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nspsocorro.com.br

PRAIA DA COSTA - JANEIRO - 2018 #44

REVISTA DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO

VILA VELHA - ES

À IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS OU DO HOMEM? Como o culto ao corpo perfeito tem impactado a sociedade atual

ARQUIDIOCESE Conheça mais o trabalho da Comissão Arquidiocesana de Arte Sacra

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COMUNIDADE Teste de balneabilidade de Vila Velha: praias próprias x impróprias

CONSCIÊNCIA CRISTÃ Folia de Reis marca as tradições católicas em janeiro

36

40


Nesta edição você encontra:

Serviços:

Serviços Gerais

Produtos:

Condomínios de frente para o mar Mármores e granitos Produtos para construção civil Mercearia e Padaria Restaurante e lanchonete Materiais de Construção Posto de Combustível Material Médico Automóveis Hortifruti granjeiros Materiais ortopédicos e hospitalares Alimentos para cães e gatos Óticas

Expediente:

Paróquia N. Senhora do Perpétuo Socorro Pároco: Padre Anderson Gomes da Silva Contato: (27) 3329-4282 | Rua São Paulo, S/N Praia da Costa, Vila Velha - ES www.nspsocorro.com.br Produção Editorial: Parresia Comunicação Católica Contato: (27) 3535-4045 www.parresia.com Coordenação/Jornalista responsável: Christine Mendonça MTb 1879 - ES Fotos: Colaboração Antônio Ferrão e Pascom Tiragem: 3.000 exemplares Distribuição: Praia da Costa Vila Velha - ES Contato Comercial: Agência Parresia (27) 3535 4045 Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro Rua São Paulo, S/N (Esquina com a Rua 15 de Novembro), Praia da Costa, Vila Velha – ES, 29101-300 Comunidade Santo Antônio Rua Rio Branco, 37 – Parque Castanheiras, Vila Velha – ES, 29101-130 Comunidade Santa Luzia R. Santa Leocádia – Praia da Costa, Vila Velha – ES, 29101-030

Conselho Editorial:

4

EDITORIAL

Que nada nos roube a esperança

6

FALA PARÓQUIA

A sua voz na Revista Panorama

S U M Á R I O

Engenharia e construção civil Corretora de imóveis Atendimento médico Atendimento odontológico Idiomas Educação Clínicas Atendimento psicológico Turismo Música

Andrea Almeida Antônio Ferrão Camila Sampaio Carol Zorzanelli Giovanna Pulcheri Kenia Puziol Lara Thiebaut Liandra Carpanedo Luiz Alberto de Carvalho Max Rege Myriani Fambre Paula Padilha Paulo Soldatelli Soeli Uliana

***Os artigos e matérias da Revista Panorama são produzidos por colaboradores, membros do Conselho Editorial e da Pastoral da Comunicação da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

VOZ DO PAPA

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Missa: momento de oração ARQUIDIOCESE

10

Uma arquitetura do sagrado JOVENS

14

Amor ao próximo: o excesso que leva à separação LITURGIA

18

O dia do Senhor ESPECIAL

22

À imagem e semelhaça de Deus ou do homem? PERSONAGEM

28

O olhar e o dom a serviço de Deus IGREJA EM AÇÃO

32

Campanha da Fraternidade 2018 DEVOCIONAL

34

Dom Bosco: padroeiro dos jovens COMUNIDADE

36

Verão: como está a qualidade da água de nossas praias? CONSCIÊNCIA CRISTÃ

40

Folia de Reis: um retorno às tradições

3

REVISTA PANORAMA


EDITORIAL

QUE NADA NOS ROUBE A ESPERANÇA No início de um novo ano, que acolhemos como uma grande graça de Deus para todos nós, os dias chegam carregados de esperança, expectativas e da vontade

de ser melhor, mudar velhos hábitos. Ficar mais perto de quem amamos, ter uma

alimentação saudável, iniciar uma atividade física ou um curso, conhecer um lugar

diferente estão na lista de desejos de muitos de nós. Somos tomados pela oportunidade de virar a página e começarmos um novo capítulo em nossas vidas.

Os dias nascem e se põem como nos outros dias do ano, mas a atmosfera que

nos contagia garante que os nossos sonhos serão realizados e que alcançaremos

cada uma das nossas metas. Isso se dá porque renovamos primeiramente as nossas esperanças, que mantêm a vida em pé, o coração pulsando. A esperança de

dias melhores é vital para atravessarmos o ano e no tempo devido concluirmos o que prometemos para nós mesmos.

Alimentar essa virtude ao longo dos dias é um desafio, não vou mentir, mas deve ser uma prioridade. Mudanças exigem comprometimento e esforço. Metas e Pe. Anderson Gomes da Silva

PÁROCO

planos não são alcançados sem luta. E somos tomados pela rotina e alguns ob-

jetivos se perdem em meio a tantos afazeres. Somos sugados por preocupações,

pelas horas de trabalho, pela rapidez com que as coisas acontecem e ao invés de vivermos, vamos sobrevivendo.

Siga-me nas redes sociais

Cultivar a nossa esperança é possível quando a regamos com a Água do Espírito Santo e caminhamos com Deus, que sonha nossos sonhos e tem sempre o

melhor para cada um de nós. Que o Senhor esteja conosco. Quem invoca Deus,

Deus ali está presente. Assim, quero propor que diariamente assumamos o compromisso de pedir a graça de ter nossa esperança renovada como se todos os dias fossem um novo começo, como realmente é.

E no final, lá em dezembro, façamos uma avaliação e novas metas para o outro

ano. Desejo que em meio a tantos pedidos optemos pelo essencial: que é ser e estar presente, mudando para melhor a vida dos que caminham conosco. Que possamos transbordar esperança em 2018!

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REVISTA PANORAMA


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FALA PARÓQUIA Sinceramente, considero e sempre comento,

inclusive falei hoje com meu marido, que essa revista é essencialmente evangelizadora; com temas atuais, muito bem ilustrada e aguardo cada mês os novos

temas. Parabéns para todos (as)”. ALCIONE SOARES TEIXEIRA Comunidade Bom Pastor

Assuntos muito interessantes, sempre voltados para a figura

de Cristo, que é o centro da nossa religião. E nesse mês tivemos uma declaração do Papa maravilhosa sobre como o cristão deve se comportar na igreja”. MARIA CLARA BASTOS Comunidade Santa Luzia

A revista Panorama tem sido um canal de evangelização. A cada edição, as matérias publicadas nos incentivam a participar mais ativamente da vida em comunidade, e a nos colocarmos a serviço do Reino”. INÊS Coordenadora do grupo de oração Sagrada Família

pascom@nspsocorro.com.br

Rua São Paulo, s/n – Praia da Costa-ES

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REVISTA PANORAMA


Além de manter a comunidade informada sobre as atividades da igreja, a Panorama traz em seu conteúdo temas atuais e de importância para a sociedade. As matérias transmitem responsabilidade e carinho”. MICHELLE GIOVANNOTTI Comunidade Perpétuo Socorro

Parabenizo a Aves e a Paróquia Nossa Senhora

do Perpétuo Socorro pela Campanha Um Natal Para Todos. Esse gesto solidário de amor ao próximo edifica, ilumina e transforma”. IVONE RIBEIRO Comunidade Santa Luzia

Gosto muito da revista, pois, através

dela, me atualizo com relação ao que

acontece na Igreja. São abordados as-

suntos do universo cristão, divulgadas

entrevistas com saber religioso, o que sempre enriquece o meu mundo espiritual. Desejo que em 2018 ela

continue circulando, pois precisamos ler sobre o que realmente vale a pena saber”. MARIA TEREZA CARDOSO Comunidade Perpétuo Socorro

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REVISTA PANORAMA


VOZ DO PAPA

D

MISSA: MOMENTO DE ORAÇÃO ando continuidade à

é o caminho da vida, rumo ao

com quem está ao lado. Entretanto,

Missa e assim poder en-

“Rezar, como todo verdadeiro

sim de silêncio para assim se prepa-

catequese sobre a Santa

tender e compreender a beleza da celebração Eucarística, onde é possível sentir a presença de

Deus, o Papa Francisco ressalta

um ponto simples, porém, mui-

encontro definitivo com o Senhor. diálogo, é também saber perma-

necer em silêncio”, diz o pontífice. No diálogo há momentos de

silêncio, no silêncio junto a Jesus.

to importante, que é a oração.

