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PECADOS DA LUA Nuno Miguel Morais


PECADOS DA LUA


Título: Pecados da Lua Autor: Nuno Miguel Morais Editora: Edição do Autor ISBN: 978-989-9921 2-5-2 Género: Poesia Revisão: Isabel Oliveira Data de edição: 1 5 de Junho 201 0 N.º de Páginas: 76 Suporte: Digital (PDF) Idioma: Português


Assim como o barco encalhado num porto sinistro, procuro na névoa irreal dos dias, a esperança de esquecer a tua existência Cruel, Imoral.

1


Se fosse de luz essa cidade Onde desfruto o teu beijo, Seria eterna a loucura Sofrida no teu desejo Sem fim.

2


Não quero ficar só, aqui, esquecido frio, abandonado, enquanto sonhas. Porque não me deixas entrar? Porque me fechas a porta sempre que te peço Ama-me em segredo. Escondo os restos mortais para sempre dentro de mim, fantasmas loucos que me percorrem, enquanto morro de desgosto, de cansaço.

3


Escrevo-te porque te quero como nunca. Escrevo porque te sinto palpitando no meu ser. Escrevo enquanto o sangue me corre lentamente e o meu fim se aproxima no choro cĂ­nico de uma loucura final.

4


Choro o ciúme da noite, do corpo intenso que te toca, da brisa que te busca, do beijo imaginário que te quero. Choro o ciúme, um momento, o sol quente que te sente, o mar distante onde escondes a candura. Choro o ciúme da paisagem, do olhar triste, do sorriso, a viagem que me leva ao infinito num instante de loucura.

5


A ausĂŞncia ensinou-me a descobrir-te sempre que partes na noite, desassossego num mar de lĂĄgrimas. A saudade.

6


Abro as janelas do meu mundo a ti, poesia eterna que vagueias no fundo da minha tragédia, alma intensa, esquecida, perdida no jardim do meu medo. Abro a minha porta à solidão vencida. Por ti entrego a minha alma à tua paixão sem limites, intensa. Sereno, calmo, apaixonado, Imortal.

7


Na noite, a perda, cavalos cansados morrendo sem destino. Na noite, a morte, procuro em ti a magia vencida pelo tempo perdido, aprisionada nos despojos do dia. Curo as feridas, momentos esquecidos na loucura de um poema.

8


És a luz matÊria criada, estrela alucinada, areia, mar, onda, concha, espelho, momento, lamento, amor secreto, tu, eu, o mar, a noite, e um beijo roubado no lamento. A cruz.

9


As grilhetas que te prendem s達o os muros que transponho, oceanos de medo que escolho, o mar onde a derrota se esconde. Degredo. As luzes que me amedrontam s達o a cerca que te esconde de mim, do meu plano. Sim! tenho um plano para te amar escondido! Enquanto as bombas caem, os ciprestes morrem, as rosas definham, e o mundo acaba no nosso amor clandestino.

10


Se eu falasse com deus, o deserto que me ocupa seria tranquilo, revelador. Não estaria sozinho, aqui esperando a tua ausência, a tua indiferença que me destrói. Não me sentiria um poeta falhado, um ser humano humilhado pelo teu medo pela distância, de mim.

11


E se eu descobrir planetas longínquos? E se eu me tornar profeta? O autor do kama sutra, Se eu me tornar xamã imã, criatura interessante? Se eu me tornar um incessante cometa em colisão, procissão das velas, o anti-Cristo, saudável ícone, admirável? Será que esperas por mim?

12


Estranho o fascínio que me aprisiona quando te leio, te imagino real, palavras apenas, sem rosto, virtual. Alma livre, o íntimo revelado máscara, espelho, vida alternativa publicada no mundo, estranho lugar. Medito as palavras que escreves, quotidiano usual, incerto, e eu visita apenas anónimo, sinónimo, estranho, escondido sem abrigo maldito.

13


Um cigarro secreto e um jornal que nada me diz sobre ti, sobre o teu mundo; de repente a mensagem e o meu olhar devastado pela tua presenรงa e a vontade de partir para ti, nos teus braรงos, o meu leito onde adormeรงo para sempre no teu mundo feliz.

14


Não te quero perder borboleta triste! Esquecida junto ao meu corpo ensanguentado. Não quero ficar aqui! Besta cruel, esquecida, aprisionada, cripta de lamentos, mausoléu escondido para sempre abandonado.

