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VIAGENS | NP | 17

índice: Pág 4 Caminhos e trilhos da Auto Estrada Filipe Esménio

Pág 12 Foto Reportagem Nuno Luz

Pág 6 Que longa Viagem a que travamos juntos Maria Geni Veloso das Neves

Pág 14 Telefones CCP

Pág 7 Cartoon Bruno Bengala Pág 8 Telefones úteis Pág 10 Deambulações de uma alma irrequieta

Pág 22 Texto seleccionado por Miguel Esménio de Jack Kenouac

Pág 16 O viajante Tiago R Santos Pág 18 A viagem ao interior de nós mesmos Maria Margarida Oliveira Pág 20 A “Viagem Bíblica” Cónego António Janela

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04 | NP | EDITORIAL

Trilhos e Caminhos

da auto-estrada

Quem lá vem … segue a marcha sempre no seu rumo… Mas que rumo? - pergunto eu. Será que alguém pára para pensar de vez em quando naquilo que anda a fazer. Brincamos em putos, estudamos, começamos a trabalhar em homens e morremos em velhos. Não pode ser só esta a razão de ser da minha vida. Uns encontram a paz em Deus, uma excelente explicação para a longa viagem que fazemos. Outros não encon-

tram razões… andam, andam, andam e nem se apercebem que nunca chegaram a lado nenhum. Mas teremos sempre em todas as viagens que nos pr eocupar em chegar a algum lado? Não. Podemos simplesmente estar. Parar para pensar, parar de pensar, simplesmente parar e usufruir dos pequenos prazer es que reservamos para a nossa vida. Sempre ouvi falar no meu futuro, depois no futuro dos filhos, depois no dos netos depois… E o presente? Não um presente totalmente vazio…aquele que na nossa longa viagem nos dá prazer . Queremos todos ser perfeitos. Somos todos distraídos e esquecemo-nos que minuto após minuto passam 60 segundos e a lua leva só 28 dias a dar-nos a volta. E que volta. Não, não faço apelo à vida vã do imediato, até porque a nossa viagem só termina no fim, mas sabe bem de quando em quando parar para fazer um «chichizinho», fumar um cigarrito, para quem fuma, ou até conversar um pouco ao desentorpecer as pernas. A nossa viagem é como uma pr ova de meio fundo, temos de manter um ritmo certinho para nos permitir chegar ao fim, sem grandes «sprints» mas também sem grandes abrandamentos, por que a massa muscular depois de parar… primeiro que arranque… O problema é que há sempr e aqueles que param no tempo, os que se deixam acelerar pelo «stress» ou pelas «ínas», os outros que nunca per ceberam sequer que estavam em viagem ou os que sempre se acharam os comandantes do navio.

Nenhum de nós contr ola as difer entes variáveis, e por ser em imensas é que temos de jogar com as cartas que temos. E não são poucas. Os padrões de exigência são diferentes, logo os objectivos também… eu por mim estou a r edefinir os meus objectivos todos os dias… e às vezes nem sei se já par ei nalgum apeadeir o mais esconso. Certo é que gosto de parar em todas as estações, sentir o cheiro da terra e das pessoas sem que isso me obrigue a ter que lá ficar. Deixar-me voar e ver de cima também é bom, sentimo-nos grandes… enormes…grandiosos. Fortes como o aço… por uns instantes…e é bom. Caminhar é bom, dormir é bom, comer é bom, beber é bom, fumar é bom, trabalhar é bom, dinheir o é bom, a saudinha é muito bom, o poder ter e o poder fazer são bons, ajudar é bom, cooperar é bom, ter filhos é bom, educá-los bem é muito bom, ser ajudado é bom, pagar impostos é …é… importante. Exigir é bom, de si e dos outros, cobrar e dar é bom. Olhar para dentro e para fora e para o lado sem nuca tirar os olhos de dentr o é difícil, mas é bom. Ler, escrever, sentir, sentir…pensar é bom e gratificante. Passear, viajar, ver monumentos e museus, ir ao futebol e gritar… Há tanta coisa boa…tanta coisa boa que nem sequer vem nas r evistas nem nas novelas… que temos de per ceber que nesta viagem somos o timoneir o, que com os marinheiros certos, e se o vento soprar de feição podemos dar à costa de novas terras de todo um admirável mundo que mesmo que não seja novo é bom.

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06 | NP | J F PORTELA

Que LONGA viagem a que travamos juntos Já lá vão oito anos nesta longa viagem a que nos pr opusemos. É uma viagem cheia de compromissos, de momentos difíceis e atribulados mas que estou certa todos gostamos de travar. Começamos com muita vontade, com muitos objectivos e com poucas coisas em que nos apoiar. Os anos foram passando, fomos constr uindo uma nova Portela mas em cada dia mais desafios nos iam surgindo. Sei que já muito construímos, mas sinto que me falta ainda mais do que faltava. Estamos mais exigentes, mais ambi ciosos. O tempo é algo que nos enriquece, e que faz de nós mais ponderados, mais seguros, mas certamente mais exigentes. E é com essa exigência a partida para mais esta etapa que me pr oponho a avançar.

Dra. Maria Geni Veloso das Neves

Não é possível o tempo passar sem querermos ainda mais e melhor. Nesta etapa, tal como em cada viagem, não importa só ver o que vem nos livros ou nos guias. T emos de descobrir por nós, ser suficientemente aventur eiros, e ao mesmo tempo comedidos, para termos os pequenos prazer es da viagem sem comprometermos o que somos ou o que temos. Mas estamos sempre dispostos a mais, a mais ideias, a mais pr ojectos, a mais lutas pelas nossas convicções. É sempr e uma viagem infinita mas em que a

nossa passagem deve deixar marca. E esse é o nosso objectivo. Nesta terceira etapa da longa viagem que travamos juntos, temos uma mistura que muito me agrada, pessoas e a continuidade do mandato da huma nização e obra de forma a dar em cada momento mais equipamentos que sirvam as pessoas. Não é a obra pela obra, e muito menos a obra de r egime, mas sim a exacta medida que permita aos meus companheiros de viagem, os Portelenses, ter sempr e ao seu alcance, conforto, cultura, bem estar e saúde, educação e desporto para que sempr e sintam orgulho naquela que é a sua terra. Não é fácil lutar contra um dormitório, mas sabemos que temos feito muito para que só per camos na cama o justo tempo de descanso, e que possamos, em cada dia, partir para uma nova aventura, uma nova expedição, que nos permita avançar na escalada da vida, com alegria, e que contribua para que esta passagem seja um mar co histórico na vida de todos nós. Não é pr eciso passaporte nem tão pouco Bilhete de Identidade para entrar neste navio que procura dar mais e mais à Portela. Seja bem vindo a bor do e junte-se a nós. Temos uma Portela para engrandecer mas quando, neste momento, tudo parece difícil, estou certa que todos juntos saberemos transformá-la num cantinho à beira mar plantado.


