo a perceber que, afinal, não sabe tudo) e da

16


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

maiêutica (quando percebe que não sabe tudo, o ouvinte procura saber mais, dar luz às ideias).

1.8 A Pedagogia Romana

Enquanto na Grécia se valorizava uma perspectiva filosófica da pedagogia, bem como a retórica, em Roma, privilegiava-se uma vertente mais pragmática, voltada para o quotidiano e não para a contemplação do mundo. A civilização romana foi, no entanto, fortemente influenciada pelo helenismo. A mãe assumia a educação das crianças nos primeiros anos de vida, mas, a partir dos sete anos, essa tarefa era entregue ao pai e se, por acaso, este estivesse ausente, ao tio, que se responsabilizava pela sua educação moral e cívica. Era um modelo de organização patriarcal. Cedo os políticos compreenderam a importância da retórica ateniense nos seus discursos junto das multidões. Preceptores gregos começam a apoiar a educação dos jovens romanos. É também evidente a influência grega no desenvolvimento das escolas. O primeiro sistema de ensino organizado, organismo centralizado que coordena uma série de instituições escolares, deve-se aos romanos. São eles que organizam o ensino em três fases: a instrução primária, o ensino secundário e o ensino superior. Estima-se que as escolas primárias tenham surgido durante os séculos VII e VI a.C. As crianças ficavam a cargo de um preceptor particular e, quando tinham sete anos, eram confiadas a um mestre que lhes ensinava a ler. Os alunos agrupavam-se em torno do mestre que se sentava numa cadeira, a cathedra, colocada sobre um estrado. O ensino era colectivo e misto e as aulas eram dadas debaixo de um alpendre, protegido por um toldo, num espaço aberto. Além da leitura, as crianças aprendiam a escrever em duas línguas, o latim e o grego, e noções de cálculo. O agrupamento das crianças em turmas e o quadro preto foram ideias criadas pelos romanos. A grande maioria das crianças dos estratos sociais mais baixos abandonava a escola depois da primária e começava uma aprendizagem, orientada por um mestre, em várias profissões. Só uma minoria prosseguia um segundo ciclo de estudos, o ensino

17


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

secundário. Menos alunos ainda acediam ao ensino superior, com a grande finalidade de formação de Oradores para seguirem a carreira política. Simultaneamente à criação de escolas pagãs, nos séculos II e III, inauguraramse escolas cristãs, com o objectivo de formar os futuros homens da Igreja e de promover o afastamento da cultura pagã, acusada de atentar contra os valores do Cristianismo.

1.9 O Humanismo e a Valorização da Criança

Só a estrutura religiosa se manteve, após a queda do Império Romano. O ensino passou a ser tarefa dos monges. E é a pedagogia cristã que passou a valorizar a criança como pessoa, o que até aí não acontecia, e a proporcionar-lhe uma educação específica. O desenvolvimento da Universidade ocorreu a par do crescimento das cidades. No início, o ensino superior era nómada. Os alunos acompanhavam os professores nas suas deslocações e as aulas não decorriam apenas num local. O saber era considerado algo muito importante e respeitado. Com o Humanismo, movimento ideológico, cultural e artístico que floresce no século XIV, foi dado um novo sentido e um novo valor ao Homem, em torno do qual giram todas as coisas. A preocupação relativamente à sua formação adquiriu, por consequência, muito maior relevância. São publicadas várias obras sobre o comportamento humano e sobre a descoberta da criança. A invenção da imprensa vem contribuir decisivamente para uma mudança no campo educacional, com a produção de livros para os estudantes, rompendo com o monopólio intelectual do alto clero e a transmissão oral do saber. A Reforma religiosa que teve na base um humanismo evangelista crítico da Igreja daquele tempo, que foi acompanhada pela ascensão da burguesia, veio trazer profundas mudanças no sector da educação. Algumas ideias essenciais nesse campo, durante a Reforma Protestante, encontram-se nos escritos de Martinho Lutero sobre a organização do ensino e os princípios que devem nortear a educação. Defendia que a educação escolar devia deixar de estar sob a responsabilidade da Igreja e que a criação 18


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

e manutenção das escolas deveriam ser da competência das instituições políticas locais, e o financiamento e a sua supervisão passar a ser tutelados pela responsabilidade pública. Além do aspecto organizacional, Lutero defendia, ainda, a democratização da educação escolar e a sua acessibilidade para todos, independentemente da classe e do estrato social a que pertenciam, tornando essa educação obrigatória e responsabilizando pais e autoridades pelo cumprimento destes princípios.

1.10 O Iluminismo e Jean Jacques Rousseau

Nova revolução altera as ideias sobre a educação, com o movimento do Iluminismo. Estes inovadores princípios estão, sobretudo, representados na obra de Jean Jacques Rousseau. O autor apoiava-se na crença na bondade natural do Homem e na ideia de que a origem do mal estava na civilização e no mundo exterior. Na sua obra, Emílio, ele responde à questão de como se devem preparar as crianças para a vida em sociedade. Com este pensador, é posta em causa a ideia que prevalecia na época em que a criança era considerada apenas uma miniatura do adulto e não tinha características próprias. Para Rousseau, as crianças tinham especificidades que era necessário levar em conta, de forma a dar-lhes uma educação adequada, facilitar a sua integração social e torná-la feliz. Contrariando os princípios pedagógicos rígidos dos jesuítas e de outros modelos educacionais tradicionais, Rousseau defendia uma educação interactiva, espontânea, que desenvolvesse a natureza da personalidade de cada um e promovesse a felicidade. A afectividade no processo educativo assume, para este autor, um lugar central, tanto na família, como na escola, contribuindo para a ligação entre as pessoas e para criar um clima de prazer o que, na sua perspectiva, favorecia o desenvolvimento. A educação processava-se de forma gradual e progressiva. Cada estágio do processo pedagógico estava relacionado com as necessidades individuais do desenvolvimento da criança. Na sua perspectiva, esta deveria aperfeiçoar os órgãos dos sentidos através de exercícios, jogos e brincadeiras, antes de ter contacto com os livros. 19


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Ao educador competiria conter a energia inata da imaginação da criança até ao momento em que esta apresentava condições para a desenvolver. No contexto histórico do Iluminismo, a escola deveria ser leiga e livre, não beneficiando ninguém devido à sua origem de classe.

1.11 O futuro do processo educativo

O processo de ensino-aprendizagem tem evoluído ao longo dos tempos, conforme foi apresentado na pequena resenha que elaborámos. Uma questão, entretanto, se põe: como será a educação no futuro? Sem querermos fazer futurologia, e não nos interessando em tentar imaginar como ela será num tempo distante, baseando-nos na evolução que tem havido e nos dados que temos no presente, tendo, ainda, em linha de conta o tema da nossa tese, pensando num advir próximo, julgamos que a aprendizagem far-se-á bastante apoiada pelos inovadores meios tecnológicos, entre os quais, as plataformas. Neste campo específico, defendemos que as plataformas passarão a possuir certas funcionalidades mais alargadas e gozarão de muito maior concorrência. Tentar-se-á reduzir a insuficiência da falta de presença física dos docentes e discentes e da aprendizagem assíncrona, através de uma muito maior utilização da vídeo-conferência e do uso do microfone. De notar que o uso das plataformas deve ser um processo complementar e nunca substituto do processo de ensino-aprendizagem, pelo que, se os responsáveis pela educação assim não o julgarem, atribuindo às novas tecnologias o papel principal, correr-se-á o risco da falência da aprendizagem, pois esta não pode sobrepor-se à situação única da relação humana entre os diferentes elementos do processo, sem que se torne uma actividade monótona sem capacidade de motivar e estimular os intervenientes, efeitos esses seriamente prejudiciais para os objectivos previamente institucionalizados e delineados. As novas tecnologias devem ser sempre perspectivadas como instrumentos de eleição e não como alternativa ao desempenho humano neste contexto. Certamente que, no futuro, o uso mais recorrente do chat, do fórum, de funcionalidades que permitirão oferecer ainda mais 20


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

ao discente a possibilidade de deixar uma marca da sua individualidade no processo de ensino, nomeadamente produção de textos ou ideias singulares e a elaboração de criações artísticas, poderão vir a ser uma realidade, ou seja, será feito um maior aproveitamento das potencialidades das plataformas. Nos dias de hoje, ainda se pode observar um subaproveitamento destas. A integração das plataformas nas escolas foi realizada, mas verifica-se, ainda, uma subalternização das suas potencialidades, tanto por parte do docente como do discente, não sendo utilizadas na sua plenitude. É uma situação que vai requerer intervenção no plano informativo. A consciencialização dos benefícios que as plataformas poderão trazer ao processo de ensino-aprendizagem terá como efeito o seu uso mais frequente.

1.12 Em jeito de conclusão

Desde há muitos séculos que o processo educativo tem sofrido alterações e evoluções. Vários tipos de paradigmas se sucederam ou conviveram ao longo do tempo. A educação começou por ser espontânea, baseada na difusão do conhecimento, na integralidade e na universalidade. Tinha uma função colectiva de aprendizagem do saber para toda a comunidade, mas com o decorrer do tempo sentiu-se a necessidade de ser estruturada. Na antiga Grécia, as mães educavam os seus filhos até aos sete anos. Essa incumbência passava depois para os pais ou tios. Os alunos eram sujeitos a um ensino peripatético e nómada (tendo a filosofia e a retórica um papel determinante) não estando sempre no mesmo local para receber o ensinamento. Havia também o ensino pago. Com os romanos, surgiu, pela primeira vez, um sistema de ensino oficializado e o processo de ensino-aprendizagem (cuja busca de conhecimento estava virada mais para a vida quotidiana) ficou dividido nas seguintes vertentes: ensino primário, secundário e superior. Nascem as primeiras escolas entre os séculos VII e VI. Na Idade Média, a educação era ministrada pelos pais, tendo uma forte componente religiosa católica. A instrução era para poucos e eram os monges que a coordenavam. Foi a pedagogia cristã a primeira a valorizar o papel da criança no ensino. Por estar condicionado pela religião, era um ensino dogmático e autoritário. O Renascimento e o Humanismo vieram trazer um estímulo importante 21


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

para a vontade de descobrir e de investigar, atribuindo ao Homem maior responsabilidade na sua formação, pugnando por um ensino para todos e livre da tutela da Igreja. Com o Iluminismo, defende-se uma escola democrática, participativa, assente na afectividade, procurando integrar a família neste processo, sugerindo uma educação liberal por parte dos pais, antes de a criança ir para a escola. A educação tradicional domina parte do século XIX e XX, estando as pessoas limitadas por fortes regras de conduta. O objectivo é torná-las submissas ao poder estabelecido, encarregando os mais dotados de dirigirem os destinos da sua vida. Esta situação reflecte-se na instrução na qual o professor tem um papel autoritário, dominador, pertencendo a ele todo o saber que transmite a alunos submissos e sem capacidade de expressar o seu argumento crítico. Porém, uma visão democrática do ensino fará com que se despolete uma reacção, partindo-se do princípio que o Homem, para desenvolver a sua mente e o seu carácter, necessita de uma Educação e Instrução livre e útil, em que o debate e a discussão dos temas têm um papel fundamental para que se opere a evolução. Vários foram os paradigmas que nasceram, contudo, quase todos sublinharam as ideias base de democracia e de preocupação social como base da sua funcionalidade. A educação e a instrução não eram meros instrumentos de aquisição de regras, valores e saberes, tinham uma missão de integração, desenvolvimento e transformação social.

22


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

CAPÍTULO 2 – As Plataformas Moodle

23


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

2.1 Introdução

Não faria muito sentido não dedicar um capítulo da nossa dissertação às plataformas de tipo Moodle, até porque a sua conexão com a educação são o tema da nossa monografia. Referir-nos-emos a algumas das suas características e funcionalidades, ilustrando-as com a imagem de uma página de uma plataforma escolar, analisando-a e comentando as suas operacionalidades. Debruçar-nos-emos, igualmente, sobre o resultado da análise que fizemos a dois Projectos de Escola de duas escolas portuguesas sobre a temática concernente aos recursos tecnológicos adaptados ao contexto educativo.

2.2 As novas tecnologias nos dias que correm

Há pouco mais de 20 anos, o uso do telemóvel e da internet estavam longe de ser generalizado em Portugal, as escolas não tinham computadores, não se usava o messenger, o twitter, muito menos o facebook ou o skype. Não havia i’Pods, nem play stations. Em pouco tempo e a um ritmo e velocidade alucinantes, as novas tecnologias de informação e de comunicação revolucionaram e continuam a revolucionar a vida das pessoas em todo o mundo. Como em tudo, o seu uso trouxe vantagens, mas também desvantagens. A difusão dos equipamentos das novas tecnologias contribuiu, de forma determinante,

para

a

simplificação

dos

processos

administrativos

e,

consequentemente, para a diminuição dos custos que lhe estão associados, bem como para a agilização do relacionamento com os cidadãos e com as empresas. As

novas tecnologias

assumem

um

papel especial no campo da

desburocratização e transparência, contribuindo, assim, para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos em vários sectores. Muitos serviços tornaram-se acessíveis online.

24


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Na área da educação, os computadores entraram nas escolas e a sua utilização não se circunscreveu ao ensino tradicional. As novas tecnologias têm sido aproveitadas no âmbito da sociedade de informação, contribuindo para exercer uma cidadania participativa e interveniente. Promoveram, também, novas vivências e práticas escolares, através de relações entre as escolas e as instituições, tais como bibliotecas, museus e associações, entre outras. Novas investigações científicas foram desenvolvidas no ensino superior. Também nas empresas, as novas tecnologias possibilitaram um melhor controlo do fabrico e da gestão, entre várias outras actividades. Em muitos casos, os computadores

substituíram

trabalhadores

e

tipos

específicos

de

trabalho.

Promoveram a chamada globalização, mas também a criação de novos emprego, novas formas de trabalho, de organização, negociação e pagamento. Exemplos do uso das novas tecnologias no quotidiano encontram-se no controlo de tráfego aéreo com base em sistemas informáticos que “guiam” os aviões para os rumos e pistas correctos. Através das redes de satélites, também se podem fazer previsões do tempo e, inclusive, de catástrofes. O telefone, o fax e o e-mail são meios eficazes de comunicação que têm substituído o uso das cartas, quase totalmente. Hoje, praticamente todas as famílias têm computador em casa. Mas foi na área da informação que o peso das novas tecnologias ganhou uma maior dimensão. Um único meio electrónico de comunicação passou a poder suportar variados tipos de informação possíveis de digitalizar, desde documentos de texto, a imagens, áudio e vídeo. A informação é transmitida em poucos segundos e enviada para diversos locais. A internet é a tecnologia mais utilizada nos dias de hoje. Através deste meio pode ser transmitida e gerida grande quantidade de informação de todo o género, constituindo um precisoso contributo para o desenvolvimento das sociedades e para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. A internet melhora a qualidade da comunicação e o acesso à informação. Pode ser utilizada para trabalhar nas empresas ou em casa, mas também para actividades de lazer. Entre as suas principais vantagens, incluem-se a rapidez da comunicação entre as

25


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

pessoas via e-mail ou chat, oportunidade para constituir redes de pessoas e de grupos e para estabelecer ligações à escala mundial. O surgimento destas novas tecnologias possibilitou uma maior partilha de informação e de conhecimentos e desenvolvimento de parcerias, novos hábitos e práticas de trabalho, de estudo e de lazer, bem como de consumo. O acompanhamento da evolução das novas tecnologias é imprescindível para o Homem moderno que deve, no entanto, gerir o seu uso de forma a evitar as suas desvantagens que vão desde o seu uso a favor da criminalidade, como da devassa da vida privada. Encontrar um equilíbrio é, no entanto, fundamental, visto que o preço por decidir não acompanhar a evolução é a estagnação e o retrocesso.

2.3 As plataformas tipo Moodle

Moodle significa Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment. Foi um software criado com o objectivo de servir como um auxiliar à aprendizagem. A língua inglesa tem o verbo to moodle que descreve uma acção que leva a resultados criativos com um estado de espírito caracterizado pelo prazer e pela tranquilidade. Em termos do processo educativo, refere-se não só à forma como foi efectuada a actividade, como também à maneira como os participantes se envolvem num curso online. Nasceu em 2001 e foi pensado e actualizado pelo cientista Martin Dougiamas. Poderemos, assim, interrogar-nos sobre o que é o Moodle. Trata-se de um software utilizado para criar cursos, tendo como base a internet e sítios web; um projecto de desenvolvimento que tem como missão criar a base para um esquema educativo inspirado no construtivismo social; um sistema que administra actividades relacionadas com a educação, privilegiando os ambientes virtuais e as comunidades on-line; um meio tecnológico de ensino através de uma página web, onde se poderão desenvolver soluções como o E-Learning (ensino à distância) e o B-Learning (ensino presencial e à distância). Pretende-se uma aprendizagem em que todos colaborem. Através dela, é possível que um docente e um aluno estabeleçam uma relação pedagógica simples num curso ou disciplina on-line. Segundo o seu criador, desenvolve uma aprendizagem 26


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

sócio-construtivista, porque os administradores elaboram artefactos de forma activa e continuada, sendo estes textos fundamentais para sustentar o processo de ensinoaprendizagem6. Pode conseguir-se o programa gratuitamente. O Moodle distribui-se livremente na forma de Open Source sob a licença de Software Livre GNU Public License e pode ser instalado em vários ambientes, desde que consigam ler a linguagem PHP. Podem ser utizadas diferentes base de dados, mas têm de passar pela ODBC (Open Database Connectivity – proporciona um método de modelo de software para ser usado como um sistema directório de registo de dados). As plataformas têm sofrido um desenvolvimento constante, albergando à sua volta um conjunto de profissionais e de utilizadores que, através de uma acção de colaboração, têm contribuído para que ela ganhe novas formas e outras funcionalidades. É uma situação interessante porque se vai metamorfoseando em conformidade com as necessidades da comunidade virtual que a vai utilizando. Entre os seus utilizadores, poderemos falar de professores, designers, alunos, escolas, formadores, formandos, administradores, programadores, etc. As plataformas já estão espalhadas por todo o mundo e estão em diversos idomas, sendo o português um dos contemplados. Nos dias que decorrem, o uso de uma plataforma de E-learning (Ensino à distância) é crucial para as empresas que se dedicam à formação e ao ensino à distância e para os estabelecimentos de ensino oficial e particular. Cientes das potencialidades deste instrumento, quase todas as escolas oficiais, e muitas particulares, adoptaram-no e têm sido um importante elemento de apoio para professores e alunos. Por este mundo fora, muitas são as escolas e os centros de formação que estão a fazer uso das plataformas e que estão a adaptar os seus conteúdos a elas, alargando a cursos ou disciplinas virtuais, mas igualmente a presenciais. O aproveitamento das plataformas tem vindo a alargar e elas têm sido usadas em muitas actividades, incluindo projectos. Mas não são só actividades ligadas à educação que estão a ter o proveito deste meio tecnológico, mas também empresas privadas, grupos independentes e ONG’s (Organizações Não Governamentais) e todos aqueles que necessitam de um trabalho colaborativo e de interagir através da internet. 6

“(...) não só trata a aprendizagem como uma atividade social, mas focaliza a atenção na aprendizagem que acontece enquanto construímos ativamente artefatos (como textos, por exemplo), para que outros os vejam ou utilizem.”, in http://pt.wikipedia.org/wiki/Moodle 27


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Estas pessoas têm sido seduzidas por este instrumento e o têm utilizado para os seus fins. São três os formatos que configuram o Moodle: o formato social, o formato semanal e o formato em tópicos. No primeiro, o tema é articulado à volta de um fórum; este está presente na página principal. Relativamente ao segundo, o curso ou a disciplina são organizados por semana. No que diz respeito ao terceiro, centra-se na possibilidade de discussão, sendo um tópico sem limite de tempo. A Plataforma de E-Learning é detentora de vários recursos e funcionalidades de aprendizagem pedagógica, tais como: materiais, avaliação do curso, chat, diálogo, diário, fórum, glossário, lição, pesquisa de opinião, questionários e pesquisas, SCORM, tarefa, trabalho com revisão, wiki, gestão de conteúdos, a gestão de todo o conteúdo programático, a segurança, a disponibilização de toda a documentação, a gestão de notas e pautas, a gestão de eventos, a calendarização de testes ou exames, a wikipedia, blogs, gestão de base de dados, os formulários, a gestão de e-alunos, eprofessores e e-administradores, sondagens, peer assessement, suporte multi-idioma. Não são só as plataformas de tipo Moodle que estão capazes de desempenhar estas operacionalidades. Simplesmente, são as mais conhecidas. Também as LRN, amadeus ims, ambiente virtual SOLAR, angel, aulanet (PUC/RJ), AVA (UNITINS), AVA – UNISINOS, Blackboard, DE2 – Ecossistema Digital oara Educação, Desire2Learn, DeskEaD, Dokeos, Edumate, Eureka (PUCPR), iTutor, Lerni (Faros-DF), LON-CAPA, Nova Plataforma CECIERJ, Sakai Project, TelEduc, WebCT são plataformas aptas para gerirem o ensino à distância.