“A Santa Missa, a Eucaristia é o

poder sentir o momento, onde

para estarmos com Jesus, e por

Para orar é preciso silêncio para se dá o encontro com o Senhor. Papa Francisco questiona se “sa-

bemos realmente o que é oração” e explica que estar em oração é

estabelecer um diálogo com Deus, é a elevação da alma a Ele, onde

momento privilegiado e único

meio d’Ele, com Deus e com os

Para Francisco, o silêncio é muito

importante, pois através dele nasce

a Palavra de Deus, que toca os cora-

ções e assim permite sentir Sua presença. O próprio Jesus ensina como é possível “estar” realmente com o

Pai, através da oração e do silêncio.

“Recordem o que já disse. Não va-

Moisés, onde este lhe pergunta

encontro com o Senhor e o silêncio

de citar o encontro de Deus com qual era o seu nome, ao que Deus

responde: “Eu Sou Aquele que Sou”. Na maioria das vezes, os católicos

co como pedir. A humildade é o

que o horário marcado e, invaria-

fundamento da oração. A oração

rarem para o encontro com Deus.

irmãos”, destaca o Papa, depois

cada um se humilha, pois não

sabe o que pedir e nem tampou-

não é momento para conversas e

chegam à Santa Missa mais cedo velmente, começam a conversar

8

REVISTA PANORAMA

mos a um espetáculo. Vamos a um nos prepara e nos acompanha”.

Segundo o Santo Padre, é pre-

ciso estar atento, pois se os cris-

tãos não forem capazes de dizer “PAI” a Deus, não são capazes

de orar. É necessário ser humil-


VOZ DO PAPA

de o suficiente para se colocar

milde, saber reconhecer a própria

surpreender”. Elas sempre fazem

fiança e na simplicidade dizer:

sabem em quem confiar, saber

descobrir o mundo, pois, para

na presença de Deus com con“Senhor, ensina-nos a rezar”.

O Papa ressalta que a humildade é a primeira condição para reconhe-

pequenez, assim como as crianças que existe alguém que se preocupa com elas, que não as deixará

passar por nenhuma necessidade.

cer-se filho de Deus, repousar no

A segunda condição também

Reino dos céus é necessário ser hu-

nuou Francisco – “é deixar-se

Pai e n’Ele confiar. Para entrar no

é própria das crianças – conti-

muitas perguntas quando querem elas, tudo é novidade. E assim

também deve ser a relação com o Senhor na oração. O Pontífice

questiona: “deixamo-nos maravilhar? Ou pensamos que a oração é falar a Deus como fazem os

papagaios? Não! É o momento

de entregar-se e abrir o coração para deixarmo-nos maravilhar”.

“Deixamo-nos surpreender por Deus que é sempre o Deus das

surpresas”, continua, “porque o encontro com o Senhor é sempre um encontro vivo. Não um encontro de museu. É um en-

contro vivo e nós vamos à Missa, não a um museu. Vamos a um encontro vivo com o Senhor”.

O Senhor surpreende sempre,

disse o Papa, mostrando que Ele

ama os homens também em suas

fraquezas e pecados; é o Senhor da misericórdia, que perdoa sempre, e conforta através da Eucaristia,

aquele banquete nupcial, no qual o

Esposo encontra-se vivo e presente.

“Posso dizer que quando faço a comunhão na Missa do Senhor

encontro a minha fragilidade? Sim, podemos dizer isso porque isso

é verdade! O Senhor encontra a

nossa fragilidade para nos levar

de volta àquele primeiro chama-

do: o de ser a imagem e seme-

lhança de Deus. Este é o ambiente da Eucaristia, esta é a oração”.

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REVISTA PANORAMA


ARQUIDIOCESE

UMA ARQUITETURA DO SAGRADO

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO É PIONEIRA EM REALIZAR PROJETO DE ARQUITETURA E ARTE SACRA NO ESTADO

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REVISTA PANORAMA


Uma série de outros elementos,

Outro ponto importante durante

liturgia, seguindo as

secretaria, o centro catequético

do em atender a legislação de

sacra, moldado pela

como a parte administrativa da

normas e orientações do Concílio

pastoral, o lugar de recebimen-

Vaticano II convocado pelo Papa João XXIII, precisa ser funcional,

to do dízimo e o local onde os

simbólico e belo, além de promover uma participação ativa, consciente e frutuosa da assembleia onde os espaços litúrgicos estejam con-

templados”. Essa é a afirmação da

arquiteta Raquel Tonini Schneider, responsável pelo planejamento

músicos pudessem guardar seus instrumentos foram levados em

arte sacra, é que reflita e atenda

vo de atender o máximo possível ao programa de necessidades.

corpo para celebrar a Eucaristia e

então pároco, Renato Criste. Na

tura Municipal de Vila Velha.

Conselho Paroquial, com o objeti-

teta, juntamente com a equipe do

vista de uma adequação litúrgica.

em 2009, em uma reunião com o

e o código de obras da Prefei-

“O que, muitas vezes, é novo para

De acordo com Raquel é necessário

A estruturação da obra teve início

acessibilidade, o plano diretor

consideração nos estudos da arqui-

da reforma na Paróquia Nossa

Senhora do Perpétuo Socorro, em

a execução da obra foi o cuida-

que a comunidade se veja como

a vida de fé. “Por essa razão, uma das principais mudanças foi o

deslocamento do arco central e a

nós, em termos de arquitetura e

a um programa de necessidades adequado. Isto significa a con-

tinuidade das obras seguindo o

definido na proposta inicial, o que

também acontece aqui, com o total apoio e incentivo do atual pároco, Anderson Gomes”, ressalta.

recente troca dos bancos”, destaca.

A iconografia

para adequar o espaço litúrgico e

“Com a aquisição dos bancos a

A concepção da iconografia é origi-

mos, inicialmente, as condições de

assembleia a ser mais participativa.

decoração ou adorno, sendo conce-

época, foi realizado um estudo

a iconografia da igreja. “Verifica-

melhora na circulação da sacristia e constatamos que era preciso

pensar todo o espaço, valorizando, também, a Palavra, dando desta-

que ao ambão”, comenta Raquel.

nova ‘Casa de Oração’ vai ajudar a

Foi feito um casamento de melhor angulação para criar um sentido

de unificação de corpo sem perda de lugares. Por isso, eles possuem

uma forma arredondada”, explica.

nal e não pode ser vista como uma bida desde o primeiro olhar litúrgi-

co. Ao se iniciar a proposta de intervenção, o projeto teve como ponto de partida a reorganização do es-

paço litúrgico com a realocação do

altar, buscando sua centralidade no espaço, a partir do uso das formas

geométricas do círculo e do quadrado, simbólicos na iconografia cristã. A parede da esquerda da nave

propõe um caminho mariano que é totalmente cristocêntrico, pois remete aos episódios da vida de Maria. Estão retratadas as cenas da anunciação, visitação, nasci-

mento, apresentação no templo A arquiteta Raquel Tonini Schneider

acompanhando a chegada dos novos bancos na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

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REVISTA PANORAMA

e depois a crucificação. Ao longo

das paredes, as 12 cruzes da dedicação indicam que este é o lugar

ARQUIDIOCESE

“O

projeto de arquitetura


ARQUIDIOCESE

“onde a comunidade se reúne para ouvir a palavra de Deus, elevar a Deus as preces de intercessão e

de louvor e, de modo particular,

para celebrar os sagrados mistérios, e no qual se conserva o Santíssimo Sacramento da Eucaristia”. Os vitrais laterais dos Arcanjos

Miguel e Rafael, assim como o do

Cordeiro, receberam um mosaico trabalhado artesanalmente por

Dom Ruberval Monteiro da Silva, da Ordem de São Bento (OSB).