CARTOON | NP | 07

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08 | NP | TELEFONES ÚTEIS

TELEFONES Ú T E I S : PORTELA ADMINISTRAÇÃO DO C.C.P. 219436194 AEROPORTO DA PORTELA 21843500 ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DA PORTELA 219435114 BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE MOSCAVIDE 219458640 BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE SACAVÉM 219427910 CÂMARA MUNICIPAL DE LOURES 219829800 CARRIS 213613000 CENTRO DE EMPREGO DE MOSCAVIDE 219405310 CENTRO SOCIAL E PAROQUIAL DA IGREJA DE CRISTO REI DA PORTELA 219444872

CP CAMINHOS DE FERRO DE SACAVÉM 219419909 CENTRO DE SAÚDE DE MOSCAVIDE 219445545 CENTRO DE SAÚDE DE SACAVÉM 219410368 EDP 210012500 ESCOLA BÁSICA DO 1º CICLO DA PORTELA 219435743 ESCOLA SECUNDÁRIA DA PORTELA 219418763 ESCOLA C+S GASPAR CORREIA 219457600 ESQUADRA P.S.P. DE MOSCAVIDE 219444685 ESQUADRA P.S.P. DOS OLIVAIS 218511057 FARMÁCIA PAULA CAMPOS 219431423 FARMÁCIA PEDRO 219441089

GARE DO ORIENTE 218919198 HOSPITAL CUF DESCOBERTAS 210025200 HOSPITAL CURRY CABRAL 217924200 INSTITUTO DE SOLIDARIEDADE E SEGURANÇA SOCIAL LISBOA 218444150 INSTITUTO DE SOLIDARIEDADE E SEGURANÇA SOCIAL LOURES 219471631 JUNTA DE FREGUESIA DA PORTELA 219446417 LOJA DO CIDADÃO 808241107 NOTÍCIAS DA PORTELA 219456514 RÁDIO TÁXIS DE SACAVÉM 219416666

AUTOCOOPE 217932756 RECLAMAÇÕES DE CONSUMO 218883535 REPARTIÇÃO DE FINANÇAS DE MOSCAVIDE 219441577 REPARTIÇÃO DE FINANÇAS DOS OLIVAIS 218534665 REPARTIÇÃO DE FINANÇAS DE SACAVÉM 219425247 SEMINÁRIO DOS OLIVAIS 219457370 SERVIÇO DE INFORMAÇÕES NACIONAIS 12118 SERVIÇOS MUNICIPALIZADOS DE ÁGUA 219848500 SOS NÚMERO NACIONAL DE SOCORRO 112 TELEFONE AVARIAS 16208

OUTROS ABRAÇO - APOIO A PESSOAS COM HIV-SIDA 800 225 115 AEROPORTO DE LISBOA INFORMAÇÕES 218 413 700 AGÊNCIA PARA A QUALIDADE E SEGURANÇA ALIMENTAR 214 758 200 ALCOÓLICOS ANÓNIMOS 217 162 969 ALTA AUTORIDADE PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL 213 929 130 ANACOM - AUTORIDADE NACIONAL DE COMUNICAÇÕES 800 206 665 APOIO AO TURISTA 800 296 296 APOIO E INFORMAÇÃO SOBRE HOMOSSEXUALIDADE 218 876 116 ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA 213 919 000 ASSOC. PORTUGUESA.DE APOIO À VÍTIMA 707 200 077 ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE IMPRENSA 213 555 092 ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE NARCÓTICOS ANÓNIMOS 800 202 013 BLOCO DE ESQUERDA 213510510

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BOMBEIROS SAPADORES, COMANDO 213 924 700 BOMBEIROS, CHAMADAS DE SOCORRO 213 422 222 CABOVISÃO - SERVIÇO DE APOIO A CLIENTES 1680 CAMINHOS DE FERRO INFORMAÇÕES 808 208 208 CARRIS- 213 613 054 CENTRO CULTURAL DE BELÉM 213 612 400 CENTRO DE ARBITRAGEM DE CONFLITOS DE CONSUMO 218 883 535 CENTRO DE BUSCA E SALVAMENTO MARÍTIMO 214 401 919 CENTRO DE ESTUDOS E FORMAÇÃO DESPORTIVA 213 966 162 CENTRO JACQUES DELORS, INFORM. UNIÃO EUROPEIA 800 222 001 COMISSÃO DA CARTEIRA PROFISSIONAL DE JORNALISTA 213 424 303 COMISSÃO NACIONAL DE ELEIÇÕES 213 923 800 COMISSÃO NAC. DE LUTA CONTRA A SIDA 217 220 820

COMISSÃO PARA A IGUALDADE E DIREITOS DAS MULHERES 800 202 148 COMISSÃO PARA A IGUALDADE NO TRABALHO E EMPREGO 800 204 684 COMITÉ OLÍMPICO DE PORTUGAL 213 617 260 CONFEDERAÇÃO DO DESPORTO DE PORTUGAL 214 113 975 CONFEDERAÇÃO NACIONAL DAS ASSOCIAÇÕES DE PAIS 218 471 978 CRIANÇA MALTRATADA 213 433 333 CRUZ VERMELHA PORTUGUESA, AMBULÂNCIAS 219 421 111 CRUZ VERMELHA PORTUGUESA, HOSPITAIS 217 714 000 CRUZ VERMELHA PORTUGUESA, SEDE NACIONAL 217 822 400 DECO - ASSOC. PORT. PARA A DEFESA DO CONSUMIDOR 213 710 200 DIR. GERAL DA ADM. AUTÁRQUICA 213 145 889

DIRECÇÃO GERAL DAS ALFÂNDEGAS 218 821 019 DIRECÇÃO GERAL DE TRANSPORTES TERRESTRES 217 949 000 DIRECÇÃO GERAL DE TURISMO 800 296 296 DIRECÇÃO GERAL DE VIAÇÃO 213 122 100 DIRECÇÃO GERAL DO ENSINO SUPERIOR 213 126 000 DIRECÇÃO GERAL DOS SERVIÇOS PRISIONAIS 218 812 200 EDP - ATENDIMENTO 800 505 505 EPAL - EMPRESA PORTUGUESA DAS ÁGUAS LIVRES 213 251 000 ESTADO MAIOR DA ARMADA 213 476 238 ESTADO MAIOR DA FORÇA AÉREA 214 723 500 ESTADO MAIOR DO EXÉRCITO 218 842 330 ESTADO MAIOR GENERAL DAS FORÇAS ARMADAS 213 038 500 FUGAS DE GÁS 800 201 722