2.4 O conceito de ensino e formação à distância

Já vimos que as plataformas Moodle foram criadas a pensar-se na educação, principalmente aquela que é actualizada à distância. Parece-nos, pois, pertinente tentarmos compreender o que é o ensino à distância. De entre as diversas definições encontradas, as duas abaixo foram as seleccionadas por incluírem as principais características do ensino a distância.

28


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

“A Educação a Distância é uma estratégia educativa baseada na aplicação da tecnologia à aprendizagem, sem limitação do lugar, tempo, ocupação ou idade dos alunos. Implica novos papéis para os alunos e para os professores, novas atitudes e novos enfoques metodológicos.” 7

José Luís García Llamas

“O Ensino à Distância é um sistema tecnológico de comunicação bidireccional, que pode ser massivo e que substitui a interacção pessoal, na sala de aula, de professor e aluno, como meio preferencial de ensino, pela acção sistemática e conjunta de diversos recursos didácticos e pelo apoio de uma organização e tutoria que propiciam a aprendizagem independente e flexível dos alunos.” (Aretio, 1994)

O ensino à distância, segundo Jorge Lima e Zélia Capitão (Lima & Capitão, 2003), é um modelo educacional que possibilita que haja uma aprendizagem sem limites de “espaço ou do tempo” (anywhere, anytime), existindo uma separação geográfica ou temporal entre o docente e os alunos (durante todo o período de formação ou em parte dele), utilizando-se a tecnologia como instrumento de distribuição (excepto nos cursos por correspondência) e de comunicação educacional e dando a responsabilidade do controlo da aprendizagem ao aluno. Na opinião de Eugénio Rosa (Rosa, 2002), a formação à distância é fruto das necessidades originadas pelo desenvolvimento social, de aquisição e desenvolvimento de saberes e competências, uma vez que o tempo disponível das pessoas para os adquirirem é cada vez menor, e esses saberes terem um ciclo de vida cada vez mais curto. Devido às suas características, a formação à distância irá possibilitar que novos saberes e competências cheguem com maior facilidade àqueles que pretendam adquiri-los, aumentando o número de alunos, massificando e generalizando o ensino. Por outro lado, o processo pode tornar-se mais individualizado e responder de forma mais apropriada ao ritmo e às necessidades dos que estudam através deste modelo. Certas questões que são obstáculos intransponíveis no ensino tradicional são superadas através do ensino à distância, como sejam, os limites temporais que impedem a aprendizagem devido ao condicionamento de um horário de trabalho rígido, impossibilitando que o aprendente se debruce sobre o estudo dos conteúdos por não ter tempo para o fazer, ou os limites espaciais, que o impedem de comparecer

7

In http://joana.tech-x-pert.org/blogs/

29


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

às aulas em determinado local. O ensino à distância ultrapassa esta situação e possibilita o acesso ao conhecimento. Estas são algumas características positivas deste tipo de processo, contudo, também existem situações menos conseguidas, nomeadamente, o facto de o docente e o aluno não sentirem as vantagens de uma relação presencial, podendo haver um certo afastamento afectivo e emocional, tão necessário neste contexto. Por outro lado, é fundamental que o discente se discipline para pôr em prática as actividades que lhe são exigidas, acontecendo, muitas vezes, deixar levar-se por um certo laxismo, prejudicando a sua formação. O aluno tem de gostar de uma certa autonomia, do uso das novas tecnologias, e de ser receptivo às mudanças, possuindo capacidade de se auto-motivar, ajudando a construir o seu próprio futuro, tendo um papel activo na sua própria formação. Resumindo, a educação à distância possibilita flexibilizar o ensino abrindo uma janela de oportunidades em relação àqueles que, de outra forma, não se poderiam enriquecer culturalmente, pois teriam dificuldade em participar num processo de ensino-aprendizagem por razões de ordem temporal, espacial ou outras. Com a aposta nas novas tecnologias e grandes facilidades na aquisição de computadores portáteis, no âmbito da revolução tecnológica, a plataforma Moodle também chegou às escolas, possibilitando o desenvolvimento no campo da linguagem de programação, necessária à construção de páginas web. As plataformas são instrumentos de fácil utilização e esta situação é um grande trunfo para a sua implementação. Elas proporcionam a criação de comunidades online e a possibilidade de um conjunto de pessoas colaborarem interactivamente na realização de um dado trabalho. A formação à distância é uma realidade que poderá ser incrementada, promovendo-se o E-Learning (ensino totalmente à distância) ou o Blended Learning (parcialmente à distância, adoptando uma estratégia mista, com uma parte presencial). Não é necessário ter grandes conhecimentos informáticos para se utilizar este programa e é mesmo possível o utente ir progredindo no seu manuseamento, partindo só de conhecimentos básicos e descobrindo outras funcionalidades por si próprio. As plataformas não podem ser o instrumento central de toda a aprendizagem, mas um complemento de toda uma estratégia adoptada e baseada em desenvolvimentos passados, optimizando-a. É, pois, necessário um ponto de equilíbrio para que a harmonização entre os diversos elementos contributivos para um sistema 30


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

eficaz seja uma realidade. Por ser um espaço de partilha entre os vários agentes do processo de ensino-aprendizagem, as plataformas têm tido um grande sucesso nas escolas portuguesas. Elas permitem uma actualização constante de informação, facilitando a vida a alunos, professores e mesmo aos órgãos dirigentes das escolas, possibilitando, igualmente, um maior controlo dos alunos por parte dos pais. Neste contexto, poderemos referir, por exemplo, a calendarização de testes, de exames ou de reuniões, a actualização de conteúdos a trabalhar nos testes, o acesso a trabalhos de casa, a medidas disciplinares tomadas pela escola, a legislação útil e regras escolares, o recurso a exercícios que se podem revelar de grande utilidade para o sucesso escolar, avisos à comunidade escolar, a apresentação de projectos implementados pela escola, organização de grupos de trabalho ou de convívio, incrementação de trabalhos ligados à criatividade artística, a possibilidade de todos poderem participar em debates propostos pelo fórum ou em conversas interactivas através do chat, etc. As plataformas podem contribuir para a economia temporal e de esforço, devido à informação que facultam. Também poderão ser um importante apoio nas aulas, apresentando conhecimentos teóricos, ao pormenor ou sintetizados, contribuindo para a organização e a descoberta do fio condutor na articulação dos conteúdos. Esses textos poderão ser projectados, através do videoprojector, numa tela da sala de aula e, se todos os alunos tiverem acesso a um computador com internet, poderão ser realizados exercícios que, se o docente assim o desejar, apresentarão a sua resolução de forma automática, ou seja, o professor, previamente, introduzirá os dados relativos à solução das questões e, após a sua realização por parte dos alunos, estes obterão a informação de que foram feitos, ou não, com sucesso e, caso estejam errados, qual a resposta correcta. Os exercícios podem ser, também, efectuados em casa (será concedido a cada aluno uma password que lhe permitirá aceder aos campos que se pretende e cumprir o seus trabalhos escolares). O professor irá gerir todo o processo, cedendo, ou não, informação prévia ou complementar sobre os exercícios a realizar, utilizando as estratégias que julgue convenientes, de forma a contextualizar e harmonizar o melhor possível todo o desenvolvimento de aprendizagem e recurso aos instrumentos necessários para que se consigam os melhores êxitos escolares. O aluno será responsabilizado por toda a sua actuação, pela sua auto-disciplina, beneficiando do tempo que leva a executar as tarefas (o seu ritmo de trabalho não será posto em 31


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

causa, situação que não acontece durante uma aula tradicional). Outra vantagem que pode ocorrer é o facto de as actividades poderem ser efectuadas de forma assíncrona, ou seja, não é necessário que todos os discentes façam os trabalhos ao mesmo tempo, mas quando mais lhes aprouver. Os professores poderão saber quais os alunos que acederam à plataforma, quando o fizeram, que campos visitaram, ou seja, poderão efectuar o controlo da actividade escolar do aluno. Estes dados são importantes para efeitos de avaliação contínua e motivação do discente. Não obstante, nem tudo são vantagens. Por exemplo, o facto de existirem alunos que não possuem computadores ou internet em casa contribuirá para a sua marginalização e insucesso escolar. Em suma, as plataformas Moodle são instrumentos fantásticos, não obstante não são a solução de todo o processo de ensinoaprendizagem, mas apenas uma ferramenta importante a que todos os elementos que nele participam podem recorrer.

2.5 O que é uma plataforma Moodle?

Trata-se de uma plataforma que possui um código aberto (em inglês, opensource) cujo objectivo primordial é contribuir para um processo de formação de pessoas e, consequentemente ser utilizada por professores, tutores, alunos e administradores. Estes últimos são os “donos” da plataforma, ou seja, aqueles que a adquiriram e que supervisionam todo o processo. São eles que criam e cedem usernames e passwords que possibilitam aos utilizadores fazerem o uso das funcionalidades da plataforma, executar todo o trabalho de administração, alterar o aspecto do site. Dentre deles, pode existir o superadministrador ou o simples administrador. Diz-se que as plataformas são modulares porque permitem que lhes sejam adicionados blocos ou funcionalidades. Algumas das funcionalidades da plataforma Moodle são a possibilidade de criação de cursos (formação profissional) ou disciplinas (escola tradicional) com os mais diversos conteúdos e actividades, organizar o acesso de formandos ou alunos aos conteúdos supervisionando-os em termos de desempenho, através da monitorização das suas actividades e da altura em que visitaram determinados campos ou itens, 32


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

elaborar fóruns e chats para discussão de assuntos e temas, estabelecer quais os professores, formadores ou tutores, registar notas, avaliar desempenhos. Tanto os administradores, num plano alargado, como os professores, num campo mais condicionado, podem fazer o controlo da actividade que perpassa nas plataformas. Os docentes são responsáveis pelos cursos/disciplinas onde estão inscritos, coordenando toda a actividade que se vai desenrolando ao longo do tempo na disciplina em causa. Para além dos conteúdos teóricos a que têm acesso, e dos respectivos exercícios que os complementam, os alunos podem frequentar o fórum, promovendo o seu conhecimento, debatendo assuntos com os colegas, satisfazendo dúvidas com os professores, chegando a conclusões colectivamente. Da mesma forma, têm outro instrumento, o chat, que lhes permite encetar conversações com colegas e professor em tempo real. Existem três formas de acesso à plataforma: acesso livre, para qualquer pessoa que queira fazer uso da plataforma, acesso com código para uma determinada área, acesso permitido só a pessoas que tenham username e password. As pessoas podem inscrever-se através de um processo manual, automático, ou por uma base de dados externa. Há várias possibilidades de customização da plataforma, passando pela alteração das funcionalidades, do layout do site, permitindo excluir ou incluir módulos, editando ou adicionando blocos HTML, modificar a aparência da plataforma, modificando os esquemas de cores, as formatações, os ícones e as imagens e parametrizar a maneira como os utilizadores acedem à plataforma. Além disso, é permitida a criação e edição de conteúdos, funcionando a plataforma como um LCMS (Learning Content Management System). A diferença entre um LCMS e um LMS é que o primeiro possibilita a edição e criação de conteúdos, enquanto o segundo, o controlo de acesso aos utilizadores. A plataforma permite, igualmente, que se calendarizem os cursos (formação profissional) semana a semana. Eles serão compactados e organizados em ficheiros. A tipologia destes ficheiros tem um formato SCORM, o mais adequado para este fim. Os cursos ou disciplinas podem ser organizados por recursos ou actividades. O que salientamos são o “Trabalho”, o “Chat”, o “Referendo”, o “Diálogo”, o “Fórum”, a “Lição”, o “Glossário”, “Questionário”, “Recurso”, e o “Inquérito”.

33


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

O “Trabalho” permite que os alunos entreguem as actividades que realizaram em qualquer tipo de formato e que as tarefas sejam atribuídas online ou off-line. O “Chat” tem o benefício de possibilitar que se estabeleça uma conversação em tempo real, síncrona, com tudo o que pode trazer de positivo. Chama-se “Referendo” ao local onde os professores podem registar uma pergunta e estabelecer um conjunto de opções que lhes permita colher a opinião dos discentes. É também possível que docente e aluno estabeleçam um diálogo de tipo assíncrono (não simultâneo), através da opção “Diálogo”. Também o “Fórum” possibilita diálogos assíncronos à roda de um tema. Esta experiência colectiva pode vir a resultar muito bem com a participação de vários elementos em prol do conhecimento. No atinente ao item “Lição”, permite fazer a ligação entre várias páginas, possibilitando a progressão das tarefas dos alunos. O “Glossário” reúne o conjunto de terminologia mais usada, disponibilizando enciclopédia, dicionário, etc. A opção “Questionário” possibilita a criação de questionários, perguntas de escolha múltipla, respostas curtas, gráficos, etc. O “Recurso” possibilita acrescentar conteúdos em diversos formatos. O “Inquérito” oferece uma diversidade de inquérito, optimizando, desta forma, os cursos. De forma a elucidar sobre as características e funcionalidades de uma plataforma tipo Moodle, optámos por uma apresentação de uma imagem de uma plataforma em actividade numa escola secundária. Com esta imagem, podemos observar alguns elementos que a constituem e que dão uma perspectiva da sua operacionalidade. Assim, no canto superior esquerdo da página, podemos verificar a identificação da entidade escolar. Um dos campos principais que urge referir é o que diz respeito à entrada na plataforma sem a qual não é possível aceder aos conteúdos da mesma. Mais ou menos a meio da página, do lado direito, encontramos um campo, regido pelo termo “Entrar” que pede o registo do “Nome de utilizador” e da “Senha”. A cada professor ou aluno será concedida a possibilidade de possuírem um nome de utilizador e uma senha (geralmente é o administrador da plataforma que os escolhe) e, após a informação particular e secreta sobre estes dados, eles poderão utilizá-los para fazer o log in, acederem à plataforma e beneficiarem da sua funcionalidade. Depois de terem escrito o seu nome de utilizador e registado a senha individual, o utilizador clicará no termo “Entrar”, que está dentro de um rectângulo, e acederá aos conteúdos permitidos pelo administrador. 34


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Imagem 1: Página principal de uma plataforma Moodle

Há certos itens que ele poderá visualizar, mas a cujos conteúdos não terá acesso. Por exemplo, um professor de Português verá o item respeitante à disciplina de Matemática, contudo, se clicar nele, não poderá observar o seu conteúdo, uma vez que o administrador não lhe concedeu essa funcionalidade. Debaixo do campo concernente à entrada na plataforma, está situado o calendário do mês em que o utilizador está a operar, situação benéfica, tendo em conta a consulta constante da calendarização das actividades propostas pelos professores (se o utilizador for aluno) ou a escolha dos melhores dias para o docente propor testes aos seus alunos (no caso de ser professor). O utente da plataforma poderá alterar o mês, se tiver necessidade de observar datas posteriores ou anteriores ao mês em que está. Para isso, servir-se-á das setas que estão colocadas junto ao termo “Calendário”. No canto superior, no lado direito, está uma frase de boas-vindas ao utente e algumas informações sobre a entidade, nomeadamente, a morada, o endereço web e o tipo de plataforma, para além da apresentação do nome do administrador e a forma de o contactar através do seu mail. No centro da página, há a indicação de que a aprendizagem é virtual e são apresentados os logótipos das entidades que têm parceria com a escola ou que, de alguma forma, estão ligadas a ela. Ainda no centro, estão anunciados os destaques. Estes, geralmente, são assuntos que mobilizam o interesse da população escolar ou 35


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

momentaneamente ou permanentemente. No caso específico, temos temas como assuntos relacionados com a sexualidade, matéria sempre tão importante na vida dos jovens, e o fórum pedagógico, que discute o tema da “Avaliação Docente”, questão tão delicada no momento contemporâneo. No lado esquerdo da página, na parte superior, vem apresentado o menu principal com itens de grande interesse. Nele surgem as “Notícias”, que contêm textos referentes à actualidade da vida escolar da entidade ou que interessa a esta, a “Inscrição no Moodle”, que possui conteúdos relativos à importância de estar inscrito na plataforma e a maneira de o fazer, o “Manual do Moodle”, que apresenta uma explicação geral da funcionalidade dos elementos operacionáveis da plataforma, o “Apoio à Utilização”, que se refere a alguns problemas clássicos que podem surgir e a forma de os contornar ou ultrapassar, para além de orientar como o utilizador deve proceder perante uma dificuldade e a quem deve recorrer, o “Blog da Escola”, que permite aceder a um blog elaborado por elementos que pertencem à entidade e que apresentam assuntos relacionados com ela, o “Portal de Conteúdos”, que é um meio de informar o utente sobre todos os assuntos presentes na plataforma e o “Jornal Preto no Branco” (geralmente, os jornais presentes nas plataformas escolares são da iniciativa dos alunos, se bem que docentes podem também contribuir com artigos ou mesmo na sua feitura. Em baixo, são apresentados itens que dizem respeito à disciplina TIC, que tem uma importância grande no contexto da plataforma, pois os docentes de TIC estão munidos de conhecimentos técnicos essenciais que ajudam à sua operacionalidade. Por fim, no canto inferior esquerdo, encontramos itens que têm a ver com informações sobre os recursos web, seguindo-se das disciplinas escolares, onde estão presentes conteúdos programáticos escolares, trabalhos de casa e calendarização de exames, testes e actividades, assim como a matéria que é necessário estudar para que se consiga realizá-las com êxito.

36


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

2.6 Dois exemplos da operacionalidade das plataformas Moodle em escolas portuguesas

As escolas portuguesas têm estado atentas à necessidade de modernizar os estabelecimentos de ensino com as novas tecnologias de comunicação e informação e, assim, dar o salto necessário para acompanhar o progresso que se opera no Mundo. É de notar que tem existido um esforço por parte do Governo no sentido de reformar a Administração Pública, necessitando, com esse fim, de utilizar instrumentos avançados no campo da tecnologia. São visíveis, nas escolas, essas medidas tomadas, não só de simplificação de procedimentos burocráticos, como também de incentivo ao estudo e a recursos superiores para o desenvolvimento de trabalhos. Analisámos o projecto de gestão de duas escolas portuguesas, procurando identificar se existem, ou não, medidas que contemplem a adaptação de novas tecnologias ao contexto escolar. Centrámos a nossa atenção no caso particular das plataformas, razão de ser da nossa dissertação. O que apurámos de mais interesse sobre a temática passamos a apresentar.