A linguagem artística simbólica da arte sacra expressa a verdade. As madeiras e pedras utilizadas são

todas originais. Segundo Raquel, os

No vitral do artista Dom Ruberval Monteiro

da Silva a mão do Pai nos apresenta o Filho

documentos do Concílio Vaticano

II auxiliam nesse pedido de retorno

e nos convida a escutá-lo

às origens. O projeto de iluminação

principal, além do projeto paisa-

Arquidiocese de Vitória, cujos

uma agradável leitura e um am-

visual, com objetivo de garantir

da preservação, manutenção,

foi planejado de forma a permitir

biente mais aconchegante e orante. “Colocamos refletores de led e

utilizamos a proposta da iluminação indireta. Somente no corredor das

gístico, acessos e comunicação

objetivos são, entre outros, cuidar

unidade ao conjunto edificado.

reforma e construção de templos vida eclesiástica, através das

Foi feita uma proposta para o retro

Comissão Arquidiocesana de Arte Sacra

foi desenvolvido com a arquiteta

Embora já existisse um pequeno

procissões e no presbitério foram utilizados focos de luz”, pontua. fit da iluminação, cujo projeto

lighting design Daniela Pawelski.

A igreja, toda ela, é um ícone, uma imagem viva. Assim, também as

fachadas se inserem neste contexto, em uma volumetria que reflete o que encontramos no interior

deste espaço, sendo um sinal e

convite a entrar. Ainda em fase de

núcleo, a partir de 2003, com

quatro membros, a Comissão

Arquidiocesana de Arte Sacra

passou a se reunir mensalmente

para análise dos projetos, estudos e alguns encontros de formação.

Em 2008, atendendo o que prevê a Constituição Sacrosanctum

Concilium, do Concílio Vaticano

detalhamento final para execu-

II, é criada, por Dom Luiz

abraça as fachadas, torre e porta

Arte Sacra e Bens Culturais da

ção, sua composição iconográfica

e edificações relacionadas à

Mancilha Vilela, a Comissão de

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REVISTA PANORAMA

orientações e acompanhamento dos projetos e encontros de formação sobre o tema.

No ano de 1971, a CNBB elaborou o Estudo 106 contendo orientações

para projeto e construção de igrejas

e disposição do espaço celebrativo. O

documento contém detalhadamente as normas e orientações exigidas

para ajudar o clero e as comunidades no processo de adequação e

construção dos espaços litúrgicos, além de também instruir uma legislação sobre eficiência

energética e sustentabilidade,

elementos fundamentais para que o projeto seja eficiente.


PR R II V V II LL EE G G II EE N NO O SS SS O O SS P PA AR RC C EE II R RO O SS N NA A EE V VA AN NG G EE LL II Z ZA AÇ ÇÃ ÃO O P


JOVENS

AMOR AO PRÓXIMO:

O EXCESSO QUE LEVA À SEPARAÇÃO EM 21 DE JANEIRO SE CELEBRA O DIA MUNDIAL DAS RELIGIÕES, DATA MARCANTE QUANDO PARAMOS PARA OBSERVAR OS DIVERSOS CENÁRIOS DE INTOLERÂNCIA NOS QUAIS NOS VEMOS INSERIDOS

E

m consulta ao dicionário,

do pensamento de uma divindade

É sempre complicado almejar que

“Crença de que existem forças

fé ou culto: religião protestante”.

integralidade. E, quando tratamos

“religião” pode significar:

superiores (sobrenaturais), sendo

e de sua relação com o indivíduo;

estas responsáveis pela criação

Nos últimos 200 anos, surgiram

sas forças sobrenaturais regem o

e, em países como o Brasil, que

do universo; crença de que es-

destino do ser humano e, por isso, devem ser respeitadas. Comportamento moral e intelectual que

é resultado dessa crença. Reunião

dos princípios, crenças e/ou rituais particulares a um grupo social,

determinado de acordo com certos parâmetros, concebidos a partir

diversos movimentos religiosos recebeu diversas influências culturais, os sincretismos religiosos

e crenças diferenciadas enriquecem a experiência humana do

brasileiro. Existem crenças mile-

nares, tal como a consciência de

Krishna, religiões africanas, dentre tantas outras e movimentos.

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REVISTA PANORAMA

se respeitem as diferenças em sua do complexo mundo das crenças, experimentamos dificuldades de compreensão, entendimento e

respeito às religiosidades alheias. Disto vemos a importância do

diálogo, pois é ele que nos permite a troca, o conhecimento e

o reconhecimento das vivências religiosas dos outros. O fato do

outro professar a sua fé não o torna indigno da convivência comum,

quiçá vítima do desentendimento.


JOVENS

É muito comum conhecermos

pessoas de diferentes religiões e,

consequentemente, com tradições, princípios e hábitos diferentes dos nossos. Entretanto, respeitar essas mesmas diferenças é fundamen-

tal, porque o objetivo central das religiões é transmitir os aspectos positivos dos seres humanos, re-

lacionados à sua natureza, princípios e valores, tendo sempre em mente a compreensão do outro. Assim como ensinou Jesus em

necessária: não se pode cruzar os

religioso são atividades fascinantes,

sobre todas as coisas e o próximo

abusos, fanatismos ou até mes-

para acabar com os fundamen-

seus mandamentos: amar a Deus como a ti mesmo. Jesus pregou o amor, em toda a sua essên-

cia, principalmente no aspecto de respeito e entendimento.

Em dias atuais, religiões de distin-

tas vertentes podem se congregar e reivindicar diversos direitos,

por exemplo, tornando pública a

necessidade de coexistência entre os diferentes. E este é o desper-

tar de uma consciência bastante

braços diante de preconceitos,

mo guerras em nome de Deus.

Quando nos permitimos conhecer as vivências e práticas religiosas

dos outros, não estamos abrindo

interessantes e servem, sobretudo, talismos que ocorrem quando se acredita que deveria existir apenas uma única religião e que as demais deveriam ser abolidas.

mão de nossa própria religião,

Papel primordial tem o jovem

conhecemos religiões diferentes

diálogo e à troca de experiências

muito pelo contrário. Quanto mais das nossas, maior discernimento e

clareza terão também sobre nosso segmento. Dialogar, conhecer,

estudar ou pesquisar o universo

neste contexto: mais aberto ao

com membros das mais diversas

religiões, ele facilita a convivência

entre divergentes. É claro que nem tudo são flores. Existem grupos de

jovens extremistas, tal como alguns grupos islâmicos, e cristãos extre-

mamente tradicionais, que utilizam a religião como fundamento para separação e até mesmo ódio.

Mas, é importante lembrar que, em nome das religiões, não se justi-

ficam guerras e conflitos porque

todas as formas de professar qualquer fé deveriam ensinar o amor

como valor maior da convivência humana. Em nome das religiões, cabem, apenas, atitudes de res-

peito, consideração, diálogo e paz. As religiões são caminhos diferentes que buscam o mesmo fim.

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REVISTA PANORAMA


“Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” Salmos 122:1

Ajude-nos a tornar a nossa comunidade um espaço ainda mais confortável e contemplativo. Os bancos antigos já foram doados a paróquias carentes de Vila Velha, ajudando outros irmãos a celebrarem com mais comodidade. Participe da campanha para aquisição dos novos bancos! Faltam poucos a serem pagos! Contamos com sua colaboração! Doe a quantia que desejar no envelope distribuído nas missas.

Comunidade Cristo Ressuscitado

Comunidade São José

Comunidade Santo Antônio

Comunidade Epifania Comunidade Bom Jesus


LITURGIA

O DIA DO SENHOR N

esta edição de nossa revista

plena o domingo, como dia do

coletânea da Formação Litúr-

um texto do Frei Ariovaldo

ciar melhor a Páscoa semanal dos

parceria da Rede Celebra e da

gostaríamos de partilhar

da Silva, OFM, sobre a importância do domingo. Neste primeiro mês

do ano de 2018, queremos plantar a semente do celebrar de forma

Senhor e, assim, podermos viven-

cristãos não só em nossas celebrações, mas também em nossa vida. Tal reflexão faz parte de uma

18

REVISTA PANORAMA

gica em Mutirão da CNBB, com revista de liturgia. Fica aqui o

convite para que todos possam “saborear essa coletânea”.


LITURGIA

Domingo, Páscoa semanal dos cristãos O “primeiro dia da semana” tornouse dia do Senhor (domingo).

a Páscoa do Senhor e nossa é

Quando os discípulos e discípulas

presente, aqui e agora. Como

mana, perceberam que Ele estava

experimentada como bem viva, diz São Jerônimo (+ 419), cheio de entusiasmo: “O domingo

é o dia da ressurreição, o dia dos cristãos; é o nosso dia”.