TELEFONES ÚTEIS| NP | 09

FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN 217 823 000 FUNDAÇÃO PARA A COMPUTAÇÃO CIENTÍFICA NACIONAL 218 440 100 GABINETE DO MINISTRO ADJUNTO 213 927 600 GABINETE DO PRIMEIRO MINISTRO 213 923 500 GDL -SOC. DISTRIBUIDORA DE GÁS NATURAL DE LISBOA 800 206 009 GNR - BRIGADA DE TRÂNSITO 213 922 300 GNR - GUARDA NACIONAL REPUBLICANA 213 217 000 ILUMINAÇÃO PÚBLICA LISBOA 213 912 300 IND - INSTITUTO NACIONAL DO DESPORTO 213 979 089 INEM - INSTITUTO NACIONAL DE EMERGÊNCIA MÉDICA 217 929 100 INFARMED, INSTITUTO NAC. FARMÁCIA E MEDICAMENTO 217 987 100 INFORMAÇÃO ANTI VENENOS 808 250 143 INSTITUTO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL213 221 200 INSTITUTO DE METEOROLOGIA 218 483 961 INSTITUTO DE REINSERÇÃO SOCIAL 800 205 466 INSTITUTO DE SEGUROS DE PORTUGAL 800 201 920 INSTITUTO DO COSUMIDOR 213 564 600 INSTITUTO DO EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL 217 227 000 INSTITUTO NACIONAL DA AVIAÇÃO CIVIL 218 423 500 INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA 218 426 100 INSTITUTO NACIONAL DE MEDICINA LEGAL 218 811 800 INSTITUTO NACIONAL DE TRANSPORTES FERROVIÁRIOS 213 214 600 INST.PORT.. DA DROGA E TOXICODEPENDÊNCIA 213 104 100 INSTITUTO PORTUGUÊS DE SANGUE 217 921 000 INTERSINDICAL, CONF.

GERAL TRABALHADORES 213 236 500 INTOXICAÇÕES 808 250 143 IPJ - INSTITUTO PORTUGUÊS DA JUVENTUDE 213 179 200 ISN - INSTITUTO DE SOCORROS A NÁUFRAGOS 214 467 333 LINHA AZUL DO LISBOETA INFORM. E RECLAM. 218 868 568 LINHA DO CIDADÃO IDOSO (9 ~ 17:00) 800 203 531 LINHA VIDA - SOS DROGAS (10 ~ 24:00) 1414 LISTAS TELEFÓNICAS INTERNACIONAIS 177 LOJAS DO CIDADÃO 808 241 107 METROPOLITANO DE LISBOA 213 558 457 MINISTÉRIO AGRICULTURA, DESENVOLV. RURAL E PESCAS213 234 749 MINISTÉRIO CIDADES, ORDENAMENTO TERRIT. E AMBIENTE 213 232 500 MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA 213 233 000 MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E DO ENSINO SUPERIOR 217 231 000 MINISTÉRIO DA CULTURA 213 614 500 MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL 213 034 500 MINISTÉRIO DA ECONOMIA 213 228 600 MINISTÉRIO DA JUSTIÇA 213 222 300 MINISTÉRIO DA SAÚDE 213 305 000 MINISTÉRIO DA SEGURANÇA SOCIAL E DO TRABALHO 218 441 700 MINISTÉRIO DAS FINANÇAS 218 816 800 MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS- 213 946 000 MINISTÉRIO OBRAS PÚBLICAS, TRANSPORTES E HABITAÇÃO 218 815 100 MOVIMENTO PARTIDO DA TERRA MPT 218 438 021 NOVIS - SERVIÇO DE APOIO A CLIENTES 800 101 010 ONI - SERVIÇO DE APOIO A CLIENTES 808 201 050 ONU - CENTRO DE INFORMAÇÃO PARA PORTUGAL 213 190 790

OPTIMUS - SERVIÇO DE APOIO A CLIENTES1693 ORDEM DOS ADVOGADOS 218 823 550 ORDEM DOS MÉDICOS 218 427 100 PARLAMENTO EUROPEU GABINETE EM PORTUGAL 213 504 900 PARQUE DAS NAÇÕES 218 919 898 PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS PCP 217 813 800 PARTIDO COMUNISTA TRABALHAD. PORTUGUESES MRPP 218 880 780 PARTIDO ECOLOGISTA "OS VERDES" 213 432 763 PARTIDO OPERÁRIO UNIDADE SOCIALISTA POUS 213 156 209 PARTIDO POPULAR CDS-PP 218 814 700 PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA PSD- 213 952 140 PARTIDO SOCIALISTA PS- 213 822 000 PARTIDO SOCIALISTA REVOLUCIONÁRIO 218 864 643 PATRIARCADO DE LISBOA 218 810 500 PJ - POLÍCIA JUDICIÁRIA 213 533 131 PJ - POLÍCIA JUDICIÁRIA, GABINETE DE IMPRENSA 213 154 014 PJ - POLÍCIA JUDICIÁRIA, PIQUETE- 213 574 566 POLÍCIA JUDICIÁRIA MILITAR 213 014 227 POLÍCIA MARÍTIMA (PIQUETE) 210 911 100 PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA 213 614 600 PROJECTO DE APOIO FAMÍLIA E CRIANÇA (10 ~ 20:00) 213 433 333 PROTECÇÃO À FLORESTA 117 PROTECÇÃO CIVIL 214 165 100 PROVEDOR DE JUSTIÇA 808 200 084 PSP - POLÍCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA 800 208 000 PORTUGAL TELECOM CHAMADAS INTERNACIONAIS 800 201 520 PORTUGAL TELECOM INFORMAÇÕES INTERNACIONAIS 179 PORTUGAL TELECOM INFORMAÇÕES NACIONAIS 118

PORTUGAL TELECOM PROVEDOR DO CLIENTE 800 204 420 PORTUGAL TELECOM SERVIÇO DE APOIO A CLIENTES 16 200 RDP 213 820 000 RECADOS DA CRIANÇA (9:30 ~ 17:30)- 800 206 656 RTP 217 947 000 SECRETARIA DE ESTADO DA JUVENTUDE E DESPORTO 213 036 000 SEGURANÇA SOCIAL 213 916 800 SIC 214 179 550 SINDICATO DOS JORNALISTAS 213 464 354 SOCIEDADE ANTI-ALCOÓLICA PORTUGUESA (9:30 ~ 18:00) 213 571 483 SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES 213 594 400 SOS - SIDA 800 201 040 SOS CRIANÇA (9:30 ~ 18:30) 217 931 617 SOS GRÁVIDA 213 862 020 SOS GRÁVIDA (10 ~ 18:00) 808 201 139 SOS VOZ AMIGA - ANGÚSTIA, SOLIDÃO, SUICÍDIO 800 202 669 SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA 213 218 900 TELEPAC - SERVIÇO DE APOIO A CLIENTES 808 207 070 TMN - SERVIÇO DE APOIO A CLIENTES1696 TRIBUNAL CONSTITUCIONAL 213 218 900 TRIBUNAL DE CONTAS 217 945 100 TV CABO 808 200 400 TVI 214 347 500 UGT - UNIÃO GERAL DOS TRABALHADORES 213 931 200 UNESCO - COMISSÃO NACIONAL 213 969 062 UNIÃO EUROPEIA REPRESENTAÇÃO EM PORTUGAL- 213 509 800 UNICEF - COMITÉ PORTUGUÊS 213 547 843 VIA NETWORKS - SERVIÇO DE APOIO A CLIENTES 800 242 400 VIA VERDE PORTUGAL 808 501 501 VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA 800 202 148 VODAFONE - SERVIÇO DE APOIO A CLIENTES16912