2.6.1 Agrupamento de Escolas da Região de Colares

Tendo por base

“1. Princípio da colaboração da administração com os particulares, que se traduz na prestação de informações e esclarecimentos aos particulares e no apoio e estímulo às suas iniciativas e recepção das suas sugestões e informações; 2. Princípio da participação: a administração deve assegurar a participação dos particulares e das suas associações na formação das decisões que lhes disserem respeito; 3. Princípio da desburocratização e da eficiência: a administração deve ser estruturada de modo a aproximar os serviços das populações - de forma não burocratizada - a fim de assegurar a celeridade e a eficiência das suas decisões.”, 37


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

o Agrupamento de Escolas de Colares, inspirado na ideia de governo electrónico implementada pelo Governo da República Portuguesa, elaborou um projecto de intervenção que visa aproximar a comunidade educativa, procurando-se uma administração moderna e eficiente, cuja base de apoio sejam as TIC, aproveitando as novas capacidades tecnológicas, através da implementação da banda larga e a racionalização de custos de comunicação. O Plano Tecnológico da Educação (PTE) é um projecto ambicioso que pretende incrementar medidas de modernização, como sejam a aquisição de equipamentos modernos, e outros meios (conteúdos e serviços tecnológicos), de forma a catapultar Portugal para o ranking dos países mais desenvolvidos no campo da modernização tecnológica ao serviço da educação. O PTE ajudará a concretizar as ideias inerentes ao governo electrónico. Não é só um plano que tem como intenção fornecer maquinaria moderna, mas também estabelecer as infra-estruturas necessárias que suportem serviços administrativos mais céleres e organizados, uma biblioteca mais prática, permitindo um acesso mais fácil às obras literárias e uma maior capacidade de arrumação e organização de dados, fichas de utentes que pedem livros, assim como de espaços de convívio. Os equipamentos, conteúdos e serviços tecnológicos visam um acompanhamento pedagógico do estudante, desde a sua entrada na escola, passando pela sua deslocação para a sala de aula, frequentando os diversos locais a que tem acesso no contexto escolar, até à altura em que retorna a casa. No caso particular das plataformas de tipo Moodle, os laços entre a escola e os seus alunos não termina aqui, permitindo que elee estejam conectados com a instituição de ensino e com o processo de ensino-aprendizagem, colhendo informações de índole de calendarização, regras escolares, legislação, reuniões, conteúdos escolares, etc. O PTE também visa transformar “… a escola pública numa Plataforma de Acesso Universal à Informação e ao Conhecimento.”. Com a preocupação de actualizar as ideias do governo electrónico e pôr em prática o PTE, o Agrupamento de Escolas de Colares decidiu procurar dotar cada sala de aula de um computador e de videoprojector, mas também de um quadro interactivo em cada três salas de aula. A biblioteca terá à disposição dos seus alunos 14 computadores, facilitando a pesquisa de informação a estes. O objectivo é o reforço gradual de equipamentos que possibilitem que, em 2010, haja um computador por 38


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

cada dois alunos. Potenciar a utilização livre de acesso a computadores, estabelecendo a relação de um computador por cada cinco alunos, e um computador por cada três professores. Instalar redes de área local que permitam que a comunidade escolar tenha um acesso mais rápido mais fácil em todos os locais da escola, implementando a banda larga, com maior rapidez, estabelecendo a velocidade de ligação à internet de 48 MBs, facilitando a conexão entre pessoas e escolas. Fornecer um cartão electrónico ao aluno que tenha múltiplas funções, que permita ser utilizado como um portamoedas electrónico, que sirva para registar a assiduidade e que controle os acessos. Como a segurança tem contornos de grande importância nos dias de hoje, o projecto escolar decidiu instalar sistemas externos de videovigilância e alarme. Para pôr em prática este projecto, será necessário actualizar um conjunto de estratégias que passam pela instalação de equipamento informático, colocando-o a funcionar para que seja possível responder às necessidades dos alunos e dos professores, gerir convenientemente o parque informático com vista a que este tenha um elevado nível de operacionalidade e funcionalidade, estabelecer um regulamento de utilização dos equipamentos, de forma a preservá-los o melhor possível, promover o uso dos aparelhos por todos os elementos da comunidade escolar, nomeadamente, no âmbito da gestão escolar e em todo o processo de ensino-aprendizagem, como seja, na aprendizagem e na avaliação, possibilitar uma resposta em tempo real às solicitações. O objectivo é que se consiga um aumento de comunicação entre os diferentes elementos da comunidade escolar na ordem dos 80% e que o correio seja despachado com muito mais celeridade, principalmente a nível digital. O Agrupamento de Escolas da Região de Colares está apostado em melhorar o acesso à informação escolar, procurando a sustentabilidade do seu sítio na web, através de actualizações semanais, uso da plataforma tipo Moodle como uma ferramenta utilizada pela gestão escolar, proporcionando informação, apresentando convocatórias, etc, permitindo o seu manuseamento, seja de forma assíncrona ou síncrona. Para optimizar o seu desempenho, os professores terão à sua disponibilidade sistemas operacionais no âmbito das novas tecnologias, como sejam, ferramentas electrónicas, plataformas, base de dados, etc. As ferramentas colaborativas permitirlhes-ão organizarem-se melhor, partilharem conteúdos importantes no âmbito do processo de ensino-aprendizagem. Pretende criar-se dossiers digitais que facilitem a 39


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

organização de informação e o trabalho de diferentes entidades escolares, nomeadamente, o Conselho Geral, a Direcção, o Conselho Pedagógico, os Departamentos Curriculares, os Órgãos de Directores de Turma e outras estruturas escolares. Tem-se como intenção a digitalização de inúmeros documentos em prol do melhor funcionamento da dinâmica escolar, como actas, documentos resultantes de reuniões, convocatórias, projectos curriculares de turma, comunicações entre entidades e registos de sumários. Para se conseguir estes objectivos e em termos de plataforma, é necessário incrementar um conjunto de estratégias anunciadas, como sejam, a aquisição e actualização da plataforma electrónica de gestão escolar e o software de arquivamento e gestão de correspondência, a identificação de um grupo de plataformas que sejam coerentes, permitindo que a gestão da informação e do conhecimento sejam conseguidos, gerir a comunicação, a colaboração, o ensino, a aprendizagem, os conteúdos. Posteriormente, é imprescindível instalar, administrar e gerir as plataformas, procurando dinamizá-las, decidir e estabelecer relativamente aos locais de alojamento de informação, tornando-a acessível. Mas também é importante que o sítio da escola tenha uma arquitectura atraente e que a sua actualização se vá fazendo num curto espaço de tempo, permitindo que o acesso à informação seja possível 24 horas por dia, transformando o suporte digital no principal meio de publicação e disponibilização de informação, formando professores para que dominem as técnicas necessárias para operacionalizar com esses meios. Neste capítulo, as TIC têm um papel único, funcionando os docentes desta área como o suporte técnico de todo este processo de actualização dos novos meios tecnológicos de ensinoaprendizagem, estabelecendo um novo paradigma de aprendizagem e, dotando, igualmente, os alunos das competências necessárias para a utilização destes instrumentos. Por fim, promover e dinamizar a utilização livre dos meios informáticos, fazendo-se, deste modo, a sensibilização para o seu manuseamento e a consciencialização da sua importância no contexto actual. Os recursos educativos digitais são importantes e é preciso que se criem condições para que se aumente a produção, distribuição e utilização de conteúdos pedagógicos, complementando os métodos de ensino convencionais, incrementando práticas de ensino interactivo numa perspectiva de avaliação contínua. Com estes objectivos, será fundamental mobilizar investimentos para que se criem produtos 40


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

genuínos. Deve procurar-se utilizar e reutilizar os recursos, mas também avaliá-los para que se verifique se, de facto, são os mais adequados às necessidades da escola. Além disso, eles devem ser usados para a produção e concepção de documentos e como base de apoio digital para fins de gestão e educativos. Outras estratégias a adoptar é tentar criar critérios de uniformidade de avaliação e ritmos de aprendizagem, estimular a criação de uma entidade coordenadora dos recursos educativos digitais, envolver os professores na elaboração e concepção de produtos e seu desenvolvimento, fomentar a partilha de experiências e o desejo de manipular os recursos. Já nos referimos ao papel fundamental das TIC na modernização escolar. Os objectivos são que elas contribuam para a formação de docentes e alunos, avaliandoos e atribuindo-lhes certificados de competência, que actuem no campo da gestão escolar, mas também no processo de ensino-aprendizagem, possibilitando que os professores dominem os recursos por inteiro, permitindo que tenham acesso a sumários digitais, leitura e envio de correio electrónico, que estejam capazes de digitalizar documentos, arquivá-los em PDF, que utilizem a plataforma Moodle com mestria. Pretende-se que cerca de 200 elementos da comunidade escolar possam usufruir da formação necessária para a utilização dos recursos tecnológicos, nomeadamente, o acesso à internet, pagamento bancário, correio electrónico, pagamento de serviços, navegação em páginas electrónicas, etc. Como estratégia, é necessário mobilizar professores e funcionários, sensibilizando-os para a necessidade de adquirirem as competências digitais fundamentais sem as quais serão ultrapassados e prejudicados no desempenho da sua tarefa. O Ministério da Educação criou um Modelo de Formação e Certificação de Competências TIC para docentes e não docentes que será importante divulgar no seio da comunidade escolar. Porém, antes de se iniciar qualquer formação a este nível, é crucial que se faça um levantamento das necessidades da escola e dos seus funcionários em termos de meios tecnológicos para que se planifiquem as áreas em que devem ser ministradas a formação, criando-se procedimentos que possibilitem as principais necessidades de formação, por exemplo, através de questionários, operacionalizando modelos em conjugação com centros de formação, tendo como propósito três tipos de certificação: o certificado de competências digitais, o certificado pedagógico e o certificado de competências 41


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

pedagógicas com TIC- nível avançado. É necessária a criação de um plano de formação nesta área, solicitando que os professores sejam formados e obtenham as competências adequadas, e lançando-se dois cursos anuais de formação TIC. A formação poderá ser externa ou interna, tendo a vertente Moodle sempre em vista, proporcionando formação, por exemplo, em termos de sumário digital e desenvolvendo competências específicas em torno da criação de dossiers digitais. As TIC devem ser valorizadas como instrumento de suporte à modernização e desenvolvendo-se estratégias de mudança de práticas de ensino-aprendizagem, devendo promover-se o envolvimento dos docentes em processos de hetero e autoavaliação, parcerias pedagógicas em sala de aula, fomentar a participação dos professores em redes colaborativas de trabalho e levar em conta, como referente fundamental, as competências de aprendizagem para o século XXI da União Europeia.

2.6.2 Agrupamento de Escolas Padre Vítor Melícias

O Agrupamento de Escolas Padre Vítor Melícias tem como objectivo, no seu Projecto de Escola, inovar, continuar e ampliar o uso das novas Tecnologias de Informação e Comunicação, criando redes de interacção internas e externas, facilitando as aprendizagens. Com esta finalidade, o agrupamento de escolas traçou um plano de acção e modernização, tendo como referência a ideia de que para que seja possível existir uma escola moderna é necessário que haja qualidade na oferta educativa e, para isso, é importante que esta se apoie nas novas tecnologias de informação e de comunicação. Neste contexto, as TIC ocupam um lugar importante nas escolas, como na sociedade contemporânea. Assim, a escola deverá continuar com o papel de promoção e integração das TIC no plano educativo e organizacional para que se consiga uma eficaz utilização do computador e da internet com as consequências benéficas daí tiradas. As funcionalidades do computador contribuirão para que este se torne uma importante ferramenta pedagógica e educativa a ser utilizada, não só na sala de aula como em casa, e um meio de pesquisa fundamental. Neste prisma, a Direcção da escola terá como principal tarefa pôr em prática o Plano Tecnológico da Educação e todos os projectos, conteúdos e formação nele expressos.

42


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

A Equipa de Projecto TIC será responsabilizada para coordenar e mediar projectos relacionados com os meios tecnológicos e recursos informáticos, e terá de se submeter a avaliação de uma prática correcta. O objectivo é que se torne mais eficaz o uso dos meios, que pessoal docente e não docente se formem neste campo e sejam apoiados neste domínio, motivar para que o uso das TIC seja implementado nas salas de aula e em estudo autónomo, incrementar o intercâmbio entre escolas, melhorar os recursos de hardware e software, desenvolver parcerias que potenciem estes meios, promover a sua utilização na comunidade educativa, fomentar o uso de TICs na administração e gestão escolares. É fundamental que haja um reforço que conecte as escolas que fazem parte do Agrupamento, mas que a comunicação não se restrinja a este núcleo e se faça a “ponte” entre as escolas e a comunidade a que pertençam, no âmbito de uma política de integração e de responsabilização de todos elementos no contexto escolar. Com este intuito, é necessário incrementar e estabelecer a rede informática, não só nas escolas, como também nos jardins-de-infância; assegurar a utilização das TIC e a comunicação entre os vértices do triângulo compostos pelos estabelecimentos de ensino, as direcções e a comunidade. É, portanto, importante que haja reuniões periódicas para que a coordenação deste projecto trace as linhas de actuação que operacionalize todo o sistema de forma optimizada. A necessidade de implementar um campo teórico de actuação não se deve limitar a isso mesmo, mas devem-se procurar parcerias e protocolos que obriguem a pôr em prática o que foi previamente estabelecido, numa perspectiva de interacção entre os diferentes componentes, com a finalidade de colaboração em diferentes actividades e com vista à resolução das mais díspares ocorrências. Faz, pois, todo o sentido, fomentar cursos de Educação e Formação para adultos, valorizar a comunicação que circula internamente, como a que diz respeito à divulgação das metas do Projecto Educativo e do Plano Anual de Actividades, criar cuidadosamente o Plano Anual de Actividades, procurar instalar a internet em todos os estabelecimentos escolares para que a comunicação em rede seja efectiva, utilizando o PPFL. O importante é que se estabeleça uma ligação articulada entre todos os estabelecimentos de ensino e educação e a comunidade local.

43


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

2.7 Em jeito de conclusão

Da análise que fizemos dos Projectos de Intervenção dos agrupamentos de escolas de Colares e de Torres Vedras chegámos a uma conclusão visível: ambos consideram a importância das novas tecnologias, não só como instrumentos complementares do processo de ensino aprendizagem, como também como ferramentas necessárias na optimização e modernização da gestão e administração escolar. O seu uso também é potenciador de uma maior comunicação e informação no seio da comunidade escolar, sendo, por isso, imprescindível que se melhorem os conhecimentos relativos ao manuseamento dos computadores, através de formação nesta área. Parece, também, existir convergência no sentido de a disciplina TIC ter um papel determinante para que seja possível dar-se um passo efectivo nessa direcção, assumindo a coordenação deste projecto e formação dos elementos pertencentes à comunidade escolar. A consciencialização da importância dos novos meios tecnológicos na Educação deve-se à prática do dia-a-dia em que estes se têm mostrado quase imprescindíveis. De facto, não teria sentido não os aproveitar no processo de ensino-aprendizagem, na gestão escolar e administrativa ou na relação entre os diferentes elementos da comunidade escolar como meios facilitadores destes processos. A escola deve ser um espelho da realidade externa e seria um erro crasso ministrar uma política administrativa contrária a esta ideia. O uso da internet tem aumentado grandemente, sendo cada vez mais as pessoas que a utilizam, não se imaginando que se possa retroceder neste campo, devido às vantagens incomensuráveis que o Mundo pôde observar. No caso particular das plataformas tipo Moodle, ambos os Projectos de Intervenção falam delas, integrando-as nos recursos educativos digitais, mas, por vezes, referindo-se directamente a elas. O que parece indubitável é que os agrupamentos escolares referidos apostam no incremento e optimização do uso e concepção dos instrumentos tecnológicos, no geral, e das plataformas Moodle, em particular.

44


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

CAPÍTULO 3 – Percurso Metodológico

45


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

3.1 Objectivo do estudo

O objectivo do nosso estudo foi procurar provar o nascimento de um novo paradigma educacional, sendo as novas tecnologias um dos principais “motores” para este facto. Dentro destes novos meios tecnológicos, pretendemos dar destaque ao papel das plataformas tipo Moodle.

3.2 Importância do estudo

Consideramos um estudo importante, na medida em que temos sentido a falta de estudos e de registos escritos que sublinhem esta situação e que elucidem sobre os efeitos e as consequências da introdução dos recursos inovadores no contexto escolar e, por isso, sem pretendermos ter a ousadia de tudo sabermos e de termos capacidade para tudo esclarecer, considerámos necessário contribuir com alguma “luz “sobre este assunto.

3.3 Questões de investigação

Nesta perspectiva, algumas questões se impunham pôr sobre as quais se exigiam respostas. Passamos a apresentá-las:

1. O que é a Educação? 2. O que é um paradima? 3. Como é que a Educação evoluiu ao longo dos tempos? 4. Quais as características do paradigma actual? 5. Qual a posição das escolas face às novas tecnologias na actualidade? 6. Quais os meios tecnológicos mais utilizados no processo de ensino-aprendizagem? 7. Qual o papel das plataformas de tipo Moodle no actual contexto escolar português? 46


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

8. Quais as funcionalidades das plataformas? 9. Que implicações poderão a vir a ter as plataformas no projecto de ensinoaprendizagem e na comunidade escolar.

3.4 Hipóteses de investigação

Para satisfazer estas perguntas, pareceu-nos pertinente utilizarmos todos os meios de investigação necessários aos nossos objectivos. Seleccionámos as seguintes hipóteses gerais (já em cima referidas), seguidas de hipóteses operacionais de forma a estruturar melhor o nosso pensamento no desenvolvimento do tema:

- Hipótese geral 1: A utilização de plataformas de aprendizagem aumenta a motivação dos alunos. 

Hipótese operacional 1: Os alunos sentem-se mais motivados no processo de ensino aprendizagem, devido à utilização de novos recursos tecnológicos, no geral, e da plataforma Moodle, em particular.

Hipótese operacional 2: Os professores sentem-se mais motivados no processo de ensino aprendizagem, devido à utilização de novos recursos tecnológicos, no geral, e da plataforma Moodle, em particular.

Hipótese operacional 3: Os elementos dos órgãos de gestão escolar sentem-se mais motivados, relativamente à gestão administrativa e escolar e de integração de elementos na comunidade escolar, devido à utilização de novos recursos tecnológicos, no geral, e da plataforma Moodle, em particular.

- Hipótese geral 2: A utilização de plataformas de aprendizagem potencia o rendimento escolar e sucesso educativo dos alunos. 

Hipótese operacional 4: Os alunos têm maior rendimento escolar devido à utilização de plataformas de tipo Moodle.

47


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

- Hipótese geral 3: A utilização de plataformas de aprendizagem incrementa o envolvimento da comunidade educativa no processo de ensino-aprendizagem. 

Hipótese operacional 5: As plataformas contribuem para a integração dos alunos na escola.

Hipótese operacional 6: As plataformas contribuem para a integração dos professores no contexto escolar.

Hipótese operacional 7: As plataformas contribuem para a integração dos funcionários na comunidade escolar.

- Hipótese geral 4: Os professores estão preparados para utilizar ferramentas de ELearning. 

Hipótese operacional 8: Os professores recebem formação adequada para saberem manusear os novos recursos tecnológicos aplicáveis ao processo de ensino-aprendizagem.

- Hipótese geral 5: A gestão escolar utiliza as potencialidades do E-Learning. 

Hipótese operacional 9: Os elementos da gestão escolar consideram muito importante a utilização das plataformas na gestão escolar, no campo da gestão administrativa, da integração na comunidade escolar e no processo de ensinoaprendizagem.

48


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

3.5 Metodologia do estudo

Com o intuito de atingir os objectivos delineados, decidimos, primeiramente, fazer as leituras necessárias ao tratamento eficaz deste trabalho, procurando uma base de sustenção teórica adequada que nos permitesse falar deste assunto com pertinência científica. Os nossos pólos de atenção, em primeiro lugar, foi a educação, como a definimos e como evoluiu. Seguidamente, procurámos esclarecer sobre o que era uma plataforma e como funcionava, salientando as suas características mais relevantes. Depois, esforçámo-nos para desenvolver um campo empírico, recorrendo a questionários aplicados a alunos, professores e elementos de gestão escolar. Para o efeito, equacionámos duas realidades escolares e aferimos dos resultados da implementação das suas plataformas de aprendizagem. A primeira tratou-se de um agrupamento, constituído por jardins-de-infância, escolas do 1º ciclo do ensino básico e uma escola com 2º e 3º ciclo do ensino básico de Torres Vedras: Agrupamento de Escolas Padre Vítor Melícias. A segunda foi um agrupamento, constituído por jardinsde-infância, escolas do 1º ciclo do ensino básico e uma escola com 2º e 3º ciclo do ensino básico de Colares (Sintra): Agrupamento de Escolas da Região de Colares. Nestes estabelecimentos, aplicámos questionários em que foi possível fazer o levantamento da importância das novas tecnologias, em geral, e das plataformas, em particular, e o envolvimento da comunidade educativa, através das tecnologias, no processo de ensino-aprendizagem. Fizemos uma análise crítica desses resultados e chegámos a conclusões suportadas por eles. Por fim, apresentámos o percurso que trilhámos para chegar às nossas finalidades.