Portanto, agora é do Senhor este

Por isso, em algumas línguas esse

falamos do Cristo ressuscitado,

“domingo”, mas de “dia da res-

dia! E quando dizemos do Senhor, vivo. Isto significa: Este é o dia

especial, “primordial”, no dizer do Concílio Vaticano II (cf. SC 106),

em que as comunidades cristãs, reunidas em assembleia, fazem

esta experiência: o Senhor Jesus Cristo está vivo em nós e nós

temos vida em sua vitória sobre a morte. Este é o dia semanal

da Páscoa, ou seja, dia em que

dia até recebeu o nome não de

surreição”. Por exemplo, entre os gregos bizantinos, o domingo é

chamado de “anastasimós”. Na lín-

gua russa, por influência da cultura religiosa bizantina, é chamado de “vosskresenije”. São nomes que

significam a mesma coisa: “ressur-

reição”, “dia da ressurreição”. O domingo é o dia semanal da Páscoa.

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REVISTA PANORAMA

de Jesus, no primeiro dia da sevivo, encheram-se de intenso

júbilo. Não estava tudo perdido,

não! Muito pelo contrário. Agora é que começa o tempo bom, o

tempo novo, o dia novo e eterno.

Estamos salvos para sempre. O fu-

turo é garantido e certo. Na Páscoa de Cristo passamos da situação de frustração e de morte para uma

situação de vitória certa e de vida. Esta é a grande riqueza deste dia, dia do Senhor, dia dos cristãos,

dia das comunidades cristãs, dia de toda a criação renovada.

Verdadeiro “sacramento da Pás-

coa”, este dia nos faz reviver, toda


LITURGIA

semana, a mesma experiência dos

chamamos domingo? Pela Eu-

Neste dia os cristãos celebram

Senhor está vivo nas lutas e vitórias

precisamente a memória daquilo

pelo repouso. Pois, pelo repou-

primeiros discípulos e discípulas: o da gente, e as lutas e vitórias da

gente ganharam sentido na luta e vitória definitiva de Cristo. Neste

dia, como aos apóstolos reunidos no cenáculo, Ele aparece a nós,

reunidos em assembleia litúrgica,

caristia, pois nela celebramos

que é a essência mesma do dia

do Senhor: Páscoa! “Anunciamos, Senhor, a vossa morte, e proclamamos a vossa ressurreição...”,

dizemos nós na oração eucarística.

a sua Páscoa semanal também

so dominical, que renova nossas energias, celebramos (evoca-

mos, simbolizamos) o repouso

total que a Páscoa de Cristo nos garantiu a partir deste dia.

e nos diz: “A paz esteja com vocês”

O domingo é também o dia da

Celebramos este dia como um dia

palavras: fiquem tranquilos, não

que o Senhor ressuscitado abriu o

da semana: Páscoa semanal dos

(cf. Lc 24,36; Jo 20,19). Em outras fiquem tristes, não se desespe-

rem. Estou vivo, sou eu! Sintam-se comigo também vencedores... Como celebramos este “sacra-

mento” semanal da Páscoa, que

escuta da Palavra. Pois foi nesse dia sentido das Escrituras aos dois discípulos de Emaús (cf. Lc 24,25-27). É neste dia que Jesus continua a

nos falar mediante a Palavra proclamada nas assembleias dominicais.

de festa, por ser o dia mais bonito

cristãos, dia do Sol verdadeiro, dia

da eternidade, dia do Espírito Santo que reúne e anima nossas assem-

bleias, dia do Evangelho e da evan-

gelização, dia da solidariedade pela visita aos doentes e participação

em mutirões, dia da própria natureza em festa recebendo nossa visita. O canto dos pássaros, o murmúrio

das águas, o calor do sol, a sombra das árvores, a brisa afagante, a be-

leza das flores, a dança das borbo-

letas, tudo evoca e celebra o mistério da vida que a Páscoa de Cristo resgatou. É a natureza em festa,

sob o olhar contemplativo do ser

humano, celebrando o Senhor dos

dias que deu novo brilho e sentido a tudo. Por isso, faz sentido neste

dia entrarmos em comunhão também com a natureza criada e re-

criada no primeiro de todos os dias e, ao mesmo tempo, ouvir sua voz suplicante: deixem-me viver, não

me destruam, para poder celebrar

sempre, com vocês, a nossa vitória,

a vitória da vida sobre a morte, que o domingo tão bem representa!

20

REVISTA PANORAMA


ESPECIAL

À IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS OU DO HOMEM?

A

CADA VEZ MAIS PRESENTE NA SOCIEDADE, A DITADURA DA BELEZA PERFEITA AINDA É UM GRAVE PROBLEMA

chegada do verão sempre

corpo, mas a sociedade moder-

melhor desempenho físico, e 10%

espécie de religião. Aumenta

cometendo excessos nessa área. Em

recomendação médica. A preo-

atrai novos discípulos a uma

a frequência a templos (academias), a prática de penitências (dietas ra-

dicais e exercícios físicos exaustivos)

e a busca por milagres estéticos. Fervorosos, fazem de tudo pelo dogma do “corpo perfeito” que prega a juventude eterna.

Criado à imagem e semelhança de Deus, o corpo do homem é “templo do Espírito Santo”. Por isso, o cristão tem o dever de cuidar do

na, influenciada pela mídia, vem

lugar de procurar saúde, buscam-se apenas padrões estéticos ditados

pelos meios de comunicação cada vez mais altos e inatingíveis.

A prática de atividades físicas e de

esportes vem crescendo no Brasil. É realizada por 33,8% dos brasileiros

para equilibrar corpo e mente e por cupação com a aparência física

como motivação para a prática de esportes e atividades físicas quase

não é citada, mas os dados sobre o mercado de beleza no Brasil dizem

o contrário. O país é um dos maiores mercados de beleza do mundo.

com mais de 18 anos (dados de

Os brasileiros são campeões em

afirma procurar qualidade de vida

perfumaria, estão em segundo lugar

2013). Quase metade deles (41%) e bem-estar, outros 38% para ter

22

REVISTA PANORAMA

cirurgias plásticas e em gastos com nos cuidados com o cabelo e em


ESPECIAL

terceiro em cosméticos. O país também aparece em segundo lugar em

número de academias (quase 32.000 unidades), e em quarto lugar em

Foto: Antônio Ferrão

número de alunos. Ao todo, mais de 8 milhões de brasileiros frequentam

academias. Muitas vezes, essa vaidade se estende para o exibicionismo. Jovens e adultos circulam com roupas decotadas, curtas, justas, trans-

parentes, para mostrar a todo mun-

do como são fortes, lindos e sarados.

A busca incansável por padrões de beleza inatingíveis tem como consequência o desenvolvimento de

A pressão dos ideais de beleza

impostos pela indústria da moda e

transtornos alimentares como a anorexia

alimentados pela mídia e a valori-

tando com psiquiatra, psicólogo e

Pesquisa e Intervenção Social da

o mercado da vaidade. A toda hora

tem me ajudado muito também.

efeitos nocivos dessa tirania sobre a

zação do corpo perfeito fortalecem propagandas apresentam novas

promessas milagrosas alcançadas por um novo método de cirurgia

um endocrinologista. Minha família Espero que com esse acompanhamento consiga melhorar”.

plástica, pelo uso de anabolizantes

Segundo a psicanalista Natália Nes-

e outros cosméticos. A obsessão

e anorexia aparece em mulheres,

e por uma infinidade de cremes

pela estética termina por provocar doenças sérias em muita gente,

como anorexia, bulimia e vigorexia (transtorno decorrente da prática de exercícios físicos em excesso).