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10 | NP | VIAGENS

deambulações Viajar v. intr. 1 transitar , por qualquer meio de locomoção, de um lugar para o outro, que fica afastado; deslocar-se para um local distante; 2 andar em viagem; 3 [fig.] divagar v.tr. percorrer (em viagem); visitar (De viagem + ar) Dicionário da Língua Portuguesa 2004, Porto Editora

“Viajar torna-nos ser es humanos mais ricos” – costumamos ouvir dizer. Eu diria que potencialmente viajar torna-nos seres humanos mais ricos. Por que podemos passar pelas coisas sem as tocar ... Podemos passar pelas coisas sem que elas nos toquem... Mais importante que visitar os locais-chave e saber a história por detrás de cada estátua ou monumento; é captar o modus vivendi do país, é conseguir ver o mundo pelos olhos do outro sem sentir qualquer tipo de estranheza. É a diferença substancial e intangível que há entre conhecer e compr eender. Apreender a essência de África, por exemplo, é assimilar uma outra cultura, uma outra mundividência, completamente distintas da europeia. Só nesse sentido viajar enriquece, só nesse sentido viajar nos eleva... Acontece-me o mesmo quando viajo que quando conheço uma nova pessoa com a sua identidade e idiossincrasias únicas. Quando chego àquele patamar de conseguir pensar o que faria outra pessoa numa determinada situação, é como se a minha mente se expandisse... A decifração da realidade ganha novos prismas, novos dicionários, tornando-me menos prisioneiro das minhas concepções, inextricavelmente ligadas às minhas experiências individuais. Nessas alturas sinto ver dadeira-

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mente que cresci enquanto ser humano, nunca conseguindo deixar de pensar como é incrível a maneira como as pessoas rejeitam outras formas de viver; como rapidamente se descartam daquilo que nem sequer ousam conhecer; como despudoradamente rotulam de “excêntrico”, “diferente”, “anormal” (r ótulos que nos dizem mais sobr e o emissor do que sobre o seu objecto de análise) tudo o que recusam tentar compreender... Um dia per guntaram a W oddy Allen o que é que a vida lhe ensinara de mais importante, ao que o erudito cineasta asseverou: “Aprendi que não há só uma verdade”. Talvez resida aí um dos elementos explicativos das suas neuroses. Indubitavelmente mais cómodo é termos as nossas ideias bem arr umadinhas; pensar que sabemos sempr e tudo ou pelo menos tudo o que é necessário saber; acreditar que os trilhos que seguimos na nossa vida dependem de opções que estão alicerçadas em rochas... Cristalizarmo-nos nas mesmas certezas, nunca abrindo nelas br echas de dúvidas ao longo da vida é o caminho certo e seguro para a ignorância. E o mal deste mundo, já dizia Bertrand Russel, é que os estúpidos vivem cheios de certezas e os inteligentes cheios de dúvidas. A extensão daquilo que há para conhecer constitui um factor desanimador. Basta enumerar todos os países, todas as cidades, todos os filmes, todos os livros e concluiremos que a magnitude da nossa ignorância será sempr e incontornável. São de Almada Negreiros as seguintes palavras: "Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não dur o nem para metade da livraria. Deve haver

de uma

certamente outras maneiras de se salvar uma pessoa, senão estar ei perdido." “Mas para quê trabalhar se o trabalho nunca acaba?” - per guntava a caricatura do alentejano encostado ao chaparro na anedota. “Mas porquê aprender se seremos sempre ignorantes?” – dirá o energúmeno. Immanuel Kant, um marco na história da filosofia ocidental, foi uma pessoa que nunca viajou, que nunca sequer saiu da sua cidade natal (Königsberg na antiga Prússia, hoje Kalininegrado na Rússia) e que, todavia, deixou um legado tremendo para a humanidade. Kant empreendeu o verbo ´viajar´ na sua vida não no sentido literal mas no sentido figurativo, alimentado por muitas leituras, muitas conversas intelectualmente estimulantes, muitas reflexões. As viagens da sua mente permitiram-lhe extravasar as barreiras do tempo e do espaço; característica indispensável do conheci mento que almeja alcançar a perenidade. Para quem tem uma eterna sede de conhecimento, haverá sempre muitas viagens a fazer e muitas maneiras de viajar. A natureza humana na sua múltipla diversidade de inclinações pessoais encontrará sempre um destino e uma rota à sua medida. Tomemos o exemplo da internet. E tomemo-lo como uma metáfora da vida. Tão grande é a miríade de estímulos e de interesses que alberga que temos todos a garantia de que há pelo uma viagem que gostar emos de realizar... Manuel Monteiro


VIAGENS | NP | 11

alma

irrequieta

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Viagens do

JUNTA de FREGUESIA da PORTELA


corpo e da mente...


14 | NP | TELEFONES CCP

telefones

Centro

CAVE 1 – LOJA DO MONTADOALENTEJANO 219436008 2 - ALDINHA- INST. BELEZA 219 430 009 3 - PERINSHA 219 430 855 4 - RESTAURANTE BAR GOA 219 446 017 5 – LOJA DO PEIXE 219 432 821 6 – RESTAURANTE BAR GOA

7 - NADYA JOTTA – PERFUMARIA E COSMÉTICA 219 435 558 8 - NADYA JOTTA – CABELEIREIROS E ESTÉTICA 219 435 558 9 - O BALÃO 219 443 882 10 – IMOBI.PT PORTELA SHOPPING 219431633 12 - FÍGARO CABELEIREIRO 219 432 371

13 - NIKITA CABELEIREIROS 219 434 029 14 - MONTE BIANCO 210876354 15 - NIKITA CABELEIREIROS 219 434 029 16 - JAMBA 2 219 442 378 17 - STOP RÁPIDO 219 432 193 18 - NITOURS - AGÊNCIA DE VIAGENS 219 444 729

19 -VILA VIDEO 2 219 432 623 20 - LAVANDARIA PRESS TO 219 441 061 21 - SNACK BAR 21 219 434 974 26 - PIRIPIRI- IMP. & EXP. 219 432 215 27 - COMERCICÓPIA 219 447 133 28 - TABELA SECA 219 430 845

42 - FOTO SPORT 219 442 805 43 - O MUNDO DAS SANDES 219 433 160 44 - JAMBA 219 431 191 45 - TENTAÇÃO 219 434 175 46 - JOALHARIA RAMOS 219 430 211 47 - PÃO NO CESTO 219433039 49 - SAPATARIA VITÁLIA 967 610 891 50 - SAPATARIA VITÁLIA 967 610 891 51 - ORVIL 219 430 687 52 - ORVIL 219 430 687 53 - TALHO CENTRAL 219 434 088 54 - OPÇÃO 962 457 051 56 - BADOCHA 219 457 214 57 - CHÁVENA DE PRATA 219 447 132 58 - DROGARIA DA PORTELA 219 431 683 59 - PEIXINHO DO MAR 219 436 7111 60 - LOJA DA CARNE 219 430 452 61 - FARMÁCIA PAULA DE CAMPOS 219 431 423 62 - FARMÁCIA PAULA DE CAMPOS 219 430 854 63 - SUPORTEL 219 431 578 64 - CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS 219 432 461