3.6 Selecção e adaptação do Instrumento

A escolha do questionário baseou-se em pesquisas relacionadas com a temática, tendo-se feito a selecção de vários questionários já utilizados e a escolha dos que mais se aproximavam dos objectivos pretendidos. Posteriormente, fez-se a

49


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

adaptação das questões mais adequadas ao contexto e complementou-se com o que se julgou pertinente.

3.7 Validação do questionário

Para tornarmos o nosso questionário viável, ensaiámos as respostas ao mesmo, solicitámos que amigos professores e alunos o fizessem, analisámos os resultados e confrontámos com os objectivos pretendidos. Só depois destas medidas, decidimos entregar os questionários à população-alvo para que pudessem responder às questões formuladas.

3.8 População e Amostra

A população-alvo foi a seguinte: alguns professores que leccionam nas Escolas Vítor Melícias, Torres Vedras, e de Colares, alguns elementos dos órgãos de gestão destas escolas e alunos destas duas entidades. Ao todo, foram: 36 professores, 266 alunos e 4 elementos dos órgãos de gestão escolar.

3.9 Procedimentos de recolha e tratamento de dados

Fizemos a recolha de informação, através das respostas que os inquiridos deram às questões formuladas. Trabalhámos essas respostas, fazendo a sua organização e sistematização, importando os resultados globais para as estatísticas e as conclusões genéricas.

50


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

CAPÍTULO 4 – Interpretação de resultados

51


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

4.1 Introdução

Os novos meios tecnológicos trouxeram uma autêntica revolução na vida das pessoas, tanto no plano social alargado, como no escolar. Neste último caso, verificámos um esforço por parte da comunidade escolar em adaptar-se aos novos instrumentos postos à sua disposição de forma a potenciar e optimizar o processo de ensino-aprendizagem. Pensamos que não faz sentido fazermos referências a um ou outro aspecto teórico ou a um ou outro caso. Acresce termos conhecimento, in loco, das mutações que se estão a operar. Assim, julgamos que tem toda a pertinência partir à procura de informações que nos ofereçam dados fundamentais sobre estas questões. Tomámos, por isso, medidas e elaborámos três questionários dirigidos a alunos, professores e órgãos de gestão. Eles podem ser observados em anexo. Passemos, seguidamente, a uma apreciação dos resultados.

4.2 Análise dos resultados

Não nos pareceu importante fazer uma destrinça entre as duas escolas, confrontando o que se pôde apurar numa e noutra escola, em termos de análise de resultados, através dos questionários a alunos, professores e órgãos de gestão, uma vez que considerámos que os objectivos do nosso trabalho era apurar a ideia geral relativa à importância dos meios tecnológicos no contexto escolar. Nesta perspectiva, decidimos englobá-los, tomando-os como ensaio (se bem que não fiável dado o número de pessoas e de escolas ser diminuto) da realidade nacional, levando só em linha de conta o facto de se tratar de uma população-alvo que está ligada ao 1º (só professores), 2º e 3º ciclos do ensino básico. Num universo de 226 alunos, 36 professores e 4 elementos dos órgãos de gestão escolar, os dados resultantes do preenchimento dos questionários demonstraram-nos que as novas tecnologias estão a desempenhar um importante papel na escola e que a sua influência tende a crescer. Passemos, então, aos resultados. 52


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

No concernente à origem dos inquiridos, podemos apresentar os seguintes elementos: 56,6% dos alunos são oriundos da escola de Colares, enquanto 43,3% são da escola Padre Vítor Melícias, 58,3% dos professores pertencem à escola de Colares, 41,6% são docentes da escola Padre Vítor Melícias, 25% dos elementos dos elementos dos órgãos de gestão são da escola da primeira e 75% da segunda.

4.2.1 Alunos

Colares Torres Vedras Total Alunos

10 12 13 2 11 32 0 2 27 2 13 59

14 50 38 88

15 19 19 38

16 12 10 22

17 2 1 3

20 0 1 1

Total 128 78 226

Tabela 1: Idade dos alunos das duas escolas em estudo e total dos alunos

Relativamente às idades dos alunos de Colares, a idade dos inquiridos que mais respondeu ao inquérito foi de 14 anos (50 alunos), seguida de 13 (32), de 15 (19), de 16 (12), de 12 (11) e, por fim, de 10 e 17 (ambos com 2 alunos). Na Padre Vítor Melícias, a idade de 14 também foi a que mais respondeu aos inquéritos (38 alunos), seguida de 13 (27), 15 (19), 16 (10), 12 (2) e, finalmente, 17 e 20 (ambas com 1). No cômputo geral, são as idades de 14 e 13 que mais participaram nas respostas aos inquéritos nas 2 escolas. Assim, para os alunos, a média de idades é de 14 anos, correspondente a 38.9% do total e para os professores é de 40,8 anos. A maior parte dos alunos, 112, está no 9º ano (49,5%), mas o 8º ano também está bem representado com 93 alunos (41,1%). A esmagadora maioria dos alunos pertence ao 3º ciclo (97,7%), sendo que 5 alunos representam o 2º ciclo (2,2%).

53


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Número de alunos por ano escolar que responderam aos questionários 70 60 50 40 30 20 10 0

Colares P.V. Melícias

9º ano

8º ano

7º ano

6º ano

5º ano

Gráfico 1: Número de alunos por ano escolar

No gráfico 1, podemos inferir que é no 8º e 9º anos que incidem a maior parte das respostas aos inquéritos em ambas escolas, que há grandes disparidades em termos de respostas por ano escolar, nomeadamente, no respeitante ao 7º ano de escolaridade, em que na escola de Colares há 16 respostas, enquanto na Padre Vítor Melícias não há nenhuma. Também o número de respostas de alunos do 6º e do 5º ano é exíguo e, por esse motivo, pouco representativo. Neste contexto, seria mais pertinente se a população-alvo se restringisse ao 8º e 9º ano. Porém, os alunos que puderam responder ao inquérito foram os mencionados e, assim, decidimos englobar todos os anos numa perspectiva genérica. Os alunos de Colares estão em maior número e, por isso, não é de estranhar que todos os níveis escolares tivessem mais respostas de alunos desta escola exceptuando o caso do 6º ano, em que apenas um aluno de ambas as escolas responderam ao questionário. Em termos de percentagens, 26,5% são alunos da escola de Colares do 9º ano de escolaridade, 23% são do mesmo ano, mas da escola Padre Vítor Melícias, 21,6% são alunos do 8º ano de Colares, 19,4% da Padre Vítor Melícias, 7% do 7º ano de Colares e nenhum aluno do mesmo ano participou do questionário na escola Padre Vítor Melícias, 0,44% de alunos das duas escolas referentes ao 6º ano e 0,88 por cento de alunos da escola de Colares e 0,44 de alunos da Padre Vítor Melícias pertencentes ao 5º ano responderam ao inquérito por nós promovido. Ou seja, 90,5% das respostas foram dadas por alunos do 9º e 8º anos das duas escolas.

54


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

4.2.2 Professores

Distribuição dos professores por ciclos na escola de Colares 15 10

5 0 1º ciclo

2º ciclo

3º ciclo

Gráfico 2: Professores de Colares e os ciclos que leccionam

O gráfico 2 diz respeito a um universo de 21 professores da escola de Colares, sendo que 13 deles são docentes do 3º ciclo (61,9%), 7 são do 2º ciclo (33,3%) e 1 do 1º ciclo (4,7%). Como acontece com os alunos, a incidência é muito maior no 3º ciclo.

Distribuição dos professores por ciclos na escola Padre Vítor Melícias 12 10 8 6 4 2 0 1º ciclo

2º ciclo

3º ciclo

Gráfico 3: Professores da Padre Vítor Milícias e os ciclos que leccionam

No gráfico 3, temos um universo de 15 professores pertencentes à escola Padre Vítor Melícias, sendo que, 10 são docentes do 3º ciclo (66,6%), 4 do 2º ciclo (26,6%) e 1 do 1º ciclo (6,6%). Como na escola de Colares, há mais professores do 3º ciclo.

55


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Distribuição dos professores por ciclos 15 10 Colares 5

P.V.M.

0 1º ciclo

2º ciclo

3º ciclo

Gráfico 4: Distribuição dos professores por ciclos de ensino

No gráfico 4, podemos verificar que só a nível do 1ºciclo é que as barras estão niveladas. A diferença entre o número de professores dos 2º e 3º ciclos das duas escolas é aproximada (3 professores para os dois casos), sendo os professores da escola de Colares que aparecem mais representados. Ag. de Colares Ag. P. Vitor Melícias Total

[20-30[ 2 1 3

[30-40[ 5 7 12

[40-50[ 8 4 12

[50-60[ 5 3 8

Tabela 2: Idade dos professores

No concernente à idade dos professores, podemos observar que, na escola de Colares, os docentes com 39 anos (4), 28 (2) e 43 (2) são os que estão representados em maior número. Na escola Padre Vítor Melícias, as idades de 42 anos (2) e 52 anos (2) são as mais representativas. As idades na casa dos 40’s são as que apresentam um maior número de docentes na escola de Colares (8), seguida da casa dos 30 e 50 (ambas com 6 elementos). Professores na faixa etária dos 20’s são 2. No atinente à escola Padre Vítor Melícias, a casa dos 30 (7) é a mais representativa. A dos 40 tem 4 docentes, a dos 50, 3, e a dos 20, 1. Vinte e três docentes leccionam o 3º ciclo (63,8%), 11 dão aulas ao 2º ciclo (30,5%) e 2 ao 1º ciclo (5,5%). Relativamente aos grupos de docência mais representativos, é o 620 (Educação Física) com 4 professores. 16,8 anos é o tempo de leccionação médio. Trinta e um professores já receberam formação para a utilização de novas tecnologias (86,1%), enquanto 5 (13,8%) nunca tiveram formação a este nível. Dos que receberam formação, 15 (41,6%) tiveram mais de 100 horas de 56


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

formação com esta temática e a maioria, 27 docentes (75%) considerou a formação adequada. Porém, 24 docentes (66,6%) não concordaram que essas horas de formação fossem suficientes.

4.2.3 Uso de meios tecnológicos por parte dos alunos

Recursos utilizados pelos alunos 250 200 150

Próprios

100

De outros

50

Não utilizo/não uso

0 Telemóvel

Telemóvel com acesso à net

Computador portátil

Computador de mesa

Gráfico 5: Utilização de meios tecnológicos por parte dos alunos das duas escolas

O mais utilizado é o telemóvel, propriedade do aluno (214 alunos), seguidamente o computador portátil (167), o computador de secretária (155) e, por fim, o telemóvel com ligação à net (94). Curiosamente, há um número elevado de alunos que não possuem telemóvel conectado com a internet (115).

Recursos utilizados pelos alunos 200

150 Próprio

100

De outros

50

Não possuo/não utilizo

0 Ipod

MP3

Consolas

Gráfico 6: Utilização de meios tecnológicos por parte dos alunos das duas escolas em estudo

57


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Na observação do gráfico referente à utilização de meios tecnológicos por parte dos alunos das duas escolas em estudo, poderemos verificar que são as consolas, propriedade dos discentes, que têm mais uso (165 alunos), seguindo-se o MP3 (164) e o Ipod (57). Interessante é constatar que, relativamente a este último recurso, há mais alunos a não o possuir (142) do que o contrário.

4.2.4 Uso dos meios tecnológicos por parte dos professores

Recursos utilizados pelos professores de Colares 25 20 15 10 5 0

Próprio De outro Não utilizo/não possuo

Telemóvel

Telemóvel ligado à net

Computador Computador de portátil secretária

Gráfico 7: Recursos utilizados pelos professores de Colares

Em Colares, o recurso mais utilizado é o computador portátil (21), seguido do telemóvel (20), do computador de secretária (13) e do telemóvel com ligação à net (5).

Recursos utilizados pelos professores de Colares 20 15 Próprio

10

De outros

5

Não possuo/não utilizo

0 Ipod

MP3

Consolas

Gráfico 8: Recursos utilizados pelos professores de Colares (2)

58


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Os professores de Colares utilizam pouco os recursos apresentados no gráfico. Aquele de que mais fazem uso e de que são possuidores é o MP3 (7), seguido das consolas (3) e do Ipod (1). São muito mais aqueles que não os utilizam.

Recursos utilizados pelos professores da escola Padre Vítor Melícias 20

15 Próprio

10 5

De outros

0

Não utilizo/não possuo Telemóvel

Telemóvel ligado à net

Computador computador de portátil secretária

Gráfico 9: Recursos utilizados pelos professores da escola Padre Vítor Melícias

O uso dos telemóveis na escola Padre Vítor Melícias é 100% entre os professores, seguido pelo computador de secretária (14), computador portátil (13) e telemóvel ligado à net (7).

Recursos utilizados pelos professores da escola Vítor Melícias 20 15 Próprios

10

De outros

5

Não utilizo/não possuo

0 Ipod

MP3

Consolas

Gráfico 10: Recursos utilizados pelos professores da escola Padre Vítor Melícias (2)

59


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Recursos utilizados pelos professores 40 35 30 25 20 15 10 5 0

Próprio De outros Não possuo Telemóvel

Telemóvel com ligação à net

Computador portátil

Computador de Secretária

Gráfico 11: Recursos utilizados pelos professores das duas escolas

Através da observação da tabela, poderemos verificar que é o telemóvel próprio o recurso que os professores mais utilizam (35 professores), logo seguido do computador portátil (34), do computador de secretária (27) e do telemóvel ligado à internet (12). Curiosamente, neste último caso, são mais os que não possuem este recurso (23) dos que os possuem, talvez por não o considerarem tão necessário ou por julgarem pouco prático.

Recursos utilizados pelos professores 40 30 Próprio

20

De outros 10

Não utilizo/não possuo

0 Ipod

MP3

Consola

Gráfico 12: Recursos utilizados por professores das duas escolas (2)

No que concerne aos recursos apresentados, é o MP3, propriedade dos docentes, o mais utilizado pelos professores (14), seguido pelas consolas (8) e pelo Ipod (1). São instrumentos pouco utilizados, pois a grande maioria dos docentes não faz uso deles.

60


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Sintetizando: 220 alunos responderam que utilizam o telemóvel no seu dia-adia (97,3%), sendo que, 214 são proprietários desses telemóveis (94,6%), enquanto 6 (2,6%) não são os proprietários. 6 alunos não utilizam ou possuem telemóveis (2,6%). A maior parte não tem telemóvel ligado à internet, 114 alunos (50,4%), mas 112 (49,5%) têm-no conectado com a internet, sendo que 94 (41,5%) são proprietários desses instrumentos de comunicação, enquanto 17 (7,5%) não o são. Relativamente aos professores, 36 utilizam telemóveis (100%), sendo que 35 (97,2%) são proprietários destes meios e 1 (2,7%) não; 13 possuem telemóvel ligado à internet (36,1%), 12 são seus proprietários (33,3%) e 1 não o é (2,7%); 23 docentes não têm telemóvel conectado com a internet (63,8%). No concernente ao computador portátil, 187 alunos utilizam-no (82,7%), mas 167 (73,8%) são seus possuidores e 20 (8,8%), apesar de terem acesso a eles, não são os seus proprietários; 39 alunos (17,2%) não os utilizam nem os possuem. No atinente aos docentes, 36 têm acesso a ele (100%), 34 (94,4%) têm computadores portáteis próprios e 2 (5,5%) utilizam de outras pessoas. No respeitante ao computador de secretária, 191 alunos (84,5%) servem-se dele, 35 não o utilizam (15,4%); 33 professores fazem uso do computador de secretária (91,6%) e 3 (8,3%) não o fazem; 27 alunos (75%) são proprietários e 6 (16,6%) utilizam o computador de outros. No que diz respeito ao Ipod, 84 alunos utilizam-no (37,1%), sendo que 57 alunos (25,2%) são proprietários e 27 alunos (11,9%) não são proprietários; 142 alunos (62,8%) não o utilizam; 2 professores (5,5%) utilizam o Ipod, sendo que 1 professor (2,7%) possui Ipod próprio e um outro utiliza de outra pessoa (2,7%); 34 docentes (94,4%) não utilizam o Ipod. O MP3 é utilizado por 185 alunos (81,8%), sendo que 164 (72,5%) são proprietários e 21 (9,2%) não são proprietários dos aparelhos. Por outro lado, 15 professores (41,6%) fazem o uso destes meios, sendo que 14 (38,8%) são seus possuidores e 1 (2,7%) não possui este meio; 21 docentes (58,3%) não utilizam o MP3. As consolas são utilizadas por 181 alunos (80%), sendo que 165 (73%) possuem consolas e 16 (7%) utilizam este meio através de outras pessoas e 45 (19,9%) não faz uso delas. Entre os professores, 10 (27,7%) utiliza consolas, sendo 8 (22,2%) proprietários destes aparelhos e 2 (5,5%) fazem uso dos aparelhos de outras pessoas; 25 (69,4%) não se servem deste meio. 61


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

O que podemos inferir numa primeira abordagem é que os novos meios tecnológicos referidos desempenham um papel bastante importante na vida das pessoas que estão ligadas directamente ao processo educativo, tendo uns mais peso do que outros e mais uso para professores ou alunos. O primeiro instrumento que gostaríamos de salientar é o telemóvel, usado por 100% dos professores e 97,3% dos alunos inquiridos. Este meio é de tal forma importante que os pais chegam a facultá-lo aos alunos, ficando estes proprietários deste aparelho (94,6%), apesar de serem menores. Se tivermos em linha de conta que a população-alvo do nosso questionário está inserida em duas escolas oficiais, em que todos os estratos sociais poderão estar presentes, não estando o acesso à escola limitado por alunos com poder económico (como acontece em muitos colégios privados), o facto da esmagadora maioria dos jovens terem estes aparelhos de comunicação, que ainda por cima são elementos que requerem que se faça um investimento monetário continuado, devido à necessidade constante de recarregamentos para a sua utilização, deixa perceber que os pais têm consciência da importância que a sua funcionalidade tem na vida contemporânea. Os números não desmentem e a quantidade de tempo diária a utilizá-los é bem espelho disso: há 83 alunos (36,7% dos alunos inquiridos) que se servem deste meio mais de cinco horas diárias! É um meio usado diariamente, tanto por alunos, como por docentes. A razão da sua popularidade prende-se com a capacidade de estabelecer contacto quase imediato entre os interlocutores, não estando estes limitados pelo espaço, como acontece com os telefones. Por exemplo, para os pais é uma forma de exercer um maior controlo em relação aos filhos, procurando saber o que estão a fazer e com quem. Na escola, os filhos comunicarão com os pais, se precisarem disso, sem terem a necessidade de se prefilarem aguardando a sua vez junto ao telefone da escola, ou pedindo ao funcionário do PBX para que efectue a chamada. Os professores também têm a sua vida facilitada podendo contactar os filhos ou familiares durante os intervalos, ou a escola, se se encontrarem no exterior e em qualquer lugar, se estiverem impedidos de comparecer nas aulas ou em reuniões; e podem fazê-lo tanto através de uma chamada, ou por uma SMS. Essencialmente, o telemóvel é um meio para ser usado em todos os contextos da vida, um instrumento de comunicação fácil que também pode ser utilizado em situação escolar. Como instrumento pedagógico, poderá servir para esclarecer dúvidas entre aluno e professor, ou aquele que não 62