Muitos colocam suas vidas em risco,

consumindo remédios para emagrecer e anabolizantes, ou até mesmo fazendo cirurgias desnecessárias. Foi o que aconteceu com uma

jovem da Paróquia Nossa Senhora

do Perpétuo Socorro, que não quis ser identificada: “Tenho 20 anos e

sofro de distúrbio alimentar desde os 16. Cheguei a pesar 29 kg. Me

poli, a maioria dos casos de bulimia sobretudo na adolescência, a partir dos 12 anos. Muitos pacientes,

porém, apresentam esses sintomas em idades mais precoces ou até

na fase adulta. Natália acredita que a anorexia pode ser considerada

uma patologia com altos índices de mortalidade. “Nos casos de bulimia,

aspectos sociais do problema. “Eu diria que está cada vez mais difícil

achar que a mulher gorda se sentiria à vontade para circular livremente pela cidade. O mundo não foi

projetado para os gordos! Ela não

irá caber na cadeira do cinema... As pessoas à sua volta olham para a

pessoa gorda na praia com ‘cara de

nojo!’ E não sou eu, Joana, que estou falando, são as minhas entrevistadas que me relataram isso”, afirma.

de compulsão alimentar seguidas de comportamentos compensa-

tórios, como vômitos e prática de

exercícios físicos exagerados, mas nem sempre os quadros se caracterizam por baixo peso”, explica.

Joana de Vilhena Novaes, doutora

pavor de engordar. Só de pensar

ra do Núcleo de Doenças da Beleza

sinto ânsia de vômito. Estou me tra-

saúde das mulheres, destacando os

as pacientes apresentam crises

acho gorda, embora todos falem que estou magra demais. Tenho

PUC do Rio de Janeiro, fala dos

em Psicologia Clínica e coordenadodo Laboratório Interdisciplinar de

23

REVISTA PANORAMA

Para Joana é cada vez mais difícil imaginar que uma mulher gorda se sinta à vontade na sociedade de hoje


ESPECIAL

Gordinhos assumidos Enquanto a maioria exalta a cultura

ao corpo, há quem tenha conseguido se livrar dos padrões de beleza

impostos pela sociedade e conviver

harmoniosamente com as imperfeições normais do corpo humano. É

o caso da estudante de Jornalismo, Brenda de Souza Patrício, de 23

anos. Com 1,80m e 100kg, Brenda fala das suas dificuldades. “Eu já sofri muito preconceito por ser

gorda, desde piadinhas mascaradas a severas humilhações, o que me levou a pensar que o problema

estava no meu corpo. Então, co-

mecei a fazer dietas loucas, tomar muitos remédios, me submeti a

muita coisa, nada funcionou”, conta.

Marco da beleza ocidental em 1879, a imagem de Vênus, a deusa do amor, do sexo e da beleza corporal, pintada por Bouguereau, estaria fora do padrão de beleza atuais

elas se aceitavam como são. “Entrei

selhar outras meninas que sofrem

mim, aquilo não era comum. Gordo

procuram para conversar sobre acei-

em um conflito interno porque, para Depois de passar muitos anos sofrendo

com a aparência, foi com ajuda de amigos que Brenda aprendeu a se aceitar

Essa situação só começou a mudar

quando ela entrou na universidade e

se amar? Nunca tinha visto. Então comecei a mudar a ideia que eu

tinha de mim, a me olhar com mais carinho, a me permitir, e as coisas

foram acontecendo na minha vida”.

conheceu outras pessoas fisicamen-

Hoje, ela passou a ser um exemplo

diferente: ao contrário de Brenda,

sua própria experiência para acon-

te parecidas, mas com uma visão

de autoestima e autoaceitação. Usa

24

REVISTA PANORAMA

com seu corpo. “Muitas garotas me tação e eu sempre digo a mesma

coisa: o problema é que a gente se enxerga muito no outro. ‘Ah, que

a garota tal é mais bonita que eu, é mais magra, tem o cabelo mais

bonito’. Pare de se idealizar a partir

do outro, viva você, seja quem você é! Reconhecer que outras pessoas são bonitas é bom, é normal, mas


ESPECIAL

Bouguereau, em 1879, representa um marco da beleza ocidental.

Mas, hoje, seu corpo estaria fora

do padrão de beleza apresentado pelo cinema, televisão e revistas. A busca por um padrão quase

inalcançável para a maioria das

mulheres é considerada por muitos uma verdadeira “ditadura da

estética”. A historiadora Mary Del Priori ridiculariza esse padrão: “é

assustador o número de mulheres

que optam pela imagem da Barbie americana, dona de volumosos

seios de plástico, cabeleiras louras falsas e lábios de Pato Donald”. A

busca do “corpo perfeito” lembra a história de Pigmaleão. Esse per-

sonagem da mitologia grega, ao

tentar esculpir a mulher perfeita, se apaixona pela própria obra.

A sociedade atual também ama

esse corpo perfeito inalcançável.

Sedentarismo Apesar do aumento da prática de

sem tirar o seu valor. Você também é bonita, você também tem seu valor, então, se admire, se ame,

saiba o seu valor. Isso é libertador”.

já cultuavam a beleza do corpo

humano, retratado em estátuas e pinturas, e iam a academias. Mas os gregos valorizavam de “igual” modo a beleza do pensamento e o amor pelo conhecimento:

“mens sana in corpore sano”

A beleza A busca pela beleza não é um

fenômeno exclusivo dos tempos

atuais. Na antiguidade, os gregos

(mente saudável em corpo são). Além disso, a beleza física é um

conceito temporal, que muda ao longo da história. A imagem de

Vênus, a deusa do amor, do sexo

e da beleza corporal, pintada por

25

REVISTA PANORAMA

esportes e de atividades físicas, o Brasil mantém o índice da população acima do peso. A pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e

Proteção para Doenças Crônicas indica que mais de 100 milhões

estão acima do peso ideal e, destes, 17,5% são obesos. Os núme-

ros são muito semelhantes ao de sedentários no Brasil: 45,9% dos

brasileiros com 15 ou mais anos de vida não praticam esportes nem

atividades físicas. Um terço deles

tem consciência que isso implica


ESPECIAL

riscos para a saúde, mas mais da metade não quer fazer esforço ou diz não ter tempo, a principal desculpa de quem desiste de realizar alguma atividade.

A pesquisa também mostrou que aumentou o consumo de frutas e

hortaliças, mas 16,5% dos brasileiros substituem diariamente o al-

moço ou jantar por lanches, como pizzas, sanduíches e salgados;

23,3% ingerem refrigerantes, no

mínimo, cinco dias por semana; e

31% consomem carnes gordurosas e alimentos com gordura saturada.

Brenda: “meu corpo é a minha casa.

Se eu não cuido de mim, como vou

Cuidar do corpo

cuidar de quem precisa?”

É dever do cristão cuidar de seu corpo físico, mas há muitas maneiras de se destruir o templo

físico. O livro de Levítico contém

adequado, comida em excesso e

deve ser a vida física dos israelitas

de Deus: falta de exercício físico de má qualidade, passar noites

em claro continuamente, vícios

como cigarro ou drogas, e outros. Na Bíblia, o ser humano é consi-

muitas leis que orientam como

A universitária Brenda de Souza

deve conservar-se forte e santo.

é nossa casa terrena, então, não

po, como instrumento da alma,

O apóstolo Paulo não via nenhuma

são inseparáveis (1 Ts 5.23; Hb

de jejum, de leitura e meditação

4.12). A ressurreição é gloriosa

porque a parte espiritual do ser

humano voltará a unir-se com sua parte física totalmente restaurada, para aqueles que morreram em Cristo (1 Co 15; 1Ts 4.16).

Quando da criação do mundo e do homem, Deus disse ao final

que tudo era muito bom (Gn 1.31), inclusive o homem e seu corpo

Judéia, Samaria e Galiléia (Mt 9.35).

a fim de ensiná-los que o cor-

derado de forma integral. Tanto

o espírito como a alma e o corpo

discípulos percorriam a pé toda

contradição entre a vida de oração, nas Escrituras, com a prática de

alguma atividade física. “Se alguém destruir o templo (corpo humano) de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus que sois vós, é santo”. (Co 3.17) Os homens

e mulheres da Bíblia eram, com

certeza, pessoas com excelentes

condições físicas. Eles realizavam

muito trabalho manual e andavam longas distâncias. Jesus e seus

26

REVISTA PANORAMA

Patrício reconhece que o corpo é possível odiá-la e maltratá-la

pelo resto da vida. “Meu corpo é a minha casa, onde minha es-

sência habita (alma e espírito). O primeiro passo é tentar resolver

os problemas internos. Quando a

gente começa a se amar verdadeiramente pode transferir este amor real ao próximo. A gente só pode dar o que a gente tem, então,

se eu não sentir amor por mim,

como vou amar meu próximo? Se eu não cuido de mim, como vou cuidar de quem precisa? Se en-

cher até transbordar”, ressaltou.