65 – AGÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO DA PORTELA 219430694 66 - OCULISTA PILÚ 219 431 168 67 - CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS 219 432 034 68 - RUBIOURO JOALHEIROS 219 442 442 69 – SILVANA’S 219 431 068 70 - IMOAGRA 219 431 919 71 - PADARIA DA PORTELA 219 445 171 72 - MINI-MERCADO 219 435 882 73 - LABOCENTRO 219 430 675 74 - JUDAMA 219 430 972 75 - CHURRASQUEIRA DA PORTELA 219 430 972 76 – TALHOS CARZÉLUI 219 431 517 77 - CARNESLAR 219 434 868 78 - O NOSSO TALHO 219 431 069 79 - O NOSSO TALHO 219 431 069 80 - ÂNGULO CERTO 219 442 101 81 - RECEPÇÃO DO C.C.P. 219 433 484 82 - TABULEIRO 219 436 599 83/84 - ÁTRIO DO CINEMA TABACARIA DO CINEMA 219446693A

RÉS-DO-CHÃO 1 - CAMISARIA DO HOMEM 219 443 471 1A) - ZONA ÓPTICA 219 430 849 2 - AQUASSIS 219431004 3 - MILLENIUM BCP 219458613 4 - MILLENIUM BCP 219458613 5 - MILLENIUM BCP 219458600 6 - MILLENIUM BCP 219458600 7 - SNACK-BAR BOM DIA 219 433 767 8 - OPTIMUS 219 457 067 9 - LA JEUNESSE 219 435 171 10 - TARIK 219 431 018 11 - BOUTIQUE VENTURA 219 434 861 12 - MANEL BOUTIQUES 219 445 290 13 - CASA DOS CAFÉS PORTELA 219 458 100 14 - CASA DOS CAFÉS PORTELA 219 458 100 15 - CASA EDARAL 219 436 623 16 - BOUTIQUE CHRISTIANE 219 430 607 17 E 38 - MILLENIUM BCP 219458613 18 - ZONA ÓPTICA 219 430 849 19 - ZONA ÓPTICA 219 430 849 20 - PEROM 219 431 729

21 - LS - LINGERIE 219 433 524 22 – BARREIROS FARIA PERFUMARIA 219 43 5 193 23 - SUPERBRINQUEDOS 219 431 963 24 - MULEMBEIRA V 219 431 319 25 - TIO ARMANDO 219 436 486 26 - MILANO 219 435 570 27 - NATÁLIA ARAGÃO ANTIGUIDADES 219 430 999 28 - ALTO E BOM SOM 219 435 392 29 - JOALHARIA EMIL 219 435 671 30 - MEDIPORTELA 219 442 042 31 - BOUTIQUE JOLÚ 219 434 873 32 A) - SALÃO ARIOSTO 219 434 954 32 B) -TRAPICHE CONFECÇÕES 219 431 153 33 - MULEMBEIRA II 219 431 359 34 A) – HALCON VIAGENS 219449100 34 B) – CESAR’S 210878641 35 - BANCO SANTANDER 219 458 6 80 36 - BANCO SANTANDER 219 458 680 37 - BANCO SANTANDER 219 458 680 40 - STOP RÁPIDO 219 445 462 41 - PEROM 219 431 729


TELEFONES CCP| NP | 15

Comercial da Portela 1º ANDAR 1 - GALERIA DO VINHO 219430888 2 – ESTÁDIO DA PORTELA 219436091 3 - ROMAIA 219 445 4 72 4 – PRONTO-A-VESTIR 219432188 5 - FRUTARIAS A & C 219 447 446 6 - 5 À SEC 219 447 722 6A) – SIMPLESMENTE GENIAL 7 - ESPAÇO VII 219 430 629 8 - CADENA 934 781 130 9 - PÉROLA DA PORTELA 219 432 558 11 – YE KWE 965320766 12 – UNIKA 219432221 13 – FASHION LIFE 210889144 14 - USE E ABUSE 219 431 949 15 - FÓRMULA 15 219 431 722 16 - P.H.J. CONSTRUÇÃO E RECONSTRUÇÃO LDª 219 431 990 17 - PICAR O PONTO PAPELARIA 219 433 233 18 - CENTRIMAGEM 219 443 337 19 - LA JEUNESSE 219 445 171 20 – MICHELE K 219456652 21 – COPY & PASTE 933347524 22 - NO MEN 219 443 648 23 - GIOVANNI GALLI 219 435 944 25 - CASA BABOO 219 431 767

26 - CASA BABOO 219 431 767 27 - PÉROLA DA PORTELA 219 432 558 28 - MAUSER TV 219 434 360 29 - ZOO DO BAIÃO 219 442 033 30 - TRILHO 219 442 309 31 - TINTORETTO 219 447 703 32 - BIB'S - PRONTO-A-VESTIR 219 447 185 33 - BRINDY 219 446 647 34 - MOVILAINE 219 430 102 35 - EUROSPORT 219 431 697 36 - LOOK BOUTIQUE 219 430 280 38 – FÁBRICA DE CHAVES 219435055 39 - IDA CABELEIREIROS 219 431 654 40 - IDA CABELEIREIROS 219 431 654 41 - CASA BABOO 219 431 767 42 - CASA BABOO 219 431 767 43 -COFFEE BREAK 219 430 767 44 - SKAI PARTE 219 431 669 45 - CASA DAS MALAS "LA POCHETTE" 219 431 970 46 – CESAR’S 219436188 47 – 5 À FIL 48 - ENTRETEM 219 435 881 49 – TMN 219435279 50 – JOSÉ BRAGANÇA PASTELARIA 219436433

51 - ESTÉTICA NUTRICIONISMO 219 433 190 52 - LOJA DOS 300 53 - IDEIAS E AROMAS 219 458 976 54 – FUN HOUSE 2 219436405 55 - GLARE 219 447 845 56 - PATAFÔFA 219 431 849 57 - MITO FLORAL 219 431 540 58 - BOUTIQUE TUJUJU 219 442 405 61 -PORTEL@WEB 219 458 662 62 - AURORA LAVORES 219 458 663 63 - AURORA LAVORES 219 458 663 64 - MANEL BOUTIQUES 219 445 286 65 – MA GEU 219443626 66 – CONDIPORTELA 219432121 67 - SEISETE 219 433 025 70 – VIA ARTÍSTICA 219433170 71 - VIA ARTÍSTICA 219433170 72 - VIA ARTÍSTICA 219433170 73 – LOJA DOS 300 968395480 74 – SO LONG 219431792 76 - GALINHA GORDA 219 435 890 78 - SUPERFRUTAS PAI & FILHO 962 728 215 79 - INTERCLUBES 219 432 319 80 - FUN HOUSE 219 442 355