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

detém do saber e o que o possui, mas também para os directores de turma falarem com os pais ou vice-versa; se estiver munido de internet poderá ser muito útil para situações de pesquisa e para esclarecimento de dúvidas. Não obstante, e segundo os dados colhidos, a percentagem de utilizadores não é tão grande como aquela dos que auferem de telemóvel sem ligação à net: estudantes (49,5%) e professores (36,1%). E essa situação poderá, talvez, ser explicada pelo facto de os computadores terem essa ligação e ser mais cómoda e funcional a pesquisa através deste meio. Além disso, os pais também poderão considerar que as pesquisas têm mais sentido serem realizadas em casa, quando os alunos estiverem a desenvolver assuntos sugeridos pelos professores, uma vez que são trabalhos que não têm de ser efectuados imediatamente e as escolas possuírem computadores que põem à disposição dos discentes, caso estes venham a necessitar das suas funcionalidades em ambiente escolar, poupando os progenitores, desta forma, dinheiro, pois a Internet no telemóvel tem um valor adicional. Os computadores são um precioso instrumento de trabalho, não só no meio escolar, como no contexto social, e a comunidade parece dependente deste meio. O computador portátil é um aparelho de fácil transporte, pelo que, cada vez mais, tem conseguido adeptos. As medidas tomadas pelo governo tem facilitado o seu acesso. Assim, 82,7% dos alunos servem-se dele. É evidente que o usam para diversos fins, escolares ou não escolares. Mas o que parece evidente é que, cada vez mais, são empregues no contexto do processo de ensino-aprendizagem. Ligados à internet, possibilitam pesquisas dos mais diversos assuntos, uma comunicação de excelência com os professores e colegas e a possibilidade de se realizarem trabalhos, mesmo que estejam afastados da sua residência. Por exemplo, se uma família se deslocar para passar o fim-de-semana fora, se o estudante levar o seu computador portátil consigo, poderá realizar muitos dos trabalhos solicitados pelos docentes. Os computadores de secretária têm as mesmas funcionalidades dos portáteis, mas com um grau maior de dificuldade em termos de transporte. Mas se o estudante ou professor permanecer em casa, poderá usufruir das suas potencialidades e funcionalidades; 84,5 % dos alunos utilizam-no, notando-se um acréscimo em relação aos portáteis, talvez pelo facto de os pais considerarem que é um bem que fica mais resguardado e seguro em casa. O trabalho escolar efectuado através do computador conectado com a internet permitirá 63


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

uma grande economia de esforço, pela capacidade alargada de acesso a informação indispensável e de organização, devido à qualidade estética, pela minimização de erros ortográficos, pela possibilidade de corrigir o que se registou de forma errónea de maneira muito mais célere; 100% dos professores inquiridos fazem uso dos computadores portáteis e 91,6% dos de secretária, o que é bem demonstrativo da importância que este meio tem na sua vida social e escolar. É uma maior facilidade na elaboração de testes e a criação de outros documentos mais aproximados ao que o professor tinha previamente pensado. Tanto professores como alunos têm um acesso fácil a imagens sugestivas que podem retirar da internet e construir uma página com o grafismo mais conveniente para as finalidades pensadas. Num trabalho de grupo, os elementos podem comunicar através do computador conectado com a internet, apresentar textos e imagens (enviando-os através do mail), fazendo ou não o scan de documentos considerados importantes, ouvir as sugestões dos colegas (através do microfone), senti-los mais próximos no processo de realização de trabalhos com a visualização de imagens, através da webcam. O computador ligado à internet é o instrumento pedagógico incluído nas novas tecnologias com mais potencialidades no actual panorama escolar. São horas que alunos e professores dedicam diariamente ao computador, por exemplo, 11% dos alunos estão mais de 5 horas por dia a fazerem uso dos computadores portáteis, e 5,3% no computador de secretária. Os professores que utilizam mais de cinco horas diárias o computador portátil são 13,8% e de secretária 2,7%. No atinente ao Ipod, verifica-se que são mais aqueles que não o utlizam do que os que fazem uso dele e que perde terreno em relação ao MP3. Tanto uns como os outros terão sido observados primeiramente como instrumentos lúdicos, cuja principal função era a áudio digital, permitindo gravar um conjunto de melodias e serem reproduzidas com qualidade. Porém, as potencialidades destes aparelhos vai muito além desta operacionalidade e ao longo dos anos tem aumentado e se apurado as suas funcionalidades. O Ipod e o MP3/MP4 são também armazenadores de dados, vídeo, fotos e documentos. Além disso, permitem o acesso à internet. No contexto escolar, estes aparelhos podem ser usados para registar conteúdos escritos ou falados e para se pesquisar na internet. Porém, estão dependentes dos computadores para ceder a informação que armazenaram, para que esta seja observada com maior qualidade no 64


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

seu monitor. Pode servir de pen para o computador; 81,8% dos alunos e 41,6% dos professores que foram sujeitos aos inquéritos utilizam o MP3. O Ipod não tem a mesma representatividade, para os primeiros 37,1% e para os segundos, 5,5%. As consolas têm feito o deleite dos mais jovens no campo dos passatempos lúdicos; 80% de alunos e 27,7% dos professores servem-se deste instrumento. As novas consolas já permitem o acesso à internet, porém, não temos dados relativamente à sua utilização enquanto instrumento pedagógico. Iremos, agora, debruçar-nos sobre as consequências da introdução das novas tecnologias no processo de ensino-aprendizagem. Na perspectiva dos alunos (Tabela Anexos A6), não há a consciência de que os professores passaram a ajudar mais os alunos, depois dessa ocorrência. Assim, 46,4% dos inquiridos optam pelo meio-termo relativamente a esta situação, atribuindo-lhe a classificação 3, precisamente a que está no meio da tabela, 7% consideram que os professores deram menos apoio aos alunos e 12,3% julgam que há um maior investimento dos docentes nesta área. Poderemos concluir que a maior parte dos alunos não tem notado diferença no comportamento dos professores em relação aos alunos, depois de se começar a usar as novas tecnologias na sala. Relativamente a uma menor intervenção dos docentes na sala de aula, os alunos também não verificam grandes alterações (46% pensam desta maneira). Igualmente, em termos de ajuda aos colegas, os discentes consideram que não houve grande alteração, sendo a classificação 3 a mais atribuída (38,4%). No que concerne à relação entre alunos e professores e ao facto de as aulas serem menos aborrecidas do que no passado, o meio-termo prevalece, com, respectivamente, 36,2% e 30,9%. Nestes dois últimos casos, porém, nota-se um acréscimo significativo na classificação positiva com, 29,6% a classificarem com 4 e 14,1% com 5 contra 8,4% a classificar com 1 e 11% a classificar com 2, relativamente ao item “A minha relação com os professores melhorou”. Por outro lado, e no atinente ao item “As aulas já não são tão aborrecidas”, as classificações positivas com 4 foram 25,6% e com 5, 25,2%, contra as negativas com 1, 7,9%, e com 2, 9,7%. Relativamente às competências dos professores no manuseamento dos novos meios tecnológicos (Tabela Anexos A7), uma grande maioria de alunos (46,9%) pensa que quase todos os docentes a possuem. Não obstante, é curioso verificar que 30% considera que poucos estão capacitados em manipulá-los convenientemente. 65


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Julgamos que esta percentagem é significativa, pelo que seria pertinente propor mais e melhores acções de formação nesta área para os docentes. Parece ser um facto que os novos meios tecnológicos contribuiram para que os estudantes fossem para as aulas com mais prazer. É o que podemos inferir das suas respostas ao questionário (Tabela Anexos A8). Assim, 77,8% afirmaram que prestavam mais atenção nas aulas quando o quadro interactivo era utilizado e 52,2% confessou que participava mais. No entanto, 74,7% admitiu que as suas notas não melhoraram. O que parece que não goza da simpatia dos alunos são as funcionalidades do cartão da escola, pois 70,7% não gosta do que pode fazer com o cartão escola. Outro aspecto que parece que não trouxe novidades com a introdução das novas tecnologias é a segurança nas escolas (75,2% dos inquiridos afirma que não se sente mais seguro). Também não se alteraram as notas com o implemento dos novos meios tecnológicos (72,1% dos alunos registou que as suas notas se mantiveram); 52,2% considera que está a tirar mais proveito do que aprende e 50,4% sublinha que aprender é mais divertido. Porém, 66,8% pensa que não tem mais facilidade em responder às questões formuladas nos testes. Relativamente à importância destes meios no processo de ensinoaprendizagem (Tabela Anexos A11), a internet de alta velocidade na sala de aula é aquilo a que os alunos dão mais destaque (46,9% com classificação 5), seguida pelos Kits Tecnológicos (Computadores, videoprojectores e quadros interactivos – 42%) e pelas plataformas Moodle (36,2%). Todos eles tiveram classificação 5 e foram as opções mais escolhidas das cinco possíveis. Os alunos consideram que se deveria fazer um maior investimento na adequação de conteúdos em formato MP3/MP4 (32,3% apontou este item com a classificação 5, tendo sido a mais escolhida. Curiosamente, incidiram a sua classificação no meio da tabela (3), quando se pediu para registarem se consideravam que teriam um maior rendimento com a introdução de testes avaliativos à medida das suas necessidades, com a criação de exercícios interactivos e lições, com a utilização do fórum para a divulgação de ideias e de informação e com a construção e utilização de PDF’s interactivos. Contudo, o confronto entre classificações positivas (4 e 5) e negativas (2 e 1) ilustra que a opção positiva é bem maior e está em fase de crescimento. Ou seja, neste momento a maioria dos alunos pensa que não houve 66


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

grandes alterações relativamente aos itens formulados; mas os que defendem que há modificações positivas são em maior número do que aqueles que consideram que os meios tecnológicos vieram prejudicá-los nos campos referidos (Tabelas Anexos A13, A14 e A15). Na área das relações humanas com colegas, professores e pessoal auxiliar, tendo em conta os itens referidos no parágrafo anterior, os alunos não vislumbram nem uma melhoria nem um descréscimo de qualidade, apostando na classificação 3 em todos eles. No entanto, e como aconteceu nas respostas à questão anterior, verifica-se que são mais as classificações positivas do que negativas. A questão que se seguiu: “Achas que os Professores são sensíveis às necessidades na tua escola e às tuas em particular?” teve como resultado uma classificação semelhante aos dois parágrafos anteriores. Os itens postos à disposição dos alunos para que eles os classificassem numa escala de 1 a 5 foram os mesmos e o valor sobre o qual incidiram mais respostas foi o 3. As respostas positivas sobrepuseram-se às negativas. Aproveitando os mesmos itens, a questão que se formulou foi sobre se os discentes consideravam que os órgãos de gestão eram sensíveis às necessidades na sua escola e às suas em particular, tendo a maioria dos alunos registado a opção 3. Os professores usam diversos meios para prepararem as suas aulas. O computador pessoal com software adequado é o mais utilizado (94,4%). Os tradicionais objectos, papel e caneta, também continuam a ter um enorme uso (77,7%). Há, todavia, uma menor utilização de outros meios, tais como, sites pedagógicos – net, fichas Word e Excel, aparelhagem/rádio, livros, manuais, CD do manual, mapas, materiais didácticos e quadro interactivo, tendo 72,2% dos docentes registado que não os usavam habitualmente.

67


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

4.2.5 As potencialidades dadas pelas plataformas do ponto de vista dos professores

Fazer testes avaliativos… 6%

19%

14%

5 4

3 2

25% 36%

1

Gráfico 13: A plataforma e os testes avaliativos. Numa pontuação de 1 a 5 os professores avaliam a operacionalidade das plataformas

Pela observação do gráfico, podemos verificar que há uma avaliação positiva da parte dos professores relativamente à realização de testes avaliativos à medida dos alunos através das plataformas. A maioria das respostas centra-se no valor 3 (13), logo seguido pelo valor 4 (9) e 5 (7). As respostas negativas são muito inferiores às positivas e a soma dos valores 4 e 5 superam o valor 3.

Criar exercícios interactivos e lições 8%

6% 5 36%

19%

4 3 2 1

31%

Gráfico 14: A plataforma e a criação de testes interactivos e lições. Numa pontuação de 1 a 5 os professores avaliam a operacionalidade das plataformas

68


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Verificando o gráfico circular, apercebemo-nos que há uma nota positiva, no que concerne à criação de exercícios interactivos e lições através da plataforma. O valor 5 foi o que obteve mais respostas (13), logo seguido do valor 4 (11), sendo esmagadora a maioria de respostas positivas em relação às negativas.

Utilizar fórum para divulgar 3% 3% 5

16%

4 3 53%

25%

2 1

Gráfico 15: A plataforma e os testes avaliativos. Numa pontuação de 1 a 5 os professores avaliam a operacionalidade das plataformas

Fazendo a análise do gráfico, podemos constatar que as respostas se centraram maioritariamente no valor 5 (19), seguindo-se o valor 4 (9) e 3 (6), ficando as atribuições negativas sem representatividade. Ou seja, os professores, na sua grande maioria, concluem da enorme importância da divulgação de informação através do fórum das plataformas.

69


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Construir e utilizar PDF's 3% 6% 5 44%

28%

4

3 2 1 19%

Gráfico 16: A plataforma e a construção e utilização PDF’s. Numa pontuação de 1 a 5 os professores avaliam a operacionalidade das plataformas

Na observação do gráfico circular, verificamos que os docentes consideram importante a construção e utilização de PDF’s através de plataformas, tendo sido o valor 5 o mais registado, seguido do valor 3 (10) e 4 (7).

Destribuir aulas e conteúdos em formato MP3/MP4 17%

5

36% 8%

4 3 2

8%

31%

1

Gráfico 17: A plataforma e a destribuição de aulas e conteúdos em MP3/MP4. Numa pontuação de 1 a 5 os professores avaliam a operacionalidade das plataformas

Fazendo a análise do gráfico, concluímos que uma maioria relativa de professores considera importante distribuir aulas e conteúdos em formato MP3 e MP4 (valor 5 – 6 registos, valor 4 – 3 registos, valor 3 – 11 registos). Porém, os valores negativos são muito altos, acontecendo mesmo que onde se verifica um maior registo 70


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

é no valor 1 (13) o que comprova que os professores ainda põem muitas reservas, relativamente a esta situação. O valor 2 tem 3 respostas. Assim, poderemos dizer que, apesar de os valores positivos terem ultrapassado os negativos, ainda há grande resistência dos docentes em relação ao benefício desta situação no contexto do ensino-aprendizagem.

4.2.6 A importância dada pelos alunos em relação às plataformas

MOODLE 100 80 60 40 20 0 Valor 1

Valor 2

Valor 3

Valor 4

Valor 5

Gráfico 18: A importância dada pelos alunos em relação às plataformas. Numa pontuação de 1 a 5 os alunos avaliam a operacionalidade das plataformas

Os alunos dão grande importância ao papel das plataformas Moodle no ensino. Assim, 82 alunos dão-lhe valor 5, 67, 4, 63, 3. Desta forma, poderemos afirmar que uma maioria esmagadora acredita nos benefícios deste instrumento de trabalho.

4.2.7 A importância dada pelos professores em relação às plataformas

Professores 30 20 10 0 Valor 1

Valor 2

Valor 3

Valor 4

Valor 5

Gráfico 19: A importância dada pelos professores em relação às plataformas. Numa pontuação de 1 a 5 os alunos avaliam a operacionalidade das plataformas

71


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Na observação do gráfico, podemos inferir que 97,2% (35) dos professores consideram de grande importância o uso de plataformas de aprendizagem no processo de ensino-aprendizagem. A importância da plataforma de tipo Moodle é sublinhada pelos docentes (Tabela Anexos P13), reiterando que estas dão uma maior autonomia ao aluno (38,8% dão classificação 5 a este item), promovendo-se, através dela, o envolvimento do aluno na comunidade (também 38,8% - 5), combatendo-se a infoexclusão (52,7% - 5) e tendo um papel muito importante na diversificação de estratégias de ensino, de forma a cativar o interesse dos alunos (61,1%); 75% dos professores dão classificação positiva (47,2% - 4 e 27,7% - 5) no que diz respeito ao contributo das plataformas Moodle na maior e melhor participação dos alunos nas actividades lectivas curriculares e extracurriculares. Quanto aos alunos com necessidades educativas especiais, no capítulo de estes adquirirem maior capacidade de concentração, iguais classificações incidiram sobre o valor 3 e 4 (38,8% cada). Não obstante, se reunirmos os valores positivos (38,8% - 4 e 16,6% - 5) estes mostram que a maior parte dos docentes questionados acreditam nos benefícios das plataformas para estes casos. Apesar de os professores estarem conscientes de que os meios tecnológicos funcionam como uma mais-valia no processo de ensino-aprendizagem, não consideram que o uso do papel e do lápis seja prejudicial aos alunos (47,2%), porém, o registo mais recorrente foi no valor 3 (30,5%), demonstrando uma certa neutralidade concernente à questão. Os docentes consideraram que as plataformas Moodle contribuem para uma proximidade e disponibilidade constantes por parte do professor (58,3%), tendo 36,1% registado o valor 4 e 22,2% o valor 5. Porém, a maioria dos registos foi no valor 3 (38,8%). Também consideram os professores (Tabela Anexos P14) que o paradigma educacional está em mutação e que esta situação é vantajosa para todos (77,7%) e que os docentes têm de repensar o processo educativo com a implementação das plataformas Moodle (100%). O advento das novas tecnologias não terá tornado as relações pedagógicas menos burocráticas (ideia registada e corroborada por 77,7% dos professores), assim como as reuniões com os colegas não se tornaram mais simples e objectivas (66,6%), nem a informação mais sistematizada (80,5%). Porém, registaram que o acesso à informação escolar é melhor (77,7%). Consideram que na relação

72


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

pedagógica o cartão da escola tem vantagens em termos de processos administrativos e controlo (83,3%). Sobre a questão de se fazer a utilização das potencialidades dadas pela plataforma Moodle e outras plataformas no domínio da elaboração de testes avaliativos à medida da necessidade de cada a aluno, o maior registo foi no valor 3 (36,1%). Os professores pensam que as plataformas são meios muito positivos na criação de exercícios interactivos e lições, para a utilização do fórum para a divulgação de ideias e de informação (52,7%) e para construir e utilizar PDF’s interactivos (44,4%). Distribuir as suas aulas e conteúdos em formato MP3/MP4 é uma preocupação menor por parte dos docentes (de facto, a maior parte dos professores registou o valor 1 para esta questão (36,1%) e só 16,6% lhe atribuiu valor 5. Este registo contrasta grandemente com a opinião dos alunos. Quanto à questão: “Qual a importância dada por parte dos órgãos de gestão da sua escola relativamente a Kits Tecnológicos (Computadores; Videoprojectores; Quadros interactivos) (Tabela Anexos A6) (Tabela Anexos P19), o valor que reúne mais registos é o 5 (77,7%) demonstrando bem a importância que é dada a esta questão pelos órgãos de gestão, segundo a opinião dos docentes. Com a mesma questão relacionada com a internet de alta velocidade 69,4% dos professores registou o valor 5, sobre a internet na sala de aula, 72,2% registou o valor 5, sobre o cartão da escola, 69,4% - 5, relativamente ao portal da escola, 63,8% o valor 5, e no concernente ao Moodle, 72,2% o mesmo valor. No questionário destinado aos elementos dos órgãos de gestão escolar, estes pronunciaram-se, na sua maioria (75%), sobre o facto de considerarem que a maior parte dos professores está suficientemente instruída relativamente às novas tecnologias (Tabela Anexos OG2). É curioso verificar-se que, no que concerne à pergunta “Acha que os docentes estão capacitados para enfrentar um novo paradigma educacional, em que o seu papel será necessariamente diferente?” (Tabela Anexos OG3), houve uma grande dispersão de respostas, tendo 25% respondido que todos estão, 25% afirmado que a maior parte tem esses requisitos, 25% sublinhado que cerca de metade e 25% reiterado que uma pequena parte; 75% considera que é possível a escola adaptar-se a uma nova definição do tempo escolar, flexível para se adequar às

