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Cap. 1 - SONHO A Arquidiocese di Sorrento em Nápoles estava parcialmente cheia de parentes dos noivos. A pedante executiva de vestido branco bem ornamentado se virava para a marcha nupcial de saída da igreja, após viver ao lado de Diogo durante vinte anos com quem já tinha quatro filhos, casada apenas no papel. Diogo trocou olhares com sua amada. -Você está pálida, Michella. -Estou bem... - respondeu Michella cansada da semana anterior, por trabalhar com os detalhes da sua festa. Mas em compensação ela estava ansiosa para curtir a lua de mel com seu querido. Diante da escada frontal da igreja, eles foram recebidos com chuva de arroz, conforme a tradição. Logo entraram no táxi précontratado e partiram rumo a pousada da cidade vizinha, onde passariam a lua de mel. Quando entraram no carro, foram recebidos com alegria por um senhor de cabelo grisalho. -Parabéns! Desejo-lhes boa sorte nessa nova vida a dois. -Brigada... - respondeu Michella. -Mas já estamos juntos a mais de vinte anos. Apenas não tínhamos recebido a benção divina. -E quanto aos filhos? - indagou o motorista. Diogo visivelmente cansado respondeu seco: -Nós já temos quatro. Foi uma viagem tranquila, mas sempre que o motorista lembrava de uma piada, ele não deixava de compartilhá-la com o casal. Deixando Diogo impaciente, porque a maioria das piadas era racista. Ele julgou inicialmente que podia liquidar a conversa dizendo um "muito obrigado". Mas não obteve coragem pra tal feito. -Estamos quase chegando. - disse Michella. -Não paixão. Ainda falta muito para chegarmos ao hotel.

Quando já entravam na cidade, passando pelo portal, viram dois carros de bombeiros apressados, ultrapassando os veículos em alta velocidade com a sirene ligada. À medida que o táxi se aproximava num ângulo acentuado do hotel, o trânsito aumentava gradativamente. Quando de repente todos avistaram a pousada, onde não mas iriam passar a noite, em chamas. À frente havia ambulâncias, “polizia” , viaturas ajudando as pessoas feridas que saiam da porta principal correndo espantadas. Não era possível sair do congestionamento, onde muitos curiosos tinham abandonado seu carro e formado o tumulto. As ambulâncias não conseguiam transportar os feridos para hospital. Michella assustada, não sabia onde iria abrigar-se ao lado de seu amado aquela noite, porque o único hotel disponível para aquela noite estava impossibilitado de recebê-los. Durante um segundo aterrorizante, seus olhares se cruzaram. Michella estava ocupada, tirando os sapatos para colocar algo mais confortável, e desesperada. Suas esperanças por uma noite de núpcias perfeita tinham ido de água abaixo quando o barulho dos pneus do carro mudou de tom. Ela ergueu os olhos, surpresa ao ver onde estavam. Michella Fuliculí teve um sobressalto, despertando assustada daquele sonho semiconsciente. Estava sentada sozinha no sofá-cama, onde o seu segundo filho Lamarck tinha exalado há quatorze anos seu primeiro suspiro, por ter optado pelo parto normal em casa. E olhou para as árvores, refletindo a brilhante luz do sol. Ela estava no seu grande quarto, e ao fundo se ouvia crianças gritando, porque atrás da sua casa havia uma escola que funcionava o dia todo, menos de noite. E logo percebeu que tudo aquilo não passava de um susto. - Mãe? - O seu filho Lucas gritou do corredor. - Estamos em Maio e ainda não começamos a ler o livro que me prometeu em dezembro.

Michella se endireitou na cama e tornou a segurar o livro. Estava lendo uma ficção cientifica de Philip Dick, quando havia cochilado. Desconfiava que o sonho sobre o casamento com Diogo tivesse sido causado pela indiferença que seus pais tinham com ele, por não ser da mesma religião. - Oh filho, sua mãe vai procurar hoje, se achá-lo lerei pra você com maior prazer.

Cap.1- Sonho de Michella  

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