Foto: Antônio Ferrão

ESPECIAL


PERSONAGEM

O OLHAR E O DOM A SERVIÇO DE DEUS

TEMOS DIFERENTES DONS, DE ACORDO COM A GRAÇA QUE NOS FOI DADA. SE ALGUÉM TEM O DOM DE PROFETIZAR, USE-O NA PROPORÇÃO DA SUA FÉ (ROM 12,6)

28

REVISTA PANORAMA


PERSONAGEM

N

o dia 08 de janeiro come-

já pensava em ser sacerdote”, lem-

zado”, diz ele, orgulhoso, que tem

Na Paróquia Nossa Senhora

o seminário em Boa Esperança,

Versatilidade é uma palavra que

mora-se o Dia do Fotógrafo.

do Perpétuo Socorro, uma figura

em especial é lembrada nessa data. Seu nome é Antônio Ailton Gava Ferrão. Natural de Alto Montevi-

deo, que atualmente pertence a

Conceição do Castelo, desde 2012 ele reside na Praia do Ribeiro, em Vila Velha. Desde então, frequenta a comunidade Santa Luzia.

Quem o vê de câmera em punho

registrando os melhores momentos dos principais eventos da Paróquia não imagina que ele iniciou seu

servir na equipe do canto, tendo atuado, também, na catequese

de Crisma e equipe de acolhida. Criado dentro de um lar cristão,

bra. Assim, aos 10 anos ele foi para hoje distrito de Vargem Alta, onde cursou o ginásio. Permaneceu no

seminário salesiano, fazendo o 1º e 2º anos científicos em Araxá (MG). Concluiu o noviciado na cidade

e atualmente é oficial de justiça.

62 anos, ele é casado há 15 com

ficava dentro da então Faculdade Dom Bosco, em São João del Rei. “No final da faculdade, deixei o

seminário e vim para Vitória para

ficar mais perto da minha família.

Comecei a trabalhar como professor e orientador educacional no

Colégio Salesiano de Vitória. Após a saída do seminário, não aban-

donei nem Deus e nem a Igreja”.

lutaram para que todos os filhos

e a Igreja Católica era um lar para

educacional, ele trabalhou na roça

Pedagogia no Seminário Maior, que

os cursos superiores de Filosofia e

de meus avós e pais eram católi-

estava sempre em primeiro lugar

Além de professor e orientador

Em sua primeira união, Antônio

Seus pais reconheciam a impor-

cas fervorosas e praticantes. Deus

faz parte de sua personalidade.

mineira de Barbacena, bem como

desde muito cedo estabeleceu

vínculos com a Igreja. “As famílias

formação em Pedagogia e Direito.

tância da educação e do ensino e tivessem, pelo menos, o Ensino

Superior. “Sonho totalmente reali-

teve dois filhos: Tiago e Lívia. Aos Geralda Aparecida do Espírito San-

to, a quem carinhosamente chama de Gegê. “Um dia Deus me apre-

sentou um príncipe. Não estava em um cavalo branco, mas sobre uma moto. E a nossa história começou.

Ailton é íntegro, companheiro, bom chefe de família, um pai presente

e um marido cuidadoso e amoroso. Amar é seu ofício. E assim ele

também é no trabalho, na igreja e na sociedade. Ailton não faz nada

‘mais ou menos’, ele faz o melhor, pois se entrega de corpo e alma

àquilo a que se dedica”, fala Gegê.

nós”, conta. Mais velho de nove

irmãos, Antônio lembra que em

casa todos receberam orientação

Esposa de Antônio,

religiosa. “Hoje, Deus continua no

Geralda diz que ele sempre busca o

centro de nossas vidas; mas cada

melhor ângulo de tudo

um tem liberdade para se ligar a

na vida, não apenas na

Ele com a frequência, o fervor, a

fotografia

necessidade que deseja”, declara. Toda essa vivência despertou nele

o desejo de servir na Igreja, fazendo com que chegasse a pensar em ser padre. “Minha família valorizava

muito a presença do padre. Fiz a

Primeira Eucaristia com sete anos e

29

REVISTA PANORAMA


PERSONAGEM

Ela conta que desde quando

da Paróquia Nossa Senhora do

do. Dono de um olhar diferenciado,

propósito de servir à Igreja. “Partici-

Pastoral da Comunicação (Pas-

busca de um ângulo novo para os

começaram a namorar já tinham o pamos há muito tempo da equipe de canto da comunidade Santo Antônio, depois, por motivo de

mudança de endereço, passamos

Perpétuo Socorro. Voluntário na com), é dele a maioria dos registros fotográficos que aparecem nas

redes sociais e site da Paróquia.

a frequentar a comunidade Santa

O interesse pela fotografia veio aos

frequentado a comunidade dos

do comprou sua primeira câmera

Luzia. Por percalços da vida, tenho meus pais, que já estão idosos e necessitam dos filhos”, explica.

Paixão pelos cliques Atualmente, Antônio é conhe-

cido como o “fotógrafo oficial”

poucos, ganhando fôlego quan-

semiprofissional. “Há muito tempo

ele conta que está sempre em

registros que realiza. “Faço muitas fotos ‘comuns’, ou seja, apenas

registros de um evento. Porém, o

que busco mesmo é a arte. Quando tenho tempo, local e inspira-

ção tento fazer algo mais bonito, tento fazer da foto uma arte”.

gosto de fotografia. Quando adquiri

Na igreja, Antônio fala que gosta

aprender mais. A partir daí, fiz vá-

chances de fazer algo diferente.

a câmera, logo senti necessidade de rios cursos, comprei equipamentos melhores e treinei bastante”, diz.

Para ele, a atuação na Pascom e os

clique feitos para a Paróquia foram e continuam sendo um aprendiza-

de fotografar o que me dá mais

“As procissões dão bons cliques,

assim como algumas encenações. A missa da alvorada da Ressurrei-

ção, a procissão de Corpus Christi

e o passeio ciclístico do projeto de verão também sempre permitem

realizar bons registros. Fotografia é

para mim um hobby, por isso estou sempre em busca da arte”, conclui. Sua dedicação à fotografia é

acompanhada de perto pela

esposa. “Os caminhos de Deus são insondáveis. Era preciso que tudo pelo que passamos se realizasse,

afinal, nosso Pai tinha um propósito para ele. E assim surgiu um

grande fotógrafo. Suas imagens

captam amor, pois Ailton é assim, vê tudo através do ‘melhor ân-

gulo’, não apenas na fotografia, Antônio Ferrão já passou por várias equipes na Paróquia e hoje está na Pascom, sendo

conhecido como o fotógrafo oficial

mas em todos os aspectos da vida. Na condição de esposa,

somente tenho que agradecer a Deus por ter me concedido

a honra de ser casada com um

homem tão ímpar como Antônio Ailton Gava Ferrão”, conclui.

30

REVISTA PANORAMA


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IGREJA EM AÇÃO

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2018

R

EM CRISTO SOMOS TODOS IRMÃOS

efletir sobre a problemática

tas que expressem a conversão e a

em como superá-la. Essa é a

Busca também analisar as múltiplas

da violência, particularmente

proposta da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para

a Campanha da Fraternidade (CF)

2018, que terá como tema “Frater-

nidade e superação da violência”, e o lema “Em Cristo somos todos irmãos” (Mt 23,8).