73


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

novas necessidades dos alunos e às mudanças de planificação e programação, mas com muitas mudanças. A resposta à pergunta: “Acredita que com a implementação das novas tecnologias e plataformas educativas o princípio da equidade na educação e em todo o processo educativo (seja ele macro; meso ou micro) será efectivamente uma realidade em relação à equidade inter-regiões” (Tabela Anexos OG5) teve mais respostas negativas (50%) do que positivas (25%), tendo os elementos dos órgãos de gestão repartido os seus registos pelos valores 1 (25%) e 2 (25%). Também 25% decidiu pelo meio-termo. Quando se trata de equidade inter-escolas (o que equivale a dizer que não haverá tanta discrepância nos rankings escolares), registaram as suas respostas verificando-se o equilíbrio entre respostas negativas (50% no valor 2) e positivas (50% no valor 4). Se diz respeito à equidade entre alunos inter-escolas, as respostas dividem-se equitativamente entre os valores 3 (50%) e 4 (50%). No que diz respeito a equidade dos alunos na mesma escola, o maior número de registos é no valor 4 (50%). Com a implementação de novas tecnologias fica registado que haverá uma melhor comunicação entre os professores (75%), os professores poderão realizar outras tarefas na escola (75%), o pessoal auxiliar sentir-se-á mais motivado e valorizado (50%), mas as relações laborais vão-se tornar mais complicadas (100%), a informação mais ágil na sua transmissão (100%) e os actos administrativos mais fáceis (100%). Os elementos dos órgãos de gestão registam que a dotação orçamental para as novas tecnologias é escassa (75%) (Tabela Anexos OG8). Consideram, igualmente, que, com a implementação das plataformas Moodle, o projecto educativo será mais fácil (Tabela Anexos OG9) a nível da planificação (75% - 5), da identidade (75%, registo no valor 4 – 25% e no valor 5 – 50%), estratégia (75%), liderança (75%, registo no valor 4 – 25% e no valor 5 – 50%), visibilidade (100%) e avaliação (100%). A importância dada pelos órgãos de gestão às novas tecnologias é total (Tabela Anexos OG10), nomeadamente, em termos de kits tecnológicos (computadores, videoprojectores, quadros interactivos), internet de alta velocidade, internet na sala de aula, cartão de escola, portal da escola e plataformas Moodle (todos estes itens foram classificados com o valor 5. Os elementos dos órgãos de gestão consideram que têm os recursos necessários, a nível tecnológico, no domínio da elaboração de testes avaliativos à medida da necessidade de cada aluno (75% com o registo 5 e 25% com o registo 4) e 74


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

na utilização do fórum para a divulgação de ideias e de informação (75%). Todavia, mostram-se divididos relativamente à criação de exercícios interactivos e de lições (50% de registo 3, sublinhando a ideia de que têm alguma capacidade neste nível, 25% de registo 4 e 25% de registo 5). Ou seja, metade considera que há alguma capacidade a este nível e a outra metade pensa que, de facto, estão reunidas as condições tecnológicas para promoverem estas iniciativas. No respeitante à construção e utilização de PDF’s, os resultados mostram-se mais díspares, tendo 50% afirmado que existem esses recursos (registaram o valor 4), 25% consideraram o meio-termo e 25% sublinharam a falta de recursos que pudessem responder a este desafio, registando o nível 1; 50% dos elementos dos órgãos de gestão julgam que não têm os meios adequados para a distribuição de conteúdos em formato MP3/MP4 nas aulas, enquanto os outros 50% consideram que os possuem minimamente. É francamente positivo o papel das plataformas Moodle na realização de testes avaliativos à medida da necessidade de cada aluno (100%), na criação de exercícios interactivos e lições (75% - 5 e 25% - 4) e na utilização do fórum para a divulgação de ideias e de informação (100%). A construção e utilização de PDF’s interactivos revelou um registo positivo (50% - 5 e 25% - 4), não obstante, 25% pensa que as plataformas Moodle não têm nenhum papel importante nesta situação; 50% dos inquiridos considera que as plataformas têm um desempenho negativo em termos de distribuição nas suas aulas de conteúdos em formato MP3/MP4, mas outros 50% atribuem-lhes toda a pertinência neste campo. Sintetizando, a maioria dos inquiridos considerou como positiva a introdução dos novos meios tecnológicos no contexto escolar. No seu dia-a-dia eles sublinharam que utilizavam com frequência alguns deles, ganhando destaque o telemóvel e o computador com ligação à internet. O primeiro é um instrumento de excelência no capítulo da comunicação rápida, sem limites espaciais, tanto em contexto social, como escolar, possibilitando o contacto célere com os órgãos de gestão, colegas, pais, funcionários, comunidade escolar. O segundo é um instrumento de trabalho fantástico, com muitas funcionalidades, possibilitando uma grande economia de esforço em comparação com instrumentos mais antigos (máquina de escrever, dicionários, enciclopédias, correctores, etc.). Adequa-se com grande propriedade ao contexto escolar, sendo um instrumento de grande utilidade, tanto para alunos como 75


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

para professores, permitindo a criação de textos (testes, trabalhos escolares e outro tipo de documentação) em vários formatos (Word, Power Point, Excel), a pesquisa fácil de informação, o registo de dados importantes (como conteúdos programáticos, testes, ou avaliações) e a comunicação optimizada entre os diversos interlocutores do processo de ensino-aprendizagem. A percentagem dos inquiridos que tem a consciência destes factos é grande e expressa-se nos resultados dos questionários. Os MP3/MP4 são meios muito utilizados fora do contexto escolar, não obstante, alunos e professores têm ideias opostas relativamente à sua utilidade em contexto escolar, defendendo uma grande percentagem de alunos a adequação de conteúdos ao formato destes aparelhos. Foi esta situação que se apresentou mais contraditória a opinião demonstrada por uns e outros. As consolas são utilizadas por muitos alunos e alguns professores, mas não há informações relativamente à sua importância no processo de ensino-aprendizagem. No capítulo dos benefícios imediatos dos alunos com a introdução das novas tecnologias, no geral, estes não os detectaram em grande escala, defendendo que a situação se mantém na mesma. Não há resultados diferentes em termos de eficácia e desempenho, relação entre colegas ou alunos e professores, notando-se alguma melhoria em termos de motivação. É, no entanto, curioso verificar que os alunos e professores consideram positiva a inclusão dos recursos tecnológicos no processo de ensino. Esta posição por parte dos alunos deixa perceber que os novos instrumentos tecnológicos e pedagógicos ainda não estão a ser aproveitados na sua plenitude, talvez derivado a dois factos: ser uma situação ainda jovem e estar a sofrer um processo de amadurecimento, os professores ainda não possuírem a competência técnica necessária para fazerem o uso deles na sua plenitude. A este respeito, convém salientar que a maioria dos alunos e professores consideram que os docentes fazem o manuseamento correcto dos recursos, se bem que, uma grande parte dos professores, apesar de ter tido formação nesta área, julga que esta foi insuficiente. Igualmente, a maior parte dos inquiridos, tanto alunos, como professores, como membros dos órgãos de gestão escolar defende que as funcionalidades das plataformas Moodle são bastante úteis no processo de ensinoaprendizagem, ressalvando o seu papel na elaboração de testes e preparação de lições e criação de exercícios e na promoção da utilização do fórum como instrumento de discussão de conteúdos. 76


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

4.3 Resultados conseguidos

Se partirmos do princípio que, quando iniciámos este trabalho, estávamos a prever que iríamos constatar que as novas tecnologias ocupavam um espaço em crescimento no novo paradigma que se está a consubstanciar, poderemos afirmar que não saímos defraudados relativamente a esta nossa intuição, baseando-nos na análise que fizemos dos resultados ao questionários que entragámos a alunos, professores e elementos dos órgãos de gestão das escolas de Colares e Padre Vítor Melícias. Foi um ponto de partida que considerávamos assente, mas que tinha de ser clarificado e demonstrado. Porém, e como pensámos provável que viesse a acontecer, os resultados foram a novidade que, não pondo em causa a ideia maior acima veiculada, deu origem a alguma surpresa, relativamente a alguns pontos específicos. A ideia base com que partimos à descoberta de um novo paradigma para a educação ganhou força, mas o resultado revelou-se enriquecedor, uma vez que trouxe novos sinais para a via que o processo de ensino-aprendizagem está a percorrer. Essencialmente, deixou claro que as escolas portuguesas auscultadas estão no caminho certo, mas que ainda há muito a fazer neste domínio. Pensamos que, globalmente, as questões que foram previamente formuladas obtiveram uma resposta esclarecedora. Assim, no que concerne à primeira pergunta: “O que é a Educação?”, de uma forma sintética deixámos perceber que é uma acção que tem como objectivo dotar os indivíduos de condições propícias ao seu desenvolvimento nos mais diversos e elementares campos, essenciais à sua existência, nomeadamente, no domínio intelectual, moral, mas também físico, melhorando o seu estilo de vida e a capacidade de relacionamento com os outros em prol de um objectivo comum de integração social numa sociedade mais justa e mais feliz. À questão: “Como é que a Educação evoluiu ao longo dos tempos?”, respondemos apresentando um conjunto de ocorrências históricas nesta temática, desde a época das tribos primitivas até aos nossos dias. Relativamente à pergunta: “Quais as características do paradigma actual?”, procurámos apresentar a importância dos novos meios tecnológicos na sociedade contemporânea e a introdução gradual desses recursos no contexto escolar, com fins 77


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

pedagógicos e como instrumentos de trabalho, as consequências da sua utilização na comunidade escolar e a demonstração dos benefícios do seu uso, através da análise dos resultados dos questionários. No que concerne à questão: “Qual a posição das escolas face às novas tecnologias na actualidade?”, reiterámos que esta era de adesão em relação a esses instrumentos de trabalho, uma vez que foi isso que pudemos aferir da apreciação que fizemos dos resultados aos questionários. A posição da escola está em sintonia com a ideia do governo no que toca ao tema “governo electrónico”. No atinente à interrogação: “Quais os meios tecnológicos mais utilizados no processo

de

ensino-aprendizagem?”,

procurámos

demonstrar,

através

dos

questionários, que se tratam sobretudo do computador portátil ou de secretária com ligação à internet. No respeitante à pergunta: “Qual o papel das plataformas de tipo Moodle no actual contexto escolar português?”, parece-nos que ficou demonstrado que, no entender de alunos, professores e elementos dos órgãos de gestão escolar, ele é muito importante, e tem, essencialmente, três finalidades: uma função de aprendizagem ELearning, de integração na comunidade escolar e de gestão administrativa. Relativamente à pergunta: “Quais as funcionalidades das plataformas?”, tentámos apresentar um grande número delas no capítulo destinado às plataformas tipo Moodle. No que concerne à interrogação: “Que implicações poderão a vir a ter as plataformas no projecto de ensino-aprendizagem e na comunidade escolar?”, dedicámos um parágrafo da nossa monografia a este assunto.

4.3.1 Resultados para as plataformas tipo Moodle

No que concerne às plataformas como meio tecnológico apartado dos outros que temos vindo a mencionar, o que pudemos aferir das respostas dadas nos questionários é que, a maioria dos alunos e dos elementos dos órgãos de gestão consideram que quase todos os professores estão habilitados a trabalhar com elas de forma conveniente, assim como com quase todas as novas tecnologias postas à sua

78


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

disposição. Aliás, no contexto escolar, tanto os alunos, como os professores e, ainda, os elementos dos órgãos de gestão consideram que o papel das plataformas em contexto escolar é de extrema importância. A maior parte dos professores afirma que recebeu formação relativamente à utilização das novas tecnologias aplicadas à escola, mas que necessitaria ainda de mais formação neste campo. Pudemos tirar ilações ao nível do seu contributo nas escolas, acrescentando que as plataformas ajudam em relação a uma maior autonomia do aluno, numa maior e melhor participação nas actividades lectivas curriculares e extra-curriculares, na optimização da concentração dos alunos com Necessidades Educativas Especiais, no envolvimento da comunidade, no contributo para evitar a infoexclusão, sendo importante na diversificação de estratégias de ensino, de forma a cativar o interesse dos alunos, existindo uma maior proximidade e disponibilidade do professor em relação ao aluno. Os docentes consideram que, com a implementação das plataformas de informação, o professor tem de repensar o seu papel como elemento do processo educativo. Eles estão dispostos a usar as potencialidades oferecidas pelas plataformas Moodle para criar testes à medida da necessidade de cada aluno, elaborar exercícios interactivos e lições, utilizar o fórum para a divulgação de ideias e de informação e construir e utilizar PDF’s interactivos. A maioria dos elementos dos órgãos de gestão inquiridos afirmou que dá grande importância à plataforma Moodle no contexto escolar, considera que a maior parte dos professores está habilitada no manuseamento das plataformas Moodle, acredita que com a implementação das novas tecnologias e plataformas educativas, o princípio da equidade entre alunos inter-escolas e entre alunos na mesma escola será uma realidade. Com as novas plataformas educativas, a implantação do projecto educativo será mais fácil a nível da planificação, estratégias, visibilidade e avaliação. A importância dada pelos órgãos de gestão às plataformas Moodle é máxima no domínio da elaboração de testes avaliativos à medida das necessidades de cada aluno, na criação de exercícios interactivos e lições, na utilização do fórum para a divulgação de ideias e de informação, na construção e na utilização de PDF’s interactivos.

79


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

4.3.2 Verificação das hipóteses

Procurámos validar as hipóteses gerais e operacionais: “Hipótese geral 1: A utilização de plataformas de aprendizagem aumenta a motivação dos alunos.” Parece-nos demonstrada esta hipótese, através dos resultados dos questionários, passando à categoria de facto. Hipótese verificada como verdadeira. Num universo de 226 alunos, 212 exprimem as potencialidades positivas das plataformas de aprendizagem, ou seja, 93,8%. Somente 6,1% não lhe reconhece vantagens; 65,9% considera mesmo que este recurso é muito bom inserido no contexto da aprendizagem. As consequências dos recursos tecnológicos, em que as plataformas estão inseridas, são francamente positivas, como documentam as percentagens de respostas a determinadas questões: “Os professores ajudam-nos mais do que antes” – 35,3% (80 alunos) considerou que esta situação específica melhorou muito, enquanto 46,4% (105) pensa que melhorou razoavelmente. Ou seja, temos um índice de respostas positivas de 81,7% (185). “Não é necessária tanta intervenção dos professores”, teve como respostas muito positivas 29,6% (67 alunos), havendo aqueles que se referiram que a situação melhorou 46% (104). O balanço foi de 75,6% (171) de respostas positivas. “Ajudo mais os colegas do que antes” – 38,4% (87 alunos) de respostas muito positivas para esta situação. Também 38,4% (87) de respostas que comprovam que a situação melhorou. Ao todo, 76,8% de respostas positivas. “A minha relação com os professores melhorou” – 43,8% (99 alunos) considera que esta situação melhorou muito, 36,2% (82) pensa que melhorou ligeiramente. No total, 80% (181) registou um valor positivo. “As aulas já não são tão aborrecidas” – 50,8% (115) atribui um valor muito positivo a esta situação 30,9% (70) julga que esta situação melhorou. Ao todo, 81,7% (185) deu um valor positivo. 

“Hipótese operacional 1: Os alunos sentem-se mais motivados no processo de ensino aprendizagem, devido à utilização de novos recursos tecnológicos, no geral, e da plataforma Moodle, em particular.” - Parece-nos verificada esta hipótese, através dos resultados dos questionários, passando à categoria de facto, uma vez que a maioria dos alunos considera que “As aulas já não são tão aborrecidas” (81,7%) e que o relacionamento com professores (80%) e colegas melhorou (76,8%). 80


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

“Hipótese operacional 2: Os professores sentem-se mais motivados no processo de ensino aprendizagem, devido à utilização de novos recursos tecnológicos, no geral, e da plataforma Moodle, em particular.” (“97,2% (35) dos professores consideram de grande importância o uso de plataformas de aprendizagem no processo de ensino-aprendizagem.”). Os alunos tornaram-se mais autónomos, mais envolvidos na comunidade, há um combate mais eficaz à infoexclusão (52,7%), optimizou-se a diversificação de estratégias de ensino, de forma a cativar o interesse dos alunos (61,1%), uma maior participação dos alunos nas actividades lectivas (75%) e uma maior capacidade de concentração revelada em casos de alunos com NEE (55,4%) - Parece-nos verificada esta hipótese, através dos resultados dos questionários, passando à categoria de facto.

“Hipótese operacional 3: Os elementos dos órgãos de gestão escolar sentemse mais motivados, relativamente à gestão administrativa e escolar e de integração de elementos na comunidade escolar, devido à utilização de novos recursos tecnológicos, no geral, e da plataforma Moodle, em particular.” (“Com a implementação de novas tecnologias fica registado que haverá uma melhor comunicação entre os professores (75%), os professores poderão realizar outras tarefas na escola (75%), o pessoal auxiliar sentir-se-á mais motivado e valorizado (50%), “) - Parece-nos verificada esta hipótese, através dos resultados dos questionários, passando à categoria de facto.

“Hipótese geral 2: A utilização de plataformas de aprendizagem potencia o rendimento escolar e sucesso educativo dos alunos.” - Parece-nos demonstrada esta hipótese, através dos resultados dos questionários (apesar de os alunos terem dado respostas que nos induziram que não estavam conscientes relativamente a este facto, registando mais que a situação não se alterou. Porém, os registos de que esta situação é mais benéfica do que prejudicial é bem visível. Por outro lado, a consciencialização dos benefícios gerais trazidos pelas plataformas levam-nos a considerar que, nesta questão específica, os alunos estão mais inclinados para o papel positivo deste meio tecnológico) passando à categoria de facto.

81


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Os alunos e os professores são unânimes a considerar das vantagens da utilização das plataformas no processo de ensino-aprendizagem, considerando que estão a tirar mais proveito daquilo que aprendem e que a aprendizagem é mais divertida, participam mais nas aulas e prestam mais atenção; consideram que as aulas já não são tão aborrecidas, a relação com os professores melhorou, há mais ajuda entre os colegas, não é necessária tanta intervenção dos professores e os professores ajudam mais do que antes. Não obstante, consideram que as suas notas não melhoraram (163), mas foram mais os que disseram que subiram (53) dos que desceram (10). 

“Hipótese operacional 4: Os alunos têm maior rendimento escolar devido à utilização de plataformas de tipo Moodle.” - Parece-nos demonstrada esta hipótese, através dos resultados dos questionários (apesar de os alunos terem dado respostas que nos induziram que não estavam conscientes relativamente a este facto, registando mais que a situação não se alterou. Porém, os registos de que esta situação é mais benéfica do que prejudicial é bem visível. Por outro lado, a consciencialização dos benefícios gerais trazidos pelas plataformas levam-nos a considerar que, nesta questão específica, os alunos estão mais inclinados para o papel positivo deste meio tecnológico – 82 alunos dão-lhe nota 5, 67, 4 e 63, 3. Em relação às novas tecnologias, no geral, estando as plataformas incluídas, os alunos consideram que estão a tirar mais proveito daquilo que aprendem (118) e que aprender é mais divertido (114).

“Hipótese geral 3: A utilização de plataformas de aprendizagem incrementa o envolvimento da comunidade educativa no processo de ensino-aprendizagem.”. – Parece-nos que esta hipótese foi verificada como verdadeira, através dos resultados dos questionários. A comunidade escolar é constituída pelos alunos, professores, auxiliares de educação, elementos dos órgãos de gestão escolar, elementos administrativos, pais, encarregados de educação e todos aqueles que, de algum modo, participam na actividade escolar, directa ou indirectamente. Ora, as plataformas de aprendizagem incrementam o envolvimento da comunidade escolar, uma vez que, conforme foi observado, optimizam a comunicação (“Com a implementação das novas tecnologias 82


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

haverá uma melhor comunicação entre os professores” – 100% de respostas muito positivas); e informação (“O processo de informação é mais ágil na sua transmissão” – 100% - 4 respostas muito positivas) entre todos os elementos, ganhando-se em consciencialização do que se passa no contexto escolar. Além disso, permite uma menor burocratização do sistema e esclarecimento, ajudando no processo administrativo (“Os actos administrativos tornaram-se mais fáceis – 100% - 4) e possibilitando que, por exemplo, os pais ou os auxiliares (“O pessoal auxiliar sente-se mais motivado e valorizado” – 75% - 3, sendo 50% de respostas muito positivas e 25% de respostas positivas) também usufruam de informação e se integrem mais na comunidade. Note-se que os pais, apesar de cada vez mais colaborarem no processo de acompanhamento dos filhos e com sugestões para que a Escola se optimize, ainda não se integraram em pleno no contexto escolar. As plataformas poderão vir a ser um recurso que possibilite a viabilização deste processo. 