81 - FUN HOUSE 219 442 355 82 – FERRIOU 219434004 83 - CARLANDRY 219 434 617 84 - CHARLIE 219 436 650 85 – MARIA TERESA MACEDO - CABELEIREIRO 86 - LA MODE - SAPATARIA 219 432 089 87 - TM - MOBILIÁRIO E DECORAÇÕES 219 432 878 88 - QUIM CABELEIREIRO 219 432 096 89 - PARÓQUIA DO CRISTO REI DA PORTELA (VENDA DE NATAL) 90 - TASQUINHA DA PORTELA 219 431 682 91 - LAVANDARIA QUINANA 219 434 806 92 - BRASA REAL 219 435 192 93 - BRASA REAL 219 435 192 94 - GUILL 219 431 986 95 - FORMA E BELEZA CENTRO DE ESTÉTICA 219 435 294 96 - LOJA DO CABELO 219 432 407 97 – BEAUTY POINT 219434154 98 - SOPINHA DE MASSA 219 435 245 99 – VIAGENS CORTES BEST TRAVEL 219433185 100/101 - LABOCENTRO 219 430 675 103 – HF – HAIR FASHION 219436102 105 - CORREIOS DE PORTUGAL 219 458 810

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O VIAJANTE

pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo pelo mundo “Não somos o lugar onde nascemos. Nem a língua em que falamos. Não somos a nossa História, a pequena aldeia dos nossos avós, as pessoas com quem crescemos. Nem sequer as coisas que dizemos. Como é que eu sei isto? Chega aqui, mais perto, quer o-te contar uma coisa. Quando estás num avião, a dez mil metros de altitude, em direcção a Nova Iorque, o teu corpo começa a mudar. Os sentidos ficam mais apurados. As mãos tremem. É algo que nunca irás compreender, mas quando te encostas naquela cadeira apertada da classe turística, com uma senhora de idade que adormeceu repousada no teu ombr o, estás em mutação. Mesmo que estejas concentrado no filme de bor do, convenientemente editado para pr eservar os valor es familiares, ou a tentar digerir comida plastificada enquanto lutas contra a turbulência, sabe que nada será igual. Mas não te estás a transformar. É apenas o r egresso ao que sempre foste. Manhattan visto de cima é uma explosão de luzes e ener gia.

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Abandonas o avião e per corres os corredores, e apesar de ainda nada ser diferente, os aer oportos são todos iguais, as tuas pernas ganham agilidade. Per corres cem metros e cruzas-te com sete nacionalidades diferentes. Passaporte na mão, atrás da linha amarela, à espera da tua vez, o formulário branco pr eenchido e alguém que diz ‘what is the purpose of your visit, Sir?’. Sorris por que esta é a primeira vez que alguém te chama Senhor sem quer er alguma coisa em troca. Estás quase lá. É ali, atrás dos motoristas que seguram nomes escritos a preto em placar es brancos. Passando pelas pessoas que se beijam porque antes do reencontro tudo é perfeito. Está a nevar. Respiras fundo. A tua expiração manifesta-se e participa num processo de fusão com os flocos brancos que caem. Como se fossem velhos amigos. Sabes que estás num sítio estranho. Não conheces as estradas, não tens ideia de onde comprar o jornal ou beber um copo, não és sócio de nenhum videoclube, e nen-

hum amigo te vai telefonar para saber como é que tens andado. Acabou o conforto do familiar e nunca foste apresentado à Cidade. Mas sabes que estás em Casa.” Foi nesse dia. É este o exacto momento em que decidi. A opinião de um agente de viagens vestido num fato cinza e meias brancas mudou a minha vida. Duas semanas antes, tinha olhado para o lado e visto nada. Apenas uma casa vazia enfeitada por fotografias desactualizadas. Não tinha emprego, a minha família eram estranhos, os amigos evitavam-me. Ninguém gosta de tocar na tragédia, mesmo que seja apenas um aperto de mão. A angústia é algo que se cheira e afasta as pessoas. Fui ao banco e levantei todo o dinheiro que tinha, alguns milhar es de Eur os do seguro. A ideia inicial era gastar tudo em álcool e drogas, inspirar sufi-


VIAGENS| NP | 17 ciente cocaína até ter a certeza que nunca mais voltaria a dormir , beber a quantidade certa até destruir o número suficiente de células cerebrais. Mas gostei das fotografias da montra. Dos prédios altos, dos neons e das pessoas que não olham à volta quando caminham pelas ruas. Pensei que era o sítio ideal para apregoar a não existência. Ou para me tornar numa pessoa completamente diferente. Só é possível começar de novo quando não há ligações com o passado. Os r ecém nascidos não podem ter memória. A Primeira Vida foi Nova Ior que. Rapei o cabelo, depois de sete anos de pontas espigadas e amaciador es. Tornei-me uma pessoa bem humorada, que diz ‘good mourning’ aos vizinhos quando passa por eles nas escadas, treinando sorrisos à frente do espelho, como os actor es, até que o movimento de lábios se torne convincente. Trabalhei numa Deli mexicana onde servíamos burritos a qualquer hora. Conheci pessoas que enviavam para casa todos os dólar es que ganhavam, dias gastos em cozinhas escuras, a lavar pratos com água a escaldar e suor , sem dormir , sem

comer, sem sorrir, mas com a garantia de que a família está melhor, que cada dia é um tijolo da nova casa. Andava pelas ruas, mas as pessoas não me ignoravam, sorriam, acolhiam-me, per guntavam-me de onde era, o que queria ser , quais os meus talentos e ambições. Fui convidado para sair, pegaram-me na mão, levaramme para casas em Queens, ouvi histórias de infância, voltei a descobrir corpos nus. Comi bruch no meatpacking district rodeado de figuras tornadas fascinantes por esta cidade. Demorou dois meses até me sentir em casa. Foi nesse dia que abandonei Nova Iorque. Em Praga, deixei cr escer a barba, tive a minha primeira r elação homossexual e pintei quadros que vendia na Ponte Karlof. Em Paris, pintei o cabelo de loir o, comprei botas da tropa que sujava de sangue todas as noites, assaltei pessoas em semáforos. É a cidade onde disparei pela primeira vez uma arma, massacrei o meu corpo com cicatrizes e tatuagens, per di o terceiro dedo do pé direito. Meditei no Tibete, tornei-me vegetariano, trabalhei o campo.