O objetivo geral da Campanha de 2018 é construir a fraternidade,

reconciliação no espírito quaresmal. formas de violência, identificar o

alcance dela nas realidades urbana e rural do país, valorizando a família e

a escola como espaços de convivência fraterna. Identificar, acompanhar e reivindicar políticas públicas de

superação da desigualdade social

e da violência são outras metas da iniciativa.

promovendo a cultura da paz, da

A Igreja no Brasil escolheu o tema

Palavra de Deus, como caminho

ces de violência no país. Além de

novas propostas com esse objetivo.

evidência as iniciativas que existem

lo 23 do Evangelho de São Mateus,

reconciliação e da justiça à luz da de superação da violência, além de

anunciar a Boa Nova da fraternidade

e da paz, estimulando ações concre-

devido ao crescimento dos índimapeá-la, colocará também em

para superá-la, bem como despertar

32

REVISTA PANORAMA

O lema da CF foi extraído do capítuno qual Jesus repreende os fariseus


IGREJA EM AÇÃO

e mestres da lei por suas práticas

não serem coerentes com os seus

discursos. Os fariseus e mestres da

lei valorizavam a sociedade hierarquizada. Jesus propõe-lhes, então,

um novo modelo mais comunitário e fraterno: “Vós sois todos irmãos”. “Apesar de ser a oitava maior economia mundial, o Brasil é o déci-

mo país mais desigual do mundo,

segundo o Relatório de Desenvolvi-

mento Humano, de 2016, elaborado

pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em relação à violência letal, por exemplo, os números apontados pelo Mapa da Violência 2016

O crescimento dos índices de violência no Brasil

mostram que, no Brasil, cinco pes-

fez com que a CNBB decidisse tratar do tema na Campanha da Fraternidade deste ano

soas são mortas por arma de fogo a

cada hora. A cada único dia são 123 pessoas assassinadas dessa forma.

é desrespeitado: preconceitos,

“A CF nos provoca a sermos constru-

assassinados. No país, há locais mais

para doentes e pessoas com de-

dade. Superar a violência é tarefa de

Por ano, quase 60 mil brasileiros são seguros que a Europa e mais vio-

lentos que a Síria. Talvez, por isso, a

violência letal não apareça como um escândalo que clama aos céus para muitos segmentos da sociedade e

racismo, falta de atendimento

ficiência, tráfico de drogas, crianças sem escola, falta de políticas públicas de saúde e educação, desemprego, fome, etc.

dos governos. Essas cifras revelam

A Campanha da Fraternidade da

por arma de fogo do que nas cha-

durante o tempo forte da Quares-

que, no Brasil, ocorrem mais mortes cinas e atentados que acontecem

em todo o mundo. Contam-se mais homicídios aqui do que em diver-

sas das guerras recentes”. (SOUZA, Robson; 2018)

A violência que a campanha quer superar não é só o que costuma-se chamar de guerra, crime e

agressão. Existe violência toda vez que o legítimo direito de alguém

Igreja Católica no Brasil é realizada ma, pois é um tempo de revisão,

conversão e mudança de vida, isto

tores da paz e gestores da fraterni-

todo cristão, pois recebemos o mandamento do amor como vocação e missão. Fomos em Cristo adotados como filhos e filhas, recebemos a

dignidade filial (GL4,5). Superamos

a violência quando fomos tomados pela paternidade de Deus e pela

filiação em Jesus”, diz o texto base da CF 2018.

é, transformação em Cristo. Tem

A Campanha da Fraternidade quer

a solidariedade de todos os seus

de, com base na justiça e no amor,

como principal objetivo despertar fiéis e também da sociedade brasileira, em um problema que envolve todas as comunidades cristãs

católicas e ecumênicas, buscando, assim, uma solução para resolver esses problemas.

33

REVISTA PANORAMA

educar para a vida em fraternida-

exigências centrais do Evangelho, e renovar a consciência da responsa-

bilidade de todos pela ação da Igreja Católica na evangelização e na

promoção humana, tendo em vista uma sociedade justa e solidária.


DEVOCIONAL

DOM BOSCO: PADROEIRO DOS JOVENS

N

ascido como João Mel-

familiares. Uma grande marca de

No século XIX, Dom Bosco, após

é aclamado e venerado

cia na busca dos objetivos. Quando

evangelização, criou grupos de ca-

chior Bosco, Dom Bosco

como o padroeiro dos jovens, conhecido como o “Pai e Mestre da

Juventude”. Filho de camponeses pobres e analfabetos, o pequeno

João Bosco ficou órfão de pai aos dois anos de idade. Por isso, sua infância e juventude transcorreram em meio a grandes dificul-

dades, tanto financeiras quanto

sua personalidade era a persistênmenino, era muito determinado nos estudos, mas sem ter meios para tanto, chegou a mendigar

para continuar estudando. João

Bosco trabalhou como sapateiro, ferreiro, carpinteiro, alfaiate e,

quando conseguia um tempo livre, estudava música, uma de suas grandes aptidões.

34

REVISTA PANORAMA

começar a se dedicar totalmente à

tequese e orientações profissionais direcionadas aos jovens da época.

Entende-se que tal vocação tenha surgido de um sonho, em que

ele estava brigando com outros

meninos e um homem que alguns

acreditam ser Jesus Cristo, se aproximou e disse para educar, não

com pancadas, mas com carinho.


DEVOCIONAL

Oração

Dom Bosco é considerado o fun-

dador da Congregação Salesiana, que tem a missão de ajudar os

jovens, principalmente os pobres e

os que estão em situações de risco. O padroeiro dos jovens também

“Oh! Pai e mestre da juventude, São João Bosco, que tanto trabalhastes pela salva-

é conhecido pelos seus supostos

ção das almas, sede nosso guia em buscar

Bosco é considerado padroeiro

ajudai-nos a vencer as paixões e o respeito

sonhos premonitórios. Aliás, Dom de Brasília porque, de acordo com

o bem da nossa e a salvação do próximo,

alguns intérpretes, um dos seus so-

humano, ensinai-nos a amar a Jesus Sacra-

brasileira.

ao Papa, e obtende-nos de Deus uma santa

nhos se referia à criação da capital

A data de celebração das obras de

mentado, à Maria Santíssima Auxiliadora e

morte, para que possamos um dia achar-nos juntos no Céu. Assim seja.

Dom Bosco foi escolhida em home-

Amém”.

nagem ao dia de sua morte, em 31 de janeiro de 1888.

35

REVISTA PANORAMA


COMUNIDADE

VERÃO: COMO ESTÁ A QUALIDADE DA ÁGUA DE NOSSAS PRAIAS? CONFIRA O TESTE DE BALNEABILIDADE DA ORLA DE VILA VELHA

J

á é verão e nada melhor que

O último teste de balneabilidade

Itaparica I, Praia de Itaparica II, Praia

corpo em tempos de altas tem-

lha, em 22 de dezembro, mostra que

Costa II. As impróprias são Praia da

um mergulho para refrescar o

peraturas. Mas, como será que está a qualidade das praias em Vila Velha?

Será que banhistas podem desfrutar do mar tranquilamente ou as águas estão poluídas?

realizado pela Prefeitura de Vila Vedas 12 praias pesquisadas, 9 estão

próprias para banho e 3 impróprias.

de Itapuã, Praia da Costa e Praia da

Barrinha, Praia do Ribeiro e Prainha.

As próprias são Praia do Barrão,

Além disso, há duas lagoas pesqui-

Praia de Ponta da Fruta II, Praia de

Lagoa Grande e Lagoa Morada do Sol.

Praia dos Recifes, Ponta da Fruta I,

36

REVISTA PANORAMA

sadas, ambas próprias para banho:


COMUNIDADE

Mas o que interfere na qualidade

Uma vez classificado como impró-

rede coletora. Se houver descumpri-

praia apresenta trechos próprios

e se tornar próprio novamente?

poderá ser autuado com multa.

dessas águas? Por que uma mesma e impróprios? De quem é a culpa por essa instabilidade qualitativa

do mar? O que pode ser feito para

contribuir com um ambiente mais saudável? Para esclarecer essas e

outras dúvidas, a Panorama conversou com a Subsecretaria de Meio

Ambiente da Prefeitura de Vila Ve-

lha, coordenada pelo subsecretário

Maurício Gorza. Confira a entrevista: PANORAMA: Como se classifica um local impróprio para banho?

MAURÍCIO: A classificação das

condições de balneabilidade de

praias e lagos do município de Vila

prio, como ele pode ser recuperado Existem locais em que essa classificação muda em meses alternados.

O que o turista e o capixaba podem

para a mudança de classificação são

A malha amostral da balneabilidade

Uma das causas que mais contribui as chuvas intensas e prolongadas.

Uma das explicações é que as águas das chuvas em grande volume movimentam os fundos dos canais de água pluvial que cortam a cidade,

onde fica depositada uma camada

de “lama” contaminada pelo esgoto

que é lançado irregularmente no sistema de drenagem pluvial. Com as chuvas, essas águas contaminadas chegam às praias e lagoas.