“Hipótese operacional 5: As plataformas contribuem para a integração dos alunos na escola”, melhorando o seu relacionamento com professores e colegas, contribuindo que participem mais nas aulas, que a aprendizagem seja mais mais agradável, conforme já foi acima registado - Parece-nos que esta hipótese foi verificada como verdadeira.

“Hipótese operacional 6: As plataformas contribuem para a integração dos professores no contexto escolar.” As funcionalidades das plataformas estabelecem uma comunicação mais eficaz entre todos os elementos da comunidade escolar, tendo os professores um papel fundamental como interlocutor do processo escolar - Parece-nos verificada esta hipótese.

“Hipótese operacional 7: As plataformas contribuem para a integração dos funcionários na comunidade escolar.” – Como já se disse, as operacionalidades das plataformas estabelecem uma comunicação mais capaz e uma informação mais conseguida que chega a todos os elementos da comunidade escolar. Esta situação beneficia os funcionários que não têm um papel directo no processo de ensino-aprendizagem, mas cujo desempenho é fundamental para a organização e funcionalidade da escola. Por este motivo, consideramos que a hipótese está verificada.

83


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

“Hipótese geral 4: Os professores estão preparados para utilizar ferramentas de E-Learning.” – Julgamos que esta hipótese está verificada. A maioria dos alunos, 55,7% (126) responde afirmativamente a ela. Também os elementos dos órgãos de gestão consideram que os docentes estão preparados, 75% (3). A maioria dos professores recebeu formação no que concerne ao manuseamento das novas tecnologias, 86,1% (31), se bem que a maior parte julgue que precisava de mais horas de formação neste campo, 66,6% (24). “Hipótese operacional 8: Os professores recebem formação adequada para saberem manusear os novos recursos tecnológicos aplicáveis ao processo de ensinoaprendizagem.” Foram 31 os docentes que receberam formação nesta área, tendo 11 mais de 100 horas de formação, 12 entre 50 e 100 horas e 8 menos de 50 horas. – Deste modo, consideramos que a hipótese foi verificada.

“Hipótese geral 5: A gestão escolar utiliza as potencialidades do E-Learning.” – Esta hipótese foi verificada. Para os órgãos de gestão, os actos administrativos tornaram-se mais fáceis (100% - 4) e as plataformas são um veículo por excelência para transmitir informação e para comunicar (75% - 3). “Hipótese operacional 9: Os elementos da gestão escolar consideram muito importante a utilização das plataformas na gestão escolar, no campo da gestão administrativa, da integração na comunidade escolar e no processo de ensinoaprendizagem”. Pensamos que esta hipótese está verificada na medida em que registaram que os actos administrativos se tornaram mais fáceis (100%), assim como houve melhorias em termos de planificação, identidade, visibilidade, avaliação, estratégia e liderança. Além disso, os recursos tecnológicos têm-se mostrado muito úteis no campo do processo de ensino-aprendizagens: utilização de kits tecnológicos, plataformas Moodle, Internet na sala de aula, etc. Os funcionários têm-se sentido mais motividados e integrados (75%) - Parece-nos, pois, verificada esta hipótese.

84


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

4.4 Em jeito de conclusão

Os resultados dos questionários efectuados a alunos, professores e elementos dos órgãos de gestão escolares são prova irrefutável de que algo está a mudar no panorama da educação escolar. Ao longo dos tempos, os paradigmas sobrepõem-se, prova do desenvolvimento natural das coisas e de que tudo está em mutação. No contexto escolar, como já foi referido, a situação é idêntica. O desejo de mudança e de aquisição de conhecimento provocaram profundas transformações comportamentais na vida social, fruto da capacidade inventiva do Homem e de um grande investimento tecnológico. Actualmente, a existência humana está a passar por uma metamorfose célere nunca presenciada outrora. Os novos meios tecnológicos permitem um processo comunicativo rápido e a aquisição fácil de informação. Estas possibilidades fantásticas postas ao dispor do Homem têm sido gradualmente integradas no contexto escolar, fazendo toda a pertinência que assim seja. As respostas dadas pelos inquiridos apontam para a importância que as novas tecnologias têm no processo de ensinoaprendizagem, mas também indicam algumas lacunas neste campo. Em primeiro lugar, sublinhe-se a ideia fulcral dos benefícios trazidos à área da educação escolar pela introdução dos novos meios tecnológicos de trabalho. Há unanimidade neste ponto por parte da esmagadora maioria dos que foram sujeitos a inquérito. Porém, ficámos com a sensação de que a população-alvo do questionário ainda não tinha consciência plena das potencialidades e da importância das novas tecnologias no panorama escolar, principalmente em determinadas áreas. Identificámos, igualmente, que em alguns pontos (poucos) havia total discrepância entre a opinião de alunos e professores. Seja como for, o resultado dos questionários aponta para a importância dos novos meios tecnológicos no processo de ensino-aprendizagem, para a consciência de que se está num processo de transição paradigmática e evolução gradual na introdução e adequação destes instrumentos de trabalho ao contexto escolar. Sintetizando, a posição das escolas face aos novos desafios trazidos pelas novas tecnologias é de investimento nesta área, conforme está consignado no plano de intervenção de ambas escolas e de acordo com a filosofia do governo de investimento nos novos recursos tecnológicos e criação do governo electrónico, tanto no campo do 85


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

processo de ensino-aprendizagem, como no campo da área administração e comunicação entre os diferentes interlocutores da comunidade escolar. Aferiu-se, igualmente, sobre os meios mais utilizados no processo de ensino-aprendizagem (o computador ligado à internet e os instrumentos ligados a ele) e sobre o papel importante das plataformas de tipo Moodle, nomeadamente em termos de estímulo motivador do processo de ensino-aprendizagem, como instrumento adjuvante na elaboração de testes e organizador de lições. Ficou-se, também, com uma panorâmica geral sobre a operacionalidade das várias funções das plataformas de tipo Moodle. Partindo dos dados, conjecturou-se relativamente ao papel que as plataformas poderão vir a desempenhar no futuro. Os dados que possuímos mostraram que a utilização de plataformas de aprendizagem aumenta a motivação dos alunos, a maioria dos professores estão habilitados em operar com as plataformas, e utilizar ferramentas de E-Learning, fruto da formação a que foram sujeitos com esse fim. A gestão escolar passou a utilizar mais as potencialidades de E-Learning, integrando as plataformas como um instrumento válido nos projectos de intervenção escolar e pretende que, cada vez mais, o uso das plataformas incremente o envolvimento da comunidade educativa no processo de ensino-aprendizagem e no contexto escolar.

86


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Conclusão Geral

87


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Para nós, a História não é um simples registo de factos passados, mas também uma aprendizagem única que exige uma reflexão profunda sobre o comportamento humano. Todas as ocorrências têm uma mensagem implícita e os homens devem aprender com ela, actualizá-la e criar um novo mundo, evitando cometer erros do passado. A educação escolar também encerra uma história. No seu estudo, pode observar-se a sobreposição de vários paradigmas que se foram sucedendo ao longo dos tempos. Elaborar uma monografia sobre os desafios da educação moderna implica um olhar sobre o passado, sobre o que se foi construindo ao longo do tempo, razão pela qual iniciámos o nosso trabalho, realizando um breve historial sobre a educação, pensando, desta forma, que contribuímos para que quem nos lesse ficasse com uma perspectiva geral relativamente aos passos que a educação deu até atingir o momento que agora atravessa. Naturalmente, pusemos o acento tónico na educação escolar que é o que nos interessa na nossa tese. E chegámos à conclusão de que, actualmente, o contexto escolar está a sofrer uma metamorfose profunda, fruto da mudança do comportamento humano, tendo os novos meios tecnológicos grande responsabilidade nessa situação. Muitas são as novas tecnologias que entraram no dia-a-dia das pessoas e que muitas delas consideram indispensáveis. Estas têm contribuído de forma indiscutível para a mudança do seu comportamento. O telemóvel e o computador têm tido uma grande adesão e são utilizados por todas as camadas sociais. O segundo permite não só trabalhar com economia de esforço, de uma forma mais organizada e com construção de textos com maior capacidade estética e em vários formatos, mas, quando ligado à internet, é o centro de outras possibilidades, sendo um meio indispensável para chegar a horizontes alargados. Referimo-nos, por exemplo, a pesquisas de conteúdos, imagens e vídeos, à comunicação por excelência em redes sociais ou através do Messenger, à utilização de plataformas de tipo Moodle. Não obstante, o computador já não é o único meio de se chegar à internet, sendo os telemóveis, Ipod, os MP3/MP4, as consolas outras formas de o fazer. Nesta monografia, ficaram de parte, em termos de investimento e pesquisa das suas potencialidades, outros meios tecnológicos de grande importância, como alguns áudiovisuais, o videoprojector, a televisão, o DVD, porque tínhamos em mente uma 88


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

tipologia de meios mais ligados à internet, mais relacionados com o tema a que nos propusemos. A elaboração de questionários e as respostas dadas a eles, uma posterior análise aos resultados vieram contribuir para cimentar ideias e para a demonstração das mesmas, documentando-sea importância das novas tecnologias para a sociedade contemporânea e para o contexto escolar actual. No caso específico das plataformas Moodle, tema da nossa monografia, é curioso verificarmos a importância deste instrumento de trabalho pedagógico no seio da comunidade de alunos, professores e elementos dos órgãos de gestão escolar. No geral, todos corroboraram da ideia de utilidade da plataforma com fins escolares. Pareceu-nos, contudo, que ainda não são conhecidas todas as suas potencialidades, uma vez que os registos positivos, apesar de clarose significativos, não são tão esmagadores como suspeitámos e, a nosso ver, as plataformas podem desempenhar um papel ainda mais importante no contexto escolar. Não nos referimos somente ao processo de ensino-aprendizagem, mas igualmente ao panorama administrativo, podendo as plataformas se transformar num instrumento precioso e um auxiliar fundamental para a simplificação de processos burocráticos e para a celeridade dos mesmos. É, também, um meio interessante de controlo dos alunos e dos conteúdos programáticos, assim como dos mecanismos e resultados da avaliação, para além de ser um veículo para a promoção da discussão de muitos temas relevantes para os alunos ou para a comunidade escolar. Há um aspecto que não ficou demonstrado nas respostas aos questionários efectuados, porém, pensamos que seja um facto que será verificável no futuro, se a utilização das plataformas seguirem o trajecto que pensamos que irão percorrer: trata-se da possibilidade delas virem a ser um instrumento para fomentar um melhor relacionamento entre os diferentes elementos da comunidade escolar. Consideramos que as plataformas podem originar o debate e a discussão saudável sobre temas sensíveis ao contexto escolar e não se restringirem, unicamente, a assuntos que tenham a ver com os conteúdos programáticos escolares. Por exemplo, temas como a sexualidade, tão importante para os jovens adolescentes, mas também sobre a progressão da carreira docente, as condições actuais dos auxiliares de educação, a importância e o papel dos pais na comunidade escolar, etc. Sabendo que as plataformas poderão vir a ser um instrumento que ajude na inserção e integração de 89


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

todos os elementos no contexto escolar, é fundamental que todos eles tenham um acesso facilitado a ela. Apesar de acreditarmos nas potencialidades, funcionalidades e virtualidades deste meio tecnológico e que ele poderá vir a ser muito útil na actividade escolar num futuro próximo (ainda que hoje já tenha um papel relevante), consideramos que se trata somente de um instrumento de trabalho que visa pôr em prática um dado desempenho com o sentido num certo objectivo. É fundamental que não se confunda que o processo de ensino-aprendizagem venha, doravante, ser estruturado a partir das plataformas, mas sim que ele recorrerá a todos os meios disponíveis e eficazes (como é o caso das plataformas de tipo Moodle, entre muitos outros) para que a finalidade do ensino seja uma realidade e um sucesso.

90


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Bibliografia

91


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Abbot, P. U. (1973). História das Invenções Mecânicas. Lisboa. Edições Cosmos

Aretio, L. G. (1994), Educación a distancia hoy. Madrid: UNED

Aranha, M. L. A. (1993). História da Educação. 2 ed. rev. actual. São Paulo. Moderna.

Aristóteles; “Categorias”, Porto Editora; Porto, 1995

Azevedo, R. Á. (1972). Tradição educativa e renovação pedagógica: Subsídios para a história da pedagogia em Portugal, século XIX. Porto: Faculdade de Letras.

Bacon, F. (2008). Francis Bacon: The Major Works. Cary. Ed Brian Vickers Oxford University Press.

Barbosa, L. M. R. (2007). As Concepções Educacionais de Martinho Lutero. Brasil. São Paulo. Educação e Pesquisa. Nº 001 de Janeiro-Abril. Volume 3. Universidade de São Paulo.

Behrens, M. (2001). “Projectos de aprendizagem colaborativa num paradigma emergente”. In Moran, J. & Masetto, M. et al. (2005). Novas Tecnologias e mediação pedagógica. S. Paulo.

Bravo, F. (1999). “Arte de enseñar, arte de contar. Em torno al exemplum medieval”. In: Duarte, I., José-Ignácio (coord.). (1999). La Enseñanza em la Edad Media. X Semana de Estudios Medievales. Nájera. Logroño: Instituto de Estudios Riojanos, 2000, p. 303327

Capra, F. (1992). Turning Point: Science, Society and the Rising Culture. New York. Simon & Schuster.

Carretero, M. (2008). Ensino da História e Memória Coletiva. S. Paulo. Artmed.

Cassirer, E. (1970). La philosophie des lumières. Paris. Fayard.

Chauí, M. (1995). Convite à Filosofia. São Paulo. Ática.

Costa, R. (2002). “A Educação Infantil na Idade Média”. In: Lauand, L. J. (coord.). Videtur 17. Porto. Universidade do Porto.

Curtis & Boultwood. (1977). A short history of educational ideas. Library MARC record. 5th ed.

Damásio, A. (1999). O Erro de Descartes. Lisboa. Publicações Europa-América. 19ª edição.

Delumeau, J. (2007). A Civilização do Renascimento. Lisboa. Edições 70.

Descartes. R. (2008). Discurso do Método. São Paulo. Editora Martin Claret. 92


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Dewey, J. (1959). Democracia e Educação. São Paulo. Companhia Editora Nacional.

Defreyn, V. (2004). A tradição escolar luterana: sobre Lutero, educação e a história das escolas luteranas até a Guerra dos Trinta Anos. São Leopoldo. Dissertação Mestrado em Teologia) – Escola Superior de Teologia.

Durkheim, Emile 2– (1994), Sociologia, Educação e Moral, Porto, Rés-Editora.

Fernandes, A. S. (1992). A Centralização Burocrática do Ensino Secundário. Braga. Tese de Doutoramento, Universidade do Minho.

Freire, Paulo - (1979), Educação como prática da liberdade, 17.ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra.

Gal, R. (1979). “A Educação nas Civilizações Antigas, Antepassadas do Mundo Ocidental, A Educação Romana”, in História da Educação. (1979). Lisboa. Editora Veja.

Galton, F. (2009). Inquiries in to human faculty and its development. BiblioBazaar, LLC.

George, T. (1994). Teologia dos Reformadores. Edições Vida Nova.

Giles, T. R. (1987). “A tradição de Roma: a formação do cidadão”, in História da Educação. (1987). São Paulo. Editora Pedagógica e Universitária.

Hoffmann, J. “Avaliação: mito e desafio; Uma perspectiva construtivista”.

Jäeger, W. (1967). Paidéia: A formação do homem grego. Lisboa. ed. Áster.

Khun, T. (2009). A Estrutura das Revoluções Científicas. Lisboa. Guerra & Paz.

Le Goff, J. (1984). Os Intelectuais na Idade Média. Lisboa. Gradiva Ed.

Lima, J. R. & Capitão, Z. (2003), e-Learning e e-Conteúdos, Aplicações das teorias tradicionais e modernas de ensino e aprendizagem à organização e estruturação de ecursos, Centro Atlântico.

Losee, J. (1998). Introdução histórica à filosofia da ciência. Lisboa. Terramar.

Luckesi, C. (1991). Filosofia da Educação. São Paulo. Cortez Ed.

Luzuriaga Lorenzo. Pedagogia Social Y Politica. (2001). Madrid. C.E.P.E.

Manacorda, M. A. (1975). A educação dos Quinhentos e nos Seiscentos. Trad. Natividade Correia; Lisboa. Iniciativas Editoriais.

Marcondes, D. (2002). “A crise dos paradigmas e o surgimento da modernidade”. In: Brandão, Z. (2002). A crise dos paradigmas e a educação. 8ª edição. São Paulo. Editora Cortez. Colecção Questões da Nossa Época, v. 35.

93


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Marrou, H. I. (1948). Histoire de l' Éducation dans l' Antiquité. Vols 1 - Le Monde Grec e 2 - Le Monde Romain. Paris: Seuil. Sucessivamente reeditados trad. brasileira de Mário Leónidas Casanova, História da Educação na Antiguidade, (1966), para a editora Herder, editora da Universidade de S. Paulo.

Moraes, M. C. (2007). O paradigma Educacional Emergente. S. Paulo. Papirus Editora.

Morin, E. (2002). Repensar a Reforma, Reformar o Pensamento. Instituto Piaget.

Morin, E. (1991). Pour sortir du XXe siècle. Paris. F. Nathan.

Nunes, R. A. C. (1979). História da Educação na Idade Média. São Paulo. EDUSP.

Omnes, R. (1994). Philosophie de la science contemporaine. Paris; Gallimard.

Platão. (2009). Apologia de Sócrates. Lisboa. Guimarães Editores.

Platão. (2008). Cartas VII. São Paulo. Editora: Edições Loyola.

Platão. (2002). Fedro. S. Paulo. Editora Martin Claret.

Platão. (2002). República. Martin Claret.

Rogers, C. (2009). Tornar-se Pessoa. Lisboa. Editora: Padrões Culturais.

Roldão, M. C; “Cidadania e currículo. Inovação” Porto Editora; Porto; 1999

Rosa, E. (2002), Modelos de Aprendizagem a Distância para Adultos, Um estudo Experimental, INOFOR, Colecção Formação a Distância & e-Learning.

Rousseau, Jean-Jacques Emílio. Publicações Europa – América; Mem Martins, 1990.

Santos, B. S. (1989). Introdução a uma Ciência Pós-Moderna. Porto. Afrontamento.

Silva, A. S. (Novembro de 1978). A formação cívica e política na escola. Lisboa. O Professor.

Vial, J. & Mialaret, G. (1981). “As origens da Pedagogia Grécia e Roma, A Interpretação Latina”, in História Mundial da Educação. (1981). Porto. Rés Editora.

Weber, M. (1998). Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Lisboa. Ed. Presença.

