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Pri me i ra E di ç ã o onl i ne

O Charrua O Charrua e um Jornal Académico, propriedade da Associação de Estudantes da Escola Superior Agrária de Santarém. Tem como objectivo dar a conhecer a todos os seus leitores as noticias que decorrem na escola ao longo do mês, e ainda vários artigos técnicos sobre as diferentes áreas representadas na escola.

Nesta edição iremos contar com uma homenagem a Victor Margarido, vários artigos sobre as áreas de interesse representadas na nossa escola. Testemunho de um antigo aluno sobre a sua vivencia do passado/presente. O C harru a

Morada: Quinta do Galinheiro, São Pedro 2001-904 Santarém

Tel: 243 301 169 Fax: 243 201 250 Correio electrónico: ocharrua@live.com.pt

Associação de Estudantes da Escola Superior Agrária de Santarém


O cavalo do Sorraia, animal de pequeno porte e com características muito particulares e únicas no mundo, é uma raça equina autóctone portuguesa. O nome de Sorraia deve-se ao facto destes animais terem sido vistos pela primeira vez, pelo Dr. Ruy Andrade, no vale dos rios Sor e Raia, que constitui um dos principais afluentes do rio Tejo - o Sorraia. Julga-se que este equídeo é um reminiscente ancestral selvagem do cavalo ibérico da região quente e meridional, existindo na Península Ibérica desde o Paleolítico Médio. Este animal, de tipo primitivo, devido à sua grande capacidade de resistência e grande adaptação ao local onde se desenvolveu, nem sempre nas melhores condições meteorológicas e alimentares, foi o único que conseguiu subsistir, daí podendo-se concluir que será o mais antigo, autóctone e melhor adaptado ao local onde foi encontrado O Sorraia é, sem dúvida, uma das raças europeias que apresenta mais caracteres primitivos. A sua pelagem é maioritariamente cinza-rato, lazão-pardo ou ainda baio pardo, com crinas bicolores. Apresenta as extremidades (cabos) mais escuras, lista de mulo e lista crucial e ainda zebruras nos membros, como frequentemente assinaladas nas pinturas paleolíticas. A todas estas características ainda acresce o facto de as orelhas, orladas de pêlos mais escuros, apresentarem uma zona apical mais clara, típica de animais selvagens com características gregárias, para facilitar a localização mútua. Importa referir a importância da preservação desta raça, sendo uma das raças menos numerosas e em maior perigo de extinção em todo o mundo, não ultrapassando os 200 indivíduos, sendo o número de éguas reprodutoras inferior a 100 animais. Um problema relevante e que se tem vindo a acentuar neste cavalo primitivo é o aumento da consanguinidade média da população e a perda da variabilidade genética, fruto de uma população em número reduzido e ainda, de possíveis incorrecções no maneio dos acasalamentos dos animais.


É neste contexto que a Escola Superior Agrária de Santarém propôs-se, desde 2003, receber um núcleo de equinos desta raça, constituído, actualmente, por cinco garanhões e três éguas. A manutenção deste grupo de animais garante, com o apoio da Associação de Criadores, a realização de emparelhamentos dirigidos na tentativa de minimizar a consanguinidade e maximizar a variabilidade genética existente. Igualmente, contribui-se para preservação desta raça autóctone através da aplicação funcional, sendo a raça utilizada, em exclusividade, na Escola de Equitação da ESAS, para a prática da iniciação à equitação e de hipoterapia. A experiência tem evidenciado as excelentes qualidades do cavalo Sorraia para a prática da equitação, onde tem comprovado a sua docilidade e capacidade de interacção com os jovens alunos e com o cidadão portador de deficiência mental. Finalmente, e não menos importante, este núcleo de Sorraia tem participado em diversos eventos equestres, o que certamente contribui para a divulgação desta raça.

Paulo Branco Pardal e António Pedro Andrade Vicente


O Charrua