15


Escondo no hiperespaço os meus vícios tragédia poética. Escondo no espelho partido o meu jogo viciado, sacrifício final, olhar esquecido, o cheiro, a boca. Escondo no medo a tragédia, a perda, o teu rosto para sempre reflectido na finitude de um abraço. És o farol que me guia por entre um mar de lágrimas revolto na tua ausência.

16


Reservo a morte no nevoeiro efĂŠmero medito poemas no crepĂşsculo vencido. Sou luz intensa num mar revolto, rochedo, dilema sem palavra, o princĂ­pio, o fim.

17


Rezo-te em segredo, em surdina escondo o que sinto. Na neblina dos dias a indiferença, que me tolhe a alma, me deixa sem sentidos eu, o único que te entende, que te prende o olhar e o guarda em pequenas memórias, momentos insignificantes, pequenos instantes onde me ignoras, me esqueces, como se fosse transparente, insignificante, um diletante, indiferente, que nada te diz!

18


Envolvemos os corpos Na transparĂŞncia orgĂĄstica Da morte. Sepultamos o grito No fundo da alma. Perdemos os sentidos No labirinto anunciado, Bebendo o veneno eterno Do amor sem retorno.

19


Porque te afastas de mim no vazio do meu mundo? Porque te tornas irreal, Virtual no vazio etéreo do meu espaço quando morro por ti? Porque me esqueces de repente, se te quero para sempre? Porque me dizes “amo-te”, quando mentes e te sinto cruel, esquecida, perdida impossível para sempre?

20


Imaginário Abraço Corpo frágil. O beijo último. O fim. Olhar Triste, degredo. Segredo Escondido. Onde nos amamos Uma vez mais No limite Cruel Da loucura.

21


A lĂĄgrima liberta. Na margem, os dias, rio Selvagem, Deserto incerto. Nas mĂŁos, O segredo Fragmento consentido De paixĂŁo Indiscreta.

22


Escuro O p芒ntano Aflito. Solto O medo Do teu Corpo Escolhido Gruta mem贸ria, hist贸ria, sil锚ncio sentido.

23


Murm煤rios Segredos Que o teu corpo Cansado N茫o consegue Descrever. O oceano Profundo Exploro. Mulher escondida nas profundezas Ingl贸rias Da dor intensa. Amor eterno, mem贸rias.

24


Nos campos de trigo giestas. Deleite Er贸tico, profundeza Ut贸pica. O docel Suspenso. Imenso Car铆cias, Mal铆cias Em festa. O prazer!

25


Assim morrem os Outonos Esquecidos como asas cortadas. PaixĂľes impossĂ­veis vividas em milhares de sĂłis Negros, Eternos, apagados.

26


Guardo o mapa de um mundo onde nos escondemos, universo encantado como um deus triste, torturado, mortal.

27


Mato-me! Sem mรกgoa No Olimpo Vencido Onde os deuses Choram A impossibilidade Do nosso amor.

28


Na decomposição etÊrea tudo acaba em momentos sem retorno. Espasmos sentimentos finais.

29


Imagino a minha existĂŞncia finita, na crueldade serena do teu mundo, vestĂ­gios de um poema sem fim.

30


Os navios sem destino, o rio parado, esperando o teu beijo. O cigarro que me consome, vida sem nada, um falhado sem interesse! E a tua memória que me fascina, me abomina e me prende! Eu, insano, profano no pensamento, pecador no lamento de não te ter, de não te ver. Apenas eu. rio sem destino, sem força, ancorado na memória do teu ser inventado.

31


Sempre que escrevo o teu nome alegro o mundo com o meu sorriso, este mundo cruel onde o tudo é mentira disfarçada, hipócrita, medida. Sempre que escrevo o teu nome a paisagem muda, surda de mim, maravilhada nos teus olhos. Sempre que paro e te digo o que sinto, o mundo é sofrido, sem medo de um amor Proibido.

32


É loucura este destino sem ti! A morte que me reserva, o dia, o espaço onde te esqueço, onde te escondes quando o dia acaba. Eu, deserto te esqueço, por instantes. No olhar o horizonte, onde estarás pássaro sem sentido, poema ferido, audaz, corpo, alma sem ti, o medo, o fim.

33


O Autor: Nuno Miguel Morais nasceu em Lisboa em 1 973 Poesia do autor disponível em: www.numiweb.net/poesia/

PECADOS DA LUA Nuno Miguel Morais Projecto Gráfico e Capa: do Autor sob imagens Creative Commons Composto em Arial utilizando software Open Source

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