Velha é feita com base na Resolução

Como é essa recuperação da quali-

dois grupos de bactérias para a

A recuperação depende da im-

CONAMA Nº 274/2000. Utilizamos

detectar a contaminação fecal das águas: para praias, Enterococos;

para lagoas, Escherchia coli. São,

portanto, bactérias indicadoras da qualidade sanitária das águas. São

realizadas cinco amostras semanal-

mente e consideradas próprias para

dade da água?

plantação de redes coletoras e de

estações de tratamento de esgoto. A qualidade também depende da

eficiência das estações de tratamento, sendo ideais as que operam com eficiência superior a 90%.

a recreação e lazer, em atividades

Em 2017 houve muitas denúncias

água, quando em 80% das amostras

mar em Vitória por imóveis que

semanas anteriores, colhidas no

esgoto. Este problema também

em que há contato direto com a obtidas em cada uma das cinco

mesmo local, houver, no máximo

100 Enterococos por 100 mililitros

de água da praia. Em lagoas, quando em 80% das amostras obtidas em cada uma das cinco semanas

anteriores, colhidas no mesmo local, houver, no máximo 800 Escherichia

coli por 100 mililitros.

mento da notificação, o munícipe

de despejo de esgoto in natura no

não fizeram a ligação da rede de acontece em Vila Velha?

Acontece sim. A Prefeitura man-

tém um cadastro dos logradouros

que possuem as redes coletoras de

esgoto instaladas e a fiscalização de meio ambiente notifica os proprietários que ainda não realizaram a

interligação do esgoto domiciliar à

37

REVISTA PANORAMA

esperar da qualidade da água?

de praias e lagos do município de

Vila Velha possui 14 pontos monitorados, sendo dois de lagoas (Lagoa

Grande e da Morada do Sol). Apenas

três pontos são praticamente impróprios durante todo o ano:

- Praia da Barrinha, na foz do rio Jucu;

- Prainha, próxima ao centro de Vila Velha;

- Praia do Ribeiro, no bairro Praia da

Costa, sendo que esta última fica de frente para a Baía de Vitória.

No site da Prefeitura Municipal de

Vila Velha o turista e os moradores podem consultar sobre as condi-

ções de balneabilidade das principais praias e lagoas do município. E o que o turista e o capixaba

podem fazer para contribuir com a qualidade da água?

Os turistas evitando jogar lixo e res-

to de alimentos nas águas das praias e lagoas. O vilavelhense fazendo a interligação do esgoto domiciliar à rede coletora, quando esta se

encontrar disponível e em funcionamento; realizando com frequência

a limpeza das caixas de esgoto em seus imóveis. E o Poder Público

investindo em saneamento, monito-

rando e fiscalizando as praias e lagos utilizadas pela população.


COMUNIDADE

A Prainha, no centro de Vila Velha, é um dos trechos impróprios para banho no município

Teste de balneabilidade

Veja o quadro abaixo para identificar a qualidade de cada praia. Praia do Barrão – Av. Andersem Fidalgo Pereira – própria Praia dos Recifes – em frente à Rua Mar Azul – própria Praia de Ponta da Fruta I – em frente à pracinha – própria Praia de Ponta da Fruta II – em frente à Rua da Bomba – própria Praia da Barrinha – próxima à foz do Rio Jucu – imprópria Praia de Itaparica I – em frente à Rua Itaiabaia – própria Praia de Itaparica II – Colônia de Pescadores – própria Praia de Itapuã – Beverly Hills – em frente à Rua Jair de Andrade – própria Praia da Costa – em frente à Av. Champagnat – própria Praia da Costa II – Praia da Sereia – própria Praia do Ribeiro – em frente à Rua Santa Berenice – imprópria Prainha – meio da Prainha – imprópria Lagoa Grande – Av. Espírito Santo – própria Lagoa Morada do Sol – em frente à Rua Gerânios – própria

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REVISTA PANORAMA


CONSCIÊNCIA CRISTÃ

FOLIA DE REIS: UM RETORNO ÀS TRADIÇÕES

“M

eu Senhor entra na

folclórico (espécie de folguedo). Ela

bém, eles iam recolhendo donativos

ascende a luz, que já

até o Dia de Reis, em 6 de janeiro.

20 de janeiro, Dia de São Sebastiao.

casa, abre a porta e

vêm Santos Reis, que são filhos de

Jesus, que são filhos de Jesus”. Este

trecho de música fez parte da infância do senhor Epaminondas Casé,

em Santa Teresa. Ele conta que, na

sua juventude, a melodia vinha para avisar que a Folia de Reis estava se iniciando.

Também conhecida como Reisa-

é realizada entre o período do Natal Na Folia de Reis, grupos organiza-

dos de pessoas saem pelas ruas da

cidade visitando as casas e tocando músicas populares e entoando

cânticos bíblicos em homenagem

aos Reis Magos e ao nascimento de

Eles chegavam cantando músicas

bonitas, acompanhados de instru-

mentos musicais, violão, pandeiros, uma música que emocionava todo mundo”, recorda-se Epaminondas.

Jesus. Junto com os músicos vão

Alguns aspectos tradicionais da

sonagens ligados ao tema da festa.

o Brasil no final do período colo-

pessoas vestidas com roupas de per-

do, trata-se de uma festa popular

“Eu me lembro que chegavam os

lico), considerada, ainda, de caráter

do uma bandeira e uma estrela tam-

brasileira de cunho religioso (cató-

para uma festa que faziam no dia

cantores com a Folia de Reis portan-

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REVISTA PANORAMA

Folia de Reis foram trazidos para nial (provavelmente no começo

do século XIX) pelos portugueses.

Porém, de acordo com estudiosos da cultura popular, esta festa tem


CONSCIÊNCIA CRISTÃ

sua origem na Espanha. A porta de

entrada por aqui foi o nordeste bra-

sileiro. Porém, no país a Folia de Reis ganhou traços culturais particulares, incorporando aspectos da cultura

brasileira. Um destes exemplos está

presente na música, com a presença das batidas típicas dos tambores

africanos. Vale dizer também que a festa possui traços particulares em

Principais cidades que realizam a Folia de Reis: Muqui (ES)

Quirinópolis (GO)

Parati (RJ)

Presidente Olegário (MG)

Sabará (MG) Sorocaba (SP)

Rio de Janeiro (RJ) Rubim (MG)

Teresópolis (RJ)

São João d’Aliança (GO) Salvador (BA)

Guaxupé (MG)

Nova Fátima (GO) Rio das Flores (RJ)

cada região do Brasil.

Embora não tenha participado de

muitas comemorações, Epaminon-

das sente saudades e gostaria que a

Principais personagens da Folia de Reis:

entre os jovens da atualidade. “A

- Três Reis Magos: representam os reis magos que visita-

tradicional festa fosse mais popular Igreja Católica é muito rica nas tra-

dições. Acho que há coisas que de-

veriam continuar porque são muito

válidas e tudo serve para catequisar e guiar os jovens para um caminho

melhor, que não seja essa perversão que existe hoje. No meu tempo não existiam drogas; era uma juventude

muito mais sadia e dedicada à Igreja que hoje, eu acho importante. Se

isso voltasse, seria mais uma coisa para ter uma juventude unida”, avalia.

ram Jesus e o presentearam com incenso, ouro e mirra. - Mestre palhaço: responsável pela animação da festa, através de danças, pulos e brincadeiras.

- Coro: canta as músicas, louvores e entoações de cânticos religiosos.

- Mestre (também conhecido como embaixador): responsável pela organização da festa.

- Bandeireiro: espécie de porta bandeiras da festa. A

bandeira geralmente é feita com tecido brilhante e tem a imagem dos três Reis Magos estampada.

- Festeiro: é em sua casa que geralmente ocorre a cerimônia da “tirada da bandeira”.

- Banda musical: músicos uniformizados tocando violão, sanfona, zabumba, pandeiro, surdo, caixa, triângulo e flauta. Natural de Santa Teresa, o senhor

Epaminondas lembra com saudades da Folia de Reis de sua cidade

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Panorama - Janeiro 2018  

Edição de Janeiro de 2018

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