94


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Infografia

Aretio, G. “Education a Distancia Hoy”. Madrid http://www.porto.ucp.pt/open/curso/modulos/doc/definicoes%20varias%20E-d.pdf

DataAngel Policy Research Incorporated. (Novembro de 2009). “A Dimensão Económica

da

Literacia

em

Portugal:

Uma

Análise”.

http://www.rbe.min-

edu.pt/np4/525.html 

“Educação a distância, Wikipédia, a enciclopédia livre”. http://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o_a_dist%C3%A2ncia

“Introdução à plataforma Moodle de ensino à distância”. http://www.moodle.fmb.unesp.br/course/view.php?id=13

Marques, J. “Seminário em Educação à Distância – Portefólio de Joana Marques”. http://joana.tech-x-pert.org/blogs/

“Moodle – Wikipédia, a Wikipédia Livre”. http://pt.wikipedia.org/wiki/Moodle

Nascimento, R. N. A. “Da educação como prática da liberdade à inteligência da complexidade:

diálogo

de

saberes

entre

Freire

e

Morin”.

http://www.bocc.uff.br/pag/nascimento-roberia-educacao-como-pratica-daliberdade.pdf 

“O Ensino à Distância e a Internet”. http://student.dei.uc.pt/~shadow/Educ.html

Veiga, L. “Repensando a Didática”. http://www.mackenzie.br/fileadmin/Graduacao/EST/DIRETOR/Introducao_a_Educaca o_Crista__1_.pdf

Veiga, M. A. (2004). “Um critério para a Educação”. http://www.prof2000.pt/users/avcultur/altedaveiga/criteduc/Page0350.htm

95


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

ANEXOS

96


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Questionário aplicado aos alunos

97


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

98


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

99


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

100


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Questionário aplicado aos professores

101


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

102


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

103


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

104


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Questionário aplicado aos órgãos de gestão

105


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

106


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

107


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

108


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Respostas ao questionário aplicado aos alunos Questão 1 - Qual a escola onde estudas? Agrupamento de Escolas da Região de Colares Agrupamento de Escolas Vítor Melícias

128 98

Tabela A 1: Escola onde os alunos estudam

Questão 2 – Quantos anos tens? 10 anos

2

12 anos

13

13 anos

59

14 anos

88

15 anos

38

16 anos

22

17 anos

3

20 anos

1 Tabela A 2: Idade dos alunos

Questão 3 – Em que ano estudas? 5º Ano

3

6º Ano

2

7º Ano

16

8º Ano

93

9º Ano

112 Tabela A 3: Ano de escolaridade dos alunos

109


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Questão 4 - Quais dos seguintes instrumentos utilizas ou possuis? Não Próprio

De outros

utilizo/ Não possuo

Telemóvel

214

6

6

Telemóvel com acesso à net

94

17

115

Computador Portátil

167

20

39

Computador de Secretária

155

36

35

I-Pod

57

27

142

MP3

164

21

41

165

16

45

Consolas (PS2; PS3; PSP; Xbox; Nintendo)

Tabela A 4: Utilização de instrumentos pelos alunos

Questão 5 - Em média, quantas horas passas por dia nestas várias tecnologias? Menos Nenhuma

de 1

1 Hora

Hora Telemóvel

2

3

4

5

Horas Horas Horas Horas

Mais de 5 Horas

16

76

25

15

7

2

2

83

162

48

6

3

0

1

1

5

44

28

35

49

29

12

4

25

75

49

43

21

15

8

3

12

I-Pod

164

28

15

6

4

2

1

6

MP3

64

68

27

26

9

9

5

17

Consolas

69

60

31

23

17

6

5

15

Telemóvel com acesso à net Computador Portátil Computador de Secretária

Tabela A 5: Horas dispendidas com tecnologia pelos alunos

110


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Questão 6 - Como ficou a relação com os teus professores com a introdução das novas tecnologias na escola? (Aplica uma escala de 1 a 5 sendo 1 discordo completamente e 5 concordo completamente) 1

2

3

4

5

NR

16

24

105

52

28

1

29

25

104

44

23

1

Ajudo mais os colegas do que antes

23

28

87

64

23

1

A minha relação com os professores melhorou

19

25

82

67

32

1

As aulas já não são tão aborrecidas

18

22

70

58

57

1

Os professores ajudam-nos mais do que antes Não é necessária tanta intervenção dos professores

Tabela A 6: Relação com os professores

Questão 7 - Achas que os teus professores estão preparados para lidar com as novas tecnologias e a sua aplicação na sala de aula? Todos

20

Quase todos

106

Alguns

68

Poucos

29

Nenhuns

3 Tabela A 7: Preparação dos professores

Questão 8 - Assinala as respostas com que concordas: Presto mais atenção nas aulas dadas com quadros interactivos e computadores

176

Gosto do que posso fazer com o cartão da escola

76

As minhas notas melhoraram com a implementação das novas tecnologias

57

Participo mais nas aulas

118

Sinto-me mais seguro na escola

56

Tabela A 8: Atitudes dos alunos face às tecnologias na escola

Questão 9 - Desde que foram implementadas as novas tecnologias na tua escola as tuas notas: Subiram

53

Desceram

10

Mantiveram-se

163 Tabela A 9: Evolução das notas 111


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Questão 10 - Independentemente das notas que tens achas que: Estás a tirar mais proveito daquilo que aprendes

118

Aprender é mais divertido

114

Tens mais facilidade em responder às questões que te são colocadas nos

75

testes Tabela A 10: Aproveitamento dado à utilização das tecnologias

Questão 11 - Qual a importância que atribuis a cada uma das seguintes tecnologias na tua escola? (Aplica uma escala de 1 a 5 sendo 1 nenhuma importância e 5 muita importância) 1

2

3

4

5

8

8

45

70

95

Internet de Alta Velocidade na sala de aula

9

15

51

45

106

Cartão de Escola

20

18

76

61

51

Portal da Escola

13

15

78

73

47

Moodle

7

7

63

67

82

Kits Tecnológicos (Computadores; Videoprojectores; Quadros interactivos)

Tabela A 11: Importância dada às tecnologias pelos alunos

Questão 12 - Achas que terias melhor rendimento escolar com a introdução de: (Aplica uma escala de 1 a 5, sendo 1 nenhuma importância e 5 muita importância) 1

2

3

4

5

Fazer testes avaliativos à medida das minhas necessidades

20 15

77

67

47

Criar exercícios interactivos e lições

8

14

90

69

45

Utilizar fórum para a divulgação de ideias e de informação

12 18

98

63

35

Construir e utilizar PDF’s interactivos

11 26

93

57

39

15 18

59

61

73

A escola ter disponível as aulas e conteúdos em formato MP3/MP4 Tabela A 12: Rendimento escolar dos alunos

112


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Questão 13 - Achas que terias uma melhor relação com os teus colegas, professores e pessoal auxiliar com a introdução de: (Aplica uma escala de 1 a 5 sendo 1 nenhuma importância e 5 muita importância) 1

2

3

4

5

Fazer testes avaliativos à medida das minhas necessidades

33

26

86

49

32

Criar exercícios interactivos e lições

13

21

99

64

29

Utilizar fórum para a divulgação de ideias e de informação

16

25

100 56

29

Construir e utilizar PDF’s interactivos

16

24

100 59

27

20

23

73

56

A escola ter disponível as aulas e conteúdos em formato MP3/MP4

54

Tabela A 13: Relação com os alunos, professores e pessoal não docente

Questão 14 - Achas que os Professores são sensíveis às necessidades na tua escola e às tuas em particular? (Aplica uma escala de 1 a 5 sendo 1 nenhuma importância e 5 muita importância) 1

2

3

4

5

23

30

98

47

28

Criar exercícios interactivos e lições

12

15

112 58

29

Utilizar fórum para a divulgação de ideias e de informação

13

18

110 55

30

Construir e utilizar PDF’s interactivos

14

28

103 53

28

25

24

89

47

Fazer testes avaliativos à medida das minhas necessidades.

A escola ter disponível nas aulas e conteúdos em formato MP3/MP4

41

Tabela A 14: Sensibilidade dos professores para as necessidades da escola e dos alunos

113


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Questão 15 - Achas que os Órgãos de Gestão são sensíveis às necessidades na tua escola e às tuas em particular? (Aplica uma escala de 1 a 5 sendo 1 nenhuma importância e 5 muita importância) 1

2

4

5

15

20

108 55

28

Criar exercícios interactivos e lições

11

25

102 64

24

Utilizar fórum para a divulgação de ideias e de informação

15

21

108 54

28

Construir e utilizar PDF’s interactivos

14

28

104 52

28

25

22

104 32

43

Fazer testes avaliativos à medida das minhas necessidades.

A escola ter disponível nas aulas e conteúdos em formato MP3/MP4

3

Tabela A 15: Sensibilidade dos orgãos de gestão para as necessidades da escola e dos alunos

114


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Respostas ao questionário aplicado aos professores Questão 1 - Em que escola lecciona? Agrupamento de Escolas da Região de Colares

21

Agrupamento de Escolas Vítor Melícias

15

Tabela P 1: Escola onde leccionam os professores

Questão 2 - Que idade tem? [20-30[

3

[30-40[

12

[40-50[

12

[50-60[

8 Tabela P 2: Idade dos professores

Questão 3 - Em que ciclo de ensino lecciona? 1º ciclo

2

2º ciclo

11

3º ciclo

23 Tabela P 3: Ciclo onde leccionam os professores

Questão 4 - Qual o seu grupo de docência? 110

200

210

240

250

260

300

330

400

420

500

510

520

530

550

600

620

910

2

2

2

2

1

1

4

2

2

3

1

1

2

1

3

1

4

2

Tabela P 4: Grupo de docência

Questão 5 – Há quantos anos ensina? [1-10[

8

[10-20[

15

[20-30[

8

[30-40[

5 Tabela P 5: Número de anos no ensino

Questão 6 - Já recebeu formação em utilização de novas tecnologias? Sim

31

Não

5 Tabela P 6: Frequência de acções formação

115


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Questão 7 – Em caso de resposta afirmativa, quantas horas? Menos de 50

8

Entre 50 e 100

12

Mais de 100

11 Tabela P 7: Número de horas de formação

Questão 8 - Considera que foram adequadas? Sim

27

Não

4 Tabela P 8: Adequação da formação recebida

Questão 9 - Considera que foram suficientes? Sim

6

Não

24

NR

1 Tabela P 9: Suficiência da formação recebida

Questão 10 - Quais dos seguintes instrumentos utilizas ou possuis? Não Próprio

De outros

utilizo/ Não possuo

Telemóvel

35

1

0

Telemóvel com acesso à net

12

1

23

Computador Portátil

34

2

0

Computador de Secretária

27

6

3

I-Pod

1

1

34

MP3

14

1

21

8

2

26

Consolas (PS2; PS3; PSP; Xbox; Nintendo)

Tabela P 10: Utilização dos instrumentos pelos professores

116


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Questão 11 - Em média, quantas horas passas por dia nestas várias tecnologias? Menos Nenhuma

de 1

1 Hora

Hora Telemóvel

2

3

4

5

Horas Horas Horas Horas

Mais de 5 Horas

0

34

2

0

0

0

0

0

0

30

6

0

0

0

0

0

1

5

11

10

2

1

1

5

4

12

7

5

4

2

1

1

I-Pod

35

1

0

0

0

0

0

0

MP3

26

9

1

0

0

0

0

0

Consolas

31

5

0

0

0

0

0

0

Telemóvel com acesso à net Computador Portátil Computador de Secretária

Tabela P 11: Horas dispendidas com tecnologia pelos professores

Questão 12 – Que meios usa na preparação das aulas? PC com Software próprio

34

Papel e Caneta

28

Outros meios

10

Quais?

Sites pedagógicos – Internet Fichas Word e Excel Aparelhagem / rádio Livros, manuais CD do manual Livros, mapas Materiais didácticos Quadro interactivo (2) Tabela P 12: Meios utilizados na preparação das aulas

117


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Questão 13 - Quais são para si as vantagens da aplicação do uso das novas plataformas educativas. (Aplique uma escala de 1 a 5 sendo 1 discordo completamente e 5 concordo completamente) Maior Autonomia do Aluno Mais e melhor participação nas actividades lectivas curriculares e extra-curriculares Maior facilidade de concentração dos alunos com Necessidades Educativas Especiais Uma menor utilização do papel e caneta é prejudicial ao desenvolvimento cognitivo da criança Menor participação do professor na sala de aula O envolvimento da comunidade é maior com o uso das novas plataformas digitais A escola tem um papel fundamental em evitar a infoexclusão Importância em diversificar estratégias de ensino de forma a cativar o interesse dos alunos Proximidade e a disponibilidade "constante" do professor

1

2

3

4

5

0

1

13

8

14

0

2

7

17

10

0

2

14

14

6

7

10

11

4

4

15

8

9

2

2

1

0

7

14

14

0

0

5

12

19

1

0

2

11

22

0

1

14

13

8

Tabela P 13: Vantagens de aplicação das tecnologias educativas

Questão 14 – O paradigma educacional está em vertiginosa mutação. Para mim essa mutação: Não traz vantagens

0

É vantajosa para todos É vantajosa só para alguns

28 8

Tabela P 14: Mutação do paradigma educacional

Questão 15 – Acha que com a implementação das plataformas de informação o professor tem que repensar o seu papel como elemento do processo educativo? Com certeza

36

Claro que não pois os métodos que sempre usei são aqueles que melhores resultados dão

0

Tabela P 15: Papel do professor no processo educativo

118


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Questão 16 – O advento das novas tecnologias tornou as relações pedagógicas: Menos burocráticas

8

As reuniões com os colegas mais simples e mais objectivas

12

A informação mais sistematizada

7

O acesso à informação escolar é melhor

28

Tabela P 16: Evolução das relações pedagógicas

Questão 17 - Na sua relação pedagógica o cartão da Escola tem vantagens, ao nível de processos administrativos e controlo? Sim

30

Não

6 Tabela P 17: Vantagens do cartão da Escola

Questão 18 - Acha que está disposto a usar as potencialidades dadas pela plataforma Moodle e outras plataformas no domínio de (utilize uma escala de 1 a 5 em que 1=Não tenho disponibilidade e 5=Tenho disponibilidade e abertura total) 1

2

3

4

5

2

5

13

9

7

Criar exercícios interactivos e lições

2

3

7

11

13

Utilizar fórum para a divulgação de ideias e de informação

1

1

6

9

19

Construir e utilizar PDF’s interactivos

2

1

10

7

16

13

3

11

3

6

Fazer testes avaliativos à medida da necessidade de cada aluno

Distribuir as suas aulas e conteúdos em formato MP3/MP4 Tabela P 18: Potencialidades do Moodle

119


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Questão 19 - Qual a importância dada por parte dos órgãos de gestão da sua escola relativamente a: (Aplique uma escala de 1 a 5 sendo 1 nenhuma importância e 5 muita importância) 1

2

3

4

5

0

0

0

8

28

Internet de Alta Velocidade

0

0

2

9

25

Internet na sala de aula

0

0

2

8

26

Cartão de Escola

0

0

3

8

25

Portal da Escola

0

0

2

11

23

Moodle

0

0

1

9

26

Kits Tecnológicos (Computadores; Videoprojectores; Quadros interactivos)

Tabela P 19: Percepção da importância dada pelos órgãos de gestão relativamente às tecnologias

120


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Respostas ao questionário aplicado aos órgãos de gestão Questão 1 - Em que escola exerce funções? Agrupamento de Escolas da Região de Colares

1

Agrupamento de Escolas Vítor Melícias

3

Tabela OG 1: Escola onde exerce funções de direcção

Questão 2 - Acha que os docentes estão suficientemente instruídos nas novas tecnologias e nas novas plataformas de educação? Todos

0

A maior parte

3

Cerca de metade

0

Um pequena parte

1

Quase nenhuns

0 Tabela OG 2: Instrução dos professores em novas tecnologias

Questão 3 - Acha que os docentes estão capacitados para enfrentar um novo paradigma educacional, em que o seu papel será necessariamente diferente? Todos

1

A maior parte

1

Cerca de metade

1

Um pequena parte

1

Quase nenhuns

0

Tabela OG 3: Capacidade dos professores para enfrentar o novo paradigma de educação

Questão 4 - Será possível à escola adaptar-se a uma nova definição do tempo escolar, i.e. flexível para se adaptar às novas necessidades dos alunos e flexível para se adaptar às mudanças de planificação e programação. Impossível

0

Muito dificilmente

0

Com muitas mudanças

3

Com relativa facilidade

1

Facilmente

0 Tabela OG 4: Capacidade de adaptação às mudanças

121


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Questão 5 - Acredita que com a implementação das novas tecnologias e plataformas educativas, o principio da equidade na educação e em todo o processo educativo (seja ele macro; meso ou micro) será efectivamente uma realidade em relação a: (Aplique uma escala de 1 a 5, sendo 1 discordo completamente e 5 concordo completamente) 1

2

3

4

5

1

1

1

1

0

0

2

0

2

0

Equidade entre alunos inter-escolas

0

0

2

2

0

Equidade dos alunos na mesma escola

0

0

1

2

1

Equidade inter-regiões Equidade inter-escolas (o que equivale dizer que não haverá tanta discrepância nos rankings escolares)

Tabela OG 5: Evolução da equidade na educação

Questão 6 - A implementação das novas tecnologias tem vantagens e desvantagens a todos os níveis. Utilize a escala de 1 a 5 sendo 1 discordo completamente e 5 concordo completamente. 1

2

3

4

5

0

0

0

1

3

0

1

0

1

2

0

1

1

2

0

2

2

0

0

0

0

0

0

0

4

Com a implementação das novas tecnologias haverá uma melhor comunicação entre os professores Com as novas tecnologias os professores podem desempenhar outras tarefas na escola O pessoal auxiliar sente-se mais motivado e valorizado As relações laborais tornam-se mais complicadas O processo de informação é mais ágil na sua transmissão

Tabela OG 6: Vantagens e Desvantagens da implementação das novas tecnologias

Questão 7 - Os actos administrativos tornaram-se: Mais fáceis

4

Iguais

0

Mais complicados

0 Tabela OG 7: Complexidade dos actos administrativos 122


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Questão 8 - Concorda com a afirmação de a dotação orçamental para as novas tecnologias continuará escassa face às necessidades? Sim

3

Não

1 Tabela OG 8: Dotação orçamental para as tecnologias

Questão 9 - Com as novas plataformas educativas a implantação do projecto educativo será mais fácil a nível da: (Utilize a escala de 1 a 5 sendo 1 discordo completamente e 5 concordo completamente) 1

2

3

4

5

Planificação

0

0

0

1

3

Identidade

0

0

1

1

2

Estratégia

0

0

1

0

3

Liderança

0

0

1

1

2

Visibilidade

0

0

0

0

4

Avaliação

0

0

0

0

4

Tabela OG 9: Implementação do projecto educativo com as TIC

Questão 10 - Qual a importância dada pela vossa parte (órgãos de gestão da escola) relativamente a: (Aplique uma escala de 1 a 5 sendo 1 nenhuma importância e 5 muita importância) 1

2

3

4

5

0

0

0

0

4

Internet de Alta Velocidade

0

0

0

0

4

Internet na sala de aula

0

0

0

0

4

Cartão de Escola

0

0

0

0

4

Portal da Escola

0

0

0

0

4

Moodle

0

0

0

0

4

Kits Tecnológicos (Computadores; Videoprojectores; Quadros interactivos)

Tabela OG 10: Importância atribuída às tecnologias

123


Utilização de plataformas de aprendizagem – mudança de paradigma na educação

2010

Questão 11 - Com a mudança do paradigma educativo que estamos a observar e a participar é necessária uma boa articulação entre os docentes e os órgãos de gestão da escola. Acha que têm os recursos necessários, a nível tecnológico, no domínio de: (utilize uma escala de 1 a 5 sendo 1 total ausência de recursos e 5 disponibilidade total de recursos) 1

2

3

4

5

0

0

0

1

3

Criar exercícios interactivos e lições

0

0

2

1

1

Utilizar fórum para a divulgação de ideias e de informação

0

0

1

0

3

Construir e utilizar PDF’s interactivos

1

0

1

2

0

0

2

2

0

0

Fazer testes avaliativos à medida das minhas necessidades.

A escola ter disponível nas aulas e conteúdos em formato MP3/MP4

Tabela OG 11: Disponibilidade de recursos a nível tecnológico

Questão 12 - Qual a importância atribuída às potencialidades dadas pela plataforma Moodle e outras no domínio de: (utilize uma escala de 1 a 5 sendo 1 como nenhuma Importância e 5 Absolutamente necessário) 1

2

3

4

5

0

0

0

0

4

Criar exercícios interactivos e lições

0

0

0

1

3

Utilizar fórum para a divulgação de ideias e de informação

0

0

0

0

4

Construir e utilizar PDF’s interactivos

1

0

0

1

2

0

2

0

0

2

Fazer testes avaliativos à medida das minhas necessidades.

A escola ter disponível nas aulas e conteúdos em formato MP3/MP4

Tabela OG 12: Importância atribuída ao Moodle

124


Tese de Mestrado