No Brasil, surfei coxo e fumei maconha, chopo ao final da tar de, bronzeado constante, viagens de mota e entr ega de envelopes para um serviço expresso. Cinco anos depois, volto a Lisboa. A cidade parece ter mais luz. Alugo um quarto numa pensão mas, um mês depois, sou expulso por não pagar as contas. Percorro as r uas, cruzo-me com amigos que não me r econhecem. Sou invisível. Não existem sinais de mim. Testei novas vidas, mas nenhuma encaixou. Peço dinheiro nas ruas com um copo de papel vazio da Coca-cola. Digo que sou um veterano da Guerra do Iraque. Embebedo-me mas nunca digo uma palavra. As cordas vocais estão desactivadas. Adormeço em esquinas de prédios. Tudo isto para nada. Porque hoje estamos a 23. Seis anos exactos depois do acidente. O passado faz parte do ADN, está gravado nas células do meu corpo. Apesar nos meus esfor ços, desta viagem de auto-destruição, continuarei a chorar antes de adormecer. Tiago R. Santos

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A VIAGEM AO interior DE NÓS MESMOS

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Numa viagem para o exterior temos várias etapas a percorrer antes de a realizarmos. O mesmo acontece com a nossa viagem ao interior de nós mesmos. Iremos ficar hoje apenas pela preparação para essa viagem que em si mesma é individual e única. Não podemos assim nesta "viagem interior" usar ou recorrer ao marketing. Apenas poderemos dar o testemunho da nossa própria viagem. Comecemos então pela preparação para essa viagem. Quando me decido a realizar uma viagem no exterior é porque algo em mim se movimentou nesse sentido: ou porque estou cansado da paisagem, dos costumes, das pessoas que me cercam e gostaria de usufruir de novas experiências; ou porque a rotina da vida me esgotou de tal maneira que necessito de cortar com ela e de receber novos estímulos, ou de tentar esquecer o que a vida me traz de tão pesado; ou simplesmente porque desde criança o viajar exerce um enorme fascínio sobre mim, a exemplo do que deve ter exercido sobre os nossos primeiros marinheiros que partiram a conhecer novos mundos. O mesmo acontece com a decisão de começar a percorrer um caminho para dentro de mim mesmo: ou porque a vida me decepcionou de tal maneira que o meu investimento nela já não chega para manter o meu ser vivo, actuante e esperançoso; ou porque a vida me "pregou uma partida" - uma doença grave, a morte imprevista de alguém muito próximo e querido -; ou um "encontro luminoso" com algo que nos transcende -uma "visão", uma "sincronicidade que alterou a nossa vida, um sonho "profético" ou telepático, etc. -; ou apenas a "graça" de sermos tocados e chamados a percorrer esse caminho. Precisamos ainda, tal como nas viagens para o exterior, de saber que esses percursos existem. Na nossa cultura esse conhecimento está muito ligado ao religioso, mas novas perspectivas se abrem com a psicologia e o conhecimento de outras culturas, nomeadamente a cultura oriental. E assim a busca do caminho para o interior de nós mesmos começa quando eu inicio a procura desse mesmo caminho, tal como acontece com as viagens para o exte-

rior de nós mesmos. Então eu posso ir aos livros sagrados e estudar como estes nos falam desses caminhos. E posso assim "encontrar -me" e identificar-me com a figura de um Santo, ou mesmo de Cristo o qual procurarei seguir ou pedir ajuda neste caminho! Ou, através de um estado meditativo, encontrar o meu Mestre Interior estabelecendo com ele um diálogo permanente! Posso ainda dedicar -me ao aprofundamento de mim mesmo analisando os meus sonhos, os meus "complexos", o caminho dos meus impulsos, a minha história pessoal, integrando progressivamente no meu Ego todas estas partes fragmentadas e caminhando, assim, em busca do encontro com o meu Self -o Centro organizador do meu inconsciente -, como o define a Psicologia Analítica. De uma maneira geral vamos desenvolvendo de uma forma inconsciente aquilo que está menos desenvolvido em nós, e este é o trabalho da natureza humana, pois tal como no corpo nós viemos a este mundo para crescermos e desenvolvermos a nossa psique, a nossa alma. Por exemplo, se oriento e orientei a minha vida essencialmente através da minha Mente Racional, chegará uma oportunidade na vida uma traição, um abandono, etc. -para cair no Sentimento, que por se encontrar muito reprimido e consequentemente pouco desenvolvido apresentará características infantis: poderá apresentar-se muito "pegajoso", ou muito inseguro, ou muito possessivo, etc… como se diz, frequentemente, dos velhos ou dos homens quando adoecem. O mesmo fenómeno de desenvolvimento se dá com as nossas capaci-


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dades Perceptivas e Sensoriais: se estas se desenvolveram pouco, ou são muito introvertidas, eu serei facilmente atraído para a aprendizagem de técnicas e de conhecimentos dessa natureza -por ex. radioestesia, reiki, aromoterapia etc. etc. que felizmente proliferam no nosso meio. A natureza humana parece procurar ela mesma o seu desenvolvimento, que só acontece quando as quatro funções de que somos dotados para captar e conhecer o mundo (pensamento, sentimento, sensação e intuição) estão igualmente desenvolvidas.

ante a doença, o fracasso, a dor , eu posso decidir revoltar-me, vingar-me, ou tentar perceber porque e para quê tal me aconteceu. E assim eu posso "entregar me" à revolta, à doença, vingança, ou pegar em tudo isso e procurar o seu significado na minha vida e na estadia neste mundo. Estas são algumas modestas sinalizações sobre a viagem ao interior de nós mesmos.

Nesta viagem não existe nenhum catálogo, nenhum compêndio, e graças a Deus, pois somos únicos e como tal o nosso caminho não se pode repetir . Apenas nos podemos encontrar ao longo deste caminho com os outros que o estão também a percorrer e ainda encontrar a ajuda de um Mestre, agora essencialmente interior, pois que o nosso tempo não é de mestres exteriA diferença dos homens entre si e destes com os animais parece residjr no grau de consciência e esta -a con- ores como o afirmava o Professor Agostinho da Silva. Mas antes de tudo há a decisão de o tomar, ou de ouvir sciência -alicerça-se no livre arbítrio, na tomada de e responder a este chamamento, tal como o faço quandecisão! Ou seja, tudo passa pela minha decisão, pois mesmo que diga que não decido eu estou a decidir do decido ir passar umas férias a Cuba ou às Caraíbas. "não decidir", ainda que eu possa ser manobrado pelo Lisboa, 16 de Novembro de 2005 inconsciente e pelos meus mecanismos neuróticos, mas Maria Margarida Oliveira mesmos estes, no momento actual, podem ser objecto Psicoterapeuta do meu estudo e do meu aprofundamento. Mesmo perMas para que todo este caminho - a viagem ao interior de nós mesmos - seja percorrido e se comece a realizar de uma forma consciente é necessário que perante esta mudança de percurso eu diga "Sim", eu decida.

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A “VIAGEM” Natal e “viagem”... múltiplas viagens: viagens para as compras natalícias, por vezes num consumismo desenfreado; viagens para ir ver as iluminações na Baixa; viagens para as férias na neve, viagens para as praias abrasadoras; viagens para a casa dos familiares na aldeia natal, viagens da aldeia para a casa dos filhos na cidade. E tudo isto por que é tempo de Natal, porque são uns tantos dias de férias ou, pelo menos,

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de uns feriados que importa apr oveitar para estar com a família ou para repousar das canseiras do trabalho ou, simplesmente, para mudar de ares... No entanto, quantos não serão os que desconhecem ou apenas terão uma vaga ideia da razão originária deste tempo de viagens? De facto, na origem do Natal está pr ecisamente uma viagem: a do próprio Deus vindo ao encontro dos homens naquele Menino nascido de Maria. Viagem longamente preparada, ao longo do tempo e do espaço, pelo anseio do transcendente no coração dos homens nas diversas religiões... Mais proximamente – há cerca de 3.800 anos - tudo começa com uma viagem: a saída de Abraão da sua terra natal, Ur, na Mesopotâmia (onde hoje é o Iraque), para a terra de Canaã (Palestina), conforme nos é descrita no livr o do Génesis 12, 5-12: “O Senhor disse a Abraão: Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai, e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti um grande povo, abençoar -te-ei, engrandecerei o teu nome e serás uma fonte de bênçãos [...] Abraão partiu como o Senhor lhe dissera, levando consigo


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BÍBLICA Lot...”. Desde então começou uma imensa aventura, na qual a grande questão consiste em reconhecer os caminhos de Deus e em segui-los. Caminhos desconcertantes: “Os meus caminhos não são os vossos caminhos” diz o Senhor (Isaías 55,8). O Êxodo do grupo de Moisés, com a saída do Egipto por volta de 1.230 antes de Cristo, é disso o exemplo por excelência. O povo naquela ocasião experimentou o que é que vem a ser “andar com o seu Deus” (Mateus 6,8) e entrar em aliança com ele. O próprio Deus põe-se à frente para abrir caminho, sendo a sua presença concretizada pela coluna de nuvem ou pela coluna de fogo (Êxodo 13,21s). O mar não o detém: “Sobre o mar foi o teu caminho, a tua senda sobr e as águas incontáveis” (Salmo 77,20), tanto assim que Israel escapa aos egípcios, libertado. Depois é a viagem no deserto (Salmo 68,8); Deus combate, aí, pelo seu povo e sustenta-o “como um homem sustenta o seu filho”; providencia-lhe o alimento; “procura local para acampamento” e vela para que nada lhe falte (Deuteronómio 1,3033). Mas intervém também para punir Israel pela sua r epetida falta de fé. A viagem com Javé, com efeito, é difícil. O tempo do deserto pode ser considerado como um tempo de provação, que permite a Javé sondar o seu povo até ao fundo do coração e corrigi-lo em consequência (Deuteronómio 8,2-6). É por isso que o caminho de Deus se fez longo e sinuoso (Deuteronómio 2,1s). Mas não deixa de chegar à meta: Deus conduz o seu povo ao “r epouso” numa terra ditosa, onde Israel bendirá Javé (Deuter onómio 8,7-10). A lembrança do Êxodo, reavivada todos os anos por ocasião da Páscoa e da festa dos Tabernáculos, marcará profundamente a alma de Israel. Chegado à Terra prometida, Israel nem por isso deve deixar de “andar nas vias do Senhor” (Salmo 128,1). “Conhecê-las é o seu grande privilégio, pois Deus revelou ao seu povo “todo o caminho do conhecimento”; “é o livr o dos pr eceitos de Deus, a Lei que subsiste eternamente” (Bar uc 3,37; 4,1). É preciso, portanto, “andar na Lei do Senhor” (Salmo 1 19,1) a fim de manter-se na sua Aliança e avançar para a luz, para a paz, para a vida (Baruc 3,13s). A Lei é o verdadeiro caminho do homem, porque é o caminho de Deus. A desobediência à

Lei é um extravio que leva à catástr ofe. A sua última sanção será o “exílio”, viagem que faz um Êxodo às avessas. Mas Deus não se pode conformar com a decadência do seu povo (Levítico 26,44s). De novo é pr eciso “preparar no deserto uma estrada para Javé” (Isaías 40,3); Ele próprio “traçará sendas na solidão” e “de todas as montanhas fará caminhos” (Isaías 49,1 1) para um retorno triunfal. Porém, o r etorno do exílio era apenas uma imagem da r ealidade definitiva. Esta é anunciada por João Baptista nos próprios termos que Isaías empr egava para o novo Êxodo: “Preparai o caminho do Senhor” (Lucas 3,4; Isaías 40,3). O Novo Êxodo é, com efeito, a era messiânica, viagem que desta vez leva de facto ao “repouso” de Deus, à plena comunhão com o Senhor. Jesus, o novo Moisés, é o seu guia, chamando os homens a segui-Lo, nesta viagem que tem início no Seu nasci mento que nós, convencionalmente, celebramos a 25 de Dezembro. Ontem, em Belém da Judeia. Agora, no coração de cada homem: “No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus [...] Nele é que estava a Vida de tudo o que veio a existir. E a Vida era a Luz dos homens [...] A quantos O receberam, aos que nele cr êem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus [...] E o V erbo fez-se homem e veio habitar connosco” (João 1,1-14). Cónego António Janela

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22 | NP | VIAGENS

So in America when the sun goes down and I sit on the old br oken-down river pier watching the long, long skies over New Jersey and sense all that raw land that r olls in one unbelievable huge bulge over to the West Coast, and all that road going, all the people dreaming in the immensity of it, and in Iowa I know by know the childr en must be crying in the land wher e they let the children cry, and tonight the stars`ll be out, and don’t you know that God is Pooh Bear? the evening star must be drooping and shedding her sparkler dims on the prairie, which is just befor e the coming of complete night that blesses the earth, darkens all rivers, cups the peaks and folds the final shor e in, and nobody, nobody knows what’s going to happen to anybody besides the forlorn rags of growing old, I think of Dean Moriarty, I even think of Old Dean Moriarty the father we never found, I think of Dean Moriarty. Jack Kerouac

Assim, na América, quando o sol se põe e me sento no velho molhe desmor onado do rio a contemplar os céus infindáveis por cima de New Jersey e tenho a percepção de toda aquela terra bruta que rola num único bojo enorme e incrível até à Costa Oeste, e toda aquela estrada a avançar , todas as pessoas que sonham na sua imensidão, e sei que a esta hora, no Iowa, as crianças devem estar a chorar na terra em que deixam as crianças chorar , e esta noite as estrelas serão visíveis, e não sabem que Deus é o Urso Pooh? a estrela vespertina deve estar a curvar-se e a irradiar a sua pálida claridade cintilante sobre a pradaria, o que acontece mesmo antes do cair da noite completa que abençoa a terra, escurece todos os rios, dá a forma de concha aos cumes e envolve a derradeira margem, e ninguém, ninguém sabe o que vai suceder seja a quem for, além dos trágicos farrapos do envelhecer, penso em Dean Moriarty , penso até no V elho Dean Moriarty, o pai que não chegámos a encontrar , penso em Dean Moriarty. (Tradução: Armanda Rodrigues e Margarida Vale de Gato)


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